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quinta-feira, 3 de janeiro de 2019
Vermelhão: Auto-derrota !!!
Portimonense 2 - 0 Benfica
O que escrever, quando se perde por 2-0, com dois auto-golos?!! Este é um daqueles jogos, onde a estatística e a lógica não combinam... Um 'acidente' que noutro contexto, teria até alguma tolerância, mas no 'actual' estado de sítio, é indesculpável... e se calhar, até decisivo!!! Depende dos jogos de amanhã (hoje)!!!
Voltámos a demonstrar as nossas dificuldades na construção de oportunidades, mas mesmo assim o
jogo estava claramente 'inclinado' para o nosso lado... até que começou a auto-flagelação...
No 2.º tempo, voltámos - finalmente - ao 442, mas depois de mais de um ano a jogar em 433 (sem quase nunca voltarmos ao 442), a equipa já não tem os automatismos do 442, que tínhamos das épocas anteriores...
Mesmo assim, estávamos a jogar melhor, mesmo com os contra-ataques perigosos do Portimonense, com o Odysseas em grande evidência, até que se dá o momento mais absurdo da partida: a expulsão do Jonas!!!
Não é fácil, num jogo com dois auto-golos (o do Jardel é das coisa mais parvas que vi na minha vida...!!!), o apitdeiro conseguir ultrapassar o ridículo dos auto-golos, com uma decisão ainda mais absurda!!! Quando um árbitro, vê o lance do Jonas na televisão, e decide dar Vermelho ao Jonas, só tem uma coisa a fazer: entregar o apito, e dedicar-se ao 'talho'!!! Se não foi incompetência, foi medo... ou então está mesmo 'comprado'... qualquer que seja a razão, não pode (devia) continuar a apitar jogos de futebol profissional!
Tudo isto, quando ao mesmo tempo, permite, cotoveladas, entradas por trás, tesouras, peitadas... e ainda andou a 'acalmar' um jogo do Portimonense para 'evitar' mostrar-lhe o Vermelho!!!
Curiosamente Manuel Mota, apitou inacreditavelmente o Corruptos - Portimonense, na 12.ª jornada, onde permitiu 3 golos irregulares aos Corruptos, não marcou um penalty do tamanho de um elefante a favor do Portimonense, além de mais uns Cartões aos Corruptos... Três jornadas depois, já apitou a favor do Portimonense...
Sim, o Benfica está a jogar longe do nosso potencial... mas aquilo que se está a passar com os apitadeiros é demasiado vergonhoso... E agora vamos ver quantos jogos vai levar o Jonas!!!
Depois da série de vitórias, com vários jogos sem sofrer golos, na Vila das Aves e hoje, voltámos a permitir demasiadas oportunidades aos nossos adversários. Além da vitória sobre o Braga, a equipa estava a melhorar ligeiramente... vários jogadores, subiram de forma: Fejsa à cabeça... Esta derrota, vem deitar 'quase' tudo a perder, é o que acontece quando se está a jogar sem margem para erro, devido a erros anteriores. Prevejo uma segunda metade de época penosa, sem ânimo, com a matemática a não ajudar... As Taças começam a parecer a 'única' solução!!!
O que representa o ano de 2019
"Os últimos dias de 2018 ficaram marcados pela preocupação do presidente da Federação Portuguesa de Futebol face ao declínio competitivo dos clubes nacionais no contexto europeu. Fernando Gomes reuniu-se em Fátima com os presidentes dos clubes, traçou-lhes um ponto da situação pouco optimista e deixou a porta aberta a uma reflexão que tem estado por fazer.
Se em 2019 não houver alteração de práticas, se a indústria do futebol continuar a ser vista como coisa menor a cada clube olhar apenas para o seu umbigo, os perigos crescentes, identificados pelo líder federativo, terão terreno fértil para medrar e tornar-se irreversíveis. Gostaria de ter a generosidade suficiente para poder pensar que 2019 é o ano zero do futebol português, um ponto de partida para um futuro melhor, assim as más práticas sejam corrigidas. Mas sei que, muito provavelmente, os danos infligidos são de tal forma vastos que talvez estejamos, quanto muito, no ano menos um, o que irá requerer uma determinação e uma resiliência substancialmente maiores para que seja possível ver, mais cedo do que mais tarde, alguma luz ao fim do túnel.
Depois de todos estes considerandos de ordem geral, quero expressar neste primeiro editorial de 2019, um desejo, acima de todos os outros: que o clima de ódio entre adeptos desapareça; que quem o incentiva, com responsabilidades directas ou indirectas nos clubes, perca palco; e que, finalmente, o futebol, principal actor na linguagem universal nos dias de hoje, possa ocupar o extraordinário lugar que deve ter na nossa sociedade, como a coisa mais importantes das nossas vidas. Um bom 2019!"
José Manuel Delgado, in A Bola
Ano Novo, vida nova? Nem tanto
"Por altura da transição de ano multiplicam-se os votos, enumeram-se desejos, estabelecem-se metas e desafios que se acredita poderem trazer maior felicidade (seja lá o que isto for, na subjectividade de cada indivíduo).
De alguma forma, uma gigante onda de “optimismo” e desafio parece banhar a generalidade das pessoas, que se dedicam, por isso, a ensaios vários sobre as concretizações que gostariam de alcançar no ano que se inicia.
Muito frequentemente, pelo início de Fevereiro (já com algum nível de optimismo), a maioria deles foram já abandonados ou esquecidos.
Saber desejar
Em boa verdade, uma das questões que mais nos caracteriza, na actualidade, é um claro prejuízo na nossa capacidade de "desejar" algo e, posteriormente, na materialização desse desejo em acções – aparentemente, passada a euforia da contagem decrescente que nos aproxima do ano novo, toda e qualquer barreira ou obstáculo parece agigantar-se, entrepondo-se entre a vontade que expressámos e as acções que vamos sendo capazes de manter. Tudo também, parece mais interessante do que nos mantermos fiéis ao objectivo que traçamos.
Passar do Desejo à Materalização é, em si, um processo bastante complexo na medida que que nos exige saber reconhecer algo que gostaríamos (distinguindo-o de tantas outras possibilidades), definir um plano, implementá-lo, perceber que foi um mau plano, reformular, voltar a implementar, gerir frustração... continuar a desejar – assim, rapidamente, exige um profundo conhecimento de nós próprios, tempo, dedicação e capacidade de resistência à frustração (sabendo comemorar os pequenos êxitos que, se estivermos atento, saberemos identificar no decorrer do processo).
A uma questão que nem sempre é fácil saber dar resposta (o que gostaria de alcançar?) é cada vez menos frequente encontrarmos pessoas que sabem claramente o que valorizam e qual o seu projecto a médio-longo termo – a principal razão prende-se com o facto de estarmos todos muito mais voltados para a experienciação de emoções positivas no imediato (já alvo de reflexão aqui no artigo sobre a felicidade), do que em permanecer na incerteza e, por vezes, frustração, associada a uma meta a médio-termo.
Mesmo tendo ao nosso dispor um sem número de ferramentas de "auto-superação" (seja em livros, vídeos ou formação presencial, entre outras), na realidade a nossa maior "competência", e sem qualquer necessidade de aprendizagem voluntária e consciente, continua a ser em estratégias de auto-boicote.
O que nos traz, efectivamente, um imenso desafio pois, quase sempre, as nossas maiores concretizações encontram-se para lá dos nossos medos e bloqueios.
Solução?
Várias.
Deixar de estar “refém” das modas da superação, da felicidade e dos lemas “yes you can” é sempre um bom princípio – todos eles se transformam, muito rapidamente, numa gigantesca e incontornável onda de frustração que, a muito curto prazo, nos toldam o discernimento e a capacidade de reacção.
Mais. Muito frequentemente se transformam em mecanismos de culpa pois “eu deveria ser capaz” de o fazer.
Não, não deveria – ninguém “deve” e, infelizmente, muitos dos que exibem este tipo de “competência”, na realidade, apenas a ensaiam para o exterior, tal qual de uma performance coreográfica se tratasse.
Entenda-se: o propósito da superação, da felicidade e da confiança em nós próprios para alcançarmos o que desejamos não está, de todo, errado – a forma como anda a ser “comercializado”, sim.
Crescer, amadurecer, ganhar maturidade, evoluir, desenvolver – use-se a expressão que se quiser não é um processo nem breve, nem leve, nem fluido... e muito menos “feliz”.
É sim um caminho onde se escolhe escolher, onde se erra e se acolhe o erro, onde se frustra, se pede desculpa, se ri e chora - onde se esfola os joelhos como se estivesse a aprender andar de bicicleta... onde se cai e se levanta para tentar de novo.
É um caminho longo, onde todas as emoções são bem-vindas (as que “gostamos” e não gostamos) pois todas elas transportam verdade – a nossa.
Desafio
Possivelmente, uma das melhores formas (haverá várias, certamente), será definir as “ferramentas” que queremos adquirir e não os objectivos que queremos alcançar – será focar no processo de evolução e não no resultado.
Importa também, ter a noção (e aceitar) que virão momentos e emoções difíceis que deveremos saber “olhar” e compreender, sem qualquer rasgo de evitamento pois, muito frequentemente, são elas que transportam a “solução” para o nosso “auto-boicote”.
Sem urgências de felicidade, seremos certamente mais capazes de a viver."
quarta-feira, 2 de janeiro de 2019
O elogio do Seixal
"O ano começa com notícias que confirmam a excelência do Caixa Futebol Campus e o mérito dos responsáveis pela formação do Benfica:
• Em Portugal, os treinadores da II Liga acabam de reconhecer a qualidade que impera na equipa B ao elegerem 4 jogadores das águias para o onze do ano;
• Lá fora, a UEFA divulgou ontem a lista dos 50 jovens mais prometedores do futebol europeu, com Gedson Fernandes e João Félix a integrarem a lista.
Estas escolhas – anunciadas no primeiro dia de 2019 – são o reconhecimento nacional e internacional da qualidade do trabalho desenvolvido na academia do Benfica, de onde têm saído jogadores que brilham hoje nalgumas das maiores equipas europeias.
O talento que evolui no Seixal parece, de facto, inesgotável. Os treinadores da II Liga elegeram Jota (19 anos), Ferro (21), Florentino (19) e Alex Pinto (20) para a equipa do ano, mas havia ainda muito por onde escolher. Ficará, por certo, para uma próxima oportunidade.
Na UEFA, onde a selecção de valores foi feita (tal como cá) por quem entende específica e detalhadamente o jogo, os nomes de Gedson e Félix surgem entre os craques mais promissores da actualidade e que merecem ser acompanhados com atenção em 2019. Um orgulho.
Para o fim, mais uma boa notícia que chega com o novo ano: a renovação de Salvio (até 2022) está consumada.
Um desfecho feliz e que anima a nação benfiquista precisamente no momento em que, com a difícil deslocação a Portimão, a #reconquista volta à estrada."
Salvio 2022
Esta é uma daqueles decisões, que seria sempre criticável: se não renovasse, o jogador seria considerado um Judas, a Direcção incompetente; e renovando, o jogador só quer dinheiro para a reforma, e a Direcção é incompetente por ter renovado com um jogador com muitas lesões!!!
Pessoalmente, fico contente com a renovação do Toto. É um jogador de inegável qualidade, um jogador com muitos anos de casa, um jogador que nunca criou 'casos' no Benfica, e nem sempre foi titular. Precisamos de jogadores experientes, de qualidade acima da média e da casa, são o complemento perfeito para os jovens...
Já provou que as lesões não o desanimam, tem recuperado sempre... e estando em condições, tem qualidades únicas como extremo no nosso plantel... E os números não mentem, apesar de ser 'trapalhão' em algumas ocasiões, marca sempre golos e faz sempre muitas assistências para golo, sempre que joga...
Das loiras e das morenas ao sr. Manuel Condeixa
"1943 - na véspera do Ano Novo, os jogadores do Benfica confiavam as suas crenças, os seus receios, as suas fezadas. Algo de muito curioso, que reaviva a memória de um tempo que não volta mais...
Há coisas curiosíssimas que, de tempos a tempos, nos caem no colo, assim de surpresa. E nada como uma boa surpresa para nos entretermos, sobretudo numa altura como esta, em que, de repente, a vida parece ter começado a correr à desfilada em direcção a mais um ano novo que não tardará, como os outros, a ficar velho.
Reparem nesta. Uma lista de superstições de todos os jogadores da equipa do Benfica do ano de 1943. Vou avançando com ela. Não necessita de grandes comentários. É, ao fim e ao cabo, um entretenimento. Desfrutem-no.
Rogério: 'Não gosto de ver cães a entrar em campo. É mau sinal. Por outro lado, se olho para a assistência e vejo uma espectadora loira e galante a torcer pelo Benfica, é certo que jogo melhor!'
Gaspar Pinto: 'Não tenho pressentimentos. Entro em campo para ganhar, e ninguém me tira essa ideia da cabeça. Mas gosto de jogar com chuva. Sentir a relva molhada e pesada é como se me desse mais força'.
Peyroteo que o diga. Gaspar Pinto era um daqueles defesas que faziam com que o cavalheiro de Humpata, violino do Sporting, perdesse as estribeiras.
Albino: 'Gosto de ter os meus amigos nas bancadas. Dá-me conforto e energia. Se há um director do clube que me recusa um convite para gente que me é próxima, fico chateado. E demoro a esquecer a contrariedade'.
Valadas: 'Às vezes por distracção, calço primeiro a bota do pé esquerdo. É uma chatice. Sinto logo que as coisas não vão correr de feição. Por outro lado, se, no primeiro remate que faço à baliza do adversário, a bola sai ligeiramente ao lado ou obriga o guarda-redes a uma boa defesa, fico cheio de moral: já sei que os seguintes vão dar em golo'.
Prometi não me estender em comentários, mas esta resposta merece um: o que será que Valadas sentia quando o primeiro remate dava logo golo? Não acredito que lhe desse azar...
Francisco Ferreira: 'Só preciso de uma coisa para me sentir confiante e nada tem que ver com a sorte ou com azar. Necessito de entrar em campo à frente da fileira dos meus companheiros. E de levar a bola na mão ou debaixo do braço. É uma exigência!'
Exigência justa para um dos que foram um capitão absolutamente exemplar.
Até um funeral metido ao barulho
Prossigamos o relambório. Que tem chiste, não há dúvidas.
Manuel da Costa: 'Eu preciso de ser o último a entrar em campo, depois dos meus colegas todos. Mas não crio fantasmas na cabeça. Se isso não acontecer, não jogarei pior. É apenas uma preferência, não um fetiche'.
Jordão: 'O que eu quero mesmo é ver as bancadas cheias de moças bonitas. Alegra-me a alma. Elas dão ao espectáculo um ambiente de graça e de alegria. Quando entro em capo, passo os olhos em volta. Se vejo um grupo de raparigas, fico feliz. Agora, coisa que me estraga o dia e o jogo é tomar e pequeno-almoço frio. isso irrita-me'.
Pires: 'Se o primeiro passe ou remate não me sai bem, fico a matutar nisso e custa-me a recuperar a concentração. Preciso de um esforço mental acrescido. Por outro lado, se há um adversário que me carrega em falta no início do encontro, ganho uma gana suplementar. Fico doido por me ir a eles, cheio de vontade'.
César Ferreira: 'Se no caminho para o estádio me cruzar com um funeral, é certo que ganharemos. É uma fé. Ao contrário de muitos outros, não penso que traga azar. A infelicidade fica toda no cortejo mortuário'.
Julinho: 'Não gosto nada quando os meus colegas cantam no balneário, antes do jogo. Dá-me uma sensação de facilitismo. A alegria não pode ser antecipada. Tem de ser ganha e merecida. Por mim, obrigava-os todos a ficarem em silêncio. Concentrados. É sinal de que vamos ganhar o jogo!'
Teixeira: 'Não sou supersticioso. Nunca fui! Mas prefiro jogar contra equipas de maior categoria. Aborrece-me defrontar adversários fracos, que dão pouca luta. Ah! E gosto de caras bonitas nas bancadas. É sempre agradável jogar com umas moças simpáticas a ver-nos'.
Martins: 'Só preciso de uma coisa - antes do jogo, encontrar o sr. Manuel Condeixa! É um grande, grande amigo e proprietário da Casa da Lotarias Condeixa. Olho a toda a volta a tentar perceber onde está sentado. Se não o encontro, é certo que perdermos'.
Nelo: 'Loiras! Mas loiras clarinhas. Se topo uma quando entro em campo, fico com a certeza de que iremos ganhar. Já as morenas, por mais bonitas que sejam, não me garantem nada. Desculpem-me a franqueza. É mesmo assim!'
Pois: há, de facto, coisas curiosas, não é?
E que merecem que lhes prestemos atenção. Logo agora que o ano velho vai dar lugar a uma no novo. Esperemos que melhor para todos do que o anterior...
É um desejo."
Afonso de Melo, in O Benfica
A paixão de Fernando Cruzeiro
"Com 7 anos andou de patins pela primeira vez e aos 17 anos já se sagrava campeão nacional
Ainda bastante pequeno, Fernando Cruzeiro abandonava, muitas vezes, as partidas de futebol a meio para assistir aos treinos de hóquei em patins. Inusitadamente, encantava-o um desporto que nunca havia praticado. Aproveitava para coleccionar algumas peças, 'roda velha ou esfera perdida que visse no chão, era certo e sabido que a guardava religiosamente, para coleccionar algumas peças, 'roda velha ou esfera perdida que visse no chão, era certo e sabido que a guardava religiosamente, para, mais tarde (pensava), poder construir uns patins'. O tio foi quem mais aguçou o gosto pela modalidade, levando-o, com 7 anos, a andar de patins pela primeira vez. 'Agarrado à vedação, cai, levanta-se acolá, não foi preciso muito para que aprendesse os «rudimentos da arte»... De tal forma que, ao fim da primeira sessão, já adquiria certa desenvoltura'. O encanto tomou proporções de paixão!
E tal como todas as paixões, anima quem a vive e quem a rodeia. Foi o caso do seu tio, que ficou tão entusiasmado que quis partilhar com o resto da família. Entre uma demonstração e outra, foram horas de patinagem que valeram a Cruzeiro enormes bolhas nos pés. O resultado foram 48 horas deitado, sem sequer poder andar. A paixão avassaladora tem destas coisas, traz prazer, mas por vezes também sofrimento. Contudo, o desfecho é sempre o mesmo: a persistência. Continuou a praticar e, aos 12 anos, aventurou-se num treino do Benfica. Agradou, mas era muito novo.
Teve de esperar até 1947, ano em que fez 17 anos, para requerer a licença de patinador. Todavia era necessária a autorização do seu pai para que o processo ficasse completo. Cruzeiro, com medo que o progenitor recusasse, achou por bem imitar-lhe a assinatura. 'No Benfica deram pela esperteza e disseram-lhe que assim não (...) que levasse o «papelinho» com a assinatura verdadeira'. Ainda que com algum receio, pediu ao pai, que acedeu de pronto.
Superada toda a burocracia, integrou o conjunto de juniores dos 'encarnados'. Na época de estreia, sagrou-se campeão regional e nacional. Na temporada seguinte, começou a alinhar pela equipa de honra. Foi o início de uma carreira brilhante. Ao longo de 10 anos ao serviço do Clube, conquistou 3 Campeonatos Nacionais, 4 Regionais e 5 Taças de Honra. Pela selecção nacional, foi um dos elementos que mais se destacou na conquista do título mundial de 1956. A imprensa teceu enormes elogios à sua prestação, 'um «príncipe» e jogar, com a sua técnica portentosa, inexcedível. Nas fintas, no domínio da patinagem e do «stick» em tudo o que define um grande jogador'.
Saiba mais sobre as conquistas deste fantástico hoquista na área 3 - Orgulho Ecléctico do Museu Benfica - Cosme Damião."
António Pinto, in O Benfica
terça-feira, 1 de janeiro de 2019
6-2
"1 - Para o Montalegre, aproveitar a visita do Benfica para melhorar as instalações desportivas, ao invés de perseguir uma receita maior, foi uma grande vitória;
2 - A exibição benfiquista não entusiasmou, como outras em circunstâncias semelhantes nas últimas temporadas. Passámos, objectivo cumprido;
3 - Teve, no entanto, a particularidade de permitir, ao Benfica, completar uma série de seis vitórias consecutivas sem golos sofridos em competições oficiais. Melhor, só pode dez vezes em toda a nossa história;
4 - Apesar da estatística mencionada acima, era pouco o entusiasmo. Mas o triunfo por retumbantes 6-2 ao Braga, um 'candidato ao título', foi esclarecedor. É inequívoco que este Benfica, com esta equipa técnica e estes jogadores, tem potencial para a denominada reconquista.
5 - Jonas é uma peça fundamental nesse desígnio: marcou nas seis últimas jornadas do Campeonato Nacional, concretizou em nove das dez partidas em que foi titular. Entretanto já é o 13.º melhor marcador da história do Benfica em competições oficiais;
6 - Também Gedson, no extremo oposto da distribuição etária no nosso plantel. A sua exibição frente ao Braga foi, a todos os níveis, notável; E também a de Grimaldo. Esse é o caminho: uma mescla de jogadores experientes e jovens promessas, do Seixal ou de outras paragens;
1 - Não há jornada em que o FC Porto não seja beneficiado pela arbitragem, deve ser um recorde;
2 - Foi com muita pena que soube da saída de Pedro Nunes do comando técnico da nossa equipa de hóquei em patins. Ganhou muito, porém menos do que mereceu. Nunca me esquecerei nas arbitragens em Valongo e Alverca (Sporting) que obliteraram um inédito tetra transformando-o num parco bicampeonato."
João Tomaz, in O Benfica
Sem espinhas
"O processo penal, em termos teóricos, possui (deveria possuir) três fases. A primeira é a do inquérito, e a mesma deve ser atribuída, em termos de coordenação e domínio, ao Ministério Público, que é quem em Portugal exerce a acção penal. A segunda é a da instrução, e deveria ser uma fase totalmente coordenada e dominada pelo arguido, pois é esta que, em caso de acusação e subsequente pedido por parte do arguido dessa fase de instrução, vai apreciar se o mesmo arguido deve, ou não, ser submetido a julgamento. Por último, a terceira fase, que é a do julgamento.
Antigamente, a face-rainha era a do julgamento, mas com as notícias que saíram de um arguido confessar no inquérito e depois poder retractar-se em julgamento, não valendo a confissão, com as notícias que saíram de que outros meios de prova existentes em inquérito não valessem nada em julgamento, tudo isto originou que a legislação fosse alterada, vindo confirmar o que sempre defendi - quem legisla nesta matéria é a opinião pública. Nos dias que correm, a regra é outra, muito do que se diz no inquérito vai 'entalar' quem o disse!
Seja como for, a fase da instrução, na maioria dos processo, não serve de grande coisa, pois a atenção dada à mesma pelos justiceiros é quase nula. Mas neste caso do designado processo E-Toupeira, felizmente, não o foi!
Retira-se da decisão que existiu uma grande coragem de aplicar as coisas como deve ser e como deveria ser em todos os casos.
Já muitas vozes publicamente tinham indiciado a falta de fundamentação e de lógica, quanto mais de direito, da acusação. E isso acabou por ser notório no despacho de não pronúncia da Benfica SAD exarado pela dra. Ana Peres.
'Assim, e perante imputações vagas e insuficientes, os arguidos em causa não poderão refutar concretamente factos que não conhecem, e o tribunal não pode, em consequência, formar, nesta parte, uma convicção concreta sobre o objecto do processo', lê-se num excerto das 198 páginas da decisão do tribunal.
A verdade, meus senhores, é que cerca de 50% das acusações proferidas em Portugal são isso mesmo, vagas, insuficientes e descritoras de uma história que encaixa num, ou em mais, tipos legais de crime(s).
Mas interrogam-se todos: porque assim será? Porque, na verdade, tem mesmo de ser assim. O Ministério Público redige uma acusação baseada numa investigação policial, menos ou mais bem feita, consoante tantos factores em jogo, e faz à interpretação do que investigado e dos factos que apurou, construindo a sua história, que tem obrigatoriamente de encaixar numa previsão legal que pune isto ou aquilo.
Fá-lo também porque não esteve presente no lugar dos acontecimentos no tempo em que os mesmos ocorreram, e por isso tem de reconstruir à sua maneira o que se passou.
Um exemplo simples faz imediatamente perceber o que se quer dizer.
Quem tem dois filhos sabe muito bem como é difícil reconstruir uma história com base em factos já passados e pelo testemunho de ambos os filhos, para saber se quem começou a bater foi o irmão A, ou o irmão B.
Uns decidem a favor do irmão A, outros decidem a favor do irmão B, outros decidem contra os dois irmãos, e outros dizem que afinal foi o vizinho!
Ora, isto não é mais do que uma acusação decidida pelos pais! E foi o que aconteceu! Hoje em dia, para se ser acusado, basta estar-se lá!
Quando um dia vi numa televisão que, se o gabinete do presidente era ao lado do gabinete do seu assessor jurídico, então o presidente tinha de saber tudo, então percebi que estamos mesmo 'todos malucos'! Basta existirmos para sermos criminosos! A célebre frase de Descartes 'penso, logo existo' deve ser substituída no séc. XXI por outro: 'Existes, logo és criminoso!'
Para explicarmos ainda melhor o que vimos escrevendo, veja-se o seguinte, reproduzindo-se outra parte do que está escrito na decisão da juíza Ana Peres:
'Em sede de alegações, o d. magistrado do Ministério Público disse que, com esta 'relação' que o arguido Paulo Gonçalves mantinha com o arguido Júlio Loureiro, sendo este observador de árbitros - mas não na liga profissional, apenas nas camadas jovens -, sempre poderia no futuro, com as boas avaliações que agora fosse fazendo a esses árbitros, das camadas jovens, ter alguma influência (assim o compreendemos), quando passassem para a liga profissional, a ter uma boa influência a favor do SL Benfica.
Mas, como muito respeito, afigura-se-me que a criminalização destas condutas não visa e não pode visar um juízo de prognose tão desfasado, impõe uma conexão mais concreta entre a actuação de agentes desportivos, nessa veste e por causa dessa veste, que violem a verdade desportiva, a transparência do resultado'.
O que o Ministério Público defendeu neste caso e defende hoje em dia é que alguém pratica um crime antes de ser crime!
Cuidado com o que se faz na rua, pois, se hoje alguém sopra, amanhã pode vir a existir um vendaval que faz cair uma casa, que vai matar uma pessoa e que por isso transforma o sopro de hoje num hipotético crime de amanhã, sem termos ainda chegado ao amanhã!
Vejamos agora outro excerto quanto a quem afinal representa a pessoa colectiva que neste caso é a Benfica SAD.
'Quanto à delimitação de quem sejam os representantes da pessoa colectiva', ou que detenham a autoridade para, 'e que, em consequência, e por meio dos que ocupem uma posição de liderança, exercer o controlo da sua actividade, os seus actos possam fazer incorporar a pessoa colectiva em responsabilidade criminal', explicita o n.º 4 do referido art.º 11º que 'entende-se que ocupam uma posição de liderança os órgãos e representantes da pessoa colectiva e quem nela tiver autoridade para exercer o controlo da sua actividade'.
A acusação do Ministério Público quanto aos crimes que imputou à Benfica SAD partiu desse pressuposto: é funcionário, logo representa a SAD. Mas não pode nem deve ser assim!
Considerar-se dessa forma seria responsabilizar criminalmente uma empresa pela prática dos actos por parte do seu porteiro. Há algo que nunca ninguém explicou, nem interessa explicar. Responsabilidade civil é uma coisa, responsabilidade criminal é outra.
Se amanhã começarmos todos a responder pelo crime de dano quando batermos no carro da frente, aí é que a opinião pública irá logo virar o bico ao prego! Enquanto é com os outros, está tudo bem, mas quando nos chega - aí começa tudo a gritar! Veja-se o caso das coimas de quem não tinha aderido à caixa de postal electrónica! A lei já era antiga, mas como abrangeu muita gente e começaram todos a mandar vir, afinal não havia lei, mesmo havendo!
Desejo um excelente ano novo, e um desejo muito especial para todos do jornal O Benfica: bem hajam!"
Pragal Colaço, in O Benfica
Schiuuu!
"Em jeito de despedida do ano - e porque o espírito do Natal ainda paira - não vou atacar muito os 'antis' externos e internos. Só um bocadinho, para manter a coerência. Para os de fora, apensa dois recados. Um para o novo presidente da sociedade recreativa sediada no Campo Grande: Paulo Pereira Cristóvão e Cashball. Chega? Pronto, e agora vão lá pagar o que devem. Outro para a associação desportiva (e não só...) das Antas: já nem para Vigo vão poder fugir quando tiverem que pagar pelo mal que nos têm feito.
E para a oposição interna, um abraço. Um abraço de simpatia, quase de caridade, porque consigo imaginar a vossa cara a cada golo do SLB no jogo com o SC Braga. Aquele misto de não conseguir conter a alegria de ver o nosso clube a brilhar e de não saber onde enfiar o lenço branco que traziam no bolso do casaco. E não, meus caros, não foi por acaso. Aquilo que o SL Benfica jogou é o que estamos habituados nos últimos anos. A excepção foram as últimas semanas, aquelas em que vocês não perdoaram e apontaram o dedo a um plantel e a uma equipa técnica que merece respeito. Custou-nos a todos, custa sempre quando não atingimos os nossos objectivos. E agora, vão lá para as redes sociais e blogues inventar perseguições, recolher assinaturas e criar mais tempestades.
Neste fim de ano, queria também agradecer a todos os que me seguem e leem aqui e na BTV. A vossa simpatia, as vossas críticas, os vossos comentários, as nossas conversas no estádio, e onde seja, são sempre um gosto. Espero que em 2019 tenhamos ainda mais hipóteses de trocar ideias e de festejar muitos títulos das nossas muitas equipas nos vários escalões, géneros e modalidades.
Viva o Benfica, acima de tudo e de todos."
Ricardo Santos, in O Benfica
Natal à Benfica
"Então, amigo leitor, como correu o Natal? O meu foi espectacular. Em 24 anos de vida, pela primeira vez não tive de esperar pela meia-noite do dia 24 de Dezembro para ver o Pai Natal. Não. Desta vez, apareceu um dia mais cedo, dia 23, e deu-me logo seis presentes de rajada. Dizem que 'o Natal é quando um Homem quiser', mas não acho que essa velha máxima seja totalmente verdadeira. Vou reformular: o Natal é quando o Benfica quer. Isso, sim.
Não me parece que seja assim tão complicado. Aliás, a missão da equipa do Benfica é até bastante mais simples, na medida em que a minha mãe necessita de uma lista de ingredientes bem mais extensa para me fazer feliz. Pão de cacete fatiado, leite, açúcar, ovos e canela para fazer rabanadas; açúcar, água, canela, limão, miolo do pão, leite, vinho do Porto, manteiga e gemas de ovos para fazer mexidos (dispenso os frutos secos). Os jogadores precisam apenas de se apresentar em campo com a mesma raça, crer e ambição do jogo com o Braga e haverá Natal todas as semanas de certeza. Para além disso, dispõem ainda de outra vantagem: não têm de apanhar seca nas filas de supermercado.
Há uma teoria muito divertida, aparentemente partilhada pela larga maioria dos adeptos adversários, de que o Braga facilitou no jogo com o Benfica. Curiosamente, quando o Braga, em 2010, treinado por um antigo jogador do FCP, presidido por um alegado adepto do FCP, e representado por 5 jogadores com anteriores ligações ao FCP, liderava o campeonato e perdeu 5-1 no Dragão, os mesmos especialistas banalizaram a derrota, afinal aquela equipa do FCP era diabólica. Este ano, o Pai Natal até foi simpático. Mas esqueceu-se de oferecer algumas doses de coerência."
Pedro Soares, in O Benfica
E-Justiça!
"21 de Dezembro de 2018 foi um dia deveras importante. Não só para o Benfica - que viu a sua SAD ilibada de todos os crimes de que estava acusada -, mas sobretudo para o país.
Afinal, a nossa justiça ainda funciona. Afinal, contrariamente ao que chegou a parecer após um despacho de acusação mal engendrado e repleto de manifestações de intenção, as instituições e cidadãos deste pais ainda podem acreditar que não estão sujeitos à arbitrariedade e à perseguição de agentes judiciais. Afinal, ainda é preciso haver provas para haver crimes, e ainda é preciso haver indícios fortes para haver julgamentos.
Escrevi nestas páginas que tinha a certeza absoluta de que o Benfica seria ilibado. Não o fosse na fase de instrução, sê-lo-ia certamente em sede de julgamento - só que, nesse caso, teríamos de sofrer com mais dois ou três anos de ataques e insinuações constantes por parte de adversários e da comunicação social, com todo o desgaste que tal nos iria causar. Escrevi também que, um dia, os muitos benfiquistas que pensavam como eu (acredito, uma imensa maioria) iriam sentir orgulho em ter estado do lado certo, na defesa do clube e do seu bom nome. Hoje, e desde o dia 21, podemos enfim sentir esse orgulho redobrado, e todo o alento de ver o Benfica e a sua SAD afastados de qualquer desconfiança.
Aqueles que nos pretenderam desunir e desestabilizar, tiveram de engolir em enorme sapo. Os que conceberam estes casos, e todos os que os foram alimentando, e se foram alimentando do seu sangue. Não os iremos esquecer, até porque alguém terá de pagar pelo mal que nos fizeram durante longos meses."
Luís Fialho, in O Benfica
Força, Bruno!
"Bruno Simões, tem praticamente a mesma idade que Gedson Fernandes - 20 anos. Ambos adoram o Sport Lisboa e Benfica e são dois vencedores. Sócio dedicado, morador, estudante e trabalhador em Barcelos, o Bruno, sempre que pode, desloca-se ao Estádio da Luz para assistir aos jogos do amor da sua vida. Foi assim que aconteceu no passado domingo. Inscreveu-se na excursão que os competentes dirigentes da Casa do Benfica em Barcelos organizam para todos os jogos na Luz, e viajou até à Catedral, onde pulou, puxou, festejou e rejubilou com a melhor exibição da época. Foram seis momentos que o Bruno jamais esquecerá.
O Bruno como milhares de Benfiquistas, deu por bem empregado todo o tempo e esforço que fez para assistir ao vivo a mais uma brilhante prestação de Gedson e seus pares. Após o jogo, Bruno rumou a casa e, seguramente, esta foi uma viagem que fez com enorme alegria e muita confiança no futuro. Afinal, Rui Vitória cumpriu o que prometera - o melhor Benfica está para chegar.
Na longa deslocação Lisboa - Barcelos aproveitou para dormitar e rever mentalmente os momentos de antologia de Pizzi, Jardel, Grimaldo, Jonas, Cervi e, sobretudo, de André Almeida. Quando passou Grijó, o autocarro foi vítima de uma cilada cobarde e violenta de uns energúmenos que arremessaram um paralelepípedo de 8x8, que partiu o vidro da viatura e atingiu a cabeça do Bruno. Por milagre, Bruno escapou com vida, mas foi internado no Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho, onde espera pela intervenção cirúrgica que lhe irá devolver a alegria de viver. Foi mais um acto de violência gratuita que, estou em crer, as autoridades policiais e judiciais irão descobrir os seus autores, acusá-los e sentá-los no banco dos réus para serem julgados e punidos. Acredito que o Bruno voltará a viajar para o Estádio da Luz, sempre com a mesma confiança e fé no maior clube português e nos dotes técnicos de Jonas e Pizzi. Faço votos para que o Bruno, acompanhado do seu pai, Paulo Jorge Simões, à Final Four da Taça da Liga, que se realizará em 22 e 26 de Janeiro."
Pedro Guerra, in O Benfica
Dar!
"A solidariedade e a preocupação com o bem-estar do outro, mais que um imperativo ético, tornaram-se orgânicas a intuitivas no Benfica.
Não teria necessariamente de ser assim numa organização gigantesca como esta, bem departamentalizada, em que cada um conhece a sua equipa, sabe o seu papel e se concentra ao máximo em desempenhá-lo com sucesso. De resto, o grupo em si mesmo antecipou esta necessidade e assumiu em pleno as suas obrigações em termos de responsabilidade social corporativa. Criou para isso a Fundação, dotou-se de meios técnicos e nutriu o seu desenvolvimento desde a fase de berçário. A adesão de colaboradores e atletas aconteceu desde a primeira hora sem espanto para ninguém. Todos sem excepção responderam à chamada e, sempre que foi pedido algum tipo de colaboração, todos o fizeram sempre com a máxima entrega metendo o seu tijolo nesta obra social. Foi um período de grande inspiração, motivação e reactividade positiva. E para qualquer outra organização bastaria que assim fosse.
Mas não no Benfica! E a verdade é que a cada ano que passa sentimos e vemos na prática o crescimento do número de acções com envolvimento cada vez mais empenhado de departamentos, secções, colaboradores e atletas. Evidentemente, esse estar rasga as fronteiras do Clube para lá da mera comunicação tocando a alma de cada um dos benfiquistas e conquistando a simpatia da generalidade dos portugueses. É, pois, sem surpresa que se multiplicam as presenças em instituições, escolas, residências, prisões e até nas ruas junto dos sem-abrigo. É também sem surpresa que vemos os próprios jovens abrangidos pelos projectos da Fundação a organizarem acções solidárias do mesmo tipo nos bairros onde vivem. É, orgulhosamente, sem surpresa que, quase dez anos volvidos d primeiro dia de Fundação, vemos os atletas das competições e da própria formação, do futebol às modalidades, proactivamente envolvidos em acções solidárias tomando eles próprios a iniciativa e alimentando esta ideia de um Benfica de proximidade, que sente, apoia e desenvolve. E, claro, aparecem jogos de modalidades com troca de bilhetes por apoios a causas sociais, envolve-se o público, ajuda-se quem precisa e alimenta-se a chama imensa dos adeptos.
É bonito ver que, para o Benfica, responsabilidade social significa mais que uma obrigação vertida em relatórios de sustentabilidade ou que um exercício de comunicação e marketing. Significa isso mesmo que nos dá nome e nos faz gritar no campo e fora dele: Benfica!"
Jorge Miranda, in O Benfica
2018: no Benfica, o Ano da Mulher
"2018, agora a desvanecer-se, talvez possa ficar para sempre, na narrativa do Sport Lisboa e Benfica, como o Ano da Mulher. Pela primeira vez na sua história centenária, o nosso clube institucionalizou a actividade simultânea de equipas do género feminino nos respectivos escalões principais e de formação, nas cinco mais nobres 'modalidades colectivas de pavilhão' - hóquei em patins, voleibol, andebol, basquetebol e futsal, além de ter ainda iniciado a acção do futebol feminino e de manter a presença feminina no atletismo, no judo e no râguebi, assim como em todas as outras restantes modalidades escalões e especialidades que já tínhamos em exercício.
Podemos, pois, afirmar com inteiro sentido que, nesta época, a mulher ocupou o seu devido lugar - por fim, tornado indeclinável - nas estruturas representativas do Sport Lisboa e Benfica e no espaço competitivo do desporto, em Portugal.
O Benfica é um grande clube de futebol? Sim, é verdade. Mas, em pleno século XXI, tinha naturalmente de ser muito mais do que o clube de futebol que sempre disputa o primeiro lugar de todos os torneios masculinos. A sociedade portuguesa evoluiu. E também se transformou completamente, no sentido da partilha de géneros que hoje é patente e constante em todas as áreas de actividade. Há muito tempo que no desporto, com naturalidade, a mulher-adepta saltara da bancada para a pista, onde a mulher-atleta quis desenvolver o inequívoco mérito da performance competitiva. Tornava-se, então, imperioso que o Benfica reflectisse essa nova tendência social
Creio, pois, que os Benfiquistas terão presentes toda a importância que estas decisões da Direcção do Clube representam: ter tão determinadamente chegado ao presente patamar significou que o Benfica soube cumprir o passo decisivo para espelhar, de modo cada vez mais abrangente, a própria sociedade portuguesa em que sempre esteve tão profundamente inserido, e que, logo desde 1904, lhe determinara como gloriosa matriz de vida colectiva, a personalidade e o perfil conjuntivo.
No Sport Lisboa e Benfica, desde há quase duas décadas, estamos bem habituados aos sinais de grandeza do Clube. Já nem nos espanta termos sido capazes de nos havermos reerguido do grau zero em que estacionávamos no inicio do século. Quase nos esquecermos, hoje, de termos ousado desconstruir a velha Catedral, para construir um dos mais modernos complexos desportivos de alta competição da nova era, em todo o mundo, em poucos meses, e de o termos pago em poucos anos. Já nos parece natural termos sido capazes de levantar (do meio do nada) o Caixa Futebol Campus do Seixal e de, ainda agora, lhe termos acrescentado quase outro tanto, na dimensão e nos equipamentos, ao mesmo tempo que já projectamos outro centro de treino para o alto rendimento que irá potenciar a performance atlética dos nossos melhores desportistas de eleição.
Ora, é nestas circunstâncias que entendo que nunca será demais relevar que se trata de um esforço absolutamente ímpar do Benfica, tanto no contexto nacional como em termos internacionais: nenhum outro grande, pequeno ou médio clube português ou estrangeiro está a garantir, hoje em dia, esta diversidade de escolhas e, mais do que isso, a inigualável soma de condições de trabalho às mulheres atletas seniores, assim como aos respectivos escalões de formação. Nenhuma outra associação desportiva do nosso país ou de qualquer outro da União Europeia (ou do resto do mundo...) consegue empreender actualmente uma tenência desta dimensão.
E se é certo que quase tido devemos ao arrojo do espírito visionário do presidente Luís Filipe Vieira, também não deixaremos de reconhecer a persistência e a capacidade de gestão desportiva do vice-presidente Domingos Almeida Lima e a simultânea constância do vice-presidente Fernando Tavares: eles representam, nas cinco 'modalidades de pavilhão' e no futebol feminino e no Projecto Olímpico, a determinação com que em 2018 se cumpriu esse desígnio do novo Benfica Mulher."
José Nuno Martins, in O Benfica
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