Últimas indefectivações

sábado, 21 de abril de 2012

Derrota merecida


Académica 63 - 62 Benfica
13-10, 9-20, 22-11, 19-21

Quando se tem uma percentagem de 33% de lançamentos de 2, não se pode ganhar jogos... Como já tinha verificado nos jogos do fim-de-semana passado, a equipa está estranhamente, a atacar muito mal...
Analisando as diferenças entre os plantéis é difícil explicar como é que o Benfica não conseguiu vencer esta eliminatória por 3-0 !!! (aliás todos os outros confrontos 'acabaram' em 3-0!!!)
Espero que a ausência do Sérgio não tenha sido devido a um problema grave.

Juniores - Fase Final - 10ª jornada

Cafú

Benfica 2 - 1 Corruptos 

Passo importante... mas nada está decidido... Vitória sofrida, mas justa... com um golo a abrir e outro a fechar!!!
Temos agora duas deslocações ao Minho, sempre difíceis, estamos em vantagem, os Lagartos são os nossos adversários (ainda têm que jogar com os Corruptos), mas qualquer percalço poderá ser fatal. Com humilde e concentração o objectivo que poucos pensavam possível no início da época, poderá ser conquistado...
adenda1: Acabei de rever o jogo na Benfica TV: é inacreditável como é que só aos 85 minutos um jogador dos Corruptos foi expulso... é inacreditável como é que este Benfica continua a falhar golos atrás de golos!!!
adenda2: Vergonhosa a crónica no jornal A Bola. O Benfica foi claramente superior, teve o dobro de oportunidades flagrantes de golo, ao contrário do que é escrito pelo jornaleiro... e se o árbitro teve influência no jogo, foi ao não expulsar dois jogadores Corruptos no início da 2ª parte!!! As piadolas do treinador Corrupto, além de muita azia, demonstram bem a qualidade do animal!!!

Benfica..........23
Sporting..........22
Braga.............19
Corruptos.......18
(...)

1º lugar, na época regular


Académica 1 - 3 Benfica

Com esta vitória na última jornada da fase regular, o Benfica garante o 1º lugar, e a vantagem do factor casa nos play-off's... agora é preciso, recuperar os lesionados e entrar em força nos play-off's... e nada de pensar nos Lagartos, já que o Fundão na primeira ronda não será fácil, e nas Meias (em caso de qualificação) vamos jogar com o Freixieiro ou os Leões de Porto Salvo, ambas equipas difíceis...!!!

Esconder os "trunfos"?!!!


Sp. Espinho 3 - 1 Benfica
25-23, 22-25, 25-15, 25-21

Este jogo não servia para nada, mas uma vitória do Benfica podia ter um efeito psicológico forte no adversário... como não vi o jogo não sei o que se passou, não sei se o treinador voltou a dar tempo de jogo aos jogadores menos utilizados... Se foi para esconder a estratégia, tudo bem...!!! Mas não podemos esquecer que esta Final 'à maior de 3', é muito traiçoeira, não é permitido falhas, aliás o que aconteceu o ano passado deve ser relembrado aos jogadores...

Mais um "bloqueio"?!!!


Benfica 29 - 31 ABC

Depois de termos quebrado o 'bloqueio' Madeira Sad, parece que ficámos com o 'bloqueio' ABC!!!
Neste momento o objectivo é só o 2º lugar, mas os jogadores estão a representar o Benfica, e não se pode baixar os braços... Espero que o treinador e a direcção retirem destes jogos as devidas ilações, porque neste momento é melhor começar a pensar na próxima época... e hoje, os nossos laterais ofensivos voltaram a não marcar golos. Nas equipas de Andebol os laterais normalmente são os melhores marcadores, e no Benfica isso raramente acontece...

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Barcelona fez pior que o Benfica

"Ganhar a Taça da Liga é bom. Ganhar a Taça da Liga quatro vezes é quatro vezes bom. O problema do Benfica é quando não ganha, não é o que ganha.
Excelente organização tem esta Taça da Liga, facto já constatação em anos anteriores. Sem incidentes, adeptos em festa de ambos os lados e não fora mais uma arbitragem fraca e tudo tinha sido de topo.
Grande jogo de Matic e gostei particularmente dos primeiros 105 segundos do Saviola.
Há três clubes que venceram quatro vezes seguidas as Taças da Liga dos seus países, todos eles campeões europeus: Benfica, Bayern e Liverpool.
É sempre bom somar curriculum.
O que falta do campeonato é simples para o Benfica, ganhar os quatro jogos e ver até onde dá. Não tenho ilusões.
Depois de ganhar com Vítor Pereira, o FC Porto na próxima época vai tentar (e conseguir) ganhar com a D. Alda, a minha empregada doméstica. Uma excelente senhora, de dedicação e honestidade irrepreensíveis, que também merece ser campeã.
Pedro Proença, Soares Dias e Jorge Sousa serão os árbitros escolhidos para as mais importantes decisões da próxima época, para sorte da D. Alda.
Neste episódio que desconheço contornos, que envolve um depósito de dois mil euros numa conta de um árbitro assistente, retirei alguns ensinamentos.
Não dará para pagar sempre dois mil euros e pedir para as arbitragens serem honestas? Eu entro na vaquinha. Julgo que a esmagadora maioria dos adeptos também patrocinava.
Dei comigo a pensar que o Barcelona com 11 fez pior que o Benfica com a 10 jogar em Chelsea.
Às vezes é bom ver o Benfica sem centrais, a jogar com 10, a sofrer penalties e a fazer melhor que o superbarcelona com 11 e Messi."

Sílvio Cervan, in A Bola

Ou Jesus... ou Oliveira

"Luís Filipe Vieira (LFV) tem dois caminhos para atenuar o efeito de mais uma tentativa falhada de reconquista do título de campeão nacional em ano de eleições: ou faz deflagrar uma “bombinha artesanal” com o despedimento de Jorge Jesus (provocando mais uma onda de falsas esperanças) ou reforça a posição do treinador e provoca o rebentamento da “bomba atómica”, ao criar as condições de não renovação do contrato com a Olivedesportos, em matéria de direitos televisivos. Estou certo de que, entre uma coisa e outra, os benfiquistas preferem a... “revolução”.
É o momento de Luís Filipe Vieira decidir se quer ficar na história do Benfica pelos melhores ou pelos piores motivos. O que fez não chega. Já passou o efeito do “furacão Vale e Azevedo” e, por esta altura, os sócios do Benfica querem mais. Querem títulos mas querem, igualmente, posições firmes, determinadas e eficazes no sentido de contrariar a cimentada hegemonia do FC Porto. E isso só é possível se forem questionados alguns dos pilares que sustentaram a hegemonia portista, para além da competência técnica que deve ser reconhecida a muitos dos momentos de glória do futebol azul e branco. Um desses pilares chama-se, indubitavelmente, Olivedesportos. No confronto directo com Pinto da Costa e o FC Porto, Vieira tem perdido. Resta o confronto indirecto. E não é nem através da Liga, nem através da Federação, que não são “sedes de poder” mas “sucursais de poder”. Basta estar atento à composição dos jactos particulares nos momentos dos grandes embates do futebol português no plano internacional e tudo o resto se tornará mais claro...
É essa escolha que LFV tem de fazer. E se tiver coragem para a operar é preferível concretizá-la com um treinador que já conheça o clube, os jogadores e os adversários. Esse treinador é Jorge Jesus. Com todos os seus defeitos e limitações conseguiu dar uma nova dimensão ao Benfica. Neste momento – à excepção de Mourinho e talvez André Villas-Boas, que não deve querer meter-se em sarilhos... – o presidente dos encarnados não tem à disposição, pronto para entrar na Luz, melhor treinador do que Jorge Jesus.
Esta é uma boa altura para, com ele, resolver as “sombras” do plantel. Vender dois ou três activos, fazer mais-valias e potenciar, de novo, outros valores para o mercado. Com a vantagem de reduzir as opções de escolha do rival (Pinto da Costa já “denunciou” o interesse do Benfica em Leonardo Jardim, e é preciso saber interpretar esses sinais).
Esta seria a melhor estratégia de Luís Filipe Vieira em ano eleitoral. Mas reconheço que é preciso coragem para focar o objectivo e não hesitar.

Nota – O Sporting não merece que o medo e a chantagem lhe roubem a virtude. Sá Pinto e a equipa de futebol não mereciam isto. Estranho é que ainda não tenham ocorrido demissões. Poder sem honra é abuso de poder. O pós-Roquette fez mergulhar o clube numa situação de permanente emergência. Já não era fácil tirar o Sporting dos “cuidados intensivos”. Mas “condená-lo à morte” desta maneira, com mácula e sem oposição, é que parece demasiado irresponsável."


PS: Num curto espaço de tempo, sou obrigado a concordar com outra das personagens mais 'deprimentes' do universo desportivo Português!!!
Lembram-se da última entrevista do Vieira na TV? Nessa altura o Benfica levava o vantagem 'confortável' e a confiança era generalizada. A entrevista foi morna, e mais uma vez o tema predilecto entre os Benfiquistas, no rescaldo, foi novamente o contrato com a Olivedesportos. Praticamente todos rogavam por um distanciamento em relação à 'familia' Oliveira (onde eu, me incluo)!!! Poucos, muitos poucos, defendiam que o Benfica devia assinar com quem oferecesse mais dinheiro, independentemente de quem fosse o 'pagador'!!!
Mas entre os que defendem a ruptura total com o Oliveira, poucos, muitos poucos, têm consciência de todas as consequências de tal decisão!!! Poucas semanas antes, o 'mano novo', António Oliveira, noutra entrevista, tinha admitido 'à descarada', que o seu Mano Velho domina os bastidores do Futebol Português (O famoso Sistema de duas 'cabeças' - dois tronos -, um para o Pintinho, outro para o Oliveirinha 'do roupão'!!!), praticamente ao mesmo 'nível' do Padrinho. Contrariar Joaquim Oliveira é quase uma 'sentença de morte' em Portugal (e não é só no desporto. Perguntem ao Vara!!!). Ainda ontem, a nossa Leonor, no seu sublime exercício futurista, resolveu justificar o futuro e hipotético declínio dos Corruptos, com um conflito com a Olivedesportos (não seria um aviso da Leonor?)...!!!
No actual estado de impunidade nacional, confrontar abertamente a Olivedesportos, tem imediatas consequências negativas nos resultados desportivos, mesmo numa instituição do tamanho do Benfica. É inevitável. Quem prometer o contrário, está mentir, ou é ignorante...
As perguntas que devem ser feitas aos Benfiquistas e que o Santolas se 'esqueceu' de descrever na sua crónica são as seguintes:
Estão os Benfiquistas disponíveis, neste momento, a declarar 'guerra' a mais um adversário, muito poderoso, que tem uma enorme influência no resultado final das partidas?!!!
Será que os Benfiquistas têm 'paciência' para continuar a ficar afastados dos títulos (pelo menos com a regularidade que o Benfica 'merece')?!!!
A maneira como muitos Benfiquistas têm reagido a mais este frustrante final de época, diz-me que não. Os mais acérrimos defensores da ruptura com a Olivedesportos, são ao mesmo tempo, os mais acérrimos opinadores anti-Jesus e anti-Vieira...!!!
Mais uma vez a solução na minha opinião está na gestão das expectativas... eu sei que muitos confundem isto, com o baixar do grau de exigência, divagam com as bandeiras do passado, que o Benfica já não é o Benfica, consideram-se humilhados constantemente, etc. etc. etc...
Eu defendo a ruptura com Olivedesportos, mas tenho consciência que isso terá um impacto directo nos resultados desportivos (adenda 'a pedido' do Master: sim, ainda é possível ter resultados piores...!!!). Mas duvido que esta mensagem seja compreendida (e interiorizada) no universo Benfiquista, e assim, infelizmente, prevejo um futuro com ainda mais destabilização interna... Com qualquer treinador, e com qualquer Direcção...

O caso Cristóvão

"O futebol português está a viver um episódio triste. Um caso em que há suspeita de simulação de corrupção para comprometer um árbitro num jogo entre Marítimo e Sporting. Parece mais um caso de possível atentado sem prova de quem atentou. E como todos são inocentes até prova em contrário, o caso pode ficar por aqui. Sobretudo se o Sporting ganhar hoje, como se deseja.
O nome de Paulo Pereira Cristóvão saltou para a ribalta com este caso. O dirigente leonino diz-se inocente e, por mais estranha que pareça a história que envolve secretárias e empregados, merece a presunção de inocência. Mas deve ser “reintegrado” na estrutura dirigente do Sporting? Dificilmente.
Os clubes de futebol têm hoje enormes responsabilidades e são geridos por equipas altamente profissionais. Tornaram-se empresas com administrações sujeitas a um rigor e escrutínio total, com regras de ética e de governação irrepreensíveis. Tendo em conta a gravidade das suspeitas em causa, em qualquer empresa um dirigente, mesmo inocente, seria afastado até conclusão das averiguações. E não é só por uma questão de aparências. No caso concreto do Sporting, está em curso uma reestruturação financeira profunda, que envolve credores de uma situação financeira muito débil e negociação com novos investidores. Ter a administração envolvida em suspeitas funciona como um repelente de investidores. E o Sporting precisa desesperadamente de capital.
Hoje o Sporting tem um jogo importantíssimo. Será uma excelente notícia se ganhar. E, sendo esse o caso, amanhã menos pessoas pensarão na polémica dos últimos dias. Será que essa anestesia, que os sucessos desportivos produzem sobre os adeptos, será mesmo boa para o Sporting? O sucesso, sim. A anestesia, não. Mesmo assim: vamos à vitória, Sá Pinto!"

quinta-feira, 19 de abril de 2012

O editorial

"Muitos jornais têm por hábito trazer na última página o editorial. Este editorial de um determinado jornal vinha na última página e era assinado pelo seu director. Até aqui tudo dentro da normalidade. No entanto, quem fosse lendo, linha a linha, reparava que este editorial era veículo de uma confissão. Ou de uma ameaça, depende do ponto de vista. Com ligeireza, por sms, um alto dirigente de um grande clube do norte avisava o assinante director que o Benfica bem podia preocupar-se com treinadores que eles com a sua organização ganhariam 20 dos próximos 25 Campeonatos. Vamos agora supor: suponhamos que o grande clube do norte é aquele que todos nós suposemos logo de início. É uma boa suposição embora esbarre com contrariedades: esse clube que estamos a supor não tem dirigentes, tem apenas um dirigente que, por sinal, também não é alto, é até baixote, de estômago dilatado e físico grotesco.
Mas, mesmo assim, teimemos na suposição, até porque o norte não abunda de auto-intitulados grandes clubes. Ficamos a saber, nesta confissão (ou ameaça), que o alto dirigente (mesmo que seja baixote, pouco importa) não se preocupa com treinadores. Nada que não se suspeitasse há muito: já sabíamos todos, empiricamente, que não são os treinadores que resolvem Campeonatos. É a tal organização de que tanto se orgulham esses curiosos espécimes que têm no Futebol e da vida uma visão tão distorcida que não consegue ser absorvida por mais de meia-dúzia de pascácios. E contra essa organização não há, de facto, nada a fazer. A menos que estejamos, aqueles que não fazem confissões (ou ameaças) atoleimadas por sms, dispostos a guardar prostitutas no figrorífico, a pagar viagens de Verão para o Brasil, a gastar umas notas nas marisqueiras de Matosinhos ou a enfiar um árbitro num carro numa rua escura e levá-lo prazenteiro a tomar um cafézinho a casa do Senhor da Fruta. Por falar nisso: parece que se cumprem oito anos sobre a célebre viagem pelas ruas mais esconsas de Mafamude e do Canidelo. Parabéns ao Madaleno!"

Afonso de Melo, in O Benfica

Momento do Benfica

"Como qualquer benfiquista, o meu estado de espírito não é muito recomendável. Em oito jornadas, passar de 5 pontos de vantagem sobre o rival para 4 de desvantagem (que, na prática, são 5), é difícil de digerir. Sobretudo se considerarmos que a equipa fez uma carreira brilhante na Champions (de onde o FCP saiu cedo e sem glória) e conquistou a Taça da Liga (uma prova mais difícil do que a Taça de Portugal).
É por ter criado tão altas expectativas, que os benfiquistas não se conformam com a possibilidade de voltar a perder o campeonato e disparam as suas setas sobre o alvo mais fácil: o treinador. “Jesus, dizem, não roda a equipa, preferiu Emerson a um ex-campeão do Mundo, é arrogante, inventa, não sabe defender os resultados, as suas equipas rebentam sempre nos finais da época”, repetindo os lugares-comuns lançados por quem beneficia com a instabilidade do clube.
Ora, Jesus é um dos quatro melhores treinadores portugueses e o melhor que o Benfica teve desde a primeira época de Erickson. (...) E é bom lembrar que a equipa que perdeu em Alvalade (com a arbitragem de Artur Soares Dias), foi a mesma que, em 27 dias, ganhou ao Beira-Mar, fez duas exibições brilhantes com o Chelsea (a única equipa inglesa na Champions e que, portanto, não podia ser eliminada), afastou o FCP da Taça da Liga, empatou em Olhão, venceu o Braga, e teve 65% de posse de bola em Alvalade. Quanto (...) às deficiências táticas e na comunicação, que eu saiba, não foram as limitações de Vítor Pereira como treinador nem a boçalidade das suas afirmações que impediram o FCP de estar à frente do campeonato.
As razões porque o Benfica se arrisca a perder o campeonato são outras: uma estrutura amadora ao nível da direcção desportiva e da informação/comunicação, que não soube acautelar e muito menos contrariar os efeitos da pressão sobre as arbitragens e a disciplina da FPF (à qual Vieira deu o seu apoio “incondicional”), que coincidiu com a recusa da proposta da Olivedesportos, e que voltaram a condicionar os resultados neste final da época: em Coimbra, na Luz com o FCP, em Olhão e em Alvalade. Sem falar do castigo inédito de 2 jogos a Aimar, que o afastou cirurgicamente do último dérbi.
Os “abutres”, que aparecem sempre nestas alturas, preferem atirar a toalha ao chão e pedir a cabeça do treinador. Mas, o símbolo do Benfica é a águia, e não o abutre, e, se não houver arbitragens viciadas, tudo estará em aberto até à última jornada.
Com eleições à porta, há dois compromissos, por isso, que Vieira deve assumir: respeitar o contrato que fez com o seu treinador e não renovar o contrato com a Olivedesportos. O próximo Presidente, que poderá ser ele, não pode ficar amarrado a decisões que, de outro modo, comprometeriam a sua margem de manobra e o futuro do clube."

António Pedro Vasconcelos, in Sol (via Master Groove)

Viva o 17 de Abril de 2042! (texto futurista por ocasião do 30.º aniversário de Pereira Cristovão na presidência do Sporting)

"...foi há 30 anos que Cristóvão assumiu a presidência do Sporting e tudo mudou. O Benfica extinguiu-se. E o FC Porto nunca recuperou da guerra com a Olivedesportos...

Valeu a pena?
Sim valeu a pena.

FAZ por estes dias 30 anos que Paulo Pereira Cristóvão assumiu a presidência do Sporting Clube de Portugal para conduzir o histórico clube com 136 anos de existência a um patamar único e sem rival em Portugal.
30 anos, 307 títulos! - eis o cartão de visita do presidente Cristóvão no ano em que festeja 73 Primaveras e três décadas no comando da grande nau.
Feito notável. Pena que o consulado de ouro de Pereira Cristóvão tenha ficado a 1 título do registo do mítico Jorge Pinto Costa na presidência do FC Porto durante o mesmo espaço de tempo.
Entre 1982 e 2012 aquele antigo presidente do Norte do país conquistou 308 títulos.
Jorge Pinto Costa 74 anos quando celebrou o feito. Paulo Pereira Cristóvão tem 73 anos na ocasião histórica que hoje celebra. Se Jorge Pinto Costa somou mais um título é porque tinha mais experiência. A experiência, que advém de mais um ano de vida.
Estas contas só ao alcance dos predestinados têm vindo, no entanto, a provocar rumores de insatisfação entre a nação leonina.
Reclamam os sportinguistas mais exigentes, aqueles que por mais que ganham nunca estão satisfeitos, que lhes faltam aqueles 2 títulos que estiveram à mão de semear para Paulo Pereira Cristóvão poder ultrapassar galhardamente o palmarés de Jorge Pinto Costa, ficando, concomitantemente, o Sporting com 1 título a mais.
Há até entre os notáveis do Conselho Leonino quem acuse o presidente, por se ter deixado adormecer na forma, pelas duas surpreendentes derrotas nas finais da Taça da Liga das temporadas de 2019/2020 e de 2034/2035, contra adversários perfeitamente no alcance como o Eléctrico de Ponte de Sôr e o FC Porto.
O Eléctrico de Ponte de Sôr ainda vá que não vá... mas a derrota com o FC Porto teve aspectos intoleráveis pela grande rivalidade que passou a existir entre os dois clubes, mormente desde a extinção do SL Benfica, emblema lisboeta obrigado a fechar as portas em 2018 depois de uma sucessão misteriosa e fatal de treze incêndios que reduziram a escombros e seu Estádio da Luz e demais património mobiliário e também imobiliário.
A Taça da Liga já vai na sua 34.ª edição e, curiosamente, o Sporting, um verdadeiro papa-títulos em Portugal e no estrangeiro, apenas por uma vez conseguiu levar de vencida o cobiçado troféu. Foi na longínqua temporada de 2012/2013, logo no princípio do consulado de Pereira Cristóvão como presidente do clube, o adversário foi o Marítimo e o Sporting ganhou por falta de comparência dos madeirenses.
«Só conseguiram ganhar uma Taça da Liga na secretária!» - regozijaram-se os benfiquistas, que ainda estavam activos à época. Mas regozijaram-se por pouco tempo. Logo sobrevieram de rajada os incêndios números 4, 5 e 6 no Estádio da Luz e passou-lhe imediatamente a vontade de rir. E o pior ainda estava para vir.
A verdade é que o Sporting ganhou a sua única Taça da Liga na secretaria. Mas o Sporting não tem culpa da falta de comparência da equipa do Funchal. O Marítimo não foi a jogo porque foi desqualificado da competição pelo Conselho de Disciplina da defunta Liga de Clubes.
E porquê?
Um vice-presidente do Marítimo que, incrivelmente, tinha acesso ao número da conta bancária de um fiscal-de-linha, sugeriu a um funcionário seu, antigo líder da claque Esquadrão Maritimista, que se metesse no teleférico para o continente e fizesse um depósito de 444.382.763 escudos (sim, tudo isto se passou no ano em que o euro passou a ser moeda antiga) na conta do dito fiscal-de-linha.
O propósito era coagir e incriminar o árbitro assistente afastando-o do próximo jogo do Marítimo que era a contar para a Taça da Liga contra adversário temível. Numa artimanha que soou genial ao seu mentor, a viagem de teleférico ao continente e o depósito dos 44.382.763 escudos numa agência bancária da Capital em nome do fiscal-de-linha destinavam-se a manchar a honra de um clube inocente.
A infantil tramóia foi rapidamente posta a nu por três jovens inspectores-estagiários da polícia nacional que nem precisaram de pedir auxílio aos inspectores mais velhos. Naturalmente, o Marítimo foi desqualificado da Taça da Liga e como já estava apurado para a final quando tudo veio a lume, a final desse ano não se realizou tendo a vitória sido atribuída ao Sporting, na secretaria, facto que não gerou a menor controvérsia.
Regressemos ao tempo presente, que é de festa.
O Sporting de Paulo Pereira Cristóvão lidera como de costume o campeonato, está nas meias-finais da Liga dos Campeões e se é verdade que foi mais uma vez prematuramente afastado da Taça da Liga, (cuja final se disputa no domingo entre os Pescadores da Costa da Caparica e o Eléctrico de Ponte de Sôr), também não é menos verdade que jogará já no próximo mês de Maio a sua 6.ª final consecutiva da Taça Cardinal no Arena-Jamor.
No calendário de provas oficiais do futebol português, a Taça Cardinal sucedeu à velhinha Taça de Portugal, prova pela última vez disputada em 2011 e nesse ano de despedida ganha pelo FC Porto. Foi naquele tempo em que o FC Porto ganhava tudo e de que só os mais velhos se lembram.
Neste ano em que se comemora o 30.º aniversário do consulado da presidência de Paulo Pereira Cristóvão no Sporting, significará esta 6.ª final consecutiva no Arena-Jamor a 6.ª vitória consecutiva dos leões?
No relvado do Arena-Jamor, herdeiro do velhinho Estádio Nacional, esplendorosamente reconstruído em 2016 com capitais angolanos, caíram aos pés do Sporting nas últimas 5 finais adversários como o Eléctrico de Ponte de Sôr (2037, 2038 e 2040), o Beira Mar de Monte Gordo (2039) e os Pescadores da Costa da Caparica (2041).
Neste ano de 2042, no entanto, a final da Taça Cardinal vai ter o sabor de um velho e já esquecido clássico porque o adversário chama-se FC Porto. Longe, é certo, vão os tempos daquele FC Porto imperial de Jorge Pinto Costa a quem, por graça, se chegou a chamar de Papa tal era o seu apetite. Hoje o FC Porto não é o que era.
Depois de Jorge Pinto Costa seguiu-se a presidência de António Salvador mas Salvador nem conseguiu completar o seu primeiro mandato. 'Vai pró Braga!', gritavam-lhe a toda a hora. Depois de Salvador, foi Rui Moreira ocupar a presidência mas as coisas também não correram bem e a culpa, dizia-se, era dos tecnocratas. Satisfazendo a velha guarda, foi então eleito Reinaldo Teles presidente e cumpriu dois mandatos com a dignidade que cabe a um simpático ancião. Mas sem vitórias o que gera contestação popular. Sucederam-se 4 comissões administrativas integrando uma plêiade de notáveis. Também sem sucessos.
Foi assim que, em 2027, congregando em si todas as esperanças, o antigo jogador do clube António Oliveira se fez eleger presidente do FC Porto.
Tinha 75 anos e poderia ter sido em excelente presidente do FC Porto se o seu irmão Joaquim, de 84 anos, dono da empresa Olivedesportos, não lhe tivesse sabotado o mandato e as contas da tesouraria renegociando com o FC Porto o contrato de transmissões televisivas por em terço do valor do mesmo contrato com o Eléctrico de Ponte Sôr. Foi o fim da macacada.
Hoje, por culpa destes 30 anos de Paulo Pereira Cristóvão no Sporting, levando tudo à frente de vencida, já ninguém sabe quem é o presidente do FC Porto. Ninguém sabe o nome de quem se vai sentar com Paulo Pereira Cristóvão na tribuna do Arena-Jamor. O actual presidente do FC Porto é um cidadão anónimo, ninguém lhe liga pevide.
Não admira. Pois se os mais jovens adeptos do FC Porto nem sequer sabem quem foi o presidente Jorge Pinto Costa. Nem lhe sabem dizer bem o nome. É trabalho dos portistas mais velhos explicar aos mais novos que, em primeiro lugar, não é Jorge Pinto da Costa mas Jorge Nuno Pinto da Costa, tal como está escrito na frontada do antigo Aeroporto Francisco Sá Carneiro rebaptizado com o nome do antigo presidente portista em 2022, depois de sofrer obras de remodelação com capitais angolanos.
De volta à efeméride. Foi há 30 anos que Paulo Pereira Cristóvão assumiu a presidência do Sporting e tudo mudou no panorama do futebol nacional. O Benfica ardeu e extinguiu-se. E o FC Porto nunca mais conseguiu recuperar da guerra fratricida com a Olivedesportos.
O último título oficial do FC Porto aconteceu na já distante época de 2028/2029 e soube a pouco: uma vitória morna na final da Taça da Liga frente ao Paço de Arcos, por 1-0, um golo do veteraníssimo Gonçalo Paciência, filho de um tal Domingos Paciência que foi muitos anos jogador do FC Porto e poucos meses treinador do Sporting. Dizia-se na altura que o pai Domingos tinha sido vítima de espionagem ao mais alto nível e que cedeu a posição quando confrontado com os factos, sendo que a natureza dos factos é ainda hoje desconhecida.
O importante é que o processo que, há 30 anos, levou Paulo Pereira Cristóvão, à presidência do Sporting foi pão-pão-queijo-queijo. Não foi preciso raptar a equipa e levá-la para o pinhal de Leiria, como outros fizeram noutros pinhais em séculos passados. Não foi preciso sequer desautorizar e humilhar o presidente que estava em exercício. Também não foram precisas eleições.
É caso para se dizer que Paulo Pereira Cristóvão fez-se presidente do Sporting só com a sua presença. Impondo-a com naturalidade e sem discussão perante os colegas dirigentes.
Faz agora 30 anos que, para testar os outros e para se testar a si próprio, o vice-presidente Paulo Pereira Cristóvão, qual Houdini, se fez desaparecer a si próprio durante 96 horas para, num golpe de magia, regressar triunfalmente, caindo com estrondo na sala de reuniões e fazendo desaparecer, envoltos em grande poeirada, todos os dirigentes do Sporting que lá estavam sentados. E ainda todos os dirigentes do Sporting do passado. E os do futuro também.
Foi o início de uma era.
Não se pode dizer que foi o início de uma nova era porque, com toda a franqueza, de novo não teve nada."

Leonor Pinhão, in A Bola

Os inferiores interesses do Sporting

"«Entendi que, estando a minha honestidade pessoal, e enquanto dirigente, em causa, deveria apresentar (...) o meu pedido de suspensão do mandato. (...) Tal decisão (...) deve-se única e exclusivamente aos superiores interesses do Sporting.»
Paulo Pereira Cristovão, 12 de abril de 2012

Desconfio que é por causa da quantidade de gente que confunde o nome do árbitro auxiliar do primeiro escalão que estava nomeado para o Sportin-Marítimo (José Cardinal), com o da família Cardinali - está montado o circo no Sporting!
Três dias depois de anunciar que pedia a suspensão do mandato depois de ser constituído arguido num processo de denúncia caluniosa, surgiram notícias de que Paulo Pereira Cristovão queria retomar funções, o que viria a confirmar-se no dia seguinte, depois de agitada reunião do Conselho Directivo.
Está no seu direito, mas o que mudou em três dias para que já não fizesse sentido continuar afastado da Direcção? Pelo que se percebe, a jogada de Cristovão aconteceu depois de perceber que, fora de funções directivas, ficaria desprotegido. Mas isso era de esperar.
Depois de ter invocado os superiores interesses do Sporting, a única coisa que se pode concluir é que decidiu que afinal os interesses do Sporting, são inferiores, pelo menos aos seus.
Não bastando tudo isto, vem o presidente do Sporting contribuir ainda mais para o circo Cardinali em que se transformou Alvalade, recordando a sua história pessoal - quando no passado se afastou da Direcção de Dias da Cunha depois de ter sido constituído arguido num processo, numa crítica implícita ao facto de Pereira Cristovão não ter feito o mesmo - e introduzindo um tema que ainda não tinha sido mencionado, o de eleições antecipadas, apenas para dizer que era contra...
Enfim, pinte-se os quatro mastros e pode ser que tudo se resolva."

Hugo Vasconcelos, in A Bola

Modernos e eternos

"Os melhores adeptos do Sporting, entre os quais “coleciono” grandes amigos, não mereciam aquilo que lhes caiu em cima. Só há duas hipóteses: ou é uma traição de um dos seus, inusitada, indesculpável, indecorosa e ainda por cima mal montada, ou é uma cabala de terceiros, o que seria prova final do estado de demência a que chegou o futebol português. A época leonina parecia já ter suportado toda a agitação possível. Pode o Sporting queixar-se de que esta bomba, com ondas de choque ainda incalculáveis, rebenta em vésperas de um momento decisivo da temporada para um clube que foi arquivado cedo de mais, acabando por se tornar no mais resistente dos portugueses à erosão europeia. O primeiro encontro com os espanhóis do Bilbao ajudará a traçar o rumo da eliminatória e, certamente, este não era o clima que os dirigentes e os técnicos gostariam de poder proporcionar à equipa.
O problema, mais uma vez, vem da gestão do caso, mal concretizada. Nas suas aparições e declarações públicas, Godinho Lopes nunca passou a imagem que se esperava dele – a de alguém profundamente ofendido, legitimamente indignado pela calúnia que envolve um homem em quem confia (Cristóvão). Ou será que não confia? No final da sessão eleitoral que o consagrou, Godinho Lopes titubeou. Na Luz, com pirómanos à solta, ameaçou com umas famigeradas gravações – “altamente” comprometedoras para Luís Filipe Vieira – que nunca se ouviram. No caso Domingos, mudou de discurso e de posição em menos de um dia. Agora, a ter sido ele o responsável final pelo regresso do vice-presidente, voltou a dar uma imagem de fraqueza. Para sossego geral, sobretudo para descanso do próprio Sporting, Paulo Pereira Cristóvão devia ficar longe dos círculos de decisão, ao menos por uns tempos.
Há, ainda assim, alguns elementos que me fazem pôr tudo isto em causa. Um antigo inspetor da Polícia Judiciária, a ter feito aquilo de que o acusam, não conseguiu prever que o depósito era um tiro no pé quando o que se usa, ao que julgo saber, é o numerário em envelope, entregue em local discreto? Um vice-presidente pode tomar a iniciativa de vigiar jogadores do clube quando se sabe, por tradição, que essa tarefa policial é entregue a um qualquer adjunto ou assessor da equipa técnica? Mais do que tudo, custa-me a hipocrisia (com que tenho sido forçado a conviver de perto…), elevada ao extremo, de ver arautos de um certo clube, satisfeitos e impiedosos com o alegado percalço de um sportinguista, a gritarem por sangue, a exigirem cabeças e a esquecerem-se que têm lá em casa um senhor que só não foi condenado por pormenores técnicos. Mas nem uma sentença judicial muda a essência da verdade – e essa anda aí, para quem quiser ouvi-la."

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Eles não aprendem

"Durante anos esforcei-me por explicar uma evidência: só com paciência e estabilidade o SL Benfica conseguiria atingir o patamar do FC Porto. Por isso, disse que Vieira teria de ficar muito tempo na liderança e Jesus deveria ser o Ferguson do Benfica – que esteve 5 anos em Manchester sem ganhar nada. Mas a emoção em Portugal sobrepõe-se à racionalidade.
1. Critica-se o facto de Jesus ter desperdiçado 5 pontos de avanço. Até parece que foi outro que os ganhou e Jesus que os esbanjou. Ora esses pontos de avanço foram conquistados por... Jesus.
2. Diz-se que Jesus falha nos momentos decisivos. Só que os outros não falharam porque não chegaram... aos momentos decisivos.
3. Afirma-se que Jesus tinha obrigação de ganhar porque tem um plantel caríssimo. Mas esse plantel é quase dez vezes mais barato do que o de equipas (como o United) que o Benfica eliminou. E além disso foi pago em boa parte com o dinheiro 'ganho' por Jesus. Quanto embolsou o Benfica nesta Champions ou com a venda de jogadores que ele potenciou, como Di Maria, David Luiz ou Coentrão? Já se esqueceu o tempo em que os jogadores vinham para a Luz e perdiam valor em vez de o ganharem?
4. Em que épocas recentes a equipa do Benfica atingiu o patamar exibicional médio dos últimos 3 anos?
5. Quem poderá fazer melhor que Jesus, que foi o treinador do Benfica nos últimos 60 anos com maior percentagem de vitórias (70%)?
Mas todos os argumentos são inúteis. Quando não corre tudo bem, há que arranjar um bode expiatório. E esse hoje chama-se Jorge Jesus. O resultado é previsível: o treinador que vier será despedido ao fim de um ano, depois acontecerá o mesmo ou pior - e assim por diante. Não há nada a fazer."

A Taça da Liga

"Bem sei que a Taça da Liga está para o futebol como o vencedor final das metas volantes está para o Tour de França. E também sei como é regra enfatizarem-se as competições que se ganham e desdenhar-se das que se perdem.
E, no entanto, para se vencer a Taça da Liga é necessário ser vitorioso em 5 jogos, sendo um deles, por regra, contra um grande. Quem nunca ganhou esta Taça acha que outra - chamada pomposamente Supertaça - tem mais pedigree. Ainda hoje não percebo porque se lhe chama super quando, não raro, é disputada entre o campeão da Liga e o vencido da Taça de Portugal...
Para a história, o Benfica venceu a quarta Taça da Liga consecutiva. Curiosamente, só numa delas com um resultado folgado: contra o Porto por 3-0 e onde o mesmo árbitro de sábado, Jorge Sousa, deixou incólume a barbárie de Bruno Alves e do tatuado Meireles.
Venceu-a contra um valoroso Gil Vicente que só tinha eliminado o Sporting e o Braga. Curioso é que foi esta Taça, dita de segunda ordem, que muito terá contribuído para o afastamento do então treinador leonino.
A final deixou à vista, ainda, um erro de gestão do plantel encarnado. Matic, Capdevila e Saviola demonstraram quão importante poderia ter sido uma melhor e mais equilibrada rotação da equipa. Sobretudo Saviola, um jogador de grande integridade profissional e de uma inteligência no campo acima da média.
No fim, um certo sabor agridoce. O Benfica salva a época com esta taça. Provavelmente, o Porto vai salvar a época com o campeonato. Faz diferença. E logo este ano, em que é difícil compreender como se perde uma liga relativamente fácil..."

Bagão Félix, in A Bola

PS: O Matic antes do jogo com o Chelsea, sempre que era utilizado, era sempre criticado, nem que fosse com o típico: '...não jogou mal, mas o Javi é outra coisa...'!!! Agora temos o inevitável: '...devia ter jogado mais...'!!!

#Sporting

"Na rede social twitter, a junção entre o sinal # e uma palavra-chave constitui um indexador a que deram o nome de hashtag para simplificar o acesso dos interessados aos temas. Assim, como na internet anda tudo ligado, “cardinal + sporting” (#sporting) é um tópico muito utilizado, popular mesmo, embora não exclusivo de assuntos do clube lisboeta. A hashtag #sporting enche-se de comentários dos adeptos do Gijón, do Anderlecht, do Kansas City, além de outros dispersos sobre material desportivo, gente a quem os nomes de José Cardinal e Paulo Cristóvão nada dizem.
Esta confusão coincide com o estado bipolar que assiduamente atrapalha a vida do clube, primeiro em prontidão e logo depois em negação, como uma atração pelo abismo.
Ao longo de três décadas, os emblemas de Lisboa sonharam ter o seu guarda Abel, capaz de manter no redil os jogadores com tendências para o tresmalho noturno, de pregar sustos a árbitros e auxiliares e de gerir todo o tipo de informação útil, porque esta garante o poder. Antes de o método descambar na pouca-vergonha do Apito Dourado, todos invejavam a “organização” que se revelava fundamental para o sucesso, arriscando mesmo algumas imitações foleiras que só aumentaram a admiração pelo original. Todos queriam ter o seu dirigente malvado e poder bater-se de igual para igual.
Em vinte anos, o subserviente agente de coação básica evoluiu para executivos de “inteligência”, de fato e gravata, e deixou de ostentar as coronhas à cinta. Pela causa, pela “raça”, pelos objetivos, a capacidade de dominar a informação continua a fazer sentido, embora a elevação formal dos autores fique mais perto de causar desconforto e repulsa, se, por falta de jeito ou descuido, as operações fracassarem.
Em poucos dias após o retumbante triunfo sobre o Benfica, num calendário minuciosamente cumprido pela investigação para “não prejudicar” as prestações da equipa de futebol, a “organização” leonina envergonhou-se como um parente pobre a quem se recusa um abraço, mas se dá uma sopa. Paulo Cristóvão terá agido para o Sporting, mas não para a SAD. Terá mandado depositar dinheiro em conta alheia, mas não corrompeu. Terá afastado um árbitro de um determinado jogo, mas não contrariou a verdade desportiva. Terá sugerido o envolvimento criminoso de outro clube, mas não vê lugar à punição social. Não quer condicionar os árbitros, mas está aflito perante nova reação corporativa. Reconhece o abuso, mas acha que Cardinal “merecia”. Sente-se vulgar, mas não tanto como os que já fizeram parecido ou pior. Lamenta, mas não se arrepende, ignorando olimpicamente a vítima, sem uma palavra de contrição.
Como na rede social os seguidores de #Sporting se confundem com a dispersão do tema, também os responsáveis do clube se sentem numa encruzilhada ao desejarem, em simultâneo, dominar o horizonte e passar incógnitos, influenciar sem serem discutidos, “trendy” mas em circuito privado. No futebol esta duplicidade é incompatível – nenhum clube pode ser ao mesmo tempo cândido e devasso, nem ligar-se a um Cardinal sem mergulhar de cabeça no lodaçal da arbitragem. O Sporting entregou a virgindade sem prazer ou benefício. E ainda se cala, consentindo."

Uma decisão deplorável

"Escrevo, abismado, em cima da meia-noite. Portugal ainda tem particularidades únicas. Uma reunião, com um assunto importante, embora nem por isso transcendente, durou mais de dez horas para chegar a conclusões. Dentro de uma sala, um grupo restrito de sportinguistas a lutar heroicamente contra a fadiga, o tédio, o sono, a fome, a insensatez, até mesmo contra uma peculiar forma de masoquismo. Todos vencidos, no final.
A questão era apenas esta: o que fazer de um dirigente formalmente acusado de crime grave de lesa futebol e lesa clube?
O próprio dirigente dera, em devido tempo, uma resposta sensata: suspender funções, até se apurar a verdade. Fora, aliás, essa atitude que lhe valera, do presidente, um elogio sentido pelo enorme sportinguismo demonstrado. Porém, horas depois, o autosuspenso dirigente automudou de opinião, trazendo um infindável imbróligo aos seus pares, desgraçadamente regressados à pergunta angustiante: que fazer?
Contornemos, pois, as questões de estratégia pessoal, centremonos, apenas, na defesa do bom nome do clube, da moral desportiva e da ética dos comportamentos. Quem é acusado de tão graves crimes tem todo o direito de se defender do que diz ser uma falsidade, mas não pode, nem deve arrastar o clube na sua angústia, na sua inquietação e, especialmente, na sua suspeita. Mas se por uma fraqueza, a que todo o espírito humano está sujeito, decidir ficar, os seus pares têm de ter a coragem de dizer muito simplesmente: não pode! Teria sido essa a única maneira de defender o Sporting. Deploravelmente, a decisão foi outra."

Vítor Serpa, in A Bola

terça-feira, 17 de abril de 2012

A marca de Jesus

"Vejo com algum espanto o crescente número de vozes que se têm mostrado contra a continuidade de Jorge Jesus no Benfica. O seu trabalho não deve ser menosprezado e supera todos os defeitos que lhe possam apontar. Afinal de contas, este é o técnico responsável pelo melhor futebol que as águias exibiram na última década.
Há que dizê-lo: Jorge Jesus elevou o Benfica para outro patamar de qualidade, dentro e fora de portas. Foi campeão logo no primeiro ano, venceu três Taças da Liga e chegou sempre longe nas competições europeias, atingindo os quartos-de-final (duas vezes na Liga Europa e uma na Champions) e obtendo ainda uma meia-final (Liga Europa). Além disso, embora a situação esteja complicada, o Benfica ainda tem possibilidades de se tornar campeão este ano. Só a prestação na Taça de Portugal é que deixou algo a desejar.
Mas o trabalho de Jesus não pode ser subestimado. Nos últimos três anos, o Benfica passou a ser visto com outros olhos pelos adversários. É uma equipa que impõe respeito, com uma confiança e dinâmica de vitória que não se sentiam no clube, por exemplo, com os técnicos antecessores José Antonio Camacho e Quique Flores. Além disso, o Benfica passou a jogar um futebol mais alegre e com muitos golos, que trouxe mais adeptos à Luz.
Não serve de atenuante, mas se também tivermos em conta que, na época passada, o Benfica teve de competir com um fortíssimo FC Porto de André Villas-Boas, cujo registo vitorioso só acontece de tempos em tempos, o trabalho de Jesus e o palmarés obtido em três anos têm de levar nota elevada, aconteça o que acontecer no final da época.
Jesus marcou uma forma de estar no futebol. É um apaixonado que vive e respira este desporto 24 horas por dia. Daí que, por vezes, no contacto com a comunicação social e adeptos, o seu lado mais egocêntrico venha ao de cima, fruto da dedicação que tem ao trabalho. Não é perfeito, mas acredita que pode lá chegar. E essa ambição, aliada à competência, são ferramentas que ajudam a conquistar títulos.
Por acreditar no que faz, Jorge Jesus mostra também alguma teimosia. Nem sempre terá sido feliz na gestão dos plantéis e talvez seja este o maior erro que se lhe possa apontar. No entanto, o treinador mostrou na sua carreira que é um verdadeiro especialista na arte de potenciar jogadores. E com isso já ajudou o Benfica a fazer negócios fantásticos.
Di María sempre foi uma promessa adiada. E bastou uma época com o treinador português para que o argentino revelasse todos os seus atributos aos tubarões europeus, acabando por assinar pelo Real Madrid. E o que dizer de Fábio Coentrão? Um jogador que nem na 2.ª Divisão espanhola jogava, que vinha do Rio Ave, foi adaptado a lateral-esquerdo e rapidamente se tornou um atleta de dimensão internacional?
Esta é a faceta que melhor reflete o trabalho de Jesus. Sabe tirar partido do melhor rendimento dos jogadores, fazendo-os crescer de forma exponencial. Gaitán será certamente o próximo grande negócio do Benfica. Rodrigo e Nélson Oliveira vão pelo mesmo caminho. É com esse trabalho de laboratório nos treinos que as águias estão a conseguir produzir negócios de milhões e bom futebol. Jesus traz retorno desportivo e financeiro à sua equipa. É um dos melhores treinadores portugueses."


PS: Não é fácil para mim concordar com um texto assinado por esta figura, mas algum dia teria que acontecer!!!
Hoje ao ler uma pseudo-notícia n'A Bola, assinada pelo Fernando Urbano, onde se 'prepara' o 'Mundo Benfiquista' para a saída do Jesus, fiquei muito desanimado.
Mais uma vez a Direcção do Benfica, vai ceder aos terroristas internos (aparentemente), aqueles que passam a vida a criticar a Direcção, aparentemente, vão ter o seu desejo realizado...
Não compreender que as 'não vitórias' do Benfica nos últimos 30 anos, estão directamente ligadas, ao Bandido que hoje celebrou 30 de actividade criminosa impune, e pouco (muito pouco)têm a ver com as habilitações internas dos nossos jogadores, ou treinadores, é de uma cegueira assustadora. Não compreender que esta constante auto-mutilação, é fazer exactamente o jogo do adversário... Não compreender que no passado recente (nos últimos 20 anos) tivemos equipas medíocres, e até treinadores pouco capazes, mas que nestas últimas 3 épocas, mesmo não ganhando aquilo que num 'mundo perfeito' estaria ao nosso alcance, obrigámos o velhinho 'sistema criminoso' a agir com toda a sua pujança, elevámos a fasquia de tal maneira, que a 'organização' teve que voltar novamente a actuar em força, quando antes, as nossas fragilidades permitiam a existência de um 'sistema soft', que no Natal já tinha tudo decidido...!!!
Pensar que sem Jesus o Benfica ficará mais forte é tão absurdo, que até um dos piores treinadores que alguma vez foi Campeões Nacional ao serviço do Padrinho, adepto confesso dos Corruptos, consegue 'ver'...!!!
(e não vale pena virem com a conversa que o Oliveira quer a manutenção do Jesus no Benfica, para fragilizar o Benfica, essa, é ainda mais ridícula...) 

Candeias às avessas

"Já se viu que o novo presidente da Liga aterrou no futebol para fazer ondas. Primeiro, foi a famigerada proposta (mancomunada com os clubes que o elegeram por interesse próprio mas espúrio) de elevar para 18 os clubes do campeonato principal, tantos como a Alemanha onde um só deles - o Bayern - tem mais receitas do que os nossos todos juntos. Agora, é a contenda aberta com a Federação sobre o acordo que esta, com o respaldo dos principais clubes, celebrou com o Governo quanto à forma de liquidação de 13 milhões de euros (parte do total de 33) relativos à bafienta dívida do 'totonegócio', cuja disputa se arrasta há quase um vinténio! Invocando argumentos precários - como o de que a Liga correria o risco de ficar insolvente! - e o facto de não ter sido ouvido nem achado no assunto, o presidente da Liga contesta o referido acordo e aconselha os seus filiados a fazerem o mesmo. Será que o sr. Mário Figueiredo procura o protagonismo através da beligerância? Não acha que os problemas que afligem o futebol português já chegam e sobram?
Como se fosse pouco, pensa em desencadear ainda outra querela, esta: que o vencedor da tala da Liga adquira o direito de participar numa competição europeia, como hoje sucede com a taça de Portugal. Que é como quem diz na Liga dos Campeões, visto que a Uefa projecta suprimir a Liga Europa a partir de 2015. Ou seja, as taças - provas aleatórias - passariam a contar tanto ou mais do que o campeonato - prova de regularidade - que gradua sempre os mais fortes. Já agora, a propósito da futura e mais que provável Super-champions, sabe-se que terá a participação de 64 equipas em vez das 32 actuais e menos 16 do que as actuais duas Ligas europeias juntas: 32+48=80."

Manuel Martins de Sá, in A Bola 

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Exemplos "lá fora" vs. Anedotas "cá dentro" !!!

Hoje, foi um dia especial, repleto de notícias completamente antagónicas.
Para acrescentar mais algumas páginas ao anedotário nacional tivemos a colaboração de várias personagens:
-Um Ex-Presidente da República (repetente nestas andanças!!!) e o actual Secretário de Estado do Desporto, mais 2 treinadores altamente incompetentes (que só ganharam com a Máfia ao seu dispor: Bobo Artur e Juju!!!), juntado-se ainda outro treinador menos incompetente, Benfiquista, mas sem coragem para se demarcar da única figura que lhe 'ofereceu' títulos a nível nacional... resolveram elogiar, mais uma vez, um dos maiores criminosos contemporâneos Portugueses (sendo que hoje se celebra o aniversário da versão Conselheiro Matrimonial do Papa!!!), com comportamentos públicos asquerosos e com comportamentos de índole pessoal altamente reprováveis... sendo que tudo isto, é de conhecimento público!!!
-O 'sindicato dos furtadores' semi-profissionais, resolveu elogiar um dos seus activos José Cardinal, vomitando várias alarvidades, sobre a besta: «...motivo de orgulho para o sector de arbitragem...»!!!
-A maior anedota do País, não quis ficar para trás, e no dia de hoje, para fugir às perguntas incomodas, nas vésperas de uma meia-final Europeia resolveu entrar em Black-Out, isto quando o auto-suspenso vice-presidente Lagarto (suspeito de actos graves de corrupção e/ou coação sobre árbitros) deseja voltar com a sua palavra atrás, pois descobriu que vai ser 'queimado' na fogueira (sozinho), pelos ex-colegas de Direcção (que tinham conhecimento de tudo, mas que agora vão negar...), em prol da defesa dos superiores interesses do seu grémio falido (parece que vão ter que martelar as contas, para serem aceites na UEFA para o ano!!!)... Contado ninguém acreditaria !!!
Adenda: O James Pereira Bond Lagarto já foi oficialmente reintegrado na Direcção dos Submissos!!! Descodificando a notícia, chego à conclusão: Além de andar a espiar os árbitros e os próprios jogadores Lagartos, o ex-Judite deve ter andado a 'espiar' os podres dos seus colegas de Direcção, só assim se explica uma reintegração tão rápida...!!!

Para compensar, lá de fora tivemos conhecimentos de dois episódios de grande dignidade:
-Di Natele, um daqueles 'pequenos grandes' jogadores, que eu desejei que um dia tivesse vindo para o Benfica (seria um novo Micolli), que infelizmente fez carreira num 'médio' clube Italiano, resolveu pedir a custódia da irmã (portadora de deficiência) do último futebolista vitima de uma traiçoeira morte em campo... O Di Natele já marcou muitos e bons golos (eu recordo-me de vários), mas este será concerteza o melhor de todos!!!
-O Chelsea que após a eliminatória (roubada) com o Benfica, passou a ser o meu ódio de estimação (peço perdão ao David e ao Ramires, mas depois das goleadas com o Barça nos próximos dias, isto passa...!!!), teve uma atitude de enorme dignidade:
Durante a meia-final da Taça de Inglaterra, alguns dos seus adeptos não respeitaram o Minuto de Silêncio, em memória das vitimas da tragédia de Hillsbrough, anunciando agora a intenção de ajudar a Federação a identificar os 'porcos', ignorantes, e mal educados dos seus próprios adeptos...
Recordo que recentemente no Estádio da Luz, tivemos situações parecidas, onde nem sequer houve capacidade critica por parte da 'descomunicação' social desportiva portuguesa... O Jaime Graça não merecia... E os 'porcos' em Portugal são sempre os mesmos...