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quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Nos Açores, uma rajada de vento chamada Prestianni voltou a fazer estragos


"O Benfica teve uma das primeiras partes mais difíceis da temporada e começou a perder frente ao Santa Clara, antes de Marco Silva mudar o jogo para o 2º tempo. Apareceria aí também o inevitável Prestianni que, com mais um golo e uma assistência, continua a fazer deste campeonato seu. Seria decisivo para a vitória por 2-1 e para que o Benfica continue a ter o FC Porto à vista

Às vezes é uma questão de superstição, outras é mesmo metodologia. Ai desculpem, meteorologia. A moeda vai ao ar, escolhe-se bola e quem joga para que lado e tudo isso tem a sua ciência. Quando o jogo é nos Açores, convém lamber o dedo, apontá-lo ao ar e ver para que lado o vento corre. O Santa Clara, vivendo no meio do oceano, sabe bem da importância deste momento.
Escolheu portanto o Santa Clara jogar a 1ª parte a favor do vento e pareceu por momentos de facto empurrado por alguma entidade invisível, os mesmos momentos em que deu ares que o Benfica não sairia com os 3 pontos de São Miguel. As mudanças de Marco Silva ao intervalo, lançando Schjelderup e Lukebakio, fariam os ventos correr literal e figurativamente para o lado dos encarnados, que assim mantêm o FC Porto à vista. Para o Santa Clara, que, em vantagem, chegou a ser virtualmente vice-líder do campeonato, veio a primeira derrota na I Liga, à conta de outra rajada de vento chamada Prestianni, que continua a fazer seu este campeonato.
Mas até surgir este fenómeno futebolístico e não meteorológico nascido em Cuidadela, ali como quem desce pelo Atlântico para a grande Buenos Aires, o Benfica terá tido um dos 45 minutos mais complicados da época, incapaz de travar os ataques rápidos do Santa Clara, a pressão bem ajustada da equipa de Petit, simples mas terrivelmente eficaz nos seus processos, venenosa na transição.
Atrás, Emanuel Moreira secava Pavlidis, pivô da mobilidade do ataque encarnado, que foi inexistente na 1ª parte. Logo aos 11 minutos, uma aceleração e cruzamento de Vinícius deixaram Fernando bem colocado para bater Samuel Soares, mas faltou força ao remate. Uma má abordagem de Tomás Araújo deixaria, à meia hora de jogo, Brenner sozinho em direção à baliza, valendo o corte de Bah no momento certo. Do canto, brotaria o primeiro golo do jogo, para a equipa da casa, que ia fazendo por merecê-lo.
O braço malandro de Dahl foi a bola e dos 11 metros Fernando disparou um remate que Samuel Soares quase travava com as pernas. A vantagem justificava-se e o intervalo estava perto. Marco Silva sabia que não havia tempo a perder: tirou os catatónicos Rafa e Sudakov e Schjelderup e Lukebakio seriam importantes para criar as primeiras dúvidas à defesa do Santa Clara, impassível até então.
Mesmo sem a ajuda do vento, as rajadas de ataque do Santa Clara não se detiveram, mas já sem a mesma energia do primeiro tempo. O Benfica subia de rendimento, mas faltava criar verdadeiro perigo. A primeira grande oportunidade dos encarnados seria um quase autogolo de Emanuel Moreira, extraordinário na 1ª parte, com culpas na recuperação encarnada depois do intervalo.
No seu registo de jogar simples e de forma eficaz, o Santa Clara voltaria a assustar o Benfica com Tiago Ribeiro a aparecer pela esquerda lançado nas costas da defesa encarnada. O cruzamento apanhou o pé de Dahl, Vinícius ficou de mãos na cabeça, tal era a certeza que aquela bola lhe viria parar aos pés.
Têm sido poucos os momentos pouco inspirados do Benfica esta época e nos Açores eles demoraram a aparecer. Mas a qualidade individual à disposição de Marco Silva é tal que os jogos nunca se podem dar por perdidos. Até porque essa qualidade individual está virada para o serviço ao coletivo neste Benfica. Pouco depois do Santa Clara falhar o mais que certo 2-0, apareceu Prestianni. Com uma finta de corpo, enganou Pedro Ferreira na lateral e cruzou para a área, onde Pavlidis, sempre inteligente, ganhou as costas a Emanuel Moreira para fazer o empate.
Nem cinco minutos depois, uma atrapalhação entre dois defesas da casa abriu uma auto-estrada para o argentino, que se transformaria em passadeira vermelha quando Emanuel Moreira não quis arriscar a expulsão. Em duas raras oportunidades flagrantes, o Benfica virava o jogo.
Não houve nunca uma capitulação da equipa da casa, com mais bola no final do jogo, mas sem a frescura mental da 1ª parte, em que as transições foram um problema constante para a defesa do Benfica. O pesado do terreno começou por prejudicar os encarnados e no final já não ajudou ninguém.
Foram precisas nove jornadas para fazer cair o Santa Clara de Petit e para tal foi preciso ao Benfica apelar à magia dos seus homens. Prestianni juntou mais um golo e uma assistência a uma temporada que já vai para lá de uma simples ventania: é um furacão poderoso e persistente, que destroi defesas mas constroi vitórias atrás de vitórias."

Consegue adivinhar quem foi o melhor em campo?


"Prestianni, com uma assistência e um golo, decidiu duelo intenso com o Santa Clara na 9.ª jornada do campeonato

Melhor em Campo: PRESTIANNI (8)
Depois de uma primeira parte em que não conseguiu livrar-se da marcação impiedosa de Lucas Soares, e sem encontrar espaço para desenhar os movimentos interiores que o diferenciam, na segunda parte passou a jogar ao centro, no lugar de Sudakov, e voltou a brilhar. Ainda aos 12’, colocou Rafa na cara do golo, com um passe por cima da defesa açoriana, mas foi depois do intervalo que o argentino ganhou dimensão. Aos 53’ ameaçou com um remate, que saiu ao lado da baliza, e aos 62’ disparou pelo flanco esquerdo e assistiu com classe Pavlidis no lance do primeiro golo da equipa. Depois, aos 68’, beneficiou da felicidade de um ressalto de bola, mas teve muito mérito na forma como correu para a área do adversário e finalizou o segundo golo. Prestianni não fez um jogo tão inebriante como outros anteriores, mas jogou novamente num nível muito elevado e, com assistência e um golo, fechou o resultado e a conquista dos três pontos.

(6) SAMUEL SOARES - Exibição muito competente, sem especial brilho mas também sem erros, a transmitir segurança e confiança à equipa. Defesa serena a remate perigoso de Fernando (15’), outra a dois tempos num tiro de Lucas Soares e uma terceira, mais apertada, num livre direto de Tiago Ribeiro. Resolveu bem com os pés um atraso de Bah que ficou curto (71’).

(6) BAH - Teve de trabalhar muito para travar a velocidade e qualidade de Brenner e de Vinícius Lopes, na segunda parte. Viu cartão amarelo logo aos 8 minutos, mas lidou bem com essa condição e aos 29’ fez um corte determinante, sobre Brenner, quando o avançado dos açorianos tinha tudo para acertar na baliza. Bah teve pouca vertigem atacante, mas competência defensiva.

(5) TOMÁS ARAÚJO - Exibição de altos e baixos, sem conseguir colocar em campo a qualidade de passe que o distingue e desligado em alguns lances, como aquele em que abordou mal uma bola bombeada para a entrada da área e deixou Brenner aparecer sozinho nas suas costas: valeu Bah. Aos 35’ foi novamente ludibriado por Brenner, mas recuperou a tempo de fazer um bom corte. Melhorou na segunda parte, como toda a equipa.

(6) LENGLET - Melhor que o companheiro de setor, percebendo cedo a necessidade de encostar no adversário para não o deixar ter bola. Pressionou e empurrou a equipa e na área, até mesmo na pequena-área, resolveu vários problemas.

(7) DAHL - Grande jogo do lateral sueco, que lidou bem com a qualidade de Vinícius Lopes e somou dezenas de recuperações, mostrando-se, também, no momento da saída de bola do Benfica. É verdade que abriu o braço no penálti que deu o golo ao adversário, mas evitou outro aos 58’, cortando passe de Tiago Ribeiro que iria deixar Vinícius na cara do golo, teve outro corte enorme aos 80’, que iria permitir a Torrão isolar-se, e ainda lançou Schjelderup, aos 90+3’, para lance muito prometedor, mas que Venâncio anulou com falta sobre o norueguês.

(5) AURSNES - Primeira parte em que revelou falta de sintonia e demorou a perceber que Bah precisava de ajuda defensiva para fechar o flanco. Ainda assim, sempre importante na circulação e posse da bola. Subiu após o intervalo (embora ainda sem a influência e abrangência no campo que consegue) e Aursnes, quando a equipa está bem, faz com que ela cresça ainda mais. Finalizou a exibição com grande remate, aos 86’.

(5) JOÃO PALHINHA - Também realizou uma primeira parte fraca, permeável no espaço, complicativo e a somar alguns passes errados e em zonas vermelhas, como a perda aos 23’ que deixou Fernando livre para correr e criar perigo para a baliza de Samuel Soares. Na segunda parte revelou outra competência, empurrou a equipa para a frente e rematou várias vezes, mas sem êxito, quase sempre contras as pernas dos defesas.

(4) RAFA - Não entrou mal no jogo, teve um bom passe de calcanhar que permitiu a Bah rematar com perigo (7’) e procurou assumir o jogo em zonas interiores e aparecer para finalizar. Porém, foi revelando incapacidade para se livrar das marcações e afundou-se em 45 minutos de luta (saiu ao intervalo) mas sem inspiração e talento para fazer a diferença.

(4) SUDAKOV - Também se lançou determinado na vontade de pegar na bola nos primeiros minutos, a tentar mandar no meio-campo, e conseguiu desenhou alguns bons lances, como quando assumiu o jogo pelo centro e lançou Bah pela direita (43’), mas foi perdendo lances, passes e faltou-lhe competência na reação à perda de bola.

(7) PAVLIDIS - Batalhou muito desde o primeiro minuto. Foi ponta de lança e foi médio, recuando para segurar a bola de costas para a baliza do Santa Clara e lançar os companheiros. Logo aos 5’ fez um grande passe a desmarcar Sudakov, mas o ucraniano não teve velocidade para o aproveitar bem. Teve um prémio merecido no golo que marcou aos 62’, à matador: movimentação muito inteligente, iludindo os centrais para conseguir aparecer solto para receber passe de Prestianni e empurrar para a baliza.

(6) SCHJELDERUP - Entrou para extremo-esquerdo e com energia, somando arranques, boas combinações (especialmente com Prestianni), cruzamentos e remates, que foram bloqueados pelos defesas açorianos. Aos 90+3’ lançou-se em direção à baliza e teria tudo para tentar o golo, mas Vasconcelos travou-lhe a ideia com uma falta.

(5) LUKEBAKIO - Lances interessantes e de qualidade, pela direita, que colocaram o adversário em sentido e fizeram crescer a equipa. Aos 56’ cruzou e quase provocou um autogolo, aos 63’ lançou bem Bah num lance prometedor e aos 90+2’ rematou, mas fraco.

(5) CIRCATI - Ajudou a colocar ponto final no tudo por tudo do Santa Clara pelo empate.

(5) JOHN DURÁN - Deu presença na área à equipa, lutou e aos 90+5’ rematou com perigo. Saiu de campo em discussão com adversários e viu cartão vermelho.

(-) MANU - Boa entrada, a bloquear várias saídas de bola do adversário. Marcou um livre direto, mas não conseguiu que a bola passasse da barreira."

Não há vento pela frente que pare este Prestianni


"Benfica suou muito para vencer um Santa Clara que ao intervalo era segundo classificado; Marco Silva mudou peças ao intervalo e Prestianni mudou o resto

Terminou com alta tensão, jogadores a despejarem adrenalina e um Benfica de punho cerrado pela importância de uma vitória que o recoloca a cinco pontos do líder. Não dá para enganar, este foi um triunfo muito difícil, com as águias a terem de mostrar o quanto querem estar neste campeonato, num jogo que tem denominador comum com outros: Gianluca Prestianni.
O jovem argentino do Benfica voltou a virar tudo do avesso, neste caso resultado e exibição depois de Marco Silva ter ido ao banco buscar armas para resolver uma das partidas que a equipa da Luz teve de enfrentar no que vai de temporada.
O duelo jogava-se nesta pergunta. Como podia o Santa Clara, melhor defesa da Liga, parar o melhor ataque? A resposta esteve na estratégia de Petit. Os açorianos condicionaram a ligação encarnada que municia esse ataque, ganhando quase tudo a meio-campo e não deixando Rafa e, sobretudo, Prestianni desequilibrar como devem fazer. Sem Gonçalo Paciência, lesionado, Petit «caçou» com Fernando, Vinícius e Brenner Lucas, protagonistas de um primeiro tempo em que o Santa Clara deixou o Benfica em sobressalto.
O argentino da camisola 25 foi tentando pelos visitantes, mas teve quase sempre mais do que um adversário em cima no primeiro tempo. Sem caminhos para Pavlidis, o Benfica enfrentava ventos fortes de frente - literalmente e não só - e era o Santa Clara quem, ao intervalo, vencia de forma justa por 1-0, num penálti apontado por Fernando. Bem organizados, aguerridos nos duelos, os açorianos explicavam a quem ainda não tinha percebido porque é que ao descanso eram uma equipa sem derrotas no campeonato e, com a vantagem de 1-0, segundos na tabela classificativa.
No segundo tempo mudou tudo porque Marco Silva mudou duas peças: Rafa e Sudakov por Schjelderup e Lukebakio.
O vento passou a soprar a favor, o Benfica foi empurrando o Santa Clara lentamente para a área e quando Schjelderup soltou o talento de Prestianni pela linha, o argentino partiu rumo à área contrária, em mais um lance que deixou um adversário pregado no relvado enquanto ele tinha uma velocidade furiosa rumo à área. O lance acabaria no empate de Pavlidis.
O goleador da Liga aproveitou o passe do pequeno argentino, um futebolista capaz de transformar um jogo, mesmo quando o jogo se lhe parece complicado. Seria ele a dar o triunfo ao Benfica, poucos minutos depois.
Com o «amigo» norueguês na esquerda, Prestianni apareceu mais vezes pelo meio, sempre em combinações com os colegas. Mas foi sozinho que arrancou para a baliza dos insulares e apontou o 2-1 final. Um golo de um rapaz que tem a habilidade de deixar tudo de cabeça à roda, mas que se tornou a alegria de um povo. Neste caso, o do Benfica, que já lhe chama «Messiani» numa comparação exagerada, mas que à dimensão, pelo e como resolve neste Benfica 2026/27, faz sentido no peso da relevância na equipa e, claro, no calor das emoções de adepto. As águias não foram apenas o argentino, diga-se. Porque Dahl foi fundamental na defesa, mesmo com o «azar» do penálti, Aursnes foi elevando jogo com o tempo, Pavlidis foi prolífico quando lhe pediram. O Benfica não é campeão de nada, mas sempre que também tiver esta alma, estará mais perto de o conseguir ser."