Últimas indefectivações

quarta-feira, 31 de julho de 2013

A culpa é mesmo do(s) governo(s)

"Não são muitos os países que se dão ao luxo de deixar extinguir-se a equipa que conquista a única medalha nuns Jogos Olímpicos.
Portugal, claro (porque será que isto não me surpreende?), consegue fazê-lo e fá-lo com a mestria de um ignorante, aplaudindo mesmo a decisão porque um dos atletas que conseguiu a medalha tem, afinal, grita-se em coro, todo o direito de competir sozinho se bem lhe apetecer.
Falo, já deu para perceber, de canoagem. E da recusa de Fernando Pimenta em participar nos Mundiais que se disputam este mês, por não querer fazer equipa em K2 (aquela em que ganhou a tal medalha de prata olímpica) com Emanuel Silva.
Sim, estou contra a decisão de acabar-se com a equipa de sucesso dos Jogos Olímpicos, sobretudo porque a mesma é unilateral e, pior que isso, tomada a um mês dos campeonatos do Mundo. Mal comparado, aplaudir a decisão de Fernando Pimenta é como aplaudir Ricardo Carvalho quando, zangado com Paulo Bento, pegou nas malas e se foi embora do estágio da selecção de futebol. Ou era como admitir que fosse Cristiano Ronaldo a escolher os companheiros que jogam.
Também sou contra a insensibilidade de quem não percebeu há mais de um ano o risco de fractura porque um dos atletas que integra a equipa quer deixá-la - ainda por cima, a solo Pimenta tem conquistado medalhas; de facto, merece a oportunidade - e, sobretudo, incomoda-me que todos juntos não tenham encontrado uma óbvia solução de compromisso: Pimenta fazia agora os mundiais em K2 e seguia a carreira a solo, cheia de sucessos, logo depois.
O mal, no entanto, não está só nas gentes do desporto, mas também nos sucessivos governos que não mudam uma lei que, de tão antiga, estipula os prémios para atletas medalhados ainda em escudos. Se os prémios de K2, tal como os de K1, não fossem a dividir, aposto que não haveria metade dos problemas."

Nuno Perestrelo, in A Bola

PS: Recordo que além do Fernando Pimenta, a nossa Teresa Portela está numa situação idêntica. Os dois melhores canoístas portugueses da actualidade, estão de relações cortadas com a Selecção...!!!
Curiosamente, no Triatlo, está-se a passar algo parecido, mas na minha opinião ainda mais grave. Se na Canoagem existem de facto equipas, e é preciso alguém decidir quais as combinações, que potencialmente podem trazer para Portugal melhores resultados, no caso do Triatlo estamos a falar de uma modalidade individual... o facto dos dois melhores triatletas masculinos da actualidade, estarem em conflito com o DTN devia preocupar a Federação, mas aparentemente é mais importante as guerrinhas e os tachos, do que os resultados dos atletas...
Nas modalidades ditas amadoras - nos desportos individuais - os subsídios deviam ser entregues directamente aos atletas, assim aparecem sempre os intermediários 'bem intencionados'...!!!

Nasceu do sangue a correr na Luz a primeira vitória de Fernando Martins

"Ganhou a presidência a Queimado graças, sobretudo, à carga policial que incendicou o parlamento - Quis Pedroto, ficou com Eriksson, eternizou-se

A morte levou-o ontem. Fernando Martins tinha 96 anos. A presidência do Benfica chegou-lhe como um destino fintado. A AD ganhara as eleições e Sá Carneiro fora buscar o presidente da FPF para seu Ministro dos Assuntos Sociais: Morais Leitão. Não chegou a estar sequer seis meses no cargo, vinha da fundação do CDS com Freitas do Amaral, Amaro da Costa, Martins Canaverde, Lucas Pires, que haveria de subir a Ministro da Cultura, era, por essa altura, candidato a presidente da Assembleia Geral do Benfica, na lista de Ferreira Queimado. A RTP passara a emitir a cores, 59.000$00 custaram os primeiros aparelhos de 51 centímetros - e neles se pôde ver já, vermelha de sangue, a festa do Benfica campeão de 1980/81.
Na última jornada, na Luz, estava a ganhar 5-1 ao V. Setúbal - e ao cair do pano adeptos em euforia derrubaram o gradeamento e puseram-se em frenesim junto às linhas. Irrompeu a polícia de choque. As escaramuças subira do relvado às bancadas, afunilaram-se para fora do estádio. No ar, cassetetes e bastões, gritos e insultos. E em rodopio cães e granadas de gás lacrimogéneo. Houve 100 feridos - e suspeitando que poderia ter começado ali a perder as eleições, Queimado, responsabilizou a polícia pelos «excessos» - mas o comandante da força deu-lhe réplica:
- Limitámo-nos a cumprir um pedido do Sr. Gaspar Ramos para limpar o campo...
Seguiu a agitação para a Assembleia da República, César de Oliveira, deputado do PS, disparou:
- O desejo de bater e aleijar por parte do Corpo de Intervenção igualou ou excedeu as mais violentas repressões policiais de Salazar e Caetano. A barbaridade não poupou vendedores ambulantes, crianças, grávidas...
Lucas Pires tentou, em São Bento, desligar a acção policial do governo, mas em vão. Fernando Martins, o candidato da oposição, aproveitou-se, com astúcia, do descontentamento - e assim ganhou as eleições.
Tomou posse a 29 de Maio de 1981 e no primeiro discurso lamentou que Queimado, no último acto de gestão, tivesse renovado com Baroti. Ficou com ele atravessado na garganta - e como o húngaro perdeu o campeonato de 1981/82 para o Sporting e foi eliminado da Taça pelo SC Braga - despachou-o pelo buraco do ponto. Escolheu Sven-Goran Eriksson para o lugar, mas a sua primeira ideia fora Pedroto, que deixando o FC Porto em rota de colisão com Américo de Sá, acabara por se comprometer com o V. Guimarães.

ERIKSSON A UM TERÇO DE PEDROTO
Eriksson jogara no Torsby, na II divisão da Suécia, na adolescência ia de férias para Inglaterra para assistir aos treinos do Liverpool ou do Aston Vila - e aos 28 anos terminou o mestrado em Educação Física com tese sobre o 4x4x2. O juri deu-lhe nota máxima, mas o único convite que lhe surgiu foi do Dogerfors da... III Divisão. Pô-lo na II - e saltou para o IFK Goteborg - e, aos 32 anos, ganhou a Taça UEFA.
Apesar disso, dessa vitória europeia que saiu de uma caixinha de surpresas, houve quem achasse que era jogar na roleta russa ir buscá-lo - e, depois, numa Assembleia Geral tumultuosa, cansado de insinuações e remoques, demitiu-se. Esteve à beira de um colapso cardíaco, foi assistido por um médico de emergência, lá mesmo no pavilhão. Oito dias se passaram - e acabou por retirar o  pedido de renúncia. Eriksson chegou a troco de 360 contos de salário mensal, Pedroto, regressando ao FC Porto passara a receber o triplo - e Juca ganhava quase o dobro no Sp. Braga. Ganhou fama por causa do chapéu da Macieira - que lhe ofereceu 1000 contos pela publicidade - e logo marcou o seu estilo:
- O golo é o que mais interessa no futebol, por isso ninguém verá o Benfica a jogar para não marcar golos, jogue onde jogar, contra quem jogar.
Ganhou o campeonato e a Taça ao FC Porto, a Taça que o Benfica esteve para boicotar por ter sido marcada para o campo do outro finalista - mas Martins não deixou. Convenceu toda a gente a ir lá jogar - e deu no que deu. Nessa altura, já era o que nunca deixaria de ser: amigo de Pinto da Costa. Que pelo tempo fora, o considerou o «melhor presidente da história do Benfica».

DESPEDIR QUEM NÃO DIZIA EUSÉBIO...
Em 1983, FM arrasou Jorge de Brito - e quando Eriksson se foi embora jogou outra cartada notável: Tomislav Ivic. Fugaz foi a passagem pela Luz, partiu porque Martins se recusou a pagar-lhe em... dólares. E nessa época de 1984/85 em que se deu mais uma novidade histórica: negociou pela primeira vez publicidade nas camisolas, através de contrato com a Shell - o treinador foi Pal Csernai. Bruto e duro, estranho e egocêntrico, não tratava Eusébio que FM pusera treinador de guarda-redes, por Eusébio, tratava-o por... Iosef! E um dia, o King não aguentou mais - e atirou alto e bom som para Pal ouvir: «Este gajo, vejam bem... Até na Tailândia sabem o meu nome, ele continua Iosef para aqui, Iosef para ali»...
Csernai perdeu o título para o FC Porto, mas a Taça não. A Taça ganhou-a aos portistas. Aliás, parece que não foi ele que a ganhou já que, no final, Bento revelou:
- Não foi Csernai quem fez a equipa e quem deu a táctica. Carlos Manuel e Pietra é que lhe abriram os olhos...
E, para não perder o balneário, Martins mandou-o embora. Foi, pode dizer-se, o seu único falhanço na escolha de um treinador...

Com os 232 mil contos de Chalana o terceiro anel...
Não quis dar 350 contos à sua estrela, voltou atrás, deu-lje 1000 e assim fez o negócio da década
Em Março de 1984, na Taça dos Campeões, noite negra para o Benfica - e para Bento que do Liverpool de Rush & C.ª sofreu quatro golos, revelando:
- No primeiro golo fui encadeado pelos holofotes. Depois, desabou tudo ali, a cabeça ficou quente de mais, acabei por sofrer um dos maiores frangos da minha vida, com a bola a passar-me, estupidamente, por baixo das pernas, é a vida...
Apesar da eliminação, Fernando Martins apresentou contas em AG e houv espanto: o futebol gerou um luro de 106 mil contos, nunca nenhum presidente atingira número assim.
Com o segundo título de campeão no bolso, Eriksson disse adeus ao Benfica, seduzido pela Roma - e Chalana também partiu. Antes do Euro, acertou com Valentim Loureiro transferência para o Boavista - por não lhe querer pagar 350 euros por mês. Mas, percebendo a tempo que poderia cometer erro histórico, o presidente deu-lhe, subtil como era sempre que tratava de negócios, a volta - e pagando em dobro o sinal que o jogador já recebera, subiu-lhe o salário para 1000 contos.
Nessa altura, Martins lembrou-se de uma outra inovação: colocou no novo contrato uma cláusula de rescisão de 24 mil contos. Mas, notando que o Bordéus enlouquecera por Chalana, só acertou a transferência quando os franceses lhe acenaram com 232 mil contos, oferecendo ainda ao extremo-gazua que fora campeão distrital de corta-mato de iniciados pela CUF e talvez tenha sido o melhor jogador do Euro 1984 apesar de Platini - 100 mil contos de luvas e 5000 de ordenado mensal.
Esses 232 mil contos foram sobretudo para fechar o Terceiro Anel. E na noite de inauguração, em Setembro de 1985, Martins não calou euforia:
- É talvez a maior obra feita em Portugal depois da construção da ponte 25 de Abril. O Benfica fica assim com o maior estádio da Europa.
Nesse ano, ninguém ousou defrontá-lo nas urnas - e não imaginara que pudesse ser o seu último mandato na presidência. Mas foi...

Levou o Benfica ao papa depois dum ataque bárbaro
Martins recolocou o clube a lutar por um título europeu mas para isso teve de fugir ao inferno...
Foi com Fernando Martins que, depois dos seus fantásticos anos 60, o Benfica voltou ao fulgor da sua histórica - com nova final europeia. Na Taça UEFA de 1983.
Nos quartos-de-final, o Benfica eliminou a Roma - e antes do jogo, o presidente conseguiu que João Paulo II, o papa que fora guarda-redes, recebesse a comitiva no Vaticano. Humberto Coelho, o capitão, oferece-lhe uma bola autografada - e Martins uma águia em prata. O Benfica venceu por 2-1, com dois golos de Filipovic - e Martins soltou a promessa: «eliminá-los vale 500 contos a cada um». Cumpriu.
Nas meias, a Universitatea de Craiova. Na Luz, empate a zero. Mas não a esperança perdida. Houve de novo empate, a um golo - e o Benfica passou. E, de repente, foi como se tivesse caído no inferno, o inferno que Bento contou:
- Quando íamos a entrar no balneário, sentimos um estrondo incrível. Um paralelepípedo estilhaçou a porta de vidro e caiu ao meu lado. Sentimos todos a vida em perigo.
O Benfica foi ao hotel lanchar - e, de súbito, encheu-se a praça de gente a ulular. Chalana nem teve tempo de acabar de comer a sandes. Um polícia grito que fossem todos imediatamente para o autocarro, outros de kalashnikov em punho abriram corredor de fuga. O autocarro arrancou, uma pedra estilhaçou-lhe o pára-brisas, Júlio Borges teve de receber tratamento médico, ferido na face por um pedaço de vidro. Ao longe, ouviram-se tiros.
Na primeira mão da final, em Bruxelas, o Anderlecht venceu por 1-0 e Fernando Martins, que nesse ano movimentara cerca de 500 mil contos com o futebol, queixou-se do árbitro:
- Para além de nos anular esquisitamente um golo, esteve sempre a prejudicar-nos.
Quinze dias depois, perdeu-se o sonho no empate a um. Que Benfica era esse? O Benfica de Bento, Pietra, Humberto, Bastos Lopes, Veloso, Alves, Shéu, Filipovic, Carlos Manuel, Stromberg, Chalana, Diamantino, Nené. Só de bilheteira, arrecadaram-se 78 mil contos, as despesas de organização andaram pelos 16 mil. O policiamento envolveu 700 agentes - e custou 3000 contos. (A EPUL tinha à venda um T2 em Telheiras por 2960 contos, que era pechincha dizia-se na publicidade. O bilhete mais barato para a Luz era de 1000 escudos, o mais caro de 3500. Uma bicicleta banal custava 6500 escudos - e a RTP deu 10 mil contos ao Benfica pela transmissão do jogo...)
Fernando Martins prometera prémio de 1500 contos a cada benfiquista pela vitória na final da Taça UEFA. Não ganharam - mas o presidente pagou-lhe na mesma. (Sim, essa era a política dele como líder do clube: pagar pouco de ordenados, pagar muito de prémios. Uma política que lhe deu sem dúvida um toque de visionário. E que resultava, quase perfeita...)

Como João Santos o pôs numa mágoa que nunca mais escondeu
Em 1987 e 1989 tentou por duas vezes regressar à presidência, os benfiquistas não lha deram mais
Para o lugar do irascível Pal Csernai, Fernando Martins optou pelo regresso de John Mortimore. Perdeu o título de 1985-86 para o FC Porto - e a consolação voltou a ser a Taça, ganha ao Belenense. Na época seguinte, torvos foram os primeiros ventos: a Supertaça que Futre ganhou quase sozinho para o FC Porto com 4-2 na Luz e os 7-1 do Sporting em Alvalade. Não se conformaram sócios e adeptos que rasgaram cartões, cachecóis, bandeiras e soltaram a indignação sobre o pobre do treinador inglês. «Ainda hei de ver gente que humilhou Mortimore considerá-lo bestial» - apontou FM. E não se enganou. Puxou o orçamento do futebol para 300 mil contos - e acabou campeão. Por entre champanhe a jorrar na cabina. Rui Águas e Carlos Manuel jogaram forte ironia:
- A gente não tem a melhor equipa, a gente não tem o melhor plantel, a gente não tem o melhor treinador, mas é a gente que ganha o campeonato - e muito bem feito, e é muito bem feito!
Aliás, não foi o campeonato apenas, foi a Taça também: 2-1 ao Sporting. E com dobradinha no ano em que o FC Porto venceu a Taça dos Campeões com Artur Jorge, Mortimore partiu, levado por transe magoado:
- Não trabalho num clube onde há pessoas que não querem trabalhar comigo.
Referia-se, claro, à mudança na presidência. Para o lugar de Martins, fora João Santos. Nunca o escondeu, foi a derrota que mais lhe doeu:
- Os sócios não reconheceram tudo o que fiz pelo Benfica...
Toni conseguiu o milagre do regresso à final da Taça dos Campeões, foi campeão em 1988/89 - e nas eleições pela última vez. E João Santos deu-lhe 8-2 - mas não conseguiu, nem assim, roubar-lhe a eternidade...

Derrota com Salazar a fingir...
A primeira vez que Fernando Martins se candidatou a presidência do Benfica foi em 1969. Quatro anos antes ocupara funções de suplente no Conselho Fiscal e em 1967 deram-lhe a presidência da Comissão de Obras do Novo Parque de Jogos. Cumpriu a missão com tal zelo, que grupo de sócios o quis lançar à presidência. Nessa época, o Benfica ganhou mais um campeonato e mais uma Taça - a Taça foi aquela contra a Académica que transformou o Jamor no maior comício contra a política colonial que o salazarismo viveu. Artur Jorge não pôde jogar - deixaram-no retido no quartel, em Mafra. Eusébio desempatou aos 109 minutos - e anos depois diria que foi o golo mais triste da sua vida, exactamente pelo que estava em causa. Nessa altura já tinham morrido mais de 5000 soldados em Angola, na Guiné, em Moçambique. Salazar já não governava, mas achava que sim - e para manter a ilusão, de vez em vez até lhe apareciam ministros em São Bento disfarçando que estavam a despacho. (No Verão de 68 cadeira de lona cedera, bateu com a cabeça no chão, traumatismo craniano acabou reduzindo-o, pouco a pouco, a quase vegetal.) Mulheres mais modernas começavam a tomar a pílula, as outras continuavam a ir à missa de véu e meias de vidro mas para abrirem conta bancária ou para tirarem passaporte todas eram obrigadas a pedir autorização aos maridos - e só podiam votar se tivessem curso médio ou superior. As eleições continuavam a ser fraude pegada - e para mostrar a diferença em relação ao país, o Benfica anunciou, então, eleições «livres» e com vários candidatos. Eram três e entre eles havia um aristocrata com brasão - e em homem do povo que fizera riqueza graças ao seu génio para o negócio, mas alguns continuavam a tratar por... Pedreiro. Ganhou o aristocrata, das urnas saiu: Borges Coutinho: 58,4%; Fernando Martins: 24,9%; Romão Martins: 16,6%.

O outro abriu ao estrangeiro
Na segunda tentativa de ataque de Fernando Martins à presidência do Benfica, a sua segunda derrota. Foi em Maio 1977 - e Ferreira Queimado bateu-o por pouco: 52,4% contra 47,6%. Sim, foi nesse mandato - em que Martins nunca deixou de se mostrar oposição, mas «oposição com seriedade» que se fez aprovar a autorização de utilização de jogadores estrangeiros no SLB, numa assembleia presidida por Adriano Afonso, que durou mais de oito horas, começou com 1468 sócios e acabou com 534, dos quais 472 disseram sim...

(...)"

António Simões, in A Bola


El amistoso acaba en pesadilla

"La afición céltica denuncia agresiones y amenazas de la hinchada lusa
La afición del Celta desplazada a Oporto todavía estaba despertando ayer de la «pesadilla» en la que, aseguran, se convirtió el partido del domingo en O Dragão. En un compromiso para el que el celtismo se había movilizado de una forma sorprendente en pretemporada, y ante un equipo que algunos consideran «hermano», se encontraron con una actitud hostil por parte de la hinchada rival que les hizo «pasar mucho miedo». Para algunos, la cosa fue más allá, llegando a sufrir violencia física y verbal, así como robos.
Varios miembros de la Peña Dani Abalo fueron agredidos a la salida del estadio. «Por la mañana ya nos recibieron con escupitajos, pero en ese momento -les retuvieron una hora dentro del estadio tras la conclusión- ya íbamos confiados. Notamos que nos perseguían, apuramos y nos arrinconaron. Empezaron a patadas y puñetazos», relata David Abalo, que iba con cuatro amigos. Les robaron camisetas y bufandas. «Escapamos como pudimos. Fue un buen susto», describe. Dos necesitaron asistencia médica.
Las bufandas y camisetas que a unos les sustrajeron, otros se las quitaron antes. «Hubo quien compró ropa para pasar desapercibido. La tensión vivida no era normal. Quién más y quién menos estaba muy asustado», explica David Penela, que abandonó O Dragão en el minuto 80 «para evitar males mayores».
«Te mataban con la mirada»
Tampoco Marta Saiz esperó al final. «No disfrutamos del partido, ya era lo de menos. Queríamos salir de allí cuanto antes», dice sobre la que considera «la peor experiencia» de su vida en un campo de fútbol. Los problemas habían empezado ya al mediodía. «Los reventas nos amenazaron y no nos dejaban acceder a las taquillas», recuerda. Luego se refugiaron en un centro comercial. «Te mataban con la mirada. Nos sentíamos vigilados y vimos gente con labios rotos. Fue horroroso», lamenta.
Algunos autobuses célticos fueron escoltados a su llegada tras los incidentes previos. «Se perdió el sentido del amistoso. No nos podíamos imaginar que fuera a pasar algo así», dice Víctor, de Carcamáns. Para Berto Carballo, de Preferencia, lo ocurrido «empañó por completo un partido que era para disfrutar».
Otro de los afectados fue la Peña Lío en Río, que así lo confirmaba ayer, pero prefería no hacer declaraciones. Según otras fuentes, este colectivo también sufrió agresiones y el robo de un teléfono móvil. 
Dentro del estadio, los insultos fueron una constante. Lamentan también que no se respetara el minuto de silencio en memoria de las víctimas del accidente de tren de Santiago. «Fue todo una salvajada. Había gente con guantes de boxeo. Una batalla campal», dice Amador, de la Peña Jorge Otero. Él iba con sus hijos: «Si estoy solo y tengo que chupar dos bofetadas me preocupa menos, pero con los niños...», subraya. «Fue peor que un derbi en Coruña».
Todos apuntan en que la organización del Oporto, que les dispersó por el estadio tras ofrecer menos espacio del prometido, no contribuyó a mejorar las cosas. Coinciden, también, en que nunca volverán a O Dragão."

terça-feira, 30 de julho de 2013

Martins, o Grande

"Meu caro Fernando Martins:
Não sei se muita gente se lembra, eu lembro-me: discutia-se o seu primeiro Relatório e Contas e por entre os ataques que a oposição, assanhada, lhe fazia, voaram cadeiras pelo ar. Apresentou a demissão e começou a ficar lívido. Saltou da plateia um médico a assisti-lo, soube-se que era um principio de ataque cardíaco. (Não, não me esqueço de que, na semana seguinte, voltou dizendo que afinal não se demitia e reforçava o trunfo da manga: era Eriksson para o lugar de Baroti que Queimado lhe impusera - e com Eroksson tudo mudou...)
Não sei se muita gente de lembra, eu lembro-me: a final da Taça de 1983 marcou-se para as Antas e ao saber-se que o adversário do Benfica era o FC Porto abriram-se movimentações para a devolver ao Jamor. Pinto da Costa, a coberto do remoque:
- Lisboa não pode colonizar o resto do país...
Aprovou em AG que ou jogaria lá ou não jogaria. Adiada ficou a final sine die, os seus jogadores foram de férias. (Não, não me esqueço de que, por via do seu jogo de cintura, convenceu-os a darem saltinho da praia ao estádio onde com golo de Carlos Manuel o Benfica venceu e você revelou ainda mais o seu carácter:
- Foi para evitar que o FC Porto pudesse cair na II Divisão, que decidi que viéssemos às Antas. É que nós precisamos deles para mostrar que somos os melhores, nunca se esqueçam...)
Sim, era assim: mais do que o presidente que lançou a lógica do clube-empresa, que fez do Benfica tão imenso como já fora, o presidente que mais ataques sofreu dos seus pares em bastidores e AG - foi o presidente que nunca precisou de ir pelo terrorismo para ganhar ao destino o futuro. (E não, não me esqueço de, em mandato de João Santos, lhe retirarem o camarote vitalício que lhe tinham dado no Terceiro Anel. Foi uma tropelia, você sentiu-a com mágoa, com a mesma mágoa que sentira ao perder as eleições, mas essa mágoa nunca foi rancor, eu sei - e é isso que faz a diferença entre os homens grandes e os outros...)"

António Simões, in A Bola

Os árbitros e a questão essencial

"Os árbitros portugueses poderiam escrever um novo livro do desassossego. Falta-lhes, porém, em talento literário o que lhes sobeja em assunto. A única consolação é que os árbitros sabem que não é de hoje que haja gentes e poderes com uma mal disfarçada vontade de os controlar, de os manipular. A experiência do passado recente, com o famigerado apito dourado, foi traumatizante e os árbitros são os primeiros a sentirem que têm de se liberar dessa imagem de serventes de poderes obscuros.
Recentemente, a discussão sobre independências, influências, maledicências e interferências agudizou-se e os árbitros voltaram a estar próximos de uma revolta. A Bola foi acompanhando clamores e estados de espírito e foi sabendo das razões dos árbitros insatisfeitos. Demos, também, a versão federativa e, aí, não foi menos espantoso verificar que há uma ideia institucionalizada na FPF de que o novo modelo de classificações foi pensado e programado para que os árbitros não regressem a vícios antigos de lobis e compadrios, dando vantagens a quem as não merece.
Fica por salvaguardar o essencial. As últimas classificações tiveram como resultado algumas aberrações indefensáveis e se a FPF se obriga a defender critérios inatacáveis e acima de qualquer vício tem de começar por assumir os erros anteriores, perceber as suas origens e dar garantias de que esses erros não se repetirão.
PS - Por falar em árbitros. Como foi possível que Hugo Pacheco, o árbitro do recente FC Porto - Celta, não tenha expulso Kelvin? Procurou proteger o jogador? E não perceberá que essa atitude só pode prejudicar um jovem com talento mas com preocupantes comportamentos de risco?"

Vítor Serpa, in A Bola

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Luz sobre roubo de computadores?

"SOS: transparência na arbitragem no futebol. Nela, e em seu redor, transparentes... só ganas de meio mundo, querendo controlá-la (amiúde com êxito), e de outro meio mundo, pretendendo virar do avesso o desfecho dessa tremenda luta pelo poder - por quase todos os dirigentes de clubes considerada... decisiva! Pelo meio, os árbitros...; alguns não vítimas de tal refrega, sim procurando subir na carreira sob impulso da mais forte maré, ou, pelo menos, tendo o cuidado de não a contrariarem...
A BOLA tem dado tónica à revolta dos árbitros, sob liderança dos internacionais, contra o CA, por causa de novas regras de classificação. Ontem, projectámos o contraste; explicações sobre o novo caminho traçado pelo  CA da FPF: visará bloquear o cozinhado de influências (exemplo de topo: escolha de observadores para determinados árbitros, em função de acesso a como vão estando classificações...), prática apontada em acórdão do Apito Dourado... Dá que pensar... Até porque a surpresa de novas regras colocou vários árbitros internacionais em medíocres posições. Será que se faz luz sobre o assalto no edifício da FPF unicamente para roubar os computadores de Fernando Gomes e de Vítor Pereira?"

Santos Neves, in A Bola

A minha primeira visita aos gloriosos troféus

"Na semana de 15 a 19 de Janeiro de 1979 fui um benfiquista em apuros. Queria um bilhete para assistir ao jogo, na Saudosa Catedral, referente à 17.ª jornada (segunda na segunda volta) do campeonato nacional a realizar no domingo, 21 de Janeiro, frente ao FC Porto e a lotação estava esgotada. Alguém que sabia do assunto disse-me que já só havia bilhetes de sócio. Mas para ter acesso a esses bilhetes tinha de ser associado do Clube. Na sexta-feira, em 19 de Janeiro de 1979 tomei uma resolução que seria para toda a vida. Inscrever-me como associado do "Glorioso". Como não conhecia nenhum associado dirigi-me à Secretaria, onde no último andar um empregado (também sócio do Clube) fez o favor de ser o meu sócio proponente. Inscrevi-me como associado do Benfica, comprei o "rectângulo mágico" para domingo que tinha inscrito "Dia do Clube" e recebi um conselho do meu desconhecido "sócio proponente" do tipo (cito de memória), «Não quer visitar a sala de troféus? Fica no piso de baixo!» Assim fiz. Dirigi-me a um empregado que estava no salão dos bilhares e ele encaminhou-me para uma porta ao fundo que dava acesso a uma outra porta que se abriu. Quando ligou a luz fiquei esmagado e orgulhoso. É uma imagem que nunca mais esqueci, já lá vão mais de 34 anos! Arrepiante! A luz, qual sol, iluminou um mar prateado de taças e troféus infindáveis. Ondas e ondas de troféus, quais vagas de mar encapelado, sobrepostos em anfiteatro encarnado, cintilavam perante o brilho da luz ensolarada.
No chão, o cinzento fazia realçar o pano vermelho onde brilhavam os troféus prateados e dourados. Senti-me um príncipe num harém. Estava incrédulo perante uma grandeza avassaladora. E ao mesmo tempo orgulhoso em pertencer como associado, ainda que há um par de minutos, a um clube que tinha tamanha grandeza, que eu, benfiquista desde pequeno e desde a Figueira da Foz, nem sonhava ser tão gigantesca. Ao mesmo tempo, começaram-me a "tremer as pernas". Na minha ingenuidade dos 18 anos, feitos há pouco tempo, pensei: "Se agora sou sócio do Benfica, como é que vou assegurar ou contribuir, com a minha quota-parte para manter esta grandeza! Que responsabilidade!"
O guia (que mais tarde, quando comecei a interessar-me pela história do Clube soube ser Álvaro Curado) talvez vendo-me tão atrapalhado (certamente, de boca aberta e olhos arregalados de espanto) para "complicar a minha vida" disse-me (cito de memória): «Veja como o apego dos sócios ao clube e o empenho dos atletas têm conseguido trazer tamanha glória. Estão aqui as nossas relíquias.» Percebi rapidamente! O Benfica era o Benfica! De clubes só conhecia (por dentro) o GD Graça, clube do bairro onde vivia! Ser sócio do Benfica era muito mais que "conseguir com mais facilidade" um lugar na bancada do estádio da Luz ou comprar bilhetes mais baratos para "ir à bola"! O Benfica era "Glorioso"!
(...)"

Nada nem ninguém acima do Benfica!

"Fernando Martins nasceu a 25 de Janeiro. Não terá sido por acaso que Eusébio da Silva Ferreira escolheu esse mesmo dia para vir ao mundo...

Denis Diderot, filósofo francês do século XVIII, escreveu um dia que «a imortalidade é uma espécie de vida que nós adquirimos na memória dos homens.» Assim sendo, é na memória dos homens que perdurarão figura e obra de Fernando Martins, ontem desaparecido, aos 96 anos. Homem simples, que subiu na vida a pulso, teve o Benfica por paixão e no clube da Luz deixou marca indelével. Foi presidente do Benfica num tempo em que engenharia financeira não tinha virado moda e soube administrar o clube sem gastar o que não tinha. É possível encontrar paralelismo entre Joaquim Bogalho e Fernando Martins (e estamos a falar de dois dos mais importantes presidentes do Benfica!). Ambos com forte sentido de património; um e outro de contas ao tostão; cada um deles apologista da disciplina e da ordem; ninguém podia estar acima do Benfica.
Quis o destino que me cruzasse com Fernando Martins, que até no último dia tratei por «presidente».
Em 1982, jogava eu no Portimonense e era Fernando Martins presidente do Benfica, este convidou-me a transferir-me para a Luz «por sugestão de Lajos Baroti». Acertámos agulhas (naquela negociação e nas duas renovações que se seguiram) aprendi a respeitar um homem que tendo uma imagem exterior de alguma dureza, era capaz de manter a porta aberta para resolver os problemas de quem o procurava.
Depois, Fernando Martins tinha uma vertente supersticiosa muito marcada, basta dizer que para os jogos, de verão ou inverno, levava sempre o mesmo fato creme; e antes da equipa subir ao relvado, na cabina, normalmente depois do treinador das as derradeiras instruções, Fernando Martins lá vinha avisar que estivéssemos preparados «porque todos querem ganhar ao Benfica. Ninguém dá um pontapé num cão morto. E se nos querem dar pontapés é porque sabem que mordemos.» Era esse o momento em que, invariavelmente Carlos Manuel perguntava, «então presidente, não se esqueceu de nada?» E Fernando Martins lá dizia, «ok, o prémio hoje é a dobrar.» Até nisso Fernando Martins andou à frente do seu tempo. Conseguiu, durante o seu consulado, implementar uma política de salários baixos (quando comparados com Sporting e FC Porto) e prémios altíssimos. Que funcionou ou não tivesse conquistado três campeonatos, duas Taças e levado o Benfica, 15 anos depois de Wembley, a uma final europeia. E fechou o terceiro anel, obra ciclópica que dotou o estádio da Luz de 120 mil lugares. A seguir, a vulgarização da TV (e o Euro 2004) acabou por justificar um estádio menor.
PS1 - Fernando Martins nasceu a 25 de Janeiro. Não terá sido por acaso que Eusébio escolheu esse mesmo dia para vir ao mundo...
PS2 - À família, em especial ao engenheiro Raul Martins, um abraço amigo.

MUSEU COSME DAMIÃO
Há, muito que Luís Filipe Vieira fala com paixão do Museu do clube que abrirá portas ao público na próxima quinta-feira. É natural que os benfiquistas olhem para esta obra com orgulho e dela queiram desfrutar. Mas não é menos verdade que Lisboa acabou de ser dotada com um espaço de referência que entrará de imediato nos 'tours' turísticos da capital. E não me enganarei se afirmar que no 'Cosme Damião' vão ser batidos todos os recordes de afluência a museus em Portugal. E quem sair daquele espaço, benfiquista ou não, não deixará de admirar a excelência arquitectónica e a modernidade museológica.

Quase seis meses: e a polícia não descobre nada?
«Informaram de que tinham sido furtados os computadores do presidente da FPF e da secretária, mas houve furto de um terceiro portátil, do presidente do Conselho de Arbitragem»
Fonte policial, Lusa
Em Fevereiro passado, um ladrão entrou na FPF, cortou-se e deixou sangue e impressões digitais espalhados e o rosto foi captado pelas câmaras de videovigilância. Furtou os computadores de Fernando Gomes e da sectária e ainda de Vítor Pereira. Para quê? Mistério. E mais misterioso é que se tenha evaporado. Com tantos indícios e as autoridades policiais nada apuram?

(...)"

José Manuel Delgado, in A Bola

Pobre Taça de Honra

"1. Recomeçou mal a Taça de Honra. Primeiro, com a falsificação da sua história (espero que a nossa Direcção já tenha tomado posição perante a AFL...). Depois, com o menosprezo a que foi votada pelos dois principais clubes lisboetas, que apresentaram autênticas equipas B (ou C). Finalmente, e no que nos toca, pela muito triste presença. No jogo com o Sporting, faltou-nos, acima de tudo, atitude perante uma equipa jovem que se entregou à luta e acabou por ganhar bem, mesmo entrando praticamente a perder. A competição é secundária, mas o Benfica tinha obrigação de ganhar e muito pouco fez por isso. Houve demasiada passividade, de toda a gente. Não gostei nada...

2. Volto ao tema. A lista de vencedores da Taça de Honra que a AFL divulgou (e aparece em todos os jornais e repetida nas rádios e TV's) é uma autêntica aldrabice. Esta foi apenas a 37.ª edição (e não a 65.ª), o Benfica tem 18 vitórias (e não 19), o Sporting conseguiu agora a 12.ª (e não a 30.ª!), o Belenenses tem seis (e não 12) e o Império uma. O Benfica não pode cruzar os braços e se dependesse de mim não participaria em mais nenhuma edição se não fosse reposta a verdade. Ganhar o antigo Campeonato de Lisboa e, nos anos em que não houve Taça de Honra, ser-lhe atribuído também (automaticamente) este troféu não tem pés nem cabeça. Entre 1960 e 1994, quando a competição se realizou, nunca estas contas foram feitas assim. Basta consultar os jornais da época.

3. Quando os leitores estiverem a ler este número do nosso Jornal, já se terá provavelmente consumado a saída de Cardozo. Tenho pena, embora saiba que, com 30 anos, provavelmente não seria possível novo negócio como este daqui para a frente. Só espero é que não venhamos a sentir saudades dos seus golos. Quanto à sua atitude no final da Taça de Portugal, claro que a lamento e critico.
Embora pense que uma multa exemplar teria resolvido a questão. Numa altura daquelas, até se pode admitir que, face a mais uma derrota tão inesperada quanto dolorosa, um jogador perca a cabeça. Não deveria acontecer, mas acontece. Como aconteceu uma 'cabeça perdida' castigada com dois amarelos em poucos minutos, a qual nos terá feito perder o Campeonato do ano passado. E até uma cabeça perdida no sábado passado, com vermelho directo, que só não foi tão grave porque a Taça de Honra não tem (nem pouco mais ou menos) a importância de um título nacional. Obrigado Cardozo, pelo muitos golos que marcaste!"

Arons de Carvalho, in O Benfica

Desonra

"No baú das muitas memórias que o Futebol já me vai deixando, tinha da Taça de Honra da AFL uma ideia longínqua, de quando, ainda criança, vivia cada jogo como se fosse o único, e cada dérbi como se fosse o último.
Lembro-me da alegria proporcionada por uma vitória nos penáltis sobre o Sporting (1978?, 1979?), a que correspondeu um desses troféus. Aconteceu numa pré-temporada, quando as saudades do Futebol mais apertavam. Jogavam Bento, Humberto, Shéu, Chalana e Nené. Foram tempos que me ajudaram a crescer, e me ensinaram a ser benfiquista.
Com o passar dos anos, entre dificuldades de calendarização, e rotatividades de plantel, a Taça de Honra foi perdendo importância e interesse, definhando progressivamente até à morte. A ideia de a recuperar pareceu-me excelente. Adoro (vencer) o Campeonato, mas também a Taça de Portugal, a Taça da Liga e até a Supertaça. para quem o Futebol significa festa, quando mais competições se disputarem, melhor. E gosto de comemorar todas elas, independentemente da importância relativa de cada uma.
Com transmissão televisiva em canal aberto, em estação pública e horário nobre, sem outros jogos a atrapalhar, esperava, no passado Sábado, um Dérbi mais ou menos oficial, que definisse, mais ou menos, um Campeão de Lisboa. Nada disso aconteceu.
A verdade é que esta Taça de Honra foi um fiasco absoluto, e envergonhou aqueles que, ingenuamente, nela depositavam alguma expectativa. Não fui ao Estoril porque não pude, e só depois me apercebi do logro em que poderia ter embarcado. Talvez a AFL não merecesse muito mais. Mas também me custa a entender porque jogámos com todos os titulares frente ao Etoile Carouge, e nos expusemos, entre suplentes e Juniores, a uma desnecessária derrota perante o Sporting - na qual, francamente, já custo a distinguir a equipa B da equipa A.
Gostava de reviver as tais Taças de Honra do passado. Mas, a ser assim, bem pode a prova regressar lá para 2033, que não lhe sentirei a falta."

Luís Fialho, in O Benfica

Jornalistas para a esplanada

"No dia 21 de Setembro de 1985, o Benfica defrontou o Dínamo de Bucareste num jogo particular que assinalou a inauguração do fecho do 3.º Anel do Estádio da Luz. Acho que foi o dia mais feliz da intensa vida do benfiquista Fernando Martins, um homem de empreendimentos e obras acabadas, que lutou imenso para impor e concluir esse projecto de grandiosidade, mais tarde imortalizado nos anais da FIFA, com a enchente da final do Mundial de Sub-20 de 1991.
Ao tomar conhecimento do óbito do último grande presidente do Benfica não podia deixar de me lembrar das suas complicadas relações com a imprensa, com este jornal em particular. Lembrei-me da célebre esplanada para onde íamos desterrados, os insubmissos, e desse traço de carácter de líder centralizador e atento que assinava pelo próprio punho as credenciais de imprensa.
Não se pense, porém, que o homem, o mestre de cerimónias, o anfitrião por excelência, o relações públicas exemplar, talvez o maior hoteleiro português do século passado, violava os seus princípios de promotor de encontros e relações cordiais, por não gostar do que lia na imprensa.
Nunca tive uma discussão com ele e nem me posso queixar de que me tenha mandado perseguir, insultar ou mal informar. Pelo contrário, só recordo momentos de cordialidade e respeito, alguns de muito boa disposição, como alguns célebres jantares dos presidentes em Zurique, antes dos sorteios da UEFA, ou aquela expedição à América do Sul para contratar Careca e Menotti, quando em pleno lobby do Copacabana Palace nos explicava como escondia os dólares enrolados num saco de plástico por dentro dos calções de banho para iludir os assaltos no calçadão.
Muitos outros tentaram e continuarão a tentar condicionar o trabalho dos jornalistas. Nunca me queixarei disso, pois considero-o um osso do ofício, fruto de uma cultura e de uma educação marcadas pela ausência de liberdade, e habituei-me a enfrentar essas contrariedades com a mesma bonomia e boa disposição com que há 25 anos íamos ver os jogos na esplanada do Estádio da Luz, sujeitos à pressão dos adeptos.
Nem nessa ocasião extrema, Fernando Martins cortou as pontes para o entendimento, que surgiria mais tarde, tal como aconteceu com os presidentes do FC Porto e do Sporting, como nenhum outro conseguiu nestas três décadas. Por isso, só se pode dizer que perdemos um grande homem, um grande industrial, um referencial para o dirigismo desportivo dos nossos dias."

Visita obrigatória...

Depois dos funcionários, depois da inauguração institucional, depois das Casas do Benfica, hoje, abriu aos sócios, adeptos, e ao público em geral, o Museu Cosme Damião...
Pessoalmente, só lá para Setembro é que terei a oportunidade de fazer a visita, até lá só fotos, e vídeos!!!

Fernando Martins

Que descanse em paz... não foi unânime durante a sua presidência - no Benfica, ninguém é !!! - privilegiou o cimento, com o fecho do 3.º anel, mas a nível nacional a equipa nunca deixou de dominar (recordo que no pós-Fernando Martins a mensagem passou a ser o Benfica Europeu, em contraponto ao que acontecia antes...!!!), apoiou-se no mercado Brasileiro, e Escandinavo (Born Lantz), recebeu um clube praticamente sem dividas, deixou algumas... mas de todas as decisões, a amizade com o Corrupto-mor, é aquela que ainda hoje alguns Benfiquistas não lhe perdoam... Mas analisando os anos que esteve à frente do Benfica, o balanço é claramente positivo, a estatística não engana (2 Campeonatos (+1 que foi essencialmente de Ferreira Queimado; +1 que acabou por ser de João Santos), 4 Taças de Portugal, e uma final da Taça UEFA), tudo em 6 anos.


Museu e memória

"Um museu vive de recordações mas sabe que, a cada momento, o presente nos lega mais taças, mais conquistas, mais excelência.

1. Um dos grandes nomes da literatura contemporânea, Jorge Luís Borges, escreveu que «a memória é o essencial, visto que a literatura está feita de sonhos e os sonhos fazem-se combinando recordações». Na passada sexta-feita foi inaugurada a casa da memória do Benfica, o Museu Cosme Damião. Ao percorrer aquele excelente e atractivo espaço, no meio de campeões únicos e que ergueram bem alto o nome do Benfica, vibrei com o passado, reconheci o presente e assumi o futuro. Futuro que nos provoca, em cada instante, uma multiplicação de sonhos. É que os sonhos fazem-se, sempre, combinando recordações. Um Museu como este é, tem de ser, um museu vivo. Vive de recordações mas sabe que, a cada momento, o presente, este presente, nos lega mais taças, mais conquistas, mais referências, mais instantes de excelência.
O Museu é um marco na história do clube. E Luís Filipe Vieira, Alcino António e a extraordinária e competente equipa liderada pelo António Ferreira merecem público reconhecimento e sentido agradecimento. Este Museu passa a ser um local de visitação. De todos os benfiquistas e de todos aqueles desportivas e não desportistas que querem conhecer a história de um dos grandes clubes da Europa e do Mundo. É um projecto que enobrece o Benfica, que nos ajuda a combinar todos os elementos que nos são proporcionados com a história contemporânea de Portugal com os grandes e exaltantes momentos de um clube de orgulho ecléctico. E, no final, sentir o voo da águia, isto é, um filme lindo que em mil segundos nos leva a percorrer um século! De história e de estórias! É um bem essencial. Neste tempo em que há tantos homens - e mulheres - que deixam de ter memória ou que, por circunstâncias várias, suscitam um apagão, decerto bem temporário, da sua memória!

2. (...)

3. Apesar da crise não deixamos de ter notícias de múltiplas contratações de jogadores. Portugal e a nossa regulamentação desportiva permite a múltipla contratação de jogadores não portugueses. As leis e os princípios europeus e a igualdade de direitos entre brasileiros e portugueses permitem que a nossa liga seja um liga bem aberta. Singularmente aberta como já percebeu a indústria internacional de intermediação de jogadores, em particular aquela relacionada com os múltiplos e bem diferentes futebóis sul-americanos e com o conjunto de clubes que, nesses territórios, só são de formação. Mas é, igualmente, a nossa Liga, uma liga vitrina. Aqui muitos jogadores exibem as suas imensas qualidades e são, quase de imediato, projectados para as outras ligas mais ricas. Em parte, e em certos casos, somos cada vez mais uma liga barriga de aluguer. O que também se evidencia com a chegada de certo tipo de investidores, bem desconhecidos, a alguns clubes - agora sociedades - de Portugal. Que, no entanto, se não forem objecto de dfiscalização e controle podem provocar os sarilhos que atingem, dolorosamente, o Beira-Mar. O Beira-Mar clube a partir da Beira-Mar, SAD. E, neste âmbito e nesta sede, importaria reflectir acerca de mecanismos de controlo que poderiam ser suscitados em sede de Liga profissional de clubes e, até, no âmbito de um poder de superintendência da Federação Portuguesa de Futebol.

4. No Europeu de sub-19 que se está a disputar na Lituânia procuramos, amanhã, a presença na final desta competição. Defrontamos a forte selecção da Sérvia. E já sabemos, agora, e em razão do Benfica e de algumas das suas recentes e promissoras contratações, a qualidade do futebol sérvio. Razões para que a selecção liderada por Emílio Peixe tenha todo o cuidado e não ignore, desde o apito inicial, os jovens futebolistas da Sérvia. Por cá, e nos jogos particulares que o Benfica vem disputando, já nos apercebemos do perfume sérvio. Perfume que nos pode proporcionar muitos sorrisos e muitas alegrias nesta época desportiva que oficialmente acaba de arrancar.

5. (...)

6. (...)"

Fernando Seara, in A Bola

domingo, 28 de julho de 2013

7 Campeões Nacionais...

No 2.º dia dia dos Campeonatos Nacionais Individuais de Atletismo, confirmaram-se as previsões, e os atletas ainda sem os Mínimos para os Mundiais, ficaram definitivamente de fora. Mas pelo caminho, conseguimos mais alguns títulos nacionais:
Eva Vital (13,52s), nos 100m barreiras - nas meias-finais a Eva fez o seu recorde pessoal com 13,29s -; o Paulo Conceição (2,16m), no Salto em Altura; o Rasul Dabó (13,57s), nos 110m barreiras, o Yazaldes Nascimento (21,00s), nos 200m; o Jorge Paula (50,47s), nos 400m barreiras; o Miguel Moreira (1:51,18 min), nos 800m; e o Nelson Évora (16,41m), no Triplo-Salto...
Se no caso do Nelson Évora e do Jorge Paula, as recentes lesões já faziam prever este desfecho, no caso do Rasul, foi por muito pouco, fez vários tempos, muito perto da marca necessária, mas não conseguiu... O Nelson terá para o ano, a época decisiva, para saber se ele pode voltar a saltar nos 17 metros altos, e assim lutar pelos grandes títulos.

Assim, no conjunto dos dois dias o Benfica conseguiu 17 títulos individuais, em 42 provas, sendo que a ausência do Alberto Paulo nos 3000m obstáculos, e o abdicar das estafetas (excepção aos 4x100 femininos) retirou pelo menos 3 títulos certos ao Benfica (nos 4x400m femininos o Sporting é mais forte)... A Rafaela Vitorino no Heptatlo, talvez devido à inexperiência, não pontuou no Salto em Altura e no Dardo, tendo nos 800m feito uma marca muito abaixo das suas possibilidades, sem as duas pontuações 0, teria muito provavelmente ganho!!!

Toni

Não é a obra... é mais uma obra

"Afirmou Luís Filipe Vieira, ontem, dia da inauguração oficial do museu Cosme Damião, em homenagem a um dos fundadores e das mais relevantes figuras da história do clube, estar perpetuado o ponto de partida da maravilhosa aventura iniciada há mais de cem anos e que gerou a instituição Sport Lisboa e Benfica, de que se conhece apenas, além da grandeza e do prestígio universalmente reconhecidos, o ano e o dia em que tudo começou, 28 de Fevereiro de 1904, o tal ponto de partida a que se refere Vieira, porque o de chegada, como sublinhou, ninguém alcança: haverá Benfica enquanto houver Mundo...
Com uma lágrima a espreitar no canto do olho, como canta o angolano Bonga, também ele atleta de sucesso do emblema da águia, o presidente benfiquista, com a humildade de um homem simples, vê neste museu a obra mais apaixonante desde que chegou à presidência. A última, para quem ainda tem memória neste País. Para trás, ficaram a reconstrução de um clube destroçado, as árduas batalhas que foi preciso travar para devolver-lhe o respeito e a credibilidade, a estabilização financeira, o centro de treinos do Seixal e a edificação do novo Estádio da Luz, escolhido pela UEFA para palco da final da Liga dos Campeões no próximo ano. Falta-lhe a chamada terceira fase da sua enorme empreitada: reconquistar a liderança futebolística e recolocar a equipa no patamar da década de 60. O problema é que Vieira é só presidente; não treina...
Ontem, assinalou-se uma data de especial significado na vida do maior clube português. O Governo esteve representado pelo ministro Marques Guedes. O primeiro-ministro, apesar de convidado em devido tempo, expressou a sua indisponibilidade, embora tivesse estado no complexo da Luz na quarta-feira, na cerimónia de abertura do Europeu de muaythai, evento por certo mais importante na ideia de Passos Coelho."

Fernando Guerra, in A Bola

Ganhar confiança...

Benfica 2 - 1 Nice

Este é daqueles jogos, que na pré-época, dá confiança, e fortalece o espírito de união no grupo. Começamos bem, muito bem, provavelmente os melhores minutos desta pré-época, e até fomos eficazes, algo muito raro... mas aos 32 minutos, o Artur foi expulso: não condeno a marcação do penalty, na repetição é óbvio que o Artur nem sequer toca no adversário, mas ao vivo, é uma decisão complicada, agora a mostragem do vermelho directo, tem muito que se diga... nestes 3 jogos no Algarve, tivemos três adversários, que fartaram-se dar pau, mas mesmo muito pau, sempre com a complacência dos apitadeiros, que no espírito benevolente da pré-época foram perdoando cartões atrás de cartões... é que nenhum deles, mesmo na pré-época, quer ficar com a cruz de ter supostamente beneficiado o Benfica, é uma marca difícil de tirar, sendo assim contra o Benfica, a benevolência habitual nos particulares, já não conta... quando por exemplo os adversários, lesionam os nossos jogadores, com agressões, como foi o caso do Salvio, é melhor não estragar o jogo!!!!

Foram 60 minutos, de luta, com alguns contra-ataques perigosos, onde conseguimos fechar o caminho da nossa baliza, só por uma vez o Nice esteve perto do empate. Com as cargas de treino elevadas, com 3 jogos competitivos em 4 dias, fazer 1 hora em inferioridade numérica, não foi fácil...
Este jogo reforçou a minha convicção que o nosso bom futebol depende - neste momento -, do Garay, do Matic, do Enzo, do Salvio, do Gaitán, do Marko e do Lima... com o Cortez a subir claramente de rendimento (posicional).
Apesar de não ser tão espectacular como outros, este golo do Marko foi provavelmente o de mais classe que marcou ao serviço do Benfica: 1.º ganhou a bola na garra e na velocidade, e depois um toque de muita classe a desviar a bola do guarda-redes...

Agora, Quarta-feira em Elche teremos mais um teste, provavelmente a última oportunidade para os que ainda não convenceram o treinador, porque depois, com o São Paulo e o Nápoles, a aposta deve ser na equipa que vai jogar com o Marítimo na 1.ª jornada...

PS: Vi algumas partes do jogo da equipa B, contra o Olhanense, e gostei da atitude... daquilo que vi jogámos muito melhor, merecíamos claramente a vitória, o empate já seria um bom resultado para o Olhanense, mas faltou marcar... creio que com a inclusão do Gianni no lugar do adaptado Bruno Gaspar a lateral esquerdo, vai tornar a equipa mais forte.

10 Campeões Nacionais...

No 1.º dia do Campeonato Nacional Individual de Atletismo, o Benfica conseguiu 10 títulos: Liliana Vieira (1,83m), no Salto em Altura; Teresa Carvalho (6,23m), no Salto em Comprimento; a equipa feminina (Eva Vital, Rivinilda Mentai, Susana Santos, Miriam Tavares) nos 4x100m (47,93s); Tiago Aperta (69,88m), no Lançamento do Dardo; Marco Fortes (19,57m), no Lançamento do Peso; Marcos Chuva (7,65m), no Salto em Comprimento; Yazaldes Nascimento (10,44s), nos 100m; António Rodrigues (48,80s), nos 400m; Hélio Gomes (3:41,02min), nos 1500m; e Paulo Pinheiro (14:26,72min), nos 5000m.
Mas mais do que os títulos, este fim-de-semana o mais importante para alguns atletas é a obtenção dos Mínimos para o Mundial de Moscovo no próximo mês, e hoje, as coisas não correram nada bem nesse aspecto!!!

PS1: Pena, o 2.º lugar do do Sérgio Vieira, nos 10 Km Marcha, que perdeu para o seu irmão gémeo por somente 0,15s !!!

PS2: Muita pena, os três nulos da Rafaela Vitorino no Salto em Altura no Heptalto, ficando assim sem marca na prova (100m - 1.ª - 14,61s ; Altura - 6.ª - SM ; Peso - 2.ª - 10,22m ; 200m - 1.ª - 25,94s) 

PS3: A nossa atleta Juvenil Milca Francisco, sagrou-se hoje Campeã Sénior de Angola, nos 400m!!!

sábado, 27 de julho de 2013

Visita guiada ao Museu...



Um grande obrigado ao Alcino António pela liderança neste projecto.

Mais um treino, amanhã temos mais !!!

Benfica 2 - 1 Levante

O Benfica hoje optou pela estratégia do 11 invertido: começou com prováveis suplentes, e terminou com prováveis titulares. Assim acaba por não surpreender a má 1.ª parte. Mesmo assim, exigia-se mais intensidade... Mais uma vez, o relvado estava muito duro (mas escorregadiço...!!!), não facilitava as trocas de bola -  e a nossa equipa exagera nas trocas de bola!!! -, o onze inicial também tinha muitos jogadores novos com pouco entrosamento, mas repito, exigia-se mais... principalmente a dois jogadores: Ola John e Rodrigo.
No 2.º tempo, com a entrada a conta gotas dos titulares, o Benfica começou bem, tivemos alguns minutos de bom futebol, chegámos ao empate, através de um grande livre directo do Lima, mas depois baixámos de intensidade, não sei se por cansaço devido às cargas físicas habituais da pré-época, ou por outra razão qualquer - o Melga e o Nico tiveram que sair lesionados, o que obrigou adaptar o André Gomes a defesa-direito -, nos últimos minutos, notei, que a equipa queria mesmo ganhar o jogo , e acelerou os processos - nestes jogos treino os últimos minutos costumam ser para encher chouriços!!! - as 'não-vitórias' nesta pré-época têm sido usadas como pressão extra sobre a equipa - e o treinador -, talvez por isso a equipa tenha mostrado algum inconformismo com o empate, e assim com alguma fortuna - e aselhice do defesa que fez o penalty sobre o Salvio!!! -, chegámos à vitória...

Confesso, que nunca gostei muito destes calendários com jogos em dias consecutivos na pré-época - contra adversários de nível elevado, porque contra equipas amadoras a música é outra... -, até porque o Jesus não costuma variar muito os jogadores mais utilizados, hoje, talvez tenha sido a primeira vez que a rotatividade foi efectiva, amanhã com o Nice vamos provavelmente ter uma equipa mais parecida com a que jogou com o Peñarol...
Continuamos a ter que melhorar nos processos defensivos, o Benfica em condições normais é uma equipa bastante pressionante, que tenta defender alto, sem frescura nas pernas, isso fica difícil, e depois quem fica mal na fotografia são os 4 defesas... Dito isto, o Jardel não podia ter-se deixado antecipar no golo do Levante.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Marcos para a História

"Os atletas e as marcas - além das medalhas, dos troféus e dos ícones, representam chaves da Verdade com que o Benfica construiu o MUSEU COSME DAMIÃO, que hoje abre oficialmente as portas para o Futuro. Trata-se, sem dúvida, de um dos mais relevantes empreendimentos de todos os tempos da fantástica vida do Benfica, à dimensão de todas as realizações maiores da nossa história.
Conte nisso as sucessivas primeiras utilizações dos precários campos das Salésias, às Amoreiras; da compra da velha sede do Jardim do Regedor em 1934, ao novo Estádio da Luz construído a pulso pelos próprios sócios e inaugurado em 54, ou à estreia da luz, na Luz, em 58, e ao posterior fecho do 3.º anel em 85.
E agora, na era moderna, sob o pulso do Presidente Luís Filipe Vieira, a coroar a impressionante consolidação do património do Sport Lisboa e Benfica iniciada em 2003, com o levantamento do imponente conjunto da nova Catedral e os seus Pavilhões e Piscinas; depois da abertura do Caixa Futebol Campus, em 2006 e da inauguração da Benfica TV em 2008, além de todas as pioneiras trilhas de inovação e tecnologia subjacentes a um grupo empresarial estruturado para a conquista do Futuro, e precisamente no mesmo mês em que foi dada a segunda vida à televisão do Benfica, finalmente ai temos o admirável MUSEU BENFICA COSME DAMIÃO!
Nos tempos que correm, em Portugal, quando tantas vezes e em tão difíceis circunstâncias, se nos depara o sistemático desprezo pela lições que a História nos deixou, este exemplo de como o Benfica preserva a sua Memória, ao mesmo tempo que constrói um sólido presente estrutural, constitui um poderoso grito de alma, uma fascinante afirmação de amor próprio e representa um tributo do respeito que nos merecem aqueles que em cento e nove anos de história têm construído a grandeza do Glorioso.
Na nossa nova Casa de Memória, nada escondemos. Tudo está à vista: não se ignorando nem os mais humildes, nem os nossos mais distintos heróis e factos, também não foram esquecidas as respectivas circunstâncias. Tudo ali está exposto com critérios de rigor e com o envolvimento adequado a cada ícone, num ambiente de inovação, tecnologia e constante interactividade que só encontramos nos maiores e mais modernos museus do Mundo.
Ao contrário do que se passa com os nossos antagonistas mais badalados a sul e norte, ao sol nado e ao sol posto, nós só temos de que nos orgulhar. Só razões genuínas para sentimos honra e vaidade, por um passado limpamente construído sócio e sócio, jogo a jogo, por atletas e equipas, técnicos e dirigentes. Sempre de acordo com a matriz da Verdade histórica, na qual também cabem, evidentemente, as derrotas e os empates. Pioneiros em mais este campo da identidade só reconhecível aos maiores Clubes do mundo, assim salvaguardamos, de modo exemplar, à vista de toda a gente, os Tesouros da admirável História do Glorioso Sport Lisboa e Benfica. Para Lisboa e para o Mundo inteiro, para o Presente e para todos os Futuros que havemos de viver com as mesmas certezas do Passado."

José Nuno Martins, in O Benfica

PS1: O Nelson Évora, nosso Campeão Olímpico - e do Mundo -, resolveu oferecer ao Museu Cosme Damião, a sua medalha de Ouro Olímpica, conquistada nos jogos de 2008 em Pequim. Um gesto bem representativo do Benfiquismo do Nelson... à Campeão!!!

PS2: Nos últimos dias - e horas - acompanhei com alguma curiosidade os comentários no Forum Ser Benfiquista - para o bem e para o mal o mais representativo do universo Benfica -, no tópico do Museu. Eu sei que o dito sitio, é em toda a Net, o local onde mais se insulta os jogadores, os técnicos e os dirigentes do Benfica!!! Mas ainda pensei que o Museu poderia ser a excepção... Erro meu!!! A falta de respeito pelo Benfica, por parte daqueles que se dizem Benfiquistas, é absolutamente nojenta... O Benfica continua a ter adeptos a mais. Hoje, no dia em que se inaugura o Museu, baptizado com o nome de Cosme Damião, temos um grave problema de falta de cultura Benfiquista... podem-me dizer que é uma minoria, que não passam de troll's cobardes, não me interessa, o problema continua a ser grave... quem não compreender o significado e a importância deste projecto, não percebe o que é ser do Benfica. Isto independentemente de gostar do Presidente ou do treinador, ou dos jogadores...

Cosme Damião

"É este o nome escolhido para designar e encabeçar o Museu do Sport Lisboa e Benfica... e, com franqueza, dificilmente poderia ser outro!
Cosme Damião é Mística.
Cosme Damião é Benfica.
Cosme Damião é gloria e Glorioso.
Cosme Damião encerra em si mesmo, extrapolando como nenhum outro, o que é Ser Benfiquista... O ter na alma a chama imensa das papoilas saltitantes, cantado por Luís Piçarra e sentido, na alma e no peito, por todos nós... arrepiante como só nós sentimos.
Cosme Damião é exemplo. Cosme Damião é entrega, abnegação, serviço em prol do que se ama... o nosso Benfica, o Benfica de todos, todos nós.
Cosme Damião sonhou... e do sonho se fez Benfica, se fez Luz, a luz que na nossa Luz ainda hoje, diariamente palpita, jorra e vibra. Sentimentos...
Cosme Damião é uma - a(!) - das figuras mais emblemáticas do Sport Lisboa e Benfica, a quem dedicou grande parte dos seus 62 anos de vida: fundador, jogador, técnico, dirigente e capitão... só nunca quis ser presidente.
Os seus valores, princípios e forma única de estar na vida encarnam, encerram e diluem-se no próprio Clube... Num Benfica intemporal, de sempre e para sempre.
Mais do que uma homenagem, um obrigado profundo, sentido tal abraço apertado... O Museu Cosme Damião é inaugurado hoje, dia 26 de Julho.
Nesta edição assinalamos esta data de forma especial, tão especial como a própria. Esta 1.ª Página, uma cópia quase fiel da 1.ª Página de vida do nosso Jornal datado de 28 de Novembro de 1942, honra todos aqueles que, pelo seu passado brioso, fizeram com que o hoje, presente, nos orgulhe e guie rumo a um futuro que é já ali..."

Sónia Antunes, in O Benfica

Uma obra pelo futuro

"Cumpre-se, com a inauguração do Museu Cosme Damião, mais do que uma promessa presidencial, um anseio de todos os benfiquistas. Temos os nossos alicerces bem cimentados numa História de que nos podemos orgulhar. Sabemos quais as nossas origens e temos a noção de que sem elas seríamos uma massa desenraizada e condenada ao efémero. A nossa perenidade vive num permanente anseio de futuro quase messiânico e numa evocação orgulhosa do passado. Fomo-nos construindo Benfica, agindo com os diferentes tempos. Soubemos, na sociedade, ser resistência quando os tempos queriam obrigar o país à modorra passiva. De igual forma sabemos dizer “não” à corrupção desportiva quando os tempos no-la apresentam em apitos ameaçadores em tons de dourado. Pelo meio somos vitórias, cicatrizes, dores, sorrisos, luta e resistência.
Tudo isto teria de estar presente no nosso Museu. Não poderia ser um depósito brilhante de troféus e ‘memorabilia’. Teria de ser um espaço que nos remetesse para o Benfica como agente do seu tempo e para os benfiquistas como alma do Clube. Ao visitar o Museu percebemos bem que estes anseios estão lá orgulhosamente cumpridos. Simbolicamente, podemos vê-los naquele corredor que permite a subida ao primeiro andar, aquele momento em que visualizamos o Benfica como uma realidade bem maior do que um clube; aquele momento em que sentimos que o Benfica se construiu construindo o tempo, o seu tempo. O tempo que, através do Benfica, é o nosso tempo e que podemos e devemos viver e reviver, em sucessivas visitas, para que nos inspire a construir o tempo futuro do nosso Benfica."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

La última sonrisa de Miklos Fehér

"Hace un par de semanas viajé a la siempre cálida y acogedora Lisboa ("quem nâo viu Lisboa nâo viu coisa boa") para hablar sobre proyectos editoriales con Prime Books, uno de los sellos más importantes de temática deportiva, cuya implantación en nuestro país es cada día más significativa.
Tardé en llegar a la capital portuguesa menos que a Barajas. En el aeropuerto de Portela me recogió Jaime Abreu, dueño de la editorial, con su porte de gentleman y su cordialidad de amigo. Comimos en el restaurante del estadio del Benfica, un recinto esplendoroso, radiante de color y de luz, como su propio nombre indica. Con unas inmejorables vistas al terreno de juego (sede de la próxima final de Champions), conversamos brevemente con Rui Costa y después compartimos mesa y mantel con Joao Gabriel, cerebro del club y hombre de máxima confianza del presidente Luis Filipe Vieira, y con Luis Miguel Pereira, periodista y escritor, brillante en ambas facetas.
Como atención especial, tras los postres Gabriel nos invitó a recorrer el Museo del club, bautizado en honor de Cosme Damiâo, un fabuloso escenario de vanguardia, con una interactividad y un patrimonio abrumador. Recorrimos pausadamente el edificio, moderno, imponente, al mismo tiempo que atravesábamos la historia del club, de la ciudad... de la humanidad.
De repente llegamos a una vitrina que nos estremeció. Allí estaba, hecha jirones, rota con la violencia de una situación límite, la camiseta roja que portaba el húngaro Miklos Fehér la triste noche que el corazón se le paró a él y se nos partió a todos, sobre el césped de Guimarães.
Me vino a la mente el profundo sentimiento de tristeza que me produjo aquel episodio, en enero de 2004. Y recordé también la portada del periódico A Bola del día siguiente.
Había cientos de imágenes sobrecogedoras, algunas muy duras, otras muy impactantes, para elegir. Pero los compañeros del rotativo luso, en un ejemplo de elegancia, sensibilidad y delicadeza, escogieron para la capa una foto de Fehér sonriendo, momentos antes del fatal ataque cardíaco. Bajo esa imagen amable y tristísima a la vez, titularon: 'La última sonrisa de Miklos Fehér'.
Me pareció un homenaje solemne y perfecto. Una manera emotiva y cálida de contar la noticia sin entrar en morbosas y dolorosas recreaciones. Desecharon las imágenes del futbolista tumbado, de los intentos por reanimarle, de sus compañeros llorando y rezando sobre el césped y optaron por mostrarle sonriendo. Para que todos le recordásemos así.
Hoy he visto en algunos periódicos fotos muy duras del accidente de Santiago. Y me he acordado de aquella portada. No es mi intención criticar, simplemente quiero dar mi opinión: cuando la muerte, traicionera, se cruza en el camino, algunos no necesitamos comprobar la crudeza de su guadaña en imágenes perturbadoras: Prefiero recordar a las víctimas con una sonrisa en el rostro. 
Y créanme: duele igual.
Mi abrazo desde aquí para todos los afectados por tantas vidas rotas."

É muito mais o que não se vê

"O ano de 2013 ficará marcado na vida do Sport Lisboa e Benfica pelo novo projecto da Benfica TV (concorde-se ou não com a estratégia de Luís Filipe Vieira) mas sobretudo pela inauguração do Museu Benfica Cosme Damião, que levará hoje ao complexo da Luz a chama e a alma da mais importante, popular e marcante instituição desportiva portuguesa do último século. E quanto ao museu, nenhuma dúvida: se é obra de Luís Filipe Vieira, que nunca deixou de perseguir o sonho real de a ver erguida, que divida, no mínimo, os louros nos órgãos sociais com o seu vice-presidente Alcino António, um dos mais antigos dirigentes encarnados da actualidade, que em meados da década de 80 deu na velha Luz os primeiros passos de uma impressionante mas sempre discreta dedicação ao clube, impossível de ignorar agora que o Museu Benfica Cosme Damião se abre, por fim, ao País com a sua vincada assinatura, à frente, é certo, de uma equipa - chefiada pelo incansável, profissional e muito talentoso António Ferreira - que conheci no dia em que A BOLA e A BOLA TV puderam testemunhar o que a partir de agora todos os olhos poderão ver.
O Museu Benfica Cosme Damião é o grande compromisso da Direcção de Filipe Vieira com o passado, com a memória e com a história do clube, mas é sobretudo o grande compromisso do Sport Lisboa e Benfica com o futuro. Não se trata apenas de mais uma exposição de algumas centenas de troféus; não se trata apenas de exibir memórias desportivas de glória como se tudo se resumisse a vencer. O Museu Cosme Damião é aliás muito mais o que não se vê. E vê-se muito mais do que a história do Benfica.
É um Museu de Portugal!"

João Bonzinho, in A Bola

Hoje é dia de Cosme Damião

"É inaugurado hoje o Museu Cosme Damião, paredes-meias com o Estádio da Luz. São 109 anos de história do Benfica enquadrados na sociedade portuguesa e mundial desde 1904 a que os visitantes terão acesso, numa viagem trepidante, susceptível de não deixar ninguém indiferente.
Haverá várias formas de olhar este novo espaço de referência do universo encarnado. Poder-se-á dizer que quem não respeita o passado não terá futuro; também é possível olhar o Museu Cosme Damião como uma galinha dos ovos de ouro que gerará riqueza suplementar; pensar-se-á no fortalecimento do ego benfiquista após uma visita ao Museu do clube; e até não faltará quem questione o investimento que foi ali feito, uma obra que mistura arquitectura, história e era digital, como não há outra em Portugal, que coloca o Benfica na vanguarda mundial, sem medo de pedir meças a todo e qualquer grande clube.
Primeiro foi o estádio, depois o Caixa Campus do Seixal, a Benfica TV que caminha para os 100 mil assinantes e agora o Museu Cosme Damião. O património do Benfica tem crescido na era Vieira e a ideia que fica é a de um clube que se prepara para os desafios do futuro. Faltarão títulos, no futebol. É verdade, o investimento feito e a qualidade dos plantéis dos últimos anos justificavam mais. Mas o rumo global do Benfica está traçado e apenas erros de casting poderão atrasar um sucesso desportivo com outro fôlego.
PS - Por falar em erros de casting, salta à vista que, das duas uma, ou o Benfica mantém Cardozo, ou terá de encontrar outro avançado com as características do paraguaio. No actual grupo às ordens de Jesus não há quem saiba jogar com Djuricic (ou mesmo Markovic...) nas costas."

José Manuel Delgado, in A Bola