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quarta-feira, 28 de outubro de 2026

O basquetebol americano chegou de cruzador


"Em 1929, O BENFICA DISPUTOU UMA PARTIDA COM MARINHEIROS AMERICANOS, NO CAMPO DAS AMOREIRAS.

Ao longo dos seus 23 anos de atividade (1922-1945), o cruzador de guerra USS Raleigh esteve envolvido em momentos decisivos da história mundial. Fez assistência à primeira circum-navegação aérea americana, em 1924, juntou-se a um esquadrão de resgate de civis americanos e estrangeiros na Guerra Civil Espanhola, em 1936, e, após o seu destacamento para o Pacífico, nos anos 1940, acabou bombardeado no fatídico ataque a Pearl Harbor, pelas forças japonesas, conseguindo retaliar sem sofrer baixas.
Em abril de 1929, o Raleigh atracava em Lisboa. Os seus marinheiros, exímios basquetebolistas, não tardaram a receber convites para demonstrarem o seu valor em campo, cabendo ao Benfica a primeira receção.
Com duas épocas de prática na modalidade, o Benfica tinha campo próprio no complexo do Campo das Amoreiras. A equipa, composta por António Bravo, Avelino Filipe, Adelino Almeida, Júlio Pereira e, como capitão, Manuel Achemann, vinha numa sequência de quatro jogos sem derrotas desde fevereiro, no Campeonato de Lisboa, quando recebeu os americanos no dia 25 de abril de 1929.
No dia anterior, o Presidente da República Portuguesa recebia a tripulação no Palácio de Belém. Mas, às 18:00 daquela quinta-feira, nas Amoreiras, o cerimonial resultou num entusiasmo demonstrado pela numerosa assistência que, registava-se, não era inferior à que estivera presente na final do Campeonato de Lisboa de 1927/28. Os encarnados encetaram o primeiro ataque, logo intercetado. Nos primeiros minutos, o jogo manteve-se a meio-campo.
Os primeiros pontos foram americanos, depois de Winner ter driblado Bravo. Acusando algum nervosismo, os benfiquistas perderam a bola com alguma frequência e falharam alguns lançamentos livres determinantes. Mas, à medida que o jogo avançava, o Benfica foi encontrando o seu espaço, equilibrando-se e empatando.
Ação provocou reação. Os americanos avançaram com um ataque preciso e ficaram à frente por 7-4 ao intervalo. A pausa refrescou os ânimos e o Benfica mudou de tática, baixando o seu jogo, dificultando a agressividade do obstinado ataque dos marinheiros. Com entusiasmo e algum virtuosismo na base, os benfiquistas empataram a 13.
Os americanos, que tinham quebrado, tiveram de fazer grande esforço para vencer a partida por 2 pontos. O equilíbrio foi visível, notando-se pontualmente algumas ocasiões de superioridade do basquetebol português, que se estreava frente aos pais da modalidade. Os 15-17 não foram desmotivantes, antes entusiasmantes, valendo aplausos de satisfação por parte do público. No dia seguinte, os marinheiros voltaram a alinhar frente a uma seleção lisboeta, que contava com o benfiquista António Bravo.
Conheça mais sobre os primeiros tempos do basquetebol no Clube na área 3 – Orgulho Eclético, no Museu Benfica – Cosme Damião."

Pedro S. Amorim, in O Benfica

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