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sábado, 22 de agosto de 2026

Equipa ligada à corrente em noite de gala de Rafa


"Encarnados venceram e convenceram na primeira mão do play-off da Liga Europa, frente ao Aarhus. Vários brilharam, mas um em especial 

Melhor em campo — Rafa (8)
Este quadrado é pequeno para lembrar e descrever a quantidade de bons lances e pormenores deliciosos de Rafa neste jogo. Aos dois minutos já estava a festejar o primeiro golo, surgindo a finalizar um lance que ele próprio iniciara, com um passe de calcanhar para Barreiro. Aos 11' serviu Bah, aos 14' rematou para grande defesa, aos 26' cruzou e deixou Sudakov em boa posição, aos 27' rematou de trivela para enorme defesa de Hedenstad, aos 30' mais um remate e mais uma defesa (neste lance o avançado do Benfica foi empurrado e por isso não finalizou na perfeição), e mais, e mais... Rafa esteve endiabrado, criativo, eficaz, mas ao mesmo tempo muito lúcido em todas as ações. E solidário a defender. Este Rafa não é só um bom jogador, mas é enormíssimo e faz realmente a diferença na equipa e no jogo.

(6) Samuel Soares Sem culpa no golo sofrido, mostrou-se seguro. Autoritário nas saídas aos cruzamentos, foi confiante no jogo com os pés e mãos, e teve papel importante no lançamento dos companheiros para o ataque.

(6) Bah Muito vertical e agressivo no ataque, cruzou para o primeiro golo da equipa e deixou Pavlidis em boa situação para marcar, aos 11'. Teve problemas para lidar com a qualidade de Emmery e deu-lhe muito espaço para pensar no lance do golo do Aarhus.

(6) Tomás Araújo Alternou entre o bom e o mau, mas sai com saldo positivo pela forma como subiu linhas de pressão e lançou ataques. Começou desconcentrado, mas cresceu, esteve no lance do segundo golo e aos 38' poderia ter marcado, mas finalizou mal um cruzamento de Dahl. Grande erro na forma como (não) marcou Bech e o deixou cruzar para golo

(6) Lenglet Teve registo similiar ao de Tomás Araújo, mostrando mais segurança a defender, mas igual capacidade para pressionar e qualidade na saída com bola e passe. Esteve perto de marcar de cabeça em mais que uma ocasião e, tal como o companheiro de setor, também pecou: aos 36' perdeu a bola de forma displicente (mas perto da área do adversário) e permitiu ao Aarhus construir o lance do golo sofrido por Samu.

(7) Dahl Muito competente a fechar o flanco e com algumas subidas bem desenhadas e cruzamentos perigosos. Aos 38' colocou Tomás Araújo na cara do golo e aos 51' fez o mesmo com Pavlidis. Finalizou o jogo com um bom remate, para defesa de Hedenstad.

(6) Barrenechea Deu geometria com bola e esticou bem a equipa, mas foi sempre demasiado posicional, perdendo várias oportunidades para progredir e poder ser mais infuente no jogo. (7) Leandro Barreiro — Uma máquina que não pára, a defender e a atacar. Nem sempre faz bem, mas está sempre lá. Aos 17' rematou ao lado, aos 31' marcou mesmo, em lance de insistência e de oportunidade. Aos 47' mais um remate perigoso, de cabeça.

(7) SudakovExibição muito interessante do ucraniano, com intensidade e pormenores que ligaram a equipa e a fizeram ganhar dimensão. Aos 13', pressionou o guarda-redes e, com felicidade, quase fez golo; aos 18', trabalhou bem na área e serviu Prestianni para remate perigoso; aos 26', recebeu cruzamento na esquerda e rematou com selo de golo, mas a bola desviou num defesa; aos 41', ofereceu a Pavlidis lance de golo.

(7) Prestianni Marco Silva disse tudo: é impossível não gostar da alma com que joga o argentino, e a qualidade que tem. Aos 14' lutou e ganhou a bola e ofereceu lance de golo a Rafa; aos 17' lançou Barreiro com um passe delicioso, e o médio rematou para canto. Grande remate para boa defesa, aos 18'; e novo remate aos 29'. Pelo meio, grande ajuda defensiva e pressão agressiva e alta em todas as zonas do campo.

(7) Pavlidis Finalizou sem sorte, aos 11' e 41', serviu os companheiros com qualidade e não tremeu na hora de concretizar a grande penalidade. Incansável e precioso a ligar a equipa.

(5) Richard Ríos Deu dimensão física ao meio-campo, mas entrou ansioso. Rematou mal aos 76' e aos 88' acertou num defesa. Tentou ganhar um penálti, num lance em que pareceu ter espaço e tempo para decidir melhor.

(7) Schjelderup Em pouco tempo fez muito. Quase marcou num cruzamento de Rafa (74'), rematou com perigo (78') e lançou Ríos na área (83'). Ligado e sintonizado com a energia da equipa.

(5) Jhon Durán Teve pouca bola, mas quando a teve tratou-a bem. Grande passe a desmarcar Schjelderup (78') e remate potentíssimo (90+3') para canto.

(5) Aursnes Primeiro jogo da época, lançado atrás do ponta de lança. Teve critério e inteligência na gestão dos lances, sem tempo para mostrar mais.

(5) Kaminski Entrou com vontade, mas teve pouco tempo para deixar marca. Aos 90+1' teve espaço na área, manteve a bola, mas não fez a diferença no lance."

Meio turno de alta qualidade na fábrica nacional do golo


"Superioridade imensa do Benfica podia ter resultado em vantagem maior, mas a eliminatória parece garantida e a média de golos continua elevadíssima

O Benfica deu passo e meio rumo à fase de liga da UEFA Europa League graças a uma primeira parte demolidora e uma segunda apenas completamente dominadora, mas sem golos. Segue em grande a principal fábrica portuguesa de golos, que leva 25 em sete jogos, média superior a 3,5 por partida. É obra ofensiva — veremos, em testes de maior exigência inevitavelmente a caminho, que solidez defensiva corresponde a este pendor atacante.
Marco Silva não promoveu surpresas no onze nem qualquer rotatividade, o que faz todo o sentido numa altura em que a época vai a iniciar-se e o mais importante, mesmo, é criar rotinas. Lá virá o tempo das poupanças e das gestões, se tudo correr bem durante vários meses. Para já, é hora de consolidar.
Se todos os jogos fossem como o de Rio Maior, na última segunda-feira, o Benfica teria chegado ao intervalo a ganhar por cinco ou seis golos de diferença. O domínio foi de tal forma intenso — e assinalado logo aos dois minutos com o 1-0 — que as oportunidades de golo foram-se sucedendo. Só que desta vez a pontaria não estava tão afinada, o guarda-redes contrário pôde fazer um pouco melhor e os encarnados não materializaram em golo cada chance, como afinal acontece na maior parte das vezes.
A ala direita benfiquista mostrou serviço desde o início e era sobretudo por ali, com as combinações Leandro Barreiro-Bah-Rafa, que o perigo ia nascendo, muito embora os desequilíbrios constantes de Prestianni na esquerda também não deixassem descansar os dinamarqueses.
Barrenechea chegava e sobrava para as encomendas do meio-campo defensivo, o que libertava Barreiro para a meia direita e fazia descair Sudakov mais para a esquerda, num esquema que na prática se plasmava em 4x1x4x1 e se adivinha para o futuro próximo quando, na maioria dos jogos, João Palhinha assumir sozinho as despesas da posição 6 encarnada para a equipa fazer o que melhor sabe: atacar.
Era muito movimento no meio-campo, demasiada informação para processar pelas linhas defensivas do Aarhus, por mais próximas que tentassem estar. De erro em erro (dinamarquês) e de virtuosismo em virtuosismo (português) se ia escrevendo a história da primeira parte. Chegou o 2-0 e não chegaram mais por razões já explanadas.
Mas já dizia um sábio amigo meu: «Cuidado que a bola é extremamente redonda!» E de tão redonda que é pode, de repente, caminhar por sítios imprevistos. Aos 36 minutos, na única jogada articulada de ataque do Aarhus, a defesa do Benfica facilitou (provavelmente não conseguiu arrancar, mal tinha entrado em ação...) e Jorgensen reduziu para 1-2.
O golo fortuito entusiasmou minimamente os dinamarqueses, mas o gás não deu para mais que alguns espasmos. O Benfica retomou a liderança das operações sem problemas de maior e, em cima do apito para descanso, surgiu um penálti-VAR, por mão na bola, que Pavlidis não desperdiçou.
A fábrica continuou a laborar no segundo tempo, mas já em ritmo de sexta-feira à tarde naquelas empresas em que existe a casual friday e até se admite maior informalidade na vestimenta. O Benfica dominou sempre, mas teve muito menos oportunidades e não voltou a marcar. O Aarhus foi igual: quase zero em termos ofensivos e só relativamente competente a defender.
Dentro de uma semana, só uma enorme hecatombe (e teria mesmo de ser enorme hecatombe, não apenas um ou dois percalços) tirará os encarnados da fase a doer da UEFA Europa League."

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