"Não tem fim o alcance social do
futebol e é mesmo natural que
não tenha se pensarmos bem.
Na verdade, não esperaríamos
menos de um fenómeno global
desta dimensão que perdura
nas paixões dos povos desde o
início da industrialização europeia em grande escala, partindo
do século dezanove, atravessando todo o século vinte e
irrompendo imparável pelo
século vinte e um. O futebol é,
pois, um facto global, está em
toda a parte e a todos convoca,
seja para a paixão adepta seja
para a prática desportiva do jogo
em si. Por isso o futebol adapta-
-se cada vez mais às necessidades específicas dos seus praticantes e desafia, também, as
fronteiras da mobilidade. No
caso vertente, o designado “futebol de ou para amputados”
garante o acesso à prática desportiva e competitiva de pessoas
amputadas de uma das pernas.
Aparentemente remetendo para
o terreno da mobilidade condicionada, este futebol surpreende
pela espetacularidade conferida
pela sua velocidade e exigência
física, demonstrando na prática
o esplendor da superação
humana, exigindo força, equilíbrio, técnica e rapidez a quem
joga e premiando quem vê com
um jogo dinâmico, pleno de
muito e bom futebol. Por tudo
isto, a Fundação Benfica enveredou também por este novo caminho porque, sem dúvida, a intervenção e a inovação social só
ganham eficácia se lhes dermos
mais e mais futebol!"
Jorge Miranda, in O Benfica

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