Últimas indefectivações

quinta-feira, 21 de julho de 2011

A 'incorrecção' de juntar futebol e crise (II)

"As dificuldades por que passa Portugal (e o Mundo) deveriam conduzir quem decide a ser prudente e parcimonioso. No futebol, a cultura dominante é a de que vale tudo, desde que se ganhe. E, ao invés, de que nada vale, quando se perde. A única métrica é a do marcador. Tal constatação leva a que a ponderação das decisões e sentido de responsabilidade se desvalorizem como factores de avaliação de uma gestão desportiva.

Um facto é objectivamente irrefutável: este modo de agir constitui uma fuga para a frente. Perigosa fuga, quando se sabe que, nos próximos anos, o retorno dos dinheiros gastos será mais difícil ou impossível. As receitas com publicidade e merchandising vão recuar, o acesso à banca é mais difícil e mais caro, a diminuição do rendimento disponível das famílias vai manifestar-se numa menor receita de bilheteira e de quotas de associado e - mais grave - atravessa-se a pior altura para negociar direitos televisivos, por sua vez suportados por publicidade que se retrai.

Os clubes são instituições que sobrevivem como os Estados: acumulando dívida e passivo ou antecipando proveitos futuros. Repercutem para a frente os gastos de hoje. Com uma diferença: não podem cobrar... impostos!

Esta é uma crise que nem sequer tem levado a um pacto de contenção entre clubes. Pelo contrário: a ideia é vencer, no mercado, o opositor, custe o que custar e a quem custar. Ao que sei, da fartura dos quase trinta jogadores que os três grandes contrataram, não há um único português (apenas Michael para não jogar e Eduardo por empréstimo). Apenas magotes de jogadores banalíssimos por milhões. Iguais ou piores que muitos dos que cá nasceram. Mas que, na onda da crise, dão sempre azo a comissões e outras prebendas sem crise."


Bagão Félix, in A Bola

A 'incorrecção' de juntar futebol e crise (I)

"Gosto muito de futebol. E aprecio o seu contributo para a «felicidade nacional bruta a preços do mercado». Mas num País em que, simbolicamente, o Presidente da República nada ganha pelo exercício das suas funções, acho que no futebol tudo está hiperinflacionado. Ou seja, poderíamos ter o mesmo por menor preço...

Em severos tempos de crise, é dificilmente compreensível a atmosfera de abundância que, impassivelmente, se continua a respirar no mundo do futebol. Lá fora e - mais surpreendentemente - cá dentro.

Houvesse rating para os nossos principais clubes e, por certo, ver-se-iam gregos (até mais do que portugueses) na escala das letrinhas que, implacavelmente, as agências de notação lhes assinalariam.

A facilidade com que se fala de milhões para cá, milhões para lá no futebol, é uma forma perversa de separar este mundo à parte da realidade dura da vida dos portugueses. Num País, onde um modesto trabalhador vai ter de prescindir de metade do seu subsídio de Natal, contratam-se e apaparicam-se uns rapazes que ganham num dia duas ou três vezes mais do que o tal 14.º mês decepado.

Estou consciente de que o que agora e aqui escrevo não é desportivamente correcto... E, certamente, também não é o que o povão da bola gosta de ler e ouvir. Quer sempre mais, indiferente a saber quem vai pagar a factura (mais tarde ou mais cedo e inexoravelmente, o mesmo povão).

Sei que sempre foi assim. O que não compreendo é que este sempre ter sido assim se agrave num momento em que a ética de austeridade ou é para todos ou não existe. Alguém que nada conhecesse de Portugal, e só olhasse para as primeiras páginas desportivas, diria que Portugal era um verdadeiro oásis no meio do deserto da penúria."


Bagão Félix, in A Bola

Capdevila



O defesa esquerdo titular indiscutível da Selecção Campeã do Mundo e da Europa já assinou pelo Benfica.

Na minha opinião é uma contratação de risco, apesar do curriculum, o Capdevila tem 33 anos. Como estamos nas vésperas de um Europeu, espero que o jogador venha com a motivação para corresponder...

É obviamente um jogador experiente, duro, muito bom no jogo áreo defensivamente e ofensivamente e com um remate certeiro fora da área. Agora não esperem grandes dribles...


Dois pensamentos...



Benfica 1 - 0 Toulouse



1. Pensando no Campeonato, que só começa daqui a 4 semanas, as expectativas que este plantel dá aos Benfiquistas, têm que ser altas...

2. Pensando no jogo da próxima Quarta-feira com Trabzonspor, as expectativas estão condicionadas, por um defeso complicado, com a chegada de muitos jogadores novos, e a ausência de outros devido aos 'parvos' compromissos das Selecções!!!

A principal ilação deste jogo é que o Benfica, no meio-campo, e na 'frente' tem 'duas equipas e meia!!!' As opções são muitas, e de qualidade. Os famosos 'automatismos' ainda estão perros, como é normal neste início de época com muitos jogadores novos, mas o potencial está lá... Esta época o Jesus não vai ter desculpas para não fazer rotação do plantel... Só o Cardozo não tem no plantel um substituto 'parecido' na forma de jogar...

O jogo foi morno, é verdade que o adversário não é um grande 'nome', mas a Liga Francesa é muito equilibrada, a diferença dos melhores, para o meio da tabela é 'curta'. Sendo que este Toulouse é praticamente constituído por jogadores formados na 'cantera', portanto com um conhecimento mútuo profundo, que a pré-época não 'atrapalha'!!!

Todos os jogos têm servido para melhorar, hoje tivemos bastante melhor nas movimentações defensivas, só permitimos duas oportunidades ao Toulouse (dois contra-ataques, um em cada parte...). Ofensivamente falhámos alguns passes fáceis, porque os jogadores queriam jogar depressa (mesmo quando não era exigido...).

Creio que o único jogador que jogou abaixo do expectável foi o Bruno César: tem tudo para ser o próximo mal-amado dos Benfiquistas!!! Tentou demasiadas vezes o primeiro toque, demonstrou bastante ansiedade... O Garay não engana, a maneira como 'dobrou' os parceiros, e a forma eficaz como passa a bola, são amostras de grande talento... O Emerson começou tímido, mas mesmo sem entrosamento, equilibrou a defesa com a sua presença... O Enzo finalmente 'carburou', mas o Urreta não lhe vai facilitar a vida!!!... O Nolito tem um pouco de 'Jara', e vai marcar muitos golos, mas dificilmente vai 'encaixar' com o Cardozo!!!... O Saviola está com muita vontade, e o Aimar hoje, demorou sempre demasiado a soltar a bola... As dúvidas sobre o Matic começam a ser 'apagadas'. Ele não era um '6', mas está a aprender depressa. Se calhar está na altura para se refazer as contas da transferência do David Luíz!!!... Admito que a 'imagem' (televisiva) que tinha do Witsel não era a 'melhor', hoje depois de o ver ao vivo, afirmo que vai ser o melhor jogador do Campeonato!!!... O Jardel voltou a demonstrar apetência pelos golos(!!!) Ao contrário de muitos acho que o Jardel não é tão mau como pareceu no jogo com o Servette, não vai ser uma estrela, mas pode ser útil... O Fábio Faria não deve ficar no plantel, mas admito que fiquei surpreendido com as exibições positivas como Central nestes últimos dois jogos... O Nuno Coelho poderá ser uma opção de recurso para defesa direito, se calhar menos 'irregular' que o André Almeida... O deslumbramento/displicência do Nico às vezes irrita... Desta vez foram só 10 minutos, mas voltei a gostar bastante do Rodrigo Mora...




PS: Uma primeira nota para as arbitragens!!! No primeiro jogo do Algarve, o Nuno Coelho sofre uma entrada 'assassina', fica no chão, não protesta, a falta é marcada a nosso favor, e quando se levanta, leva Amarelo!!! (tendo sido mostrado na sequência deste lance mais dois amarelos a jogadores do Benfica!!!). No segundo jogo no Algarve, o Urreta faz uma má recepção, recupera bem, ganha posição, sofre falta, e o árbitro assinala falta contra o Benfica, mostrando imediatamente Amarelo ao Uruguaio!!! Hoje, tivemos que aturar um critério ordinário, mas habitual: os avançados do Benfica são empurrados, agarrados, puxados, rasteirados, e 'segue jogo', os nossos defesas 'sopram' nos adversários, é falta!!! A falta não assinalada sobre o Nuno Coelho, na jogada que deu pontapé de canto, no último minuto da partida, é um bom exemplo...!!!

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Eduardo

Será provavelmente a contratação mais 'polémica' da época. Pessoalmente considero o Roberto superior, mas como já afirmei anteriormente o Espanhol não tem 'ambiente' na Luz. Curiosamente os defeitos de ambos são parecidos: Cruzamentos e 'brancas'!!! Espero que a paciência dos Benfiquistas seja superior neste caso...

O Artur tem correspondido nesta pré-época demonstrando acima de tudo, calma e confiança, espero que a pressão dos 'mérdias' que vai acontecer para que o Eduardo seja titular ('senão perde a titularidade na Selecção!!!' Este vai ser o slogan...!!!), não perturbe o Jesus...

Parece que os Corruptos tentaram desviar o Eduardo(!!!), e foi só o coração Benfiquista do jogador (e da família) que impediu a 'mudança', só por isso merece um voto de confiança. O talento existe, as exibições no Mundial da África do Sul, são disso prova...


Emerson

Estreou-se hoje o novo defesa esquerdo do Benfica. Não vai ter tarefa fácil, provavelmente vai ter concorrência de 'peso' e ainda por cima vai ter que carregar o 'fantasma' Coentrão!!!

Fez uma exibição positiva (apesar de um erro na parte final do jogo), o intervalo serviu para o Jesus rectificar os movimentos, melhorando bastante na segunda parte. Não é um driblador, mas sobe com determinação, defende com competência, tem força e velocidade, com o Maxi no outro lado a subir 'à maluca' (como é habitual e desejável) temos aqui um bom contra-peso...

Vi alguns jogos do Lille nas últimas épocas, já conhecia o Emerson, acho que ele vai produzir ainda mais do que fez esta noite. Hoje notou-se algum medo em arriscar ofensivamente, normal, com os treinos e os jogos, o entrosamento e a confiança vão melhorar concerteza...


Renascer das cinzas

"É uma história de tenacidade e heroísmo pouco comum neste Mundo global, cada vez menos solidário e mais desumanizado, em que cada um vai tratando da vidinha e da auto-promoção. Está a acontecer no Japão, mas tem significado e valor universal.

A equipa de futebol do Vegalta Sendai, com sede numa cidade que esteve no coração da tragédia causada pelo terramoto-tsunami de 11 de Março passado, em vez de cruzar os braços e de se enrodilhar na resignação e na lamúria, decidiu ir à luta e bater-se por resultados capazes de mobilizarem a população da cidade e da região. É um caso exemplar e comovente por tudo aquilo que revela da força anímica de um povo tantas vezes martirizado por catástrofes naturais e não só.

Quando em finais de Abril, com o país ainda em busca da normalidade, recomeçaram os jogos da Liga Japonesa de Futebol, a equipa do Vegalta Sendai,lutando pela recuperação do seu estádio e dando apoio psicológico a jogadores com famílias atingidas pelo cataclismo, desceram ao relvado e obtiveram, com o apoio incondicional do público, uma vitória a que outras se seguiram, numa sequência surpreendente para quem sabe até que ponto os problemas do foro psicológico se reflectem nos resultados desportivos. Essa sequência traduziu-se em mais de uma dezena de jogos vitoriosos, feito invulgar numa equipa mediana, ou mesmo em qualquer outra equipa no âmbito de uma temporada de alta competição. O Vegalta renascera dos escombros e das cinzas.

Para que tal aconteça, é preciso haver alma, vontade individual e colectiva e uma forma de heroísmo que permita transformar a desgraça em energia e o desânimo em coragem.

Estamos em presença e um excelente e mobilizador exemplo para países em crise, como é o caso do nosso, mas também para clubes e equipas de futebol com grandes responsabilidades que, deste modo, podem sentir-se tocados pela 'boa estrela' da solidariedade activa e da combatividade estóica. Estamos sempre a aprender."


José Jorge Letria, in O Benfica

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Ponham os capuzes! Vamos ao assalto!

"Ah! Foi um regalo vê-los naquele desfilar ridículo de fardas novas! Um deslizar de pobres tontos, agarrados aos seus títulos de pacotilha, orgulhosos de vitórias obtidas à custa dos serviços prestáveis de mulheres da vida, como no tempo da Babilónia, de repastos de frutos do mar, e de tardias visitas de circunstância dos empregados do senhor de cócoras a casa do antigo vendedor de frigoríficos. Umas das fardas, imagine-se, era negra. Talvez para que quem tanto esforço faz para os trazer ao colo não se sinta desfazado no tom e haja assim uma equipa de 14 mais homogénea.

Havia risos e galhofa. Terá havido, seguramente, no meio da tranquibérnia, graçolas ordinárias dirigidas àqueles que não fazem parte da pandilha, como é hábito da casa e vício bacoco do insuportável senhorio. «Gentinha sem nível», murmurará quem faz o favor de me ler. Pior do que isso, paciente leitor: gentalha bárbara e sem princípios, viciada na trampolinice sem a qual não sobrevive, tal e qual é fundamental para nós o oxigénio que respiramos. Já ninguém estranha. Quanto muito ainda há quem se ofenda de, neste alguidar manhoso onde a Europa lava os pés, haver ainda tanto descaramento, tanto descoco, tanta impudícia. Enfim, é próprio de quem desconhece o significado da palavra probidade e ignora os sinónimos de honradez. Por mim, confesso: resta-nos rir. Mesmo que seja um riso triste...

A certa altura, eis que se apresentam, na «passerelle», uns moços de capuz escondendo as caras, as identidades. E, então, percebemos que depois da fraude a que fomos obrigados a assistir recentemente, se prepara novo assalto. Encapuzados, à boa maneira de bandoleiros de outros tempos, eles estão prontos! Provavelmente a cavalo de quem tão docilmente se põe de cócoras, ei-los que aí vêm. Por onde passarem não crescerá relva, como sucedia com Átila, o Flagelo de Deus, e seremos sujeitos aos roubos, aos esbulhos, às afrontas e às vergonhas que desde há mais de 25 anos se cozinham nos subterrâneos esconsos deste Mundo podre que parece não ter fim."


Afonso de Melo, in O Benfica

Aguardemos

1. Já estava com saudades dos nossos jogos. Sábado foi um 'fartote' de golos; no domingo, um 'fartote' de falhas. Mas nem um nem outro jogo permitem conclusões. O adversário de sábado não contou. O Benfica de domingo foi um Benfica preso de movimentos (natural nesta altura da preparação), face a um Servette em fase mais adiantada. Aguarde-mos pelos jogos a sério...


2. Já o disse e repito: o Benfica está muito mal servido de cronistas nos jornais desportivos (com uma ou outra honrosa excepção, como é o caso de Miguel Góis no 'Record'). Há os que não adiantem nem atrasam e há aqueles que até prejudicam, como é o caso de Marta Rebelo, também no 'Record'. Deve ser daquelas que, em vez de apoiarem a equipa, assobiam os seus ódios de estimação. Agora, depois dos quatro golos de Cardozo, vem lamentar a sua continuação, afirmando (imagine-se!) que 'era só o que nos faltava, mais uma época sem avançado'. Pois é: realmente, marcar 50 golos em dois anos é muito pouco...


3. Foram alteradas (e bem) algumas normas que regulam o comportamento das chamadas claques, sendo previstos jogos à porta fechada quando os distúrbios são mais graves e implicam interrupções de jogo superiores a cinco minutos. O que se passou nas últimas épocas, nomeadamente com a chuva de bolas de golfe atiradas para o campo ('invenção' da claque do FC Porto, muito bem seguida em Braga e, infelizmente, com sequência, embora em ponto mais reduzido, o nosso estádio), não pode continuar. Acontece que serão os órgãos disciplinares da Liga a decidir dos castigos e eu tenho pouca confiança neles. Mais uma razão para que os nossos adeptos (em especial os 'No Name Boys' e os 'Diabos Vermelhos') se comportarem de forma exemplar, não dando oportunidade a que o Benfica seja punido. Só por motivo de força maior falho um jogo do Benfica no nosso Estádio. Não quero ser obrigado a falhar por mau comportamento de alguns. Nem quero mudar a minha opinião quanto à utilidade e benfiquismo da grande maioria dos jovens dos No Name e dos Diabos, que muito puxam pela equipa..."


Arons de Carvalho, in O Benfica

Entrega

"O plantel está a trabalhar e o principal da carga de trabalhos é estruturar uma equipa com tanta e tão boa matéria-prima. Deu para ver sinais do grande potencial disponível - e o plantel nem sequer está completo, sem fechado -, nos dois primeiros jogos-treino na Suíça. Mas deu, sobretudo, para avaliar o muito que há para fazer: reforçar fisicamente todo o elenco, ainda fraco de pernas com uma semana de trabalho, ganhar serenidade, concentração e consistência, definir um fio de jogo e entrosar melhor a manobra, estabelecer a táctica e fixar um modelo de equipa, com os seus protagonistas e intérpretes.

Depois, tudo o mais que há para apurar e pôr em prática vem com a rotina de treinar e o ritmo de jogar e com o calo que cada um e todos vão ganhando. Calculo que será um quebra-cabeças formar um plantel de 27 ou 28 jogadores com tantos meios humanos disponíveis. Mas é para isso que os benfiquistas confiam nos dirigentes e na equipa técnica do seu glorioso emblema. Os homens escolhidos para dirigir e constituir o plantel vão ser ao longo de uma época os depositários da esperança dos benfiquistas. E isto é uma questão de enorme responsabilidade de que cada atleta tem que se mostrar merecedor, começando por merecer a escolha para integrar o plantel.

O amor ao emblema é factor determinante para essa escolha, porque estará subjacente a todos os outros. Porque é aí que reside o fundamento de quase tudo o que os atletas vão fazer ao longo do ano. Devem ter talento, técnica, garra e forma física. Mas haverão de ter, igualmente, amor, dedicação, respeito e entrega ao emblema. Tanta ou mais entrega como a dos milhões de adeptos que os apoiam."


João Paulo Guerra, in O Benfica

Linguagem do sucesso

"Os mais saudosistas referem-se, amiúde, àquele Benfica que apenas admitia jogadores de nacionalidade portuguesa nas suas fileiras. Entre outras, essa era uma bandeira de honra, tantas vezes levantada com orgulho incontido. Ademais, nesses tempos, as vitórias era mais do que muitas, a hegemonia no Futebol indígena foi uma realidade incontestável. Só que muita coisa mudou, independentemente da vontade e da honra benfiquista.

Contratar atletas oriundos de outras paragens tornou-se mesmo uma fatalidade, sob pena do Clube ficar secundarizado em termos competitivos. Nos últimos anos, a tendência recrudesceu, dir-se-ia até de forma impiedosa. Culpa do Benfica? Nem pouco mais ou menos. Culpa de um sistema que não protege os nacionais. Só em Portugal? Também noutras latitudes, de resto bem mais poderosas no plano financeiro. Exemplos? Quantos jogadores espanhóis tem o Real Madrid? Quantos jogadores ingleses tem o Chelsea? Quantos jogadores italianos tem o Inter?...

Esta temporada, as duas maiores referências, considerando a longevidade no Clube, mudaram de ares. Por ironia, ambos portugueses. Nuno Gomes e Moreira, sem que suscite crítica a decisão técnica, ficam no canto esquerdo do peito de milhões de benfiquistas. Outra saída? Também portuguesa? A de Fábio Coentrão, num processo irreversível, mas que machucou o alicerce anímico do universo vermelho.

E agora? Importante é olhar em frente, apoiando sem reservas no presente. Os que servem o Benfica são os nossos, só esses. Têm que ser credores de confiança. Os jogadores, os técnicos, os responsáveis. Que linguagem vai falar o Benfica? Será que isso importa se for a universal (logo, também lusitana) linguagem da vitória?"


João Malheiro, in O Benfica

Considerações (pré-época)

"A pré-época do SLB tem dado azo às mais diversas opiniões, todas elas discordantes quanto à forma e à quantidade dos jogadores que integram o plantel do nosso Clube. Como estamos num País livre, qualquer pessoa tem direito à sua opinião, desde que depois aguente o contraditório se as suas certezas se tornarem uma autêntica falácia.

Como sou um cidadão europeu e independente sem estar ao serviço de quem quer que seja, continuarei a apelar ao bom senso dos benfiquistas para se unirem em torno do nosso clube, para assim nos tornarmos cada vez maiores e mais fortes. Fala-se muito que temos jogadores a mais no plantel, já houve tempo que se falava que tínhamos falta de jogadores. A tese é a mesma, embora com contornos diferentes. Ou seja, preso por ter cão e preso por não ter.

Pela 1.ª vez em muitos anos começamos com o mesmo treinador pela terceira época consecutiva. É assim que estamos no caminho certo, pois a estabilidade será sempre maior do que a aventura. É claro que o nosso Clube tem uma estrutura que fará a avaliação de tudo o que se passar durante a época, para no fim da mesma se tomar as devidas ilações. Mas uma coisa quero afirmar:

Um treinador não é bom ou mau, conforme ganhar ou perca Campeonatos. Conheço muitos que já foram campeões e são bem fraquinhos. Há outros que quase nada, ou nada ganharam, e nunca tiveram uma verdadeira chance de mostrar a sua valia. Mas eu estou sereno. Não sei o que vamos ganhar ou se vamos ganhar algo. Dentro do campo sei que vamos ser muito fortes. Que nunca falte o apoio que vem de fora."


José Alberto Pinheiro, in O Benfica

...'a subir' no Guadiana!!!





Benfica 2 - 2 Anderlecht
Saviola, Urreta


Desta vez além dos conhecidos problemas defensivos, demos um festival de como falhar golos, principalmente na 1ª parte!!! Com o decorrer do jogo, o poder físico dos Belgas equilibrou o jogo, e obrigou o Artur a trabalhar, a saída do Miguel Vítor por lesão acabou por abalar (ainda mais) a consistência defensiva da equipa...



PS: Pois é, 14 milhões de Benfiquistas a fazerem 'figas' para o Brasil ser eliminado, deu em 4 penalty's falhados, quem mandou o Seleccionador Brasileiro convocar o Luisão?!!!

domingo, 17 de julho de 2011

Garay

"Defesa central argentino
Garay assina pelo Sport Lisboa e Benfica

O defesa central Ezequiel Garay assinou, este sábado, em Santa Fé, Argentina o contrato que oficializa a sua transferência do Real Madrid para o Clube “encarnado”.
Recorde-se que Garay está ao serviço da selecção argentina na Copa América e defronta na noite deste sábado a congénere do Uruguai numa partida a contar para os quartos-de-final da competição."


in Site do SL Benfica


Este é o nosso Benfica

"Há expressões a que, pela recorrência da repetição, deixamos de prestar a atenção devida. Recorrentemente, e fazendo uso de uma legítima indignação e de um legítimo sentido crítico, oiço consócios e adeptos do nosso Benfica dizerem que “este não é o meu Benfica”.
Sendo nós benfiquistas, somos do Benfica e somos Benfica. Logo, negar este Benfica como meu seria quase negar uma parte do que sou. Dizia o saudoso Manuel Bento, enquanto olhava, como adepto, para um jogo mal conseguido do nosso Benfica, que o Benfica não são os que estão dentro do campo – e ele que tantas e tantas vezes lá esteve – mas sim os adeptos, os que estão em partilha de crença, sofrimento e entrega ao Benfica. Talvez devido a este sentimento, ainda hoje me arrepio e emociono quando oiço os adeptos gritar em uníssono “O Benfica é nosso”. Sabendo que nessa afirmação mais do que um sentimento de posse está um sentimento de pertença ou, quando muito, uma afirmação da pertença pela posse.
Como é que a voz que grita “O Benfica é nosso” pode também dizer “este não é o meu Benfica”? Não sei, entendo-o apenas como um desabafo. Posso dizer, e já o disse em diferentes momentos destas quase quatro décadas que levo de adepto benfiquista, que “este não é o treinador que eu queria no meu Benfica” ou que “este não é o presidente que queria no meu Benfica” ou que “estes não são os valores que gostaria de ver no meu Benfica”. Mas espero que isto não me conduza ao desabafo de dizer que “este não é o meu Benfica”. O meu Benfica é este, porque não há outro que não este e porque quem vive o Benfica vive-o apaixonada e criticamente, mas nunca fazendo depender essa vivência da concordância ou discordância dada ao rumo do Clube.
O meu Benfica é o que foi, em 1983, ganhar ao FCP e buscar a Taça de Portugal às Antas, com um golo do Carlos Manuel, da mesma forma que é o que viu o FCP festejar o campeonato na nossa casa, em 2011. É o do sexto lugar em 2001 da mesma forma que é o do primeiro lugar em 2010…
Aliás, diz-nos a nossa gloriosa história que, nos momentos críticos em que urgia mudar o rumo, foi essencial que nenhum de nós se demitisse e todos nós fôssemos Benfica. Para isso, é necessário que todos percebamos que “este é o nosso Benfica” e é “nosso” porque lhe pertencemos."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

sexta-feira, 15 de julho de 2011

...a subir



Benfica 3 (4) - (3) 1 PSG

Cardozo, Jara, Saviola

(Saviola, Urreta, Javi Garcia, Nolito)

Melhorias evidentes, até fisicamente a equipa esteve mais solta, ainda longe do ideal como seria de esperar, mas a subir... As ausências na defesa continuam a condicionar (e muito) o jogo da equipa...



PS1: Trabzonspor. Não nos calhou a equipa mais difícil no Sorteio, mas calhou a segunda mais difícil!!! Uma equipa com poucas estrelas, mas que sofre poucos golos, e com um treinador experiente, e matreiro... não vai ser nada fácil.

PS2: Penalty à Javi !!!

Benfica TV, pioneira mais uma vez...

"Até Dezembro
Benfica TV assegura transmissão de 180 jogos

Manchester United, Barcelona, Chelsea, Milão, Inter Milão, Valência, Bayern Munique, Liverpool, Flamengo, São Paulo, Vasco da Gama, Palmeiras, Estudiantes e Vélez Sarsfield são alguns dos clubes que vão poder ser vistos na Benfica TV até Dezembro.
A Benfica TV acaba de alargar a sua oferta de conteúdos, garantindo os direitos de transmissão - em directo ou diferido - de um total de 180 jogos envolvendo clubes e selecções mundiais de topo.
As transmissões incluem alguns jogos de torneios de prestígio da pré-época como a Audi Cup 2011 (Bayern Munique, FC Barcelona, AC Milan e Internacional de Porto Alegre), a Dublin Super Cup 2011 (Celtic, Manchester City e Inter Milão); jogos particulares de pré-época do Manchester United (inclui o jogo com o Barcelona nos Estados Unidos, numa reedição da final da Liga dos Campeões), Chelsea ou Liverpool; jogos de qualificação para o Mundial de 2014, envolvendo diversas selecções nacionais (Brasil, por exemplo)."


"Sobre transmissão de 180 jogos
Ricardo Palacin: "É um dia histórico para a Benfica TV"
O director da Benfica TV, Ricardo Palacin, salientou esta sexta-feira a enorme grandeza dos encontros que o canal de televisão do Clube vai passar a transmitir já a partir deste sábado, dia 16 de Julho.
“É de facto um dia histórico para a Benfica TV e para todos os benfiquistas, pois vamos assegurar a transmissão de 180 jogos até ao final do ano”, começou por afirmar Ricardo Palacin ao canal de televisão dos "encarnados".
O director da Benfica TV sublinhou o facto de a estação ir começar a transmitir conteúdos que só podiam ser vistos até agora noutros canais. “A verdade é que até aqui eram jogos de uma grandeza só capazes de ser transmitidos em canais generalistas ou canais fechados. A Benfica TV vai exibir orgulhosamente jogos de selecções e de equipas de renome internacional”, destacou.
Ricardo Palacin adiantou ainda os moldes como vão decorrer as respectivas transmissões na Benfica TV. “Acho que é muito importante para um canal de clube garantir este tipo de transmissões. Há jogos transmitidos em directo e outros em diferido, tudo dependerá da nossa capacidade de resposta, sendo que há jogos que não vamos deixar de dar, uma vez que o Benfica está em primeiro lugar.”
O director do canal de televisão do Clube da Luz espera que tudo corra pelo melhor. “Estamos todos satisfeitos e espero que consigamos prestar um serviço altamente satisfatório às pessoas. É muito importante conquistar outro tipo de público”, afirmou.
Ricardo Palacin esclareceu ainda que os telespectadores da Benfica TV não terão de pagar nenhum montante adicional para ver estes 180 encontros. “Não se vai pagar mais para se poder assistir a estes jogos, o que é uma novidade e que alegra os telespectadores”, considerou.
O primeiro jogo a ser transmitido pela Benfica TV vai ser o particular entre o Chelsea e o Portsmouth. A partida entre os dois emblemas ingleses tem início marcado para as 14 horas deste sábado, dia 16 de Julho."


in Site do SL Benfica

Confio muito em Jorge Jesus

"Aparentemente o estágio do Benfica baixou a notação do ranking de confiança dos adeptos numa boa época. Sou sensível a alguns argumentos, mas não vejo razões para pânico. O rating da República parece bem mais frágil.

Com um lateral esquerdo bem comprado, com o regresso de Luisão, Garay e Maxi, teremos todas as condições para fazer uma excelente época.

Desde que o objectivo não seja ser campeão em Agosto, nem bater o recorde de camisolas vendidas, e seja o construir uma equipa competitiva, tudo estará a correr os seus termos.

Eu confio muito na capacidade de Jorge Jesus. Haverá seguramente uma opção ou outra de que vou discordar, uma dispensa que não faria ou uma contratação que poderia evitar.

Mas no essencial, sei que Jesus fará uma equipa para lutar por todos os títulos que vamos disputar.

O que falta a Jesus, neste momento é tempo e o que sobra são palpites.

Tempo para apresentar uma equipa que vença e convença já na pré-eliminatória da Liga dos Campeões dia 26 ou 27 de Julho.

A compra deste médio belga, de cabelo fashion e discurso malandro foi acertada e tapou um dos últimos buracos que o plantel ainda tinha.

A recuperação de Ruben Amorim e um lateral de qualidade para a esquerda resolvem os outros. Temos quase dois jogadores por posição, com tempo e Jesus, isto chegará lá.

Como dizia um amigo portista com quem almoçava na quarta-feira, «estou com medo deste Benfica humilde e preocupado» normalmente acaba a vencer. Gosto mais quando «vos vejo fanfarrões e campeões antes de começar a época porque normalmente não chegam a Dezembro».

Que seja como ele diz, porque o Porto parece estar muito forte e Sporting mais perto da frente.

Até 31 de Agosto poderá mudar muita coisa ou quase nada. Hoje, no sorteio, queria o Odense ou o Zurique."


Sílvio Cervan, in A Bola

Prata

O Marcos Chuva conquistou esta tarde a medalha de prata nos Campeonatos da Europa de sub-23, no salto em comprimento com 7,94m, que se estão a realizar em Ostrava na República Checa.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Que bom, não vamos ser os grandes campeões do defeso

"São já muitas as pré-temporadas do Benfica que prometem maravilhas que se desvanecem ao primeiro contacto com a realidade


JÁ repararam, com certeza, que a pré-temporada do Benfica está a deixar eufóricos os nossos adversários. Compreende-se e não lhes pode levar a mal. Sentiríamos exactamente o mesmo no lugar deles.

Do meu ponto de vista, o que me desagradou mais nesta semana suíça não foi o empate com o Servette, nem a derrota com o Dijon, nem a lamentável linha defensiva de recurso, nem a atabalhoada linha média em concurso, nem a ineficiente linha atacante sem discurso.

Estes são apenas pormenores que o tempo, se houver bons ventos, se encarregará de corrigir e de pôr na ordem. O que mais me desagradou foi o facto de não se ter visto um sorriso de um jogador do Benfica ou de um responsável do Benfica ao longo dos 90 minutos vezes 3 jogos na Suíça.

Também não me afundo em pessimismos como alguns adeptos do Benfica que já deitaram a toalha ao chão e ainda Agosto vem longe.

-Bruno César conseguiu aparecer ainda mais gordo no terceiro jogo do que no primeiro jogo! - disse-me ainda ontem um amigo benfiquista, com muita amargura.

-Com Nuno Gomes não tínhamos perdidos com o Dijon - disse logo outro que ia a passar furibundo.

Com o devido respeito pelas opiniões em contrário, julgo que estão a analisar mal a questão. Tudo isto é pensado, científico.

Este ano o Benfica apostou fortemente em começar bem a época, ao contrário do que sucedeu na época passada e em muitas, mas mesmo muitas épocas anteriores. E para começar bem a época a sério, muito provavelmente, tem de começar mal na pré-temporada. É que também são já muitas as grandes pré-temporadas do Benfica que prometem maravilhas que se desvanecem ao primeiro contacto com a realidade.

Portanto, esta época a sério só pode nos pode correr muito bem.

É com grande alívio que devemos constatar que este ano, finalmente, não vamos ser os campeões do defeso.




NA imprensa, a semana arrancou com notícias do interesse do Benfica em Alex Sandro. Portanto, foi sem grande surpresa que os benfiquistas leram ontem na primeira página deste jornal que Alex Sandro assinou um contrato com o FC Porto. Como é público, o FC Porto tem um espião infiltrado na estrutura da Luz e sabe sempre antecipar-se ao Benfica nestas jogadas.

Também não se percebe bem porque razão há-de o Pinto da Costa estar a gastar dinheiro com um espião na Luz quando lhe basta, todas as manhãs, ao sair de casa deitar uma espreitadela aos quiosques e ler nas primeiras páginas dos jornais os nomes de todos os jogadores que interessam e não interessam ao Benfica.

Voltemos a Alex Sandro. Trata-se de um defesa-esquerdo brasileiro que é o habitual suplente de Léo no Santos. Léo está feliz em São Paulo e recentemente afirmou que depois de deixar de jogar o seu maior desejo é chegar a presidente do Santos. Léo cumpriu umas épocas de excelente nível na Luz e deixou saudades.

Só com a expulsão Coentrão na Luz, há dois anos, é que os adeptos do Benfica deixaram de chorar por Léo que se foi embora quase sem ter tempo para se despedir depois de se ter incompatibilizado com Quique Flores. Foi assim, registe-se porque não vá haver outras teorias, que os jornais da especialidade nos contaram a história.

Mas, na verdade, nunca há nada a lamentar nestes enredos. Se Léo não se tivesse desagradado com Quique Flores o mais provável é que Fábio Coentrão nunca tivesse vingado na Luz e estivesse hoje emprestado ao FC Badajoz, ou pior. Benditas sejam, portanto, estas voltas do futebol. E que o FC Porto leve o Alex Sandro à vontade.



ANDRÉ VILLAS BOAS nasceu com uma boa estrelinha. Tem sorte, enfim. Começou a treinar em Inglaterra no preciso momento em que um dos mais temidos e execráveis tablóides inglesses chega ao fim da linha. O News of the World não resisitiu a um escândalo que envolveu escutas telefónicas ilegais, fechou as portas e, certamente, não irá incomodar Villas Boas como tanto incomodou Mourinho num passado recente.

Não há nada que não acabe, é verdade. O News of the World era um jornal centenário, fundado em 1843, cinquenta anos antes da fundação do FC Porto. Ou 63 anos antes, como gostarem mais.

Mas mesmo no seu estertor, ou seja, na sua última edição, o News of the World ainda conseguiu entrar no balneário do Chelsea para publicar o código Villas Boas, um documento interno que vai reger os comportamentos e os horários de trabalho dos jogadores dos blues de Stamford Bridge. Como é possível que uma coisa destas aconteça num clube tão bem organizado como é o Chelsea?

Só pode significar que Pinto da Costa deslocou o apregoado espião que tinha na Luz para Londres de modo a saber tudo o que se passa no Chelsea, como sabia tudo o que se passava no Benfica, e a poder desacreditar o seu ex-treinador junto da exigentíssima imprensa britânica. Isto é muito verosímil.




DIEGO MARADONA veio em socorro de Lionel Messi e fez muito bem. A Argentina em peso não perdoa ao melhor jogador do mundo que não seja, ao serviço da Pátria, o melhor jogador do mundo igualzinho àquele que joga no Barcelona.

A situação faz lembrar muito o que se passa com Portugal em peso e com Cristiano Ronaldo sempre que este melhor jogador do mundo defende as cores da Selecção Nacional. Joga invariavelmente debaixo de um coro de assobios e de 'ohs!' de decepção porque este nosso melhor jogador do mundo é, francamente, muito melhor jogador do mundo quando joga com a camisola do Real Madrid.

Maradona não se limitou a consolar Messi face à incompreensão dos adeptos argentinos como resolveu dar uma aula pública sobre o assunto. «Na Argentina, onde estão o Iniesta, o Piqué o Xavi?», perguntou Diego Armando aos jornalistas seus compatriotas. Sem querer dar razão à força a Maradona, não haja dúvida que se passa um bocado mesmo a coisa com Cristiano Ronaldo quando joga na selecção portuguesa. Onde é que está um Casillas, um Alonso ou um Sérgio Ramos na equipa nacional?

Um Pepe e um Fábio Coentrão ainda se arranjam...




CÉSAR PEIXOTO tem vindo a ser notícia porque quer sair do Benfica onde apenas é solicitado para jogar como defesa-esquerdo, posição que não é a sua e que lhe desagrada.

Maior do que o seu desagrado com o trabalho que lhe confiam na Luz é o desagrado dos adeptos do Benfica sempre que César Peixoto toca na bola. Já ouvi dizer a muitos benfiquistas que a saída de César Peixoto é uma coisa boa para o Benfica. Estão profundamente enganados. É uma coisa péssima porque agora não há quem assobiar no Estádio da Luz. Também é verdade que, pelo que se viu na Suíça, não vai ser difícil aos adeptos do Benfica elegerem rapidamente um qualquer substituto para Peixoto."


Leonor Pinhão, in A Bola

Comentário sobre comentários

"Como em quase tudo na vida, o resultado condiciona a apreciação do que a ele conduz. No fundo, exprime uma consonância não polémica e evita o trabalho de justificar o seu contrário.

No desporto, esta regra é quase levada à categoria de universal. Os comentários sobre um jogo acabam sempre por dar razão ao resultado. À falta de melhor conclusão, há sempre a velha frase «não obstante, o resultado acaba por justificar-se». Como se vê pelo uso do verbo reflexivo, o dito resultado contém em si a justificação.

Para se perceber como esta regra, quase pavloviana, nem sempre condiz com o jogo, seria interessante fazer um teste. Imaginemos que um comentador não vê os últimos cinco minutos da final da Liga Europa e que nesses derradeiros momentos o Braga marcaria e acabaria por ser vitorioso. Ora, sem os minutos finais e com o resultado favorável ao Porto, a sua análise seria a esperada: «O Porto foi um justo vencedor. Teve mais bola, foi inteligente na ocupação do espaço, o Braga esteve quase sempre manietado por uma defesa alta dos portistas, e não teve antídoto sempre que o Porto acelerava e flanqueava o seu jogo. Uma vitória do colectivo alicerçada em valores individuais de classe.»

O mesmíssimo comentador, caso tivesse assistido à reviravolta do resultado nos últimos minutos, já remataria o seu comentário de maneira bem diversa: «Jogando com paciência e cinismo, o Braga acabou por ver premiada a sua inteligência táctica e o rigor posicional. Foi cirurgicamente venenoso nos seus rápidos contra-ataques que abalaram a defesa portista. Uma vitória do carácter, da persisitência e da ousadia.»

Que me perdoem os bons profissionais, mas percebe-se por que razão o som da minha TV vai ficando imperceptível quando vejo um jogo..."

Bagão Félix, in A Bola

Witsel



Um bom jogador, que vai acrescentar qualidade ao plantel. É claramente um '8', muito parecido com o 'nosso' ex-Ramires.

Na época anterior as transições defensivas foram o nosso principal problema, este é o tipo de jogador que ajuda a equilibrar o equipa, marca golos, mas mais importante, pressiona, recupera, usa o físico, e faz as faltas 'necessárias' (prevejo uma campanha anti-Witsel por parte dos nossos inimigos, estilo David Luíz)...

O Jesus 'encaixou' o Ramires na ala direita no seu esquema habitual, não sei se vai fazer o mesmo com o Witsel, mas prevejo algumas experiências nos próximos jogos!!! Na Suíça, o Jesus exprimentou um 'Plano B' durante alguns minutos, o 4-2-3-1. Creio que nos jogos de grau de dificuldade mais elevado, esta será a melhor opção, o sucesso deste esquema na minha opinião vai depender de qual o jogador escolhido para jogar à frente da dupla Javi/Witsel e atrás do Cardozo: Parece-me que o Jara, Gaitán ou Bruno César são os jogadores com melhores caracteristicas para esta posição, em sentido contrário acho que o Martins, o Aimar e o Saviola 'encaixam' mal neste esquema...

terça-feira, 12 de julho de 2011

Provavelmente a exibição mais conseguida, com o pior resultado nesta passagem pela Suiça!!!


szólj hozzá: Dijon 2-1 Benfica

Dijon 2 - 1 Benfica



Ainda não foi desta que consegui ver os 90 minutos, mas já vi o suficiente para uma curta analise:
Nos primeiros jogos houve demasiadas e desnecessárias adaptações, principalmente no trio de médios ofensivos, hoje os jogadores jogaram no seu devido lugar (excepto no início da segunda parte, na fase das substituições sucessivas, mas no final estavam todos no sítio!!!)...
Não houve massacre, mas criámos oportunidades suficientes para marcar vários golos, com as substituições, perdemos fluidez, sem o Aimar e sem o Carlos Martins falta 'liderança' no controle do jogo... com o 11 inicial (sem substituições), não tínhamos perdido o jogo...
Considero a aposta na dupla Javi/Matic no meio, muito interessante. A equipa ainda não está rotinada, mas este esquema pode ser o Plano B (foi assim que jogámos no Dragay para a Taça, e resultou...), que tantas vezes temos criticado não existir no Benfica de Jesus.
Apesar dos poucos minutos, gostei do Mora.
A ausência dos provavelmente 4 titulares na defesa, é um facto. A marcação da Copa América para Julho é uma das ideias mais absurdas do Mundo do futebol, dos últimos anos... quem acha que os resultados do Benfica nesta pré-época, podiam (ou deviam) ficar imunes à ausência do Luisão e do Maxi, ainda deve acreditar no Pai Natal... a questão do defesa-esquerdo já devia estar resolvida...
Com estes 3 jogos em 4 dias, com adversários de nível diferente, parece-me que o entrosamento ofensivo melhorou (não podemos esquecer que hoje, o 11 que terminou o jogo era praticamente composto por jogadores novos). Notou-se como seria de esperar dificuldades defensivas, se nos primeiros jogos houve falhas individuais, hoje falhou o posicionamento perante os contra-ataques adversários... conclusão: espero a eliminação rápida do Uruguai, do Brasil, e da Argentina!!! Numa pré-época normal haveria muito tempo para melhorar as rotinas, mas enquanto a Liga só começa daqui a 1 mês, a pré-eliminatória da Liga dos Campeões está quase à 'porta'. Cada vez estou mais convencido que é imperioso evitar no Sorteio, equipas que neste momento estejam a meio das suas épocas...!!!

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Campeões

"Estou a 'folhear', no site do Benfica, as capas do nosso Jornal, de 2007 para cá, e espero bem que se realizem os sonhos de Luisão e tantos atletas que esperam voltar a ser campeões no Benfica, justificando, assim, o orgulho de Aimar em representar este Clube. Para isso precisamos de voltar a jogar o dobro, propósito de Jorge Jesus, de ter, como à entrada da época 2009/10, o rosto da equipa, com a determinação e a máscara do esforço de Luisão, e de sentir a Mística, como tantos a sentiram logo à chegada.

Mas este clube não é só futebol, e temos os nossos meninos e meninas de ouro - Évora, Vanessa, Telma -, e mais um Basquetebol Bicampeão, um Futsal e um Hóquei em Patins vencedores na Europa.

Mas o Benfica 'não é só um Clube'. E lá vêm os testemunhos na capa do Jornal: A Fundação Benfica, a nova Luz e as centenas de Casas que alimentam por todo o País a 'chama imensa', o Caixa Futebol Campus, o canal de televisão, o Centro de Documentação e o Museu que aí vem, a Democracia, que nas eleições mais participadas de todo o Futebol em Portugal reelegeu Luís Filipe Vieira, mais essa realidade que, no Jornal em Outubro de 2009, se cifrava em 200 mil Sócios, mas onde isso já vai.

O combate contra o Sistema e a mentira desportiva é uma constante deste Jornal e deste Clube 'Xistrado', espoliado pela 'impunidade' e a 'pouca vergonha', títulos abertos sobre fronhas de figuras sinistras, no estado 'siciliano' do Futebol português, palavra do presidente de 25 de Julho de 2008.

Um Jornal que vai fazendo a crónica de um Clube com história e memória - 'Eusébio é património de todos', 'Obrigado José (Torres)', 50 Anos e 'Estávamos a fazer história'.

Um Clube de Campeões, manchete tantas vezes conquistada. A mais recente foi na semana passada."


João Paulo Guerra, in O Benfica

Corruptos de todo o País: Uni-vos!

"Com o regresso do cão d'água alaranjado às velhas charnecas britânicas onde ele teima terem nascido as matilhas que o antecederam, vê-se por aí muita animação de gente que parece não fazer a mínima noção das suas verdadeiras faculdades. Dificilmente o seu mérito terá sido tão pequeno nas caçadas que o ano passado levou a cabo pelas coutadas aqui vizinhas, limitando-se a correr esbaforido para apanhar os pombos, as rolas e as perdizes que os caçadores de preto iam abatendo para seu deleite. Ladrando sempre muito, para se fazer ouvir, o apatetado canídeo correu para aqui e para ali numa fona de arrebanhar tudo o que pudesse. Não lhe reconheço maior capacidade do que ter um faro activo. De resto, os cães d'água nunca foram famosos pela inteligência.

Sem dúvidas quanto ao que aqui relato, o dono do cão, ao vê-lo fugir, encolheu os ombros. Desde que não lhe fujam os caçadores que, de joelhos e de cócoras, vão dando tiros certeiros na bicharada que é preciso apanhar. Estão aí, às ordens do dono, submissos e voluntariosos, disponíveis e fáceis como estão há mais de 30 anos.

Atacado por uma demência alucinada que o transforma numa das figuras mais grotescas de Portugal no último quartel do Século XX e do início deste amaldiçoado Século XXI, o dono do cão acorda de quando em vez no auge de excitações. Talvez depois de ter visto perfilada na sua frente uma fileira de corruptos assaltantes de estrada de clavina ao ombro e olhos postos no esvoaçar da passarada, pensou para com os seus botões:

'Sou sério? Não. Sou honesto? Não. Sou corrupto e corruptor? Sou. É necessário muitos outros como eu!' E gritou: 'Corruptos de todo o país: uni-vos!'

O seu cérebro caliginoso repleto de fungos agitou-se: 'É preciso um partido! Um partido de gente como eu. Tomaremos conta da Câmara Corporativa e já posso ir lá comer à borla todos os dias, em vez de só uma vez por ano'."


Afonso de Melo, in O Benfica

Mentira

"A despromoção do histórico River Plate, da Argentina, à II Divisão daquele país, transformou-se, na última semana, num dos acontecimentos mais sonoros do 'mundo da bola'. Toda a Imprensa internacional fez referência ao acontecimento, tido por improvável, a julgar pelo histórico invejável de um dos clubes mais laureados e prestigiados a nível planetário.
Ficou-se também a saber que, nos imensos campeonatos de todos os países, apenas 24 emblemas militaram sempre no escalão principal dos seus países. O nosso Benfica, evidentemente, integra esse lote de excelência, acompanhado, no que a Portugal diz respeito, pelo Sporting e pelo FC Porto.

Só que, muitos não sabem, o clube nortenho, apenas o conseguiu mercê do proteccionismo vergonhoso da Federação de Futebol. Em duas ocasiões (39/40 e 41/42), o FC Porto não poderia ter disputado o Campeonato da nossa I Divisão.

Nesse tempo, a Associação do Porto organizava uma prova para apurar duas equipas que disputariam a prova maior. Em 39/40, os dois primeiros classificados foram o Leixões e o Académico, enquanto em 41/42, foram o Leça e de novo o Académico a garantirem sucesso.

O que fez a Federação Portuguesa de Futebol? Promoveu dois alargamentos cirúrgicos com o fito de contemplar o FC Porto. Essas duas entradas pela porta dos fundos, mercê do amparo escandaloso dos responsáveis federativos nunca são referidos pelos portistas. Pior do que isso, não é o FC Porto que se queixa de protecção institucional aos grandes de Lisboa, particularmente ao Benfica, antes da Revolução de Abril? Quanto descaramento, quanta desfaçatez! Pela boca morre... o FC Porto."


João Malheiro, in O Benfica

domingo, 10 de julho de 2011

...depois do aquecimento de ontem, hoje o treino já foi a sério...



Servette 1 - 1 Benfica

1º Jogo e Uma mensagem para JJ

Complementando o post do amigo abidos,

gostei da "Flash" em que o Miguel Vitor disse entre outras, a enorme vontade que tem em demonstrar que tem lugar no plantel.

Para mim tem!

A desculpa da estatura já aborrece, vamos JJ, dá lá o braço a torcer desta vez!!!

E o Roderick pode perfeitamente rodar numa equipa do principal escalão, iria-o fazer potenciar o talento que tem.

Em relação a GR, estamos falados com Artur (N.º1)

VAMOS COM LUTA e TRABALHO arrasar o lastro que nos colocam.

sábado, 9 de julho de 2011

Aquecimento simpático !!!





Sel. Friburgo 1 - 9 Benfica


Só consegui ver os primeiros 8 minutos, portanto sobre o jogo tenho pouco para dizer...

Mas sobre o adversário tenho uma observação: Estes primeiros jogos da temporada, são quase sempre treinos contra adversários de divisões inferiores, todas as equipas o fazem. Algumas até costumam fazer 3 ou 4 jogos consecutivos, com goleadas, contra estas equipas. Conseguem até receber odes hiperbólicas após estes jogos. No Benfica durante muitos anos isso também foi verdade, mas com a entrada de Jorge Jesus, estes jogos 'acabaram'!!! O Benfica logo nos estágios, em dias consecutivos, começou a defrontar adversários de valia, ao contrário dos outros. Hoje por motivos alheios ao Benfica, voltámos a defrontar uma equipa muito fraquinha, voltámos a golear, tudo normal... amanhã(!!!) o adversário já será de grau dificuldade maior. A obsessão em encontrar sempre alguma coisa de errado na organização do Benfica já irrita...

Para confirmar a minha teoria (ou não!!!), os Lagartos hoje 'golearam' uma 'experiente equipa da Alta de Lisboa, por 3-0 (!!!) e aparentemente ninguém 'morreu'!!! A grande diferança é que só o Benfica tem audiência para que estes jogos sejam transmitidos em directo, dos outros nem resumos!!!


PS: Não gostei da notícia da saída do Sana a título definitivo para o Valladolid.

Mais um...

...recorde nacional absoluto, para o nosso júnior, Tiago Aperta, no lançamento do Dardo, com 73,94m... No final do primeiro dia, no Nacional Júnior de Atletismo, o Benfica vai à frente, nos masculinos e nos femininos, para não variar!!!

Rui 'rodinhas' Costa !!!

Uma grande vitória para o ciclismo Português, hoje na 8ª etapa do Tour de France. O ex-atleta do Benfica, Rui Costa, venceu com muito sofrimento e suspense, mas venceu... Depois do atribulado início de época, tem sido a época da afirmação do Rui Costa, a nível internacional.
O ano passado o Sérgio Paulinho, um grande Benfiquista, também venceu uma etapa, parece que se está a criar um hábito...!!!

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Moreira no Swansea



"A Sport Lisboa e Benfica, SAD, informa a cedência a título definitivo dos direitos desportivos do atleta Moreira ao Swansea. O Benfica aproveita ainda para enaltecer e agradecer a entrega e profissionalismo sempre demonstrada pelo atleta ao longo dos 12 anos que representou o Clube, desejando-lhe as maiores felicidades pessoais e profissionais.
O atleta, à partida para Inglaterra, destacou as emoções vividas nas últimas horas. "É um misto de sentimentos, de nostalgia mas também de alegria, porque vou ter um novo desafio num campeonato em que sempre sonhei jogar."
"Fui eu que quis assumir este desafio e agradeço a todas as pessoas, desde o roupeiro ao Presidente, que me ajudaram ao longo destes últimos 12 anos", destacou ainda Moreira, que deixou uma palavra final de carinho a toda a massa associativa do Benfica: "Quero agradecer muito aos sócios e adeptos do Benfica, que sempre estiveram ao meu lado.""




quinta-feira, 7 de julho de 2011

Espiões absurdos e bem pagos

"Para que precisariam Pinto da Costa e Salvador de um espião que lhes desse conta dos estados de ânimo de Nuno Gomes?


SEGUNDA-FEIRA, 4 DE JULHO

A Copa América é sempre uma dupla chatice. Estes primeiros jogos são de uma sensaboria muito grande, eis a primeira chatice.

A segunda é ainda mais grave. Com a Copa América a decorrer é certo e sabido que Luisão e Maxi Pereira vão demorar a chegar à Luz e são logo dois que fazem muita falta no arranque da época. Ainda para mais, estando fresco na memória de todos como o Benfica, em 2010/2011, perdeu tudo o que tinha ganho no ano anterior - título, ânimo, auto-estima e pedalada - nas primeiras semanas da temporada oficial.

A Copa América começou como invariavelmente começam estas compridas competições internacionais, com os favoritos a jogar pouco e mal e a não conseguirem ganhar os seus primeiros jogos. Aconteceu logo com a Argentina e com o Brasil para grande escândalo das respectivas nações e imprensas especializadas. Os argentinos, que jogam em casa, viram-se aflitos para empatar com a Bolívia e os brasileiros, apresentando na frente um quarteto que vale muitos milhões, não conseguiram marcar um golo sequer à Venezuela.

Só quem não sabe nada de futebol é que teve artes de encontrar algum encanto neste onze titular com que o Brasil se estreou na prova.

-Mas o que é isto? Um Ganso e um Pato numa equipa de futebol? É brincadeira, não é?

Não, não é brincadeira. É mesmo a sério e terá sido, porventura, a única coisinha divertida que o Brasil apresentou ao mundo no aborrecidíssimo jogo com os venezuelanos.

Para os adeptos portugueses, no entanto, a Copa América tem as suas curiosidades e desperta até sentimentos contraditórios. Benfica, FC porto e Sporting, todos juntos, têm um número considerável de jogadores envolvidos na prova e ao desejo de os ver brilhar soma-se o desejo, ainda maior, de os ver regressar o mais rapidamente possível à Luz, ao Dragão e a Alvalade, à custa da eliminação das respectivas selecções.

O Sporting leva vantagem sobre os seus dois rivais internos nesta disputa porque os seus jogadores são de selecções mais fracas e, teoricamente, mais calhadas para o afastamento prematuro.

Por isso mesmo, os peruanos Carillo e Rodriguez e o chileno Matías Fernandez correm o risco de chegar a Alvalade bem mais cedo do que colombianos Falcao e Guarin mais os uruguaios Álvaro Pereira e Cristian Rodríguez hão-de chegar ao Porto ou de que o brasileiro Luisão e o uruguaio Maxi Pereira hão-de chegar à Luz.

Na armada argentina que actualmente aportou na Luz não há nenhum jogador na Copa América até porque a contratação de Garay nunca mais desemburra. Há duas maneiras de ver a questão. A primeira, optimista, regojiza-se pelo facto de termos todos os nossos argentinos, já em estágio na Suíça. A segunda maneira, pessimista, preocupa-me com o facto de nenhum argentino do Benfica ter lugar na selecção de Sérgio Baptista.

Mas ainda há quem analise a situação de uma terceira maneira:

-Sem um único jogador do Benfica está explicado porque razão a Argentina não joga nada e empatou com a Bolívia!

Está explicadíssimo.




TERÇA-FEIRA, 5 DE JULHO

PRONTO! Já temos um jogador do Benfica na selecção argentina. Chama-se Garay e é defesa central. É bom termos mais um defesa central de valor inquestionável mas é meu termos perdido um defesa esquerdo de valor incomensurável. E é com o dinheiro de um que vamos comprar o outro, dizem os jornais, o que não nos alegra particularmente.

Nuno Gomes continua a alegrar as gentes de Braga, o que se compreende. Nuno Gomes quis um clube que acreditasse em si, segundo afirmou, assinou pelo Sporting de Braga e tem-se fartado de marcar golos nos treinos para deleite dos adeptos da sua nova casa. E isto passa-se em cima de alguns episódios mirabolantes que vieram recentemente a público.

Revelou o jornalista Jorge Baptista num programa em directo na SIC Notícias e foi manchete de primeira página do Correio da Manhã um facto sem precedentes de espionagem no mundo do futebol. haverá escutas da PJ reveladoras de que o FC Porto teve e ainda tem espiões seus nas estruturas dirigentes do Benfica e do Sporting e que, por isso mesmo, no Dragão sabem-se todos os passos da vida interna dos seus dois rivais lisboetas.

Terá sido o espião do FC Porto na Luz que informou para a sua sede os contornos do negócio Falcao o que permitiu ao FC Porto antecipar-se uma vez mais ao Benfica na corrida por um jogador referenciado pelos encarnados.

Quanto ao espião do Sporting já terá sido desmascarado e ocupa agora um lugar de menor relevo na estrutura de Alvalade. Assim sendo, não há que assacar-lhe as culpas da ida de João Moutinho de Alvalade para o Norte porque o excepcional relacionamento entre Pinto da Costa e os últimos presidentes do Sporting deixaram muito bem encaminhada a transferência de Moutinho sem que houvesse necessidade de recorrer a qualquer tipo de espionagem.

Estas notícias dos espiões são, convenhamos, absurdas. E enquanto não forem postas no youtube as ditas escutas que as provam, é muito difícil levar a sério o assunto. São, no entanto, notícias que só podem agradar muito ao FC Porto e ao seu presidente porque contribuem para alimentar a mitologia da máquina perfeita, da grande organização atenta a todos os detalhes que bem pode trocar, em cinco minutos, um André Villas Boas por um Vítor Pereira II . visto que o Vítor Pereira I é dos árbitros - sem que os resultados da equipa de futebol se ressintam minimamente.

Tomemos por exemplo o caso fresco da transferência de Nuno Gomes para o Sporting de Braga. Corre por Lisboa o boato de que foi Pinto da Costa a sugerir a António Salvador que fosse à Luz buscar o mal estimado Nuno Gomes porque cada golo marcado pelo antigo ídolo do Benfica será, certamente, uma alfinetada em seis milhões de almas.

Como o Benfica não tem espiões nem no FC Porto nem no Braga - até porque não tem dinheiro para essas veleidades que saem caras - presume-se que o boato nasceu como nascem todos os boatos: tendo por base a realidade, o desejo de um ajustamento ficcional dessa mesma realidade e comportamento-padrão dos diversos protagonistas, bem conhecido de todos.

Analisemos a questão do ponto de vista da Pedreira e do Dragão. Para que precisariam os presidentes Pinto da Costa e António Salvador de um espião na Luz, pago a peso de ouro, que lhes desse conta de todos os estados de ânimo de Nuno Gomes se, por menos de um euro, que é o preço de um jornal, qualquer leitor comum da imprensa desportiva já adivinhava há muitos meses a saída, sem pompa nem circunstância, do jogador?

O FC Porto não precisa de andar a gastar dinheiro em espiões.




QUARTA-FEIRA, 6 DE JULHO

A felicidade de Fábio Coentrão em Madrid é bonita de se ver. E devemos respeitá-la. Apesar da sua juventude e do seu look Caxinas-chique, Coentrão é um rapaz à antiga, tradicionalista fervoroso que mandou às malvas Abrahmovich, Villas Boas e as notas de libras porque não quis trocar o prestígio de ser jogador do Real Madrid, um sonho seu de infância, pela aventura londrina, ainda que melhor paga.

E quem sabe se, dando-se o caso de Villas Boas não ser feliz no Chelsea, Fábio Coentrão não teria para o ano como treinador em Stamford Bridge um Vítor Pereira I em ascensão meteórica?

Coentrão é todo ele 'old school'. A jogar e a pensar. Que seja muito feliz em Madrid. E nós por cá ficamos com o Vítor Pereira I, por enquanto, e com o Vítor Pereira II, por muitos, muitos anos."


Leonor Pinhão, in A Bola

Mais vale tarde que nunca

"Percebe-se agora porque é que o futebol tem de ter códigos e órgãos de disciplina próprios, independentes dos do foro ordinário. De outro modo, seria o caos. Peguemos no caso Calciopoli, iniciado e concluído em 2006, que teve como consequências mais visíveis a despromoção da Juventus à Serie B e a penalização em pontos do Milan e da Fiorentina. Passaram-se cinco anos(!) e só agora é que o processo na justiça comum, que começou na mesma altura no tribunal de Nápoles, chegou ao seu termo. Nem tudo foram coincidências nas sentenças proferidas de um lado e outro, o que obriga a Federação a rever algumas das suas decisões. A mais relevante de todas é a que implica no escândalo também o Inter, que não havia sido apanhado nas malhas das instâncias desportivas. Tendo, porém, em conta que as transgressões para os agentes desportivos prescrevem ao fim de dois anos e para os clubes ao fim de quatro, nada lhe acontecerá em termos disciplinares. Mas o mesmo, ao que parece, não se irá verificar no que toca ao scudetto de 2005-2006, que como se sabe, lhe foi atribuído na secretaria pelo comissário federativo Guido Rossi, depois de dele ter despojado a Juventus. Não será concedido a ninguém, como em 2005. A perspectiva aterra Moratti que já anunciou que, se isso suceder, apelará para todas as instâncias até ao Conselho de Estado, uma espécie de tribunal constitucional. A resposta virá no próximo dia 18.

A Roma pertencia à família Sensi há 18 anos, desde 8 de Novembro de 1993 até 29 de Junho de 2011. Nela delapidou uma fortuna: hotéis, terrenos, depósitos de armazenamento de combustível... Centenas de milhões. Dela saiu sem um tostão mas com muitas lágrimas. Foi na última quarta-feira. Desde a morte do patriarca Franco, em 2008, era governada só por mulheres. Algumas de fibra como a presidente Rosella Sensi. Do conselho de administração faziam parte a mãe, uma tia e as duas irmãs."


Manuel Martins de Sá, in A Bola

Futebolês (II)

"Os pleonasmos são frequentes na linguagem. Não os pleonasmos literários, figuras de estilo utilizadas por escritores, mas os pleonasmos viciosos, ou seja, a repetição inútil de palavras.

O futebolês, na sua oralidade, é campo fértil para estas redundâncias. Umas genéricas, outras futebolísticas.

Há sempre um jogador que é um elo de ligação entre a defesa e o ataque, um treinador que tem a certeza absoluta que vai ganhar e exultar de alegria, um jogo dividido em duas metades iguais, um plantel que não tem outra alternativa para o ataque, um treinador que grita alto para os atletas, mas que mantém a mesma equipa e encara de frente os jornalistas. Ou uma equipa que, juntamente com a adversária, chegou ao limite extremo do esforço. Por vezes, até há um consenso geral em que todos são unânimes sobre um penalty. Mas, há uns tempos atrás, houve necessidade de repetir de novo as imagens.

Ouvimos dizer que uma equipa tem mais posse de bola ou que a bola é redonda! E que o esférico rasou por milímetros o poste da baliza toda aberta. Ou que é nos pequenos detalhes do jogo jogado que se constrói o resultado final, fruto de treino específico e da escolha opcional do mister. Que, aliás tem de decidir diante de uma multidão de pessoas, mesmo quando se estreia pela primeira vez. Às vezes, o treinador volta de novo ao antigo clube, como protagonista principal para dar uma volta completa de 360º. Mas, para isso, é preciso lateralizar o jogo pelos flancos e introduzir dentro da baliza a bola, mesmo que a pisem com os pés. Numa Liga que não é monopólio exclusivo de ninguém, e onde não se pode dar de graça qualquer ponto.

Impróprio para cardíacos ou menos próprio para linguistas?"


Bagão Félix, in A Bola

Futebolês, parte um

O defeso é um período onde se empata, até no tempo. Por isso, à míngua de jogos e verdadeiras notícias sobre futebol, esta semana vou concentrar-me no futebolês. Um quase dialecto - só ao alcance dos especialistas - que o futebol vem segregando através de uma deliciosa linguagem própria, mistura de tautologias, lugares-comuns, automatismos, paradoxos, metáforas, pleonasmos e hipérboles.

Hoje - e ao correr da pena (aliás, do teclado) - deixo aqui registadas algumas das mais badaladas frases que fazem o deleite deste linguajar:

-Quem não marca arrisca-se a perder; Foi uma boa jogada de trás para a frente; A equipa não pode ficar à espera do resultado; A bola circula bem, mas o campo está inclinado; O único pensamento que temos é ganhar; A equipa consegue sair a jogar; É sempre bom ganhar; Os jogadores sabem o que devem fazer dentro das quatro linhas; A equipa deixou a pele no campo e
comeu a relva; Jogou-se mais com o coração do que com a cabeça; Há muito jogo aéreo porque não há espaços; Começou a fase do chuveirinho; O árbitro é soberano; Mas a agressão... parece involuntária; Fez um belo túnel naquela diagonal; Um canto com conta, peso e medida; Foi a defesa da tarde (mesmo que à noite); De vez em quando, os extremos tocam-se; A equipa corre atrás do prejuízo; Meteu a cabeça onde os outros não metem o pé; Fez uma defesa do outro mundo; Enquanto for matematicamente possível, não desistiremos; Um falso lento; Um passe
milimétrico; O jogador não acreditou... e falhou; Tem de rodas para crescer; Lance de bola parada (estranho não é?); O jogador foi ao homem e não à bola...; ...Mas é bom de bola; Até arrumar as botas.

Amanhã falarei de alguns pleonasmos bem deliciosos."

Bagão Félix, in A Bola

Pior a emenda

"Depois de ter passado a época inteira a criticar as entrevistas de Jorge Jesus à Benfica TV, qual foi a primeira coisa que André Villas-Boas fez quando chegou a Londres? Deu uma entrevista à Chelsea TV, esse sim, um canal com jornalistas isentos que colocam questões extremamente incómodas. Seja como for, tanto nessa primeira entrevista como na conferência de imprensa em que se estreou esta semana, diga-se que o novo treinador do Chelsea convenceu os exigentes media ingleses com um discurso inteligente e humilde. Quase toda a gente teve direito a recados: José Mourinho (“isto não é um one man show”), o plantel do Chelsea (“se os jogadores perdem o respeito pelo treinador, alguma coisa está errada”) e até os Super Dragões (“vim para o Chelsea contra a vontade da minha família”).
Villas-Boas terá cometido apenas um deslize. Apesar de agora se encontrar a trabalhar num país protestante, não deixou de sucumbir à ética católica e decidiu revelar que a sua ida para o Chelsea não foi motivada pelo dinheiro – dado que o FC Porto até cobria a oferta de Abramovich – mas sim pelo desafio. O que, convenhamos, piora o caso. Pessoalmente, não respeito profissionais que violam as suas convicções sem ser por grandes somas de dinheiro. Veja-se o meu exemplo: eu não acredito no trabalho; mas, por uma quantia, abdico momentaneamente dessa minha convicção e labuto com gosto. Aliás, qualquer historiador certificará que o próprio amor só recentemente passou a ser motivado pelo amor; até há bem pouco tempo, o casamento era uma transação financeira. E não consta que houvesse adeptos da filha do carroceiro a gritar no dia da boda: “Traidor! Disseste que gostavas da Lucrécia desde pequenino, mas vais é desposar a fidalga!”
Se Villas-Boas abandonou o seu clube do coração pelo desafio, então nesse caso dificilmente não se tratará de uma traição à causa portista. Além de que terá constituído um negócio ruinoso para Abramovich: em princípio, Villas-Boas teria aceitado de bom grado ir para Londres por menos dinheiro do que aquele que ganhava no Dragão."


quarta-feira, 6 de julho de 2011

Enzo Pérez



Foi hoje apresentado provavelmente a mais sonante contratação da época. Vai necessitar de algumas 'aulas' tácticas para encaixar no esquema do Jesus, mas promete alegrias aos Benfiquistas...

Obrigado, e até nunca mais...

...já o tinha dito, e volto a dizer: Coentrão no Benfica, nunca mais!!!

terça-feira, 5 de julho de 2011

O "negativo" dos Jogos da Pré-época

Os jogos da pré-época irão ser transmitidos por um canal (Sport TV) que apenas nos enxovalha, e tal parasita se alimenta da nossa substancia.

A direcção neste caso em particular, também rebaixou e sujeitou os benfiquistas com mais umas horas de escárnio e mal dizer.

Calendário:

9 julho - Benfica-Nice, às 19h30, em Friburgo
10 julho - FC Servette-Benfica, às 20h00, em Genebra
12 julho - Benfica-Dijon, às 20h00, em Nyon
15 julho - Benfica-PSG, às 20h45, em Faro
16 julho – PSG-Anderlecht, às 20h45, em Faro
17 julho – Benfica-Anderlecht, às 20h45, em Faro

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Submissão

" 'Nuno Gomes, no Sporting de Braga, vai dar uma bofetada de luva branca a Jorge Jesus, à Direcção do Benfica e aos adeptos desse clube'. A frase foi proferida por Mário Reis, treinador de futebol, actualmente no desemprego. Fica-lhe mal defender Nuno Gomes, de quem foi treinador, há mais de uma década, no Boavista? Claro que não. Já é deontologicamente reprovável que se refira ao colega Jorge Jesus e que envie uma mensagem roçando a provocação aos dirigentes nem benfiquistas e à massa adepta do nosso Clube.

Quando Fernando Gomes, bi-bota de Ouro do FC Porto, foi afastado do plantel azul, então com menos três anos que Nuno Gomes na actualidade, o que disse Mário Reis? Nada, rigorosamente nada. De resto, a Fernando Gomes, que veio a ingressar no Sporting, não foi proposto nenhum cargo na estrutura do seu antigo clube, ao invés do que o Benfica fez com o seu último capitão de equipa.

O episódio vale o que vale, mas diz muito da escandalosa subserviência, atá mesmo vassalagem, de muitos profissionais ao clube nortenho e a falta de respeito pela instituição Sport Lisboa e Benfica. Não há, decerto, quem não se recorde que tempos houve em que os treinadores, nas Antas, se escusavam a comemorar os golos das suas equipas frente ao FC Porto. Esse tempo terminou? Não, ainda não terminou. Subsistem vestígios, mesmo gritantes, daquele que foi o maior período de trevas do futebol nacional...

Só que pela boca morre... o lacaio. A tal cadeira de sonho, essa mesmo que André Villas-Boas dizia ocupar no Dragão e que o presidente da colectividade nortenha tanto enalteceu, não merece nenhuma referência a Mário Reis? Pouco importa. Pela mesma parte, até passarei a ser adepto do Chelsea, continuarei a querer que o FC Porto perca e não me cansarei de dizer que a grandeza do Benfica dá para tudo, até para ouvir recados que soam a encomenda ou faltas de consideração de alguns profissionais da bola submissos a conhecidos e velhos ditames."


João Malheiro, in O Benfica

Objectivamente (avaliações)

"Antes do início da competição, os clubes, através da Liga Profissional, vão tentar regulamentar alguns aspectos considerados primordiais para o bom ambiente competitivo que se pede há muitos anos em Portugal.

Primeiro, a avaliação dos árbitros com ajuda das câmaras de televisão, passando o papel dos observadores para segundo plano, o que, decerto, irá gerar grandes convulsões por causa dos que há muitos anos dominam o «pelouro». Depois, os castigos aos clubes cujos adeptos tenham a hábito de mandar garrafas, bolas de golfe, telemóveis, fruta, etc para os jogadores adversários e para o relvado. Os castigos propostos são interdições duras que poderiam, de certa forma, copiar o que a UEFA e a FIFA fazem sempre que há situações semelhantes.

Vamos ver se há coragem para tomar medidas.

Para já há algumas reacções que não são de estranhar, caso de actuais e antigos dirigentes de árbitros que acham a avaliação rigorosa demais, uma vez que acaba a «Subjectividade» da avaliação. Também acho que sim. Mas é precisamente para acabarmos com os líricos do futebol que é necessário haver cada vez mais rigor! Que interessa a subjectividade e o erro desculpável se os beneficiados pelos erros e subjectividade são sempre os mesmos? Basta ver quem beneficiou mais com estes factores nos últimos 30 anos...

Depois, vêm as alegações sobre a falta de meios. Que deveriam ser filmados todos os jogos da 1.ª e 2.ª Ligas o que tornaria insuportável o custo! Claro que todas as desculpas servem para manter tudo na mesma. O importante é manter tudo igual. É retardar a alteração de estatutos da FPF como o fizeram as Associações durante anos e agora é deixar tudo como está na Liga...

Mesmo que se faça qualquer coisa, como provavelmente acontecerá, uma coisa já está garantida: Para esta época não é! Só para o ano! Fica tudo na mesma como a lesma!"


João Diogo, in O Benfica


PS: Não é habitual, mas desta vez parece-me que o João Diogo está a ser ingénuo!!! Avaliar árbitros através da televisão não garante, notas justas. Basta recordar a expulsão do Javi em Braga. O observador considerou um erro da equipa de arbitragem (bem), e após o visionamento a CA mudou de opinião, e o observador foi 'castigado'(mal)... E em relação às interdições dos Estádios, com o actual CD da Liga, e o actual CJ da FPF, o único Clube em 'risco' de ser castigado é o Benfica...!!!

Não existe regulamento que resista à canalhice das pessoas!!!

Já assisti a um curioso documentário, onde colocaram um número determinado de pessoas a assistir a um pequeno filme, mudo, por 2 vezes!!! No primeiro visionamento colocaram uma banda sonora romântica, e no final perguntaram ao grupo de controle para fazer a critica do filme. No segundo visionamento, com exactamente as mesmas imagens, mas com uma banda sonora diferente, desta vez um tema mais próximo do suspense, voltaram a questionar os espectadores, e as respostas foram completamente diferentes...!!!

É um perfeito exemplo daquilo que passa em Portugal, basta pôr um avençado qualquer a debitar disparates, durante um jogo, chamar outro idiota para comentar o jogo, e facilmente cria-se uma realidade alternativa...

O que vale uma águia

"Suponho que ainda se encontra em cartaz um filme intitulado 'A Águia da Nona Legião'. A acção decorre no século III depois de Cristo, quando Adriano era imperador. Um oficial de alta patente o exército de Roma, de apelido Aquila, decide partir para as inóspitas terras da Bretanha para recuperar a águia que servia de símbolo à Nona Legião e que caíra nas mãos do inimigo quando a legião comandada por seu pai foi derrotada duas décadas antes.

Trata-se, pois, de um filme de acção que, em vez de se passar nas ruas de Nova York ou de los Angeles, tem como cenário o ambiente agreste de um território que os romanos nunca conseguiram dominar totalmente, devido à combatividade e forte sentido de resistência dos povos autóctones.

Acompanhado por um escravo, Aquila, herói do filme, tudo faz para recuperar a águia e limpar a honra do seu pai, derrotado com mais cinco mil homens durante uma campanha de rara violência.

Adiante-se, sem pormenores que podem retirar ao leitor o interesse em ver o filme, que o desígnio do bravo oficial romano é atingido e a águia de ouro regressa às mãos de Roma, ficando assim restaurada a honra de uma família digna e sempre devotada ao serviço do império.

Perguntará o leitor: o que tem o enredo desta longa-metragem a ver com os temas realmente escolhidos para estas crónicas. Na realidade, tem tudo e não tem nada. Tem, acima de tudo, o inquestionável valor simbólico. Um homem faz tudo para recuperar uma águia de ouro, símbolo de uma legião, e essa águia é, no fundo, o prémio, o título e o consolo para quem se bate por valores e por princípios, começando pela própria honra pessoal e familiar.

É com esse espírito que é preciso começar a nova época, seja a águia a da Nona Legião ou da temporada 2011/12. Quem não persegue objectivos dignos e exaltantes, limita-se a viver para cumprir calendário. O exemplo de Aquila deve estar bem presente na Luz nos tempos que se aproximam. Porque é assim que se deve estar na vida."


José Jorge Letria, in O Benfica

O tempo certo

"Façamos um pouco de história. Em 2003-2004 Luisão chegou ao plantel benfiquista com três rondas já decorridas, demorando algum tempo (e alguns pontos) a adaptar-se. Em 2005-2006 chegaram Miccoli e Karagounis sobre o fecho do mercado, já o Benfica tinha perdido cinco pontos. No ano seguinte foi o “fica-não fica” de Simão Sabrosa até ao último dia de inscrições, com consequências no modelo de jogo adoptado por Fernando Santos, e com cinco pontos perdidos nos primeiros quatro jogos. Em 2007-2008 saíram Simão e Manuel Fernandes às portas da primeira jornada, entrando Cristian Rodriguez e Maxi Pereira, com o Campeonato em andamento, e já com quatro pontos desperdiçados. Em 2008-2009 saiu Petit e entrou Reyes em pleno Agosto, e mais tarde ainda chegaria David Suazo, quando já tinham voado quatro pontos. Em 2010-2011, chegou tardiamente Sálvio para colmatar a também tardia saída de Ramires, e no dia em que o argentino se estreou estávamos já a seis pontos de distância do primeiro lugar.
Se repararmos bem, nestes últimos tempos, apenas em duas temporadas o plantel benfiquista ficou definido atempadamente: 2004-2005 e 2009-2010. Em ambas entramos muito bem no Campeonato (treze pontos nos primeiros cinco jogos), em ambas nos viríamos a sagrar campeões.
Devido a uma anacrónica calendarização, a Liga Portuguesa começa a jogar-se algumas semanas antes do fecho do mercado de transferências – cuja data está em sintonia com os ricos campeonatos espanhóis e italiano, que só têm início em Setembro. Esse é um problema que tem afectado de forma significativa o Benfica, que raramente tem conseguido evitar uma indefinição bem para lá dos limites do desejável.
Dizem todas as estatísticas que o campeonato português se decide, por norma, nas primeiras jornadas. Nessas, o Benfica entra muitas vezes desfalcado, indefinido e à procura de uma equipa tipo. Quando a encontra, lá para Novembro ou Dezembro, quase sempre já vai tarde. Quantas vezes não vimos nós este filme? Quantas desilusões não sofremos já com ele?
No âmbito da identificação de factores a melhorar no futebol do nosso clube, creio que um redobrado cuidado com este tipo de situação é aspecto a ter em conta. Os timings de construção de uma equipa ganhadora não são, de todo, coisa de somenos. Planear uma temporada com o plantel fechado, com todas as unidades devidamente distribuídas, é o primeiro passo para o sucesso dos meses seguintes.
Como a história recente nos tem ensinado, não basta colocar um novo jogador (por maior que seja a sua qualidade) no lugar de quem sai (e, como é óbvio, só se vendem os bons) para que a máquina colectiva continue a carburar sem falhas – é preciso tempo de adaptação, mecanização, e automatismos, coisas que não se conseguem de um dia para outro, nem de uma semana para outra, nem de um mês para outro, nem, por vezes, de um ano para outro.
É verdade que um clube de um país periférico, como o nosso, está limitado nas suas acções de mercado, dependendo muitas vezes dos ritmos e vontades de terceiros. A forma de contrariar essa dependência passa por um planeamento rigoroso de todas essas acções, de modo a diminuir, ao mínimo, o grau de incerteza com que se iniciam os trabalhos. Seria desejável que, a cada época, no máximo em finais de Julho, tudo estivesse absolutamente definido. Sei que isto é muito mais fácil de dizer, ou de escrever, do que de levar à prática, particularmente num mundo onde as pressões (para vender, para comprar, para manter) surgem de todos os lados, e com crescente vigor à medida que as janelas de mercado se aproximam do fecho. Mas é precisamente nesses tabuleiros que se joga o êxito das operações, das temporadas, e, consequentemente, dos próprios clubes. É esse um dos nossos desafios.
Sendo os mercados de destino condicionados externamente, a lógica a privilegiar deve ser a de, tanto quanto possível, decidir previamente quem vender, e encontrar antecipadamente alternativas que tornem essas saídas indolores, e inconsequentes na harmonia colectiva da equipa. É essa ideia - a de um fio condutor, a da máquina continuamente ligada a que nunca podem faltar peças - que deve presidir à nossa gestão desportiva.
Uma equipa de futebol é um todo, é um conjunto, e também uma identidade. Se lhe retiramos uma parte, e só depois tentamos substituí-la, perdemos tempo, perdemos ritmo, e damos avanço aos rivais. Se isso acontece com duas ou três partes, temos a máquina empenada, e os trabalhos fortemente condicionados. Se tal sucede tardiamente, temos as ambições de uma temporada irremediavelmente comprometidas.
Num momento em que se define o plantel encarnado, e numa pré-época complicada, que envolve Copa América, Mundial de Sub-20, e pré-eliminatória da Liga dos Campeões, seria importante que esta perspectiva não fosse de modo algum ignorada, pois os riscos que pendem sobre nós são enormes. Estando o principal adversário obrigado a reconfigurar-se, a nossa vantagem poderá residir precisamente na estabilidade. Não a podemos desperdiçar. E não podemos falhar."


Luís Fialho, in O Benfica