Últimas indefectivações

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

A benfiquista

"Por norma, o benfiquismo é associado a homens, a um estádio inteiro de machos xingando a sorte e uma certa senhora. Mas o verdadeiro macho alfa do benfiquismo é a benfiquista. Tenho conhecido adeptas que metem o meu fanatismo a um canto. Esta colecção de cromas gloriosas é vasta, mas julgo que devemos começar o inventário por aquelas eloquentes varinas do terceiro anel, senhoras que fazem questão de ensinar novas combinações de palavrões à minha mulher, matronas que empalariam os Super Dragões ao estilo do Pulp Fiction, cinquentonas que acham que o Youtube foi inventado para gravar coisas do Pinto da Costa. Um mimo.
E, de certa maneira, eu conheci as filhas destas varinas em chuteiras. Na escola, certas miúdas eram as maiores fanáticas. Se a maioria andava com recortes do Kurt Cobain ou do Michael Jackson, as garotas da bola, normalmente com cabelos oleosos e peles lunares, roubavam A Bola ao avô e recortavam a figura do João Vieira Pinto para colar nos cadernos pretos da Ambar. Eram tão benfiquistas que até iam ver os jogos dos juvenis nas tardes de sábado, embora eu conceda que estas incursões talvez fossem provocadas pelas hormonas e não pelo benfiquismo. Vinte anos depois, as paixões adolescentes pelos homens do Benfica continuam activas. Há dias, por exemplo, descobri que uma prima tinha uma fixação doentia pelo Fábio Coentrão. Fábio, o Justin Bieber das Caxinas.
Mas a minha benfiquista favorita é aquela executiva, advogada ou jornalista, uma lady na mesa, uma louca no estádio. Educada, letrada e com a dentição completa, esta benfiquista terminal perde o uso da razão. Ela é que é a verdadeira índia do Terceiro Anel. Durante o jogo, aliás, durante o dia do jogo, ela fica possuída pelo espírito de Cosme Damião e trata o sportinguismo ou o portismo do marido com aquele desprezo pós-coito da Viúva Negra.
Amém."

Que regressem as boas vitórias

"Não há vitórias morais num clube como o Benfica, mas a jogar como na Grécia estamos muito mais perto de conseguir vitórias reais. Campeonato e Taça de Portugal são provas para vencer, ter uma boa participação europeia também é exigível, mas são os títulos que nos fazem falta, aquilo que mais desejamos. 
Se bem conheço os adeptos do Benfica, o jogo de Atenas devolveu dez mil adeptos ao estádio, ao contrário de algumas vitórias pálidas que não deixaram ninguém eufórico.
Ganhar. Ganhar ao Sporting, porque não há alternativa a quem quer reconquistar a Taça, e depois continuar a ganhar nos jogos do campeonato. Uma boa exibição e uma vitória no sábado contra o rival e estavam afastadas quase todas as nuvens que pairaram sobre a luz.
No Campeonato estamos de novo a três pontos da liderança,o que por um lado nos aproxima do topo, por outra significa o regresso das arbitragens que nos tiraram de lá. Mesmo sem jogar bem, há que repeti-lo, sem erros de arbitragem, liderávamos o Campeonato com vantagem confortável.
Mas isso fica para as 'classificações da verdade' que vários órgãos de comunicação fazem, e nos quais todos são unânimes.
O Benfica só pode tratar da sua parte, de jogar bem, de chamar adeptos ao estádio e de vencer de forma repetida e convincente. Jogamos melhor em Atenas que em Coimbra, mas há quem só comente resultados e por isso nada se possa fazer.
Hulk mostrou mais ternura pelo FC Porto ao falhar o penalty, do que Roberto pelo Benfica com seis excelentes defesas. Razão tinham aqueles que diziam que Roberto era bom guarda-redes. Por oito milhões, hoje há quem pense que foi vendido muito barato.
De regresso às boas exibições... venham as boas vitórias. Amanhã desejo um bom jogo, uma bela vitória contra um grande rival."

Sílvio Cerva, in A Bola

O guarda Abel

"No final do jogo entre o Belenenses e o Futebol Clube do Porto, João Fonseca, jornalista da Rádio Renascença, terá sido agredido por Rui Cerqueira (na foto), director de comunicação do FCP. Vários camaradas seus foram testemunhas desta agressão, entre os quais um jornalista da TSF. Os repórteres procuravam ter reacções de Helton e Rui Cerqueira, que é ex-jornalista, decidiu intervir. O próprio garante que terá sido empurrado e agarrado depois de dar ordens para não haver declarações. Uma horda de jornalistas a bater num director de comunicação para conseguir declarações de jogadores. Já ouvi histórias mais credíveis, mas no futebol tudo é possível.
A acusação de agressão a jornalistas, seja por seguranças, seja por adeptos, seja por dirigentes, é um clássico em jogos em que o Porto esteja envolvido. Nunca se ouviu da boca de Pinto da Costa uma palavra de condenação. Achou sempre mais interessante fazer piadas. Quando uma vez foi confrontado com o tema, respondeu: “Vou montar um hospital lá nas Antas, porque com tantos feridos isso é capaz de ser um bom negócio”. Muitos risos. Não é grave. O Estado de Direito, já se sabe, fica à porta dos estádios.
Mas apesar de o “guarda Abel” ser um símbolo à memória da arbitrariedade e da impunidade no futebol, seria injusto ficar-me pela relação obviamente difícil que o Porto mantém com a liberdade de imprensa. Esse mal é bem mais abrangente. Não se mede apenas por situações mais radicais, como insultos e agressões. Vê-se nos blackouts, nas interdições selectivas de entrada de jornalistas em estádios e em intimidações várias. Por eles são responsáveis os dirigentes dos clubes e uma justiça permissiva. Mas também uma classe de jornalistas incapaz de mostrar laços de solidariedade, demasiado temerosa da popularidade dos dirigentes desportivos e, em alguns casos, promiscua na sua relação com os clubes. Não é preciso imaginar o escândalo que seria se um qualquer jornalista fosse agredido por um dirigente partidário. O movimento de solidariedade entre jornalistas que tal provocaria... Pois está na altura de os jornalistas desportivos se verem como merecedores do mesmo respeito. Boicotando colectivamente, se preciso for, qualquer clube que ponha em causa a sua segurança."

Cardozo em ascensão em duelo sul-americano

"O futebol é um jogo colectivo, pelo que no final da cada competição o que mais interessa é saber quem a venceu. Contudo, os desempenhos individuais são igualmente valorizados, nomeadamente no que se refere à lista dos marcadores. Ser o goleador-mor em qualquer prova de relevo é uma distinção que todos os avançados (e não só) ambicionam, mesmo tendo noção que esses galardões têm mais valor quando associados às conquistas da equipa.
Em Portugal, a menos que aconteça algo de verdadeiramente inesperado nas próximas semanas/meses, o título de melhor marcador da actual edição da Liga vai ser discutido entre sul-americanos. E se os brasileiros Derley (Marítimo) e Evandro (Estoril) surgem, de momento, bem colocados, poucos serão os que não apostam num despique mais reduzido, envolvendo apenas dois colombianos e um paraguaio ou, dito por outras palavras, as referências ofensivas dos três grandes.
Fredy Montero, dianteiro que o Sporting resgatou à MLS norte-americana, tem sido o grande protagonista do primeiro terço da Liga, aparecendo como melhor marcador, com nove remates certeiros em igual número de partidas. Contudo, o avançado leonino vai numa inédita sequência de dois encontros sem marcar. Não são muitos jogos em branco, bem pelo contrário, mas há quem diga que Montero é mesmo assim: começa sempre bem e depois vai perdendo fulgor. Será?
Também em seca há duas partidas está o compatriota Jackson Martínez, depois de ter começado a Liga em alta ao facturar nos primeiros cinco compromissos. O dianteiro que o FC Porto elegeu para fazer esquecer o também colombiano Radamel Falcão, estreou-se a época passada em Portugal logo como melhor marcador (26 golos) e agora soma sete “tiros”, pelo que totaliza 33 golos em 39 jogos na prova.
Mas em franca inspiração, por agora, está o benfiquista Óscar Cardozo. O paraguaio – que chegou ao nosso país em 2007 – demorou a encontrar os caminhos das balizas esta temporada, mas tal como Jorge Jesus havia prognosticado ainda com o pupilo a zeros... não parou desde que acertou o primeiro remate. Em Coimbra, para além de ter aberto o caminho ao triunfo das águias, Tacuara cumpriu o quinto jogo seguido na Liga a marcar (antes festejara diante de V. Guimarães, Belenenses, Estoril e Nacional). Será que está suficientemente embalado para pôr em causa o seu recorde de sete jogos seguidos a marcar no Campeonato Nacional? Veremos... Para que tal suceda, o avançado que há uns meses esteve com pé e meio fora da Luz necessita de manter a eficácia na recepção ao Sp. Braga, na deslocação a Vila do Conde e no encontro caseiro com o Arouca.
Goleador de créditos firmados, apesar de não ser um futebolista muito consensual em Portugal ou no Paraguai, Cardozo já marcou 108 vezes na Liga, em 167 partidas, das quais 111 terminaram com a vitória do Benfica, 36 resultaram em empates e 20 em desaires. Nas seis épocas anteriores, o avançado oscilou entre um mínimo de 12 golos e um máximo de 26 na Liga. Agora, só ainda tem 5, mas faltam disputar... 21 encontros!"

Um Roberto nunca vem só

"Jesus continua a receber os louros pela contratação de Roberto na época 10/11. Infelizmente, para o treinador do Benfica, esta prova chega no pior momento possível, quando o Guarda redes espanhol se encontra ao serviço do Olympiacos, adversário do Benfica neste grupo da Liga dos Campeões.
Ontem defendeu tudo o que parecia impossível. Depois de na primeira mão, na Luz, ter oferecido o empate com um frango típico, no jogo realizado na Grécia defendeu, defendeu, defendeu e defendeu. O ataque benfiquista fez de tudo mas no momento da finalização acabou por ser travado por um Roberto inspirado e visivelmente concentrado, consciente do erro cometido em Lisboa.
Mas, colocando de lado o histórico de Roberto, um bom Guarda Redes também pode ser batido.
Do lado encarnado, onde reinam os “estrangeiros” Rúben Amorim brilhou com uma série de assistências desperdiçadas pelo atacante sérvio Markovic. Por uma boa oposição de Roberto, nalguns casos, mas também por pouca eficácia e convicção na hora decisiva.
Recuperando a história da nota artística, o Benfica de ontem na Grécia foi talvez o melhor desta temporada, mas não evitou a derrota por 1-0. Jogar bem e não marcar de pouco adianta a uma equipa que precisa de pontuar para chegar à fase seguinte da liga milionária.
Roberto é o herói da noite, para contrariar a sua prestação na passagem pelo Benfica, e ontem parecia estar acompanhado na baliza. Pela sombra, por um qualquer Deus grego ou simplesmente pela sorte. Jesus sonha, Roberto nega e a Luz fica com menos brilho."

A Liga vai nua

"Mário Figueiredo foi eleito há um ano e meio para a liderança da Liga Portuguesa de Futebol Profissional contra o “regime” que há décadas vigorava. Era um homem contrapoder e por isso foi tão bem recebido fora desse poder vigente como mal recebido dentro dele. Era uma espécie de António Marinho e Pinto do futebol, que vinha pôr em causa os interesses instalados. O saldo arrisca-se a ser um enorme fracasso. Ou pelo menos uma desilusão.
A convocatória de uma assembleia geral extraordinária da Liga para o destituir, proposta por 14 clubes, é um sério embate na sua liderança, que pode ruir aos pés dos clubes que o querem destituir. Figueiredo afirmou-se como um homem que vinha proteger os clubes mais fracos da supremacia financeira (e não só) dos mais fortes, abrindo guerra não só contra clubes como o Futebol Clube do Porto e o Sporting de Braga (que agora fazem parte, para não dizer que lideram, o movimento que o quer derrubar), mas também contra a inexpugnável Olivedesportos de Joaquim Oliveira.
Ora o grande ataque que lhe está a ser feito é precisamente quanto à sua capacidade de gestão. Quanto à capacidade não apenas de distribuir mas sobretudo de gerar receitas. Só um contramovimento de clubes de futebol poderia demonstrar a sua força: que aqueles que ele prometeu defender se sentem defendidos.
Ainda é cedo para perceber o que vai acontecer. Mas fica claro que para enfrentar poderosos não basta ser sério e corajoso. É preciso ter qualidades, méritos, ser bom. É esse o ponto que aqueles que querem derrubar Mário Figueiredo estão a atacar.

PS: A exibição de Roberto esta semana contra o Benfica foi um espectáculo monumental em si mesmo. E foi uma óbvia vingança de um guarda-redes que foi ridicularizado no nosso país, onde passa (ou passava) por “frangueiro”.
O Benfica merecia ter marcado, pois massacrou a baliza do adversário. Mas, ao mesmo tempo, Roberto merece um aplauso de pé pelo espectáculo de futebol que nos ofereceu e pela prova de superação que demonstrou ser possível."

Silêncio e hipocrisia

" «Silêncio e hipocrisia sobre incidentes do Dragão» escrevia Miguel Sousa Tavares no jornal “A Bola” do dia 05 de Novembro. Descontando a fina ironia que é começar um texto plagiando uma expressão de Sousa Tavares, considero, tal como o escriba citado, que o silêncio e a hipocrisia são recorrentes na forma como se abordam “incidentes” no futebol português.
Assim, o que dizer sobre a hipocrisia que está encerrada no silêncio acerca do comportamento do director de comunicação do FCP no passado fim-de-semana, no Restelo? Ouvi claramente, na Antena 1, um jornalista relatar que viu o referido comunicador do Porto a pontapear um outro jornalista. Em seguida, ficou o silêncio conivente de uns e a voz envergonhada de outros. Chamar “incidentes” às agressões é silêncio ou hipocrisia?
E como se caracteriza o silêncio que se impôs a quem garantia – antes de repensar as garantias – que vira responsáveis do clube do guarda Abel a agredir um delegado da Liga, em Setúbal?
E o silêncio acerca da violência de que foi vítima o jornalista Valdemar Duarte (à época estava ao serviço da TVI) enquanto trabalhava no Dragão?
Quando todos os jornalistas se calam, que nome se dá a isso? E os comunicadores, cronistas e afins que tanto se esforçam por silenciar toda e qualquer referência às escutas do Apito Dourado presentes no youtube e que agora falam de silêncios?
Em que sílaba da palavra “hipocrisia” cabem as palavras dos escribas que agora se queixam de silêncios? 
Lembro-me de uma vez ter ouvido o saudoso Jorge Perestrelo perguntar, em directo, na rádio, se os jornalistas “fariam parte de uma classe de merda ou de uma merda de classe” (‘ipsis verbis’). Em seguida ficou o silêncio, mas a hipocrisia ficou afastada do discurso."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

Menino André...

Do Pavilhão aos relvados

"1. No passado sábado, a nossa equipa de Hóquei em Patins viveu mais um momento histórico, ao vencer, pela segunda vez, a Taça Continental. Em pouco mais de três anos, Hóquei 'encarnado' conquistou oito troféus, quatro deles internacionais. A jóia da coroa foi, naturalmente, o triunfo no Dragão, que valeu uma inédita Liga dos Campeões, à qual a comunicação social nunca chegou a dar o devido destaque, preferindo então explorar até à náusea o alegado caso-Cardozo, ocorrido uma semana antes - sinal de uma confrangedora cultura desportiva, e de um sistema mediático que prefere remexer no lixo do que brindar a glória.
Agora, perante os nossos olhos, com nota artística elevada e números eloquentes, o Benfica voltou a festejar, e a mostrar que, com arbitragens isentas, é uma das melhores equipas do Mundo na modalidade. Apenas um pequeno reparo: é pena que a estas grandes conquistas não tenha ficado associada a tradicional camisola vermelha. As fotos ficariam muito mais bonitas.

2. Escrevo antes do jogo de Atenas. Espero que tudo tenha corrida bem, e, pelo menos, estejamos em posição de discutir o apuramento nas duas jornadas que restam. Como diz Jorge Jesus, na Champions, em qualquer partida, estamos sempre tão perto de ganhar como de perder. Uma vitória seria o ideal, mas um empate pode não ser totalmente negativo. A esta hora, o leitor já saberá.

3. Amanhã disputa-se mais um dérbi lisboeta, prato sempre apetecível para os adeptos do Futebol. Jogando em casa, teremos de assumir o favoritismo, embora sabendo que, neste tipo de jogo, a surpresa pode esperar-nos ao virar de qualquer esquina. Afinal de contas, Taça é Taça, e ainda em Maio passado nos confrontámos com essa verdade inelutável. A época futebolística não nos tem corrido de feição. O nosso rival, pelo contrário, está em alta. Juntando as situações, temos uma igualdade pontual na tabela classificativa. Agora, um dos dois terá necessariamente de ficar de fora. É altura de puxarmos dos galões, e mostrarmos quem é o melhor."

Luís Fialho, in O Benfica

Jornada positiva

"1. Vitória clara, segura e sem grandes problemas em Coimbra numa jornada que acabou por ser positiva, face ao empate do FC Porto no Restelo (com mais um penálti contra não marcado...). A nossa equipa não fez uma exibição brilhante - longe disso - mas foi coesa, segura e... pôde reservar-se para o jogo na Grécia (ainda não disputado quando escrevo esta crónica).
Entretanto, o Sporting ganhou, em casa, face a um Marítimo que soma derrotas, por escassos 3-2, sempre com o credo na boca, mas, a avaliar pelas capas dos jornais, a equipa foi a heroína da jornada... O que não significa que não nos tenhamos que acautelar no jogo de amanhã da Taça de portugal, para mais disputado na ressaca de uma porventura decisiva jornada europeia.

2. O rigor histórico do Museu do FC Porto (que julgo ter comemorado há dias o seu 13.º aniversário...) continua bem visível. Para além da (falsa) data da fundação do clube, agora o Correio da Manhã descobriu que também a foto da visita ao Papa foi 'retocada', dela desaparecendo a ex-companheira do presidente do clube, Carolina Salgado, entretanto tornada pessoa a abater e substituída no 'cargo' por uma jovem brasileira. Em vez de Carolina aparece e cara de um padre que também lá esteve mas em lugar 'não fotografável'. Enfim, jogadas e imitar antigas ditaduras.

3. Curiosamente, em matéria de rigor histórico, parece ter surgido agora em Braga um grupo de sócios do clube local a querer imitar o FC Porto. Descobriram que, sete anos antes da fundação do SC Braga, em 1921, apareceu um grupo com o mesmo nome. E vá de aproveitar e tentar comemorar o 100.º aniversário já em 2014. Como se os verdadeiros fundadores do clube estivessem distraídos e tivessem fundado um clube já existente. Ridículo...

4. O Diário de Notícias (curiosamente nenhum dos 'desportivos'...) descobriu que os 'assuntos particulares' que mantinham Fucile longe dos treinos do FC Porto eram, afinal, uma violenta altercação com o treinador. E os de Izmailov, o que serão?"

Arons de Carvalho, in O Benfica

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Cá por casa não há nada destas coisas

"A Liga dos Campeões produziu fenómenos: Roberto no papel de superguarda-redes e Hulh a marcar 'penalties' em jeito terão sido os expoentes máximos da originalidade.

DO ponto de vista do mercantilismo puro, a derrota do Benfica em Atenas terá sido de grande utilidade porque permitiu valorizar exponencialmente um activo do clube, o guarda-redes Roberto Jiménez que, com uma exibição sensacional, segurou o resultado tangencial de 1-0 a favor dos gregos.
Com este resultado, o Olimpiakos ficou bem lançado para a fase seguinte da Liga dos Campeões e o Benfica, por sua vez, ficou também muito bem lançado para a fase seguinte da Liga Europa, competição mais calhada para a sua valia actual. Desde que a UEFA inventou a Liga Europa, o Benfica já foi uma vez semi-finalista e uma vez finalista vencido.
Com espírito de missão, cabe-nos a todos, benfiquistas, elogiar até mais não a exibição de Roberto e a sua meia-dúzia de defesas incríveis, só não tão incríveis quanto a fulgurante aselhice dos nossos avançados na cara do espanhol. Há noites assim. Esperamos agora que, no próximo sábado, os avançados do Benfica, sejam eles quem forem, acertem com a bola na baliza do adversário em vez de acertarem em cheio no bom do Rui Patrício.

PRIMEIRO em Coimbra e depois em Atenas, o Benfica deu um arzinho da sua graça no que respeita à produção do jogo. Em Coimbra juntou-se o bom resultado à mais do que aceitável exibição. Em Atenas, foi bem melhor a exibição do que o resultado. Fraco consolo, é verdade.
Rúben Amorim brilhou em Coimbra porque foi dele o bonito passe para o ainda mais bonito golo de Markovic. Na Grécia, Amorim fez os noventa minutos num nível muito acima da média a que nos vinha habituando. Ruben Amorim é português, é nosso, temos de lhe dar moral.

DESDE que está no Benfica que Cardozo tem sido a besta negra do Sporting. No entanto, o paraguaio lesionou-se anteontem no jogo da Liga dos Campeões e deverá falhar o jogo de depois de amanhã com o Sporting para a Taça de Portugal.
Cardozo sempre dividiu opiniões entre os benfiquistas. Depois do incidente com Jorge Jesus no Jamor ainda mais ficaram divididas as opiniões.
Portanto, é assim: quem exigiu a saída de Cardozo depois da final do Jamor, abstenha-se de lastimar a ausência do nosso goleador no clássico de sábado; quem embirra com o Cardozo desde o primeiro minuto, abstenha-se também.
Os demais podem ficar chateados à vontade por o paraguaio ficar de fora contra o Sporting.

MÁS notícias chegaram no princípio da semana para a selecção portuguesa. Nem Fábio Coentrão nem João Pereira vão estar em condições de ser utilizados por Paulo Bento nos dois jogos com a Suécia. Normalmente, são eles os laterais cativos na equipa nacional. Agora, nem um nem outro.
Também não é caso para nos deitarmos todos a chorar por causa disso. Até porque, sem que ninguém o esperasse, recebemos recentemente um grande reforço, enorme, poderoso.
Joseph Blatter. Claro está. Saiba Paulo Bento, em benefício do seu grupo, capitalizar em ânimo e em adrenalina suplementares a manifestação do presidente da FIFA quando lhe foi sugerido escolher entre Lionel Messi e Cristiano Ronaldo.
Queremos eliminar a Suécia, ou não queremos? Queremos, pois! Vá então de fazer do episódio Blatter um concentrado anímico. Para que a equipa portuguesa entre em campo cheia de vontade de vingar o seu capitão da ofensa de que terá sido vítima.
Se queremos ir ao Mundial do Brasil não podemos deixar morrer o caso Blatter. Se, por acaso, não formos ao Brasil concluiremos todos de que o futebol é um mundo de vigaristas e de corruptos.
Mas só o mundo do futebol lá de fora, obviamente. Os estrangeiros, os aldrabões dos estrangeiros. Cá por casa não há nada destas coisas.

A imprensa vem apontando o nome de Rui Pedro Soares, presidente da SAD do Belenenses, como o eleito pelos clubes que recentemente se insurgiram contra Mário Figueiredo para lhe suceder na presidência da Liga.
Não é meu propósito fazer-lhe a biografia em meia dúzia de linhas numa coluna semanal de opinião. É-me totalmente indiferente que o «menino de ouro de Sócrates», como recentemente lhe chamou Octávio Ribeiro, seja dragão de ouro ou de prata, ou mesmo de bronze. Muito menos me interessa a forma, cem por cento legítima como decidiram os tribunais, que terá arranjado para, a troco de um pequeno-almoço totalmente grátis, garantir o apoio de Luís Figo numa qualquer campanha eleitoral.
Também o facto de Rui Pedro Soares ter o apoio da maioria dos clubes da I Liga não me diz nada. Não obstante, a ser verdade, trata-se de uma situação que até diz muito.
Diz muito sobre o país, de uma maneira geral, e sobre o futebol, de uma maneira particular.
Mas a mim, não me diz nada.
Em todo este cenário politiqueiro em torno da presidência da Liga de Clubes, o que verdadeiramente desperta a minha curiosidade, e gera até alguma apreensão, é a posição que o meu clube, o SLB, irá tomar sobre este assunto.
Aguardemos com a maior serenidade.

O Ministério Público determinou que se arquivasse o caso do incêndio de uma bancada do Estádio da Luz por insuficiência de provas para a identificação dos autores. Que pena.
Continuam, portanto, à solta e habilitados a entrar em estádios de futebol os meliantes incendiários de 2011, tal como continuam usufruindo de iguais benesses os meliantes que, há semana e meia, irromperam pela área circundante ao Estádio do Dragão distribuindo fruta aos transeuntes – fruta, aqui, é mesmo uma figura de estilo – como se não houvesse Estado de Direito em Portugal.
Pelo andar da carruagem – outra figura de estilo -, é de temer que as gaiolas de protecção, como a que existe no Estádio da Luz, sirvam um dia destes para proteger uma minoria de público pacífico contra a maioria dos meliantes que tomarão conta da quase totalidade das bancadas.
Chamem-lhe ficção científica, chamem…

TAMBÉM Pelé prestou esta semana um valioso serviço à nossa selecção. Instado a pronunciar-se sobre o despique luso-argentino para a Bola de Ouro, saiu-se com um lapso de todo o tamanho chamando Cristiano «Leonardo» ao nosso compatriota.
Mais um suplemento anímico para os jogos com a Suécia, ouviste Cristiano Leonardo? Mostra lá ao xexé ex-melhor jogador do mundo quem és tu.

A Roma empatou com o Torino. Ora aqui está uma boa notícia. Já ia a Roma numa série de 10 jogos seguidos a vencer no campeonato italiano e o velho recorde do Benfica de Jimmy Hagan – 29 vitórias consecutivas no campeonato português – parecia estar a ser desafiado.
Em Turim, os romanos marcaram primeiro mas, aos 63 minutos, Cerci fez o golo dos donos da casa e acabou-se logo ali a brincadeira.
Jimmy Hagan foi um treinador inglês contratado pelo presidente Borges Coutinho no início da década de 70. Ganhou três campeonatos. A história da sua chegada à Luz é bastante curiosa. Borges Coutinho entendeu que era altura de o Benfica ter um treinador inglês e contactou a Federação Inglesa pedindo-lhes uma sugestão para o cargo. Os ingleses avançaram com o nome de Hagan e Hagan avançou para Lisboa. Em boa hora. 

ESTA jornada da Liga dos Campeões produziu os seus fenómenos. Roberto no papel de super-guarda-redes e Hulk a marcar penaltis em jeito terão sido, provavelmente, os expoentes máximos da originalidade na terça e na quarta-feira, respectivamente."

Leonor Pinhão, in A Bola

Roberto (-5) - Olympiakos 1

"O Benfica fez, no Pireu, o melhor jogo até agora. Mas perdeu. É assim o futebol com a magia da (in)justiça e com a (i)lógica da imprevisibilidade.
O jogo foi um cachalote de paradoxos. A melhor exibição e o pior resultado (ou o mais difícil de reverter). Pela primeira vez, o Benfica libertou-se dos fantasmas de Maio passado para, no fim, sair agrilhoado pela ditadura do resultado. O que se esperava exibicionalmente da equipa no Estádio da Luz aconteceu na deprimida Grécia, ao invés da equipa grega que fez na Luz o que foi incapaz de repetir perante os seus frenético adeptos. Cá o Benfica empata quando merecia perder e lá, mesmo que tivesse empatado, seria ainda assim uma derrota perante o que fez. E, por fim, a suprema ironia de Roberto ter salvado a sua equipa de uma goleada à moda antiga. Tal como, a seguir ao jogo, um amigo me escreveu num sms: «É sina nossa perder por causa do Roberto.» Pois é, ele garante sempre pontos. O problema é que são algébricos. Pontos positivos (pelas notáveis defesas ou frangos) ou negativos (pelos fantásticos frangos e defesas). Ou vice-versa.
Não sei de tudo isto é apenas azar recorrente ou se traduz algo mais. Na alta-roda do futebol não pode haver distracções fulminantes ou desperdícios em overdose.
Agora há que tirar proveito do lado positivo. O Benfica parece ter sido resgatado da penumbra exibicional e da letargia anímica e a Liga Europa (ainda não assegurada) será desportivamente mais uma boa oportunidade. Sem Roberto e robertos.
P.S. Um esloveno apitou como deve ser. Sem mariquices que por cá se vêem ao menos encosto ou batota consentida."

Bagão Félix, in A Bola

Tragédia grega?

"Foi ou não foi? Uma fatalidade em Atenas pode ter hipotecado a prossecução dos objectivos do Benfica na Liga dos Campeões. Ainda faltam duas partidas, torna-se imperativo vencer, qualquer outro resultado é funestamente irrevogável.
Que Benfica foi este? O melhor da temporada, por paradoxal que pareça. Bem a defender (com a única excepção do imprevisto golo sofrido), superior na intermediária, desequilibrante nas alas, criativo na ofensiva. Ainda carácter, atitude, vontade. Quantas oportunidades foram esbanjadas? Mais de uma mão cheia com a suprema ironia do controverso Roberto ter assinado portentosa exibição.
A Champions está mais longe, a Liga Europa mais perto, ainda que as contas permaneçam em aberto. Outras conclusões? A crise emocional também está mais longe, o verdadeiro Benfica está mais perto. Depois de uma derrota, ademais num jogo quase decisório. Sem tirar nem pôr.
Não há vitórias morais? Há, pelo menos, derrotas prenunciadoras de triunfos, de bons desempenhos, de argumentos superlativos. Com que importância? Desde logo, na antecâmara do embate frente ao Sporting, decisivo para a caminhada na Taça de Portugal, também na iminente recepção ao Braga, importante para alimentar expectativas na Liga nacional.
Atenas confirmou essa assombrosa apetência lusa para o desastre. Vale Benfica, vale Selecção, valem outros emblemas. Felizmente, valeu também um Benfica com saúde. Saúde bastante para transformar uma derrota injusta em próximos triunfos justos. Para conferir saúde anímica (e justiça) a uma massa adepta sedenta de alacridades."

João Malheiro, in O Benfica

Resultado falso como Judas

"Roberto (quem diria!) garantiu o triunfo dos gregos.
Um Benfica endiabrado fez, ontem, no Pireu (Grécia), a melhor exibição da época, metendo no bolso o seu adversário. Contudo, os deuses estiveram do lado do Olympiakos, melhor dizendo, de Roberto, o bem conhecido guardião espanhol, que, na Luz, onde também jogou, não deixou grandes saudades. Pois agora, o rapaz redimiu-se e foi só o homem do jogo. Uma amarga ironia que pode ter determinado o afastamento dos encarnados da fase seguinte da Champions League.
Para o confronto, Jorge Jesus fez alterações nos três sectores em relação ao último jogo de Coimbra, onde o Benfica subscreveu enredo oposto: vitória e actuação morna. Na defesa, Sílvio surgiu na tão discutida lateral-esquerda, com Amorim e Markovic também titulares. As mudanças resultaram em pleno. A equipa da Luz começou bem e, desta vez, não alterou o ritmo e disposição, mantendo alta nota até final.
Quando Manolas (13'), na sequência de um canto, marcou aquele que viria a ser o golo solitário - aproveitando-se de um erro de marcação no eixo da defensiva encarnada - já o Benfica tinha desperdiçado duas grandes ocasiões para se adiantar no marcador. Cardozo e Markovic viram as suas tentativas anuladas pela determinação e acerto de Roberto, tão brilhante na função quanto passiva foi a atitude da restante retaguarda grega.
Mas o Benfica estava irresistível e, para lá dessas oportunidades mais flagrantes, o jogo ofensivo era quase exclusivo da formação encarnada, com Gaitán e Enzo no apoio constante às acções ofensivas e Rúben Amorim a salientar-se nas assistências para os homens mais adiantados. Estivesse Markovic mais decidido e certeiro e o assunto poderia ter tido outro encaminhamento.
Na 2ª parte, o Olympiakos tratou de defender a vantagem e quase não se viu lá na frente, tendo o herói da Luz, Mitroglou, passado praticamente despercebido. Não só por culpa da dupla Luisão-Garay, mas também porque o jogo, por especial interferência de Matic, raramente "esticou" até aí. A acção apenas se desenvolveu no meio-campo da equipa da casa, que viu Roberto negar o golo por mais quatro vezes aos dianteiros contrários.
Denunciando também uma capacidade física notável, o Benfica revelava uma superioridade manifesta, com Maxi e Sílvio bem adiantados nos corredores, dando força a um miolo, também ele dinâmico e muito forte na circulação e recuperação de bola, daí partindo para os lances de ataque, que, como já se disse, causaram sempre grande aflição à defesa do Olympiakos.
Jorge Jesus, que talvez tivesse em mente colocar Lima ao lado de Cardozo para o assalto final, viu-se obrigado a rever os planos, face à lesão do paraguaio. Lima passou de provável "co-equipier" a homem mais avançado, entrando, depois, Djuricic - outra excelente aposta - e, a seguir, Ivan Cavaleiro, já que a ordem era atacar.
E foi o que o Benfica fez, encostando às cordas o seu opositor. Mas a sorte não esteve com a equipa. Roberto fez questão de realizar o jogo da sua vida, de dentes bem cerrados, como que a vingar a infeliz época da Luz, que, por acaso, até teve breve reedição no jogo de há quinze dias, com aquele brinde que ditou o 1-1 final. Agora, porém, o "portero" ressarciu-se e, pode dizer-se, sozinho garantiu o triunfo. Que peca por exagerado. Ou, se quisermos pôr as coisas noutros termos, uma derrota que um Benfica inconformado não merecia mesmo nada."

A "final" de Roberto

"Já estamos habituados a que um jogador, num determinado contexto, resolva uma partida de futebol. Porque marca golos só possíveis pela sua capacidade técnica, porque constrói lances magistrais que outros concluem, porque teve um momento de génio que destruiu a oposição do adversário. O que já não é muito comum é um guarda-redes garantir uma vitória porque ele - e só ele - impediu que o antagonista marcasse. Numa daquelas ironias que apenas o destino reserva, foi isto que Roberto fez ao Benfica. Na melhor exibição da época, a equipa da Luz foi "traída" pelo seu ex-jogador.
Aos cinco minutos, Cardozo faz um óptimo remate e Roberto assina uma grande defesa. Aos oito, Markovic isola-se e Roberto assina outra grande defesa. Poder-se-ia interpretar este arranque dos encarnados como o indicador de que a equipa portuguesa estava decidida a atacar o Olympiacos em força e a tentar, tão cedo quanto possível, chegar à vantagem. Verdade inquestionável. Aquilo que não se imaginava é que estávamos igualmente no início de uma actuação magistral do guarda-redes espanhol, numa daquelas noites em que nada, absolutamente nada, passava por ele.
Jesus, desta vez, montou a equipa com Matic, Enzo e Rúben Amorim no meio campo, algo que tinha veladamente testado no recente jogo de Coimbra (e até antes, com o Nacional), mas que agora assumiu como prioridade. Com Gaitan e Markovic como "braços" de Cardozo, o Benfica surgiu muito mais equilibrado. Aliás, o papel de Amorim foi crucial a recuperar bolas e a distribuir jogo, o que ajudou a potenciar muita coisa, como a inegável capacidade técnica de Markovic. Além de que o corredor Silvio/Gaitan esteve particularmente activo.
A nódoa - neste caso, fatal - surgiu à passagem do minuto 13. No único remate digno desse nome que o Olympiacos fez à baliza de Artur, marcou. Um erro incompreensível numa Liga dos Campeões, numa deficiente marcação zonal num canto. Não faltará quem argumente que tal não seria preocupante se o Benfica tivesse aproveitado alguma das sete (!) flagrantes hipóteses que teve para concretizar. O problema é que a alta competição não vive de "ses" e o grau de eficácia dos gregos foi devastador : cem por cento. Já o das águias, pese embora a superior actuação de Roberto, dá que pensar.
Mas nem assim os encarnados abalaram. Em plena segunda parte, Jesus deparou-se com a lesão de Cardozo e foi obrigado a lançar Lima, trocou o esgotado Markovic por Djurucic e, à entrada do último quarto de hora, abdica de Amorim para tentar agitar as alas com Ivan Cavaleiro. Honra lhe seja feita, o Benfica apostou tudo o que podia - e devia - e manteve a cadência ofensiva. O Olympiacos estava unicamente interessado em "agarrar" a magra vantagem, e assim se manteve até final confiando nas suas linhas e...em Roberto.
No entanto, a maior interrogação que fica do jogo de Atenas é o que fará Jorge Jesus a partir de agora. Definiu uma estratégia específica para uma partida concreta ou mudou mesmo a "cara" da equipa? Por exemplo, já no próximo desafio com o Sporting, é esta a estrutura que prevalece (falta saber se há Cardozo)?
O facto é que o Benfica jogou futebol como ainda não tinha conseguido esta época, dominou - e controlou - os pontos nevrálgicos e criou oportunidades de golo numa quantidade como há muito não se via. Além de que, frise-se, o meio campo apresentou uma consistência muito superior à média vigente desde o início da temporada. Certo que tudo esbarrou em Roberto, mas uma exibição destas de um guarda-redes será sempre a excepção, nunca a regra.
Deixei propositadamente para o fim o efeito prático do resultado no Pireu. O destino na Champions, salvo algum milagre, está traçado. O Benfica precisaria de uma conjugação de factores quase inverosímeis para evitar o desvio para a Liga Europa, sendo que não controla boa parte deles.
E é aqui que nos vem à memória o discurso sinuoso do treinador. Tão depressa os jogos com os gregos iam decidir o segundo classificado, como as partidas já não eram decisivas. Até o desafio de Atenas não podia ser encarado como uma final. Pois, mas somente se o Benfica não perdesse."

As "ofensas" a Ronaldo

"Ouvi ou li que, quando Ronaldo e Quaresma alinhavam na equipa de juniores, o treinador achava que não deviam jogar os dois – e, em geral, o escolhido era Quaresma. Este facto, visto à luz de hoje, é extraordinário sobre o caminho que os jogadores fazem entre o aparecimento nos seus clubes e a afirmação no mundo do futebol. Hoje Ronaldo está nos píncaros e Quaresma quase desapareceu.
A explicação para isto é que Ronaldo teve uma evolução sempre no sentido da objectividade, enquanto Quaresma fez a evolução contrária. Ronaldo ganhou corpo, cresceu no jogo aéreo, aperfeiçoou-se na desmarcação, melhorou no remate com os dois pés – e transformou-se numa “máquina de fazer golos”. Sendo teoricamente extremo, está sempre a aparecer na área. Também já quase não faz fintas, e concentra o máximo de energia na finalização. Toda a sua acção em campo é orientada para o objectivo do golo.
Ora Quaresma, desgraçadamente, caminhou no sentido oposto. Pouco evoluiu fisicamente, complicou o seu futebol, enreda-se em fintas e quezílias que lhe retiram o fôlego para outras acções, perdeu a objectividade. 
Por falar em Ronaldo, não posso deixar passar em claro o ridículo coro de protestos em torno das declarações do Sr. Blatter. Este disse coisas banais – que Messi era o filho que os pais gostariam de ter (e fez o gesto de aninhar uma criança no colo) e Ronaldo um comandante em campo (e levantou-se e marchou). Não vi nestas declarações (mesmo nas referências ao cabeleireiro) qualquer ofensa. Pelo contrário, considerei as caricaturas ajustadas às personagens e apreciei o sentido de humor do homem. Além disso, as pessoas devem perceber que Ronaldo não precisa que o defendam. Atingiu uma notoriedade planetária. Não somos nós que vamos vingar o seu “orgulho ferido”.
Uma palavra final para o Benfica (que jogou ontem) e o FC Porto (que joga hoje). Todos sabemos as nuvens que pairavam sobre a equipa encarnada, e que a exibição de luxo em Atenas veio de algum modo desanuviar, apesar da derrota. Vimos uma equipa ao nível do melhor Benfica da era Jesus. Quanto ao Porto, recorde-se que a saída de Vítor Pereira ficou decidida após a derrota em Málaga, no ano passado."

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Boa ressaca !!!

Benfica 9 - 1 Carvalhos

Começamos a perder, e por momentos até parecia que a equipa estava ainda de ressaca, da vitória Europeia do último sábado!!! O Carvalhos teve inclusive a oportunidade de marcar o 2.º, de penalty, mas o Trabal defendeu... a partir daí, o Benfica acordou, e começou a marcar... Marcou 9, e podia ter marcado mais... Mais uma vez falhámos dois penalty's e um Livre Directo!!! 0% de aproveitamento, nas bolas 'paradas'!!! Hoje, não foram necessárias, mas haverá jogos onde falhar estas oportunidades, poderá ser fatal...
Na 1.ª época do Coy no Benfica, as expectativas eram altas... o rendimento foi no geral fraco, sendo que na Final 4 da Liga Europeia, esteve muito bem... pessoalmente acho mesmo que foi decisivo na Final histórica. Neste início de época, temos visto um Coy muito activo, e concretizador... espero que seja mesmo a época de afirmação do Coy no Benfica. Afinal o melhor marcador da Liga Espanhola em 2011/2012 tem que ser uma mais valia no Benfica...

4.ª jornada - UEFA Youth League

Olympiakos 0 - 1 Benfica

Não serve de vingança... mas não deixa ser agradável, saber que os nossos miúdos, no mesmo relvado de ontem à noite, venceram os Gregos, com um golo do Guedes... No Seixal tinha ficado 0-0, após muitas oportunidades falhadas do nosso lado, mas hoje aos 70 minutos, finalmente a bola entrou...
A qualificação está praticamente garantida, - o 1.º lugar está mesmo muito bem encaminhado -, mas recordo que é essencial ficar em 1.º, já que nos Oitavos-de-final (o sorteio será os 1.ºs contra os 2.ºs), a eliminatória terá só um jogo, e será jogado no campo do 1.º classificado... Portanto na próxima jornada, em Bruxelas, temos que ganhar, e não deixar a disputa do 1.º lugar para a última jornada no Seixal, contra o PSG... que será sempre perigoso!!!
Recordo que vários jogadores desta equipa, são Juniores de 1.º ano, começando pelo Guedes - Romário, André Ferreira, João Lima, Hildeberto, Gilson... -, e portanto vão poder jogar esta competição na próxima época...

PS: No Qatar, as nossas equipas de Iniciados B, Infantis A e Infantis B, tiveram em competição em torneios particulares. Sendo que os Iniciados A e Infantis A venceram a competição e os Infantis B ficaram em 2.º.

Mais 2 pontos perdidos !!!

Benfica B 4 - 4 União da Madeira

O povo gosta de golos, mas não vale a pena exagerar !!! Quem não viu o jogo até pode pensar que foi um grande jogo, mas muito sinceramente, os golos apareceram mais por demérito das defesas, do que mérito dos ataques, principalmente os golos do União. Não se pode sofrer 4 golos, em casa, perante uma equipa muito desfalcada... com alguns veteranos de qualidade, mas muito aquém da qualidade dos nossos jogadores.
Eu compreendo a necessidade de dar minutos a todos os jogadores do plantel. Não faz sentido ter jogadores na equipa B, e depois não jogarem. O principal objectivo deverá ser a evolução individual de cada jogador... principalmente aqueles que têm verdadeiras chances de chegar ao plantel principal.
Mas a rotatividade que o Hélder deu à equipa nos últimos jogos peca por excessiva. Ficar de um momento para o outro sem o Cavaleiro - o melhor marcador da equipa -, já seria mau... agora mudar meia-equipa, jogar sempre com duplas de centrais diferentes, dificilmente dará bons resultados...
Hoje, ainda por cima, ficámos a jogar com 10, nos últimos minutos, após a lesão do Cancelo, já com as substituições esgotadas!!!

O museu

"O Benfica venceu a única prova que, nas últimas épocas de hóquei em patins, ainda não havia conquistado. A seguir a um Campeonato (que interrompeu a longa série de vitórias do FCP), Taça de Portugal, Supertaça, Taça CERS e Liga dos Campeões, é agora detentor brilhante da Taça Continental que é como quem diz a Supertaça Europeia (é a segunda, mas a primeira foi uma vitória administrativa por desistência do opositor espanhol). Valha o Benfica para substituir a enorme desilusão da nossa selecção na última década.
Mais uma Taça (por sinal, elegante) para o novel Museu do Benfica. Um projecto inovador, didáctico, rigoroso e de uma intensidade interactiva notável com pleno aproveitamento das novas tecnologias. Além disso, importa registar que:
a) não se trata de um museu com um qualquer efeito retroactivo, seja na sua data do seu berçario, seja no dealbar do clube;
b) se trata de um museu não revisionista, onde não se reescreve qualquer estória da sua história por mais insignificante que seja;
c) se trata de um museu onde o acervo desportivo é rigorosamente e apenas isso mesmo: desportivo.
Curiosa é a génese etimológica da palavra museu. De origem helénica, mouseion que significava o 'templo das musas' e cujo acervo era constituído por oferendas, mais ou menos exóticas, de valor real ou simbólico. Nos tempos de Alexandria e da Grécia Clássica ainda não havia nem o conservador, nem o curador do museu. Hoje, há até conservadores que não conservam e curadores que viram curandeiros. E em certos acervos museológicos, há figuras reais que passam a virtuais e virtuais que surgem como reais. Como nos museus de Madame Tussauds..."

Bagão Félix, in A Bola