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quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Paz


"É do senso comum que a paz seja a ausência de guerra. Por isso, o primeiro passo para que se alcance paz, seja onde for, é sempre o calar das armas, mas paz é verdadeiramente tudo o resto que garante a cada pessoa uma vida digna, plena e confiante. Infelizmente não vivemos hoje tempos de paz e isso afeta todo o planeta, mesmo nas paragens mais afastadas dos conflitos armados. Precisamos de esperança e de pôr em valor as coisas boas da vida, sendo uma das melhores o desporto, com o futebol, sem dúvida, em grande destaque.
Também sabemos que o papel do futebol em tempos de guerra é mais importante do que pode parecer à primeira vista: a história está cheia de episódios em que o jogo e os jogadores desempenham um papel preponderante para aliviar, ainda que temporariamente, a pressão entre beligerantes e para trazer um pouco de normalidade à vida das populações. Isto é assim, em toda a parte, com os adultos, mas, por maioria de razão, é ainda mais importante quando falamos de crianças e jovens na flor da vida. Crescer no meio de um conflito eleva as inseguranças próprias da infância e da adolescência a patamares inimagináveis e traz o medo e a incerteza do futuro a uma idade em que não é normal temer pela própria vida ou fazer luto dos entes queridos, só com mágoa e revolta, sem entender o porquê de tanta violência.
É tudo isto que interrompe a infância em toda a parte onde a guerra se sobrepõe à paz. O futebol pode ajudar, e ajuda, porque é construtivo, positivo e apaziguador, devolvendo aos dias comuns um pouco da normalidade que sempre tiveram e hão de voltar a ter."

Jorge Miranda, in O Benfica

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