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quarta-feira, 10 de outubro de 2018
terça-feira, 9 de outubro de 2018
A vertigem estonteante dos golos!
"Primeiro domingo de 1968: o Benfica recebeu o FC Porto e venceu por 3-2. Talvez um dos melhores clássicos de sempre, diz quem lá esteve. Assombroso transe de parte a parte na vontade indómita de lutar pela vitória até à última gota de suor.
Primeiro fim-de-semana de 1968 e já se falava do Jogo do Ano. Era um Benfica - FC Porto. No Estádio da Luz.
Desafio impressionante de garra, de querer, de pertinácia - palavra que na altura estava muito presente no léxico dos relatadores -, absolutamente frenético, imparável.
Um nunca mais acabar de adjectivos. E pontos de exclamação.
Há que dizer, para começar, que o Benfica mal deixou que o jogo se iniciasse. Com um vigor notável lançou-se sobre o seu adversário com as garras afiadas de uma águia imperial.
Quem assistia a tudo nas bancadas ficava com a sensação de que seria fácil: encostados às cordas como um pugilista entontecido, os portistas esbracejavam nas pareciam impotentes.
Ah! A Luz fervia em lava e chamas de vulcão!
Um braço encontra o caminho da bola na área de Américo: 'Penálti!', grita o povo ensandecido.
Penálti, confirmou o árbitro.
Eusébio pegou na bola com aquele seu jeito pachorrento e tranquilo de quem sabe todos os segredos sobre os guarda-redes adversários. Pouso-a no lugar certo e disparou um dos seus pontapés inimitáveis. Golo!
Uma onda vermelha de bandeiras. Buzinas soando na tarde.
Dois minutos depois, os adeptos foram de mãos dadas com a equipa até às nuvens.
Torres, o Bom Gigante Torres, pareceu desequilibrar-se quando enfrentou Pavão. Puro engano. Passou por ele facilmente, em corrida de passada larga. Depois outro e outro. E a baliza na sua frente. Américo desolado, impotente. Nada a fazer outra vez. Dois a zero. Benfica de peito mais enfunado do que vela de galeão, como dizia o Raposão da Titi n'A Relíquia do divino Eça.
A resposta do orgulho
Não julguem que o FC Porto morreu aí para o encontro. Nem pensar! Um frémito de orgulho perpassou as linhas azuis e brancas, uma decisão interior e imensa de lutar contra o destino que parecia ter escolhido esse jogo para mais uma goleadora dos encarnados.
Firmes no seu meio-campo, os nortenhos apostaram em não voltar a cometer os erros anteriores. E predispuseram-se a atacar, por sua vez. Aqui e ali, libertavam-se do jogo adversário e iam surgindo perto do golo. E ele chegou, antes do intervalo.
Ninguém queria acreditar que três quartos de hora estavam já ultrapassados. O tempo perdia a sua básica noção. Suspiravam dezenas de milhares de pulmões pelo reatar daquele corre-corre, uma excitação empurrava corações batendo a muito mais de 70 pancadas por minuto.
O Benfica reclama um derrube a Eusébio na grande área contrária. O árbitro decidiu-se por um livre indirecto.
O FC Porto reclama um golo anulado por carga sobre José Henrique.
A aventura continua.
O Benfica desse tempo era uma equipa impressionante, sem medos nem hesitações. Tinha uma consciência fulgurante da sua própria qualidade e da capacidade individual e colectiva dos seus executantes. Não dobrava a espinha perante quem quer que fosse, mesmo nos momentos das derrotas.
O FC Porto foi, na Luz, nesse dia 7 de Janeiro de 1968, de uma valentia notável. Sabia da superioridade encarnada mas nunca virou a cara à luta. O resultado (3-2) confirmou-o. Ainda por cima porque houve o empate antes do segundo golo de Torres.
Que espectáculo alucinante!
Golpe e contragolpe.
Ataque encarnado a todo o transe: Jaime Graça, no meio, pautando as ofensivas; Simões, Eusébio e Torres absolutamente principescos.
Do outro lado, Valdemar, Rolando e Atraca acima de todos. Mas também houve Djalma e Manuel António para desinquietar a vida de José Henrique.
O público ficou largos minutos nas bancadas após o apito final. Não queria que toda aquela vertigem desaparecesse das suas retinas ávidas de momentos como aqueles.
Os benfiquistas festejavam um triunfo artístico, fulgurante.
Os portistas agradeciam aos seus jogadores todos os litros de suor entornados sobre a relva.
Muitos disseram que foi um dos melhores Benfica - FC Porto de todos os tempos.
Não irei desmenti-los.
Só sei que estamos a precisar de outros assim. Ou de muitos outros assim. Para bem do jogo que todos amamos."
Afonso de Melo, in O Benfica
Da redacção para o campo
"O dia em que os jornalistas desportivos da capital deixaram de lado a caneta e o papel e suaram a camisola
'Com o intuito de estreitar camaradagem' entre os profissionais da imprensa desportiva da capital, realizou-se no dia 3 de Maio de 1923 um 'desafio de «foot-ball» entre o grupo do jornal «O Sport de Lisboa» e um outro constituído por redactores de jornaes diários'.
O campo do Sport Lisboa e Benfica, em Benfica, foi o palco escolhido para o encontro. Pel' O Sport de Lisboa jogaram Cosme Damião, Vítor Gonçalves, Ribeiro dos Reis, Félix Bermudes, Guilherme Neves, Ilídio Nogueira, Constantino Saial e Raul e Mário Oliveira. Do lado do misto de redactores dos jornais diários alinharam Artur Inez, Henrique Vieira, Alfredo Wunderli, N. N., José Malheiro, Belo Redondo, Licínio Miranda, Ribeiro da Silva, António Sequeira e Rebelo da Silva.
O jogo, embora 'rijamente disputado', decorreu 'com entusiasmo e correcção'. De acordo com a imprensa, 'notaram-se, evidentemente, muitas mais deficiências técnicas do que em desafios de primeiras categorias', sobretudo por parte do misto que se ressentiu 'da falta de combinação e do excesso de jogo pessoal', 'mas nem por isso se deixou de fazer bom «association»'.
'A victoria coube ao Sport de Lisboa por 3-0' porque, segundo Os Sports, 'jogou melhor que o seu adversário, que se mostrou destreinado'. Mas a desigualdade no número de jogadores também terá tido a sua quota parte de responsabilidade. A equipa dos jornais diários 'na primeira parte (...) jogou apenas com oito homens e na segunda parte com dez'. 'Os nossos adversários não aparecem completos. Não foi por certo o receio de sofrerem grande derrota que levou alguns a faltar', pode ler-se no periódico vencedor.
No final, 'realizou-se entre os contendores um almoço de confraternização'. O convívio 'decorreu animado' e, entre 'entusiásticos brindes', o jornalista 'Alfredo Wunderli ofereceu uma taça para ser disputada em futuros encontros entre jornalistas desportivos'. A Taça Armando Machado, assim baptizada em honra de 'um dos primeiros grandes jornalistas de futebol, falecido ainda novo', disputar-se-ia entre o final de 1923 e o início de 1924.
Da equipa d' O Sport de Lisboa constavam alguns nomes ímpares da história do futebol 'encarnado' como Cosme Damião, Vítor Gonçalves, Félix Bermudes e Ribeiro dos Reis. Conheça-os na exposição permanente do Museu Benfica - Cosme Damião."
Mafalda Esturrenho, in O Benfica
Só uma vitória?
"Foram 3 pontos. Foram aqueles três pontos que faltavam. Faltavam ao treinador na sua carreira. Faltavam aos jogadores na sua competência. Faltavam aos adeptos na sua auto-estima. Faltavam à “estrutura” no seu diagnóstico presente e futuro. Um clube empresa, como nos habituámos a ver o Benfica, busca, incessantemente, a racionalidade como parâmetro de controlo do clubismo. É no conforto dos números e objectivos de gestão que encontra o conforto das decisões com critério, alinhadas com as boas práticas, subordinadas à estratégia. Mas tudo isto sucumbe em segundos de futebol. Quando o dispensável Seferovic chega uns milésimos de segundo antes à bola para a rematar para a baliza, com o seu “não pé”, o direito, batendo o presunçoso e provocador Casillas, estamos para lá da gestão desportiva, entramos na dimensão do misticismo do Clube. Em sonhos imaginariam esta e a imagem que se seguiu: um plantel em forma de bola humana criando uma avalanche de entusiasmo, projectando para o espaço 55.000 adeptos descrentes, resgatados por mal amados (Vitória, Almeida, Lema, Pizzi, Seferovic)… É este activo intangível, a exigência de identidade do Benfica, duvidosamente escriturável, que sacia a sanha de superação e vitória que o Benfica tem. Esta carga dramática de nos fazer regressar ao inferno das piores recordações e sair triunfantes. Contra tudo e contra todos.
Sobre esses mesmos que nos defrontam com armas desiguais e reclamam o cinismo pelo altruísmo, a corrupção pela virtude, o desporto pelo crime impune, o mais hediondo. Hoje não foram 3 pontos. Foi a prova que faltava. Que é possível ganhar, com crença, a uma aliança a que chamam futebol português. Sim, hoje perdeu a Liga Portugal e a FPF, perderam todos os que pela sua acção e omissão, com especial destaque para os árbitros (essa aberta desilusão), permitem uma competição desigual em benefício de um clube que a quase todos intimida. Hoje, esse futebol que não quis que o Benfica terminasse com onze jogadores, perdeu; mesmo quando fez tudo para que o Benfica não ganhasse, organizando, com apitos, o jogo ofensivo do adversário nos minutos finais. No seu zelo constante parece que adivinhavam e bem tentaram interditar o reduto, o último, que os afronta. Caíram perante uma Luz de brilho e recurso inconformado.
E agora? O que fazer com estes 3 pontos? Basta multiplicar. Invocar esta vitória nas ruas, nos trabalhos, de Norte a Sul, nos tribunais, nas polícias, nas instituições administrativas, nas corroídas instituições desportivas. E, claro, sempre que voltarmos ao campo de jogo para olhar os adversários nos olhos, com orgulho, e dizer: estamos aqui para um jogo limpo porque temos a coragem de defrontar e vencer o futebol português e o seu clube. Só o Benfica o consegue fazer e é isso que tem de ser repetido à exaustão. O Benfica fá-lo para honrar a sua história, a sua vocação e, também, para substituir o futebol português pelo futebol. Estes 3 pontos são, também, três torpedos na carcaça de um inimigo da paz e dos bons costumes que, jocosamente, apela à reconciliação. Essa representação, moralmente nauseabunda, é mais apropriada para um palco de varão. Por fim, o mais importante para mim, estes 3 pontos demonstram que não há campanha de marketing organizacional que substitua a autenticidade de uma vitória justa que se busca sem hesitações. Uma vitória à Benfica. É essa força que diferencia uma tarde de Outubro de uma tarde de Abril. E é a força moral desta vitória que pode abrir o espaço de outras vitórias nos novos campeonatos do futebol português (o criminal, o cível, o administrativo). Esta vitória é uma denúncia contra o tratamento que certa comunicação social, de tendência, concede ao Benfica. O seu desrespeito ficará amarrado ao trompete final que elegerão como tema. De fora ficará o futebol português, que essa comunicação social louva.
Ao clube empresa formulo um último desejo: reavaliem contabilisticamente a ligação emocional dos benfiquistas ao Benfica e o impacto da exploração desse recurso inesgotável na valorização global dos outros activos. Em termos contabilísticos pode ser uma operação impossível, mas para o Benfica não há impossíveis."
Sabe quem é? Rebeldia e multa na praia - Julinho
"Não foi para o FC Porto, fez história nos 12-2 ao FC Porto; Prémio de campeão no Benfica nem para gabardina dava
1. Era de Ramalde, lançara-se no futebol através do Boavista - e ao aperceber-se de que Espírito Santo continuava considerado «inapto por doença» (e que Francisco Rodrigues decidira regressar a Setúbal) - Francisco Retorta atirou-se, em afã, à procura de novo avançado centro. 'Necas Maneta', o olheiro que já pusera Francisco Ferreira no Benfica - num ápice despachou mensagem para Lisboa: «Não há melhor do que rapaz que anda a fazer golos a eito no Académico do Porto». (Sim, era ele...)
2. Pela «carta de desobrigação», o Benfica ofereceu 25 contas - e a ele, só para assinar contrato, mais 10 contos (que seriam, hoje, cerca de 5850 euros). Ao saber do negócio a culminar-se, o FC Porto tentou evitá-lo, acenando-lhe com o dobro daquilo que o Benfica lhe prometera (e ao Académico do Porto também) - mas a sua resposta foi, incontornável: «Agora é tarde, já dei a minha palavra, está dada, é de honra, há ser sempre essa minha palavra!»
3. O FC Porto não tardou a cruzar-se com o seu fulgor, com o modo como ele rasgou, fulgurante, a história - marcando-lhe 4 golos na tarde em que o Benfica lhe ganhou por 12-2. (Teve, porém, outros fogachos: os seis golos nos 13-1 à Sanjoanense - e o golo ao Bordéus, o que valeu a Taça Latina)
4. Não, esses 4 golos nos 12-2 ao FC Porto não os marcou a Béla Andrasik que, semanas antes, desaparecera do hotel onde vivia sem deixar rasto - de lá fugira por medo de ser preso pela PVDE (que era como ainda se chamava a PIDE) por o descobrirem espião contra os nazis (e a Gestapo ter feito queixa dele a Salazar) - marcou-os a Luís Mota que os portistas tiveram de ir buscar, em correria, ao Salgueiros.
5. Nos 12-2 ao FC Porto, ele fez 4, dois golos fizeram Manuel da Costa, Teixeira e Valadas - que a contou: «Ao intervalo havia 4-0 e o marcador não teria subido como subiu se não fosse exigência do Albino que nos disse: 'Chegou a hora do Benfica vingar a 0-8 de 1933, vamos pô-los a pagar com juros a maior derrota que o Benfica sofreu com o FC Porto!' No desejo desse vingança, jogámos cada minuto como se a cada minuto houvesse um campeonato para ganhar».
6. Nessa época dos 4 golos nos 12-2 (a da estreia no Benfica) - 24 fez nos 16 jogos do campeonato (e foi o seu Melhor Marcador). Sim, campeão foi o Benfica, de prémio pelo título recebeu (tal como os demais companheiros) 500 escudos. (500 escudos não chegavam agora sequer a 300 euros - e, por essa altura, também não chegavam para comprar em saldos a gabardina de lã que os Armazéns do Chiado anunciavam como «grande atracção para o inverno»: lançara-se a 1100 escudos andava pelos 850)
7. Campeão 1942/1943, campeão voltou a ser em 1944/1945 - na época em que a linha avançada do Benfica, formada por ele, por Espírito Santo, Arsénio, Teixeira e Rogério, ganhou cognome de 'Os Cinco Diabos Vermelhos'. (A seguinte abriu em tempestade sobretudo pelo fecho do Campeonato de Lisboa em quarto, derrotado por 1-4, no Lumiar-A, pela CUF - no jogo em que benfiquistas se queixarem de terem sido atingidos por bagos de chumbo disparados durante torneio de tiro que decorria ao lado do campo!)
8. 1945 corria para o fim - esse jogo co a CUF não o fez, Félix Bermudes, o presidente do Benfica, lamentou-se: «Temos quatro jogadores em rebeldia e cinco fora de Lisboa» - e ele era um dos quatro em «rebeldia», Teixeira deixara de o ser. (Vicente de Melo, que trouxera o Teixeira da Horta, não admitira que Janos Biri lhe desse bofetada em público e como o Benfica ainda o deixara «sem dinheiro para a comida e o quarto» com argumento de que «não sabia assinar recibos», pusera-o a negociar com o SC Braga)
9. Sabendo que o SC Braga oferecera 1500 escudos a Teixeira - também ele exigiu o mesmo em ordenado (e, por isso, Bermudes o dizia em «rebeldia»). Acabaram ambos por ficar no Benfica a 1000 escudos ao mês - e mulher que, «descarada», se apanhasse na praia sem fato de banho com «medidas legais» podia ser multada em 5000 escudos (certo seria se fosse biquini...)
10. O seu terceiro campeonato foi o 1949/1950 (e ele voltou a ser o seu Melhor Marcador). 6 Taças venceu (a última, a de 1952-1953 no ano do adeus) - e dele disse Pipi: «Era notável: mesmo pequenino, ganhava bolas de cabeça a torres como o Feliciano...»
António Simões, in A Bola
Lixívia 7
Tabela Anti-Lixívia
Benfica..... 17 (-4) = 21
Corruptos.. 15 (+4) = 11
Sporting... 13 (+5) = 8
Nas últimas épocas, em jogos com os Corruptos ou os Lagartos, a 'estória' tem sido quase sempre a mesma: o Benfica a tentar jogar à bola, e os nossos adversários a darem porrada, com o uso da 'falta' constante, como estratégia premeditada, com a anuência dos apitadeiros... Sempre que qualquer um dos nossos adversários venceu um destes jogos, os elogios foram os habituais...!!!
Rui Vitória, bem, resolveu desta vez, 'contornar' o problema: em vez de tentarmos sair a jogar de pé para pé... sempre que 'apertados', bola na frente, e pressão para ganhar a '2.ª bola'!!! E foi assim que marcámos o golo... Mas como o Benfica ganhou a partida, a conclusão dos avençados: no Tugão, não se joga nada...!!!
Se tivessem sido os Corruptos a ganhar, já teríamos direito às tradicionais divagações técnico ou tácticas, com olas fartas aos Corruptos...!!!
O Verdíssimo desde do primeiro minuto tentou inclinar o relvado, a dualidade disciplinar e técnica foi evidente: enquanto o Otávio foi acumulando faltas, os nossos à primeira era Amarelo... Mas não foi só nos cartões, mesmo nos contactos a dualidade foi evidente: recordo-me de lance onde o Fejsa no ar é tocado nas costas, naquelas faltas normais no meio-campo, cai mal, com o costado no relvado... e nada foi marcado; poucos minutos depois, numa situação ao contrário a falta foi logo assinalada!!!
Esta critério diferenciado, serve especificamente, para tentar apanhar a defesa do Benfica desequilibrada, após perda de bola em zona de perigo; e para evitar que o mesmo aconteça à defesa dos nossos adversários...
Mas após o golo do Seferovic, o Verdíssimo ficou em pânico: recordo que as duas derrotas dos Corruptos esta época, foram com o Verdíssimo no apito!!! No Corruptos-Guimarães, o tal jogo onde o VAR se desligou, conseguiu transformar um 1-4, num apertado 2-3... mas mesmo assim os Corruptos perderam...!!!
E com o golo do Benfica, o cenário parecia repetir-se... E então, 'inventou' a expulsão do Lema, num lance onde nem sequer existe falta...; e perdoou a expulsão do Herrera com o segundo amarelo... (Herrera que no sururu com o André Almeida, deu um calduço ao Pizzi!!!)

Mas o maior erro, deu-se no último lance da 1.ª parte:
- Falta em zona perigosa sobre o Gabriel, atropelado pelo Marega, à frente do 'cornos' do Verdíssimo...
- E ao mesmo tempo, Maxi 'agride' o Cervi dentro da área, sem bola... O Verdíssimo não tinha a obrigação de ver este lance, mas o VAR está lá exactamente para isso... Mas nem sequer a BTV deu conta...!!!
Os avençados nos média, continuam a fazer o jogo sujo, do corporativismo... Alguns por anti-Benfiquismo doentio, outros porque andam à procura de tacho nas instituições... E assim, todas as más decisões contra o Benfica, são 'aceitáveis'!!!
Para perceber a intenção do Verdíssimo nesta jogo, basta tomar a atenção à forma como ele reagia quando um Corrupto fazia falta para acção disciplinar: não marcava nada, ou então marcava envergonhadamente e 'fugia' do local da falta, virando as costas aos jogadores...
Esta 'ferramenta' da Corrupção, andava pelos Distritais de Leiria, à poucas épocas, onde era conhecido por ser um dos piores árbitros da AFL... e hoje é Internacional!!!
Em Portimão além dos golos do Nakajima... pouco se passou!!!
Impunidade disciplinar para os Lagartos, com evidência desta vez para o Battaglia, mas de resto tudo normal...
Rui Vitória, bem, resolveu desta vez, 'contornar' o problema: em vez de tentarmos sair a jogar de pé para pé... sempre que 'apertados', bola na frente, e pressão para ganhar a '2.ª bola'!!! E foi assim que marcámos o golo... Mas como o Benfica ganhou a partida, a conclusão dos avençados: no Tugão, não se joga nada...!!!
Se tivessem sido os Corruptos a ganhar, já teríamos direito às tradicionais divagações técnico ou tácticas, com olas fartas aos Corruptos...!!!
O Verdíssimo desde do primeiro minuto tentou inclinar o relvado, a dualidade disciplinar e técnica foi evidente: enquanto o Otávio foi acumulando faltas, os nossos à primeira era Amarelo... Mas não foi só nos cartões, mesmo nos contactos a dualidade foi evidente: recordo-me de lance onde o Fejsa no ar é tocado nas costas, naquelas faltas normais no meio-campo, cai mal, com o costado no relvado... e nada foi marcado; poucos minutos depois, numa situação ao contrário a falta foi logo assinalada!!!
Esta critério diferenciado, serve especificamente, para tentar apanhar a defesa do Benfica desequilibrada, após perda de bola em zona de perigo; e para evitar que o mesmo aconteça à defesa dos nossos adversários...
Mas após o golo do Seferovic, o Verdíssimo ficou em pânico: recordo que as duas derrotas dos Corruptos esta época, foram com o Verdíssimo no apito!!! No Corruptos-Guimarães, o tal jogo onde o VAR se desligou, conseguiu transformar um 1-4, num apertado 2-3... mas mesmo assim os Corruptos perderam...!!!
E com o golo do Benfica, o cenário parecia repetir-se... E então, 'inventou' a expulsão do Lema, num lance onde nem sequer existe falta...; e perdoou a expulsão do Herrera com o segundo amarelo... (Herrera que no sururu com o André Almeida, deu um calduço ao Pizzi!!!)

Mas o maior erro, deu-se no último lance da 1.ª parte:
- Falta em zona perigosa sobre o Gabriel, atropelado pelo Marega, à frente do 'cornos' do Verdíssimo...
- E ao mesmo tempo, Maxi 'agride' o Cervi dentro da área, sem bola... O Verdíssimo não tinha a obrigação de ver este lance, mas o VAR está lá exactamente para isso... Mas nem sequer a BTV deu conta...!!!
A filha-putice dos apitadeiros está a atingir limites impensáveis... Os cabrões perderam toda a vergonha, estão todos mijados nos jogos do Benfica... Seja por corrupção, seja por pura cobardia, estão todos coagidos contra o Benfica! Estas duas expulsões do Conti e do Lema, não se vão repetir a nenhum outro Central neste Campeonato... Aliás os únicos Centrais, com alta probabilidade de serem expulsos no futuro próximo, por circunstâncias idênticas, são os do Benfica!!!Tudo o que se faça, todas as musicas de tourada, nada é demais para estes filhos de uma grande puta, já agora Maxi, quando morres? pic.twitter.com/LyxfRQlJf2— Rui (@RuiAmadora) 8 de outubro de 2018
Os avençados nos média, continuam a fazer o jogo sujo, do corporativismo... Alguns por anti-Benfiquismo doentio, outros porque andam à procura de tacho nas instituições... E assim, todas as más decisões contra o Benfica, são 'aceitáveis'!!!
Para perceber a intenção do Verdíssimo nesta jogo, basta tomar a atenção à forma como ele reagia quando um Corrupto fazia falta para acção disciplinar: não marcava nada, ou então marcava envergonhadamente e 'fugia' do local da falta, virando as costas aos jogadores...
Esta 'ferramenta' da Corrupção, andava pelos Distritais de Leiria, à poucas épocas, onde era conhecido por ser um dos piores árbitros da AFL... e hoje é Internacional!!!
Em Portimão além dos golos do Nakajima... pouco se passou!!!
Impunidade disciplinar para os Lagartos, com evidência desta vez para o Battaglia, mas de resto tudo normal...
Anexo(I):
Benfica
1.ª-Guimarães(c), V(3-2), Pinheiro(Sousa), Nada a assinalar
2.ª-Boavista(f), V(0-2), Mota(Malheiro), Nada a assinalar
2.ª-Boavista(f), V(0-2), Mota(Malheiro), Nada a assinalar
3.ª-Sporting(c), E(1-1), Godinho(Sousa), Prejudicados, (2-1), (-2 pontos)
4.ª-Nacional(f), V(0-4), Veríssimo(Xistra), Prejudicados, Beneficiados, (0-7), Sem influência no resultado
5.ª-Aves(c), V(2-0), Rui Costa(Paixão), Prejudicados, (3-0), Sem influência no resultado
6.ª-Chaves(f), E(2-2), Capela(Esteves), Prejudicados, (1-3), (-2 pontos)
7.ª-Corruptos(c), V(1-0), Veríssimo(Sousa), Prejudicados, (2-0), Sem influência no resultado
4.ª-Nacional(f), V(0-4), Veríssimo(Xistra), Prejudicados, Beneficiados, (0-7), Sem influência no resultado
5.ª-Aves(c), V(2-0), Rui Costa(Paixão), Prejudicados, (3-0), Sem influência no resultado
6.ª-Chaves(f), E(2-2), Capela(Esteves), Prejudicados, (1-3), (-2 pontos)
7.ª-Corruptos(c), V(1-0), Veríssimo(Sousa), Prejudicados, (2-0), Sem influência no resultado
Corruptos
1.ª-Chaves(c), V(5-0), Almeida(Vasco Santos), Beneficiados, Impossível contabilizar
2.ª-Belenenses(f), V(2-3), Xistra(Capela), Beneficiados, (2-2), (+2 pontos)
2.ª-Belenenses(f), V(2-3), Xistra(Capela), Beneficiados, (2-2), (+2 pontos)
3.ª-Guimarães(c), D(2-3), Veríssimo(Paixão), Beneficiados, Sem influência no resultado
4.ª-Moreirense(c), V(3-0), Malheiro(Ferreira), Beneficiados, Impossível contabilizar
5.ª-Setúbal(f), V(0-2), Manuel Oliveira(Vasco Santos), Beneficiados, Impossível contabilizar
6.ª-Tondela(c), V(1-0), Godinho(Malheiro), Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)
7.ª-Benfica(f), D(1-0), Veríssimo(Sousa), Beneficiados, (2-0), Sem influência no resultado
4.ª-Moreirense(c), V(3-0), Malheiro(Ferreira), Beneficiados, Impossível contabilizar
5.ª-Setúbal(f), V(0-2), Manuel Oliveira(Vasco Santos), Beneficiados, Impossível contabilizar
6.ª-Tondela(c), V(1-0), Godinho(Malheiro), Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)
7.ª-Benfica(f), D(1-0), Veríssimo(Sousa), Beneficiados, (2-0), Sem influência no resultado
Sporting
1.ª-Moreirense(f), V(1-3), Martins(Miguel), Nada assinalar
2.ª-Setúbal(c), V(2-1), Manuel Oliveira(Ferreira), Beneficiados, (2-2), (+2 pontos)
2.ª-Setúbal(c), V(2-1), Manuel Oliveira(Ferreira), Beneficiados, (2-2), (+2 pontos)
3.ª-Benfica(f), E(1-1), Godinho(Sousa), Beneficiados, (2-1), (+1 ponto)
4.ª-Feirense(c), V(1-0), Rui Oliveira(Esteves), Beneficiados, (1-1), (+ 2 pontos)
5.ª-Braga(f), D(1-0), Soares Dias(Veríssimo), Beneficiados, Sem influência no resultado
6.ª-Marítimo(c), V(2-0), Almeida(Sousa), Beneficiados, (1-0), Impossível contabilizar
7.ª-Portimonense(f), D(4-2), Miguel(Ferreira), Nada a assinalar
4.ª-Feirense(c), V(1-0), Rui Oliveira(Esteves), Beneficiados, (1-1), (+ 2 pontos)
5.ª-Braga(f), D(1-0), Soares Dias(Veríssimo), Beneficiados, Sem influência no resultado
6.ª-Marítimo(c), V(2-0), Almeida(Sousa), Beneficiados, (1-0), Impossível contabilizar
7.ª-Portimonense(f), D(4-2), Miguel(Ferreira), Nada a assinalar
Anexo(II):
Benfica:
Sousa: 0 + 3 = 3
Sousa: 0 + 3 = 3
Pinheiro: 1 + 0 = 1
Mota: 1 + 0 = 1
Godinho: 1 + 0 = 1
Veríssimo: 1 + 0 = 1
Rui Costa: 1 + 0 = 1
Capela: 1 + 0 = 1
Veríssimo: 1 + 0 = 1
Malheiro: 0 + 1 = 1
Mota: 1 + 0 = 1
Godinho: 1 + 0 = 1
Veríssimo: 1 + 0 = 1
Rui Costa: 1 + 0 = 1
Capela: 1 + 0 = 1
Veríssimo: 1 + 0 = 1
Malheiro: 0 + 1 = 1
Xistra: 0 + 1 = 1
Paixão: 0 + 1 = 1
Esteves: 0 + 1 = 1
Paixão: 0 + 1 = 1
Esteves: 0 + 1 = 1
Corruptos:
Veríssimo: 2 + 0 = 2
Vasco Santos: 0 + 2 = 2
Malheiro: 1 + 1 = 2
Veríssimo: 2 + 0 = 2
Vasco Santos: 0 + 2 = 2
Malheiro: 1 + 1 = 2
Xistra: 1 + 0 = 1
Almeida: 1 + 0 = 1
Manuel Oliveira: 1 + 0 = 1
Godinho: 1 + 0 = 1
Almeida: 1 + 0 = 1
Manuel Oliveira: 1 + 0 = 1
Godinho: 1 + 0 = 1
Capela: 0 + 1 = 1
Paixão: 0 + 1 = 1
Ferreira: 0 + 1 = 1
Sousa: 0 + 1 = 1
Paixão: 0 + 1 = 1
Ferreira: 0 + 1 = 1
Sousa: 0 + 1 = 1
Sporting:
Miguel: 1 + 1 = 2
Sousa: 0 + 2 = 2
Ferreira: 0 + 2 = 2
Miguel: 1 + 1 = 2
Sousa: 0 + 2 = 2
Ferreira: 0 + 2 = 2
Martins: 1 + 0 = 1
Oliveira: 1 + 0 = 1
Godinho: 1 + 0 = 1
Rui Oliveira: 1 + 0 = 1
Soares Dias: 1 + 0 = 1
Almeida: 1 + 0 = 1
Oliveira: 1 + 0 = 1
Godinho: 1 + 0 = 1
Rui Oliveira: 1 + 0 = 1
Soares Dias: 1 + 0 = 1
Almeida: 1 + 0 = 1
Esteves: 0 + 1 = 1
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segunda-feira, 8 de outubro de 2018
A Luz a seu dono na festa encarnada
"Os jogadores do Benfica mereceram nota seis na parte técnica, nota oito na disciplina táctica e nota dez na entrega ao jogo. Insuperáveis!
O Benfica contrariou a tese que coloca o estádio da Luz como salão de festas do FC Porto e venceu, com inegável justiça, o clássico de ontem. Depois de uma metade inicial penosa, mal jogada de parte a parte e pejada de faltas, a equipa de Rui Vitória foi superior ao adversário, nos processos e na organização, e garantiu três pontos importantes para as contas do título. Não sei o que terá dito Rui Vitória aos seus jogadores entre Atenas e Lisboa, mas uma coisa é certa: funcionou. Sem produzir um futebol de qualidade, o Benfica ancorou o triunfo sobre os dragões na enorme entrega e insuperável atitude dos seus jogadores, que valeram nota seis na parte técnica, nota oito na disciplina táctica e nota dez na forma como suaram a camisola encarnada.
A 26 jornadas do fim do campeonato, é preciso ter alguma cautela e muita prudência nas projecções a fazer. Mas não será, por certo, abusivo constatar que a produção de jogo do FC Porto está longe do que se viu, na época passada, à equipa de Sérgio Conceição. Quanto ao Benfica, apesar da vitória, fica a sensação de que a equipa deverá evoluir para fórmulas mais ousadas, que aproveitem o poder de fogo que está no banco.
Para facilitar, evitando contaminação clubistas, coloquemos Benfica, FC Porto, Lema, Fábio Veríssimo e Jorge Sousa, fora da equação. Mas tomemos, por base de trabalho, o lance da expulsão do central argentino do Benfica, no clássico de ontem. Será que, perante uma decisão tão obviamente errada, que podia ter adulterado o resultado final, não haverá explicações a dar, por parte dos responsáveis da arbitragem, aos adeptos? A ideia que fica, jogo após jogo, semana após semana, é que estamos perante um lote de árbitros com manifestas insuficiências. Há que ter paciência...
Para facilitar, evitando contaminações clubistas, coloquemos SC Braga e Rio Ave, Bruno Viana e Galeno e Tiago Martins e Bruno Paixão, fora da equação. Mas tomemos, por base de trabalho, o derradeiro lance do jogo do último sábado, na Pedreira. Será que o presidente do Conselho de Arbitragem da FPF não deve vir a público explicar as razões que terão assistido ao árbitro e ao VAR para não ter sido assinalado grande penalidade favorável aos forasteiros? Ou, até, assumir culpas por um atropelo, incompreensível à luz dos meios colocados ao serviço da arbitragem? Silêncio é que não não!
Ás
Rúben Dias
Grande exibição, a primeira de nível superior num clássico, sem paragens nem faltas desnecessárias, sempre concentrado e a vestir a pele de líder encarnado dentro das quatro linhas, numa antecipação do futuro, assim continue na Luz. O Rúben Dias de ontem tem tudo para ser o sucessor de Pepe na Selecção Nacional.
Ás
Rui Vitória
Semana de ouro, mais pelos resultados do que pelas exibições, é certo, mas com triunfos frente a AEK e FC Porto que recolocaram os encarnados no rumo certo. E; por paradoxal que pareça (por interromper série vitoriosa), o interregno que se segue será bem vindo, momento para reagrupar tropas e assentar ideias.
Ás
Shoya Nakajima
Dois golos e duas assistências na vitória do Portimonense, que era lanterna-vermelha, sobre o Sporting, ficam na história deste pequeno japonês (1,64m), de 24 anos, transbordante em talento e irreverência. Parece impossível como nenhum dos grandes se interessou por Nakajima, um dos melhores jogadores da Liga portuguesa.
João Cancelo, até onde?
Joaõ Cancelo, 24 anos, produto futebolístico do Seixal, deixou o Benfica há quatro anos, era ainda um projecto de jogador, a troco de 15 milhões de euros, pagos, à altura, pelo Valência, numa altura em que o clube da Luz precisava de acalmar a tesouraria. Hoje, na Juventus, Cancelo está a atingir patamares de excelência que levaram às seguintes apreciações, nos jornais de ontem, relativamente ao jogo que fez em casa da Udinese: 'Coriere Dello Sport': «Ter um jogador assim na lateral-direita é um luxo que poucos podem dar-se. Tem pés de maestro e acelerações de velocista. Fez a assistência do 1-0 e andou perto do golo. Devastador». 'Gazzetta Dello Sport': «Parece um desperdício que tanta classe esteja relegada a uma ala, no papel menor de lateral-direito, mas talvez seja preferível ser o melhor dos laterais que o quarto ou quinto dos outros. A assistência para Bettancourt roçou a perfeição, um cruzamento digno de David Beckham...»
O que ganhou Mourinho? Tempo? Espaço?
«Se chover em Londres a culpa será minha. E se correr alguma coisa mal com o Brexit, também...»
José Mourinho, treinador do Manchester United
A vitória épica sobre o Newcastle deu mais tempo a José Mourinho, à frente do Manchester United. Mas terá dado mais espaço ao treinador português, envolvido numa guerra sem quartel com o homem de confiança da administração norte-americana dos red devils? Uma coisa é certa: o futuro de Mou depende de um equilíbrio defensivo que a sua equipa não mostra.
A única resposta de Cristiano Ronaldo
No meio de um turbilhão mediático, Cristiano Ronaldo respondeu como melhor sabe, mostrando-se focado no essencial da sua profissão, o golo. No mais, entre contrainformação e especulação, a justiça terá o seu modo, num tempo onde deve ser observada a presunção de inocência..."
José Manuel Delgado, in A Bola
Saber sofrer e no fim vencer
"Jogo muito intenso com as defesas quase sempre superiores aos ataques
Estratégia azul
1. O início do jogo mostrou um FC Porto em 4-3-3 (Marega permite ao FC Porto alternar o seu sistema em função do grau de dificuldade que o adversário pressupõe). A ideia de Marega na direita era clara. Por um lado, vencer o duelo ofensivo na dimensão física, por outro, no plano defensivo, condicionar uma das referências do triângulo adversário do lado esquerdo. Ao minuto 14, o Benfica obriga Casillas à sua primeira intervenção no jogo. Seferovic foi protagonista com um dos seus movimentos típicos (procura da profundidade), valeu a boa percepção do jogo do guarda-redes. Em termos estratégicos, foi evidente um FC Porto de pressão alta a condicionar a construção (1.ª fase) do Benfica. A razão? Pareceu-me evidente. Lema e Rúben Dias não são jogadores que se sintam confortáveis neste momento do jogo. A solução encontrada pelo Benfica foi, muitas vezes, procurar jogar na contrapressão. Aí, Seferovic foi importante sobretudo a funcionar como tabelador com as linhas atrasadas após ser solicitado à figura.
Reposta encarnada
2. Com posse, o FC Porto era agressivo. Brahimi à figura e Marega à profundidade criavam distintos constrangimentos à defensiva do Benfica. O Benfica respondia. Para lá de Seferovic a servir de referência ofensiva, os triângulos nos corredores laterais iam começando a funcionar e o resultado foram as constantes faltas laterais que os jogadores do FC Porto faziam. A primeira parte chega ao fim. O jogo estava completamente equilibrado. Equipas com grande preocupação em não se exporem ao erro, mas o que mais me saltou à vista foi a estratégia em condicionar o jogo do Benfica (bem pensada e melhor executada) pelo FC Porto, por um lado, e, por outro, a capacidade demonstrada pelo Benfica em se adaptar a essa realidade e, com critério (procura de Seferovic à figura), responder à altura.
Benfica mais forte
3. O início da segunda parte começa com a entrada de Sérgio Oliveira (52') no lugar de Otávio. Na zona de Fejsa, Otávio teve sempre muitas dificuldades para jogar e fazer jogar os seus colegas ao terço ofensivo. Sérgio, por seu lado, conferia mais jogo de frente para a baliza adversária o que, em teoria, pode fazer activar a procura da profundidade.
O Benfica estava mais forte! A equipa conseguia recuperar a bola mais alto e acelerar de imediato para a baliza adversária. Se numa primeira ameaça (Grimaldo após roubo de bola iniciou uma jogada em que Gabriel permitiu uma grande defesa a Casillas) o Benfica expôs a defesa do FC Porto. Num segundo momento, Seferovic marcou novamente naquilo onde é muito forte... A procura da profundidade.
Expulsão
4. O minuto 83 traz um grande revés ao Benfica. Dois minutos depois de entrar Alfa Semedo (com o objectivo claro de trancar o jogo), Lema foi expulso. O novo reajuste táctico traz Semedo para central e junto a Fejsa, Gabriel e os dois extremos. Sete minutos de sofrimento na perspectiva do Benfica, sete minutos do tudo por tudo para o FC Porto.
Em suma, um jogo muito intenso, no qual as defesas se sobrepuseram quase sempre aos ataques /Rúben Dias personificou essa dominância). Venceu o Benfica, que soube aproveitar com um golo o tempo na segunda parte, na qual esteve por cima e, posteriormente, soube sofrer quando as contingências do jogo assim o ditaram."
João de Deus, in A Bola
Cadomblé do Vata (especial: Verdíssimo)
"Análise do Apito de Vata aos lances polémicos do clássico arbitrado por Fábio Veríssimo:
1. Amarelo a Grimaldo aos 9 minutos - boa decisão - corta contra ataque perigoso, não interessa se é no primeiro ou se é no último minuto, se trava um caga tacos ou se se atira para a frente do intercidades que liga Bamako a Toumbouctou
2. Amarelo ao Casillas aos 19 minutos - boa decisão - anti jogo é punível com cartão amarelo, seja no primeiro ou no último minuto, independentemente do treinador ser boa gente ou um filho da mãe hipócrita.
3. Fora de jogo não assinalado ao Seferovic perto do final da 1ª parte - boa decisão - o lance é prometedor de golo, se estiver fora de jogo, o VAR que anule, que isto de ir ao fim de semana para o Jamor não pode ser só para fazer corrida na mata.
4. Amarelo ao Otávio à 7ª falta - boa decisão - é certo que devia ter mostrado antes, mas como ficou evidente na 6ª falta do mimalho brasileiro, o problema não foi técnico mas matemático, portanto se alguém errou foi a professora dele da primária, quando o deixou passar para o 5º ano.
5. Segundo amarelo a Lema aos 83 minutos - boa decisão - o planeta vive o drama do aquecimento global e um pontapé na atmosfera como o desferido pelo argentino pode aumentar dramaticamente o buraco do ozono. Existe Livre directo, Livre Indirecto e desde ontem, Livre Ambiental."
Cadomblé do Vata
"1. Podem voltar a soltar a águia Vitória... já não corre o risco de levar uma bolada saída dum chutão da defesa do FCP à procura do Soares e do Marega.
2. Numa só semana acabamos com a sucessão de derrotas na Champions e voltamos a ganhar ao FCP na Luz... não se arranja uma final europeia para o SLB jogar amanhã ou terça feira?
3. Desde que o Capitão se despediu, Jardel lesionou-se e Dias, Conti e Lema foram expulsos... já se pode falar em Maldição do Luisão ou é preciso o Ferro ser internado com um problema psiquiátrico?
4. Ganhamos ao FCP com um golo do Seferovic e acabamos o jogo com 10 jogadores... só isto devia chegar para deixar qualquer portista em gaguejo eterno quando tentasse arranjar desculpas para a derrota.
5. No final há que dar parabéns ao Rui Vitória pela brilhante abordagem táctica da primeira parte... impedindo a equipa de rematar à baliza, não deixou o Casillas ganhar moral e o espanhol ficou assim mais vulnerável para o segundo tempo."
Faz parte dos meus truques
"O futebol são onze em campo e todos nós na bancada. Mas este ‘nós’ está longe de ser uma entidade colectiva, abstracta. É, no essencial, um conjunto de ligações individuais com o que se passa no relvado, feitas de pequenas escolhas, determinantes para o desenrolar do jogo. Cada um que se senta na bancada participa de facto na partida, não necessariamente com cânticos, aplausos ou pressão sobre a arbitragem. Não fora assim, não fazia sentido nem a paixão, nem muito menos o empenho com que, semanalmente, nos deslocamos ao estádio.
Lembrei-me disto quando ouvi, no lançamento do jogo, Rui Vitória prometer "arranjar uns pequenos truques para ganhar ao Porto". Em campo, não dei propriamente pelos truques: vi antes um Benfica determinado, com uma abordagem estratégica inteligente – durante parte do jogo expectante e, depois, na segunda metade, com Rafa em campo, capaz de desbloquear a partida. Mas também vislumbrei duas equipas preocupadas, acima de tudo, em se anularem mutuamente, com um futebol físico, dividido em duelos aéreos e com ideias de jogo sofríveis.
Estou, no entanto, convencido de que o que pode ter colocado justiça no resultado, oferecendo-nos a vitória, não foi nada disso, mas, antes, a atenção com que preparei a minha relação com o jogo. Desta feita, não facilitei: levei o mesmo polo com que havíamos vencido da última vez no Jamor; fui rigoroso com os lugares em que os miúdos se sentaram; a caminho do estádio enviei as SMS da praxe e subi os degraus até ao 3.º Anel com o pé certo. Faz parte dos meus truques e essa é mais uma razão pela qual não sou treinador do Benfica."
A vitória justa do Benfica e a justiça na vitória de Mourinho
"Ganhou o Benfica e ganhou bem. Não porque jogue muito futebol, que não joga – em toda a partida construiu só um par de oportunidades e raras foram as jogadas com ligação efectiva – mas porque, desta vez, quis mais ganhar que o Porto. E quis em duplo sentido: foi tacticamente mais ousado - em português corrente, atacou mais, sobretudo na segunda parte e até ficar com um homem a menos – e manifestou crença efectiva e em doses suplementares, numa vontade de ganhar visível nos planos próximos da tv, particularmente evidente nos rostos de Ruben Dias, Grimaldo ou Pizzi. E depois tem melhores jogadores, pelo menos muito mais soluções ofensivas de qualidade. A comparação não deixa dúvidas: o Porto, sem Aboubakar, com Soares à procura do ritmo certo e Marega ao pé-coxinho, tinha como única solução de recurso o jovem André Pereira, enquanto o Benfica pôde lançar Rafa, dispunha de Jonas e Castillo e ainda deixou fora da lista Zivkovic, João Félix e Ferreyra. De competências técnico-tácticas muito haverá ainda para analisar no futuro da época mas quanto à profundidade do plantel não há dúvidas de que o Benfica leva vantagem.
O jogo não foi grande coisa, a primeira parte então foi mesmo fraca demais, mas as águias surgiram mais fortes no reatamento e o dragão nunca exibiu o poder de fogo que mostrou noutros momentos importantes, por exemplo no mesmo clássico da temporada anterior que pesou bastante na decisão do título. Demasiado viciada nos lançamentos longos para Marega e Soares, que o Benfica soube controlar, e com os laterais presos à vigilância dos extremos encarnados, a equipa foi sobretudo incapaz de construir com qualidade, de ter bola e de a circular. No eixo central, a colocação de Herrera como segunda unidade pressionante no momento defensivo fê-lo viver o jogo numa espécie de exílio tático, enquanto o combate com o trio benfiquista – Fejsa, Gabriel, Pizzi – ficou resumido a um Danilo que ainda não vejo justificar a suplência de Sérgio Oliveira e a um Otávio fora do habitat natural, por isso sem espaço para a criatividade e essencialmente faltoso. Só depois da expulsão de Lema o Porto poderia ter marcado mas verdadeiramente pouco tinha feito por isso até então.
Torci como já não me lembrava por José Mourinho. Gostei mesmo de o ver guiar o Manchester United à reviravolta frente ao Newcastle. O treinador português tem cometido vários erros nos últimos anos, restam poucas dúvidas. Apontaria, sem qualquer pretensão de verdade absoluta, o ter desvalorizado em certos momentos a construção de um jogar de qualidade (e de iniciativa) em detrimento de algum experimentalismo estratégico, com planos demasiado diferentes para cada jogo ou marcações individuais anacrónicas (que reforçam a importância dada ao opositor), ter revelado quase uma obsessão por jogadores musculados (Lukaku, Fellaini, mesmo Pogba), quiçá na tentação de mostrar que se pode ganhar com ideias opostas às que Guardiola celebrizou, ou ainda a preocupação excessiva em chamar sobre si próprio os holofotes da crítica, o que só poupa os jogadores até certo ponto, envolve-os também fatalmente, depois. José Mourinho não pode é ser tratado como um qualquer, que há toda uma história que não se apaga e que faz dele um dos técnicos mais bem sucedidos de sempre na história do jogo. É certo que depende essencialmente dele ser capaz de inverter a tendência recente. E até acredito que pode fazê-lo pegando no exemplo daquela última meia hora do jogo deste sábado, quando a equipa se livrou de estratégias de equilíbrio e se assumiu, com todos os talentos à solta, como aquilo que efectivamente pode ser mais vezes: uma grande máquina de jogo ofensivo, capaz de encostar o rival às cordas. Não, não esqueço que o adversário era o Newcastle, que segue frágil nos últimos lugares da Premier, mas não escondo que gostava de ver sequelas daquele filme. Porque o Man United é melhor assim e porque aquele é o Mourinho que nos faz vibrar. E respeitar mais ainda."
Vitória de quem soube desamarrar o jogo
"+O Benfica é um justo vencedor?
Sem dúvida. Num duelo muito equilibrado, foi o Benfica que forçou a quebra do bloqueio em que o jogo estava metido desde o apito inicial. Mérito da equipa e de Rui Vitória, que seguramente entendeu que o momento de atacar o rival seria depois do intervalo.
+E que factores provocaram essa rotura?
Uma entrada forte do Benfica na 2.ª parte, subindo a linha de pressão e condicionando a saída de bola do FC Porto. A substituição de Otávio retirou alguma energia frenética ao meio-campo dos dragões e a entrada de Rafa potenciou aquilo que Cervi exibia após o intervalo: velocidade e contundência, desgastando o adversário directo, neste caso Maxi Pereira.
+O FC Porto demorou muito tempo a reagir. Porquê?
Porque o Benfica soube prolongar os momentos de insegurança do adversário. Ao fazer o golo, a águia continuou a provocar o erro, sendo agressiva no ataque à bola e posicionando-se em terrenos adiantados. O Benfica dominou claramente nessa meia hora.
+E nunca o Benfica sentiu o perigo de não ganhar o jogo?
Quando a vantagem é mínima, essa possibilidade está sempre viva e naturalmente cresceu quando Lema foi expulso. Mas o Benfica soube agarrar bem o seu momento e cerrou fileiras.
+Este FC Porto é menos competente do que aquele que se sagrou campeão?
Sobretudo já não tem segredos. Precisa de se reinventar. Na Luz, a profundidade foi controlada pelo rival e a solução foram cruzamentos e lances de bola parada. É curto.
+Vitória apostou em Lema. Foi arriscado?
Havia sempre riscos associados à utilização de um jogador sem ritmo competitivo e ser claramente o quarto central da equipa. Mas foi uma aposta coerente, de acordo com as opções de Rui Vitória. Lema teve lances em que comprometeu ao ponto, por exemplo, de ter sido expulso, mas foi importante nos duelos aéreos e não foi factor de desequilíbrio.
+Três jogos, três centrais expulsos. Há aqui algum padrão?
Meramente circunstancial. Foram lances em que o segundo cartão amarelo saiu do bolso dos árbitros em virtude do critério que todos eles aplicaram nesses jogos. Importa relevar a capacidade que o Benfica teve em unir-se nesses momentos. Em Chaves sofreu o empate já com 10 mas num lance que nada teve a ver com esse facto.
+Gabriel foi opção em vez de Gedson. Natural?
Sim, pelo equilíbrio que o brasileiro confere a um meio-campo que não podia abrir brechas e que tinha de ser forte nos duelos individuais. Acresce que Gabriel esteve na melhor oportunidade que o Benfica teve (tiro aos 60’ e grande defesa de Casillas) além do golo, onde teve participação determinante.
+Quem foi a figura do jogo?
Seferovic, porque o golo que marcou decidiu o clássico, mas a verdade é que foi Rúben Dias quem fez um jogo quase perfeito. Com 20 anos, pareceu um veterano de guerra. Nenhum jogador vale mais do que uma equipa, mas a soma de grandes exibições individuais eleva o rendimento de uma equipa. Rúben Dias esteve próximo da excelência, mas outros juntaram-se num nível muito elevado: Grimaldo, Pizzi, Salvio. Sendo assim, é natural ser melhor."
PS: Pois bem, o critério?! É o tal critério unilateral...!!!
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