Últimas indefectivações

domingo, 12 de outubro de 2014

«Festa do Marquês é a coisa mais bonita»

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«Não esperava ter esta vantagem para FC Porto e Sporting»
- Esperava ter, nesta altura, uma vantagem de 4 pontos para o 2.º classificado? Há mérito do Benfica ou demérito dos adversários, neste caso concreto o FC Porto?
- Não, não esperava à 7.ª jornada ter esta vantagem para o FC Porto e Sporting. Porquê? Perdemos jogadores e os dois rivais reforçaram-se muito bem. É mérito nosso, em 7 jogos só empatámos um. Agora, não é determinante. É um ciclo, são 7 jornadas nas quais estivemos melhores do que os rivais. É bom, estamos mais moralizados, confiantes, mas não se ganham, campeonatos à 7.ª jornada. Os jogadores do FC Porto dizem que 4 pontos não são nada, os do Sporting que 6 pontos não são nada e eu também penso que, nesta altura, não são nada.

- Mas habitualmente, nesta fase, o Benfica estava atrás e agora corre à frente. Isso permite uma melhor gestão da prova, ou não?
- Só tem uma vantagem: quem corre à frente pode gerir melhor. Nunca se pode perder, mas quando se está de baixo para cima a parte psicológica pesa mais, porque não se pode perder pontos. De resto, não tem vantagem nenhuma.

- Imagina-se em Maio numa festa igual à do ano passado no Marquês?
- Claro que sim, estamos a trabalhar para isso. Para viver essa manifestação de identidade, de paixão de sentimento. Só quem já esteve lá duas vezes é que sabe. Até nos emocionamos só de nos lembrarmos disso. É a coisa mais bonita! Qual é a prova em Portugal que provoca essa paixão? Estou convencido que se um dia o Benfica fosse campeão europeu não teria 300/400 mil pessoas no Marquês. Só o campeonato nacional leva isso.

- O Sporting é mais candidato esta época do que há um ano?
- É ! É mais candidato, tem mais equipa. Os grandes jogadores não saíram, só saiu o Rojo. Os jogadores que ficaram estão melhores porque têm mais um ano de trabalho. As ideias da equipa não mudaram muito. Pode haver algumas 'nuances', porque o Leonardo e o Marco são treinadores diferentes, pode haver algum pormenor que ainda não descodifiquei, mas não me parece que existam grandes diferenças. Depois, o Nani veio dar uma grandes qualidade à equipa do Sporting, é um excelente jogador, de nível muito alto. Há bons e grandes jogadores e o Nani é um grandes jogador. Um bom jogador é aquele que joga bem e o grande é aquele que joga bem e coloca os outros a jogar bem, que é o caso do Nani. Isto para além do Slimani ser mais jogador, do Carrillo ser mais jogador...

- Os três empates consecutivos do FC Porto surpreenderam-no?
- No futebol nada me surpreende e o campeonato português, ao contrário do que todos dizem, é muito competitivo. Não valorizamos o nosso campeonato. Uma das coisas que me dá orgulho quando vou ao Fórum de treinadores de elite da UEFA - e não é por eu ir, que já é o 6.º ano e se calhar para o ano já não vou! - é quando passam o top ten dos clubes e campeonatos da UEFA. Dos mais competitivos, Portugal é o 4.º! À frente só estão Inglaterra, Espanha e Alemanha. E isto não acontece porque eles são malucos, mas porque as equipas portuguesas fazem pontuação para merecer aquilo. E outro motivo de grande orgulho é quando vejo o Benfica em 5.º no ranking das melhores equipas da Europa. O campeonato português ter esta qualidade deve-se à pontuação que as equipas fazem quando jogam com as estrangeiras. Mas há uns malucos que querem inventar e quando eles quiseram avançar com quotas de jogadores, o nosso campeonato campeonato vai estar ao nível da Turquia, da Grécia, da Bélgica, da Holanda, da Rùssia. E na Rússia eles têm dinheiro para comprar jogadores de 50 milhões, nós vamos ter é para comparar jogadores de 50 tostões. O que quero dizer com isto? Quando decidirem que em Portugal terão de jogar 5/6 portugueses e os restantes serem estrangeiros, esqueçam. A competitividade de equipas como Benfica, FC Porto, Sporting, Marítimo, das equipas que vão à Europa, passa para a 3.ª divisão. Porque os melhores jogadores portugueses vão continuar a sair e vamos ter, nessas equipas, os portugueses que não são opção para os clubes estrangeiros. E depois como não teremos capacidade de fazer a prospecção que hoje fazemos, as nossas equipas vão cair.

- Voltando ao FC Porto... Há, ou não, uma surpresa neste arranque? E que análise faz à forma como o treinador, Lopetegui, se tem queixado das arbitragens?
- Não direi que exista surpresa. Os treinadores portugueses, em termos de conhecimento de estratégia e técnica, são muito fortes, são dos melhores do Mundo. Quando estou junto dos melhore digo-lhe isso, e vejo o que eles sabem e o que nós sabemos e dá-me um grande gozo. Já estive do outro lado, com jogadores de menor nomeada, e só através de um equilíbrio muito forte é possível fazer com que seja muito difícil a equipas como o Benfica e Sporting ganharam. Isto acontece pela qualidade táctica dos treinadores portugueses. Surpresa? Para mim não. O FC Porto fez aquisições, na maioria, de equipas de nível e não desconhecidas. São jogadores já com uma afirmação muito boa. O treinador veio para um campeonato que se calhar desconhecia. Agora, o que acho é que se o treinador entende que a equipa está a ser prejudicada, que fale! Como eu falo. Tem direito a ter opinião. Agora o 'parecer-me que é, mas não é', 'o árbitro também pode errar'... isso é que não é nada! Tem de se definir e depois estar sujeito às críticas como eu estou. Os homens da política ensinaram-nos a estar em cima do muro, a ser politicamente correctos. Isto não entra em mim, nem como cidadão nem como treinador. Não gosto de pessoas que sejam politicamente correctas. É ou não é! Isto é que é ter personalidade e carácter.

- Bruno de Carvalho afirmou recentemente que Jorge Jesus pode sair quando quer da área técnica que ninguém lhe diz nada...
- É uma opinião, mas quando saio da minha área restrita não vou discutir com adversários, nem com árbitros. Faço-o sempre no intuito de estar mais próximo de um jogador meu. Claro que tenho de ter as mesmas regras e não posso ter privilégios. Mas, às vezes, nem sei onde estou! Não o faço com intencionalidade.

«Se contratarmos por 20/30 milhões dificilmente iremos falhar»
-Para quem estava de fora, a pré-temporada pareceu atribulada. Esperava, depois disso, começar tão bem a época?
- É verdade que estamos melhor do que eu pensava, face aos jogadores que saíram. Não pela pré-época, porque nesse aspecto sabia bem o que havia para fazer e optei por uma metodologia de treino diferente dos outros anos. Muitos dos jogadores que conheciam as nossas ideias não fizeram a pré-época e chamei vários da equipa B para avaliar todas as suas capacidades, bem como as dos futebolistas novos que tinham chegado ao clube. Sabia que em termos de resultados não ia ser positivo, mas naquilo que me interessava, que era obter um conhecimento mais rápido de todos, foi importante. Comecei a fazer a triagem a partir daí.

- Os jovens da equipa B e os reforços jogaram mais do que seria de esperar, porque vários jogadores estavam no Mundial do Brasil ou lesionados...
- Sim, isso também obrigou a acelerar este processo. Podia dizer que tive essa facilidade. Apesar dos resultados, estava tranquilo. Quando sabes o que estás a fazer, estás sempre confiante. Volto a dizer que o futebol não é uma ciência exacta, mas é uma ciência para quem treina. A metodologia não é igual para todos os treinadores e muita gente pensa que para se fazer uma grande temporada tem de fazer-se uma grande pré-época. Mentira, isso é tudo errado. A pré-época só é importante para se começar bem a temporada. Mais nada.

- Quais os jogadores da equipa B que na altura pretendia conhecer melhor?
- O Dawidowicz, o João Teixeira, Cancelo, Vítor Andrade, Bernardo, Ivan, Lindelof e Bruno Varela.

- Colocá-los a jogar tanto, sem o apoio do 'núcleo duro' da equipa, que estava ausente, não podia prejudicá-los, até em função dos resultados obtidos?
- Não, acho que até beneficiaram com isso. Quando se faz um torneio como fizemos em Londres (Emirates Cup), com Valência e Arsenal, meter os miúdos a competir com tanta intensidade, frente a jogadores com aquela qualidade, dá para perceber a que nível é que eles e os outros estão para exigências desportivas do Benfica. Aí é que está o segredo. Isso deu-me logo para perceber. Aliás, já sabia do nível deles, mas quis confirmar na prática.

- Vítor Andrade, um dos miúdos que referiu, foi cobiçado pelo Barcelona, veio para o Benfica e está na equipa B. Tem valor para fazer parte da equipa principal no futuro?
- O Vítor Andrade é um jovem brasileiro de 18 anos. Os portugueses com essa idade estão na formação, como ele, ainda num nível de aprendizagem que encerra muitas dificuldades. O Vítor Andrade está a experimentar os mesmos problemas que um jovem português quando sai dos juniores. Mas se os nossos têm essas dificuldades, ele ainda tem mais, porque os treinadores portugueses são melhores que os brasileiros a trabalhar em termos tácticos. Tem que se lhe dar tempo. A formação de um jovem demora o seu tempo. Normalmente demora três a quatro anos, mas há excepções. Foi o que aconteceu com o André Gomes. Demorou dois/três anos a atingir o patamar de exigência que o Benfica teve na última época.

- A integração do André Gomes foi sempre gradual, e feita na presença do 'núcleo duro'. Jogadores como César ou Benito foram obigados a grande desgaste na pré-tempoada porque não havia outros. Não terão saído prejudicados desse processo?
- Eles não foram prejudicados. A equipa é que podia ter ficado, porque não tivemos na pré-época segundas soluções para dar descanso a alguns desses jogadores que competiram de dois em dois dias. Mas para mim, em termos de ganhar um conhecimento mais rápido sobre os jogadores que queria para formar o plantel, foi melhor.

- Casos como os do Djavan, Luís Filipe e Candeias. Foram más contratações?
- Não. Vamos ver, quando se escolhe um jogador há vários critérios. A qualidade do atleta mas também o aspecto financeiro. Se pudermos contratar jogadores de 20, 30 ou 40 milhões dificilmente falhamos. Mas mesmo assim também podemos falhar. Agora, quando se tem de contratar em campeonatos pouco conhecidos, de equipas em que esses mesmos jogadores estão praticamente a aparecer, vai-se no risco. Porque é preciso ir naquele momento, se demorarmos tempo pode perder-se a hipótese. Umas vezes consegue-se acertar, mas há outras em que se falha. Mas o importante é ter a consciência que aquele jogador tem o nível para fazer parte das exigências do Benfica. Depois, aqui a trabalhar com ele, vimos se na realidade é assim ou não. Porque há componentes que não são conhecidas. Podes conhecer a componente física ou técnica, mas não conheces a psicológica porque nunca trabalhaste com ele. E isso é muito importante. Também desconheces a formação táctica desse jogador. Só se começa a conhecer esse lado quando se trabalha com ele. Como coloco essas exigências num nível muito alto, a alguns jogadores que chegam temos de dar tempo, temos de colocar noutros clubes para se adaptarem, para crescerem. Fazemo-lo porque acreditamos neles, acreditamos que depois podem voltar ao Benfica.

- Em que momento da pré-temporada toma consciência que vai ter de apostar em alguns suplentes do ano anterior, e com isso passar a ter uma segunda linha mais fragilizada?
- Nunca pensei nisso, porque eu, o presidente e o Rui tínhamos, nessa altura, numa estratégia para o mercado. Sabíamos que ainda precisávamos de contratar entre dois e quatro jogadores, mas queríamos fazê-lo mesmo no limite do prazo. Não nos queríamos precipitar e aceitámos arriscar até ao último dia. Foi assim que chegámos ao Samaris, ao Cristante, ao Júlio César e ao Jonas. Jogámos nesse limite do risco.

- Esses jogadores eram alvos definidos ou foram oportunidades de mercado?
- Tínhamos alvos definidos, mas quando não tens capacidade financeira, normalmente nunca consegues contratar a tua primeira opção. Quando dá por ela já se vai na quarta ou quinta opção.

- Uma dessas opções no fecho do mercado foi Júlio César. Na questão dos guarda-redes ficou a ideia de ter existido algum descontrolo na gestão das escolhas. Até Karnezis chegou a estar em Lisboa e não assinou...
- O Júlio César esteve sempre na lista de prioridades. Já no ano passado pensámos nele, só que não houve capacidade financeira para o adquirir. Este ano houve essa possibilidade e avançamos. O currículo do Júlio não deixa dúvidas a ninguém. Foi considerado uma ou duas vezes como o melhor guarda-redes do Mundo e com 35 anos não é velho. Em Itália e Inglaterra há guarda-redes com 38 e 39 anos, portanto ainda tem muitos anos para poder ser útil a qualquer equipa.

- Mas este arranque dele no Benfica está a ser marcado por problemas físicos...
- Quando decidimos contratá-lo, o nosso departamento médico fez-lhe um cadastro clínico que não apresentou nada fora do normal. O que está a acontecer é consequência disto: quando acabou o Campeonato do Mundo entrou completamente de férias, 'abancou', como se costuma dizer. Nunca mais fez nada em termos de treino. E as exigências que tivemos com ele foram demasiado rápidas face ao momento físico em que se encontrava. Começou a sentir alguns problemas e esperemos que agora, com esta paragem, possamos dar-lhe algum suporte físico para não voltar a ter os mesmos problemas. Porque a qualidade técnica está lá, ninguém tenha dúvidas.

«Adaptação de Samaris e Cristante tem sido mais difícil pela minha exigência»
- André Almeida pode ser boa opção para jogar na posição 6 (ou 4 como prefere)?
- Pode. O André Almeida foi alternativa quando tivemos Fejsa e Rúben Amorim lesionados. Se alguém o conhece bem sou eu. Fomos, quando estávamos no Belenenses, buscá-lo aos juniores do Alverca. Ele começa a formação como médio-ala, como 7. Nos juniores do Belenenses passa a médio-defensivo e nos seniores, quando eu já não estava lá, começa a ser utilizado como lateral-direito. Ele tem conhecimento de várias posições e isso ajudou-o a crescer como jogador. Faz muito bem a posição 6. Tem alguma dificuldade no passe, e naquele posição tem de ser um jogador de passe fácil, mas tem algumas coisas melhores que os outros. No entanto, para essa posição contratámos o Samaris e o Cristante e serão eles  a discutir o lugar. Mas se tiver de recorrer ao André Almeida, recorro e ficarei tranquilo.

- Como tem sido o processo de adaptação de Samaris e Cristante à posição 6?
- Tem sido difícil porque é o posicionamento em que exijo maior conhecimento táctico do jogo. Exijo ao jogador dessa posição o que os outros não sabem exigir, por isso é que saem daqui para os grandes clubes do estrangeiro. Chegam lá e até dizem como é que é. Quando chegam aqui, jogam nessa posição e não sabem nada dela. Não sabem, vamos lá ver, porque a minha ideia é diferente, a minha exigência é outra, e por isso demora mais tempo a perceber. O Cristante e o Samaris ainda estão muito longe, em termos defensivos, daquilo que o Rúben Amorim faz, que o Fejsa ou o Matic  faziam. Bom, o Javi, quando chegou ao Benfica, não sabia nada, como também não sabia o Matic.

- Acredito que ambos conseguirão atingir esse patamar de exigência?
- Claro que sim, só que o Matic, por exemplo, teve uma maior facilidade, por estar uma época a jogar atrás do Javi. Este ano perdemos todos os médios-defensivos: o Matic transferido, Fejsa e Rúben lesionados. Ficámos sem uma referência para os que estavam a chegar e assim é mais difícil trabalhar.

- Cristante não seria um bom 8?
- Para mim nunca o seria. Não tem velocidade para ser um 8, seria sempre um médio de contenção. Pode fazer as duas posições tal como o Samaris, mas onde pode vir a render mais é a 6.

- Falava, em relação ao André Almeida, na questão da necessidade do passe fácil. Ora, nos jogos da Liga dos Campeões os passes falhados nessa zona foram muitos e frente ao Zenit estiveram no origem dos golos contrários. Não pensou alterar a saída de bola, com lançamentos longos por exemplo?
- Temos uma ideia de jogo e não temos de mudá-la só porque se trata da Champions, apesar de nessa competição se ter de mudar muita coisa. A propósito disso, acho piada ao facto de dizerem que este ano estou a ignorar a Champions. Não é por acaso que no ranking da UEFA, por força dos jogos da Champions e da Liga Europa, o Benfica é a quinta equipa. Porquê? Porque ao longo destes cinco anos tem obtido resultados para estar nessa posição. Mais pela Liga Europa, é verdade, mas também fomos aos quatros-de-final da Champions. Hoje o Benfica quando joga nas provas da UEFA os nossos adversários dizem: vamos defrontar uma das melhores equipas da Europa. Um finalista da Liga Europa. Isto não é por acaso.

«Evolução do futebol passa pela mudança de sistemas»
- Derley, Jonas e Talisca. Nenhum destes jogadores dá à equipa aquilo que o Rodrigo dava. São diferentes. Com isso, a ideia do jogo ofensivo do Benfica alterou-se. As mudanças estão a dar os resultados pretendidos?
- São jogadores com características diferentes do Rodrigo. Essa abordagem está bem feita em função da ideia de jogo do Benfica. O Derley e o Jonas são muito parecidos, são jogadores mais de posição, de actuar entre os centrais. O Lima era isso quando chegou ao Benfica, depois é que se tornou mais móvel e assim continuará a ser. O jogador nasce com aquilo que nasce e o treinador tem de percebê-lo. Mas os jogadores, a maioria deles, têm de adaptar-se às minhas ideias e fazer aquilo que quero. Para mim não é um problema porque mudo essa ideia de jogo.

- Era aí que queríamos chegar. Essa alteração já é visível...
- Sim, já é visível, Jogámos na Alemanha, frente ao Bayer e, dá-me até um certo gozo, quem faz a análise do jogo disse que o Benfica tinha jogado com o sistema habitual de dois avançados o que é mentira. Jogámos em 4x3x3, mas como coloquei um jogador (Talisca), que normalmente é avançado, a fazer outras coisas, já não tiveram capacidade de observação.

- Isso significa que o sistema de jogo do Benfica pode vir a ser alterado para 4x3x3?
- O Benfica comigo nunca teve um sistema definido. Claro que há um mais visível, quando jogo com dois avançados. Já disse isto no Fórum da UEFA na Suíça: a evolução do futebol será cada vez mais como a das outras modalidades colectivas, ou seja, durante um jogo entras com um sistema, mudas para outro e se depois tiveres de voltar a alterar para um terceiro, também o fazes. Esta vai ser a evolução do futebol, mas o Benfica já faz isto há muitos anos, anda à frente há muito tempo.

- Há um ano, com Rodrigo e Lima, a equipa tinha movimentação horizontal dos avançados e ambos faziam muitos golos. Com Talisca, que é mais vertical, de entrada no espaço central, o Lima não estará a ser 'prejudicado'?
- Não, porque só mudei essa ideia de jogo no ano passado. O Benfica nos quatro anos anteriores jogou sempre com um avançado de referência na área e outro de maior mobilidade. Só quando tirei o Cardozo da equipa, há um ano, é que mudei o posicionamento dos avançados. Mas há jogos em que mantenho a mesma ideia, tem muito a ver com a estratégia para cada desafio, com o tipo de adversário. Para mim não há um sistema. As pessoas falam muito em 4x4x2, 4x3x3, 5x3x2, seja o que for. Não há um sistema perfeito, não há o melhor, há é aquele que cada treinador considera melhor para ele. O sistema é a base de tudo. Mas quem faz a diferença é quem sabe trabalhar em cima do sistema que escolher.

«Enquanto Artur estiver bem os outros terão de esperar»
- Acredita que Júlio Ce´sar vai ser um guarda-redes muito presente na equipa ao longo da época?
- Se ele não tiver mais problemas físicos, acredito que sim. No tempo que se treinou connosco mostrou toda a sua qualidade técnica. É um guarda-redes super-rápido na baliza. Tecnicamente muito evoluído com os pés. Não cai para a bola, voa para a bola. É um excelente guarda-redes. Agora, se vamos conseguir extrair todas essas qualidades dele... se ele não tiver outros problemas fisícos, não tenho dúvidas nenhumas que sim. Mas sobre essa questão não tenho certezas.

- Enquanto ele não está apto, sente-se confortável com o Artur na baliza?
- Estou confortável com o Artur...

- (interrompenmos)... Tantos elogios a um guarda-redes no final de um jogo ganho por 4-0, parece uma necessidade de moralizar alguém que pode estar mais frágil...
- É verdade que não há jogadores iguais, mas estou confortável com o Artur. Dizemos que não há titulares, mas é verdade que jogam mais uns que outros. Em todas as equipas do Mundo. Temos quatro guarda-redes e não são iguais. A diferença de valor de uns para os outros existe, mas confio no Paulo (Lopes), no (Bruno) Varela, no Artur e no Júlio César. A questão do Artur coloca-se porque houve um jogo em que ele não esteve bem e os guarda-redes são mais sacrificados quando falham. Um avançado pode falhar golos ou passes e não é tão apontado. Não faço favores a nenhum jogador, mas é verdade que o Artur, frente ao Arouca, sacou duas ou três bolas de golo. É a mesma coisa que te feito golos e tive de lhe dar os parabéns. Mas no dia em que não fizer as coisas bem...

- Sente-se ou não mais confortável com Júlio César na baliza?
- Não, eles vão dizer-me durante a semana quem é o melhor. O Júlio foi para a baliza porque o Artur não esteve bem no jogo com o Sporting. Como não podia jogar na Champions, tinha de optar entre o Varela e o Júlio. Fui obrigado a fazer essa escolha. Agora o Artur voltou, porque o Júlio estava lesionado, fez um excelente jogo com o Arouca e os outros vão ter de esperar enquanto ele se mantiver bem.

«Arsène Wenger perguntou-me como conseguia este equilíbrio»
- Está preparado para perder Enzo Pérez em Janeiro?
- Estou preparado para perder todos os jogadores. É verdade que nunca perdemos tantos como este ano. O Benfica perdeu oito jogadores que foram para outros clubes, mais o Fejsa e o Rúben Amorim (lesionados). Fala-se muito, mas daquele onde que normalmente jogava, o Benfica perdeu sete jogadores: Oblak, Garay, Siqueira, Matic em Janeiro e depois Fejsa; Markovic - o Salvio estava lesionado e não jogava - Rodrigo e Cardozo, dois avançados que juntos faziam 30-40 golos por época. Não é fácil! O Arsène Wenger quando esteve comigo perguntou-me como conseguia que o Benfica tivesse este equilíbrio. Além de ficarem alguns, os jogadores que vêm têm qualidade e alguns já conseguem trabalhar atrás dos que estão cá e, assim, os processos tornam-se mais fáceis. E a verdade é que os sabemos escolher. Não todos, porque também falhamos, mas a formação e prospecção do Benfica está muito bem trabalhada.

- Nesse sentido pode dizer-se que Sìlvio, Sulejmani, Fejsa e Rúben Amorim podem ser reforços em Janeiro?
- Se recuperarem penso que sim, principalmente Fejsa e Rúben, porque são dois jogadores para uma posição especifica onde só há o Cris e o Samaris. Para os lugares do Sílvio e do Sulejmani já há mais opções, mas são jogadores que podem acrescentar qualidade ao plantel.

«Talisca fez-me logo lembrar o Rivaldo»
- Em que posição pensa que Talisca pode vir a fixar-se no futuro? Como avançado, no lugar de Enzo Pérez ou em outro...
- O Talisca vai ser um número 10 ou um 8. A posição dele no futuro será essa, tem umas condições atléticas em que até pode jogar como avançado. É curioso que li no Record uma crónica em que se escreveu que o Talisca era parecido com o Rivaldo. É uma analogia muito bem feita. As características do Talisca, física e tecnicamente, são muito idênticas às que Rivaldo tinha. Aliás, foi por isso que pedi que o fossem buscar. Assim que vi este miúdo lembrei-me logo do Rivaldo. Pode fazer posição de primeiro avançado, de número 11, de número 8, e de número 10. Comigo pode fazer as quatro posições, com os outros não sei...

- E são essas características do Talisca que pensa gerir jogo a jogo, em função dos adversários? Ou será melhor fixá-lo numa posição para facilitar o processo de integração?
- Ele vai ser gerido naquilo que foi melhor para a equipa. Se entender que a equipa precisa dele como primeiro ou segundo avançado, será aí que jogará. Quando entender que a equipa precisa dele como 11, será aí que jogará e se entender, como entendi frente ao Arouca, que deve jogar na posição do Enzo, jogará aí. Será sempre em função daquilo que for melhor para a equipa, não para ele.

- Outro jogador que está a ser treinado para jogar no lugar de Enzo é Pizzi, que já entrou frente ao Arouca...
- Exactamente. Mas o Pizzi é um jogador completamente diferente do Enzo e do Talisca. Dos três, o Talisca é o goleador, por isso é que já tem 6 golos. Os outros são mais organizadores. O Talisca chega mais ao golo. São três jogadores diferentes, mas que podem fazer várias posições.

- O Talisca ainda está a fazer algum tipo de trabalho específico de fortalecimento muscular?
- Não, isso parou. Agora está a fazer um trabalho específico mais de componente táctica.

«André Gomes vai ser um grande jogador»
- André Gomes está a ser um dos grandes protagonistas da Liga espanhola. Surpreende-o?
- Falei com o André e disse-lhe: 'Vais embora no teu melhor ano, andei dois anos a ensinar-te e este já tens mais conhecimento das coisas'. Vocês não imagina o que trabalho com os jogadores individualmente para terem outras performances de evolução, técnicas e física. O que ensino não vem nos livros. Não estou a dizer que sou melhor do que os outros, ensino é à minha maneira. E sei que não é igual à dos outros. O que ensinei ao André, recuperações, saber correr atrás da bola e do jogador... é muito complexo. Também tem a ver com o jogador e o André é superinteligente. Isto é como na escola, há uns que andam vários anos para tirar o 12.º ano, outros não, fazem-no em pouco tempo. Está a subir cada vez mais e vai ser um grande jogador como segundo médio.

- No momento de forma em que estava Enzo Pérez na época passada, era difícil André Gomes tirar-lhe o lugar...
- Era, claro que sim! O Enzo estava numa superforma. O conhecimento não é o mesmo, o André também aprendeu muito com o Enzo. O André Almeida e o André Gomes têm uma facilidade que outros jovens da formação não têm. Com 19 anos um tinha 1,87m e outro 1,84m. E há muitos jogadores que têm qualidade técnica mas não tem capacidade atlética para corresponderem naquele momento. Por isso é o processo foi mais rápido. O Cristante, por exemplo, pode ser igual, porque tem 19 anos e 1,88m, ou seja, fisicamente já é um homem.

«Nélson Oliveira pediu-me para ficar»
- O que se pode esperar de Bebé, Jara e Nélson Oliveira?
- O Tiago, que é o Bebé, nunca teve formação. Aparece tarde no futebol. Foi para Inglaterra, onde nunca jogou, e perdeu muito tempo, na minha opinião, no crescimento como jogador. Vem para Portugal, joga no Rio Ave, depois faz um campeonato interessante no Paços. Foi quando vimos que ele tinha algumas qualidades interessantes para ser um jogador de futuro no Benfica. O processo de evolução do Tiago é igual ao do Talisca, do Matic, do André Gomes, todos esses jogadores jovens. Para aquilo que é a minha exigência... ainda é pouco. O Nélson, bom, não há muitos avançados em Portugal para a Selecção. É dos poucos que pode projectar-se. O Nélson saiu das minhas mãos há três anos e... fez um mea culpa. Pediu-me por tudo para trabalhar comigo este ano, para continuar a ajudá-lo no crescimento. Depois é preciso perceber que ele andou a jogar um ano lesionado em França. Aqui curou-se completamente. O departamento clínico do Benfica, que é espectacular, pô-lo clinicamente apto. Agora vai ter de apanhar o comboio. Não é fácil. Tenho Derley, Lima, Jonas, Franco (Jara) e também ele para lutar, normalmente, por dois lugares. Três ficam à espera, mas há muito competição, muitas provas, e o Benfica vai precisar de todos os jogadores, como aconteceu no ano passado. Ele já esteve no banco, foi um bom sinal e de certeza que este ano fará jogos no Benfica.

«Ideia de que não aposto em jovens é errada»
- Jorge Jesus é um treinador criticado pela escassa aposta em jovens da formação...
- Essa é uma ideia completamente errada. Como não aposto? O que é a formação? São os jogadores que só estão no Benfica? Para mim não! Formar é trabalhar jovens, sejam eles portugueses, chineses, brasileiros... Tem 18, 19 anos? É formação. Markovic tinha 18 anos, vendido por 30 milhões (ndr: foi vendido por 25 milhões); André Gomes, 20 anos, vendido por não sei quantos milhões; Rodrigo, vendido por não sei quantos milhões; Oblak, 20 anos, vendido por não sei quantos milhões. Digam-me um treinador no Mundo que faça isto! Isto é formação. Agora se é chinês, português isso não interessa. Formo jogadores e não nacionalidades.

- Então o que falta para aparecerem mais jogadores da formação do Benfica na equipa principal?
- Claro que os mais jovens não têm os mesmos conhecimentos de jogo que os jogadores mais experientes. As exigências de um patamar para o outro são grandes, mas há jogadores que não tentem tanto essa dificuldade. O Markovic não a sentiu, tal como o Talisca, o André Gomes ou o André Almeida. Não se esqueçam que fui buscar o André Gomes e o André Almeida à equipa B. Demoraram dois anos, sempre a jogar, quer na Champions quer na Liga, até chegarem à Selecção. O André Almeida foi intenacional, ta como André Gomes, que até foi transferido. E o Valência não o comprou por aquilo que o viu jogar nos treinos, mas sim nas provas europeias e na Liga portuguesa. A evolução deles em dois anos foi um provesso muito rápido. Normalmente demoraria três ou quatro anos.

«Pizzi ainda é frágil defensivamente»
- Frente ao Arouca estreou-se o Lisandro a titualr, o Pizzo foi utilizado e o Nélson Oliveira esteve a fazer exercícios de aquecimento. Sinal que estão a ficar mais próximos daquilo que pretende deles...
- Claro que sim. O tempo de treino vai dando aos novos jogadores uma melhor noção daquilo que são as ideias de jogo do Benfica. Também é verdade que neste jogo com o Arouca o Pizzi entrou no melhor momento da equipa. Estávamos a ganhar, havia mais espaço e isso torna o jogo mais fácil. Ele tem dado bons sinais ao longo da semana e o treinador tem de basear-se naquilo que é o trabalho semanal dos atletas, esse é o primeiro factor para a escolha. O Pizzi reúne algumas qualidades, mas defensivamente ainda é frágil. Acreditamos que ele vai conseguir chegar lá.

«Ainda não chegue ao meu limite como treinador»
- Jorge Jesus é um treinador de recordes. É o que está há mais tempo no Benfica; foi o primeiro a vencer as quatro provas nacionais; é o técnico com mais vitórias (196) na história do clube e está a um de ser aquele com mais títulos, podendo alcançar Otto Glória. São recordes que acabam quando? Há vida para Jorge Jesus no Benfica para além de Junho de 2015?
- No futebol há sempre vida...

- No Benfica?
- No Benfica e fora. Sou um apaixonado pelo futebol, a minha paixão, a minha vida é o futebol. No Braga, no Amora, no Belenenses, no Benfica e se tiver de sair será assim noutro clube.

- Luís Filipe Vieira afirmou que tinha em cima da mesa o contrato de renovação e que dependia de Jorge Jesus assiná-lo. Pensa passar pela SAD para renovar ou faz isso depender de ser, ou não, campeão?
- Não... no futebol tudo muda de um dia para o outro. Não me iludo. Sei a profissão que escolhi. E lá vou eu falar da mala, mas quando digo que a minha tem de estar sempre à porta, é porque um treinador tem de ter a noção que é assim, que a mala tem de estar sempre à porta. Porque, a qualquer momento, o futebol muda. O nosso seleccionador Paulo Bento fez um carreira de recuperação e de apuramento brilhante e em dois jogos tudo mudou, e hoje já não é seleccionador. Isso acontece com qualquer treinador e há que estar preparado para isso.

- Já tem a Supertaça conquistada este ano e assumiu que o objectivo é o bicampeonato. Se o alcançar, não poderá ser um impulso para querer algo mais com o Benfica?
- Ainda não cheguei ao limite como treinador! O bicampeonato é importante porque há 31 anos que o Benfica não o ganha, e é importante para mim porque nunca ganhei dois campeonatos seguidos. Mas isto não acaba aqui. Em Portugal, felizmente, ganhei tudo. Não em números, nunca ganhei 10 campeonatos, nem 5 taças... mas em títulos há ganhei tudo.

- Mas gostava de ir a uma final da Liga dos Campeões?
- Claro que sim, por isso é que disse que em Portugal já ganhei tudo, mas como treinador ainda me falta conquistar outras coisas.

«Apelo do estrangeiro pelo sonho de vencer a Champions»
- Ainda tem o sonho de ganhar a Champions pelo Benfica? Ou é nesse ponto que sente o apelo de ir para o estrangeiro, para a tentar conquistar?
- É... em Portugal é difícil. No Benfica até nem era muito difícil, mas há outros valores que se levantam. Para irmos a uma final da Champions é preciso estar três anos num clube que financeiramente possa comprar e não vender. Nesse espaço de tempo constrói-se uma equipa para ir a uma final da Liga dos Campeões. Em Portugal não há essa hipótese. Os clubes portugueses têm de vender todos os anos. Imaginemos que nestes seis anos o Benfica, em três, não teria vendido. Esse leque dava-me capacidade para ir a uma final da Champions. Mas em Portugal somos vendedores e temos de perceber isto. Todos os países olham para Portugal como o país que melhor forma e vende. Seria bom se todas as áreas conseguissem acompanhar esta qualidade do dirigente, jogador, treinador e agentes desportivos, como jornalistas e adeptos. Todos ajudam a formar esta qualidade.

- Pelas suas palavras depreende-se que um clube português dificilmente vencerá a Champions nos próximos anos. É por isso que não está a dar mais importância à competição? Pelo menos acusam-no disso...
- Não estamos a ignorar a Champions, só que o primeiro jogo não nos correu bem, no segundo jogo o adversário tinha um conhecimento muito profundo da nossa equipa e fez 45 minutos muito fortes. Na Champions, jogamos com equipas ao nosso nível ou acima do nosso nível. Portanto, umas vezes vamos ter capacidade e noutras não, porque os outros são melhores. É a realidade.

«Escolhia Di Maria para não sair»
-Agora um exercício dos jogadores vendidos na era Jorge Jesus, há um que não sairia do Benfica. Quem seria?
- Uma pergunta inteligente e que nunca me fizeram. Eles são tantos que até posso esquecer-me de algum...

- Record ajuda numa selecção: Oblak, Ramires, Garay, David Luiz, Coentrão, javi, Matic, Witsel Markovic, Di Maria, Rodrigo e Cardozo...
- Aquele que é mais difícil reunir características como a técnica, velocidade, o facto de ser um miúdo espectacular no dia a dia a trabalhar... se calhar vou ser injusto, mas digo o Di Maria.

«Alan Kardec é o melhor no Brasil»
- E agora a pergunta ao contrário: há alguns dos contratados que tenha saído com Jorge Jesus a pensar que podia ter chegado mais longe? Algum deixou um sentimento de frustração?
- Por falta de espaço? Alan Kardec. É o melhor avançado do Brasil, neste momento!

- O que falhou?
- Não falhou nada no Kardec. Quando fomos buscá-lo ao Brasil tinha 18 anos e apanha Aimar, Saviola, Cardozo, Rodrigo em grandes momentos do Benfica. Ele foi crescendo connosco. Precisava de tempo. E tanto assim é que foi vendido por 4 milhões de euros e custou um milhão, um milhão e meio.

«Paulo Bento precipitou-se na renovação, Fernando Santos foi a melhor opção»
- Fernando Santos vai estrear-se à frente da Selecção. É, nesta altura, a melhor opção?
- Acho que sim, é a melhor opção. Claro que havia outros treinadores com essa capacidade, mas ele vem de uma selecção (Grécia) que esteve no Campeonato do Mundo, não estava a trabalhar e é um treinador que conhece muito bem o futebol português. Penso que se juntaram aqui vários factores. Temos jogadores com muita qualidade. Penso que o Paulo foi muito atrás de opiniões públicas ou das exigências de renovação.

- Foi precipitado?
- Foi! Acho que se precipitou. O Fernando não está a fazer nada disso, está a escolher os melhores para poder ser apurado para o Campeonato da Europa e era o que o Paulo tinha de ter feito. Foi muito atrás de exigências não sei de quem, que o prejudicaram.

(...)"

Jorge Jesus entrevistado por José Ribeiro e Vanda Cipriano, in Record

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Devíamos era andar tristes

"Neste momento são vários os agentes desportivos que se debruçam sobre a natureza e durabilidade da vantagem de quatro pontos que o Benfica tem nas primeiras sete jornadas deste campeonato.
Há jogadores do FC Porto que dizem não estar preocupados com este atraso, o treinador azul e branco diz que não lhe interessa, há comentadores televisivos que foram mais longe e afirmaram que se deve apenas ao demérito da concorrência.
Chegamos pois à conclusão, que o melhor início de época deste século e um dos melhores dos últimos 25 anos, com um título já alcançado se deve aos nossos rivais. Já nem sei se devo continuar benfiquista, se tenho que mudar de clube para lhes agradecer tamanha alegria.
De facto no ano passado, por esta altura, o Benfica estava com cinco pontos de atraso do FC Porto e este ano leva quatro de avanço. Como no último ano ganhamos tudo, a lógica da concorrência deve ser que este ano não vamos ganhar nada.
Nós devíamos estar tristes por ir em primeiro, por ganhar jogos, por ter o melhor ataque, por ter o melhor goal average mas como não temos essa grandiosidade intelectual andamos felizes. Por exemplo: este ano ganhámos 4-0 ao Arouca. Fizemos mal, porque o ano passado empatamos 2-2. A lógica do comentário indica que se devia ter vindo triste da Luz.
Por mim está bem assim. Só choro a oferta daquele golo ao Sporting, em tudo o mais a época está perfeita. Melhores os resultados que as exibições? Sim, é um facto mas como a equipa só pode melhorar, esse facto é ainda mais retemperador.
Em semana de selecções começar por dar os parabéns aos nossos sub-21 que estiveram fantásticos. A vitória de ontem sobre a Holanda colocou-nos perto do primeiro objectivo. Haja talento e sorte contra a Dinamarca que bem precisamos. O comentário será sempre em função dos resultados."

Sílvio Cervan, in A Bola

Um dos nossos...


O Jordy já é um dos nossos há vários anos... foi guiado por mão divina, e viu a Luz!!!

Um dos melhores do Mundo na sua profissão... Sul-Africano, sem ligação familiar a Portugal, e que está em grande forma neste momento. Boa sorte para amanhã, para a fase final do WQS de Cascais, e muita força para o WCT de Peniche na próxima semana...

Louvores a quem merece

"Nunca é demais louvar quem merece tal reconhecimento. Nos dias que correm, importa louvar algumas personagens do futebol lusitano. Assim, comecemos pelo árbitro Hugo Miguel, o mesmo que apitou o Benfica - Arouca.
Foi enternecedor observar a diligência e o cumprimento total da letra da lei no momento em que mostrou o cartão amarelo ao Sálvio. Foi um gesto de um árbitro rigoroso, inclemente, que conhecedor das leis do jogo e não tem medo de mostrar um cartão amarelo a um jogador que acabou de ser rasteirado por trás e que depois de cair pediu um cartão amarelo para o homem que o rasteirara. Nem parece o Hugo Miguel que ao ver James simular um penálti numa famosa última jornada, decidiu expulsar o homem do Paços que nada fizera e marcar penálti. Foi um árbitro muito longe daquele Hugo Miguel que, alegadamente, nas escutas daquele processo dourado de que não se pode falar arbitrou o jogo Porto B / Gondomar e «os investigadores da PJ apuraram que o árbitro e a respectiva equipa foram 'premiados' com objectos em ouro.» (cito um artigo do jornal 'O Público').
Enfim, naquele cartão amarelo vai toda uma mudança de rumo na carreira. Vai tarde, mas vai a tempo e isso é sempre de louvar.
Num outro plano, importa louvar o nosso rival FCP que, numa atitude de grande desportivismo e revitalização da memória da cidade do Porto, decidiu, desde há uns anos, festejar o aniversário de um extinto clube da Invicta fundando a 28 de Setembro de 1893. Apesar da rivalidade que nos separa, registe-se esta digna atitude que, certamente, deixaria muito orgulhoso o homem que fundou o FCP em 2 de Agosto de 1906, José Monteiro da Costa.
Termino, pedindo desculpas aos leitores por ter escrito no mesmo texto acerca do cavalheiro Hugo Miguel e o do FCP, duas entidades que nunca vimos misturadas em nenhum contexto futebolístico."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

Encarnado é o Vermelho-amor (Talisca)

"Já não há como negar esta realidade, pelo menos para já: há um 'fenómeno Talisca' na Luz.
Em outras épocas recentes, tivemos 'fenómenos' de natureza semelhante. Isto é, jogadores nos quais a equipa, treinador e adeptos depositaram uma verdadeira crença de que podiam resolver os jogos mais difíceis com um rasgo individual. E quando o colectivo não conseguia, por si, abrir as defesas adversárias, lá aparecia um desses jogadores a tornar-nos venturosos. O sintoma de que há um 'fenómeno Talisca', para além dos golos que marca, é a certeza, logo que a bola lhe chega aos pés, de que dali sairá uma solução, dali haverá um passe de ruptura, uma finta, uma assistência, um remate, qualquer coisa bem feita que quebre a rotina defensiva do adversário. A crença de que dos pés de Talisca está muito do nosso êxito colectivo dá-lhe um estatuto, para já, de 'fenómeno', uma espécie de salvador em horas de aflição. Te acontecido de maneira muito vincada nas jornadas iniciais do campeonato, a fazer-nos lembrar outros 'fenómenos'.
 Recordo-me de Simão Sabrosa, de Aimar ou de Cardozo (este em moldes diferentes), por exemplo, em quem os adeptos depositavam sentimentos semelhantes. Embora Talisca não tenha ainda a notoriedade desses mesmos atletas, conseguiu em muito pouco tempo fazer-nos acreditar que é o nosso homem.
Acontece, porém, que não estamos a falar de um atleta que custou dezenas de milhões de euros. À prospecção do Benfica se deve esta descoberta, fazendo lembrar a de David Luiz há uns anos. Mas enquanto David Luiz precisou de tempo para vingar no Benfica, acresce ao que já dissemos de Talisca este outro fenómeno, o de chegar, ver e vencer. Lembremo-nos a incapacidade de adaptação dos jovens jogadores sul-americanos na Europa. Quanto tempo levou Di Maria para aparecer como figura no Benfica?"

Carlos Campaniço, in O Benfica

O comentador

"Não estão a ser fáceis os primeiros tempos de Lopetegui à frente do FC Porto. Os resultados não têm proporcionado uma exposição brilhante, mas o espanhol não tem ajudado à definição da sua imagem no Futebol português. Desde esquemas de jogo incompreensíveis a acusações reiteradas à arbitragem, que se tornaram num verdadeiro choro de bebé mimado, Lopetegui está a dissipar alguma aura de culto que tinha à chegada a Portugal, mesmo entre adeptos do FC Porto.
Desde logo, o treinador portista parece mais um comentador desportivo do que propriamente o treinador de um grande clube - e parece que terá sido mesmo essa a sua ocupação, entre 2004 e 2006 -, espraiando-se reflexões sobre lances decisivos ou momentos de arbitragem que, talvez ainda não tenha compreendido, são apontadas como críticas à estrutura do Futebol, mesmo admitindo não ser essa a sua intenção.
Por outro lado, Lopetegui parece incapaz de criar alguma cultura de jogo, apostando em esquemas de rotatividade permanentes que, no limite, acabam por confundir os próprios jogadores e impedir a construção de estruturas estáveis de exibição, quer ao nível defensivo, quer ao nível ofensivo. Ao mesmo tempo, apesar de ter ao seu dispor um grupo considerável de jogadores capazes de desequilibrar e ser criativo, o espanhol aposta praticamente sempre nos mesmos homens para conduzir o jogo (Indi, por exemplo).
Finalmente alguém devia dizer a Lopetegui que se cale de uma vez por todas com a arbitragem. Sobretudo porque é ridículo e desconcertante ver alguém, num dia, vir a terreiro apontar o dedo aos juízes pelo resultado obtido, noutro, alvitrar que os outros adversários estarão a ser beneficiados pelas arbitragens e finalmente, num dia de maior acalmia, ficar espantado e indignado por pensarem que ele possa estar a colocar em causa' a intenção e a honestidade' dos árbitros portugueses. Um verdadeiro (flop) Lopetegui, se assim continuar!"

André Ventura, in O Benfica

O Mestre

"Di Maria, Ramires, David Luiz, Coentrão, Witsel, Javi, Matic, Oblak, Garay, Siqueira, Markovic, André Gomes, Rodrigo e Cardozo. Estes são os jogadores que o Benfica foi perdendo desde 2010, com os quais terá encaixado uma verba global próxima dos 250 milhões de euros (na maioria dos casos, fruto de uma valorização exponencial).
Ao longo deste período, houve que refazer a equipa - ora parcial, ora quase totalmente, como neste último verão. Os resultados foram: 2 Campeonatos, 1 Taça, 4 Taças da Liga, 1 Supertaça, 2 finais europeias, 5.º lugar no ranking da UEFA, 4 apuramentos directos para a Champions, e apenas 3 derrotas nos últimos 70 jogos da Liga. Não fora um auxiliar de Proença em 2012, e uma profunda falta de sorte em 2013, e o Benfica seria tri-campeão. É “apenas” campeão, mas desde os anos 80 que não evidenciava tamanha competitividade em épocas sucessivas.
E sem 6 titulares do “Triplete”, aí estamos nós, novamente na liderança, com 4 pontos de vantagem. A estes números, podemos acrescentar um futebol exuberante, ofensivo e goleador, capaz de empolgar as exigentes bancadas da Luz. Olhamos para o Benfica de Jorge Jesus, e para o Benfica anterior, e a diferença é abissal. Se Vieira trouxe a revolução institucional que resgatou o Benfica dos seus piores anos, Jesus somou a componente desportiva de que o nosso futebol carecia.
Pode mascar pastilhas elásticas, e dar pontapés na gramática. Pode até ser indelicado para alguns jornalistas mal habituados. Mas poucos no mundo perceberão de futebol como ele. Segue as suas convicções, e não as pressões que pedem A por ser português, B por ser da formação, ou C por ter olhos azuis. Diz as verdades, mesmo quando nos custa ouvir que a Champions não pode ser objectivo imediato. E, mantendo uma equipa disciplinada, determinada e confiante, ganha jogos. Muitos jogos. “Forever” é palavra perigosa. Mas, enquanto benfiquista, dormiria descansado com a garantia de que a dupla Vieira-Jesus se mantinha no Benfica, pelo menos, mais uma década."

Luís Fialho, in O Benfica

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Um dia até lhes vão chamar insubstituíveis

"No capítulo dos erros dos árbitros, o momento mais fabuloso da jornada foi o regresso do sportinguista Fredy Montero aos golos em posição de fora de jogo 299 dias depois.

O Benfica é uma equipa em construção e não podia deixar de ser, não por mania do seu treinador, mas porque, efectivamente, da equipa campeã saiu muita gente da maior importância. Reinsisto. A saída mais difícil de disfarçar é a de Garay, um jogador excepcional, onde nascia o jogo da equipa de trás para a frente e onde morria, frequentemente, o jogo do adversário. Poderá haver, sobre este assunto, as mais variadas opiniões. Mas esta é a minha.
A realidade é agora outra. Há, no entanto, belas promessas entre alguns dos que chegaram agora ao Benfica. Jonas foi o último a chegar e assim que tocou na bola pela primeira vez no jogo com o Arouca percebeu-se que o brasileiro veio com os estudos feitos. São de apreciar, porque são raros, os jogadores que não reclamam tempo de adaptação e de aprendizagem. Jonas marcou até um golo na estreia, é um licenciado.
Dos outros novos, Talisca e Derley vão-se fincando, ganhando o seu espaço. Um dia destes até lhes vão passar a chamar de insubstituíveis depois de lhes terem chamado outras coisas menos bonitas. Isto ainda se vai compor em termos da qualidade do espectáculo capaz de agradar às plateias elegantes.
No último fim-de-semana, quanto às lamentações de uns e ao gáudio de outros, houve a registar o perdão de grandes penalidades ao Benfica e ao FC Porto, uma para cada um.
Mas no capítulo dos erros das terceiras equipas em campo, como não podia deixar de ser, o momento mais fabuloso da jornada, verdadeiramente sensacional foi o regresso do sportinguista Freddy Montero aos golos em posição de fora-de-jogo 299 dias depois.
É obra.

AINDA um assunto da semana passada.
Foi acusado o treinador do Benfica de ter preferido, em Leverkusen, poupar jogadores para o desafio com o Arouca do que procurar a vitória contra os alemães na Alemanha, como se vencer o Bayer fosse um brinde assegurado desde que Maxi Pereira, Samaris e Lima entrassem em campo nas posições de André Almeida, de Cristante e de Derley.
Desde que a temporada oficial começou tem sido proeminente no discurso do treinador do Benfica a vontade de revalidar o título nacional brilhantemente conquistado em 2013/2014. Há mais de trinta anos que o Benfica não vence dois campeonatos de uma assentada e, francamente, já começa a parecer mal.
Portanto quer Jorge Jesus aquilo que todos queremos e que exigimos.
No entanto, tal como acontece a qualquer adepto comum do Benfica num momento de introspecção honesta, de bom grado Jorge Jesus trocaria o hipotético segundo título consecutivo por uma hipotética vitória na Liga dos Campeões, facto quinhentas vezes mais estrondoso do que a vitoriazinha interna, muito saborosa, mas sem aquela distinção do galgar das fronteiras que o Benfica persegue desde 1962, quando bateu o Real Madrid por 5-3 na final de Amesterdão, há mais de 60 anos.
Ou não é assim?
Troca-se imediatamente um campeonato nacional por uma Liga dos Campeões!
Quem estiver de acordo ponha o braço no ar!
Ena, tantos braços no ar, inclusivamente o meu.
Infelizmente, estas duas competições não são equiparáveis a cromos para a troca. Nem, muito menos, são fantasias. O Benfica, que nos dois últimos esteve à beira de ganhar a Liga Europa e não ganhou, sofreu este ano uma remodelação tão acentuada no seu quadro de jogadores que, dificilmente, haverá lugar, em 2014/2015 para a edificação de uma equipa sólida e fortemente competitiva a nível do segundo escalão da realeza europeia, como as que vimos nas duas temporadas anteriores.
O que não queremos, e neste ponto estaremos todos de acordo, é fazer má figura como fizemos, na verdade, na Alemanha.
É mau benfiquismo pensar assim?

JOSÉ MOURINHO reagiu ao melhor estilo de um D’Artagnan sadino à intempestiva intrusão de Arsène Wenger no seu espaço técnico enquanto decorria o jogo entre o Chelsea e o Arsenal. Um alçar do peito, um olhar fulminante, toda uma elegância inata no dirimir da situação criada pelo azougado mosqueteiro francês.
E duas forçosas passadas atrás porque Wenger tem, bem medido, mais um palmo de altura do que Mourinho e apareceu-lhe não só pela frente mas também distintamente embalado.
No clássico de Londres, a capital mundial das boas maneiras, fez furor o momento protagonizado pelos dois treinadores, sendo que um é um sacana de um francês, pelo que tem culpa, e outro é português, pobrezinho, pelo que está desculpado.
Foi assim, geneticamente, que os arregalados ingleses viram o que se passou em Stamford Bridge.

NA última temporada o jovem Ola John foi justamente desterrado para o campeonato alemão e regressou outro. Veio reeducado.
Agora quando o Benfica não tem a bola o holandês compromete-se no trabalho de a recuperar. No jogo com o Arouca até o vimos a dobrar Eliseu por mais do que uma vez.
Já quando o regressado Ola John tem a bola não se perde em habilidades circenses sem qualquer proveito para a equipa.
Está um extremo pragmático o nosso Ola John. Avança sem medo quando pressente que o caminho lhe está de feição, não inventa e quando se depara com dificuldades opta por entregar a bola a um companheiro melhor colocado ao invés de brincar na areia, que era a sua especialidade mais em destaque no primeiro ano que passou na Luz.
Perante este milagre da reeducação, estamos todos com grandes expectativas no que diz respeito ao regresso de Djuricic depois de uma temporada na Alemanha ao serviço do Mainz.
Se não vai a bem, vai a mal.

DITOU o sorteio ser o Sporting da Covilhã o adversário do Benfica na primeira eliminatória da Taça de Portugal que inclui os clubes primodivisionários, cabendo ao Benfica, que é o detentor do troféu, jogar fora de casa. O jogo realiza-se, portanto, na Covilhã embora no fim-de-semana tenham surgido notícias que apontavam a decisão da eliminatória para o palco de Aveiro em favor de uma receita que permitisse “resolver o problema financeiro do clube”. Acabou por imperar a tradição e o Benfica vai mesmo jogar à Serra da Estrela. Ainda bem. Assim é que é bonito.

ESTÁ em grande o Valência de Nuno Espírito Santo e de mais uns quantos portugueses que são nossos estimados conhecidos. No último fim-de-semana bateram sem apelo o campeão espanhol por 3-1. A todos se deseja a continuação destes sucessos.
Este lindo arranque do Valência vem relançar a questão dos benefícios internos de se estar ausente das competições internacionais, que é, precisamente, o que se passa nesta temporada com a equipa “ché”.
Sempre me intrigou chamarem-lhes a equipa ché. Fui investigar. Ao que parece chamam-lhes “ché” porque “ché” é uma interjeição muito comum do falar valenciano e que se equivale ao nosso “pá”, no sentido de tratarmos com proximidade alguém amigo com quem falamos.
- Che, mira el gol de André Gomes!
- Eh pá, que golão do Talisca!
O uso do ché é também comum na Argentina e em outros países sul-americanos. Por exemplo, o doutor Ernesto Guevara, de nacionalidade argentina, entrou para História com o nome de “Che” Guevara porque tratava por “ché” toda a gente que conhecia. Traduzindo para português chamava “pá” a todos, o que nem é para admirar.
Os “chés” de Nuno Espírito Santo, voltando ao futebol, vão bem lançados na Liga espanhola apesar de estarem fora da Europa ou vão bem lançados na Liga espanhola precisamente por estarem fora da Europa? 
Por exemplo, na época anterior houve duas equipas que conseguiram ficar no segundo lugar dos seus respectivos campeonatos – o Liverpool em Inglaterra e o Sporting em Portugal – porque, para muita gente douta, beneficiaram das folgas de não terem jogos europeus a meio da semana ao contrário dos seus adversários internos mais directos que se esfalfaram em compromissos, viagens e minutos nas pernas.
Tudo isto são, naturalmente, especulações. E, por isso mesmo, o percurso deste Valência merece a maior atenção, “ché”!

NA noite de sexta-feira o presidente do Sporting atirou-se com unhas e dentes ao presidente do FC Porto e até lhe chamou nomes feios. Também se atirou ao presidente do Benfica ainda que com menor veemência porque o respeitinho é muito bonito. Por este conjunto de antecedentes oratórios foi uma pena a ausência do presidente do Sporting na reunião da Liga na segunda-feira para o cara-a-cara com os ofendidos que é o apanágio dos valentões."

Leonor Pinhão, in A Bola

Tempo do tempo

"Hoje deixo o desporto em regime de pousio.
Hoje falo do tempo de notícias sobre o tempo.
Acordei com um aviso laranja em alguns distritos por causa da chuva e da trovoada. Aliás, são mais frequentes os dias sob a ameaça de um qualquer alerta de cores meteorológicas. É a versão tecnocrática do que, antes, se chamava, tão sábia e simplesmente, Inverno e Verão.

Chove durante umas horas seguidas e aí está um alerta com garantia de abrir um telejornal. Há umas rajadas de vento, cai um aguaceiro forte, as temperaturas descem uns 'insuportáveis' 10.º graus positivos ou sobem aos 30.º graus e logo se acendem as luzes de um metrológico semáforo. Técnicos são entrevistados como se o apocalipse estivesse iminente!
Tratam-se estes assuntos nos media com tal ridículo dramatismo que não faltam os avisos de que temos que usar agasalhos para o frio, guarda-chuva para a chuva, beber água para o calor, etc... não vá o povo esquecer tão sábios conselhos.

Recordo-me de um noticiário televisivo ter aberto com uma reportagem (em directo, imagine-se!) sobre uns pingos de chuva que, em Agosto, caíam numa praia do Algarve! Onde é que está a novidade, a diferença, a notícia, o alarme? A banalização dos alertas acaba por estiolar o sentimento de prevenção individual e colectiva face a situações graves que, infelizmente, acontecem. Lamentavelmente, ainda há semanas houve uma forte chuvada em Lisboa, com estragos materiais, e o que se ouviu foi um passa-culpas entre serviços de meteorologia e serviços camarários. Uma questão de cor dos cartões (perdão, alertas), tal qual no futebol se discute o alaranjado entre o amarelo e o vermelho."

Bagão Féllix, in A Bola

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Vitória... com um susto, no meio do temporal !!!

Pinheirense 2 - 5 Benfica

Mais um mau início (com um golo sofrido, numa perda de bola do Henmi...), e só nos últimos minutos do 1.º tempo, com a quebra física do adversário conseguimos impor o nosso jogo. Foi importante empatar antes do intervalo... num grande golo do Patias.
A 2.ª parte foi diferente, falhámos menos na concretização... e abrimos uma boa margem até ao 1-4...

Voltámos a ter somente 8 jogadores de campo disponíveis: Paulinho, Ré, Bruno Pinto, Vítor Hugo, Pablito continuam de fora... talvez por isso, notou-se alguma gestão de esforço, os jogadores do Benfica estão habituados a uma rotação maior... Mas tivemos algumas desconcentrações perigosas, e curiosamente foi o Gonçalo, o mais experiente, com mais bloqueios!!!

A BTV transmitiu o jogo em directo, com os nossos próprios meios. Infelizmente, devido ao mau tempo (temporal em vários pontos do País...), tivemos algumas interrupções durante o jogo (sempre que a transmissão parava, o Benfica marcava...!!!), mas espero que no futuro o Benfica aposte em mais transmissões fora das nossas modalidades...
Com muitos Benfiquistas nas bancadas em Gondomar, tenho que homenagear um deles, que durante o jogo mandou umas 'bocas' engraçadas: 'Mete o Talisca', 'Está fora-de-jogo'...!!!

Introdução... épica !!!

Duas semanas sem campeonato

"Duas semanas sem campeonato! Apenas selecção e Taça, o que, para utilizar uma linguagem em voga quanto dos impostos, é uma forma de 'moderação' futebolístico-clubista.
E vai saber bem. A mim, como benfiquista com o gosto de prolongar, sem esforço, a liderança do SLB, nesta entrada outonal. O que vem mesmo a calhar, dada a legião de jogadores magoados e a necessidade de a equipa se apresentar em melhores condições face aos últimos tempos menos convincentes (Moreirense em estilo sofrido, Estoril em regime de dieta depois dos 2-0), Arouca em sonolência prolongada interrompida por um excelente Talisca e B. Leverkusen num dos piores jogos europeus de que tenho memória). Será tempo, também, para o ainda guarda-redes Júlio César receber mais uns intensivos tratamentos, não direi para jogar, mas para, pelo menos, conduzir sem dores o automóvel.
É também uma oportunidade para Lopetegui deixar de sonhar com árbitros, a não ser o afável e compreensivo Pedro Proença, sobre o qual, aliás, o treinador não teve queixas...
Serão, igualmente, duas semanas de aquecimento verbal para o FCP e SCP, após ingrato sorteio na Taça de Portugal.
E tempo para os três clubes pensarem na 'estratégia técnico-táctica' e no 'enquadramento físico-emocional' da 3.ª jornada da Champions que virá logo a seguir. O Benfica em Monte-Carlo lutará por ainda chegar à... Liga Europa. O Sporting vai a Gelsenkirchen tentar repetir o feito do poderoso Maribor. O Porto, depois de uns bielorrussos suaves e de uns ucranianos quase expatriados, enfrenta, nada mais, nada menos, que o último classificado da Liga espanhola. Oh! Ingratos sorteios, de novo!"

Bagão Félix, in A Bola

Talisca, o facilitador

"Desde que chegou ao Benfica, Talisca já foi testado em várias posições: começou por jogar no lugar de Enzo, depois houve tentativas de fazer dele um 6 e, mais tarde, viria a jogar entre 9,5 e o 'meia', acompanhando Lima no ataque.
A indefinição quanto à posição do baiano faz sentido. Qualquer que seja o lugar onde joga, Talisca aparenta ser um corpo estranho à organização táctica da equipa. Não tem cultura defensiva e, apesar da altura, revela fragilidades nas bolas aéreas; falta-lhe intensidade de jogo de Enzo e não sabe pautar o jogo como um 8; e aparenta lacunas técnicas para jogar de costas para a baliza. Tudo isso é verdade, mas Talisca é um verdadeiro facilitador.
Num jeito meio desengonçado, toma sempre a opção mais inesperada para, com eficácia, desbloquear os impasses dos jogos.
Se o futebol precisa de jogadores capazes de interpretar rigorosamente uma determinada táctica, necessita também de quem seja capaz de desformatar o jogo. Talisca é um desses jogadores: não interpreta na perfeição as características de nenhuma posição, mas, onde quer que jogue, revela um rasgo individual que lhe permite surpreender sempre. Quer em arrancadas serpenteantes, onde parece que vai perder a bola a qualquer momento mas acaba por marcar, quer em passes de ruptura, com a bola a sair vertical, como se pontapeada por um taco de bilhar, como sucedeu na jogada do golo de Salvio contra o Arouca. As suas características fazem, por vezes, recordar um colosso do futebol brasileiro, também ele um jogador incaracterístico: Rivaldo.
Claro que Talisca precisa de limar muito o seu futebol e espera-o, ainda, uma longa aprendizagem, mas, convenhamos, com o brasileiro o risco não é tanto não aprender, mas aprender de mais, tornando-se de um jogador burocrático."

terça-feira, 7 de outubro de 2014

O novo «D'Artagnan Negro» e memórias de Lagardère

"Há que agradecer a Jorge Jesus ter devolvido ao futebol português os velhos romances de capa e espada. Há muitos, muitos anos, outra figura do Benfica, José Torres, então no V. Setúbal, tinha traçado esse caminho.

Jorge Jesus confessou, ao seu estilo, não conhecer bem o D'Artagnan. Já José Mourinho, pelos vistos, conhece-o bem. Ao D'Artagnan e à gramática portuguesa, garante o próprio. Tenho dúvidas. A gramática inglesa, por exemplo, desconhece por completo.
Então aproveito a deixa e vou falar do D'Artagnan. Afinal foi uma figura da minha infância. Ele e Athos, Portos e Aramis. E o Conde de Monte Cristo. E Lagardère. Não, não porei o futebol de lado. Uma coisa não impede a outra.
Muita gente não sabe, mas o D'Artagnan não se limitou a ser uma personagem de Alexandre Dumas (pai) escritor francês que viveu entre 1802 e 1870 (já explicarei o preciosismo da data), autor também de «O Conde de Monte Cristo». É verdade que surgiu na trilogia - «Os Três Mosqueteiros»; «Dez Anos Depois»; «O Visconde de Bagelonne: Vinte Anos Depois» ou «Homem da Máscara de Ferro» - mas existiu de facto: chamava-se Charles Ogier de Batz de Castelmore, Conde de D'Artagnan, e era capitão dos mosqueteiros da guarda ao serviço do rei Luís XIV. Ora, este D'Artagnan autêntico, de carne e osso e espada à cinta, encarnou a história do outro, do de Dumas (pai), caindo na protecção do cardeal Mazarin e mantendo-se ao serviço da companhia dos mosqueteiros até à sua dissolução. Da sua arte no manejo das armas, não tenho notícias. Suponho-o excelente, embora não tanto como o invencível D'Artagnan das páginas da velha «Livraria Lello», onde o conheci.
Parece que, por via do desaguisado entre Mourinho e Jesus, se prepara para existir hoje na equipa do Benfica, entre o meio-campo e o ataque, magro e escuro, um «D'Artagnan Negro» chamado Talisca. Maneja os pés e o encanto de uma bola. Talvez não escrevam livros sobre ele, mas andará por muitos anos nas páginas dos jornais. Pelo seu talento, espera-se, e não por razão de bate-bocas espúrios se bem que curiosos.
O futebol não tem sido rico em alcunhas de capa e espada. D'Artagnan lembro-me de um, Robert Pires, por sinal com sangue português, que ganhou o «petir-nom» ainda no seu tempo de Metz. E de Ruud Gullit, «A Tulipa Negra», outra obra de truz de Alexandre Dumas (o pai). Se falho, culpo a minha amaldiçoada memória, cada vez mais insuficiente para os anos que vai acumulando.
Mas, no Brasil, há outro D'Artagnan, sem apóstrofe: Dartagnan Jatubá torcedor profissional. Isso mesmo. Só os brasileiros para nomes assim e profissões quejandas. Dartagnan Jatubá acompanha a selecção brasileira nos Campeonatos do Mundo, mas não se resume ao futebol, apoia as equipas de basquete, de vólei, de ténis... O ordenado é-lhe pago pelos patrocinadores. Ele só tem de usar a sua espada: a garganta. Ele e os mosqueteiros que o acompanham...

A estocada final do «Bom Gigante»
Falei de Alexandre Dumas (pai) e vou falar igualmente de Paul Féval (também pai). Ambos tiveram filhos, o que não é de estranhar, e ambos tiveram filhos escritores, o que foi uma espécie de herança. Alexandre Dumas (filho) dedicou-se a uma escrita mais romântica e foi autor, por exemplo, do famoso «A Dama das Camélias». Paul Féval (filho) seguiu as pisadas do progenitor e até de Alexandre Dumas (pai). Foram dele «O Filho de Lagardère» e «O Filho de D'Artagnan».
Bem, mas vamos ao Paul Féval pai. Foi praticamente contemporâneo de Alexandre Dumas (o pai, não o filho), vivendo de 1816 a 1887 (e aqui justifico o tal preciosismo), e criador de um herói tão famoso com D'Artagnan - Lagardère, Chevalier Lagardère, ou Henri Lagardère, surgiu numa série de novelas tituladas. «O Corcunda». No cinema vi-o com a cara de Jean Marais. Dizia: «Si tu ne viens pas a Lagardère, Lagardère ira a toi!». Terrível ameaça.
Se Talisca é agora o D'Artagnan, ou «D'Artagnan Negro», já houve um Lagardère no futebol português.  E jogou no Benfica, embora a alcunha lhe tenha sido posta depois. Foi ele o grande José Torres, mais famoso pelo epíteto de «O Bom Gigante». A história é simples, foi o próprio José Torres que ma contou, em sua casa, por entre o arrulhar dos pombos, já a doença o minava com crueldade: «Foi o José Maria Pedroto, em Setúbal, que começou a chamar-me de Lagardére. Como estava a caminho do final da carreira e jogava menos tempo, passei a ser o homem que ele fazia saltar do banco para dar a estocada final.»
Digamos que foi «à Lagardère» (expressão que também teve a sua época em Portugal) que José Mourinho resolveu responder a Jorge Jesus, de gramática numa mão e duas pedras na outra, mal ouviu falar de D'Artagnan. Se bem que tanto D'Artagnan como Lagardère fossem baluartes do cavalheirismo, algo que Mourinho ignora tanto como a gramática inglesa. O Conde de Monte de Cristo, também de Alexandre Dumas (pai) tinha um lema: «Nem esquecimento nem perdão!» Aqui vou tentando combater os esquecimentos. Com a pena, não com a espada."

Afonso de Melo, in O Benfica

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Lixívia VII

Tabela Anti-Lixívia:
Benfica............. 19 ( 0) = 19
Braga............... 11 (-3) = 14
Sporting........... 13 (+1) = 12
Corruptos........ 15 (+4) = 11

A 'competência' do Desdentado é realmente extraordinária... Com uma carreira repleta de Roubos, consegue manter a 'fama' de Melhor do Mundo !!! Até o treinador 'enrabado' esta semana, mesmo após o 'acto', continua a defender que o 'querido' é o Melhor do Mundo...!!! Eu sei que a máquina de propaganda Corrupta é gigantesca, mas mesmo assim temos que reconhecer que não é fácil, mostrar incompetência semanalmente, roubar sistematicamente, e mesmo assim manter a 'fama' de impoluto, entre as Virgens do Tugão...!!!
No actual contexto (Benfica líder... com +4 pontos) seria impossível imaginar um cenário onde os Corruptos perdessem pontos, com o Proença a apitar... aliás, para ser mais exacto: em qualquer contexto, é preciso ser realmente muito optimista (ou ingénuo), para se duvidar da vitória Corrupta, sempre que o Proença seja o apitador... o jogo do último Domingo, foi só mais um, onde esta teoria foi testada com sucesso!!!
O lance mais polémico deu-se no último minuto, onde ficou mais um penalty por marcar contra os Corruptos... O lance parece-me óbvio. Os do costume vão alegar problemas de intensidade, mas neste tipo de situações, o penalty é sempre marcado.
No resto do jogo houve mais alguns lances duvidosos nas áreas, onde o Desdentado até decidiu bem: mergulho do Alex Sandro, o Micaela até lhe toca, mas o exagero da queda, retirou ao Corrupto qualquer razão para pedir penalty; corte com a barriga do Santos; lance normal entre Alex Sandro e Pardo; e até o agarrão do Indi ao Éder ao minuto 88, é 'aceitável', visto que nas 'bolas paradas' existem sempre contactos ilegais...!!!
Não vi o jogo em directo, estava na Luz. Hoje procurei os lances polémicos referidos na imprensa, através de uma gravação, numa Meo Box... curiosamente só no Fórum Ser Benfiquista, no tópico Arbitragens, li uma referência a uma jogada entre o Indi e o Pardo ao minuto 34... na imprensa, nada!!! Foi procurar as imagens, e não pude de sentir nojo, mais uma vez... Explico:
O lance começa com uma cotovelada do Indi ao Pardo, sem bola, numa desmarcarção nas costas do caceteiro do Barreiro. Até posso aceitar que o Proença não tenha visto, já que a bola está a ser jogada noutro lado, mas o Fiscal-de-linha tem a obrigação de ter visto. Mas o minuto 34 não 'acabou' neste lance!!! A bola sobra para o Zé Luís, que se embrulha com os defesas Corruptos, e onde o Maicon lhe enfia um valente pontapé, mesmo à frente dos olhos do Desdentado, e este nada marca...!!! Mais uma vez, o ressalto é favorável ao Braga, a Micaela tenta chegar à bola, mas o Marcano enfia-lhe um golpe de Karaté... E agora sim, o Proença marca a falta!!! Foram no máximo 15 segundos: 3 faltas, 1 vermelho, e 1 amarelo por mostrar... mas o Proença só viu a última falta, e não mostrou nenhum cartão aos jogadores Corruptos!!! Assim é fácil não sofrer golos... E este tipo de tratamento de excepção é regra, naqueles lados!!!
Uma última nota para uma jogada que aconteceu já com o jogo finalizado: por alguma razão ninguém percebeu que o Proença tinha apitado, para o fim do jogo!!! Os jogadores do Braga continuaram a jogar!!! O Indi que estava a pedir assistência médica (no lance onde fez penalty), estava na área Corrupta, ao verificar que o Braga estava a atacar, fez um sprint enorme, e deu um daqueles 'encostos' meiguinhos ao adversário!!! Tudo isto com o jogo parado!!! Desconheço o que dizem as regras num caso destes, mas houve uma clara agressão de Indi, o facto do jogo já ter terminado, não parece que seja álibi... mas isto só seria um Caso, caso o agressor vestisse de Vermelho!!!

Em Penafiel o Montero voltou a marcar um golo, quase 1 ano depois, novamente em Fora-de-jogo... deve ser Karma, mas o rapaz só marca em Fora-de-jogo!!!
Curiosamente, a agressão para Vermelho directo do André Martins, aos 39 minutos da 1.ª parte, quando o jogo estava 0-0, passou despercebido a muitos analistas!!!

Já falei bastante da arbitragem na crónica do jogo da Luz. Mantenho tudo o que disse. Acrescento, os lances que o Arouca protestou: o 'abraço' do Maxi, ao André Claro é um daqueles lances na fronteira da falta. Se fosse uma 'bola parada' nem sequer seria um Caso, mas neste caso até aceito que fosse marcado penalty. Em relação aos Amarelos para o Samaris, até aceito que o Grego pudesse ter levado um Amarelo na 1.ª parte... duvido que ele tivesse feito aquela falta sobre o David Simão, já com um Amarelo, mas até legitimo 'pedir' a expulsão para o Samaris, mas agora aquilo que não se pode fazer, é identificar os Amarelos 'esquecidos' ao Samaris, e não dar o mesmo destaque aos Amarelos e Vermelhos que ficaram por mostrar aos jogadores do Arouca. Destaco só dois: Nelsinho, e Bruno Amaro. O trinco foi óbvio, além das várias faltas, já com o Amarelo decidiu dar um murro na bola, e nada aconteceu...; mas o Nelsinho até devia ter sido expulso na 1.ª parte: aos 8 minutos travou o Maxi à entrada da área (o árbitro marcou ao contrário); aos 31 minutos, deu mais uma porrada ao Salvio, numa jogada perigosa, onde o Toto já tinha ganho a linha de fundo... e só aos 44 minutos, levou um Amarelo, devido a mais um carrinho sobre o Samaris (livre directo, que o Gaitán atirou por cima).
Mas como eu afirmei, a estratégia defensiva do Arouca passou pelo sistemático recurso à Falta... e isso só foi possível, devido à colaboração do árbitro. Que foi complacente, colaborante mesmo, com a atitude dos jogadores do Arouca. Protegendo nos Amarelos, mas também no local onde marcava as faltas. Por exemplo, as duas faltas sofridas pelos Benfiquistas mais perto da área do Arouca, foram incrivelmente transformadas em faltas contra o Benfica!!! Sobre o Maxi aos 8 minutos; e na consequência da bola ao poste enviada pelo Lisandro, o mesmo Lisandro disputou a bola na Meia-Lua, levantou o pé, bastante alto, tal como o jogador do Arouca... o Lisandro toca na bola, e o jogador do Arouca dá um pontapé na perna do Lisandro... O que é que Hugo Miguel faz?! Marca falta contra o Benfica!!!
É preciso não esquecer que este jogo foi jogado na Luz, é preciso não esquecer que as arbitragens por definição têm tendência para serem 'caseiras', é preciso não esquecer que teoricamente os 'grandes' são beneficiados... portanto quando se faz a avaliação ao trabalho do árbitro, não se pode ignorar aquilo que seria a tendência natural. E quando se analisa o curriculum deste Ladrão nos jogos com o Benfica (até amigáveis), não podemos ignorar os Roubos sistemáticos... Ontem na Luz, o objectivo provavelmente não era fazer o Benfica perder, mas pelo menos um empate...!!! Dá menos nas vistas !!! Sim, os Ladrões também têm este tipo de preocupações, aliás o Querido Desdentado é disso o melhor exemplo...
Uma nota final sobre a BTV: hoje, quando revi o jogo na BTV, fiquei mais uma vez desagradado, da forma como alguns lances foram mostrados!!! Por exemplo, no remate do Pintassilgo, que o Artur defende, com a bola a passar por cima da barra, não foi mostrada a Linha do Fora-de-jogo!!! Não percebo. Mesmo que não houvesse tempo durante o jogo para mostrar as repetições, ao intervalo, ou no final da partida, há espaço para tirar duvidas... Esta tendência, para querer passar a ideia que a BTV é uma televisão 'independente' irrita-me profundamente... Pode-se mostrar todos os lances, mesmo aqueles onde o Benfica é supostamente beneficiado (não são muitos, seguramente...), e ao mesmo tempo, não perder a identidade Benfiquista.

Anexos:
Benfica
1.ª-Paços de Ferreira(c), V(2-0), Cosme, Prejudicados, Sem influência no resultado
2.ª-Boavista(f), V(1-0), Marco Ferreira, Prejudicados, (2-0), Sem influência no resultado
3.ª-Sporting(c), E(1-1), Proença, Nada a assinalar
4.ª-Setúbal(f), V(0-5), Capela, Nada a assinalar
5.ª-Moreirense(c), V(3-1), Luís Ferreira, Prejudicados, (4-1), Sem influência no resultado
6.ª-Estoril(f), V(2-3), Vasco Santos, Nada a assinalar
7.ª-Arouca(c), V(4-0), Hugo Miguel, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar

Sporting
1.ª-Académica(f), E(1-1), Soares Dias, Beneficiados, (2-1), (+1 ponto)
2.ª-Arouca(c), V(1-0), Nuno Almeida, Prejudicados, (2-0), Sem influência resultado
3.ª-Benfica(f), E(1-1), Proença, Nada a assinalar
4.ª-Belenenses(c), E(1-1), Cosme Machado, Nada a assinalar
5.ª-Gil Vicente(f), V(0-4), Beneficiados, (1-4), Sem influência no resultado
6.ª-Corruptos(c), E(1-1), Benquerença, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
7.ª-Penafiel(f), V(0-4), Rui Costa, Beneficiados, Impossível contabilizar

Corruptos
1.ª-Marítimo(c), V(2-0), Xistra, Nada a assinalar
2.ª-Paços de Ferreira(f), V(1-0), Mota, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
3.ª-Moreirense(c), V(3-0), Bruno Esteves, Nada a assinalar
4.ª-Guimarães(f), E(1-1), Paulo Baptista, Nada a assinalar
5.ª-Boavista(c), E(0-0), Jorge Ferreira, Nada a assinalar
6.ª-Sporting(f), E(1-1), Benquerença, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
7.ª-Braga(c), V(2-1), Proença, Beneficiados, (2-2), (+2 pontos)

Braga
1.ª-Boavista(c), V(3-0), Vasco Santos, Beneficiados, (1-0)?!, Impossível contabilizar
2.ª-Moreirense(f), E(0-0), Paixão, Prejudicados, (1-0), (-2 pontos)
3.ª-Estoril(c), V(2-1), Hugo Miguel, Prejudicados, (3-1), Sem influência no resultado
4.ª-Arouca(f), D(1-0), Proença, Nada a assinalar
5.ª-Nacional(f) E(1-1), Jorge Tavares, Prejudicados, Impossível contabilizar
6.ª-Rio Ave(c), V(3-0), Bruno Esteves, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
7.ª-Corruptos(f), D(2-1), Proença, Prejudicados, (2-2), (-1 ponto)

Final feliz...

Benfica 4 - 0 Arouca

Começo por dar os parabéns ao desbloqueador do jogo: Pedro Emanuel !!! Sim, foi o treinador do Arouca que acabou por fazer aquilo que o Hugo Miguel não quis fazer: tirou o Bruno Amaro !!! Como o Huguinho, resolver ter um critério largo (larguíssimo), deu tempo ao Pedro Emanuel  para substituir o Bruno Amaro antes de este ser expulso (algo que seria difícil !!!). Normalmente estas decisões, até são elogiadas, mas desta vez, o Benfica só conseguiu marcar um golo, após o Careca sair. E aposto com quem quiser, se o Bruno Amaro estivesse em campo, o Talisca nunca tinha marcado aquele 1.º golo, pois tinha seguramente levado uma cacetada antes de rematar...!!!
Aliás o Bruno Amaro, e o Huguinho só fizeram aquilo que os Corruptos, os Lagartos e respectivos avençados, andaram a pedir durante a semana toda, após o Estoril-Benfica: se algum jogador do Benfica se aproximar da baliza, dêem-lhe porrada (pedido expresso em directo, na PorkosTV pelo avençado de serviço...); se os jogadores do Benfica levarem porrada, e mais porrada, sejam meiguinhos e aguentem os cartões ao máximo (este pedido, até foi feito na BTV, pelo Fernandes Peres - adepto fundamentalista Corrupto, mascarado de adepto do Arouca -, num programa produzido em parceria com a Antena 1)!!!
Este foi um típico jogo do Tugão. Toda a estratégia do Arouca, passou por um recurso sistemático à falta...!!! Sempre que o Benfica fazia mais do que dois passes: façam falta!!! Sempre que um jogador do Benfica acelere: façam falta !!! Estas devem ter sido as indicações do treinador...!!! O posicionamento dos jogadores do Arouca, e a atitude dos jogadores do Arouca, neste caso, tornou-se irrelevante !!! O 'segredo' desta estratégia é não fazer nenhuma daquelas faltas muito espalhafatosas, que obriguem o árbitro a mostrar o Vermelho... de resto é só esperar pela colaboração do apitador !!! Evitando marcar faltas em zonas perigosas (como aquela sobre o Maxi, mesmo à entrada da área), retardando os amarelos ao máximo (e se for possível amarelar a equipa que leva porrada, com merdinhas de nada... por exemplo o amarelo ao Salvio...), marcar faltas ofensivas quando a equipa que leva porrada, tenta recuperar a bola em zonas adiantadas, e muito importante, travar a velocidade do jogo, dando tempo para a defesa recuperar fisicamente, para isso recomenda-se levar uma eternidade, sempre que uma falta é marcada, de preferência entrar em conversa com todos os jogadores quando o jogo está parado... e foram muitas as oportunidades para a conversa!!!
É verdade que no 1.º tempo o Arouca criou várias situações de perigo, mas foi sempre mais por demérito do Benfica, do que por mérito do Arouca. Com maus passes, e falhas de posicionamento. Após o intervalo, com o posicionamento rectificado nos processos defensivos do Benfica, o Arouca acabou por ser inofensivo, a excepção foi um remate ao lado do poste direito do Artur. Mas o nosso guarda-redes que na 1.ª parte foi obrigado a várias intervenções, na 2.ª parte foi praticamente um espectador...
E com um Benfica remendado, esta estratégia quase resultou. Quando o jogo começou tínhamos 9 jogadores indisponíveis por lesão, quando o jogo acabou temos 11 jogadores lesionados. Repito 11: Amorim, Fejsa, Sulejmani, Sílvio, Jara, Júlio César, Paulo Lopes, Jardel, Enzo, Lima, Gaitán !!!
É unânime que o plantel do Benfica desta época, em termos de qualidade é mais curto - eu concordo -, mas parece que ninguém quer valorizar as ausências. O facto do Benfica estar neste momento isolado na liderança, com 4 pontos de vantagem, é um daqueles milagres, que só a muita competência explica...
Esta paragem do Campeonato acaba por aparecer, no momento certo. 3 semanas de intervalo, com Selecções e Taça de Portugal pelo meio, podem ser fundamentais para recuperar alguns jogadores. Agora espero que os lesionados convocados para as Selecções fiquem no Seixal a recuperar: Enzo e Gaitán.
Onde se nota mais as ausências é no meio-campo. Hoje, sem o Enzo, contra a teia adversária tivemos muitos problemas em criar jogo ofensivo, além de todos os problemas de cobertura defensiva que o Samaris e o Talisca ainda têm. O Nico, condicionado, também não fazia a diferença, e o Toto estava trapalhão. Só o Derley, com muita luta, e muita qualidade na protecção da bola, conseguia criar problemas... além do remate de longe do Talisca.
Na defesa, o Lisandro teve uma 1.ª parte, desastrosa. Notava-se que o Argentino queria 'segurar' o lugar, ganhar a confiança do treinador... mas falhou passes, perdeu bolas, e tomou algumas decisões erradas na cobertura. É verdade que o Eliseu ajuda pouco, e algumas perdas de bola no meio-campo foram quase suicidas, mas exige-se mais leitura de jogo, a um Central do Benfica. No 2.º tempo, tudo foi diferente, talvez com a 'palestra' ao intervalo, o posicionamento foi rectificado, e a ansiedade doseada... o resultado foi muito melhor. O Arouca inclusive deixou de atacar por aquele lado, e passou a tentar aproveitar as costas do Maxi.
Além do Lisandro, tivemos mais duas estreias: Jonas e Pizzi. Gostei dois dois. O Jonas tem toque de bola, joga de cabeça levantada, procura tabelinhas, e remata fácil. Mas não é um ponta-de-lança de área, físico, rápido... Parece-me claramente a melhor opção para a posição de 2.º ponta-de-lança do plantel. Pode ser uma avaliação precipitada, só com 45 minutos, mas...; o Pizzi ainda jogou menos, e entrou já com o jogo decidido, mas também gostei de ver, a atitude, com a bola nos pés, e a forma como recuperou defensivamente. Estava curioso, para saber qual seria a posição onde o Jesus ia colocar o Pizzi a jogar, hoje foi a '8', e parece-me que será aí que o Pizzi vai ter minutos... se calhar já na Taça de Portugal na Covilhã.
O jogo estava encravado, e tal como já afirmei o golo do Talisca desbloqueou (com o pé direito!!!)... Foi uma verdadeira arrancada à Enzo, com uma excelente assistência do Derley. No 2.º tempo o Samaris tentou ser mais agressivo, e pareceu o mais inconformado, mas toda a equipa estava bloqueada. Mesmo o Ola John, que acabou por fazer duas assistências, antes do 1.º golo, não tinha conseguido 'entrar' no jogo.
Os destaques individuais, vão direitinhos para o Artur e para o Derley. O 'goleiro' fez várias defesas complicadas na 1.ª parte, não permitindo o golo ao Arouca, que poderia ter sido fatal... demonstrando confiança; o Derley pela assistência, pelo golo, por todas as jogadas onde lutou, pelas faltas que 'sacou', pelos cartões que 'sacou', até pelos dribles que conseguiu... pessoalmente, só acho que lhe falta um pouquinho mais de espontaneidade no remate. Algo que com mais confiança, será mais fácil... Hoje, na 1.º tempo, efectuou um remate, de ângulo apertado, quando tinha linhas de passe no meio... Foi uma decisão duvidosa, mas a um ponta-de-lança espera-se sempre que remata à baliza... e o Derley nos primeiros jogos, parecia que tinha vergonha em rematar, optava sempre pela assistência... hoje parece que começou a perder a vergonha...!!!

domingo, 5 de outubro de 2014

Vitória... esperada

Benfica 38 - 19 Passos Manuel

Vitória expressiva... mais dilatada do que nos jogos de pré-época, o que pode indicar evolução... Nota especial para os mais novos, que estão a ganhar muitos minutos...

Na final...


Galitos 83 - 85 Benfica

Vitória muito difícil, inesperadamente difícil... mas o mais importante foi a qualificação para a Fase Final do Troféu António Pratas, que se vai realizar no próximo fim-de-semana em São Pedro do Sul.
Vamos defrontar a Ovarense nas Meias-finais, e em caso de vitória, vamos encontrar na Final o vencedor do jogo Barcelos-Lusitânia.

Empate... mais um empate !!!

Feirense 2 - 2 Benfica B

Mais 2 pontos perdidos nos últimos minutos... Foi um jogo complicado, o Feirense tem muitos jogadores experientes - apesar dos maus resultados -, e o Benfica não conseguiu assumir o domínio da partida, mas do mal ou menos, o Miguel Santos também não teve muito trabalho...
Como é 'normal' o apitador acabou por ser o desbloqueador da partida, marcando um penalty contra o Benfica!!! Reagimos, e conseguimos dar a volta ao marcador... mas a 7 minutos do fim, voltámos a permitir o empate.
A grande novidade da partida, foi a estreia do Renato Sanches a titular. O Junior de 1.º ano, a pedido de muitas 'famílias' estreou-se nos seniores!!! A exibição do miúdo até foi fraca, mas é exactamente isto que ele precisa neste momento... se ficar somente a jogar no nacional de Juniores, vai pensar que é tudo fácil.

Santos; Semedo, Cardoso, Valente, Rebocho (Andrade, 60'); Lindelof, Amorim; Sanches (Menga, 45'). Guedes (Dawidowicz, 70'), Costa; Fonte