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terça-feira, 27 de agosto de 2019

“O Tyrone Mings pisou-me a cara de propósito e mandei a foto para o grupo WhatsApp dos colegas: ‘Continuo mais bonito que vocês’. Sou durão”

"Esta época, Nélson Oliveira rumou ao AEK da Grécia depois de ter jogado cinco anos no Reino Unido, e de ter passado por Espanha e França. Antes cresceu na formação do Benfica, clube do coração onde, segundo ele, nunca teve uma verdadeira oportunidade na equipa principal. Fã confesso de Cristiano Ronaldo, das passagens pela selecção recorda o bom coração de Fernando Santos. Sobre a pisadela na cara de que foi vítima em Fevereiro deste ano, considera que foi propositada, mas garante que é um durão e que os golos bem como as exibições nos relvados vão durar pelo menos até aos 36, 37 anos, se mais nenhum azar lhe bater à porta. E revela como a doença e a morte do pai, o seu verdadeiro herói com quem tinha uma forte ligação, afectaram a sua vida.

Comece por dizer onde nasceu e fale-nos um pouco da sua família.
Nasci em Barcelos, o meu pai tinha um talho, a minha mãe trabalhava na câmara municipal de Barcelos, nas finanças, e tenho um irmão mais novo do que eu cinco anos.

Era um menino bem comportado ou reguila?
Reguila. Como o meu pai tinha um comércio, eu estava lá com muita frequência e, claro, as pessoas metiam-se comigo. Por isso acho que fui tendo uma treta, como se costuma dizer, mais avançada do que os rapazes da minha idade. Chegava um dizia-me uma coisa, chegava outro e fazia uma brincadeira; acabamos por nos tornar um pouco mais reguilas. No infantário, rachei a cabeça de um miúdo mais velho com um carrinho de pista logo na primeira semana (risos). Não é uma coisa muito bonita de contar.

Gostava da escola ou nem por isso?
Gostava, era bom aluno. Sempre gostei muito de matemática, ao contrário dos outros. Por outro lado sempre fui responsável, porque o meu pai fazia-me ver que para continuar a jogar tinha de estar bem na escola. Ele sabia que eu tinha capacidades para ser bom aluno e, então, à mínima falha, se visse que estava a relaxar muito, a não tirar as notas que ele sabia que podia tirar, no mesmo instante deixava de jogar. Por isso, sempre tive cuidado e atenção de ter boas notas. Mesmo quando fui para o Benfica.

Estudou até que ano?
Até ao 12.º. Lembro-me que, no meu primeiro ano no Benfica, tinha 15 anos, era juvenil, fui para o 10.º ano e no centro de estágio os responsáveis disseram que os três melhores alunos seriam ser premiados. Fui um deles e na altura o prémio era escolher uma camisola de um jogador dos seniores. Eu escolhi a do Simão.

Antes de continuarmos com o Benfica, lá em casa, quando era pequenino, torcia-se por qual clube? Benfica?
Sim. O meu pai era muito benfiquista, mas não era fanático, gostava muito de bom futebol. Conseguia ver as coisas com imparcialidade, sem clubismo. O Benfica sempre foi o clube a que me habituei a gostar desde pequeno, muito por influência do meu pai.

Sempre quis ser jogador?
Que me lembre, sim. Mas acho que houve uma altura em que dizia que se não fosse jogador queria ser médico.

Como surge o futebol?
Desde miúdo que andava sempre com uma bola. Quando ia para o talho do meu pai, que ficava por baixo da minha casa, ele às vezes precisava de ir para a parte de trás para fazer outras coisas - como os enchidos, por exemplo - e dizia para eu ficar a olhar pelo talho; e lembro-me que ficava com a bola a jogar contra a parede, sempre a inventar.

Quem eram os seus ídolos?
O meu ídolo sempre foi o meu pai. E continua a ser, apesar de já não ser vivo, infelizmente. Em termos de jogadores de futebol, habituei-me a ver e gostava muito do Arsenal, que eram os “Invencíveis”, e gostava muito do Henry e do Bergkamp, os dois da frente, mais até do Henry porque marcava mais golos (risos).
Quando começa a jogar futebol num clube?
Por volta dos oito, nove anos, no clube de Barcelos, o Santa Maria. É o meu avô que me leva. O meu avô ajudou-me bastante. O gosto pelo futebol veio do meu pai claramente, o meu pai adorava que eu jogasse futebol, só que não tinha tempo para me levar, e o meu avô materno ajudou muito nessa fase porque ia comigo para todo lado. Levava-me sempre aos treinos, depois mudei de clube, do Santa Maria para o Braga com 11, 12 anos e o meu avô também me levava a Braga.

Como é que passa do Santa Maria para o Sporting de Braga?
Começámos a ter um treinador que me punha a jogar muito sobre o lado esquerdo e eu não gostava. Detestava jogar ali, gostava de jogar mais no meio. Gostava muito de rematar à baliza. Mas ele punha-me a jogar do lado esquerdo, dizia que ia ser bom para mim porque eu tinha que melhorar o pé esquerdo e eu não gostava. Hoje, olho para trás e digo que ele tinha razão. Mas na altura não gostava e estava sempre a dizer isso, que não gostava. O meu avô então disse-me: “Vou levar-te ao Braga, vamos lá fazer uns treinos”. E fui. Recordo-me que no primeiro treino joguei de sapatilhas num pelado, nas Camélias acho eu. No final do primeiro treino, o mister Carlos Baptista queria que eu ficasse, disse que tinha qualidade para jogar no Braga.

Fica duas épocas no Braga e depois é emprestado ao Bairro da Misericórdia.
Não sou emprestado. O Braga funcionava um pouco como o FC Porto com o Padroense. Os do primeiro ano de iniciados, sub-14, iam para o Bairro da Misericórdia para poderem jogar também no campeonato nacional. Eu fui para o Bairro da Misericórdia com 13 anos, e jogava já contra o V. Guimarães, o próprio Braga, Famalicão, Gil Vicente, contra todos os que tinham 14 anos. Era bom porque jogava contra os mais velhos num campeonato com dimensão nacional, ganhavas andamento.

Como surge o Benfica?
Fiz uma grande época, fiz 50 e tal golos ou perto disso. O treinador era o Quim Berto e o adjunto que era o mister Miguel. E o mister Miguel trabalhava com o Benfica como observador, na prospecção de jogadores, e deve ter-me indicado ao Benfica. Deve ter dito: “Tenho aqui um miúdo que é bom jogador”. Lembro-me que estávamos a meio da época, mais ou menos em dezembro, e o Benfica, dos três grandes, foi o primeiro a aparecer. Depois, apareceu o Sporting e o FC Porto também, mas em dezembro já tinha praticamente um pré-acordo, já tinha reunido com o Bruno Maruta, que ainda hoje é coordenador da formação do Benfica.

Foram ter com o seu pai...
Por acaso, não. Foi engraçado porque estava a acabar um treino no Estádio 1.º de Maio, era quase de noite, e enquanto estava à espera que o meu pai me viesse buscar, recebi um telefonema da parte do Benfica a dizer que estavam interessados em reunir comigo e que queriam muito que eu fosse para lá. Fiquei eufórico, mas desconfiado. Ainda pensei: “aposto que é um amigo do meu pai a querer dar-me tanga” (risos). Liguei logo para o meu pai a contar e ele: “não, não é tanga, é verdade. Eles também ligaram para mim”. Aí fiquei muito contente, não cabia em mim de felicidade, ainda por cima era benfiquista.

Como foi sair do “ninho” e ir para Lisboa?
Foi um pouco complicado. Deixar os amigos que tinha na escola, os que tinha no Braga, ver a minha família e o meu irmão poucas vezes...Se bem que os meus pais faziam um esforço e eram muito, muito presentes. De duas em duas semanas iam ao Seixal.
Ainda se lembra da primeira noite, sozinho, no centro de estágios do Seixal?
Não fui sozinho. Foram dois amigos meus que jogavam no Gil Vicente e um deles ficou no meu quarto. Isso facilitou bastante a minha adaptação lá em baixo.

Fizeram-lhe muitas partidas quando chegou?
Nem por isso, os mais velhos eram “top”, por acaso tive muita sorte. No centro de estágio éramos como uma família e foram bons tempos. Formaram-me como homem e como pessoa. Éramos muito unidos.

Nunca fugia às regras?
Há uma coisa engraçada. Naquela altura dos 14, 15 anos cresci, era alto, mas era magrinho e tinha um bocado, não era complexos, mas via os jogadores que eram mais fortes e eu queria também ser mais forte. Então, comecei a fazer muito ginásio quando cheguei ao Benfica e lembro-me que era apanhado muitas vezes no ginásio, à noite, pelo senhor Fernando, que já faleceu. Não se podia estar lá depois de uma determinada hora e eu era apanhado.

Era castigado?
Não, porque eu não era mau comportado, nem era desrespeitador e o senhor Fernando tinha sempre uma palavra. Puxava-me um bocadinho as orelhas, mas dizia “não podes ser assim, estás sempre na mesma coisa”, mas nunca me castigava (risos).

Não tem mais histórias desses anos da formação?
Uma vez tentámos simular um assalto ao centro de estágio (risos), a malta toda. Havia lá um dos seguranças que era muito fixe, mas era um bocado chatinho. Eles iam sempre fazer a ronda nos quartos do centro de estágio, abriam quarto a quarto e viam se estavas lá dentro. Eu já era júnior, já estava no 2.º piso. Depois de ele passar às vezes fazíamos barulho de propósito e dizíamos coisas do género “vai-te embora” alto e ele levava aquilo muito a sério, ouvia aquilo e voltava logo para trás. Os outros seguranças não, entendiam que aquilo era uma brincadeira, mas aquele levava muito a sério, começava logo pelo intercomunicador “quarto 201 está aqui a haver barulho e movimento” e mais não sei quê. Parecia que estava na tropa. Então, um dia, planeámos simular um assalto ao centro de estágios. Vestimos os kispos todos do estágio, metemos o carapuço na cabeça e fomos assim para baixo. Veio logo esse segurança à nossa procura porque não estávamos nos quartos. A malta dos juniores foi quase toda, um ou outro juvenil. Ou seja, quando ele foi fazer a ronda aos nossos quartos faltavam para aí uns 15/ 20. Andávamos a simular, a fazer barulhos, para ele ver nas câmaras que havia movimento ao pé do centro de estágio, junto às grades. Claro que não estávamos ali para roubar nada, era só para o preocupar (risos).

O que aconteceu quando ele os encontrou?
Não fomos castigados. E aquele segurança que não levava as coisas muito para a brincadeira, a partir daí relaxou, já não era tão stressado, deixou de ser aquele segurança chato.

Quando começa a ganhar dinheiro com o futebol, ainda é no Braga ou só no Benfica?
É no Benfica. É um contrato de formação onde começo por ganhar, acho que uns 150 euros por mês. 

Lembra-se do que fez com esse primeiro dinheiro?
Não. Nunca encarei aquilo como um salário. Era como se fosse basicamente um subsídio. Graças a Deus nunca me faltou nada, venho de uma família de classe média. Mesmo quando tive o meu primeiro salário profissional, e foram valores bem mais altos, tinha autonomia para comprar o que quer que fosse, não precisava de pedir autorização ao meu pai, mas ele sempre me fez ver que ganhar e ter muito dinheiro não significava que não estivesse sob a alçada dele e não tivesse de respeitar algumas regras que não eram difíceis. Por exemplo, não podia receber 150 euros e comprar o que me apetecesse, não era assim que funcionava. Se eu quisesse comprar uns ténis novos, certamente o meu pai já me os tinha dado antes de eu receber esses 150 euros. Ou seja, não estava à espera de receber aquele salário para comprar o que quer que fosse que não tivesse.
Dos tempos de formação no Benfica, antes de subir a sénior, o que é que o marcou mais?
Quando fui campeão nacional de juvenis. Foi uma alegria enorme, fizemos todos uma grande festa, principalmente a malta do centro de estágio, muitos de nós éramos do norte.

As primeiras saídas à noite foram nessa altura?
Foi mais ou menos nessa altura, nos juvenis, com 15, 16 quando já temos alguma liberdade. 

Lembra-se da primeira vez que saiu à noite?
Não, não me lembro, mas deve ter sido para o Bairro Alto porque às vezes íamos para lá. Mas também não tínhamos assim muita liberdade, sabe. No centro de estágio só começámos a ter mais liberdade a partir dos juniores, porque, até aí, tínhamos de estar até às 23 horas no centro de estágio, muitas das vezes, até antes. Lembro-me que, quando era juvenil B, não podia por exemplo ir ao shopping às nove da noite. Tinha de escrever a pedir autorização ao senhor Fernando e ele depois é que dizia se podia ir. Nos juniores já saía mais. Tínhamos também o limite para estar às onze da noite no centro de estágio, mas se quisesse podia dormir fora algumas vezes. Era outra liberdade que não tinha nos juvenis.

Os primeiros namoros também surgem aí?
Eu já tinha uma namorada quando fui para baixo. Tinha uma namorada de escola. Quando fui para baixo ainda namorei com ela mais um ou dois anos, mas depois com a distância era um bocado complicado.

É chamado a primeira vez ao plantel sénior do Benfica quando e por quem?
A primeira vez, sou chamado pelo Quique Flores, tinha 16 anos, fiz a pré-época.

Não se sentiu pequenino por ir treinar ao lado de figuras como o Nuno Gomes e por aí fora?
Senti-me tímido no balneário, mas depois no relvado havia pouca timidez. Nunca fui muito tímido. 

Houve algum jogador que tenha sido particularmente mais simpático?
Tinha muitos. Sou um grande fã do Nuno Gomes, como jogador, mas ainda mais como pessoa. Quando o conheci nos séniores era exemplar a forma como ele tratava as pessoas, não só os miúdos, mas toda a gente. Era uma pessoa com muita classe. Apanhei o David Luiz que também era espectacular com os miúdos. Lembro-que que às vezes era ele que nos trazia para Lisboa depois do treino.

É chamado pelo Quique Flores, mas não chega a jogar.
Pela equipa principal, não. Fui convocado contra o Nápoles para a Liga Europa. Essa fase foi uma fase um pouco triste da minha vida, que me marcou muito.

Porquê?
Porque coincidiu com o meu auge, o ponto de referência da minha carreira que foi a subida aos séniores, tão novo ainda por cima, tinha feito um campeonato nacional de juvenis espectacular. Tinha 17 anos e fui chamado aos sub -19, lembro-me que fui à selecção com a geração do Romeu Ribeiro, do Miguel Vitor, do Adrien Silva, dessa malta toda. Entretanto, a época culmina com a chamada ao plantel sénior para fazer a pré-época e é quando o meu pai começa a ficar doente. Foi-lhe diagnosticado cancro.

Afectou-o, naturalmente.
Muito, mesmo. Lembro-me que quando fui aos seniores, era um dos melhores jogadores da formação do Benfica, com mais projecção, com mais talento... e acabei por não ficar na equipa principal e baixei para os juniores. Houve até jogos dos juniores que eu não jogava de início. Andava desmotivado, aquilo mexeu mesmo muito comigo. Ainda hoje… É um momento que ainda hoje tenho dificuldade em recordar. Nós achamos que esses problemas só acontecem aos outros e lembro-me que quando vi que era com o meu pai, com a pessoa que eu mais gostava, foi um choque enorme. Não aceitei nada bem aquilo, porque é que tinha que ser o meu pai...

O que se seguiu?
No meu primeiro ano de júnior fiz a pré-época, o meu pai começou a ficar doente, começou a fazer os tratamentos, foi operado...Eram tratamentos muito agressivos, que mudam. Eu às vezes perguntava-lhe se estava bem, mas a partir do momento em que tens isso, é muito difícil ficares bem, porque o bem para ele era poder ir para a praia brincar comigo e a partir do momento em que ele teve a doença ficou muito menos disponível para tudo, muito mais limitado. Ficou uma pessoa diferente. Essa época foi muito complicada; na parte final, recordo-me que arrebitei um bocado, fiz bastantes golos. No segundo ano de júnior, em Janeiro, percebia que aquilo era um nível bastante fácil para mim e que não me estava a dar muita competitividade. Ia alternando seniores/juniores mas também não joguei muito nos seniores, porque foi o primeiro ano do Jesus. Como estava a jogar pelos juniores, onde já levava bastantes golos, senti que não estava a evoluir, pedi para ser emprestado para a Primeira Liga e então em Janeiro fui fazer seis meses ao Rio Ave para ter contacto com futebol profissional.

Como foi a experiência no Rio Ave com o Carlos Brito?
Foi bastante boa porque na minha altura como hoje em dia. Hoje está tudo organizado em termos de formação, em termos de equipas B, mesmo as fases finais, a Youth League que eles jogam é um género de Liga dos Campeões. Ou seja, os miúdos hoje em dia quando passam para um plantel sénior já estão bem mais preparados. Na minha altura havia os juniores e depois ias para os seniores, não tinhas equipas B. Nos juniores eram poucos os jogos competitivos que fazias. O Benfica tinha melhor equipa, então os jogos mais competitivos eram só contra o Sporting e o Porto. Ou seja, foi muito bom para mim ir para o Rio Ave porque me abriu os olhos. Cheguei ao futebol sénior e vi que não tinha nada a ver com os juniores, mesmo o contacto com jogadores mais velhos, com homens, deixei de treinar e de jogar com miúdos como eu era.

O que foi mais difícil?
Dentro de campo, porque a intensidade era diferente, eram jogadores mais batidos com qualidade. Qualidade eu tinha, porque vinha de uma equipa grande e forte, com uma formação onde estavam os melhores jogadores da minha minha idade, só que não tinha a “ratice” que tinham os jogadores mais experientes na Liga.

Foi viver para onde?
Fiquei a viver em casa dos meus pais. Escolhi o Rio Ave precisamente por isso. Por ser perto de onde sou. Como não tinha carta, o meu pai tinha de me levar. Eu era o único que chegava ao treino com motorista, que era o meu pai (risos).

Foi praxado no Rio Ave, fizeram-lhe alguma partida?
Não. (risos). Lembro-me de um episódio com o Gaspar. Ele estava no banho e quando saiu virou-se e disse assim: “Ó miúdo sabes quem é que eu sou? Sou o Gaspar, tens de me vestir as cuecas”. E eu: “Tenho de te vestir as cuecas? Isto não funciona assim. Sou mais novo ok, mas não vou vestir-te as cuecas. Não vou fazer isso. Se quiseres que eu seja praxado com outra coisa tudo bem mas isso não”. E ele: “Está bem miúdo, se fosse ao Rui Costa vestias-lhe as cuecas, ao Gaspar não podes vestir, queres ver” (risos). Ele estava sempre a meter-se com os miúdos, só mesmo o Gaspar para fazer isso (risos).
Na época seguinte foi emprestado ao Paços de Ferreira. Porquê?
Foi o Benfica que preferiu que eu fosse para o Paços de Ferreira, também porque tinha o mister Rui Vitória, que tinha algumas ligações ao Benfica e estava familiarizado com a formação do Benfica.

Foi de bom grado ou foi contrariado?
Fui um pouco contrariado, no sentido em que tinha ambições de ficar na primeira equipa do Benfica. Fiz a pré-época com eles. Na altura era bastante complicado para um jovem da formação ficar no Benfica. As pessoas falam muito da formação do Benfica hoje em dia, é verdade, tem grandes jogadores, mas sempre teve. Na minha altura também tinha. Na minha equipa de juniores tinha o Danilo, que é um dos melhores jogadores do campeonato português e que joga no Porto. O Benfica não aproveitou. Tens o Mário Rui, defesa esquerdo do Nápoles e da selecção, que era do Benfica e o Benfica não aproveitou. Há o meu caso. Posso dar vários exemplos. Naquela altura, era complicado ter uma oportunidade nos seniores ou quando tinhas, era uma oportunidade que não chamo de oportunidade. Oportunidade é como têm agora os miúdos do Benfica. Sai um defesa central e o Benfica não contrata mais ninguém. Saiu o Lindelöf, o Benfica não foi buscar nenhum central, tinha o Ruben Dias e foi o central que eles quiseram. Na minha altura saía um avançado, contratavam outro. Lembro-me que no meu ano, havia Cardozo, Saviola, Rodriguez, Aimar, todos jogadores que jogavam na frente, não optavam muito pelos jogadores da formação.

Estava a dizer que foi contrariado para o Paços.
Sim, fui um pouco contrariado. Mas fui muito bem recebido e gostei muito de estar lá, mas não era aquilo que eu ambicionava naquela altura, porque queria ter oportunidades na primeira equipa do Benfica. Mas foi bom para mim ter ido porque no final dessa época estive no Mundial de Sub 20 e rebentei. Continuou a viver em casa dos seus pais? Sim, tinha a minha casa em Paços onde ficava às vezes, mas eu era muito ligado ao meu pai e, infelizmente, continuaram a aparecer problemas. No meu primeiro ano no Paços, o meu pai foi novamente operado e eu fazia sempre o esforço de ficar em casa. Lembro-me que ia treinar de manhã e quase sempre vinha almoçar com ele, para ele não almoçar sozinho, e depois acabava por ficar por Barcelos e dormia em casa, porque ainda era uma distância. Não vinha de Paços para almoçar com ele e depois ia-me embora outra vez.

Entretanto na época seguinte é chamado ao Benfica pelo Jorge Jesus.
Certo.

O que tem a dizer sobre ele?
Bastante diferente de todos os outros.

Em que aspecto?
Em muitos aspectos. Costumo dizer que o mister Jorge Jesus como treinador, e não tenho problema nenhum em dizer isto, é dos melhores com quem trabalhei em termos de conhecimento do jogo e do futebol, os aspectos tácticos e técnicos. Como treinador, foi dos melhores que apanhei.

E do ponto de vista humano?
Do ponto de vista humano era um bocado... é complicado. Não digo que o mister fosse má pessoa, não acho que fosse má pessoa, também não o conhecia fora do futebol e sempre que lidava com ele, era profissional. Mas acho que, por exemplo, era complicado às vezes para um miúdo, a maneira como ele fala, porque nós não somos todos iguais. Acho que muitos jogadores sentiam-se retraídos com ele. Sentiam-se limitados. Falo no meu caso, ele era muito agressivo a falar e eu sentia-me retraído, sentia que não conseguia jogar… . Depois começas a adaptar-te e a proceder de maneira diferente, mas é um bocado complicado.
Como corre a época?
Faço 23 ou 22 jogos mas raramente jogava de início.

Desmotiva estar constantemente no banco?
Não, não desmotiva, pelo contrário. Para mim quando estou no banco tento trabalhar mais para jogar. Só que o Benfica com o mister Jorge Jesus funcionava completamente diferente. Lembro-me que na altura o Benfica fazia contratações e eles chegavam ali e jogavam à frente de qualquer miúdo, mas não tinham mais qualidade do que a dos miúdos que lá estavam. Tive muitos avançados à minha frente que eram grandes jogadores, mas também tive outros que não eram melhores do que eu, nem de longe, nem de perto. Só que era assim que o Benfica funcionava, principalmente com o mister Jorge Jesus. Lembro-me do Benfica ter contratado o Derley ao Marítimo...E muitos outros jogadores que tinham sempre mais oportunidades, mais crédito do que os miúdos da formação. Da formação ninguém jogava no Benfica, ninguém. Não tinha nenhum titular do Benfica que fosse da formação, no plantel devia ser eu o único, não sei se tinha mais algum. Hoje, olho e digo, se fores miúdo no Benfica não podes estar frustrado porque sabes que só tens de trabalhar bem porque se realmente estiveres a merecer, a tua oportunidade vai surgir. Vimos agora o caso do miúdo que subiu a defesa direito, o Tavares, e o Benfica ganha na mesma. Na minha altura não era assim, sentias-te um pouco desmotivado e frustrado porque sabias que quer faça, 30, 50 ou 100, vou ter sempre menos oportunidades do que os outros. Mas um jogador tem de saber lidar com o estar no banco e o facto de ter que trabalhar mais para jogar.

Na época seguinte tem a primeira aventura fora. É emprestado ao Deportivo da Corunha. É o Nelson que pede, é o Benfica que quer?
É o Benfica que quer. Para ver a diferença, eu nessa altura venho de fazer o Europeu com a selecção nacional, o Euro 2012 em que chegámos às meias finais. Ainda fiz uns quatro jogos. Nas meias-finais entrei aos 80 minutos e joguei o prolongamento todo contra a Espanha. Joguei contra a Holanda, joguei contra a Alemanha. Foi uma experiência completamente diferente, foi estar ali onde está a nata toda de Portugal, os melhores jogadores, incluindo o Cristiano. Quando fui chamado para ir tinha uma curiosidade enorme para ver como era o Cristiano.

Então e que tal?
É um craque. Merece tudo o que tem e mais ainda, porque é diferente. Para o que ele conquistou até acho que é pouco vaidoso. Acho que ele está claramente num patamar que nós portugueses esquecemos de valorizar. A grandeza do que o Cristiano fez e continuar a fazer todos os anos, acho que às vezes não compreendemos bem. Não compreendemos que temos um jogador que é cinco vezes Bola de Ouro. Quando dizem, “ah, está a ficar velho”, não está. Ano após ano, surpreende. Tem uma mentalidade, uma capacidade de trabalho acima da média. Quando o conheci foi um prazer enorme, foi muito bom e melhor ainda foi ver o grande exemplo que ele é. Como se continua a auto-motivar, a querer sempre mais e ser melhor. Acho que a palavra que melhor o define é o exemplo. Acho que ele devia ser o exemplo para todos os jovens. Se tu queres ser jogador, o jogador em que te deves focar é nele. É o jogador em que qualquer jovem se deveria focar.

Foi praxado na selecção?
Na minha altura ainda não se fazia isto de cantar, era só o discurso que para mim é bem mais fácil. Fiz um discurso. Mas claro que faziam sempre mais qualquer coisa. A seguir ao jantar, às vezes a malta ia até à sala dos jogadores, ou até um quarto ou outro e eles tentam arrastar-te para um quarto sem te dar a entender, e eu como sou muito distraído facilmente entrei no quarto que tinha de entrar e depois caíram todos em cima de mim à pancada com almofadas. Era a praxe que faziam, levas ali um apertozito e pronto, nada de especial, tudo sempre na brincadeira.

Foi chamado a primeira vez pelo Paulo Bento. Que tal como treinador?
Estou-lhe agradecido por ter dado a oportunidade de me estrear pela selecção. É bom treinador. Não tenho assim mais grande coisa a dizer sobre ele.

Voltemos à ida para o Deportivo. Vai sozinho ou com alguma namorada?
Vou para Espanha numa altura em que me estava a separar da minha ex-namorada. Vivi sozinho em Espanha.

Como foi essa experiência?
Aí sim foi a primeira vez que tive de cozinhar em casa algumas vezes (risos). Apesar de não ser muitas porque estavam bastantes portugueses no Deportivo e íamos muitas vezes jantar juntos.

Como foi a adaptação ao futebol espanhol?
Foi boa, mas não foi um bom ano para mim. Acho que foi o pior ano da minha carreira.

Porquê?
Por tudo. Não joguei muito, o clube era uma desorganização total, fiquei seis meses sem receber salário. Primeira vez fora, não correspondeu às minhas expectativas. Descemos de divisão, não foi nada bom. Fiquei bastante desiludido.
A seguir foi para França, para o Rennes.
Sim, porque quando estive na Corunha, no último jogo da época contra a Real Sociedad, o treinador da Real Sociedad, Philippe Montaine, ia assinar pelo Rennes. A R. Sociedad ficou em 4.º lugar, fez um bom campeonato. Ele vem falar comigo no final do jogo e diz-me que quer levar-me, que gosta muito de mim, apesar de eu não ter jogado muito, o que joguei chamou-lhe à atenção. Eu disse que tinha de falar com o Benfica e resolver as coisas com o clube. E assim foi.

Falava francês?
A adaptação foi bastante boa porque fiz lá amigos que para mim são uma família. Ainda hoje vou a Rennes. Foi engraçado. No primeiro dia, estava chegar ao centro de estágio para fazer exames médicos e assinar contrato e depois fomos almoçar a um restaurante lá ao lado. E quando estamos para ir almoçar, vi um português que me pediu uma foto. Tirou uma foto comigo e foi embora. Durante a semana, uma pessoa no clube diz-me que há uma portuguesa em Rennes, presidente da associação da comunidade portuguesa, que me quer conhecer. Eu disse ok. Fui conhecer a senhora e o marido dela e quem era o filho deles? O rapaz que tinha tirado a foto comigo. E a partir dali criámos uma amizade, eu estava sempre com os filhos dela, que são quatro. Ela diz que tem cinco agora, porque eu sou um dos filhos dela (risos). Por isso a adaptação foi fácil. Era um grande apoio. Era capaz de ir jantar duas ou três vezes com eles durante a semana. Ia sair com os filhos deles, era como se fosse a minha família.

E o futebol: muito diferente do português e do espanhol?
Diferente, mas correu bem. Fiz uma primeira metade da época muito boa. Depois começaram a aparecer problemas físicos. Tive uma pubalgia bastante acentuada e na segunda metade da época não joguei assim tanto como queria. Mas, no global, foi um ano bastante bom. Fiz nove golos numa liga competitiva como a francesa. Fiz amigos. Foi um ano em que posso dizer que fui feliz.

Nos tempos livres o que fazia? Jogava playstation, via séries ou filmes?
Ver séries ou filmes só se estiver mesmo sem nada para fazer. Sou muito mais de ir jantar com amigos, ficar na conversa. Coisas mais palpáveis, não tão eu e uma televisão. Gosto mais do convívio. Lembro-me que, em França, íamos algumas vezes jogar bowling. Ia andar de kart também. Um dos filhos dessa senhora andava bem em karts e havia um outro português que tinha uma pista e nós íamos para lá. Nunca fui de ficar em casa a jogar playstation. Gosto de jogar playstation se estiver em estágio com outros jogadores em que jogamos uns contra os outros para passar o tempo. 

Na época seguinte volta ao Benfica mas por pouco tempo.
Sim, venho seis meses para o Benfica,tive poucas oportunidades outra vez e fui para Inglaterra. Porque quis ou porque o Benfica quis? Quando um jogador vai emprestado é sempre porque as duas partes querem. Acho que é uma vontade mútua. O Benfica queria que eu fosse emprestado, porque assim não precisava de estar a pagar os meus salários, e eu também queria porque não estava a fazer nada ali, também não tinha oportunidades.

Foi para o Swansea City. Como foi o primeiro impacto no País de Gales?
Foi bom. Já não fui sozinho, porque pelo meio conheci uma bela mulher que hoje em dia é minha esposa.

Conheceu-a onde e como?
Em Portugal. Ela é de Famalicão. Chama-se Melanie, nasceu em França porque os pais são emigrantes. Tínhamos amigos em comum e eu já a conhecia de vista. Quando estava em França comecei a falar com ela, porque encontrámo-nos num jantar de amigos. Sempre fui muito ligado ao meu pai, ao meu irmão, à minha mãe também, mas mais ao meu pai, e sempre que fui para fora tentava vir com frequência visitá-los. Lembro-me que quando fui para o Corunha, todos os fins de semana ia a casa, ainda por cima a Corunha é perto de Barcelos, duas horinhas. Em França, igual. Sempre que tinha oportunidade ia a Portugal.
O que faz ou fazia a sua mulher, profissionalmente?
É gestora de empresas. Tem o curso de gestão. Trabalhou num banco, quando eu ainda estava no Benfica e depois foi comigo para o Swansea. Costumo dizer que a minha mulher foi um anjo que veio ajudar-me a ficar melhor em todos os aspectos. Porque eu estava ali numa fase um pouco... Em França fui feliz e tive suporte mas estava numa fase um pouco sem rumo. Como já expliquei, a doença do meu pai afectou-me bastante. Estou-me a repetir mas aquilo afectou a minha personalidade, a minha vida, faltava-me um apoio. Se não estivesse doente, o meu pai iria ter estado muitas mais vezes em Espanha, muitas mais vezes em França, muitas mais vezes em todo o lado. A minha mulher ajudou-me a ficar mais calmo, mais estável, porque...Não tenho problema nenhum em admitir que, por exemplo, quando estava no Corunha, saía muitas vezes e não tinha uma vida digamos que...

Exemplar?
Exemplar, sendo jogador de futebol. Embora todos os jogadores saiam, quem disser que não teve essa vida não está a ser muito sincero. Foi uma fase em que saía bastante, mas o clube, o ano proporcionou-se assim. Não estava feliz, salários em atraso, o meu pai doente, as coisas não estavam a correr bem no futebol. Lembro-me que tinha jogo ao sábado, acabava o jogo, e porque tinha folga no domingo e na segunda-feira, vinha logo para Portugal sair com amigos. E estando solteiro, pior ainda. Por isso é que eu digo que a Melanie veio trazer estabilidade, veio acalmar a minha vida, veio dar um sentido muito, muito grande à minha vida. Eu tinha uma coisas mal organizadas, coisas normais, de jogadores. Vou dar um exemplo, coisas que tu não dás importância e que uma mulher chega e organiza sempre melhor. Papéis, coisas que tu tens que fazer de uma certa forma. O IRS está sempre direitinho agora e entrego sempre a horas (risos). A minha mulher organiza a minha vida de maneira que eu não organizava quando não a tinha, ainda por cima ela é da área da gestão. Dá-me apoio não só nisso, em tudo.

Então correu bem a adaptação ao País de Gales.
Sim, correu bem. O futebol é espectacular, tanto é que estive lá quatro anos e só mudei agora porque aquilo tem um senão. O clima. É mesmo o único problema, porque de resto para viver acho que é bom.

Gostou dos britânicos? Há quem os considere muito frios.
Eu não acho. Senti-me pior com os espanhóis do que com eles. Porque os espanhóis são muito parecidos connosco mas olham para nós com sendo inferiores a eles. Em Inglaterra não, as pessoas comigo sempre foram impecáveis. No País de Gales as pessoas ainda são mais simpáticas, estive lá seis meses e criei relação de amizade com um senhor que trabalhava nos comboios que faziam ligação Swansea- Londres. Eu e a minha mulher íamos muitas vezes a Londres, jantar ou passar a folga, e lembro-me que criei uma ligação com esse senhor que tinha uma filha que era fã do Swansea e ele às vezes facilitava, oferecia-me bilhetes de comboio.

Sabia falar bem inglês?
Safei-me. Ao início a minha mulher era melhor do que eu, agora acho que já sou melhor do que ela (risos). Ainda não sou, estou a brincar. Mas, ao início, não falava nada inglês quando fui para o Swansea. E o inglês deles é um pouco diferente. Mas tinha uns dois ou três espanhóis na equipa, um equatoriano, um argentino, estávamos sempre mais juntos e um dos espanhóis estava lá há bastante tempo e ajudava-nos, traduzia algumas coisas.

Entretanto depois dessa época no Swansea, regressa. Porque não fica lá?
Porque estava emprestado. Havia algum interesse da parte deles em assinar comigo em contratar-me definitivamente mas o Benfica também pedia um valor que o Swansea, se calhar não achava que deveria custar tanto e acabaram por assinar com Eder e eu não fiquei. Fui mais um ano emprestado para o Nottingham Forest. Lembro-me que no verão andávamos ainda em negociações e quando me despedi do treinador do Swansea, ele não sabia se havia de dizer-me um “até já” ou um “adeus”.

Que tal Nottingham Forest?
Foi um sítio onde gostei muito de estar, foi um sítio onde encontrei pessoas muito porreiras, foi um clube onde eu me senti muito bem, onde a minha mulher também se sentiu muito bem, uma boa cidade. Foi um sítio de que gostei muito.
Mas não ficou lá, foi para o Norwich City. Como é que isso acontece?
Não fiquei, porque eles estavam com um problema. Eles em Inglaterra são muito rigorosos com o Financial Fair Play. Na altura em que eu estava lá, eles não podia contratar jogadores, só podiam contratar jogadores emprestados, mas acabei por fazer uma boa época, voltei à selecção, e no final da época eles queriam me contratar mas não tinham possibilidade e é aí que aparece o Norwich e contrata-me definitivamente ao Benfica.

Chegou a jogar nos sub 23 do Norwich. Porquê?
Ao início fiz alguns jogos pelos sub-23 porque vinha de uma lesão. Isso é normal em Inglaterra. O que eu acho bem. Rasguei o adutor no Nottingham Forest, mais ou menos em Abril e não acabei a época. Como era jogador do Benfica voltei logo para Lisboa. Foi uma lesão um bocado grave para dois meses, dois meses e meio e portanto voltei logo para Lisboa. Fiquei maio, Junho e um pouco de Julho a fazer tratamento, a recuperar. Quando assinei e fui para o Norwich, como vinha da lesão e sem fazer pré época, comecei a ser reintegrado e os primeiros um ou dois jogos que fiz foi pelos sub-23, para ganhar ritmo. Depois joguei logo contra o Everton para a Taça.

Esteve três épocas no Norwich, mas na última foi emprestado ao Reading.
Exactamente. Basicamente, estive duas épocas e meia no Norwich e meia época no Reading. A primeira época no Norwich corre muito bem, a segunda nem por isso. Na pré-época da segunda época fui chamado à selecção para jogar contra as Ilhas Faroé e para outro jogo. Lembro-me que fiz um golo no estádio do Bessa, o outro jogo já não me lembro contra quem é que foi.

Fernando Santos muito diferente do Paulo Bento?
Sim. O mister Fernando Santos para mim foi uma grande surpresa, não o conhecia. É uma pessoa para quem tu olhas e parece que não está muito bem disposto, mas tem um coração... Acho que é mesmo boa pessoa. Toda a gente gosta do mister, tem muita experiência, não estou a falar dele como treinador, porque como treinador já toda a gente sabe que é muito inteligente, experiente, é aquele tipo de treinador que olha para ti e já sabe se estás bem para o jogo ou não, se estás com medo. É um treinador bastante inteligente, vês logo pelo olhar dele que é inteligente, experiente, rato, que sabe, mas como pessoa, acho que é muito boa pessoa. Tem um grande coração. Não tive muita convivência com ele, estive na selecção com ele duas vezes, acho eu. Mas é uma pessoa que me surpreendeu pela positiva.

Estava a contar que depois na segunda época as coisas já não lhe correm tão bem.
Não correm, porque na primeira época eu chego, o clube está a vir da Premier League, é o primeiro ano na Championship, e os clubes em Inglaterra quando descem, nos dois primeiros anos recebem bastante dinheiro para se poderem aguentar, para poderem continuar a manter os jogadores. Digamos, para o clube não cair. Então, no meu primeiro ano, apostaram forte, fiz uma grande época, fiz 15 golos mas não subimos e o clube estava um pouco mal organizado. Fizemos uma época aquém das expectativas e entrou uma direcção nova para o segundo ano. A direcção nova mal entrou, não sei se era porque o clube ter de realizar encaixe financeiro porque não conseguiu subir, mas senti da parte do clube que... Aliás, o clube aceitou uma proposta de oito milhões de euros do Reading. Eu fiquei… Fogo, fui um dos melhores jogadores da primeira época, era um dos preferidos dos adeptos, era bastante acarinhado, e de repente senti que eles queriam vender-me, queriam realizar dinheiro comigo. Queriam mudar um pouco a política. Queriam apostar em jogadores mais jovens da formação, jogadores financeiramente mais económicos. Mas eu não via grandes vantagens em sair e ser vendido para uma equipa do Championship quando estava numa equipa boa, onde tinha feito uma boa primeira época e então não sai. Depois até tive um problema com o treinador, quando tirei a camisola e quando me peguei com ele.

Recorde-nos lá essa cena.
Não é uma coisa de que me orgulhe e que tenha sido boa para a minha carreira. Foi bastante má. No final da época eles queriam vender-me, comecei a segunda época no banco, tinha feito sete golos na pré-época e tinha sido um dos melhores jogadores. Só que o clube, como queria forçar a minha saída, pôs-me no banco no primeiro jogo. Quando entrei e fiz golo, tirei a camisola e tive um despique com o treinador. Fiquei os dois jogos seguintes sem jogar, castigado. Foi um ano que começou logo mal da minha parte com a direcção, com o treinador, depois acabei por não sair. Aliás, no final do mercado de transferências, quando estava na selecção, no dia 31 de Agosto, recebi uma proposta do Swansea novamente. Ofereceram 12 milhões ao Norwich para me contratar, mas como já tinha feito três golos, o mister do Norwich ligou-me e disse que não podia deixar-me sair por ser o último dia. Acabei por ficar ali essa época toda mas não foi uma boa época. Fiz nove golos mas não é uma época em que eu tenha sido feliz e tenha desfrutado do meu futebol. No ano a seguir acabei por ficar meio ano sem jogar, porque também já sabia que eles não contavam comigo, e em Janeiro fui fazer seis meses ao Reading.
Onde estava o José Gomes, não era?
Sim. Como estava há tanto tempo sem jogar, achei por bem ir jogar. O mister José Gomes também me ligou, estava numa situação complicada para descer e fui para lá meia época e adorei.

Menos aquela pisadela do Tyrone Mings, do Aston Villa, que lhe deixou a cara muito mal tratada. 
Sim, menos isso. Eu costumo dizer que tive muitos altos e baixos em Reading. Em tão pouco tempo, o que me aconteceu lá parece que foi em três anos, mas não, foi só em quatro meses. Parti o nariz, parti a cara, joguei de máscara, depois lesionei-me outra vez, depois voltei, depois lesionei-me. 

Consegue explicar o que é que aconteceu ou ainda hoje não sabe bem o que é que lhe aconteceu?
Na pisadela?

Sim.
O que aconteceu foi que ele pisou-me propositadamente, na minha opinião, porque sou jogador e sei perfeitamente que nós jogadores podemos evitar certo tipo de contacto. Aliás, ele já tinha feito isso a outro jogador que teve sorte porque não lhe apanhou a cabeça em cheio, foi só de raspão. A mim, como foi num lance em que ele me agarrou e caiu exactamente por cima de mim, pisou-me directamente na cara.

Quando viu pela primeira vez a sua cara, o que pensou?
No campo achei que... sei lá... ninguém pisa a cara de outra pessoa. Foi tudo tão rápido que pensei que ele me tinha dado com o joelho. Senti logo um estouro na cara, mas pensei que me tinha dado com o joelho. Estava cheio de sangue, levantei-me logo, eles não queriam que eu saísse pelo meu pé, mas eu saí, lembro-me que cheguei ao balneário e fui logo para o posto médico para ser cosido. Tive sorte, porque o médico que costumava coser, que era mais especialista nisso, estava na bancada a ver o jogo e baixou logo ao balneário. Quando cheguei ao posto médico pedi o meu telefone para tirar uma fotografia, mas eles não queriam dar-me porque aquilo estava mesmo em mau estado. Não me queriam assustar. Mas tirei uma fotografia à minha cara cheia de cortes, foi essa que se tornou viral. Acho que isso aconteceu porque eu tirei essa fotografia e mandei para o grupo de Whatsapp da minha equipa do Reading e disse: “Malta fiquem tranquilos que eu continuo a ser mais bonito que muitos de vocês. Não se preocupem” (risos).

Passou-lhe pela cabeça vingar-se do Tyrone?
Vingar nunca, mas que fiquei com uma sensação má dentro de mim, fiquei. Fog,o este gajo... Depois parei para pensar e pensei que no meio daquele azar todo tive muita sorte. Eu até brinco com a minha mulher e digo “ainda bem que eu tinha um nariz grande porque se não tivesse estava f*****” (risos). Imagine que o piton que me acertou no nariz e me partiu o nariz, se fosse um pouco mais ao lado, podia cegar-me. Aliás, eu fui cozido no nariz, acima do olho e na testa. E depois tenho duas pequenas cicatrizes de um ou dois pontos acima da sobrancelha, uma em baixo e outra em cima. Se o piton acertava no olho eu ficava cego e não podia jogar mais futebol. Foi nisso que pensei. Que ele podia ter-me lixado a carreira por uma coisa completamente evitável, uma coisa estúpida.

Ele alguma vez lhe ligou a pedir desculpa?
Mandou mensagem a seguir a pedir desculpa e eu até fui muito porreiro com ele, porque ainda não tinha visto as imagens. Mas quando vi as imagens disse-lhe: “Agradeço a tua mensagem, mas acho sinceramente que poderias ter evitado. Acho que não foi uma boa atitude da tua parte”. Eu jogo futebol, sei que os defesas, alguns deles, têm aquela malícia dentro deles. O dares uma cotovelada, uma porrada, puxares de forma mais agressiva, dares uma pisadela, uma coisa assim para impor respeito, não tenho nada contra. Todos os defesas há 30 anos faziam e daqui a 30 vão continuar a fazer. Não vou dizer que gosto, mas não tenho nada contra, admito e não levo a mal. Agora deixa de ser normal quando tu fazes uma coisa que põe em causa a integridade física. Agora, pisar uma cara.... São coisas que já não tem a ver com agressividade. Acho que é uma cobardia. Pisar a cara a alguém, quando alguém não pode, é uma cobardia, foi assim que eu vi aquele lance.

Quanto tempo demorou a recuperar?
Foi rápido porque eu sou durão. Não sou muito dado à dor, passado uma semana já joguei, com uma máscara.
Como é que vai parar ao AEK da Grécia?
Vou parar à Grécia porque o Miguel Cardoso demonstrou interesse em mim, eu achei que era o momento de sair de Inglaterra, porque a verdade é que estava um pouco farto do clima. O clima é bastante complicado, para nós portugueses. Eu agora que cheguei à Grécia já me sinto outro, o facto de haver sol, de poderes ir jantar a uma esplanada, coisas assim que parecem simples, mas que te dão um conforto e uma qualidade de vida que eu não podia ter na Inglaterra. Achei que o facto de poder ter isso na Grécia, aliado a ser um dos grandes clubes da Grécia, com um treinador português que me queria, achei que era uma boa oportunidade de dar seguimento à minha carreira aqui.

Era o que estava à espera, melhor, pior?
Era até porque acho que os gregos são parecidos connosco. Tanto que há muitos portugueses a vir para cá, o próprio mister Fernando Santos já esteve aqui, foi treinador da selecção grega, foi treinador dos três grandes clubes da Grécia. Acho que eles são um povo parecido com o nosso, então a adaptação está a ser bastante boa. Também temos alguns portugueses na equipa, o que facilita.

Onde é que ganhou mais dinheiro até agora?
Agora na Grécia.

Tem investido o seu dinheiro onde?
No imobiliário, tenho algum dinheiro no banco também.

Acredita em Deus?
Sim, muito.

Frequenta a igreja, vai à missa?
A minha mulher é mais de ir à igreja do que eu. Eu não sou muito, mas tenho fé e crença em Deus à minha maneira. Vou muitas vezes a Fátima. Leio praticamente todos os dias a Bíblia. Rezo também praticamente todos os dias. 
É supersticioso?
Sou, acho que todos os jogadores são um bocadinho.

Pode revelar uma superstição, um ritual que faça sempre?
Tenho muitos, sou sincero. Por exemplo se levar uns ténis para estágio e nesse jogo jogar bem, esses ténis no próximo jogo têm de ir.

Tem tatuagens?
Não.

Nem pensa fazer?
Por acaso, penso. Mas ainda não sei bem o quê.

Pensa ter filhos?
Sim, gostava de ter filhos. Mas mais para o final da carreira, porque não achamos que seja bom, estar um ano aqui na Grécia e depois ter de ir com o filho para Inglaterra ou para outro sítio. A vida de um jogador é muito assim. Eu espero mais para o final a minha carreira voltar a Portugal, são esses os meus planos e nessa altura... 
Já pensou no que vai fazer depois da carreira de futebolista acabar?
Acho que vou continuar relacionado com futebol.

Vê-se mais como treinador, como empresário, como?
O posto em que me vejo é como director desportivo porque é o que eu gosto de fazer. Gosto de criar plantéis, gosto de olhar para um jogador... Um dos directores desportivos de quem gosto do trabalho, é da minha zona, é de Barcelos, é o Luís Campos, do Lille. Via-me a fazer esse trabalho mas sei que antes disso há outras coisas que tenho fazer porque não basta só perceber de futebol e identificar talentos nos jogadores, que eu acho que para isso tenho bastante capacidade. Mas é o trabalho que me vejo a fazer.

Tem na cabeça alguma meta para deixar de jogar ou fica ao sabor dos acontecimentos?
Acho que vou deixar de jogar tarde, tenho essa convicção.

Lá para os 33, 34 anos?
Não, isso é cedo (risos). Então, o Ronaldo tem 35 e ainda vai jogar não sei quantos anos mais. Eu diria que quero jogar até aos 36, 37 anos.

Tem algum clube de sonho onde gostasse de jogar ou a onde gostava de ter jogado?
Tenho vários. Adorava jogar num clube grande de um campeonato mais competitivo, não sei se isso irá ser possível porque já tenho 28 anos, mas se me perguntar se ainda acredito nisso, ainda acredito. Se sou maluco em acreditar? Não sei, só o tempo o dirá, mas ainda acredito que vou jogar num bom clube, numa das melhores cinco ligas da Europa. É esse o sonho que tenho.
Qual é a sua maior alegria e a sua maior frustração no futebol?
A minha maior alegria acho que foi representar a selecção nacional pela primeira vez na equipa A num jogo amigável contra a Polónia. Lembro-me como se fosse hoje. A minha maior frustração foi também na selecção, nos sub-20 quando perdi a final contra o Brasil. Foi uma coisa que me marcou bastante porque acho que era bom para Portugal, era bom para nós, era merecido.

Pensei que ia dizer o não ter vingado no Benfica.
Isso também, pensei nisso e pode acrescentar porque é uma delas. Nem sei se até não é maior do que o Mundial, mas a realidade é que na altura não estava criada uma envolvência para que jogássemos e nos destacássemos como está a acontecer agora. E isso é uma das grandes frustrações que tenho. Ainda nestes dias li que o Bernardo tinha a frustração de nunca se ter estreado pela equipa principal do Benfica, de nunca ter jogado e que achava que um dia mais tarde, iria jogar. Eu tenho essa frustração também, porque acho que a minha carreira poderia ser bastante diferente. Às vezes começo a imaginar como é que seria a minha carreira se eu fosse hoje miúdo no Benfica. E certamente iria ser bem diferente.

Qual foi a maior extravagância que fez com o dinheiro?
Não sou muito de extravagâncias porque não sou assim muito gastador. Acho que a maior extravagância foi ter comprado um carro bom quando tinha 18 anos.

Qual era?
Um Mercedes classe E, coupé. Foi o meu primeiro carro. Esse foi o primeiro carro que comprei, mas antes conduzi os carros do meu pai depois de ter tirado a carta. Só comprei quando já tinha uns dois anos de carta.

Qual foi o melhor carro que teve?
Já tive bastantes carros. Em Inglaterra já tive um Range Rover, tive um Mercedes S 500 coupé. Em Inglaterra, os jogadores têm facilidades.

Mais nada de extravagâncias?
Sim, relógios. Lembro-me que quando fui à selecção pela primeira vez, foi lá um senhor mostrar relógios e eu já tinha na ideia comprar um Rolex e comprei. Ainda hoje é uma das coisas onde eu perco mais facilmente a cabeça.

Tem quantos relógios?
Tenho seis. Mas sou esquisito, não compro por ser desta marca ou daquela, compro relógios quase como coleccionador de relógios.Tenho relógios difíceis de arranjar, com lista de espera grande. É quase como se fosse um investimento. É quase, não, é um investimento, porque sei que o dinheiro que gastei nesses relógios, certamente hoje se os quisesse vender, valem mais do que quando os comprei. É uma paixão que eu tenho.

Falou mais do que uma vez no seu pai e na doença do seu pai. O seu pai faleceu há quanto tempo?
O meu pai faleceu vai fazer três anos em Janeiro.
Foi esse o dia mais triste da sua vida?
Não é o dia mais triste porque o meu pai teve uma doença degenerativa, um cancro, e no dia em que ele morreu, eu sabia que ele ia morrer. Eu vi o meu pai a degradar-se dia para dia, até que chegou ali uma fase... Depois a minha família escondeu-me um pouco, porque queria-me proteger, para eu estar concentrado no futebol, porque sabia que eu era muito ligado a ele e que se contassem tudo se calhar eu era capaz de não querer jogar, apanhar um avião e vir para a beira dele. O meu pai durou oito anos com cancro. E durou por uma simples razão: porque ele não tinha medo de morrer, era uma pessoa muito forte a combater o cancro. Nada lhe metia medo, aliás, ele nunca deixou de fumar, sempre a trabalhar no talho e foi operado umas oito ou nove vezes. Primeiro nos intestinos, depois no fígado. A última vez que vi que já não havia solução para o meu pai, foi quando ele rejeitou um tratamento. Depois, começou também a ficar amarelo, com os olhos amarelos e comecei a perceber que estava a aproximar-se o fim dele, estava também cada vez mais magro. Ou seja não foi propriamente o dia em que ele morreu que foi o mais triste, quando ele morreu eu nem estava com ele. Despedi-me antes de ir para Inglaterra e lembro-me que, quando lhe dei um abraço, foi quase como se me despedisse dele para sempre. Sabia que nos próximos dias ele iria falecer. Lembro-me que me deu um abraço e disse-me: “Filho estás muito bem entregue com a Mel”. Ainda me deu um abraço e eu senti que a minha despedida com ele foi ali. Se tiver de dizer o dia mais triste, acho que foi esse, em que me despedi dele, não o dia em que faleceu."

Condolências

"O Sport Lisboa e Benfica manifesta o mais profundo pesar, e total solidariedade, ao seu funcionário Paulo Vaz.

O Sport Lisboa e Benfica manifesta o mais profundo pesar, e total solidariedade, ao seu funcionário Paulo Vaz, pelo falecimento da sua filha, Carolina, de 19 anos.
O velório será esta 2.ª feira, a partir das 15 horas, nas capelas mortuárias da Igreja de Nossa Senhora da Paz, em Rio de Mouro. Amanhã, 3.ª feira, haverá Missa de Corpo Presente, às 10h00, seguindo o cortejo fúnebre para o Cemitério de Rio de Mouro.
Neste momento de luto e dor, que partilhamos, o Sport Lisboa e Benfica apresenta sentidas condolências ao Paulo Vaz, bem como a todos os familiares e amigos da Carolina."

Lixívia 3

Tabela Anti-Lixívia
Benfica..... 6 (0) = 6
Corruptos. 6 (0) = 6
Sporting.. 7 (+3) = 4

Antecipando os comentários habituais, antecipo: o facto do Benfica ter perdido, e até ter perdido com justiça, por ter jogado pouco, por ter cometido erros próprios, isso, não invalida que mais uma vez, como é tradição (infelizmente), a apitador tenha feito uma trabalho miserável...!!! Mesmo sem 'casos' nos golos, ou penalty's, o trabalho de Jorge Sousa foi nojento... Foi claramente o 12.ª jogador dos Corruptos, ajudou sempre que possível...
A jogada da lesão do Samaris é esclarecedora: Samaris no chão lesionado, os Corruptos com posse de bola, mais de 1 minuto, inclusive com um jogador dos Corruptos a jogar a bola com o braço... finalmente o Benfica recupera a bola; e só então o apitador, apita para o Samaris receber assistência! Quando o jogo recomeça, bola ao solo, com a bola ser oferecida aos Corruptos!!! Sem vergonha nenhuma...!!!
Mas o 'trunfo' do Sousa, esteve no critério disciplinar! Ouviu seguramente a conferência de imprensa do Porto do treinador dos Corruptos, que se queixou dos Amarelos mostrados aos adversários do Benfica, e como canídeo obediente, o apitador simplesmente recusou-se a cumprir as regras! O primeiro exemplo foi a falta do Danilo sobre o Rafa! Onde até marcou a falta, mas o cartão ficou no bolso... Pouco depois já estava o Pepe a parar o RdT numa saída rápida, e o cartão ficou no bolso... e foi ficando!!! Sendo que como é habitual o Pepe foi-se 'aproveitando' da situação, agredindo o Pizzi, o Rafa e o Odysseas, e sem um único Amarelo... Sendo que a tentativa de agressão ao Ody, seguindo as regras, deveria ter levado Vermelho directo!!!
O Benfica neste início de época, devido a várias circunstâncias, ofensivamente, está muito dependente dos desequilíbrios do Rafa. Não é segredo para ninguém... E por isso mesmo, a estratégia passou exactamente por isso... Só na 2.ª parte ficaram 3 faltas por marcar sobre o Rafa, junta da área dos Corruptos, 3... autênticos atropelamentos colectivos... e nem sequer falta foi assinalada!!! Sendo que Jorge Sousa, foi claramente uma 'ferramenta' que autorizou a estratégia...
Erros graves: Pepe e também o Danilo deviam ter sido expulsos!!!

Só uma nota para o suíno frontal: então, o treinador que quando não ganha contra equipas 'pequenas', farta-se de reclamar com o anti-jogo, não tem nada a dizer quando a sua equipa, começa a fazer anti-jogo praticamente a 60 minutos do fim do jogo?!!!!


Em Portimão mais um festival de Lagartice!!! Depois de Tiago Martins e Godinho, nada melhor que nomear o Xistra para o terceiro jogo do Sporting!!! Para a semana, deverá ser o Varandas... a diferença é pouca!!!
Mais um festival de mergulhos para a piscina, simulações ridículas, e faltas e faltinhas, quase sempre marcadas a favor dos Lagartos...
No penalty 'anulado' aos Lagartos, o interessante é perceber como na semana passada ninguém ter ficado 'preocupado' em perceber se o B SAD teve ou não posse de bola, no golo anulado ao Seferovic!!! Duarte Gomes continua a saga da coluna vergada, semana após semana!!!
O grande erro dos árbitros, acabou por ser um penalty cometido pelo Thierry, sobre o Boa Morte, quando ainda estava 1-2. O lance é claro: o Thierry não toca na bola, faz um carrinho, e toca claramente no joelho do jogador do Portimonense... Inacreditável, como este lance em vários 'locais' nem sequer foi relevado como um 'Caso'!!!



Anexos (I):
Benfica
1.ª-Paços de Ferreira(c), V(5-0), M. Oliveira (L. Ferreira), Prejudicados, (6-0), Sem influência
2.ª-B SAD(f), V(0-2), Veríssimo (Xistra), Prejudicados, (0-4), Sem influência
3.ª-Corruptos(c), D(0-2), Sousa (Almeida), Prejudicados, Impossível contabilizar

Sporting
1.ª-Marítimo(f), E(1-1), Martins (Hugo), Beneficiados, (1-0), (+1 ponto)
2.ª-Braga(c), V(2-1), Godinho (Nobre), Beneficiados, (2-2), (+2 pontos)
3.ª-Portimonense(f), V(1-3), Xistra (V. Santos), Beneficiados, (2-3), Impossível contabilizar

Corruptos
1.ª-Gil Vicente(f), D(2-1), Almeida (Xistra), Nada a assinalar
2.ª-Setúbal(c), V(4-0), Mota (V. Santos), Nada a assinalar
3.ª-Benfica(f), V(0-2), Sousa (Almeida), Beneficiados, Impossível contabilizar

Anexos (II):
Árbitros:
Benfica
M. Oliveira - 1
Veríssimo - 1
Sousa - 1

Sporting
Martins - 1
Godinho - 1
Xistra - 1

Corruptos
Almeida - 1
Mota - 1
Sousa - 1

VAR's:
Benfica
L. Ferreira - 1
Xistra - 1
Almeida - 1

Sporting
Hugo - 1
Nobre - 1
V. Santos - 1

Corruptos
Xistra - 1
V. Santos - 1
Almeida - 1

Totais (árbitros + VAR's):
Benfica
M. Oliveira - 1 + 0 = 1
Veríssimo - 1 + 0 = 1
Sousa - 1 + 0 = 1
L. Ferreira - 0 + 1 = 1
Xistra - 0 + 1 = 1
Almeida - 0 + 1 = 1

Sporting
Martins - 1 + 0 = 1
Godinho - 1 + 0 = 1
Xistra - 1 + 0 = 1
Hugo - 0 + 1 = 1
Nobre - 0 + 1 = 1
V. Santos - 0 + 1 = 1

Corruptos
Almeida - 1 + 1 = 2
Mota - 1 + 0 = 1
Sousa - 1 + 0 = 1
Xistra - 0 + 1 = 1
V. Santos - 0 + 1 = 1

Jornadas Anteriores:
Jornada 1
Jornada 2

Épocas anteriores:
2018-2019

Nem tudo era ouro, nem tudo é lata...

"Depois do desaire frente a um FC Porto que actuou na Luz e um nível de Champions, o Benfica precisa de humildade para diagnosticar erros

Há uma semana, neste mesmo espaço, escrevi que o FC Porto jogava na Luz mais do que três pontos, porque precisava de dar sinais, essencialmente aos seus adeptos, de ter ultrapassado, futebolisticamente (financeiramente são outras contas, mais complicadas...) os danos do duplo desaire Gil Vicente / Krasnodar. A resposta não podia ter sido mais enfática, vencendo e convencendo no reduto do campeão nacional, numa tarde em que o FC Porto abordou o desafio com a convicção de quem decidiu tomar o destino nas próprias mãos.
Do ponto de vista das escolhas de Sérgio Conceição, que acertou em cheio no guarda-redes, a articulação Corona /Marega na direita é muito interessante e a chamada à titularidade de Romário Baró representa uma excelente notícia não só para os dragões, mas também para o futebol português. Outros problemas, num plantel de escassa profundidade, serão colocados ao treinador ao longo de uma época de múltiplas competições. Para já, Sérgio Conceição conseguiu tirar o FC Porto do buraco onde tinha caído e gritou bem alto que há que contar com a sua equipa nas contas do título.
Já Bruno Lage terá muito em que pensar, depois do desaire de sábado. Por exemplo, e para lá do desacerto no passe de jogadores habitualmente fiáveis como Ferro, Grimaldo, Pizzi e Rafa, três situações devem merecer a atenção do treinador encarnado: o regresso de André Almeida à direita da defesa só pecará por tardio; a ligação meio-campo / ataque feia por Raul de Tomas está a anos-luz da eficácia conseguida, em missão semelhante, quer por João Félix, quer por Jonas; e, last but not least, apesar da indisponibilidade de Gedson e Gabriel (a que pode juntar-se Samaris), não será despropositado o Benfica aproveitar os dias que faltam até ao fecho do mercado para encontrar um reforço para o duplo-pivot de meio-campo.
Consumada a derrota frente ao FC Porto, que actuou na Luz em modo Liga dos Campeões, a dúvida que passou a pairar sobre os encarnados reporta-se ao estado de prontidão para enfrentar os desafios da Champions, nomeadamente no processo de transição defensiva, que se mostrou muito débil.
Valerá a Lage a tranquilidade com que encarou a fantástica série de sucessos do Benfica. Só com essa serenidade chegará às boas soluções para o que vem a seguir.

(...)
Duque
Bruno Lage
Responsável por tantas vitórias do Benfica, esteve bem, na hora da derrota, ao reconhecer o mérito do adversário. Mas a verdade é que não conseguiu transmitir aos jogadores a mensagem certa e desde o primeiro minuto percebeu-se que o FC Porto tinha mais sede de vitória do que um Benfica de escassa convicção.

Duque
Frederico Varandas
Não será fácil, por um lado, a vida financeira do Sporting; mas, por outro, será muito difícil gerir, pior do que foi feito pelos leões, um dossier como o de Bas Dost. Para além de uma comunicação catastroficamente amadora, o Sporting vê partir, por tuta e meia, um jogador de trinta golos por época. Difícil entender...

Carvalhal é mais-valia para o futebol nacional
«Esta intenção visa apenas a celebração da amizade e do fair play entre colegas de profissão...»
Carlos Carvalhal, Facebook
Resumindo: cada treinador que vá a Vila do Conde recebe de Carvalhal, homólogo do Rio Ave, duas garrafas de Solar de Bouças, verde como as riscas do equipamento vila-condense. Longe vai o tempo em que Mourinho presenteava Ferguson com Barca Velha, quando viajava de Londres e Manchester. O espírito é o mesmo. Elevado. Oxalá se espalhe por cá, como fogo na pradaria...

Mourinho na berlinda em crise 'merengue'
O empate a uma bola, do Real Madrid, no Bernabéu, frente ao modesto Valladolid, colocou em xeque Florentino Pérez, que não conseguiu contratar (ainda?) Pogba ou Neymar, e não só. O nome de José Mourinho volta a ser falado para uma possível substituição de Zidane, muito insatisfeito com o líder merengue.
(...)"

José Manuel Delgado, in A Bola

Caçar com gato

"Na semana passada levei o meu gato ao veterinário para ser esterilizado. Como rezam os comunicados, a intervenção cirúrgica foi um sucesso, pelo menos do ponto de vista clínico. Quanto ao gato, amputado da sua masculinidade, passou o fim-de-semana num estado semivegetativo, melancólico, dando mostras de um enfado existencial pessoano. Limitou-se a ingerir alimentos, mais por obrigação do que por gosto, e a satisfazer (se o verbo se admite em tais circunstâncias) as necessidades fisiológicas que a sua anatomia reconstruída lhe permite. Ao fim de três dias, parece já mais gordo, um gato de sacristia, meio eunuco de harém otomano, meio boneco de peluche.
Porém, é com o Benfica que no sábado enfrentou o Futebol Clube do Porto que as semelhanças são impressionantes. Após um arranque de época demolidor, embora nem sempre elegante e fluido, o Benfica chegou ao clássico com fama de predador voraz, insaciável. Só que Sérgio Conceição, reputadíssimo veterinário da antiga escola superior das Antas, já tinha preparado a mesa de operações. Nas vésperas do jogo adormeceu o gato com falinhas mansas sobre plantéis riquíssimos e o bichano, ainda que desconfiado dos elogios, lambeu-se prazenteiramente e assim continuou até ser tarde demais. Quando despertou, o mal estava feito, as bancadas já estavam quase vazias e era hora de regressar aos balneários, arrastando-se mole e atordoadamente, e tentar perceber o que lhe tinha acontecido.
Com precisão de anatomista, Sérgio Conceição retirou-lhe as presas, removeu-lhe os testículos e cortou-lhe as unhas. Transformou-o num gato ornamental, sem o mínimo protesto. Só faltou vestir-lhe uma daquelas camisolinhas com que as senhoras de idade gostam de aperaltar os seus animais de estimação. Porque – e este é que é o problema – podia ter sido bem pior. No futebol, o único génio infalível é o resultado da semana. Um bom resultado pode maquilhar, enganar, disfarçar e animar. Um bom resultado transforma um gato coxo numa chita. Já um mau resultado destapa, revela e desmoraliza. Até o mais vivaz dos gatos parece morto. Mas quando uma equipa perde por 2-0 em casa contra o maior rival e o resultado ainda assim é a única coisa positiva, então temos uma crise. Não uma daquelas crises romanas, grandiosas, mas a crise de um gato que, aliviado da sua masculinidade, começa a perguntar-se se ainda é gato ou se já é outra coisa.
Eis o estado do Benfica de Lage após o primeiro despiste significativo. O resultado é um tirano porque as vinte vitórias em vinte e um jogos de pouco ou nada valem quando se perde o vigésimo segundo jogo desta maneira. É o mesmo que sair de um acidente, ver o carro todo espatifado e dizer “até hoje os travões nunca me tinham falhado”, na esperança de encontrar consolo nessa perfeição pretérita. O resultado é um tirano porque as vitórias davam margem a Lage para elogiar o trabalho defensivo dos avançados ou festejar a invenção de um lateral direito que só tem pé esquerdo.
O resultado é um tirano porque, com vitórias, todos os plantéis parecem riquíssimos e um clube até se pode dar ao luxo de dispensar um Krovinovic, um Zivkovic e um Cervi, com o esbanjamento ofensivo do novo-rico. O resultado é um tirano porque, de repente, sente-se a falta daqueles jogadores e o treinador confessa que só tinha Pizzi e Chiquinho para jogar entre linhas. O resultado é um tirano porque, na ausência de Gabriel, Lage foi obrigado a justificar a aposta em Samaris com razões de ética castrense e solidariedade de caserna, seguindo o mesmo caminho para proteger Nuno Tavares: “não deixamos ninguém cair”, proclamou, com certa grandiloquência militar, ignorando que, por vezes, é preciso deixar cair um homem para que a equipa se mantenha de pé.
De uma penada, o Benfica perdeu duas das maiores inteligências que alguma vez vestiram a camisola encarnada: Jonas e João Félix. Percebeu-se desde o início que Lage quis fazer de RDT um João Félix. O resultado é um tirano porque, ao fim de três vitórias, mesmo sem golos, havia tolerância para um RDT disfarçado de Félix. O resultado é um tirano porque, após a primeira derrota, esgotou-se a paciência para um RDT que nunca poderá ser Félix e que, pelo andar da carruagem, arrisca-se a nunca ser RDT. Sobretudo porque ao seu lado tem um Seferovic viciado na inteligência de Félix ou de Jonas. Não quero ser ingrato para o jogador suíço. Ele mostrou ser um excelente cábula. O problema é que agora espreita para o lado e vê uma folha em branco e o colega a roer a tampa da caneta e a coçar a cabeça.
O resultado é um tirano, mas foi a exibição paupérrima a assustar os benfiquistas. Mesmo se Marega tivesse sido Marega no lance do segundo golo e tivesse desperdiçado aquela oportunidade, a goleada por 1-0 teria sido suficiente para revelar as carências de um plantel “riquíssimo”. Numa altura em que o jogo já estava à medida das melhores qualidades dos jogadores do Porto, a forma como Marega, com a sua volumetria de soba, ultrapassou o fleumático Ferro, com a sua magreza aristocrática de Jude Law, expôs as debilidades que os resultados tinham vindo a disfarçar. Pior que perder por 2-0 em casa foi chegar ao fim do jogo sem fazer um remate digno desse nome, o que faz antever sérias dificuldades quando vier a Champions, competição em que se espera que os avançados do Benfica se comportem, em primeiro lugar, como avançados do Benfica e não como abnegados carregadores de piano. Quem se mata a carregar pianos depois não tem nem a fineza nem a frescura para acertar nas teclas.
Para já, segue-se um dificílimo jogo na Pedreira. Os benfiquistas não se importam que, à falta de perdigueiros, Bruno Lage vá à caça com gatos. Esperam apenas que os gatos sejam gatos completos e não o arremedo de gato em que o bisturi do doutor Conceição os transformou durante aquela penosa hora e meia."

Cadomblé do Vata (Crédito...)

"Dizem que a idade nos vai preparando para as vicissitudes da vida, mas quanto mais velho estou, menos poder de encaixe tenho para as montanhas russas emocionais da bola. Há apenas 3 dias estávamos em 1º, com as quinas ao ombro (que no caso específico da actual LPFP é uma bolacha amarela ao peito) e com uma Supertaça condimentada de goleada ao rival às costas. Do outro lado da barricada seguia uma dupla de falidos preparados para jogar a Liga Europa, descoroçoados por 5 secos e por uma equipa acabada de saltar da 3ª divisão. Hoje somos nós os desgraçadinhos que olham lá ao longe o fraterno abraço dos que carpem lágrimas desde que a temporada iniciou.
O fim de semana foi um logro. Não aparecemos para disputar o Clássico e saímos da jornada vergados ao desespero. Como sempre acontece, a hora é agora de miserabilismo eufórico. Afinal o treinador que venceu 21 dos 23 jogos disputados tem muitas lacunas, não é ambicioso e não pensa à Benfica, o plantel é fraco e a exigir investimento, não veio o guarda redes, falta lateral direito, o Dias é para vender, a Ferro falta mais uma temporada na B a visionar vídeos do Jardel, Grimaldo defende mal e porcamente, Florentino só passa para o lado e para trás, o Samaris nunca devia ter renovado, Pizzi é Pizzi, Rafa é demasiado pequeno, De Tomás foi erro de casting e Seferovic não tem qualidade para o Glorioso. Parabéns aos suplentes que não jogaram... são os únicos com futuro de Águia ao Peito.
Dois dias de luto chegam-me perfeitamente. Os últimos 8 meses são garantia suficiente para conceder à equipa um Crédito de Confiança sem juros. De outra forma seria acreditar que tudo o que aconteceu em 2019, com recuperação histórica, recorde de golos, glória no Dragão e dois banhos mastodônticos ao Sporting, foi um longo e entusiasmante acidente. Mais acredito ainda no sucesso, quando constato que os maiores erros da temporada transacta, foram interiorizados, analisados e corrigidos, como ficou patente nas duas vitórias alcançadas neste início de temporada contra o B. SAD e futuro S. SAD. Domingo há jogo. Faltam 6 dias para o regresso à normalidade."

"Não há problema, mete-se um puto!"

"Ponto prévio: já sei que as palavras que se seguem vão levar aos inevitáveis "quando perdemos temos de apoiar", "deves ser benfiquista do Marquês" e por aí fora. Não quero saber.
Já há algum tempo que confidencio no meu círculo de amigos benfiquistas que discordo da ideia pateta que temos uma super equipa, prontinha a chacinar todos os oponentes em território nacional e conquistar o Velho Continente nas asas dos jovens do Seixal.
Digo mais, até: não temos uma equipa muito superior aos nossos rivais (sim, incluo os vizinhos complexados). Essa falsa sensação de estarmos em condições de acumular campeonatos sem grande dificuldade tem-me preocupado bastante. E o jogo de sábado serviu para acalmar a bazófia que, diga-se, vem muito de quem lidera o clube.
Temos, em potencial, uma grande equipa. E potencial para, com os passos certos, estar nos próximos anos com alguma vantagem competitiva sobre as restantes equipas da nossa Liga. Mas ainda não estamos lá, nem pouco mais ou menos. Porquê? Na minha opinião por sobranceria, arrogância e provavelmente falta de conhecimento sobre futebol, por parte do presidente.
A aposta no talento do Seixal é o caminho certo, claro está. Nem vale a pena explicar porquê, acho que é mais ou menos senso comum nesta fase. Mas nem só de jovens se faz uma grande equipa. Claro está que, SE se mantivessem todos anos a fio, esse potencial seria tremendo, mas como sabemos isso nunca vai acontecer, face à facilidade com que equipas de outras ligas chegam aqui e batem cláusulas sem suar.
Assim, o caminho só pode ser dotar a equipa de um equilíbrio entre os young guns e jogadores com capacidade para fazer a diferença, acrescentar experiência e acima de tudo de qualidade incontestável.
E é à volta de 4, 5 craques que devem ser lançados e crescer os putos do Seixal. E não dependermos em absoluto de um conjunto de miúdos com 19 anos que, por mais talento que tenham (e têm) vão crescer com os erros — que aqui e acolá vemos no Ruben Dias, no Ferro, no Florentino ou no Nuno Tavares (mas sobre o lateral-esquerdo, já falaremos).
Agora, vou ser mister de sofá.
O jogo com o FC Porto foi embaraçoso a todos os níveis. A começar pelo facto de termos sido vulgarizados por uma equipa que ainda nem está consolidada e que vinha dos resultados que conhecemos. Uma vez mais ressuscitámos mortos.
O caso Nuno Tavares a lateral-direito é um bom exemplo do desmazelo com que se preparam as nossas épocas nos últimos tempos. Ora sabendo-se da ausência de André Almeida das primeiras partidas, e face à já longa ausência de um concorrente direto para AA, não teria sido esta a altura certa para tratar disso?
Cabe na cabeça de alguém ter um lateral-esquerdo com 19 anos, acabado de chegar à equipa principal, a fazer o corredor direito? Com todas as condicionantes físicas e técnicas óbvias para um canhoto naquela posição? Tavares bateu-se bem, em jogos mais suaves, mas em diversos lances ficou à vista de quem está minimamente atento que as dificuldades estão lá, que o jogo emperra ali porque a tendência do jogador é travar e procurar o pé esquerdo. Não está, obviamente, em causa o seu talento, está ali craque — mas na lateral oposta.
O problema "joelhos do Gabriel" é outro que me parece complexo. Este modelo de jogo depende muito (demasiado) das características do jogador brasileiro, pela capacidade de acrescentar agressividade defensiva e qualidade ofensiva. Sem Gedson nem David Tavares, não há uma solução que permita manter o estilo de jogo preconizado por Bruno Lage. Taarabt acrescenta qualidade de passe, mas a jogar em "dupla" é pouco fiável em termos defensivos. Para jogos menos exigentes desse ponto de vista pode ser uma opção válida como "8", em jogos de exigência elevada, não creio. 
Este vazio na ligação meio-campo/ataque é ainda mais notório pela opção RDT - Seferovic. A insistência no espanhol como segundo avançado é, para mim, um tremendo equívoco [ainda que admita que pode ser apenas um caso de falta de química entre RDT e o suíço].
Parece-me que, apesar da capacidade técnica de RDT, se nota claramente (até na sua expressão corporal) que não se sente confortável naqueles terrenos — por se tratar de um 9 clássico, que quer estar perto do golo, e onde pode efectivamente fazer a diferença.
Sobre Seferovic: reconheço-lhe muitos méritos. Essencialmente as movimentações inteligentes e a capacidade de ser a primeira linha de defesa. Não obstante, acredito que dos três pontas-de-lança que dispomos, o suíço acabará por ver o seu lugar ameaçado, assim Lage queira ver RDT na frente ou acredite em Vinicius (eu acredito muito neste brasileiro, muito mesmo).
Sobre Bruno Lage: pela primeira vez, vi-o aos papéis durante um jogo. As substituições e o desnorte da equipa trouxeram-me memórias do reinado de Rui Vitória. Obviamente que tem todo o crédito, mas urge trabalhar alternativas tácticas para diferentes oponentes, e de preferência não explicar tão minuciosamente todas as suas ideias em conferências de imprensa. É fixe, mas calma.
Isso e saber dizer a quem manda: epá preciso disto, disto e disto, porque senão não ganho isto, isto e aquilo. Porque, segundo foi amplamente repetido pelo Presi: "dinheiro não é problema"."

Mercado...

"O PortoaoColo continuará sempre a defender a verdade desportiva e a lutar contra todas as influências externas que impedem o Sport Lisboa e Benfica de ganhar mais vezes.
Jorge Sousa fez uma arbitragem habilidosa, queimou tempo e controlou todos os momentos de jogo, mas não foi por aí que o Benfica foi derrotado.
A uma semana do fecho do mercado está na altura de olhar para dentro e olhar para o que ainda pode ser feito. A “gestão premium” de que o Benfica tem sido alvo merece a nossa análise.
Guarda-redes. Necessidade assumida em publico por Bruno Lage. Odysseas é um grande guarda-redes, mas com muitas falhas para poder ser guarda-redes de equipa grande, todas elas visíveis no jogo de sábado. A procura por um titular era uma evidência e Mattia Perin chegou a Lisboa a 17 de Julho. Hoje é dia 26 de Agosto. O que aconteceu?
Defesa-direito. Nélson Semedo foi vendido ao Barcelona a 14 de Julho de 2017. Passaram mais de 2 anos e nenhum atleta consegue suprir a sua falta. André Almeida cumpre, é um dos “nossos” e um profissional de topo, mas não chega. A “estrutura” achou que Ebuehi era a solução. Depois já não era. Era João Ferreira. Afinal já não, era Tomás Tavares, que nem pré-época tinha feito. Por fim, acabamos por jogar com Nuno Tavares, que há 3 meses estava a disputar o Nacional de Juniores… a defesa-esquerdo. A adaptação foi feita na equipa principal. Achamos que está tudo dito.
Avançado. Em Julho foram anunciadas as saídas dos dois 9,5 que tínhamos no plantel, Jonas e Félix. Quem entrou para substituir Félix? Ninguém. Foram 126 milhões só daqui… e nada. Andamos há 2 meses a tentar adaptar um 9. Porquê?
Fomos “bombardeados” durante meses com a conversa do “Benfica Europeu” e das contratações cirúrgicas. Até agora, nada. Temos um 11 inicial obviamente mais fraco e estamos a uma semana do fim do mercado e com cerca de 180 milhões em caixa só relativos a vendas de jogadores. gostaríamos muito de saber onde vão ser aplicados.
A época 2019/2020 é uma época chave para o Benfica. É a nossa hipótese de cavarmos uma diferença para 2 rivais nas lonas financeiramente e conseguirmos a verdadeira hegemonia em Portugal, passando para o patamar seguinte. O Benfica tinha e tem a obrigação de tornar num Bayern, PSG, ou Juventus à nossa escala, dominando por completo o Campeonato. Temos todas as condições estruturais e financeiras para o fazer. Será que vamos pensar pequenino, mais uma vez? Vieira tem uma semana para dar a resposta.
Ganhar ao Braga."

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Estratégia!!!


Futsal 2019/20

"O Futsal recomeça a época esta semana. O plantel teve várias saídas e várias entradas. Está na altura de fazer uma avaliação do que aconteceu neste verão.
Guarda-Redes
Atletas: Diego Roncaglio, André Sousa (ex-Sporting) e André Correia
Saídas: Cristiano Marques (emp. Eléctrico)
- Joel Rocha gosta de guarda-redes que saibam jogar com os pés e participar no 5x4. Dentro dessa perspectiva, Diego Roncaglio é dos melhores guarda-redes do mundo, se não o melhor, e como tal não fazia sentido mexer. Cristiano Marques foi emprestado ao Eléctrico depois de cinco épocas com a equipa principal. Ainda só tem 22 anos. É uma oportunidade para se afirmar definitivamente. André Correia surpreendeu na parte final da época, particularmente no jogo da final onde defendeu 5 penalties/livres 10 metros. No imediato pode ser um jogador importante nesta vertente das bolas paradas. André Sousa é um dos reforços desta temporada. Joel Rocha conhece-o bem, pois trabalharam juntos no Fundão. Acho que pode ser um reforço interessante, na medida que também é capaz de participar no 5x4 e em certos momentos do jogo
Fixo
Atletas: André Coelho, Afonso Jesus, Célio Coque (ex-Sporting S20), Fernando Drasler (ex-ElPozo) e Fábio Cecílio
Saídas: Marc Tolrà (ElPozo Murcia)
- Esta foi uma das posições que sofreu mudanças mais significativas. Marc Tolrà apesar de ter contrato quis regressar a Espanha. Para o seu lugar fomos buscar Fernando Drasler, jogador que tem integrado a Selecção Brasileira nas últimas convocatórias. Tolrà é um jogador mais defensivo. Drasler é um jogador que pode dar outra versatilidade no ataque. Eu acho que esta mudança no papel pode vir a fazer sentido. É que no ano passado, o Sporting tinha três pivots de grande nível. Este ano saiu Dieguinho e não entrou ninguém. Logo, não há uma necessidade tão urgente de ter três fixos muito fortes defensivamente, permitindo ter outra qualidade no ataque que Tolrà não oferecia. Drasler, tal como Cecílio pode jogar a ala, com a particularidade que Drasler é esquerdino e nós estamos com poucos alas esquerdinos. Célio Coque é uma das grandes promessas do futsal português. Vamos ver o que Joel Rocha consegue fazer dele, visto que não tem feito grande coisa do Afonso Jesus, que deve procurar afirmar-se de vez este ano. André Coelho é o craque da nossa equipa. Fundamental nos dois lados do campo. É muito importante que continue connosco por muitos e bons anos.
Ala
Atletas: Chaguinha, Tiago Brito, Bruno Coelho, Rafael Henmi, Miguel Ângelo, Robinho e Luíz Silva (ex-Benfica S20)
Saídas: Silvestre Ferreira (emp. Eléctrico) e Bruno Graça (emp. Eléctrico)
- Aqui não houve mudanças significativas. Silvestre ainda integrou várias convocatórias no ano passado, mas pouco ou nada jogou nos jogos importantes. O Bruno Graça ainda apareceu menos. Vão os dois para um empréstimo importante para as suas carreiras. De resto, continuamos com os internacionais portugueses Tiago Brito, Bruno Coelho e Miguel Ângelo. E os estrangeiros Robinho, Chaguinha e Henmi. Com a possibilidade de Fábio Cecílio, Fernandinho e Drasler poderem também fazer esta posição. O jovem Luíz Silva tem treinado com a equipa principal e para o ano pode aparecer em alguns jogos. É um brasileiro de 19 anos que está no Benfica desde do ano passado. Deve passar mais tempo na equipa S20 do que na equipa principal ainda assim. Falou-se na hipótese de trocar Miguel Ângelo por outro português. Por um lado compreendo que Miguel Ângelo não tenha correspondido ao potencial que se vislumbrava há uns anos (apesar de ter estado muito bem na última final). Por outro, acho que é melhor que qualquer outro português que esteja no Campeonato (seja o Márcio ou o Mário Freitas ou outro qualquer). Prova disso é que vai sempre à selecção e marca muitas vezes.
Pivot
Atletas: Fits e Fernandinho
Saídas: Raul Campos (Palma Futsal)
- Foi a posição mais controversa. Saiu um dos estrangeiros, Raul Campos, que na Final só jogou no último jogo, onde assinou um hat-trick. Mas o Benfica não foi buscar ninguém. O clube, nas palavras de Joel Rocha, justificou a decisão dizendo que tinha ficado decidido no verão passado que só na época de 18/19 é que iríamos ter sete estrangeiros não formados localmente e que no conjunto que características que cada jogador traz, Raul Campos tinha as menos diferenciadas. Nesse aspecto acho que foi feita uma boa decisão. Fits é um pivot mais físico, Fernandinho é um pivot/ala mais móvel. Os dois dão um conjunto de boas alternativas ao Benfica. São ambos internacionais brasileiros.
O plantel perdeu dois bons jogadores e acrescentou um bom. No entanto, é importante contar com a evolução dos que cá estavam. É importante lembrar que Henmi não jogou na última Final. Acho que de forma global, continuamos a ter boas hipóteses quer cá dentro, quer lá fora. Agora é trabalhar e confiar em quem manda."

Uma questão de… Cultura!

"Falemos de cultura…sim, cultura! Cultura de futebol…conhecimento do jogo, da sua história! 
Associemos tal realidade com a do nosso país. 
Um rectângulo abençoado, apaixonado pelo desporto-rei, ainda que a sofrer pelo facto de ter uma mentalidade tripartida e baseada no forte apoio aos três clubes mais titulados do país.
Tal é o grande filão que é explorado por quem tem a possibilidade de divulgar a sua opinião. 
Analisemos, agora, o panorama que relaciona o desporto com a cultura.
O nosso país tem três jornais desportivos.
Estas três publicações para apresentarem números interessantes, têm de realizar 99% das capas a falar dos três clubes com mais títulos e em 40 páginas, 30 falam do triopólio.
Acresce, ainda, que o nosso país possui pouquíssimas (para não dizer nenhumas!) revistas a falar de futebol, sendo que os projectos que se afastem de uma mentalidade que discuta a “pertinência deste ou daquele lance”, ou o “incensar deste ou daquele craque dos clubes com mais apoio” são votados ao insucesso.
Bastará, pois, relembrar projectos como a Mundial (há cerca de 20 anos), mas também a Quatro-Quatro-Dois que, passados alguns meses de surgirem, viram-se na contingência de fecharem portas por… falta de vendas! Mas, cotejemos com o que se passa fora do nosso país!
Em Espanha projectos como a “Panenka”, a “ Libero”, em Itália o Guerin Sportivo (um projecto editorial com mais de cem anos), a Undici, ou em Inglaterra a Four-Four- Two, ou em França a France Football são exemplos de longevidade e de como conseguiram implantar-se no mundo editorial dos respectivos países.
Então, Portugal será diverso dos outros países?
A resposta será dolorosa, a nosso ver, para quem gosto do jogo, acima dos seus clubes. 
Dolorosa…mas crua!
Os adeptos de futebol do nosso país, infelizmente, preferem olhar para o jogo, através do êxito dos seus clubes, das suas vitórias, reproduzir as palavras (sábias ou não) dos seus opinion-makers, deleitar-se, de modo necrófago, com as opiniões difundidas em programas de painel!
A história do jogo, apenas, interessa para apresentar argumentos aos adeptos rivais, acerca de quem foi mais beneficiado pelos juízes.
Os momentos protagonizados pelos ídolos de outros tempos, simplesmente, servem para cultivar momentos de grandeza em relação aos demais!
Tal, leva ao profundo desconhecimento do jogo!
A acrescer a isso, a inexistência da capacidade do nosso país apresentar um panorama literário futebolístico.
Voltemos a comparar com o que passa nos demais países. Bastará percorrer o Amazon, caso não tenhamos a possibilidade de entrar numa livraria de outro nação.
A oferta de (boas!) histórias futebolísticas prendem a atenção dos aficionados. A existência de autores especializados em escrever sobre o futebol tornam o tema algo de diverso do que sucede em Portugal, em que pouquíssimas obras conseguem ter êxito.
Assim, para quem ama ler o desporto rei, a solução será perscrutar mercados internacionais… aprofundar os conhecimentos linguísticos e deleitar-se com pérolas literárias, em que se entrecorta a boa escrita com o futebol!
Ao invés, Portugal continua-se a apostar no clubismo e na promoção dos mesmos de sempre.
É mesmo uma questão de cultura…futebolística!"

Lusitano Ginásio Clube versus Juventude Sport Clube

"O desporto não se reduz a uma só prática. Também não é apenas um espectáculo submetido às leis de audiências e dos mercados, pois como produto social estrutura-se em instituições com dinâmicas próprias e organizações com poderes, hierarquias e regras.
O futebol tem vindo, como nenhum outro desporto, a apreender a noção de comunidade imaginária, dada a capacidade de representação de uma nação através dos feitos de onze jogadores em campo. Todos os clubes de futebol têm a sua história. Salientamos aqui dois casos. O Lusitano Ginásio Clube foi fundado em 11 de Novembro de 1911. O Juventude Sport Clube foi fundado em 05 de dezembro de 1918. Ambos têm o Estatuto de Utilidade Pública. O Lusitano de Évora recebeu-o em 1984 e o Juventude de Évora em 1983. Estes dois clubes de futebol localizam-se na cidade alentejana de Évora e a sua rivalidade é ancestral. E tanto quanto nos é dado observar, têm o privilégio de disputar penosamente os campeonatos da III Divisão.
Estes dois clubes de futebol são proprietários de terrenos de grande valor comercial. As instalações dos dois são degradantes. Basta visitá-las para ver o estado em que se encontram. As direcções têm sido incapazes de promover projectos conjuntos. A fusão tem sido impossível. É pena, pois juntos poderiam ir mais longe e Évora merecia. Se algum dia houver uma fusão, sugerimos a atribuição do nome Juventude Lusitana."

Avante...

Levantar a cabeça

"Da mesma maneira que não entrámos em euforias com as primeiras vitórias, seria irracional entrarmos em depressão na sequência da derrota deste sábado. Analisar com rigor e encarar fria e colectivamente, como sempre fazemos, as razões deste desaire, é o primeiro passo para rapidamente darmos a volta.
Estamos ainda no início de uma época longa e bastante exigente. Este será, conforme expectável, um campeonato certamente muito competitivo e em que tem sido visível a melhoria de qualidade de quase todas as equipas, basta ver que todas já perderam pontos.
Ganhámos brilhantemente o primeiro troféu em disputa, a Supertaça, e sabemos o muito que temos de lutar para atingir os nossos principais objectivos, tanto na frente interna, com Campeonato Nacional, Taça de Portugal e Taça da Liga, como na externa, em que, infelizmente, somos o único clube português a representar o nosso país na Liga dos Campeões.
Nenhum destes objectivos foi colocado em causa, e pela humildade, valor, capacidade e provas dadas por este grupo campeão nacional, estamos naturalmente confiantes em relação ao futuro.
Importa realçar a forma absolutamente extraordinária como, apesar do resultado negativo, as dezenas de milhares de benfiquistas presentes no Estádio da Luz quiseram expressar o seu apoio à equipa até ao último minuto do jogo.
Exemplo raro e único aquele 86.º minuto. Da expressão dos adeptos pelo seu amor ao Clube e reconhecimento que confiam numa equipa que, em anos bem recentes, demonstrou que o que verdadeiramente importa é como acabam, e não como começam, as competições.
Agora todo o enfoque está já na muito difícil deslocação a Braga. Estamos certos de que os milhares de benfiquistas do Norte se mobilizarão como sempre e demonstrarão mais uma vez que é nos momentos difíceis que o seu apoio surge de forma mais veemente e vibrante.
Tão importante como saber perder é saber ganhar e, mais uma vez, é de repudiar as lamentáveis declarações e insinuações feitas pelo porta-voz do FCP, que logo após o final do jogo, primeiro com a bazófia de quem se já considera campeão e depois, mais grave, inventando e fabricando toda uma história falsa, ao acusar de que tinha sido responsabilidade do nosso clube não colocar o nome do presidente do FCP na ficha de jogo, procurou criar mais um caso.
Por incompetência e má-fé, omitindo que a ficha de jogo de cada equipa é preenchida na plataforma da Liga por cada delegado desse respectivo clube, e só por ele sem qualquer outra intervenção externa, e como tal neste caso foi o delegado do FCP que não colocou o nome do seu presidente, porque está castigado.
Uma intervenção que marcou o tom para que os mesmos que já festejavam e se consideravam campeões em dezembro do ano passado agora não escondam a sua euforia e já se considerem campeões, ainda Agosto não acabou. Apesar das 31 jornadas que ainda faltam disputar.
Da nossa parte, treino a treino, jogo a jogo, como sempre vamos à luta!"

Análise ao Clássico: o dragão consumiu todo o oxigénio na Luz

"Foi um final de tarde de sábado penoso para o SL Benfica. E o resultado é o menos relevante. Em pleno Estádio da Luz, tanto no relvado como nas bancadas e tirando momentâneos fogachos encarnados, só deu azul.
Vi um FC Porto mais próximo da sua identidade com um meio-campo a três capaz de preencher os espaços, pressionar o portador da bola e, com qualidade, controlar, circular e rasgar o jogo com bola. Além disso a dupla Pepe-Marcano parece começar a ganhar maior consistência. Este FC Porto com maior poder central, com maior capacidade de pressão e retenção da bola, mais seguro sem bola e no momento de recuperação, beneficia depois da capacidade dos seus laterais e avançados de partirem em força e velocidade para cima da defesa adversária. Foi isto que vimos ontem na Luz. Um Porto dominador no centro do terreno, seguro a defender, forte na recuperação e depois eficaz no lançamento dos seus avançados a despedaçar o posicionamento defensivo da equipa da casa.
Assim, foi sem espaço para jogar pelo centro que o Benfica desde cedo começou a demonstrar grandes dificuldades em respirar.
A equipa de Bruno Lage apresentou-se na Luz sem surpresas no 11 inicial e com uma série de 12-0 em três jogos disputados. Cheia de uma confiança que logo desapareceu assim que Jorge Sousa apitou para o arranque do Clássico.
O Benfica apareceu desconfortável no jogo e incapaz de colocar a funcionar o seu futebol rápido, criativo e de toque, e aos 10 minutos de jogo parecia já não haver oxigénio suficiente que permitisse aos jogadores encarnados pensar e executar. A bola queimava, as decisões demoravam a ser tidas e caiu-se numa constante procura do jogo pela profundidade com a bola frequentemente a sobrevoar o meio-campo encarnado.
Foi com o jogo totalmente amarrado que saltaram à vista os erros de casting deste plantel e principalmente das escolhas do Bruno Lage. Equívocos que têm sido camuflados pela força do colectivo e eficácia ofensiva dos jogadores mais criativos.
O primeiro tempo foi totalmente controlado pela equipa visitante. Já a segunda-parte trouxe-nos um jogo diferente, com mais Benfica, mas ainda assim insuficiente.
A entrada de Taraabt permitiu à equipa ter mais bola, ter saída com mais critério e ter ainda maior criatividade no último terço ofensivo. Contudo, apesar desta melhoria, a equipa continuou só a encontrar espaços nas laterais e os constantes cruzamentos foram sendo totalmente controlados pela dupla de centrais portista. E se a subida encarnada não trouxe grande perigo à baliza de Marchesín, o guardião não pode dizer o mesmo dos espaços que esta gerou para os atacantes do Porto explorarem o ataque à baliza.
Bruno Lage voltou a decidir bem com o lançamento de Chiquinho, contudo a decisão de tirar Florentino para lançar Vinícius foi um acto de desespero e totalmente desapontador, pois a equipa ficou totalmente exposta à posse de bola dos médios portistas e à velocidade dos atacantes adversários. O segundo golo poderia ter surgido mais cedo e apareceu a colocar justiça no marcador.
Apesar dos dois golos sofridos, o problema do Benfica não morou na sua baliza. Vlachodimos foi igual a si próprio – fantástico entre os postes e totalmente desconfortável fora destes. É um guarda-redes que não dá qualquer segurança para se jogar com a linha defensiva mais subida no terreno.
Na defesa, só Rúben Dias pareceu aguentar a pressão do clássico e dos jogadores adversários. Enquanto Ferro tremeu o jogo todo, com e sem bola, Rúben foi tentando impôr a sua presença e liderança. Grimaldo, tal como Ferro, apareceu a jogar totalmente sufocado, sem bola mostrou-se incapaz de acompanhar o seu adversário e com bola várias vezes perdeu o controlo ao primeiro sinal de alguma pressão. Já Nuno Tavares simplesmente confirmou que é um equívoco alguém pensar nele como uma solução para a lateral direita. Condução de bola com o pé exterior, pouca qualidade e confiança para passar e cruzar com o pé direito e incapaz de controlar o espaço nas suas costas por rodar precisamente para o lado contrário.
O meio-campo foi simplesmente abafado pelo trio adversário. Sem espaço para terem bola e em inferioridade no momento da pressão, Florentino e Samaris foram dois jogadores somente destinados a correr atrás da bola e dos adversários.
Também de Pizzi e Rafa não veio a magia que temos vistos nos últimos jogos. Sofreram pela derrota colectiva da equipa e viram o seu jogo totalmente condicionado. No ataque, Rafa não teve qualquer espaço para arrancar pelo centro como tão bem faz. Contudo é de ressalvar que foi incansável na perseguição a Corona e nas compensações a Grimaldo.
No centro do ataque está o outro grande equívoco de Bruno Lage. A dupla Seferovic e RDT não funciona neste sistema de jogo. O Benfica procura jogar da mesma forma que na época transacta e Bruno Lage não pode continuar a ignorar que até Maio o centro criativo da equipa era Jonas ou João Félix. Até essa data, os encarnados actuavam com um jogador criativo, inteligente e de técnica superior atrás do ponta de lança. Um jogador que fazia a ligação entre o meio-campo, as alas e o avançado. Um jogador que fazia a bola rodar no centro atacante e que desmontava as defesas adversárias com as suas movimentações, tabelas e passes. Um craque sempre de cabeça levantada. A ausência de um jogador com estas características naquela posição tem sido, especialmente neste jogo, fatal ao futebol encarnado. Raul de Tomas não é esse jogador e continuando ali tudo o que teremos é alguém a correr muito para condicionar a saída de bola do adversário. Há no plantel opções para esse lugar e Bruno Lage terá de tomar algumas decisões. Seferovic não tem correspondido, o colectivo da equipa está condicionado e o próprio RDT é desperdiçado naquela posição, pois o seu lugar é indubitavelmente o de ponta de lança.
A uma semana do fecho do mercado, este jogo confirmou a necessidade do Benfica em se reforçar – Vlachodimos é bom, mas não é o guarda-redes ideal para o jogo de Lage e a lateral direita não pode continuar 100% dependente de André Almeida.
Este foi então um jogo extremamente bem conseguido por parte do FC Porto que parece caminhar para a consolidação das suas parcerias – Marega e Zé Luis; Pepe e Marcano; Danilo, Uribe e Baró. Foi também um jogo que expôs as debilidades actuais do Benfica, uma lição que pode trazer grandes aprendizagens a um treinador humilde e inteligente como é Bruno Lage. Sem Gabriel, ou se aposta em Taarabt ou o treinador necessita de fazer uma última exigência ao mercado. Sem Jonas e Félix, a solução terá de passar por Chiquinho e Jota. Já Raul de Tomas deverá ter a oportunidade de disputar o lugar de ponta de lança com Seferovic.
Resultado justo. Talvez ainda afectado pela dor afirmo que foi mesmo um massacre azul e branco em pleno Estádio da Luz."

Portimão vestiu-se de “encarnado”

"O maior torneio da pré-época no futsal decorreu neste fim-de-semana na arena de Portimão, e contou com a presença, como sempre, de quatro das equipas mais fortes da Europa. Este ano, como em todas as edições anteriores, contámos com a presença de duas equipas nacionais, o Sporting CP e o SL Benfica, e duas equipas convidadas, o Inter Movistar FS, de Ricardinho, e o vice-campeão europeu em título, o Kairat Almaty AFC, oriundo do Cazaquistão.
Ao longo dos dois dias de competição, vimos futsal de alta qualidade neste torneio relativamente recente, mas que se afirma cada vez mais como uma paragem obrigatória para todos os clubes de topo europeu e mundial.
Como já vem sendo habitual, os representantes nacionais tiveram uma prestação muito positiva, ficando nos lugares cimeiros da tabela classificativa. Dos quatro jogos desta competição, três foram ganhos por equipas nacionais, com a única excepção a ser o empate entre Sporting e Inter, uma igualdade que acabou por se revelar decisiva para apurar o campeão, o Benfica.
Com a época oficial 2019/20 prestes a arrancar, com a realização da Supertaça, podemos antever mais uma temporada fantástica em Portugal.
Vamos ter duas belas equipas candidatas aos troféus nacionais e europeus, e como também é normal. Temos também um lote de boas equipas a lutar por lugares de destaque na Liga e pela conquista das Taças, como o SC Braga/AAUM, a AD Fundão, o MODICUS. Pode haver ainda outras equipas que se possam superar e chegar aos lugares tipicamente ocupados pelas equipas acima mencionadas.
Mas falando um pouco mais pormenorizadamente do que se passou no Sul do país. No primeiro dia, o Benfica começou por ganhar à equipa do leste europeu por 3-1. Num jogo bem conseguido pelos pupilos de Joel Rocha, com golos de Afonso Jesus, Tiago Brito e Robinho para os encarnados.
O Sporting empatou a três bolas com o Inter Movistar, encontro em que deu para observar inequivocamente a qualidade e a valia dos reforços Taynan e Pauleta. Estão a evoluir de jogo para jogo e prometem fazer muita mossa nesta próxima época. Os golos leoninos foram marcados por Leo, Rocha e Taynan.
Partíamos assim para o último dia de competição com três pontos para o Benfica, um para o Sporting e Inter e zero para o Kairat.
No domingo, o dia começou com um jogo entre Sporting e Kairat, e mais uma derrota para a equipa cazaque. Desta feita por três golos sem resposta (bis de Taynan e terceiro golo de Leo), num jogo que deixava o Sporting a torcer por um empate entre Inter e Benfica no último jogo.
Mas as “águias” não deixaram fugir esta oportunidade de ouro de conquistar este título e venceram 5-0, com golos de Miguel Ângelo, Fernandinho (2), Robinho e Chaguinha. O SL Benfica sagrou-se assim vencedor desta International Masters Cup pela primeira vez e Portimão teve festa em tons de “encarnado”. O SL Benfica ficou então com seis pontos, contra os quatro do Sporting, um do Inter e zero do Kairat.

A Figura
Taynan da Silva – Não é surpresa nenhuma a sua qualidade de jogo, porque vinha de um dos melhores clubes europeus, mas a sua rápida adaptação ao plantel leonino e respectiva equipa técnica é incrível, apenas ao nível de um predestinado."

Eduardo Nunes, in Bola na Rede

PS: Não deixa de ser engraçado, que a Figura da competição (o melhor jogador), não seja um dos jogadores da equipa que dominou o torneio!