Últimas indefectivações

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Alguém faz um ponto de ordem?

"As eliminações de FC Porto e Sporting da final four da Taça da Liga, com ambos os clubes a clamarem contra a arbitragem, fizeram accionar os planos de contingência do futebol português e levaram a que o Conselho de Arbitragem (CA) da FPF convocasse uma reunião de emergência com os clubes para o início da próxima semana. Ao mesmo tempo, uma acção de intimidação ao árbitro Artur Soares Dias, nomeado para o Paços de Ferreira - FC Porto do próximo sábado, deixou a classe dos árbitros à beira de um ataque de nervos e está a provocar ondas de choque com consequências ainda por determinar. Estamos perante uma situação altamente preocupante, que não será bem avaliada através de uma qualquer óptica maniqueísta. Por um lado, há erros de árbitros evidentes e nomeações menos avisadas; por outro, há uma necessidade de explicar os insucessos sacudindo a água do capote para cima de arbitragem (FC Porto muito abaixo do exigível nos três jogos da Taça da Liga, acabando o grupo em último; e um Sporting de segundas linhas a mostrar pouquíssimo em Setúbal). Na síntese destas duas vertentes estará a explicação para o estado da nação.
E esta época até parecia começar tranquila, no Dragão e em Alvalade, depois da saída de Vítor Pereira da presidência do CA...
A 23 de Agosto, Pinto da Costa dizia que «a arbitragem vai ser discutida sempre que o Benfica não ganhar», enquanto que Bruno de Carvalho afirmava que «é evidente o esforço e o empenho dos árbitros de primeira categoria para, nas partidas a que foram chamados, fazerem boas exibições e actuarem de acordo com as regras»."

José Manuel Delgado, in A Bola

Lamento!

"Há muito tempo que não se via uma coisa assim; e nada justifica que se volte a ver o que muito se viu nos anos 80 e 90...

Quanto mais vejo as imagens do que se passou após o final do V. Setúbal - Sporting desta quarta-feira mais me custa vê-las. Perante a fúria de muitos dos profissionais do Sporting, a questão já não é a de se saber se o árbitro errou ou não errou; a questão é saber onde é que isto vai parar?!
Vamos por partes: é ou não é penalty de Douglas sobre Edinho? Pelo que se vê nas imagens, parece, realmente, haver penalty! Além da (evitável) carga pelas costas, Douglas toca ainda na perna direita do adversário. Falta assinalada num centésimo de segundo... sem sofá e, sobretudo, sem televisão.
Pode o Sporting sentir-se prejudicado por algumas outras decisões da equipa de arbitragem?
Pode!
E o V. Setúbal?
Também!
Equivocou-se o árbitro quanto ao autor da falta? Parece que sim. Não foi realmente, Coates mas sim Douglas quem fez a falta sobre Edinho. E é verdade que se viu o árbitro mostrar o amarelo a Coates e não se viu que tivesse mostrado, como devia, a Douglas.
Mas esse equívoco é acessório, não é o essencial. O essencial, no caso, seria saber se foi ou não penalty. E pareceu ou não pareceu ser penalty?
Na minha opinião, pareceu penalty. Mas haverá seguramente quem ache que não é.
Como acontece muitas vezes num jogo de futebol.
Mas mesmo admitindo que não foi penalty, pode um penalty justificar tanta cabeça perdida?
Já agora, e se o mesmo lance tivesse acontecido na área do V. Setúbal, se Edinho fosse Bas Dost e Douglas fosse, por exemplo, Frederico Venâncio, e o árbitro não assinalasse castigo máximo? Teria o Sporting concordado com a decisão? Ou reagiria como reagiu?
Muito provavelmente, reagiria como reagiu.
O árbitro cometeu erros no jogo por ser inexperiente? Não. O árbitro cometeu erros porque os árbitros erram. E vão errar sempre. Os piores árbitros vão sempre cometer mais erros mas não é por serem melhores que alguns vão deixar de errar. Nem por terem imagens televisivas. Porque mesmo com a televisão, haverá sempre quem ache que o lance do Bonfim foi penalty e quem ache que não foi.
Os árbitros inexperientes erram mais. E, nesse sentido, deveria evitar-se nomear os mais inexperientes para os jogos mais mediáticos, mais exigentes, sempre susceptíveis de se tornarem mais polémicos, como era o caso, porque podem, esses árbitros, tornar-se também mais vulneráveis. E não merecem ficar marcados por um jogo assim.
Mas os árbitros experientes também se enganam.
O Sporting queixa-se da nomeação do árbitro por ser inexperiente mas já se queixou de áribitros muito experientes. Queixou-se de Jorge Sousa, na Luz, por exemplo, e Jorge Jesus é hoje só o mais experiente árbitro português!

O Sporting queixa-se dos árbitros. Ponto. Não é por serem experientes ou inexperientes. É pelos erros que eventualmente cometem. Queixa-se o Sporting e queixam-se todos os outros clubes. Sobretudo os grandes, claro. Quando perdem!
Como o FC Porto. Que se tem queixado muito e continua a queixar-se, por exemplo, muito da arbitragem do Sporting-FC Porto... da qual o Sporting, naturalmente, não se queixa.

O Sporting começou, porém, a época a elogiar os árbitros. E as alegadas mudanças na arbitragem. Tal como o FC Porto. E com o Benfica a protestar pelo empate em casa com o V. Setúbal.
Com a frustração, aumenta agora o Sporting o tom das críticas. Ao ponto de perder a cabeça como perdeu no Bonfim.
Aumenta igualmente o tom das críticas o FC Porto mas pelo menos Nuno Espírito Santo tem sido um exemplo de serenidade, criticando correctamente o que lhe parece criticável mas não deixando, como não deixou esta semana, de reconhecer como o FC Porto não esteve, por exemplo, nada bem nesta edição da Taça da Liga.
Voltando ainda ao caso do Bonfim, podia o Sporting ter até absoluta razão no lance da grande penalidade assinalada a favor do Vitória de Setúbal que seria sempre lamentável o comportamento que se viu a muitos dos profissionais da equipa. Nada o justifica. Nada pode justificar ter de rodear a equipa de arbitragem e agentes de polícia.
Embora às vezes pareça, isto não é o terceiro mundo!
Nem é, com todo o respeito, a América latina, onde num instante desata tudo ao estalo dentro dos campos de futebol.
Pareceu o futebol português muito o terceiro mundo nas décadas de 80 e 90, quando um só clube ganhava mais do que todos os outros juntos e, mesmo com todos os inquestionáveis méritos, já impunha comportamentos inaceitáveis.
Foi assim durante anos e anos, quando muito poucos faziam mesmo muito o que queriam nos campos de futebol, pressionando, perseguindo, ameaçando e agredindo.
Mas há muito que isso tinha acabado. Há muito que não se via uma coisa assim, com gente de cabeça completamente perdida e quase ultrapassar o limite do tolerável, do qualificável e do compreensível.
Entende-se naturalmente a frustração e os nervos à flor da pele. Entende-se uma reacção mais a quente, um gesto menos medido, uma palavra menos reflectida. Entende-se tudo isso porque o futebol é realmente um jogo de paixões, de emoções, do coração na boca.
Mas é lamentável a fúria; e mais ainda a fúria colectiva. E descontrolada.
Bem mais controlado, desta vez, pareceu sempre o presidente Bruno de Carvalho. Estranhamente para alguns. Ou talvez não.
Talvez possa Bruno de Carvalho estar aos poucos a reconhecer que o Sporting não tem estado tão bem como gostaria... apesar dos erros dos árbitros e não apenas por causa dos erros dos árbitros.
Reconhecê-lo poderá ajudá-lo a dar um passo em frente.
Porque será reconhecer que o Sporting tem grandes desequilíbrios no plantel, que não tem jogadores em quantidade e qualidade para conseguir outro rendimento nas diferenças competições e que não tem sido, também por isso, capaz de jogar mais vezes esta época o fantástico futebol que jogou a época passada.
Se o reconhecer, talvez Bruno de Carvalho fique mais do lado da solução. E não o problema."

João Bonzinho, in A Bola

Parar e reflectir. Reflectir a sério

"O Governo não pode demitir-se da sua responsabilidade nesta matéria

Não posso dizer que esteja surpreendido. Há muito que se percebeu que o ambiente criado em torno das arbitragens conduziria, inevitavelmente, ao aumento de ameaças feitas a quem dirige jogos de futebol.
Não é de hoje, nem de ontem. Foi, ciclicamente, assim em muitos outros momentos.
O que mudou foram os meios de acesso que os tempos modernos facultam. Hoje está exponenciado, até ao limite do inimaginável, o acesso fácil e rápido a qualquer árbitro do país. A informação circula instantaneamente. Abundantemente. Excessivamente.
Toda a gente sabe quem são, onde vivem, onde trabalham, onde treinam e até mesmo, em que escolas estudam os seus filhos.
Emails, redes sociais, whatsapps, vibers, sms e afins são meros instrumentos ao dispor de quem tem por hobbie a difusão gratuita do pânico. São facilitadores de quem se entretém a ameaçar, amedrontar, fragilizar, perseguir, assustar.
A verdade é que, de há uns anos a esta parte, tem valido quase tudo: carros vandalizados, paredes pintadas, montras partidas, telefonemas a horas impróprias, dados pessoais divulgados na internet e até visitas de cortesia ao local de trabalho.
A culpa não pode morrer solteira e, quanto a mim, todos sem excepção têm a sua quota-parte de responsabilidade:
1 - Algumas arbitragens não têm sido felizes em momentos importantes das competições e isso é uma evidência que não pode nem deve ser branqueada. É algo que deve, inclusivamente, merecer reflexão profunda do sector. Há por ali pessoas muito sérias, competentes e capazes. Venham as medidas claras que mudem o rumo das coisas;
2 - O comportamento de alguns dirigentes tem ultrapassado os limites máximos da razoabilidade. Tem, sobretudo, contribuído para algumas reacções de ódio manifestadas por franja significativa de adeptos insatisfeitos;
3 - Parte da imprensa continua a ver nessa nuvem cinzenta uma excelente oportunidade de negócio, extravasando não raras vezes o seu dever de informar. Por muito que venda, fomentar o discurso de guerrilha e dar voz/protagonismo a quem quer poluir a opinião pública é prestar um mau serviço à classe e ao futebol.
4 - O Governo não pode demitir-se da sua responsabilidade nesta matéria, sobretudo quando em causa está, uma vez mais, a vida privada de cidadãos. Dos seus cidadãos. Já não se trata apenas de futebol.
5 - Os adeptos - em especial os que insultam  e ameaçam - são os menos culpados. Estão intoxicados, deixam-se manipular por algumas estratégias que, não raras vezes, só pretendem desviar atenções do essencial para o acessório.
Não tenho dúvidas. Este é, sem dúvida, o momento certo para reflexão profunda.
Depois do ruído que começou ligeiro e atingiu esta semana decibéis históricos, depois das incidências desportivas resvalarem, com tanta facilidade, para a segurança e integridade física de pessoas, não há que esperar mais.
Árbitros e a sua estrutura dirigente, responsáveis máximos do futebol, dirigentes desportivos, imprensa, Associações de Adeptos, Treinadores, Jogadores e a tutela deviam sentar-se, de imediato, à mesma mesa para discutir, de forma séria e definitiva, que cancro é este que parece metastizar-se ao segundo, rumo a uma morte anunciada.
E isso nós não queremos. Certo?"

Duarte Gomes, in A Bola

Crónica de uma morte anunciada

"Um grupo de malfeitores invadiu as instalações onde treinava o árbitro de futebol Artur Soares Dias, indigitado para dirigir o próximo jogo do Paços de Ferreira com o FC Porto, e ameaçou-o de morte, estendendo a ameaça aos elementos mais chegados da sua família.
Alguns dirão que se tratou, apenas, de uma forma mais teatral de pressão e de condicionamento do árbitro, por parte de uma claque organizada, que vive numa impunidade mais habitual em países terceiro-mundistas.
Soares Dias terá reconhecido os autores das ameaças como pertencentes a uma claque específica e certamente que os reconhecerá pessoalmente, se a polícia se interessar minimamente pelo caso e se preocupe, de facto, com este gravíssimo incidente de segurança pública.
Quem também não poderá continuar impávido e sereno é a Administração interna e o ministério público. Bem sei que lhes poderá parecer apenas uma guerra do futebol, mas será bom que as autoridades competentes metam na cabeça de que ou conseguem agir e fazer de Portugal um país que entende como fundamental a defesa dos seus cidadãos ou é melhor que se vão habituando à responsabilidade de uma futura morte anunciada."

Vítor Serpa, in A Bola

O último minuto

"Perder um jogo ou uma eliminatória no último minuto é uma sensação péssima. Nesta fase de grupos da Taça da Liga, o Vitória de Setúbal perdeu e venceu no último minuto. Na Póvoa de Varzim, perdeu no último lance do jogo, um livre lateral que resultou em golo, e esta semana venceu o Sporting com um penalty no último minuto. Duas sensações completamente opostas. Em ambas, o jogo acabou sem a bola vir ao centro do campo para o recomeço do jogo. Para uns é uma sensação de impotência, para outros uma alegria imensa. O jogo tem destas coisas, e como todos sabemos a maioria dos jogos decide-se na parte final. A concentração tem que ser total, mas o ideal é resolver tudo antes dos últimos minutos. Para mais quando o factor de desempate final é a idade dos jogadores.
Mas mais importante do que analisar isoladamente a parte final de um jogo, é fundamental perceber a nossa prestação durante todo o jogo. Na Póvoa falhámos várias possibilidades para marcar, inclusivamente bolas nos ferros, e fomos penalizados de forma dura. Em Setúbal fomos felizes, acreditámos que podíamos seguir em frente e acabámos por ter a sorte do jogo.
As decisões nos momentos finais acontecem em todas as competições e em todos os níveis, seja na Champions seja nas divisões inferiores. As razões são diversas, mas tornam-se comuns quando as equipas têm a dimensão de um grande clube. As análises também são diferentes consoante a dimensão das equipas, e como tal o nível de ruído torna-se mais elevado quando tal acontece com equipas de grande dimensão. Infelizmente, a questão é estrutural e pouco tem sido feito para alterá-la. Os concorrentes não têm o mesmo estatuto e como tal não lhes é tolerado o mesmo comportamento. Não é fácil estar em qualquer um dos lados. Mas devemos perceber que o sucesso de uma competição tem por base o equilíbrio entre os competidores.
Até ao último minuto."

José Couceiro, in A Bola

Aquecimento... falando de Futebol (coisa tão rara nos dias de hoje!!!)

Benfica, Sporting, FC Porto, Seleção: o que fica do ano que passou

"O ano acabou de começar agorinha mesmo, enquanto estava ali a beber aquela taça de champanhe, pelo que ainda está fresco: tão fresco como o ano velho que já lá vai. Ora por isso ainda pode ser tempo de balanços. Parece-me aliás uma altura perfeitamente razoável para fazer um balanço que não prometo que seja melhor ou pior do que os outros: mas é o meu balanço e gosto muito dele por isso. Vamos lá, antes que se perca a oportunidade? Vamos lá, então.

Positivo Benfica:
A capacidade de se reconstruir em torno da prata da casa. Admirável trabalho de Rui Vitória, aliás. Cortou com boa parte da herança de Jorge Jesus e reestruturou a equipa com miúdos como Renato Sanches, Nelson Semedo, Lindelof, Gonçalo Guedes, André Horta, mais Grimaldo, Cervi, Pizzi, enfim. Pelo caminho foi campeão. Chapeau.

Negativo  Benfica:
Não é fácil apontar pecados a uma equipa que venceu a Liga, a Taça da Liga, a Supertaça, chegou aos quartos de final da Liga dos Campeões e repetiu depois disso a presença os oitavos. Talvez a tendência para as lesões, o que não abona muito a favor do Benfica Lab. É pouco? É sim senhor, é um negativo pequenino. Mas o ano do Benfica foi admirável.

Positivo Sporting:
A recuperação do entusiasmo. Os adeptos voltaram a sonhar, voltaram a encher-se de ilusão, voltaram a sorrir e a chorar, a festejar e a magoar-se. Voltaram enfim e sentir o clube, e esse foi o primeiro passo para resgatar a grandeza do clube. Sucessivas casas superiores a 40 mil espectadores são a prova de que o Sporting ainda tem muito para dar.

Negativo Sporting:
O clima de constante guerrilha. A inclinação para o queixume, para o ataque gratuito, para a suspeição foi um valente tiro nos pés: nos dois pés, aliás, distraiu o clube do essencial e encheu de força o Benfica, que se uniu e fortaleceu a cada ataque vindo de Alvalade. Que o Sporting insista neste equívoco, não é estranho: é puro masoquismo.

Positivo FC Porto:
André Silva, Diogo Jota e Rui Pedro vieram juntar-se a Ruben Neves, José Sá, Sérgio Oliveira, André André. O FC Porto redescobriu o jogador português, mas fez mais do que isso: redescobriu o jogador português com sotaque do norte, sangue nas veias e Porto no coração. Foi à custa de jogadores assim que o clube deu a curva no destino há trinta anos.

Negativo FC Porto:
A saída de Antero Henrique não significou apenas a perda de um elemento valioso: significou acima de tudo a destruição de uma estrutura que esteve por detrás dos maiores sucessos do clube. Uma estrutura que foi elogiada pela UEFA, que foi cobiçada pelos grandes europeus e que construiu um modelo de sucesso. Difícil de entender, portanto.

Positivo Futebol Nacional:
Paris, claro. Portugal no topo do mundo, a bandeira linda e imparável, o peito cheio de orgulho deste sentimento lusitano. Em França cumpriu-se Portugal, e só isso já seria suficiente para tornar este ano de 2016 inesquecível. Só aquele grito, só aquele punho cerrado, só aquele sorriso já valeu pelo ano todo. Fomos heróis. Fomos portugueses.

Negativo Futebol Nacional:
Doze chicotadas psicológicas, doze exemplos de amadorismo. Já é tempo dos dirigentes assumirem responsabilidades pelo insucesso do treinador que escolheram: sim, que eles estão a falhar tanto ou mais que os treinadores. Se por cada treinador despedido houvesse um dirigente que se demitisse, o futebol seria um lugar bem mais maduro e ponderado. 

Positivo Futebol Internacional:
Cristiano Ronaldo, pois claro. Campeão europeu de clubes, campeão europeu de selecções, campeão mundial de clubes, mais uma Bola de Ouro e provavelmente mais um FIFA World Player. A capacidade de Ronaldo rivalizar com um Deus do futebol como Messi, e com o talento insensato do argentino, só merece uma reacção: um aplauso sentido. 

Negativo Futebol Internacional:
O Manchester United acabou o ano com seis vitórias seguidas, mas nem assim conseguiu entrar nos lugares europeus. Depois de gastar 185 milhões de euros em jogadores, aos quais se juntam 150 milhões do ano anterior, é certo que o Man. United se tornou um caso bicudo: um excelente exemplo do que é uma péssima gestão. Um clube sem norte.mo."

Benfiquismo (CCCXXXIX)

1906

Em cima: António Couto, Albano dos Santos Emílio de Carvalho, Manuel Mora, Cosme Damião, Fortunato Levy.
Em baixo: Carlos França, António Rosa Rodrigues, Daniel Queiroz dos Santos, Cândido Rodrigues e Silvestre da Silva

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

'Aprendiz de feiticeiro'

" 'Dom Quixote de La Mancha' é uma obra de invocação recorrente quando se quer casos de graus de loucura extrema.

Um ano de vitória(s)
Neste primeiro artigo de 2017... relembrar, apenas, o desejo de repetir, no mínimo, o feito conseguido pelo Benfica no ano civil de 2016.
Um registo extraordinário de 44 vitórias, com a consequente conquista de títulos.
Para voltar a conseguir que este ano seja de monotonia...
Porque monotonia, neste caso, rima com vitórias do Benfica, pois então.
Monotonia no nome do vencedor de tudo o que há para disputar, em Portugal.
Como até aqui, ... de vitória em vitória!
E 2017 não poderia começar melhor, com uma vitória para a Taça CTT, frente ao Vizela.
Desse jogo de terça-feira passada, o regresso, em grande, de Jonas aos golos.
Sendo o seu primeiro golo, de levantar o estádio, através da marcação de livre directo, a 25 metros da baliza!!!
Pediu para marcar.. e marcou!
Desse jogo, ainda, a brilhante exibição de Zivkovic, com três assistências (em quatro golos)!
Para o resto da época (e ano civil), em todas as competições, espera-se que o Benfica não deixe cada adversário tornar o jogo difícil.
Fazendo o seu trajecto, seja ele qual for, e qual o caminho escolhido, em sentido único.
Um Benfica na sua máxima força.
Para que em cada jogo, em cada confronto, consigamos chegar - facilmente - à vantagem.
Resolvendo, o mais cedo possível, cada jogo.
Sem margem para dúvidas, como se do último jogo se tratasse.
Com a superioridade que se exige.
Segue-se o Guimarães... na cidade berço.
Lá estaremos, muitos, à Benfica (eu entre eles), para que não deixemos dúvidas sobre ao que vamos e o que queremos: o tetra!!!

«Um iluminado que se arvora em justiceiro»...
Pois, embora só o Benfica interesse, como disse, e bem, o nosso Presidente, uma entrevista concebida para assinalar o início de mais um ano civil, «há um iluminado que se arvora em justiceiro».
Prometi a mim mesmo não falar mais em determinadas pessoas - como se de uma resolução de ano novo se tratasse.
Promessa que irei tentar cumprir, porque o homem tira-nos do sério, com tanta arrogância, egocentrismo, e com tanto ridículo!!!
Sobretudo tendo em conta os últimos acontecimentos e entrevistas.
E os erros que vai cometendo.
Não que isso me preocupe, mas... não os posso ignorar.
Não para que sejam corrigidos, mas... porque existem.
Desde logo, por criar um inimigo externo e, agora, também interno, para unir aquilo que com resultados desportivos não consegue.
Como se de uma cortina de fumo de tratasse e que se esfuma, deixando a realidade à vista...
Porque todos os ataques sem fundamento não disfarçam, sequer, as derrotas e as incapacidades.
Esquecendo-se que qualquer invocação de ataques sucessivos - sobretudo os infundados - tem um limite.
Por isso lhe faria bem reler (ou ler, se nunca o fez antes) a história de Pedro e o Lobo.
Porque esse inventar sucessivo de inimigos não tem qualquer relevância quando... ninguém lhe pediu para ir à guerra.
Nem, tão-pouco, para salvar o clube.
Foi ele quem se imaginou salvador, fazendo tudo para se eleger por isso e para isso.
Então, perguntar-se-á, porquê criar um enredo tão grande que não permite que a opção - para ele e para os seus - não seja outra senão arranjar desculpas para tudo e anúncios que só não ganham porque não os deixam???
Em vez de um discurso (e um projecto) de construção, de futuro e de qual (se souber) o caminho a seguir.
Ou, de pelo menos, tentar unir as hostes... em vez de fazer tudo para as dividir.
Esquecendo-se que cada campanha se faz de projectos, de valores e de princípios!
Não é que a coisa não me agrade, confesso, mas que devia largar o papel de aprendiz de feiticeiro... lá isso devia.
Para que, em cada intervenção, as suas palavras fizessem a diferença.
Com um discurso realista, ficado, ambicioso o suficiente para os objectivos essenciais do seu clube.
Até porque, seja em que clube for, o importante é perceber o quer se quer...
Que é bem diferente do que não se quer... que chega para os primeiros tempos... mas que é poucachinho (parafraseando o Sr. Primeiro Ministro) para o resto da vida.
Foi isso que não percebeu, continuando a ter um discurso de passado, porque o passado lhe valeu as primeiras ovações.
As muito fáceis, porque, ao princípio, basta dizer mal...
Depois, não necessários as projectos, as ideias, as diferenças na execução, as metas e os caminhos da gestão.
E isso é que é difícil.
Muito difícil!!!
Embora haja sempre uns idiotas, até entre os inimigos declarados de ontem, que o bajularão para ver se entram no barco.
Porque o que lhe importa é estar por estar... desde que lá estejam (como acontece em todas os clubes).

Ou... 'o novo Dom Quixote'
Dizia o Padre António Vieira que «quem, no seu discurso, só vive de citações alheias, não sabe, lembra-se».
Mas, ainda assim, reconheçamos que até para fazer citações, temos de ler e... perceber o que lemos.
Pelo menos.
Pois à pessoa em causa, como não lhe bastava o papel de aprendiz de feiticeiro, nem, tão pouco, os azares do dia a dia, ainda se enganou na citação que, por certo, quis deixar num tom de intelectual de quem... lê livros!
Pois, nessa cruzada, nada melhor que se rever no papel de... Dom Quixote.
Embora não consiga perceber a comparação, porque a invocação só serve para se ridicularizar, por entrar - como o cavaleiro de Miguel Cervantes - em campanhas e com inimigos que não existem - ou acabaram de ser criados, para o efeito.
Quando se quer dar a ideia de alguém que caminha nesse sentido, nada melhor que invocar Dom Quixote de La Mancha.
Dom Quixote, um fidalgo filho de pais ricos, que quer lutar contra uns gigantes que, afinal, não passavam de meros moinhos de vento.
A intenção de ridicularizar é tal que Dom Quixote acaba por travar uma árdua batalha contra verdadeiros moinhos de Vento, sem qualquer consciência de que o fazia.
Uma batalha num mundo irreal, onde só ele via esses inimigos.
Para além de outras batalhas... contra um exército de ovelhas, que eram apenas... animais (sendo, talvez, estes a que ele se referia quando usou o termo...).
Dom Quixote de La Mancha é uma obra de invocação recorrente para apontar casos de grau de loucura extrema.
Não acreditamos ser esse a caminho pretendido.
Então, porquê falar de coisas que não se sabe, invocando para casos que não se adequam, em situações que não querem?
Aprenda, por isso: quando se quer falar de si próprio nunca deve referenciar ou achar-se o Dom Quixote cá do sítio.
Porque se trata, efectivamente, de uma figura ridícula.
Só ultrapassada pelos que se dizem fartos de fazer de Dom Quixote de La Mancha.
Como diria Eça de Queiroz, pela boca do Abade Custódio, em Os Maias... «Deve-se começar por lá... É a base; é a basezinha».
Ou, adaptando ao mundo de hoje, como quem diz... «se não leste, como quem diz... «se não leste nada... pelo menos não cites»!!!
Não é, Dom Quixote de La Mancha recauchutado?
Bom ano."

Rui Gomes da Silva, in A Bola

Previsões e (ou) desejos

"O novo ano transposta sempre renovadas esperanças e novas ilusões que - manda a tradição - se fundem nas doze passas da passagem do velho para o jovem ano.
Resolvi, aqui e agora, arriscar as minhas conjecturas futebolísticas para 2017, embora no caso do Benfica saiba que o desejo absorve quase completamente a racionalidade (?) de qualquer previsão.
Prevejo que o Benfica alcance o almejado tetracampeonato. Que, na classificação de Maio, se lhe sigam, por esta ordem, FC Porto, Sporting, V. Guimarães e SC Braga. O campeão dos médios-pequenos clubes será o Rio Ave. Descerão, com pena minha, o Moreirense e o Tondela. Uma outra previsão - creio que bem mas fácil e menos arriscada - será a subida do Portimonense e do Aves.
Quanto à Taça de Portugal, arrisco uma final entre os eternos rivais da Selecção Circular, 21 anos depois. Quanto à Taça da Liga, será que o Benfica vai ter a oitava em dez?
Na Bola de Prata quero crer que Jonas ainda vai a tempo de vencer, embora Bas Dost e André Silva tenham 9 golos de avanço.
Benfica e Porto muito dificilmente vão passar dos oitavos da Champions. Já na Taça das Confederações, Portugal será finalista (contra a Alemanha).
Nas modalidades de pavilhão, a minha aposta é de três títulos encarnados (hóquei, basquetebol e voleibol), um para o FC Porto (andebol) e para o Sporting (futsal).
Lá fora, antevejo o Bayern a reconquistar a Champions e a premiar o seu discretíssimo e eficiente técnico Ancelotti. Na Liga Europa, sem o sortudo Sevilha, aposto numa equipa treinada por portugueses: Manchester United de Mourinho ou Shakhtar de Paulo Fonseca."

Bagão Félix, in A Bola

Recordes é no atletismo

"O 'aprendiz' Rui parece capaz de chegar tão ou mais alto do que o 'génio' Jorge, como fizeram Jesualdo Ferreira, Manuel José ou Vítor Pereira. É esperar para ver, porque a verdade vem sempre ao de cima.

Em Fevereiro do ano passado a imprensa espanhola fez eco de um recorde que pertencia a Pep Guardiola e que Luís Enrique, o seu sucessor no comando técnico do Barcelona, acabara de superar. No essencial, amplificou-se um ciclo de jogos oficiais sem derrotas, o que para o enriquecimento das estatísticas é sempre de relevante significado, sobretudo tratando-se de quem se tratava. Além de gerar interessantes exercícios jornalísticos quando preparados por profissionais aptos em desenvolverem peças valiosas a partir de dados aparentemente inúteis.
Como reagiu Luís Enrique à notícia? Como se esperava, aliás, sendo ele grande treinador, de grande clube e, por isso, obrigado a grandes (e pequenas) conquistas. Desvalorizou, sublinhando que recordes sem corresponderem a títulos valem zero.
O assunto é curioso e até oportuno por, nesta mudança de ano, ser frequente ler e ouvir louvores a Rui Vitória por causa da profusão de predicados que se lhe reconhecem, quando, um ano antes, ninguém apostava um euro na sua carreira no Benfica. Pelo contrário, como devem estar lembrados, sobretudo os que têm memória com autonomia para uma temporada desportiva, apenas lhe enxergaram defeitos, deste a má imagem, à deficiente comunicação, passando pela fraca liderança (este termo tem muito que se lhe diga, não há dúvida...) e pela dificuldade no controlo do balneário.
Entre outros 'mimos' que lhe dirigiram, ressaltaram as inabilidades estratégicas e tácticas, essas coisas que os mestres do mesmo ofício gostam de complicar para os estranhos não as entenderem, além de dificuldades na 'leitura do jogo' e na (má) prontidão com que corrigia os 'erros de ortografia' que se lhe deparavam.
Foi um movimento generalizado e agressivo, que me levou a escrever neste espaço que se tinha tornado moda bater em Vitória. Porque era fácil, embora sem razão, ou quase sempre sem ela, ao omitirem-se dois factores determinantes:
1. A mudança de Guimarães para a Luz, a requerer o necessário tempo de adaptação e que não lhe concederam, embora o visado jamais se tivesse queixado.
2. A campanha que leh foi movida a partir do exterior, pública e de origem identificada, como se de repente o Benfica ficasse interditado de contratar outro treinador só porque o que lá estava resolveu mudar de patrão.
A verdade é que Rui Vitória, desconsiderado e enxovalhado, resistiu com a única arma eficaz de que dispunha: a qualidade do seu trabalho, provavelmente superior à de quem tudo tentou para que não vingasse.
Foi campeão nacional e num instante passou-se uma esponja sobre o que de injusto e desagradável se dissera ou escrevera em relação a ele. Críticos severos transformaram-se em adeptos do coração. Os erros evaporam-se e houve, enfim, espaço para os méritos, muitos. É o exagero do costume quando se fala de futebol.
Do fundo do poço da incompreensão começaram a retirar-se baldes de coisas boas e a descortinarem-se marcas e feitos suplantados por Rui Vitória recebido com duas pedras na mão e depressa promovido não a 'espécie de treinador', mas a treinador de verdade, 'espécie' de personalidade do ano, pelo volume de recordes ao qual se associou o seu nome. Reagiu com a humildade dos homens simples, principalmente após ter colocado o Benfica no topo dessa escala de proezas estatísticas: 44 vitórias em 2016, a par do Barcelona e à frente de todos os restantes colossos europeus.
O que aproxima Luís Enrique e Rui Vitória, então? A certeza de que nada vale sem títulos.

Entra em 2017 quatro pontos à frente do FC Porto, seis do SC Braga e oito do Sporting e do Vitória de Guimarães e, no entanto, adverte que é mais longo e difícil o percurso que falta cumprir do aquele que já se cumpriu. Treinadores recordistas é giro, para os próprios, mas para os clubes o que verdadeiramente importa são os troféus conquistados. Paulo Bento, que tinha plena consciência dessa realidade, dizia que mão é no andebol, eu acrescento que recordes é (mais) no atletismo.
Tal como Enrique, Vitória não vive de elogios. Quer fazer parte da família dos grandes, como José Mourinho, um dos cinco treinadores que venceram a Liga dos Campeões por dois emblemas, no caso FC Porto e Inter. Sem esquecer Artur Jorge (Champions), André Villas Boas (Liga Europa) e Anselmo Fernandez (Taça das Taças), além de, obviamente, Fernando Santos, o maior de todos para os portugueses.
Em conclusão, o 'aprendiz' Rui parece capaz de chegar tão ou mais alto do que o 'génio' Jorge, como fizeram Jesualdo Ferreira, Manuel José e Vítor Pereira. É esperar para ver, porque a verdade, como o azeite,vem sempre ao de cima."

Fernando Guerra, em A Bola

Tecnicamente foi mesmo 'penalty'

"Um penalty decisivo no último lance do jogo é, sempre, polémico. Pior quando a decisão não é apenas de um jogo, mas da eliminatória de uma prova oficial. Mais bombástico, ainda, quando o prejudicado e o eliminado é um clube grande. Dramático quando, depois de tudo isto, o lance não é, à primeira vista, de uma evidência absoluta e indiscutível.
Lembramos aquela meia-final do Euro-2000, quando Portugal foi eliminado pela França num golo de ouro obtido num penalty em pleno prolongamento, quando o árbitro assinalou uma mão de Abel Xavier. Nessa altura, não houve português que não injuriasse o árbitro, jurava-se que não tinha havido mão, que era uma dádiva da UEFA a uma França que tinha de estar na final. A verdade é que, com o tempo, arrefeceram os ânimos, diminuiu a intensidade da ira e da decepção colectiva e percebeu-se melhor que tinha, mesmo sido penalty.
O que sucedeu, ontem, no Bonfim foi que o lance decisivo começou na hesitação do árbitro, na informação sorrateira do seu assistente, na falta de convicção do gesto. É verdade que vistas e revistas as imagens televisivas se chega à conclusão de que o árbitro acertou. Tecnicamente foi mesmo penalty, porque Douglas desequilibra o avançado setubalense. E este aproveitou-se do impacto para se estatelar com maior aparato? É irrelevante. A mesma irrelevância que levará meio mundo andar por aí a discutir da maneira mais imbecil a (falsa) questão da intensidade da falta. As faltas são como a honestidade. Não há mais nem menos, há ou não há. As imagens demonstram que houve falta, mas não será isso que vai apagar a polémica."

Vítor Serpa, in A Bola

Dos árbitros

"Quando, algures pelo capítulo 6 de Alice no País das Maravilhas, a Alice encontra o Gato e lhe solta, na encruzilhada, a pergunta pouco filosófica:
- Dizias-me, por favor, qual o caminho que devo seguir?
Chesire responde-lhe com a frase que se transformou num destino:
- Isso depende bastante de para onde querer ir.
E ouvindo de Alice a displicência:
- Não me importava muito para onde...
o Gato atira-lhe, perentório:
- Então qualquer caminho serve.
Problema no futebol é que, quando uma equipa não sabe para onde ir, nenhum caminho lhe serve. O FC Porto viveu essa angústia, esse desatino, mas parece-me incontestável: um caminho, o Nuno Espírito Santo já tem - é a sua ideia de jogo (e nem me parece nada má). Pode é ter outro problema: faltarem-lhe jogadores capazes de lhe levantarem a ideia e o jogo mais além (e se isso não acontece - mais do que treinador, a culpa é do presidente). Tal como na vida, no futebol há circunstâncias que desviam do caminho e caminho que se escolhe - e, às vezes, a Alice cai no buraco e encolhe. Isso pode ficar a dever-se um outro problema, o problema que durante anos o FC Porto não teve. Eu explico: no fim do Moreirense lembrei-me da Ingrid Bergman revelar, poética, o segredo de ela ser quem era em tela:
- A questão não é se estás mesmo a chorar, é se quem te vê pensa que estás mesmo a chorar...
Sim, no futebol é diferente - diferente porque a questão é se estão mesmo a lesar, não é se tu pensas que te estão mesmo a lesar. E havendo, agora, cada vez mais gente (não só do FC Porto) a vê-lo em vez de pensá-lo - por maiores que sejam as razões de queixa que lhe sobejam o FC Porto tem de queixar-se também de si próprio. Se não tivesse jogado um futebol tão raquítico, se os seus jogadores não fossem tão incapazes de irem além da ideia de jogo do seu treinador - teria cumprido a sua obrigação: a de ganhar ao Moreirense (ou a outros assim...) apesar do árbitro ou das estapafurdices do árbitro."

António Simões, in A Bola

PS: A incapacidade de fazer um crítica total à estratégia de comunicação Corrupta (e Lagarta) é inacreditável... Por mais que seja óbvio a utilização dos árbitros como desculpa para a incompetência dos seus Clubes, os jornalistas profissionais, não têm de coragem de desmascarar as tristes figuras dos seus dirigentes, treinadores e jogadores...
Os Corruptos esta época, são o Clube com mais penalty's a favor assinalados, e são de longe o Clube que beneficiou de mais minutos em superioridade numérica (o Benfica por exemplo tem 0 minutos em superioridade numérica)... e mesmo assim, não se calam...
Mas aparentemente, ninguém tem a coragem de desmascarar a 'narrativa' que está a ser construída...




O Boloposte, deu-se ao trabalho de gravar o resumo alargado da PorkosTV, do Setúbal-Sporting. Resumo que normalmente tem entre 15 a 30 minutos. Aos 71 minutos, ficou um penalty claro por marcar contra o Sporting, como se pode ver no Gif em cima (seria o 2-0), mas a PorkosTV resolveu 'esconder' o lance, mostraram a falta que deu o Amarelo ao Castaignos, mas depois saltam para o minuto 72:

E assim se vai condicionando a opinião pública, com a colaboração activa dos jornaleiros avençados!!!

Lanças... momento de astrologia - acertada - para 2017 !!!

O povo parece burro mas é só emotivo. A razão aparece logo de seguida

"Está a ser uma época muito difícil para o futebol profissional, em Portugal. Apesar da contestação ser cíclica, com diferentes intérpretes em função das circunstâncias, parece por demais evidente que os limites máximos da tolerância estão a ser ultrapassados

Há demasiada insatisfação, crispação e raiva no ar. Há pessoas revoltadas, dirigentes indignados e excessos como nunca se viu. É um facto que poucos refutarão.
Esta coisa da intolerância, que muitas vezes roça a violência verbal, é mais ou menos como o vírus da gripe: contagia e tende a crescer se não for tratada, na raiz, com eficácia e de forma permanente.
O que está então mal no futebol português?
1. A Arbitragem
Ou melhor, alguns erros de arbitragem, que a televisão tantas vezes mostra de forma tão clara como cruel. Clara porque muitos (não todos) tornam-se evidentes depois de vistos e revistos. Cruel porque ao nível da relva, a leitura é quase sempre diferente. Bem diferente.
Lá é tudo muito mais rápido, imprevisível, espontâneo. Fugaz. Quase sempre dúbio até. Há muito mais dúvidas do que certezas. Por isso, as decisões mais complicadas de analisar são tão acertadas quanto a capacidade que o árbitro tiver em recorrer a todos os seus sentidos. É que ver, muitas vezes, não chega. É preciso sentir, cheirar, intuir, deduzir.
O problema está então à vista: só os árbitros mais experientes (e também os mais competentes) têm essa faculdade exponenciada ao máximo. Porque decidir assim, com todos os truques que a mente ensina e o subconsciente absorve, é algo que não vem nos livros. Aprende-se com a prática. Com treinos, muitos treinos. E jogos, muitos jogos.
Por muita integridade, talento e potencial que tenham (e têm), parte desta nova geração de árbitros ainda não teve tempo nem espaço para crescer. Não a esse ponto.
Compete, por isso, à sua estrutura assumir essa gestão. Como? Acompanhando e promovendo - de forma inteligente e sensata - a sua evolução gradual, sustentada e tranquila.
Repito: gradual, sustentada e tranquila.
2. Debates sobre Futebol
Hoje há demasiada gente, ligada a clubes, com tempo de antena. Na televisão, rádios e jornais. Muitos – com honrosas excepções – propagandeiam o futebol como um cancro doloroso e incurável. Como um instrumento controlado pela máfia.
A luta pelas audiências permite e incentiva discussões em espaços de opinião que, em vez de nobres e construtivos, roçam o brejeiro e vergonhoso. É aí que, tantas vezes, se oferece protagonismo a pessoas que jamais pisaram um relvado e que têm agenda própria bem definida.
É também muitas vezes aí que se (de)formam opiniões, que se instigam adeptos a vendettas sangrentas, que se criam ambientes de guerrilha, quando na verdade o futebol é um jogo que devia apenas entreter e divertir. Com os seus erros e acertos, com a sua imprevisibilidade e espontaneidade. Com os seus golos majestosos e as suas fintas inesquecíveis. Com coreografias perfeitas e momentos de magia.
O preço a pagar pela concorrência aguerrida não pode nem deve descer ao ponto de oferecer verdadeiras autópsias, em direto, ao futebol português. Esse vale quase tudo, no fundo, não vale quase nada.
3. Falta de dureza da punição
Infelizmente, a proactividade, a prevenção e os sucessivos apelos à contenção, ao FairPlay e à gestão das emoções raramente resultam.
Quando se perde, sobretudo se houver legítimas razões de queixa das arbitragens, o caldo entorna. Fala-se em erros premeditados, em favorecimento com alvos específicos, a campanhas persecutórias. Fala-se em polvos, em sistema e em roubos. Das duas uma: provem o que acusam ou responsabilizem-se pelo que dizem.
Os regulamentos, aprovados pelos clubes, são claros: impedem especificamente quaisquer declarações sobre a arbitragem, que sejam “mais ofensivas”. Isso antes, durante e após os jogos. Apesar disso, elas acontecem todas as semana, em todos os tons e vinda de várias frentes.

Nota - Quem vai à frente raramente se queixa. Esta coisa de desvalorizar os erros que beneficiam ou os que não interferem no resultado final é um fenómeno sociológico que devia ser dissecado por especialistas.
Mas fica a pergunta: se a punição disciplinar fosse mais forte e exemplar (tal como acontece em tantos outros países com futebol de topo), o comportamento excessivo seria o mesmo? Ou a lição serviria de exemplo? A agressividade verbal não daria lugar à contenção e à moderação?
Sabem o que vos digo? Critiquem sim, mas com classe. Indignem-se se sentirem que devem, obviamente, mas com elegância e elevação. No local próprio.
De cada vez que dizem mal do futebol, estão a destruir o produto que tentam vender, desportiva e financeiramente. E não se esqueçam. O país que num dia é fortemente contagiado pelos excessos e emoções exacerbadas, é o mesmo que – pouco tempo depois – percebe que o sol, afinal, não se tapa com a peneira.
O povo parece burro mas é só emotivo. A razão aparece logo de seguida."

Benfiquismo (CCCXXXVIII)

Hermes

É oficial, Marcelo Hermes é jogador do Benfica.
Em final de contrato com seu antigo Clube, o Grémio de Porto Alegre (e por isso chega sem ritmo...), acabou por ser uma boa oportunidade de negócio. As indicações são boas, os sempre traiçoeiros vídeos do YouTube 'dão' nota positiva, tanto a atacar como a defender... O historial recente com defesas-esquerdos no Benfica, não é muito agradável, para cada boa aquisição, falhamos 10 !!! Mas este promete... Curiosamente, parece que o apetite do Benfica no Hermes, começou na época anterior no confronto da Libertadores entre o Grémio e o Rosário Central, onde os olheiros Benfiquistas acompanhavam a evolução do já 'nosso' Franco Cervi!!!

Com o fim da carreira do Eliseu cada vez mais perto... com a normal valorização do Grimaldo... com o facto do Yuri Ribeiro, não estar neste momento ao nível por exemplo de um Nélson Semedo, quando 'saltou' da equipa B, para o plantel principal, esta aquisição parece-me extremamente útil... e mesmo que não seja opção imediatamente, terá a oportunidade para se adaptar ao Benfica e ser aposta na próxima época, caso confirme a qualidade esperada...

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

2017 - 639 - 2010

"2017 - 639 - 2010. Não, não um número de telefone. Nem o número de uma cautela premiada. É a junção numérica do novo ano com o meu 639.º pontapé-de-saída, que iniciei em 2010, nesta página par de A Bola. Se é par, quer dizer que não é impar, aqui me referindo aos meus textos que, como regra, dançam entre a banalidade e a curiosidade, entre o que já foi e o que está para ser, entre a minha parcialidade clubista e o meu esforço sempre inacabado de a deixar no recato intimista do meu coração encarnado.
Confesso que me pergunto como já consegui escrever 638 colunas (cerca de 1 milhão de caracteres e 13 mil linhas!), desde o dia 15 de Setembro de 2010. Quando o Director Vítor Serpa me convidou para escrever no seu (e meu) jornal, exprimi-lhe o meu receio: haveria assim tanto assunto que alimentasse 2 vezes por semana, todas as semanas, uma cronicazinha que ousasse despertar a atenção de alguns leitores?
O certo é que o assunto não tem faltado, o que, mais de 6 anos volvidos, é, para mim, uma enorme surpresa! E não só de futebol jogado, como de futebol para além do jogo, de outros desportos, de jogos de e com palavras, de polémicas que olhamos sob diferentes prismas, de descobertas, curiosidades, questionamentos, até de discordâncias com o que aqui leio.
Gosto de escrever para A Bola com entusiasmo, mas sem obsessão. Às vezes, com natural tendenciosidade, mas com o respeito pela parcialidade contrária. Com humor, mas sem rancor. Com ironia, mas sem zombaria. Por vezes, com (algum) estudo, com pequenas descobertas sobre o (aparentemente) óbvio e com o reavivar do celeiro da memória que jamais dispenso."

Bagão Félix, in A Bola

Duas constatações do dia !!!

- Primeiro, um elogio de um insuspeito!!! Guardiola, não tinha escondido a admiração pelo forma como o Benfica defende... especialmente nos dois jogos que fizemos o ano passado contra o Bayern...!
E 'só' por acaso, tem toda a razão... a forma colectiva como defendemos foi de facto extraordinária... só faltou mais um 'bocadinho' lá na frente!!!
Para não deixar dúvidas para ninguém, o Pep deixou no papel, o seu elogio:

- Segunda constatação, a merdice do Tugão continua em alta!!! Pois bem eu até podia falar da capa do Nojo, ou de algumas opiniões muito hipócritas e incoerentes publicadas noutros avençados (MaisFutebol, Diário de Notícias, Record.. etc...), mas fico-me pelo jornal que todos os anti-Benfica, dizem ser um órgão de propaganda do Benfica: A Bola!!!!
Pois bem, no jogo da Luz, quando estava 4-0 para o Benfica, a equipa de arbitragem marcou mal um fora-de-jogo ao ataque do Vizela... na sequência da jogada, até houve remate à baliza, mas o Ederson defendeu... aliás uma grande intervenção. Mas o jornaleiro da Bola, que estava na redacção a ver o jogo na televisão, resolveu escrever no espaço dedicado aos erros de arbitragem, que foi anulado um golo ao Vizela!!!!
Além disso, o jornaleiro tem a certeza absoluta que o Mitrolgou está fora-de-jogo no lance aos 11 minutos... isto apesar da linha do corte da relva dizer o contrário, quando comparado com o jogador do Vizela que está junto do fiscal-de-linha...

Curiosamente no mesmo jornal, na crónica da derrota dos Corruptos (recordam-se porque é que eu, continuo a chamar-lhes corruptos?!!! Pois, o dia de hoje, é um exemplo perfeito de como a memória é curta...!!!), o jornaleiro avençado, conseguiu descobrir 3 penalty's a favor dos Corruptos que ficaram por marcar!!!! Reparem 3 penalty's... o Dragões Diário, órgão oficial dos Corruptos, fala em 1 penalty, mas a Bola fala em 3 penalty's...!!!

Agora, imaginem se a Bola fosse um jornal anti-Benfica?!!!
A abertura de uma 2.ª redacção da Bola, na cidade do Porto, recrutando jornaleiros avençados, com bênção «Papal» foi uma das piores coisinhas que podia ter acontecido a este jornal... mas realmente reflecte bem, a filosofia editorial imposta pelo senhor Serpa!!!

Jonas volta para ameaçar o que tem sido de Gelson Martins e Pizzi

"Regresso do brasileiro aos golos é boa notícia para o futebol português.

Mais do que o triunfo esperado sobre o Vizela ou a boa série de resultados dos encarnados, a grande notícia da noite para o Benfica é o regresso de Jonas aos golos.
O brasileiro, melhor marcador e melhor jogador da última temporada, estará ainda muito longe da forma ideal, mas após tanto tempo de afastamento provou que a sua relação com o golo permanece intacta.
Depois de ter passado longos meses sem o seu goleador, o regresso em pleno trará certamente maior impacto ao ataque da equipa de Rui Vitória, que viu também talvez a primeira prova de talento de Zivkovic em solo português, com três assistências do jovem sérvio. Para dois jogadores que procuravam recuperar ânimo perdido foi uma excelente noite.
Faltará ainda Carrillo e também Rafa aproximarem-se do seu melhor, bem como as recuperações de Salvio e Grimaldo, para a plenitude total de um plantel que irá ser posto muito à prova já em Guimarães e ao longo das próximas semanas, que incluem o duplo embate com o frenético e favorito Borussia Dortmund na Liga dos Campeões.
A recuperação de Jonas é uma excelente notícia para o futebol português, que tem tido esta época em Gelson Martins um dos seus maiores expoentes. É o jogador de maior influência da equipa de Jesus, a par talvez de Adrien, o que diz muito do seu crescimento, longe ainda de estar finalizado o seu potencial.
Ao jovem leão faltará encontrar a melhor definição em algumas jogadas, sobretudo no último passe, mas a irreverência e sobretudo o arranque imparável têm ajudado a inclinar muitos jogos para a equipa de Jorge Jesus, que até tinha ido ao mercado no verão, com as aquisições de Joel Campbell – que tem crescido do lado contrário, sobretudo no um-para-um e na facilidade de cruzamento – e Markovic. A Jesus ainda estará pela frente o desafio de encontrar o outro nome da dupla com Dost e uma alternativa à altura de Adrien para fazer descansar o capitão.
No Dragão, André Silva e Diogo Jota, e mais recentemente Brahimi, vinham a disfarçar alguma irregularidade da equipa de Nuno Espírito Santo, mas a ausência do primeiro por lesão coincidiu com o afastamento da Taça da Liga, e a perda do segundo para a CAN, com Otávio em recuperação, reduz substancialmente o potencial criativo da equipa. Algumas dores de cabeça para o treinador adivinham-se nos próximos tempos, sendo que o aumento do atraso na Liga é nesta altura probitivo. 
Haverá ainda que pesar a influência que o mercado terá nos três grandes, seja em entradas ou saídas importantes, na corrida ao título, o seu maior objectivo. Vale a pena referi-lo como parêntesis.
Jonas disse presente para o sprint final, disposto a recuperar o lugar de grande figura do campeonato. Seria injusto não falar de Pizzi, o verdadeiro cérebro do conjunto da Luz, que aproveitou igualmente a ausência do brasileiro para se acercar mais da área e assinar vários golos, mas a volta do Pistolas acrescentará ainda mais ideias a um ataque que tem sido bastante competente e até o médio poderá beneficiar de ter mais alguém na equipa a falar a mesma língua.
Parte com atraso e concorrentes de peso, mas certamente que Rui Vitória agradecerá nível de ambição semelhante ao passado. A classe é inegável."