Últimas indefectivações
quarta-feira, 20 de maio de 2020
Época de Hóquei em Patins 2019/20
"A época de Hóquei em Patins terminou e é altura de fazer uma introspecção à temporada que passou.
Esta seria a época de afirmação do novo treinador do Benfica, Alejandro Domínguez. O plantel em relação à temporada anterior teve apenas uma saída, de Miguel Rocha para o Barcelos, e teve duas entradas, o defesa espanhol de 29 anos Edu Lamas do Liceo e o regresso do avançado português de 23 anos Gonçalo Pinto que tinha estado emprestado ao Valongo. Ambos revelaram-se grandes mais-valias. O Gonçalo Pinto assinou 15 golos e foi o nosso 5º melhor marcador, o que para um jogador que supostamente iria ser o 11º elemento do plantel é muito bom. O Edu Lamas foi o melhor defesa do Campeonato juntando ainda mais 11 golos.
Internamente a época foi positiva. Estávamos em primeiro com 19 jogos, 16 vitórias, 1 empate e 2 derrotas, num Campeonato super equilibrado. A grande desilusão foi o empate contra o HC Braga fora de casa, que em abono da verdade também venceu o Porto e empatou com o Barcelos - ou seja numa era uma equipa qualquer. Perdemos em Barcelos num jogo que não nos saiu muito bem e no Porto com alguma falta de sorte. Mas ganhámos à Oliveirense e ao Sporting em casa. por 8-3 e 6-3. O nosso calendário era mais difícil que o do Sporting, mas creio que o Campeonato se iria decidir no jogo no João Rocha. Se empatássemos ou ganhássemos esse jogo teríamos boas chances de sermos Campeões. Na Taça de Portugal jogámos apenas duas eliminatórias contra uma equipa da 3º Divisão, o Lavra de Matosinhos, e da 2º Divisão, o Alenquer. Estávamos nos oitavos-de-final.
Lá fora, jogámos a Liga Europeia num grupo com o Barcelona e tivemos dois jogos onde foi possível ver quem são as duas melhores equipas a praticar Hóquei em Patins no mundo. Empatámos em Barcelona 5-5 e perdemos 4-2 na Luz - foi o único jogo que o Barcelona não ganhou em casa nesta temporada. Os outros três jogos ganhámos. Iríamos cruzar com o FC Porto nos quartos-de-final da Liga Europeia, o Sporting estava praticamente eliminado, o que significa que possivelmente poderíamos ter ido à Final da Liga Europeia, se batessemos o FC Porto.
A nível de individualidades, esta época foi um grande salto qualitativo em relação ao ano passado. Lucas Ordoñez foi o nosso melhor marcador na Liga Europeia (7 golos, 4º melhor da prova) e do Campeonato (20 golos, 6º melhor da prova). O Benfica teve o 2º melhor ataque (atrás do Porto) e a 2º melhor defesa (atrás do Sporting) do Campeonato. Diogo Rafael voltou a ser um dos jogadores mais influentes dos dois lados do campo. Pedro Henriques, Carlos Nicolía e Jordi Adroher melhoraram bastante em relação ao ano passado. Valter Neves não mostrou sinais da idade e teve uma das melhores temporadas com a camisola do Benfica. Gonçalo Pinto conquistou o seu espaço. Vieirinha continuou a mostrar sinais de evolução. Mesmo Marco Barros, quando Pedro Henriques não jogava, esteve a bom nível. O único jogador abaixo das expectativas foi Albert Casanovas.
Na próxima temporada, vai haver poucas mudanças. Pedro Henriques vai continuar a ser o dono da baliza e Marco Barros já renovou. Diogo Rafael também já renovou. Lucas Ordoñez, Carlos Nicolia, Edu Lamas e Gonçalo Pinto têm contrato. Vieirinha deverá renovar. Albert Casanovas já saiu, consta que tem um problema físico crónico nas costas. Jordi Adroher também deverá sair, apesar de ainda ter contrato. Para os seus lugares deverão entrar o argentino Danilo Rampulla de 21 anos, que emprestámos ao HC Braga esta temporada, onde marcou 17 golos, e o internacional português de 25 anos Xavi Cardoso que também esteve emprestado à Sanjoanense. A partir daqui já não restam muitas dúvidas.
Vamos ficar sem um avançado de área e ganhar mais um jogador a jogar por fora. Casanovas deu tudo pelo clube, mas nestes dois anos acrescentou pouco ao Hóquei do Benfica. Este ano foi até, de longe, o menos utilizado. Jordi Adroher baixou bastante o rendimento em relação aos primeiros três anos. Danilo e Xavi são sangue fresco para ficar no clube por muitos anos. Danilo pode mesmo estar no Benfica mais do que uma década. A equipa foi claramente vítima do covid-19. Haverá um corte no orçamento significativo. Mas a nível de talento parece-me que vamos estar mais fortes. Agora depende como é que o Alejandro Dominguez vai trabalhar o avançado de área. Neste momento o único jogador que parece capaz de fazer essa posição é Gonçalo Pinto.
O FC Porto vai estar melhor na próxima temporada. O Sporting parece ter algumas incerteza no plantel. O Campeonato vai continuar a ter um nível alto, mas desta vez com uma Oliveirense provavelmente mais fragilizada. Vamos ver como é que os plantéis vão fechar. Mas uma coisa é certa: o Benfica vai estar na luta."
A Mão de Vata (Vazio)
"O campeonato vai regressar em Junho à porta fechada. Depois de ter visto alguns minutos de jogos da Bundesliga nestes preparos, já consegui identificar algumas vantagens e desvantagens de jogar com as bancadas da Catedral vazias:
Vantagens:
1. O SL Benfica vai poupar milhões de euros em multas por mau comportamento dos adeptos.
2. O Tiago Martins não vai poder dizer que tem hematomas no peito provocados por moedas que encontrou no relvado.
3. O Ferro e o Grimaldo já vão conseguir ouvir as indicações que dão um ao outro... espero eu.
4. Ausência total de olheiros internacionais a emitir relatórios que levam os nossos craques para outras paragens.
5. Podemos aproveitar as últimas jornadas para limpar os castigos de jogos à porta fechada que temos pendentes.
Desvantagens:
1. Não vão ecoar no Mundo os trovões de gritos de golo do Povo Glorioso.
2. As nossas crianças vão ficar expostas a todas as caralhadas que o Rúben Dias utiliza para orientar o sector defensivo.
3. Milhões de telespectadores vão ouvir horrorizados, o próximo estalo do menisco do Gabriel.
4. O Diabo de Gaia e o Papa do Benfica serão durante 10 jornadas, dois cidadãos comuns da sociedade portuguesa.
5. O Eliseu não vai poder entrar com a mota no relvado nos festejos do título."
Fundação...
"A Fundação Benfica tornou-se parceiro principal do projeto Student Keep!
Se tens equipamentos informáticos que possas doar ou necessitas de computador para o ensino à distância, informa-te em http://studentkeep.org."
Vergonhoso...
"Porto Canal a sacar perto de 25K de apoio do estado.
Tudo normal para:
- Um canal detido pela FC Porto Média SA;
- Um canal que é utilizado como veículo de propaganda, manipulação e ódio pela comunicação do FC Porto;
- Um canal condenado em tribunal pelo crime de divulgação de conteúdo privado (emails);
- Um canal, outrora com qualidade e propósito, que infelizmente, foi capturado para fins que representam um clube e não a sua região.
É por tudo isto que andam em constantes encenações e alegadas guerras que não existem, servindo apenas o propósito de camuflar o poder de sempre.
Afinal de contas, o que sustenta canais de TV, centros de estágio e permite um poder que ultrapassa todas as regras e leis?"
Concorrência desleal...
"Não ficamos admirados. Porto e fair play nunca conjugaram bem.
Um clube perto da falência, que vive num clima de impunidade e vale tudo. Isto explica o desespero e todo o tipo de manobras para desviar atenções."
Faltam 15 dias
"De segunda a domingo, durante toda a semana, as nossas noites vão ser preenchidas pelos jogos que nos fizeram falta no decorrer dos dois meses em que todos ficámos confinados em casa.
Quando Carlos Pereira, presidente do Club Sport Marítimo, partiu para a “guerra” da escolha dos estádios estava certamente convencido de que sairia vencedor, mesmo sabendo que iria debater-se com muitas resistências, por razões compreensíveis e já conhecidas.
Agora que essa etapa está concluída, outros problemas irão certamente surgir até que, definitivo, todos estejam de acordo com tudo.
O transporte das equipas continentais e insular, o modo como os árbitros se deslocarão até à capital madeirense, quem irá suportar todos os custos, são questões que um debate sério e consciente irá rapidamente ultrapassar como aliás se deseja.
E falta, claro, outra decisão importante, que tem a ver com a escolha dos estádios onde se realizarão os noventa jogos em falta.
Sabendo-se que não sido possível alcançar unanimidade, o que se espera é que os decisores actuem com justiça sem beneficiar os mais fortes nem prejudicar os mais fracos.
E depois virão, finalmente, os jogos, em todos os dias e para todos os gostos.
De segunda a domingo, durante toda a semana, as nossas noites vão ser preenchidas pelos jogos que nos fizeram falta no decorrer dos dois meses em que todos ficámos confinados em casa.
As equipas participantes já iniciaram entretanto os treinos de conjunto cumprida uma fase preliminar de preparação individual.
Para muitos, trata-se de um curto período, tendo em conta que o reatamento do campeonato da primeira Liga se fará daqui por quinze dias.
Vale a pena recordar que dos primeiros oito jogo disputados na Bundesliga saíram lesionados seis jogadores, todos eles por razões de ordem física.
Ou seja, depois de um longo período de confinamento o tempo de adaptação deveria ter ido mais além.
É talvez por essa razão que na Itália o Presidente do Sindicato dos Jogadores exige que a Série A não seja retomada antes de pelo menos quatro semanas de preparação dos jogadores de todas as dezoito equipas participantes."
terça-feira, 19 de maio de 2020
Laços de futuro
"À comemoração da efeméride do Tetra, seguiu-se a da Reconquista, com a BTV a continuar a dar voz a protagonistas desses feitos. Ontem foi a vez de João Félix, um dos principais artífices do título conquistado na temporada passada, muitíssimo elogiado por Luisão e Jonas, também na BTV, há poucos dias.
O extraordinário jogador, que mereceu a atenção de todos os clubes com maior capacidade de investimento no defeso passado, esteve acompanhado do seu irmão, Hugo Félix, atleta da nossa formação e um dos que vão demostrando terem maior potencial de um dia poderem vir a tornar-se jogadores profissionais de futebol, sempre com a ambição de chegarem à equipa A do Benfica.
Por estes dias, além de João Félix, também Nélson Semedo, Gonçalo Guedes e Renato Sanches deram o seu testemunho acerca da importância crucial que o Benfica teve nas suas carreiras, da responsabilidade, felicidade e orgulho de representarem o clube do seu coração, manifestando igualmente o desejo de, um dia, ainda na plenitude das suas capacidades, regressarem ao clube que tanto lhes deu e do qual são adeptos.
O benfiquismo assumido por estes atletas, não obstante se tratar de profissionais, é incutido a todos os jovens que desenvolvem as suas capacidades futebolísticas no Seixal. Os valores do Benfica são transmitidos a todos, ficando reservado para os que chegam à equipa A o estágio final de aprendizagem, através dos jogadores mais experientes, do que significa ser, na prática, um representante, em campo, de milhões de benfiquistas, e a quem é exigido, simplesmente, ganhar, ganhar, ganhar!
Este destaque dado aos nossos antigos jogadores na BTV não é obra do acaso. Pelo contrário, é estratégico e estende-se aos restantes meios de comunicação do Clube. Como todos tivemos oportunidade de observar, o BPlay tem oferecido conteúdos exclusivos e inovadores, permitindo um acompanhamento próximo do regresso aos treinos da nossa equipa. Também o site e as redes sociais do clube têm dinamizado esta vertente comunicacional, com o jornal a consolidar semanalmente muitos destes conteúdos.
O Benfica considera absolutamente fundamental que o protagonismo seja dado a quem efectivamente o deve ter, os jogadores e os treinadores. São eles quem são admirados por todos nós e têm a oportunidade de, em campo, defender as nossas cores e emblema. Queremos estimular cada vez mais o benfiquismo e a paixão pelo desporto, sabendo nós muito bem quem faz sonhar as crianças e as inspira e motiva a perseguirem os seus sonhos.
Entretanto, esta semana, recomeçaram os treinos de conjunto da nossa equipa, seguindo a preceito as normas acordadas entre Federação, Liga e Direcção-Geral da Saúde, com vista à retoma das competições em 4 de Junho. No último fim de semana observámos o regresso da Bundesliga, oferecendo-nos a possibilidade de retirarmos ensinamentos valiosos para os próximos passos no futebol português.
Todos juntos, a pouco e pouco, conseguiremos ultrapassar as dificuldades. E, no nosso caso em particular, estamos muito focados nas onze finais que teremos pela frente.
#PeloBenfica"
O eterno mito do retorno
"Há muito que a sociologia da emigração alimenta a hipótese de que o regresso ao país é mais uma construção mitificada do que uma realidade concreta. No mundo do futebol não é muito distinto. Os jogadores saem, para garantir o futuro financeiro e, já agora, para encontrar quadros competitivos mais interessantes, mas vão sempre deixando cair a ideia de que gostariam de voltar um dia para jogar pelo clube do coração.
Só que a ideia do jogador adepto, destinado a retomar a casa, alimenta sonhos nos seguidores de cada clube, mas nunca se concretiza. Talvez, na verdade, não seja bem assim: há excepcionalmente jogadores que regressam, mas, quando de facto o fazem, e já tarde e serve mais para frustar expectativas do que para devolver a glória em campo.
Durante as últimas semanas não faltaram declarações sentidas de jogadores, demonstrando amor aos clubes de origem. Porventura intensificadas pelo confinamento, certamente ainda mais difícil para quem é emigrante. Na semana passada, numa animada conversa na BTV, três filhos do Seixal não escaparam à tendência. Entre memórias das conquistas de água ao peito, Gonçalo Guedes, Nelson Semedo e Renato Sanches deixaram a promessa: regressar ainda com capacidade de conquistar títulos. Renato afirmou mesmo 'não querer regressar muito velho'. Nélson assegurou que 'gostava de voltar ainda capaz de dar tudo e ajudar' e Guedes confessou que 'podemos jogar noutro clube qualquer, dar o máximo. Mas jogar no clube do coração é diferente. Sentimos amor à camisola e isso faz a diferença'.
Possivelmente, reside aqui a chave para cumprir a promessa de conquistas europeias com base no Seixal. Como resulta óbvio, reter talento é uma impossibilidade, mas talvez haja margem para fazer regressar talento.
Não digo que isso aconteça aos 25 ou 26 anos, mas com a dose certa de ambição e esforço financeiro, o Benfica terá condições para fazer regressar alguns dos jogadores formados no Seixal ainda antes do ocaso das suas carreiras. Não é difícil pensar em algumas soluções criativas que concederiam os incentivos certos para promover alguns regressos (ninguém ficaria chocado se o tecto salarial fosse ultrapassado e se existissem prémios adicionais para contratar jogadores com muitos de Benfica).
Uma equipa madura e com identidade será a melhor forma de continuar a acolher jovens jogadores vindos da formação mas dará também garantias de maior competitividade. Para que tal fosse possível, era necessário afastar de vez o princípio errado de que não se pode contratar jogadores maduros e voltar a dar prioridade ao retorno competitivo. Pode ser que, assim, se cumpra um dia o desejo de todos: vermos aquele que poderia ter sido o melhor lateral-esquerdo da nossa história, Bernardo Silva, finalmente a jogar pela equipa principal."
Comunicado: Red Pass
"No contexto das consequências da pandemia da COVID-19 e após a decisão do Governo, acompanhada pelos órgãos que superintendem o futebol nacional, ficou determinado que a Liga NOS será finalizada com a realização de jogos à porta fechada.
Dada a impossibilidade de os Sócios detentores de Red Pass assistirem aos cinco jogos que faltam no Estádio do Sport Lisboa e Benfica, o Clube tomou a decisão de atribuir uma compensação de valor proporcional a esse número de jogos que não estarão abertos ao público. Esse valor será de imediato adicionado à carteira virtual de cada detentor do lugar de época.
O valor pode ser utilizado para pagamento de produtos Benfica, nomeadamente: produtos oficiais, quotas de Sócio e bilhetes (incluindo Red Pass), em qualquer ponto de venda do Benfica, tais como as Lojas oficiais, Casas do Benfica, Site Oficial em slbenfica.pt, Linha Benfica através do 707 200 100 ou a Venda Online Assistida (VOA) através do 800 20 1904.
Os detentores de Camarotes e Executive Seats também serão compensados através da disponibilização de contrapartidas de valor proporcional aos cinco jogos que faltam disputar no Estádio da Luz, podendo esses valores ser usados no decorrer das próximas duas épocas desportivas (até 30 de Junho de 2022).
O Sport Lisboa e Benfica, face à interrupção das competições e incerteza quanto ao futuro imediato, entende ser esta a forma mais justa e equilibrada para compensar todos os Sócios e parceiros Corporativos. Esperando que na próxima época voltemos a estar juntos e com os Estádios de portas abertas."
Quarentena Permanente para Comentadores de Futebol
"Com o regresso do futebol aos estádios regressam também os comentadores às televisões. Os segundos precisam dos primeiros, mas os primeiros não precisam dos segundos. E nós também não. Cada um dos 90 minutos do jogo traduzir-se-á em dezenas de horas de comentários, em todos os canais de TV, na rádio, nos jornais. Portugal tem mais jornais diários de futebol do que o Brasil (a pátria de chuteiras), mais programas televisivos de futebol do que a Itália (onde se praticava o harpastum, um dos precursores do futebol) e mais comentadores de futebol do que o Reino Unido (que tem o campeonato nacional mais rentável financeiramente).
Mas o vínculo dos portugueses é principalmente com os clubes, não como o futebol. Se há duas décadas o futebol representava 36% de todos os atletas federados, actualmente essa percentagem é de 28%. Temos cada vez mais portugueses a praticar outras disciplinas desportivas, além do futebol. E mesmo o número de praticantes inscritos na FPF (cerca de 193 mil) é comparativamente inferior, per capita, a outros países que têm o futebol como desporto nacional, como Espanha ou França.
Eu não sou psicólogo, mas parece-me que há aqui matéria de estudo para Lacan. Vínculos acríticos e paixões cabais são geralmente sintomas de uma busca por sentido e reconhecimento. Criam-se elos simbióticos com elementos externos para preencher identidades desabitadas de autoestima. É como se um golo do Rafa Silva nos fizesse esquecer a falta de amor dos pais e se sentíssemos um frango do Oyisseas como uma rejeição que nos inflama o corpo de cólera.
Sem grandes feitos profissionais ou regozijos culturais, há uma geração de portugueses que só vive nos dias de jogo. São pessoas que não praticam futebol nem veem as partidas de outros países, mesmo quando têm claramente mais qualidade do que as do seu. O elo é, no fundo, com o clube e o clube só pode ser o Benfica, o Sporting ou o Porto. O tamanho dessas agremiações é perfeito. Se fossem planetárias, atraindo seguidores estrangeiros com quem não partilhamos simetrias culturais, a nossa identificação seria diluída. A dependência é mais fácil de se estabelecer quando existe um certo caseirismo, uma ideia de exclusividade. O clube é só meu e de outros iguais a mim.
Por outro lado, não são pequenos clubes municipais. A renúncia da nossa autonomia emocional é mais fácil de atingir com terceiros que têm características maiores do que nós, despertando o orgulho e o sentimento de conquista. É o que os psicólogos chamam de auto expansão.
E é nestas insatisfações que as televisões bicam oportunidades. A síndrome clubista pelos "três grandes" é afiada como um machado que corta clubes mais pequenos e outras modalidades desportivas. Nos média, tudo gravita em torno desses três clubes, criando-se relações emaranhadas, com interesses comerciais a sobreporem-se ao desporto.
Para comentar os jogos de futebol, as televisões não contratam especialistas na modalidade. Quem tem a minha idade, lembra-se de ver os jornalistas Rui Tovar (1948-2014), Artur Agostinho (1920-2011), Ribeiro Cristóvão ou Gabriel Alves a fazerem comentários mais criativos e eficientes do que os dribles dos atletas da bola.
Mas os comentadores de hoje, subtraindo os jornalistas da casa e os ex-jogadores, são quase todos artistas de circo. São cuspidores de fogo e de polémicas para soltar o olhar arregalado do público, são animais amestrados pelos clubes que os engordam em troca de lealdade, são mágicos anões que usam truques para agigantar a sua popularidade.
Entre os comentadores há, ou houve, ex-vereadores municipais, ex-presidentes de câmara, ex-ministros, vários deputados e actuais presidentes de partidos políticos. Discutem jogos de futebol como mendicância política. André Ventura é fruto deste pecado original. Rejeitado pelos eleitores de Loures, ressuscitou como político a comentar os jogos do Benfica numa televisão. Com a conivência do clube e do canal.
Quando se escrever a história da extrema-direita em Portugal, haverá um capítulo sobre programas de futebol na televisão."
Este futebol sem alma é como o silêncio e uma parede vazia
"Sábado, 14h30, dérbi do Ruhr.
Há algo de involuntariamente simbólico nisto de o regresso do futebol ter ocorrido no campeonato e no estádio com melhores assistências do futebol mundial.
À hora marcada, a Bundesliga voltou, justamente com a sua maior rivalidade em campo.
Em vez de vibrarmos com os mais de 80 mil adeptos que fazem do Westfalenstadion um caldeirão efervescente de emoções, contemplámos o vazio
Die Gelbe Wand como que sublinhava da forma mais imponente possível como tudo é diferente. Mesmo sabendo que as portas estariam fechadas, impressiona olhar aquela monumental bancada agora despida de gente.
«Depois da pandemia, nada vai ser como dantes», disseram-nos. Ora, no relvado, Haaland continua a revelar-se um prodígio goleador, houve uma exibição notável do português Raphael Guerreiro e o Dortmund goleou o Schalke, que da pior forma fez jus ao seu 04.
Houve comprimentos com os cotovelos em vez de abraços. Mas a isso habituamo-nos. Difícil é o silêncio. Aquele maldito silêncio que nos permite ouvir o som da chuteira a tocar na bola.
Há algo de involuntariamente simbólico nesta separação forçada entre gente que canta nas bancadas «You’ll Never Walk Alone» e a sua equipa. Aquela bendita equipa que no final cumpriu a tradição, agradecendo para uma bancada repleta de ausentes.
Westfalen é mais do que betão e ferro forjados no coração industrial da Alemanha. É um estádio tão especial que viveu durante décadas sobre uma bomba de 250 quilos lançada pela Royal Air Force durante a II Guerra Mundial e que só viria a ser descoberta e detonada em 2015, em vésperas precisamente de um Dortmund-Schalke.
Apesar do lamento, é inquestionável esta necessidade de jogar sem adeptos, por uma questão de saúde pública.
A reflexão é sobre a absoluta importância daqueles que nada ganham em termos financeiros a troco de uma impagável recompensa emocional. Aqueles que vão ao estádio e que são tidos por vezes quase como descartáveis num futebol cada vez mais mercantilista, virado para as grandes audiências globais.
Esses, que estão no estádio, não são figurantes. São, sim, a essência do futebol, a par dos protagonistas. E o espectáculo tornado indústria precisa desesperadamente de todos para voltar a ser o que foi.
Não critico, só constato: este novo futebol sem adeptos é cerveja morta, é descafeinado em vez de café.
Talvez por efeito da novidade, neste fim-de-semana, oferecendo um espectáculo incomparavelmente mais pobre, a Bundesliga teve o dobro das habituais assistências televisivas na Alemanha. Aliás, essa necessidade legítima de salvar financeiramente o negócio é a força motriz deste retorno do futebol.
Convivamos com o mal menor. Sejamos pragmáticos. O óptimo é inimigo do bom. É melhor este futebol sem alma do que futebol nenhum.
Ainda assim, isto não é bem um regresso.
O futebol só estará de volta quando não houver silêncio e uma parede vazia."
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