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quarta-feira, 23 de abril de 2014

No futebol se vê o rosto do um povo

"Porque, como canta o Godinho, «isto anda tudo ligado», o futebol é metáfora perfeita para a humanidade. E, em particular, para cada um dos povos que a compõem.
Por cá, a primeira nota vai para a festa do título do Benfica. A praça do Marquês de Pombal, em Lisboa, encheu-se de gente e coloriu-se de vermelho. Tudo com a justa concordância da Câmara Municipal de Lisboa, que percebeu os benefícios de um dos seus clubes ali celebrar a conquista. Ao contrário do que sucede noutras paragens - Londres, por exemplo - ou nestas quando há Rock in Rio, a multidão teve de regressar a casa por meios alternativos ao óbvio serviço de metropolitano. Em vez de haver reforço de comboios, atendendo à quantidade de gente que andava na rua, houve um comunicado que falava de suspensão da linha azul e alterações na amarela.
Na prática, e mesmo que não tenha havido culpa directa do Metropolitano de Lisboa, o que se passou foi que uma excelente oportunidade de negócio redundou em portas fechadas e grande incómodo para milhares de pessoas.
Consequências? Zero. É normal, este é o país onde somos esclarecidos de que processos judiciais prescrevem por serem tão detalhados que os tribunais não têm quem os despache.
Este é também, e voltando ao futebol, o País em que um presidente de clube despede um jogador por quebra de confiança depois de um em dois jogos este ter arruinado a equipa e o Ministério Público nem sequer faz a pergunta «haverá algo para investigar?».
Também nas instituições desportivas se acha compreensível que uma equipa desvirtue o campeonato, oferecendo uma vitória que muda a classificação, ao jogar só com suplentes. E não existe regulamento - nem lei - que o impeça. Nem que impeça dirigentes de clubes de terem as suas empresas a fazer negócios com clubes adversários. Se não nos preocupamos em parecer sérios, como poderemos querer que nos reconheçam como tal?"

Nuno Perestrelo, in A Bola

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