"Quem gosta de desporto e vive o
fenómeno com paixão, de acordo com os princípios que o
devem reger, não tem medo
nem da competição nem das
dificuldades. O problema surge
quando as intervenções externas aos campos, aos pavilhões,
às pistas ou às piscinas começam a tomar conta dos resultados e a colocar em causa o trabalho e o sacrifício de atletas,
treinadores e dirigentes.
Vem isto à boleia do documento
entregue pelo SL Benfica à
Federação Portuguesa de Futebol e ao Conselho de Arbitragem, no início de setembro e
tornado público nesta semana.
Em causa estão as reformas
que, mais do que necessárias,
são urgentes há vários anos
para o futebol português. Entre
as várias sugestões, está a criação de uma unidade externa à
FPF e à Liga de Clubes para
gerir a arbitragem, através de
um concurso internacional e
com autonomia total. Outro
ponto considerado no documento é a defesa da separação entre
quem nomeia os árbitros e
quem os avalia. A ver pelos
casos recentes, das classificações às não-idas para a “jarra”,
ontem já seria tarde para aprovar tal medida
Sem esquecer a
necessidade da profissionalização do VAR, com incentivos
financeiros para quem cumpre
com mérito as suas funções e
consequências práticas para
quem não o faz. No campo mais
prático, os representantes do
Glorioso pediram também a
introdução do fora de jogo automático, mas acredito que não
deve ficar por aí. A tecnologia
associada ao futebol não pode
nem deve ser temida. Em muitas outras modalidades, como o
atletismo, o voleibol ou o ténis, a
verdade desportiva tem saído
sempre por cima. E também
elas têm juízes e árbitros humanos que, como tal, estão sujeitos
ao erro. Apenas no futebol, e no
português em especial, o erro
continua a ser parte do espetáculo. E a que triste espetáculo
temos assistido."
Ricardo Santos, in O Benfica

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