Últimas indefectivações

quarta-feira, 23 de abril de 2014

A caminhada...

Foi assim (I):

Emoção... com mais um final feliz !!!


Benfica 1 - 0 Oliveirense

Mais um jogo emocionante, nem sempre bem jogado, com o adversário a jogar para os 'penalty's (!!!), foi preciso esperar praticamente pelo último minuto (1.40m para o fim), para o João Rodrigues encontrar o caminho do golo...
Em frente na Taça, mais um objectivo em aberto...

PS: Soube-se à poucos dias que a Final-Four da Liga Europeia vai-se realizar em Barcelona, precisamente o nosso adversário nas Meias-Finais. Já seria difícil, agora vai ser muito difícil... não sei qual foi a última vez que o Barça foi derrotado em casa, numa competição Europeia, mas não terá acontecido muitas vezes. Mas se o ano passado vencemos o Barça nas Meias-Finais, e depois derrotámos os Corruptos no seu próprio antro, porque não fazer algo parecido este ano!!!

Juniores - 10.ª jornada - Fase Final

Thierry Graça
Braga 0 - 0 Benfica

Depois dos jogos da Final-Four da UEFA Youth League, depois dos compromissos com a Selecção de sub-19 na passada semana, a nossa equipa de Juniores regressou à Fase Final do Campeonato Nacional, e logo com um jogo fora, na casa do 2.º classificado...
As informações chegadas de Braga, falam de um jogo repartido, com um adversário a usar e abusar da violência, com impunidade... mas onde o Benfica soube aguentar a pressão, e acabou por retirar um empate, que tendo em conta a classificação até não é um mau resultado. Com vários jogadores na Selecção, tivemos muito pouco tempo para preparar este jogo...
O Braga em teoria tem um calendário mais fácil, até final do Campeonato, mas vencendo os nossos jogos, temos tudo para sermos Campeões, antes da última jornada.

PS1: As noticias que chegam de Braga, também voltam a descrever um autêntico ambiente de terror, com vândalos à solta nas bancadas, que no fim do jogo invadiram mesmo o campo, apedrejando, cuspindo, insultando... atirando mesmo uma tocha, para o meio da equipa do Benfica!!! Nada de novo, infelizmente, nos últimos anos, tem sido sempre assim... Mas desta vez, um dos animais até foi reconhecido (guarda-redes da equipa do Braga de Futsal!!!)... Tudo isto com a também habitual passividade das autoridades e dos dirigentes da equipa da casa!!! Recordo que estamos a falar do Campeonato de Juniores...!!!

PS2: Depois da excelentes prestações na Champions Júnior, as notícias sobre possíveis vendas dos nossos putos não param... Espero que os miúdos tenham a cabeça no lugar, e resistam à pressão dos empresários e das famílias. O Gonçalo Guedes e o Romário ainda são Juniores de 1.º ano, é preciso não esquecer...

PS3: Na última semana realizou-se o sorteio da Fase Final dos Juvenis, e mais uma vez, o Benfica vai deslocar-se ao antro dos Corruptos, na última jornada!!! O sorteio ditou esta 'sorte', no campeonato de Iniciados, Juvenis, Juniores... e ainda no Campeonato principal... além do Andebol, do Bilhar... e no Hóquei é na penúltima jornada!!!

Benfica...............23
Braga...................21
Corruptos.............18
Sporting..............17
Oeiras.................11
Leixões................8
Guimarães............7
Leiria...................5


O campeão voltou! (I)

"O campeão voltou! Antes do prazo final e sem programa cautelar, com uma saída limpa. Com brilhantismo e eloquência. Solidário, estável, unido. E plubibus unum! Na era Jesus o Benfica foi campeão duas vezes, mas bem poderia ter sido quatro vezes. Ou, pelo menos, três. No plano europeu está entre os seis melhores. O seu futebol é o mais aliciante de Portugal.
O Benfica chega ao seu 33.º título (41% da totalidade). Quase em consonância com os recentes dados de um vasto estudo da UEFA que coloca o SLB com 47% das preferências dos portugueses (sem contar com a diáspora). A sua grandiosidade viu-se na noite de domingo: aqui e lá fora. As rotundas, afinal não são de mais em Portugal. O Benfica não cabe em todas!
Um título com um jogo decisivo. Não os que, na Luz, disputou com o FCP ou o SCP em que foi absolutamente imperial, mas com o Gil Vicente na 2.ª jornada. Aí o fatídico minuto 92 da anterior Liga virou galo para Barcelos e um início de época que corria o risco de se desmoronar transformou-se num arranque imparável.
33 Títulos: todos diferente e todos infinitamente saborosos. Já vivi 26, desde o primeiro de que tenho memória via rádio (1955) até este de 2014, um memorial de Eusébio e Coluna.
Nos últimos jogos do campeonato, 14 vitórias e um empate e apenas 3 golos sofridos fora (1 em Barcelos e 2 no Nacional) e nenhum em casa. Admirável, cristalino, sem mácula.
Luís Filipe Vieira contra tudo, contra quase todos e ao arrepio da norma prevalecente no futebol, muito contribuiu para o êxito. Jorge Jesus foi mestre e maestro e teve a sabedoria de aprender com erros passados. Dos jogadores falarei amanhã."

Bagão Félix, in A Bola

35

"Quem é Jorge Jesus? Odiado por uns, amado por outros e ainda odiado e amado (quase ao mesmo tempo) por mais alguns, o treinador que alcançou os 32.º e 33.º títulos do Benfica é tudo menos consensual.
Na cabeça de milhões que tentam perceber um pouco melhor o homem há dezenas de JJ. Há o JJ com dificuldades de expressão; há o JJ duro e, até, insuportável; há o JJ excessivamente vaidoso; há o JJ catedrático; há o JJ que «acardita»; e há o JJ mestre de táctica; e há o JJ potenciador de talentos - as fantásticas evoluções de Coentrão, Witsel e Matic, só para citar os três que mais dinheiro deram a ganhar ao Benfica, são inegáveis...
Depois, há ainda o JJ que é sportinguista - Virgolino, o pai por quem Jesus mantém enorme devoção, é adepto do clube de Alvalade e foi jogador dos leões nos anos 40 - mas há também o JJ benfiquista de coração, mais fervoroso que o mais fervoroso adepto nos festejos do título, ao ponto de ser confundido por um polícia no Marquês...
Mas há mais JJ: há o teimosos, o irascível, o bem-disposto, o maldisposto, o que hesita, o que não vacila, o que não ouve ninguém, o desconfiado.
Há, contudo, uma característica que terá sido a mais decisiva ao longo da presente temporada: o JJ confiante e que confia nos seus. Os que ouve. Que os respeita. É o caso do 35 do Enzo Pérez. O 35 sem o qual JJ não teria seria provavelmente o JJ do ego exacerbado estará decerto muito agradecido ao seu comandante no campo, a sua voz, olhos e ideias no relvado.
Inesquecível, neste plano, o momento no Benfica - FC Porto da Taça de Portugal quando, com Siqueira expulso e Gaitán na lateral-esquerda, Enzo  reorganizou a equipa, depois de Jesus, de braços abertos, lhe ter gritado: «O que queres que faça?» Seria retórica? Estamos certos de que não, Jesus queria mesmo a opinião de Enzo, o argentino introvertido que JJ adoptou e salvou, mas que está ele proprio também a ser... o salvador de Jesus."

João Pimpim, in A Bola

No futebol se vê o rosto do um povo

"Porque, como canta o Godinho, «isto anda tudo ligado», o futebol é metáfora perfeita para a humanidade. E, em particular, para cada um dos povos que a compõem.
Por cá, a primeira nota vai para a festa do título do Benfica. A praça do Marquês de Pombal, em Lisboa, encheu-se de gente e coloriu-se de vermelho. Tudo com a justa concordância da Câmara Municipal de Lisboa, que percebeu os benefícios de um dos seus clubes ali celebrar a conquista. Ao contrário do que sucede noutras paragens - Londres, por exemplo - ou nestas quando há Rock in Rio, a multidão teve de regressar a casa por meios alternativos ao óbvio serviço de metropolitano. Em vez de haver reforço de comboios, atendendo à quantidade de gente que andava na rua, houve um comunicado que falava de suspensão da linha azul e alterações na amarela.
Na prática, e mesmo que não tenha havido culpa directa do Metropolitano de Lisboa, o que se passou foi que uma excelente oportunidade de negócio redundou em portas fechadas e grande incómodo para milhares de pessoas.
Consequências? Zero. É normal, este é o país onde somos esclarecidos de que processos judiciais prescrevem por serem tão detalhados que os tribunais não têm quem os despache.
Este é também, e voltando ao futebol, o País em que um presidente de clube despede um jogador por quebra de confiança depois de um em dois jogos este ter arruinado a equipa e o Ministério Público nem sequer faz a pergunta «haverá algo para investigar?».
Também nas instituições desportivas se acha compreensível que uma equipa desvirtue o campeonato, oferecendo uma vitória que muda a classificação, ao jogar só com suplentes. E não existe regulamento - nem lei - que o impeça. Nem que impeça dirigentes de clubes de terem as suas empresas a fazer negócios com clubes adversários. Se não nos preocupamos em parecer sérios, como poderemos querer que nos reconheçam como tal?"

Nuno Perestrelo, in A Bola

Benfica, a Europa na linhagem (a Juventus é que é do teu campeonato)

"Sem prejuízo da final do Jamor, é o duelo com a Juventus que dirá se esta é uma época mesmo especial para os encarnados ou apenas boa.

A festa benfiquista foi bonita. Teve a intensidade das reconciliações, das coisas que «estavam aqui atravessadas» (como disse um popular na televisão, apontado para a garganta) e deixaram de estar. A mágoa dos dois últimos campeonatos perdidos para o FC Porto foi-se o exacto momento em que Benfica garantiu matematicamente o título. Que foi ganho com todo o mérito, nenhuma surpresa e pouco ou nenhum «frisson». Por muito que o treinador Jorge Jesus (gato escaldado...) se tenha esforçado por nomear perigos, obstáculos e adversários que mais ninguém viu, a verdade é que o 33.º título benfiquista resultou de uma campanha sóbria e competente... mais tranquila, praticamente sem angústias nem adversários. No fundo, igual a tantas outras que o FC Porto fez nestes últimos anos. Dito isto, deve elogiar-se o Sporting porque foi o único que deu luta ao Benfica, embora quase sempre a uma distância considerável.
Sem querer estragar a festa aos benfiquistas, nomeadamente à minha amiga Leonor Pinhão (o título desta crónica é para ela), parece-me que este campeonato do Benfica está destinado a ficar na história como uma conquista normal, sem nada de transcendente. É o que acontece quando uma equipa se revela francamente superior à concorrência que, ainda por cima, patina. Houve outros títulos do Benfica muito mais custosos.

ASSEGURADA a «prioridade n,º 1» e pulverizadas as ansiedades, angústias e inquietações trazidas da época passada, Jorge Jesus tem agora oportunidade de mostrar aos benfiquistas até que ponto é ambicioso e não se contenta com o óbvio; até que ponto quer ficar - ele e a equipa - na história do Benfica; vamos pôr as coisas assim. Ganhar o campeonato é uma coisa normal: o Benfica fez isso 33 vezes; outra coisa, mais difícil, é ganhar na mesma época campeonato e taça: o Benfica fez isso nove vezes, a última das quais há 27 anos; outra coisa, ainda mais difícil, é ganhar campeonato, taça e chegar a uma final europeia: o Benfica só fez isso uma vez - com Eriksson, há 31 anos; outra coisa, mesmo muito difícil, é ganhar campeonato, taça e uma competição europeia na mesma temporada: o Benfica nunca fez isso. Mas o FC Porto fez, por duas vezes (!)... nos últimos onze anos. Primeiro com José Mourinho (2002-03), depois com André Villas Boas (2010-11), em ambos os casos à frente de plantéis formidáveis - como este do Benfica. É nestes dois exemplos que Jesus se pode inspirar para o que resta da época. Homem, assuma que a conquista da Liga Europa é um objectivo possível, viável e extremamente desejável. Quanto mais não seja - não é verdade, Leonor? - porque o Benfica deve à Europa a imagem (e a linhagem) que tem. Não foi a ganhar campeonatos e taças domésticas (a que ninguém fora deste país presta atenção) que o Benfica se fez monstro sagrado na Europa e no Mundo. Foi a brilhar durante dez anos seguidos na Taça dos Campeões Europeus com Eusébio, Coluna & c.ª.

ESTA conversa transporta-nos para a Juventus e a meia-final da Liga Europa, a taça europeia que o Benfica perdeu injusta e dolorosamente há um ano, em Amesterdão, para o inconvincente Chelsea de Rafa Benitez; a taça europeia que o Benfica tem de ganhar para que esta época seja verdadeiramente especial. Para isso é preciso derrubar a «Juve». Tem o Benfica hipóteses de eliminar o campeão italiano? Claro que tem. Tantas como o FCP antes de eliminar a Lazio de Roma na meia-final de 2002-03; e o Villareal na meia-final da Liga Europa de 2010-11. O importante é querer, acreditar - o poder vem logo a seguir. A Juventus é uma equipa chata, a segunda melhor que o Benfica defronta nesta época depois do Paris SG. Uma equipa 100% italiana no modo como se apresenta e compete, ou seja, dura, rochosa, pragmática, velhaca. Mas se a Juventus fosse assim tão forte não tinha sido eliminada na fase frupos da Champions com apenas 6 pontos. Num grupo com Galatasaray e Copenhaga...
Amanhã começamos a perceber se esta é uma época mesmo especial para o Benfica e para Jorge Jesus ou apenas uma época igual a tantas outras (se o Benfica se ficar apenas pelo campeonato), ou uma boa época (se Jesus fizer a «dobradinha» que, note-se bem, nenhum treinador português conseguiu na Luz). Ah. Na segunda-feira a Mary Calado perguntou-me, antes da Revista de Imprensa Internacional d'A BOLA TV, quantas referências tinha encontrado nos jornais estrangeiros à festa do título benfiquista. Poucas, Mary, muito poucas. O campeonato português praticamente não tem expressão internacional. É assim a vida.

Ninguém como Lajos Baroti
SE perguntassem aos adeptos benfiquistas que época futebolística escolhiam como a melhor de sempre, suspeito que a maioria optaria pela de 1960-61 - quando o Benfica de Bella Gutmann ganhou o campeonato e a Taça dos Campeões Europeus. Dois títulos, portanto. Na época seguinte, o Benfica de Guttmann voltou a ser campeão europeu e ganhou a Taça de Portugal mas perdeu o campeonato para o Sporting. Dois títulos, portanto. Há uma ideia generalizada de que Eriksson fez coisas inéditas na Luz, mas não é bem assim: a melhor época do sueco (1982-83) traduziu-se numa «dobradinha» acrescida de final europeia perdida (Taça Uefa, com o Anderlecht). Dois títulos, portanto. Do ponto de vista contabilístico, melhor fez o húngaro Lajos Baroti em 1980-81: ganhou campeonato, taça, supertaça e ainda chegou a uma meia-final europeia (Taças das Taças), Três títulos, portanto - e o superpleno doméstico da história do Benfica.
Engraçado como Jorge Jesus ainda pode ultrapassar o registo de Baroti, único treinador do Benfica que ganhou três títulos nacionais numa época (Agosto-Maio). Jesus pode chegar aos quatro. Um já está. Faltam as taças (de Portugal e da Liga) e a Liga Europa. É difícil? É. Tão difícil como perder tudo de enfiada - possível, portanto.

(...)"

André Pipa, in A Bola

Grandes Momentos... com a melhor Banda Sonora do Mundo !!!

A festa por dentro...

Discurso do Presidente...

"Hoje, 110 anos depois da nossa fundação, num ano de luto carregado, celebramos com alegria o nosso 33.º título de Campeão Nacional.
Ganhámos o direito de ser felizes, mesmo quando perdemos as duas maiores referências do nosso Clube: Eusébio e Coluna.
Ganhámos esse direito porque sabemos que, estejam eles onde estiverem, também estão a celebrar. Mas perdemos outras referências este ano. Referências que nos fazem falta pelo carácter, pela paixão, pela alegria, pelo facto de nunca fugir a um bom combate. Referências das quais sentimos falta.
Perdemos o Manuel Seabra e ele merecia estar aqui hoje a falar e a celebrar a nossa última conquista. 
Proponho, por isso, a todos os presentes, um minuto de silêncio em memória do Manuel Seabra, numa justa homenagem ao exemplo e a tudo aquilo que nos deixou.
Estão aqui na condição em que devem estar, de sócios e simpatizantes do Sport Lisboa e Benfica. 
Independentemente das vossas funções, das vossas convicções políticas. E para mim isso é que é relevante. 
Se estão recordados, disse no ano que passou, quando nos encontramos aqui, depois de termos perdido três finais, que tínhamos de repetir tudo o que fizemos de bom na época passada, escrevendo apenas um final diferente.
No passado domingo começámos a reescrever a história do ano passado, na próxima quinta-feira temos de continuar a fazê-lo.
Não temos de ter medo de falhar, mas temos de ter a ambição de estar ao nível da nossa história, e estes jogadores e esta equipa técnica estão ao nível da nossa história.
Todos tiveram oportunidade de ver as manifestações do passado domingo, e é fácil perceber que o Benfica está para lá do País, tem uma dimensão global. O Benfica ultrapassa largamente as fronteiras de Portugal. É uma marca, uma referência, é uma bandeira de um País a precisar de razões para celebrar, e o Benfica foi tudo isso no domingo.
Foi razão e pretexto para os portugueses se esquecerem, ainda que por pouco tempo, das dificuldades em que vivem há demasiados anos.
Este título não foi ganho contra ninguém, não foi festejado contra ninguém. É um título de todos aqueles que gostam de Futebol. Nada mais do que isso.
Tenho orgulho de tudo o que fizemos e de tudo o que não deixámos fazer. Não caímos na tentação suicida de mudar tudo, de colocar tudo em causa. Tivemos a capacidade de mudar apenas aquilo que era necessário mudar e manter tudo o resto. E é por causa disso que estamos hoje onde estamos.
Este título é para todos aqueles que sempre acreditaram no trabalho desenvolvido dentro do Benfica, mas é sobretudo uma grande lição para aqueles que só aparecem nas horas más e nunca para ajudar a construir. 
Depois do que sucedeu no final da época passada sempre acreditei que apesar do que tinha sucedido, este era o caminho, e que o futuro nos iria compensar por tudo o que nos tirou.
E a verdade é que hoje celebramos mais um título, porque tivemos o mérito de não desistir e porque quando caímos tivemos a capacidade de nos voltar a levantar e isso tornou-nos mais fortes.
Obrigado a todos e tenho a certeza de que o Manuel Seabra está hoje aqui connosco a celebrar o primeiro título da época."

terça-feira, 22 de abril de 2014

Lixívia 28

Tabela Anti-Lixívia:
Benfica......73 (-7) = 80
Sporting........66 ( 0) = 66
Corruptos...58 (+3) = 55
Braga.........36 (+1) = 35

Com 2 semanas de atraso celebrámos o 33.º título de Campeão Nacional da Gloriosa história do Sport Lisboa e Benfica... deveria ter sido na 26.ª jornada, na recepção ao Rio Ave, mas tendo em conta os tempos em que vivemos, não nos podemos queixar muito!!!
Nesta recente série de nomeações provocatórias, calhou ao Xistra fazer as honras na festa do título... e quando até podíamos pensar que o homem podia ser influenciado pelo ambiente de Festa - já que o título estava praticamente decidido, nesta, ou na próxima jornada, portanto não havia necessidade de reforçar a fama e o proveito de ser amigo dos Corruptos e adepto Lagarto: mistura explosiva!!!  -, usando este jogo para limpar a imagem de anti-Benfiquista - existe sempre a tendência, humana, de algum caseirismos nestes ambientes de festa... -, mas não foi isso que aconteceu. No meio da incompetência que voltou a demonstrar, ainda teve tempo para preciosismos ridículos, que só serviram para atrasar o jogo; usar critérios diferentes nas faltas perto das áreas; os seus fiscais também usaram critérios diferentes, já que os foras-de-jogo ao Olhanense eram só marcados quando os avançados tocavam na bola, e ao Benfica, mesmo sem tocar na bola, mas obrigando os Algarvios ao corte, foi suficiente para ser assinalada a irregularidade!!! Mas o grande erros foi o penalty óbvio sobre o Rodrigo, quando já estava 2-0... O penalty foi tão óbvio, que ele não marcou porque não quis!!! Nos dois golos do Benfica houve protestos dos jogadores e do banco do Olhanense, e o Xistra ao não marcar este penalty, quis mostrar 'imparcialidade'!!!
Mas curiosamente, essas duas decisões, nos golos do Benfica, foram exemplares!!! No primeiro golo, é o Luís Filipe que tenta empurrar o Lima, com carga de ombro, mas acabou por ser o Lima, mais 'pesado' a ficar em pé...; no 2.º golo, o Maxi, faz um corte limpissimo, e até foi o jogador do Olhanense a pontapear o calcanhar do Maxi, depois deste tirar de lá a bola...!!!

Não vi os restantes jogos, só acompanhei alguns resumos, e li as crónicas nos jornais. No Restelo o penalty sobre o Mané é bem marcado - apesar de totalmente desnecessário -, a única queixa foi a expulsão do Rojo. Admito que é um lance na fronteira entre o amarelo e o vermelho, não creio que tenha sido um 'erro' grave... Mas recordo que ultimamente o Cosme Machado tem usado um critério apertado.
No Dragay, tivemos um lance parecido, que foi resolvido ao 'contrário'!!! O Mangala ainda na 1.ª parte, leva amarelo e se calhar devia ter visto o Vermelho directo!!! E não jogava a Meia-final da Taça da Liga com o Benfica!!! O penalty sobre o Jackson, que desbloqueou o jogo aos Corruptos, foi de uma ingenuidade terrível por parte do Vilacondense!!!
Em Setúbal, o Braga foi prejudicado, com um penalty que ficou por marcar sobre o Pardo. A expulsão do Eduardo e respectivo penalty - desperdiçado!!! -, contra o Braga, foi bem assinalado.

Anexos:
Benfica
1.ª-Marítimo(f), D(2-1), Jorge Sousa, Prejudicados, (2-2), (-1 ponto)
2.ª-Gil Vicente(c), V(2-1), Paulo Baptista, Prejudicados, Sem influência no resultado
3.ª-Sporting(f), E(1-1), Hugo Miguel, Prejudicados, (0-2), (-2 pontos)
4.ª-Paços de Ferreira(c), V(3-1), Paixão, Nada a assinalar
5.ª-Guimarães(f), V(0-1), Bruno Esteves, Prejudicados, Sem influência no resultado
6.ª-Belenenses(c), E(1-1), Jorge Tavares, Prejudicados, (2-0), (-2 pontos)
7.ª-Estoril(f), V(1-2), Manuel Mota, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
8.ª-Nacional(c), V(2-0), Jorge Ferreira, Nada a assinalar
9.ª-Académica(f), V(0-3), Hugo Pacheco, Prejudicados, Sem influência no resultado
10.ª-Braga(c), V(1-0), Nuno Almeida, Prejudicados, Sem influência no resultado
11.ª-Rio Ave(f), V(1-3), Paixão, Nada a assinalar
12.ª-Arouca(c), E(2-2), Rui Costa, Prejudicados, Beneficiados, (3-2), (-2 pontos)
13.ª-Olhanense(f), V(2-3), Vasco Santos, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
14.ª-Setúbal(f), V(0-2), Paulo Baptista, Prejudicados, (0-3), Sem influência no resultado
15.ª-Corruptos(c), V(2-0), Soares Dias, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
16.ª-Marítimo(c), V(2-0), Hugo Miguel, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
17.ª-Gil Vicente(f), E(1-1), Paixão, Prejudicados, (1-2), (-2 pontos)
18.ª-Sporting(c), V(2-0), Marco Ferreira, Nada a assinalar
19.ª-Paços de Ferreira(f), V(0-2), Duarte Gomes, Prejudicados, Sem influência no resultado
20.ª-Guimarães(c), V(1-0), Nuno Almeida, Prejudicados, Sem influência no resultado
21.ª-Belenenses(f), V(0-1), Jorge Ferreira, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
22.ª-Estoril(c), V(2-0), Paulo Baptista, Beneficiados, Prejudicados, (3-1), Sem influência no resultado
23.ª-Nacional(f), V(2-4), Manuel Mota, Prejudicados, (1-4), Sem influência no resultado
24.ª-Académica(c), V(3-0), Rui Costa, Prejudicados, (4-0), Sem influência no resultado
25.ª-Braga(f), V(0-1), Proença, Prejudicados, Sem influência no resultado
26.ª-Rio Ave(c), V(4-0), Cosme Machado, Nada a assinalar
27.ª-Arouca(f), V(0-2), Hugo Miguel, Nada a assinalar
28.ª-Olhanense(c), V(2-0), Xistra, Prejudicados, (3-0), Sem influência no resultado

Sporting
1.ª-Arouca(c), V(4-1), Rui Costa, Nada a assinalar
2.ª-Académica(f), V(0-4), Soares Dias, Beneficiados, Sem influência no resultado
3.ª-Benfica(c), E(1-1), Hugo Miguel, Beneficiados, (0-2), (+1 pontos)
4.ª-Olhanense(f), V(0-2), Benquerença, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
5.ª-Rio Ave(c), E(1-1), Xistra, Prejudicados, (2-1), (-2 pontos)
6.ª-Braga(f), V(1-2), Paulo Baptista, Nada a assinalar
7.ª-Setúbal(c), V(4-0), Duarte Gomes, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
8.ª-Corruptos(f), D(3-1), Soares Dias, Nada a assinalar
9.ª-Marítimo(c), V(3-2), Bruno Esteves, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
10.ª-Guimarães(f), V(0-1), Paulo Baptista, Nada a assinalar
11.ª-Paços de Ferreira(c), V(4-0), Jorge Ferreira, Nada a assinalar
12.ª-Gil Vicente(f), V(0-2), Jorge Sousa, Nada a assinalar
13.ª-Belenenses(c), V(3-0), Hugo Pacheco, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
14.ª-Nacional(c), E(0-0), Miguel Mota, Nada a assinalar
15.ª-Estoril(f), E(0-0), Proença, Nada a assinalar
16.ª-Arouca(f), V(1-2), Cosme Machado, Beneficiados, Impossível contabilizar
17.ª-Académica(c), E(0-0), Paulo Baptista, Prejudicados, (1-0), (-2 pontos)
18.ª-Benfica(f), D(2-0), Marco Ferreira, Nada a assinalar
19.ª-Olhanense(c), V(1-0), Hugo Miguel, Prejudicados, Sem influência no resultado
20.ª-Rio Ave(f), V(1-2), Jorge Ferreira, Nada a assinalar
21.ª-Braga(c), V(2-1), Soares Dias), Nada a assinalar
22.ª-Setúbal(f), E(2-2), Vasco Santos, Prejudicados, Beneficiados, (1-1), Impossível contabilizar
23.ª-Corruptos(c), V(1-0), Proença, Beneficiados, (0-1), (+3 pontos)
24.ª-Marítimo(f), V(1-3), Jorge Sousa, Prejudicados, (1-4), Sem influência no resultado
25.ª-Guimarães(c), V(1-0), Nuno Almeida, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
26.ª-Paços de Ferreira(f), V(1-3), Xistra, Nada a assinalar
27.ª-Gil Vicente(c), V(2-0), Bruno Esteves, Nada a assinalar
28.ª-Belenenses(f), V(0-1), Cosme Machado, Nada a assinalar

Corruptos
1.ª-Setúbal(f), V(1-3), João Capela, Beneficiados, Impossível contabilizar
2.ª-Marítimo(c), V(3-0), Jorge Ferreira, Beneficiados, Sem influência no resultado
3.ª-Paços de Ferreira(f), V(0-1), Rui Costa, Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)
4.ª-Gil Vicente(c), V(2-0), Hugo Pacheco, Prejudicados, (3-0), Sem influência no resultado
5.ª-Estoril(f), E(2-2), Rui Silva, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
6.ª-Guimarães(c), V(1-0), Proença, Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)
7.ª-Arouca(f), V(1-3), Vasco Santos, Beneficiados, Impossível contabilizar
8.ª-Sporting(c), V(3-1), Soares Dias, Nada a assinalar
9.ª-Belenenses(f), E(1-1), Miguel Mota, Beneficiados, (2-1), (+1 ponto)
10.ª-Nacional(c), E(1-1), Xistra, Nada a assinalar
11.ª-Académica(f), D(1-0), Capela, Beneficiados, (2-0), Sem influência no resultado
12.ª-Braga(c), V(2-0), Paulo Baptista, Nada a assinalar
13.ª-Rio Ave(f), V(1-3), Bruno Esteves, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
14.ª-Olhanense(c), V(4-0), Hugo Miguel, Prejudicados, (5-0), Sem influência no resultado
15.ª-Benfica(f), D(2-0), Soares Dias, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
16.ª-Setúbal(c), V(3-0), Hugo Pacheco, Nada a assinalar
17.ª-Marítimo(f), D(1-0), Nuno Almeida, Nada a assinalar
18.ª-Paços de Ferreira(c), V(3-0), Cosme Machado, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
19.ª-Gil Vicente(f), V(1-2), Paulo Baptista, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
20.ª-Estoril(c), D(0-1), Vasco Santos, Nada a assinalar
21.ª-Guimarães(f), E(2-2), Marco Ferreira, Nada a assinalar
22.ª-Arouca(c), V(4-1), Hugo Miguel, Beneficiados, Impossível contabilizar
23.ª-Sporting(f), D(1-0), Proença, Prejudicados, (0-1), (-3 pontos)
24.ª-Belenenses(c), V(1-0), Xistra, Beneficiados, Impossível contabilizar
25.ª-Nacional(f), D(2-1), Capela, Prejudicados, Beneficiados, (1-1), (-1 ponto)
26.ª-Académica(c), V(3-1), Manuel Mota, Nada a assinalar
27.ª-Braga(f), V(1-3), Rui Costa, Prejudicados, (1-5), Sem influência no resultado
28.ª-Rio Ave(c), V(3-0), Nuno Almeida, Nada a assinalar

Braga
1.ª-Paços de Ferreira(f), V(0-2), Bruno Paixão, Nada a assinalar
2.ª-Belenenses(c), V(2-1), Xistra, Beneficiados, Impossível contabilizar
3.ª-Gil Vicente(f), D(1-0), Vasco Santos, Beneficiados, Sem influência no resultado
4.ª-Estoril(c), V(3-2), Capela, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
5.ª-Arouca(f), V(0-1), Marco Ferreira, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
6.ª-Sporting(c), D(1-2), Paulo Baptista, Nada a assinalar
7.ª-Nacional(f), D(3-0), Soares Dias, Nada a assinalar
8.ª-Académica(c), D(0-1), Benquerença, Beneficiados, Sem influência no resultado
9.ª-Rio Ave(c), D(0-1), Jorge Tavares, Nada a assinalar
10.ª-Benfica(f), D(0-1), Nuno Almeida, Beneficiados, Sem influência no resultado
11.ª-Olhanense(c), V(4-1), Soares Dias, Nada a assinalar
12.ª-Corruptos(f), D(2-0), Paulo Baptista, Nada a assinalar
13.ª-Setúbal(c), V(2-0), Xistra, Nada a assinalar
14.ª-Marítimo(f), E(2-2), Rui Costa, Nada a assinalar
15.ª-Guimarães(c), V(3-0), Benquerença, Nada a assinalar
16.ª-Paços de Ferreira(c), E(1-1), Proença, Nada a assinalar
17.ª-Belenenses(f), D(2-1), Jorge Tavares, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
18.ª-Gil Vicente(c), V(4-1), Capela, Nada a assinalar
19.ª-Estoril(f), D(2-1), Xistra, Nada a assinalar
20.ª-Arouca(c) E(2-2), Duarte Gomes, Nada a assinalar
21.ª-Sporting(f), D(2-1), Soares Dias, Nada a assinalar
22.ª-Nacional(c), V(2-1), Nuno Almeida, Nada a assinalar
23.ª-Académca(f), E(1-1), Marco Ferreira, Nada a assinalar
24.ª-Rio Ave(f), E(1-1), Rui Silva, Beneficiados, (2-0), (+1 ponto)
25.ª-Benfica(c), D(0-1), Proença, Beneficiados, Sem influência no resultado
26.ª-Olhanense(f), V(0-2), Duarte Gomes, Nada a assinalar
27.ª-Corruptos(c), D(1-3), Rui Costa, Beneficiados, (1-5), Sem influência no resultado
28.ª-Setúbal(f), E(1-1), Hugo Miguel, Prejudicados, (1-2), (-2 pontos)

Jornadas anteriores:

Épocas anteriores:

O meu campeonato

"No Domingo, na ressaca de horas de tensão emocional, telefonaram-me da TSF para reagir ao regresso do Campeão. Não tenho bem presente a pergunta do Mário Fernando, mas terá sido qualquer coisa como: 'O que é que destacas no título do Benfica?'
Se não sei bem o que me foi perguntado, sei o que respondi: 'Foi o primeiro campeonato que celebrei no estádio com o meu filho'. Quando chamado a fazer uma análise ponderada sobre o percurso atribulado que trouxe o Benfica de novo às vitórias, o que me veio à cabeça foi, de forma imparável, a minha relação com o futebol.
Podemos bem enredar-nos em análises do sistema de jogo, olhar para as estatísticas, avaliar se é mais eficaz jogar em 4x4x2 ou 4x3x2x1; no fim, quando o tema é futebol, somos remetidos para um território de suspensão da razão. Fechados num estádio para ver um jogo e, depois, para contemplar a felicidade infantil dos jogadores que correm sem sentido em volta do relvado, num momento de partilha com todos os sofredores de bancada, estamos numa espécie de reserva emocional, ausente no resto da vida.
Há muito que sei quão fascinante é poder participar daquela alegria. Julgo que o intuí primeiro quando, ainda bem miúdo, via, desde a janela, as filas de caros estacionados à porta de casa, com adeptos que se dirigiam para a Luz. Não sei se por ter sido vizinho do estádio, mas quando comecei a assistir aos jogos desde a bancada tive a confirmação do prazer que se encontra nas vitórias do nosso clube. Mas, devo dizer-vos, uma coisa é sermos nós a ver a partida; outra, bem distinta, é olhá-la desde os olhos dos nossos filhos e, naquele momento de exaltação absoluta - a celebração do golo, os cânticos da glória do título -, podermos abraçar-nos e sentimos neles a alegria que é também a nossa.
Este campeonato é do nosso capitão, o Luisão; do presidente; do Jesus; do Enzo - que põe a equipa toda a pensar futebol. É também de todos os adeptos que sofreram em Maio. Mas, para mim, este é o campeonato em que celebrei os golos do Lima abraçado ao Vicente, depois de ter ganho por 10 a zero ao Sporting numa peladinha imaginada pela Leonor, que fazia de Cardozo."

O novo campeão

"A festa do título das águias chegou. O Benfica confirmou frente ao Olhanense aquilo que já se tornara evidente há algumas jornadas. É o novo campeão, numa temporada que nem começou como os encarnados desejavam, mas durante a qual acabaram por se afirmar como aqueles que dispunham de melhor plantel e de um conjunto de soluções muito mais equilibradas do que os adversários directos. O clube da Luz apostou tudo no grande objectivo da época e apostou bem.
Luís Filipe Vieira é, em primeira instância, responsável pelo sucesso agora conseguido. Renovar com Jorge Jesus, numa altura em que praticamente todos os mais próximos do presidente não acreditavam na solução da continuidade, foi uma opção pessoal de risco. Vieira sabia que, se algo corresse mal novamente, não seria apenas o técnico a pagar a factura. Acreditou e, mais do que isso, deu ao treinador todas as condições para triunfar. Ter conservado um número significativo de peças valiosas do plantel foi igualmente relevante. 
Já Jorge Jesus conhecia bem o que tudo aquilo implicava. Ora, o facto é que, apesar de ter iniciado a temporada em condições difíceis - recorde-se que arrancou com uma derrota na Madeira e até esteve a cinco pontos do FC Porto - , o técnico soube lidar com um cenário adverso e contou com o empenho muito especial dos jogadores. Ultrapassada, cedo, a questão-Cardozo ("pendente" da época anterior), Jesus teve a capacidade para mudar o que foi necessário a partir da lesão prolongada do ponta de lança. Rodrigo e Lima deram conta do recado (repare-se que, no total do campeonato, Cardozo teve uma participação diminuta), enquanto Gaitan e Markovic se impunham como desequilibradores.
Mas falava atrás das múltiplas soluções deste plantel encarnado. Muito mais centrado na solidez defensiva - Luisão e Garay foram fundamentais neste contexto - , o Benfica teve no meio campo um homem fulcral : Enzo Perez foi o elo de ligação entre o destruir e o construir, passando por ele o "pensamento" de jogo que Jesus definira. Matic e Fejsa dividiram a temporada, mas, embora sejam jogadores com perfis distintos, encaixaram na lógica encarnada. Talvez até Fejsa vá mais de encontro ao que Jesus gosta (sem retirar as qualidades notáveis que Matic tem). O facto é que Matic, Fejsa ou até André Gomes funcionaram de acordo com o exigido sempre que lá estava...Enzo.
É certo que o Benfica beneficiou - ninguém faz campeonatos sozinho - do colapso do FC Porto. Simplesmente, por um lado, os encarnados não têm culpa dos equívocos em que o rival resolveu cair e, por outro, tiveram o mérito de fazer vingar as suas próprias qualidades, independentemente do que a concorrência fazia.
Depois, ao definirem o campeonato como o objectivo central da época, as águias seguiram à risca o plano traçado, sem concessões. Jesus, que aprendeu com o passado, jogou as (principais) fichas onde queria, em vez de tratar todas as frentes por igual. Deu-se bem e, talvez desta feita, com o conforto do título garantido, seja tempo de virar a agulha para outros alvos. Europeus, sobretudo.
O Benfica é um justo vencedor. Se serve para alguma aferição - e, por regra, serve - basta recordar os confrontos dos encarnados no campeonato com os rivais, Sporting (Alvalade e Luz) e FC Porto (Luz), em que foi melhor em todos os aspectos. A época ainda não terminou e logo se verá que mais pode conseguir a equipa de Jesus. De qualquer forma, aconteça o que acontecer, a história desta temporada já nada tem a ver com a anterior."

Vieira e Jesus e a continuidade

"Luís Filipe Vieira festejou com orgulho, mas sem exagerada exuberância o seu terceiro título de campeão como presidente do Benfica. Além do óbvio e indiscutível mérito de ter conseguido colocar o Benfica na agenda da elite do futebol internacional, depois de tempos de penúrias financeira e moral, a constatação de ter sido o líder de uma persistente e árdua luta pela recuperação da hegemonia do futebol português que, como se sabe, tem já décadas de património portista.
Pode dizer-se, e com sentido, que um campeonato ganho não representa necessariamente uma hegemonia consolidada. Seria, pois, exagero dizer-se que o Benfica roubou ao FC Porto esse domínio desportivo no futebol português. O que se pode dizer, isso sim, é que o Benfica de Vieira tem vindo paulatinamente a ganhar terreno e a diminuir, a olhos vistos, uma distância que chegou a ser imensa e que parece, no mínimo, estar a ficar cada vez mais nivelada.
É também legítimo considerar a influência de Jorge Jesus nessa evidente recuperação do Benfica. Essencialmente pela competência técnica no que respeita a uma respeitável e elogiável sabedoria prática dos segredos do jogo e a uma provada competência na organização das equipas, tal como no assinalável crescimento profissional dos seus jogadores.
Torna-se, pois, incontornável considerar os méritos de presidente e do treinador não apenas nesta época de sucesso do Benfica, mas no seguro crescimento desportivo do seu futebol. São méritos irrecusáveis, embora de densidades diferentes, porque ninguém poderá esquecer que a política de continuidade e de estabilidade é definida pelo presidente, de quem o treinador directamente responde."

Vítor Serpa, in A Bola

A visita da Velha Senhora

"Foi contra a Juventus que Eusébio marcou um dos golos mais fantásticos da sua carreira: ele próprio mo contou. Calou gargalhadas e matou sorrisos de escárnio - foi em 1968 para uma meia-final da Taça dos Campeões...

A Visita da Velha Senhora é um filme: de 1964, com Ingrid Bergmann e Anthony Queen. A Velha Senhora é a Juventus, e nada tem que ver com o filme. Só com o Benfica: visita a Luz na próxima quinta-feira.
Peço muitas ajudas para escrever estas páginas. Algumas aos protagonistas das histórias que recordo, outras a mim mesmo que já as rabisquei por aqui e por ali. Sobre Eusébio há pouco que não tenha complicado, na «Eusébio Enciclopédia» e no «Viagens em Redor do Planeta Eusébio». Enfim, grave é copiar prosa alheia, como certos artistas pouco honestos da nossa praça.
Juventus: o clube foi fundado em 1897 por um grupo de estudantes italianos que decidiram, originalmente, adoptar o vermelho para cor das camisolas; em 1903, durante uma viagem a Inglaterra, um dos seus dirigentes ficou tão impressionado com os equipamentos do Notts County que resolveu trazer a ideia para Turim - assim se estabeleceu a sua imagem zebrada. Foi nos anos 30 que a Juventus ganhou o seu estatuto de grande equipa: cinco campeonatos de Itália consecutivos e frequentes presenças nas meias-finais da Taça Mitropa (que punha em confronto os campeões dos países da Europa central). Depois, seguiu a via de todos os clubes italianos, entrando em força no mercado internacional: primeiro, os dinamarqueses John e Karl Hansen; em seguida, o argentino Omar Sivori, o galês John Charles, o espanhol Del Sol, o brasileiro Chinesinho; finalmente, já nos anos 80, Michel Platini e Zbigniew Boniek, que deram a tão almejada Taça dos Campeões Europeus a uma equipa que nunca tinha lá chegado.
Juventus: a «Vechia Signora».
Velha Senhora: é assim que a Juventus é conhecida.
Velha Senhora: dificilmente se poderia ter inventado uma alcunha mais próxima de um poder dissimulado, de uma eminência parda e escondida.
Juventus: a equipa da família Agnelli.
Os Agnelli dominam a banca, a indústria química, têxtil, de armamento, cimentos e gráficas num toal de mais de 60.000 milhões de dólares; além do mais são os donos da FIAT que, por seu lado, controla a maior fatia da empresa de publicações Rizzoli que é responsável, entre outros, pela edição do «Corriere della Sera» e do «La Stampa», dois dos mais importantes jornais italianos.
Em Itália costuma dizer-se, à laia de anedota, que o trabalho do Primeiro-Ministro é polir a maçaneta da porta dos Agnelli.
Os Agnelli e a FIAT também são donos da Juventus.
Os jogos em que a Juventus participa são aqueles cujas arbitragens estão envoltas em maior número de polémicas.
A Juventus já se viu envolvida num sem fim de trampolinices. Mas como em Itália a justiça funciona também já deu com os nobres costados na segunda divisão.

Agora, o Eusébio e o Benfica
Em 1968, o treinador da Juventus chamava-se Heriberto Herrera.
«Benfica sem Eusébio não vale muito», dizia Heriberto Herrera.
Mas o Benfica tinha Eusébio.
Em Lisboa, vitória por 2-0, um golo de Torres e outro de Eusébio.
Em Turim, vitória por 1-0, golo de Eusébio.
Eis-nos aqui chegados. Estádio Comunale, em Turim, 15 de Maio de 1968. Ao minuto 69, há um livre contra a Juventus. Um livre directo, sim, mas ainda longe, muito longe da baliza. Muito longe? Pior ainda: longíssimo. Tão longíssimo que, em relação ao local da falta, a baliza parecia ficar para lá da linha do horizonte.
Favalli, jogador da Juventus, diria no fim do jogo: «Quem tem Eusébio, tem a vitória. Jogar contra uma equipa que tem Eusébio é um caso sério. O golo que marcou é um autêntico fenómeno!»
A bola está longe, pois. A milhares de quilómetros de distância do guarda-redes Anzolin. Para Eusébio tanto faz.
- Comecei a tomar balanço - conta Eusébio -, muito balanço, mesmo, e reparo que, no público, há pessoas a rir, incrédulas. Não acreditavam que eu fosse chutar de tão longe assim. Deviam julgar-me doido. Corri para a bola, chutei com toda a força, e ela entrou como uma bala na baliza italiana, sem hipóteses para o guarda-redes. Tiveram de engolir a risota.
Quando, certa vez, perguntei a Eusébio qual tinha sido o golo que mais prazer lhe dera marcar na vida. ELe respondeu, sem duvidar nem titubear:
- Um à Juventus, em Turim, nas meias-finais da Taça dos Campeões.
Era este. Do qual hoje resolvi falar. Nas vésperas de mais uma visita da Velha Senhora."

Afonso de Melo, in O Benfica

Benfica campeão, uma visão diversa

"Um clube sem memória não tem futuro. A maior parte dos lugares do camarote presidencial da Luz foi ontem ocupada por antigos campeões.

O Benfica sagrou-se ontem, pela 33.ª vez, campeão nacional. Este título permitirá, nos próximos dias, inúmeras abordagens, dos méritos de Jesus à resiliência de Vieira, da nova forma de jogar da equipa da Luz à paz que finalmente a nação encarnada encontrou, depois do maio-negro do ano passado.
Irei, porém, noutro sentido, pegando em algo que para muitos pode parecer um detalhe menor mas que para mim faz a diferença. Ontem, muitos dariam este mundo e o outro para serem convidados para o camarote presidencial da Luz. Sabendo-se que o Benfica se movimenta em áreas diversas, da economia às finanças, da diplomacia ao negócio do futebol puro e duro, não seria difícil à presidência encarnada encontrar pessoas a quem endereçar convites que poderiam vir a revelar-se mais valias para futuros relacionamentos. No entanto, a verdade é que o Benfica, através de Luís Filipe Vieira, decidiu convidar para o camarote presidencial aqueles que, em algum momento, contribuíram para os 33 campeonatos nacionais ganhos pelo clube da Luz.
O lema para esta forma de estar do Benfica é simples: «Um clube sem memória não pode ter futuro.»
Nos tempos que correm, este tipo de consideração não está na moda. Mas é desta riqueza que nascem condições para transmitir, entre gerações, valores essenciais, no caso do Benfica, a mística.
Ontem, vários jogadores encarnados, campeões pela primeira vez, conquistaram o direito a fazer parte deste grupo. Ganharam o direito a conviver com José Bastos, Artur Santos, Ângelo Martins, Fernando Cruz, António Simões e José Augusto. A ouvir histórias contadas na primeira pessoa, sobre Eusébio ou Coluna. A aprender o Benfica pela memória do monstro da baliza que foi José Henrique, a respeitar, na saudade, Manuel Bento e admirar o percurso de Humberto Coelho.
Foram mais de sete dezenas os campeões que ontem tomaram assento no camarote presidencial da Luz. O que é, a meu ver, uma boa notícia para o Benfica. Porque, na verdade, um clube sem memória não tem futuro...

MARQUÊS POMBAL
O Marquês de Pombal, vestido à Benfica, foi testemunha privilegiada da festa do 33.º título nacional. Mas a época está longe de estar terminada. Na quinta-feira a Juventus visita a Luz na primeira-mão da meia-final da Liga Europa e mais tarde a final da Taça de Portugal. São muitas competições até ao final da temporada, cada uma a requerer concentração máxima dos jogadores do Benfica. Em 2005, depois de se sagrarem campeões, os encarnados entraram em modo de festa e desperdiçaram (com todo o respeito pelo Vitória de Setúbal) a possibilidade da dobradinha.
Desta vez, como será?

O Benfica de Vieira
Terceiro título nacional da era Vieira para um Benfica que em cada ano se tem apresentado com mais argumentos. Longe vão os dias em que Camacho treinava em Massamá e jogava no Estádio Nacional. Hoje, os encarnados são um dos clubes mais fortes da Europa e embora este mérito deva ser distribuído por vários protagonistas, a parte de leão (salvo seja) vai, com todo o mérito, para Luís Filipe Vieira. Tal como aconteceu com outros grandes presidentes do Benfica, Vieira tem uma ideia do clube e um projecto de acordo com essa ideia de grandeza. Por vezes erra, as mais das vezes acerta, mas caminha sabendo o que quer e para onde vai. Seja na estabilidade que impôs ao futebol, seja na revolução que promoveu no panorama audiovisual nacional.

JORGE JESUS
Podiam ser mais? Talvez. Mas em 5 anos, Jesus entregou ao Benfica dois campeonatos. E construiu uma equipa com uma boa ideia, depois de várias etapas menos conseguidas, com ideias não tão boas. No Benfica, sabendo-se que há negócios que não podem deixar de ser feitos, existe base que deve ser preservada.

LUISÃO
O capitão do Benfica sagrou-se tri-campeão nacional. Há muitos anos que não havia, na Luz, um jogador que somasse três campeonatos (é preciso recuar às décadas de oitenta e noventa do século passado). Luisão representa a estabilidade que foi devolvida ao Benfica. E a continuidade de que são feitos os ciclos vitoriosos.

(...)"

José Manuel Delgado, in A Bola

Na antecâmara da promessa

"Alguém se recorda do alvoroço sobre o Benfica no último defeso? Alguém se recorda do rebuliço sobre o Benfica no começo desta temporada? Eram os sinais traumáticos da última época e de três derrotas atrozes. Eram as discussões (mais ainda, as oposições) à decisão do presidente Luís Filipe Vieira em prorrogar o vínculo contratual de Jorge Jesus.
Do outro lado da barricada, responsáveis do FC Porto ufanavam-se, garantidos cinco pontos de vantagem na Liga Nacional. Com sinais semelhantes, dirigentes do Sporting apregoavam o equilíbrio de forças com o arquirival, sustentando mesmo a excelência da sua política de gestão, ao invés de um iminente cataclismo vermelho.
Luís Filipe Vieira manteve-se irredutível, indiferente aos apelos de mudança e aos sucessivos remoques dos adversários e até de alguns consócios. O Benfica estabilizou-se, recuperou fôlego, fez prova inequívoca dos seus valimentos organizativos e competitivos. Superiorizou-se, inclusive nas múltiplas análises de comentadores independentes, até de apoiantes lúcidos de outros emblemas.
Não houve desvio no trilho definido. Tudo, mas tudo, pelo Campeonato. Falta pouco, muito pouco. Ainda há mais competições para vencer? Há, consabidamente. Ainda assim, o grande objectivo, proclamado de forma categórica, está ao alcance de um jogo em três possíveis. Concretizado, como é suposto, está ganha a temporada. Concretizada, como é suposto, está ganha a pertinácia de Luís Filipe Vieira. Concretizado, como é suposto, premeia uma estrutura competente. E o que poderá acrescentar-se ao ambicionado desiderato? Mais sabor, mais ardor, mais fervor"

João Malheiro, in O Benfica