"Em 1929, O BENFICA
DISPUTOU UMA PARTIDA
COM MARINHEIROS
AMERICANOS, NO
CAMPO DAS AMOREIRAS.
Ao longo dos seus 23
anos de atividade
(1922-1945), o cruzador de guerra USS
Raleigh esteve envolvido em
momentos decisivos da história mundial. Fez assistência à
primeira circum-navegação
aérea americana, em 1924,
juntou-se a um esquadrão de
resgate de civis americanos e
estrangeiros na Guerra Civil
Espanhola, em 1936, e, após o
seu destacamento para o Pacífico, nos anos 1940, acabou bombardeado no fatídico ataque a
Pearl Harbor, pelas forças japonesas, conseguindo retaliar
sem sofrer baixas.
Em abril de 1929, o Raleigh
atracava em Lisboa. Os seus
marinheiros, exímios basquetebolistas, não tardaram a receber
convites para demonstrarem o
seu valor em campo, cabendo ao
Benfica a primeira receção.
Com duas épocas de prática
na modalidade, o Benfica tinha
campo próprio no complexo do
Campo das Amoreiras. A equipa,
composta por António Bravo,
Avelino Filipe, Adelino Almeida,
Júlio Pereira e, como capitão,
Manuel Achemann, vinha numa
sequência de quatro jogos sem
derrotas desde fevereiro, no
Campeonato de Lisboa, quando
recebeu os americanos no dia
25 de abril de 1929.
No dia anterior, o Presidente
da República Portuguesa recebia
a tripulação no Palácio de Belém.
Mas, às 18:00 daquela quinta-feira, nas Amoreiras, o cerimonial resultou num entusiasmo
demonstrado pela numerosa
assistência que, registava-se,
não era inferior à que estivera
presente na final do Campeonato
de Lisboa de 1927/28.
Os encarnados encetaram o
primeiro ataque, logo intercetado. Nos primeiros minutos, o
jogo manteve-se a meio-campo.
Os primeiros pontos foram americanos, depois de Winner ter driblado Bravo. Acusando algum
nervosismo, os benfiquistas perderam a bola com alguma frequência e falharam alguns lançamentos livres determinantes.
Mas, à medida que o jogo
avançava, o Benfica foi encontrando o seu espaço, equilibrando-se e empatando.
Ação provocou reação. Os
americanos avançaram com
um ataque preciso e ficaram
à frente por 7-4 ao intervalo.
A pausa refrescou os ânimos
e o Benfica mudou de tática,
baixando o seu jogo, dificultando a agressividade do obstinado ataque dos marinheiros. Com entusiasmo e algum
virtuosismo na base, os benfiquistas empataram a 13.
Os americanos, que tinham
quebrado, tiveram de fazer
grande esforço para vencer a
partida por 2 pontos. O equilíbrio foi visível, notando-se
pontualmente algumas ocasiões de superioridade do basquetebol português, que se
estreava frente aos pais da
modalidade. Os 15-17 não foram
desmotivantes, antes entusiasmantes, valendo aplausos de
satisfação por parte do público.
No dia seguinte, os marinheiros
voltaram a alinhar frente a uma
seleção lisboeta, que contava
com o benfiquista António Bravo.
Conheça mais sobre os primeiros tempos do basquetebol
no Clube na área 3 – Orgulho
Eclético, no Museu Benfica –
Cosme Damião."
Pedro S. Amorim, in O Benfica

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