Últimas indefectivações

sexta-feira, 24 de julho de 2020

O regresso do Messias

"Como? Quem? Onde? Ah? Jorge Jesus? Não, nunca falei mal do senhor em toda a minha vida. Ficar eufórico com o 35 e uma migalhinha dessa satisfação se dever ao insucesso do JJ? Nada disso. Divertir-me à brava com a autêntica galhofa que foi o caminho até ao divórcio com Bruno de Carvalho? Nem pensar. Desfrutar de sorriso no coração a ultrapassagem, quase em cima da meta, do Al-Nassr de Rui Vitória ao Al Hilal que Jesus tinha deixado uns meses antes com 6 pontos de avanço na liderança? Que mentira absurda.
A vida dá muitas voltas, ainda mais do que as voltas que os jogadores do Benfica vão dar ao Seixal quando Jesus comandar o primeiro treino - nem sequer é ao relvado, é mesmo à cidade. Quando chegou pela primeira vez, em 2009, JJ disse que a equipa ia jogar o dobro. Desta vez, a missão é ainda mais exigente. Se na próxima época o Benfica não jogar pelo menos o triplo daquilo que assistimos durante esta segunda volta, temo que apenas lutemos por um lugar a meio da tabela.
Quem diria, há uns anos, que este regresso seria possível? Nem o Professor Chibanga. Sinto que ainda estamos todos a interiorizar esta novidade. Neste momento não faço ideia se a dupla de avançados na próxima época será Cavani-Shevchenko ou Vinícius-Gonçalo Ramos. Espero que cheguem reforços de valor indiscutível, mas os talentos da formação não podem ser ignorados.
O regresso de Jorge Jesus envolve um misto de emoções, no entanto aquela que prevalece é a vontade de ver o mister assumir a liderança da equipa o mais rápido possível. Tenho saudades de chegar a uma final europeia, mas desta vez é para ganhar."

Pedro Soares, in O Benfica

Bem-vindo, Mister!

"Jorge Jesus é, na actualidade, o melhor treinador português e um dos melhores do mundo.
Talvez nunca devesse ter saído da Luz. Aí houve culpas de parte a parte, e excessos causados pelas emoções, fortemente amplificados devido ao mediatismo do caso. Estes cinco anos serviram para aqueles que ainda tinham dúvidas perceberem o quanto ele vale, e também para ele perceber que é no Benfica que melhor se sente. Como um casal desavindo que, depois de algum tempo de separação conclui que é estando junto que alcança a felicidade. Não interessa de que cor Jesus nasceu, nem por onde passou. Foi no Benfica que despertou para os títulos e se tornou um treinador de topo. É esta a sua verdadeira casa, onde conquistou dez troféus e foi a duas finais europeias, deixando o Benfica no 5.º lugar do ranking da UEFA. Lançou jovens como Oblak, Gonçalo Guedes, André Gomes e outros, e valorizou jogadores que, sem ele, provavelmente nunca alcançariam o nível de sucesso que alcançaram.
Enquanto esteve no Sporting envolveu-se em duras polémicas com o nosso treinador de então. Muitas vezes excedeu-se. Fez de tudo para ganhar, tal como em todos os clubes por onde passou. Mas não me recordo de alguma vez ter faltado ao respeito aos adeptos do Benfica. Nunca pisou essa linha, respeitando o passado e deixando a porta aberta para este regresso.
Era o treinador que eu queria. Que eu quis em 2015, que eu quis em 2018, que eu queria agora. Tenho a certeza de que com ele estaremos mais perto de ganhar. E é essa o único rumo que interessa ao Benfica: o rumo das vitórias e dos títulos.
Seja bem-vindo a casa, Mister!"

Luís Fialho, in O Benfica

Jorge Jesus

"O regresso de Jorge Jesus ao comando técnico do SL Benfica é uma grande notícia. Unanimemente reconhecido como um excelente treinador, Jorge Jesus aceitou o desafio do presidente, e teremos uma certeza - o Benfica vai jogar mais e melhor. Os seus atributos são reconhecidos, e o insuspeito António Oliveira, ex-treinador do FC Porto, disse tudo quando o comparou a Pep Guardiola, Jurgen Klopp e José Mourinho.
Não será apenas o Benfica a beneficiar da excelência do seu trabalho, mas também o futebol luso. As suas performances ao serviço do Flamengo, onde conquistou seis títulos, atestam a sua competência. O Flamengo não vencia o campeonato desde 2009. Com a particularidade de ter deixado o histórico Santos a 16 pontos de distância. Em 29 jogos, somou 24 vitórias, 2 empates e apenas 2 derrotas. O grande momento foi a conquista da Taça dos Libertadores, batendo o mítico River Plate, clube que já conquistou 52 títulos. Gabigol, que passara discretamente pelo Benfica, em 2017/18, é a grande estrela e foi com Jesus que revelou todos os seus dotes de matador, conforme provam os 54 golos marcados. Tal como foi notável a prestação do Flamengo, na final do Mundial de Clubes, frente à mais poderosa equipa da actualidade, o Liverpool, campeão europeu em título. Jesus perdeu para Klopp apenas pela margem mínima (1-0) e no tempo extra. Basta recordar a forma como o Liverpool despachou Barcelona (4-0) e Bayern (3-1) e humilhou o FC Porto, com 5-0 e 6-1, para aferir da prestação do Flamengo. Ou seja, contratar um treinador com 19 títulos, 10 deles ao serviço do Benfica, faz todo o sentido."

Pedro Guerra, in O Benfica

Seniores ON

"Os mais idosos estão a passar um mau bocado. Eles são seguramente as maiores vítimas desta pandemia que ceifa vidas a torto e a direito, impiedosamente, por esse mundo fora. Por mais que se cuidem e que eles cuidemos, o espectro de perigo estão sempre presente, pairando no ar como uma ameaça iminente, amedrontando, confinando, tolhendo as mais ínfimas liberdades do dia a dia, que assim se vai pondo mais cinzento, agravando a solidão de muitos e cobrando, pelo sossego, a ausência de filhos e entes queridos. Mas há que reagir, e reage-se! Por isso, nunca como hoje os mais velhos se aproximaram das novas tecnologias, vencendo a resistência à mudança e descobrindo novos usos nos telemóveis de sempre. É certo que podem ser envervantes e complicados, mas a troco de todos os trabalhos trazem netos a sorrir, famílias e aproximarem-se mais e amigos a quem dar a mão, seja num clique, seja no toque suave dum ecrã.
Não é o mesmo: faltam as pessoas, o tacto, o compromisso do olhar, a luz dos sorrisos ou o aroma dos perfumes. Mas não falta a alma da gente, que se redobra em esforços por compensar com afectividade a dureza da distância. Nada pior para um ser gregário como nós, que disso dependemos para ter sucesso no jogo frio da evolução e da sobrevivência do mais forte, que ter de praticar em massa o distanciamento social como estratégia de sobrevivência. É contrário à nossa natureza e custa muito. Parece uma ironia e é, de facto, uma trágica ironia. Mas, apesar de tudo isto, sobreviveremos quase todos. Sobreviverão também os mais idosos, pelos cuidados tidos, mas terão de chegar adiante, a esse dia luminoso de esperança em que a medicina dará conta do recado e mandará a covid para o mesmo destino de tantas e tantas doenças imabatíveis, que a história humana mostrou vencer uma e outra vez. Mas, para já, é preciso manter corpo e alma em boa forma, e uma boa maneira de o fazer é adaptar tudo o que fazemos à nova realidade, mas nunca desistirmos de o fazer. Nós no Benfica sabemos bem o que isso é, resistir e nunca baixar os braços, prevalecer sobre a adversidade e, inevitavelmente, vencer. Por isso, a Fundação Benfica mantém todos os seus projectos com as devidas adaptações. Por isso, também, vemos com orgulho os nossos idosos a manterem as aulas em dia nas universidades seniores online, cultivando os saberes e as amizaddes de sempre e gozando a vida como o privilégio que efectivamente é. Num qualquer destes dias voltaremos aos relvados para os ver jogar walking football, e a festa será de arromba. Força, pessoal!"

Jorge Miranda, in O Benfica

BnR TV: César Peixoto...

SL Benfica | Os 5 melhores golos frente ao Sporting CP no século XXI

"A última jornada do campeonato 2019/2020 promete ser escaldante não só na luta pela permanência como na disputa pelos “lugares europeus”. Se por um lado o SL Benfica já não joga por nenhum objectivo, por outro encontra-se o Sporting CP a precisar de um ponto para assegurar o terceiro lugar e, consequentemente, a entrada directa na fase de grupos da Liga Europa.
Mas um dérbi é um dérbi e com ele traz sempre grandes momentos, incluindo grandes golos. Ainda que já tenham sido marcados golos espectaculares ao longo da história deste clássico do futebol português, neste artigo vou mostrar-vos os cinco melhores golos das águias aos leões este século.

1. Lima (Primeira Liga Portuguesa 2012/2013) – Sem dúvida, um dos melhores golos de sempre em jogos frente ao Sporting Clube de Portugal. Uma jogada fantástica que teve como intervenientes Lima, Gaitán e Salvio.
Gaitán recebe a bola no meio-campo adversário marcado por dois jogadores dos “leões” e com uma finta de corpo passa por entre os dois de forma a prosseguir até à área. De seguida, o argentino tabela com Salvio que, ao primeiro toque, trata de devolver-lhe a bola. Também ao primeiro toque, Nicolás Gaitan cruza para o centro da área onde aparece Lima que num pontapé em habilidade (no ar) finaliza de forma perfeita para o fundo da baliza de Rui Patrício.

2. Lazar Markovic (Primeira Liga Portuguesa 2013/2014) – No mesmo campeonato que o golo do Enzo Pérez, mas desta vez logo à terceira jornada, em Alvalade. Um golo memorável por parte do sérvio Lazar Markovic, em ano de estreia no Benfica.
O ex-Partizan recebe a meio do meio-campo “leonino”, passa por William Carvalho e conduz a bola em direcção à área adversária. Já à entrada da área, Eric Dier tenta desarmar o sérvio, mas este finta o inglês e o argentino Marcos Rojo, que se encontrava junto do companheiro de equipa. Depois de fintar três jogadores, Markovic só teve de colocar a bola por baixo de Rui Patrício e estabelecer a igualdade no marcador.

3. Enzo Pérez (Primeira Liga Portuguesa 2013/2014) – Uma jogada incrível do médio argentino que passou pelo Benfica entre 2011 e 2015.
Enzo Pérez recupera a bola a cerca de 30 metros da baliza defendida por Rui Patrício, conduz até à entrada da área, onde encontra o inglês Eric Dier. Numa simulação de remate com o pé direito, leva Dier a cair, deixando assim toda a zona central livre para o remate. Ainda assim, Enzo Pérez quis marcar um belo golo e de pé esquerdo rematou, em jeito, ao ângulo superior.
O Benfica acabou por vencer este jogo à terceira jornada da segunda volta, num resultado bastante importante para o campeonato, que viria a ser conquistado pelos “encarnados”.

4. Geovanni (Primeira Liga Portuguesa 2003/2004) – Um grande golo por parte de Geovanni, ex-jogador brasileiro dos “encarnados” entre 2002 e 2006.
Petit recebe a bola perto do meio-campo e descobre Geovanni solto do lado direito do campo. O avançado brasileiro controla a bola com um toque e de seguida remata com força e com colocação para o fundo da baliza de Ricardo. O guarda-redes português ainda se esticou, mas não conseguiu evitar um grande golo de Geovanni.



5. Luisão (Primeira Liga Portuguesa 2004/2005) – Um golo que não se destaca pela espectacularidade ou pela técnica, mas sim pela grande importância que teve para o Benfica.
Petit cobra um livre lateral e encontra o jovem Luisão dentro da pequena área. O defesa brasileiro cabeceia a bola enquanto o guarda-redes dos “leões”, Ricardo, tenta agarrar a bola, mas falha o esférico e permite o golo aos “encarnados”.
Este golo, aos 83 minutos, permitiu ao Benfica vencer o jogo (então 33.ª jornada) e ficar isolado… do Sporting. Os “leões” alegaram falta no lance, mas acabou mesmo por ser validado e permitir às “águias” ganhar, mais tarde, o campeonato nacional."

Antevisão...

Dérbi para a história

"O jogo entre Benfica e Sporting, que será disputado amanhã, às 21h15, no Estádio da Luz, ficará para a história como o primeiro (desejando-se que seja o último), entre estes clubes, realizado nestas circunstâncias absolutamente extraordinárias, as quais implicam a total ausência de público nas bancadas.
Naquele que é considerado, no futebol português, o dérbi dos dérbis, com uma longa e muito preenchida história iniciada em 1 de dezembro de 1907, que conta já com 436 jogos disputados, o Benfica leva vantagem, com 191 vitórias, 81 empates e 164 derrotas. Em competições oficiais, realizaram-se 346 partidas, com o Benfica a obter o triunfo em 154, enquanto os leões saíram vencedores em 126 (66 empates).
Na presente temporada já houve dois confrontos, com a nossa equipa a vencer em ambas as ocasiões. A abrir a temporada conquistámos a Supertaça e, na última jornada da primeira volta da Liga NOS, trouxemos uma vitória de Alvalade.
Infelizmente, o jogo de amanhã já não terá qualquer influência para a nossa posição na classificação da Liga NOS. Não atingimos o nosso objectivo principal, que era sermos campeões nacionais, estando assegurado o segundo lugar, que dá acesso às eliminatórias de entrada na fase de grupos da Liga dos Campeões. Para o Sporting o jogo assume um carácter mais decisivo, estando em jogo a obtenção do terceiro lugar na tabela classificativa.
Acresce que será importante dar seguimento aos bons sinais deixados pela equipa desde que Veríssimo assumiu o comando. As três vitórias e um empate conseguidos reflectem a melhoria exibicional e a maior eficácia da nossa equipa nestes jogos face ao passado recente.
Mas independentemente do adversário ou das circunstâncias do jogo, as equipas do Benfica entram sempre em campo para ganhar. Só a partir de domingo iniciará a preparação para a final da Taça de Portugal, prova que queremos muito vencer.
O jogo com o Sporting terá um aliciante extra, mais curioso que relevante, que é termos dois jogadores na luta por se sagrarem os melhores marcadores da Liga NOS. Pizzi e Vinícius lideram com 18 golos, seguidos de Paulinho, do Braga, com 17, e Taremi, do Rio Ave, com 16.
Os dados estão lançados. Neste jogo especial, em circunstâncias especiais, lamentando-se profundamente a ausência de público, que ganhe o Benfica! Amanhã e sempre!"

Recordações: Marina Teixeira...

O Messi de Guimarães e os craques de Famalicão e Vila do Conde

"Previ aqui, numa das primeiras crónicas da época, que Marcus Edwards poderia completar a temporada como o melhor jogador da história do Vitória de Guimarães. Não vou dizer que acertei em definitivo, por respeito a tantas carreiras, e mais longas, com o emblema do rei ao peito, Cascavel, Ademir, Paneira e tantos mais, mas o miúdo inglês tem talento que pede meças a qualquer deles e potencial para chegar mais longe ainda. O Messizinho da cidade-berço foi a melhor notícia do ano no futebol português.
Mas há outras notícias boas, de talento revelado, já que, apesar de colectivos de pouco brilho – salvam-se o entusiasmante Rio Ave, o muito competente Famalicão e algumas intermitências elogiáveis de Braga e Vitória de Guimarães - houve talento a despontar, e é sempre do talento que nascem as melhores equipas. O maior mérito dos treinadores será o de criarem o contexto, táctico e a partir daí também emocional, para que os melhores futebolistas apareçam e cresçam. Em relação às equipas em que o conjunto suportou o brilho individual, desde logo Rio Ave e Famalicão, é não só justa como indispensável uma nota prévia: a escolha dos jogadores já mostrava um caminho, que o modelo de jogo depois corporizou convictamente rumo ao sucesso.
Quando a base de uma equipa tem Borevkovic e Monte, Al Musrati e Diego Lopes, Carlos Mané e Nuno Santos, Piazon ou Taremi, seguramente foi pensada para jogar, para ter mais iniciativa que expectativa, para assumir a bola e não para correr atrás dela. A identidade também pode ter uma marca mais defensiva mas as equipas que guardaremos na memória são as que ousam jogar, seja onde e contra quem for. Carlos Mané podia perfeitamente integrar o plantel de um grande e nem sempre joga, Piazon é um luxo para o futebol português, como Taremi, pois claro, e Al Musrati tem tanta qualidade que não se entende como pôde ter sido dispensado de Guimarães.
E se há um meio campo com Gustavo Assunção, Pedro Gonçalves e Racic, e mais Guga e Lameiras no serviço ao talento de Fábio Martins e à agressividade eficaz de Diogo Gonçalves e Toni Martinez, é porque alguém pensou numa ideia antes de juntar nomes. E a ideia pressupunha, também nestes caso, coragem no jogo, ousadia sempre que possível, como se viu contra as melhores equipas e por várias vezes.
Isto significa que as equipas que jogaram melhor são também as mais bem colocadas logo a seguir aos ricos e tradicionais donos dos melhores lugares. Foram as que ousaram jogar, não foi nenhuma das que pensavam medrosa e prioritariamente em fechar-se para contra-atacar meia dúzia de vezes em cada jogo. Não acredito que seja uma lição para o futuro, mas bem que deveria ser. O campeonato foi fraco, com poucas equipas a escaparem à mediocridade. O futebol português precisa de coragem para melhorar. Desde logo coragem dos treinadores, de assumirem o risco da iniciativa, escolher bem e fazer jogar os melhores. Como aconteceu com Famalicão e Rio Ave. E com o sucesso que é evidente."

Despedida II !!!

"Depois de Carlos Xistra, é a vez de Jorge Sousa terminar a carreira ao serviço do clube do coração. Mais um gesto bonito de Fontela Gomes.
Não dá para o #PortoaoColo fazer mais dois jogos para permitir que Artur Soares Dias e Fábio Veríssimo possam, também, acabar a carreira?"

Desporto: um sector esquecido

"Sabemos que só o golfe (dados de 2018 publicados no Anuário da Federação Portuguesa de Golfe) gerou em impactos directos e indirectos cerca de 1,9 mil milhões de euros. E o surf tem certamente um impacto significativo em termos de procura das nossas praias.

Portugal aumentou em pouco anos o seu reconhecimento internacional em muitas vertentes, sendo uma delas o desporto e tudo o que este comporta e com o qual se relaciona.
A capacidade de o país organizar e acolher no seu território, com as suas infraestruturas e recursos, múltiplos eventos de diferentes modalidades tem constituído valor acrescentado e benefícios para o desenvolvimento desportivo e económico nacional.
Em resultado desse desenvolvimento, Portugal é hoje, também, internacionalmente reconhecido como um destino privilegiado para a preparação desportiva de atletas e selecções nacionais de diferentes países em inúmeras modalidades.
Existem mesmo modalidades (remo, canoagem, vela, ginástica, futebol, triatlo, surf, ciclismo, atletismo, entre várias outras) que escolhem Portugal como local de preferência para os respectivos estágios desportivos, incluindo nas suas delegações campeões olímpicos e mundiais. E quem acompanha os processos desportivos no alto rendimento sabe do efeito multiplicador que estas opções geram na procura dos espaços de preparação desportiva escolhidos pelos melhores.
Na grande maioria dos casos o país ignora a dimensão do problema. E aproveita mal os ganhos económicos e desportivos. E se existe alguma entidade que registe o movimento de entradas em Portugal por motivos desportivos e o contributo que é dado à nossa economia esse trabalho não é do conhecimento público, ao contrário do que se passa no país vizinho, onde o "Anuário de Estadísticas Desportivas", entre outras dimensões de análise, permite conhecer a magnitude do desporto em termos comerciais e turísticos.
A partir de 2016 deixaram de ser publicados dados da Conta Satélite do Desporto e naquela data o período estudado era 2010/2012. Nessa altura o desporto já representava 1,4% da mão-de-obra nacional, o mesmo nível de postos de trabalho da "indústria da madeira, papel e cartão" (1,4%) e mais do que ramos de actividade como a "consultoria e programação informática" (0,9%), "actividades imobiliárias" e "telecomunicações" (0.3%).
Numa recolha que o Comité Olímpico de Portugal fez junto de algumas entidades desportivas e operadores privados, e em apenas algumas modalidades, estima-se que o número de países que estagiaram em Portugal em 2019 seja superior a uma centena e meia, correspondendo a cerca de 200 mil dormidas. Muitas destas dormidas, geradas pela procura desportiva, são contabilizadas na indústria do turismo, por via do registo hoteleiro. Ignoramos o valor económico gerado em impactos directos e indirectos. Mas sabemos que só o golfe (dados de 2018 publicados no Anuário da Federação Portuguesa de Golfe) gerou em impactos directos e indirectos cerca de 1,9 mil milhões de euros. E o surf tem certamente um impacto significativo em termos de procura das nossas praias. E podem apresentar-se os desportos hípicos com um peso muito significativo na economia.
Em alguns casos é de admitir que esta procura se deva à promoção do país no estrangeiro e aos efeitos multiplicadores que tiveram no sector do desporto. Mas tal não correu, que seja público, por impulso concertado das autoridades que deveriam liderar este processo, designadamente o Turismo de Portugal e a Fundação do Desporto, esta enquanto coordenadora da gestão dos centros de alto rendimento que são de génese e gestão públicas.
Esta procura resulta, em grande parte, de iniciativas particulares promovidas por contactos bilaterais entre organizações desportivas congéneres ou por iniciativas de entidades privadas, sem que, porém, seja dada a devida atenção aos resultados deste fenómeno catalisador do valor desportivo nacional e incrementador de montantes avultados de consumo, que não são nem podem ser ignorados no plano económico.
Aquando da recente apresentação do Programa de Recuperação Económica e Social, a ministra da Cultura revelou que teve um "um diálogo bom" com o autor do trabalho e que está muito contente com a visibilidade da sua área no plano.
O mesmo não pode afirmar, infelizmente, o membro do Governo responsável pela área do desporto. Pelo menos no que toca à visibilidade do sector. É pena. Perde o desporto e perde Portugal."

A relevância do desporto

"Se o mundo não tivesse sido abalado pela pandemia da Covid-19, esta sexta-feira iríamos certamente assistir à Cerimónia de Abertura dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, e acompanhar o desfile dos atletas olímpicos da Equipa Portugal.
Estava em preparação uma cerimónia de abertura que iria ser vista por mais de 3,6 mil milhões de pessoas de audiência global, e que seria transmitida por mais de 500 canais de televisão e centenas de plataformas digitais. Os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, que mantiveram a mesma designação e marca, estão agora agendados para o período de 23 de Julho a 8 de Agosto de 2021, e irão certamente bater novos recordes de audiência e acompanhar as rápidas mudanças de hábitos de consumo, com mais ofertas digitais para proporcionar a mais de metade da população mundial o visionamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, que pretendem afirmar-se como os mais inovadores da história, transmitindo uma mensagem baseada em três conceitos principais: procurar o melhor de nós, aceitarmo-nos uns aos outros e focarmo-nos no futuro.
Em Portugal, mais de três milhões de portugueses acompanharam as prestações dos atletas olímpicos da Equipa Portugal na última edição dos Jogos Olímpicos Rio 2016, segundo um estudo realizado pela Nielson Media Research para o Comité Olímpico de Portugal.
São factos que confirmam a relevância do desporto para qualquer país do mundo e para qualquer sociedade moderna, e que têm sido aproveitados em cada vez mais países para potenciar a sua promoção através dos atletas e das equipas olímpicas nacionais, com estratégias agregadoras e acções coordenadas pelos Comités Olímpicos Nacionais, que contam com o envolvimento e compromisso das autoridades políticas nacionais, dos diversos agentes desportivos, das empresas e marcas de referência, dos media e da população em geral.
Em Portugal, temos também o dever de procurar o melhor de nós e, em cada função que desempenhamos, desde atletas, treinadores, dirigentes e responsáveis pelo desporto, ter a capacidade de fazer mais e melhor, inovar e criar projectos de qualidade e sustentáveis com a ambição de mobilizar vontades, recursos humanos, materiais e financeiros, que permitam a modernização do tecido desportivo nacional para atrair mais jovens para a prática desportiva regular.
Aceitarmo-nos uns aos outros, promovendo a entrada no sector do desporto de mais pessoas, organizações, empresas que gostam do desporto tanto como nós que cá andamos há alguns anos sem receios, e aceitar os seus contributos, inovação, conhecimentos, capacidades e sobretudo a sua vontade de ajudar Portugal a ser cada vez melhor num sector tão competitivo como o desporto. Focarmo-nos no futuro com a oportunidade de modernizar o sector do desporto, com soluções tecnológicas e de inovação no apoio ao treino desportivo, com políticas de sustentabilidade ambiental e com uma transformação digital que permita maior eficiência e eficácia das organizações desportivas, com produtos e serviços de qualidade, que as ligue rapidamente com as pessoas que serão sempre o cliente mais relevante do desporto, e que vêm nos atletas olímpicos que representam a Equipa Portugal nos Jogos Olímpicos uma referência e força motivadora para as suas vidas."

quinta-feira, 23 de julho de 2020

Vertigem de contratações

"Nos últimos dias, os nomes falados nos mais diversos media, como possíveis contratações pelo Benfica para a próxima época, dariam para constituir quase três equipas.
Não querendo individualizar neste espaço qualquer caso, a inexistência de critérios leva até a indicar nomes de jogadores perfeitamente incomportáveis para a realidade do país e do mercado e em que um mínimo de conhecimento da realidade e dos valores em causa levaria a ter-se bom senso e não correr atrás da mera especulação, do boato e da notícia falsa.
Nesta última semana então, são vários os exemplos que poderíamos dar.
Apesar dos vários desmentidos, existe quem teime em continuar a falar dessas possibilidades, os mesmos que depois até terão, eventualmente, coragem de, perante a óbvia não concretização desses negócios, falar em eventuais desaires dessas tentativas e interesses que nunca existiram, nem poderiam racionalmente existir.
Temos noção de que sempre, nestas fases das épocas, em que os mercados de transferências se abrem, é normal surgirem os mais variados tipos de notícias provenientes das mais diversas fontes sobre eventuais contratações.
E percebemos também que a preocupação em procurar a novidade e uma cacha reforce todo o tipo de especulações.
Ainda mais num clube como o nosso, pela dimensão, prestígio granjeado e reconhecimento da solidez do projecto, o que leva a que, naturalmente, seja um dos clubes mais visados por este tipo de bombásticas e hipotéticas contratações nas mais variadas latitudes.
Queremos deixar uma garantia: a próxima época está a ser preparada com todo o rigor, critério, exigência e ambição, tão bem simbolizados na já conhecida escolha do treinador para um projecto de futuro e ganhador, que é o que todos desejamos para o nosso Sport Lisboa e Benfica.

P.S.: O Sport Lisboa e Benfica, representado pelo vice-presidente João Varandas Fernandes, receberá hoje, às 12h45, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Hungria, Peter Szijjártó, acompanhado do embaixador da Hungria em Portugal, Miklós Halmai. A entrada será realizada pela porta 18, onde será feita uma homenagem a Béla Guttmann e a Miklós Fehér, seguida de reunião e visita ao Estádio."

O desafio com a chegada de Jorge Jesus

"Jorge Jesus é o novo treinador do Benfica. É um tema pouco consensual no Benfica porque todos os adeptos já conhecem os pontos fortes e os pontos fracos de Jorge Jesus, havendo ainda a controvérsia toda após ter saído do clube que só contribui ainda mais para a divisão de opiniões. É o nosso novo treinador quer se goste ou não. Pondo de parte toda a história por de trás da sua saída, onde quer ele, quer a nossa Direcção não ficaram muito bem na fotografia, acho que é importante que os adeptos se lembrem do quão bem a equipa jogava, dos títulos, da progressão dos jogadores e das finais europeias. Mas também é importante relembrar porque é que Jorge Jesus saiu e como evitar que esses problemas regressem.
No verão de 2015 o Benfica começava a ver os resultados da aposta no Seixal. A primeira grande geração do Seixal (1994 - Bernardo Silva, João Cancelo, Hélder Costa, Fábio Cardoso) estava a terminar o seu segundo ano de sénior. Bernardo Silva já era titularíssimo num Monaco muito competitivo. João Cancelo começava a aparecer no Valência. Luís Filipe Vieira sabia que essa geração, 1994, era só a primeira de muitas. Nesse ano, nos juniores já havia Gonçalo Guedes, Renato Sanches, Rúben Dias, Ferro, João Carvalho, Pêpê e Diogo Gonçalves. Nos juvenis Jota, Florentino, Gedson e Zé Gomes começavam a aparecer. Parecia então haver a certeza que Jorge Jesus não seria capaz de aproveitar todo este talento e avançou-se para o treinador que na altura parecia estar a aproveitar melhor as sobras da formação do Benfica (Cafu e Bruno Gaspar era muito utilizados em Guimarães) e com resultados - a vitória na Taça de Portugal, por exemplo.
Desde então é verdade que Jorge Jesus conseguiu transformar alguns jogadores da formação em jogadores de qualidade internacional. Mesmo no Benfica isso aconteceu com o André Gomes. No Sporting o maior exemplo foi Gelson Martins e de maneira não tão significativa o Daniel Podence (que na verdade só "explode" no Olympiakos). No Flamengo lançou Reinier que rapidamente foi transferido para o Real Madrid. A grande dúvida agora é o que é será capaz de retirar do Benfica. Porque esta que geração que vem aí é das gerações mais dominantes que houve no Benfica. Ontem já ficou evidente pelo jogo do Gonçalo Ramos. Mas Gonçalo Ramos é só o primeiro. Há ainda Tiago Dantas, Rafael Brito, Morato, Ronaldo Camará, Paulo Bernardo e Úmaro Embaló, só para citar alguns.
A solução para este problema é muito simples. Se para cada posição houver três jogadores, nunca haverá espaço para os jovens aparecerem. Vai se sentar um internacional A suíço que recebe um milhão de euros por ano para jogar o Gonçalo Ramos? Claro que não. Nem este ano isso aconteceu, quanto mais com Jorge Jesus. Se o plantel tiver 23-24 elementos, vai haver espaço para os jovens da formação lutarem por um lugar. Se o plantel tiver 28-30 jogadores, que é o tamanho normal dos plantéis de Jesus, a história do Bernardo Silva e do João Cancelo arrisca-se a repetir."

Meirinices !!!

"Mais uma vez o ponta-de-lança ao serviço do #PortoaoColo a "brilhar" bem alto na disciplina, aproveitando os seus últimos tempos no cargo para demonstrar toda a sua mesquinhez.
Depois de ter sido completamente desacreditado, humilhado e intitulado de incompetente para julgar sobre este assunto pelo TAD, eis que o "boneco" Meirim decide uma vez mais aplicar interdição ao Estádio da Luz alegando os mesmos motivos que provocaram a decisão de anulação por parte do TAD em casos anteriores.
Com mais esta triste demonstração, Meirim vem mais uma vez demonstrar que é uma pessoa totalmente anti-Benfiquista e ressabiada. Um triste de espírito sem qualquer tipo de competência, credibilidade e isenção para um cargo desta responsabilidade. Um sujeito abjecto, sem qualquer tipo de vergonha na cara."

Desporto Feminino no SL Benfica

"Atletismo Feminino, que futuro?
Quando se aproxima o apuramento para a final do Campeonato de Clubes de pista ao ar livre, no próximo fim de semana, o que esperar da equipa feminina de atletismo do SL Benfica?
No passado mês de Fevereiro, no que diz respeito à modalidade feminina de Pista Coberta, decidimos simplesmente “abdicar” da nossa participação. Na altura, Ana Oliveira justificou a ausência do SL Benfica das finais do campeonato nacional feminino com o pretexto de que estaria a ser elaborado um «projecto competitivo a nível nacional e europeu».
Mas onde está o projecto?
Quando se fala constantemente na aposta do desporto feminino no SL Benfica, o atletismo feminino tem ficado completamente esquecido. Falamos da principal modalidade olímpica e provavelmente da modalidade na vertente feminina mais “popular” a nível mundial. Basta perguntar, no nosso país, quem foi Fernanda Ribeiro ou Rosa Mota, e praticamente toda a gente saberá responder.
O SL Benfica tem feito um forte investimento no que ao desporto feminino diz respeito e tem colhido os merecidos frutos dessa aposta.
No futsal feminino é tricampeão nacional e no hóquei feminino domina a seu bel-prazer, sendo heptacampeão nacional.
Criou o voleibol e o andebol feminino, começando pelas divisões inferiores, e neste momento o andebol já compete na 1ª divisão e o voleibol disputará a liguilha de acesso à 1ª divisão, no início da presente época desportiva.
Quanto ao basquetebol feminino, ganhou o seu primeiro título oficial na época passada e este ano a aposta recai no treinador campeão nacional, Eugénio Rodrigues, um treinador de grande renome no panorama nacional.
Em relação ao futebol feminino, temos um projecto liderado por Fernando Tavares que conta já com títulos em todas as provas disputadas nas camadas seniores da formação.
Ainda na vertente feminina, no polo aquático e no judo, somos também campeões nacionais, com aposta clara na Taça dos Clubes Campeões Europeus.
Por tudo isto, apraz-nos perguntar quais são as reais ambições e onde se situa o atletismo feminino no ecletismo benfiquista?
O SL Benfica, no atletismo feminino, tem no seu palmarés 14 títulos de Campeão Nacional de Pista Ar Livre, 1 título de Campeão Nacional de Pista Coberta, 8 títulos de Campeão Nacional de Corta Mato Longo e 4 títulos de Campeão Nacional de Estrada.
É uma modalidade com História e tradição no Clube e que parece estar a ficar esquecida em prol de outras, levantando a suspeita de que poderá estar a ser equacionada a sua extinção. Esperamos que tal não aconteça e que sejam respeitados os princípios e valores ecléticos do Sport Lisboa e Benfica.
Em Novembro deste ano irá reabrir o mercado de transferências. O SL Benfica, por uma questão de respeito próprio, deveria responder de forma peremptória aos ataques que foi alvo em 2016 pelo então presidente do Sporting CP, Bruno de Carvalho. O qual, recorde-se, destruiu a equipa de estrada e cross feminino do SL Benfica e que era amplamente vencedora.
Infelizmente, o pacto acordado entre os presidentes do SL Benfica e Sporting CP proíbe a circulação de atletas directos entre os clubes. Uma decisão que, além de desvalorizar o atleta e diminuir as oportunidades de carreira profissional, também em nada beneficia a competitividade do atletismo nacional.
Esperamos que no próximo sábado, dia 25 de Julho, a equipa feminina do SL Benfica possa marcar presença no Estádio Universitário e, consequentemente, garantir a qualificação para a final do campeonato nacional, marcado para dia 15 de Agosto.
Por fim, terminamos com a seguinte frase:
«Mais vale a lágrima da derrota do que a vergonha de não ter lutado»."

Jorge Jesus | O mister está de volta

"Recentemente, foi anunciado o retorno de Jorge Jesus ao futebol português, neste caso, para representar novamente o SL Benfica. Após um trajecto curto, mas de enorme sucesso, ao serviço do Flamengo, o técnico português regressa a uma casa onde conquistou dez títulos e praticou um futebol que deixou saudades na maioria dos adeptos encarnados.
Apesar da sua saída para o rival Sporting CP, em 2015, provocando uma acesa disputa, troca de palavras e acusações durante uma época inteira, parecia desde há uns tempos evidente o interesse de Luís Filipe Vieira em trazer o técnico português novamente para o comando das águias.
Na primeira passagem, Jorge Jesus praticou um futebol ofensivo, de pressão alta, com muita organização e detalhe nos vários momentos de jogo, além de ser visto também como um treinador de excelência nos processos de treino.
Conquistou três campeonatos e perdeu outros três, ainda que, sejamos francos, para um FC Porto com plantéis de qualidade muito superior aos de hoje em dia (com nomes como Falcao, Hulk, James, Moutinho, Helton, Otamedi, Alex Sandro ou Danilo).
Além disso, conduziu o Benfica a duas finais europeias, algo que merece realce tendo em conta que o Benfica se encontrava há 23 anos arredado destes palcos. Na Liga dos Campeões, atingiu por uma vez os quartos de final da prova, porém, em cinco edições conseguiu apenas por essa vez passar uma fase de grupos, algo que, certamente, pretenderá mudar e melhorar nesta nova passagem. 
Concomitantemente, valorizou bastante alguns jogadores, o que permitiu avultados ganhos em transferências para o clube da Luz (David Luiz, Fábio Coentrão, Javi Garcia, Matic, Witsel, Enzo, Di Maria, Rodrigo, entre outros).
Com eleições em Outubro, a aposta em Jorge Jesus fica patente como um ato de “all in” por parte do presidente Luís Filipe Vieira, sobretudo depois de, em 2015, ter prescindido do treinador para iniciar um projecto com moldes diferentes, essencialmente com a aposta em jovens da formação, dando a entender, actualmente, que errou ao mudar a política.
Ainda assim, parece-me que Jorge Jesus deverá ter aprendido com erros do passado (por exemplo, os casos de João Cancelo e Bernardo Silva), podendo olhar agora de uma forma distinta para alguns jovens de enorme potencial nos quadros do clube e enquadrá-los na equipa a curto/médio prazo, caso entenda que estes reúnem as qualidades e funções exigidas para o seu modelo de jogo muito específico e rigoroso (Tiago Dantas, Gonçalo Ramos, Paulo Bernardo, Úmaro Embaló, entre outros). 
No entanto, com a vinda do técnico, é previsível um investimento forte do SL Benfica no próximo mercado de transferências, certamente com muitas entradas e saídas no plantel encarnado, como já tem sido ultimamente noticiado, de forma a criar um impacto e mudanças imediatas. Com o elevado investimento em vista, o objectivo poderá, finalmente, passar pelo tal “Benfica Europeu” muito falado nos últimos tempos, mas que, na prática, não se concretizou.
Pelas reacções dos últimos dias, a conclusão que se retira é uma certa divisão nos adeptos relativamente a esta contratação. Alguns, muito felizes com o regresso e convictos de que será o homem certo para elevar a qualidade de jogo da equipa, assim como para exigir um plantel mais forte e profundo. Outros, não esquecendo todos os episódios com o eterno rival Sporting, após a sua saída, estão contra esta contratação, por considerarem uma afronta aos valores e identidade do clube e, ainda, com receio de que a história de sucesso não se repita desta vez.
Em suma, creio que será uma contratação e um regresso que elevará a qualidade de jogo do Benfica e, consequentemente, do futebol português. O tempo dirá se foi uma boa ou má escolha, mas a expectativa para perceber qual será o futuro do Benfica, se a águia voltará a voar bem alto, é muito grande nas hostes encarnadas, e não só."

Então, mesmo goleados, os jogadores do Aves venceram a própria SAD

"Não fossem os salários em atraso ao plantel e à equipa técnica desde Março, as notícias sobre investigações a contratos lesivos e empréstimos encapotados e uma série de histórias de bastidores contadas em surdina pelos protagonistas e o Aves ter-nos-ia apanhado de surpresa.
Mesmo assim, não deixámos de franzir o sobrolho, no dia 17 de Julho, com a original intenção da SAD em faltar ao derradeiro jogo da Liga, frente ao Portimonense, sob o pretexto de «salvaguardar a verdade desportiva». Dois dias depois, novo anúncio: a ameaça de faltar também ao jogo contra o Benfica.
Para além dos salários, os seguros também não estavam em dia e a equipa não podia competir.
Ora, faltando a um jogo das últimas três jornadas, o Aves arrisca ser excluído das competições profissionais de seis a dez anos.
Estranhamente, não houve sinal de alerta, mas conformismo da parte da SAD, detida pela empresa Galaxy Believers de Wei Zhao e gerida por Estrela Costa. Até que, no início desta semana, os episódios foram-se sucedendo, fazendo-nos abrir progressivamente a boca de espanto.
Então, mais um jogador, o oitavo, rescindiu contrato por salários em atraso – o nono rescindiu ontem.
Então, o presidente do clube, tentando apresentar soluções para a cada problema novo que surgia, abriu as portas do pavilhão para os jogadores fazerem testes à covid, denunciando que «a SAD tudo está a fazer para o Aves não disputar os últimos jogos».
Então, a equipa médica, foi despedida pela SAD, num telefonema, por ter cumprido o seu dever de realizar testes à covid aos profissionais que iam participar no jogo.
Então, no dia da recepção ao Benfica, as chaves do autocarro desapareceram e os jogadores tiveram de ir para o jogo em viaturas próprias ou a pé.
Então, em cima da hora, duas salas necessárias para a organização da partida estavam fechadas, obrigando à intervenção de um juiz e da GNR.
Então, desapareceu das instalações do clube a Taça de Portugal, conquistada em 2018.
E então, depois de tantos sinais no mesmo sentido, até o observador menos atento suspeitaria que a própria equipa estaria a ser alvo de sabotagem interna.
Perante isto, surgem as dúvidas: qual o motivo para a cada solução surgir um novo obstáculo a competir? A quem aproveita a falta de comparência da equipa? Quem beneficia de um cenário em que o clube cai directamente para os Distritais, em vez de disputar a II Liga na próxima época?
A única resposta cabal foi dada pela equipa, que entrou em campo e depois de um protesto no primeiro minuto se bateu da melhor forma que pôde, e pelo seu treinador, Nuno Manta, que à falta de assessor se apresentou a si próprio, tentando no fim do jogo encontrar uma centelha de humor no meio de um drama.
E então, mesmo goleada por 4-0 pelo Benfica, a equipa do Aves venceu. E por isso mesmo os adeptos esperaram fora do estádio, agradecendo-lhe o esforço perante condições inaceitáveis para qualquer trabalhador em nome da salvação do clube.
Terça-feira à noite, os jogadores do Aves aprenderam que, mesmo perdendo, podem alcançar vitórias inimagináveis. Que sejam eles, com as forças que lhes restam, a destruir o lado mais pérfido do futebol."

O Brinco do Baptista #48 - Maracanazo: 70 anos depois