Últimas indefectivações

sábado, 21 de março de 2020

Falhou o primeiro 'chito' do século XXI

"À boleia de uma tragédia global vieram, paroquialmente, exigir que lhes fosse entregue o título de campeão apregoando uma suposta legislação sustentada em boataria conveniente com os seus interesses de natureza desesperadamente financeira

Que figuras tristes fizeram alguns acólitos do FC Porto e, por fim, o seu presidente durante a semana que antecedeu a decisão da UEFA sobre as competições profissionais no quadro de emergência provocado pelo Covid-19. À boleia de uma tragédia global vieram paroquialmente exigir de campeão apregoando uma suposta legislação sustentada em boataria conveniente com os seus interesses de natureza desesperadamente financeira.
Manchetes amigas garantiram que a UEFA iria ordenar às ligas europeias a homologação das tabelas de todos os 55 campeonatos no estado em que estavam no momento da interrupção das provas. Outros fazedores de opinião alertaram para as manobras do inimigo público número 1 da humanidade nos tempos que correm: não, não é nenhum vírus, é o 'centralismo' lisboeta e os abusos da Capital conjugados para roubar ao FC Porto mais um título. E, finalmente, coroando toda a demagogia com a sua surreal presença, lá surgiu Pinto da Costa a 'dar a solução' depois de uma 'task-force' de esforços paliativos lhe ter ressuscitado a ironia do costume, aquela prosápia bafienta do tempo em que 'dar chitos' era a prática e era a Lei.
A urgência do FC Porto nem é o título de campeão. São, tal como explicam as contas da SAD, os 40 milhões da entrada directa na Liga dos Campeões. Com dez jornadas da Liga por disputar e dispondo de um ponto de avanço sobre o seu perseguidor pretendeu o maior clube da Cidade Invicta dar o primeiro 'chito' do século XXI, celebrando em Março a conquista do título, enchendo - já! - a Avenida dos Aliados de bandeiras azuis e brancas sanitariamente dispostas entre si a uma distância de um metro em observação rigorosa das normas vigentes. A UEFA veio colocar um ponto final no delírio e pode-se, assim, constatar que falhou rotundamente o esforço de muita gente para a homologação do primeiro 'chito' do século, o chito-maravilha.
Não será, portanto, Pinto da Costa a decidir quem é o campeão da temporada de 2019/20. Nem será sequer Pedro Proença. Nem será a 'meritocracia', a que o presidente da Liga se referiu com tanta diplomacia, a decidir o campeonato. Será, naturalmente e, o campeonato com as suas dez jornadas por disputar a decidir quem será o campeão e quem terá entrada directa na próxima edição da Liga dos Campeões e quem desce e quem sobe e quem vai à Liga Europa.
Todo este enredo tão original deixa no ar uma questão que poderá alimentar discussões nas próximas décadas. Se, eventualmente, o FC Porto não ganhar o título em campo - o que é difícil de acontecer porque o Benfica entrou de quarentena já bastante e doente - considerarão os seus responsáveis vir a reclamá-lo na Assembleia da República tal como o Sporting fez em relação aos quatro títulos reclamados dos anos 20 e 30 do século passado? Força!"

O Brinco do Baptista #33 - Brinco à distância

Sem futebol

"Este vírus colonizou todas as facetas da nossa vida quotidiana. Não se fala de outra coisa porque todos nós estamos condicionados pela necessidade de conter esta epidemia.
O futebol e o desporto em geral não fogem à regra. O Euro foi adiado para 2021. Para quem comprou bilhetes para ir ver o Euro 2020, passagens de avião e estadia em hotel, vai ter um prejuízo enorme, se, entretanto, não se tomarem medidas. O que se está a passar, é um estado de excepção e as pessoas possam reaver o dinheiro investido num evento desta dimensão ou reagendar a sua ida: bilhetes de jogo, de avião e estadia no hotel.
Não nos podemos dar ao luxo de continuar a assistir a futebol, MotoGP, Fórmula 1, ténis, ciclismo ou basquetebol ao mais alto nível. É o momento de parar para voltarmos mais tarde, de novo, a ver o que mais gostamos.
Este vírus está a ter um impacto brutal nas nossas vidas e na nossa maneira de viver. E, mostra-nos como realmente são as pessoas, há gente magnânima e boa, mas há gente infame.
O futebol também está de quarentena, mas como passou a indústria, a quebra de receitas tem uma enorme influência nas equipas de futebol. Alguns clubes estão a pensar baixar o salário dos seus jogadores. Os clubes são unidades de negócio e não podem fechar tanto tempo, pois há salários chorudos a pagar no fim do mês.
O tema actual do futebol que passou para destaque foi a prisão de Ronaldinho no Paraguai por suposto branqueamento de dinheiro e uso de passaporte falso e Jorge Jesus contaminado ou não. 
Antes da suspensão de todos os jogos de futebol houve jogos sem adeptos o que era algo estranho. Ouvia-se as vozes dos jogadores e dos treinadores, o apito do árbitro era amplamente audível.
Mas um fim-de-semana sem futebol é algo incomum tirando o defeso. O poder do futebol na vida das pessoas é enorme, a vida sem futebol perde o quanto é picante viver. Deixou-se de falar dos árbitros, VAR, treinadores e jogadores.
Mas tenho esperança que isto vai passar e lentamente voltaremos à normalidade. Este período de medo colectivo, e roído de pânico parece uma paranóia. Esta é uma boa ocasião para sentirmos o quanto nos faz falta, ver desporto que não passa só por futebol."

O onze mais desvalorizado do SL Benfica na última década

"Muitos são os jogadores que passam pelos clubes sem nunca chegarem a deixar marca junto dos adeptos. A maioria por falta de qualidade, mas há muitos que somente as circunstâncias os ofuscaram: a maturidade dos jogadores, o nível de desenvolvimento, a adaptação ao país, a adaptação à equipa e até a qualidade do treinador que os recebe. O SL Benfica ainda consegue ser um caso mais especial.
Às contratações que não se afirmaram ainda se juntam os jovens da formação que acabaram por ter de se mostrar em outras paragens.
Deixo-vos então o meu 11, num 4-4-2 clássico, com jogadores que passaram pelo SL Benfica, entre 2009-10 e 2018-19, praticamente sem registo, mas que acabaram por se afirmar noutras paragens e até noutros voos.
Este é um XI que está actualmente avaliado em 254 milhões de euros, enquanto o XI actual de Bruno Lage está avaliado em 223 milhões.

Guarda-redes
Mika Em 2011 foi eleito o melhor guarda-redes do Mundial sub-20, competição na qual a Selecção Portuguesa acabou por se sagrar vice-campeã. Nessa altura, Mika foi contratado pelo SL Benfica à UD Leiria, mas acabou por não realizar qualquer partida pelos encarnados.
No Verão de 2014, acabou por ingressar no Boavista FC e terá sido na baliza dos axadrezados que viveu os seus melhores anos. Foram duas épocas onde agarrou a titularidade de uma equipa da Primeira Liga com exibições que o levaram, em 2016, a ser contratado pelo Sunderland da Premier League.
Acabou por não actuar na Premier League e depois de nova passagem pela UD Leiria e pelo CF “Os Belenenses”, defende hoje a baliza da Académica OAF na Segunda Liga. Teria sido útil na fatídica época 2017-18?

Lateral direito
João Cancelo Um dos principais exemplos dos produtos de sucesso do Seixal que tiveram de se afirmar fora do clube. João Cancelo desde cedo mostrou ser um lateral muito ofensivo. Jogador de garra, rápido, criativo e com um excelente pé direito. Contudo, a sua instabilidade emocional sempre condicionou a sua evolução.
Mas, a verdade é que desde que saiu do SL Benfica a sua carreira não mais parou de evoluir. Foi foi para o Valencia CF e daí seguiu para o FC Inter de Milão, depois para a poderosíssima Juventus FC e já esta época, pela modesta quantia de 55 milhões, foi contratado para o Manchester City FC de Pep Guardiola. Já leva também 16 internacionalizações pela selecção portuguesa.
Com 25 anos, e apenas 73 minutos disputados na principal equipa dos encarnados, João Cancelo seria hoje titular absoluto na equipa de Bruno Lage.

Defesa central
Stefan Mitrović Este central sérvio chegou ao Benfica em 2013. Central imponente, que nunca teve o seu espaço no Estádio da Luz.
Sem um único minuto realizado pela equipa encarnada, acabou por ser vendido ao SC Friburgo da Bundesliga. Ganhou o seu espaço na equipa alemã, foi três épocas titular no KAA Gent da Bélgica e em 2018 acabou por chegar à Ligue 1. O RC Estrasburgo contratou Mitrovic por três milhões e este não só é titular como também é o capitão da equipa pela qual conseguiu vencer da Taça da Liga da época 2018-19. Conta com 15 internacionalizações ao serviço da Sérvia.
Olhando aos argentinos Conti e Lema, não seria o sérvio melhor concorrência a Jardel? 

Defesa central
Sidnei O central brasileiro enquanto esteve no Estádio da Luz foi sempre um dos patinhos feios dos adeptos. Um defesa que por vezes impressionava com bola, mas que não transmitia à equipa qualquer segurança defensiva.
Foram quatro épocas de águia ao peito – mais três de empréstimos -, mas sem deixar saudades. Foi na La Liga que encontrou o seu espaço de afirmação. Durante quatro anos, agarrou a titularidade da defesa do RC Deportivo da Corunha e acabou por ser contratado pelo Real Betis Balompié em 2018. As lesões condicionaram a sua afirmação, mas já esta época, na última jornada disputada em Espanha, foi o autor do golo inaugural do jogo que deu vitória ao Betis sobre o Real Madrid CF.
Fica à atenção de Ferro.

Lateral esquerdo
Marçal No dia 26 de Fevereiro deste ano, em jogo a contar para a primeira mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões, a Juventus FC deslocou-se a França para defrontar a equipa do O. Lyon.
A jogar em casa, os franceses saíram vitoriosos. Na defesa, a controlar as movimentações de Dybala e Cristiano Ronaldo, estava Marçal, um jogador que nada diz aos benfiquistas apesar do seu nome lhes ser familiar.
Marçal chegou à Luz desde o CD Nacional no Verão de 2015. Não fez um único minuto pelos encarnados e depois de dois empréstimos, onde agarrou a titularidade tanto no Gaziantepspor K. como no EA Guingamp, acabou por ser transferido para o Lyon por 4,5 milhões.
Apesar de não se ter afirmado no Lyon como anteriormente no Guingamp, a verdade é que Marçal tem sido bastante utilizado numa equipa que este ano eliminou o Benfica na Liga dos Campeões. Poderia talvez ser um bom oxigénio para Grimaldo.

Médio defensivo
Bryan Cristante Em 2014, o SL Benfica contratou ao AC Milan aquela que era uma das maiores promessas do futebol italiano. O médio Cristante chegou à Luz envolto numa imensa expectativa que nunca se verificou.
Dono de uma leitura de jogo impecável e de uma qualidade de passe exímia, sofreu do vírus da intensidade que tem afectado o futebol nos últimos anos. Foi época e meia de águia ao peito sem quase dar nas vistas – menos de 900 minutos e só um golo e uma assistência –, seguida de duas épocas e meia de empréstimos a clubes italianos.
Em 2018, foi vendido por 5 milhões à Atalanta BC, num negócio que o faria chegar à AS Roma por 26M. É hoje titular do meio-campo da equipa de Paulo Fonseca, que luta por um lugar na Liga dos Campeões da próxima época.
Nada fica a dever a Samaris nem a Gabriel, só mesmo na dita intensidade.

Médio ofensivo
Bernardo Silva O expoente máximo da falta de aproveitamento da formação do clube. Em 2014, saiu do SL Benfica apenas com 31 minutos disputados. Foram três épocas sempre a crescer de rendimento num excelente AS Mónaco FC, vencendo o campeonato contra o todo poderoso Paris Saint-Germain FC e, depois de ser príncipe no principado, ingressou na Premier League para brilhar no Manchester City FC sobre a batuta e admiração de Pep Guardiola.
Vai na terceira época nos citizens e já conta com uma Supertaça, três Taças da Liga, uma Taça de Inglaterra e dois campeonatos conquistados. Foram 50 milhões que quase se tornam numa borla sempre que Bernardo encanta os ingleses com a qualidade técnica com que o seu pé esquerdo trata a bola.
Guardiola diz que ninguém lhe consegue roubar a bola sem fazer falta. Pois eu digo para os deixarem tentar que o miúdo vai continuar a brilhar. Onde andaria o SL Benfica se contasse com a sua magia…

Médio direito
Nolito O extremo espanhol já caminha para o final da sua carreira. Formado no FC Barcelona, conta com 16 internacionalizações pela selecção espanhola e um período de fortíssima afirmação no RC Celta de Vigo, clube que o contratou ao SL Benfica por 2,6 milhões depois de o espanhol não ter convencido na Luz.
Foi duas épocas jogador do Benfica. Na Luz, começou em alta rotação impressionando ao conseguir marcar nos seus primeiros cinco jogos. Lembro-me de Nolito quase como se fosse um jogador de futsal em pleno relvado – aliás, poderia fazer uma excelente dupla com Raúl de Tomás no pavilhão da Luz. Bola colada ao pé, capacidade de drible curto e de controlo em espaços apertados e facilidade de remate. 2011-2012 foi uma temporada promissora, na qual foi perdendo destaque, tendo desaparecido totalmente na época seguinte.
A verdade é que chega a Vigo e tem três épocas de total afirmação – titular e com um registo no campeonato de 13 golos e 7 assistências por época. As suas exibições levaram-no, em 2016, para o Manchester City FC por 18 milhões.
A sua história em Inglaterra não é de sucesso, mas ainda foram várias as aparições de Nolito com a camisola do todo poderoso inglês. Hoje, encontra-se em Sevilha, já muito fustigado por lesões, mas ainda dando o seu contributo a uma equipa do top 5 espanhol.
Não teria futebol para ter contribuído mais de águia ao peito?

Médio esquerdo
Derlis González Muitos benfiquistas nem sequer se lembrarão deste jogador. Este extremo paraguaio chegou à Luz em 2012, vindo do C. Rubiu Nú, não disputou qualquer jogo pela equipa principal encarnada e nos dois anos em que foi jogador do SL Benfica esteve emprestado a clubes paraguaios.
2014 foi o ano da mudança para um extremo que viria a mostrar-se tecnicamente apurado e com bastante criatividade naqueles pés. O FC Basel contratou-o por três milhões e logo nesse ano agarrou a titularidade, venceu o título suíço e ainda brilhou na Ligas dos Campeões, num Basileia que se apurou para os oitavos-de-final num grupo que contava com o Real Madrid FC e o Liverpool FC. 
Derlis foi o autor do golo da sua equipa no jogo contra o FC Porto na primeira mão dessa eliminatória europeia. Seguiram-se três épocas no FK Dínamo de Kiev, clube que o contratou por 9,4 milhões, onde, apesar de não se ter conseguido afirmar tanto, ainda conquistou a Supertaça e um campeonato ucraniano. Voltou também a marcar ao FC Porto, desta vez numa vitória em pleno Estádio do Dragão.
Hoje, com 26 anos, já conta com 43 internacionalizações pela selecção do Paraguai. Entretanto, passaram pelo 11 encarnado jogadores como Ola John, Bebé, Carcela e Caio Lucas. Derlis González foi melhor e no seu melhor talvez até desse um maior contributo que Cervi.

Segundo avançado
Gabriel Barbosa “Hoje tem gol de Gabigol”. Pouco mais seria necessário acrescentar. Gabriel Barbosa chegou à Luz por empréstimo do FC Inter de Milão. Um avançado móvel, rápido, com excelente capacidade de desmarcação e remate forte. Um avançado de olhos na baliza. Passou pela Luz num período de adaptação à exigência que era esperada de si e também mal entendido por aqueles que o treinavam – sendo utilizado como extremo.
Foram 5 meses, duas titularidades e um golo marcado. Seguiu-se uma época goleadora no Santos FC e outra de consagração com Jorge Jesus no CR Flamengo, onde foi artilheiro do demolidor Rubo-negro, conquistou o Brasileirão, a Libertadores, a Recopa, a Taça Guanabara e foi o melhor marcador do campeonato com 25 golos concretizados.
Hoje, certamente Vinícius adoraria partilhar o ataque com Gabigol.

Ponta-de-lança
Luka JovićO avançado sérvio chegou esta época ao Real Madrid CF pela módica quantia de 60 milhões. Dois anos antes, Jovic saía de Portugal depois de ter falhado a sua afirmação na equipa B encarnada.
Somou 40 minutos na equipa principal e seguiu para a Alemanha, onde fez duas épocas em crescendo e de total afirmação. Na primeira temporada, venceu a Taça da Alemanha depois de nas meias finais ter concretizado o golo que levou a equipa para a final. Na segunda temporada, já como titular absoluto, conseguiu o registo de 17 golos para o campeonato e 10 golos para a Liga Europa, tendo mesmo chegado a marcar no Estádio da Luz, na eliminatória onde o Eintracht Frankfurt eliminou o SL Benfica da competição.
Hoje, está no Real Madrid CF e ainda pode ter uma enorme história para por lá escrever. Seferovic, Dyego Sousa e Vinicius: algum deles superior ao matador sérvio?"

Cadomblé do Vata (... nunca mais acabava!!! E eu cheio de fome!!!)



"Taça de Portugal 04/05 - Oitavos de Final - 26/01/2005 - Estádio da Luz
SL Benfica 3-3 Sporting CP (7-6 após g.p.)
1. O quê, o António Costa já apitou para o final? Só deixou jogar 90 minutos, mais 30 de prolongamento e 13 penaltys?... depois não querem que o pessoal assobie os árbitros...
2. Até aos oitavos de final defrontamos uma equipa da III Divisão, outra da IIB e agora o Sporting CP... para se chegar longe em provas a eliminar, também é preciso ter sorte nos sorteios.
3. Entre 22 jogadores, Geovanni foi o mais rápido a acorrer à recarga a dois livres directos... dizem que é o Soneca e eu não consigo evitar franzir o sobrolho.
4. No lance do 1-2 o marcador lagarto estava fora de jogo por um pintelho... que é como quem diz "por um Liedson".
5. Terminamos o jogo com João Pereira, Alcides, dois defesas esquerdos e Carlitos em campo... contra o Sporting CP qualquer coisa serve."

Chef Pimenta !!!

Conversas... Luís Nunes...

Benfiquismo (MCDLXXVIII)

Juntos!

Esperar

"A ausência total de Benfica deixa-nos a alma demasiado vazia. Voltar a viver o amor ao nosso clube é uma boa razão para vencer a pandemia

Neste tempo de guerra médica, física, económica e sobretudo psicológica fica ainda mais a nu a falta que nos faz o Desporto. Os jogos do nosso clube, os espectáculos que apreciamos. Até uma polémica estéril e inútil sabe bem como terapia dos nossos quotidianos. Nesta fase de verdadeiros problemas, de quotidianos alterados, de vidas viradas do avesso, resta esperar disciplinados, cumprir as recomendações das autoridades de forma disciplinada. O teletrabalho ainda dá para minorar o impacto laboral das nossas vidas, mas a ausência total de Benfica deixa-nos a alma demasiado vazia. Se há uma boa razão para vencer a pandemia voltar a viver o amor ao nosso clube é uma delas.
Nesta fase em que tudo parece pouco, há pequenos nadas que parecem muito. No meu caso, é um (in)disciplinado jogo de ténis com um amigo ao fim da tarde. Sem contacto com ninguém - o court está isolado pela natureza - de cada lado da rede ambos espancamos a bola como se ela tivesse todas as culpas do que nos vai acontecendo. São 75 minutos de pura terapia, que ajudam muito a vencer cada dia desta guerra que vivemos. Aquelas head amarelas levam pelo Covid-19 e tudo que ele nos tira. Não resolve nada, mas saio do court com a sensação de poder resolver alguma coisa.
Nesta coisa de guerra, a história já nos ensinou que a expectativa é importante. Bem sei que devia emitir a minha opinião sobre quem merece vencer o campeonato e quem vai ocupar que lugar nas provas europeias, e defender o Benfica com um rol de boas razões, mas sinceramente nesta fase interessa-me pouca ou nada. Foi sensata a decisão de adiar o Campeonato da Europa e não seria menos sensata a de anular o campeonato não havendo campeão. Ser campeão não é algo administrativo, ou louros vêm da sorte e dos méritos das batalhas. Campeão é o que joga até ao fim, as batalhas todas, dentro das normas e no respeito pelas regras. Qualquer outra forma ou fórmula interessa pouco ou nada, já só cuida do dinheiro, do negócio, já nada tem a ver com a nossa paixão pelo jogo.
Aguardamos pelas notícias dos Jogos Olímpicos, que muito me surpreenderia se não fossem adiados. Aguardamos pelas notícias dos demais campeonatos nas várias modalidades que muito me admirava que pudessem terminar.
Enquanto somamos amigos e conhecidos infectados temos de nos agarrar a tudo o que nos puder dar um futuro melhor e normalizado com a máxima brevidade.
No meio deste turbilhão informativo tivemos a notícia da morte do sócio número 1 do Sport Lisboa e Benfica. Carlos Galiano era sócio desde 1932, atleta do clube, num amor ininterrupto merecedor da nossa admiração. Deixamos aqui o nosso tributo ao exemplo e à memória. Este clube é enorme pela soma destes exemplos."

Sílvio Cervan, in A Bola

Miseráveis

"Passados poucos dias da interrupção das competições desportivas e de quase tudo o resto no país devido ao coronavírus, não se fazendo ideia de quando regressaremos à normalidade, logo Pinto da Costa e os propagandistas de serviço se apressarem a reclamar a atribuição do título de campeão nacional de futebol.
A única decisão possível será, considerando que estão dez jornadas por disputar, não haver campeão nesta temporada. Eles, no entanto, por falta de dignidade, escrúpulos e vergonha, já se movimentam para tentarem que o título lhes caia no colo. Já são muitos anos a não olharem a meios para atingirem os fins e sabem, por experiência própria, sem se preocuparem com isso, que passados alguns anos de homologada a classificação, quase ninguém prestará atenção às notas de rodapé.
Como, por exemplo, as relativas aos alargamentos das edições do Campeonato Nacional em 1939/40 e 1941/42, ambos para possibilitarem a participação do FC Porto, o qual não conseguira o apuramento através do Campeonato Regional. O primeiro desses benefícios até resultou em título para os portistas, mas que lhes interessa isso? Ou aquela ainda acerca dos seis pontos retirados em 2007/08 devido a práticas de corrupção anos antes, castigo de que não recorreram, aceitando implicitamente a culpa, não obstante terem sido ilibados, passados dez anos, por questões administrativas...
Ou, só para dar mais um exemplo da irrelevância das notas de rodapé, aquela em que, nos seus exercícios revisionistas sobre Calabote, omitem sempre que foram os campeões na época em questão... Ou a da treta do clube do regime em que nunca revelam que o FC Porto era instituição de utilidade pública, ao contrário do Benfica..."

João Tomaz, in O Benfica

Saudades tuas, pá!

"Tenho saudades de ver jogar o Benfica. Na Catedral e nos estádios deste país. Nos pavilhões da Luz e de todas as cidades portuguesas. Sinto falta de ver os nossos atletas a chutar, rematar, lançar, correr, lutar, receber, atacar, passar, fazer golos, pontos, marcas. E se eu sinto esta falta, imaginem eles: sem poder treinar juntos, sem poder fazer o que melhor sabem, sem competir.
O tempo que vivemos é de excepção. Ainda na semana passada voz escrevia sobre o jogo à porta fechada e, afinal, houve paragem de todos as modalidades. Uma paragem que é geral, que nem as greves mais justas conseguiram. Uma paragem que é necessária para evitar um adversário muito mais traiçoeiro do que aqueles que há anos enfrentamos. Sem foras-de-jogo, grandes penalidades e expulsões para fazer crescer audiências, o debate parece ser agora e da atribuição do título. Há opiniões para todos os gostos, mas será que é isso que agora importa? Esta é a altura em que temos de relativizar tudo, até o futebol, o desporto em geral. O que mais importa é ultrapassar, a tempestade, cuidar de quem precisa, evitar que o mal se propague e fazer a nossa parte.
Tenho muitas saudades de ver o Benfica, acreditem. Já dei por mim nestes dias a ir ao YouTube ver jogos antigos, até já assisti a uns bons minutos do campeonato angolano, que até este momento ainda está a decorrer, mas nada é a mesma coisa. O dia a dia sem o Benfica não é a mesma coisa, tal como não é a mesma coisa não estar com quem gostamos, sem cumprimentar as pessoas à nossa volta, sem a nossa volta, sem a nossa vida normal. Esta é uma situação única. Na vida de muitos de nós já houve guerras, revoluções, restrições à liberdade, doenças, fugas, clausura, mas tudo isto é nove. E perigoso. Um dia de cada vez, cumprindo o que nos é pedido, o que nos é exigido moralmente. No fim, fazemos as contas."

Ricardo Santos, in O Benfica

Ficar em casa? Quem tem as chaves da Luz?

"Por todo o lado se promove o mesmo aviso: fiquem em casa, fiquem em casa, fiquem em casa. O meu maior problema é que a minha casa é o Estádio da Luz. De vez em quando costumo ir até outro espaço onde pratico algumas actividades, como comer e dormir, porém a meu verdadeiro lar tem uma estátua do Eusébio à porta. Nunca me imaginei a morar sozinho, pelo que estou habituado a partilhar tecto com mais de 60 mil residentes. Tecto, que é como quem diz, uma vez que a mansão foi construída a céu aberto. No inverno aquilo é fresco, no entanto quando Pizzi marca um golo abraçamo-nos todos e ficamos logo mais quentinhos. Sim, nos últimos jogos ele deixou-nos ao frio, o que foi extremamente desagradável.
As chaves da Luz não estão comigo, por isso não tive outro remédio a não ser manter-me hospedado com os meus pais, a minha irmã e a minha namorada. Tenho acompanhado com atenção e preocupação e evolução da covid-19 e sou favor de todas as medidas que ajudem a combater esta pandemia. A ideia de sensibilizar os portugueses a ficarem em casa é inteligente, todavia é injusta para alguns. A Juve Leo não só não está habituada a ficar em casa como agora nem sequer tem uma. Frederico Varandas é o único médico do país que não quer saber das instruções da DGS (Direcção-Geral da Saúde) para nada. Circularam algumas notícias onde se questionava qual o critério que deveria ser utilizado para determinar o campeão nacional desta época. Acho que o mais justo seria atribuir o título ao líder da primeira volta, porque é evidente que na segunda o Benfica já estava a jogar sob o efeito do vírus."

Pedro Soares, in O Benfica

De pantanas

"A necessidade de entregar o artigo antes do fecho de cada edição gera por vezes - nomeadamente quando há jogos importantes a meio da semana - alguma incerteza quando ao que escrever, havendo o risco de uma verdade à segunda ou à terça-feira já não o ser à sexta, quando o jornal vai para as bancas.
Ora, numa altura como a que o país e o mundo atravessam, em que tudo está virado do avesso, em que os contextos se alteram quase ao minuto, é ainda mais difícil de prever qualquer cenário futuro, mesmo que esse futuro seja apenas de algumas horas. Em suma, no momento em que escrevo não faço a mais pálida ideia do que possa estar a acontecer ao nosso Portugal, à nossa Europa e ao nosso mundo, quando o leitor tiver o jornal em suas mãos, esperando que tudo não esteja ainda pior do que já está. Jamais vivêramos uma situação como esta, em que o futebol e o desporto passam totalmente para segundo plano. E é agora que melhor conseguimos relativizar essas nossas paixões face a valores muito mais elevados como a saúde pública, e sobretudo as vidas que se vão perdendo. Além do terrível impacto económico que esta situação deixará, que é inevitável, e vai afectar todos - mesmo os que tiveram a felicidade de não adoecer.
Em mais de dez anos de colaboração com o jornal, esta é a primeira vez que aqui não falo de desporto, nem do Benfica.
Há situações desportivas por definir, que terão de ser definidas de forma equilibrada e sem prejuízos assimétricos, mas, por agora, as preocupações,minhas, do estimado leitor, e de toda a gente, seja do Benfica, do Sporting ou do FC porto, infelizmente são outras."

Luís Fialho, in O Benfica

sexta-feira, 20 de março de 2020

Pedrinho

"Quando ainda ninguém sabe a data do final da presente época por causa do maldito vírus, o Sport Lisboa e Benfica prepara já a todo o vapor a temporada 2020/21.
A contratação de Pedrinho ao Corinthians enquadra-se na estratégia que tem permitido ao nosso clube manter a hegemonia no futebol português. Estamos na presença de um virtuoso futebolista, muito dotado do ponto de vista técnico. Pedrinho tem tudo para dar certo e para se transformar numa das atracções da próxima Liga e da Liga dos Campeões. Estou convencido de que o jovem brasileiro rapidamente conquistará a massa adepta benfiquista. Titular da selecção olímpica do Brasil, que se apurou para os Jogos de Tóquio, que deverão ser adiados, Pedrinho está à porta da selecção principal do Brasil. A escolha do SL Benfica, um dos maiores clubes europeus, será o passaporte seguro para chegar ao escrete canarinho. Esta operação secreta, rápida e eficaz que permitiu à SAD contratar Pedrinh enquadra-se numa política desportiva consolidada e cujos resultados falam por si. Os 104 milhões de lucro registados no 1.º semestre de 2019/20 não aconteceram por milagre. Graças a uma política de rigor, transparência e profissionalismo, tem sido possível apresentar lucro nos últimos seis exercícios. Algo que nos deve orgulhar e que nos vai permitir encarar o futuro com mais esperança e confiança numa altura em que somos assombrados por uma crise terrível e de contornos ainda por calcular.
Pedrinho enquadra-se nesta política. Apesar de ter sido cobiçado por PSG, Real Madrid, Barcelona e Borussia de Dortmund, o SL Benfica conseguiu convencer o talentoso brasileiro. O que prova a excelência da nossa prospecção."

Pedro Guerra, in O Benfica

Um por todos! Todos por um!

"Está a ser e vai ser difícil a cada um de nós, benfiquistas, contermos os nossos impulsos nos próximos dias ou semanas. A vontade de muitos será sair e actuar porque é bem certo que o vírus levará mais sofrimento aos mais fracos e excluídos. Mas também é certo que, não sendo visível, poderemos nós transmiti-lo inadvertidamente e causar ainda mais sofrimento ao invés de o combater. Que poderemos fazer então?
1 - Cuidar de nós e restringir as interacções sociais presenciais, potenciando as virtuais.
2 - Não expor a contágio os mais velhos, familiares ou não.
3 - Zelar pelos nossos vizinhos e amigos arranjando formas imaginativas de comunicar e até de lhes fazer chegar bens de primeira necessidade. Neste particular merecem uma atenção particular os mais idosos, e há muitos isolados por esses prédios e por essas aldeias fora. Atenção também aos que vivem nas margens da sociedade como os sem-abrigo, os doentes psiquiátricos, os pequenos delinquentes ou as prostitutas. Adivinham-se situações pessoais dramáticas e crianças pelo meio de tudo isto... Saibamos estar atentos a ver para lá das aparências e das atitudes. Ver e Ouvir são as palavras de ordem...
4 - Não ser egoístas nem açambarcar bens prejudicando os que sabem ser e adoptar um comportamento cívico.
5 - Avaliar se temos condições para isso e colocamo-nos à disposição das autoridades sem as perturbar, mantendo recato e não impor a nossa insistente vontade de ajudar. Pelo contrário, dizer se e quando precisarem de cada um de nós e das nossas organizações.
6 - Estar à altura da promessa anterior na entrega e na resposta.
7 - Preparar, pensar, organizar respostas sociais pós-pandemia para ajudar a recuperar dos impactos sociais que virão. E nessa altura dar o máximo para superar o pesadelo como comunidade funcional que temos cada vez mais de ser. Será talvez no reforço de pertença e na construção de uma sociedade mais solidária que residirá o único legado desta pandemia.
8 - Manter, hoje e sempre, a urbanidade e alimentar a chama imensa para mostrarmos a todos e a nós próprios que sabemos estar a ser Benfica, mesmo na adversidade."

Jorge Miranda, in O Benfica

Reaprender

"Há três ou quadro semanas quem poderia imaginar?... A força do destino impôs a sua regra implacável. Sem lançar aviso. Apenas determinou que subitamente todos nos vergássemos à dureza de uma realidade, cujo desenho ninguém conhecia ou experimentara nos nossos dias.
É verdade que a grande História regista dramaticamente cravadas para sempre, indeléveis marcas de poderosas vagas de doenças que, de tempos a tempos, foram varrendo o mundo inteiro, com impressionantes estórias de horror e dramatismo colectivos a fustigar a vida do homem comum e, ciclicamente, a retardarem o crescimento da Humanidade.
Não esqueçamos que a peste, a doença, a pandemia, a par da guerra, da fome e da morte, representa um dos quatro terríveis cavaleiros do apocalipse da profecia bíblica, que a memória dos homens assumiu como mito universal, reinventado nos séculos que sucederam aos séculos.
Hoje, portanto, voltamos de repente a estar directamente confrontados com o próprio mito... O que, no tempo e no espaço, parecia remoto e distante, afinal, revela-se insidiosamente entre nós. No seio de todos nós. Surpreendeu-me pela rapidez com que nos atingiu tão ferozmente; e, se cada um de nós deixar, aparentemente, também terá chegado para nos desmoralizar, ao escancarar o que seriam (desconhecidas) fragilidades e incapacidades nossas que, na vertigem da vida saudável, porventura despreocupadamente deixáramos adormecer.
Como vamos ficar? Como iremos continuar?
Como conseguiremos superar as dificuldades?
Teremos de reinventar os nossos modos de viver, naturalmente. Teremos de saber escolher as melhores opções e apelar às formas mais profundas daquilo que nos é mais essencial. E, neste momento, o que talvez haja de mais importante seja reaprendermos a conviver melhor uns com os outros, na circunstância que todos partilhamos.
Lembremo-nos de que todos os momentos de dificuldade sempre constituem as melhores oportunidades de superação: o próprio Benfica, a História do nosso Glorioso, nos legou essa sabedoria e essa experiência. E, agora mesmo, a palavra do Presidente Luís Filipe Vieira foi, logo no primeiro momento, uma verdadeira lição, muito firme e oportuna:
'- É a nossa própria sobrevivência que está em causa. E todos nós, sem excepção, estamos na linha da frente desta batalha (...). A forma como, em conjunto, actuarmos para superarmos este momento será sempre o melhor dos títulos para todos nós. E, nesta batalha, somos todos do mesmo clube!'"

José Nuno Martins, in O Benfica

Contingências da Covid-19

"Esta e as próximas edições do jornal de todos os benfiquistas serão especiais. Porque ocorrem numa situação da mais absoluta excepcionalidade, devido à crise pandémica do coronavírus e no âmbito de um amplo e rigoroso plano de contingência que o Benfica implementou e que levou centenas de colaboradores a manter as suas funções a partir de casa.
Só assim é possível chegarmos a casa dos nossos dedicados leitores e manter duradoira ligação entre o jornal e os benfiquistas que nos honram, todas as semanas, com a sua preferência. Devido à forma profissional e de enorme competência como o Benfica consegui operacionalizar o seu plano de contingência, foi possível continuar a produzir os conteúdos, proceder à sua paginação e posterior envio para a gráfica, sem quebras de produtividade e sem riscos de não se completar esta e as próximas edições.
Trata-se, portanto, de uma edição histórica e, sobretudo, reveladora do nível de sofisticação a que chegou o Benfica, que lhe permitiu, em poucos dias, elaborar um plano de contingência e executá-lo de forma que a actividade dos seus colaboradores se possa manter sem quebras. Poucas organizações, em Portugal e no mundo, terão esta capacidade para manter o essencial da funcionalidade de uma grande parte das suas estruturas laborais.
De resto, cabe-nos continuar. A produzir conteúdos, a estar atentos a toda a actualidade, muito dominada pela actual crise pandémica, e a manter o habitual rigor com que nos dirigimos aos nossos leitores. E, finalmente, desejar que todos se encontrem de boa saúde e que não ignorem os sucessivos apelos das autoridades de saúde e segurança pública."

José Marinho, in O Benfica

10 jogos do SL Benfica a não rever nesta Quarentena

"Numa altura em que a humanidade atravessa um momento complicado e todo o mundo desportivo está parado, a quarentena revela-se uma excelente oportunidade para rever jogos que ficaram na nossa memória. Os grandes jogos, os grandes golos, os grandes momentos e as grandes conquistas. 
Contudo, hoje trago-vos precisamente o contrário. Reuni dez jogos que não trazem, com certeza, boas memórias a nenhum benfiquista. De goleadas históricas a títulos perdidos. De jogos marcados pelo azar a humilhações europeias. Esta lista não tem propriamente uma ordem especifica.
Não me responsabilizo por qualquer ataque de raiva provocado pela lembrança destes desaires…

Primeira Liga 2012/2013
FC Porto 2-1 SL Benfica – Esta lista consegue compilar jogos que vão de 1986 a 2017. No entanto, há aqui dois jogos separados apenas por 4 dias… Esta semana ficará para a história como a pior semana do Benfica moderno.
Depois do empate em casa frente ao GD Estoril Praia, o Benfica chegava ao Dragão a precisar apenas de um empate para entrar na última jornada em primeiro. As águias até entraram melhor e colocaram-se na frente por Lima: nesta altura o Benfica era virtualmente campeão.
O Porto empatou rapidamente na sequência de um autogolo de Maxi Pereira (irónico). Avançamos para o minuto 90′, o jogo permanece empatado. No último suspiro dos dragões, Liedson (sim, esse mesmo…) coloca a bola em Kelvin, que ultrapassa Roderick (até hoje todos os benfiquistas imploram a Roderick que ponha fim à jogada) e realiza o melhor remate da sua carreira para bater Arthur Moraes… O FC Porto era campeão (quase).
Há algo mais doloroso do que ver um ex-Sporting CP assistir um jogador com pouca ou nenhuma história em Portugal, este subsequentemente ultrapassar um miúdo da formação e finalizar a jogada para dar o título ao FC Porto? Dificilmente.

Taça UEFA 2008/2009
Olympiacos FC 5-1 SL Benfica – Fase de grupos da Taça UEFA. No grupo do SL Benfica estão as potencias futebolísticas FC Metalist Kharkiv, Galatasary SK, Olympiacos FC e Hertha de Berlim SC. Perante estes adversários, os encarnados conseguiram apenas um ponto, obtido num empate frente à equipa alemã (é de salientar que apenas se realizava um jogo com cada equipa do grupo).
Como cereja no topo do bolo, os encarnados conseguiram sofrer cinco golos da equipa grega do Olympiacos FC, num jogo onde aos 24 minutos o SL Benfica já perdia por três bolas a zero… Mas, sinceramente, uma equipa que jogue com Javier Balboa, Urreta e Binya não merece mais.
Nesta época, a única “conquista” do plantel foi a Eusébio Cup…

Primeira Liga 2015/2016
SL Benfica 0-3 Sporting CP – Perder em casa com o eterno rival por 3-0, ainda por cima com o ex-treinador do outro lado da barricada, deixa marcas em qualquer adepto. Neste jogo, o Sporting foi superior desde o primeiro ao último minuto. Jorge Jesus deixou bem patente no seu discurso a facilidade com que a sua equipa derrotou o rival.
O único ponto positivo desta partida aconteceu nas bancadas, quando milhares de adeptos se ergueram e proclamaram o seu amor incondicional ao SL Benfica. Um momento mágico que iria conduzir o Benfica ao 35º título de campeão nacional.
Tudo o que se passou dentro de campo foi penoso de assistir.

Liga Europa 2012/2013
SL Benfica 1-2 Chelsea FC – Se a final contra o Sevilla FC já foi dolorosa (Beto…), esta rebenta qualquer escala de nível de dor. Ao longo de toda a época vimos um Benfica absolutamente demolidor, mas aquelas duas últimas semanas da temporada irão ficar imortalizadas na memória de qualquer benfiquista (e nesta lista).
Depois do desastre no Dragão (maldito Kelvin), a época poderia ser salva conquistando o tão aguardado troféu europeu. No entanto, a esperança esbarrou na cabeça de Ivanovic, que pôs fim a um equilibrado jogo com uma cabeçada cirúrgica já para lá dos 90’…
Nunca se saberá o que teria acontecido no prolongamento, mas na cabeça de todos os benfiquistas paira a certeza de que aquele troféu viria para Lisboa.

Supertaça 1996
SL Benfica 0-5 FC Porto – Sim, o SL Benfica perdeu duas vezes por cinco bolas a zero frente aos dragões nos últimos 25 anos. Na primeira mão da Supertaça (o troféu era jogado a duas mãos), o Porto venceu o Benfica por 1-0, no Estádio das Antas.
Na segunda mão, os encarnados pensavam poder virar a eliminatória com a ajuda dos seus adeptos e do “temido” terceiro anel. Na verdade, o que estava para vir era uma demonstração de poder da grande equipa do Futebol Clube do Porto. Os azuis e brancos contavam com jogadores como Rui Barros, Sérgio Conceição, Jorge Costa ou Mário Jardel. Esta equipa do Porto viria também a ser campeã nacional no mesmo ano.
Já o Benfica tinha Martin Pringle no plantel: é parecido.

Primeira Liga 2007/2008
SL Benfica 0-3 Académica OAF – Derrotas europeias ou contra grandes rivais é o que não falta na história de todos os clubes europeus. Agora, perder por três bolas a zero, em casa, contra uma equipa que terminou o campeonato em 12º, é inaceitável.
A equipa do Benfica até tinha alguns jogadores de qualidade (Petit, Rui Costa, Luisão, Cardozo, Nuno Gomes, Di Maria, Maxi Pereira), mas os encarnados viviam um período de transição complicado.

Primeira Liga 1986/1987
Sporting CP 7-1 SL Benfica – Este resultado desafiou a lógica da época. Era a 14ª jornada do campeonato nacional. Os encarnados seguiam sem uma única derrota na liga aquando da visita ao Estádio de Alvalade. O Sporting CP marcou cedo, por Manuel Fernandes, e o 1-0 manteve-se até ao intervalo. Nada fazia esperar o desaire que estava para vir. Manuel Fernandes bisou aos 50 minutos, mas pouco depois o SL Benfica reduziu. A partir daí, foi o desastre total. Cinco golos dos leões sem qualquer resposta.
Esta seria a única derrota da fortíssima equipa dos encarnados em todo o campeonato e logo contra a equipa que terminou em 4º lugar. Não é incrível o futebol?

Primeira Liga 2010/2011
FC Porto 5-0 SL Benfica – A grande equipa do SL Benfica do primeiro ano de Jorge Jesus tinha sido desmantelada, sendo apenas uma sombra do que já fora. O FC Porto, à data comandado por André Villas-Boas, contava com uma das melhores equipas do século.
Os encarnados estavam numa forma penosa, levando já três derrotas nos primeiros nove jogos. A equipa de Villas-Boas ganhou os nove primeiros desafios e ia embalada para uma das melhores épocas de sempre no campeonato português. Tinha tudo para correr mal.
Correu mesmo. Poderia resumir o jogo, mas limito-me a dizer isto: os encarnados alinhavam com Roberto na baliza e Alan Kardec na frente de ataque, sendo que as opções no banco eram Júlio Cesar (o mau) e Franco Jara. O FC Porto dava-se ao luxo de não colocar no 11 inicial James Rodríguez e Otamendi. Alguém acreditava que era possível uma vitória do Benfica?

Liga dos Campeões 2017/2018
FC Basel 5-0 SL Benfica – Um desaire bem mais recente. Depois da surpreendente derrota frente ao CSKA Moscovo, o SL Benfica esperava regressar ao melhor rumo na Suíça. O que aconteceu? Aos 20 minutos, o Basileia já vencia por 2-0. A expulsão de André Almeida, aos 62 minutos, ainda “ajudou mais à festa”. Este jogo deu para tudo. Até tivemos direito a um golo de Ricky Van Wolfswinkel…
A campanha europeia de 2017, só por si, poderia compor metade desta lista, mas perder 5-0 com o campeão suíço e não fazer um único remate à baliza parece-me o cúmulo. 

Taça UEFA 1999/2000
RC Celta de Vigo 7-0 SL Benfica – Pois… um dos desaires mais históricos do SL Benfica. Os encarnados deslocavam-se ao país vizinho com a esperança de se colocarem em vantagem na eliminatória da Taça UEFA. O que aconteceu… bem… ficou para a história. Uma goleada humilhante frente uma equipa que contava com jogadores como Claude Makélélé, Mostovoi (ex-Benfica), Albert Celades ou Benny McCarthy.
Em Lisboa, o resultado foi um empate a uma bola. O golo do Benfica foi obtido através de um autogolo de Caceres: isto diz muito sobre a qualidade da equipa das águias."

O dérbi que mudou a vida de (,,,): o meu carro ficou sem pneus, com portas e capô riscados. Fui cuspido várias vezes na rua

"O dérbi, escaldante como quase todos, terminou tarde. Entre as burocracias relativas ao envio do relatório e a saída do balneário, passou seguramente mais de uma hora.
Sentíamo-nos derrotados. Mais derrotados do que, porventura, qualquer uma das equipas, que em campo até dividiram os pontos.
À partida, aquilo tinha tudo para correr mal: um árbitro impreparado para aquelas andanças; um ambiente exterior crispado, potenciado por tudo e todos; adeptos distanciados por um ódio inimaginável, como se de inimigos se tratassem; e alguns jogadores bem matreiros que, diga-se de passagem, nada fizeram para fazer parte da solução.
Perante esta receita, difícil seria o cozinhado que resistisse.
Naqueles noventa minutos de jogo aconteceu um pouco de tudo: lances polémicos nas áreas, protestos excessivos, conflitos constantes, amarelos sucessivos, cartões vermelhos, erros e mais erros, pressão hostil, empurrões, discussões e contestação generalizada.
Foi um vê se te avias de tudo o que um verdadeiro espectáculo de futebol não pode nem deve ter. 
Quando chegámos cá fora, parecia que estávamos dentro de um carro funerário. O ambiente estava pesadíssimo, os semblantes carregados, as expressões faciais perdidas.
Alguém ainda esboçou um ténue "devíamos comer qualquer coisa", mas o que todos queríamos mesmo era ir para casa, trancarmo-nos nos nossos quartos e ficarmos lá fechados até que o pesadelo terminasse.
Os tempos eram outros mas a fúria da opinião pública - movida por declarações irresponsáveis e por uma imprensa francamente oportunista -, encarregaram-se de fazer com que um erro de análise, um erro apenas, ganhasse proporções dantescas, como pouco se vira até então.
No epicentro do terremoto o suspeito do costume, esse ladrão sem vergonha.
O day after foi inenarrável.
Desde o cozinheiro da messe do meu local de trabalho (!!) ao vizinho mais simpático do prédio onde vivia, todos queriam bater-me. Bater-me a sério. Literalmente.
A doença psicológica da clubite é, tenho a certeza, mais patológica que qualquer outra que exista de verdade.
À porta de minha casa, umas dezenas de energúmenos, de cor bem identificada, incendiaram todos os contentores de lixo que encontraram. O meu carro ficou sem pneus, com portas e capô riscados, os pára-brisas desapareceram e, como se não bastasse, os pontapé na porta da minha casa quase a deitavam abaixo. Isto às 4 horas da manhã.
A GNR foi chamada e andou a fazer "patrulha preventiva" durante umas semanas, dada a credibilidade das ameaças que entretanto recebi.
Nas semanas que se seguiram, as coisas não acalmaram como se previa. Fui cuspido várias vezes na rua (vezes sem conta, acreditem) e insultado a toda a hora, de perto e à distância, por garotos, adultos e idosos. A ameaça e o palavrão vinham de todo o lado, mesmo de onde menos esperava.
O senhor do quiosque, onde comprava os jornais há anos, deixou de me falar e a senhora do café, onde quase sempre tomava o pequeno-almoço, disse-me que só não me chamava nomes horríveis porque o patrão avisou-a para se controlar.
O futebol é assim, espantoso. Tem a capacidade de dar, às pessoas, a maior de todas as alegrias mas, ao mesmo tempo, de transformá-las em animais ferozes, desprovidos de alma e sequiosos de sangue. 
A memória desse jogo, o primeiro do género que alguma vez arbitrei, devia ser bonita mas é feia, muito feia.
A culpa será sempre do árbitro que foi enganado num penálti, não do batoteiro que o enganou. Esse disse que "apenas faz o seu trabalho".
Dizem que faz parte. Eu digo que não devia fazer."


PS: O problema é que o jogo não se resumiu ao penalty final, a expulsão do Andrade, a não expulsão do Babb, a não expulsão do Tello entre muitos outros erros... O facto é que depois de ter assinalado um penalty favorável ao Benfica, no início do jogo, o árbitro, sem 'tomates' acabou por sentir a 'obrigação' de 'compensar' os coitadinhos dos Lagartos... o resto é história!!!

Aquisição de equipamentos para o Serviço Nacional de Saúde

"Na nossa história e na nossa identidade esteve sempre presente um profundo sentido de solidariedade e responsabilidade social. Vivemos, como todo sabemos, um momento de emergência, que de todos nós exige acções e contributos concretos de apoio, sobretudo a quem está na linha da frente do combate a este tão grave flagelo.
Nesse sentido, juntando esforços e no âmbito de uma iniciativa conjunta com a Câmara Municipal de Lisboa e Universidade de Lisboa, o Sport Lisboa e Benfica e a Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD informam que decidiram contribuir com a doação de uma verba de um milhão de euros destinada à concretização de uma grande aquisição de equipamentos médicos, nomeadamente ventiladores, máscaras e outro material de protecção, para oferecer ao Serviço Nacional de Saúde (SNS).
O Grupo Sport Lisboa e Benfica espera que esta e outras iniciativas da sociedade civil possam ajudar a combater esta terrível calamidade pública e expressa uma forte e sentida palavra de solidariedade a todos os portugueses e um profundo agradecimento a todos os incansáveis profissionais da saúde ou os que diariamente nos asseguram os bens básicos e a segurança."