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quarta-feira, 20 de maio de 2026

Fartinho disto


"Estou farto de árbitros e arbitragens no futebol português. Não foi preciso a época chegar ao fim e os objetivos do SL Benfica não terem sido alcançados para vir falar no tema e chamar os ditos pelos nomes. Não estive sentadinho à espera das contas finais para poder dizer o que penso sobre o papel decisivo dos árbitros na classificação geral. Estava na cara desde os primeiros jogos da temporada, no verão passado. E nas épocas anteriores, se quisermos ser intelectualmente honestos. A nossa equipa falhou em momentos decisivos, com desperdícios inacreditáveis em frente à baliza ou erros defensivos e táticos que resultaram em golos dos adversários, mas isso faz parte do desporto, de qualquer modalidade. Apesar da azia desses momentos, consigo entender que tudo pode acontecer na alta competição. O que não pode ser decisivo é o papel que as terceiras equipas tiveram, têm e vão continuar a ter nos resultados.
Na noite da passada segunda-feira, só ficou surpreendido quem acordou recentemente de algum coma induzido. Em caso de dúvida, os “profissionais” do apito conseguiram sempre encontrar uma artimanha para anular golos, puxar a régua para foras de jogo milimétricos, interromper jogadas para os lances não se inserirem no protocolo do VAR ou decidir por pontapés de baliza em vez de cantos. São os truques dos artistas para quebrar dinâmicas, inclinar campos, enervar equipas e mudar o sentido dos jogos. Foi desta forma que o Glorioso se viu atirado para o terceiro lugar da classificação e quem disser o contrário está a filtrar a realidade.
Tão chocante como esta postura incompetente dos árbitros é ver benfiquistas a virar o foco das críticas apenas para jogadores, treinadores e dirigentes do Clube. E até para com os benfiquistas que escolheram nas urnas os destinos do Clube. Sim, muitos erros foram cometidos: nas contratações, nas vendas, nas tomadas de posição públicas ou nas decisões institucionais (como o silêncio ou apoio tímido na corrida às presidências da Federação e da Liga), mas isso apaga todo o mal que foi feito à equipa principal de futebol? Não. Os pontos que fizeram a diferença na tabela são explicados com erros cirúrgicos de arbitragem. Basta ver a diferença de critérios das decisões de grandes penalidades, mas tudo isso parece ser esquecido em prol de ódios pessoais. Lamento essa postura, tal como lamento os erros próprios em momentos-chave. A diferença é que uns são propositados e os outros fazem parte do desporto."

Ricardo Santos, in O Benfica

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