Últimas indefectivações

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Jogar ou fazer jogar?

"É tentador olhar para os quatro golos marcados por Jonas em, apenas 135 minutos de jogo pelo Benfica e logo ver nisso o sinal de que estamos perante um goleador. É, contudo, errado. Bastou partida e meia de Jonas para se perceber que o brasileiro vai oferecer ao Benfica não são tanto os golos, mas muita qualidade na participação no jogo ofensivo.
Como é sabido, um jogador com classe e experiência não precisa nem de muito espaço, nem de muito temp para mostrar o seu valor. Cria espaços com facilidade e, por norma, basta dar dois ou três toques na bola para se aferir da sua qualidade. Jonas é disso exemplo - o que só torna mais surpreendente o facto de ter chegado ao Benfica, depois do fecho de mercado, como jogador livre.
Pode parecer prematuro mas são muitos os indícios de que Jonas pode dar ao sistema táctico do Benfica uma ligação entre meio-campo ofensivo e ataque que tem faltado desde a primeira temporada de Jesus como treinador. No fundo, Jonas pode bem ser o substituto de Saviola do primeiro ano: um jogador com uma compreensão notável do jogo e capaz de criar superioridade quer no meio-campo, quer no ataque, equilibrando a equipa e ligando sectores. Em certa medida, Rodrigo desempenhou esse papel, mas apenas no ano passado. Sintomaticamente, com o sistema de Jesus, só fomos campeões com um Saviola de topo e com um Rodrigo tacticamente mais competente.
Ainda na entrevista ao Record, e a propósito de um grande Nani, Jorge Jesus sublinhava que 'um bom jogador é aquele que joga bem, e o grande é aquele que joga bem e coloca os outros a jogar bem'. Ora um bom avançado tem de ter o pé quente e marcar golos, mas um grande avançado põe todo o ataque de uma equipa a jogar bem, mesmo que marque poucos golos. Tudo indica que Jonas é um grande avançado."

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Hoje vamos falar do que não se podia escrever

"No que se refere à liberdade de expressão e à verdadeira justiça - não a justiçazinha portuguesa, sempre ao lado do poder e disponível para o compadrio - continuamos a precisar que a Europa nos dê lições. E afronte a «Lei a Oeste de Pecos».

Oito anos se passaram. Sei eu, sabemos todos, como a justiça em Portugal é lenta. Lenta e injusta - porque beneficia aqueles que têm meios para dirimir os seus casos durante anos a fio, suportando despesas; porque é subserviente aos poderes, por muito fátuos que sejam.
Houve tempos em que sei juiz era mais do que assumir uma profissão: era um desígnio, quase um sacerdócio. Nesses tempo não era juiz quem queria. E o caminho era longo e espinhoso. Entrava-se na magistratura por baixo e atingia-se a possibilidade de julgar numa fase da vida em que a maturidade fundamental para o acto acompanhava a idade exigível.
Infelizmente, nada disso acontece hoje em dia.
Qualquer garoto enverga a beca. E sujeita advogados e arguidos a lamentáveis situações sempre que se dispõe a vergar a cerviz a queixosos que recolhem as suas inaceitáveis simpatias.
Foi o que me aconteceu durante estes oito anos.
Muitas vezes o escrevi nestas páginas: de Gaia para cima existe uma «Justiça a Oeste de Pecos».
No dia em que, à minha frente, um segurança do Tribunal do Bolhão, depois de ter identificado um a um todos os que entraram no edifício, escrevendo na folha à sua frente os nomes e os números de BI, se limitou a fazer uma vénia a Pinto da Costa rabiscando no papel «Sr. Presidente», sem mais, fiquei esclarecido - o ridículo não mata, nem num tribunal.
Não foi surpreendente a decisão do juiz de primeira instância no primeiro dos processos que me foi movido pelo presidente do FC Porto - outros decorrem. O chaleirismo e os rapapés de figura perante o assistente envergonhariam qualquer magistrado digno desse nome. Como não foi surpreendente a ratificação da decisão por parte da Relação do Porto, não conhecesse eu tantos desembargadores que se enfileiram nos camarotes das Antas e se esgatanham por um convite para acompanhar a equipa numa qualquer eliminatória europeia. É assim a «Justiça a Oeste de Pecos».

Um colapso curado a xanaxes...
Mas, afinal, o que não era então possível escrever sobre o ilustre presidente do FC Porto que causasse tanta indignação ao sr. dr. juiz e aos digníssimos desembargadores para que não tivessem quaisquer dúvidas em avançar para uma condenação por difamação com mão dura na pena a aplicar ao vil escriba, neste caso este aqui que vos maça com tal assunto?
O livro em causa chamou-se «A Pátria Fomos Nós» e debruçava-se sobre a presença da Selecção Nacional no Mundial de 2006. Um ignorante opinador, especialista em copiar prosas alheias, chegou ao desplante de considerá-lo um título fascista, pois obviamente nunca leu o poema da liberdade:
«De repente eu disse: camaradas a pátria somos nós...»
Nele, escrevi: «Ontem, numa dessas deprimentes festarolas, o campeão nacional dos arguidos do Futebol português e inimigo fidagal da Selecção Nacional, usou e abusou, como é seu hábito da linguagem chocarreira que sempre deliciou os pés-de-microfone».
Aqui d'el rei! Um tal de Dr. Póvoas, testemunha arrolada pelo advogado do queixoso - advogado este que teve um passado interessante nos Tribunais Plenários do Estado Novo (consultar «Os Tribunais Políticos» de Fernando Rosas) - garantiu que o dito senhor ficou à beira de um colapso quando foi confrontado com frase tão assassina e teve de ser medicado a xanaxes. Outra figurinha, conhecida como «O Conde Redondo», exaltou-se na sala de audiências:
«É uma vergonha! Linguagem chocarreira é a inguagem de cabras e de cabrões» (sic)
Um tal de Paradela de Abreu, editor famoso do salazarismo, ausente em Inglaterra à data da publicação, jurou que a imprensa britânica tinha dado grande destaque ao soez ataque por mim perpetrado ao presidente do FC Porto. A sala de audiências, transformou-se num circo e, para que a palhaçada fosse completa, o meritíssimo decidiu a favor das dores do campeão dos arguidos. Até porque, como sentenciou, repeti a expressão do livro, o que revelou segundo o douto mamífero, a minha intenção de o achincalhar pessoalmente. Dando como exemplo outra frase acabrunhante par ao dito cujo:
«No seu comentário ao final do ano de 2004, no «Público», Miguel Sousa Tavares não tem pejo em afirmar que o FC Porto é um exemplo a seguir pelo país. Não importa que o seu presidente fosse suspeito em casos de corrupção e tráfico de influências: quando vivemos momentos de desertificação intelectual, qualquer asneira propagada aos quatro ventos parece uma ideia brilhante».
Contra a «Justiça a Oeste de Pecos», não me restou alternativa senão saltar fronteiras e recorrer ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem. Porque aí a influência destes régulos de pacotilha que intimidam juízes e desembargadores não se faz sentir. Os anos passaram. O TEDH decidiu de forma inequívoca: «Os factos não constituem crime». E absolveu, quer do crime a que fui condenado, quer do pedido de indemnização civil levado a cabo pelo queixoso. Com base nesta decisão, coube recurso para o Supremo Tribunal de Justiça, agora lavrada:
«A única decisão que pode ser proferida, em consonância com o acórdão do TEDH, é aquela que, perante a factualidade dada como provada, considera não haver crime, uma vez que o TEDH considerou que tal factualidade não justificava a sua integração no tipo de crime em causa (difamação), motivo pelo que a considerou ilícita e condenou o Estado Português por violação do art. 10.º, n.º 1, da Convenção Europeia».
E assim, o que não se podia escrever, agora pode. Por muito que custe ao presidente do FC Porto - para mim sempre o campeão nacional dos arguidos do Futebol português até que outro lhe retire o título - ao afervorado juiz do Tribunal de Gaia e aos deferentes desembargadores do Tribunal da Relação do Porto.
Porque o Mundo, como dizia o Torga, não se resume às bordas de um prato de sopa, e a liberdade de expressão se levanta mesmo a «Oeste de Pecos»."

Afonso de Melo, in O Benfica

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Recado para o Luxemburgo !!!

"Um petardo pode deixar o Sport Lisboa e Benfica fora de jogo. O lançamento de materiais pirotécnicos em jogos do Sport Lisboa e Benfica pode fechar o Estádio da Luz ou provocar multas de milhares de euros. Por causa do que aconteceu em Leverkusen o SL Benfica vai ter de pagar 19 mil euros.
Para si que vai apoiar a equipa ao Mónaco, vá ao estádio mas não estrague a festa. Não feche as portas da Luz."


Depois de muita insistência, nos últimos jogos Europeus na Luz, os petardeiros 'alfacinhas' finalmente calaram-se... mas infelizmente a 'mensagem' ainda não chegou aos petadeiros Benfiquistas (sediados no Luxemburgo...!!!) que têm acompanhado o Benfica, nos jogos Europeus na situação de visitante!!! Pessoalmente, acho que a solução mais eficaz, será enfiar um dos ditos petardos no traseiro dos tais petardeiros... mas, pronto, é só a minha opinião pessoal!!!

domingo, 19 de outubro de 2014

12.ª Supertaça

Benfica 82 - 63 Galitos
10-18, 29-11, 25-14, 18-20

Mais um caneco para o Museu, numa partida que começou muito mal, num primeiro período horrível, com um parcial de 2-18... mas a equipa 'acordou' a tempo!!!
É verdade que dos 'titulares' só faltou o Jobey (o Slay ainda não 'aqueceu' os calções!!!), mas o Jobey tem sido repetidamente o nosso abono ofensivo. Mas tendo em conta as lesões, julgo que o Gentry e o Doliboa não treinaram durante a semana, e jogaram condicionados... os números do Seth indicam isso...
Gostei da atitude guerreira da equipa em vários momentos. Já tinha sido visível a semana passada com o Barcelos, após a lesão do Doliboa e do 'fantástico' festival do apito... e hoje, voltámos a demonstrar crença e ambição, apesar da dificuldades. A diferença de valor em muitos jogos, acaba por fazer a equipa relaxar em demasia, por isso é que devemos realçar estes momentos...!!!
E assim tiveram que ser os portugueses a assumir o jogo: Carreira (eficácia incrível...), Andrade e Ferreirinho (58 pontos)!!! Desta vez foi o Benfica a decidir o jogo nos Triplos, com 14 convertidos, em 28 tentativas, muito bom!!!

Insonso !!!

Benfica B 2 - 0 Farense

Jogo algo insonso... mas com uma grande jogada do Hélder Costa no 1.º golo!!! Aliás, acho mesmo que neste momento o Hélder é o nosso melhor extremo na equipa B, já que o Gonçalo Guedes, tem jogado quase sempre com 2.º avançado.  Ontem, no jogo da Taça, quando o Ola se lesionou, pensei mesmo que a opção iria ser o Hélder Costa. O Guedes até jogou bastante bem, e admito, tem mais potencial, mas neste momento, o Hélder tem as rotinas da posição totalmente adquiridas.
Foi pena o Rui Fonte ter falhado o penalty que daria o 3-0 e um hat-trick merecido!!! Acabámos o jogo com mais 2 jogadores, mas parece que não quisemos forçar no final... estranho!!!

Varela; Semedo, Nunes, Lindelof, Rebocho; Pinto (Sanches, 74'), Amorim; Santos, Costa (Andrade, 80'), Menga (Dawidowicz, 56'); Fonte.

Competência

Benfica 3 - 0 Braga

Bom jogo do Benfica, equilibrado, eficaz, competente. Não sofrer golos, de uma equipa como o Braga, é um excelente indicador. O Chaguinha continua a espalhar classe, a defender, a passar, e até a marcar...
Na próxima jornada jogámos com os Lagartos, e se nenhum dos lesionados recuperar, será um jogo muito complicado. Estamos a jogar praticamente com 8 jogadores de campo, e em jogos equilibrados, a rotação de jogadores é muito importante. Sem o Ré, o Paulinho, o Bruno Pinto e ainda o Pablito e o Vítor Hugo as opções são reduzidas.

PS: Mais uma vez, um funcionário da RTP, repetente nestas coisas, foi incapaz de despir a clubite aguda de que sofre, contra o Benfica... Tanta gente desempregada, e este palhaço do Pedro Martins não larga o tacho!!!

Segunda vitória...

Benfica 3 - 0 Sp. Espinho
25-19, 25-23, 25-11

Estava com alguma expectativa para este jogo, mas acabou por ser mais tranquilo do que seria de esperar...
Voltámos a entrar mal no jogo, mas fomos a tempo de rectificar no 1.º Set. E com a lesão do Flávio, tivemos o regresso do André Lopes aos jogos oficiais com a camisola do Benfica.
Voltámos a cometer alguns erros evitáveis no 2.º Set, mas nunca senti a equipa perdida... Com 2-0 o último Set foi só para cumprir o 'calendário'!!!
No próximo fim-de-semana nova jornada dupla, desta vez nos Açores. Sendo que no sábado defrontamos o nosso principal adversário, a Fonte Bastardo, na Praia da Vitória... Um arranque de temporada com jogos de grau de dificuldade elevada... acaba por ser uma boa preparação para as Competições Europeias!!!

sábado, 18 de outubro de 2014

Risco... recompensado !!!

Sp. Covilhã 2 - 3 Benfica

É engraçado ouvir os elogios antes dos jogos, devido às decisões de determinados agentes (jogadores, treinadores...), depois durante o jogo ouvir os mesmos, a ofender tudo e todos... e no final da partida, quando o resultado até é positivo, voltar a elogiar... Uma autêntica montanha-russa, que depende exclusivamente se a bola entra ou não na baliza, seja lá porque razão for!!!
O Jesus voltou a correr um risco enorme com esta convocatória. O ano passado correu bem com o Cinfães (mais fraco que o Covilhã), e este ano a coisa esteve preta, mas no fim, ganhámos...
Normalmente diz-se que as equipas mais fracas têm na motivação, a sua maior arma, e que os 'grandes' muitas vezes relaxam nestas partidas... Ao colocar os não titulares, o lógico seria estes estarem igualmente motivados, pois têm a oportunidade de se mostrar ao treinador. Em sentido contrário, porque são pouco utilizados, não têm rotinas, ritmo, além dos famosos 'automatismos'... resumindo, existem teorias para os dois lados!!!
Neste caso especifico ainda existe mais um factor importante: nesta história das rotações: raramente, muito raramente um treinador arrisca rodar a equipa toda!!! E hoje, titulares nos últimos jogos, só dois - Artur e Lisandro -, e ambos por lesão dos companheiros (Júlio César, Jardel)!!! Não tenho estatísticas mas são poucas as rotações de sucesso, nestas circunstâncias, em qualquer campeonato, contra qualquer adversário...
Em cima de todas as variáveis que podiam correr mal, também tivemos um relvado duríssimo, e um daqueles clássicos 'douradinhos' a apitar, que perdoou vários cartões (protegendo a agressividade do adversário...), inclusive um vermelho tão descarado que o treinador do Sp. Covilhã substitui o seu jogador (ainda na 1.ª parte), para evitar o inevitável!!!
Existem jogadores que não enganam, com o Arouca o Jonas já tinha convencido todos os Benfiquistas com alguns toques na bola, hoje marcou 3 golos, e espalhou classe por todo o lado... Vai fazer falta no Mónaco, mas estará em Braga, seguramente!!! Outro que não engana é o Gonçalo Guedes, que entrou para o lugar do lesionado Ola John, e terá sido o melhor na 1.ª parte!!! Para a história fica a estreia do Guedes, com 17 anos (ainda Júnior), com uma vitória... faltou o golinho, que esteve quase!!!
Não desgostei do Pizzi a '8', mas nota-se claramente alguma falta de rotinas na posição. O Cristante voltou a mostrar qualidade técnica (grande passe para o 2.º golo), mas falta-lhe agressividade para a posição '6'.
Pela negativa, destaco o Bebé... e o Benito com alguma falhas defensivas estranhas. O César levou com a ira do Jesus no final, prevejo novela nos avençados...

Empate...

Barcelona 1 - 1 Benfica

Estreia com um empate na Europa, logo em casa do actual Campeão Europeu. Para não variar tivemos um tremendo azar no sorteio, e apesar do nosso excelente ranking (2.º), atrás do Barça!!! Ficámos no mesmo grupo, e ainda com os Italianos do Bassano !!!
As informações que chegaram, falam de um jogo equilibrado, com algum ascendente para o Barça, mas com ambos os golos a aparecerem de bola parada: penalty para o Benfica na 1.ª parte; livre directo para o Barça na 2.ª parte.
Tudo em aberto no grupo, creio que os jogos com os Italianos vão ser decisivos, já que teoricamente estão um pouco mais fracos do que em épocas recentes...

Roller Hockey: FC Barcelona - SL Benfica (1-1... por fcbarcelona

Remontada !!!

Benfica 30 - 25 Sp. Horta

Início desastroso, aliás 1.ª parte desastrosa (11-15)!!! Não sei se foi desleixo, ou desconhecimento do adversário por parte do treinador, chegámos a estar a perder por 8-14!!! Toda a gente sabe que ofensivamente esta equipa da Horta, é o velhinho Kostetsky (11 dos 25 golos...) contra o Mundo... mas parece que ninguém avisou a nossa defesa!!!
No 2.º tempo tudo foi diferente, porque melhorámos, mas também porque o Sp. Horta quebrou fisicamente, aliás o Kostetsky quebrou fisicamente...

Vitória...

Benfica 3 - 0 Leixões
25-20, 25-14, 25-15

Estreia no Campeonato com uma vitória tranquila e esperada...
Amanhã - novamente na Luz - tudo será diferente, pois vamos defrontar o Sp. Espinho, equipa que já nos derrotou na pré-época!!!

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Velhos e novos

"Já não há muita paciência para os debates sobre quem lança mais jovens e sobre quantos jovens tem cada equipa, em cada jogo. Jorge Jesus já teve de responder à mesma questão colocada de 101 formas diferentes, mas igualmente cretinas. São os mesmos hipócritas que reclamam pela presença de jovens nos onze dos clubes que criticam quando não se ganha por excesso de juventude e imaturidade.
Benfica, FC Porto e Sporting têm como objectivo ganhar títulos e não ser o jardim-escola do futebol português. Devem jogar os melhores, independentemente da idade. Confesso que em caso de dúvida privilegiaria os mais velhos.
Deliciei-me com a vitória de Roger Federer no último Masters 1000 de Xangai, não me esqueço de Roger Milla dos Camarões, fui fã daquela equipa de velhos acabados do Inter de Milão que Mourinho pôs a campeã europeia e repetia mil exemplos em todos os desportos.
Esta xenofobia da juventude e esta pedofilia futebolística, alimentada por empresários sem escrúpulos e aceite por adeptos acéfalos, são irritantes.
Ainda não vi crítica a Fernando Santos que renovou a Selecção com os jovens Ricardo Carvalho, Tiago, Eliseu e Quaresma para ganhar à Dinamarca.
No Benfica quero os melhores para ganhar os jogos e pouco me importa a sua idade. Devo mesmo confessar que gosto pouco de ver jovens e fazer asneiras no Benfica, para serem vendidos para outros emblemas quando atinge a sua plenitude futebolística.
O facto de o onze-tipo do Benfica ter experiência mostra a inteligência de Jorge Jesus. O facto de o treinador ligar pouco a esse ruído disparatado mostra a sua maturidade. os jovens jogadores lançados precipitadamente custam carreiras aos próprios e títulos às equipas.
Na Covilhã tem de jogar uma equipa de qualidade e próxima do melhor Benfica, para não haver taça. Não faltam avisos dos perigos que se irão encontrar. O Sp. Covilhã é melhor do que vários emblemas da I Divisão."

Sílvio Cervan, in A Bola

A vermelho!

"1. Um fim-de-semana, seis vitórias, dois troféus. Foi este o pecúlio das nossas modalidades mais representativas, cingindo-nos apenas aos escalões seniores masculinos.
O Voleibol e o Basquetebol entraram na nova temporada da mesma forma que haviam saído da anterior: a ganhar, e a festejar conquistas (neste caso, Supertaça e Troféu António Pratas). O Andebol, o Hóquei em patins e o Futsal também venceram folgadamente os seus jogos, todos eles disputados fora de casa. Nada de novo aqui. Mais um fim-de-semana à Benfica.

2. Amanhã começa a defesa da Taça de Portugal, brilhantemente conquistada em Maio passado no Estádio do Jamor. O adversário é do segundo escalão, mas nestas ocasiões o favoritismo tem de ser confirmado dentro do campo. A partida europeia da quarta-feira seguinte pode condicionar o 'onze' a apresentar na Covilhã, mas não pode, em caso algum, reduzir a concentração competitiva daqueles que entrarem em campo. Até porque teremos pela frente um conjunto de profissionais empenhadas em fazer a exibição (e o resultado) de ma vida.

3. Até agora, a Liga dos Campeões não nos tem corrido de feição. Eis uma boa oportunidade, no Mónaco, para inventar a sequência, alcançado um resultado que nos recoloque na luta pelo apuramento. Conseguindo a vitória, ficaríamos a apenas um ponto do segundo lugar, com três jornadas por disputar, duas delas em casa. Tudo ainda é possível neste grupo. Eu acredito!

4. Ainda há poucas semanas o mercado de transferências encerrou, e já os jornais nos intoxicam com especulações acerca daquilo que pode suceder em Janeiro. Para eles, as competições futebolísticas parecem ser apenas um interregno nas negociatas que lhes interessam fomentar, e que utilizam como incremento de vendas. Não sei bem se escrever, em Outubro, que determinado jogador pode sair, ou entrar, em Janeiro, ajuda assim tanto a venda de papel. Eventualmente ajudará noutros planos, e junto de outros intervenientes. Como leitor dispenso. Como adepto do futebol, abomino."

Luís Fialho, in O Benfica

Encarnado é o Vermelho-amor

"Não foram poucas as histórias de falsas identidades que vimos, ouvimos ou lemos, ao longo das nossas vidas, e que guardamos na nossa memória colectiva. Por exemplo, o Mundo da ficção deu-nos alguns exemplos (Zorro, Batman, Super-Homem, etc). Gente que se fazia passar por 'normal' para depois se transvestir e actual incógnito. Lembremo-nos ainda da fábula do Patinho Feio, o qual se julgava pato sendo ganso, e os constrangimentos que isso lhe provocou. Pois bem, para a nossa memória colectiva, poderemos acrescentar mais uma história similar: a do árbitro que se fazia passar por isento, com o intuito de acudir ao Sistema. Iremos lembrar-nos dele como transvestido de homem sério e competente, para salvar a pele de outros.
Porém, ao contrário dos heróis supramencionados, este não está aqui para fazer o bem. os super-heróis salvam as pessoas do mal, Pedro Proença, assim se chama o embuste, salva o mal do seu destino perdedor. A bem da verdade, Pedro Proença está mais próximo do Patinho Feio do que de outra qualquer história de falsa identidade, pois aquele que se tinha por Benfiquista veio, no fundo, a revelar-se portista.
Ninguém compreende como Pedro Proença apita com distinção no estrangeiro e faz tamanhos disparates nos jogos do FC Porto, beneficiando sempre o mesmo. Se não soubesse apitar, saberíamos que era defeito de qualidade. Mas, quem tem o seu estatuto internacional e reconhecimento e apita assim em Portugal, só pode ser com férrea intencionalidade.
Beneficiar sempre, sempre o FC Porto só pode ser coisa do campo da premeditação. O último jogo entre Porto e SC Braga foi uma vergonha! Em sentido contrário, o dito juiz (?) tem prejudicado gravemente o Benfica. Há dois anos, validou um golo ao Maicon e roubou-nos um Campeonato!
Qual caranguejo eremita, não nos deixaremos enganar pela tua carapaça, Pedro!"

Carlos Campaniço, in O Benfica

Diz-se por aí (salários)

"Apresentei já, ao público, os resultados do meu recente estudo na área do direito desportivo, com resultados que, sinceramente, me surpreenderam a mim próprio: cerca de 45% dos futebolistas em Portugal tem salários ou complementos em atraso. O número poderia não ser, por si só, revelador, mas é incondicionalmente expressivo. Portugal apresenta uma das mais elevadas taxas da União Europeia no incumprimento das obrigações dos clubes e das entidades empregadoras desportivas para com os seus atletas. Da mesma forma, a aposta na formação continua na cauda da Europa. Na comparação com Espanha e Reino Unido, por exemplo, Portugal apresenta números extremamente reduzidos no que respeita aos valores brutos investidos pelos clubes em actividades ou estruturas formativas, evidenciando ainda uma percentagem muito pequena de atletas que acredita, um dia, poder vir a ser desportista profissional.
Da mesma forma, tive já oportunidade de o dizer e sublinho-o de novo aqui: tal como está, a legislação em Portugal, incentiva a corrupção no desporto e premeia os seus autores, desmotivando sinceramente todos aqueles que querem fazer frente a este fenómeno tão degradante dos espectáculos desportivos que enchem os estádios e nos enchem os corações.
Tudo ao contrário, portanto, em relação a alguns dos aspectos fundamentais do desporto em Portugal: a legislação laboral desportiva, a aposta na formação, a redução de litígios e a tutela das legítimas expectativas daqueles que dão o seu melhor ao serviço dos clubes desportivos. Nos últimos anos, o Sport Lisboa e Benfica tem sido a única luz que brilha no panorama sinceramente devastador que se apoderou do desporto em Portugal, como ficou consolidadamente demonstrado no último Relatório de Contas da SAD Benfiquista. A estratégia foi simples: evitar cortar cegamente na formação e nas modalidades, recriar e dinamizar estruturas - mesmo em tempos de profunda crise - e os resultados, claro, estão à vista. Do judo ao voleibol. Podiam os outros aprender alguma coisa!"

André Ventura, in O Benfica

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Uma semana a ver jogar os outros

"A competição chama-se Taça de Portugal, repito, de Portugal, portanto não há aqui lugar para Sicílias-Venezuelas nem para Palermos-Caracas. É simplesmente um FC Porto - Sporting.

Quinta-feira, 9 de Outubro,
HOJE a equipa nacional de sub-21 foi até Alkmaar e despachou com grande categoria a sua congénere holandesa com um resultado de 2-0 dificilmente contornável na próxima terça-feira, em Paços de Ferreira, mesmo que o nosso Ola John venha a ser titular e faça o jogo da sua vida.
O melhor jogador português na Holanda foi Bernardo Silva. Gostaria muito de escrever «o nosso Bernardo Silva» mas não tenho a certeza de assim ser e longe de mim está a intenção de enganar seja quem for. É nosso? Ou não é nosso? Está emprestado e qualquer dia está de volta a casa ou foi vendido e nunca mais o vemos? Aguarda-se o esclarecimento por voz autorizada, se faz favor.
O jogo de hoje dos sub-21 foi engolido nos noticiários pelas declarações da véspera do presidente do Sporting para quem o próximo FC Porto-Sporting, a contar para a Taça de Portugal, só pode «correr pior» do que o último Sporting-FC Porto, a contar para o campeonato, se o próprio «sair de lá morto».
Carvalho é, destacadamente, o mais venezuelano dos nossos presidentes de clubes de futebol no que ao campeonato do mais grosseiro populismo diz respeito. Embora, faça-se justiça, ninguém tenha chamado populista a José Mourinho quando, há coisa de uma década, no comando do Chelsea, desembarcou no Porto rodeado de seguranças esclarecendo o aparato nos seguintes termos em declarações ao Expresso. «Se você fosse a Palermo não levava guarda-costas?».
O homem é o estilo e o estilo é o homem.
Perante tudo isto o que importa realçar é o nome da competição em que os dois emblemas se vão defrontar já no próximo sábado. Chama-se Taça de Portugal, repito, de Portugal, portanto não há aqui lugar para Sicílias-Venezuelas nem para Palermos-Caracas. É simplesmente um FC Porto-Sporting.

Sexta-feira, 10 de Outubro,
HOJE, pelas sete e meia da manhã, bem cedo portanto, já havia gente em fila à porta da sede do Sporting da Covilhã esperando a sua vez para comprar bilhetes. Vai lá jogar o Benfica no sábado. É a tal Taça de Portugal. Estão justificados os madrugadores.
O Benfica é o detentor do tão amado troféu. E não o ganha em dois anos consecutivos desde os triunfos de 1985/1986, batendo na final o Belenenses, e de 1986/1987, batendo na final o Sporting. O Sporting da Covilhã é o primeiro adversário desta edição da Taça de Portugal e para não ser o último será da maior conveniência que o Benfica «não espere facilidades», tal como oportunamente avisou o nosso César Brito que também jogou pelos Leões da Serra. Desde aquela tarde mágica de Abril de 1991, tudo o que o César Brito diz ou faz é para levar a sério.
Entretanto, a selecção dos crescidos joga amanhã em Paris com a França. É o adversário ideal para a estreia de qualquer seleccionador porque a última vitória portuguesa sobre os gauleses aconteceu em pleno período revolucionário, em Abril de 1975, com José Maria Pedroto no banco, acumulando o cargo com o de treinador do Boavista.
A BOLA dá conta que Fernando Santos experimentou no último treino uma linha defensiva constituída por Cédric, Pepe, Carvalho e Antunes. Tem o meu aval.
O desejável é que Eliseu não jogue porque como é do Benfica e não foi formado na Academia do Sporting como o grosso do contingente será, certamente, apontado a dedo por tudo o que de mal venha a acontecer à nossa selecção amanhã em Paris.
E o importante é não desmoralizar o nosso Eliseu que já nos resolveu à bomba dois jogos do campeonato nacional.

Sábado, 11 de Outubro,
ACONTECEU precisamente o que temia. Até dos sucessivos falhanços dos avançados franceses que poderiam ter construído um resultado parecido com o vexatório foi o pobre do Eliseu acusado de ser o responsável.
Faço votos para que não jogue na terça-feira na Dinamarca.

Domingo, 12 de Outubro,
TALISCA brilha na selecção olímpica do Brasil. Jorge Jesus disse que Talisca tem coisas de Rivaldo. Para mim tem coisas de Isaías, o que já é altamente satisfatório. Há muitos anos, desde Isaías, que o Benfica não dispunha de um jogador que tomasse embalo a meio campo com uma passada daquelas toda projectada para a baliza do adversário.
Em Espanha, a jogar pelo Rayo Vallecano, Abdoulaye deu hoje uma entrevista ao As e disse que «mudar para o Rayo foi um passo em frente». E foi.
Sem desprimor para o FC Porto e para o Vitória de Guimarães, os seus últimos clubes em Portugal. Não é a importância dos emblemas que está em causa. É a visibilidade do campeonato espanhol, muitíssimo superior à visibilidade da nossa Liga.

Segunda-feira, 13 de Outubro,
O Tribunal Arbitral do Desporto suspendeu a suspensão de Fernando Santos. O nosso novo selecionador pode assim sentar-se no banco amanhã em Copenhaga. Se o TAS, entretanto, mudar de opinião, lá voltará o engenheiro a ver os jogos da bancada. Na conferência de imprensa de hoje vimos o Fernando Santos mais bem-disposto e sorridente de sempre. E se Portugal vencer amanhã a Dinamarca todos estes problemas do senta-no-banco-ou-não-senta-no-banco passam a ter pouca ou nenhuma importância. E é isso que se deseja.
«O importante é continuar a jogar e ter saúde» disse agora mesmo Nani confrontado por um jornalista sobre o passo atrás ou o passo à frente que foi o seu regresso ao Sporting. Ao contrário de Abdoulaye, Nani não dá crédito ao desprimor de jogar na Liga portuguesa.

Terça-feira, 14 de Outubro,
POR ordem de entrada em acção: O nosso Gaitán marcou dois golos pela Argentina num jogo disputado em Hong-Kong. Parabéns! O nosso Ola John não fez o jogo da sua vida e a Holanda foi à vida nos sub-21. O jogo de Paços de Ferreira teve nove golos. O último foi marcado pelo nosso (é nosso, não é?) Bernardo Silva. Portugal esteve sempre tranquilo com a evolução do resultado.
Quem assistiu ao jogo através da televisão sabe como as coisas se passaram: sempre que o comentador da RTP afirmava que a Holanda tinha um futebol «caótico» os holandeses, que nem o estavam a ouvir, marcavam logo um golo. Foi assim que se chegou a um resultado de 5-4.
À noite, em Copenhaga, entraram os dois Carvalhos na equipa e o nosso Eliseu foi outra vez titular. Como Portugal ganhou à Dinamarca ninguém lhe apontou o dedo. Foi uma vitória sofrida. Garantida com um golo assinado por três autores, o que é apreciável e coisa rara de se ver. O centro de Ricardo Quaresma valeu 30% do golo, a cabeçada de Cristiano Ronaldo valeu outros 30% do golo e o oportuno desvio do dinamarquês Kjaer para o fundo da baliza do filho de Schmeichel valeu os restantes 40%.
Para a História ficará, e muito bem, que o golo foi de Cristiano Ronaldo. Ele merece. É o melhor de todos. 
No outro jogo do nosso grupo, o Sérvia-Albânia, o ex-nosso-Mitrovic foi acusado por alguns facciosos de ter provocado o “caos” quando arrecadou à mão o drone que fez voar a bandeira albanesa sobre o relvado do estádio de Belgrado. Não foi o piloto à distância do dito drone que provocou o caos. Foi o Mitrovic.
Na confusão que se gerou lá na Sérvia vimos o ex-nosso-Markovic, que estava sentado no banco, disparar para o centro da acção em grandes gestos e correrias. Também em Turim, na meia-final com a Juventus, fez uma coisa parecida o que lhe valeu um cartão amarelo que o impediu de jogar a final com o Sevilha. Markovic é um irreflectido genial. Aliás, se não fosse irreflectido ainda estava no Benfica.

Quarta-feira, 15 de Outubro,
LÊ-SE hoje na primeira página de A BOLA. «Estou numa Liga inferior mas boa para crescer.» São palavras de Óliver, actual jogador do FC Porto, pronunciadas numa entrevista à Marca TV. Óliver saiu do campeão Atlético de Madrid para o campeonato português e, tal como Abdoulaye, sabe muito bem o que são passos para trás, para a frente e para o lado.

Quinta-feira, 16 de Outubro,
O próximo jogo de Portugal é em Novembro com a Arménia. A vitória de anteontem lança paz e sossego sobre a selecção e as opções do seleccionador. O único motivo de discussão será, porventura, o novo equipamento da selecção. Camisola branca, calções azuis, meias brancas. Gosto. Tem classe. Faz-me lembrar o equipamento do Paço de Arcos. Há quem não goste. O ex-presidente do Sporting, Godinho Lopes, lamentou há dias a ausência do verde no trajar da selecção. Uns meses antes já o actual presidente do Sporting tinha protestado contra o vermelho da bandeira nacional. E, mais recentemente, desaprovou as bolas vermelhas de protecção dos microfones que recolhiam as suas palavras. Gostos são gostos. E desde que Bruno de Carvalho não exija, um dia destes, a retirada do vermelho dos semáforos poderemos continuar a atravessar as ruas com toda a tranquilidade."

Leonor Pinhão, in O Benfica

Nomes e originalidades clubistas (II)

"Ontem falei do SCP que, segundo o seu presidente, é o único clube dos grandes que é de Portugal. Logo me lembrei do Atlético Clube de Portugal. Só não vi ninguém no clube de Alcântara dizer que isso o superiora em relação aos demais clubes da cidade, província ou bairro. A propósito de bairros, há o Clube Oriental de Lisboa que é uma excepção quanto ao nome simplificado: nem o primeiro, nem o último, mas o do meio, Oriental. Além dele, também a Académica entre Associação e Coimbra.
Na Madeira há uma certa barafunda geográfica que, provavelmente, levaria Bruno de Carvalho a insurgir-se, caso fosse presidente do Marítimo. É que dos 3 principais clubes, o que tem a palavra Madeira no seu nome oficial não é como tal reportado. E os outros que não têm referência geográfica acoplaram o nome da região. Assim, o Marítimo da Madeira é mais conhecido por Marítimo do Funchal. O Clube Desportivo Nacional toma o nome comum de Nacional da Madeira e o Clube de Futebol União é, para todos os efeitos, o União da Madeira.
O nome simplificado do Clube de Futebol 'Os Belenenses' (finalmente um clube de futebol à portuguesa, e não um futebol clube à inglesa!) é... o Belenenses, numa errada conjugação do artigo singular e do substantivo plural!
Sempre polémicos são os casos do Setúbal e do Guimarães, embora os nomes das cidades não façam parte da designação oficial. Por isso, compreendo o esforço para serem tratados por Vitória, sendo que um é Vitória Futebol Clube e o outro é Vitória Sport Clube. Por fim, o Estoril-Praia que, fora da época balnear, deixa cair o Praia para ser tão-só Estoril."

Bagão Félix, in A Bola

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Enzo...

Por favor, não inventem

"Na entrevista muito interessante que deu ao Record, Jorge Jesus colocou o dedo na ferida: 'Há aí uns malucos que querem inventar, e quando eles quiseram avançar com quotas de jogadores, o nosso campeonato vai estar ao nível da Turquia, da Grécia, da Bélgica, da Holanda.'
O pressuposto de Jesus é correcto. Ao contrário do que é sugerido por muitos dos que insistem sistematicamente na ideia do que é 'preciso repensar o futebol português', o melhor que nos podia acontecer é que se mexesse pouco no futebol português, que não aparecessem 'malucos a inventar'.
Convém ter presente que, tendo em conta a dimensão do nosso país, o seu carácter periférico, o escasso poderio económico e o número reduzido de atletas federados, os resultados do nosso futebol deveriam ser vem piores do que são. Isto é verdade em termos competitivos (veja-se o ranking UEFA dos nossos clubes), mas, não menos relevante, se consideramos a dimensão financeira - Porto e Benfica têm sido capazes de desenvolver com sucesso um modelo económico assente na valorização e venda de jovens talentos estrangeiros e portugueses.
Ora se, em lugar de dar condições para que possam prosseguir estratégias autónomas, nas quais combinam investimento em jovens de outros países com aposta nos portugueses de excelência, os clubes fossem obrigados a postar nos jovens portugueses, apenas por serem portugueses, estaríamos, de facto, a nívelar por baixo.
Sejamos realistas: não há jogadores nacionais de excelência em número suficiente para permitir aos grandes clubes manterem-se competitivos. E, pior, com onzes maioritariamente formados por portugueses, os melhores não se habituariam a jogar, desde novos, com os melhores. Em última análise, o André Gomes e o Rúben Neves, para dar apenas dois exemplos, seriam objectivamente prejudicados."

Nomes e originalidades clubistas (I)

"A interrupção do campeonato é um bom pretexto para divagar sobre curiosidades. Assim me pus a pensar no nome pelo qual os clubes são mais chamados (nos media ou pelas pessoas).
O Futebol Clube do Porto é - não sei porquê - o que, frequentemente, é referido pelo seu nome completo. Ou seja além do nome próprio (Porto), pelo apelido (Futebol Clube), mesmo que se fale de outro desporto que não futebol... Um pouco à imagem do seu presidente que, não rato, é chamado por quatro nomes. Fazendo uma comparação, não vejo o Barcelona ser conhecido pelo seu nome completo Futbol Clube Barcelona.
Já o Benfica dá mais pelo nome próprio do que pelo completo Sport Lisboa e Benfica que se usa mais esparsamente. Curiosamente é dos grandes o que, no seio dos adeptos, é também aclamado pelo sigla SLB.
O Sporting Clube de Portugal não tem, na verdadeira acepção da palavra, nome próprio, pois Sporting - como, é quase sempre mencionado em versão curta - é também comum apelido. Havendo muitos, a intensidade do seu uso não é uniforme. O Braga é muitas vezes acompanhado por Sporting, tal como o Covilhã ou o Espinho (aqui para também não se confundir com a Académica de Espinho). Menos frequentemente o é o Farense e quase nunca o Olhanense.
Disse há dias o presidente, do SCP: «Uma das grandes vantagens do Sporting é que se chama Sporting Club de Portugal.(...) Nós representamos Portugal, ou outros (...) províncias ou bairros». Esclarecedora e original essa dita vantagem, sem dúvida. Eu, pela minha parte, sinto-me às mil maravilhas no bairro..."

Bagão Félix, in A Bola

PS: A referência constante ao Futebol Clube Corrupto, em vez de usar simplesmente o nome próprio, tem uma explicação simples: diferenciar o clube da cidade... Portuenses não são Portistas, e são muitos os bons exemplos.