Últimas indefectivações

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

ECA

"A eleição de Domingos Soares de Oliveira para o Conselho Executivo da Associação Europeia de Clubes (ECA) e a renovação dos mandatos de Paulo Gonçalves e de Miguel Moreira naquele importante organismo internacional constituem a maior vitória do Sport Lisboa e Benfica nos últimos meses. Estes três dirigentes da nossa SAD dispensam apresentação. Os seus curricula são bem conhecidos. Na passada terça-feira, em Genebra, foi julgado o prestígio do Glorioso e dos seus altos quadros.
A ECA foi criada em Janeiro de 2008, após a dissolução do Grupo G-14 e do Fórum Europeu de Clubes da UEFA, e trata-se de um organismo autónomo e independente que representa directamente os clubes de futebol da Europa. O seu objectivo é muito claro - promoção e protecção dos 230 membros de 54 federações da UEFA.
Em curso está o importante memorando de entendimento assinado, em Março de 2012, entre o então presidente da ECA, Karl-Heinz Rummenigge, e o líder da UEFA, Michel Platini. Até 31 de Maio de 2018 terá de ser finalizado o trajecto para um relação frutífera entre os clubes europeus e a UEFA, sempre com o propósito de um melhor balanço entre o futebol nacional e o futebol de clubes.
Em cima da mesa estão quarto dossiers complexos - calendário internacional de jogos, seguros dos salários dos jogadores, partilha dos lucros do Euro e a gestão. São quatro tópicos que irão obrigar a muita reflexão, muita diplomacia e muito savoir-faire dos 15 membros do executive board da ECA. 
Até 2019, Domingos Soares de Oliveira irá, seguramente deixar a marca de qualidade da gestão do SL Benfica, e o futebol português sairá bastante prestigiado."

Pedro Guerra, in O Benfica

Muito mais perto do Penta

"A incoerência dos nossos adversários chega agora a um apogeu nunca antes atingido. Mas eles, e só eles, têm razões mais do que suficientes e bastante claras, até para se porem a ver o mundo ao contrário, quanto mais para renegarem a pura realidade dos factos, ou para qualificarem como branco aquilo que é evidentemente preto. Aquilo, por aquelas bandas, está muitsíssimo mais negro do que o fogo de artifício que fazem rebentar pode dar a entender, e não têm mesmo outro remédio senão servirem-se de todos os estratagemas para iludir a realidade e tentarem desviar as atenções dos respectivos apaniguados relativamente aos riscos da derrocada.
Inventam tudo. Começaram por bramar, com os seus pelotões de 'idiotas úteis' na Comunicação e nos futebóis-de-segunda, que era preciso nomear outros responsáveis para a Liga, para as suas comissões e para as estruturas dos árbitros: quem lá estava não lhes servia! Então, arrebanharam os votos necessários e puseram quem lá queriam... O Benfica conformou-se. Logo depois, deitados na doce caminha de algodão das respectivas tropas fandangas nas TV, nas rádios e nos jornais, exigiram e plenos pulmões que se experimentasse o videoárbitro: Federação foi na conversa e (por que não?) o Benfica respeitou. Por fim, acasalaram mesmo. À descarada, consumaram o acto: um, por cima - o Futebol do Porto; e o outro, por baixo - submisso e perfilhado, o pequeno clube do Campo Grande.
O Benfica, enorme, tudo observa e anota com serenidade: enquanto lhes for possível, eles mais cantarão de galo, mesmo até à afonia, sempre que lhes dermos ensejo a uma qualquer réstia de ilusão. É por isso que nos devemos manter unidos, enquanto vamos trabalhando ao ritmo dos verdadeiros campeões. Para eles, o grande problema, a essencial questão, é que, no jogo puro que se joga dentro das quatro linhas, continuamos nós muito mais perto do Penta do que qualquer um deles há de ter o ensejo de poder, sequer, recomeçar uma contagem..."

José Nuno Martins, in O Benfica

Jurgen Klopp

"Jurgen Klopp é indiscutivelmente um dos treinadores mais carismáticos da actualidade. Essa sua qualidade advém-lhe do facto de ser um dos treinadores mais 'colunáveis', pois aparece em tudo o que é coisa importante e, mesmo, realiza muitos anúncios e afins na indústria do entretenimento. Por todas estas razões é mundialmente conhecido, mas, obviamente, foi o futebol que lhe começou a dar conhecimento na indústria do entretenimento.
No entanto, o seu comportamento no último fim-de-semana foi muito mau, aliás, mau de mais. O jogador Mané teve uma entrada violentíssima sobre o guarda-redes Ederson, numa disputa de bola. Já todos sabemos que o guarda-redes Ederson faz parte daqueles 'malucos' que são destemidos na vida e, por isso, são dos principais candidatos a ser agredidos! E bem à imagem da realidade da vida de hoje! Se te metes em atalhos, metes-te em trabalhos, e por vezes acaba mal!
Todos nós sabemos que o futebol é um desporto de contacto, mas, quando o contacto corre mal, existem as regras que, se forem violadas, têm as suas sanções estendidas ao longo dos 'cardápios' regulamentares.
Uma entrada violenta é quando um jogador se lança com um pé ou os dois pés para frente, quer seja de frente ou às costas do jogador que tenha a bola sem tocar esta última; ou quando se atira com clara intenção de parar o jogador de forma violenta e sem se importar em que na acção toque ou não toque a bola.
Ora, o atleta Mané tem obrigatoriamente de saber que se eleva a sua perna, e concomitantemente o seu pé, porque este está colado à perna, na direcção da cara de um guarda-redes, só pode dar em 'porcaria', caso o guarda-redes chegue primeiro à bola, como chegou!
Mesmo que não fosse intencional, há excesso de temeridade, a não ser que Mané não tenha noção do que uma perna, com um pé calçado com 'pitons' de alumínio, possa fazer na cara de alguém! O jogador foi expulso e abanou a cabeça várias vezes em sinal de desagrado! Jurgen Klopp criticou a decisão do árbitro, mesmo já de 'cabeça fria' na sala de imprensa, e disse que era para amarelo!
Eu sei que conduzir um Opel é uma grande aventura e dá-nos uma sensação de poder, mais a mais quando se é oriundo do país poderosíssimo que é a Alemanha e que manda nisto tudo graças à indústria automóvel! Daí que o seu espírito possa estar desajustado da realidade.
Mas daí a considerar que o pontapé na cara de Ederson foi apenas uma situação de lana-caprina, vai a distância da intenção e do resultado!
Eu não queria matar! Cai em cima da vítima!"

Pragal Colaço, in O Benfica

Linha e horizonte

"A fatwa é, segundo as explicações disponíveis, um pronunciamento legal do Islão emitido por um especialista em leis religiosas. Ao longo da história já existiram inúmeras fatwas sobre os mais diversos temas. A mais controversa foi lançada pelo então líder do Irão, ayatolah Khomeini, em 1989, ordenando a morte do escritor britânico de origem indiana Salman Rushdie por este ter escrito o livro Versículos Satânicos, considerando que a obra não passava de uma «blasfémia contra o Islão». Além disso, Khomeini condenou Rushdie por apostasia, ou seja, fomentar o abandono de fé islâmica. O ayatolah ordenou a todos os «muçulmanos zelosos» o «dever» de tentar assassinar o escritor e, por força disso, Rushdie foi forçado a viver no anonimato durante 13 longos anos.
O futebol, para muitos, é uma religião e seu clube a sua crença maior. O fanatismo, em qualquer das suas dimensões, sempre existiu e, provavelmente - a não ser que existia um enorme progresso civilizacional - sempre existirá.
Em psicologia, um fanático apresenta determinadas características. A saber: agressividade excessiva; preconceitos variados; estreiteza mental; extrema credulidade quanto a um determinado sistema; ódio; sistema subjectivo de valores; intenso individualismo.
Não se espera de um canal de informação de um clube (não necessariamente um televisivo), ou de um adepto - ainda por cima pago para desempenhar aquele papel - isenção na análise aos assuntos, até porque a paixão, muitas vezes, tolda a razão. Pode não se pedir isenção, mas julgo que se deve exigir ponderação, até porque há sempre um exército mentecapto altamente disposto a perseguir os infiéis.
O pronunciamento de uma fatwa está num horizonte, apesar do ambiente reinante, imensamente longínquo, mas quando já se discute linhas e respectivas espessuras, este fica cada vez mais perto."

Hugo Forte, in A Bola

Só interessa quem ganha!

"Já todos sabemos que a avaliação do rendimento dos jogadores ou dos treinadores, é feita, na esmagadora maioria dos casos, em função do resultado. Se a equipa ganha, está tudo bem, protegem-se os erros. Na derrota, só mesmo alguns (muito poucos) são protegidos. Os guarda-redes, por exemplo, são muitas vezes alvo de análises feitas com pouco conhecimento. Quanto maior a dimensão da equipa maiores os disparates que se dizem sobre esses jogadores. Se recordamos o que se passou com Damas ou Bento e nos lembrarmos do percurso de Rui Patrício e do que se passa agora com Bruno Varela, percebemos que a crítica tem semelhanças. Com a mesma facilidade com que se diz que devia ter defendido o penalty, exige-se que agarre a bola e talvez até só com uma das mãos. A culpa tem sempre de ser de alguém para que outros sejam protegidos. Trate-se de jogadores, treinadores ou dirigentes.
Esta atitude de só interessa quem ganha também contagiou, de há anos a esta parte, muitos dos decisores deste nosso futebol, que não conseguem perceber que estão a ajudar a aumentar o fosso entre os competidores e a diminuir a competitividade da Liga.
Com uma semana de antecedência propõe-se a calendarização entre a 6.ª e a 14.ª jornadas do campeonato, o que significa que no passado dia 8 ficámos a saber que jogamos a 15, ou seja, hoje. Isso implica, para as equipas que têm que viajar, alterações forçadas nas suas agendas e os mais afectados são sempre os que têm menos recursos. Mas isso não é importante; importante são os que devem ganhar.
Um dia, talvez a Liga seja disputada só pelos que a podem vencer. Talvez se perceba então a falta que fazem os outros. E talvez esses outros percebam que são a maioria. E talvez a maioria perceba então que deve entender-se. Talvez um dia. É pena!"

José Couceiro, in A Bola

George Orwell foi ao futebol

"Pode não passar de fumaça, mas, pelo menos, o povo que é tradicionalmente sereno, tem razões para ficar desconfiado. Ao que parece, e foi o secretário de Estado do Desporto a dizê-lo, o Governo está a equacionar a possibilidade de vir a proibir a realização de jogos de futebol da Liga e Liga 2 em dias de actos eleitorais. Isso mesmo, aos portugueses estará para ser passado um atestado de menoridade, como se ao fim de 43 anos de democracia as pessoas não soubessem tratar de sua vida cívica e deixassem de votar pelo simples facto de, nesse mesmo dia, assistirem a um jogo de futebol. Sim, de futebol e só de futebol profissional, porque como disse o secretário de Estado ao Expresso, as restantes modalidades (que são profissionais!) não estão organizadas numa Liga.
Se tudo isto não representasse uma tragédia quanto a alguns dos nossos governantes seria, sem dúvida, motivo de grandes gargalhadas. Como dizia ontem Vítor Serpa, no Quinta da Bola, «não pode haver futebol mas o Tony Carreira pode, se quiser, realizar um concerto para cem mil pessoas», evidenciando o ridículo atroz de tudo isto.
A fazer fé no secretário de Estado do Desporto, todos os espectáculos, mesmo os desportivos, continuariam disponíveis, excepção feita ao futebol da Liga e Liga 2. A isto dá-me um nome: discriminação.
E se tal disparate não for travado por quem, no Executivo, tiver melhor discernimento, provavelmente não passará no crivo do Palácio Ratton, onde não é suposto aceitar-se que todos sejam iguais mas alguns sejam mais iguais que outros. Aliás, invocar aqui e agora e emblemática obra de George Orwell parece extremamente apropriado..."

José Manuel Delgado, in A Bola

Benfiquismo (DXCVII)

Sorrisos...

Aquecimento... a luta

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

O que Fejsa dá e que só ele consegue dar

"- Até que ponto a ausência de Fejsa está a afectar a qualidade geral do futebol do Benfica?
Afecta em dimensão semelhante ao que acontece quando o Real Madrid não tem Casemiro ou quando o FC Porto não tem Danilo. Há jogadores que têm características tão raras e tão específicas, que é nas ausências que se tornam mais notados.

- Faz sentido concluir que Fejsa é o jogador mais influente da equipa?
É o mais importante para atingir o equilíbrio defensivo. Só a partir dessa condição – de maior segurança e conforto – é possível elaborar, construir e procurar desequilíbrios no último terço sem temer o que possa acontecer após a perda de bola.

- Não há plano B?
Haver, há. Mas não há nenhum plano B que seja o ideal. Para a ideia preferencial de Rui Vitória – que passa por envolver o maior número possível de jogadores no processo ofensivo, com os laterais muito subidos –, um 6 como Fejsa é uma espécie de seguro de vida. Samaris e Filipe Augusto têm um perfil muito diferente. De tal maneira que o grego até pode ser central e o brasileiro até pode ser 8. Fejsa, esse, é que só pode ser aquilo que é.

- O que se perdeu desde a lesão de Jardel?
Perdeu-se o central com melhor saída de bola, o mais rápido em campo aberto e aquele que permite ter a linha defensiva mais adiantada. Nesse jogo com o Rio Ave, aliás, o Benfica sofreu o golo (Lisandro, na própria baliza) já sem Jardel em campo. Até esse dia, a época do tetracampeão era 100% vitoriosa: 4 jogos/4 vitórias. Para além dos resultados, há ainda uma questão lateral que não é insignificante: sem Jardel (e também sem Fejsa!), Luisão fica demasiado exposto e à mercê de duelos individuais, num contexto que naturalmente não o favorece.

- Lisandro López foi substituído nos últimos dois jogos. Sinal de desconfiança?
Se não é, parece. Mas se lembrarmos que foram Samaris e André Almeida a terminar a central com Portimonense e CSKA, respectivamente, essa sensação ainda sai reforçada.

- Alguns observadores vêm dizendo, nos últimos dois anos, que o maior problema do Benfica de Rui Vitória é a ausência de um processo de jogo. Será?
Não. Nenhum treinador português – a trabalhar em Portugal ou no estrangeiro – venceu tantos jogos nos últimos dois anos quanto Rui Vitória. Só Leonardo Jardim se aproxima e, mesmo assim, tem menos seis vitórias. Um registo destes é impossível de alcançar sem um processo de jogo definido, trabalhado e desenvolvido. Mesmo treinadores de outras nacionalidades que tenham mais de 81 vitórias desde o início de 2015/16… não é fácil descobrir.

- Houve falhas na construção deste plantel?
Provavelmente, sim. A renovação até estaria facilitada porque se soube demasiado cedo que Ederson, Nélson Semedo e Lindelöf estavam de saída. Houve alguns erros de análise difíceis de entender. Pedro Pereira, por exemplo, estava a trabalhar com o plantel principal desde Janeiro e só perto do fecho de mercado se percebeu que ainda não estava preparado para lutar pelo lugar que Nélson Semedo deixou em aberto. O mesmo se passou com Hermes, embora aqui com menor impacto na planificação, porque o titular da época passada (Grimaldo) iria continuar.

- E Bruno Varela? Está à altura da herança de Ederson?
Não está ele e dificilmente poderia estar alguém, porque Ederson é um caso à parte – talvez já entre os 3 melhores guarda-redes do Mundo. A situação de Bruno Varela é interessante: não é ele o problema do Benfica, mas também ainda não é a solução.

- O que se deve esperar dos outros dois guarda-redes?
O ideal, para Rui Vitória, seria que se concretizassem duas impossibilidades: no caso de Júlio César, que o tempo andasse para trás; no caso de Svilar, que o tempo andasse para a frente.

- Jonas foi substituído com jogo empatado (1-1). Porquê?
Só se percebe a substituição se o brasileiro estivesse limitado do ponto de vista físico. Aliás, terá sido também essa a razão por que fez uma exibição tão desinspirada. Na época passada, nunca foi substituído com o jogo empatado. Já agora, o elevado número de lesões também é um tema que merece reflexão: não estarão a ser em demasia?

- Há razões para alarme?
Não. Na primeira época de Rui Vitória na Luz (2015/16) a equipa chegou a Novembro ainda à procura da melhor definição. Estamos em Setembro."

Ippon de uma vida

"Nunca falei com Célio Dias, mas sou sua amiga virtual. Uma vez, talvez um pouco antes dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro do ano passado, enviei-lhe um pedido de amizade pelo Facebook, que aceitou. De então para cá comecei a seguir as suas publicações, apenas acessíveis aos amigos, os virtuais e os outros, e acompanhei, quase em directo, a sequência de publicações que o judoca do Benfica fez nos últimos dias. Com preocupação, diga-se.
O Célio tem vindo a mostrar de há alguns meses a esta parte, talvez logo depois dos Jogos Olímpicos, um desequilíbrio emocional crescente. Certamente tinha expectativas elevadas para a competição, mas foi eliminado ao primeiro combate por um atleta do Benin e regressou a casa triste, humilhado, frustrado. Prometeu reerguer-se mas nunca o fez. Refugiou-se nos livros, na filosofia, só que o seu discurso foi ficando cada vez mais confuso, incoerente. E preocupante.
Há poucos dias, já depois de ter sido 9.º no Campeonato do Mundo, em Budapeste, fez uma série de ‘posts’ em que deu asas à revolta e não poupou ninguém: o Benfica, o Comité Olímpico, a Federação, a família, os amigos, os conhecidos. Usou palavras pouco simpáticas, fez ameaças, considerações sobre a sua vida pessoal, sobre a vida pessoal de outras pessoas… A realidade é que entrou numa espiral depressiva preocupante e precisa de ajuda. Urgente!
O que o terá levado a este alarmante estado de espírito só o próprio e os que lhe são mais chegados podem saber. Terá sido a pressão dos resultados? Problemas pessoais, familiares ou de saúde?
O Célio tem apenas 24 anos e está internado. Torcemos para que recupere depressa. A boa notícia é que o atleta e a sua família não têm de lidar com tudo isto sozinhos. O Benfica não o abandonou – renovou-lhe inclusivamente o contrato há pouco tempo ; o Comité Olímpico e a Federação acompanham de perto a situação e os amigos mais chegados, mesmo tendo estado na sua ‘mira virtual’, vão certamente perdoar-lhe os devaneios e ajudá-lo neste combate, decerto o mais importante da sua vida. Que ganhe por ippon e que regresse em força, pois gostaríamos de o ver nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020.

O ténis nacional pode viver este fim de semana um dos seus melhores momentos de sempre: se vencer a Alemanha, Portugal apura-se pela primeira vez na história para o Grupo Mundial da Taça Davis!
A Alemanha traz Boris Becker (na qualidade de director técnico nacional), mas não conta com os irmãos Zverev nem com Philip Kohlschreiber. Continua a ser uma equipa forte, é um facto, mas não deixa também de ser teoricamente mais acessível. Amanhã, sábado e domingo todos os caminhos vão dar ao Jamor!"

Mourinho

"Mourinho recusou cumprimentar Mark Hughes, no final do jogo entre o Stoke City e o Manchester United. Mark Hughes não compreendeu a recusa de José Mourinho. Estes ingleses têm a mania da superioridade e não aceitam que um treinador português seja dos melhores do mundo.
Durante o jogo empurrou Mourinho, por ele ter entrado na sua área técnica, o pior de tudo, insultou-o dizendo "vai-te f*** ". Para além disso, passou o jogo a pedir ao árbitro para expulsar o José Mourinho. Mark Hughes é que deveria ter sido expulso e sancionado.
Não estando contente, no final do jogo, a televisão captou o mal-educado Mark Hughes a insultar, de novo, Mourinho: "olhem só aquela cara de cu" e apontou para Mourinho. Mourinho impávido e sereno, o que não é normal, cumprimentou todos os elementos da equipa técnica do Stoke City, menos Mark Hughes.
Ele fala inglês e talvez tenha pensado que Mourinho não o percebesse! Ao invés, se Mourinho o tivesse insultado em português, o inculto do Mark Hughes até poderia pensar que era um elogio. Se Mourinho dissesse: "tem cuidado meu filho da p*** ". Porventura, ele até poderia pensar que o estava a elogiar. Há muita gente que não gosta de Mourinho. Eu gosto sobremaneira, por ter personalidade e neste episódio, mais uma vez, não se deixou calcar. Mourinho está mais calmo e sereno, desta vez, reagiu com diplomacia e deu a Mark Hughes uma bofetada de luva branca deixando-o a falar sozinho.
Mark Hughes alega que Mourinho empatou e estava zangado. O que se esqueceu de dizer é que Mourinho o ignorou e não fez caso, todavia treina uma das melhores equipas do Mundo - Manchester United. Mark Hughes foi um bom jogador e como treinador não tem passado da mediania.
Os ingleses têm a mania que são superiores aos outros, são antipáticos, sarcásticos e bebem demais. Mas, também, são mal-educados e não aceitam que venha alguém de fora e seja melhor do que eles. Ainda vou ver, um dia, Mourinho ser o seleccionador inglês.

Nota: Sporting enorme. Benfica perdeu uma oportunidade. Porto veio ao de cima as suas limitações."

Alvorada... com o Zé Nuno

Benfiquismo (DXCVI)

Na luta...

Lanças... Falcatruas & afins

Os deuses não estão satisfeitos com o movimento olímpico

"A 2 de Outubro de 2008 a comunicação social no Brasil noticiou que Arthur Nuzman acabara de ser eleito, por mais quatro anos, para presidir aos destinos do Comité Olímpico Brasileiro (COB). Tratou-se de uma eleição fundamental para Nuzman na medida em que, com grande probabilidade, significava que ia ser ele a presidir aos destinos da organização dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro (2016) cuja decisão seria tomada pelo Comité Olímpico Internacional (COI) no ano seguinte. E assim aconteceu. Nuzman, para além de membro do COI e de presidir ao COB, porque os deuses ouviram as suas preces, acabou a presidir à Comissão Organizadora dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Todavia, os deuses só atenderam às preces de Nuzman porque o desejavam castigar.
E porque é que deuses o desejavam castigar?
O que aconteceu foi que, sem ter avisado devidamente e em tempo útil os eleitores, isto é, os presidentes das Confederações, de que o ato eleitoral se ia realizar, Nuzman desencadeou um processo do qual só ele podia sair vencedor. Em conformidade, apenas publicou editais no Jornal dos Sports, do Rio de Janeiro, e no Jornal do Comércio, de Pernambuco. Em consequência, muitos presidentes das confederações só souberam da eleição dois dias antes pelo que, diga-se de passagem, num País com um território imenso de 8.515.767,049 km² em que a distância entre Portalegre e Manaus é de 4.358 km, exercer o direito de voto, para a grande maioria das Confederações, acabou por ser uma autêntica missão impossível.
Ora bem, a virtude que os deuses do Olimpo mais apreciam nos Homens é um espírito competitivo, justo, nobre e leal. Pelo contrário, aquilo que eles mais abominam é um espírito covarde, hipócrita e oportunista que leva muitos dirigentes desportivos a utilizarem todos os processos para ganharem eleições e manterem-se agarrados ao poder. Infelizmente, por esse mundo fora, há muitos olímpicos dirigentes que organizam eleições “democráticas” que só ele pode vencer. E fazem-no sem qualquer réstia de vergonha.
E porque é que acontecem tais aberrações?
Porque suas excelências aprovam estatutos que lhes permitem fazer o que muito bem entendem sem prestarem satisfações a quem quer que seja.
Nesta conformidade, temos de dizer que Nuzman desenvolveu uma jogada de mestre, não porque tenha cometido qualquer ilegalidade mas, precisamente, porque tudo feito na maior das legalidades, quer dizer, de acordo com os estatutos do COB.
Todavia, os deuses do Olimpo ficaram profundamente desagradados com o comportamento e a eleição de Nuzman. Em conformidade, decidiram castiga-lo.
Não sei se o jornalista brasileiro Juca Kfouri recebeu qualquer informação especial da parte dos deuses do Olimpo, o que sei é que ele, há muito tempo, já vinha a denunciar o que se estava a passar no Movimento Olímpico (MO) no Brasil. E até afirmou que, desde o dia 2 de Outubro de 2009, data em que em que a cidade do Rio de Janeiro foi escolhida para receber a organização dos Jogos da XXXI Olimpíada, que se sabia que, mais dia, menos dia, Nuzman ia ser convidado para visitar a Polícia Federal a fim de explicar uma acusação com origem em França relativa à compra de votos por parte do Comité Organizador dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em que ele surgia como intermediário.
Em todo este processo, na linha de pensamento de Katia Rubio, uma das vítimas de Nuzman, tenho para mim que o dito já pouco interessa. Desde logo porque já passou à estória do desporto brasileiro. O caso está entregue à justiça pelo que, agora, só nos resta esperar que ela funcione e consiga transmitir, não só para os brasileiros como para os cidadãos dos mais diversos cidadãos países do Mundo, que o MO não pode ser um espaço de deboche e impunidade.
Mas se Nuzman já pouco interessa não é por isso que se podem baixar os braços e deixar que o MO, tanto em termos internacionais quanto nacionais, continue a ser uma instituição a funcionar em roda livre onde se realizam as mais estranhas eleições de corpos gerentes, quer dizer, sem qualquer controlo a não ser dos próprios vencedores. Por exemplo, uma eleição em que um dos candidatos, depois de afastar os eventuais opositores, preside à Comissão Eleitoral e decide sobre eventuais conflitos, não é uma eleição é uma farsa digna do mais primário subdesenvolvimento, aconteça onde acontecer.
Por isso, a situação que, hoje, se vive no MO internacional e em diversos países do Mundo, é gravíssima. Note-se que, se, ainda há pouco mais de quinze anos, o COI, presidido por António Samaranch, foi apanhado nas redes da justiça americana devido à corrupção relativa à candidatura de Salt Lake City aos Jogos Olímpicos de Inverno (2002), agora, pela comunicação social, chegamos à conclusão que os sucessores de Samaranch, tanto Jacques Rogge (uma grande desilusão para mim) como Thomas Bach (sem qualquer surpresa) continuaram a ignorar aquilo que se passava no MO internacional relativamente às candidaturas bem como a outros aspectos de fundamental importância para o MO internacional como é, por exemplo, o controlo de utilização de substancias dopantes. Porque, agora, depois do escândalo russo, querem-nos fazer acreditar que nos Jogos Olímpicos do Rio só aconteceram onze casos positivos em mais de 11303 atletas. Melhor do que no Rio de Janeiro (2016) só em Moscovo (1980) onde estiveram 5179 atletas sem que tivesse havido qualquer caso positivo.
Há muito que é evidente que os estigmas que hoje estão a ferir de morte o MO moderno têm de ser combatidos a montante. Eles não passam de consequências a jusante provocadas por causas que não tem havido coragem para combater. Nesta perspectiva, tudo deve começar não só por uma revisão séria, aberta e participada da Carta Olímpica como, também, para além dos relativismos que tomaram conta da consciência de muitos dirigentes, por uma revisão completa dos estatutos perfeitamente anacrónico sob os quais muitos Comités Olímpicos Nacionais (CONs) exercem o seu poder mais ou menos autocrático nos mais diversos países do Mundo. Porque, se começarmos a olhar para os estatutos dos CONs de diversos países da Europa, do Oriente, da América ou de África, chegamos facilmente à conclusão de que, em muitas situações, quando eles têm uma verdadeira existência legal, para além de não respeitarem a lei dos respectivos países, são autênticos atentados a uma sã convivência democrática propugnada, desde os primeiros tempos do MO, por Pierre de Coubertin. Infelizmente, os estatutos de muitos CONs foram elaborados tendo em atenção dois objectivos fundamentais: (1º) concentração do poder numa clique oligárquica que se considera possuída de uma espécie de “sangue azul” que a legitima para além de qualquer crítica; (2º) institucionalização de processos eleitorais que não passam de autênticas farsas que só servem para perpetuar as referidas cliques no poder que exercem sem qualquer controlo social. E tudo isto acontece sob a informação olimpicamente oficial de que os estatutos foram aprovados pelo COI como se o COI tivesse a capacidade para avaliar mais de duzentos estatutos redigidos em variadas línguas.
Pelo que está a acontecer, se, no domínio da ONU, o COI, enquanto membro observador, deve ser colocado na ordem sob pena de poder perder o seu estatuto, no âmbito dos diversos países, a partir das respectivas agendas de reforma do Estado, os governos devem ser capazes de prever a reforma do Modelo Europeu do Desporto (que se propagou pelos mais diversos países do mundo) incluindo a reforma do próprio MO porque este não se pode arvorar, como em muitos países está a acontecer, num Estado dentro do próprio Estado. Porque, o que, hoje, está bem claro é que o MO, tanto em termos nacionais quanto internacionais, não deve continuar a funcionar em roda livres à margem do seu credo, da sua vocação e da sua missão. O tempo de um Sistema Desportivo mundial e respectivos Sistemas Desportivos nacionais a funcionarem à custa do dinheiro dos contribuintes em regime de autorregulação está a virar-se contra as pessoas e a deturpar o ideário deixado por Pierre de Coubertin.
Nestes termos, o MO, em termos internacionais e no quadro dos Sistemas Desportivos dos respectivos países tem de mudar de vida sob pena de, se não o fizer, vir a ser fortemente castigado pelos cidadãos. E se não o for pelos cidadãos será, certamente, fortemente castigado pelos deuses do Olimpo."

Gustavo Pires, in A Bola

Sticadas fora-de-e-do-jogo

"Pressões, vandalizações, ameaças sobre árbitros e ele (presidente da Liga) não defende a normalidade?

'Dragão & Leão', nova sociedade anónima de responsabilidade limitada
Estranha jornada, esta quinta do campeonato, Porto e Sporting venceram, jogando manifestamente pouco e com notórias dificuldades. O Benfica salvo por uma correcta intervenção do VAR. O Porto, embora ganhando folgadamente, viu o Chaves não empatar duas vezes de baliza aberta, já perto do fim. O Sporting com um penalty que existiu, mas escusado num tempo extra. Manda a justiça que os três adversários (Portimonense, D. Chaves e Feirense) tiveram um indiscutível mérito na dificuldade dos grandes.
O certo é que, em 45 pontos, correspondentes aos pontos possíveis dos rivais nas 5 jornadas já efectuadas, FCP, SCP e SLB conseguiram 42 (96%), o que parece contraditar a dificuldade da última jornada. Ou melhor, parece contraditar os obstáculos que houve, para além dos desta jornada, como, por exemplo, as vitórias do Benfica em Chaves, do Porto em Tondela, do Sporting em casa frente ao Vitória de Setúbal e ao Estoril.
Jornada que teve como epicentro comentarista - para não variar no alvo a abater por despeito - o golo não validado ao Portimonense, desde logo com as reacções pavlovianas e mentecaptas no seio da coligação anti-benfiquista, logo seguidas pelos seus acólitos socio-digitais.
Todos sabemos que o VAR tem duas facetas: a mais passível de discussão no natural calor resultados e que tem a ver com a impossibilidade de eliminar um certo subjectivismo (refiro-me, em especial, à intenção e intensidade das faltas na grande área); e a categoricamente objectiva, porque física e geométrica, e que se relaciona com a bola ultrapassar ou não as linhas de campo ou a linha de baliza e ainda marcarão ou não de fora-de-jogo. Aqui ou é não ou é sim. Não há lugar a nins, a não ser na cabeça e visão de pessoas incapazes de conviver com a isenção mínima garantida. Que infelizmente medram como cogumelos. O offside do Portimonense foi por uma unha negra? Claro que foi e reconheço, sem dificuldade, que foi a sorte do Benfica num momento em que, jogando contra 10, não estava a ser capaz de controlar o jogo. Mas agora será que estas infracções se dividem em micro, pequenas, médias e grandes? E que sendo assim têm julgamento diferente? Evidentemente que não, excepto no espírito enviesado de quem parece ter como primeiro clube o anti-SLB. Adiante.
Também se ouviram as habituais diatribes sobre a linha virtual para se visualizar se há ou não fora-de-jogo. Até houve pseudo editoriais sobre tal assunto. Todos ignoram, ou melhor, querem que os outros ignorem um ponto que arrasa esta catilinária. Refiro-me à circunstância de ser uma empresa única (WTVision), independente dos canais que transmitem jogos de futebol, quem tem a responsabilidade da tecnologia e da adjunção das linhas virtuais. Ou seja, não é a BTV, como não é a Sport TV, a RTP, a TVI e os outros canais. E há, ainda, a circunstância não despicienda de o VAR não visualizar tais linhas e, assim, ajuizar sem o recurso a elas. Perceberam os disfarçados néscios, ou é preciso fazer um desenho? Já agora porque não colocaram a mesma questão quando do golo do Estoril (bem invalidado, também) em Alvalade? Adiante.
Pergunto: a FPF já não deveria ter elucidado estes e outros pontos do protocolo para que não subsistam dúvidas, não se alimentem infâmias e não se incendeie ainda mais o ambiente em redor do nosso futebol? De que estão à espera?
E a Liga o que diz a isto tudo? E o presidente da mesma, ex-árbitro? Está condicionado, claramente pelos que o alcandoraram a tal lugar? Pressões, vandalizações, ameaças sobre árbitros e ele não defende a normalidade? Instigadores da coligação negativa, sem escrúpulos e pejados de mentirolas, a multiplicar a chantagem e depois, perante estragos no prédio de um juíz, com desavergonhadas reacções angélicas, como se nada tivessem ateado antes?
Curioso é que no meio desta cegueira, ninguém dessa turba incendiária se lembrou da falta sobre André Almeida que precedeu o momento em que o Portimonense fez 0-1. Adiante.

A crise do hóquei
Portugal perdeu, ingloriamente, o campeonato mundial de hóquei em patins. Nos penálties, para variar. Fica assim adiada a reconquista do ceptro que já não alcançamos há 14 anos. Por pouco, não aconteceu uma vitória 'à Fernando Santos'. É que começamos por perde com a Argentina e a Itália, e não fomos prematura e escandalosamente eliminados com a França que, a 3 minutos do fim, era o que estava a acontecer. (já está, fez-me lembrar o empate arrancado a ferros no jogo com a Hungria, no europeu de futebol). Melhorámos depois e a diferença para Portugal do futebol foi que, enquanto aqui batemos a França no prolongamento, agora perdemos na lotaria do penáltis.
Verdade seja dito que, tirando os 5-0 aos agora ex-campeões (Argentina), pouco fizemos para conquistar o título. Afinal, em diferentes fases do torneio, acabámos por ser derrotados por Espanha, Itália e Argentina. Na minha opinião, o critério dos jogadores seleccionados não foi o melhor e o treinador não me parece ter sido a escolha mais óbvia.
Já a semana passada o referi, mas esta ideia peregrina de disputar o mundial num país que nunca vira, antes, um jogo desta modalidade, mesmo que integrado com outros torneios de patins, não lembra ao diabo. Uma tristeza, jogos sem espectadores, a horas desastradas para os países com mais implantação deste jogo (aqui de manhã, na América do Sul de madrugada). Mesmo na final, meia-dúzia de chineses de olhos em bico e familiares dos jogadores. Nas transmissões televisivas era tal o quase silêncio que, sentados no sofá, podíamos ouvir até as instruções e impropérios dos treinadores e jogadores no banco.
Assim vai esta modalidade de tão rica tradição. Já em Barcelona se perdera a oportunidade de poder vir a ser modalidade olímpica. E depois, as regras estão sempre a mudar. Por cá, há espanhóis, argentinos e até italianos em quase todas as equipas. Não admira que, depois, as nossas selecções não ganhem mundiais. Na final do título, dos 20 atletas, no rinque e no banco, havia 13 jogadores que jogam cá! E; (má)cereja no topo do bolo, no nosso campeonato tivemos a batota da última jornada com uma arbitragem que espoliou, inacreditavelmente, o título ao Benfica. Ficou nos anais da mais despudorada pouca-vergonha.

Contraluz
- Número: 11
Os segundos de atraso do processo de transferência de Adrien Silva do SCP para o Leicester. Ninguém se acusa nesta situação de documentos para cá e para lá e nas birras de lá e de cá. O magnífico e exemplar atleta é a vítima de um processo que, em termos gerais, coisifica os jogadores. Já agora, o relógio dos computadores da FIFA estava mesmo certinho pelo 'Tempo Universal Coordenado' (TUC)?
- Palavra: Mathieu
Falo do nome do jogador do Sporting, por uma simples razão. É que ouço constantemente o seu nome mal pronunciado. Bem sei que agora o francês é quase uma língua morta na aprendizagem em Portugal. Mas quando não se sabe, pode, ao menos, informar-se. Toda a gente pronuncia 'matiu', em vez do correcto 'matiê' (um e bem fechado). Já - voltando ao hóquei - ouço sempre dizer Torneio de Montreux pronunciado como 'montrô' em vez de 'montrê'.
- Cor: Encarnado ou vermelho
Conforme os gostos. Evidentemente que acho que o do Benfica é inigualável, mesmo quando comparado com os tons de vermelho do Liverpool, Bayern, Man United e outros. Só a selecção de Gales se aproxima. Agora o que não entendo é por que razão as equipas de basquetebol do Benfica têm um vermelho diferente, mais sombrio e menos exuberante. Alguém me sabe explica?
- Golo: André Almeida
Para despeitados, um «chouriço». Para benfiquistas, uma «obra de arte». Para o jogador, resultado de crença. Pela notícia de A Bola: candidato ao melhor golo do ano da UEFA (Prémio Puskas). Para mim, saboríssimo, eu que tinha dele falado como um jogador exemplar o mesmo golo fosse de Ronaldo, Messi ou Neymar, seria a expressão lídima da genialidade, repetido à saciedade. Mas como foi do André..."

Bagão Félix, in A Bola

'Hooligans'

"O hooliganismo tomou definitivamente conta do futebol português, mas o estranho é que neste caso os hooligans são os dirigentes dos clubes, através de comportamentos destrutivos e desregrados, semeando a violência verbal, o vandalismo intelectual e a desordem geral. Partem do fanatismo e alimentam-se do caos, do ruído e da anarquia para abafar os golpes do insucesso próprio e do sucesso alheio. Selvagens de fato e gravata que atacam tudo e todos sem só nem piedade, em nome de uma glória vindoura, invocando uma guerra santa que mais não é do que terrorismo.
Os adeptos, esses, transformam-se em exércitos de ódio compostos por soldados sem alma, sem crítica, espumando raiva, orgulhosamente comprometidos com a loucura dos pequenos e ridículos generais que os manipulam e treinam como se fossem fantoches. Os que resistem a entrar nesta luta são considerados traidores, desertores, todos devem cerrar os punhos e pegar em armas.
Nas televisões e nas redes sociais, a cada semana, soam bem alto os tambores de guerra, anunciando-se novas frentes de batalha. Limpam-se os punhais manchados de sangue a cada post no Facebook, cada tweet no Twitter, cada comunicado, cada entrevista circense à televisão do clube, sem limites para a cegueira, parcialidade e hipocrisia. Palhaços ricos com espírito pobre.
Teremos nós coragem de fazer com os nossos dirigentes hooligans o que os ingleses fizeram com os seus adeptos hooligans? Ou vamos continuar simplesmente à espera de um milagre que lhes mude os comportamentos? De uma tragédia que nos faça arrepender da passividade?
Esta gente tem de ser banida do futebol, não pode continuar a gozar com regulamentos e castigos de escola primária. O futebol português está a morrer e amanhã pode ser tarde de mais. É uma questão de coragem. Antes uma guerra pela paz do que a paz da guerra."

Gonçalo Guimarães, in A Bola

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Assim não, Benfica

"Há uma forma de explicar a exibição paupérrima do Benfica contra o Portimonense. Um jogo de campeonato entalado entre selecções e Champions é, por definição, problemático. Tanto assim é que vários colossos europeus passaram mal no fim-de-semana e os três grandes portugueses tiveram resultados melhores do que as exibições. É também possível olhar para esta partida e tomá-la como um caso isolado, um daqueles dias em que tudo corre mal a uma equipa que tem sido assolada por uma vaga de lesões sistemática.
Alternativamente, podemos vislumbrar no Benfica-Portimonense indícios de problemas estruturais preocupantes. Com a debandada na defesa e com a ausência de reforços à altura, o plantel do Benfica parecia mais do que suficiente para consumo interno, ainda que limitado para ambientes europeus. Aliás, na linha avançada, a chegada de Seferovic e, espera-se, a de Krovinovic e Gabriel Barbosa oferecem mais soluções e dão uma versatilidade que faltou nas últimas temporadas. Na frente de ataque, com tanta qualidade individual, é difícil que o Benfica não seja avassalador na maior parte dos jogos nacionais.
O mesmo já não se pode dizer da defesa. Sem Fejsa, a equipa perde muita qualidade nas transições defensivas e a ocupação de espaços torna-se, por vezes, verdadeiramente problemática (contra o Portimonense, chegaram a surgir crateras no centro do terreno, mesmo a jogar em superioridade numérica). Mas o pior, como aliás já escrevi aqui, é a participação da defesa no ataque e o efeito que isso tem na forma como o Benfica constrói o seu jogo ofensivo. Varela, André Almeida, Lisandro, Luisão, Eliseu podem jogar à vez e a equipa manter-se competitiva, mas torna-se muito difícil quando jogam todos em simultâneo. 
Um clube grande, nos nossos dias, já não pode jogar com um guarda-redes preso à linha de golo e com um jogo de pés sofrível (só um Júlio César em más condições pode perder a titularidade para Varela), não pode ter dois centrais que não se destacam pela saída de bola e laterais que se escondem e que pouco atacam. Esta configuração tem consequências: enquanto Lindelof construía de uma posição recuada e Nélson e Grimaldo davam profundidade, agora isso não acontece e, sem apoios, os extremos são obrigados a flectir para o meio. Este afunilamento ao centro facilita a vida às equipas adversárias, enquanto retira espaço de manobra aos municiadores do ataque, Pizzi e Jonas. Contra o Portimonense, quantas vezes extremos e/ou laterais centraram desde a linha de fundo?
Claro está que o Benfica não é tão mau como pareceu contra o Portimonense, mas há boas razões para estarmos preocupados com o planeamento desta temporada, em particular com o desinvestimento na defesa. Num ano de penta, tínhamos de ter tido outra ambição. Esperemos os regressos rápidos de Fejsa, Grimaldo e Júlio César (ou Svilar). Até lá, o Benfica continuará a ter dificuldades, como teve em Vila do Conde e, agora, na Luz."

Janela de oportunidade

"A Premier League foi a primeira a tomar posição no que respeita ao término da janela de transferências. Em 2018/19, o período de inscrições terminará antes do início da competição. O passo dado num dos mais importantes campeonatos do mundo serviu de mote para o debate à escala global. 
Tendo já abordado os problemas do actual sistema de transferências e os motivos que levaram a FIFPro, em 2015, a avançar com uma queixa junto da Comissão Europeia, não ignoro a necessidade de abordar o actual sistema com pragmatismo. A competição desportiva e os seus agentes parecem conviver melhor com um mercado ‘fechado’. Embora o desporto encontre nesta matéria limitações que não se vislumbram em mais nenhum sector de actividade, a especificidade do desporto tem ‘permitido’ restrições à lei da oferta e da procura, mecanismo que ‘garante’ a estabilidade competitiva e a pacificação das relações entre competidores. Será realmente o único?
Sucede que estamos a discutir mecanismos limitativos da liberdade de trabalho dos atletas. Reconhecendo que a segurança e a igualdade na competição são valores importantes, reduzir o período de inscrições significa condicionar, ainda mais, as escolhas dos jogadores, numa carreira de desgaste rápido e curta duração.
Não podemos resumir a discussão a ‘antecipar’ ou não a data de fecho da janela, mas procurar um sistema com respostas equilibradas face aos interesses (e liberdades) de todos os intervenientes.
Em conclusão, não existe uma resposta única para este problema, existe uma oportunidade para reflectir em conjunto, efectivar o ‘diálogo social’ e encontrar uma solução consensual. Não nos iludamos, não existem soluções providenciais, esta é a única fórmula de assegurar o futuro do desporto, o futuro do futebol."

Chouriços e panelas de pressão

"Há poucas coisas mais prováveis do que encontrar uma mulher bonita dentro de um Fiat 500. Mas entre elas está certamente encontrar indignação nas redes sociais. Diariamente. Por motivos diferentes.
Ora é porque este disse aquilo ou porque aquele disse isto. Porque esta imagem não tem jeito. Porque aquele comentário é racista, machista, feminista, xenófobo, imbecil, pueril, demagógico, inoportuno, idiota. Riscar o que não interessa. É indignação para o menino e para a menina, em doses iguais (para evitar ainda mais indignação).
Uma das últimas - entre as que sou capaz de acompanhar, porque há as que apanho a meio e não consigo entender e as que apanho de início e faço por não entender – metia chouriços. Ou melhor, um deles. O chouriço de André Almeida contra o Portimonense, baptizado por Vítor Oliveira, um homem do futebol, dos maiores deste país, e que, por isso, conhece como poucos a linguagem deste mundo. 
Goste-se ou não, o golo de André Almeida foi um chouriço.
E repito a definição de Vítor Oliveira sem sequer entrar no campo de julgar a intencionalidade do remate. Aliás, pela forma como o lateral do Benfica mete o pé à bola, diria que não é improvável que tenha querido mesmo rematar à baliza, como não é que tenha pretendido cruzar. Só ele saberá e se ele diz que queria rematar, acredito. Até porque é indiferente face ao resultado final da obra.
Querendo ou não, André Almeida marcou e deu a vitória ao Benfica, com um golo candidato a melhor da época (calma lá com o Puskas...), mas que é, por definição, um chouriço.
Aliás, remates de longe, em força, que resultem em grandes golos têm grande probabilidade de encaixarem na gaveta dos chouriços. Creio até que foi Pedro Barbosa que explicou há uns tempos que qualquer jogador de futebol quando remata de longe tem uma preocupação apenas: acertar bem na bola e enviá-la com força. O resto tem muito de sorte e azar.
Entre os melhores golos que vi ao vivo, – todos eles encaixados perfeitamente um degrau abaixo do cabeceamento de Van Persie contra a Espanha no Mundial do Brasil. Ah, como te roubaram o Puskas… - lembro-me de um pontapé incrível do Freddy Guarín no Dragão frente ao Marítimo. Um remate pouco à frente do círculo central que entrou na gaveta. Se repararem, o colombiano encara a baliza para perceber a posição da mesma e depois os olhos não saem da bola. Puxou a culatra e «cá vai disto». Golo.
A reacção de incredulidade, consumada com o «Díos mio» que lhe sai da boca momentos após perceber o que tinha feito, não enganam: grande golo e «ganda chouriço». Se todos nós, em casa, o podemos dizer, para quê ficar indignado quando alguém que está lá dentro diz o óbvio?
Foi o que fez Vítor Oliveira. Dizer o que milhões pensaram, vários deles benfiquistas, certamente, depois de pararem de celebrar o momento.
O chouriço é saudável, – o metafórico, claro, porque o real é delicioso mas não faz nada bem ao colesterol – é alegre, jovial. O chouriço é futebol. Faz parte dele.
Ao contrário das panelas de pressão que Miguel Leal trouxe para a ribalta depois da derrota em Guimarães. «Quem tem medo da pressão que compre uma panela»? Não, mister, não. Isso é o mesmo que aconselhar a compra de uma pistola a quem tem medo de balas.
Vou sempre preferir um treinador que fale de chouriços a um que fala de panelas de pressão. O futebol é dos chouriços, das cuecas, cabritos, coxinhas, roscas, bicicletas, moinhos, bicos, cacetadas, rabonas. É a língua que cresci a ouvir, é a língua que falo.
Indignem-se, paciência. Será só um dia entre vários."