Últimas indefectivações

domingo, 20 de novembro de 2016

Impossível? Difícil sim...

"Em Portugal, nunca estamos dispostos a elevar as expectativas com medo de colocar pressão nos atletas mas, contrariamente ao que vulgarmente se pensa, a pressão competitiva, o foco e a calma de construir um percurso etapa a etapa, são os ingredientes necessários para se conseguirem impossíveis. Qualquer atleta de alta competição, tem de saber lidar com a pressão e ambicionar o impossível para lutar por isso, senão fica quase sempre pelo rame rame de se contentar com pequenas melhorias que, no fim ao cabo, não o catapulta para a Elite.
Mas Frederico Morais conseguiu... lutou mano a mano e superiorizou-se ao campeão do mundo, John John Florence, na sua praia. Sem se deixar intimidar, não deu tréguas até ao último segundo, mostrando que, mesmo não sendo ainda um surfista da World Surf League, é feito da mesma massa: competência técnica, táctica exemplar, atitude vencedora e muita crença em doses infinitas. A classe que demonstrou em toda a prova revelou-se numa das finais desportivas mais emotivas a que assisti... os dois primeiros empatados em pontos! O êxtase destes 30 minutos sobressaíram quando Kikas utilizou, brilhantemente, no último minuto, a prioridade que tinha. Soube esperar e escolheu a onda certa para, sem arriscar, fazer o suficiente para conseguir os 7,34 que desempatavam a final. Com a praia em silêncio e os comentadores a acreditar que a vitória não fugia ao surfista português, eis que surge a nota 7,33 que o deixaram a 0,01 da vitória.
Nunca uma centésima teve tanto peso para fazer a diferença na quantificação do desempenho de um atleta. Correr um segundo mais rápido é fácil de compreender, mas o que significa uma centésima a mais um desempenho avaliado qualitativamente? Para a modalidade que agora está num caminho olímpico, necessariamente a globalizar-se, é recomendável uma reflexão sobre a exactidão dos critérios que tornam transparente, a quem assiste, a compreensão destas diferenças. Este enorme feito colocou o atleta português nos 10 primeiros lugares do ranking de qualificação que dá acesso à participação na World Surf League, mas não chega. Agora terá de manter os desempenhos de excelência para conseguir preservar a posição."

Tomaz Morais, in A Bola

PS: O regresso do 'Benfica' (com um nascido vermelho, porque o Jordy é um 'convertido'!!!) ao World Tour, está perto...
Assisti em directo, os critérios de avaliação nas competições de surf são sempre discutíveis, mas muito sinceramente, a vitória do John John foi justa... nada a dizer.

Cadomblé do Vata

"1. Uma vitória do SLB é a coisa mais linda do Mundo... uma vitória do SLB a dar recital de futebol é cante alentejano ao vivo numa galeria da Minas de Aljustrel.
2. Nesta eliminatória da Taça, em relação à última jornada do campeonato, os que deram "banho de bola" foram de boca e os que empataram "cheios de mija" golearam... é a diferença entre uma equipa grande que não menospreza os pequenos e uma equipa pequena que se moraliza quando defronta a grande.
3. A evolução de Nelson Semedo no espaço de 1 mês foi qualquer coisa de fascinante e confirmou que Maxi estava certo quando disse que o FCP o valorizava mais... lá valorizam-no como titular, cá já só ia ser valorizado como suplente.
4. Gonçalo Guedes só tem 19 anos,,, vou repetir isto, só para aqueles que não repararam no sorriso que faço quando digo isto "Gonçalo Guedes só tem 19 anos".
5. Raul Jimenez é o melhor marcador de grandes penalidades que me lembro de ver no SLB... é tão bom que se fosse para o Sporting era o principal candidato ao troféu de melhor marcador do campeonato."

Benfiquismo (CCXCII)

Recital à chuva...!!!

Vermelhão: Taça repleta de bom futebol...

Benfica 6 - 0 Marítimo


Um dos melhores jogos da época, com  um ataque dominador e demolidor... e com um pouquinho mais de eficácia na 1.ª parte, teríamos uma goleada épica!!! Isto contra uma equipa, que com a mudança de treinador, tem feito alguns bons jogos... vencendo por exemplo o Braga na última jornada!
Rui Vitória não arriscou, entrámos com o mesmo onze, do Dragay (a excepção foi mesmo o Júlio em vez do Ederson)...!!!! Com as selecções a paragem foi longa, alguns dos nossos internacionais acabaram por não jogar, se não tivessem jogado hoje, iriam chegar a Istambul com pouca 'rodagem'!!! O único perigo, eram mesmo as lesões... e o Marítimo, com a colaboração do apitadeiro, bem tentou...!!!
Temos vários jogadores em grande forma: Semedo, Pizzi, Guedes... Luisão... e até o Eliseu está a jogar bem!!! Gostei do regresso do Mitro aos golos... da entrada cheia de vontade do Jiménez e do Carrillo...
E claro, da estreia na Luz, do Rafa, após tantos meses!!!

Com um resultado destes, não se devia falar do arbitragem, mas o Xistra é demasiado mau... Critérios disciplinares inacreditáveis...!!!
Só uma nota, o Benfica vai jogar aos Barreiros para o Campeonato, ainda este mês. Que este resultado não deixe embalar as facilidades, porque tenho a certeza que o jogo no Funchal, antes do jogo com o Nápoles, será muito mais complicado...!!!

Depois do bom, o mau...!!!

Oliveirense 78 - 75 Benfica
18-23, 16-10, 21-16, 23-26

Foi pena, depois dos Corruptos terem perdido ao final da tarde em Guimarães, podiamos ter alargado a vantagem na Liga... mas tal como os outros, o 'desgaste' Europeu, começou a ter consequências.

Com mais rotação, os jogadores menos utilizados como o Nuno Oliveira, o Lonkovic, o Mário Fernandes... seriam suficientes para estes jogos, mas chegados aqui, sem ritmo e sem confiança, acaba-se por apostar tudo, nos do costume...

Numero ridículo de Turnovers 11/27... mesmo com a colaboração dos apitadeiros, não podemos perder tantas bolas...

sábado, 19 de novembro de 2016

Dezena...

Benfica 10 - 1 Valença

Bom jogo, a equipa parece estar a ganhar equilíbrio defensivo e principalmente 'inteligência'!!! É verdade que o adversário 'ajudou', mas nota-se algumas melhorias... não podemos atacar à maluca durante o jogo todo!!!

Na próxima semana, temos jogo Europeu, na Suíça, com o Diessbach... com muitos Benfiquistas nas bancadas seguramente!

Treino

Benfica 3 - 0 Madalena
25-14, 25-15, 25-14


O Madalena baixou o orçamento, e é o principal candidato à descida de divisão. Jogo tranquilo, demasiado tranquilo...!!!

Muito complicado...

Azoty-Pulawy 34 - 29 Benfica
(16-12)

Quando eliminámos estes Polacos na Challenge, fiquei com a clara impressão que tínhamos passado, porque os nossos adversários no primeiro jogo (também na Polónia), não nos tinham respeitado, pensaram que era favas contadas... e acabámos por ganhar o jogo (na segunda mão em Lisboa, acabámos mesmo por perder o jogo... mas deu para passar)!!!

Hoje, o factor surpresa, já não iria existir... E apesar de o actual plantel do Benfica ser superior (mesmo com a recente lesão do Tiago Pereira...), acabámos por sair derrotados...
A meio da segunda parte, a desvantagem foi mesmo assustadora, nos últimos minutos conseguimos reduzir (mesmo com aquele golo sofrido nos últimos segundos), e se em teoria 5 golos são recuperáveis... muito sinceramente não acredito!!!

Olhando para os outros embates nesta eliminatória, tenho que reconhecer que tivemos muito azar no sorteio: esta equipa é a actualmente a 3.ª equipa da Liga Polaca, sendo que o actual Campeão Europeu é uma equipa Polaca!!!! Teremos que ser perfeitos na Luz... e mesmo assim, será complicado!!!

O povo adora os artistas do caos

"O zé-povinho diz que odeia ver na TV as discussões alarves e que ama de paixão gente séria e bem-intencionada. Grave é acreditar nisso...

Está a tornar-se moda, no futebol, a discussão alarve. Para todos aqueles que são realmente alarves, a notícia é óptima. Para aqueles que têm dois planos de testa, a notícia não é boa, mas também não surpreende, porque vivemos num país em que a maior angústia é não se poder nivelar tudo por baixo. Os rendimentos, claro, mas também a inteligência das pessoas, coisa que apesar de muitos esforços e tentativas, a natureza faz questão de não deixar.
A discussão no e do futebol português está em saldo em qualquer banca cigana de uma televisão perto de si. São programas legítimos de entretenimento, verdadeiras produções de ficção nacional, com a vantagem dos actores saírem muito mais baratos.
Assim vista, a coisa nem sequer seria malévola. Na lamentável ausência de novo fôlego de gatos fedorentos, ou, pelo menos, de novo assomo de energia do Ricardo Araújo Pereira, o povo, que continua, como nunca, a precisar de pão e de circo, vai-se divertindo com as grotescas cenas dos túneis filmados em 'reality shows' com o ridículo dos 'bonecos' de supostos adeptos de clubes e com toda a sorte de arte de novos palhaços.
Também há excepções à regra, é verdade. Há gente 'limpinha, limpinha' a falar e a analisar o futebol, gente que tenta e até muito se esforça por respeitar o jogo e os seus intérpretes, que procura valorizar o espectáculo e o mundo do futebol, mas o problema é que mal se ouvem no meio do ruído ensurdecedor que os outros fazem.
Claro que o nosso inefável Zé Povinho diz que odeia os artistas do caos e ama de paixão a gente séria e bem intencionada que tenta puxar o futebol para cima. Desgraçadamente, são os primeiros que vêem e não os outros.
Esta estranha incongruência entre o que as pessoas fazem que gostam e o que as pessoas verdadeiramente consomem é o que faz abalar a credibilidade das sondagens e das estatísticas com base nos inquéritos de rua feitos a gente anónima. Há muitos anos que sei de experiência feita que muita dessa gente, ao ser questionada sobre consumo, sexo, cultura, jornais, televisão, o que quer que lhe seja perguntado, responde como acha que gostaria de ser e não como é, na realidade.
Recordo um tempo em que A Bola fez um inquérito nacional sobre o que as pessoas gostariam de ler no jornal e a grande maioria respondeu 'mais modalidades desportivas', que é coisa que, de facto, comprovadamente não desejavam ler.
Ora esta diferença entre o que as pessoas querem e o que as pessoas dizem que querem responde à dúvida que alguns mantêm por não saberem a razão pela qual tanta gente critica esses programas que os próprios consumidores consideram rascas e terem, afinal, esses programas altas ausências comprovadas. Muitas vezes encontramos pessoas que juram já não suportar ver esses programas de tanta guerra e tanto alarido no futebol e logo discorrerem, ao pormenor, sobre o que por lá se disse.
Será, pois, na realidade cultural média dos povos em países ditos desenvolvidos (poderíamos voltar ao fenómeno da eleição de Trump) que temos de encontrar a explicação para fenómenos de gosto popular pelo populismo de dirigentes, quer sejam eles candidatos à presidência de um país, quer sejam candidatos à presidência de um clube de futebol.
Ninguém consegue compreender verdadeiramente a razão das coisas limitando-se à crítica, por séria e persistente que seja, sem entender as verdadeiras causas. É preciso conhecê-las e compreendê-las sem preconceito e sem o receio de descobrirmos que os perigos que há uns anos pareciam tão longe de se concretizarem estão agora aqui tão perto.
(...)"

Vítor Serpa, in A Bola

O melhor e o pior dos tempos

"O que seria de Marlene Dietrich sem o poder da sedução do seu cigarro? Que teria sido da musa alemã do cinema sem aqueles planos enfumarados? Que seria daquela eterna atitude de charme e sedução? Uma baforada de Dietrich na cara nunca seria, imagino, vista como ofensa e muito menos agressão. Nunca saberemos. Só podemos imaginar.
Discutir o fumo importa, claro que sim. Desde logo porque não o há sem fogo, como sabemos, mas também porque na rixa Carvalho-Pinto, os presidentes de Sporting e Arouca contribuíram para redimensionar a discussão, levando o futebol nacional para o debate dos estados físicos da matéria. O que, naquilo tudo, será sólido, líquido ou gasoso? Ou não será um sortilégio, uma mistura mágica de tudo, talvez Smoke on the Water, como viram os Deep Purple? Permito-me, em alternativa resumir a questão com o poema de Augusto Gil, porque encaixa na métrica:
«Batem leve, levemente
como quem chama por mim.
Será fumo? Será gente?
Gente não é certamente
e o cuspo não bate assim.»
E, já agora, mesmo em tempos de redes sociais, na vivência da terceira revolução industrial, estas questões que nos devolvem à importância da mera discussão do vapor, como as máquinas por ele movidas no século XIX, levam-nos também, se quisermos, à própria obra de Charles Dickens. (E porque não? Afinal se discutimos delirantemente tudo isto e todos os analistas têm levantado a mesma voz crítica da moral e bons costumes, talvez eu possa ser menos razoável. Quando tudo se mistura de modo enfermo, convém procurar para lá da fumaça, para lá dos sapatos engraxados como o brilho do cuspo). Começava assim Dickens em Conto de Duas Cidades, de forma ainda actual, aqueles tempos difíceis, dominados pelo vapor: «Era o melhor dos tempos, era o pior dos tempos»."

Miguel Cardoso Pereira, in A Bola

Antecâmara das irradiações

"Foi justamente castigado com dois meses de suspensão o presidente do Benfica por ter dito, a cores e ao vivo, a um dirigente da arbitragem nacional 'é uma vergonha, como é que nomeiam este tipo?' referindo-se à actuação, mais do que à nomeação, de um determinado árbitro, cujo nome não vem para o caso, no jogo entre o Benfica e Vitória de Setúbal a contar para a segunda jornada do campeonato nacional em curso.
O Benfica tinha acabado de empatar na Luz com a valorosa equipa sadina - sobre isso não há dúvidas - e Luís Filipe Vieira, porventura agastado com o facto de o golo dos visitantes de ter sido irregular, entendeu pedir satisfações ao responsável da arbitragem que estava mais à mão de semear. Fez mal o presidente do Benfica em dizer o que disse porque sendo presidente não é um adepto comum a quem, como postulou um famosíssimo filosofo cubano, tudo se admite porque o futebol é o ópio do povo.
Estes dois meses de suspensão, decretados em boa a rápida hora pelo Conselho de Disciplina da Federação de Futebol, vão impedir o presidente do Benfica de sentar-se no 'banco' (o que não é seu hábito), de interferir publicamente com opiniões sobre as ocorrências da bola (o que não é seu hábito) e de representar oficialmente o Benfica em cerimónias civis e religiosas (o que também não é seu hábito, graças a Deus).
Assim sendo, está visto que este merecido castigo ao presidente do Benfica - porque se trata de uma punição que nenhum benfiquista com dois dedos de testa se atreverá a contestar - não passa da iminente antecâmara das irradiações que o mesmo fulminante Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol se prepara para decretar em função dos gravíssimos desacatos públicos que responsáveis de agremiações como o popular Canelas, o popular Arouca e ainda bem menos populares e bem mais eminentes têm protagonizado em prol da verdade desportiva.
Dizem os jornais que o Benfica vai recorrer da decisão disciplinar que atingiu o seu presidente por ter dito, repita-se as vezes que forem necessárias até fazer jurisprudência, 'é uma vergonha, como é que nomeiam este tipo?'. Mas recorrer para quê? Respeitando todas as opiniões, é enorme erro do Benfica contestar a suspensão de Luís Filipe Vieira. São só dois meses, caramba, não é vergonha nenhuma! É apenas o mote para o que vem aí. Ou não é?"

Benfiquismo (CCXCI)

Hoje é dia de recordar... Jamor !!!

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Futebol de sarjeta

"Pode ser que o regresso da competição tire o futebol da sarjeta onde alguns dos seus protagonistas insistem em colocá-lo. Não tenho qualquer visão moralista sobre os incidentes, nem sobre os actos ou ditos que a quente possam surgir, mas é verdadeiramente um escarro aquilo que se sucedeu de seguida.
As mentirolas pueris de alguns protagonistas sem noção do ridículo ou mesmo o papel de almocreve de petas a que alguns comentadores se prestam em troco de umas moedas são deploráveis. Quando comparado, os debates Clinton/Trump foram uma luta de donzelas e cavalheiros. Venha o futebol e a festa da Taça de Portugal para nos refrescar.
Espero que a recepção ao Marítimo não seja tubo de ensaio de muitas alquimias, a Taça é um objectivo e muitas alterações fariam perigar a sua conquista logo no início da prova. Devem jogar os melhores, os que estiverem em forma e aqueles que puderem mais facilmente ganhar um jogo que só tem um objectivo: vencer. Normalmente, quem roda muito na Taça, roda para fora da taça. O Benfica joga em Istambul na quarta-feira para a Liga dos Campeões mas, querendo sempre ganhar, o jogo não tem o carácter decisivo de sábado.
O espaço mediático inverte um pouco a realidade das coisas. O FC Porto vive nos últimos dez dias em depressão colectiva porque empatou com o Benfica, o Sporting está em euforia porque eliminou o Praiense. Temos que relativizar - nem o FC Porto é assim tão grande que entre em depressão por empatar connosco, nem o Sporting é assim tão pequeno como querem fazer crer os seus responsáveis. Como no Mito da Caverna de Platão, há revelações que expõem a alienação humana e desvirtuam a realidade. Pode não ser fumo como alguns querem fazer querer, mas são apenas sombras de personagens sombrias.
Amanhã, na Luz, é entrar para ganhar e marcar presença no próximo sorteio da Taça."

Sílvio Cervan, in A Bola

Derrota em Inglaterra

Sunderland 2 - 1 Benfica B
Heri


Depois da vitória no 1.º jogo, uma derrota na segunda visita a Inglaterra... com algumas alterações ao onze habitual... Esta mania de jogar sem ponta-de-lança, deixa-me confuso!!!!!!!

O que disse Klopp e ainda algo mais

"Jurgen Klopp, o alemão de 49 anos que treina o mítico Liverpool, teve recentemente uma intervenção, a propósito de uma noite de copos que envolveu Wayne Rooney, que merece atenção. Numa conferência de imprensa (e assim se prova que estas sessões não são sempre enfadonhas), o técnico germânico desvalorizou o pifo do capitão dos Três Leões, lembrando uma coisa que a maior parte das pessoas desvaloriza: «Esta geração é a mais profissional que alguma vez tivemos». Na verdade, antigamente as coisas fluíam de forma diferente - daí Klopp ter referido que «as lendas bebiam como diabos e fumavam como loucos» - por questões que têm a ver com uma censurabilidade social relativamente ao álcool e ao tabaco que nada tem a ver com os dias de hoje.
E não só. Embora correndo o risco próprio das generalizações, creio que os profissionais de futebol da actualidade levam de forma mais empenhada o seu trabalho, cuidam-se mais e possuem uma mentalidade mais compatível com as exigências. Antigamente (e joguei com muitos profissionais irrepreensíveis!) em muitas situações era a lógica do «ganha-se pouco mas é divertido» a estar presente.
Tenha-se em conta, porém, uma coisa: nas décadas de cinquenta a oitenta do século passado, quase toda a gente fumava (até durante debates em directos televisivos...) e não era atribuído ao consumo de álcool a carga negativa de hoje. E os jogadores alinhavam por este padrão. Era a esse facto, incontornável e indesmentível, mas que deve ser lido à luz da época, que Klopp se referia. Porque, com as condições naturais que Deus lhe deu, se Eusébio fosse profissional nos dia de hoje..."

José Manuel Delgado, in A Bola

Túneis

"Lamentável mas infelizmente nada inédito o que se passou no túnel do Estádio de Alvalade.

Em Portugal, a malta realmente não se dá lá muito bem com os túneis. É uma relação quase sempre polémica, controversa, muito agitada e até acidentada. Foi assim com o túnel do Marquês, em Lisboa, lembram-se?, foi assim com o túnel do Marão, oh lá se foi... e é assim até com o túnel do Grilo, onde frequentemente a malta se envolve em incidentes. E é assim com os túneis do futebol. Túneis, na verdade, não é com a gente. Fazem-nos mal ao ego!
Por estes dias, um dos túneis do Estádio de Alvalade tornou-se fortíssimo concorrente das mais seguidas telenovelas portuguesas, e não sei mesmo se as audiências do espectáculo do túnel não foram as maiores da semana.
A polémica a que assistimos em torno da novela do túnel de Alvalade, perfeitamente comparável À dos túneis do Marquês e do Marão, por exemplo, ultrapassou, porém, a decência de uma mera discussão mais intensa, e mostrou um bocadinho aquele lado menos aceitável da natureza humana, que tem a ver com a agressividade física e intencional a que alguns, infelizmente, ainda se dedicam, quando, pelos vistos, não conseguem manter (pelas mais diversas razões) sensatas e civilizadas conversas.
Mesmo que fossem conversas da treta.
Não é aliás muito difícil reconhecer que é sempre preferível uma boa discussão a qualquer triste episódio como o que se viu no túnel de Alvalade.

Novelas nos túneis, caro leitor, é mesmo coisa que daria pano para mangas no que diz respeito ao futebol. A grande diferença não é o que lá se continua a passar; a grande diferença é que hoje vemos o que lá se passa. Durante décadas não foi assim.
E se hoje ainda se passa o que se passa nos túneis do futebol quando todos podemos vê-lo pelas imagens das abençoadas câmaras de vigilância, imagine-se o que se foi passando nos famigerados túneis no tempo em que ninguém podia ver o que se passava.

Genericamente, e ainda antes de se apurarem as exactas responsabilidades no sucedido - o que não será exactamente uma tarefa simples... - só há um maneira de olhar para o que se passou no túnel de Alvalade: com condenação e tristeza.
Primeiro, nenhum dos protagonistas ficaria nada bem no filme fosse em que circunstância fosse, e muito menos, está bom de ver, por se tratarem de quem se trata: dois presidentes do clubes desportivos.
Segundo, e pelo que é possível concluir das imagens, se é verdade que a iniciativa do conflito, e portanto o tom de maior agressividade, parece realmente ter partido do presidente do Arouca, não é menos verdade que a misteriosa resposta do presidente do Sporting não pode deixar de merecer também condenação. Além disso, e por muito que as versões oficiais o desmintam, aquilo teve todo o ar de... ajuste de contas!
Já sei que nem sempre o que parece, é. Mas é o que parece!
Ou não é?!

Foram quatro os momentos particularmente perturbantes do que foi possível ver nesta verdadeira telenovela em que se transformou o incidente do túnel de Alvalade:
- a forma, realmente, agressiva e condenável como o presidente do Arouca, já de dedo em riste e certamente empolgado no tom de voz... se dirige ao presidente do Sporting;
- o acto de de cuspir do presidente do Sporting para a cara do presidente do Arouca, tenha sido vapor de cigarro electrónico... ou vapor de cigarro electrónico com perdigotos... ou perdigotos sem vapor... ou seja o que tenha sido...;
- O modo muito inconveniente para não dizer mesmo inaceitável - como um solícito, e muito empenhado, assistente em funções no estádio agarra o presidente do Arouca, prendendo energicamente o homem, é o termo, provocando-lhe o aumento da fúria...;
- e, por fim, mas não menos perturbante, a inqualificável atitude de um dos delegados da Liga, que parecendo assistir ao deflagrar do conflito (como se observa pelas imagens divulgadas...) em vez de acudir, resolveu entrar e esconder-se numa sala à sua esquerda, supostamente a sala do controlo anti-doping, de onde, entretanto, acabou por sair outro delegado da Liga, esse sim, imediatamente decidido a intervir na zona do disparatado incidente.

Depois do túnel do Marquês, do Marão e até do Grilo, depois do túnel do velhinho Estádio das Antas e do mais recente túnel da Luz, é agora a vez do túnel de Alvalade marcar presença no mapa dos agitados túneis deste país. Lamentável, mas infelizmente, como se sabe, nada inédito o que lá se passou no final do Sporting-Arouca.
A malta, realmente, tem azar aos túneis. É o que é!"

João Bonzinho, in A Bola

Uma cena da vida real

"O problema não é que uma imagem valha por mil palavras; é que, em cada mil palavras, 999 sejam escusadas

Com ou sem cuspo, no futebol discute-se e insulta-se. De pouco adianta pormos cara de diáconos Remédios, no dia a seguir, para ralhar aos participantes (as televisões pareciam o Concílio Vaticano II ontem e anteontem), até por nenhum de nós estar livre de perder o juízo por um minuto ou dois.
Mas, se nem sempre é possível impedir que uma discussão comece, porque se está nervoso ou porque se tem "a doença do pavio curto", não há razão para que um adulto racional decida prolongar uma cena triste no dia seguinte ou dois dias depois. Nenhum grande bovino obrigou Bruno de Carvalho, já sentado ao balcão da sala de Imprensa, a comparar o presidente do Arouca a um búfalo ou a considerá-lo tão digno de atenção como um rebanho de ovelhas.
Jorge Jesus quase acertava quando disse que uma imagem vale por mil palavras. O problema de Bruno de Carvalho, enquanto presidente de um gigante como o Sporting, é que, em cada mil palavras que pronuncia, 999 são escusadas, não originam nada que seja necessário nem positivo. Não têm nenhuma utilidade que não seja satisfazer uma ânsia qualquer que só lhe diz respeito a ele. Estas últimas mil palavras tiveram a arte de produzir outras mil, ontem publicadas na página do Facebook do Arouca, ainda mais lastimáveis, numa espiral de inutilidades que já não se explicam com feitios, nem humores, nem ressacas, nem doenças do pavio curto.
A única vantagem destes últimos dois dias foi mostrar-nos que aquelas imagens não foram lapsos, nem momentos de descontrolo."

Uma luz, lá muito ao fundo...

"Sempre gostei de túneis. Fascina-me, desde criança, estar na escuridão com a certeza ed que lá ao fundo, mesmo que muito lá ao fundo, há sempre uma luzinha que brilha e nos trará de volta a realidade que, por instantes, nos surgira transformada num vazio, por vezes tão silencioso, muitas outras ruidoso.
Durante toda a minha infância na linha de Sintra, e porque lá em casa não havia automóveis, ir a Lisboa significava atravessar o túnel do Rossio. Assistir àquele espectáculo de luzes intermitentes, a humidade a escorregar das paredes envelhecidas, o perigo sempre constante (pelo menos na imaginação de uma criança) de que tudo aquilo que vivia por cima de estrutura poderia a qualquer instante ruir e esmagar-nos. Sempre com aquela luzinha lá no fundo, o Rossio.
Como nas longas viagens rumo a Trás-os-Montes, primeiro na linha do Norte, entre Santa Apolónia e Campanhã, madrugada fora, quando os túneis se diferenciam da noite pelo som único que produzem; e depois até ao início da tarde, entre São Bento e o Pocinho, ali já perto do final da magnífica linha do Douro, o rio mágico e serpenteante que corta montanhas e rochas. E que, de quando em vez, desaparecia do nosso olhar, substituído pela escuridão, para logo depois nos surgir, de novo, resplandecente.
São esses os túneis mágicos que, desde sempre, me fascinam. Os outros, os que nos últimos tempos ganharam notoriedade pelos piores motivos, onde perante câmaras de segurança se cometem crimes sem castigo, esses apenas enjoam. São lixo. Do mais reles e putrefacto. E, portanto, o lugar deles não pode ser no mais belo jogo do mundo nas antes na lixeira ou numa qualquer incineradora que os deixe feitos em pó. Castigue-se, pois, e sem clemência, quem tem de ser castigado. Para que, lá ao fundo, volte a ver-se, enfim, alguma luz."

João Pimpim, in A Bola

Perigeu

"1. Esta foi a semana do perigeu ou, como o povo prefere dizer, da Supertaça, enfim, aquele fenómeno que sucede quando o nosso satélite, devido à natureza elíptica da sua órbita, se situa no ponto mais próximo da Terra. Talvez seja por isso mesmo que não faltaram situações em que nos confrontámos com gente de cabeça enfiada nas estrelas, quer dizer, gente aluada.
2. Certamente que por mera coincidência, esta foi também a semana em que no desporto se conheceram mais representações de uma nova mania colectiva, nascida, crescida e multiplicada na e pela internet, isto é, de modo vital, para usar a nomenclatura cibernética. A coisa atende pelo nome de Manequim Challenge (basicamente, fotos tiradas como se toda a gente tivesse ficado paralisada) e já afectou igualmente a própria selecção nacional de futebol. A nossa e outras também. Que o digam os ingleses que, por causa de tal brincadeira, fizeram com que os três jornais mais lidos no país tenham convergido num único título: «Burros».
Entretanto, indiferentes àqueles breves instantes em que tudo parece congelado, ou petrificado em estátuas de sal, noutro distante canto do mundo, conhecido como Coreia do Sul, suspenderam-se aterragens e descolagens de aviões, estradas foram cortadas, camiões proibidos de circular, obras de construção interrompidas, lojas abriram mais tarde e pais encheram os templos rogando pelo sucesso dos filhos. Para quê tudo isto? Para que durante 30 minutos, e em 1183 locais disseminados por todo o País, o nível de ruído não interferisse com a atenção e concentração de 600 mil estudantes submetidos à prova de acesso à universidade. Jogava-se o futuro."

Paulo Teixeira Pinto, in A Bola

Ainda sobre o revisionismo...

"Quando Bruno de Carvalho empreendeu a sua demanda revisionista acerca dos títulos do futebol português, assisti perplexo à demissão da comunicação social do seu dever de informar e, também, da FPF em esclarecer o assunto. A contagem dos títulos do futebol português é clara e sem margem para interpretações. Disse-o a própria FPF, no seu relatório de actividade publicado no final da temporada em que procedeu à reformulação das competições: '(...) os Campeonatos das Ligas e de Portugal passaram a designar-se, respectivamente, Campeonatos Nacionais e Taça de Portugal'.
Já por diversas vezes referi este assunto e devo enaltecer o empenho de Alberto Miguéns e Manuel Arons de Carvalho, ambos benfiquistas atentos e dedicados, que há muito combatem incansavelmente o desleixo e, sobretudo, a má-fé, no tratamento da história do desporto português. Passo a passo, os seus contributos são inestimáveis e merecem o nosso imenso apreço. Este tema é só mais um exemplo.
Entretanto, a imprensa 'acordou'. Uma palavra para o DN, que tímida, mas acertadamente, o primeiro levantou questões importantes sobre a validade das tais pretensões revisionistas, através do testemunho de dois historiadores do futebol português: Francisco Pinheiro e João Nuno Coelho. E, finalmente, para o jornal A Bola, que, num excelente artigo da autoria de António Simões, desmontou e desmentiu cabalmente a tese de Bruno de Carvalho. Falta a FPF pronunciar-se, como já o deveria ter feito há muito tempo.
Não deixa, no entanto, de ser interessante que o presidente sportinguista tanto se dedique ao assunto dos títulos. É que, desde que foi eleito, somos tricampeões. Que continue a falar por muitos e bons anos..."

João Tomaz, in O Benfica

Fumo e fogo

"Foi uma semana engraçada. O futebol nos relvados limitou-se ao da selecção nacional, mas fora dele foi uma semana intensa. Começou logo na segunda-feira com a divulgação das imagens de videovigilância da confusão entre os presidentes do FC Arouca e do Sporting CP. Uma vergonha, diga-se. Dois dirigentes desportivos de equipas da primeira liga engalfinhados num corredor de um estádio, trocando - alegadamente - insultos, empurrões e saliva. Perderam-se horas em televisão a decidir quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha, o cuspo ou o insulto, o empurrão ou o desaforo. Depressa os acólitos de um e outro lado de barracada - não é gralha, foi mesmo uma barracada - se apressaram a defender os seus dirigentes. Do lado do Arouca fala-se em cuspo da cara. Do lado do Sporting, defende-se com fumo de cigarro electrónico. Será fumo, será gente? Gente não é certamente. E o fumo não sai assim.
Mais um caso, mais uma distracção para um princípio de época que está longe de ser aquilo que os adeptos de um e outro clube esperariam - um está na zona de descida, outro está a lutar pelo terceiro lugar.
Enquanto o fumo - ou o cuspo - não se dissipa, a paragem no campeonato continua por mais uma semana. E até lá, o Tricampeão continua sereno e líder. É tempo de recuperar lesionados, preparar a Taça de Portugal e a Liga dos Campeões, não responder a provocações e assistir de camarote à chegada da época natalícia e dos muitos espectáculos de circo que para aí vêm. Com animais exóticos, malabaristas e palhaços, claro."

Ricardo Santos, in O Benfica

Nojo

"Uma imagem vale por mil palavras. E quando a imagem é nítida, não há palavras que lhe reisitam, nem areia ou vapor que nos tapem os olhos.
Todo o pais viu o presidente de um clube cuspir ostensivamente na cara de outro. Só isso basta para concluir estarmos perante uma situação gravíssima, e inédita na história do dirigismo desportivo. Impõe-se que as instituições jurisdicionais sejam implacáveis. Mas é preciso que também a comunicação social assuma as suas responsabilidades, e deixe de compactuar com comportamentos que, a prazo, matam o próprio negócio, e têm efeitos nefastos a outros níveis.
Estamos a falar de um fenómeno de massas, seguido por milhões de crianças e jovens. Os exemplos que nos entram em casa via TV transcendem o universo desportivo, atingindo uma dimensão social não negligenciável. Os jornais e as televisões não podem, com paninhos quentes, debaixo da hipocrisia do politicamente correcto, tolhidos pelo receio de ferir susceptibilidades clubistas, sustentar, branquear ou promover figuras que usam este tipo de conduta, que fomentam guerrilhas, e deles se servem para, em bicos de pés, conquistar protagonismo e poder junto de falanges de adeptos fanatizados.
Não é de Benficas, de Sportingues, ou de Aroucas que se trata. Aliás, com todo o clima de ódio que nos tem sido particularmente dirigido, somos Tricampeões, e estamos no rumo do Tetra. O problema aqui é já de sociedade. Este episódio passa todas as marcas. E no dia em que alguém me convencer de que é normal presidentes andarem a escarrar na cara uns dos outros nos túneis dos estádios, deixarei de ir ao futebol."

Luís Fialho, in O Benfica

Benfica’s youth-centric plan to rule Portugal and challenge in Europe

"There is no doubting that FC Porto have been the most dominant Portuguese side of this century. Shrewd signings and high-profit sales fuelled a staggering 11-year period in which Porto won 26 domestic, European and international titles between 2002 and 2013. In the same timeframe, perennial rival SL Benfica could only manage eight – of which just two were league titles.
While Porto earned plaudits for the development of a long list of talents under a long list of brilliant managers, with the most noteworthy being current Manchester United boss José Mourinho, Benfica struggled due to crippling debt and years of mismanagement of the club from top to bottom.
The seeds of revival, however, were planted in 2009 when Benfica welcomed enigmatic manager Jorge Jesus to the club. At the time, Benfica could boast a squad containing David Luiz, Ramires and Angel Di Maria. They won the league in the 2009-10 season but a fire sale was imminent and sustainable and reliable streams through which Benfica could replace these players were not yet clear.
Jesus provided an unusual stability for Benfica and many of the club’s problems were deflected by the absurd nature of their manager, whose personality reflects a Portuguese version of legendary Czech coach Zdeněk Zeman.
Meanwhile, Benfica’s state-of-the-art Seixal academy was beginning to bear its first fruits. André Gomes and Bernardo Silva were the first notable graduates of the academy. However, in the fledgling years of the academy, a disconnect emerged between the youth division and the first team. Jesus was not prepared to give academy graduates the opportunity to stake a claim for consistent first-team football – undermining the existence of the academy itself.
Benfica’s re-emergence would not be complete without the interference of Portuguese football’s third most influential player, Sporting CP. On 5 June 2015, Jorge Jesus announced he would not be renewing his contract at Benfica and would instead join Sporting, their bitter crosstown rivals. At the time, it was not yet known that this would be next step in Benfica’s evolution.
Former Benfica youth team coach Rui Vitória was signed after a wonderful season at Vitória de Guimarães and immediately set about implementing a familiar policy at Benfica which had served him so well there. That policy would involve maximising the use of the academy.
Now, Benfica top the pile in Portugal. They have won three consecutive league titles, including a nail-biting victory against Jorge Jesus’ Sporting in last year’s domestic campaign. But that is only the start of the good news emanating from Lisbon.
The first-team is bursting at the seams with academy graduates, even without the sales of Gomes, Silva, Renato Sanches, Ivan Cavaleiro and João Cancelo, which have cumulatively earned the club over €100 million (not including potentially massive add-ons from Sanches’ Bayern Munich move). Since Rui Vitória’s arrival, young players like Viktor Lindelöf, Gonçalo Guedes, Ederson Santana and Zé Gomes have all made contributions to the first team, with Lindelöf and Santana being notably influential.
These academy graduates have been joined by an extensive list of clever, cheap and young recruits, headlined by the majestic 19-year-old left-back Alex Grimaldo who was signed for just €1.5 million from Barcelona in January. Joining Grimaldo are Franco Cervi (€4.1 million), André Horta (€400,000), Nelson Semedo (free), Andrija Zivkovic (free), Danilo Barbosa (loan) and Rafa Silva at a slightly more expensive €16.4 million.
This introduction of youth is not slowing Benfica down either. Still dominant in Portugal, they even enjoyed their best start to a league season in 2016-17 – no mean feat considering the greats of yesteryear.
Furthermore, Vitória has implemented an exciting, fast-paced brand of football that takes advantage of the incredible depth of quality the club possesses in wide areas. This is also the most efficient way of utilising his veteran core through the centre of midfield and defence, which sits deeper and offers the younger creative players the chance to be expressive and to press higher.
The experienced Serbian Ljubomir Fejsa is at the heart of this. He fills a number of defensive gaps vacated by the attacking wing-back pair of Grimaldo and Semedo. In addition, Lisandro Lopez has become an increasingly clever and composed centre-back and, when paired with the menacing Giorgio Chiellini-like Lindelöf, the two complement each other wonderfully well. As a partnership, they are yet to truly be thwarted.
The solidity of that duo has contributed to the incredible attacking output of Grimaldo and Semedo at wing-back, who frequently chip in with goals and assists. The former, with his La Masia-nurtured impeccable technical quality, has taken Portugal by storm this season and is establishing himself in a similar way to Héctor Bellerín at Arsenal last season. The latter, despite a serious knee injury that hampered his 2015-16 season, has cemented his place at Benfica and is now challenging for a starting spot at international level with Portugal. His pace and willingness to run both ways is elite.
Further up the pitch, André Horta has become one of the shrewdest signings in all of Europe as he accustomed himself to the attacking midfield position in Benfica’s 4-2-3-1 seamlessly. Not only that, Horta’s style of play is great to watch. His touch is immaculate and his ability to break the lines with a perfectly weighted pass is similarly eye-catching.
In attack, Franco Cervi and Gonçalo Guedes are not yet providing massive attacking outputs. Despite this, they have made strong contributions in the early stages of their career and Guedes looks as though he could become a high-volume goalscorer in the future. Out wide, Cervi is a pocket-rocket; he is constantly bouncing around in the final third chasing loose balls, pressing and making a general nuisance of himself.
It makes for a feel of general good will around the club. Benfica sit atop not only their domestic league table but are also excelling in Europe again. Debt is being drawn down, and a new TV rights deal will see Benfica earn €40 million per season for the next decade. They even posted a €20 million profit in the 2015-16 year.
The club faces an enormous task to reduce their debt burden in the long-term – believed to be in excess of €300 million – but the foundations are perfectly laid for the club to minimise this debt over the coming decade. This is important because, with greater financial security, Benfica will hold more leverage in their attempts to keep their best talents. This has the potential to elevate the Portuguese champions from elite talent producers to a truly elite European team.
Eventually, most of the wonderful talents will leave the club, and likely for large sums of money. More will replace them and they too will leave. But during these neo-formative years, Benfica are still asserting a dominance that fans will be undoubtedly excited by. All the while, Champions League knock-out round adventures, domestic titles and great football are becoming the norm in at the Estádio da Luz."

Benfiquismo (CCXC)

Um dos grandes duelos...!!!

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Meu candidato leonino (que é, obviamente, Bruno de Carvalho...)

"Porto não quer saber das dificuldades do Boavista nem o Belenenses das do Atlético. Porque terei de estar preocupado com as do Sporting?

«A única coisa que sai da boca (do presidente) é vapor»
Sabemos (embora, muito sinceramente, desconfiássemos) que da boca do Presidente do Sporting... a única coisa que sai... é vapor! Nuno Saraiva dixit e quem somos nós para contrariar o inefável Director de Comunicação lá de casa (deles, claro)?
Vapor que me leva, pelas ruas da memória, ao Almirante Pinheiro de Azevedo, ilustre sportinguista, mas que, por certo, não cuspia nem deitava fumo para a cara de quem com ele se cruzava, por mais exaltado que viesse.

Ou, então, aos dias de praia da Caparica, onde as caminhadas a pé, pelo areal, até à Cova do Vapor, faziam as delícias dos mais novos, por podermos acompanhar os pais até ao local onde Tarzan (o velho banheiro dos meus tempos de infância, na Costa) garantia que, nos seus tempos de menino e moço... se pode ir, com pé, até ao Bugio!
Desses tempos, dos tempos em que era só fumaça e da boca dos presidentes do Sporting saiam coisas que ouvíamos com atenção e respeito, têm os meus amigos que sofrem pelo clube de Alvalade muitas saudades. Saudades que eu, confesso, não tenho!

Espero - muito sinceramente - que o actual Presidente do Sporting seja reeleito, se possível sem concorrência. Sabem todos - já o disse e repito - que se eu pudesse, nas próximas eleições dos nossos rivais, votaria em Bruno de Carvalho.
Mais: iria tantas vezes votar, quantas me deixassem, para o resultado ser esmagador e não abrir a possibilidade de contestação interna. Porque quanto mais tempo ele por lá andar, muito difícil será a recuperação. Eu sei que há sempre intelectuais que desejam ter adversários fortes. Respeito, mas discordo...
Nunca vi o Porto preocupado com as dificuldades do Boavista. Nem o Belenenses com os do Atlético. Então porque terei eu que estar preocupado com as do Sporting?
Longa vida ao seu actual Presidente. Só posso, por isso, congratular-se com aquela preocupação de aferição de sportinguismo em relação a qualquer candidatura que se atreva a ir a votos contra o querido líder. Tão brilhante como aquela de anunciar que poderá haver o perigo de uma candidatura apoiada pelo Benfica.
Como se todos, sem excepção, não o quiséssemos ver dar continuidade ao seu projecto para o Sporting.
Quero que continue à frente do Sporting. Espero que os seus consócios, já agora, me façam essa vontade. Não se ponham, por isso, a inventar candidatos!
Porque, como diria António Aleixo... «vós que lá do vosso império prometeis um mundo novo, calai-vos que pode o povo querer um mundo novo a sério!»

Eu sei que isso também é aplicável ao actual Presidente - que até poderá ganhar esporadicamente - mas, no fim da história, com ele, o Sporting será o que eu desejo!
Apesar de ter pena de ver os meus amigos do Sporting a não poderem dizer o que pensam sobre quem os lidera,... primeiro porque ainda a acreditaram,... e agora... porque têm medo! Medo, claro,... e medo de assumirem ter razão antes do tempo.

Pode ser é que não cheguem a tempo... Deus queira!!!
Apesar de saberem, agora como verdade oficial, que «a única coisa que sai da boca (do Presidente) é vapor».

Porto, modelo que Sporting quer seguir
Tenho a convicção que quem Bruno de Carvalho gosta de imitar é o Presidente do Porto. Só porque retira o exemplo do contexto e do ambiente em que germinou. Um exemplo que, em Lisboa, não é possível de ser desenvolvido.
Porque o ambiente social e o escrutínio na capital não permitem os silêncios e a conivência - mesmo que forçados - que só o céu em tons de cinzento e a frieza do granito permitem acontecer... no Porto.
As duas realidades não são sobreponíveis. Por isso, uma experiência como a do Porto é irrepetível em Lisboa, passados 40 anos e sem o apoio dos diversos grupos da sueca, de geometria variável, mas todos confluindo no fechar de olhos desde que fosse para glória do clube da terra. Irrepetível e impossível de manter nestes novos tempos.
Por isso a reeleição do Presidente do Porto para um novo mandato me deixou descansado.
De facto, enquanto sócio e adepto do Benfica, acabei por ganhar as eleições no Porto,... como espero que o meu candidato arrase nas eleições no Sporting.
O Porto tem um (grave) problema estrutural. E tal como no Sporting (embora com o lastro de tantos títulos... embora não repita como muitos foram conseguidos... para não melindrar espíritos portistas mais sensíveis...), quanto mais tarde iniciarem a renovação,... tanto melhor para mim.
Porque enquanto por lá continuarem, mesmo que, tal como o Sporting, possam eventualmente ganhar, de vez em quando, alguma coisa, o Porto continuará a caminhar para o que eu lhes desejo (como sócio do Benfica)!

Nota de (quase) fim de página
Noto - do que leio e do que ouço - uma preocupação agravada com o que digo e com o que escrevo, de cada vez que os meus adversários têm dissabores, no que aos resultados diz respeito.
Pois, de cada vez que isso acontece, lá se dão ao trabalho de dissecar (e, tantas vezes, de deturpar) o que eu vou afirmando...
Percebo a preocupação... até sobre as minhas atitudes (que tantos danos parecem causar), como tomo boa nota da análise que fazem dos meus comportamentos, das minhas entradas, das minhas saídas, onde estou, ou não estou,... apesar de não saberem porque não estou, nem se queria estar!
Apesar disso - e porque não existe pecado do lado de baixo do Equador (não confundir com um livro fantástico, como esse nome, que eu, queirosiano confesso, considero o que melhor se fez, nesse género, na esteira de Eça, embora aceite mal que se ponha fim a uma tela narrativa envolvente em meia dúzia de páginas) - continuarei a dizer o que quero e o que me apetece.
Até porque não estou cá para agradar a quem quer que seja,... muito menos a quem manda noutros clubes ou a quem os representa (seja a que título for).
Continuarei, por isso, a defender o que meu Pai me ensinou, sobre o que deve ser o comportamento púbico de alguém que tem a responsabilidade (como adepto, sempre) defender o Benfica,... dizendo o que penso.
E nunca deixarei de lutar contra o que entendo ser imoral (para pessoas de bem, de acordo com a definição de imoralidade de Kant).

E sobre o Canelas, ninguém diz nada?
Se perguntar não ofende, então, AFP, FPF, Governo, Partidos? Sobre o Canelas, ninguém diz nada? Medinho?"

Rui Gomes da Silva, in A Bola

Lanças... em semana de Fumaça !!!

Hinos

"Semana de selecções, semana de hinos. Transmissões televisivas a rodos, com interesse entre zero e alguma coisa. Por mim, passo por lá e logo salto para... um livro.
Mas há um momento solene que aprecio: o da cerimónia dos hinos. As câmaras filmam de detalhes interessantes, desde o modo diverso como jogadores sentem (ou não) o hino até às menos respeitosas bancadas.

Há dias, por acaso, ouvi os hinos do Liechtenstein - Itália. Como o da Itália, 'Fratelli d'Italia' - para mim o que mais me encanta - teimava em não ser reproduzido pelos altifalantes, vai daí os transalpinos nas bancadas e os jogadores perfilados, improvisaram-no. Só depois, veio a gravação e, de novo, o entusiasmo das vozes. Uma espécie de duplo hino que sempre tem no sempiterno guarda-redes Buffon o seu intérprete pleno de alma, transbordante de expressividade e de energia. Belos minutos!
Ouviu-se, de seguida, o hino do pequeno principado. E que composição era? O hino britânico ('God sabe the Queen'), ainda que, obviamente, com outra letra em alemão, 'Oben am Jungen Rhein' ('Acima pelo jovem Reno'). Confesso a minha surpresa.

Há mais hinos em parte plagiados. O uruguaio tem algumas notas musicais da ópera Lucrezia Borgia (1933), de G. Donizetti. Há insinuações sobre outros,como os da África do Sul, Argentina e Bósnia.
Por sua vez,a Finlândia e a Estónia têm hino com a mesma música, de autoria de um... alemão. Por falar em alemão, a melodia do seu hino é do célebre compositor alemão Joseph Haydn (1797).
Por fim, o caso singular do hino espanhol ('Marcha Real') que não tem letra. Daí os jogadores não terem necessidade de a aprender, de afogadilho."

Bagão Félix, in A Bola

Dos títulos

"Meu caro Fernando Gomes
Eu sei que dificilmente precisará de fazer mais do que já fez para que a História o consagre como o maior presidente da FPF, mas há uma coisa que eu acho que precisa de fazer - e sem mais demora. (Já lhe revelarei o quê...)
Decerto se lembrará do que o Vergílio Ferreira descobriu, num breve dia:
- Afirma com energia o disparate que quiseres e acabarás por encontrar quem acredite em ti...
Não, eu jamais cometeria a indelicadeza de dizer que é disparate e o Bruno de Carvalho insiste em afirmar com energia: que o Sporting tem 22 títulos de campeão nacional, não tem 18 - mas digo que não é verdade o que ele afirma com energia. Sim, também sei que é verdade que o Picasso achava que se houvesse ma só verdade não se poderiam fazer 100 telas sobre o mesmo tema - mas, neste caso, há mesmo só uma verdade, a que A Bola mostrou na sua edição de domingo: Bruno de Carvalho não tem razão. Mostrou-o através de documentos vários - e há um da FPF de 1938 que afasta, eloquente, qualquer dúvida:
«Por virtude da reforma a que se procedeu no Estatuto e Regulamentação da Federação, os Campeonatos das Ligas e de Portugal passaram a designar-se, respectivamente, Campeonatos Nacionais e Taças de Portugal».
Mas a verdade mostra-se de forma ainda mais visual numa imagem: o troféu da Taça de Portugal (que foi do Campeonato de Portugal..) onde se vão colocando placas com os nomes dos seus vencedores - e entre os vencedores da Taça de Portugal estão os do Campeonato de Portugal - porque, para a FPF na sua história, uma coisa e a outra são a mesma. Por isso é que lhe disse, meu caro Fernando Gomes,que havia coisa que precisa fazer (sem demora...) - é pôr a FPF em sintonia com a sua história (e a sua verdade...) juntando os títulos do Campeonato de Portugal aos da Taça, a exemplo do que a FPF já faz (e bem...) quando junta os da I Liga aos da I Divisão (e aos que se conquistaram com outras designações...)."

António Simões, in A Bola

Que os túneis da vergonha desapareçam como vapor de água

"Ou estaremos a cuspir no prato que nos dá de comer.

A discussão arrasta-se, e não tem fim à vista, ainda mais nos tempos que correm devido à amplificação do ruído e da polémica nos programas televisivos praticamente diários.
Sempre fui a favor da discussão. Os temas é que são errados.
Não deveriam todos estar a debater se é saliva ou vapor de água – e escrevo «deveriam», porque excluo-me desse tipo de debate –, se há ou não agressão e quem agride primeiro e a quem, e comparar, lado a lado, com temas dos passados recente e da outra senhora.
Deveria perder-se tempo a pensar é como, em pleno século XXI, os túneis ainda são o prolongar de tudo o de mau que tem o desporto, mesmo agora debaixo do ângulo fixo das câmaras, que deveriam pelo menos inibir os intervenientes de actos menos reflectidos.
Concordo com uma manchete que vi entretanto. É o «túnel da vergonha», como são todos aqueles em que se passam situações semelhantes. Seja saliva, seja vapor de água, seja um ou outro a começar, haja ou não antecedentes, é tudo mau de mais. E o prolongar de tudo isto é infernal.
O que aconteceu – e acontece um pouco por todos os estádios – é desvalorizar o produto que se cria. 
Tal como se insinua ou afirma sobre árbitros e arbitragens.
Tal como quando a justiça é lenta e ultrapassa os limites do razoável.
(Sim, o produto não é brilhante: o futebol jogado poderia ser melhor, os estádios estar mais cheios e os craques ter uma maior expressão por metro quadrado, mas é o que temos e é aquele que tem de ser defendido)
Este tipo de comportamentos ainda faz infelizmente sentido num país que não gosta do jogo, mas apenas de ganhar. Mas ganhar para gozar o próprio, para ficar por cima, para se sentir superior ao outro. Ganhar por comparação ao que perde, já nem apenas pelo prazer de ganhar, que só por si está afastado dos verdadeiros valores desportivos.
O mesmo país que passa dias a discutir penáltis, foras de jogo, a insultar árbitros, a acusá-los de corrupção à boca-cheia, e que propaga a ideia da mania da perseguição como desculpa para derrotas e culpa própria.
Ainda o que se divorciou do estádio e do prazer do golo ao vivo, e passou de discuti-lo entre pires de tremoços e minis para fazê-lo nas redes sociais, muitos agora protegidos por avatares e por um confortável anonimato, que acham que lhes dá direito a dizer tudo e mais alguma coisa, em agressão permanente, sem respeito algum por pessoas com direitos iguais.
Era bom que todos os túneis da vergonha, e tudo o que o de mau rodeia o futebol português, desaparecesse como vapor de água. Ou estaremos sim a cuspir no prato que nos dá de comer."

Podem continuara a discutir

" 'Nos dois jogos alvo de testes houve passagem de informação para o campo para que, por serem lances difíceis, a equipa de arbitragem se sentisse mais confortável ao saber que tinha decidido bem.'
José Fontelas Gomes, Presidente do Conselho de Arbitragem da FPF, sobre a experiência de video-árbitro de Soares Dias e Jorge Sousa

Atenção, as polémicas sobre arbitragem não acabam com o video-árbitro! A inovação tecnológica está a ser vista como a garantia de que os erros dos árbitros desaparecem por completo do futebol, mas não será, nem nunca poderá ser, assim.
Por exemplo: no Itália - Alemanha arbitrado por Artur Soares Dias, chegou a indicação de Jorge Sousa de que a decisão de fora de jogo num lance em que a bola acabou fora bem tomada - ou pelo menos não havia certeza de que tivesse sido mal tomada, porque a indicação do International Board é que só possam ser revertidas decisões «em erros claros e não em situações que podem causar dúvida, pois aí prevalecerá a decisão do árbitro em campo», explicou Fontelas Gomes a A Bola. Mas teoricamente esse lance não se enquadra no protocolo daqueles que podem ser revistos. Se um fora de jogo for mal assinalado, e se depois do árbitro apitar a bola entrar, o video-árbitro não deverá ter intervenção - já o contrário, um golo validado pelo árbitro em campo em que tenha havido fora de jogo não assinalado, pode ser revertido pela TV.
Ainda assim, e sabendo que se usa o desporto nos EUA, como exemplo para o bom funcionamento da tecnologia, o espectro daquilo que pode ser feito no futebol vai além do que se faz, por exemplo, na NBA. Onde um árbitro pode pedir para ver qual o jogador que tocou por último numa bola que saiu, mas se no decorrer dessa visualização descobrir uma falta não pode assinalá-la."

Hugo Vasconcelos, in A Bola

“A barriga era própria dele, não o afetava absolutamente nada”. Ferenc Puskás, por José Augusto

"Jogou contra ele três vezes, pelo Benfica, sempre na Taça dos Clubes Campeões Europeus. Viu-o a marcar um hat-trick na final de 1962 e a falhar um penálti em Madrid, três anos volvidos. Recolhemos o depoimento de José Augusto, que jogou nos encarnados entre 1959 e 1970, sobre Puskás, a lenda húngara do Real Madrid que morreu há 10 anos

Joguei três vezes contra ele. Cruzámo-nos em campo, jogámos uma final da Taça dos Clubes Campeões Europeus, trocámos camisolas entre todos. Eles tinham um grande respeito por nós, lembro-me perfeitamente. O Puskás era um jogador extraordinário, um fora de série. Era completo, um organizador de jogo com um pé esquerdo que colocava a bola sempre onde queria. Só jogava com o pé esquerdo, mas estava calibrado. Tudo aquilo que ele fazia saía-lhe bem.
Isto é, quase tudo bem. Há um penálti, num jogo contra nós, que ele manda para fora. Foi em Madrid, no segundo jogo dos quartos-de-final da Taça dos Clubes Campeões Europeus (em 1965). Já os tínhamos quase eliminado no jogo do 5-1, na Luz. Os bons também têm direito a falhar, não é?
As coisas, na altura, eram muito formalizadas. Falámo-nos e cumprimentámo-nos dentro de campo, desejámos felicidades um ao outro. Ele tinha acabado de levar 5-1. Eram aquelas conversas de circunstância. Ele falava bem espanhol.
Não troquei de camisola com ele, mas sim com um médio do Real Madrid, já não me recordo quem era. Mas o Puskás jamais será esquecido, é daqueles raros jogadores que o futebol proporciona. No Benfica, falávamos dele antes dos jogos. Era ele e o Di Stéfano, com quem criei uma amizade e, por coincidência, também me encontrei algumas vezes com o Puskás, quando ia a Madrid. O Di Stéfano tinha uma disposição mais ativa, o Puskás era uma figura mais fechada, mas quando tinha que falar, falava bem.
Entre antigos jogadores de futebol, além de um natural entendimento, havia, sobretudo, respeito.
Nos tempos do Real Madrid, tinha uma proeminência relativa, na barriga, em relação aos outros jogadores, sim. A barriga era própria do físico dele, não o afetava absolutamente nada. Ele sabia jogar, e muito bem. Mesmo assim marcava golos, e que golos, muitos à distância. O que gostava mais nele eram as mudanças de flanco que fazia, a partir da intermediária. Ele ia buscar a bola e mudava o flanco para o Gento, era fantástico. Jogava como interior esquerdo, mas era um homem que percorria todo o meio campo, o dele e o do adversário.
Para mim, o Di Stéfano foi um jogador mais completo. A atacar, a defender e a organizar. Tinha uma condição atlética extraordinária, jogava bem de cabeça, e tudo era bonito nele. O Puskás era mais pragmático. Tinha menos jogadas individuais que o Di Stéfano, mas eles completavam-se. Mas o Puskás teria sucesso em qualquer clube e em qualquer tipo de futebol.
As suas características eram espontâneas, de muita visão de jogo. Eram jogadores que marcavam muitos golos, nisso eram iguais. A partir de determinada idade, o Puskás começou a ser mais organizador. Eu, por exemplo, fazia os 100 metros em 13 segundos aos 20 anos, mas, com 30, já não os fazia. Passei a ter mais preponderância, mais tendência para organizar, passei a estar mais no meio campo, deixei de estar agarrado à linha, quando tinha velocidade, destreza na condução de bola e drible. É evidente que, a partir dos 28 anos, as coisas vão diminuindo.
O Puskás chegou ao Real Madrid com 29 anos e continuou a ser um grande jogador. Disputou imensas finais da Taça dos Campeões. Antes de ele chegar a Espanha, apenas o conhecia de nome. Só tinha conhecimento de equipas húngaros pelos jogos que fazíamos contra elas ou quando tínhamos digressões. Mas a explosão do conhecimento, do saber quem era o Puskás, é no Real Madrid. Ele revela-se quando se depara com campos mais exigentes dos que tinha no campeonato húngaro. Ele vai para Espanha quando há um problema político na Hungria e começa a deslumbrar a Europa com o seu jogo. Até acabou a jogar na selecção espanhola.
Quem era melhor, o Di Stéfano ou o Puskás? É como o Ronaldo e o Messi. São dois grandes jogadores com características totalmente opostas. É sempre difícil de definir. Gostava era que eles ainda jogassem os dois juntos, para vermos, como os outros o fizeram. O Puskás tinha lugar em qualquer equipa, ao lado de qualquer jogador, sem dúvida. Por exemplo, joguei na seleção da Europa que deu sete na Jugoslávia com jogadores que nunca tinham jogado juntos.
É um jogador que vai ficar sempre na história do futebol.” "

Benfiquismo (CCLXXXIX)

Hooligans nos anos 60 !!!