Últimas indefectivações

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Cadomblé do Vata ('coisas estranhas')!!!

"Uma equipa de "Coisas Estranhas" que aconteceram ao plantel do SL Benfica:
GR: Zack Thornton - em 03/04 Camacho pediu um guarda redes a LFV. Teve este americano como resposta. No final do ano não aceitou renovar... coincidências?
DD: Oleg Luzhny - um dos maiores "cabelinhos à fodasse" do futebol mundial foi apresentado e treinou no SLB. Acabou por não ficar por divergências sobre a forma de pagamento: numa fase pré-euro, o Dinamo Kiev pensava que ia ser pago em dólares; o SLB não pensava pagar... simplesmente. 
DC: Simanic - Ailton foi contratado como reforço da equipa para 93/94 e este armário foi comprado para ir com Jorge de Brito a Espanha buscar o JVP... ou deixá-lo incapaz de jogar no Sporting.
DC: Abazaj - albanês que participou numa tournée pelo Brasil onde levamos pancada da grossa de toda a gente. Fez parte duma época em que parecia que o nosso scouting era um autocarro que apanhava pessoal em descampados.
DE: Lúcio Wagner - esteve no SL Benfica, vindo do Corinthians Alagoano na fase brasileira da sua vida. Mais tarde tornou-se búlgaro e chegou a internacional. Podíamos estar aqui a falar de um Lúcio Wagnerov. Andou pelo Alverca, onde foi colega de equipa de... Rui Vitória.
TR: Eydelie - foi um dos pontas de lança do suborno do Marselha aos jogadores do Valenciennes. Esteve no SLB com Artur Jorge e analisando à distância, pode muito bem ter tido a ver com aquela frase poética "quero o Benfica a jogar à Porto" do bigodes.
MD: Leónidas - fez parte da equipa mais feminina do SL Benfica, antes da actual equipa feminina. Tinhamos com o nº 14 o Leônidas Ferreira de Paula Júnior, com o 7 o Arílson de Paula Nunes e com o 21... o Maria Amélia.
MC: Marques - internacional brasileiro contratado ao Atlético Mineiro, chumbou nos testes médicos: acusou um parafuso no pé, quando o que nós precisávamos era jogadores com parafusos na cabeça. 
ME: Washington Rodríguez - um mimalho uruguaio que encontramos nos Estado Unidos. Jogou um particular contra o Real Madrid no Bernabéu onde milagrosamente, só levamos 4 secos e 10 bolas no poste. A equipa utilizada nesse jogo, merece uma pesquisa na internet para todos os que acham que actualmente estamos ao nível dos anos 90.
AV: Camataru - apresentado como um ponta de lança com média de 97 golos por época (ou mais), jogou na comemoração do fecho do Terceiro Anel e foi embora... possivelmente terá sido a primeira vítima da pressão de 120 mil adeptos.
AV: Cláudio Adão - outro atacante de médias de facturação bombásticas, foi apresentado, treinou e fez-se à estrada... literalmente. Depois do Glorioso, passou por mais de 20 clubes.
Suplentes:
André Moreira - uma pré época inteira a treinar e foi para Braga. Por tudo o que se seguiu na carreira dele, foi o melhor que nos podia ter acontecido.
Diaz - Di Maria era muito novo para fazer uma viagem de avião sozinho e por isso tivemos que lhe arranjar um hospedeiro.
Filip Markovic - veio com o mano Lazar. Por sorte, o pai e a mãe já tinham mais de 40 anos, senão tinham assinado também.
Deco - nos tempos áureos do import/export Alagoano, veio com mais meia dúzia. Era o único de jeito e foi o único que baldeamos. Diz-se que foi parar ao FC Porto com a ajuda de alguém que hoje está no SLB... deve ter sido o Rui Vitória. Jung-Won Seo - o popular Tamagochi. Fez uma pré época, ninguém o viu jogar, mas todos ficaram tristes por ter ido embora... no Estrasburgo, que o recebeu, também não acharam piada à nossa dispensa e rapidamente lhe meteram os patins.
Iliev - à primeira vista, não tinha lugar aqui. Era só mais um cepo que por cá andou 2 épocas. Mas foi contratado após um período de treinos à experiência, como se o SL Benfica fosse o Salgueiros. 
Rushfeldt - talvez o mais famoso exemplar da prateleira dos "Ah bom, se é preciso pagar, já não o queremos". Dele ficaram 2 fotos famosas: uma na apresentação com a camisola do SLB vestida à chegada e outra sentado à porta do hotel, carregado de malas, enquanto esperava pelo transfer, à partida."

Isto está muito mal explicado

"Alguém se chateou com a UEFA e decidiu avançar com uma ideia conhecida pela primeira vez em 2016, a criação de uma Superliga Europeia. E não, não foi uma zanga por dá cá aquela palha.
É uma tremenda ameaça à galinha dos ovos de ouro da organização: a Liga dos Campeões. Apesar do aumento de 500 milhões de euros em prémios para o triénio 2018-2021, os clubes mais ricos e poderosos mostram-se insaciáveis.
Querem, basicamente, construir o maior condomínio de luxo da Europa do futebol, afastando os emblemas de liga secundárias para uma periferia rural. Querem ser eles a mandar, querem ser eles a gerar e distribuir as receitas. Numa frase, sabem que com o controlo do negócio podem fazer crescer ainda mais as suas contas bancárias.
O Arsenal confirmou a veracidade dos documentos revelados pelo Football Leaks, mas defende que é apenas um rascunho. O e-mail enviado a Florentino Perez, agora divulgado, aponta para um acordo preliminar. Apesar do financiamento da nova competição ter falhado, os clubes envolvidos neste processo não chegaram a este ponto para abandonar a ideia.
É verdade que todos têm um acordo com a UEFA, mas a resposta de Aleksander Ceferin foi discreta, o tema é tão delicado que justificava uma reacção enérgica. O presidente disse apenas que tudo o que tem sido falado é ficção e acrescentou ser possível que a partir de 2024 passe a haver mais jogos europeus e menos das competições nacionais.
Ou seja, para desmontar a Superliga Europeia, Nyon passou a mensagem que aumentaria os número de jogos europeus, provavelmente criando uma nova competição, e que passaria os dias dos jogos da Liga dos Campeões para o fim de semana, enquanto as partidas dos campeonato nacionais aconteceriam às terças e quartas-feiras.
É pouco. É muito pouco.
É no fundo contrariar a Superliga Europeia, indo de encontro ao que ela quer. Não é bem um não, portanto.
É certo que tão depressa não vai sair fumo branco dos gabinetes, mas fica o aviso do que aí vem. Com uma preocupação evidente para os clubes portugueses."

Liga das Nações

"Críticas que não entendo! Estupendos espectáculos, não joguinhos particulares. Federação e clubes... Sub-21: lição! E a diferença entre habilidade e... técnica

Bem-vinda Liga das Nações. Exactamente assim: bem-vinda! Antes do arranque desta nova competição lançada pela UEFA, e mesmo agora com Portugal entre os 4 finalistas e organizador dessa final four, li e ouvi veementes críticas ao disparate de mais uma prova. Não as entendo.
Primeiro: não há sobrecarga de jogos; toda a fase de grupos decorreu nas datas sempre calendarizadas por FIFA e UEFA para jogos de preparação das selecções.
Segundo: tão óbvio que substituir jogos particulares - amiúde, chachada - por competição a doer é muitsíssimo mais interessante/estimulante para adeptos, jogadores, treinadores, comunicação social! Quem viu Espanha - Inglaterra (2-3), Croácia - Espanha (3-2), Suíça - Bélgica (5-2), Inglaterra - Cróacia (2-1), Alemanha - Holanda (2-2), como exemplos, viu estupendos espectáculos! Todos com ganas de vencer.
E os clubes que mais jogadores dão às selecções também beneficiam: o tempo em que ficam sem eles é o mesmo; e da Liga das Nações advêm notórias mais-valias financeiras (sim, o futebol também é negócio), parte das quais são repartidas pelos clubes.
A nossa Federação está rica? E, se estiver, é mau?! Os seus encaixes financeiros são fruto de excelente trabalho rumo a consecutivas fases finais de Mundiais e Europeus - com pouquíssimos jogadores ainda nos nossos clubes...; nos últimos 25 convocados, apenas 6: Pizzi, Rúben Dias e Rafa (Benfica), Danilo (FC Porto), Bruno Fernandes (Sporting), Cláudio Ramos (Tondela). Todos os outros já proporcionaram enormes receitas... a clubes. Acresce: a Cidade do Futebol - para as selecções de todos os escalões, desportiva e administrativamente - não foi novo-riquismo, sim obra fundamental (sem um cêntimo do Estado); e a FPF é responsável, de lés a lés do país, por todo o futebol não profissional...; e paga o VAR no profissionalismo.
Já agora: FPF está na raiz desta nova prova. Porque o seu líder, Fernando Gomes, é vice-presidente da UEFA; e, sobretudo, porque o seu director-geral, Tiago Craveiro, vice-presidente do Comité de Competições de Selecções da UEFA, é mesmo, o pai da Liga das Nações - ideia que apresentou há 4 anos (na presidência de Platini) e pela qual se bateu até ter êxito.
Para já, competição com sucesso. Dúvidas sobre o próximo ano.. Porque dois ilustres, Alemanha (penúltima campeã mundial) e Croácia (actual vice-campeã do mundo), foram despromovidos à Liga B. Entre tantos de pura elite (só Islândia e Polónia estavam a mais), alguém teria de cair. Vão entrar Suécia, Dinamarca, Bósnia e Ucrânia.
Em Junho, Guimarães e Porto palcos europeus, Portugal, Inglaterra, Suíça e Holanda (França, campeã mundial, e Bélgica falharam por um triz...) irão discutir dirimir conquista da 1.ª Liga das Nações. Excelente aperitivo para imediato arranque de qualificação rumo ao Europeu. Magnífico o já firme hábito de Portugal, campeão da Europa, estar na alta-roda.

Sub-21, que decepção! E, oxalá, que lição! Meninos esqueceram-se que a prova de talento é feita, ou falhada, nos jogos, sobretudo nos decisivos. Atirados para play-off por fracassos face a Bósnia e Roménia, foram ganhar à Polónia, estavam quase no Europeu - aí podendo qualificar-se para os Jogos Olímpicos - e, absurdo!, ficarão em casa, levando 1-3 em Chaves! Sem espinhas, face a polacos com ganas, muito superior capacidade atlética e eficácia. Há décadas digo haver substancial diferença entre habilidade e qualidade técnica. Habilidade exprime-se com 2 ou 3 dribles. Qualidade técnica é não falhar, consecutivamente, passes a curta distância; é fazer, por regra, bons cruzamentos; é saber concluir oportunidades de golo (i o imenso rol de azares nos remates que saíram tortos!); e é, cada vez mais importante, ter boa técnica de cabeceamento (outra raridade nos nossos jogadores). E, claro, há isso de mentalidade, decisiva!
Eis verdades também para os já crescidos, portugueses ou estrangeiros, nas nossas melhores equipas. Que tão frequentemente se queixam de ter falhado um nadinha assim... (alta competição, exige firme qualidade técnica + forte mentalidade/concentração + velocidade e vigor atlético = eficácia).
Oxalá frustração dos sub-21 lhes sirva de lição para excelente carreira que vários deles prometem ter... se aprenderem os motivos deste tremendo falhanço.
Ah!, porquê as nossas escolas de futebol não conseguem formar bons pontas de lança? Há largos anos não sai um, para além de André Silva. Eis um tema que muitíssimo justificam debate e, sobretudo, profunda análise."

Santos Neves, in A Bola

Portugal na "Final four"

"Portugal conseguiu um empate ante a Itália, mas não jogou nada bem. A 1.ªparte foi para esquecer defendendo muito atrás, e não conseguindo sair com bola, foi dominado e subjugado ao domínio italiano, que jogava e procurava pressionar o árbitro para marcar faltas.
O meio campo mostrou debilidade de marcação e capacidade de choque. Na 2.ªparte as coisas compuseram-se e até poderíamos ter marcado. Portugal nota-se que sente a falta de Ronaldo no jogo em profundidade e há uma coisa que não é despicienda, as equipas quando Ronaldo joga, colocam-se em campo de uma forma mais retraída e com mais receio, pois num contra-ataque podem ser aniquiladas.
Estamos na "Final Four", que para nossa alegria vai-se realizar em Portugal e temos mais uma chance de ser apurados para o próximo europeu se não conseguirmos o apuramento directo.
As coisas estão a compor-se para termos Portugal de volta ao topo e Ronaldo brilhar. Vamos ver se para a Bola de Ouro Ronaldo consegue vencer apesar do chauvinismo francês que é de bradar aos céus, ainda recentemente na contagem dos votos estava Modric em 1.º lugar e Varane em 2.º lugar, o que me espanta, pois tem sido um jogador irregular e incapaz de se afirmar , somente pela saída sem nexo de Pepe do Real Madrid conseguiu a titularidade.
Portugal venceu o Euro 2016, quanto a mim sem o merecer, a França foi superior, mas conseguiu-o à custa de uma estratégia bem delineada por Fernando Santos com segurança defensiva, sem excesso de ofensivas vivendo à custa de Ronaldo, até se lesionar e o milagre Éder.
Conseguir o apuramento para a "Final Four" sem Ronaldo e à custa de pragmatismo, só por si, é um êxito.
Portugal soube sobreviver no fio da navalha, desta vez correu bem, mas pode para a próxima correr mal. Perante o que se viu no jogo tinha que seguir esta estratégia, mas sem tanto nervoso miudinho no início do jogo e a tremedeira em que a bola parece que tinha picos. Portugal é um controlador de jogo e sem bola sofre muito. Portugal no jogo com a Polónia teve mais posse de bola, controlou o jogo e cumpriu, mas nota-se a falta de Ronaldo.
A "Final Four" deixou várias vítimas pelo caminho: Itália, Espanha, Alemanha e França. Os finalistas são Portugal, Inglaterra, Holanda e Suíça.
Dia 3 de Dezembro saber-se-á quem calha a Portugal que soube reinventar-se sem Ronaldo, depois de um Mundial pouco conseguido, volta à ribalta do futebol europeu."

Lanças... Atrasos em Pecos e afins...!!!

Benfiquismo (MXVII)

Mãos à obra...!!!

Vitória, mas...

Benfica 4 - 2 Marinhense

Ganhámos, mas estamos a jogar mal, com 2-0 ao intervalo, permitimos o empate no início do 2.º tempo, e só nos últimos minutos garantimos a vitória! Parece que aquele golo no último segundo com os Corruptos fez mal à equipa...!!!
Curiosamente, os nossos golos, foram todos 'grandes' golos!!!

Na próxima jornada, vamos a Barcelos, deslocação sempre complicada, e com a equipa a jogar assim...!!!

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Futebol em forma de 'chouriço' mediático

"Uma demoníaca atrofia mediática onde todos transmitem o mesmo. Uma estupidificação alimentada e alienante. Basta!

1. Não havendo jornada do campeonato de futebol, não há conferências de imprensa dos técnicos das principais equipas e escapamos aos respectivos resumos nos fartos e repetidos noticiários televisivos. Há uma semana, vinha de Beja de automóvel e liguei o rádio para ouvir as notícias. Mal o fiz, apanhei com um desses momentos imperdíveis que consistem nas perguntas e respostas de técnicos e/ou jogadores antes da realização de um jogo. Talvez porque viajasse sozinho, mantive-me escutando um ou dois minutos da conversa, ao contrário do que costumo fazer com a notável invenção tecnológica do controlo remoto dos televisores que sempre me facilita um fulminante dedilhar no dito aparelho. Foi o tempo suficiente para ouvir duas ou três respostas, a última das quais me impediu a remeter a rádio ao merecido silêncio. Fixei-a e aqui a reproduzo textualmente: «Para este jogo, só temos uma maneira de o enfrentar. É enfrentá-lo». Fiquei atordoado com tanta sapiência e pus-me a pensar em formulações retóricas equivalentes. Assim me surgiu a ideia luminosa de que num jogo, seja ele qual for, só existe uma maneira de o ganhar. Sabem qual é? É ganhá-lo. Ler A Bola na versão IPAD tem, entre outras, a vantagem de se ter um arquivo fácil, limpo e rápido para encetar uma procura de um resultado, de uma notícia, de uma entrevista ou de uma conferência de véspera.
Partilho aqui com o leitor, algumas das pérolas ditas por diferentes treinadores nas últimas semanas. Não é minha intenção criticar o que se diz (ou não diz), é antes pôr em causa o interesse da própria liturgia de vésperas. Imagino até quão aborrecido e pouco atractivo é para um treinador repetir-se ad nauseam e quão difícil é dizer algo de novo ou interessante para além dos lugares-comuns e (para alguns) de umas piadinhas ou graçolas na busca de uma manchete. Porque não se trata de individualizar, mas de abordar este sempre maçudo, desinteressante e recorrente evento (como agora se diz para tudo), limito-me a transcrever algumas frases sem referir o seu autor e evitando nomes de clubes (dos próprios ou dos adversários). E parto do princípio que o que vem transcrito no jornal é, selectivamente, o considerado mais importante ou interessante (!) dos muitos minutos que as televisões informativas despendem aos seus directos. Ora vejamos alguns dos muitíssimos exemplos de truísmos e tautologias discursivas que encontrei:
«Os treinadores vivem dos resultados»; «Temos de conhecer o adversário, as suas individualidades, o seu colectivo para percebermos a exigência do jogo»; «Estou agarrado a uma série de conceitos e esses conceitos levo-os para todo o lado, independentemente do sistema táctico»; «Os jogadores sanem o que temos a fazer e qual a nossa filosofia»; «Se não tivermos a bola, temos de ir rapidamente à procura dela e quando a tivermos não a podemos perder porque esta é uma máxima que defendemos»; «Se tivermos de alterar peças, alteraremos»; «A equipa tanto pode jogar de uma maneira como de outro»: «Passo a passo vamos tendo pontos»; «Resultados são resultados, e de qualquer maneira queremos vencer»; «Para ganhar, nós não queremos sofrer golos e queremos pelo menos fazer um»; «Nunca podemos dizer quais os jogos decisivos, porque todos são vistos como finais»; «É um jogo muito importante para nós. Queremos vencê-lo»; O que temos na nossa cabeça são os três pontos»; «Não podemos entrar no jogo a pensar que as coisas se vão resolver só porque se vão resolver»; Temos de escolher os caminhos para desequilibrar a equipa contrária»; «No final é que se fazem as contas»; «Todos os que viajaram estão disponíveis para ir a jogo»; «Vamos ter onze jogadores a jogar e mais sete no banco»; «O jogo teve coisas positivas e menos positivas»; «Sabemos onde estamos»; Não ficamos contentes por perder»; «Nós a querer muito ganhar e, do outro lado, também uma equipa que nos quer ganhar»; «Qualquer jogador tem de estar bem fisicamente»; «Se joga hoje ou se vai para o banco, saberão amanhã». Por aqui me fico, sob pena de não ter mais espaço para outros assuntos.
O futebol jogado conviveu muitos e bons anos sem estas situações e nada de mau lhe aconteceu. Percebo que haja jogos, partidas decisivas, momentos de esclarecimento prévio que até justifiquem um contacto interessante com os media. Mas sempre e a todas as horas, seja o mais insignificante encontro ou o mais decisivo jogo, é que é uma fartura que julgo cansar os protagonistas e nada acrescentar ao que já se sabia. É claro que num pequeno país como o nosso em que há vários jornais desportivos diários (que saudades tenho do tempo em que suspirava para imergir em A Bola!), canais televisivos de notícias que mais são canais de futebol, jornais diários com extenso noticiário da bola, etc. há a necessidade de preencher o aparente vácuo e estas conferências são um oportuno adubo para os chouriços diários, sobretudo nas televisões.
Tenho perguntado a quem trabalha nestes meios por que razão há esta prática conferencista de antes dos jogos. Respondem-me invariavelmente que é por causa das audiências e do respectivo share. «Audiências?», pergunto de seguida. «Sim», é-me respondido. Há muita gente que fica colada ao ecrã a absorver tal matéria. «Talvez seja», remato eu, o que é ainda mais preocupante. Ou talvez seja eu que esteja a ver mal...

2. Ainda à volta da televisão. O que nos foi oferecido, em doses cavalares, a propósito da detenção do ex-presidente do Sporting, é um caso de patologia comunicacional. Foram horas e horas intermináveis entre Alcochete, Barreiro, Montijo, a perorar em contínuo sobre suposições, reposições, maldições. Directos sobre directos, imagens de arquivo repetidas às centenas, notícias de manifestações pró e contra de multidões de dez ou uma dúzia de entusiastas crentes e descrentes. Houve até momentos absolutamente indecorosos e humana e profissionalmente indignos quando foram seguidos confusa e atropeladamente familiares (designadamente os pais) de um dos detidos para lhes perguntarem como se sentiam (!), não respeitando sequer o seu inalienável direito ao silêncio, ou o caso de uma jornalista que perguntou ao advogado do detido junto à porta da polícia... o que é que ele estava ali a fazer! Definitivamente a CMTV passou a comandar esta geringonça mediática. É, agora, o benchmarking dos outros canais (com a excepção da RTP, apesar de tudo mais comedida e selectiva). Em estúdio, comentadores residentes (quase literalmente, se é que não dormem lá) que estão horas e horas a encher o chouriço e - uns mais do que outros - transformados em verdadeiros tudólogos pronunciando-se sobre a bola corrida, a bola parada, a legislação penal, o império da lei, a psicologia social e clínica, a economia clubista, e muito mais. A estes juntam-se uns tantos convidados que andam a saltitar de estação em estação a uma velocidade mais elevada que a minha capacidade de zapping. O país fica suspenso de tão longos e profícuos debates, como se mais nada houvesse de importante. Em especial, dos que metem escárnio e mal-dizer ou destilam golfadas de sangue. O alinhamento dos noticiários afasta para o rodapé pequenas minudências e questões irrelevantes como o Orçamento, o problema do Brexit, o desconchavo da saúde, as questões laborais, etc., etc.
Uma lástima sobre lástimas. Casos judiciários, futebol e actividades criminosas, numa mistura quase monopolista como se o país e o mundo fossem apenas isto. Uma demoníaca atrofia mediática onde todos estão simultaneamente a transmitir o mesmo, sem quase haver direito a uma oferta de diferença. Uma estupidificação alimentada e alienante. Basta!

Contraluz
- Erro crasso:
Um surreal penálti assinalado a favor do Manchester City no jogo da Champions contra o Shakhtar Donetsk em que o avançado da equipa inglesa deu sozinho um pontapé na relva e caiu. Faltou fair play à equipa que melhor joga actualmente no planeta e que ganhou por 6-0 (há dias, aconteceu outro a favor da Sérvia contra o Montenegro). Não havia necessidade... Valha-nos que, depois disto, a UEFA diz estar a ponderar a introdução do VAR nas provas europeias (espero que sem refugo de árbitros, como parece ser aqui o caso).
- Comparação:
Na sua crónica, Miguel Sousa Tavares referiu que eu considerei o Lokomotiv um «adversário fácil», argumentando que não lhe parecia que «fosse mais fácil, ou assim tanto mais, que o Ajax». Tenho de concordar com ele. Todavia, não foi essa a comparação que fiz, entre os adversários do Benfica e do Porto, mas sim relação aos potes do sorteio. Assim sendo, o confronto é entre o Lokomotiv e o Bayern e entre o Schalke e o Ajax. E, se neste último par há algum equilíbrio, é por demais evidente que não o há no primeiro par."

Bagão Félix, in A Bola

Bolha

"1. Os planos para a Superliga europeia de clubes, qual revolta dos ricos, deixariam o futebol dividido em dois: condomínio de luxo e favela. Benfica, Sporting e FC Porto, para citar apenas os casos portugueses, seriam vizinhos, algures no morro.
2. Se «a má-língua é como uma faca que mata», como diz o papa Francisco, então o futebol português é como um filme de Tarantino (também há quem lhe chame tourada para elites).
3. A estrutura do Sporting para o futebol está a ficar maior que a bolha imobiliária de Lisboa. É bom que a operação-coração corra bem.
4. Li que a equipa nacional de curling do Canadá foi expulsa de uma prova pelo facto de os seus elementos estarem embriagados. Haverá outra forma de praticar este desporto?
5. Sérgio Conceição foi multado por chegar atrasado à Flash Interview e não por a braçadeira na segunda parte com o SC Braga. E a barba ligeiramente mal apanhada e a braguilha aberta, será que ninguém viu?!
6. «Queria uma (tocha) para meter no c.... do Paulinho também (...) Um dos problemas é termos um deficiente no clube». Esta mensagem, publicada num dos grupos de WhatsApp dos invasores da Academia do Sporting, mostra o nível desta gente. Tivesse o Sporting mais Paulinhos.
7. Não fosse o abraço de Van Dijk e seguramente que ninguém iria reparar que o árbitro Ovidiu Hategan estava a chorar no final do Alemanha - Holanda, depois de ter recebido, ao intervalo, a notícia do falecimento da mãe. Posso criticá-los muitas vezes, mas também reconheço que é das profissões mais difíceis e ingratas.
8. Goste-se ou não, para o bem e para o mal, Jorge Jesus é um figura incontornável. A entrevista concedida ao meu vizinho André Pipa foi das melhores coisas que li nos últimos tempos. Uma explosão de sabores. E ficámos a saber que JJ tem saudades dos amigos, do peixe e... do Benfica. Quem diria."

Gonçalo Guimarães, in A Bola

Pelo futebol que não cobra por aplausos

"Mais do que as cinzas de fanáticos do Boca Juniors atiradas para o relvado da Bombonera pelos seus entes queridos, que lhes satisfaziam o último pedido.
Mais do que a bandeira de oito quilómetros cosida e empunhada pelos adeptos do River Plate, unindo o Monumental ao velho campo Alvear y Taigle, cobrindo as ruas de Buenos Aires com o maior estandarte do mundo.
Mais do que os cânticos, com bombos e guarda-chuvas. E do que a chuva de papelitos dos recibimientos épicos nesses templos sagrados do futebol argentino.
Mais do que tudo isso, dizia, o que me impressionou no Boca-River da primeira mão da final da Taça Libertadores foi esta foto: um miúdo pendurado nas redes a vibrar com futebol.
Não sabemos o seu nome. Mas também não precisamos de o chamar. É apenas um miúdo tomado por aquela paixão precoce.
«Apenas» é força de expressão. Está lá tudo. Haverá poucas imagens que melhor sintetizem tantos sentimentos num só instante: o fervor e a inocência, a alegria e a ternura, o encanto e o destemor.
Ao vê-lo, recordo uma notícia que li por estes dias sobre Neymar: um documentário da France 2, citando documentos divulgados pelo Football Leaks, revelou que o craque brasileiro recebe no Paris Saint-Germain um bónus de 375 mil euros anuais por aplaudir os adeptos no início e no final dos jogos.
Se é verdade que um magnata disposto a esbanjar petrodólares e um astro mundial podem acordar o que quiserem entre si, também o é que este mercenarismo implícito a cada gesto do futebol pós-moderno está a tornar os adeptos cada vez mais cínicos e a matar-lhes aos poucos a paixão.
Há qualquer coisa de imoral em haver quem quantifique e cobre por gestos tão simples, aparentemente genuínos. Há um mundo de diferenças entre estes dois futebóis, que a separá-los muitas vezes não têm mais do que uma rede ou um fosso.
O antagonismo é gritante.
«Não é possível parar com as mãos os ventos da mudança», dir-me-ão os pragmáticos militantes ou os deslumbrados deste novo mundo.
Mesmo que assim seja, permitam àquele miúdo da Bombonera continuar a acreditar na autenticidade de cada aceno, na veracidade de cada ovação.
Na sua inocência, ele tem por certo aquilo que no mundo dos graúdos devia ser lei: no futebol, os aplausos não se cobram."

Precisamos de mais Fernandos Santos no nosso futebol

"A análise que Fernando Santos fez ao jogo contra a Itália, em San Siro, deixou os jornalistas surpreendidos. Tão surpresos ficaram com a resposta muito técnica do seleccionador que foram depois pouco capazes de explorar, de esmiuçar, de aproveitar a mesma para um festival educacional de futebol muito diferente do tipo de debate que mais vemos por cá.
Estamos habituados a ouvir respostas evasivas; treinadores que têm receio de expor os seus pensamentos e a sua leitura do jogo, o que pediram aos jogadores para reagirem consoante essa mesma leitura; vemos treinadores que têm receio de mostrar a sua posição e o porquê das suas opções, tantas vezes, que quando alguém aparece a falar do jogo, e só do jogo, ficamos boquiabertos. 
Aquilo que Fernando Santos fez, e tem feito quase sempre por cá, é o que deveria ser tema de debate. Porque só com esse tipo de debate, sobre o jogo, conseguiremos evoluir para o próximo nível.
Porquê Pizzi e não João Mário? Porquê William e Rúben Neves em 4-3-3? Como é que podemos tirar o melhor de Cancelo, e protegê-lo do erro? Como é que escondemos as dificuldades defensivas de Raphaël Guerreiro? Porquê 4-3-3? Porque teremos entrado mal? Qual era a estratégia, sabendo-se que a nossa tem sido sempre centrada em Ronaldo? Fomos surpreendidos pela Itália? O que mudou ao intervalo? Porquê Bernardo no corredor central na segunda parte? Por que não Bernardo no corredor central logo de início? Temos algum plano para uma melhor e mais rápida integração de jogadores diferentes como João Félix?
Com este tipo de debate os próprios treinadores terão que estar mais preparados, uma vez que a exigência será superior.
As questões são muitas, e podem daí derivar para muitas outras que nos permitam discutir o mais importante: o jogo. Tornar públicos, generalizados, os debates sobre o como, o com quem, o contra quem, e o porquê; no lugar dos habituais lugares comuns do nosso futebol onde a atitude (falta dela) desce de divisão porque perde 60 dos 34 jogos que disputa no campeonato.
Por isso precisamos do nosso seleccionador no nosso futebol. De homens com coragem suficiente para se deixarem julgar pelas suas ideias, pela força das mesmas, sem discursos demagogos e cheios de alegorias sobre coisas que nada têm a ver com o jogo.
Podemos discordar da leitura e das opiniões do nosso seleccionador ou achar que o seu plano de acção não foi o melhor para a leitura que fez; podemos achar que o nosso jogo não é o melhor para os nossos executantes; podemos não entender as opções que faz para o sistema de jogo e as escolhas para o onze inicial; podemos sentir que ter uma estratégia centrada em Ronaldo não é a melhor solução, ou até achar que o seleccionador não é o homem certo para o cargo.
Mas, nunca poderemos dizer que não queremos Fernando Santos no futebol português. Queremos, e queremos mais treinadores desta estirpe. E para quem tem a possibilidade de questionar o seleccionador, que o façam com o sentido de responsabilidade de melhorar o futebol, de permitir um debate cheio de conteúdo que nos torne mais competentes no entendimento do jogo e das suas dinâmicas; com a premissa de dar mais e melhor a quem ouve e a quem lê."

Entre Palahniuk e Danielovich

"Volodymir Ivanovich Palahniuk tinha um pescoço de cisne. Ou de girafa. Ou mesmo de avestruz. Mas ninguém conhece Volodymir Palahniuk. Enfim, também ninguém conhece Issur Danielovich. E nem um nem outro se preocuparam muito com isso.

Em 1949, Danielovich foi Midge Kelly, em Champion, filme de Mark_Robson, um tipo meio velhaco que tanto dava murros no ringue como golpes baixos nos amigos e nas amantes. Foi obrigado a casar com Emma, a filha do promotor de combates, Tommy Haley, no dia em que o pai da moça os apanhou juntos em flagrante, muito despedidos de preconceitos. E do resto.
Os americanos chamam a isso shotgun wedding. A expressão é suficientemente clara para não precisar de tradução.
Conheci um infeliz que se casou assim. Gabava-se em grupelhos de imberbes que, pelo rondar da meia-noite, saltava pela janela do quarto da namorada e, enquanto a família dela dormia, se dedicavam a ginasticadas imitações das instruções do Kama Sutra. Parece que, dentro do prazer carnal, lhe sobressaía um certo prazer perverso pelo facto de o pai da moça ser um guarda nacional republicano, figura que neste país, nunca gerou simpatias desbragadas.
Prossigo: estão os pombinhos arrulhando ao som do ressonar do sargento (vamos supor que o homem era sargento, para facilitar a descrição da acontecência), com o meu amigo a analisar a namorada sobre o divã, para citar o Hermes de Aquino, quando, de repente, a porta do quarto se abre, e o cristal bonito caiu e quebrou. Que flagra! Qual escurinho do cinema, quais dropes de anis. O sargento, volumoso como manda a regra natural dos sargentos, encheu a ombreira com uma caçadeira na mão e perguntou, ensonado, bocejando: «Então meu jovem, para quando é o casório?».
Volta e meia via-o – o infeliz, não o sargento – a passear no Centro Comercial da Portela com um rancho de filhos atrás.
Volodymir Palahniuk nasceu praticamente dentro de uma mina de antracite, em Lattimer, Pensilvânia. Por isso não teve outro remédio do que ser mineiro. Até ao dia que se fartou e mandou a mina às malvas: tornou-se boxeur profissional. E passou a ser Jack Brazzo.
No dia 17 de dezembro de 1940, Jack Brazzo defrontou Joe Baksi. Joe também nascera praticamente numa mina de antracite, na Pensilvânia, em Kulpmont, mas gostava do nome de baptismo e achou por bem levá-lo para os ringues. Era um peso-pesado de peso, se a expressão me é permitida. E não tinha vontade nenhuma de ser boxeur, apesar de tudo: «Ora, é melhor estar aqui do que no fundo de uma mina», dizia à boca larga. Já Brazzo, ou Volodymir, como quiserem, reconhecia: «Devou estar louco de todo para andar a levar porrada na cabeça por uma miséria de 200 dólares. Acho que vou dedicar-me ao teatro». Ah! Pois… Mas não desatem já a rir a bandeiras despregadas.
O combate entre Baksi e Brazzo teve lugar no Westchester Country Center em White Plains, Nova Iorque. Não foi nada de especial. Nem atraiu multidões. Mas ainda hoje faz parte da história do boxe.
Baksi bateu Volodymir e Volodymir foi para a Força Aérea ganhar corpo para lutar na II Grande Guerra. Tinha a cara tão desfigurada pelos murros que andara a levar nos tempos mais recentes que o obrigaram a uma plástica. Ficou irreconhecível. Para ele próprio. Para todo o mundo ficou reconhecível como poucos. À beira da morte, desmentiu o filme: «Ora, inventam cada coisa. Se era para me reconstruírem a cara, ao menos tivessem feito de mim um tipo bonito». Era um rapaz sensível: escreveu um livro de poemas – The Forest of Love.
Quando foi dispensado da tropa, fez tudo e mais um par de botas: de cozinheiro a empregado de mesa, de salva vidas a modelo fotográfico. E estudava na Universidade de Standford. Teatro, claro! Os tempos de boxeur já se perdiam no poço do olvido quando fez um papel no seu primeiro grande filme: Um Eléctrico Chamado Desejo. Se Volodymir Ivanovich Palahniuk não dava jeito nenhum para combates de boxe, imaginem para encaixar num cartaz a anunciar a película… Ficou Jack. E o Palahniuk passou a Palance. Jack Palance. Em 15 combates tinha vencido 12 por KO.
Issur Danielovich foi campeão do mundo de boxe, mas só como Midge Kelly, o miúdo que saiu das raias da pobreza até ao explodir das estrelas. Em The War Wagon fez de Lomax. Há uma garota que lhe pergunta: «Por que tens esse buraco no queixo?». Ele responde: «Vês este anel? Durmo sempre com ele encaixado aqui». O queixo de Issur faz parte da história do cinema. Não tivesse sido ele o queixo de Spartacus, de Ulisses e de Van Gogh. E de Kirk Douglas. Danielovich também não encaixava nas listas dos elencos. Principalmente como protagonista."

Uma nova agenda para o desporto em Portugal: uma prioridade

"A acção catalisadora para uma nova agenda do desporto deve partir das próprias federações que num esforço de reflexão conjunta possa dar resposta enérgica a questões fundamentais: (1) O que podemos fazer melhor no interior de cada uma das federações e em conjunto, coordenando esforços e aprendendo em rede? (3) que mudanças se devem operar nos organismos de tutela para que o nosso desporto mude as suas referências, a sua ambição e a sua actuação? (4) como podem as entidades privadas cooperar com o desporto, usufruindo, também, desse esforço, para potenciar os seus próprios objectos sociais e empresariais? (5) como podemos incrementar a exposição mediática do Desporto português dando visibilidade a todas as modalidades desportivas de uma forma sistemática. 
São várias as temáticas, cuja relevância deve imperar nesta reflexão conjunta. Entre outras, questões que importam ao desporto e ao papel que o movimento associativo pode ter neste processo, nomeadamente:
1. A afirmação da relevância do desporto na esfera social, educativa, de saúde e económica para além da função utilitária (aumentar a qualidade de vida); financiamento público e privado do desporto em Portugal e das organizações desportivas; mecanismos de descriminação positiva em termos de fiscalidade; repercussão social do desporto e serviço público de Rádio e Televisão; combate à dopagem e a qualquer meio de manipulação artificial do rendimento e resultado desportivo.
2. A representatividade, reorganização das organizações desportivas e a credibilidade do movimento associativo. Assiste-se a uma dispersão de organismos reguladores da actividade desportiva e quase total falta de coordenação entre os poderes centrais, delegados (federações) e autárquicos, com efeitos devastadores na capacidade de se convergir num processo de pensamento estratégico de desenvolvimento desportivo. Há que reflectir sobre: o modelo de organização desportiva nacional e o papel das organizações desportivas neste modelo; papel dos clubes e contributo no âmbito do acesso à prática e no rendimento desportivo; o modelo de partilha de recursos entre as OD’s dotadas de UPD; revisão do estatuto do dirigente associativo, ou voluntário.
3. Autonomia das organizações desportivas. O Desporto é um dos beneficiários, a par da acção social, da saúde e da cultura, dos rendimentos obtidos pela exploração do jogo social. Durante a última crise financeira o desporto viu cortada a sua dotação orçamental, apesar do aumento das receitas do jogo social e até hoje os valores deste corte financeiro não foram repostos. Por outro lado, a boa governança dos organismos desportivos é um tema central da nossa vida associativa e transversal a todas as áreas da actividade humana. Importante equacionar a implementação de modelos de financiamento e mecanismos de controlo de resultados plurianuais devidamente avaliados com a tutela, assim como modelos de certificação de boa gestão-governança das organizações desportivas. 
4. O sistema desportivo e a ligação ao sistema educativo e laboral. Apesar do índice de participação desportiva ter subido nos últimos anos, ainda não possuímos um número mínimo/suficiente de praticantes para a obtenção de grandes resultados, de uma forma consistente e tendente à construção de uma indústria potenciadora de visibilidade e apoios relevantes. Necessária a requalificação da prática desportiva juvenil e programas de massificação/democratização de prática desportiva: pela valorização progressiva da Educação Física e do Desporto Escolar no sistema educativo; pela aproximação entre o Desporto Escolar e Federado; pela implementação do ensino articulado do desporto (a exemplo do que acontece com o ensino da música e da dança); pela expansão das experiências piloto das UAARES ao território nacional e extensão, com particular acuidade, no ensino superior; pela estabilidade profissional/emprego na pós-carreira.
5. Alto rendimento desportivo. Quando olhamos para os resultados finais dos três últimos Jogos Olímpicos, verificamos que há, em média, 86 países que ganham medalhas e 119 que não ganham. Portugal tem que decidir se quer fazer parte do primeiro ou do segundo grupo. As medalhas planeiam-se à distância de dois ou três ciclos olímpicos e, cada vez mais, exigem uma estratégia a diversos níveis: filosofia de AR, coordenada entre estado, COP e federações desportivas; avaliação da preparação e acompanhamento dos atletas de alto rendimento desportivo e do projecto preparação olímpico e paralímpico; utilização de infraestruturas desportivas públicas por parte dos atletas de alto rendimento desportivo sem custos; deslocalização de atletas de alto rendimento desportivo para sistemas de preparação desportiva com resultados comprovados à escola olímpica ou importação de modelos de preparação desportiva comprovados.
6. Formação de Recursos Humanos. Qualquer política que seja formulada para o desenvolvimento do desporto português deve encarar a formação de quadros como um factor incontornável não só de treinadores assim como outros agentes desportivos. Mudanças são imperiosas diferentes níveis: orgânico/estrutural/Apoio IPDJ (plataforma dedicada ao PNFT, PRODesporto e plataforma logística de ensino a distância); estrutura e graus (modelo para os técnicos do Desporto Adaptado; carreiras verticais em cada nível de formação; formação pré-qualificada de treinador); Formação propriamente dita (Referenciais de formação, tipologia das unidades de formação e carga horária aplicada às componentes de formação geral e específica, Manuais de formação; Estágios/formação contínua (estágios devidamente estruturados, especialmente para o caso do RVCC); Fiscalização (competências de fiscalização no âmbito do TPTD; reconhecimento formação académica; reconhecimento e certificação da formação efectuada por empresas privadas com fins lucrativos). 
Estes são alguns dos muitos temas que competem ao desporto uma análise profunda."

Leonor & José Nuno... Entretenimento!!!

Benfiquismo (MXVI)

Meias amarelas?!

terça-feira, 20 de novembro de 2018

105x68... Selecções e o regresso...

Alvorada... do Vicente

Para lá do murmúrio dos despeitados

"Ribeiro dos Reis foi uma figura ímpar do Benfica e é, por vezes, injustamente esquecido. A sua importância na construção do futebol do clube é irrevogável. Como jogador e como técnico. E até como dirigente.

Conheci muito bem a Dra. Margarida Ribeiro dos Reis. Era proprietária da velha A Bola e uma pessoa interessantíssima. Muitos adeptos do Benfica recordar-se-ão de a ver entregar a Bola de Prata a vários jogadores encarnados, no antigo Estádio da Luz.
A Dra. Margarida, também ela benfiquista ilustre, era filha de uma das grandes figuras da história das águias e muitas vezes injustamente esquecida: o tenente-coronel Ribeiro dos Reis.
António Ribeiro dos Reis foi um casapiano, tal como o seu grande amigo e companheiro de muitas jornadas Cândido de Oliveira. Depois estudou no Liceu Pedro Nunes, à Estrela.
Adorava futebol. E era empreendedor como poucos. Quis organizar uma equipa de alunos para participar no Campeonato de Lisboa de futebol de quartas categorias. Não conseguiu. Foi para o Benfica.
Todos os domingos, Ribeiro dos Reis, por amor ao jogo inventado pelos ingleses e por paixão pelas camisolas vermelhas, ia a pé de Santo Amaro, onde morava, até Sete Rios. Jogava com um entusiasmo cativante. Depois regressava pelo mesmo caminho. Sem dinheiro para uma botas de futebol, usava as do dia-a-dia. Mas forrava-as de pano para garantir que sempre duravam mais uns tempitos...

Uma alma de campeão!
Em 1913, Novembro, estreou-se pelas primeira categorias do Benfica. Vitória sobre o Sacavanense por 8-0. Nessa época, o Benfica foi campeão invicto de terceiras categorias, e Ribeiro dos Reis foi titular na maior parte dos jogos. E ainda foi fazer uma perninha às segundas categorias e ao desempate entre Benfica e Sporting pelo título depois de terem chegado ambos ao fim igualados na tabela. O Benfica ganhou 3-0, Ribeiro dos Reis marcou um golo e açambarcou outro campeonato na mesmíssima época. Tinha alma de campeão!
Ribeiro dos Reis não se divida apenas pelas várias categorias do futebol encarnado.
Fazia, como sempre fez, mil e uma coisas.
Foi, sobretudo, um enorme jornalista que passou pelas páginas do Sport Lisboa logo a partir de 1914. As suas análises profundas sobre as influências sociais e económicas do desporto na vida dos cidadãos portugueses deixaram os seus leitores sem dúvidas quanto à craveira intelectual que possuía. Foi um dos fundadores de A Bola.
Avancemos no tempo cerca de 30 anos.
O Sport Lisboa e Benfica promove uma enorme homenagem a Ribeiro dos Reis.
Neste mesmo jornal que tem hoje em mãos, escreve-se: 'Rendeu-se homenagem vibrante, sincera e grandiosa, mas sem o falso esmalte protocolar, a alguém do desporto nacional, homem do espírito forte e forte acção, que tem lutado sempre com a mesma fé, indiferente à maledicência, alheio ao manejo da baixa política desportiva. Os murmúrios dos despeitados e dos maldosos nunca o fizeram vacilar no caminho recto'.
Ribeiro dos Reis soube ser superior aos que quiseram envolvê-lo em mesquinhces. Até quando abandonou pelo seu próprio pé o cargo de seleccionador nacional, ele que fora o primeiro treinador a conseguir uma vitória com Portugal, contra a Itália, em 1925.
Durante onze anos foi jogador das primeiras categorias do Benfica. Em fases diferentes da carreira, esteve cerca de oito anos como treinador do clube.
Atingir a sua grandeza não está ao alcance de qualquer um.
A sua grandeza de carácter que o fez agradecer assim ao Benfica num dia sem regresso 'Os nossos actos seguem-nos. Hão-de ser sempre a nossa força moral. Acabo de ouvir tão lisonjeiras apreciações à minha actividade no campo desportivo e o meu orgulho está precisamente no facto de não enjeitar nenhum dos meus actos. Trouxe-se demasiado à boca de cena o indivíduo. É justo esbater a sua figura para fazer surgir em seu lugar a colectividade em que se formou, em que ele se fez gente. As homenagens que me foram prestadas endereço-as ao Benfica, em cuja escola de virtudes temperei o meu carácter'.
E que carácter!"

Afonso de Melo, in O Benfica

Grão a grão organiza-se uma coleção

"A Secção Cultural idealizou, os benfiquistas fizeram acontecer e o acervo do Clube ficou mais rico

'Vamos (...) organizar uma grande colecção de emblemas desportivos de todo o Mundo!'. O mote foi lançado pela Secção Cultural e os benfiquistas aderiram em massa.
A ideia há muito que germinava na mente dos membros da Secção e, no início de Outubro de 1957, através do jornal O Benfica e do suplemento Cultura e Desporto, foi partilhada com os benfiquistas. Rapidamente sócios e adeptos, de Portugal e do estrangeiro, e até 'filiais e delegações espalhadas pelo país e pelas províncias ultramarinas' endereçaram ao Clube as suas ofertas. A secção Cultural, grata pedia: 'todos os espécimes que tenham a amabilidade de nos enviar deverão vir devidamente identificados. Desta maneira, poupam-nos trabalho (trabalho moroso e, por vezes, infrutífero devido à impossibilidade de identificação) e garantem-nos mais a autenticidade da mesma identificação'.
No final desse ano, e 'excedendo as nossas conjecturas iniciais', já haviam sido 'registados e devidamente identificados 286 emblemas' e o primeiro estojo-mostruário, com 'exemplares de colectividades desportivas portuguesas', exposta 'na vitrina dos novos troféus, na Secretaria'. Os envios prosseguiram e, durante mais de 10 anos, chegaram ao Clube emblemas provenientes dos quatro cantos do mundo, tendo sido o último um emblema do então já extinto Grupo Desportivo do Coliseu dos Recreios, registado em meados de 1969. Entre as ofertas, destaca-se um 'emblema do Grupo Sport Benfica ofertado' pelo então 'sócio n.º 1 do nosso Clube - o sr. Luís Joaquim Gato'.
Mas esta iniciativa não serviu somente o Benfica. 'Por intermédio de um sistema de trocas', também os coleccionadores particulares da especialidade puderam enriquecer as suas colecções.
Os estojos-mostruários com os mais de 1500 emblemas que compõem a colecção - organizados segundo o 'critério adoptado desde o início da colecção - agrupar por nações os emblemas nos estojos-mostruários', 'sem distinção de etnias e de posições na escala de valores desportivos' -, assim como os emblemas repetidos, encontraram-se em reserva no Departamento de Reserva, Conservação e Restauro. No Centro de Documentação e Informação, encontram-se os documentos de arquivo associados à colecção 'Emblemas de Todo o Mundo'."

Mafalda Esturrenho, in O Benfica

Chama Imensa... Cashball, Alzheimer, Finanças, Selecções, desLiga...