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segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Saber sofrer e no fim vencer

"Jogo muito intenso com as defesas quase sempre superiores aos ataques

Estratégia azul
1. O início do jogo mostrou um FC Porto em 4-3-3 (Marega permite ao FC Porto alternar o seu sistema em função do grau de dificuldade que o adversário pressupõe). A ideia de Marega na direita era clara. Por um lado, vencer o duelo ofensivo na dimensão física, por outro, no plano defensivo, condicionar uma das referências do triângulo adversário do lado esquerdo. Ao minuto 14, o Benfica obriga Casillas à sua primeira intervenção no jogo. Seferovic foi protagonista com um dos seus movimentos típicos (procura da profundidade), valeu a boa percepção do jogo do guarda-redes. Em termos estratégicos, foi evidente um FC Porto de pressão alta a condicionar a construção (1.ª fase) do Benfica. A razão? Pareceu-me evidente. Lema e Rúben Dias não são jogadores que se sintam confortáveis neste momento do jogo. A solução encontrada pelo Benfica foi, muitas vezes, procurar jogar na contrapressão. Aí, Seferovic foi importante sobretudo a funcionar como tabelador com as linhas atrasadas após ser solicitado à figura.

Reposta encarnada
2. Com posse, o FC Porto era agressivo. Brahimi à figura e Marega à profundidade criavam distintos constrangimentos à defensiva do Benfica. O Benfica respondia. Para lá de Seferovic a servir de referência ofensiva, os triângulos nos corredores laterais iam começando a funcionar e o resultado foram as constantes faltas laterais que os jogadores do FC Porto faziam. A primeira parte chega ao fim. O jogo estava completamente equilibrado. Equipas com grande preocupação em não se exporem ao erro, mas o que mais me saltou à vista foi a estratégia em condicionar o jogo do Benfica (bem pensada e melhor executada) pelo FC Porto, por um lado, e, por outro, a capacidade demonstrada pelo Benfica em se adaptar a essa realidade e, com critério (procura de Seferovic à figura), responder à altura.

Benfica mais forte
3. O início da segunda parte começa com a entrada de Sérgio Oliveira (52') no lugar de Otávio. Na zona de Fejsa, Otávio teve sempre muitas dificuldades para jogar e fazer jogar os seus colegas ao terço ofensivo. Sérgio, por seu lado, conferia mais jogo de frente para a baliza adversária o que, em teoria, pode fazer activar a procura da profundidade.
O Benfica estava mais forte! A equipa conseguia recuperar a bola mais alto e acelerar de imediato para a baliza adversária. Se numa primeira ameaça (Grimaldo após roubo de bola iniciou uma jogada em que Gabriel permitiu uma grande defesa a Casillas) o Benfica expôs a defesa do FC Porto. Num segundo momento, Seferovic marcou novamente naquilo onde é muito forte... A procura da profundidade.

Expulsão
4. O minuto 83 traz um grande revés ao Benfica. Dois minutos depois de entrar Alfa Semedo (com o objectivo claro de trancar o jogo), Lema foi expulso. O novo reajuste táctico traz Semedo para central e junto a Fejsa, Gabriel e os dois extremos. Sete minutos de sofrimento na perspectiva do Benfica, sete minutos do tudo por tudo para o FC Porto.
Em suma, um jogo muito intenso, no qual as defesas se sobrepuseram quase sempre aos ataques /Rúben Dias personificou essa dominância). Venceu o Benfica, que soube aproveitar com um golo o tempo na segunda parte, na qual esteve por cima e, posteriormente, soube sofrer quando as contingências do jogo assim o ditaram."

João de Deus, in A Bola

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