Últimas indefectivações

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Segredo está na coesão interna

"QUANDO o Benfica decidiu estar presente nas celebrações do 35.º aniversário da Independência de Angola, muitos torceram o nariz a um jogo que ia obrigar a equipa de Jorge Jesus, entre duas jornadas da Liga Zon-Sagres, a uma viagem-relâmpago a Luanda.
Porém, na ressaca da derrota no Dragão, poucas coisas poderiam ter um efeito tão regenerador como uma mudança de ares. Os encarnados recuperaram a auto-estima em Angola, onde foram embaixadores de excelência de Portugal, ao mesmo tempo que carregaram baterias para o resto da temporada.
Há uma semana, no Dragão, a Lei de Murphy aplicou-se ao Benfica: tudo o que podia correr mal, correu pior. Depois de um início de época atribulado, entre exibições menos conseguidas e arbitragens penalizadoras, a goleada sofrida frente ao FC Porto representou o ‘bater no fundo’ do Benfica. Agora, na Luz, é tempo de cerrar fileiras e atacar todas as competições com a convicção de que, depois da tempestade, vem sempre a bonança.
Os 20 jogos que faltam disputar na Liga, a Taça de Portugal, a Champions e a Bwin Cup constituem um desafio global que nunca será superado com êxito só por jogadores, ou técnicos, ou dirigentes, ou sócios ou adeptos… Só um clube unido, sem brechas nas fileiras, estará à altura de tão exigente demanda.

PS – Em 1986/87, a 16 jornadas do fim, o Benfica foi goleado por 7-1 em Alvalade. Os encarnados sobreviveram à humilhação e sagraram-se campeões. E nem as vicissitudes de um acto eleitoral (João Santos derrotou Fernando Martins)que teve lugar na recta final do Campeonato corromperam a coesão do clube ou minaram o balneário."
José Manuel Delgado, in A Bola

E agora Benfica?

"Os dados estavam lançados, a margem de erro para o Benfica era mínima ou mesmo inexistente. Mais do que isso, exigia-se um Benfica competente, afoito, resoluto. Só um Benfica na posse dos seus melhores atributos poderia levar de vencida um FC Porto forte, coeso, estimulado. O cenário do Dragão constituía, desde logo, mais uma adversidade para as pretensões rubras.

Que Benfica se viu? O melhor Benfica, tal como era exigido? Ao contrário, um Benfica débil, insuficiente, desmoralizado. O triunfo do adversário foi inquestionável, ainda que os números da vitória sejam tão cruéis quanto injustos. A verdade é que no mais decisivo encontro da temporada, o Benfica não soube puxar os galões de campeão e até sugeriu passar o testemunho ao rival.

Discutem-se as opções do treinador. Com razão? Se calhar, sim. Todavia, também se afigura irrecusável, no final dos jogos todos ganham, todos estão na posse da receita certa. Jesus falhou? Se calhar, sim. E quantas vezes acertou em inúmeras circunstâncias? O pior é que este era o tal jogo em que a falha estava absolutamente interdita.

E agora? Há muito campeonato, há mais Ligas, há outras competições. Uma coisa é certa: o desempenho do Dragão não pode repetir-se. A época não está perdida, está comprometida. Ainda assim, acredite-se que o desastre no Porto até pode ser pedagógico, até pode devolver aos adeptos encarnados o melhor Benfica. É que só esse Benfica traz o suplemento de alma que os aficionados exigem até ao termo da temporada futebolística."
Luís Seara Cardoso, in Record

Superlativos

"Quando eu andava na escola e a Gramática ainda não era uma “arma de arremesso” para causar traumas aos alunos, estudávamos com atenção os Comparativos e os Superlativos. Mais: éramos prevenidos para a circunstância de estes últimos deverem ser utilizados com parcimónia, sob pena de se desvalorizarem e banalizarem. O que tem isto a ver com o futebol e, concretamente, com o clássico – pouco clássico – do último domingo? Simples: Jorge Jesus está agora a pagar (e parece cada vez mais certo que o fará com juros elevados) a fatura tresloucada dos encómios superlativos que, por causa de uma época meritória e categórica como o Benfica há muito não vivia, foram depositando na sua conta. Sempre que o faziam, subiam a fasquia. A cada nova palmada nas costas, o técnico – um respeitável “self made man”, que subiu a pulso e chegou onde merecia – era empurrado para maiores responsabilidades. Embevecido, a vingar os anos de penumbra, deixava-se empurrar e discursava em conformidade com o que nele queriam ver. Agora, com a humilhação de domingo (que vale tanto pelo resultado como pela exibição, ou falta dela), Jesus é despojado dos Superlativos e atirado para o odioso terreno dos Comparativos. Eis a imagem perfeita do futebol contemporâneo, célere a criar ídolos, veloz a destruí-los.

Começam as exigências de “serviços mínimos”. Revelam-se azias, até agora insuspeitas, no balneário. Contestam-se as escolhas, nem por isso diferentes de outras ocasiões críticas (Liverpool, claro). Ridicularizam-se as palavras. Ora, o que se passou no Dragão é, afinal, muito simples e ultrapassa as colocações suicidas de David Luiz e Fábio Coentrão ou as exclusões de Saviola e Airton: o campeão entrou a jogar exclusivamente em função do adversário. Tanto assim que se contam pelos dedos de uma só mão (não é ironia…) os remates que fez. Ao proceder desta forma, ressuscitou o fantasma que viveu instalado por mais de uma década para os lados da Luz – chama-se FC Porto. Quantas vezes se viu o Benfica entrar já em perda psicológica (leia-se “medo”) para os jogos com o rival do Norte? E quantos anos foram precisos para que esse complexo se desvanecesse? Agora, nem era preciso dar mais esse trunfo a uma equipa que se mostrava poderosa e compacta. Mas o Benfica ainda ofereceu mais essa vantagem de mão dada. Falta apurar se voltou à estaca zero e à tremideira.

Daqui em diante, pede-se mais trabalho e menos garganta. Mesmo sem título, ainda há muita margem para minorar os estragos.
Já agora, superlativo no domingo, só mesmo o FC Porto. E André Villas-Boas.

NOTA – Rogério Alves praticou, fora de horas, um dos seus desportos favoritos: a verborreia. Mas há quem não durma: nem Deus, nem Maniche, nem Targino"
João Gobern, in Record

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Aqui hà Gato!

"O JOGO é o jornal do FCP. A BOLA é conotado com o Benfica. É o que se chama “ter a fama e não ter o proveito”. O FCP não brinca em serviço. Até pode jogar bem dentro do campo, mas joga melhor nos bastidores. Desta vez, no jornal onde, até agora, conviviam, democraticamente, os portistas Miguel Sousa Tavares e Rui Moreira, com Leonor Pinhão e Ricardo Araújo Pereira, além de Diogo Quintela, um sportinguista decente, agora, só ficou a filha de Carlos Pinhão a defender as cores do nosso Glorioso! Tudo em nome da isenção e do pluralismo.
Aliás, o jornal tornou-se uma verdadeira 5ª coluna do inimigo: Bastou o Benfica ter um desaire no Dragão para a capa seguinte fazer eco de rumores vindos de bufos do balneário, interessados em desestabilizar a equipa e o seu treinador, o homem que, no ano passado, ressuscitou os mortos que Quique Flores deixou no relvado da Luz e pôs a equipa a jogar como poucas na Europa do futebol.
Isto para não falar de uma luminária que assina Fernando Guerra, o jornalista que ajudou a desacreditar Fernando Santos, que saudou o regresso de Camacho como se, na altura, Vieira tivesse dado à Luz (literalmente) um novo D. Sebastião, que tolerou a incompetência de Quique Flores, e que, desde o início, nunca escondeu uma raiva latente contra Jorge Jesus, como se estivesse só à espera do primeiro desaire para o distinguir com todos os epítetos do seu indigente vocabulário táctico e com todos os nomes do seu rico léxico de insultos. Basta ler o rol de aleivosias que ele escreveu no princípio da época e voltou a escrever, agora, depois do clássico, para perceber a felicidade com que saboreia os maus resultados do treinador que ele elegeu como o seu ódio de estimação.
Parece que me desviei do propósito, mas não. A saída das páginas da BOLA dos dois humoristas dos Gato Fedorento que, todas as semanas, faziam as delícias dos que, como eu, amam o Benfica, mas além disso odeiam a batota, é um tiro no pé do jornal que tinha a reputação de ser vermelho, mas que era, acima de tudo, um jornal que, para mim, que o comecei a ler no tempo onde lá escreviam Ribeiro dos Reis, Cândido de Oliveira, Tavares da Silva, Vítor Santos e Carlos Pinhão, tinha sido uma referência do grande jornalismo. Deixar MST bolsar semanalmente todas as aleivosias que lhe vinham ao espírito contra Ricardo Araújo Pereira e Zé Diogo Quintela, a quem, à falta de argumentos, chamava “rafeiros” e “censores” com toda a impunidade, deixar MST, embriagado pelo ódio ao Clube que tem conduzido, sozinho, a luta pela decência no futebol, deixar MST impor a sua censura, é pior do que um tiro no pé, é uma vergonhosa cedência às birras e amuos dum arauto do FCP, que convive com o conteúdo das escutas do “Apito Dourado” mas insulta quem as ouve.
Espero que os benfiquistas deixem de ler A BOLA, e que os dois humoristas encontrem rapidamente um jornal que os acolha sem censurar o que dizem, e que seja isento, democrático, pluralista, amante do fair-play, num mundo como é o do futebol português onde os miasmas do ódio, da corrupção e da batota ameaçam perverter o prazer do espectáculo, o mérito das vitórias e o respeito pelos adversários. Amén.
P.S. Já agora, é talvez altura de fazer uma pergunta inocente: PORQUE SERÁ QUE A SEDE DA LIGA É NO PORTO?"

Dez pontos é muita fruta

"“O Benfica é como eu, vai ao Porto para não fazer nada e comer bem”
MIGUEL ESTEVES CARDOSO

“O Coliseu do porto, por estar inteiro, é muito melhor do que o Coliseu de Roma que está numa ruína.”
In O LEÃO DA ESTRELA


FAZENDO fé no que surgiu estampado nas primeiras páginas vinte quatro horas depois do clamoroso episódio de falência técnica do Benfica no Porto, a SAD do Benfica estabeleceu para Jorge Jesus um caderno de encargos que, a não ser cumprido, significará o fim do percurso do treinador no Estádio da Luz.

Curiosamente, o diário francês L’Équipe, que é um colosso da informação desportiva mundial, já produzira na sua edição on-line de segunda-feira um lapso embaraçante para Jesus, para o Benfica e… para o Sporting, referindo-se ao treinador campeão nacional como l’entraineur des lions, ou seja, o treinador dos leões, quando, em boa verdade, Jesus ainda é o treinador do Benfica e ainda não é o treinador do Sporting.

Regressemos ao tal caderno de encargos até porque, e já se passaram outras 48 horas, ainda não foi desmentido nem nos seus pressupostos nem nas suas consequências anunciadas com tanta gravidade e pompa.

O que não deixa de ser bem menos preocupante para Jorge Jesus do que para a própria SAD do Benfica que passa pelo vexame de não se poder reunir em legítimo conciliábulo sem que as conclusões a que chegou não pulem, no ápice, para o domínio público quando deveriam ser de natureza privada.

A não ser que fosse precisamente essa a ideia, o que ainda é mais preocupante porque não há nada a ganhar em eleger publicamente como tema exclusivo da temporada, quando faltam sete meses para o fim da dita temporada, a questão da continuidade do treinador em função de três objectivos desportivos menores.

É que Jorge Jesus, segundo a imprensa, está obrigado a garantir o segundo lugar no campeonato nacional, a eliminar o Sporting de Braga da próxima jornada da Taça de Portugal e a qualificar-se para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões. Ponto por ponto… enfim, vá lá saber-se o que é que terá passado pela cabeça dos nossos dirigentes para virem a terreiro com estas anormalidades.

Se o Benfica fosse o Sporting, e comprovadamente não é, compreendia-se a eleição do objectivo segundo lugar como um desígnio estimável. Paulo Bento, por exemplo, foi forever durante quatro segundos lugares seguidos e só deixou de o ser quando, bem no princípio da época passada, se percebeu claramente pelo avolumar do atraso que lhe seria impossível conquistar a adorada posição final.

S o Benfica fosse o Vitória de Guimarães e, com o devido respeito, não é, justificava-se o afã de eliminar o grande rival minhoto, o Sporting de Braga, na ronda que aí vem da Taça de Portugal, tanto mais que Guimarães, que agora está por cima, penou a bom penar no ano passado vendo os vizinhos de Braga a subir quase até ao céu, o que deve ter constituído um sofrimento atroz.

E se o Benfica fosse o Benfica europeu que há décadas nos tarda a qualificação para a fase seguinte da Liga dos Campeões estava já resolvida há uma semana restando-nos apenas discutir, entre nós, se nos daria mais jeito ficar em primeiro ou em segundo lugar do nosso grupo.

Não sendo esse aspirado Benfica europeu, como qualquer um de bom senso reconhecerá, e tendo exibido desconsolantes fraquezas nos seus confrontos recentes contra adversários das segundas e terceiras linhas europeias, como são os casos do Olympique de Lyon e do Schalke 04, não seria mais ajuizado – até do ponto de vista da gestão financeira da casa – aspirar a uma carreira honrosa na Liga Europa, defrontando adversários menos poderosos no campo que, por isso mesmo, podem permitir um percurso divertido e sem sobressaltos de maior?

Sem qualquer espécie de fanfarronice, no entanto, não é de temer que aconteça ao Benfica em fase mais adiantada da Liga dos campeões aquilo que aconteceu há duas épocas ao Sporting que saiu absurdamente mal tratado no seu confronto com o Bayern de Muniche com um agregado de 12/1 nada tangenciais nos dois jogos que teve de disputar com os alemães.

Posto tudo isto, penso que a SAD do Benfica devia repensar e refazer o caderno de encargos que colocou na mesa de Jorge Jesus 24 horas depois da derrota no Porto:

1) Risque-se imediatamente a obrigação de ficar em 2.º lugar porque não faz parte da nossa cultura. É uma coisa mais própria de outros emblemas.
Nós até nos estamos perfeitamente nas tintas para aquela coisa de termos ficado 1 vez em sexto lugar porque já ficamos 32 vezes em primeiro lugar.
Assim sendo, o objectivo para este campeonato em relação ao FC Porto é apenas de fazer melhor que o FC Porto fez no passado em relação ao Benfica. E, como estarão recordados o FC Porto ficou a 8 pontos do Benfica, o que é uma distância perfeitamente admissível.
Dez pontos é que não pode ser. De maneira nenhuma.
Dez pontos é muita fruta, tenham lá paciência!

2) No que diz respeito à Taça de Portugal, risque-se a obrigação de eliminar o Sporting de Braga. O Braga ocupa actualmente o 8.º lugar da tabela e não há razão para o Benfica estar a moralizar com elogios de importância aquele que foi o seu grande e único adversário da época passada.

3) Quanto à Liga dos Campeões, esqueça-se já. Concentremo-nos na Liga Europa onde tudo pode sempre acontecer.
Até pode acontecer uma final Benfica – FC Porto, por exemplo.
E, nesse caso, já com fundamento sério, apresente-se então um caderno de encargos ao nosso treinador.



O presidente da Comissão de Arbitragem da Liga explicou a validação do segundo golo do Sporting ao Vitória de Guimarães com uma evidência sublime: o mesmo árbitro que não viu o Evaldo a atirar com o Nilson para lá da linha de golo conseguiu confundir a luva branca do Nilson com a bola…
O futebol português está chique e cheio de etiqueta. Até já temos golos de luva branca."

Leonor Pinhão, in A Bola

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Manter a liderança...

Belenenses 32 - 34 Benfica
Não vi o jogo, mas 'lendo' as estatísticas, e mantendo a tendência dos jogos anteriores, tivemos dois livres de 7 metros, contra sete dos nossos adversários, tivemos 6 exclusões, contra 3 dos nossos adversários, deve ser coincidência...!!!

Cura...



Muito foi dito sobre a oportunidade deste jogo, pessoalmente previ vários cenários, infelizmente o pior aconteceu: após uma derrota (não previ os números) com os Corruptos, com toda a descomunicação social ( e os próprios adeptos) a 'cair' em cima da equipa, dos treinadores, e dirigentes, nada melhor que uma viagem a Angola, para desanuviar o ambiente, ficar longe dos jornais, das TV's e das rádios, das conversas de 'amigos', das piadas fáceis, e ainda deu para descarregar um pouco da ansiedade.

Como em muitos áreas da vida, a última imagem é quase sempre a mais 'poderosa', após uma derrota com um rival, se fosse permitido pelos responsáveis, jogava-se novamente no dia seguinte!!! Para passar por cima do sucedido. Assumindo que o cansaço da viagem será sempre prejudicial, a vitória desta noite, mesmo sendo um amigável com um adversário de nível muito inferior, tem o condão de baixar os níveis de ansiedade para Domingo, esse sim um jogo de vitória obrigatória, para começar a curar o trauma...



FMI no Benfica, já!

"Nos últimos 110 minutos, o Benfica sofreu 8 golos. Ultrapassou assim a barreira dos 7% de Teixeira dos Santos para abrir portas ao FMI. Contra o Lyon, foi a consequência do que não se deve fazer: parar o cérebro, mais até do que as pernas. Contra o Porto, foi a consequência de um desmesurado medo que o adversário soube explorar inteligente e eficazmente. Tal como contra o acessível Liverpool, optou-se pelo experimentalismo e começou-se a perder no minuto zero. Trocou-se um dos melhores centrais do mundo por um medíocre lateral (coitado do D. Luiz), jogou Sidnei que desaprendeu com a inactividade, deixou-se de fora Saviola que, mesmo a jogar menos, é desequilibrador, trocaram-se as voltas a Aimar e Carlos Martins. E já com o resultado pesado, estreia-se o desamparado Roderick e reentra, meses depois, o destreinado R. Amorim. Para completar o mosaico, Luisão porta-se como uma criança mal-educada.
Cometeram-se erros no planeamento da época. Encarou-se a Supertaça com sobranceria e desconcentração e aí começou-se a resvalar. Não se anteciparam as inevitáveis saídas de Di María e Ramires. Os sofríveis Gaitán e Jara e o emprestado Salvio foram caros e não colmataram aquelas saídas. Fábio Faria não existe. Reempresta-se Urreta e compra-se por um balúrdio Rodrigo, que se despacha para o Bolton, onde só jogou uns minutos. Tem-se 25% do passe de Reyes para nada.
Escrevo estas palavras com tristeza, mas não com acrimónia para com os dirigentes e Jesus. Continuo a confiar no treinador. Todos temos o direito ao erro. O certo, porém, é que nos resta agra esperar pelo FMI, Fundo do Mercado de Inverno, para começar a preparar a próxima época e garantir, ao menos, o 2.º lugar para acesso à Champions!"
Bagão Félix, in A Bola

(in)Dignidade

A semana passada, numa animada conversa com um jornalista da Lusa, recebi a confirmação que muitas peças jornalísticas, principalmente nos jornais, são 'truncadas'. É normal parágrafos desaparecerem sem aviso!!! A colocação de avençados em lugares de chefia, dá resultado. Além do incentivo à auto-censura, quando alguém resolve 'incomodar' um intocável, lá aparece o arauto dos bons costumes, a 'cortar o mal pela raiz'...

Estava com alguma excepectativa para ler as respostas do Ricardo Araújo Pereira, e do Zé Diogo este fim-de-semana, após a nojenta, baixa, ressabiada cronica de MST. No Sábado o Ricardo respondeu com classe, não 'baixou o nível' da conversa, não usou terminologia de taberna, mostrando estar muito acima do mal-educado, pseudo-intelectual, e ignorante romancista de pacotilha...
Mas no Domingo fiquei desiludido com a cronica do Zé Diogo!!! Achei-a demasiado 'curta', podia haver uma tentativa de não dar demasiada importância ao Capanga Azul, pensei eu...!!

Hoje, ficámos a saber o que realmente se passou. A cronica do Zé Diogo Quintela foi censurada, pelo jornal A Bola!!! É inacreditável, como depois de vários cronistas 'seus' terem ofendido repetidamente outros cronistas do mesmo jornal, quando MST por vários vezes ter acusado o próprio jornal A Bola e os seus jornalistas, de comportamentos éticos reprováveis, agora quando alguém lhe responde com classe, usando argumentos e fontes fiáveis, citando inclusive os próprios, veja os seus textos censurados. Que enorme falta de Vergonha!!!
A intimidação dos capangas parece estar a resultar, os mentirosos, os criminosos, não gostam de ser desmascarados. Que desconsolo viver num país, onde aqueles que deveriam ter um 'contrato' com a verdade, aqueles que deveriam defender o interesse público, estão mais preocupados em parecer 'simpáticos', adoptando o politicamente correcto, o 'não levantar ondas', demonstrando uma enorme cobardia, não querendo ficar mal vistos, mesmo que para isso tenham que 'apertar a mão' a gente sem honra, e sem dignidade. Esquecem-se é que ao prestarem-se a estes 'servicinhos' estão a ser cúmplices, com toda a podridão em que vivemos...
Um dia muito triste para os fundadores do jornal A Bola.
A atitude do Zé Diogo, e do Ricardo, ao terminarem as suas cronicas no jornal, demonstram carácter, dignidade, e responsabilidade, algo que MST nem sabe o que quer dizer, não ameaçaram, e não fizeram queixinhas....


Para o arquivo deixo aqui o texto censurado, publicado no site Sporting Apoio:
«Pedi ao Nuno Mourão para publicar aqui a parte da minha crónica que A BOLA não publicou, cortando-a sem me consultar. Faço-o porque a parte que foi truncada era uma resposta a uma acusação de Miguel Sousa Tavares e eu quero que fique publicamente registada. Agradeço ao Nuno Mourão a simpatia com que me recebeu nesta sua casa.
“Na 3ª feira, Miguel Sousa Tavares insinuou que eu e o Ricardo Araújo Pereira costumamos corrigi-lo por ele ter sido o único convidado, além do Presidente da República, a não ter vindo ao “Gato Fedorento Esmiúça os Sufrágios”. O Ricardo desmentiu ontem essa tese de vendetta e julgo não ser necessário voltar a referir as inúmeras pessoas que também não aceitaram o nosso convite, pessoas que não costumamos corrigir.
(até aqui A Bola publicou. O resto foi cortado)
Talvez porque não tenham por hábito defender teses absurdas e incoerentes sobre o Apito Dourado. Por outro lado, há muita gente sobre quem costumo escrever e que foi ao programa. José Sócrates e Passos Coelho, por exemplo. Deve ser para lhes pagar o favor de terem aceite o convite.
Acha MST que hoje diremos que o convite foi um erro e que não sabemos porque o convidámos. Acha também que sabe bem porque é que não aceitou. Engana-se. Para já, não foi erro nenhum, sabemos bem porque o convidámos: para ele fazer o que faz aqui, mas na televisão, que é mais espectacular. Depois, palpita-me que ele já não sabe porque recusou: aquilo passou-se há um ano, tempo mais que suficiente para MST entretanto ter mudado a sua convicção.
Entretanto, pela segunda vez num ano, MST tenta intimidar-me por causa do que escrevo nestas crónicas. Em Janeiro pediu a Pinto da Costa para que me processasse. Desta vez, vitimiza-se e ameaça abandonar a sua crónica n’A BOLA, pretendendo que o Ricardo e eu sejamos responsabilizados pela sua saída. Depois das queixinhas, uma ameaça de amuo. Que birra se seguirá? Suster a respiração? Que outras traquinices tem MST em carteira para me sensibilizar?
Não gostava que MST deixasse de escrever aqui. Gosto de o ler. Quero que, entre outras coisas, continue a dizer que, quando Porto lhe pagou uma viagem, Calheiros estava reformado (a sério, não sei mais o que faça para desmentir isto. Trazer cá o homem? Se lhe pagar a viagem, de certeza que vem…). Por isso, deixo-lhe um pedido. Faça às nossas crónicas o mesmo que faz com as fontes que cita: não as leia. Ignore-as. Finja que não existem, não responda. É um direito que o assiste. Olhe, até vem consagrado na 5ª emenda (que faz mesmo parte da Constituição, não é como a Declaração de independência). MST pode invocá-la. Evitará auto-incriminar-se.”»

O milagre Coentrão

"Lá na terra não há quem não saiba. “Não sei por onde vou, não sei para onde vou, sei que não vou por aí”. Lá, em Vila do Conde, Régio joga na alma de todos, serve poesia a todos. Hoje, ainda lá na terra, Coentrão até diz ao povo mais do que Régio. Joga na alma de todos, serve bola a todos. Que fenómeno é este? Não há muito tempo, apontamentos bonitos no Rio Ave, permitiam falar num caso encerrado de vocação. E o resto? Dizia-se que o miúdo das Caxinas, a popular zona piscatória, não seria capaz de crescer socialmente. Dizia-se pior, dizia-se que jamais consolidaria a face bisonha da sua arte.
Ali ao lado, o FC Porto descartou o rapaz. Acreditou o Benfica, ainda que as dúvidas persistissem. Dois anos carregados de assimetrias acentuaram as incertezas. E depois? Que prodígio foi esse? Fábio Coentrão cresceu, cresceu muito, cresceu tanto que não há memória de alguém ter crescido tão aceleradamente no futebol nacional. Já se começa a falar no melhor lateral-esquerdo de sempre. Lateral? Extremo também.
Lateral ou extremo, sempre nonstop, sempre com expressão possessiva pelo mais belo. No Benfica, na Selecção Nacional, ou há Coentrão ou não há Coentrão. Haver ou não haver Coentrão faz toda a diferença. O estatuto não se dá, conquista-se. Coentrão conquistou.
E o futuro? Não há gigante europeu que se não enamore dele. Não sei para onde vai, não sei por onde vai, sei que vai por aí…"
João Malheiro, in Destak

Mais Benfica

"Há dias, a propósito do lançamento do meu 'Benfica no Pico da Europa', em pleno Estádio da Luz, tive oportunidade de mergulhar na história do nosso clube, juntando imodestamente alguns episódios da minha vida pessoal ao lado de muitas das figuras mais emblemáticas da longa história do 'Glorioso'.
O desfile foi extenso e recordei, logo de início, a minha primeira declaração pública, corria 2000, enquanto director de Comunicação do Benfica. Ao lado do bicampeão europeu Ângelo Martins, anunciei o regresso do grande José Águas aos quadros técnicos do Clube, ele que havia sido proscrito na Direcção de Vale e Azevedo.
Com emoção, e não menos reverência, tornei público que estou na posse da última fotografia com expressão mediática, tirada na Adega da Tia Matilde, a Germano e a Cavém, que pouco tempo depois, dolorosamente, deixariam o mundo dos vivos. Para mim, aquela foto é muito mais do que isso, é um troféu de valor incalculável, é uma das minhas maiores relíquias ou preciosidades benfiquistas.
Na mesma cerimónia, com o presidente Luís Filipe Vieira e Eusébio como testemunhas privilegiadas, não deixei de referir que António Simões, o genial extremo dos anos 60, é o mais jovem campeão europeu de toda a história, após mais de meia centena de edições da Liga dos Campeões, antiga Taça dos Clubes Campeões Europeus.
Por absoluta ignorância, esse facto tem passado ao lado das publicações desportivas nacionais. Espero que, doravante, a situação possa ser revertida. Merece Simões, merece o Benfica, e merece o futebol nacional."

João Malheiro, in O Benfica

A esposa, a concubina, M. Madalena e os silêncios convenientes

"Sou ateu. Religião só o Benfica e religião crítica. Carneiro jamais. Cobarde nunca e medo só de perder os que amo.
Católico temente a Deus, como PC, terá de explicar, um dia ao Criador, porque enganou um Papa, após abandonar a legítima esposa, Filomena Morais, mas visitando João Paulo II com Carolina Salgado, sua concubina, fazendo-a passar por filha, que pouco tempo depois, não foi credora da veracidade dos seus depoimentos em tribunal. Que dizer, serviu para a cama, para filha, mereceu estar na presença do Pontícife da Igreja que professa, mas não de ser ouvida, como qualquer cidadã, perante os juízes que julgavam tudo o que o Youtube já mostrou.
Quando a 'coisa estava preta', correu para a ex-mulher e, qual cachorro abandonado, pedir 'perdão', que tudo não tinha passado de um 'devaneio'. Jurou novamente amor eterno, deu entrevistas: 'Nunca deixei de amar Filomena.' A filha de ambos serviu, para justificar esta re-união.
Passado o perigo das pernas efectivas, nova Carolina, agora de nome Fernanda. Novo abandono do lar e devaneio (esse malandro) outra vez instalado na sua vida impoluta, pia e santa. Tirando Filomena, a quem se reconhece um passado moralmente limpo, as outras sabe-se que faziam companhia a senhores solitários.
Mas... não é isso que espanta. O que me espanta é o conivente silêncio, dos jornalistas, que omitem a notícia da presença ou chamam 'namorada' à amante de um homem casado, aliás, re-casado com a esposa. O que espanta é o silêncio da Igreja e dos Bispos, que invoca, como D. Pedro Pitões (1134) e Armindo Lopes (97/07), ambos Bispos do Porto. E D. Manuel Clemente mantém o silêncio e abençoa, quem não teve vergonha de ludribiar um Papa.
Disse Jesus a propósito de M. Madalena: 'Quem nunca pecou que atire a primeira bola de golfe.' É por isso que este fim-de-semana iremos ver tanto pecador junto.
Shiu:-São filhos de umas amigas da 'namorada'."

António Melo, in O Benfica

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

NeoBlanc 10

Tabela Anti-NeoBlanc:

Benfica......... 18 (-9)... 27
Corruptos..... 28 (+7)... 21
Braga............ 14 (-1)... 15
Sporting........ 15 (+3)... 12


Esta cronica tem como objectivo desmascarar os sistemáticos branqueamentos feitos neste País, às constantes Roubalheiras, que uma Organização Criminosa identificada faz semanalmente, adulterando efectivamente os resultados futebolisticos (e não só), conseguindo intoxicar a opinião pública desportiva (e não só), com a colaboração activa (e premeditada) da 'descomunicação social'!!! Não serve para ilibar os erros próprios do Benfica, sejam eles de dirigentes, treinadores, ou jogadores. Se existem situações onde as derrotas, acontecem devido a erros de arbitragem, existem outras situações onde as derrotas são a consequência simples de más exibições, agora uma boa exibição de uma equipa também não pode servir para branquear erros com influência no resultado num jogo especifico, e muito menos ao longo de 30 jornadas.

As reacções à goleada de ontem foram as esperadas, os adjectivos foram fortes, inclusive por parte dos Benfiquistas, e até vão aparecer de certeza muitas anedotas!!! Vão também aparecer muitos pavões, de peito feito, mas hoje eu sou tão Benfiquista como era ontem, e ainda está para nascer o Corrupto que 'Humilhe' o Benfica. Ontem eram Corruptos, hoje são Corruptos, e amanhã vão continuar a ser Corruptos, e não haverá resultado desportivo que possa alterar este facto. Como podem observar na Tabela no cabeçalho do post, esta derrota, deveria ter pouca 'importância' para o Benfica, tenho a certeza que as reacções seriam diferentes, até a 'preparação' para o jogo seria completamente diferente...

Na minha opinião o Benfica perdeu o jogo no antro da Corrupção por culpa própria, e nem sequer vou entrar na discussão táctica. As alterações ajudaram a transmitiram para a equipa o sentimento, de Medo, que com o aparato policial foi ainda exponenciada. Podemos especular que deveria ter sido induzido na equipa um espírito de revolta, contra as condições em que o jogo se ia realizar (como os Corruptos costumam fazer, por exemplo na final da Taça da Liga...), mas provavelmente teríamos perdido o jogo na mesma, mas com mais jogadores 'avermelhados'!!!
O Benfica de Jesus só sabe jogar a uma velocidade: 5ª a fundo!!! A 'caixa de velocidade' parece que estar 'presa', sempre que o Jesus tenta baixar a 'rotação' da equipa, dá mau resultado. Como é óbvio a culpa num lance esporádico pode ser de um jogador, mas se a equipa não tem 'automatismos' defensivos, nos jogos 'grandes', o treinador é o principal culpado, até porque já teve tempo para os treinar...!!!
O resultado final na minha opinião deveu-se mais a demérito do Benfica do que a mérito dos Corruptos, mas existiram alguns factores 'especiais' que dilataram o marcador de forma anormal: primeiro a eficácia, os Corruptos marcaram golo nos primeiros 3 remates à baliza. Algo que por exemplo também aconteceu no jogo com o Lyon, onde o Benfica marcou 4 golos, praticamente em 5 oportunidades (só me recordo do falhanço do Peixoto), obviamente a diferença real entre Benfica e o Lyon era de 4-0 (algo que o Benfica permitiu que o Lyon rectificasse nos últimos 15 minutos), o outro factor determinante foi a expulsão do Luisão. Com a entrada do Gaitán, e a descida do Coentrão a equipa pareceu mais equilibrada, é nessa altura que criamos a nossa melhor oportunidade (a única!!!), e o jogo parecia que ia caminhar calmamente para o fim, sem grandes percalços, até que o Benfica ficou com 10, e as coisas voltaram a ficar complicadas, apesar de mesmo com 10 jogadores, não permitimos tanto espaço como no início do jogo!!!

Como referi na cronica ao jogo, o Benfica não perdeu por culpa do Proença, o jogo até foi 'fácil' para o árbitro, mas mesmo assim, não disfarçou alguns 'tiques'!!!
-Com o jogo ainda empatado, 0-0, o Álvaro Pereira fez uma falta muito perigosa, para amarelo, sobre o Salvio, seria um livre frontal perigoso, mas a falta nem foi marcada. Erro insignificante, excepto se nos recordarmos que o Uruguaio levou amarelo mesmo a terminar a primeira parte!!!
-Não existe penalty, quando o Salvio protege claramente o corpo com os braços. O cruzamento foi à queima, com força. Na mesma forma como nas 'barreiras' não existe falta quando os jogadores usam os braços para proteger o corpo, aqui também não houve motivos para penalty. O Salvio não usou os braços para 'fechar' ângulo.
-Luisão bem expulso. Como Capitão deveria ser o último a fazer aquilo. O Guarin faz pelo menos duas faltas (não marcadas), mas o Luisão já tem idade para ter juízo. Assim ficamos sem o jogador do Benfica em melhor forma nos próximos jogos, inclusive (quase de certeza) para o jogo da Taça de Portugal com os Corruptos B.
-Kardec devia ter levado o segundo amarelo, após uma entrada com o pé alto sobre o Maicon.
-Penalty mal marcado, Coentrão não faz falta sobre o Givanildo. Alguns opinadores tentaram 'disfarçar' dizendo que o pé ficou 'preso' debaixo do corpo do Coentrão, nada mais ridículo, a queda simula claramente uma rasteira. O Coentrão esta época, ainda não levou um único amarelo justificado!!!
Uma nota para o terceiro livre frontal em 10 jornadas marcado a favor do Benfica!!! É obra...!!!
Resumindo vários erros, para os dois lados, que a má exibição do Benfica 'ilibou'!!! Sem qualquer influência no resultado.
adenda 1:
Uma referência ao cartão do Carlos Martins, até admito a marcação da falta, o Carlos ao contrário do Salvio coloca os braços a 'tapar' algum ângulo, mas o amarelo é completamente despropositado. Assim para o próximo jogo não temos o Luisão, o Maxi, e o Carlos...
O post do Master Groove sobre os actos de violência praticados antes, e durante o jogo, merece a nossa atenção, a derrota não iliba os comportamentos pré-históricos dos animais.
adenda 3: Maicon agrediu Kardec aos 88 minutos com uma cotevelada. Esta jogada passou despercebida, mas é muito mais grave que a cotevelada do Luisão, aqui não existiu qualquer atenuante, não houve 'picardias' anteriores...


Não vi o jogo do Braga. Mas gostei do resultado!!! Acreditando nas cronicas poderá ter havido um penalty não assinalado a favor do Braga logo a seguir ao golo de penalty do Meyong...!!!
Assim 'dou' o empate aos Corruptos até prova em contrário!!!


O destino é 'fodido' !!! Não pensei que foi só o Simpson da Assembleia Geral da SAD Lagarta a rejubilar com a derrota do Benfica, 90% das Osgas ganharam um novo fôlego, vejam a forma como cantaram exuberantemente durante o jogo com os Vitós!!! Mas o Maniche despejou o 'balão' num instante!!! Os Lagartos nem com super-empurrões vão lá. Não posso deixar de pensar que esta 'ajudinha' tinha como objectivo 'pressionar' ainda mais o Benfica...
-Ainda dou o 'desconto' no primeiro golo do Sporting, o jogador parece estar milimetricamente em fora-de-jogo, é verdade que o Cardozo em Guimarães tinha os pés mais atrás do que o Valdés, e o fora-de-jogo foi marcado, mas em dúvida deve-se beneficiar o ataque, e nesta altura de crise, não devemos nos esquecer dos mais fracos!!!
-O segundo golo Lagarto, é digno dos 'Apanhados'!!! Devia ser este o 'click' que o JEB estava à espera!!! Atropelar o guarda-redes contrário, a bola não entrar na baliza, e ser considerado golo, é de facto extraordinário...
-O mais engraçado, é que mesmo assim perderam o jogo!!! Não foi a primeira vez que o Maniche deu um pontapé num adversário esta época, mas este teve 'estilo'...!!!
Muito beneficiados, mas sem qualquer influência, em mais uma derrota...
adenda 2: Já não é a primeira vez, e por isso merece um elogio, o Paulo Sérgio voltou a reconhecer que foi beneficiado!!!




Anexos:


Benfica


1ª-Académica, Prejudicados, Com 3 pontos
2ª-Nacional, Prejudicados, Com 3 pontos
3ª-Setúbal, Prejudicados, Sem influência no resultado
4ª-Guimarães, Prejudicados, Com 3 pontos
5ª-Sporting, Nada a assinalar
6ª-Marítimo, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
7ª-Braga. Nada a assinalar

8ª-Portimonense, Prejudicados, Sem influência no resultado
9ª-Paços Ferreira, Beneficiados, Sem influência no resultado
10ª-Corruptos, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado


Corruptos

1ª-Naval, Beneficiados, Com 3 pontos
2ª-Beira-Mar, Beneficiados, Impossível de contabilizar no resultado
3ª-Rio Ave. Beneficiados, Com 2 pontos
4ª-Braga, Beneficiados, Com 2 pontos
5ª-Nacional, Beneficiados, Impossível de contabilizar no resultado
6ª-Olhanense, Nada a assinalar
7ª-Guimarães, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
8ª-Leiria, Prejudicados, Sem influência no resultado
9ª-Académica, Nada a assinalar
10ª-Benfica, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado



Braga

1ª-Portimonense, Nada a assinalar
2ª-Setúbal, Nada a assinalar
3ª-Marítimo, Beneficiados, Com 2 pontos
4ª-Corruptos, Prejudicados, Com 1 ponto
5ª-Paços de Ferreira, Nada a assinalar
6ª-Naval, Nada a assinalar
7ª-Benfica, Nada a assinalar
8ª-Olhanense, Beneficiados, Sem influência no resultado
9ª-Rio Ave, Nada a assinalar
10ª-Beira-Mar, Prejudicados, Com 2 pontos



Sporting

1ª-Paços de Ferreira, Nada a assinalar
2ª-Marítimo, Nada a assinalar
3ª-Naval, Beneficiados, Com 2 pontos
4ª-Olhanense, Beneficiados, Com 1 ponto
5ª-Benfica, Nada a assinalar
6ª-Nacional, Nada a assinalar
7ª-Beira-mar, Nada a assinalar
8ª-Rio Ave, Nada a assinalar
9ª-Leiria, Prejudicados, Sem influência no resultado
10ª-Guimarães, Beneficiados, Sem influência no resultado

domingo, 7 de novembro de 2010

Épico (mais uma vez...!!!)



Deve ser coincidência!!! Mas qualquer vitória, em qualquer modalidade, à Organização Criminosa, mas famosa do País, é sempre épica!!!
Foi mais uma daquelas vitórias contra tudo, e contra todos, que só uma enorme garra, e espírito de sacrifício, tornou possível a festa final...
Tivemos 10 exclusões, contra 5 do adversário, tivemos 3 livres de sete metros, contra 6 do adversário, não me recordo do Benfica em toda a segunda parte ter superioridade numérica, foi aliás em inferioridade numérica que obtivemos uma das nossas maiores vantagens no marcador (a jogar com menos 2!!!). A diferença abismal nos critérios nas marcações aos Pivot's é de bradar aos céus (as camisolas da Adidas são de excelente qualidade), enquanto os nossos jogadores mal pisam a linha da área soa logo o apito, os outros podem 'acampar' que nada lhes acontece. A maior desvantagem do Benfica no encontro dá-se numa altura, em que os Corruptos conseguem pelo menos 2 contra-ataques precedidos de faltas não assinaladas, em sentido inverso quando a meio da segunda parte estivemos perto de dar a 'machadada' no jogo, foram golos mal anulados, e faltas ofensivas em série a deixar o jogo 'apertado' até ao fim...
Não posso ainda de realçar a extraordinária capacidade da gentalha Corrupta em protestar, apesar de todas as ajudas ainda refilam com arbitragem constantemente, e isto também não é exclusivo do Andebol, ainda ontem no Hóquei fizeram o mesmo...
Uma nota para o Ferreirinho: Gigante !!! Não tem sido a primeira opção, mas fez uma exibição fenomenal, principalmente na parte final do encontro, defendeu com tudo inclusive com a cabeça!!! Mesmo assim os 'teimosos', insistiam após as defesas do nosso 'muro' em marcar livres de 7 metros, por faltas imaginadas...!!!
Estamos agora em primeiro lugar do Campeonato, mas em igualdade pontual com o ABC, e os Corruptos, ainda falta muito...

Madeira doce !!!


Objectivo, 2º lugar !!!

Como escrevi no início da época, o Campeonato estará decidido antes do Natal, portanto a derrota de hoje até não me surpreende, estando à partida pessimista a desilusão é menor. O Benfica joga sempre para ganhar, mas é preciso ter consciência que esta época será impossível, e ao contrário de outros anos, não podemos desmobilizar 'abdicando' do 2ºlugar.
O resultado foi pesado, demasiado pesado, mas a desastrada entrada na primeira parte (com uma táctica errada, por várias razões, mas essencialmente porque demonstrou medo), e a expulsão do Luisão explicam os números (o capitão terá que pedir desculpa pelo que não deveria ter feito). Voltamos a cometer os erros de Liverpool, e desta vez nem foi preciso o Proença decidir o jogo (apesar de...). Adivinho que tudo vai ser posto em causa, mais uma vez internamente pelas histéricas do costume, mas desta vez não podem falar em falta de atitude, porque os jogadores até ao fim do jogo tentaram remar contra a maré. Adaptações em jogos 'grandes' costumam dar mau resultado...
Nos próximos dias, e se calhar o resto da época, vão-se escrever os habituais exagerados comentários, sobre a divina e indiscutível superioridade dos Corruptos, neste jogo jogaram claramente melhores, mas tiveram uma eficácia muito acima do normal (o Roberto faz 3 defesas, uma num cruzamento, e dois remates de fora da área), e sem toda a trafulhice das primeiras jornadas esta derrota seria somente um percalço, nunca teria carácter decisivo, e no mínimo estariamos na luta pelo titulo. Assim a preparação do jogo foi completamente adulterada, tanto a responsabilidade, como a ansiedade, caíram em cima de uma equipa, enquanto os outros jogaram à vontade. Como não sinto a necessidade de ser politicamente correcto, nem simpático, não será o mau jogo da nossa equipa hoje, que irá branquear todos os 'roubos' cometidos esta época...
Uma nota para mais um triste espectáculo dado por um puto birrento, na linha lateral...
Para que não fique esquecido, mais uma vez chegamos ao antro Corrupto com os vidros do nosso autocarro partidos. Repetindo-se o festival de golfe, e desta vez com animais vivos, pelo menos no final da partida ainda houve uma mini-carga policial em cima dos Porcos...

Super Heróis...


Cliquem na imagem se virem que não é mostrada na sua totalidade...

sábado, 6 de novembro de 2010

Poker do Imperador !!!



Regresso às vitórias no Campeonato


Continua a 'dança' das ausências, desta vez foi o Jenkins, e o Henry.
Uma 'gestão' do esforço que no 4ºperiodo com a diferença pontual a baixar perigosamente, podia ter saído 'caro'...!!!
As condolências para o Eky.

Passeio ao 'Jardim'!!!


Trafulhice Máxima !!!



Não se assistiu a um jogo de Hóquei Patins, mas sim a um jogo de 'Mergulho em Patins', a diferença no marcador foi fabricada num período onde nenhuma falta foi marcada a favor do Benfica ('metade final' da primeira parte, e a primeira metade da segunda parte). Sempre a correr atrás do prejuízo, sempre com o dobro das faltas. Os mais 'mansos' vão dizer que falhamos demasiados livres directos, mas se a gente os tem marcado, outros teriam sido inventados contra nós...

Com as novas regras, o trabalho dos trafulhas é facilitado, basta ir marcando as faltas a meio-campo, e esperar pelos livres directos. Como jogador Corrupto no chão é obrigatoriamente falta, o que é de admirar, é como é que o Benfica chegou a perder por somente um golo nos últimos segundos. Inacreditável como agressões repetidas, quase sempre à 'Stickada', nunca foram penalizadas com vermelho directo para os Porcos!!!

Não defendo o fim da modalidade, a segunda mais antiga em actividade do nosso Clube, mas o Benfica deve-se recusar partilhar o Campeonato com esta organização criminosa, e por isso defendo que o Benfica deve fazer todos os esforços para participar no Campeonato Espanhol.

Depois da milagrosa vitória na Supertaça, era de esperar uma reacção, esta noite tivemos a confirmação que vai ser impossível ganhar o Campeonato...

O dia D

"Chegou a hora de todas as decisões. Não deveria ser assim, mas, infelizmente, com apenas nove jornadas decorridas, o 'clássico' de domingo é mesmo decisivo para o Benfica.
Uma eventual derrota deitará por terra o sonho do bicampeonato, e mesmo um empate deixará pouca margem de recuperação. Só a vitória nos interessa, e teremos de ser capazes de a alcançar num ambiente tremendamente hostil, perante uma equipa forte, motivada e confiante, que tudo fará para, em sua casa, dar o golpe final nas nossas aspirações.
Um 'clássico' decisivo, jogado no campo do adversário, e com este em grande forma. Situação mais adversa não existirá no mundo do futebol. Mas, como muitas vezes na vida, por detrás das cortinas do risco, aparece, com ar secretamente sedutor, a luminosa oportunidade. Uns, os grandes, agarram-na. Os outros não.
É em momentos como estes que se vêem os grandes campeões. É nas adversidades, nas situações de maior pressão, que os homens têm de saber provar as suas reais capacidades. Este é pois um desafio à bravura dos nossos jogadores, que terão de puxar do escudo que trazem nos ombros para impor a sua qualidade e a sua raça. Esta é a oportunidade que têm para mostrar que são campeões, que querem continuar a sê-lo, e que merecem voltar a sê-lo. Uma oportunidade única, que não pode ser desperdiçada. E que - acredito plenamente - não vai ser desperdiçada. Só com uma força mental superior poderemos encarar este desafio de frente. Só transformando todo o enquadramento do jogo num suplemento anímico capaz de alimentar a nossa ambição, seremos capazes de alcançar o objectivo. Se a nossa equipa se mantiver concentrada, se conseguir alhear-se do ambiente e jogar o que sabe, se encarar cada lance como a disputa de uma vida, estou em crer que teremos firmes hipóteses de sair do Estádio do Dragão com uma vitória. E depois, com o moral em alta, com o rival mais pressionado, com uma diferença pontual recuperável, com vantagem no confronto directo, um novo campeonato nascerá para nós."

Luís Fialho, in O Benfica

O dobro

"Há uma receita, entre outras, para que o Benfica vença o jogo da jornada deste fim-de-semana para o campeonato da Liga e se aproxime, assim, do seu posto natural, na frente da classificação.
A receita, que deu o maior sucesso na época transacta, foi anunciada por Jorge Jesus à chegada ao Benfica e foi posta progressivamente em prática, convencendo os adeptos mais reticentes. Prometeu Jesus, e cumpriu, que ia pôr o plantel do Benfica a 'jogar o dobro'.
É a hora, nesta jornada fulcral do campeonato - embora não decisiva - de retomar o propósito e aplicá-lo de novo este ano.
Com o plantel a 'jogar o dobro' é que ninguém pára o Benfica!
Por motivos sobejamente discutidos, o Benfica não entrou esta época a jogar por inteiro. Mas tem vindo a progredir. E se o plantel voltar a 'jogar o dobro', contem com o 'Glorioso' para falar de alto na discussão do título, apesar de todas as condicionantes que vão beliscando a verdade desportiva no futebol.
Há atletas que se exibem sempre a jogar 'o dobro' da média prevista e, na jornada anterior, Pablo Aimar, Fábio Coentrão e Roberto Jiménez - tal como os habitués Maxi, Luisão, David Luíz e Javi - deram disso bons exemplos.
Esta jornada é um bom marco para que toda a equipa volte a jogar 'o dobro', concentrada e firma na defesa, rápida e agressiva na passagem para o ataque, esclarecida e letal nos momentos decisivos do jogo no último terço do meio campo adversário.
A receita foi formulada por Jorge Jesus, mas 'jogar o dobro' deve vigorar como regra no Benfica, inerente à condição, ao orgulho e à honra de envergar a camisola berrante."

João Paulo Guerra, in O Benfica

O novo mural

"1. Fui há dias surpreendido pela construção do mural com os nomes dos Sócios Fundadores da nossa 'Nova Catedral' e no passado domingo estive na sua inauguração. Claro que fiquei satisfeito por ver o meu nome nesse mural. Já havia esquecido essa promessa e não considero que nós, os 'fundadores', tenhamos feito algo de muito especial. Lembro-me de sentir, na altura, que o preço pago pelos 10 anos de 'aluguer' do meu lugar era algo elevado face aos padrões habituais. Mas senti que, tendo os meios para isso, era meu dever ajudar o Clube nessa altura. Era o mínimo que poderia fazer. Não assisti à histórica campanha dos anos 1953-1954, aquando da construção do antigo Estádio, mas lembro-me perfeitamente de ouvir falar dela e, mais tarde, de ler o relato dos sacrifícios que fizeram milhares de benfiquistas anónimos, de todas as condições sociais, dando objectos para leiloar 'engordando' o mealheiro gigante colocado na Feira Popular, pagando as simbólicas enxadadas que marcaram o início da obra, aderindo aos múltiplos sorteios realizados. Os tempos, agora são outros e obra muito mais cara. Lembrei-me desses benfiquistas de 50 anos antes, ao comprar o meu Lugar Fundador. Senti que era um dever... para além de um motivo de satisfação. Claro que não estou arrependido. Só os jogos com o Sporting na penúltima jornada do campeonato de 2005 e com o Rio Ave na festiva jornada final do último título justificaram o 'investimento' feito em 2003. Fora todos os outros jogos, que se realizaram e se hão-de realizar. E as amizades que ganhei naquela zona da bancada, onde já todos nos cumprimentamos. A 'compra' daquela cadeira no Piso 0 da Bancada Meo, onde já tanto sofri mas também já muito festejei, foi, sem dúvida, um excelente investimento que fiz.
2. Independentemente de se concordar ou não com a decisão dos Orgãos Sociais do Clube de incentivar os sócios a não se deslocarem aos campos dos nossos adversários, não posso deixar de salientar a forma como muitos comentadores se referiram ao jogo no Algarve, afirmando que os benfiquistas não respeitaram a decisão. Claro que houve benfiquistas que, ou por não concordarem com o boicote ou por não aguentarem a ausência, foram ao jogo. Era impossível conseguir que ninguém fosse. Mas foi notório que o estádio tinha muitas e largas clareiras, bem pouco habituais quando o Benfica ali joga. Uma coisa é não se concordar com o boicote - e eu confesso não o compreender - outra é mistificar uma realidade."

Arons de Carvalho, in O Benfica


Tenho algo a acrescentar ao tema do Mural:
Durante os 106 anos da História do Benfica, em outras ocasiões, algumas vezes durante a construção dos 'nossos' Estádios, muitos Benfiquistas contribuíram, com dinheiro, em 'géneros', e muitos com o suor do seu próprio trabalho. Aliás nas velhinhas torres de iluminação do antigo Estádio da Luz, existiam azulejos com alguns desses nomes.
Acho justo que essas antigas referências fossem repostas. Não sei se nos arquivos do Clube, essa informação ainda existe, mas deixo a sugestão, que no futuro Museu, que está a ser preparado, que seja criada uma 'secção' dedicada aos Benfiquistas que ajudaram o Clube no passado, nem que seja um Mural ao adepto anónimo...!!!

Fábio e César

"Desde o início da época que se ouvem algumas vozes defender que, para o Benfica, este campeonato está perdido. E se partirmos do pressuposto de que, este ano, o principal adversário do Benfica tem sido o Benfica da época passada, estou disposto a concordar com o diagnóstico. Em rigor, o Di María, o Ramires e o Saviola de 2009/10 – hoje em dia, todos eles a jogar em clubes de dimensão mundial – não dão, por enquanto, qualquer tipo de hipótese ao Peixoto, ao Salvio e ao Saviola de 2010/11. Se, pelo contrário, olharmos para os nossos adversários reais, a conversa é outra.

Aos poucos, Jorge Jesus vai começando a fazer o luto da equipa do ano passado e a tornar-se mais pragmático. Até há bem pouco tempo, os leigos só concebiam duas variantes na utilização de Fábio Coentrão e César Peixoto na ala esquerda: Coentrão ataca mais/Peixoto defende mais, ou Coentrão defende mais/Peixoto ataca mais. Em boa hora, Jorge Jesus optou por uma alternativa, que não ocorrera a mais ninguém: Coentrão ataca mais e defende mais/Peixoto ataca menos e defende menos. Se, à primeira vista, a opção parece ter uma ligeira natureza burlesca, não me parece, contudo, que os franceses do Lyon estejam nesta altura em casa a rir-se do facto de terem saído da Luz com quatro “baguettes”.

Ora, esta estratégia implica, como António Tadeia observou, que Coentrão passe variadíssimas vezes por Peixoto: à ida para a grande área adversária (e, como se viu contra o Lyon, Peixoto é só o primeiro de muitos por quem Coentrão passa, a caminho da baliza adversária) e no regresso para a sua grande área. Ou seja, Peixoto faz, em campo, o papel de pai do Coentrão: como já não tem idade para aquelas correrias, diz-lhe que ele pode ir brincar com os outros meninos na relva, mas que não se afaste muito, e que volte à hora combinada. Pode ser o início de uma bonita amizade."

A palavra do Porto-Benfica

"1 Manuel Sérgio escreveu que o nosso desporto de alta competição é tradicionalmente faccioso e, por isso, é verbal. Uma certa casta de dirigentes e treinadores do nosso futebol hiperbolizou o pressuposto – tornando-se, ainda na pena de Sérgio, os de “bravia hostilidade” os “mais publicitados”. O futebol fez uso da palavra para provocar e insultar os adversários e os “inimigos”. Usou o verbo para fidelizar e ludibriar os adeptos. Descobriu a imprensa para veicular os discursos que interessavam ao triunfo e à diminuição dos antagonistas. Desvendou que ser ventríloquo através de fiéis “escudeiros” exibia vantagem – os “escudeiros” que, vezes de mais, acabam em pirómanos das irracionalidades clubísticas. Acrescentaria que o futebol se tornou excessivamente verbal. Até para o jogo: Mourinho sabe interpretar essa verbalização como instrumento de motivação e influenciação das quatro linhas. Ainda que a origem do instrumento esteja nas tiradas de Pedroto, que, com a “estrutura” ainda imberbe, desequilibrava como ninguém. Foi ele, inteligente e sagaz, que ensinou a muitos o valor da palavra no futebol.

2 O futebol viu-se confrontado com a urgência em limitar mais o “palavreado”. Para defender a confiabilidade do “negócio”. Os regulamentos desportivos incluem várias restrições à liberdade de expressão e castigos pelas grosserias e difamações. Restrições legítimas, desde que adequadas e proporcionadas; logo, sem vício de inconstitucionalidade. Com efeito, quando alguém se eleva voluntariamente à condição de “agente desportivo” em virtude de participar numa competição, entra numa “relação especial de poder”. Deixa de ser tão-só cidadão comum e passa a ser sujeito portador de um conjunto novo de direitos, deveres e sujeições. Alguns destes deveres e sujeições resultam da limitação que é feita a alguns dos seus direitos fundamentais – não é uma eliminação –, em nome do bom funcionamento e dos objetivos da competição. Assim também acontece em relação a vários sujeitos que, em favor dos interesses e da credibilidade de uma profissão ou instituição, enfrentam idênticas limitações: os juízes, os advogados, os médicos, os militares, os funcionários públicos, etc. É nesse âmbito que os clubes, os dirigentes e os treinadores não podem colocar em causa a nomeação dos árbitros antes dos jogos, os jogadores e os treinadores castigados não podem realizar o seu trabalho nas jornadas seguintes, os dirigentes suspensos não devem comentar as competições onde foram castigados, os árbitros não falam sem autorização, etc. Restrições que são a face da responsabilidade de ser “agente desportivo”, que devem ser fiscalizadas com rigor e iniciativa pela justiça desportiva. E que, nos últimos anos, foram, tirando as exceções conhecidas, melhor aceites pelo nosso futebol.

3 O ambiente antes deste Porto-Benfica não foi ilegitimamente verbal. Parecia que descambava há umas semanas atrás mas endireitou-se. Parece que acabou por imperar a responsabilidade. Por fim, e até ver, falou-se do jogo. Como deve ser. Como deveria ter sido sempre, sem incendiários nem bombeiros."

Grande vitória




A secção de Rugby do Benfica, obteve ontem a vitória mais significativa das últimas épocas. Depois de um mau início de época, principalmente na derrota com o Técnico, parece que a equipa deu a volta, vencendo os últimos 3 jogos, Académica, CRAV, e agora o Belenenses, uma das melhores equipas Nacionais, composta por muitos Internacionais. Ainda por cima jogou 60 minutos (em 80) com menos um jogador!!!

Houve uma pequena revolução na secção, exigia-se que assim fosse, o Benfica não pode contentar-se em lutar pela manutenção (ainda por cima com a secção feminina a dominar completamente o panorama nacional!!!), entraram muitos jogadores novos alguns à última hora, e também um treinador novo, inicialmente os resultados foram uma desilusão, mas esta vitória pode ser o ponto de viragem, espero bem que assim seja...

Parabéns ao Porto pela vitória de amanhã


"Manda o desportivismo felicitar o adversário quando ganha, e eu aproveito para me antecipar. No jogo de amanhã, tudo está a favor do Porto. O Benfica vai, provavelmente, apresentar a sua segunda equipa. Creio que a inteligente estratégia inaugurada pelo Leiria pode ter feito escola, e não me surpreenderia que todos os clubes passassem a jogar no Dragão com as reservas. Dizem que poupar jogadores no Dragão é duplamente saudável: refresca os titulares que descansam, e também revigora os clubes. Quando se sabe gerir o esforço é outra coisa. Além disso, o árbitro será Pedro Proença, que é benfiquista (como Vale e Azevedo), e é o célebre inventor do penalty inexistente de Yebda sobre Lisandro López, há dois anos.

Talvez Proença e Vilas Boas possam, no fim do jogo, trocar algumas impressões acerca da actividade de detectar penalties que mais ninguém vê, da qual são ambos orgulhosos praticantes. De acordo com o jornal Semanário Privado de 26 de Agosto de 2009 (que só li para não ser excluído da discussão pública), Pedro Proença é também referido na escuta de uma conversa entre Pinto da Costa e Pinto de Sousa. Pinto da Costa pergunta ao amigo quem vai ser o árbitro de determinado jogo do Porto, e Pinto de Sousa responde, referindo-se a Pedro Proença: «É o que a gente combinou». O futebol português pode ter muitos defeitos, mas do ponto de vista da organização é irrepreensível: quase tudo está combinado. Mais: o Benfica tornou a preparar-se de forma deficiente para o jogo. Como se viu em Coimbra, bola na mão na área do Porto é bola na mão; bola na mão na área do adversário é penalty, o que constitui urna vantagem inestimável para os portistas. A ártica maneira de contrariar esta vantagem do Porto é reforçar o plantel com jogadores manetas, e o Benfica teima em não o fazer. Por outro lado, a equipa volta a apresentar-se no Dragk) apenas com os onze jogadores, e não com onze jogadores e onze caddies. É indigno que tenham de ser os próprios futebolistas a apanhar as bolas de golfe.

ACADÉMICA e Porto encontraram-se na semana passada para jogar urna modalidade desconhecida, e o resultado final foi a vitória do Porto. Surpreendentemente, os três pontos obtidos contaram para o campeonato de futebol. Foram várias as pessoas que dis seram que o jogo não se deveria ter realizado, mas compreende-se a decisão de não adiar. Se o jogo tivesse sido adiado, o Porto chegaria ao encontro com o Benfica com apenas quatro pontos de avanço. Se se realizasse na data prevista, poderia chegar com sete. Valia a pena arriscar.

MIGUF.I. SOUSA TAVARES insiste que «a Declaração de Independência dos Estados Unidos é parte integrante da Constituição americana, escrita oito anos depois» . Lamento, mas é falso. A Declaração de Independência não é repito, não é — parte integrante da Constituição americana, que por sua vez não foi — repito, não foi — escrita oito anos depois, mas mais de dez anos depois. Não é bem uma questão de opinião, é um facto que pode ser comprovado por qualquer leitor, por exemplo no sitio da biblioteca do Congresso. Os leitores interessados podem ain da consultar Os Lusíada o Pantagruel e o Kama Sutra e verificar a curiosa coincidência de todas essas obras terem em comum com a Constituição americana o facto de a Declaração de Independência não ser — repito, não ser parte integrante delas. Creio que, após ter confundido a Constituição com a Declaração de Independência, MST confunde agora a Declaração de Independência com a Declaração dos Direitos dos Cidadãos (a chamada Bill of Rights), que contém as primeiras dez emendas à Constituição. Começam a faltar documentos históricos importantes para MST confundir com a Declaração de Independência, pelo que tomo a liberdade de sugerir, para confusões futuras, os seguintes: a Magna Carta, o Tratado de Tordesilhas e os Estatutos do Clube Desportivo Arrifanense. Resumindo: como tenho vindo a dizer, a frase que MST citou como sendo da Constituição é da Declaração de Independência — e atribuí-la à Constituição é, aliás, um erro comum. Mas não é grave. É sem dúvida menos grave do que a incapacidade de admitir erros. MST gaba-se de ter sido, juntamente com Cavaco Silva, «o único de todos os convidados a recusar o convite» para ir ao Gato Fedorento Esmiúça os Sufrágios. Lamento, mas é falso Confesso que desconheço como é que MST, sem recurso a poderes mediúnicos, julga saber quem é que foi ou não convidado por nós, mas esta nova mistificação tem um objectivo claro: sugerir que os textos de MST são de tal modo excelentes que a mais pequena crítica que lhes seja feita só pode ser produto de tuna mesquinha vingança. No entanto, ao contrário do que MST pretende, recusaram ir ao programa Cavaco Silva, Jorge Sampaio, Pinto Monteiro, Manuel Pinho, Maria José Morgado, Belmiro de Azevedo, José Mourinho, Cristiana Ronaldo, Azeredo lopes, Maria dei urdes Rodrigues, Alberto João Jardim, Manuel Alegre, Pacheco Pereira, José Eduardo Moniz, Manuela Moura Guedes, Medina Carreira e Miguel Sousa Tavares. Faça-se justiça: NIST, não tendo sido o único a recusar, foi, sim, o único a pedir 24 horas para pensar. Todos os outros decidiram mais depressa. Quanto a nós, nem retaliamos contra quem recusa nem premiamos quem aceita. Basta lembrar que Rui Moreira aceitou participar num programa nosso e leva o mesmo tratamento. Mas, tal como MST, também eu me tenho lembrado, por estes dias, do Gato Fedorento Esmiúça os Sufrágios. Era um programa cuja estratégia humorística principal consistia em apresentar declarações de determinado político a defender urna dada posição, seguidas de outras declarações do mesmo político a defender a posição oposta. A incoerência, quando é assim flagrante, tem graça. E, como vivemos em democracia, apontar as incoerências dos mais altos (e também de alguns dos menos altos) dignitários da nação é legítimo. Fazer o mesmo com as doutas opiniões de comentadores desportivos é que parece ser intolerável."
Ricardo Araújo Pereira, in A Bola

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Manipulação

"A programação desportiva na TV portuguesa parece ter o estranho condão de perseguir o clube mais popular do País, procurando, de variadas formas, limitar o seu peso, adulterar a sua mensagem, a atacar os seus propósitos.
O programa 'O Dia Seguinte' é apenas um exemplo. E a forma como trata os casos de arbitragem, um verdadeiro manual de mistificação e manipulação, que caberia bem num capítulo das obras de Noam Chomsky sobre comunicação de massas. Quando o Benfica é prejudicado, o tema é abordado com ligeireza. Quando é minimamente beneficiado, temos a totalidade do programa a repetir, até à exaustão, uma falta a meio-campo, um fora-de-jogo posicional, uma mosca poisada no relvado, ou qualquer coisa que sirva para lançar a confusão. Agora temos também análises às arbitragens das provas europeias, só para demonstrar que o FC Porto também é, de quando em vez, prejudicado. O nosso representante faz um trabalho notável, enfrentando dois adversários sistematicamente alinhados. Mas quando é o próprio alinhamento editorial do programa a vestir a camisola, não há como resistir. Resta-nos apenas... desligar a televisão."

Luís Fialho, in O Benfica

Três sportinguistas

"O confronto entre o Porto e o Benfica deixa sempre os adeptos do meu clube numa situação difícil. Há, perante isto, três tipos de sportinguistas: os tácticos, os automáticos e os éticos Os tácticos fazem contas. Estão contra o que estiver melhor na tabela ou mais ameaçar uma determinada posição do seu clube. Os automáticos estão sempre contra o Benfica. Os éticos, a não ser que razões pragmáticas ditem o contrário, estão contra o Porto.

O Benfica é seguramente o principal adversário do Sporting. O mais irritante dos adversários, na verdade. Fanfarrão por natureza. Vivendo à sombra das glórias passadas, sem que o presente pouco brilhante perturbe a sua injustificada autoconfiança. E estão, para os sportinguistas de Lisboa, demasiado próximos. São vizinhos, amigos, familiares. São eles que nos dizem, contra todas as evidências, que apoiam o maior clube do Mundo.

Mas, ainda assim, incluo-me seguramente na terceira corrente, muito minoritária entre os sportinguistas. Porque o Porto não é um adversário. É, com a bonomia e ausência de ódio que o futebol exige, o que de mais próximo há de um inimigo. Contra o Benfica move-nos o futebol. Contra o Porto move-nos a civilização contra a barbárie. Os portistas não são nem melhores nem piores do que os outros. Mas a sua direcção é de natureza diferente. Move-se pelo tráfico de influências, a batota e métodos inaceitáveis num Estado de Direito. Baseia a sua paixão num bairrismo provinciano, que se mistura facilmente com o ressentimento contra Lisboa.

Por isso, e sem sequer me dar ao trabalho de fazer contas, estarei pelo Benfica este fim-de-semana. Por mais que isso choque os que, sportinguistas como eu, ainda vivem de rivalidades antigas."

Daniel Oliveira, in Record

Pragmatismo do Dragão

"O próximo jogo no Estádio do Dragão, independentemente de ser ou não decisivo, vai condicionar o percurso da nossa equipa na Liga Zon Sagres, Acredito que um resultado negativo pode deitar por terra muito das nossas ambições na revalidação de título, restando a consolação de garantir o aceso à Champions através da obtenção do segundo lugar. Um empate com FC Porto colocaria a fasquia de confiança num patamar razoável, facto que nos permitiria continuar a lutar pelo objectivo traçado no início da prova. Uma vitória relançaria definitivamente o campeonato. Os índices de confiança e motivação sairiam altamente reforçados e, estamos em crer, que seria por uma questão de dias que chegaríamos ao topo de tabela classificativa.
Pois bem, o passado recente diz-nos que vencer no Dragão não é fácil. O ambiente de terror que normalmente é criado em redor do jogo, as arbitragens tendenciosos que costumam condicionar o jogo do Benfica e influenciar o resultado, a agressividade e o ódio com os nossos jogadores têm de se confrontar, as guerras de bastidores... tudo isto, não deixa antever nada de bom.
Resta-nos a satisfação de saber que o Benfica tem vindo a crescer qualitivamente. Antes quebrar do que torcer terá de ser o lema para o Dragão, e com uma equipa solidária e coesa podemos atingir claramente os nossos objectivos. No leme estará um Jorge Jesus mais atento que nunca às vicissitudes da táctica e nas bancadas (ou não), milhares de adeptos a torcer por um Benfica dominador, encantador e pragmático, pois só um resultado positivo interessa.
PS: Fazemos sinceros votos para que a viagem de amanhã, para o Norte do País, corra com toda a normalidade, sem incidentes ou arremesso de objectos contundentes contra o nosso autocarro. Sabemos igualmente que o estadia da equipa do Benfica, muito provavelmente no centro da Cidade Invicta, poderá ser alvo de muita inquietação, para os adeptos portistas. Esperamos uma atenção redobrada das forças policiais para que a comitiva 'encarnada' possa chegar ao Dragão em total segurança e sem ter de se ver confrontada com as habituais cenas lamentáveis, que caracterizam a chegada da equipa ao túnel de acesso ao Estádio."

Luís Lemos, in O Benfica

As horas do futebol

"Tem razão o treinador do Sporting Paulo Sérgio quando criticava a imposição televisiva dos horários dos jogos e a dificuldade das equipas em programar a actividade das equipas. E temos nós, espectadores, quando nos vemos em palpos-de-aranha para planear um fim-de-semana entre o prime time futebolístico e as diferentes preferências familiares. É que semana a semana. calha-nos o jogo preferido umas vezes ao sábado, outras ao domingo, quando não a uma sexta-feira de vésperas ou a uma serôdia segunda-feira. E quanto à hora vespertina, há para todos os gostos. Então nas semanas europeias, é fartar de vilanagem: jogos todos os dias e todas as horas!Receio até que, a prazo, de tanta fartura, se possa depreciar a genuinidade do produto.
Não nego o meu saudosismo pelos tempos que ir a um estádio às três da tarde de domingo constituía liturgia de amizade e tertúlia de boa disposição. Um tempo em que a tarde antes, durante e depois do jogo tinha uma métrica horária inigualável e em que a «defesa da tarde» não era à noite como agora...
Mas compreendo que estas de jogos televisonados são a consequência dos tempos. É que o futebol há muito perdeu o romantismo para se instalar como um negócio-espectáculo, onde se movimenta muito dinheiro e se digladiam fortíssimos interesses. As antes clássicas quotizações dos associados assumem agora uma invisível expressão monetária quando pagamos a parte da promoção publicitaria incluída no preço de certos bens e serviços. Por isso, se Paulo Sérgio - um sensato e bom profissional - tem razão nas queixas, também sabe que é em função destas novas e imperativas regras que muitos técnicos ou atletas podem ter remunerações muito além do que há anos aspiravam."
Bagão Félix, in A Bola

Do pior que se pode imaginar

"O presidente do FC Porto não é um literato, nem um actor, nem um historiador, nem nada que se pareça com uma figura de intelectual ainda que lhe gabem muito, no círculo provinciano onde pontifica, os méritos de recitador de poesias.
Em momentos de maior deslumbramento, o presidente do FC Porto já produziu alguns recitais que foram vistos em todo o país graças à invenção da televisão. Tratando-se de um amador, sem outras credenciais que não sejam a da sua celebridade como dirigente desportivo, deve poder dizer-se que como declamador de poesia o presidente do FC Porto é, para quem nunca tenha assistido, do pior que se possa imaginar.
Mas não é justo criticar alguém por não exibir qualidades que não são tecnicamente as suas. No entanto, já é digno de nota o descaramento com que se abalança a essas exibições confrangedoras e muito aplaudidas no seu tal círculo restrito de admiradores.
Não sendo também um literato nem um historiador, no último fim-de-semana o presidente do FC Porto abalançou-se, com o mesmo descaramento que o leva a recitar como um inapto em público, a proferir uma palestra histórica sobre a conquista de Lisboa pelo nosso primeiro rei, primando pelas calinadas que, até ao momento, ficaram por corrigir.
Procurando uma analogia tão lamentável quanto serôdia entre a conquista de Lisboa e a rivalidade futebolística entre o seu clube e o Benfica, disse o presidente do FC Porto a uma plateia como sempre rendida, enfim, sem massa crítica: «Em 1134, o bispo do Porto, D. Pedro Picoas, exortou os cristãos a juntarem-se para ir a Lisboa para conquistar os mouros e expulsá-los de Portugal. Para além de um Santo, D. Pedro Picoas foi também um grande sábio.»
Ore o presidente do FC Porto não só não é um sábio como também é um pequeno ignorante atrevido, campo em que não está sozinho e até estará muitíssimo bem acompanhado por gentes com outras e maiores responsabilidades intelectuais, se é que isso serve a alguém de consolo.
A conquista de Lisboa não foi em 1134 mas em 1147, exactamente treze anos mais tarde do que a data catedraticamente apontada pelo presidente do FC Porto.
Mas este é um erro que se justifica vindo do presidente do FC Porto. Nem é bem um erro, é mais um vício, um tique compulsivo. É que também a data de fundação do FC Porto sofreu um desvio de 13 anos e, por bula papal, recuou de 1906 para 1893 sem que houvesse sequer discussão.
Quanto ao nome do bispo do Porto, a verdade é que não se chamava Pedro Picoas, como o presidente do FC Porto afirmou, mas sim Pedro Pitões, sendo que Picoas é um nome de uma estação do metropolitano (subterrâneo) de Lisboa – Linha Amarela – e sendo que Pitões até seria um nome bastante fácil de memorizar pelo presidente do FC Porto, um clube de futebol, visto que pitões são aqueles grampos de plástico ou em alumínio que se enroscam nas solas das botas dos jogadores para lhes dar maior estabilidade e tracção.
Mais importante do que este singelos reparos factuais, que mais não visam do que impedir de chafurdar alegremente na ignorância, nas trevas, aquela fatia significante de povo que, presumivelmente, só lê jornais desportivos e despreza os nossos romancistas e trovadores, trata-se aqui de dar razão a Vítor Baía que ainda há bem pouco tempo lamentou publicamente que o FC Porto tivesse uma «cultura muito para dentro, muito fechada».
Baía não estava, obviamente, a referir-se a questões de cultura geral, como se costuma dizer, nem às eventuais calinadas presidenciais quando envereda pelo discurso erudito. Nada disso. Baía, que é um rapaz de bom senso, estaria simplesmente a lamentar o anacronismo de um espírito medieval que reclama limpezas étnicas e expulsões do país em nome de uma bola de futebol e de umas quantas chuteiras.
Com pitões, naturalmente.


O FC Porto – Benfica da época de 1953/54 teve a precedê-lo um ambiente bem menos medieval. No seu último número de Dezembro de 1953, O Porto, jornal oficial do clube nortenho, exortava os seus adeptos a receber condignamente os rivais que haveriam de chegar de Lisboa:
«Portistas, vem aí o Benfica. É claro que vamos receber como ele merece: à moda do Porto. Os encarnados do Sul vêm de longada até à Cidade Invicta encher de alegria os olhos dos desportistas tripeiros. Que vença, Deus o permita, o nosso glorioso clube. É legítimo. Que os bravos benfiquistas nos perdoem a tripeira fraqueza… Nada de hipocrisias porque os dois baluartes do futebol nacional já habituaram de tal maneira os seus adeptos à exibição plena das mais nobres virtudes da ética desportiva.»
E FC Porto venceu o Benfica por 5-3 sem ter havido registo de qualquer incidente, tal como o jornal O Benfica, órgão oficial do clube, relataria na sua edição de 14 de Janeiro de 1954:
«Ganhou o Porto! Foi naquela tarde o melhor. Mas também soube pôr na vitória o timbre de firmeza e educação que só os atletas de elite possuem. Perdeu o Benfica! Mas nem por isso saiu diminuído da contenda. Deixou no belo Estádio o perfume da sua categoria de grande equipa, grande na maneira de jogar, enorme na forma como soube aceitar a derrota.»
É impressionante o que o país tem evoluído nestas últimas longas décadas…


O chileno Valdés marcou os dois golos com que o Sporting venceu a equipa principal da União de Leiria no último domingo. Lendo os jornais de terça-feira vislumbra-se um ameaço de crise em Alvalade… A quem se deve e explosão de Valdés?
Para este jornal A BOLA, o autor do milagre foi Paulo Sérgio, o treinador, que disse ao chileno antes de entrar em campo: «Concentra-te nas coisas simples!» e ele concentrou-se mesmo.
Já para o Correio da Manhã, o mágico de serviço foi Costinha, o director, que disse ao chileno antes de entrar em campo: «Acredito muito no teu potencial» e ele acreditou mesmo.
Isto a continuar assim não haja dúvida que promete.


VENCENDO o Lyon, o Benfica garantiu praticamente a qualificação para a Liga Europa. Quanto à qualificação para a fase seguinte da Liga dos Campeões ainda está longe de estar garantida. Faltam dois jogos e duas vitórias, ou seja, falta muito."
Leonor Pinhão, in A Bola

O Benfica e a icterícia

"DETIVE-ME há dias na estatística dos cartões até à 8.ª jornada da Liga. Talvez porque se aproxime o jogo do Benfica no Porto e porque havia quatro jogadores encarnados no limiar da suspensão (lá se safaram…).

E que vi eu? Uma lista encabeçada pelo clube do meu distrito, o Beira-Mar (10 admoestações) e fechada pelo meu clube de coração, o Benfica com 32 cartões amarelos, num verdadeiro estado de icterícia! E pus-me a pensar, no que lhe terá acontecido para, tão destacadamente, ser a equipa mais indisciplinada. Logo pensei no juiz Olegário e no jogo em que só o roupeiro não foi alvo do seu gesto exibicionista de levantar o cartão. E também me lembrei de outros jogos e, por associação, de uma frase de alguém que classificou a equipa encarnada como «um bando de caceteiros» (e à qual, a Direcção do Benfica bem respondeu com um olímpico silêncio), talvez sugerindo uma orientação para os árbitros sempre que lhes calhasse em sorte o SLB.

Ao fim de 8 jogos já dá para fazer uma média. O Benfica com 4 cartões por jogo, o Porto e o Sporting com 2 cartões. Quem viu os jogos consegue encontrar uma lógica nesta diferença? Haverá batalhas campais quando o Benfica joga? Será que o Cardozo quando chuta um décimo de segundo depois do apito merece ser admoestado e outros que, nas mesmas circunstâncias, prosseguem paulatinamente as jogadas são apenas surdos? E como se explica a diferença quando olhamos para os poucos cartões na Liga dos Campeões?

Por fim nesta digressão estatística, veio-me à memória uma Supertaça quando o juiz Pratas fez, em marcha-atrás, o campo todo em amena cavaqueira com toda a equipa do Porto, sem que nada acontecesse no campo disciplinar. É que nestas coisas de icterícia, há fígados e fígados.

P.S. (depois do Lyon) – Roberto, deixa-te de ‘verdismos’. Volta ao branco!"

Bagão Félix, in A Bola