Últimas indefectivações

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Alvorada... do Gonçalves

Benfica, nº 1

"Evidência de 2 meses. Também canalhice, Leis antiviolência, árbitros, Selecção e Sporting

Justiça no desfecho do Benfica - FC Porto. Superioridade imposta nas ganas de vencer e na melhoria de qualidade técnica em toda a 2.ª parte - num confronto em que tal qualidade foi, globalmente, fraquinha, substituída por dura intensidade nos sucessivos duelos atléticos. O que deveria ter dado vantagem ao FC Porto, muito mais poderoso nessa área. Não deu, porque, pós-intervalo, o Benfica teve mais raça e muitíssimo melhor estratégia para vencer. Só ele quis mesmo ganhar - e aí esteve a grande surpresa/decepção portista.
Rúben Dias, excepcional, foi, para mim, o melhor em campo. Seguido por Grimaldo, Pizzi, Seferovic (neste, para além do golo, a melhor exibição que lhe vi: segurar posse de bola, executar certeiras tabelas, hábeis movimentações). E Gabriel, derradeira aquisição, muito menos brilhante, mas dando à linha média mais rigor táctico e superior capacidade atlética. Nenhum portista se aproximou do nível do melhor quarteto benfiquista (mas mantenho que o recém-chegado Militão é craque) e Marega, habitual forte trunfo, fez exactamente o oposto do que, certamente, o treinador lhe pediu: quiça em má forma física - às tantas, magoado -, os seus dotes de pujança atlética e velocidade não conseguiram ultrapassar o pequenino Grimaldo (!) e foram impressionantemente incapazes de lhe travar avalanches de ímpeto atacante.
Benfica confirmou ser a melhor equipa portuguesa nos 2 primeiros meses da época. Não de forma espectacular - o que muito desabona FC Porto e Sporting... Sim, SC Braga reparte 1.ª lugar no campeonato; mas eliminação europeia foi tremenda nódoa! - enquanto o Benfica teve Agosto duríssimo, ultrapassando 4 jogos para entrar na Champions. Nesse período, merecia ter ganho o dérbi, claramente superior a Sporting hiperdefensivo. Depois, fortes solavancos: incontestável derrota com Bayern e precipitadíssimas expulsões, justas, provocaram empate em Chaves (Conti) e tremendo calafrio em Atenas (Rúben Dias). Fica o balanço de 2 meses - do qual ninguém deveria dizer não ser bem positivo...
(...)

Violência. Há 3 semanas, aqui festejei estarem a chegar, finalmente!, Leis, estas firmes, para lhe pôr cobro no Desporto. Anteontem, A Bola muito as pormenorizou - e são bem duras, como se tornou obrigatório. Repito: Eureka, aplaudo um Governo! Desejando o mesmo vir a fazer a aprovação no Parlamento.

Árbitros. Tenho imenso respeito pela sua espinhosa função. E elogio grande progresso com chegada do VAR (cujo protocolo, creio, precisa de ser corrigido). Mas é esta estupenda tecnologia que não permite desculpar erros de palmatória. Expulsão de Lema foi disparatada de Fábio Verísssimo, não corrigido por bom árbitro (Jorge Sousa) no VAR! Penálti não assinalado a favor do Rio Ave, no último minuto em Braga, foi... barbaridade (!) de Tiago Martins e, ainda maior, do VAR, Bruno Paixão!!! Aliás, tem-se verificado a regra de árbitros medíocres no campo não passarem a bons no VAR...

Selecção. Palavra de ordem: manter, agora na Polónia, o vitorioso rumo redesenhado frente à Itália. Expectativa em pormenores. Rúben Neves justificou estreia a titular, mas... regressado Danilo tira-lhe o lugar? William irá bisar na nova função (n.º 8) que tão bem desempenhou? Pizzi ou Bruno Fernandes, qual deles completando trio de médios centrais?

Sporting. O tempo passa, já deveria ter-se libertado do stress pós-traumático. Perdeu Patrício, William e Gelson, tem Bas Dost e Mathieu lesionados, mas aquilo que não jogou em Poltava e em Portimão foi... chocante! Arrepia caminho num ápice, ou caldo ficará efervescente, ameaçando explodir!"

Santos Neves, in A Bola

Um golo que valeu por dez

"O campeonato português tem-se revelado perfeito para avançados que, sem historial goleador, se tornam especialistas indiscutíveis; também acontece o contrário, jogadores que chegam com o suporte de uma carreira feita de números eloquentes e perdem o hábito – Ferreyra é apenas o exemplo mais à mão. Seferovic constitui, ele próprio, uma contradição: avançado possante, de entrega total, com argumentos interessantes, mas que revela incompatibilidade surpreendente com o último toque. Começou bem a época passada, fez alguns golos mas acabou preterido por Rui Vitória no momento em que optou por jogar em 4x3x3 – o suíço foi vítima da entrada de Krovinovic e nunca mais recuperou a aura.
Seferovic encarna a diferença entre técnica (que revela nos gestos mais importantes, como recepção e passe) e habilidade (que não tem). De costas para a baliza, mesmo quando está pressionado, revela talento suficiente para dar seguimento automático às acções; utiliza bem o corpo, esconde a bola dos adversários, é forte pelo ar e eficaz no jogo combinado. Não é um predestinado mas está longe de ser um tosco e é muito útil quando se desmarca em grande velocidade e abre linhas de passe. O problema é não acrescentar a essa utilidade evidente um número de golos significativo.
Jogador de perfil lutador, com vastíssimo raio de acção e enorme amplitude de movimentos, Seferovic é perfeito para um estilo de jogo mais directo, embora também mais impreciso e menos eficaz. É complicado pedir-lhe que participe nos diálogos que antecedem o último toque ou que alimente lengalengas muitas vezes sem sentido e que só o diminuem nas qualidades mais expressivas. Se o toque está para o futebol como a palavra para a sociedade, o suíço é um jogador austero, silencioso, inexpressivo, em suma, de poucas conversas. Quando chegou a Portugal deu sinais de que poderia fazer upgrade às qualidades consolidadas ao longo da carreira, mas a torneira fechou e as dúvidas foram mais fortes do que a esperança. Agora, tudo mudou: como quarto avançado do plantel (atrás de Ferreyra, Castillo e Jonas) conquistou a titularidade e marcou o golo que decidiu o clássico. Um golo que valeu por dez.
Sendo ponta-de-lança, Seferovic não tem a contabilidade em dia; é desprendido com a estatística e pensa mais no todo do que no bem-estar pessoal; não corre quilómetros e entrega-se a lutas acesas com os defesas para tirar partido individual desse esforço, antes encara essa entrega como arma colectiva. É uma opção que o desgasta e que, a partir de certa altura dos jogos, o enfraquece nos despiques em zona de finalização, onde é conveniente chegar fresco, lúcido e sereno para tomar as decisões mais contundentes.
Seferovic tem e terá sempre melhor relação com o jogo do que propriamente com o golo e é muito mais relevante para a equipa do que temido pelos adversários. Mas é avançado e, no limite da apreciação exterior, é medido pela pontaria ou falta dela – um médio pode ser admirado pela subjectividade dos requintes técnicos, um atacante é medido pelos golos que marca. A generosa entrega e o espírito solidário são qualidades que perdem significado ao fim de longos jejuns sem marcar. O golo torna-se prova de vida para conquistar a tranquilidade e o reconhecimento universal; sem ele, os parâmetros de avaliação por ser o primeiro defesa da equipa e a noção de equilíbrio perdem relevância. Por isso o tiro que derrotou o FC Porto foi muito mais do que um momento: foi o golo mais importante da carreira; um instrumento precioso para consolidar o estatuto abalado na preparação da época; o argumento final para o tornar herói definitivo no reino da águia, mesmo que a distinção belisque o seu perfil discreto e as suas profundas convicções de que o futebol é um desporto colectivo.

Nakajima com aura de fenómeno
O Portimonense teve uma vantagem indiscutível no jogo com o Sporting
Nakajima confirmou a aura de fenómeno O japonês escolheu bem o dia para explodir e mostrar-se na plenitude de um talento grandioso: fê-lo perante uma potência, num jogo altamente mediático. Com a bola dominada, em velocidade, no ataque ao espaço, tomando decisões sempre com sentido prático, poucos em Portugal o suplantam. Caso ainda não tenham percebido, é um craque.

Militão adaptado ao jogo europeu
O FC Porto teve capacidade de resposta notável à saída de Iván Marcano
Éder Militão chegou e, pouco depois, foi colocado perante exigente teste, na Luz, perante o Benfica. Aos 20 anos, não deixou créditos por mãos alheias e assinou exibição que sustentou a ideia de que estamos perante um dos melhores jogadores do Brasil da actualidade, candidato seguro a patrão da canarinha para a próxima época. Chegar à Europa e adaptar-se com tanta facilidade tem muito que se lhe diga.

Nani não evitou apagão leonino
Nas equipas em estado de desgraça, todos parecem pior do que são realmente
O Sporting foi manta de retalhos em Portimão. Os melhores jogadores, que têm sido decisivos em várias situações durante a época, foram arrastados pela desinspiração colectiva e não deram a volta ao texto. Tudo o que podia correr mal, correu – incluindo a lesão de Salin. Nani ainda trouxe uma corrente de ar fresco, depois do intervalo, mas não conseguiu contagiar os outros. O apagão foi grave a esse ponto."

Histórico desde domingo às 19h30:

"- SL Benfica vence clássico pela liderança;
- Portimonense SC vence clássico pela manutenção;
- Procurador da República do Tribunal de Instrução Criminal do Porto é condenado por ajudas ao FC Porto;
- FC Porto SAD apresenta só 28,5 milhões de Euros de prejuízo;
- Pinto da Costa informa o Mundo que Herrera quer só 6 milhões para renovar;
- Fica-se a saber que bloggers que andaram a brincar com os emails do SLB estão a ser contactados pelo Google;
- Tribunal Administrativo dá provimento a recursos do SLB devido a castigos aplicados pelo IPDJ e CD da FPF;
- Procuradoria Geral da República baldeia aldrabice do Correio da Manhã dizendo que LFV é arguido no caso dos emails, directamente para o caixote do lixo.;
- BdC do alto de toda a sua sabedoria, diz que soube que ia ser emitido um mandado em nome dele no caso do ataque a Alcochete.
(somem nos comentários o que me esqueci)
Hoje o hacker pro bono anuncia que no dia 18 às 18h00 serão revelados mais emails do SLB no Mercado do Benfica... Ohhh... O Espanto... A Surpresa..."

E isto é a Cofina!!!

A gravidade deste tratamento diferenciado, não é unicamente estas duas notícias, são todas as outras, sobre todos os outros temas, sempre dadas com a mesma dualidade de critérios... Se os apitadeiros, dentro do relvado, até podem alegar a dificuldade em decidir em segundos, estes avençados do Anti-Benfica, nos pasquins e nas televisões, fazem isto, premeditadamente... aliás, os apitadeiros, também...!!!

O fora de jogo

"Quando se aborda a necessidade de alterar determinadas regras do futebol para o tornar mais atractivo, o fora de jogo é sempre citado em lugar de desataque.
Pretende-se que haja mais golos? Se não fosse o fora de jogo… havia com certeza.
Deseja-se que a verdade desportiva seja menos beliscada por erros de arbitragem? De facto, é na análise dos fora de jogo que se centram as maiores polémicas, com fundamento em grosseiros erros de avaliação.
Não seria melhor limitar o fora de jogo a situações mais específicas e em áreas mais reduzidas do terreno de jogo? Sem dúvida, mas as hipóteses são muitas e a unanimidade não é fácil.
No limite, não será melhor acabar, pura e simplesmente, com o fora de jogo, tido como uma abencerragem no futebol moderno? Parece ser hipótese de considerar e até a comissão Van Basten, nomeada para o efeito, a incluiu no conjunto das suas propostas para melhorar o futebol.
Realmente a questão tem estas – e outras – vertentes susceptíveis de análise, sendo fundamental encontrar soluções que garantam que o futebol mantém o estilo actual.
De facto, não há fora de jogo no futsal, nem no futebol de praia, nem no minitutebol de que se disputou recentemente um mundial em Lisboa.
Mas será que, com a abolição do fora de jogo, as jogadas se vão desenrolar segundo o processo actual, nos planos ofensivo e defensivo, e que daí vai resultar um fartar de golos em ambas as balizas?
Tanto quanto se sabe face aos testes já realizados, tudo indica que o jogo seria bem diferente, com tudo ao molho dentro das áreas para eliminar a mínima hipótese de golo; e quando, por mero acaso, acontecesse algum, a defesa da curtíssima vantagem ainda seria mais agressiva…
Parece, pois que, não sendo de eliminar completamente a discussão, o assunto terá de ser muito bem analisado, antes de ser tomada qualquer decisão que possa dar razão ao aforismo "pior a emenda que o soneto".
Para já, há que manter o fora de jogo nos moldes actuais; até porque, com o VAR, a detecção de possíveis erros de avaliação é agora bem mais realista e a verdade desportiva está mais defendida."

Benfiquismo (CMLXXV)

Diabos...

Lanças... Será que o lamaçal tem salvação?!

Benfica vs. IPDJ !!!

Alguém tem pipocas?!!!

Bem...

Benfica 5 - 1 Fundão

O resultado não reflecte a dificuldade do jogo... Desbloqueámos o jogo de 'bola parada' (4 golos de 'bola parada') e com 3-1 no marcador, o Roncaglio foi obrigado a mostrar serviço...!!!

Não deu para mais...

Benfica 92 - 111 Sassari
24-22, 22-37, 28-24, 18-28

Os Italianos do Sassari, foram claramente a equipa mais forte que passou pela Luz nos últimos anos!!! Talvez desde dos gloriosos anos 90 não recebemos num jogo oficial uma equipa com tanto potencial... O Benfica, sem o seu Poste principal, e sem um dos principais jogadores da rotação, Fábio Lima, não podia mesmo fazer mais... O Tomás também deve estar condicionado, pois só jogou 4 minutos!!!
Estivemos a 4 pontos no último período, mas uma sucessão de erros, e decisões parvas dos apitadeiros, 'matou' qualquer esperança de lutar até ao último segundo!

Jubas

"1. De recurso em recurso, ainda acaba com o Benfica a cumprir os jogos de castigo à porta fechada nos concertos de Ed Sheeran na Luz, em Junho.
2. Acusação de violação a Ronaldo: não temos de obrigar-nos a ter opinião em relação a um tema sobre o qual podemos apenas especular. E o sentido de justiça não se faz de feelings, muito menos pode depender de nacionalidade, fama, conta bancária ou grau de afinidade. Discutir se CR7 fez ou não fez não pode estar ao nível da discussão sobre quem é melhor, ele ou Messi. Nas redes sociais assiste-se a um nojento desfile de disparates entre quem defender e quem acusa.
3. O que não pode acontecer é Ronaldo não jogar mais pela Selecção até final do ano e não haver uma explicação. A Selecção só é de todos na hora de pedir apoio?
4. Começo a acreditar que quem traiu Jesus Cristo não foi Judas, mas sim o malandro do Jubas. Como andámos tanto tempo enganados?
5. O Sporting cumpriu em Portimão o que prometeu em Poltava. Nakajima parecia a famosa personagem da série Duarte & Companhia que batia em todos os que lhe chamavam chinês. «Eu não sou chinês, eu sele japonês!»
6. Rui Vitória até pode ter conseguido ganhar ao FC Porto, mas há algo que nunca conseguiu: ganhar 2-0 ao FC Porto. À atenção do clube de fãs.
7. Há alguma hipótese de a Liga Europa começar apenas aos 16 avos de final? Agradecido.
8. Pinto da Costa diz que o futebol não pode ser uma guerra. Pinto da Costa diz que o futebol não pode ser uma guerra. Escrevi duas vezes para não pensarem que é engano.
9. Bansky arranjou forma de auto-destruir um valioso quadro no fim do leilão, Bruno Paixão fez o mesmo com o VAR no fim do SC Braga - Rio Ave. Artistas são artistas.
10. A música tauromática no final do clássico valeu ao Benfica uma bandarilha de 765 euros. Olé!"

Gonçalo Guimarães, in A Bola

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Rasgo corajoso merece aplauso

"O projecto da lei do Governo que visa o combate à violência no desporto, que já está na Assembleia da República (AR) à espera de ser discutido e votado, só pode ser visto como uma boa notícia. E se, em tantas alturas, foi crítico da inércia do(s) governo(s) e da falta de coragem para a implementação de medidas absolutamente necessárias, desta feita tenho de dar os parabéns ao executivo, pela forma corajosa como se propõe combater a violência no desporto, nomeadamente no que respeita ao enquadramento dos grupos organizados de adeptos, vulgo claques.
As várias medidas, anteontem divulgadas em A Bola, são susceptíveis de provocar forte reacção dos visados, quer daqueles que pura e simplesmente nunca aceitaram a chamada legalização, quer dos outros, que aderiram a um faz de conta que nunca atrasou nem adiantou. Os negócios que gravitam em torno da actividade destes grupos estão, a partir de agora, seriamente ameaçados e, como tal, não será de ânimo leve que irão aderir ao novo regime legal. E é precisamente aqui que este Governo, e os que se seguirem, devem ser inflexíveis, garantindo que a lei vai ser de facto aplicada, doa a quem doer. Porque e história ensina-nos que um dos grandes problemas do desporto português não tem estado na qualidade da produção legislativa, mas sim na sua (não) aplicação...
Logo que o projecto de lei que está na AR for aprovado e entrar em vigor, cá estaremos para verificar se as medidas importantes nele plasmadas vão ser levadas à prática, ou não. Para já, o Governo, pela audácia demonstrada, merece o benefício da dúvida. É tempo de tirar os hooligans dos estádios."

José Manuel Delgado, in A Bola

Foi à sétima!...

"Quando Vitória aceitar que para o universo benfiquista a derrota colide com a história e grandeza do clube, estará encontrado o Ferguson que Vieira deseja ver nele

Rui Vitória pediu respeito, mas não se trata de menor respeito ou de ver as coisas pelo ângulo que mais convém a quem notícia ou crítica. É, sim, a realidade crua e nua e a dificuldade que o treinador do Benfica sente em lidar com ela. Seja quem for, aliás, porque o defeito é generalizado e os discursos, ora exaltados, ora sonolentos, primam pela vulgaridade, do primeiro ao último lugar da classificação. Não nascem Mourinhos, Jesus ou Klopps todos os dias, cada qual ao seu jeito, mas com especial aptidão para animarem os encontros com os jornalistas e enriquecerem o espectáculo.
Irritou-se Vitória na antevisão do clássico. Aliviou o espírito e ficou com as ideias mais arejadas para preparar um jogo que não seria apenas mais um. Tinha um significado muito especial apesar do seu carácter não decisivo como Sérgio Conceição teve o cuidado de sublinhar. E não foi por acaso que o fez. Protegeu-se e antecipou a reacção em caso de fracasso, como se verificou: deu os parabéns ao árbitro, jurou vitórias até ao fim e seguiu em frente, até à próxima estação. Depois se verá...
Investiu nesta estratégia comunicacional porque tinha margem de manobra (que já não tem), margem essa que faltava a Vitória, exactamente pela crueldade estatística de três empates e três derrotas nos jogos com o dragão enquanto treinador do Benfica. Faltava-lhe um triunfo como este, mas à sétima tentativa foi premiado. Faltava-lhe ultrapassar esta barreira de dúvidas e, de algum modo, fazer as pazes com os desiludidos adeptos pelo que aconteceu na última temporada em que o penta se esvaiu na sequência de derrota sofrida na Luz, precisamente diante do mesmo dragão em que à águia faltou a competência competitiva que anteontem revelou.
Os treinadores lidam mal com os reparos que lhe dirigem e Vitória não é diferente. Nenhum problema se vislumbra, no entanto, desde que se convença, que, em nível de exigência tão elevado, não faz sentido tenta desculpar cada derrota com vitórias passadas, porque para o universo benfiquista a palavra derrota colide com a história e a grandeza do clube, é como se não existisse.
Quando Rui Vitória compreender e aceitar essa certeza, quando os «triunfos à Benfica», como ele proclamou, deixarem de ser a excepção e voltarem a ser a regra e quando decretar no seu imaginário livro de leis e proibição de perder e a consequente responsabilização de quem não observar a norma, então estará encontrado o Fergunson que Luís Filipe Vieira deseja ver nele para consolidar o seu projecto futebolístico e, definitivamente, lançar o Benfica do futuro.
(...)"

Fernando Guerra, in A Bola

Reflectir para evoluir

"Os VAR têm de ter treino especializado porque esta é uma função especializada

O futebol moderno está diferente. O acerto das decisões já não depende apenas daquilo que três ou quatro homens conseguem ver, no meio de suor, braços e pernas, de vinte e dois jogadores.
Hoje, a justiça do jogo assenta, também, naquilo que um outro, tecnicamente qualificado e teoricamente preparado, consegue aferir, através dos meios que tem à disposição.
Por isso, o paradigma mudou. A introdução da videotecnologia fez disparar as expectativas e diminuir, drasticamente, o grau de tolerância. E isso, de facto, faz todo o sentido. O que agora se espera é que, em determinados lances, a decisão seja sempre boa.
Passada a fase de testes e em pleno funcionamento, é justo afirmar duas verdades distintas: que a tecnologia, em si, é fundamental e inevitável, porque ajuda a trazer mais justiça e verdade ao jogo; que o seu sucesso depende, directa e inequivocamente, de quem a utiliza em sala (VAR) e de quem a aplica no terreno (árbitro).
Nesta medida, algumas conclusões tornam-se então evidentes:
- Os meios tecnológicos, per si, raramente falham (duas quebras pontuais até à data, em centenas de jogos, correspondentes a milhares de minutos);
- Quem opera o sistema e quem é responsável por decidir em campo nem sempre toma as melhores decisões. Pelo menos, aquelas que (nalguns momentos) todos esperam e desejam. Todos sentem e intuem. Importa perceber porquê.
Estamos no interregno do campeonato e este é o momento oportuno para parar e reflectir. Afinal de contas (e sem prejuízo de várias boas decisões verificadas até à data), porque motivo certos lances, que o mundo espera que tenha apenas uma só decisão, têm outra, diametralmente oposta?
Será que é apenas uma questão de sensibilidade para a função (ou, nesses casos, falta dela)? Será que a letra do protocolo é de aplicação prática difícil, complexa? Será que os videoárbitros estarão agora a passar por aquilo que passam os jovens árbitros, que é aplicarem a letra restrita da lei, sem terem em conta a sua essência e espírito, no fundo, o bom senso, a sua dimensão mais importante? Será que há factores de ordem humana/psicológica (assertividade, coragem, independência), que dificultam todo o processo? Será apenas uma questão de competência? Será que esta função só melhorará com o tempo, com o aumento da experiência prática?
Qualquer que seja a resposta, a solução só pode ser uma: continuar a preparar, continuar a trabalhar, continuar a aperfeiçoar. Trabalho, trabalho, trabalho.
Os VAR têm de ter treino especializado, porque essa é uma função especializada. Devem continuar a preparar-se teoricamente (lendo e relendo continuadamente as leis do jogo e o protocolo), devem ver o maior número de lances e discuti-los entre si (para treinar exaustivamente a tarefa), devem simular situações através da observação de jogos ao vivo. Devem ainda trabalhar as suas competências pessoais, de forma a tornarem a decisão certa, do momento certo e da forma certa. Devem continuar a sua aprendizagem de analisar lances via TV, porque as imagens que os ecrãs transmitem são diferentes das que veem em campo. São diferentes na perspectiva, intensidade, dinâmica.
É um trabalho continuo, ininterrupto, de pura sistematização, rumo de aperfeiçoamento total, à excelência.
Como um dia disse Gary Player: «The more I train, the luckier I get». Não é à toa.
A repetição é maior amiga do sucesso.
Não há outra maneira, não há outro caminho."

Duarte Gomes, in A Bola

Alvorada... do Guerra

O oficial de diligências não gosta de corridas

"Como o Aznavour Futebol Clube está mais morto do que o próprio, nada como falar de Mick the Miller e Patricias Hope

Hoje vinha disposto a falar do Aznavour Futebol Clube, que surgiu aquando da independência da Arménia no lugar do Pahatsoyagorts Noyemberyan, mas a verdade é que o clube está mais defunto do que o artista que lhe deu o nome e já foi enterrado em 1997. Por isso vou falar de cães. Não sou um grande adepto de canídeos, acho sempre que lambem as mãos de quem lhes dá pontapés e mordem as mãos de quem lhes dá de comer. Prefiro gatos: estão-se nas tintas. Mas os gatos não correm. Têm mais do que fazer. Por isso, fico-me pelos cães.
Com toda a ligeireza lapalissiana que me assiste, reconheço que há cães e cães, e o meu velho companheiro José Manuel Mesquita tem um cão que me agrada pelo excesso de educação. Chama-se Simba e é negro, vibrante e luzidio como o melro de Guerra Junqueiro. Ou melhor, é retintamente solene como se vestisse uma toga. Se me permitem: um senhor! Ainda por cima com uma história de vida que meteu quinze dias perdido nos matos do Alentejo graças a um sentido de sobrevivência de fazer inveja a qualquer Robinson Crusoe, mais sexta-feira, menos sexta-feira. Como passa horas no escritório de advogados do dono, não me espantaria, ao fitar o seu focinho protocolar, que tenha sabedoria equivalente a um oficial de diligências, se é que não está habilitado para funções de notariado.
Há uns anos, em Macau, fui de longada até ao canídromo, com o impecável Gilberto Lopes, assistir às corridas de galgos que ocupam muitas boas noites dos apostadores macaenses. Não deixa de ser fascinante aquela precipitação excitada por causa de uma lebre mecânica que lhes faz crescer água na boca como se estivesse cozinhada em civet. Embora, claro, não abone muito a favor da sua inteligência. Lá está: apostaria singelo contra dobrado, à moda dos velhos livrinhos do_Texas_Jack, que o circunspecto Simba, a despeito de ser caçador, desprezaria a miragem automática daquela farsa de laparoto. Dando razão a Sérgio Porto, ou melhor Stanislaw Ponte Preta, que não se eximia de afirmar: «O cachorro é um ser humano como outro qualquer».
Mick the Miller nasceu em Killeigh, na Irlanda, no dia 29 de Junho de 1926. Não foi apenas um ser humano como outro qualquer como foi, também, o cão mais famoso da história do desporto. Apesar de a sua carreira nas pistas não ter durado mais do que três anos, somou vitórias atrás de vitórias – 19 corridas consecutivas – as mais retumbantes das quais no English Greyhound Derby, em 1929 e 1930. Ah! Como os ingleses apreciaram as qualidades de Mick the Miller. Foi preciso esperar 43 anos para que outro ser humano do género conseguisse proeza igual:_Patricias Hope. Com um requinte: no mesmo ano conquistou a Triple Crown, ou seja, triunfos no English Greyhound Derby, Scottish Greyhound Derby e Welsh Greyhound Derby. Pode ser que todo este britânico orgulho não encaixe na nossa muito portuguesinha forma de ver o mundo, mas é exatamente por isso que a Terra é um planeta no qual existe a Inglaterra. «If I may say so...».
Voltemos a Miller. Acrescente-se que a despeito de ter nascido em Killeigh, não longe das destilarias de Tullamore, não era nenhum parolo com queda para as libações alcoólicas. Teve, pelo contrário, uma existência buliçosa. O mais pequeno de uma ninhada de dez irmãos foi levado ainda filhote para os_Estados Unidos por Moses Robensheid, um treinador decidido a fazer dele um campeão. A natureza não esteve para aí virada e um tornado deu cabo das instalações de Robensheid em St. Louis, Missouri. Moses ignorou a natureza e irritou-se com Deus, que nestas coisas costuma ter as costas muito largas. Rogou umas pragas, amaldiçoou a sua pouca fortuna e decidiu que recebera um sinal divino para se deixar de brincadeiras com cães, campeões ou não. Mick the Miller teve igualmente a sua experiência religiosa: foi vendido sucessivamente a dois padres, Martin Brophy primeiro, Maurice Browne depois.
O padre Browne não tinha a inocência do padre Brown de Chesterton. Para compensar tinha jeito para o negócio. Levou Mick de volta para a Irlanda e fê-lo correr como bom galgo que era. E depois da vitória no English Greyhound Derby de 1929, tratou de vender o bicho por nada menos de 800 Libras esterlinas. Juntou o útil ao agradável pois a Igreja Católica da Grã Bretanha clamava contra as corridas de cães, considerando-as uma ameaça aos jantares domingueiros de família, nada se ralando para os solitários sem famílias.
Diz-se que Mick the Miller ganhou 61 das 81 corridas em que participou até se lesionar com gravidade numa prova disputada em Wembley, viva o luxo! Reformou-se como reprodutor, o dono cobrava 50 Libras por atuação, e foi o protagonista do filme Wild Boy, em 1934. Gostava de saber a opinião do Simba sobre esta história. Ele dá razão a Mark Twain: «O cão é um cavalheiro»."

Da impunidade dos árbitros (...)

"Uma das coisas que mais ouço, a propósito de arbitragens consideradas como negativas, é que os árbitros de futebol parecem viver num mundo sem leis ou, pior, acima delas. Bem acima delas.
De facto, a sensação que as pessoas têm é que eles são os únicos agentes desportivos que passam impunes, ainda que cometendo - no âmbito das suas funções - erros que todos avaliam como graves, evidentes e grosseiros.
Essa preocupação, esse cheiro a injustiça, em tese, faz sentido.
A verdade é que, quando um jogador tem comportamento grosseiro ou violento, é expulso (ou está previsto que seja). O mesmo acontece ao treinador ou a qualquer outro elemento do banco técnico que tenha conduta irresponsável.
Isto para não falar da "outra punição", porventura maior, que técnicos e atletas estão igualmente sujeitos: à que resulta do desagrado maciço dos sócios e adeptos (algo sempre desagradável e, por vezes, a roçar o humilhante) ou da que se traduz na não renovação de contratos (ou, no limite, na rescisão do contrato de trabalho, em plena época desportiva).
Está claro de ver que o futebol profissional é, nos dias de hoje, um universo encantador mas de tremenda pressão e exigência para todos. E, talvez por isso, cada jogo, cada jogada, cada lance, pode assumir contornos dramáticos porque, em boa verdade, pode determinar o sucesso ou insucesso, a alegria ou angústia, a continuidade ou saída de muitos dos principais intervenientes no jogo. 
Intervenientes que, não esqueçamos, são pessoas. Pessoas com ambições pessoais e profissionais, com valores, amigos, família.. Como alguém disse recentemente... é complicado. Muito complicado. 
Isto remete-me, de novo, para a tal sensação exterior de impunidade de que (alegadamente) gozam os árbitros. Escrevam o que vos digo: as coisas não são bem assim. De todo.
Os árbitros são punidos sim (e de diversas formas), os seus erros têm consequências práticas e, tal como tantas vezes acontece com jogadores e treinadores, isso também repercute-se nas suas carreiras desportivas.
A grande diferença é que, ao contrário do que acontece com aqueles, essas "sanções" não são tornadas públicas. Não se sabem, não se conhecem. Mas a essa reflexão já voltamos.
Por enquanto, percebam então o que pode acontecer a um elemento de uma equipa de arbitragem quando as coisas correm francamente mal no campo desportivo:
- Não ser nomeado para actuar durante uma ou mais jornadas. Na prática, é como se tivessem visto cartão vermelho e ficassem "suspensos" por tempo a definir. Reparem: nada diferente do que acontece com atletas e técnicos.
Sabem o que mais lhes dói nessa "paragem forçada"? É ficarem privados de fazerem o que mais gostam e, claro, deixarem de auferir as verbas a que teriam direito. Na prática, esse castigo, o da "jarra" (como alguém um dia celebrizou), mexe, directamente, com a sua auto-estima/brio profissional e com a sua vida financeira.
- Depois há a questão da avaliação.
Todos os árbitros (e restante equipa, VAR incluído) têm uma nota por cada jogo que dirigem. O relatório, que é preenchido pelos respectivos observadores, tem parâmetros objectivos, bem definidos, que vão desde o acerto/erro nas decisões mais importantes à condição física, personalidade, movimentação, colocação, interacção com os colegas, etc. Da soma dessas avaliações dependerá o seu ranking final.
Na prática, quanto mais erros somarem, pior será a classificação final... e maior será a possibilidade de serem despromovidos. De deixarem de ser árbitros no escalão maior do futebol português. 
Reparem: é mais ou menos o que acontece com as equipas que têm menos pontos no final da época: descem de categoria.
- Há ainda outra punição, mais rara mas real, que é a da instauração de processos disciplinares: qualquer conduta, dentro do terreno de jogo ou fora dele, que tenha elementos de prova suficientes que a sustente, poderá levar ao recurso a esta medida. As consequências poderão ir da aplicação de uma sanção mais leve (repreensão por escrito) a outras bem mais pesadas (pontos deduzidos à classificação final, jogos de suspensão, etc).
Reparem: nada diferente do que, por vezes, vemos acontecer com atletas e treinadores, dirigentes e clubes. E tal como acontece também com eles, a tensão pessoal que tudo isto cria é, como imaginarão, tremenda.
O número crescente de erros que um árbitro comete em campo coloca-o mais próximo dos lugares de descida. Que é como quem diz... do fim prematuro da sua carreira (raramente continuam a dirigir jogos nos escalões amadores).
- Por fim, o pior dos "castigos": o que resulta do julgamento sumário em praça pública. O que resulta da sentença traçada pelos opinion makers, pela imprensa, pelas declarações inflamadas de responsáveis alterados.
O escrutínio a que hoje estão sujeitos coloca-os na senda de humilhações públicas diárias. Constantes. Permanentes. A justiça feita pelo povo pode acontecer a qualquer hora, em qualquer esquina e a qualquer altura do dia.
O árbitro que comete erros grosseiros em jogos mediáticos, anda na rua como uma lebre anda na mata, em plena época de caça: com medo. Com medo ou com coragem muito negligente. E esse é um castigo que vai além do que aquele que pode e deve merecer, em termos desportivos.
Porquê? Porque afecta o seu bem-estar enquanto pessoa, porque ofende a sua integridade enquanto ser humano, porque perturba a sua privacidade, a da sua família. Porque o amordaça a uma liberdade restritiva, impedindo-o tantas vezes de ir e estar onde quer, como e com quem quer. Deixa de ser uma pessoa livre que olha para a frente e passa a ser uma presa que espreita constantemente por cima do ombro.
Isto é ou não é a pior das punições?
Não tenha dúvidas, caro leitor: os árbitros são sancionados sim e, como viu, praticamente na mesma medida e dose que o são os outros agentes desportivos. Publicar essas punições traria mais sentido de justiça e acalmaria o povo? Sim, provavelmente sim.
Mas, pensemos com outra profundidade: que efeito prático traria? Passado o período de raiva, esvaziado o balão das emoções, para que serviria mesmo?
Para lhe colocar um carimbo, um rótulo, um selo de "produto estragado"? Para apontar-lhe o dedo, de cada vez que voltasse a dirigir um jogo, em qualquer estádio, noutro qualquer dia?
Esse peso - o da chacina em praça pública - não poderá ter efeito contrário? Não o inibirá a voltar às boas arbitragens? Não terá peso negativo na sua consciência, na sua actuação seguinte, na sua liberdade de actuar? A divulgação do "castigo", afinal, serviria para quê? Serviria a quem?
Para reflectir. Apenas para reflectir."

O Clássico e o génio japonês de Portimão

"A última jornada antes de nova paragem do campeonato ajudou o Benfica a colocar-se no topo da pirâmide dos candidatos ao título. Derrotar o campeão, com um golo de um avançado que esteve quase a fazer as malas por falta de espaço no plantel, acaba por valer mais do que os “regulamentares” três pontos. E se a Rui Vitória faltava derrotar o FC Porto no banco do Benfica, agora só lhe falta fazê-lo com um futebol mais atraente, porque a competência acompanhou quase sempre a exibição dos encarnados.
O Benfica não foi brilhante, mas foi superior na mais larga fatia dos 90 minutos de um jogo que só foi minimamente dividido no primeiro tempo, justamente o período em que o futebol foi (ainda) menos exuberante.
O FC Porto andou demasiado tempo à procura de um fato que se ajustasse a um meio-campo com medidas erradas, onde Otávio surgia quase na mesma linha de Danilo Pereira e Herrera aparecia numa zona de apoio aos avançados. O desenho saiu borratado, com Herrera demasiado longe do coração do jogo e Otávio a sentir dificuldades nas tarefas defensivas (de tal forma que acabou por ser substituído no início do segundo tempo, já com um cartão amarelo no cadastro).
Os problemas dos portistas no início de construção foram evidentes, sendo muitas vezes resolvidos com recurso a um futebol mais longo, que chegou a ser (bem) protagonizado por Iker Casillas. Em teoria, essa construção mais directa poderia beneficiar Marega, mas o maliano nunca teve espaço livre para aplicar aquela espécie de “efeito locomotiva”, que habitualmente faz miséria nas balizas adversárias.
O Benfica construiu uma reacção muito forte à perda de bola, com pressão muito eficaz em todas a zonas do campo e o FC Porto encontrou-se perante um leque de exibições individuais de alto nível, com Pizzi e Rúben Dias no topo. O jovem central deu uma resposta exemplar à expulsão no encontro europeu, frente ao AEK.
A subida do Benfica no segundo tempo teve muito de Grimaldo como combustível. A partir do momento em que o lateral espanhol percebeu que Marega estava algo condicionado fisicamente, arrebatou o corredor e transformou a ala esquerda encarnada num calvário para Maxi Pereira.
É verdade que as armas iniciais da equipa de Rui Vitória eram superiores, como também se percebe que as possibilidades de mexer com o jogo a partir do banco de suplentes eram muito mais efectivas do lado encarnado do clássico.
No entanto, no plano inicial de voo dos azuis e brancos nunca esteve presente uma ambição clara de triunfo, mas antes uma vontade de sair da Luz sem “ferimentos”. Só que a história recente demonstra que o FC Porto almeja sempre mais do que sair ileso, quando entra na casa do maior rival. No horário nobre da jornada entrou o grande jogo do Portimonense frente ao Sporting, no Algarve. Ancorada em algum talento e muita velocidade, a equipa de António Folha demonstrou que a margem para escalar a classificação é grande, particularmente devido a um futebol ofensivo enleante e com jogadores de rotação alta, como Manafá, Lucas Fernandes e Tabata.
Acima de todos estes, um génio japonês. Nakajima é um dos melhores jogadores do campeonato e a exibição frente ao Sporting é apenas uma montra mais larga para um momento de forma superlativo, que já vem da época passada. Há alguns anos, Nakajima andava pelas selecções jovens do Japão (há alguns meses ficou à porta da convocatória para o Mundial da Rússia) e em palcos pouco mediáticos do futebol nipónico. Hoje é um activo de milhões, já longe do alcance financeiro dos três maiores clubes do futebol português, onde encaixaria facilmente, no plantel e no “onze”.

P.S. - O país político prepara-se (finalmente) para aprovar medidas mais duras em relação ao mau comportamento dos adeptos nos recintos desportivos. É um pacote que pode ajudar a pacificar o futebol português, através do “músculo legal”, que é a única forma eficaz de mudar mentalidades. O futebol e as claques não podem estar acima das leis, nem podem ser um Estado dentro do Estado. 
Poucos dias antes de ser conhecido este importante passo, surgiu um castigo quase anedótico. Após o jogo com o Marítimo, o Sporting foi multado por mau comportamento da mascote (o Jubas), que terá invadido (de forma perigosa, certamente) a zona de entrevistas rápidas. O castigo motivou mesmo uma “felpuda” onda de solidariedade de várias mascotes de outros clubes. Por causa de uma multa, acabaram por ser as mascotes a indicar o fundamental caminho da união e sã convivência no futebol português, o que não deixa de ser quase enternecedor. Mas também ridículo."