Últimas indefectivações

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Gerir a competição

"A distribuição da carga de jogos ao longo de uma época deve ser um aspecto tão importante para o gestor da competição como para o treinador. Quanto mais elevado o nível da competição, mais atenção deve merecer aspecto, uma vez que por norma aumentam o número de jogos. Na verdade, jogar a um nível elevado implica cuidado na gestão dos mais importantes elementos do jogo, aqueles por quem o público se desloca aos estádios, os jogadores. São processos os melhores mas os melhores precisam de recuperar bem.
O tempo de recuperação entre jogos é importante, como a intensidade competitiva é decisiva para o crescimento dos intervenientes. Um equilíbrio fundamental. Jogar, no caso do futebol, de três em em três dias é excessivo como jogar de três em três semanas também o é.
Alguns estudos apontam como correcto, no futebol, um intervalo de cinco dias para minimizar os riscos de lesão. Só a partir desse momento a curva se mantém igual para o dia seguinte. Contudo, na passagem do 3.º para o 4.º dia o risco já é bem menor do que do 2.º para o 3.º. Por isso se realizam tantos jogos no intervalo entre as 72 e as 96 horas.
Bem sabemos que frequentemente não é possível intervalos desses entre jogos. O volume de partidas obriga a intervalos menores. Esta situação deve merecer uma cuidada análise. Em muitos casos, fazem-se paragens de interno preciosas para a indispensável recuperação dos jogadores. E a recuperação não é apenas física. Neste altura da época existem campeonatos que já realizaram mais 25% a 30% de jogos do que outros, um  número elevado tendo em atenção que se iniciaram na mesma altura.
A gestão da competição, nos dois sentidos aqui utilizados, não pode abdicar de perceber que a sua planificação tem influência no rendimento individual e colectivo. Uma errada planificação tem consequências que o público não vê; mas são consequências que prejudicam a competição."

José Couceiro, in A Bola

São as modalidades colectivas que definem o nível

"O Desporto em Portugal não está — pelos resultados, pelo número de atletas federados ou ainda pela violência que o envolve — ao nível dos seus congéneres europeus. Porque temos uma população mais pequena? Não, em termos de população somos um país europeu médio. As razões serão outras…
Razões aliás que procurámos disfarçar com a demonstração da inequívoca qualidade dos nossos atletas das modalidades individuais. Pois… mas o que estabelece o nível qualitativo da prática desportiva de um país são as suas modalidades colectivas. Essencialmente porque qualquer país do mundo pode ter campeões individuais mundiais ou olímpicos — a Etiópia tem 53 medalhas olímpicas (22 de ouro) em 13 presenças e com um PIB quinze vezes inferior ao de Portugal, que tem 24 medalhas (4 de ouro) em 24 participações.
O mesmo não se poderá dizer das vitórias e títulos das modalidades colectivas que exigem estruturas e organizações desportivas de grande complexidade multidisciplinar, mostrando assim a dimensão do interesse cultural pelo Desporto.
A participação desportiva portuguesa, com cerca de 620 mil federados em 2017, é fraca. Somos um país de futebol, dizemos. E somos mesmo, com mais de um terço dos federados pertencentes à Federação de Futebol, apesar dos nossos recentes resultados internacionais serem possíveis graças essencialmente aos futebolistas imigrantes que jogam em campeonatos muito mais competitivos que o nosso.
E aos poucos que somos juntámos a pouca precisão e pouca exigência como se demonstra na definição legal das modalidades individuais que serão todas aquelas, que não permitem substituições… como o remo (!!), de barcos de oito ou quatro, por exemplo.
Não conseguimos — juros de anos de isolamento — ter uma visão sistémica do Desporto e pouco sabemos do que se passa por aí fora — mesmo a paredes-meias — ignorando o desenvolvimento de novos métodos e desleixando descobertas que se mostram eficazes como a designada “periodização táctica” que Vítor Frade terá iniciado e que os treinadores portugueses, a começar por Mourinho, têm espalhado pela Europa do Futebol, e que tem sido adaptada por outros, para outras modalidades colectivas.
Por cá, pouco ou nada queremos saber desses desenvolvimentos e nada fazemos para que sejam englobados nos nossos métodos de treino e extensíveis a outras modalidades colectivas. Embora desperdiçando as mais-valias e misturando conceitos e confundindo valores, gostámos de nos mostrar preocupados…
Porque o Desporto Escolar isto e aquilo, mas continua desarticulado com os clubes que, afirmámos!, constituem a base fundamental do associativismo desportivo. Que existe evolução das metodologias de treino, dizemos!, mas regulámos (pre)conceitos formativos que fazem de treinadores experientes uns novos estudantes a quem se impõe programas e estudos obrigatórios — qual a Ordem profissional que tem “formação contínua” obrigatória? — a que se acrescenta, numa abusiva demonstração de poder, esta sentença: a anulação da certificação de anos de treinador para quem não atinja o valor mínimo de créditos.
Assim, não vamos lá!"

A manipulação da Sport TV

"O momento passou despercebido a muitos telespectadores, mas a mais recente 'manobra de diversão' da Sport TV merece ficar registada para memória futura, como um dos casos mais lamentáveis nos 20 anos de vida do canal.
No intervalo do FC Porto-Portimonense, da jornada anterior, a Sport TV tentou enganar os seus próprios clientes, sem qualquer pudor, a propósito do penálti que ficou por assinalar sobre Nakajima. 
O derrube de 'Felipe Vale-Tudo' ao extremo japonês do Portimonense foi tão evidente que, desta vez, não houve um único especialista de arbitragem com coragem para dizer o contrário.
A Sport TV, porém, prestou-se a um papel ridículo, lamentável e indigno, pondo seriamente em causa os princípios mais elementares daquilo que deve ser a relação de uma empresa com os seus consumidores. Há limites para tudo.
O que fez, então, a Sport TV? Enquanto se esperava pelo início da 2.ª parte, pôs no ar imagens manipuladas (e misturadas) que não correspondiam ao lance da grande penalidade que ficou por assinalar.



Nessa outra jogada, também protagonizada por Felipe e Nakajima, o jogador do FC Porto não cometeu falta. A Sport TV tentou através dessas imagens fazer-nos crer, portanto, que o brasileiro não tocou em Nakajima.
O próprio narrador de serviço (Rui Orlando) foi apanhado de surpresa com a situação e ficou exposto, sem saber muito bem o que dizer perante aquele golpe baixo.
A demora de repetições de lances duvidosos dentro da grande área de certos clubes já era conhecida. Mas agora estas montagens manipuladas devem ser caso único no Mundo. Não dá para acreditar."

Benfiquismo (MXXXIV)

Primórdios do Hóquei em Patins...!!!

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Liga Europa - caminho para Baku !!!

Cabeças-de-série
Benfica
Arsenal
Chelsea
Dínamo Zagreb
Dínamo Kiev
Eintracht Frankfurt
Inter Milan
Nápoles
Salzburgo
Zenit
Valência
Villarreal
Genk
Sevilha
Bayer Leverkusen
Bétis

Não cabeças-de.série
Shakthar Donetsk
Fenerbaçhe
Galatasaray
Lázio
Plzen
Club Brugge
Sporting
Rapid Viena
Malmo
Krasnodar
Rennes
Bate Borisov
Slavia Praga
Celtic
Zurique
Olympiakos

O sorteio dos 16 avos de final, será no dia 17 de Dezembro, às 12h (próxima segunda-feira). A primeira mão será a 14 de Fevereiro (fora), e a 2.ª mão a 21 de Fevereiro, na Luz.

Muito sinceramente, as nossas ambições nesta competição, com estes adversários, são modestas, mesmo sendo Cabeças-de-série podemos encontrar já na próxima eliminatória equipas fortes...Shakthar é o principal perigo, mas existem outros...

BTV 10 anos

A Liga dos Canelas Pretas

"Certa vez, tive de preencher numa fronteira um papelinho que trazia uma pergunta que não percebi: cor da pele?

Vinicius de Moraes é um daqueles tipos que dá jeito, espécie de melhor amigo de todo o cronista. As frases dele cabem em qualquer lado, a propósito de tudo e, além disso, são bonitas e enfeitam. Saravá! Venha de lá, então, um bocado de Vinicius:
«Maria, levanta a saia
Maria, suspende o braço
Maria, me dá um cheirinho
Do capim do teu sovaco».
A Maria era mulata, claro. A maior contribuição portuguesa para a cultura sul-americana, dizem alguns, esquecendo a mulata de Angola do Chico Buarque, por exemplo:
«Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela/Será que ela mexe o chocalho ou o chocalho é que mexe com ela?».
E outras. Tantas outras.
Para já, ponho de lado as mulatas e escrevo sobre o negro. Enfim, este negro também pode ter mulato pelo meio, pouco importa. E é de Porto Alegre, jogador de futebol, que não entrava nas equipas dos elitistas brancos. Já o Rio-Grandense era um clube de gente de pele escura. A sua presença não foi aceite na Liga Metropolitana. Eram escuros demais.
Certa vez, à entrada de um país do qual nem cito o nome, tive de preencher um daqueles papelinhos burocráticos de entrada que trazia uma pergunta que não percebi: cor da pele? Claro que escrevi: normal.
Portanto, o Rio-Grandense, composto por jogadores de cores absolutamente normais, não podia jogar contra outros clubes de jogadores igualmente de cores absolutamente normais mas cujos dirigentes se consideravam anormais. E assim inventou um campeonato: Liga nacional de Futebol Porto-Alegrense. Não evitou o trocadilho racista de meter liga com canela: Liga da Canela Preta. Em termos de nomes, era de fazer inveja ao Vinicius e ao Chico juntos. Havia o Bento Gonçalves – como nisto de cores também há tons, gabava-se de ser o primeiro ‘time’ realmente negro; o Primavera; o Primeiro de Novembro, equipa dos funcionários do Forno do Lixão (mas algum loiro ariano trabalharia num sítio chamado Forno do Lixão?); o Oito de Setembro, da Colónia Africana (depois o bairro passou a chamar-se Rio Branco, calcule-se!); o Palmeira; o Aquibadã e o Venezianos. Como se mulato que se preze guiasse gôndolas a cantar O Sole Mio e Santa Lucia... Valia tudo!
A rapidamente conhecida como Liga dos Canelas Pretas foi fundada em 1910. Dezoito anos antes, a Companhia Progresso Industrial do Brazil, ainda com z, construiu em Bangu, no Estado do Rio de Janeiro, uma fábrica de têxteis. Ora, não há quem perceba mais de ovelhas do que um britânico, embora as suas qualidades não sejam de desprezar no campo das vacas. Por causa disso, a companhia fez-se dotar de técnicos e pessoal administrativo das melhores raças escocesas e inglesas. Com eles veio o futebol. Em 1904, o Bangu disputou uma partida contra o Rio Cricket. Dos onze que entraram em campo para defender as cores do Progresso, cinco eram ingleses, três italianos, um português e um natural do Brasil: Francisco Carregado.
Carregado deu nas vistas. E de que maneira. Em vinte e dois jogadores era o único que usava uma pele negra.
Pelo meio disto tudo, Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Rafaela Gonzaga de Bourbon-Duas Sicílias e Bragança, Princesa Imperial, filha de D. Pedro II, casada com o magnificamente egocêntrico Conde d’Eu, tratou de assinar a Lei Áurea e pôs um ponto final na escravatura no Brasil. A coisa não lhe correu de feição, embora a intenção fosse a melhor. Os fazendeiros ricos, descontentes por terem deixado de ter mão de obra gratuita, juntaram-se aos militares e num instante deitaram abaixo a monarquia. Dona Isabel foi para França e viveu lá regaladamente, segundo consta, mas não foi por causa da formal Lei Imperial n.º 3.353 que o futebol deixou de ser um couto de gente de nariz empinado, ou seja, nariz absolutamente contrastante com outro estilo mais achatado e de narina larga que proliferava na Liga dos Canelas Pretas.
Só nos anos 30 é que as cores começaram a misturar-se verdadeiramente por todo o futebol brasileiro e nada como ler o Mário Filho para o entender. O Rio Grande do Sul era um dos Estados com maior população escrava, e os bairros da Cidade Baixa, do Areal da Baronesa e da Colónia Africana, em Porto Alegre muito mal considerados:
«Roubos, assassinatos, estupros, facadas, tudo se dá naquele lugar maldito, valhacouto de quanto bandido há por esta cidade, refúgio de quanta baixa meretriz por aí vive».
Alheios a isso, os clubes da Liga dos Canelas Pretas, iam jogando o seu futebol e como o bicho homem no sexo geralmente não vê cor nem coisa nenhuma, a mulata espalhava-se por todo o Brasil para felicidade do velho e libidinoso Vinicius:
«Na boca do forno
De manhãzinha/Eu e Maria.
Tá quente, Maria...
(Maria estava sempre quente)
Pique, Maria...
(E a luta arfante, húmida, silenciosa)
Dou-lhe uma/Dou-lhe duas/Dou-lhe três...».
Como nos leilões."

Tempo útil de jogo

"Enquanto as instâncias superiores do futebol mundial não tiverem a coragem de adoptar a cronometragem exacta do tempo útil de jogo, as federações nacionais poderiam ir definindo normas conducentes à minimização das perdas de tempo, penalizando os abusos.
Haverá diversas formas de o fazer. Uma das mais seguras será a de reduzir o tempo perdido pelos árbitros na marcação de faltas. Estas situações estão de tal forma enraizadas que, no recente Rio Ave-Sporting, quando Coates marcou rapidamente uma falta – cometida a meio campo e cobrada uns três metros atrás do local exacto – ia caindo o Carmo e a Trindade, que não podia ser...
Em sentido contrário, já ninguém liga quando, por exemplo, um lançamento lateral é executado sete ou oito metros à frente do local onde a bola saiu – razão mais do que suficiente, como já aqui defendemos, para as reposições passarem a ser feitas com os pés.
Em nosso entender, o árbitro deve limitar-se a sinalizar o local onde a falta foi cometida, medir a distância a que a barreira deve ser formada e riscar no chão esse limite; os jogadores devem colocar-se rapidamente onde sabem que podem estar, sendo ridículo ver o árbitro a afastá-los para trás do risco e a dialogar calmamente com os mais renitentes; trata-se de uma das situações em que o juiz deve saber impor a sua autoridade, se necessário usando a cartolina amarela em vez do empurrão. 
Outros casos a sancionar são as demoras praticadas pelos guarda-redes; registamos, com bastante frequência, oito ou dez segundos com a bola nas mãos (quando não 13 ou 14) e outros tantos depois de a colocar no chão, com o árbitro a ver, passivamente...
Deve ser incutida nos árbitros a necessidade de serem firmes na penalização destas delongas, não hesitando na amostragem do cartão amarelo logo depois de advertência inicial, com aviso imediato de que não hesitará em exibir outro em caso de reincidência. Como já escrevemos há tempos, em muitas décadas a ver futebol Nunca vimos expulsar qualquer guardião depois de amarelado, já que se sentem imunes e até gozam com essa situação.
Torna-se cada vez mais notório que as tais instâncias superiores se preocupam em legislar sobre pormenores de importância muito relativa, quantas vezes em sentido contrário à orientação que seria desejável.
Foi, por exemplo, a recente norma que permite, no pontapé de baliza, a bola ficar jogável antes de sair da grande área; dir-se-á ser para evitar perdas de tempo com repetições, mas o que deveria realmente ser feito era punir liminarmente o prevaricador. O mesmo com a colocação da bola em jogo no início (ou reinício) do desafio, já em uso há algum tempo; não obrigar que o esférico seja tocado para a frente, para o meio campo adversário, é uma regra contra natura e apoio implícito ao jogo defensivo.
Outro ponto que deverá ser obrigatoriamente revisto é a chamada "lei da vantagem", cuja aplicação – com frequência e bom critério – os apreciadores de bom futebol consideram apanágio dos melhores árbitros.
Ainda recentemente assistimos a um "concerto de apito" de um árbitro internacional português em jogo da Liga que, apesar de ter marcado mais de 30 faltas, não aplicou a lei da vantagem uma única vez! Esse senhor ainda não percebeu que as faltas cortam o ritmo do jogo e que cada interrupção por esse motivo representa, em regra, uns 10 segundos de demora.
Finalmente, uma constatação: por vezes, noto que alguns articulistas titulam e começam textos com referências objectivas a temas de grande interesse para a renovação do futebol; mas logo derivam para outros campos, o que nos deixa com "com água na boca", como soi dizer-se, por não terem ido até ao fundo da questão. Aqui deixamos o registo."

Contrato de formação desportiva

"1. Contrato de Formação Desportiva: noção e pressupostos legais
O contrato de formação desportiva é o contrato celebrado entre um clube e um atleta (entre os 14 e os 18 anos), nos termos do qual o primeiro se obriga a prestar ao segundo a formação adequada ao desenvolvimento da sua capacidade técnica e à aquisição de conhecimentos necessários à prática de uma modalidade desportiva, ficando o atleta obrigado a executar as tarefas inerentes a essa formação. Este contrato não se afigura como um verdadeiro contrato de trabalho, apesar de funcionar como um "ensaio" para que se concretize num futuro próximo.
A celebração do contrato obedece a dois requisitos: o atleta deverá realizar exames médicos que atestem a sua capacidade física e psíquica para desempenhar a actividade desportiva; e a entidade formadora terá de comprovar que dispõe de meios físicos, técnicos e humanos adequados à formação desportiva.
Este contrato obedece a forma escrita e está sujeito a termo resolutivo, com duração mínima de uma época desportiva e duração máxima de três épocas, podendo ser prorrogado por mútuo acordo das partes. Em regra, o contrato caduca no final da época em que o atleta complete 18 anos, no entanto pode ser prorrogado por mais uma época desportiva.

2. Direito a compensação pela formação
A celebração do primeiro contrato de trabalho do atleta com entidade empregadora distinta da entidade formadora confere a esta o direito de receber uma justa compensação pela formação ministrada.
Os clubes que participem na formação de um jogador têm direito a receber uma compensação de natureza pecuniária quando este celebre o seu primeiro contrato de trabalho desportivo até ao final da época em que complete 23 anos de idade.
Na época em que o atleta se torne profissional e seja transferido para um clube que participe em divisão superior, os clubes formadores recebem uma compensação deduzida do valor pago pelo clube que profissionalizou o jogador."

Pode a sociedade desportiva subsistir sem a participação do seu clube fundador?

"Nos termos da lei, a sociedade desportiva pode ser constituída de raiz, sem a necessária participação de um clube.

Uma das questões a que nos últimos tempos mais frequentemente sou chamada a responder, nos círculos de amigos, nas conferências e nas diversas aulas de seminários, pós-graduações e mestrados em que trato temas relacionados com as sociedades desportivas, é esta: pode a sociedade desportiva subsistir sem a participação do seu clube fundador?
A resposta, que já desenvolvi e continuarei a tratar de modo desenvolvido em sede própria, é simples: pode. E pode, desde logo, porque uma sociedade desportiva não precisa, para existir enquanto tal, de um clube fundador. Nos termos da lei, a sociedade desportiva pode ser constituída de raiz, sem a necessária participação de um clube; ele apenas é necessário quando se pretenda a constituição pela transformação (do clube) ou por personalização jurídica de equipa desportiva (do clube).
E se é verdade que ela se pode constituir sem um clube fundador, também o é que pode subsistir sem ele se, tendo o clube participado na sua constituição e necessariamente passado a ser seu sócio (o que apenas acontece na constituição pela personalização jurídica da equipa desportiva), entretanto deixar de o ser, pelas mais variadas razões – podemos estar a falar, por exemplo, de transmissão voluntária da participação que o clube detém na sociedade, mas também podemos estar a falar da própria insolvência do mesmo.
Porém – costumo ouvir –, a lei das sociedades desportivas determina que a participação do clube fundador, nas sociedades constituídas pela personalização jurídica de equipa desportiva, não pode ser inferior a 10% do capital social. É verdade. Mas esse limiar mínimo estabelecido na lei existe porque ao clube fundador, nas sociedades constituídas por esse meio (e só nesse caso), são legalmente conferidos meios de tutela especial; por outras palavras, o clube fundador recebe, aí, um tratamento distinto (mais favorável) daquele que teria um qualquer outro sócio, nessa ou noutra sociedade (tem, por exemplo, o direito de veto em determinadas deliberações sociais). Apesar do silêncio da lei neste ponto, essa regra não impede, nem poderia impedir, o clube de participar na constituição de uma sociedade desportiva de raiz, com uma qualquer percentagem no capital social. Nem o impede de, tendo optado pela constituição de SAD por personalização jurídica da equipa desportiva, livremente alienar, parcial ou totalmente, a sua participação (a própria lei das sociedades desportivas proíbe qualquer limitação à transmissão das acções da SAD); ou que ela seja alienada em consequência da declaração da sua insolvência.
Agora, então, a questão a colocar é diferente: se isso acontecer, se a participação do clube passar a ser inferior a 10% do capital social, ou até inexistente, o que acontece à sociedade desportiva que foi constituída por esta via?
A resposta é, mais uma vez, simples: isso não põe em causa a sua subsistência (até porque todos os elementos essenciais à prossecução do objecto da sociedade foram transmitidos à sociedade a título de entrada, como decorre imperativamente da lei das sociedades desportivas, e o clube não pode, em caso algum, pretender a devolução da sua entrada, como decorre das regras gerais do direito societário; retomarei em breve este tema). Mas implica necessariamente, e evidentemente, que a sociedade desportiva deixe de estar sujeita ao regime de especial protecção do clube fundador consagrado para as sociedades que resultam da personalização jurídica de equipa desportiva (de resto, esse é basicamente o único traço distintivo de regime, relativamente às sociedades desportivas constituídas por qualquer outro meio). Ou seja: a sociedade desportiva “sobrevivente” passa a estar sujeita ao regime estabelecido para as sociedades desportivas constituídas de raiz (apesar de ter sido constituída pela personalização jurídica da equipa), regime esse que se distingue daquele que lhe era até aí aplicável por não contemplar a (agora, desnecessária ou injustificada) tutela do clube fundador. 
A última pergunta a que costumo ter de responder depois é: e essa solução não deixa desacautelada a posição dos clubes fundadores portugueses? A esta, respondo habitualmente com outra: e algum investidor irá algum dia equacionar investir significativamente, ao lado de um clube com claros problemas financeiros, numa sociedade desportiva portuguesa constituída pela personalização jurídica da equipa, se souber que corre o risco de um dia ver posto em causa todo o seu investimento com a hipotética extinção da sociedade desportiva, em caso de conflito com esse clube, ou de insolvência deste? É certo que este investimento comporta sempre riscos – mas a decisão que lhe subjaz exigirá, como qualquer outra decisão de investimento, a ponderação relativa à existência de um mínimo de segurança jurídica. Deste ponto de vista, então, esta é a única solução que tutela os interesses da generalidade dos clubes desportivos portugueses que carecem do investimento de terceiros para a prossecução da actividade desportiva."

Fechados na ilha

"Um trabalho no continente foi sempre algo que convenceu pouca gente no futebol inglês. Bobby Robson foi uma das raras excepções. Esta semana enquanto assistia ao documentário «Bobby Robson-More Than a Manager» recordei o tempo em que o conheci em Newcastle, em 2002.
Após um trabalho incrível na Holanda, em Portugal e em Espanha, Robson estava a ter um desempenho notável nos magpies. Em 1999 tinha recebido a equipa em lugares de aflição na liga inglesa, agora estava a disputar a Liga dos Campeões.
Naquele que foi o meu primeiro jogo em Inglaterra, em St James Park, tinha à minha frente a Juventus de Lippi com Del Piero, Nedved, Buffon, Thuram, entre outros. Os campeões de Itália que no fim da temporada seriam coroados reis da Europa na final ganha nos penáltis frente ao AC Milan. 
A noite de Newcastle sorriu a Robson após um frango de Buffon que encaminhou para a baliza um remate tosco de Griffin. A experiência continental permitiu seguramente ao aventureiro Bobby Robson preparar e tomar as melhores decisões diante do colosso italiano.
Estava na cidade para entrevistar Bobby Robson a propósito de uma reportagem para a TVI sobre os 30 anos de Luís Figo. Aguardei pelo fim da conferência de imprensa, apresentei-me e disse que tinha uma entrevista agendada com ele para o dia seguinte. Recebi um sorriso enorme de Robson e a confirmação da gravação para as 10 da manhã do dia seguinte.
Em Inglaterra procurava o máximo de pessoas possível que tivessem feito parte ou participado da carreira de Luís Figo. Tinha na agenda Carlos Queiroz, assistente de Alex Ferguson no Manchester United, Ricardo, guarda-redes dos red devils que nos tempos do Valladolid tinha apanhado o antigo jogador de Barcelona e Real Madrid e alguém que eu tinha visto jogar na noite anterior em St. James Park.
Tinha levado uma nega do Newcastle para entrevistar Alan Shearer, o capitão da selecção de Inglaterra no Euro 2000. A ligação do avançado com Luís Figo era o jogo que Portugal venceu por 3-2 naquele Europeu. Figo deu inicio à reviravolta depois dos ingleses estarem a vencer por 2-0 aos 18 minutos.
No final da entrevista com Bobby Robson falei-lhe da possibilidade de registar a opinião de Shearer e da nega que tinha recibo do clube. Robson entendeu que foi um erro do Newcastle e disse-me para estar no dia seguinte em St James Park pelas 10 da manhã e que o Alan Shearer ia dar a entrevista. 
Chamou a directora de comunicação do clube e pediu para informar Shearer. À frente de toda a gente defendeu a sua decisão explicando que o seu jogador também gostaria de ter um depoimento de Luís Figo quando alguém fizesse um documentário ou uma reportagem sobre si.
No dia a seguir à hora combinada, Alan Shearer estava em St James para a entrevista."

Benfica Ecléctico - 6

Benfiquismo (MXXXIII)

Chuvada...!!!

Cadomblé do Vata

"1. Terminamos a fase de grupos em 3° mas não é garantido que estejamos apurados para a Liga Europa... não sei se a UEFA deixa continuar nas suas competições uma equipa que joga com o Alfa a titular.
2. Neste jogo ficaram evidentes as divisões que há no balneário do SLB... o Seferovic por exemplo, até se esforçou por jogar à bola durante os 90 minutos, só para envergonhar os colegas.
3. Desde o inicio da temporada, o SLB já deve ter beneficiado de mais de uma centena de cantos, sem ter conseguido marcar um golo no seguimento dos mesmos... na Grécia Antiga havia eunucos mais temidos do que os cantos do SLB.
4. Neste momento devemos ser o único Clube Grande no Mundo que sem bola, não pressiona no meio campo adversário... é caso para dizer que a pressão do SLB até faz impressão.
5. Somamos a quarta vitória seguida desde que o LFV levou com uma luz na testa, mas as exibições continuam extremamente pobres... aliás, mais irritante do que o futebol praticado pelo Glorioso, só mesmo aquele comentador que está 90 minutos a chamar Áéque Atenas a uns desgraçados que toda a gente conhece por AEK."

Vermelhão: Vitória a fechar...

Benfica 1 - 0 AEK


Confirmou-se que as melhorias nos últimos dois jogos, deveram-se quase exclusivamente à atitude dos jogadores, porque as dinâmicas da equipa continuam a desejar... Hoje, num jogo que não era 'decisivo', o destino Liga Europa já estava traçado, voltámos a demonstrar muitos problemas, principalmente no 1.º tempo...
Na 2.ª parte, jogámos um bocadinho mais depressa, e as oportunidades até acabaram por aparecer... apesar do AEK também ter conseguido desequilibrar o nosso lado direito algumas vezes, jogámos melhor... Sendo que nos últimos 15 metros, optamos quase sempre pela jogada individual, em vez de apostar no colectivo!
Até deu para ver de novo. a nossa ala esquerda do ano passado, de novo junta, durante alguns minutos: Grimaldo, Zivkovic e Cervi!!! Mas durou pouco tempo, porque com a entrada do Castillo a equipa mudou novamente de 'esquema'!!!
Uma curiosidade táctica deste jogo: o AEK ao contrário da maioria das equipas portuguesas, quando o Benfica 'ameaçava', passe para a profundidade, nas costas dos Centrais (algo que este Benfica faz muito...), recuava sempre um Central, a fazer de Libero, fazendo assim abortar quase sempre o passe longo... Esta opção, 'abre' muito espaço entre a linha defensiva e do meio-campo, mas o Benfica raramente conseguiu aproveitar... O Jonas teria 'gostado'!!!
Aliás, além de todas as outras variáveis, sentiu-se muito a ausência do Jonas, na finalização e no resto!!!
Uma nota sobre o Alfa: esteve quase sempre bem, mas acabou por ter duas perdas de bola 'assustadoras'... Nas bolas paradas ofensivas, e hoje tivemos muitas ao contrário do que acontece no Tugão, também desperdiçou algumas cabeçadas, sem qualquer oposição, de forma 'parva'!!!
A má notícia da noite, acabou por ser a lesão do Rafa. Um dos jogadores em melhor forma, e que nos últimos tempos 'desatou' vários problemas, sempre em grande velocidade... Espero ter sido só um susto!!!
Conseguimos ser cabeças-de-série no sorteio da Liga Europa, o que nos vai 'ajudar' na próxima eliminatória da Liga Europa... e este ano, a Liga Europa está repleta de grandes equipas, mas a jogar desta forma, dificilmente poderemos ter ambições neste competição...

Festival de golos falhados...!!!


Benfica 3 - AEK


Mais um jogo com demasiadas oportunidades desperdiçadas! Nos primeiros 15 minutos enviámos 3 bolas aos ferros!!! O Renato Paiva queixou-se que a equipa jogou lento, tem razão... mas mesmo assim, fomos muito superiores (mesmo antes da expulsão do jovem do AEK), e não fosse a nossa azelhice na finalização e a boa exibição do guarda-redes Grego, e o jogo teria terminado com uma goleada histórica...

A emoção deste jogo, acabou por surgir de Amesterdão, com o Bayern a vencer por 1-2. Se tivesse terminado 1-4 para o Bayern, o Benfica teria sido eliminado!!! Assim terminamos em 2.º lugar, vamos ter que disputar uma eliminatória extra... vamos esperar pelo sorteio!

Machos

"1. A liga portuguesa está na cauda da Europa em termos de tempo médio de jogo efectivo, mas a discussão tem sido feita ao contrário. Mais do que a quantidade, importa a qualidade, caso contrário os jogos com prolongamento seriam sempre os melhores. O importante é que o que se joga seja bom. Perguntem a um adepto de álcool de prefere meio copo de cerveja ou um copo cheio de água.
2. Penálti não assinalado de Felipe sobre Nakajima: quem não consegue distinguir entre um leitão de Negrais e um frango da Guia, dificilmente tem lugar num campo de futebol e seguramente que não pode estar numa sala de VAR. O que está em causa, com o que temos visto, além da verdade desportiva, é a descredibilização da arbitragem portuguesa e de uma ferramenta que custa milhões e que deveria apontar para o futuro. Há questões que são meramente do campo da competência (ou falta dela, neste caso) e não há maquilhagem estatística que possa disfarçar isso.
3. A minha mulher às vezes vai ao guarda-redes e diz-me: «Adoro estes sapatos, tenho de usá-los mais». E no dia seguinte compra outros. Não conheço a fundo Luiz Phellype (6 golos em 51 remates na Liga 2...), avançado de 25 anos de P. Ferreira que está a ser cobiçado pelo Benfica (e Sporting), mas lembro o clube da Luz que para apostar na formação não basta ter bons talentos e um treinador que neles aposte, é preciso deixar de contratar quem lhes tira o lugar sem ter mais qualidade (risco por risco...). Para não falar nos Chiquinhos, João Amarais, Pedros Nunos, Arangos ou Agras, que antes de chegarem já partiram. Para quê?
4. Lembram-se do filme Este País Não é Para Velhos, dos irmãos Coen? Ganhou o Óscar para melhor película em 2008. Pois bem, vem aí uma sequela denominada Este Futebol Não é Para Machos, com a realização de Lito Vidigal.
5. Disse David Luiz, há dias, que um avançado nunca perde jogos, a culpa é sempre dos outros. Se trocarmos a palavra avançado por José Mota, a frase continua a fazer sentido."

Gonçalo Guimarães, in A Bola

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Aviso...

"UEFA e Associação Europeia de Clubes estão a preparar alterações ao formato da Liga dos Campeões. De acordo com o jornal alemão Bild, algumas dessas alterações prometem suscitar grande polémica...de entre elas, a intenção de disputar os jogos da Champions aos fins de semana, para obter maiores audiências, nomeadamente em países cuja diferença horária, como a China, permita aos espectadores assistir em directo aos jogos.
Essa alteração provocará um pequeno sismo na forma como são disputadas as competições internas, porque os jogos das equipas participantes na Champions terão de ser realizados durante a semana. De resto, o que está previsto é impor a redução de equipas participantes nas competições domésticas, já que também a fase de grupos será remodelada, deixando de ser distribuída por oito grupos de quatro equipas, passando o alinhamento das equipas a ser feito por quatro grupos de oito equipas, o que obrigará à realização de um mínimo de catorze jornadas, antes da fase decisiva da competição."

Prémios e castigos de toda a espécie

"Os casos que têm envolvido o Benfica estão a frutificar abundantemente no julgamento dos árbitros nos jogos dos rivais

1. Entre os muitos galardões planetários (ou quase) para os melhores do futebol - tantos que, confesso, preciso de uma cábula para os distinguir entre o 'melhor do Mundo', o 'Bola de Ouro', ou outros similares, afins e correlativos - tivemos, agora, o que creio ser o último prémio do ano. Sem surpresa, ganhou o médio croata Luka Modric, em consonância com troféus recebidos nos cerimoniais anteriores.
Deixando de lado o portuguesismo de trazer por casa, gostei da atribuição deste ano. Em primeiro lugar, porque estancou a hemorragia de discussões patrioteiras ou interesseiras do duo Ronaldo/Messi, já difícil de suportar depois de mais de uma década (aliás, justificada) de ora ganhar tu, ora ganho eu, eu ganhei mais do que tu, tu ganhaste menos do que eu... Em segundo lugar, porque este ano o critério não se limitou a avançados, como estava a ser a regra intransponível. É que todos os outros lugares numa equipa têm sido menorizados no restrito pódio dos eleitos e dos ungidos, dando a ideia de que o 'football association' que ainda sendo futebol ou ludopédio, até parece que já deixou de ser associativo em que todos têm o seu contributo, marcando, defendendo, construindo, destruindo. Há muito tempo um atleta, que não propriamente um goleador, não vencia. Jogadores houve nos últimos tempos que foram injustamente eclipsados pelo duo luso-argentino, só porque não jogam à frente. De repente, lembro-me dos geniais Xavi Hernández e Andrés Iniesta, ou dos icónicos guarda-redes Gianlugi Buffon e Manuel Neuer. Em terceiro lugar, porque, no caso de Modric, era a última oportunidade para este jogador de 33 anos alcançar o merecido tributo, pelo seu talento, inteligência e capacidade, seguindo o seu caminho sem alardes de vedeta, sem estilo metrossexual, com exemplaridade, trabalho e humildade incompatíveis com os egos e tiques de vedetismo. Um rapaz simples, casado e pai de 3 crianças, refugiado com os pais aquando da tenebrosa guerra dos Balcãs, e que soube chegar ao topo sem deslumbramentos tontos.
Messi teve uma época longe do seu apogeu, seja em termos individuais, seja em termos colectivos (Barcelona e Argentina), ainda que tenha ganho a 'Bota de Ouro' para o melhor marcador das ligas europeias. Ronaldo acompanhou Modric na conquista europeia e mundial do Real Madrid, mas foi superado por ele no Mundial onde a Croácia, pequeno e fustigado país, alcançou o título de vice-campeão. Ora, se se tem dito que um critério fundamental para se ganhar o ceptro é o das conquistas dos clubes ou selecções onde os candidatos se inserem - lógica que, contudo, eu não acompanho - temos de convir que o croata foi melhor.
Por último, dois aspectos pouco simpáticos relacionam-se com Ronaldo e seu séquito. De novo, o nsso compatriota não foi à cerimónia de atribuição dos galardões. Foi pena, porque daria um bom exemplo de como um grande e crónico ganhador também sabe estar ao lado de um colega de profissão que alcança o tão almejado prémio. Acresce que, neste caso, até foram companheiros no mesmo Real Madrid, durante a temporada que este na base da escolha. Entretanto, o por vezes tonitruante clã Aveiro vociferou nas redes sociais, não disfarçando o tique exclusivista do prémio e destilando, entre impropérios indignos de quem se quer dar ao respeito, sentimentos de ressentimentos e inveja. Ainda que noutros termos um pouco mais urbanos, o seu empresário Jorge Mendes também achou por bem bater nos votantes, considerando a decisão 'pura e simplesmente ridícula'. Os mesmos, ou quase os mesmos votantes que atribuíram (e bem) vitórias a Ronaldo são agora acusados de impreparação ou de manipulação. Tudo isto acicatado por uma mediatização exponencial como se estivéssemos a tratar de uma questão de soberania nacional... Valha-nos Santa Engrácia!

2. Se dúvidas houvesse, estão a desvanecer-se À medida que o campeonato prossegue. Os casos que têm envolvido o Benfica estão a frutificar abundantemente no julgamento dos árbitros dos jogos dos principais rivais. Num ponto, Porto e Sporting estão irmanados na convergência dos benefícios arbitrais sobre penáltis 'au moment' ou 'à la carte'. De um lado, o FCP que, jogando bem ou jogando mal, parece seguro de que assinalar-lhe um castigo máximo é coisa que não passa pela cabeça dos árbitros e, muito menos, pelos indigentes VAR. De outro lado, o SCP beneficiando da gentileza de penalidades a seu favor, tão discutíveis quanto invisíveis, em momentos-chave dos encontros e, que por isso, se têm revelado fundamentais para o seu desfecho. Ou seja, a uns perdoam-se faltas, a outros faltas se imaginam.
Vejamos alguns exemplos: contra o Boavista (que, em boa verdade, também deveria ter sido disciplinarmente mais castigado), um penálti que todos os especialistas de todas as tendências clubísticas entenderam ter sido subtraído aos homens do Bessa a menos de um quarto de hora do fim e com o jogo empatado. Na última jornada, a situação ainda foi mais escabrosa. Manuel Mota, que ainda tem na cabeça as ameaças a pichagens no seu talho ou no restaurante de um familiar, não viu, ali mesmo em frente aos olhos, uma falta clamorosa de Felipe (sempre ele) sobre Nakajima (nem quis ir vê-la no ecrã!), enquanto o VAR deve ter tido 0,000000001% de dúvida pelo que, segundo o famigerado protocolo, se inibiu de ter 100% de certeza do penálti. É bom lembrar que, ainda que com muito tempo de jogo, o Portimonense poderia ter chegado ao 2-0 a seu favor. Folha, portista e treinador deslocado no Algarve, nada achou estranho. Tudo boa gente, abraços e beijos no fim. Imagine-se na Luz cena idÊntica com o dragão Folha. E, como de costume, o dedicado relator da Sport TV e o grande Lobo passaram pelo caso exemplarmente, como se nada houvesse a comentar...
Quanto ao SCP, como atrás disse, trata-se de árbitros inventarem penáltis. Assim, teve mais dois pontos no expirar do tempo contra o Chaves em Alvalade por causa de uma penalidade que fica para a história desta competição. É que, além da bola já estar nas mãos do guarda-redes flaviense, Bas Dost - o putativo jogador carregado - e os seus colegas nada protestaram, nada viram, nada sonharam, nem sequer esboçaram uns braçinhos no ar. Veio do céu tal dádiva! Na jornada anterior um lance, um pouco mais duvidoso é certo, originou outro penálti forçado quando, a meia hora do fim, o Santa Clara vencia por 1-0. E estatisticamente, as coisas, pouco a pouco, vão tendo algum significado: o SCP já é a equipa com mais penáltis a seu favor (6) e a única sem nenhuma contra.
Em suma, eis a regra dos 100% de certeza (ou incerteza) em toda o seu esplendor arbitral e VAReiro, quem sabe se originado por poderes ocultos (e sem e-mails)?

3. O Benfica venceu num campo tradicionalmente difícil, o do Vitória Futebol Clube. Jonas encarregou-se de assegurar a vitória, mas o jogo foi de um grau de beligerância dispensável. Faltas, faltonas e faltinhas a todo o momento, árbitro às aranhas sem um critério disciplinar que se compreendesse, um golo genial de Zivkovic anulado por indigência do fiscal de linha, um Benfica que continua a soluçar num pára-arranca que é difícil entender. Seguem-se agora dois jogos que poderão ser muito importantes para os 2/3 do campeonato por realizar (embora lendo certos textos, até parece que já estamos quase no fim, com consagrações bem prematuras). Refiro-me a um novo jogo fora de casa, com o Marítimo de Petit e, nas vésperas do Natal, na Luz, o confronto com o Sp. Braga. Esta quarta-feira, uma partida europeia que não é apenas para cumprir calendário europeu: Benfica - AEK, onde estão em jogo, 2,7 milhões de euros e uma limitação de danos no ranking.

Contraluz
- Castigos I: 765 euros a astronómica multa que o treinador do FCP, coitado, apanhou por se ter limitado a festejar, exuberantemente, o golo no último segundo no Bessa. Segundo as suas palavras «não estava na missa» (ainda bem) e «festejamos no Porto sempre os golos à Éder», isto é, com palavrões. Não consta que Fernando Santos se tenha dirigido nessa altura ao seleccionador francês dizendo qualquer coisa como 'tomem cardápio' (mesmo que com o cardápio em francês).
- Castigos II: Segundo li, o regulamento de castigos a treinadores e a outros personagens dos bancos diz que só se na mesma época desportiva acumularem cada série de três expulsões pelo mesmo motivo é que são punidos com a sanção de suspensão por um jogo. Ou seja, se um treinador, umas vezes, insultar o banco opositor, outras vezes partir a própria banqueta, outras diversificar com uns elegantes impropérios aos árbitros etc., pode estar seguro que, com romantismo ou sem ele, pagará, tão-só, os tais setecentinhos multiplicados pelo número de jornadas do campeonato, sem nunca ser impedido de ir para a banco. Não sei até se inovando nos palavrões se constitui uma diferença série de infracções. Por exemplo, se em vez de cardápio, se disser larápio, agápio, esculápio ou serápio."

Bagão Félix, in A Bola

O belo exemplo que Guimarães deu

"O problema não é do VAR, é dos árbitros e seus mandantes, os quais se afadigam na promoção de boas intenções sem abdicar de hábitos antigos

Num estádio que vive o futebol com elevado fervor clubista, como é o de Guimarães, com um público exigente e apaixonado pelo seu emblema e o quinto lugar em discussão, o Vitória SC - Rio Ave do último domingo reunia as condições suficientes para se transformar em complexo problema para a organização. No entanto, em vez de perigos e receios proporcionou um espectáculo exemplar: pela qualidade do jogo, pela disponibilidade dos praticantes, pelo empenho das equipas, pelo apreciável número de golos, cinco, e pela dúvida que pairou até aos minutos finais sobre o nome do vencedor.
Perante tantas e tão vibrantes emoções, os adeptos de ambos os clubes nem tempo tiveram para desviar os olhares do relvado, não sendo estranha a tal ambiente frenético e circunstância de nos bancos de suplentes se terem sentado dois treinadores, Luís Castro e José Gomes, que muito aprecio, não só pelo trabalho sério e lúcido, mas também pela educação e lisura como enfrentam a competição e as suas intrincadas especificidades, provando à saciedade, contrariamente a um pensamento, instalado, que o sucesso não é directamente proporcional nem à intensidade dos gritos pretensamente motivadores, nem ao volume das agressões verbais dirigidas ao oponente.
Mostra-me como jogas e dir-te-ei quem te treina, foi um pouco a ideia que extravasou destes fantástico jogo, enriquecido pelo facto, muito raro, de três dos cinco golos terem sido marcados na sequência de pontapés de penálti, dois para o Vitória e um para o Rio Ave.
Mais surpreendente ainda, em função da desgraça reinante na arbitragem, os três lances foram correctamente assinalados e nem provocaram alarido no exterior. Três juízos difíceis, mas assumidos prontamente pelo árbitro de apelido Almeida - e não Capela, Godinho ou Miguel, três descobertas da confraria -, o qual, pelo esforço, tem cumprido notório percurso de valorização, apesar de pouco considerado pelos patrões da arbitragem. De tal forma foi convincente e seguro na análise dos lances e nas decisões tomadas que das bancadas a mensagem mais interessante que se captou foi a de aceitação e concordância.
Os adeptos de Guimarães são irreverentes e tentados a violarem a fronteira do razoável, mas anteontem mostraram, igualmente, que sabem ver o futebol como deve ser visto, com animação, entusiasmo e correcção. Se a referência suprema mora em Inglaterra, este Vitória - Rio Ave situou-se ao nível dos jogos da Premier League: a envolvência, a festa, o futebol, os golos, o público. A Paz! Tudo o que um grande jogo deve oferecer.

É estranho que situações felizes como a que Guimarães proporcionou sejam ainda tão raras na liga portuguesa. Não somente por culpa dos árbitros. Os treinadores, principalmente os mais convencidos, têm quota substancial de responsabilidades na balbúrdia, por entenderem que o insulto e a desordem continuam a valer a pena, dada a complacência de um país futebolístico que, por uma vitória, é capaz de hipotecar os valores de uma sociedade moderna, culta e progressista.
É estranho porque o problema não é do VAR, uma ferramenta valiosa e de reconhecida utilidade, mas das pessoas. Dos árbitros e seus mandantes, os quais, cada vez mais escondidos, de afadigam na promoção de boas intenções sem abdicarem de hábitos antigos. Inultrapassável contradição que a realidade comprova. Já nem a classificação anual é publicada, dizem que com acordo dos árbitros. Não duvido, mas a opacidade é a via mais rápida para proteger amizades e fomentar dissidências.
Hoje, como ontem, é infinda a complacência que o erro gera. Talvez seja mais resignação, por se intuir que nada é possível fazer para destruir essa abstrusidade que detém o poder de despedir treinadores, despromover clubes ou decidir títulos.
Quem joga bem está mais próximo de ganhar e quem joga mal fica mais perto de perder, é dos livros, por isso convém não misturar alhos e bugalhos: uma coisa é o que é, outra o que a arbitragem suscita, por sucessivas avaliações deficientes e inadmissíveis. Antes era o erro humano, pela obrigação de decidir num segundo e sob enorme pressão. Agora, tem de acrescentar-se o erro humano de quem manipula a tecnologia em ambiente cómodo e de nenhuma pressão. Ah, pois, é o protocolo!
É estranho, e mais estranho é porque entre o erro grosseiro e clara e o benefício da dúvida (oportuna expressão que os especialistas alegremente utilizam) se pressente leve indício de uma subtil tentativa de inversão de marcha."

Fernando Guerra, in A Bola

Benfiquismo (MXXXII)

Golo...!!!

A realidade e a sua percepção

"O meu conselho a todos: reflictam bem, porque o assunto é sério e merece toda a atenção

À medida que as jornadas decorrem e os lances se multiplicam, a opinião pública vai construindo uma ideia clara sobre o que pensa e espera do videoárbitro. Por um lado, há o sentimento unânime de que a ferramenta, em si, é uma mais-valia com lugar cativo no futebol moderno. Por outro, há a ideia, também ela quase unânime, de que quem lida com este mecanismo nem sempre revela apetência, sensibilidade ou competência. Pode ser verdade, pode ser falso ou pode andar no in between, mas esse é, de facto, o sentir generalizado. O que toda a gente parece dizer a uma só voz.
Tenhamos a sapiência de não ignorar esses sinais, porque o resto do mundo também percebe um bocadinho de bola. Pelo que vejo, há duas lógicas em conflito: a realidade... e a percepção da realidade. A realidade é aquilo que move a coisa, de dentro para fora: existe um protocolo rígido, secundado por instruções firmes, que impõem que os VAR's só actuem quando o erro, em campo, for evidente e óbvio. Já a percepção da realidade - aquilo que, cá fora, todos veem e esperam - é diferente: o videoárbitro existe para ajudar o futebol a ter mais justiça. Ponto final, parágrafo. Talvez por isso, a sua introdução tenha aumentado radicalmente as expectativas e exigências.
Na prática, uns e outros têm argumentos válidos mas parecem precisar de fine tunning. A expectativa das pessoas, o tal sentir exterior, não pode esperar que o videoárbitro acabe com todos os erros. Percebam que a intervenção em casos de dúvida, em lances de contacto indecifrável ou de intensidade subjectiva, estará sempre fora de equação. Percebam ainda que aquela mão nas costas, aquele chega para lá com o braço ou aquela meia chapada-carícia... também não entra nas contas. Por outro lado, é importante que, do lado de dentro, se perceba que têm existido várias decisões erradas: lances óbvios que não tiveram intervenção e outros, quase idênticos, que tiveram; momentos de ida ao écran para validação e outros, semelhantes, sem essa indicação; decisões claras com rectificação e outras, bem parecidas, que se mantiveram. A incoerência descredibiliza, ainda que inocente. Faz com que toda a gente ande confusa e desacreditada. Levanta suspeitas desnecessárias. E isso é tudo o que a arbitragem não precisa.
O meu conselho a todos: reflictam. Reflictam bem, porque o assunto é sério e merece toda a atenção. A quem está de fora direi... não esperem por indicação do VAR quando, nunca sala com dez pessoas, metade diz uma coisa e metade diz outra. Aos outros diria... não se agarrem ao rigor protocolar para defender uma decisão, quando a melhor decisão é, afinal aquela que está à vista de todos.
As amarras desse código de actuação não podem nem devem negar, ao jogo, aquela que se percebe ser a decisão mais óbvia. A única decisão acertada. Não nos esquecemos que a finalidade da tecnologia é servir o jogo, não encontrar argumentos técnicos para não o fazer. As orientações e instruções que existem são apenas meios para chegar a um fim. Um ponto de partida, nunca um ponto de chegada. Só os estagiários apitam com o livro das leis debaixo do braço. Todos os outros não. Haja sensibilidade, inteligência emocional e saber prático. haja independência e coragem."

Duarte Gomes, in A Bola

Credibilidade e transparência

"Noventa e nove jogos de futebol, seiscentos e trinta e nove lances apreciados pelo VAR, nove erros assumidos. É assim, através do Twitter, que o Conselho de Arbitragem pretende responder e inocentar-se da chuva de críticas que caíram sobre a incompetência utilização do videoárbitro.
A resposta, porém, denuncia mais quem se pretende esconder da discussão e do esclarecimento do que quem quer vir a público explicar e provar qualquer razão substancial. Primeiro, porque o Conselho de Arbitragem é parte interessada e não será, por isso, a entidade indicada para fazer acreditar que as suas contas estão certas; depois, porque mesmo que fosse verdade (e não será) ter havido apenas nove erros entre os mais de seiscentos lances visionados, era importante dizer concretamente quais, quem os cometeu, quem foi beneficiado, quem saiu prejudicado. E era importante, porque se torna fundamental entender se há, como parece, um padrão nesses erros.
A modernidade da comunicação, cada vez mais básica e equívoca, começa, aliás, a ser uma conveniência para evitar o contraditório e para procurar remeter o que pode ser um preocupante erro estrutural do sistema num insignificante dano ocasional.
Porém, o problema existe e não se resolve com uma estatística feita à medida da necessidade imediata. A arbitragem e toda a estrutura que a sustenta não sobrevive sem credibilidade e esta não sobrevive sem transparência. A começar pela análise séria dos resultados alcançados com essa famosa fórmula de guardar em segredo a classificação dos árbitros. Se é que tais classificações existem..."

Vítor Serpa, in A Bola

O que é que ganha afinal o Benfica com Jonas sozinho no ataque?

"Continua a ser uma das dúvidas mais prementes do futebol do Benfica: o que é a equipa ganhou afinal com a mudança para o 4x3x3?
Antes de mais, a resposta óbvia é que não ganhou.
Afinal de contas, o Benfica era campeão há quatro anos seguidos, sempre num esquema de 4x4x2, e, desde que mudou, deixou de o ser. A partir daí é difícil defender que mudou para melhor.
Mas vale a pena tentar ver para além disso.
Rui Vitória, por exemplo, fez questão de referir sempre que a alteração táctica tinha a ver sobretudo com dois aspectos. Por um lado o reforço do meio campo, por outro lado o aproveitamento de Jonas. 
Logo em Novembro de 2017, numa das primeiras vezes que jogou com apenas um avançado na frente, o treinador explicou após o jogo o que mudava com aquela alteração táctica.
«Jogando sozinho na frente, o Jonas centra muito a atenção dos centrais que o marcam e à volta dele temos vários jogadores que dão profundidade, como são os casos dos extremos, ou dos médios que entram na área para finalizar. O Jonas, prendendo os centrais, oferece-nos outras possibilidades para os outros jogadores que surgem por detrás», respondeu.
Esta declaração é polémica, porque parece redutor ter Jonas para prender apenas os centrais e libertar os companheiros. Afinal de contas, o brasileiro faz em condições normais sempre perto (ou acima) dos trinta golos por temporada. Ele vale pelo que marca e não pelo que permite marcar.
Mas em frente.
Esta conversa voltou a ser tema na semana passada, quando Rui Vitória falou ao podcast «Conversas à Benfica». Nessa altura, o treinador insistiu no mesmo ponto.
Disse que houve vontade de adaptar a equipa principal ao esquema utilizado em todos os escalões de formação, disse que se tornou urgente proteger fisicamente Jonas do trabalho defensivo e disse que este esquema táctico permite a mais jogadores surgir em situação de finalização.
«O que é que pretendemos claramente hoje? A nossa forma de jogar é assim, em determinados momentos podemos jogar com dois avançados, mas o que nós queremos é que haja sempre jogadores dentro da área, apareçam eles pelos lados, por detrás, neste caso os médios ou os alas, mas apareçam na área. O nosso avançado tem de estar na área para fazer a assinatura no quadro.»
Ora vale a pena comparar estas declarações com os factos.
Rui Vitória diz que o 4x3x3 lhe permite guardar Jonas apenas para finalizar jogadas dentro da área. Antes de mais, o brasileiro parece ser muito mais do que apenas um finalizador. É um craque, que inventa golos, de todas as formas e feitios: não é um jogador de encostar à boca da baliza.
Mas há mais. Sendo certo, por exemplo, que Jonas voltou a fazer na época passada acima dos trinta golos na Liga, tal como tinha feito na primeira temporada de Rui Vitória, também é certo que o Benfica marcou sempre menos do que tinha feito na época anterior.
Ou seja, a ideia de que mais jogadores podem aparecer na área a finalizar (e subentende-se, a fazer golos) não encontra paralelo nos números.
Na primeira época de Rui Vitória, o Benfica fez 122 golos em 52 jogos, a uma média de 2,34 golos por jogo. No segundo ano marcou 118 golos em 54 jogos, a uma média de 2,18 golos por jogo. Na época passada, fez 94 golos em 47 jogos, a uma média de 2 golos por jogo. Já este ano, o Benfica leva 45 golos em 25 jogos, a uma média de 1,8 golos por jogo.
Sempre a descer, portanto.
O próprio Jonas, aliás, nunca marcou tão pouco como está a fazer esta temporada: sete golos por jogo, a uma média de 0,67 golos por jogo. A pior média desde que chegou ao Benfica.
Mas será que o reforço do meio campo permite à equipa pelo menos defender melhor?
Os números também garantem que não. O Benfica nunca sofreu tantos golos como agora, aliás. Esta temporada já foi batido 27 vezes em 25 jogos, o que dá uma média de um golo por jogo. Na época passada, sofreu 45 golos em 47 jogos, a uma média de 0,95 golos por jogo.
Já nas duas primeiras épocas, na altura do 4x4x2, a média de golos sofridos por jogo desce consideravelmente. Na primeira época de Rui Vitória a equipa encaixou 42 bolas em 52 jogos (média de 0,80) e na segunda época encaixou 43 golos em 54 jogos (média de 0,79).
Ora no fim destas contas todos, podemos pelo menos questionar as explicações de Rui Vitória: porque ou o mister se explicou mal ou as explicações não fazem sentido.
Certo é que as palavras não batem certo com os números."

A matemática do VAR

"A introdução do VAR na Liga NOS foi recebida como um extraordinário contributo para o avanço da transparência no futebol português. Um projecto que chegava com a melhor das intenções e que dispunha de condições práticas para eliminar 90% dos erros graves a que estavam sujeitas as equipas de arbitragem.
Um ano e meio depois, que balanço se pode fazer ao impacto do VAR? Infelizmente – e desnecessariamente – há uma imensa onda de descontentamento, há um sério problema de credibilidade, há mais dúvidas do que certezas. Crescendo a ideia de que o VAR, assim, não serve. Existindo o risco de se tornar numa enorme desilusão.
No pico da contestação, o Conselho da Arbitragem lembrou-se de fazer a radiografia do primeiro terço do campeonato relativamente ao vídeo-árbitro. O dado mais significativo é que, afinal, mesmo com VAR, o CA admite 9 avaliações erradas.
Claro que, depois, tenta mitigar a questão, dizendo que existiram 639 situações checkadas, quando o mais honesto seria lembrar que foram 9 erros, sim, mas nas únicas 33 situações que foram analisadas. 
Isto é: a percentagem de erros cresce de 1,4% (9 em 639) para 27,2% (9 em 33 revisões formais dos lances, aquilo que interessa contabilizar). Ou seja: mesmo com recurso ao VAR, há 27,2% de más decisões! Ainda assim, o interesse do estudo seria outro se o CA nos tivesse feito o favor de fornecer a informação que passou agora a ser a mais desejada. Há 9 erros, sim senhor. Mas onde estão eles? Quem os cometeu? Em que jogos? Ficamos à espera."