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quinta-feira, 4 de junho de 2026

Ranking top ten de treinadores do Benfica


"Não haja dúvida que historicamente o Benfica sempre foi o clube das novelas de verão. Não é que Porto e Sporting não as tenham, mas o Benfica exagera. Porque é o clube mais popular no país e que mais capas de jornais enche e porque tem tido nos últimos 30 anos uma gestão que leva a indecisões e confusões. A deste ano é obviamente o folhetim treinador. Entramos em junho, já passou o tal período dos dez dias e ainda não se sabe se Mourinho fica ou não fica. Aparentemente não fica.
E Marco Silva tem acordo ou rompeu o acordo? Aparentemente tem acordo.
Enquanto não há fumo vermelho sobre o início desta época 26/27 (que parece estar a nascer torta, tal como é habitual, infelizmente), será um desafio interessante recordar antigos treinadores que passaram pelo banco da Luz e colocá-los num ranking, sendo obviamente isto um exercício de opinião pessoal.
É claro que se falássemos sobre toda a História do clube teria de se falar de um Béla Guttmann, Jimmy Hagan ou Svën-Goran Eriksson, mas viajarei no tempo apenas até às primeiras memórias que tenho, isto é, a partir de Toni naquele período entre 1992 e 1994. O que vivi e não o que li ou ouvi contar.

10º Lugar: Jupp Heynckes.
Tem dois pecados capitais gigantescos: Vigo e a dispensa de João V. Pinto. Acaba por entrar nesta lista apenas porque todas as outras opções que ficam de 11º para baixo ainda considero piores. Pelo lado positivo, apenas que fez um trabalho razoável ou vá, o possível com provavelmente a pior equipa de sempre do Benfica. Aquilo era João V. Pinto, Poborsky e Nuno Gomes. Ponto. Aceitemos ainda Enke e Maniche (ainda na versão extremo) na lista dos bons. Mas tudo o resto era assustador: Bruno Basto, Paulo Madeira, Ronaldo, Rojas, Calado, Kandaurov ou Sabry. E isto falando dos titulares. Depois no banco tinha Bossio, Okunowo, Sérgio Nunes, Porfírio ou Tote. Com um plantel a roçar a mediocridade ficou num honroso 3º lugar, tendo uma segunda volta em que venceu Porto na Luz e Sporting em Alvalade, no tal famoso golo do Sabry. Caiu na 4ª jornada da época seguinte, aquele clássico benfiquista.

9º Lugar: Mário Wilson.
O nosso querido bombeiro dos anos 90. Que ajudava o clube sempre que o clube precisava. Já tinha sido campeão em 75/76 e vencido a Taça de Portugal em 79/80. Nos anos 90 Damásio chamou-o três vezes para fazer a transição para outros treinadores. A mais duradoura foi na época 95/96 e que belo trabalho acabou por fazer, depois da destruição de Artur Jorge. Apoiado por Preud'Homme, Ricardo Gomes, Valdo e acima de tudo o «menino de ouro» João Pinto, que nesta temporada marcou 18 golos, conseguiu levar o clube ao 2º lugar e a conquistar a Taça de Portugal, o único troféu do clube em todo o Vietname.

8º Lugar: Ronald Koeman.
Não se pode dizer que tenha deixado muitas saudades ou que tenha feito um trabalho extraordinário. Em 2005/2006, o Benfica ficou em 3º lugar e foi eliminado da Taça de Portugal nos 1/4 de final. Mas venceu a Supertaça Cândido de Oliveira, venceu o Porto na Luz, venceu no Dragão (coisa que o clube não fazia desde 1991) e, claro, aquela caminhada na Liga dos Campeões. É com ele o incrível 2-1 na Luz ao Man Utd de Alex Ferguson com o improvável herói Beto a marcar o golo da vitória. E depois, nos 1/8 de final, quem esquece o 1-0 ao Liverpool na Luz com o golo do Luisão nos minutos finais e, acima de tudo, aquele épico e incrível 0-2 em Anfield, com golos de Simão e Miccoli? O Benfica caiu depois nos 1/4 de final de forma natural para o Barcelona de Ronaldinho, Deco e Eto'o.

7º Lugar: Bruno Lage.
É um treinador de luzes e de sombras. O que fez na segunda volta de 2018/2019 é absolutamente estratosférico. Pegar no clube a 7 pontos do Porto de Sérgio Conceição e recuperá-los, marcando mais de 100 golos e fazendo a reviravolta no campeonato em pleno Dragão é coisa de sonhos e não de realidade. Só que depois, em 2019/2020, foi sempre em queda (tendo ainda começado com o incrível 5-0 ao Sporting no Algarve para a Supertaça) até ser despedido no pós-covid com resultados miseráveis. E na segunda passagem rondou o sucesso, mas não o alcançou. Segundo lugar no campeonato quando teve um dérbi na Luz para o vencer e derrota na final da Taça de Portugal, mesmo com o desconto do vergonhoso lance com Belotti. Mais outro que depois foi despedido no início da época seguinte. Clássico.

6º Lugar: Toni.
Há o Toni de 1987 a 1989. Venceu um campeonato e chegou à final da Taça dos Campeões Europeus. Mas isso não entra para esta análise. E depois há o Toni de 1992 a 1994. Que é absolutamente épico. Uma Taça de Portugal, um Campeonato e tantos, mas tantos jogos épicos. O 5-2 ao Boavista, o 3-2 ao mesmo Boavista com o Paulo Sousa na baliza, o 4-4 de Leverkusen, o 6-3!! Mas depois há o Toni de 2000 a 2001. Que ficou em 6º lugar, na pior época de sempre e foi despedido a meio de 2001/2002. Por isso fica aqui no meio da lista dos treinadores. Que na lista de símbolos do clube está bem lá mais em cima, atenção. Sr. Toni, sr. Benfica!

5º Lugar: Giovanni Trapattoni.
A Velha Raposa. Que chegou em 2004 para fazer o Benfica campeão e acabar de vez com o Vietname (se é que alguma vez ele acabou). Então por que não está mais acima? Porque recebeu uma equipa já feita por Camacho (Luisão, R. Rocha, Miguel, Petit, Simão, N. Gomes, etc.) e o futebol era miserável. E fomos uns campeões tão sofridos! Apenas 65 pontos, oito empates e sete derrotas! Mas foi campeão. E quase fez a dobradinha. E deixou-nos aquelas frases icónicas como «Graças a Deus temos Simão» ou «Se não consegues vencer, deves procurar não perder». Era um velhinho na altura e 21 anos depois ainda cá anda entre nós. O clube podia e devia tentar homenageá-lo, para saber que não o esquecemos e estamos gratos. Futebol miserável aparte.

4º Lugar: Roger Schmidt.
Aquela época 2022/2023 entra sem problema algum para o lote das melhores épocas do Benfica moderno. Fomos campeões, fomos brilhantes enquanto tivemos Enzo Fernández connosco e ainda todos sonhamos, pela primeira vez nas nossas vidas, com um Benfica na final da Liga dos Campeões. «Só» faltava passar Inter e Milan. Não passámos o Inter, mas vencemos a Juventus duas vezes, demos seis ao Maccabi Haifa e empatámos duas vezes com o PSG de Messi, Mbappé e Neymar. Depois, foi a queda em 2023/2024 com uma época insuficiente até ao clássico despedimento à 4ª jornada da temporada seguinte. Mas, em 2022/2023, jogámos muito à bola logo desde a pré-época e isso é dedo de treinador!

3º Lugar: José Antonio Camacho.
Será talvez esta a escolha mais polémica? Porquê Camacho tão em cima? Pois posso dizer que até hesitei em pôr Camacho no segundo lugar! Mas Rui Vitória venceu muitos mais títulos e Camacho tem uma segunda passagem muito fraca em 2007/2008. Mas é minha opinião que Camacho é o unsung hero do Vietname! Se Vilarinho, Vieira, Simão ou Trapattoni têm méritos, Camacho também os tem e muitos! Chegou em 2002 depois do Benfica ter sido eliminado pelo Gondomar da Taça de Portugal. Veja-se bem os tempos que se viviam. E pela primeira vez desde o Vietname estabilizou um onze e identificou uma espinha dorsal na equipa: Luisão, R. Rocha, Petit, Tiago, Simão, N. Gomes e mais uns quantos. Levou o clube ao segundo lugar e em 2003/2004, no ano do centenário, no ano da nova Luz, no ano do falecimento de Miklos Fehèr, foi novamente segundo classificado (fazendo pontuações de campeão, atenção, só que coincidiu com o super Porto de Mourinho), chegou aos 1/8 de final da Taça UEFA e venceu a Taça de Portugal, derrotando na final o tal Porto do Mourinho. Camacho endireitou o barco do Benfica, após dez anos à deriva.

2º Lugar: Rui Vitória.
Se o acho grande treinador? Não. E a carreira dele pós-Benfica tem mostrado isso mesmo. Se acho que viveu muito à conta do que Jorge Jesus construiu e não é por acaso que foi sempre em queda de época para época? Acho. Mas a verdade é que em três anos e meio venceu dois campeonatos, uma Taça de Portugal, uma Taça da Liga e duas Supertaças. São muitos troféus. E esteve quase a vencer o Penta, mesmo com aquele desinvestimento todo do Vieira e Bruno Varela na baliza. Também é verdade que conseguiu a proeza negativa de zero pontos na Liga dos Campeões. Mas são muitos troféus, caramba!

1º Lugar: Jorge Jesus.
É uma decisão polémica? Não acho que o seja. Parece-me até bastante óbvia. Os detratores chamarão a atenção para uma segunda passagem falhada. E que na primeira passagem «só» venceu três campeonatos em seis anos, perdeu as duas finais europeias e teve humilhações com o Porto. É verdade. Mas é o treinador com mais títulos da História do clube. São três campeonatos, uma Taça de Portugal, cinco Taças da Liga e uma Supertaça! Ainda levou o clube a duas finais da Liga Europa (todos os outros chegaram sequer perto? Não) e esteve tão perto de as vencer. Um golo nos descontos e uns penáltis batoteiros do Beto. Tivesse Kelvin rematado para fora e estaríamos a falar de quatro campeonatos. Estou a dar muitos ses? Aqui vai a realidade: Jorge Jesus em 2009 foi a maior explosão futebolística no Benfica desde Eriksson em 1982. O Benfica tinha sido muito mais medíocre que sequer bom nos 15 anos antes de Jesus chegar e com ele demos um salto gigantesco. Foi da noite para o dia. Não só em troféus, mas em futebol jogado. Na qualidade, na rapidez e nos golos. E se alguém quebrou a hegemonia do Porto que vencia aos bis, tris, tetras e pentas campeonatos até 2013 foi Jorge Jesus. Olhe-se novamente para o resto da lista e não faz sentido colocar ninguém à frente de Jesus.

Agora que venha Marco Silva e que daqui a uns tempos esteja disparado no primeiro lugar desta lista, é o que se deseja!"

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