"Superioridade imensa do Benfica podia ter resultado em vantagem maior, mas a eliminatória parece garantida e a média de golos continua elevadíssima
O Benfica deu passo e meio rumo à fase de liga da UEFA Europa League graças a uma primeira parte demolidora e uma segunda apenas completamente dominadora, mas sem golos. Segue em grande a principal fábrica portuguesa de golos, que leva 25 em sete jogos, média superior a 3,5 por partida. É obra ofensiva — veremos, em testes de maior exigência inevitavelmente a caminho, que solidez defensiva corresponde a este pendor atacante.
Marco Silva não promoveu surpresas no onze nem qualquer rotatividade, o que faz todo o sentido numa altura em que a época vai a iniciar-se e o mais importante, mesmo, é criar rotinas. Lá virá o tempo das poupanças e das gestões, se tudo correr bem durante vários meses. Para já, é hora de consolidar.
Se todos os jogos fossem como o de Rio Maior, na última segunda-feira, o Benfica teria chegado ao intervalo a ganhar por cinco ou seis golos de diferença. O domínio foi de tal forma intenso — e assinalado logo aos dois minutos com o 1-0 — que as oportunidades de golo foram-se sucedendo. Só que desta vez a pontaria não estava tão afinada, o guarda-redes contrário pôde fazer um pouco melhor e os encarnados não materializaram em golo cada chance, como afinal acontece na maior parte das vezes.
A ala direita benfiquista mostrou serviço desde o início e era sobretudo por ali, com as combinações Leandro Barreiro-Bah-Rafa, que o perigo ia nascendo, muito embora os desequilíbrios constantes de Prestianni na esquerda também não deixassem descansar os dinamarqueses.
Barrenechea chegava e sobrava para as encomendas do meio-campo defensivo, o que libertava Barreiro para a meia direita e fazia descair Sudakov mais para a esquerda, num esquema que na prática se plasmava em 4x1x4x1 e se adivinha para o futuro próximo quando, na maioria dos jogos, João Palhinha assumir sozinho as despesas da posição 6 encarnada para a equipa fazer o que melhor sabe: atacar.
Era muito movimento no meio-campo, demasiada informação para processar pelas linhas defensivas do Aarhus, por mais próximas que tentassem estar. De erro em erro (dinamarquês) e de virtuosismo em virtuosismo (português) se ia escrevendo a história da primeira parte. Chegou o 2-0 e não chegaram mais por razões já explanadas.
Mas já dizia um sábio amigo meu: «Cuidado que a bola é extremamente redonda!» E de tão redonda que é pode, de repente, caminhar por sítios imprevistos. Aos 36 minutos, na única jogada articulada de ataque do Aarhus, a defesa do Benfica facilitou (provavelmente não conseguiu arrancar, mal tinha entrado em ação...) e Jorgensen reduziu para 1-2.
O golo fortuito entusiasmou minimamente os dinamarqueses, mas o gás não deu para mais que alguns espasmos. O Benfica retomou a liderança das operações sem problemas de maior e, em cima do apito para descanso, surgiu um penálti-VAR, por mão na bola, que Pavlidis não desperdiçou.
A fábrica continuou a laborar no segundo tempo, mas já em ritmo de sexta-feira à tarde naquelas empresas em que existe a casual friday e até se admite maior informalidade na vestimenta. O Benfica dominou sempre, mas teve muito menos oportunidades e não voltou a marcar. O Aarhus foi igual: quase zero em termos ofensivos e só relativamente competente a defender.
Dentro de uma semana, só uma enorme hecatombe (e teria mesmo de ser enorme hecatombe, não apenas um ou dois percalços) tirará os encarnados da fase a doer da UEFA Europa League."

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