Últimas indefectivações

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

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Xistra merecia uma 'medalha', nem que fosse só pelo esforço !!!

Tudo normal...

Videoárbitro outra vez! Vamos por partes

"Ontem, cheguei a casa após ter feito os comentários em directo e pós jogo do Sporting-Desp.Aves e, ao ligar a televisão e feito um zapping por todos os canais que tinham programas desportivos, cheguei à conclusão que o Conselho de Arbitragem e a Federação Portuguesa de Portugal têm de tomar medidas urgentes no sentido de esclarecer e clarificar uma coisa tão simples como o que diz o protocolo do videoárbitro (VAR) e quais os procedimentos, limitações, intervenção, funcionamento e comunicação entre VAR e árbitro e vice-versa. É que não só todos os comentadores que ouvi estão equivocados nos procedimentos e modus operandi do sistema como também são os treinadores que nas conferências de imprensa estão completamente a leste do que realmente acontece aquando há um possível penálti ou outro lance que esteja inserido nos quatro momentos de intervenção do VAR. Mas vamos então por partes.
O primeiro equívoco é que todos pensam que sempre que há, por exemplo, um possível penálti o VAR deveria ver o lance e comunicar com o árbitro no sentido de lhe dizer, "olha, há aqui um lance de possível penálti, como tal vai ver as imagens para tirares as dúvidas e decidires se mantens ou alteras a decisão". Ora, isto não funciona assim, este não é o procedimento protocolar.
Imaginemos um lance de possível penálti, como foi o caso ocorrido no jogo Sporting-Desp. Aves, ao minuto 45'+3', em que Coates pode ter cometido infracção sobre Amilton. O VAR viu e reviu as imagens e só tinha duas hipóteses de procedimento: se tinha a certeza absoluta de que era penálti dizia ao árbitro isso mesmo, é penálti. Nesse caso, o juiz ia ao monitor confirmar se era ou não (uma vez que estava a ser contrariado na sua decisão inicial). Se o VAR não tinha a certeza absoluta, manda seguir o jogo caso o mesmo esteja interrompido ou nada diz se o jogo estiver em movimento. Neste caso específico, podemos não concordar com o procedimento mas é assim que funciona, é assim que está no protocolo.
Portanto, de uma vez por todas percebam, independentemente de concordarem ou não, que o protocolo usa dois adjectivos para dizer que o VAR só pode intervir - e consequentemente levar o árbitro a ir consultar as imagens ao monitor, quando tiver a certeza absoluta que há um erro “Claro” e “Óbvio” por parte do árbitro.
Ora, tendo em conta os casos ocorridos neste domingo, em Alvalade, nos quatro possíveis penáltis que existiram (minuto 15, Bruno Gaspar sobre Nildo Petrolina; minuto 36, Vitor Costa sobre Diaby; minuto 45'+3', Coates sobre Amilton; minuto 90'+1', Ponk sobre Coates) o procedimento do VAR foi sempre o mesmo, ou seja, em todos foi ver e rever as imagens. Em três deles acabou por achar que não era penálti ou por não ter a certeza de que houve um erro claro e óbvio. Por isso, nada disse ao árbitro e só no lance do minuto 36, por ter a certeza de que a decisão inicial era errada e por considerar clara e inequívoca a infracção cometida por Vítor Costa sobre Diaby, é que disse pelo intercomunicador que era penálti e com este procedimento levou, de acordo com o protocolo, o árbitro a ir ver ao monitor o lance.
Em conclusão, e dado o momento conturbado que se vive em torno do VAR, proponho quatro medidas urgentes que deveriam ser tomadas:
Primeira, o Conselho de Arbitragem promover uma conferência de imprensa para, até com base neste jogo Sporting-Desp. Aves e tendo como referência os lances que aqui descrevo, clarificar de forma didáctica todos os procedimentos que foram tomados ou deveriam ter sido tomados, explicando de forma clara o que o protocolo permite ou não fazer e como isso tem consequências nos procedimentos. Ia mais longe ainda e, nesta mesma intervenção, mostrava os áudios das conversas que existiram para não haver qualquer dúvida do que foi dito e falado entre VAR e árbitro nestes mesmos lances.
Segundo, ir de novo aos clubes e marcar uma sessão de esclarecimento com os seus treinadores, jogadores e dirigentes, tal como já fizeram no início de época.
Terceiro, pôr o filme da FIFA sobre videoárbitro a passar nos ecrãs dos estádios antes dos jogos e nos intervalos dos mesmos.
Quarto, aproveitar o protocolo que existe e já que o mesmo não permite que o VAR, em caso de dúvida, diga ao árbitro para ir ver o lance ao monitor, fazer o caminho contrário - que esse sim é permitido - e ser o árbitro que, em lances de dúvida e na área, possa pedir ao VAR as imagens para ele mesmo ir ver no monitor."

O futebol é stress, ansiedade e emoções. O que não pode haver, de todo, é rebaldaria

"O futebol é um espectáculo esmiuçado e revisto à lupa e, para Duarte Gomes, não pode ser "um 'bar aberto' para a azeitice, para pulos histéricos e para impropérios feios, gritados aos sete ventos, como se alguém estivesse a ser esfaqueado aos olhos de todo o mundo"

Termina hoje, com o importante Feirense-Marítimo, a jornada 12 da Liga NOS.
Os primeiros cinco classificados venceram as suas partidas, colocando em campo o seu favoritivismo teórico.
No duelo de Guimarães - entre Vitória SC (5º) e Rio Ave (6º) - rezam as crónicas ter havido um verdadeiro hino ao futebol. As imagens que vimos, o número de golos marcados e a emoção sentida até ao apito final valeram o preço do bilhete de quem se deslocou ao D. Afonso Henriques.
Nuno Almeida, experiente árbitro algarvio, assinalou três pontapés de penálti na etapa inicial. Todos indiscutíveis, todos bem decididos, todos resultaram em golo.
Convém sublinhar as coisas boas, porque elas acontecem com mais frequência do que tanto se apregoa.
Dos duelos em que estiveram envolvidos FC Porto, Benfica e Sporting, algumas ilações a tirar. Ilações que pretendem, como sempre, lançar uma reflexão mais atenta, um olhar construtivo sobre o que toda a gente percebe não estar bem.
A primeira vai para o comportamento de alguns elementos dos bancos técnicos.
Estive quase vinte anos no futebol profissional. Sei, tão bem quanto muita gente, o que custa lidar com stress, ansiedade e emoções em catadupa.
É difícil. Muito difícil. E é difícil para jogadores, árbitros e técnicos.
Há e deve haver sempre um largo espaço de tolerância para reacções mais efusivas e intempestivas, que o contexto do jogo ou do marcador o justifiquem. Esse espaço deve ser dado por quem ajuiza, com sensatez, amplitude e critério.
O que não pode haver, de todo, é rebaldaria.
É "bar aberto" para a azeitice, para pulos histéricos e para impropérios feios, gritados aos sete ventos, como se alguém estivesse a ser esfaqueado aos olhos de todo o mundo.
O futebol é um espectáculo visto e revisto, à lupa. Ao frame. Ao mais detalhado dos slow motions. 
Não deve haver aí margem para folclore. São artes diferentes, para palcos bem distintos. O que as imagens insistem em mostrar a quem paga para ver bola... roça o ridículo. Dá vergonha alheia.
É importante que as pessoas que têm a responsabilidade - sim, a responsabilidade - de se sentarem num banco técnico, percebam os seus limites. As balizas das suas reacções.
Percebam, sobretudo, o impacto que as suas atitudes têm como exemplo para muitos.
Há, no futebol não profissional e no futebol distrital, quem siga idêntica linha, porque "a malta lá de cima também faz e não se passa nada". Isso é péssimo.
Um médico é um médico. Um fisioterapeuta é um fisioterapeuta. E um delegado ao jogo é um delegado ao jogo.
Deixem para os treinadores as dores de erros e acertos e, por favor, cumpram com as funções que vos estão adstritas, mas com classe. Com nível. Com dimensão humana.
Acreditem quando vos digo... o espectáculo que todos vemos é grotesco e não vos fica bem. Porque os senhores, eu sei, são pessoas de bem.
Segundo ponto: há, cada vez mais, uma diferença enorme entre as decisões que os árbitros tomam em campo e a expectativa exterior que existe em torno dessas opções.
O VAR está para o adepto comum como um pastel de nata está para uma refeição de dez pessoas. Parece curto. Muito curto.
O balanço entre o que o protocolo impõe e aquilo que o futebol espera que imponha está desnivelado. E esse é um assunto que merece atenção.
Se a introdução de uma ferramenta torna-se um foco de problemas, de ruído ou dispersão, se calhar há algo não está a correr como se pretendia.
Isso pode acontecer, faz parte, sobretudo quando se verificam mudanças tão estruturantes. Agora quando acontecem, há que ter a sensatez de ouvir o que anda todo a gente a dizer.
Se, na nossa estrada, todos parecem vir em sentido contrário, o mais certo é que o caminho que estamos a escolher não será o mais indicado. O que há a fazer? Encostar, rever estratégia e tomar o rumo certo.
Avançando.
Podíamos agora passar para os lances. Os mesmos que já foram falados, exaustivamente, nas últimas 48 horas.
Mas falemos apenas daqueles que o podem ajudar a perceber melhor o jogo e as suas regras:
- Acuña (Sporting) viu, bem, o segundo amarelo, ao derrubar Rúben Oliveira, porque cortou ataque prometedor. Não viu o vermelho directo porque Coates estava em clara posição de fazer o dobra, caso não tivesse havido infracção;
- Vítor Costa estava sempre a olhar para a bola e não teve intenção de fazer falta sobre Diaby, mas fez. E aquele pontapé não precisava de ser deliberado para ser punido.
Foi imprudente, ou seja, o defesa avense não teve o cuidado que devia na sua abordagem. Uma vez que tentou jogar a bola quando cortou esse ataque prometedor, não viu (e bem) o segundo amarelo. Agora é assim, de acordo com recente alteração na lei quanto a despenalizações disciplinares nalguns tipos de situações.
- Felipe (FC Porto) fez falta para penálti. O central quis tocar na bola, mas foi surpreendido pela mudança de direcção do adversário e acabou por tocar no pé daquele, derrubando-o. O lance foi evidente para 9 em cada 10 pessoas, mas os VAR têm recomendações para não se meter neste tipo de "contactos".
Lá está: a diferença entre as exigências teóricas e a expectativa que o senso comum emana são gritantes. Não deviam.
- Marega foi carregado (e bem carregado) na área adversária, por Possignolo, pouco depois de ter rematado, com perigo, à baliza da equipa algarvia. A entrada, negligente (ao estilo de atropelo), devia ter valido o castigo máximo.
Lance algo atípico, porque o foco estaria na bola e podia ser interpretado como "choque posterior inevitável", mas não foi. Não foi de todo.
- Do jogo de Setúbal, um comentário numérico: 43.
Quarenta e três faltas assinaladas, faltinhas por punir, interrupções para assistência médica, demora nas reposições e recomeços, tempo perdido em substituições, meios e meiinhos em torno do árbitro, pequenas e grandes confusões.
Na verdade... houve jogo em Setúbal?
Feio. Desnecessário. E ofensivo para quem paga bilhete e pay per view.
Nem vale a pena apontar o dedo para aqui ou para ali. Quando isto acontece, árbitros, jogadores e (até) técnicos têm boa dose de responsabilidade.
Façam alguma coisa, meus senhores. Não há Liga que evolua assim."


PS: A rebaldaria que o colunista adverte, advém do facto do próprio colunista ignorar nesta crónica que 3 dos 4 golos dos Corruptos nesta jornada, foram obtidos de forma 'irregular' e de só dar atenção ao suposto penalty sobre o Marega, para 'equilibrar' com o peanlty claríssimo que ficou por marcar contra os Corruptos...; e quando cobardemente afirma que no jogo do Bonfim não 'vale a pena apontar o dedo para aqui ou para ali' confirma o estatuto de falta de carácter!!!

Sugestões para animar o futebol

"A discussão sobre o futebol propriamente dito já quase desapareceu. Só ocupa uma pequena parte dos debates televisivos

Como se sabe, os programas desportivos tomaram conta de todos os serões televisivos dos canais de informação. A TVI24, a SIC Notícias, a RTP3, a CMTV dedicam os horários nobres da noite à transmissão de infindáveis debates sobre futebol.
Uma novidade relativamente recente são as discussões à volta dos dirigentes e dos “casos” envolvendo os clubes. O Benfica tem estado especialmente na berra com os casos dos emails e e-toupeira; o Sporting esteve recentemente em enorme destaque com as diabruras de Bruno de Carvalho e o assalto a Alcochete; e o FC Porto, que deu o pontapé de saída para estas discussões à volta do futebol, com o caso Apito Dourado, permite-se hoje dar lições de moral aos adversários.
E depois são as intermináveis discussões sobre as arbitragens, com os lances discutidos à lupa (chegam a fazer--se ampliações gigantes dos bicos das botas dos jogadores!), “replicando-se” mesmo o videoárbitro, com a colaboração de árbitros reformados que analisam as decisões dos colegas. Uma loucura!
A discussão sobre o futebol propriamente dito já quase desapareceu. Só ocupa uma pequena parte dos debates televisivos. O grosso da discussão é sobre a nebulosa de gente que gira à volta do campo de jogo e sobre as arbitragens.
Neste panorama, julgo que a Liga de Futebol deveria fazer um esforço para recentrar a discussão sobre o próprio jogo. Sobre o que se passa dentro do campo. Sobre os jogadores, sobre as jogadas, sobre os golos. É nesse sentido que faço algumas sugestões. A Liga já elege o futebolista do ano e o futebolista do mês. E julgo que também o jogador revelação do ano e o do mês. Tal como acontece nas competições da UEFA.
Mas que tal a liga começar a eleger o futebolista da jornada? E o golo da jornada? E a defesa da jornada? E, já agora, o onze ideal do mês (pois o onze da jornada banalizaria o tema)? E o golo do mês? E a defesa do mês? E, no fim da época futebolística, escolher-se-iam o golo do ano, a defesa do ano, o onze do ano.
E estas eleições deveriam ser alargadas, de modo a serem muito participadas, envolvendo jornalistas e comentadores – o que faria com que fossem objecto de debate nos programas desportivos. Mostrar-se-iam os golos, as defesas, as performances dos jogadores – e tudo isso seria debatido e analisado.
Já não digo abrir as votações ao público pois, aí, o factor clubismo adulteraria as coisas. Os adeptos dos grandes clubes interviriam maciçamente, falseando os resultados.
De qualquer modo, o envolvimento de muita gente nestas diversas eleições levaria a centrar mais a atenção dentro do campo, no jogo e nos seus protagonistas, roubando espaço aos cansativos debates sobre casos e mais casos – que exacerbam os ânimos, estimulam o conflito e, no limite, levam à morte do futebol, ao desviarem as atenções do jogo."

Monge da Silva e o treino desportivo

"“Já saio pouco de casa!” tal é o seu estribilho exclamativo e sorridente, quando o convidam “para ir aqui ou acolá”. Tem 71 anos de idade, é professor aposentado da Escola Secundária de Camões e, há trinta e quarenta anos, corporizava um “dogma” aceite por quem fazia ou ensinava desporto: “o Monge da Silva é o português que mais sabe de treino desportivo”.
Trabalhou, com êxito. no S.L. Benfica (onde foi campeão nacional, conquistou 2 Taças de Portugal e a Supertaça) no Portimonense e noutras equipas primodivisionárias. Leccionou, no INEF (Instituto Nacional de Educação Física) as disciplinas de “Fisiologia I e II” e “Teoria de Jogos e Desportos”; e, no ISEF (Instituto Superior de Educação Física) as disciplinas de “Teoria do Treino” e de “Metodologia do Treino”. E, com uma complacência, que é virtude muito sua, apiedava-se dos que o procuravam, vindos de Lisboa e doutras cidades do País, ávidos do seu saber e da sua tranquila generosidade. É de salientar ainda que trabalhou, sempre como metodólogo do treino, com um saber surpreendente, “in illo tempore”, em várias selecções nacionais, chegando a campeão mundial de seniores e europeu de juniores, na modalidade de hóquei em patins. Um currículo a merecer franco aplauso! Sem favor! Beneficia de uma inesgotável memória. Uma tarde, depois de escutar-me uma crítica vivaz, entremeada de uma anedota, ao positivismo (ou ao fisiologismo) de alguns treinos que eu observara no Estádio do Restelo, recitou-me, de cór, a definição de Educação Física, que aprendera na aula de “Ginástica Teórica” do Doutor Celestino Marques-Pereira: “A Educação Física é um aspecto da educação integral que, através de uma processologia específica, baseada no movimento humano, cientificamente organizado, visa contribuir para o aperfeiçoamento e desenvolvimento, por igual expresso, das capacidades globais hereditárias do ser humano, no sentido de uma mais ampla, profunda e completa integração do indivíduo e da sociedade”. E terminou, emocionado e grato e com o ar grave de quem está a fazer uma afirmação convicta: “Era um professor com nível verdadeiramente universitário. Admirava-o bastante!. Parecia um neurofisiologista afamado”. Não sendo médico, o Doutor Celestino era, com toda a certeza, um fisiologista e um frequentador assíduo dos melhores livros desta área do conhecimento.
Hoje, no treino, já impera um paradigma sistémico. Edgar Morin, na esteira de Von Bertalanffy, define o sistema como “um conjunto de unidades em inter-relações mútuas”. E aprofunda esta definição, quando concebe o sistema como “unidade global organizada de inter-relações entre elementos, ações ou indivíduos”. A grande novidade da noção de sistema reside na ideia de totalidade que faz do sistema um todo organizado, cuja explicação deverá procurar-se na sua natureza sistémica ou organizacional. Assim, “o sistema que resulta da disposição das partes é mais do que a adição ou a simples justaposição de um conjunto de partes. É o produto das interacções entre as partes, as quais, posicionando as partes no seio de um todo, transformam as partes em partes de um todo. Aparecem assim qualidades novas e inéditas, qualidades não isoláveis do todo, irredutíveis às qualidades e propriedades dos componentes. A estas qualidades chamam-se emergências” (Robin Fortin, Pensar com Edgar Morin, Instituto Piaget, Lisboa, 2014, p. 54). É o que acontece, com Messi e já aconteceu com Ronaldo, quando jogam nas selecções nacionais dos seus países e que são vivamente criticadas por comentadores televisivos e doutros órgãos da Comunicação Social que, com ar sisudo, algo conselheiral, os recriminam pelo “desinteresse” que manifestam (dizem eles), sempre que envergam as camisolas das equipas representativas, respectivamente, da Argentina e de Portugal. O Dr. Monge da Silva inteiriçou a figura e, com galhardia na voz, declamou: “É que tanto Messi como o Ronaldo são elementos doutras totalidades, que são os clubes onde jogam habitualmente”. E acentuou: “Eles são elementos doutras totalidades, que não são as selecções nacionais dos seus países”. E murmurou, por fim: “Mas, para chegar rapidamente a esta conclusão, é preciso estudar mais do que futebol. E, de facto, o Edgar Morin é um dos autores indicados”.
Monge da Silva (digo-o sem qualquer receio): já foi, em Portugal (e não será ainda, hoje?) a coluna mestra da teorização do treino desportivo. E teorização, de facto, que nascia de um profissional que nele (no treino) tão denodadamente trabalhou. E repetia, feliz, a sua costumada frase: “Para mim, uma teoria, sem prática, para nada serve”. E, simpático, ainda me perguntou: “Você tem uma frase que quer dizer isto mesmo…”. Respondi-lhe, imediatamente: “A prática é mais importante do que a teoria e a teoria só tem valor, se for a teoria de uma determinada prática”. A teoria, por si só, não transforma. A transformação acontece, quando a teoria é materializada na prática. A transformação não é um plano, um projecto, uma ideia, mas um trabalho que, objectivamente, transforma a própria realidade. E Monge da Silva, com a alma no olhar e no sorriso fresco, continuou: “Que a prática não é teoria, é realidade inquestionável que se observa, no treino desportivo. Há rapaziada, recém-licenciada, que teoriza primorosamente o treino desportivo, e não sabe liderar uma equipa profissional desportiva. É que o trabalho do treinador, como prática, não se resume a um trabalho ideológico, espiritual, especulativo. O treino tem, principalmente, uma dimensão histórica, objectiva, material”. De facto, eu não fujo ao que diz o Monge da Silva, natureza rica, múltipla e variada, com indiscutível papel de relevo, no desenvolvimento do Desporto, em Portugal: a teoria não é prática, mas uma actividade que perspectiva e antecipa uma nova prática e portanto, em determinados momentos, não dispensa e supõe uma revolução ao nível das mentalidades. A prática está no princípio da teoria mas, porque toda a teoria representa uma opção, uma escolha, sem teoria a prática não nos diz, com manifesta nitidez, nem quem é, nem a que vem. Já com o “Sapere aude” (ousa saber) de Kant, a teoria é bem mais do que um apêndice da prática…
Voltei a questionar o Monge da Silva: “O que é, para o meu Amigo, o treino?”. E ele: “ É um método de aproximação à realidade humana e material, que constitui o Desporto, e à sua complexidade”. E prosseguiu, sempre apoiado na sua prodigiosa memória e no seu coração magnânimo: “Quando o Manuel Sérgio começou a ensinar que o desporto era mais do que desporto, fundamentado no conceito de totalidade da escola hegelo-marxista, apontou uma realidade que a toda a hora se verifica no Desporto, a começar no treino”. Aqui, interrompi o Monge da Silva, para referir: “De facto, o meu conceito de totalidade radica na escola hegelo-marxista, mas não escondo que um dos meus mestres é também o Padre Teilhard de Chardin que produziu uma frase maravilhosa, cientificamente fundamentada, que eu não esqueço nunca: A matéria destila espírito, ou seja, não há matéria sem espírito, nem espírito sem matéria. Quero dizer-lhe, a propósito, que considero Teilhard de Chardin um dos predecessores de ILya Prigogine, de Gaston Bachelard, de Edgar Morin e alguns mais, quero eu dizer: todos aqueles que perceberam, logo durante os princípios do século passado, que tudo é complexo”. Monge da Silva continuou: “Por isso, no treino, não há soluções-pronto-a-vestir, nem métodos-pronto-a-vestir. Prefiro a sua periodização antropológica e táctica à periodização táctica de que tanto se fala. É que são os jogadores, que vou treinar, que me determinam as características do treino que vou liderar”. Não tenho qualquer receio em salientar que, antes de Monge da Silva, no nosso país, os parâmetros do treino eram observados e estudados, isoladamente, cartesianamente. E foi a sua informação exaustiva, o seu estudo incessante que dele me aproximou. Foi o Monge da Silva que, em plena década de 70, me ensinou o que era o treino desportivo. Com José Maria Pedroto, Artur Jorge, Fernando Vaz, José Mourinho, Jorge Jesus. Já no campo da Gestão do Desporto não escondo o que aprendi com o Prof. Gustavo Pires. Tive, de facto, bons mestres. Raras vezes, a eloquência do orador e a eloquência do professor se encontram reunidas na mesma pessoa. Mas estes, de Desporto, muito me ensinaram. Por amor à Verdade o digo. Contra ventos e marés."

Genética v. Ambiente: onde investir?

"O percurso para o sucesso desportivo não é igual em todos atletas. Investigação recente demonstra que a excelência é um produto da interacção entre genes e meio ambiente, podendo existir diferentes caminhos para alcançar o mesmo nível de performance. Assim, o meio cultural é um dos factores que influencia o desenvolvimento físico, motor e mental de um atleta. Por exemplo, um dos pontos comuns dos jogadores brasileiros e o facto de terem praticado futebol na rua desde a infância e, com isso, enfrentarem diferentes condições físicas de jogo, gerando várias situações que conduziam a diferentes respostas e a aprendizagem de novas habilidades motoras. E que factores podem explicar estes fenómenos? Serão factores económico-financeiros? Costumes e hábitos que passaram de geração em geração? Influencia do ambiente familiar sobre os filhos?
Fábio Coentrão e Cristiano Ronaldo nasceram num meio humilde e pobre e transformaram-se em jogadores de elite. Também no atletismo os irmãos Castro têm percursos semelhantes: são provenientes de uma família humilde de agricultores, tornaram-se em atletas de topo no Sporting Clube de Portugal, estando praticamente equiparados nas características físicas e no número de títulos. Coloca-se então a questão qual da componente, genética ou social, teve mais ou menos participação no resultado da performance do atleta?
Relativamente à genética, estudos que compararam atletas de diferentes etnias (europeus v japoneses), demonstram que as diferenças nas estruturas musculares das pernas podem explicar a aptidão natural para as corridas de fundo. Neste caso, os genes podem ter maior responsabilidade relativamente na produção de gestos físico-motores de elevada qualidade.
No entanto, a hipótese contrária também será questionável? Será que as condições do envolvimento poderão ter repercussões no património genético de cada individuo? Proporcionar diferentes contextos de prática, poderá ser uma estratégia no que diz respeito ao processo de aprendizagem, que pode, inclusive, conduzir a` perícia através do “repetir sem repetição”, fazendo parte de um estilo de vida e não de uma imposição de um determinado comportamento. Esta expressão, conjugada com outras condições, poderá ser a chave para o triunfo a vários níveis, quer em termos de saúde e desportivos como familiar e profissional."

Benfiquismo (MXXX)

Patrão...

Do Bonfim ao VAR

"O VAR é uma conquista irreversível do futebol contemporâneo. Mas sabemos, também, que o VAR é tecnologia, por ora, interpretada por humanos

1. Ontem no Bonfim o Benfica de Rui Vitória venceu, com um grande espírito colectivo, um Vitória de Setúbal bem organizado e muito lutador. Foi um jogo duro, bem agressivo, com assumidas picardias principalmente de alguns jogadores do Vitória de Setúbal. Com o lindo golo de Jonas o Benfica, este Benfica, conquistou três importantes pontos que reforçam o legítimo sonho da reconquista. O Benfica, este Benfica, mereceu ganhar. Foi um jogo sofrido para um Benfica em recuperação anímica e que põe de parte o lado artístico e evidencia, e bem, a primazia do resultado. São três importantes vitórias consecutivas. Agora segue-se um jogo que vale acima de tudo para a tesouraria. É a despedida da Liga dos Campeões face ao AEK e importa que esta embalagem de vitórias continue. E se reforce. Com a certeza que para o Benfica, e para os benfiquistas, é determinante, a todos os níveis, um Dezembro totalmente vitorioso. É determinante mesmo.

2. Bem sabemos que errar é humano. Não ignoramos que, muitas vezes, mais humano é atribuir o erro aos outros. Como a busca permanente da tia solteira para nos redimir das faltas ou nos atribuir uma verba extraordinária! E eu que fui criado por duas tias solteiras sei bem dessa fascinante situação! Mas o que está a acontecer em certas não decisões do VAR é bem perturbante. E não me falem de protocolos. É, tão só, bom senso. Puro. E duro. Assumamos que o VAR é uma conquista irreversível do futebol contemporâneo. Mas sabemos, também, que o VAR é tecnologia, por ora, interpretada por humanos. E o VAR, o nosso VAR, implica, na sua construção e na sua avaliação, coragem. Diria que nas actuais circunstâncias do futebol português acrescida coragem. Sem Var seria coragem extrema. Com VAR é coragem. Coragem individual e não coragem corporativa. Já que esta não é coragem. É submissão. O que está para além da essência do futebol. Sabemos com Thomas Fuller que «algumas pessoas foram consideradas corajosas porque tinham medo de fugir». Mas também lemos que só «quem tem coragem para enfrentar os perigos, vence-os antes que eles o ameacem». E é este o desafio do VAR, exclusivo ou não, em Portugal e na nossa Liga NOS. E importa que estes derradeiros jogos de 2018 não perturbem mais a coerência do VAR. E da possibilidade de existir uma latente não coragem em certas circunstâncias. É que, então, coragem e razão não combinam. O que é um perigo terrível. Mesmo! E esta é, mesmo, uma chamada de atenção para o nosso Conselho de Arbitragem!


3. (...)

4. (...)"

Fernando Seara, in A Bola

O VAR hesita se não saber de que clube é o cão

"Num jogo de uma divisão secundária da Argentina houve um cão que entrou em campo e acabou por salvar um golo quando uma bola que ia direita à baliza, estando o guarda-redes fora do lance, foi direitinha ao cão que passava em direcção à dita baliza, acabando por sair rolando pela linha de fundo. O vídeo desse lance inusitado foi um êxito tremendo no mundo online, vendo-se reproduzido nas redes sociais e também nos sites de informação desportiva e generalista. Vejam-no os que ainda não viram, porque é engraçado. O guarda-redes tinha a bola nas mãos e com a pressa de relançar o jogo para o campo do adversário avançou uns largos passos e executou tão atabalhoadamente o seu fortíssimo pontapé de baliza que acabou por acertar com a bola em cheio nas costas de um jogador da outra equipa produzindo-se um efeito de ricochete que encaminhou o esférico em direcção às redes desertas, coitado, nem teve tempo de voltar para trás. Foi nesse momento que o cão entrou em cena para salvar a honra do guarda-redes e para converter o jogador que levou com a bola nas costas no primeiro jogador do mundo a quem um cão roubou um golo.
Tudo isto para lembrar o jogo entre o Boavista e o FC do Porto. de domingo passado. Não o jogo propriamente dito, que não teve nada de anormal. Mais normal não poderia ter sido. Mas como decidiria o VAR do Bessa este lance do cão se houvesse VAR nos campeonatos secundários ou se, por absurdo, uma situação semelhante ocorresse num desafio do campeonato português, prova que já há mais de um ano dispõe de VAR?
É que não é fácil para um VAR responder a situação tão invulgar. Para aquela situação vulgaríssima de Brahimi com Rochinha, qualquer VAR cá dos nossos nem demora 2 segundo a chegar à decisão. "Fez falta?", pergunta o juiz de campo. "Nada segue", logo respondem da Cidade do futebol. E segue. O lance do cão na Argentina seria muito mais difícil de ajuizar."E agora o que é que eu faço? é reposição de bola para o guarda-redes?", pergunta o árbitro pelo intercomunicador. "Houve lá, de que clube é o cão?", quer saber o VAR, porque é sempre importante conhecer a cor das camisolas. "Sei lá", responde o juiz de campo já um bocadinho irritado. "Não sabendo de que clube é o cão, não sabemos o que decidir..." lamenta-se o VAR, que se remete a um prolongado silêncio. "Querem ver que esta porcaria se avariou outra vez?", desabafa o juiz de campo, receando uma falha tecnológica. depois de muita ponderação, o VAR lá dá a sua sentença com voz firme: "Nós aqui na Cidade do Futebol achamos que é penálti e cartão vermelho directo para o cão", esclarece o VAR. "Mas como vou expulsar o cão se o cão já saiu do campo?" protesta o juiz de campo e com razão, porque esta coisa do VAR já lhe parece abaixo de cão, com todo o respeito pelo cão, sejamos justos e compassivos com os pobres animais."

Leonor Pinhão, in Record

Vitória em Valongo...

Valongo 3 - 7 Benfica

Num pavilhão tradicionalmente muito complicado, acabámos por vencer com tranquilidade... e com a confirmação que o Ordoñez está totalmente integrado na equipa e a marcar...!!!

domingo, 9 de dezembro de 2018

No bom caminho...

Benfica 7 - 1 Braga

Primeira volta perfeita: 13 jogos, 13 vitórias, 39 pontos!!! Quem diria, na pré-época...
O Braga está de facto mais fraco, perdeu o 'título' de 3.ª equipa mais forte, mas mesmo assim, demonstrámos muita competência...

Vitória na Maia...

Castêlo da Maia 0 - 3 Benfica
23-25, 23-25, 20-25

Théo(14), Honoré(12), Winters(8), Zelão(5), Lopes(3), Wolfhi(3), Rapha(1), Pinheiro(1), Violas(1), Flip, Martins; Casas

Três pontos garantidos, em três set's competitivos, mas sempre a caírem para o nosso lado. O Castêlo parece mais fraco em relação ao 'normal', mas apesar da classificação, nos jogos com os 'grandes' deu sempre muita luta. Hoje foi a derrota mais pesada com os 'candidatos'! Por isso, somando a viagem à Grécia a meio da semana, mesmo sem ter sido um grande jogo, acaba por ser positiva a nossa prestação...!!!!

Catorze...

Ponte Frielas 0 - 14 Benfica


Nova goleada, mas desta vez ficámos por 'metade' em relação à 1.ª volta!!!

Até ao último suspiro

"Apesar da imensa alma sadina, o Benfica somou três pontos sofridos mas inteiramente justos

Uns solidários, outros também
1. Aos 30 minutos, após um canto a favor do Benfica, um rápido e profundo contra-ataque do Vitória foi cortado in extremis por Zivkovic e terminado o serviço defensivo por Jonas. Este momento revelava o espírito de conquista e solidariedade com que os encarnados abordavam este jogo e o momento mais conturbado que vivem. E se os da casa, entrando em campo a respirar saúde e motivação, fruto de um ciclo vitorioso, atacavam a partida com as armas que os caracterizam - autênticos guerreiros, fortes e individuais marcações no momento defensivo, jogo directo - referência Mendy - e assente nos seus vigorosos avançados no momento de agredir à baliza do Vlachodimos, com segunda vaga de médios e laterais a chegarem rápido às segundas bolas, e exploração máxima dos esquemas tácticos. Este era o retrato da equipa de Lito Vidigal, sempre disponível para os duelos individuais e agressiva na busca da bola, muito escondida pela superior qualidade técnica dos homens de Lisboa. O Benfica procurava um jogo de atrair os adversários e depois variar rapidamente o centro de jogo buscando criar desequilíbrios na forte e robusta estrutura defensiva sadina, e as marcações individuais encetadas por estes eram enganadas sempre que as movimentações constantes dos interiores do Benfica e as permutas promovidas por Grimaldo, Zivkovic e Gedson - principalmente estes - fintavam a filosofia defensiva idealizada pelo treinador da casa e criavam perigo no bloco defensivo contrário. Uma primeira parte pejada de faltas, principalmente pela dimensão física promovida pela equipa da casa, deixava pouco espaço para vistosas jogadas, e só um momento de inspiração do lado esquerdo do ataque dos forasteiros, concluída de forma superior pelo pistoleiro do costume, dava vantagem ao conjunto que naturalmente mais assumia o controlo do jogo e utilizava como método preferencial, para visar a baliza contrária, o ataque posicional, mais elaborado e ligado. O Vitória saía rápido em profundos movimentos de transição ofensiva sempre que conquistava a bola, e Mendy e Cádiz colocavam sempre as águias em sentido.

De não 'fechar' ao acreditar
2. Para a segunda parte, Lito entendeu que faltava algum perfume à sua equipa e um pouco mais de critério no momento de pensar o momento ofensivo, e para tal fez entrar Rúben Micael. A partida mantinha a toada da primeira parte, com os homens de Rui Vitória a serem donos da bola e a criarem algumas oportunidades para ampliar o marcador - Rafa era o principal perdulário -, mas o espírito bélico dos vitorianos não dava descanso a Jardel e seus parceiros e a incerteza persistia. O papel de íman de Jonas a pivotear todo o jogo ofensivo da sua equipa, baixando e pensando de forma superior esse momento, conferia qualidade e tempo ao ataque da sua equipa e dificultava a vida aos sadinos. Como o tempo escorregava e o resultado não se alterava - os desperdícios do Benfica não permitiam fechar o jogo - Rui Vitória e Lito procuravam através de mexidas a partir do banco trazer algo novo ao jogo. A entrada de Zequinha e o recuo de Éder Bessa davam um cariz mais ofensivo ao seu conjunto, e Gabriel e Seferovic eram as armas que Rui Vitória colocava em campo de batalha para explorar a exposição espacial concedido pelo empertigado Vitória e agredir com critério a profundidade. Era o novo desafio colocado ao dominador Benfica. O perigo espreitava com insistência a baliza de Vlachodimos - negou um golo a Cádiz - e a incerteza ganhava corpo e teimava ficar até ao fim. A impressão de que a entrada de Alfa Semedo (para garrotar as investidas alheias) pecava por tardia crescia à medida que o assalto final dos vitorianos se acentuava. Apesar da alma sadina ser imensa e inquebrantável, o Benfica manteve a vantagem e somou três pontos sofridos mas inteiramente justos, num jogo intenso apesar de nem sempre bem jogado."

Daúto Faquirá, in A Bola

Árbitros perdidos nas ondas do VAR

"O futebol português precisa de quem o pense. É urgente. De tanto ruído, de tanta algazarra, de tanta opinião inteligente e estúpida, de tanto opinador sensato e ridículo, de tanta guerra santa e demoníaca, os principais protagonistas do jogo, jogadores, antes de todos, mas também treinadores e árbitros já não sabem bem se estão num campo de futebol ou se estão num campo de batalha.
Há que ter um pouco de serenidade e de capacidade para nos distanciarmos dessa ordem unida que alguns nos querem impôr.
Fale-se, então, do jogo. As mais recentes notícias deram o campeonato português como a ovelha ranhosa da Europa. Uma desgraça no tempo efectivo de jogo, porque os árbitros não deixam jogar e apitam a todas as faltas e faltinhas. Vai daí, surge um Boavista - FC Porto e um V. Setúbal - Benfica e os árbitros, avisados e supostamente esclarecidos, deixaram jogar, mesmo quando a bola tinha por alcunha o canela. Porém, há, sempre, um problema de consciência e a incontrolável tentação de uma protecção do poder. Neste momento, ninguém tenha dúvidas, o poder volta a ser o FC Porto. Com o apoio daquela que é a equipa mais competente e mais competitiva no futebol nacional, é certo, mas não só. Poder efectivo, poder real, poder feito de uma grandeza sólida e coerente que não tem rival num Benfica fragilizado por um emaranhado de problemas judiciais e por uma comunicação errante, nem num Sporting, a regressar lentamente de uma crise dramática e com uma comunicação ausente. Não admira que os árbitros andem perdidos nas ondas do VAR, porque o farol é sempre o poder."

Vítor Serpa, in A Bola

PS: A forma como este Serpa relativiza a corrupção e a coação é extraordinária, vindo de um director de um jornal... nojento.

A resolução da ONU

"A 3 de Dezembro a Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) aprovou uma resolução intitulada O desporto como facilitador do desenvolvimento sustentável. O documento enfatiza a relação directa entre o desporto, o desenvolvimento e a paz. Desse modo, é feito o apelo aos estados-membros que usem o desporto como um elemento impulsionador para o desenvolvimento social e económico. Para tal, a resolução refere que os estados devem colaborar de perto com todas as partes envolvidas, entre elas, naturalmente, com as comunidades e instâncias desportivas.
A resolução dá ainda destaque à contribuição do desporto na promoção de uma sociedade tolerante, de respeito e também no desenvolvimento do papel das mulheres, dos jovens e das comunidades. Para além disso, é ainda dada relevância ao desporto no impacto positivo que tem na saúde, na educação, na inclusão social e na luta contra a corrupção.
Este tipo de resoluções emanadas da Assembleia Geral das Nações Unidas são usualmente caracterizadas como soft law, isto é, são documentos normativos que provêm de um sector de Direito Internacional, os quais não têm força vinculativa, ou têm uma força vinculativa muitíssimo reduzida.
Não obstante, não deixam de significar um compromisso entre os estados membros que procuram harmonizar entendimentos sobre determina matéria. São muitas vezes declarações de princípio, mas que nem por isso deixam de ter relevância. Esta resolução, em particular, é um claro sinal da importância e contributo efectivo que o desporto pode ter e dar para o desenvolvimento positivo e sustentável das comunidades, nas mais variadas áreas, desde a saúde à educação."

Marta Vieira da Cruz, in A Bola

Cadomblé do Vata

"1. Não vou dizer que o jogo foi mau, mas... as bolas que foram hoje utilizadas no Vitória - SLB nunca mais na vida vão ser redondas.
2. Pizzi viu um cartão amarelo... depois do Conceição ter colocado em causa o profissionalismo de uma equipa esta semana, estamos a 3 cartolinas amarelas do regresso de outro clássico do futebol nacional.
3. Os adeptos do Glórias parecem já ter feito as pazes com o treinador... quer dizer, estive 90 minutos a ouvir cânticos de "Vitória, Vitória, Vitória", portanto...
4. O departamento de futebol do SLB continua a mostrar que trabalha muito bem ao nível da adaptação dos atletas estrangeiros ao nosso pais... veja-se o caso de Odysseas que chegou há 6 meses e na segunda parte sai a uma bola a gritar "Odyyyy, Fodasse Caralhoo".
5. O futebol português está mesmo muito diferente daquele que conheci na juventude... reparem que não sou muito velho, mas ainda sou do tempo em que contra o SLB, um guarda redes podia jogar com as mãos fora da área impunemente."

Benfiquismo (MXXIX)

Grandes...