Últimas indefectivações

domingo, 31 de março de 2013

A morte desceu do céu

"Ficou para a história como «O Desastre de Superga». Regressado de Lisboa, o avião que transportava o «Grande Torino» despenhou-se quando se aproximava de Turim. Tinha acabado de perder com o Benfica num jogo extraordinário. Recorde-se a viagem...

Quando fez o avião correr pela pista da Portela e elevar-se molemente como uma gaivota preguiçosa nos céus de Lisboa, o comandante, Pier Luigi Meroni, estava longe de pensar que esse poderia vir a tornar-se num voo complicado. Aliás, Meroni era um piloto com experiência e conhecia amplamente o trimotor G.212 I-ELCE que comandava, bem como o percurso que previa uma escala técnica em Barcelona.
E estava um dia bonito, ainda por cima. Tanto assim que a primeira etapa da viagem decorreu de forma agradável e absolutamente sem incidentes. É claro que os tempos eram outros. Em 1949 não se ia de Lisboa a Turim nas pouco mais de duas horas de hoje. Às 9h45, o controlador aéreo do aeroporto de Lisboa registou, muito provavelmente, a partida do aparelho da companhia Avio-Lire-Italiane com a satisfação de mais um dever cumprido. A chegada a Turim estava programada para cerca das 17h15. O voo não cumpriria o seu destino.
Convenhamos que Pier Luigi Merino já não saiu de Barcelona com a mesma tranquilidade com que tinha iniciado a sua manhã portuguesa. Sobre o norte da Itália chovia há três dias. Na véspera, uma intempérie terrível abatera-se sobre a Ligúria e o Piemonte cortando estradas, danificando edifícios, deixando gente sem abrigo. Razões mais do que suficientes para um redobrar lógico de todas as atenções.
Superga dista meia-dúzia de quilómetros de Turim. É um local aprazível, de passeios domingueiros em redor de uma colina onde se ergue a basílica e o cemitério onde repousam os velhos Reis italianos da casa de Savóia. Mas talvez sejam precisamente os sossegos as atracções milenares das tragédias.

Os dias de Maio
Em Maio os dias já são longos. Todavia, nessa tarde escurecera cedo por causa das nuvens negras que se acastelaram nos horizontes e foram descendo do céu como um prenúncio de morte. Por volta das cinco horas da tarde um nevoeiro espesso atravessou-se no caminho da aeronave que já deixara Lisboa há tanto tempo. Pier Luigi Merino e os seus coadjuvantes, o co-piloto Cesare Bianciardi, o telegrafista Antonio Tangrazi, iam fazendo os possíveis e impossíveis para se orientarem dentro de um cokpit no qual o altímetro deixara pura e simplesmente de funcionar. Diria mais tarde o relatório do inquérito levado a cabo pelo Governo italiano que as fortíssimas rajadas de vento terão provocado a deslocação do aparelho para uma rota diferente da habitual. Merino continuou a descida de aproximação ao aeroporto, tudo indica que convencido de já ter ultrapassado os montes de Superga e a colina da basílica que se ergue até praticamente setecentos metros de altura. Seria um erro terrível e irremediável. Quando os recortes da igreja surgiram, aterradores, na frente de uma tripulação ansiosa, era já demasiado tarde. A máquina choca contra a cúpula do templo e despenha-se em chamas pelo derredor. Tudo será sido, porventura, demasiado rápido para o drama colectivo dos pânicos, das preces e das certezas inequívocas do fim. Exactamente às 17h20 a notícia caiu, taxativa e crua, nas redacções dos jornais italianos: «O avião-especial - um trimotor da companhia Avio-Lire-Italiane - no qual viajava de regresso a equipa do Torino caiu perto de Superga. Morreram todas as pessoas que seguiam a bordo da aeronave - 31, incluindo a tripulação.» Os adjectivos tinham ainda de esperar mais um pouco. Aliás, os próprios jornais sentiram na intimidade a extensão dessa noite de desgraça. Renato Casalbore, director do Tuttosport, Renato Tosatti e Luigi Cavallero, redactores da Gazzetta del Popolo e do La Stampa eram três dos cadáveres carbonizados que se espalhavam por entre uma amálgama de ferros entortecidos. Como se o infortúnio fizesse questão de abraçar a todos.
Chamavam-lhe em Itália, Il Grande Torino. E os jornais e jornalistas sempre dispostos a promover heróis, refiram-se-lhe como «uma das mais poderosas e maravilhosas equipas que o Futebol italiano jamais soube exprimir».

A equipa que fez nascer a lenda
Falava-se, ao tempo, das extraordinárias proezas de uma squadra capaz de marcar 125 golos no campeonato de 1947/48 e de golear o Alessandria, por 10-0, na mesma época. E ninguém punha em causa que tal obra de arquitectura futebolística tinha sido obra de um industrial turinense, Ferrucio Novo, conhecido por commendatore Novo, chegado à presidência do Torino aos 42 anos, em 1939, com vontade de transformar o clube num exemplo de organização à... inglesa. Ferrucio Novo rodeou-se de sábios. Sobretudo dois: Roberto Copernico e Ernst Egri-Erbstein, um trânsfuga húngaro que chegou a ser por mais de uma vez treinador da equipa. Foram eles os responsáveis pelo reforço de um conjunto que sonhava com o título italiano. E a obra foi ganhando corpo com a aquisição, a pouco e pouco, daquela que seria a sua constelação de estrelas: o médio de ataque Ossola, do Varese; o ponta-de-lança Gabetto, da Juventus; os alas Menti, da Fiorentina, e Ferraris, do Inter. Mas o passo decisivo deu-se no momento em que Novo garantiu o concurso da dupla de centro-campistas do Veneza, Ezio Loik e Valentino Mazzola. E Mazzola rapidamente de transformou na grande figura do Torino, capitão e símbolo de uma squadra que venceria nada menos de cinco scudetos consecutivos, embora interrompidos pelas épocas de 43-44 e 44-45 durante as quais as sequelas da II Grande Guerra impediram a disputa do campeonato italiano.
O Torino era um clube de ideias futuristas e de uma dinâmica imparável. Pretendia formar dois conjuntos de igual qualidade, um para disputar as competições internas, outro com nomes mais sonantes para viajar pelo Mundo globetrotters, recebendo os cachets elevados que esses nomes garantiam. Seria o Torino Esportazione. E a curiosidade do Mundo para ver esta squadra da sognare ia-se fermentando na maneira como ela se passeava no calcio onde conseguira manter-se invencível em casa durante nada menos de 88 jogos consecutivos.
Quando a mecânica da morte, da forma brutal como geralmente funciona, pôs um fim a esta sede insaciável de vitórias do Grande Torino, a equipa então treinada pelo inglês Leslei Lievesley seguia na frente da classificação e, no domingo anterior à sua viagem a Lisboa, empatara 0-0 no campo do Inter, obtendo dois novos recordes para a época: 19 jogos seguidos sem perder no campeonato e dando 10 jogadores titulares à selecção italiana.

Homenagem
Seria esse empate, que lhe garantia praticamente o título de 48/49, que faria o presidente Novo dar a autorização definitiva para a deslocação a Portugal onde o Torino defrontou o Benfica num jogo de homenagem a Francisco Ferreira, «capitão» dos encarnados e da selecção portuguesa.
O Benfica venceria, por 4-3, num confronto espectacular. Para o Torino seria a última derrota antes daqueloutra, dolorosa e irrevogável. A Federação Italiana, com o acordo expresso de todos os outros clubes, declarou o Torino campeão a título póstumo. A squadra granata respeitou os seus derradeiros compromissos apresentando a equipa júnior. Os adversários, cavalheirescamente, jogaram contra eles com jogadores da mesma idade. Seriam precisos vinte e sete anos para que o Torino voltasse a ser campeão de Itália. A calamidade de Superga pusera fim ao que o L'Equipe chamava «orgulho do desporto latino». A morte destruíra a técnica e a beleza plástica de um grupo de futebolista extraordinários mas dera-lhes, em troca, um lugar único na lenda e no catálogo dos heróis. Porque, como toda a gente sabe, só a morte nos dá a eternidade."

Afonso de Melo, in O Benfica

Definição de imoralidade !!!

"Ontem - n' A Bola TV - e hoje - n' A Bola - Miguel Sousa Tavares afirma - e cito: "Rui Gomes da Silva espirra ódio contra o FC Porto".
Para ser franco, tomo a afirmação como elogio.
Porque se ter ódio ... é insurgir-me contra o que ouvi, no "Apito Dourado", contra o que vejo fazer, aos árbitros, favorecendo, sempre, o clube dele e prejudicando, invariavelmente, o Benfica, então, sim, tenho ódio...
Não ao Porto, mas a quem age como age!
Tenho, de facto, ódio à falsificação de resultados, aos "roubos" orquestrados, aos resultados preparados, aos castigos negociados e reduzidos, aos conselhos matrimoniais a árbitros nas vésperas de jogos, a árbitros que se enganam sempre no mesmo sentido (a favor dos dele e contra os meus), a "fruta" oferecida como prémio de arbitragens inacreditáveis, a ameaças físicas a quem ousa apitar sem falsear a verdade, a tudo o que acontece num Estádio que ele tanto gosta.
Ódio a tudo o que nos últimos anos foi acontecendo, contra a verdade desportiva, sim, tenho!
Porque não acredito que ele ache que "espirro ódio" porque quero - sempre - que o Porto perca (tal como ele, em relação ao Benfica, quando afirma "Não torço pelo Benfica em nenhuma ocasião").
Só não percebo a sua preocupação, sobre as minhas atitudes, quando afirma que - acha ele - "... causo danos terríveis ao Benfica".
Compreendo o recado, mas sinto que o desiludiria se lhe fizesse chegar as centenas de mensagens semanais de apoio, por aquilo que digo... contra aquilo que ele diz gostar...
Não estou onde estou - Caro Miguel - para agradar a quem quer que seja.
E muito menos a quem manda no seu clube ou na empresa ligada ao futebol que tenta manietar a liberdade no futuro das transmissões televisivas da 1ª Liga, em Portugal!
Estou onde estou para defender o que o meu Pai me ensinou, sobre o que deve ser o comportamento público de alguém que tem a responsabilidade - mesmo que não seja oficial - de defender o Benfica.
Contra tudo aquilo que eu sei que você condena, mas não pode dizer.
Tenho, nesse aspecto, também, mais sorte: é que, para além de ser do Benfica, sou livre de dizer o que penso, de falar contra o que ambos sabemos ser imoral (pelo menos para pessoas de bem, de acordo, com a definição de imoralidade de Kant). Por isso, e apesar disso, ... Boa Páscoa!"

6 golos, que só valem 3 pontos !!!


Benfica 6 - 1 Rio Ave

O treinador pediu, e a equipa cumpriu, desta vez não foi preciso um festival de oportunidades perdidas para marcar muitos golos, e matar o jogo... foi um Benfica pragmático de entrada, que só depois de resolver a partida, resolveu 'poupar' alguns golos, para os próximos jogos!!!
Quando vi o Rio Ave com 3 centrais fiquei descansado, pois o Benfica de Jesus, sempre gostou de jogar contra este sistema, aliás todos os outros treinadores portugueses já desistiram de tentar contrariar o Benfica desta forma... aleluia que ainda temos o Espírito Santo!!!
O jogo só não foi perfeito, porque o apitadeiro, depois de ver frustradas as suas expectativas de ajudar o Benfica a perder pontos, resolveu carregar nos amarelos!!! Tendo direito até a um brinde com expulsão do Melga, nos últimos minutos!!! Um verdadeiro artista...!!! Também 'apreciei' a forma agressiva como os jogadores do Rio Ave disputaram todas as bolas, deixando sempre as 'marcas' nas pernas e tornozelos dos nossos jogadores, havendo inclusive uma tentativa de homicídio ao Salvio, que nem falta foi...!!!

Estou na expectativa para ver se o Jesus vai continuar a efectuar a rotação... Entre o jogo desta noite, e o jogo Quinta-feira, existe muito tempo para recuperar, mas depois para Olhão as coisas podem ser mais complicadas, ainda por cima vamos ter o Luisinho em Olhão (recordo que a última 'não vitória', foi na Choupana com o Luisinho)!!!

PS1: O Cardozo entrou, e falhou algumas oportunidades, e ouviu-se logo um burburinho nas bancadas!!! Quero deixar as almas inquietas um pouco mais descansadas, o Tacuara teve só a afinar a pontaria para Quinta-feira!!!

PS2: Lanço um desafio: com o critério que hoje serviu para expulsar o Melga, quantos minutos o Mangala ficaria em campo?!!! Opção a) 10m; b) 15m; c) 20m; d)25m !!! E o Otamendi?!!! E o Fernando?!!!

PS3: Porque será que o Bebé não é convocado pelo Paulo Bento?!!!


Vitória Gloriosa, na estreia do 'Azevedo' esverdeado...!!!


Sporting B 1 - 3 Benfica B

Como não vi o jogo, não posso comentar as queixas Lagartas... mas se o primeiro vermelho por protestos pode ter sido exagerado, o 2.º com o Cavaleiro isolado, não me parece deixar muitas dúvidas. E já agora não devemos esquecer o vergonhoso início de Campeonato, onde esta equipa Lagarta foi levada ao colo, com penalty's em catadupa...!!! E se alguém pensar usar um jogo de equipas B, com um interesse competitivo, quase nulo, para inventar histórias sobre o domínio da arbitragem, pode tirar o cavalinho da chuva...!!!

Esta equipa do Benfica, tem demonstrado, que sempre que joga com alguns 'reforços', normalmente o Miguel Vìtor (Jardel no início da época, os Andrés, o Urreta, ou o Kardec...), transfigura-se, e consegue bons resultados. Hoje, até parece que jogando contra 9, cerca de uma hora, podíamos ter jogado melhor, e podíamos ter marcado mais golos... mas vencemos, e logo numa das poucas localidades onde existe mais Lagartos do que Benfiquistas (Rio Maior)!!!

Agora, espero que o novíssimo presidente Lagarto tenha aproveitado este jogo, para ir treinando o discurso, após cada jogo do Sporting...!!!

Vitória (intermitente!!!)


Física  56 - 70 Benfica
17-28, 13-13, 16-23, 10-6

Vitória fácil... agora marcar 6 pontos no último período, denota, mais uma vez, terem desligado completamente do jogo, valeu os 18 pontos de vantagem no início do 4.º período!!!

Parece que o Doliboa não irá jogar mais esta época (e não irá ser substituído), temos alguns jogadores a jogar condicionados: Heshimu, Carreira, Fonseca... Dito isto, a diferença entre os plantéis, é tão grande, que mesmo com todos estes contratempos, temos a obrigação de vencer todos os jogos, agora, se continuarem a demonstrar pouca aplicação nos jogos, ou em partes de jogos, arriscamos, ter mais algumas desilusões!!!

Juniores - 7.ª jornada - Fase Final

Bernardo Silva

Benfica 1 - 0 Rio Ave

Mais um triunfo suado, mais um festival de oportunidades falhadas... Só vi a primeira parte, mas as crónicas da segunda parte, não são muito diferentes...

Com a grave lesão do João Gomes, perdemos o nosso ponta de lança, não temos nenhum jogador com as mesmas característica, mas não creio que o Bernardo seja a melhor opção para ponta-de-lança... Eu sei que até foi ele que marcou o golo, mas por exemplo: o Dino tem muito mais potencial para jogar a ponta-de-lança, aliás creio que o futuro do Dino é a ponta-de-lança, porque a extremo dificilmente triunfará, toma demasiadas decisões erradas. Além disso, ainda temos o Clésio e o Elton...

Sporting..........14
Corruptos........11
Benfica..........11
Setúbal............8
Guimarães........8
Nacional..........4
Rio Ave...........3

sexta-feira, 29 de março de 2013

Acordar a tempo...


Benfica 3 - 2 Castêlo da Maia
25-23, 19-25, 19-25, 25-18, 15-10

Só no 4.º Set com a equipa a perder por 1-2 (em Set's) é que o Benfica jogou ao nível exigido, com intensidade, ganhando blocos e recuperando bolas 'impossíveis' na defesa baixa, até lá, muitos erros defensivos (estranho tantas más recepções do Roberto...), e pouca criatividade na distribuição. A entrada do Kibinho acabou por ser decisiva.
A equipa não jogou bem, os árbitros como é habitual tiveram uma daquelas actuações cheias de anti-caseirismo, como é característico nos Pavilhões da Luz: toques na rede, fomos só nós; dois toques, fomos só nós; erros na formação, fomos só nós; reverter decisões dos fiscais de linha, só contra nós; transporte ao passador contrário, nunca... um festival, a equipa já escaldada, tentou não perder a cabeça, mas sentiu-se o nervosismo, bem notório nas bolas que iam claramente para fora, e os nossos jogadores mesmo assim iam atrás delas, não fosse o árbitro marcar dentro!!! O trauma das lesões também anda a pairar sobre esta equipa, todos os contactos - ou apoios mal dados - são motivos de preocupação e de 'entrada' do spray milagroso!!!

Antes deste jogo ficámos a saber, que o Reffatti não deverá jogar mais esta época. Uma baixa de vulto, a defesa baixa do Benfica já é um problema, com o Chino em campo, sabemos que os adversários vão tentar aproveitar os erros do nosso Cubano... por mim fazia mesmo a substituição, sempre que o Chino fique em zona defensiva!!!

Prescrever

"Prescrever é um verbo muito nosso, usado a preceito e abusado com mais rigor ainda. Prescrever está no ‘antes’ – no tempo do que é de regular, de estabelecer, de preceituar – e também no ‘depois’ – no tempo do que cessou de existir com o decorrer do tempo. Prescrever nunca é do tempo útil do agir.
Assim, no Portugal da bola e da Federação e da Liga e da Nau Catrineta e das verdades relativas, tudo se pré-escreve na lei e tudo, na mesma lei, se prescreveu. Só assim se compreende que os dirigentes do Boavista exijam que a mesma justiça que condenou o clube os ressacie agora, porque essa mesma justiça exerceu a atitude muito lusitana do ‘deixar prescrever’ com a mesma competência com que se exerce o ‘deixar andar’. Aliás, de uma deriva a outra e das duas deriva esta podre sensação de impunidade que transforma a justiça desportiva portuguesa numa anedota de prostíbulo rasca.
No mesmo âmbito, foi-nos comunicado que a Comissão de Instrução e Inquéritos da Liga Portuguesa de Futebol Profissional decidiu arquivar um processo a um ex-dirigente do Sporting, por prescrição. Afinal, umas famosas imagens de alguém a depositar dinheiro na conta de um fiscal de linha não existem porque a realidade das mesmas prescreveu, deixou de existir. Da mesma forma, aquela célebre lista com informações pessoais sobre os árbitros, também não deve ter existido, ou, se existiu, deixou de o ser porque prescreveu. Ainda nesta semana, o Sr. Costa recebeu um prémio da Associação de Futebol do Porto. Algures no tempo deve ter prescrito uma realidade chamada Apito Dourado. Porque isto de prescrever acontece sempre em desencontro com o tempo da Justiça é que o Torga dizia que “a História é morosa e nunca chega a tempo. Mesmo quando condena, é sempre fora de horas, depois dos crimes prescritos, numa altura em que já nenhum dos culpados pode cumprir a penitência.” "

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

Conflito latente

"Há um conflito latente entre os clubes e as selecções a quem emprestam os jogadores. A questão não é nova e não acabará por aqui. Algum benfiquista gosta de saber que ficou sem Cardozo, Maxi Pereira e Melgarejo ao serviço das suas selecções? É um orgulho para os atletas representarem os seus países e um problema para os clubes ficarem sem os seus melhores (são os melhores que vão às selecções) em alturas decisivas das provas.
Com estes calendários tipo entremeada será sempre inevitável esta questão.
As eleições do Sporting mostraram com muita precisão o que é hoje o grande emblema de Alvalade. Pouco mais de 30.000 sócios com capacidade eleitoral activa, o que é manifestamente pouco para a grandeza e história do clube, mas por outro lado quase 15 mil votantes, o que é excelente atendendo ao pequeno universo que podia votar. O Sporting pode e deve voltar a crescer para não ficar apenas um gueto radicalizado.
A parte mais irónica nas declarações genuínas do novo presidente do Sporting foi ter exclamado: «O Sporting voltou a ser nosso» quando se sabe que com os VMOC está prestes a deixar de ser.
Amanhã regressa o campeonato, o jogo contra o Rio Ave lembra o último título nacional pois foi obtido precisamente contra os de Vila do Conde.
Basta lembrar o jogo da primeira mão, ou recordar que no último mês o nosso adversário precisou de dois penalties para derrotar o Rio Ave por 2-1 no Dragão. Vai ser muito difícil vencer uma das melhores equipas deste campeonato.
Estou em Madrid, onde o tema é quase exclusivamente Mourinho. Mou como é aqui tratado tem manifestações de adeptos para que não saia e programas de horas na TV para debater os seus méritos e deméritos. Punto y pelota transforma todas as discussões portuguesas em coisas de meninos de coro.
No Adeptos do Real ninguém acredita que fique e poucos querem que abandone. Sara Carbonero já é por aqui mais culpada que Casillas e Sérgio Ramos."

Sílvio Cervan, in A Bola

quinta-feira, 28 de março de 2013

Juntos... até à vitória final !!!

Sempre muito bem acompanhados

"Bento massacrou Moutinho na Selecção, crime de lesa-FC Porto, ou Bento está a recuperar Moutinho na Selecção, crime lesa-Benfica? Depende do ponto de vista clubista.

NA semana passada foi notícia a vontade do Olhanense em receber o Benfica no Estádio do Algarve e não no seu reduto próprio, o Estádio José Arcanjo, cujo relvado não se encontra nas melhores condições, foi essa a razão apresentada.
Os jornais acrescentaram ainda mais uma razão, muito simples, a acrescentar ao interesse dos algarvios na alteração do local do jogo: a receita.
A lotação do Estádio do Algarve, construído de raiz para o Europeu de 2004, é bastante superior à do histórico José Arcanjo e permitiria ao Olhanense um encaixe significativamente mais farto, tanto mais que o Benfica anda empenhado na luta pelo título e é de prever casa cheia.
Trata-se de um assunto do interesse do Olhanense, está visto.
Tal como foi, na época de 1997/98, do interesse do Vitória de Setúbal deslocar uma recepção ao Benfica para o Estádio das Antas por indisponibilidade do Estádio do Bonfim.
Se de Setúbal ao Porto são 358 quilómetros de distância, já do centro de Olhão até as bilheteiras do Estádio do Algarve, em Faro, serão os 15 quilómetros bem contados. Nada que meta medo, portanto.
Jogando-se ou não o Olhanense-Benfica no Estádio do Algarve, não faltará aos nossos rivais ensejo para criticar a hipotética mudança de palco em nome da verdade desportiva e das facilidades ao Benfica.
É injusto que o façam. É verdade que, nesta edição do campeonato, o Sporting jogou com o Olhanense no José Arcanjo e ganhou por 2-0 apesar do estado da sua equipa e do estado do relvado que também não estava na melhor das condições.
Já o FC Porto, jogo na 3.ª jornada da prova, jogou com o Olhanense e ganhou por 3-2 precisamente no Estádio do Algarve porque o José Arcanjo estava impraticável por motivo de obras de beneficiação e sobre o assunto não houve conversa alguma.
O certo é que onde quer que o Benfica jogue com o Olhanense não deixará, certamente, de se sentir muito bem acompanhado. O resto é conversa.

RICARDO SÁ PINTO é o novo treinador do Estrela Vermelha de Belgrado, um histórico clube sérvio com um palmarés notável: 22 campeonatos da Jugoslávia, 3 campeonatos sérvios, 1 Liga dos Campeões e 1 Taça Intercontinental.
Sá Pinto é um treinador português com um currículum profissional de principiante e sem títulos averbados. Nada disto impediu o Estrela Vermelha de Belgrado de o contratar numa semana em que quer José Mourinho quer Jorge Jesus vieram a público dizer a mesma coisa: os treinadores portugueses são os melhores do mundo.
Lá que têm bom nome na praça, têm. E isso muito se deve a José Mourinho, o primeiro a galgar fronteiras para um patamar de glórias ao mais alto nível nunca antes ao alcance de um treinador compatriota.
Sá Pinto contará em Belgrado com a ajuda de um tradutor meio sérvio meio português: Nemanja Filipovic, filho de Zoran Filipovic, antigo jogador do Benfica.
Está bem entregue o Sá Pinto.

O clubismo turva a vista. Todos o sabemos e devemos admitir que é assim que as coisas se passam em função da paixão bruta que informa e deformar o ponto de vista de cada um.
Tomemos o exemplo recente de João Moutinho, o dínamo do FC Porto e da Selecção Nacional, que, para variar, se lesionou. Para variar porque é muito difícil recordar qualquer outra lesão de João Moutinho, ele que vende saúde e é o mais imparável dos jogadores portugueses da sua geração.
Moutinho lesionou-se, falhou o jogo do FC Porto com o Sporting, saiu a meio do jogo do FC Porto em Málaga e nem alinhou no jogo do FC Porto com o Marítimo, no Funchal. Foi convocado por Paulo Bento e alinhou os 90 minutos do jogo de Portugal em Israel o que logo motivou um remoque público de Pinto da Costa dirigido ao seleccionador nacional.
Bento afirmara antes do compromisso de sexta-feira passada que Moutinho só jogaria se lhe dissesse que estava a 100 por cento e o presidente do FC Porto, depois do 3-3, não escondeu o seu espanto sobre a matéria: «Agora é o João Moutinho que decide se joga ou não joga?»
Convenhamos, amigos benfiquistas, que a reacção de Pinto da Costa é ajustada e que, provavelmente, um outro Pinto da Costa, mais dinâmico, ter-se-ia esticado noutro tipo de comentários explosivos e imortais.
De uma maneira geral, para os adeptos do FC Porto a situação de Moutinho na selecção é um caso de lesa-FC Porto porque o jogador, não se encontrando bem, está a ser massacrado com minutos e mais minutos de jogo em paragens longínquas quando devia de estar na enfermaria do Dragão a sopas e a descanso.
Também de uma maneira geral, os benfiquistas vêem a situação de um modo completamente diferente. Trata-se de um caso de lesa-Benfica porque Paulo Bento está a dar rodagem a um Moutinho diminuído de modo ao jogador poder ter os motores a funcionar no regresso do campeonato, já neste fim-de-semana.
É o tal clubismo que nos faz ver as coisas com olhos e suspeições diferentes conforme os afectos.
Outro exemplo recente do modo como o clubismo informa e deforma o ponto de vista é o da porventura excessiva divulgação pelas estações de televisão da gravação da aula dada por Jorge Jesus na Faculdade de Motricidade Humana. Isto para não falar das consultas on line à referida palestra do treinador do Benfica a uma multidão de estudantes candidatos à profissão de treinador.
De uma maneira geral, para os adeptos dos nossos rivais esta promoção de Jorge Jesus a catedrático oficial das televisões nacionais é um manifesto exagero, um questionável endeusamento do treinador do Benfica, uma ostensiva manobra de propaganda pró-benfiquista num momento escaldante do campeonato.
Já para alguns adeptos do Benfica, não todas, trata-se precisamente do contrário. De uma manobra antibenfiquista flagrante porque passar e repassar a aula de Jesus nos nossos canais da TV não é mais do que partilhar a «ciência» que nos move com os adversários e, na pior das hipóteses, oferecer-lhes até a possibilidade de aprenderem alguma coisa com o mestre quando já só faltam sete jornadas para o fim do campeonato.
Se até lá virmos e ouvirmos o recentemente tão desconsiderado Vítor Pereira citar um filósofo francês ou dar um provérbio popular uma organização linguística toda ela logicamente surpreendente, teremos a certeza de que a aula de Jesus chegou a todo o lado e que até ao rival aproveitou.
Isto são raciocínios de pessoas desconfiadas, obviamente.

O nosso futebol tem sempre as suas graças. Um dia destes o Inácio treinador do Moreirense vai a Alvalade jogar com o Inácio director do Sporting. É uma situação cómica, por certo invulgar a que o próprio Augusto Inácio já dedicou algumas sábias palavras recordando o «profissionalismo» com que se entregou no passado, com honras e distinções, aos clubes por onde passou e recusando fazer da visita do Moreirense a Alvalade um caso assombroso.
Tem razão o Inácio. O próximo Sporting-Moreirense, pela parte que lhe toca, é apenas uma curiosidade. No entanto, para o profissionalismo de Inácio viver um momento de verdadeira consagração, o jogo terá de acabar forçosamente empatado entre o Moreirense do treinador e o Sporting do dirigente. 50% de eficácia para cada lado. Assim é bonito.

O mundo está a mudar? Parece. Nunca se ouvira um presidente de um clube desfazer a exibição de um jogador seu ao serviço da Selecção. O vetusto estreante nesta arte foi Pinto da Costa para quem João Moutinho foi igual a zero no jogo com Israel. E disse-o. Paulo Bento respondeu-lhe com grande desrespeito e Moutinho respondeu-lhe com mais 90 minutos em gozo de saúde no jogo com o Azerbaijão."

Leonor Pinhão, in A Bola  

quarta-feira, 27 de março de 2013

Respirar Benfiquismo

Narigudos

Zangam-se as comadres

"1. Finalmente, Sepp Blatter converteu-se às novas tecnologias e agora acusa Platini de ser o único a estar contra. Federações, ligas, árbitros e jogadores já se decidiram a favor. O patrão da FIFA aponta o dedo ao roi: «Não é a UEFA que não quer a tecnologia, é só ele». E prosseguiu em tom recriminatório: «Os árbitros de baliza que Platini quis não servem para nada e muito menos como solução para o problema do golo-não golo, tanto assim que só são utilizados nas competições europeias e no campeonato italiano, neste caso graças à intervenção de Collina que trabalha para a UEFA». Mas o boss suíço não se fica por aqui. Dois dias antes, na revista Kicker, havia estigmatizado a decisão do Euro-20 a 13 países. «É um erro crasso, uma coisa sem pés nem cabeça, que nem pode ser classificada como campeonato da Europa, pois falta-lhe coração e a alma do país organizador». Aguarda-se a réplica de Platini, que não costuma ficar calado. Um e outro chegaram à fase dos ferros curtos e estes ataques frontais inserem-se na estratégia para as próximas eleições à presidência da FIFA em 2015, quando Blatter terá 80 anos e 17 no cadeirão de Zurique. A questão de fundo é que Blatter, que ainda controla os votos de meio mundo, não quer Platini como sucessor. Se não se candidatar ele próprio.

2. Aos 36 anos, Francesco Totti é quem carrega a Roma às costas cuja (única) camisola veste há 21 anos. Não só a orientar os colegas como a marcar golos. Com a doppietta infligida ao Parma na última jornada, a sua conta pesoal atingiu a bola soma de 226. É o vice-rei dos marcadores na história do calcio, só 2.º para Piola, o fabuloso goleador dos anos 30 e 40, bicampeão do Mundo. Já o baptizaram de Francisco II. Famosos artilheiros do passado como Meazza, Altafini, Paolo Rossi, Batistuta, Signori ficam a perder de vista. Mas Totti é também o mais empenhado em que no seio da equipa prevaleça a amizade e o companheirismo, promovendo e pagando almoços de convívio."

Manuel Martins de Sá, in A Bola

terça-feira, 26 de março de 2013

O mecânico de automóveis, guarda-redes infalível...

"Mário Rosa Gomes: em Marrocos era um guarda-redes marcador de penáltis; em Lisboa passou oito épocas no Benfica apesar da vontade do tio que o levou a treinar no Sporting.

HOJE vamos à baliza. Isto é: vamos falar de Mário Rosa Gomes. Há muita gente que lhe rouba o Gomes do nome, mas parece não haver motivo para tal injustiça.
Mário Rosa não foi um dos históricos, mas teve história. E uma história curiosa por sinal. Primeiro porque veio de Marrocos directo a Lisboa; depois porque foi logo disputado por Benfica e Sporting.
Veio a bordo do «Formese», proveniente de Casablanca.
Sabem-se algumas coisas sobre a sua carreira, sobre como representou o Benfica, de 1938 a 1959, sempre com interrupções, sempre sem verdadeiramente se conseguir impor, não indo além de 47 jogos com a camisola 'encarnada' que, no caso dos guarda-redes, até costuma ser tudo menos encarnada, como mandam as regras. 1944/45 foi a sua melhor época: assumiu-se como titular.
Também se sabe, na generalidade, que nasceu em Vila Real de Santo António, lá nos confins do Algarve, raia de Espanha, de onde viria também um dos grandes jogadores que passou pela Luz, Domiciano Cavém.
Tinha 11 anos quando a família embarcou para Casablanca. Por necessidade e espírito de aventura.
Mário foi, desde logo, um amante do Desporto, da cultura física. Foi nadador, apaixonou-se pelo Futebol. Era ágil, corajoso: o posto de guarda-redes ficava-lhe bem.

Do Roches Noires ao Benfica
AOS 17 anos, Mário Rosa Gomes chegou às primeiras categorias do seu «team» marroquino, o Roches Noires. E era mecânico de automóveis.
Vivia-se o tempo do que se chamava, por toda a parte, o Marrocos Francês. Um tratado assinado em Fez, no dia 30 de Março de 1912, entre franceses e marroquinos, proclamou naquele território um protectorado francês. Durou até 1956. Algo que valeu, por exemplo, com que Larbi Ben Barek, a primeira grande estrela do Futebol africano, conhecido pela «Pérola Negra», viesse a ser internacional pela França.
Roches Noires de Casablanca francesíssimo sem surpresa. Um dos bairros coloniais de Casablanca, a meias com o Belvèdére um dos mais elegantes da cidade. Quando Mário chegou à baliza do Club des Roches Noires, o clube atravessava uma fase de penúria de títulos. O português foi arauto da fortuna e a sua equipa ganhou o Campeonato.
Foi escolhido para a selecção regional de Casablanca: defrontou Oran e Tânger.
Não chegou: vieram as desavenças. Mário Rosa Gomes troca o Roche Noires por um dos rivais deste, o Union Sportive Athlétique, campeão em 1927 e 1929, entretanto desaparecido. Estávamos em 1934. A vida não tardaria a empurrá-lo na direcção da foz do Tejo e da luz transparente de Lisboa.
Não veio por gosto, no entanto. Veio forçado, contrariado. Os pais não renegavam nem a pátria nem os sacrifícios que por ela se fazem. No dia 13 de Abril, ao cumprir 21 anos, marcha (com toda a propriedade do termo) para Portugal e para a incorporação no serviço militar. Mas não esquece o Futebol nem as balizas.
Dizem os repórteres da época que não era nem muito alto nem muito baixo, aí metro e setenta e dois, exibindo boa estampa e parecendo vender saúde.
Falava um português «retorcido», dizem outros. Assim com laivos afrancesados.
Um amigo de Casablanca põe-lhe nas mãos uma carta de recomendação para alguém ligado ao Benfica. Só que, pelo caminho, Mário Rosa Gomes, treina-se no Sporting. Estranho? Ele próprio explicava: «O meu tio, em casa de quem estou, é adepto do Sporting. Perguntou-me se tinha preferência pelo Benfica e disse-lhe que não. Perante a minha resposta afirmou que gostaria de me ver nos 'leões'. Para mim, repito, é indiferente. E fui a dois treinos no Sporting».
Em Casablanca jogava no mais puro dos amadorismos. Em Portugal, Mário procura a melhor proposta possível. «Em caso de igualdade visto ser agradável ao meu tio, escolherei o Sporting», diz.
Marcador oficial de penáltis nos seus clubes marroquinos, vangloriava-se de ser, todas as épocas, um dos melhores goleadores. «Era infalível!», exclamava.
Os jornais estranhavam: «Um guardião ganhador de castigos máximos? Entre nós nunca tal houve. Mário é, pois, uma novidade digna de atenção...» Em Portugal iria esquecer os golos.
Mário Rosa, apesar de indiferente, jogou no Benfica. Estreou-se contra a Académica, nas Amoreiras, para o Campeonato Nacional. O Benfica venceu, por 3-1. Hpuve um penalti contra a Académica. Mário não marcou. Marcou Rogério «Pipi»: e falhou.
Ter-lhe-á arrancado um sorrido... Continuou a ser o único infalível."

Afonso de Melo, in O Benfica 

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Benfica 3 - 2 Barcelona, 1961, Berna