Últimas indefectivações

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Alguns exageros


"1. Não temos Benfica desde 20 de setembro. Por Benfica entenda-se jogos da equipa de futebol. Nesse sentido, só voltamos a ter Benfica a 11 de outubro. São 20 dias sem Benfica. Um exagero. E porquê este martírio? Ora por causa da pausa nas competições internas motivada pelo trabalho da seleção.

2. Outro exagero. O Benfica, que é o que nos interessa, forneceu jogadores para meia dúzia de equipas nacionais deixando Marco Silva, no Seixal, com um reduzido número de jogadores a cargo. Seixal que passou a ter um novo nome depois de celebrado o contrato de renovação da parceria com a adidas. Chama-se agora o centro de formação do nosso clube “adidas Benfica Campus”. O Benfica e a adidas mantêm uma relação desde 1997. Já é uma coisa séria.

3. Quando ainda não se chamava adidas Benfica Campus já era uma “escola” de renome mundial. Se olharmos para a atual seleção nacional vemos por lá um conjunto impressionante de jogadores formados no Seixal. Mais exageros. Estas quatro vitórias da seleção no arranque do apuramento para a Liga das Nações tem a marca Benfica impressa jogo a jogo. Ou, se quisermos, tem a marca da formação do Benfica quase golo a golo.

4. João Félix, João Cancelo, Gonçalo Ramos foram autores dos sucessos da nova era da seleção nacional. Podiam ter-se limitado a marcar golos e já seriam merecedores de aplauso. Mas, para além desses pormenores, jogaram que se fartaram.

5. Os jogadores estrangeiros do Benfica que estiveram de serviço nas suas respetivas seleções também foram notícia. A notícia que não queríamos ouvir foi a da lesão de Sudakov ao serviço da sua Ucrânia. Houve, no entanto, jogadores que brilharam como o nosso Lukebakio, internacional belga, que marcou à Itália e à França, e como Leandro Barreiro, que marcou pelo seu Luxemburgo. E também como Prestianni, que se estreou a marcar pela seleção da Argentina.

6. Neste período sem Benfica e com seleções encontraram-se por duas vezes em campos opostos cinco jogadores da nossa equipa. Samuel Soares, Tomás Araújo e João Palhinha pelo lado português e Fredrik Aursnes e Andreas Schjelderup pelo lado norueguês. Trocaram-se muitos abraços no fim desses encontros. O benfiquista mais utilizado foi o nosso capitão Aursnes, que foi titular nos 4 jogos da Noruega e jogou a lateral-direito, a lateral-esquerdo e a médio. A máquina Aursnes a funcionar.

7. Vinte dias depois, volta o Benfica a jogar para o Campeonato Nacional. É já neste domingo, às 6 da tarde, e o adversário é o Vitória que vem de Guimarães. Carrega, Benfica!"

Leonor Pinhão, in O Benfica

Hasta la próxima!


"EM 1967, A EQUIPA DE ANDEBOL DO BENFICA GANHOU BRILHANTEMENTE O TROFEO ANDEBOL CORPUS, EM GRANADA.

Terminado o jogo frente ao Técnico, para o Campeonato Regional de Sete da época 1966/67, a equipa de andebol do Benfica pegou nas suas malas e entrou no autocarro do Clube, da marca Scania Vabis. O seu destino era Espanha, pois havido sido convidada pela Federação de Andebol de Granada para participar no I Gran Tofreo de Balonmano, “durante as festas de Corpo de Deus” de 1967.
Já era de noite quando a comitiva encarnada partiu de Lisboa, a 31 de maio. Pernoitou em Beja, para retomar a viagem no dia seguinte em direção à cidade de Granada, na Andaluzia, onde ficaria instalada no “Hotel Suizo sito en Puerta Real granadina”.
O Benfica, recém-campeão regional de andebol, teve um início promissor neste torneio internacional amigável, ao vencer por 19-11 a seleção granadina, a 2 de junho. A “exibição de excelente nível” da equipa encarnada im - pressionou o público espanhol, que se deslocou em grande número ao colégio particular onde se realizou a prova.
Dois dias depois, o Clube venceu “com toda a autoridade” o Fraymon, por 21-11. Todavia, apesar da larga diferença no resultado, a equipa de Múrcia foi um adversário mais difícil de superar que o primeiro. Os golos do conjunto encarnado, composto por figuras inesquecíveis do andebol nacional, foram obtidos por Plácido Abreu, que marcou seis; Ângelo Pintado e Borges, com quatro cada um; Miranda Dias, Figueiredo e Oliveira, que bisaram; e Sertório fechou as contas.
Com esta vitória, os campeões lisboetas demonstraram ser “a melhor equipa, em todos os capítulos” do I Gran Trofeo de Balonmano, sendo premiados com o Trofeo Andebol Corpus, “de grandes dimensões e bastante valor”.
Pela sua brilhante exibição e desportivismo, o Clube deixou uma “ótima im - pressão” e, ainda antes de regressar a Lisboa, a 5 de junho, foi logo convidado para a segunda edição do torneio, no ano seguinte, e para um futuro jogo particular com o Fraymon.
Saiba mais sobre os troféus conquistados pelo andebol do Clube na área 3 – Orgulho Eclético, do Museu Benfica – Cosme Damião."

Lídia Jorge, in O Benfica

Por uma arbitragem transparente


"Quem gosta de desporto e vive o fenómeno com paixão, de acordo com os princípios que o devem reger, não tem medo nem da competição nem das dificuldades. O problema surge quando as intervenções externas aos campos, aos pavilhões, às pistas ou às piscinas começam a tomar conta dos resultados e a colocar em causa o trabalho e o sacrifício de atletas, treinadores e dirigentes.
Vem isto à boleia do documento entregue pelo SL Benfica à Federação Portuguesa de Futebol e ao Conselho de Arbitragem, no início de setembro e tornado público nesta semana. Em causa estão as reformas que, mais do que necessárias, são urgentes há vários anos para o futebol português. Entre as várias sugestões, está a criação de uma unidade externa à FPF e à Liga de Clubes para gerir a arbitragem, através de um concurso internacional e com autonomia total. Outro ponto considerado no documento é a defesa da separação entre quem nomeia os árbitros e quem os avalia. A ver pelos casos recentes, das classificações às não-idas para a “jarra”, ontem já seria tarde para aprovar tal medida Sem esquecer a necessidade da profissionalização do VAR, com incentivos financeiros para quem cumpre com mérito as suas funções e consequências práticas para quem não o faz. No campo mais prático, os representantes do Glorioso pediram também a introdução do fora de jogo automático, mas acredito que não deve ficar por aí. A tecnologia associada ao futebol não pode nem deve ser temida. Em muitas outras modalidades, como o atletismo, o voleibol ou o ténis, a verdade desportiva tem saído sempre por cima. E também elas têm juízes e árbitros humanos que, como tal, estão sujeitos ao erro. Apenas no futebol, e no português em especial, o erro continua a ser parte do espetáculo. E a que triste espetáculo temos assistido."

Ricardo Santos, in O Benfica

Mais e mais futebol!


"Não tem fim o alcance social do futebol e é mesmo natural que não tenha se pensarmos bem. Na verdade, não esperaríamos menos de um fenómeno global desta dimensão que perdura nas paixões dos povos desde o início da industrialização europeia em grande escala, partindo do século dezanove, atravessando todo o século vinte e irrompendo imparável pelo século vinte e um. O futebol é, pois, um facto global, está em toda a parte e a todos convoca, seja para a paixão adepta seja para a prática desportiva do jogo em si. Por isso o futebol adapta- -se cada vez mais às necessidades específicas dos seus praticantes e desafia, também, as fronteiras da mobilidade. No caso vertente, o designado “futebol de ou para amputados” garante o acesso à prática desportiva e competitiva de pessoas amputadas de uma das pernas. Aparentemente remetendo para o terreno da mobilidade condicionada, este futebol surpreende pela espetacularidade conferida pela sua velocidade e exigência física, demonstrando na prática o esplendor da superação humana, exigindo força, equilíbrio, técnica e rapidez a quem joga e premiando quem vê com um jogo dinâmico, pleno de muito e bom futebol. Por tudo isto, a Fundação Benfica enveredou também por este novo caminho porque, sem dúvida, a intervenção e a inovação social só ganham eficácia se lhes dermos mais e mais futebol!"

Jorge Miranda, in O Benfica

Editorial


"1. Estamos de regresso ao Campeonato, ao nosso Benfica e à nossa Luz já no domingo, com o jogo diante do Vitória SC. Vai ser uma Luz cheia, intensa e ansiosa por voltar a ver o bom futebol que nos caracterizou nas primeiras jornadas do Campeonato e que Marco Silva tão bem soube corporizar. É o arranque de um ciclo intenso e frenético que vai até à próxima paragem para as seleções, em novembro. Vamos à luta com a ajuda dos nossos adeptos, incansáveis e fiéis, força imprescindível para alcançarmos os nossos objetivos. O tema abre este jornal O Benfica.

2. Em destaque neste jornal O Benfica: o processo de renumeração de sócios. Arranca agora e decorre durante o próximo mês, indo ao encontro do que ficou estabelecido nos novos Estatutos. Os sócios com quotas em atraso poderão regularizar a sua situação e manter ativa a ligação ao Clube, exercendo uma efetiva cidadania benfiquista. Por outro lado, os sócios com quotas em dia poderão atualizar os seus dados pessoais. Com a próxima renumeração prevista apenas para 2031, esta é uma oportunidade para reforçar a ligação ao Sport Lisboa e Benfica e garantir um contacto mais próximo e direto através das plataformas de comunicação do Clube. O novo cartão de sócio será gratuito. O envio para casa também não terá qualquer custo. Basta confirmar os dados pessoais no Site, na App, nas lojas oficiais do Benfica ou nas Casas do Benfica. O novo cartão poderá incluir ou não fotografia, sendo essa uma decisão estrita do sócio.

3. Dois meses depois do repto lançado pelo Benfica, cerca de 60 mil pessoas juntaram-se à causa de discutir e reavaliar uma centralização que empurra o futebol português para um marasmo de receitas e relevância internacional. Caberá agora ao Parlamento e aos partidos políticos dar um novo rumo a um projeto que nasceu enviesado nas promessas, se assume anacrónico e que precisa de ser repensado na forma e na estratégia de comercialização para servir o interesse de todos e garantir uma premissa fundamental: todos recebem mais do que atualmente. No caso do Benfica, estamos a falar de uma perda anual superior a 20 milhões de euros, depois de o Clube ter assinado uma renovação por dois anos pelo valor mais alto de sempre no futebol português."