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domingo, 31 de maio de 2026

Miguel Cardoso, Pep e Bernardo, mais os jogadores que a Liga revelou


"Faça-se alguma justiça a Miguel Cardoso, que ganhou a Champions africana, com o Mamelodi Sundowns. Em Portugal foi estranhamente (quase) ignorado um triunfo que surge na linha dos grandes - e foram quatro! - êxitos de Manuel José na mesma prova. Além do técnico trofense, de 54 anos, os médios Nuno Santos (ex-Vitória) e Miguel Reisinho (ex-Boavista) também celebram o êxito do emblema sul-africano.
E assinale-se que o adversário na final, o FAR Rabat, do outro extremo do continente, também era treinado por um português, Alexandre Santos. Os técnicos lusos não param de provar competência, mas a nossa visão eurocêntrica também se mantém uma evidência.
Falando de treinadores, não há como fugir ao adeus de Pep Guardiola ao City, tão criativo e emocionante – também nos vídeos criados a propósito - como muitas das suas conquistas. São 20 troféus em dez anos, e sobretudo uma infindável lista de lições e inovações daquele que - apesar do final menos feliz, que a vitória na FA Cup não compensa a perda de mais uma liga - o futebol há-de consagrar como o melhor treinador da história.
E, com ele, sai Bernardo Silva, talvez o jogador que exemplifica o melhor que tem o guardiolismo – exuberância técnica, entendimento superior do jogo, rendimento permanente para o coletivo por diante dos fulgores individuais e momentâneos – e que ficará entre os mais marcantes de uma década sem comparação na vida do clube azul celeste.
A fechar a época, repito o exercício de identificar os jogadores que me surgem como mais promissores e que não integram já os elencos dos quatro principais emblemas da Liga portuguesa. No melhor FC Famalicão da história, que fechou em quinto lugar a despeito da desilusão europeia, destaco três homens com nítidas aptidões para chegar mais alto: o mais óbvio é Gustavo Sá, naturalmente, mas não duvido de que o central Ibrahima Ba e o médio Mathias de Amorim (a quem vale mesmo a pena dar mais atenção) vão igualmente chegar mais alto.
No Gil Vicente, as pérolas partiram em janeiro, Pablo Felipe (sobretudo este) e Andrew. Mas Santi García ainda vai a tempo de subir uns degraus e interrogo-me sempre sobre o que falta a Tidjany Touré para que o seu talento seja regularmente evidente.
A época do Moreirense permitiu comprovar a qualidade indiscutível de Diogo Travassos (muito bem apanhado pelo SC Braga no negócio Zalazar!), mas vale a pena atentar à afirmação de outro produto da formação leonina, o central Gilberto Batista, e perceber quanto pode crescer a seguir o miúdo Afonso Assis, médio refinado, filho de Nuno Assis.
No meio-campo do Arouca não faltou qualidade. Fukui surge como o mais exuberante e o neerlandês Van Ee mostrou-se particularmente fiável. Trezza não é um talento absoluto, mas é um competidor ao melhor estilo uruguaio e com cheiro de golo raro para um extremo. Também gostei de Djouhara, mas foi intermitente.
Em Guimarães não falta gente com futuro largo, promessas de qualidade de jogo e de mais uns bons negócios, que o clube precisa. O que mais me entusiasmava, o esquerdino Diogo Sousa, já foi pescado em antecipação pelo ótimo scouting do Estrasburgo francês. Mas não duvido de que Strata (um dos bons laterais do campeonato), Mukendi, Saviolo e Camara têm também potencial para mais. E quase no fim surgiu Miguel Nogueira, extremo direito de pé trocado, que roubou o palco a Telmo Arcanjo (de quem também gosto).
No Estoril é uma evidência que Begraoui e Guitane estão acima dos demais (e João Carvalho, apesar de mais velho), mas vale a pena atentar também ao lateral Ricard Sanchez e ao miúdo Peixinho, esquerdino de qualidade e que talvez percebamos melhor na época que vem.
O FC Alverca aposta muito em jovens promissores, pelo que é fácil deixar pistas para seguir: o central francês Meupiyou, o lateral nigeriano Isaac James, ou os médios Rhaldney (jogador feito) e Davy Gui (em quem acabaremos por reparar). Chiquinho já todos conhecemos, mas sugiro dar atenção também ao central brasileiro Kaiky Naves, de posicionamento competente e qualidade de construção muito acima da média.
As restantes equipas brilharam menos, mas isso não impediu que Jalen Blesa se afirmasse como um craque definitivo (e finalizador) na segunda parte da época do Rio Ave (já depois das partidas de André Luiz e Clayton) e Miszta voltasse a demonstrar que é guarda-redes para mais.
No Santa Clara, Gabriel Silva é escolha óbvia, mas vale mesmo a pena reparar também na qualidade do médio Serginho, que aos 26 anos ainda está a tempo de chegar a equipas mais fortes. O Nacional não revelou ninguém, que Chucho já era conhecido de todos e Liziero tem cartaz no Brasil. Mesmo assim, gostei de Matheus Dias, o médio defensivo de 24 anos.
O Estrela vendeu Sidny para o Benfica e Ngom para Itália, mas ainda revelou Lekovic, o central da salvação no jogo de Braga.
No Casa Pia, anoto a evolução de Rafael Brito e no Tondela a confirmação de Bernardo Fontes, ele que regressa a Braga, onde poderá ser sucessor de Hornicek. O Aves foi o primeiro a descer, mas não impediu de fazer subir Pedro Lima até Alvalade (e foi bem perspicaz o Sporting nesta escolha). O outro médio brasileiro, Roni, também deixou pegadas de qualidade e o extremo Perea, jovem colombiano, poderá confirmar bons sinais enquanto cresce e amadurece.
E assim se fecha a época, com palavra de enorme louvor para o Torreense, pela inacreditável e lendária vitória na taça de Portugal. E agora venha o Mundial, que não há momento igual para quem gosta mesmo do mais belo jogo."

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