Últimas indefectivações

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Lixívia 9

Tabela Anti-Lixívia
Corruptos...... 25 (0) = 25
Benfica ........ 20 (-2) = 22
Sporting ..... 23 (+3) = 20


A palhaçada continua... a miserável campanha propagandista continua imparável sem qualquer censura por parte daqueles que têm a obrigação de a denunciar, ou pelo menos, não ser o 'idiota útil' que só serve para amplificar as diversas mentiras!!!!

Mais uma jornada com benefícios claros para Corruptos e Lagartos, com a descomunicação social desportiva calada... enquanto os 'casos' do jogo do Benfica, são elevados a níveis de histerismo, iniciado pelos tarecos do costume e repetidos pelos avençados que contaminam a opinião pública diariamente...!!!

No Dragay mais duas agressões: Filipe e Danilo! Nem o VAR achou que deveria intervir, nem a Comissão de Instrutores da Liga, que depois do precedente grave do Samaris, no Benfica-Braga para a Taça da Liga, seria de esperar a 'manutenção' do critério... mas como os jogadores são se chamam Samaris nem Eliseu, ficou tudo na mesma...
Apesar da goleada, o 1.º golo dos Corruptos, nasce de uma irregularidade, pois o Marega marcou uma falta com a bola em movimento...
Curioso também a 'não atitude' dos jogadores do Paços...

No Alvalixo, uma autêntica pega de cernelha no 1.º golo do Sporting... não existe agarrão mutuo, só um jogador tem a intenção de impedir o outro de jogar! Aliás, esta jogada, é típica do Sporting: nos últimos confrontos directos com o Benfica, em todos os Cantos, o William tentou sempre fazer a mesma coisa, sobre o Luisão... repito em todos os Cantos... e nunca foi marcada falta, e só não sofremos golos em circunstâncias parecidas, por mero acaso!!!
Além dos cartões perdoados ao Coates (algo tão normal, que já ninguém se incomoda!!!), penalty descarado do Patrício, que perto do final do jogo varreu o avançado do Chaves!!! Quem toca na bola é claramente o flaviense... jogada parecida com o penalty do Ederson o ano passado em Alvalade!!!
No penalty reclamado pelo Gelson, na televisão nota-se que existe contacto... o problema do Gelson, foi o famoso 'tiro nas costas': este tipo de exagero de teatro, às vezes funciona ao contrário!!! O facto do árbitro não ter alterado a sua decisão, após ver as imagens, não me choca, pois como é óbvio os árbitros terão sempre muita relutância em admitir os seus erros!!!

Na Vila das Aves, Nuno Almeida teve a 'coragem' de marcar dois penalty's claríssimos a favor do Benfica, mas devia ter marcado um terceiro, sobre o Seferovic... Sendo que no 2.º penalty, houve mesmo uma falta do Jonas no início da jogada...
Creio mesmo que a não marcação do penalty sobre o Seferovic, deveu-se à falta não marcada do Jonas, pois são jogadas 'ligeiramente' parecidas (e sempre com o Nildo), mas se o Jonas, empurra o adversário porque nunca iria conseguir chegar primeiro à bola; no segundo, na área do Aves, é o Nildo que se desinteressa da bola, e faz uma obstrução 'sem bola' ao Seferovic...
Voltou a 'inventar' várias faltas ofensivas na área do Aves, nas bolas paradas... e disciplinarmente, foi permissivo com os da casa, e depois nos últimos minutos, deu dois amarelos ao Benfica, por mera mariquice... E se não 'contaram' para este jogo, lá para o Inverno, lá vamos ter que gerir cartões, enquanto os Filipes e Coates desta vida, chegam ao fim das épocas, sem sequer aproximarem-se dos 5 amarelos!!!
Uma nota ainda para as 'estranhas' condições da relva: zonas de autêntica patinagem artística, e outras aparentemente lentas com relva alta... os truques continuam!!!

A avaria do VAR a partir do momento 66, deve ser investigada, e deverá averiguar-se qual os procedimentos que se devem ter neste tipo casos! Por exemplo, será que o jogo deve ser parado, até a avaria ser debelada, ou não?!!!
Por exemplo, a 'visita' dos árbitros à linha lateral para ver as imagens dos 'casos' só serve para perder tempo... a decisão do VAR deve ser soberana, não faz qualquer sentido, este tipo de situações!!!

Anexos:
Benfica
1.ª-Braga(c), V(3-1), Xistra (Verissímo), Prejudicados, (4-1), Sem influência no resultado
2.ª-Chaves(f), V(0-1), Sousa (Tiago Martins), Prejudicados, (0-3), Sem influência no resultado
3.ª-Belenenses(c), V(5-0), Rui Costa (Vasco Santos), Beneficiados, Sem influência no resultado
4.ª-Rio Ave(f), E(1-1), Hugo Miguel (Veríssimo), Prejudicados, Impossível contabilizar
5.ª-Portimonense(c), V(2-1), Gonçalo Martins (Veríssimo), Prejudicados, (4-0), Sem influência no resultado
6.ª-Boavista(f), D(2-1), Soares Dias (Esteves), Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
7.ª-Paços de Ferreira(c), V(2-0), Xistra (Hugo Miguel), Nada a assinalar
8.ª-Marítimo(f), E(1-1), Sousa (Godinho), Prejudicados, (1-2), (-2 pontos)
9.ª-Aves(f), V(1-3), Almeida (Vítor Ferreira), Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado

Sporting
1.ª-Aves(f), V(0-2), Tiago Martins (Pinheiro), Nada a assinalar
2.ª-Setúbal(c), V(1-0), Paixão (Hugo Miguel), Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)
3.ª-Guimarães(f), V(0-5), Hugo Miguel (Sousa), Nada a assinalar
4.ª-Estoril(c), V(2-1), Godinho (Tiago Martins), Beneficiados, Impossível contabilizar
5.ª-Feirense(f), V(2-3), Soares Dias (Tiago Martins), Nada a assinalar
6.ª-Tondela(c), V(2-0), Manuel Oliveira (Tiago Martins), Nada a assinalar
7.ª-Moreirense(f), E(1-1), Godinho (Pinheiro), Beneficiados, (2-0), (+1 ponto)
8.ª-Corruptos(c), E(0-0), Xistra (Hugo Miguel), Nada a assinalar
9.ª-Chaves(c), V(5-1), Rui Costa (Esteves), Beneficiados, Prejudicados (5-2), Sem influência no resultado

Corruptos
1.ª-Estoril(c), V(4-0), Hugo Miguel (Luís Ferreira), Nada a assinalar
2.ª-Tondela(f), V(0-1), Veríssimo (Malheiro), Beneficiados, Impossível contabilizar
3.ª-Moreirense(c), V(3-0), Manuel Oliveira (Tiago Martins), Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
4.ª-Braga(f), V(0-1), Xistra (Esteves), Beneficiados, Impossível contabilizar
5.ª-Chaves(c), V(3-0), Rui Oliveira (Hugo Miguel), Nada a assinalar
6.ª-Rio Ave(f), V(1-2), Sousa (Godinho), Nada a assinalar
7.ª-Portimonense(c), V(5-2), Luís Ferreira (Sousa), Nada a assinalar
8.ª-Sporting(f), E(0-0), Xistra (Hugo Miguel), Nada a assinalar
9.ª-Paços de Ferreira(c), V(6-1), Manuel Oliveira (Veríssimo), Beneficiados, (5-1), Sem influencia no resultado

Jornadas anteriores:
Épocas anteriores:
2016-2017
2015-2016

VAR: o caminho faz-se caminhando

"O VAR é o caminho do futuro. Mas é necessário continuar a investir na preparação dos árbitros e na pedagogia junto dos adeptos.

O videoárbitro (VAR) permite que a verdade desportiva seja defendida e deve ser visto como o caminho irreversível que nos leva ao futuro. Ainda no último sábado estalou a polémica em Espanha por uma má decisão da equipa de arbitragem do Barcelona-Málaga, que não viu a bola completamente fora num cruzamento que acabou em golo blaugrana. Nesta fase, nos campeonatos que não têm VAR, clamam pelo auxílio da tecnologia, enquanto que nos outros, como é o caso da Liga portuguesa, não é difícil de identificar um progresso sério, pese embora ainda tenhamos de conviver com as deficiências próprias de um projecto embrionário. E com os erros humanos que nunca deixarão de estar presentes. Ontem, na Vila das Aves, o penalty que deu o terceiro golo ao Benfica não devia ter sido assinalado. No início da jogada, Jonas fez uma falta que escapou ao árbitro Nuno Almeida, que mandou seguir o jogo e apontou, bem, a seguir, um castigo máximo por infracção evidente sobre Pizzi. O VAR, na altura desempenhado por Vítor Ferreira, ficou offline, segundo revelou a FPF, e por consequência impedido de prestar o auxílio a Nuno Almeida, já que o protocolo vigente lhe permite a intervenção em jogadas que acabem em penalty. Do ponto de vista legal, esta situação, de apagão tecnológico, está prevista, passando o árbitro a funcionar apenas com os auxiliares de campo. Fica assim explicado um caso que causou estranheza dentro e fora do campo, valendo talvez e pena lembrar que se as comunicações entre os árbitros fossem públicas (como no râguebi), toda a gente saberia de imediato o que estava a acontecer, sem que se entrasse em qualquer especulação. Por princípio, sou sempre a favor do reforço da transparência...
Quanto ao jogo da Vila das Aves, viu-se um Benfica com algumas unidades jovens e interessantes, mas ainda sem conseguir controlar todos os momentos da partida. Curiosamente, quando Rui Vitória reforçou o meio-campo, com Pizzi e Krovinovic, isso não se traduziu no comando da partida para a turma da Luz. E esse facto deve merecer atenção do técnico encarnado, que precisa de aumentar a fiabilidade da equipa quando chegar a hora de administrar a vantagem. É de recordar que, ao longo desta época, foram vários os dissabores que o Benfica já teve depois de estar em vantagem...

Ás
Quim
O guarda-redes do Aves assinou uma bela exibição no dia em que se tornou no jogador mais velho a actuar em 83 anos de Campeonato Nacional da I Divisão. Quis o destino que batesse este recorde contra o Benfica, clube que representou e que foi de uma extrema deselegância na forma como lhe mostrou a porta da rua.

Ás
Lewis Hamilton
O piloto inglês assinou, no Texas, uma corrida sensacional e está muito perto de se sagrar, pela quarta vez, campeão do mundo, título que, a suceder, será abrilhantando pela réplica tenaz de Sabastian Vettel numa época em que Max Verstappen se afirma como the next big thing na Fórmula 1.

Duque
Iker Casillas
Ainda há pouco lhe chamavam El Santo e agora vê-se relegado, sem aviso prévio nem causa à vista, para o banco de suplentes. Casillas está a reviver no Dragão os piores momentos do Bernabéu e terá encontrado em Sérgio Conceição um novo Mourinho. Não antecipou este cenário quando escolheu o FC Porto.

Será que pensa que, assim, ajuda Gabigol?
«Tem muito mais potencial para mostrar e precisa de continuidade de jogo e ritmo. Não pode jogar um jogo e ficar dois ou três sem jogar...»
Wagner Ribeiro, empresário de Gabriel Barbosa
que os jogadores, hoje em dia, ou não querem falar, ou não os deixam, aparece sempre quem debite discurso por eles, seja o agente, a namorada, o pai, a sogra, o cão, o gato ou o periquito. No caso vertente, ao dizer o que disse, colocando pressão sobre Rui Vitória, será que Wagner Ribeiro pensa que está a ajudar Gabriel Barbosa? Assim só atrapalha, criando ruído e perturbação.

Miguel Oliveira
Em Phillip Island, a 150 quilómetros de Melbourne, Austrália, Miguel Oliveira fez história ao vencer a prova de Moto2. Foi a estreia de um português a ganhar nesta categoria e o piloto de Almada fê-lo na sua trigésima corrida na classe de Moto2, a décima quarta que fez com a KTM. Se dúvidas havia quanto à possibilidade de Miguel Oliveira aceder, mais cedo do que mais tarde, ao Moto GP, estas ter-se-ão dissipado, de uma vez por todas, na Austrália. Há um português a bater com toda a força, à porta da 'piscina dos grandes' no motociclismo.

'Haka' nas Astúrias para a família real
Os 'all blacks' receberam o Prémio Princesa das Astúrias, para o Desporto, em 2017, no teatro Campeoamor de Oviedo e homenagearam quem os galardoou com um 'haka' de gravata, realizado por Kevin Meleamu, Israel Dagg, ConrathSmith e Jordie Barret. Grande momento para o râguebi mundial..."

José Manuel Delgado, in A Bola

Boa réplica do candidato

"Quim merece estar na Liga pela competência na arte de defender e transmissão de valores.

Solução encontrada
1. O Benfica foi capaz de mudar, e para melhor, na visita ao terreno do Desportivo das Aves, a sua forma de abordar as dinâmicas ofensivas. O jogo exterior da equipa de Rui Vitória funcionou, com os seus extremos e criarem e a assistirem várias vezes os companheiros. Quer por dentro, quer na largura, foram eles que dinamizaram o ataque benfiquista, que teimava nas anteriores jornadas em jogar directo. Sempre que Diogo Gonçalves, pela esquerda, e Salvio, pela direita, abordavam o jogo por dentro, no um contra um, criavam dificuldades, conquistando mesmo uma grande penalidade nessas circunstâncias. O meio campo de batalha do Desportivo das Aves foi capaz de fechar os espaços de manobra do Benfica e, principalmente, de Jonas, que aparecia entrelinhas, em aproximação. Mas esses espaços estiveram fechados. Nas acções ofensivas, os avenses optaram quase sempre por lateralizar ou pelos passes atrasados, faltando arriscar mais na profundidade e num homem para definir o último passe. Os homens da casa apenas conseguiram superiorizar-se nos últimos cinco minutos da primeira parte, quando o Aves criou duas oportunidades para empatar o jogo.

Transição defensiva
2. O Benfica foi forte na reacção, perante uma equipa que explorava a velocidade dos extremos ou do seu ponta de lança, como referência. Foi capaz de joga no meio campo ofensivo e no momento em que perdia a posse de bola obrigava o adversário a jogar quase sempre longo, fechando as linhas curtas e dificultando a primeira fase de construção do Desportivo das Aves.

Resposta do banco
3. Lito Vidigal respondeu, com alterações que viriam a dar maior consistência defensiva e mais objectividade ofensiva. O jogo caiu muito em intensidade e o Aves chegou ao golo de bola parada, já depois de avisos. Na jogada seguinte, porém, o Benfica viria a sentenciar o jogo, com bis de Jonas e mais uma vez através de um penalty. O Aves atravessa momento de transição do comando técnico, que certamente trará bons ventos, porque matéria prima existe.

PS: Uma palavra para Quim, quando muito se fala de guardião do Benfica. Quim prova que merece estar na Liga, mesmo à beira dos 42 anos, pela competência na arte de defender e certamente na transmissão de valores aos jovens."

Ricardo Chéu, in A Bola

Alvorada... com o Mr. War !!!

O melhor Gonçalo Guedes de sempre, é o português em melhor forma na Europa

"Momento de forma impressionante do jovem avançado

Num período menos efusivo de Cristiano Ronaldo, que será, ao que tudo indica e com toda a justiça, coroado esta segunda-feira pela FIFA melhor jogador da última temporada, há um português que se tem destacado dos demais.
Depois de tempos difíceis em Paris, com um eventual espaço desde logo ocupado por jogadores de enorme talento e estatuto, e que esta época ainda recebeu Mbappé e Neymar, Gonçalo Guedes está a aproveitar, com rendimento extraordinário, a cedência ao Valência.
Debaixo do olhar atento de um treinador ele próprio a confirmar créditos angariados sobretudo ao serviço do Villarreal, como é Marcelino García Toral, o antigo jogador do Benfica tem impressionado com grandes golos e ainda uma capacidade de explosão incomum, que encaixa na perfeição no futebol de transição «che». O 1-0 ao Sevilha, já depois de ter feito outro golaço ao Bétis, há uma semana, colocam-no no topo dos portugueses em melhor momento.
É verdade que, para já, com a Selecção apurada para o Mundial e a pensar apenas em particulares de preparação, Fernando Santos pouco pode aproveitar a sério do dinâmico avançado, mas o que tem feito ajudará a sustentar a sua condição de opção a ter em conta na hora de escolher para a Rússia. O melhor lado de Guedes, este que vemos agora, tem lugar indiscutível nos 23. O desafio é aguentá-lo até perto da hora da decisão.
Já se falou em Cristiano Ronaldo e no momento menos empolgante que atravessa o capitão da Selecção, mas também pelo menos Bernardo Silva, João Mário, André Silva, Nélson Semedo e André Gomes ainda lutam por um lugar no onze inicial dos «gigantes» que representam. Não têm missão nada fácil, mas a qualidade de todos estes nomes e de outros que seguem numa segunda linha de enorme talento sustenta boas expectativas para o futuro. A título individual e colectivo.
Ao mesmo tempo, Sporting, Benfica e FC Porto estão no top-15 dos clubes que mais fornecem jogadores formados localmente às ligas europeias, com destaque para os leões, em quinto lugar.
O futebolista português, que na verdade é o que o futebol indígena tem de melhor, ganha espaço e projecção cada vez maiores por esse mundo fora, e a tendência é para aumentar.
O mérito é da afirmação de jogadores como Guedes, de todos os que chegaram antes e dos que vierem depois."

Benfiquismo (DCXXXV)

Sir...

Cadomblé do Vata

"1. Coisas que me irritam: gente que desvaloriza vitórias do SLB em jogos de campeonato, porque o adversário é fraco... como se porventura a Primeira Liga tivesse algo mais do que adversários de baixa qualidade.
2. O Pizzi viu o primeiro amarelo no campeonato... já só faltam 3 para começar novamente o choradinho.
3. Na TV não deu para ver bem, por isso aqui pergunto a quem esteve no estádio... o Quim mandou calar os adeptos do Aves a cada defesa que fazia?
4. Quim sofreu mais golos do que Svilar... foi uma questão de hábito: ainda o belga não era nascido e já o português andava a sofrer golos do SLB.
5. Só gente que deseja o mal do Glorioso é que pode ver em Ruben Dias o futuro capitão do Benfica... para que isso acontecesse o rapaz tinha que baixar muito o nível exibicional, porque de outra forma não vai andar por cá tempo suficiente para assumir a braçadeira."

(...) assistiu a uma noite histórica do Benfica na Vila das Aves: Pizzi começou no banco e foi amarelado

"Svilar
Meia dúzia de intervenções atentas e nenhum lance que nos obrigue a relativizar a borrada com a sua tenra idade, o que é bom. Esteve bem até mesmo quando não tocou na bola, como num remate de Derley aos 85 minutos que, na opinião do comentador da Sport TV, foi bem desviado por Svilar. Quem somos nós para dizer o contrário? De resto, nada de novo. O jovem belga revela um potencial enorme, que é como quem diz, há lances em que claramente anda ali aos papéis. Felizmente, tem vinte e três anos para atingir o nível de Quim.

André Almeida
uma facção de benfiquistas que gosta de questionar as possibilidades do Benfica neste campeonato. Perguntam esses adeptos: como podemos esperar que o Benfica seja pentacampeão com André Almeida a titular? Pois bem, nós fomos fiéis militantes dessa facção durante algumas semanas, pelo menos até termos visto o Douglas. Que bálsamo voltar a ter 11 jogadores em campo. A partir de hoje André Almeida é titular indiscutível e não se fala mais nisso. Sim, isso significa que não vamos falar do lance do golo do Aves em que André Almeida mete uma argolada. Se não vos agradar, revejam os jogos do Douglas.

Luisão
O capitão fez uma exibição tão certinha como o final da sua carreira em maio de 2018. Algumas pessoas sob o efeito de estupefacientes dirão que Luisão não está ao nível de Rúben Dias, como se o jovem titular fosse o novo Varane. Infelizmente ainda não é. Mais: se não fosse a presença de Luisão em campo ao longo dos últimos anos, o Rúben Dias e os muitos projectos de defesas que vierem antes dele nunca tinham passado disso mesmo: projectos. Portanto, olhem com atenção para o banco de suplentes, respirem fundo e deixem Luisão continuar a bater recordes. Hoje foi o de jogos ao serviço do Benfica na Liga Portuguesa.

Rúben Dias
Exibição quase perfeita, não fosse o desempenho esteticamente discutível nos lances de bola parada. Com tanto cientista e laboratório lá no Seixal, custa a compreender que ninguém tenha explicado a Rúben Dias que arregaçar os calções ao ponto de parecerem uma sunga que Cristiano Ronaldo vestiria numas férias com amigos no Mediterrâneo não só não o torna melhor jogador como é desagradável.

Grimaldo
Voltaram os rumores que colocam Grimaldo a caminho do Manchester United. Estão a ver? Isto é muito mais simples do que parece. No Benfica, um jogador só tem que evitar ser um dos piores para garantir lugar na alta roda do futebol europeu. O entendimento de Grimaldo com Diogo Gonçalves foi idêntico ao que tem tido com os restantes colegas utilizados na posição, muito pouco propenso a hipérboles. Ao invés de um “parece que jogam juntos há anos”, damos por nós ocasionalmente a questionar se de facto costumam treinar juntos.

Fejsa
Alguns erros incaracterísticos. Por falar nisso, quando é que um defeito deixa de ser incaracterístico e passa a ser característico? Existe alguma regra? É que temos tido algumas dúvidas em relação ao Fejsa.

Filipe Augusto
Excelente exibição do brasileiro que hoje jogou na posição 30, designadamente os 30 milhões que vamos encaixar com a venda deste rapaz assim que o presidente e Jorge Mendes encontrarem um indivíduo minimamente impulsivo com uma caderneta de cheques por perto. Não se queixem. Passámos anos a produzir quinzes e temos alguns que, nesta deprimente ditadura financeira em que vivemos, teriam de jogar com um número negativo na camisola. E nós não queremos isso - que eles joguem.

Salvio
Se a espécie humana fosse constituída apenas por extremos do Benfica e Rui Vitória fosse o armagedão, Salvio seria a barata que sobrevive a tudo. De lance desastrado em lance desastrado, Salvio lá vai fazendo o seu caminho à espera que a nossa fénix renasça das cinzas. Fónix.

Diogo Gonçalves
Foi um dos agitadores de serviço na primeira parte, tendo inclusivamente ganho um pénalti à meia hora, quando alguns adeptos do Benfica já abandonavam as bancadas. Como qualquer extremo às ordens de Rui Vitória, foi desaparecendo aos poucos do jogo, sem que ele ou qualquer outra pessoa, incluindo o seu treinador, conseguissem perceber porquê.

Jonas
Como dizer mal de uma pessoa que já nos deu tanto e ainda assim marcou dois golos decisivos? Fazendo nossas as palavras do James Murphy: Jonas, i love you but you’re bringing me down.

Seferovic
Tal como o autor deste texto na noite lisboeta às 5 da manhã, Seferovic passou a primeira parte a aparecer nos locais certos sem saber exactamente o que fazer. Já a segunda parte trouxe um Seferovic estranhamente renovado, com melhor ocupação dos espaços, o primeiro golo desde Agosto e o primeiro jogo fora de casa em que o Benfica marcou dois golos. Tudo isto seria digno de celebração se não fosse tão deprimente. Importa notar que o golo de Seferovic nasce de um lance em que leva uma bolada de Jonas. Não nos pareceu estudado, mas talvez seja de repetir.

Pizzi
Noite histórica na Vila das Aves. Pizzi começou no banco e foi amarelado. Nada será como dantes, amigos.

Krovinovic
Foi demasiado produtivo para tão pouco tempo em campo. Ele que se junte ao Zivkovic na bancada para ver se aprende.

Jimenez
Aquele estranho momento em que percebes que o único suor na tua camisola é o do gajo que acabaste de substituir. Parabéns a Rui Vitória, esse magnífico gestor de seres humanos que hoje revelou mais uma vez os seus dotes de Sun Tzu do Ribatejo. Não percebemos se esta substituição é humor perverso ou apenas parvoíce."

domingo, 22 de outubro de 2017

Vermelhão: 3 pontos...

Aves 1 - 3 Benfica


Ao contrário de épocas anteriores, os níveis de confiança estão em baixo... e a prova disso, é a 'incerteza' da vitória, em jogos como o de hoje!!! A diferença é tão grande entre as equipas, que os benfiquistas nunca deveriam duvidar dos 3 pontos, no entanto, é isso que está a acontece!!! Mas são só os adeptos: a reacção da equipa, hoje, após o 1.º golo, demonstra como os próprios jogadores desconfiam de si mesmo!!! O nosso pior momento do jogo, foi claramente os últimos minutos da 1.ª parte...

Jogo com pouca história: entrada muito forte do Benfica. Podíamos e devíamos ter marcado nos primeiros minutos. Era impossível manter a pressão os 90 minutos, assim o Aves lá conseguiu ter a bola alguns minutos, mas antes do intervalo, indiscutível, marcámos...
Recuámos, em vez de pressionar à procura do segundo, ficámos com medo, e permitimos oportunidades ao adversário... felizmente o intervalo apareceu!
Voltámos a entrar bem... e com alguma sorte nos ressaltos (finalmente) marcamos o segundo!!!
Com as substituições o Aves ficou mais ofensivo, não soubemos aproveitar os contra-ataques e acabámos por sofrer um golo no Canto... a 15 minutos do fim!!!!
Desta vez reagimos bem, voltámos a ter a posse de bola e marcamos o terceiro (novamente de penalty)!!! Até ao fim, só deu Benfica... com uma excepção!!!
Existe claramente uma questão mental: a equipa quando 'precisa' de ter a bola, até consegue 'jogar' e com o Rúben na equipa, até controlamos melhor os 'contra' adversários; mas quando por alguma razão, 'resolvemos' baixar linhas, a equipa 'treme'!!!

A surpresa do final de tarde, foi a titularidade do Augusto em detrimento do Pizzi: como tenho afirmado, o Pizzi está num momento de forma deplorável!!! E ele deverá ser o primeiro a aceitar esta situação!!! Não sei se a paternidade está-lhe a tirar 'frescura' (não era o primeiro...!!!), mas nem consegue 'aparecer' à entrada da área, onde costumava ser fatal, como desequilibra o meio-campo defensivo... Fora da Luz, o Augusto (esteve relativamente bem...) deverá ser a escolha, nos jogos da Luz, o Pizzi (ou o Krovi...) deverão ser a opção!
Excelente jogo do Digui... dá velocidade e capacidade de remate à equipa, e está a combinar às mil maravilhas com o Grimaldo! Mais um jogo muito bom o Rúben, creio que ganhou claramente a titularidade... O Svilar sem culpas no golo (o Seferovic tem que 'atacar' a bola), esteve muito bem no resto do jogo, com muita confiança e segurança...
Uma nota para o Jonas: marcou dois golos de penalty, a classe continua lá, mas este ano 'perdeu' velocidade de decisão! Muitas bolas perdidas, por retardar passes fáceis... Tem que melhorar, porque a jogar assim, nestes jogos fora da Luz, com o Benfica a jogar muito tempo 'fora' dos últimos 30 metros, temos outras opções mais válidas!!!

Uma nota para provavelmente a melhor exibição do Quim em muitos anos!!! Se não fosse o nosso ex-guarda-redes, o resultado teria sido mais pesado!!!
Outra nota para o 'estranho' estado do relvado: zonas onde os jogadores pareciam 'bailarinas' a patinar, outras zonas onde a bola prendia, onde parecia que a relva estava alta!!! Curiosamente, em Arouca, com o Lito. também costumava haver este tipo de peculiaridades!!!
Em relação ao 2.º penalty, é claro que houve falta do Jonas no início da jogada (até aceito discutir que foi o jogador do Aves, que faz uma tentativa de bloqueio - sem ter a bola controlada -, e depois deixa-se cair, mas é falta)! Curiosamente o Benfica já foi prejudicado, em situações idênticas, e o VAR ficou 'calado'!!! Mas não deixa de ser um erro... Tal como logo a seguir no penalty sobre o Seferovic, não assinalado...!!!
A arbitragem foi fraca, típica do Nuno Almeida, logo nos primeiros minutos, num lançamento lateral longo para a área do Aves, inventou uma falta do Luisão, 'roubando' mais uma grande defesa ao Quim... e assim continuou, 'inventando' muitas faltas contra o Benfica, principalmente na primeira meia hora... Mas lá marcou os penalty's, nem todos teriam a mesma coragem, por mais evidentes que as faltas foram...!!!

Vitória, com muito desperdício...

Benfica B 2 - 1 U. Madeira


Apesar dos golos falhados, conseguimos dar a volta ao resultado, e conquistar a vitória justa, depois de uma paragem de 23 dias!!!!
Vários jogadores em destaque: Kalaica (pode acabar a época a refazer a dupla com o Rúben!!!), Willock, Florentino e novamente o Heri...

Mais uma inacreditável arbitragem do Xistra...!!!

Nova vitória...

Viana 0 - 3 Benfica
17-25, 26-28, 13-25

Nova vitória, desta vez em Viana... 2.º Set estranhamente equilibrado!!!

No próximo Sábado, jogo importante na Luz, com a recepção à Fonte do Bastardo...

Ganhar é preciso

"Jornada negra e preocupante das nossas equipas nas competições europeias. Derrotas que põem em causa não só o apuramento para a fase seguinte das Champions e da Liga Europa como, também, resultam num rombo financeiro no orçamento da presente época desportiva. Como é hábito, a rubrica das ‘receitas extraordinárias’ contempla os prémios financeiros obtidos nestas competições, onde é obrigatória chegar à fase a eliminar.
Aliás, no que diz respeito às três grandes equipas nacionais, chegar aos quartos-de-final é geralmente o objectivo a atingir. E levando em consideração os resultados obtidos, o rombo este ano vai ser grande! Até porque, a acontecer, fecha-se a montra europeia, espaço privilegiado e sempre apetecível para negócios de transacção dos direitos desportivos e económicos dos seus melhores jogadores.
Mas este é o preço normal a pagar. Porque, quando se compete com Barcelona, Juventus, Manchester United ou Mónaco o nível de dificuldade aumenta consideravelmente. E porque, como país vendedor de talentos, baixamos a nossa capacidade competitiva ano após ano. Por isso, e tendo em conta esta realidade, os gestores desportivos dos clubes nacionais terão obrigatoriamente de analisar esta temática. Cada vez mais, é prioritária a definição de um perfil de jogador moderno e competitivo. Assim como o seu processo de observação e avaliação aquando da sua descoberta em outros clubes. E, mais do que tudo, a metodologia e filosofia de trabalho implementada na sua respectiva formação. Comprar gato por lebre e formar jogadores só para consumo interno continua a ser o pão nosso de cada dia no futebol português... Agora, meus senhores, é arregaçar as mangas e ganhar, ganhar e ganhar..."

Nem todos jogam já no Domingo

"Um treinador não pode ter filhos e enteados dentro de um plantel. Se passar essa ideia aos seus jogadores, é meio caminho andado para perder o balneário. Especialmente quando os maus resultados aparecem. A lógica é simples: pode ter as suas preferências, é pago para decidir quem joga e não joga, mas tem de tratar todos por igual.
Rui Vitória foi exímio nessa gestão nas duas últimas temporadas. Teve o mérito de manter um grupo unido, entre habituais titulares e menos utilizados no Benfica. Até porque, em diferentes momentos, acabou por precisar de quase todos eles.
Agora entende que Mile Svilar deve ser a primeira opção na baliza. Está no seu direito. O jovem belga não pode ser crucificado por um erro. Tem potencial, atrevimento, qualidade e a inexperiência própria de quem acaba de fazer 18 anos e começa agora a sua carreira profissional. Se Vitória decidiu pôr o belga a jogar, com base em ideias tão sólidas como sublinhou após a derrota frente ao Manchester United, não pode deixá-lo cair à primeira infelicidade. Até porque os problemas dos encarnados, na presente temporada, nada se devem a Svilar. Esse chegou apenas agora.
Mas o técnico das águias não tem de anunciar, quatro dias antes, que Svilar vai ser titular no jogo desta tarde frente ao Aves, quando não fez o mesmo com Bruno Varela depois deste ter comprometido com o Boavista. Pode preferir um a outro. Pode achar que, neste momento, Svilar é melhor do que Varela, Júlio César e Paulo Lopes. Talvez seja. Mas se o filho predilecto joga hoje, amanhã Rui Vitória pode precisar de um enteado."

Viseu, Grândola e Peniche

"Cumprimento a decisão da FPF, que decidiu que o próximo jogo da nossa principal Selecção, contra a Arábia Saudita, se realizará em Viseu.

1. (...)

2. Não vou, já que deontologicamente não posso - no meu entendimento que não no de outros... - escrever acerca da investigação que levou, só agora, a buscas no Benfica nem, por conexão, vou escrever acerca dos em-mails, da sua divulgação e, até, das interpretações que alguns fazem acerca da identidade de ditos putativos remetentes! Sei bem que o tempo por vezes é um labirinto. Como recordo José Luís Borges quando escreveu - em 1946! - que «é um fogo que me consome, mas eu sou o fogo!»! E sabendo, igualmente, e para que conste que «a narrativa é o único barco que nos permite navegar pelo rio do tempo»! Como alguns premiados perceberão e outros iluminados entenderão. Mesmo que vivam, na sua subjectividade, na inequívoca ilegalidade!

3. Ninguém precisa de cortar a barba - como José Sá - nem de ocultar borbulhas como Svilar. As opções técnicas, da baliza ao ataque, dos titulares ao que se sentam no banco de suplentes, devem ser respeitadas. De Casillas a Júlio César. De Óliver a Jonas. De Bas Dost a Maxi Pereira. São opções. Legítimas. E uma opção não é um momento de oposição. Já que desde Jacques Bossuet que «pensar contra foi sempre a maneira menos difícil de pensar»! Como bem percebemos, sob o ponto de vista dos percursos históricos, e em outra perspectiva, a partir de um livro, já com alguma barba - é de 2001! - de Manuel Dias com o título 'O Futebol no Porto'!

4. O Alentejo regressa, a partir de Grândola e do seu Pavilhão Zeca Afonso, a uma grande competição nacional colectiva. Se não houve Taça de Portugal em Évora no que respeita ao futebol, já no hóquei Grândola vai receber o Sporting - já no próximo fim de semana! Benfica, Futebol Clube do Porto, Oliveirense ou Óquei de Barcelos, entre outras referências de uma modalidade que acolhe, entre nós, alguns dos seus grandes nomes. O interessante é que o sorteio no hóquei é bem condicionado. Os principais clubes defrontam-se nas últimas jornadas. Na décima - de treze! - o Benfica recebe o Porto. Na seguinte o Sporting defronta o Benfica. Na décima segunda o Porto recebe o Sporting. E na derradeira da primeira volta o Sporting acolhe a Oliveirense e o Benfica vai a Grândola. Apenas a 20 de Janeiro de 2018! Mas é o Alentejo, para além do automobilismo, a entrar numa relevante competição nacional. E, aqui, no hóquei também importa referenciar, entre outros, o Sporting de Tomar e o Valença, o Paço de Arcos e o Turquel. No hóquei a competição atinge quase todo o território continental. E tudo é bem diferente no voleibol, no andebol ou no basquetebol. Mas com singularidades que aqui abordaremos em próximos artigos. Já que importa analisar as principais localizações desportivas em Portugal! Subamos a Peniche!

5. As ondas de Supertubos atraem milhares a Peniche. O surf, da Ericeira a Peniche - sem esquecer, entre outros lugares, Carcavelos, Nazaré e os Açores -, conquista praticantes e mostra ao Mundo as potencialidades das ondas de Portugal. Nestes dias Peniche é a capital do surf mundial. Com esta etapa portuguesa do circuito mundial! E na semana passada Portugal tornou-se campeão europeu de surf. Título colectivo e títulos individuais. Bem relevantes! E muitos dos ídolos, nacionais e mundiais do momento, estarão pelas areias de Peniche. Que sabe receber. E que soube projectar-se com e a partir do surf.

6. Hoje, na sugestiva Vila das Aves, o Benfica tem um jogo determinante. Diria muito importante. O Benfica tem de conquistar os três pontos sabendo que do outro lado está um treinador acabado de chegar, conhecedor e matreiro, experiente e com muita maturidade, Lito Vidigal, Rui Vitória vai, e bem, confiar a baliza do Benfica a Svilar. E este jovem jogador não pode deixar de ter presente as palavras de Francisco Quevedo: «O que se aprende na juventude dura a vida inteira!» E cada jogo, nos momentos de prazer ou nos instantes de dor, é uma verdadeira e, por vezes profunda, aprendizagem!"

Fernando Seara, in A Bola

Benfiquismo (DCXXXIV)

Minervino...

Ler, ouvir e falar

"Graeme Souness foi um jogador extraordinário e um treinador mediano como acontece e acontecerá a tantos outros ídolos por esse mundo fora. Também sempre houve e haverá treinadores extraordinários que foram jogadores banais mas não foi de todo o caso deste escocês que passou pelo Benfica como treinador na gerência de Vale Azevedo e publicou agora as suas memórias. Souness não deixou de lado a sua experiência no futebol português. "Nunca iríamos ganhar um campeonato. Poderíamos aproximar-nos do Porto, o clube dominante, mas havia sempre o sentimento de que nunca teríamos um trabalho limpo da parte de certos árbitros quando jogássemos no Norte onde estava sediado o poder do futebol português. Naquele tempo, o Benfica nunca iria ganhar um campeonato", escreve no seu livro publicado agora, em 2017.
O "naquele tempo" a que se refere é 1997. Não se lembrou, porventura, Souness que o problema não se verificava apenas nos jogos "no Norte" mas também nos jogos no Centro, no Sul e nas Ilhas Adjacentes tal como ainda hoje pode ser constatado em toda a sua glória "vintage" através do Youtube. Tendo, nos tempos de hoje, conseguido o Benfica ganhar 4 campeonatos de enfiada já tardava, convenhamos, a aparatosa contraofensiva de quem perdeu esse "poder" a que se refere o escocês que, não sendo um génio da táctica, nunca foi um tipo distraído. No que diz respeito à contraofensiva, aí está ela. Mas para atingir as ansiadas proporções do processo judicial do Apito Dourado falta-lhe ainda muita coisa. Falta-lhe, sobretudo, Youtube. Porque no despique entre o ouvi-los falar e o ler e-mails ganha o "ouvir" por 10-0. O ouvir não deixa dúvidas.
Também ao Benfica vem faltando por estes dias alguma coisa de essencial. Não são advogados nem directores de comunicação, nem a palavra de comentadores fervorosos, de ex-futuros-dirigentes ou de futuros-ex-dirigentes. Falta ao Benfica, e aos benfiquistas, a voz essencial do seu presidente. E faltava a PJ mas já chegou.
José Sá vai ser o guarda-redes do Porto hoje no Dragão e Mile Svilar vai ser o guarda-redes do Benfica amanhã nas Aves. Sérgio Conceição fará sentar Iker Casillas no banco e Rui Vitória sentará Júlio César no mesmo lugar. A questão com Casillas é do foro disciplinar enquanto a questão com Júlio César é do foro técnico. O guarda-redes espanhol está habituado a estas penalizações porque já passou pelo mesmo com José Mourinho no Real Madrid. O guarda-redes brasileiro, por sua vez, já se habituou com Rui Vitória a ser preterido em favor de concorrentes mais jovens como lhe aconteceu com Ederson por mais de uma época e meia. Em Janeiro, quando abrir o mercado de inverno, veremos o que resulta destas situações em termos práticos. E financeiros, claro. O aspecto financeiro é importante. Mais para uns do que para outros, muito mais."

“A minha mulher ainda é minha prima em 3º ou 4º grau, mas felizmente os filhos não saíram malucos”

"- Ao contrário do habitual não vamos começar esta entrevista por si directamente, mas pelo seu avô Carlos Alves e pelas famosas luvas pretas.
- O meu avô foi um grande internacional português da década de 30. Esteve nos Jogos Olímpicos de Amesterdão, onde Portugal fez o primeiro grande resultado desportivo da sua história. Na altura, só havia Jogos Olímpicos, não havia campeonatos da Europa, nem do Mundo. Foi considerado o melhor defesa do mundo nessas olimpíadas.

- E as luvas pretas começam com ele.
- É verdade. O meu avô era do Carcavelinhos que na altura foi campeão nacional e ganhou até um título numa final, frente ao Benfica. O Carcavelinhos era uma das grandes equipas da época. Chamava-se Campeonato de Portugal e não Campeonato Nacional como agora.

- É nessa mítica final que o seu avô passa a jogar com as luvas pretas?
- É. Antes do Benfica-Carcavelinhos, os jogadores estavam a almoçar e uma fã do meu avô, uma miúda com 13/14 anos, chegou ao pé dele, ofereceu-lhe as luvas dela e disse-lhe que se jogasse com as luvas o Carcavelinhos ia ganhar o jogo. Eram umas luvas pretas, que ainda as tenho guardadas religiosamente em minha casa. O meu avô achou piada aquilo, mas guardou as luvas no bolso do casaco e foi para o jogo. Entretanto o Carcavelinhos chegou ao intervalo a perder e os colegas que tinham assistido à cena na mesa, “obrigaram-no” a jogar com as luvas na segunda parte. Sei que o Carcavelinhos deu a volta ao jogo e foram campeões de Portugal. Tenho essa medalha. É de 1927/28 ou de 1929/30 se não estou em erro.

- A partir dali ele usou sempre as luvas, qualquer que fosse o jogo?
- Sempre. A partir dali tornou-se célebre com aquelas luvas pretas. Eu fui fazendo a minha vida, sem ter ainda bem a noção do que é que aquilo representava. O avô Carlos Alves na disputa de uma bola com Vitor Silva, do Benfica, no célebre jogo em que começou a usar as luvas pretas e que o Carcavelinhos venceu por 2-1, sagrando-se campeão nacional

- Foi ele quem o incentivou a jogar futebol?
- Sim. Eu nasci em Albergaria-a-Velha, sou o mais velho de três irmãos. É uma família que veio do futebol. O meu avô era o treinador da equipa local de Albergaria. O meu pai também jogou futebol, embora sem grande sucesso. Andou sempre atrás do meu avô, enquanto solteiro, até organizar a sua vida. As origens da minha família da parte do meu pai são de Lisboa, a minha mãe é que é de Albergaria, foi lá que o meu pai conheceu a minha mãe.

- O que faziam os seus pais profissionalmente?
- O meu pai era torneiro mecânico. A minha mãe era doméstica. Os meus irmãos nasceram em São João da Madeira. O meu pai foi trabalhar para a Oliva, que era uma grande fábrica de São João da Madeira. E eu fiquei com os meus avós em Albergaria, porque o meu avô era o treinador do Albergaria, que chegou a andar na II divisão.

- Foi criado pelos seus avós?
- Sim. O meu avô teve uma premonição de que eu poderia vir a ser o seu sucessor, coisa que nem o meu pai, nem o meu tio conseguiram. Ele gostava muito de ter um seguidor. Fui criado pelos meus avós desde os três/quatro anos de idade. Eu nasci praticamente dentro de um campo de futebol, porque era lá a casa do treinador, oferecida pelo clube. Era um recinto muito grande com campo de futebol de 11, com campo de basquetebol, com espaços enormes, com árvores. Era um parque desportivo fabuloso que pertencia à fábrica Alba, porque o clube era da fábrica. Foi ali que eu comecei. Mal acordava, ia para a rua jogar futebol. Era bola, bola, bola, com o meu avô sempre a puxar por mim. Até que depois fui estudar para Oliveira de Azeméis.

- Depois foi para São João da Madeira.
- Sim, porque entretanto o meu avô adoeceu e mudamo-nos para São João da Madeira onde já estavam os meus pais. Foi operado e foi lá que acabou por morrer, em São João da Madeira. Quando nos mudámos, ele inscreveu-me no Sanjoanense. Começo a jogar com 14 anos de idade. Na altura não havia escolas de futebol, oficialmente começava-se a jogar nos iniciados aos 14/ 15 anos. Foi esse o meu primeiro clube, antes de ir para o Benfica.

- Depois de um ano no Sanjoanense vai para o Benfica como juvenil, na época 1969/70. Como é que lá vai parar?
- O Benfica tinha olheiros e havia um senhor em Albergaria-a- Velha que já me tinha visto. Entretanto, apareceu o FC Porto, interessado em mim, e levaram-me para ir treinar ao estádio das Antas. Fui convidado para ir com o meu pai, treinei e agradei. Falaram com o meu pai sobre todas as condições para jogar no FC Porto. Só que esse tal olheiro do Benfica era amigo do Fernando Cabrita, antigo treinador do Benfica, e ao saberem do interesse do FC Porto falaram com os meus pais, meteram-me no comboio e enviaram-me para Lisboa.
- Era o que sonhava, jogar no Benfica?
Era.

- De onde vem essa paixão pelo Benfica?
- Eu acho que tem um pouco a ver com as referências da altura, como o Eusébio; e o facto do Benfica ser bicampeão Europeu.

- O seu avô e o seu pai também eram benfiquistas?
- O meu pai era. O meu avô era do Carcavelinhos.

- Quando foi para Lisboa ficou a viver onde e com quem?
- Fui viver para o Lar do Jogador, na Calçada do Tojal, com 15 anos, com a malinha de cartão como eu costumo dizer.

- Sozinho e sem família por perto. Não lhe custou?
- Custou, claro que custou. Mas a adaptação no Lar foi fácil porque tinha muitos jovens jogadores. Estavam lá o Humberto e o Toni que já eram séniores na altura, e são mais velhos do que eu. Estavam ciclistas, hoquistas, o Jorge Vicente, por exemplo.

- Nesses tempos faziam muitas coboiadas?
- Não, aquilo era fechado. A partir das 10 ou 11 da noite já não se podia sair. Havia um casal a viver lá que eram os dirigentes ou directores do lar. Por isso aquilo era tudo dentro de uma disciplina, não vou dizer que militar, mas uma disciplina como deve ser.

- Estudou até que ano?
- 4º ano. Estamos a falar do 4º ano que não tem nada a ver com agora. Se eu quisesse poderia seguir engenharia a partir dali. Era um pouco como o 12º ano hoje em dia. Mas não cheguei a fazer o 5º ano. Depois, mais tarde, consegui a equivalência, uma questão de pormenor só, não que me tenha ajudado alguma coisa porque a minha vida teve sempre a ver com o futebol.

- Quando chega a sénior, não ficou no Benfica, foi emprestado ao Varzim. Porquê?
- Eu era uma das grandes promessas, fui internacional, titularíssimo da selecção. Fui vice-campeão da Europa na selecção de juniores. Perdemos a final com a Inglaterra. Num dos jogos de preparação, partiram-me o menisco e eu fiquei com a parte final da época arruinada. E ser operado ao menisco naquela altura era diferente de hoje. Não era uma artroscopia; antigamente abriam, cortavam...

- Tinha quantos anos na altura?
- 18 anos. É uma idade muito complicada, quando se sobe a sénior. E o Benfica logicamente apostava muito em mim. Na altura, fazia-se o torneio internacional do Benfica, que era quase um campeonato da Europa, porque vinham as melhores equipas; dava na televisão, era uma coisa fantástica e eu fui o melhor jogador do torneio. Assinei e fiz o meu primeiro contrato como profissional nessa altura.

- Já era casado?
- Não, mas casei-me pouco depois. Comecei a namorar a minha mulher nesse famoso torneio do Benfica. Ela foi com a mãe dela assistir à final do torneio Benfica-FC Porto. É que, numa altura em que o meu avô jogou no Académica do Porto, o meu pai ficou a viver em casa dos pais da minha sogra (risos). É uma história familiar gira.

- Então o seu pai viveu em casa...
- [interrompe] Em casa dos pais dos meus sogros. A minha mulher ainda é minha prima em 3º ou 4º grau, há ali uma ligação familiar, mas felizmente os filhos não saíram malucos (risos). Casei-me com 19 anos e ela com 17. Na altura em que subi a sénior.

- João Alves durante a entrevista Ainda fez parte da equipa do Eusébio.
- E do Coluna, do Zé Augusto, do Torres, aqueles craques todos, dos bicampeões europeus. Mas iniciei a época lesionado. Comecei depois a jogar nas reservas, e a meio do ano tive a mesma lesão no outro menisco. Primeiro, foi o menisco interno e, depois, foi o menisco externo. Digamos que o meu primeiro ano de sénior foi um ano de lesões. A partir daí o Benfica resolveu emprestar-me, uma vez que eu tinha vindo de duas lesões e operações. Emprestaram-me então ao Varzim. Fui para a 2ª divisão.

- Como é que foi essa época no Varzim?
- Foi excelente. Casei nessa altura precisamente.

- A sua mulher foi consigo?
- Casámo-nos em Outubro – fizemos há pouco tempo 45 anos de casados – e fomos para uma casa em Caxinas, o bairro dos pescadores na Póvoa do Varzim. Foi aí que fizemos o primeiro ano de casados.

- Quando é que nasce o seu primeiro filho?
- Casámos em 1972 e o Carlos nasceu em 1974, já estava no Boavista. E ainda vim para o Montijo. 

- Estava a dizer que essa época no Varzim foi muito boa.
- Sim, comecei a dar nas vistas e regressei ao Benfica. Termina a minha época de empréstimo, fomos a uma finalíssima entre o Montijo e o Varzim disputar a equipa que faltava apurar para ir para a I divisão nacional. Fomos a uma finalíssima em Leiria, um campo neutro, perdemos 1 a 0 e na época seguinte apareceu o Vitória de Setúbal, pela mão do Pedroto.

- Mas entre o Varzim e o Setúbal, regressa ao Benfica?
- Regresso ao Benfica por uma questão de legalidade, mas não para jogar. Não chego a jogar, sou emprestado outra vez.
- Antes de avançarmos mais na linha do tempo, conte lá o que se passou com o António Simões num jogo com o Freamunde.
- (risos) Isso já está mais que ultrapassado. Foi no meu primeiro ano de sénior, no tal ano em que não joguei. Houve uma festa de homenagem ao Santana, um antigo jogador do Benfica e eu fui convocado. Era um misto da primeira equipa e das reservas. Sempre tive um temperamento muito especial, não era muito fácil domarem-me.

- Explodia facilmente.
- Sim. E o Simões perguntou-me porque é que eu estava a jogar de luvas – eu tinha começado a usar luvas nos juniores, quando o meu avô morreu.

- Começou a usar as luvas dois dias depois do seu avô ter falecido não foi?
- Foi. Eu tinha ido visitá-lo. Tinham-me dito que o meu avô estava a morrer, fui a São João da Madeira. Ele pediu-me muitas vezes para eu jogar com as luvas, mas eu nunca tinha tido coragem. Nessa última vez ele fez-me o último pedido. Eu não tinha bem a noção de que ele ia morrer e passados dois ou três dias, faleceu. A partir daí achei por bem cumprir a promessa que lhe fiz e que nunca tinha tido coragem na vida de fazer: jogar com as luvas.

- Porque nunca o fez antes?
- Porque era algo de diferente de todos os outros jogadores. E embora possa servir para distinguir, sendo-se um bom jogador, mesmo assim há a parte positiva e a negativa. Há sempre gente que pode levar e leva para a parte negativa, que é uma maneira de querer uma distinção em relação aos outros... sei lá tanta coisa que me passou pela cabeça. É evidente que depois ultrapassei isso. E o Simões teve a triste ideia de me questionar sobre isso, quando eu já jogava desde o ano anterior com as luvas. E logicamente aquilo não me agradou muito e foi um bocado chato.

- Chegaram a vias de facto?
- Não, não chegámos a vias de facto, mas a minha vontade foi essa. O Simões era alguém que tinha peso no Benfica, já era ou veio a tornar-se o capitão da equipa – e não quero estar aqui a criar qualquer tipo de coincidência, até porque eu tive essas lesões – mas a verdade é que fui despachado completamente do Benfica. Volto a repetir, fiz uma época fabulosa no Varzim, fui internacional de juniores e, quando regressei ao Benfica, fui despachado outra vez. Fui para o Montijo emprestado. João Alves troca de galhardete com o italiano Dino Zoff, no único jogo em que foi capitão da selecção nacional.
- Vai a título definitivo por 600 contos?
- Isso foi depois; primeiro, fui emprestado. Entretanto o que é que acontece: o Vitória de Setúbal, pela mão do Pedroto tenta contratar-me. O Benfica não me vende porque na altura o Vitória de Setúbal era um clube que estava, como o Boavista mais tarde, a discutir o título. Uma equipa que passou pela Europa, uma grande, grande equipa. Não me negociaram para o Vitória de Setúbal e deixaram-me ir para o Montijo. No Montijo fui para a tropa.

- Fez a tropa?
- Fiz a tropa e entretanto, a meio da época, fui mobilizado para ir para a Guiné. O meu filho estava para nascer ou tinha meses, já não me recordo bem, e quando aparece essa situação fiquei um bocado aflito. Entretanto consegui arranjar um rapaz para ir no meu lugar por 90 contos. Fui mobilizado, eu e o Jordão. Eu não tinha esse dinheiro, o Benfica também não se quis chegar à frente porque eu era atleta do Benfica, mas estava emprestado. Até que o Montijo avançou para a compra do meu passe por 600 contos, o que na altura era bastante dinheiro. Nem percebo como é que arranjaram o dinheiro, mas pagaram os 90 contos ao rapaz que foi no meu lugar. Felizmente, passados três meses tudo acabou. Deu-se o 25 de Abril e o rapaz regressou são e salvo.

- Entretanto fica no Montijo nessa época, na I divisão. Depois o Montijo desce e o João segue para o Boavista, com o Pedroto.
- Exactamente. O José Maria Pedroto teve problemas com o Vitória de Setúbal e sai a meio da época; pega no Boavista no ano seguinte e começa a construir uma equipa de sonho. Na minha opinião, era a melhor equipa que havia na altura em Portugal e que discute o título. Estive lá dois anos com ele, ganhámos duas Taças de Portugal e no segundo ano discutimos o título e ficámos a dois pontos do Benfica. No Boavista, sou eleito pela primeira vez o melhor jogador do ano em Portugal.

- Depois é convocado para a selecção.
- Entretanto o Pedroto passa a ser o seleccionador. Fui convocado para a selecção de esperanças para um treino, foi a minha primeira convocatória. O treino era um jogo entre a selecção de esperanças e a selecção A. A meio do treino, o Pedroto tirou-me o colete dos mais novos e meteu-me na selecção A. A partir daí, fui por aí fora. Logicamente fiquei muito ligado ao José Maria Pedroto, foi o meu grande mestre e o pai do futebol como nós o chamamos. Carlos Manuel puxa a camisola de João Alves, durante um encontro entre o Benfica e o Barreirense.
- O que é que Pedroto tinha de especial?
- Tinha um feeling, uma sensibilidade, um conhecimento, tudo aquilo que um treinador – um grande treinador – tem que ter.

- Como é que se dá a aproximação do Salamanca?
- É muito simples. Nós fomos a um torneio de início de época em Granada, e eu fui eleito o melhor jogador do torneio. Passados 15 dias estava transferido. Foi tão simples como isso.

- Tinha empresário?
- Nunca tive.

- Não teve receio de ir para um país diferente?
- Tive. Tinha 23 anos, a minha mulher 21 anos, e lá fomos os dois com o nosso filho mais velho. Em termos económicos apresentaram-me uma proposta fabulosa: 200 contos por mês. Em Portugal um jogador muito bem pago ganhava 25/30 contos/mês. Era 10 vezes mais. Só que era uma equipa do meio da tabela de Espanha.

- Mas como foi a negociação?
- Fui com o Valentim Loureiro e o Pinto Sousa que eram os grandes dirigentes do Boavista na altura. Lembro-me perfeitamente: fomos todos de carro, em dois carros, durante a noite. Eu e a minha mulher ficámos no Grand Hotel de Salamanca, enquanto os dirigentes estiveram a negociar o meu contrato. De manhã, quando acordei, foram chamar-me para ir assinar o contrato, que as coisas estavam resolvidas. Foram eles os meus empresários, o major, o Pinto Sousa, os dirigentes do Boavista, porque também defenderam os meus interesses. Eu tinha a ideia do que é que queria, embora se tivesse ido com um empresário se calhar até podia ganhar mais.

- Quando chegou ambientou-se logo?
- Quando chegámos fomos viver para o Grande Hotel – eu, a mulher e o nosso filho Carlos. Passados dois dias pegámos no carro e viemos embora. Comecei a sentir aquele vazio do português, do sentimental, a lembrar-me do meu país. Cheguei a Lisboa e fomos ter com um dirigente do Boavista para lhe dizer que eles resolvessem o problema com Espanha, que eu queria voltar. Claro que me viraram a cabeça e levaram-me outra vez de volta para Salamanca. Depois, lá nos habituámos.

- Então foi difícil a adaptação.
- Foi, no princípio. Depois arranjaram-nos um apartamento para estarmos mais à vontade. Ainda bem, porque as dificuldades iniciais foram ultrapassadas, e bem ultrapassadas, e tanto foram que eu depois fui o melhor jogador do ano em Espanha. As grandes estrelas do futebol mundial estavam em Espanha, não havia estrangeiros em Inglaterra nem Alemanha; a Itália estava fechada. Portanto os melhores jogadores estavam todos centralizados ali.

- Lá também jogava com as luvas pretas?
- Claro, sempre. Em todos os jogos. Respeitaram sempre.

- Ficou quanto tempo?
- Duas épocas.

- A sua mulher nunca teve uma profissão, esteve sempre consigo?
- Sim e foi sempre companheira. Com Johan Cruyff num jogo amigável entre o PSG e o New York Cosmos, em que apenas deu o pontapé de partida, uma vez que ainda recuperava da lesão na perna.
- Desses tempos em Salamanca tem alguma história insólita?
- Há muitas histórias. Tenho uma em que nós fomos jogar a Madrid e ganhámos 1-0 ao Real Madrid, com um golo meu. Depois do jogo, um grupo daqueles mais mal comportados, resolveu ir festejar. A minha mulher estava em Salamanca, que até Madrid são mais de 200km. Liguei à minha mulher a dizer que a equipa toda ia ficar em Madrid a festejar aquela vitória do Salamanca, que era um dia especial. Foi uma grande “peta” mesmo. Que íamos ficar a dormir no hotel, a equipa toda, e que só regressávamos a Salamanca no dia seguinte.

- Foi apanhado?
- (risos) Chegamos a casa no outro dia por volta do meio dia. E à 2ª feira tínhamos um grupo que costumava jantar e logicamente houve alguns que foram e outros que não foram festejar. As mulheres, ao falarem umas com as outras, sem querer, descobriram que não houve ninguém que tivesse ficado em Madrid, mas que alguns foram bons pais e bons maridos e vieram para Madrid e outros não. Foi uma grande bronca nesse jantar, levantou-se ali uma celeuma, mas que foi bem resolvida.

- A sua mulher não ficou zangada consigo?
- Ficou. Ela ainda hoje utiliza muitas vezes esta história. É a primeira vez que estou a contar (risos) 

- Depois de Salamanca regressa ao Benfica, mas é assediado pelo Real de Madrid. Não vai porquê? 
- Fui assediado por Real Madrid, Barcelona, Valencia. Havia três possibilidades em cima da mesa e com o Real Madrid as coisas ficaram acertadas.

- E então?
- E então eu, maluco, como nunca tinha sido campeão no Benfica e tinha sido, passo a expressão, “corrido” do Benfica...

- Meteu na cabeça que tinha de voltar ao Benfica.
- Quero salientar que eu tinha sido o jogador do ano em Espanha, com os Cruijff, os melhores jogadores do mundo a jogar lá, e por isso mesmo é que apareceu o Real Madrid e todos os outros. Mas apareceu também o Benfica, e emboras as coisas entre os clubes espanhóis estivessem acordadas, deram-me a volta para regressar ao Benfica. Depois aquele sentimento de amor próprio de ter sido, não quero dizer enxotado, mas, digamos, de o Benfica não me ter dado o devido reconhecimento, e o eu poder entrar pela porta grande... isso mexeu muito comigo, com o meu orgulho.

- Ofereceram-lhe um bom ordenado?
- Sim, isso também pesou. O Benfica tinha sido há poucos anos bicampeão europeu. A minha mulher queria lá ficar, achava que eu não devia vir. Tive reuniões com o Benfica e conseguimos chegar a um acordo. A partir do momento em que garanti que vinha para o Benfica, entraram em contacto com o Salamanca e adquiriram o meu passe. Foi a maior transferência de sempre naquela época. Tanto assim é que, por ser um valor tão elevado, teve que ir à Assembleia da República. Primeiro não permitiam o meu regresso a Portugal, porque a verba que vinha ganhar era astronómica – estávamos num pós 25 de Abril, muito recente, muito fresco. Acho que não podiam sair divisas do país. Não sei como fizeram, se foi algum benfiquista da América ou de qualquer lado que se meteu ao barulho, a verdade é que o Benfica conseguiu comprar o meu passe ao Salamanca e na época seguinte estava cá.  
- Consegue finalmente ser campeão pelo Benfica?
- Não. Ficámos em 2º lugar e fui-me embora para o Paris Saint German exactamente por causa disso. Fiquei tão desiludido... 
- Emigrou novamente. O seus outros dois filhos já tinham nascido?
- Quando fui para França tinha só o Carlos ainda. A Núria nasceu em Lisboa, numa data bem marcante para mim e para o Benfica. Mas primeiro fui para o PSG.

- Gostou de Paris?
- Fiquei encantado. Eu e a minha mulher. Fui recebido como vedeta, os portugueses enchiam o Parque dos Príncipes. Faço um início de época fabuloso e à terceira jornada, em Sochaux, há um antigo internacional francês que me parte a perna: deixou-me a perna virada ao contrário. Fui operado duas vezes, ainda tenho uma placa com 12 parafusos no perónio. Essa época foi para esquecer, recomecei a jogar passados seis meses, ainda fiz o final da época no PSG.

- Mas o Benfica voltou a comprá-lo.
- Começo a ficar desgostoso em França, fiquei desiludido, porque até final da época nunca mais consegui voltar a ser o jogador que era antes. A recuperação acabou por ser de um ano e apareceu o Benfica outra vez, readquiriu-me por metade do preço, até porque tinha uma perna partida. Regresso a Portugal, finalmente para ser campeão. É quando nasce a minha filha, a Núria, na véspera do jogo em que o Benfica ganha ao FC Porto. Eu marco o golo da vitória e esse golo permite ao Benfica praticamente ser campeão nessa época. E depois fomos à Taça UEFA e fui outra vez campeão: ganhámos taças e supertaças, Foi uma época de ouro do Benfica.

- Que história é aquela de ter chegado atrasado ao treino e o Eriksson o ter mandado embora?
- Estive três épocas seguidas no Benfica, e na última é que há isso com o Erickson. Ganhámos tudo o que havia para ganhar e eu fui titularíssimo durante os jogos todos da época. Até que houve realmente um treino em que eu cheguei atrasado.

- Era hábito seu?
- Não, não era hábito. Não vou dizer que era um menino bem comportado, sempre fui um bocado enfant terrible, mas sempre sociável, amigo do meu amigo e bom companheiro. Cheguei atrasado e ele não gostou. Agora, coincidência ou não, e eu também sou treinador, se um jogador chegar todos os dias atrasado é uma coisa, mas se chega um dia atrasado ao treino, vou tirá-lo da equipa?! Ainda mais quando estamos já campeões, com os títulos que já tínhamos ganho, na final da Taça UEFA?

- O que fez ele?
- Põe-me como suplente nos jogos da final da Taça UEFA. Pôs-me completamente de lado a partir daí. Agora se tem a ver com a questão do treino… Em minha opinião foi um motivo arranjado porque havia um jogador chamado Stromberg, um sueco, que tinha vindo pela mão do Eriksson. Era um jovem e eu terminava o meu contrato com o Benfica, era o jogador mais bem pago no Benfica. No último jogo da época o Benfica foi jogar a Braga; são convocados todos os jogadores, porque já éramos campeões, e íamos também festejar o titulo a Braga, uma zona com muitos benfiquistas. O único jogador que ele deixou de fora, que não deu o prazer de festejar esse título, no norte, fui eu.

- Era só por causa do Stromberg ou havia uma embirração consigo?
- Não sei. Sinceramente. A nossa imaginação depois começa a trabalhar: terá sido por isto, por aquilo? O que ficou para a história foi que eu cheguei atrasado a um treino e que ele a partir dali cortou comigo. Eu tenho outra ideia. A minha ideia é que ele tinha um jogador que tinha vindo pela mão dele, que queria lançar. Essa para mim é a explicação, mas fez isso quando já tinha ganho tudo no Benfica, com excepção da Taça UEFA, que acabou por perdê-la.

- Acha que se tivesse jogado o Benfica teria ganho?
- Para lhe dizer com toda a sinceridade... Eu estando no meu melhor e na final... Os grandes jogadores são jogadores de finais. E é uma questão de lógica. Se eu ajudei a equipa a chegar até ali, a fazer aquilo tudo... É aquilo que mais custa, chegar a uma final europeia ou de selecções. E eu cheguei a essa final, mas só joguei meia hora; entrei quando estávamos a perder 3-1. Alguma coisa aconteceu de estranho. Tanto eu como o Filipovic não merecíamos ser tratados como fomos. Não sei se foi por já termos ultrapassado a casa dos 30 anos. Por coincidência, o Filipovic acabou por vir comigo para o Boavista, fui eu que o levei comigo.
- Fica duas épocas no Boavista até se tornar treinador.
- Exactamente. Estive um ano como jogador, depois no outro ano era para ser o treinador de campo da equipa, e o mister Mário Wilson o manager. Mas ele acabou por dar-me a volta e quis que eu continuasse a jogar. Estive a fazer a construção do plantel com ele, um pouco com esse sentido de vir a ser adjunto.

- Ainda em 1984/85?
- Sim, na última época do Boavista, em que me torno treinador. Fizemos uma primeira volta espectacular e na segunda volta a equipa começou a cair. Aconteceu ao Mário Wilson aquilo que acontece a muitos treinadores quando os resultados começam a não aparecer. E eu pego na equipa no último terço do campeonato, a pedido do Valentim Loureiro, após a saída do Mário Wilson. É aí que começo uma nova carreira. Estou mais dois anos no Boavista, tivemos bons resultados e saio na terceira época.

- Sai porquê?
- O Boavista na altura era um clube de Liga Europa, e esse ano não correu tão bem, estava no meio da tabela e decidimos rescindir o contrato.

- Segue-se Leixões, Estrela da Amadora, depois volta ao Boavista, V. Guimarães, novamente E. Amadora e depois Belenenses. Destas épocas todas, até ir para o Salamanca, recorda-se de algum episódio importante?
- Ganhámos a Taça de Portugal no Estrela da Amadora. É um feito histórico para um clube que infelizmente já acabou. É um daqueles troféus, daqueles títulos que é muito difícil um clube com a dimensão do Estrela, ou qualquer clube, ganhar.

- Quando fez o curso de treinador?
- Fiz o meu curso com 25 anos, altura em que era internacional.

- Desde cedo que sabia que ia ser treinador?
- Sim.

- Como é que vai treinar o Salamanca?
- Na altura em que jogava no Salamanca o nosso motorista era o Juan Maria Hidalgo, que é hoje o dono da companhia Hidalgo, a companhia de aviação Europa, a maior companhia privada de aviação espanhola, e dono das viagens Halcon, onde por acaso o meu filho trabalha. Ele começou com dois autocarros. E há sempre brincadeiras dos jogadores com os motoristas ou com os roupeiros da equipa; normalmente, é aquela malta com quem os jogadores mais se liga e mais desabafa. E nós criámos uma amizade enorme e ele entretanto tornou-se neste portento todo. Entretanto, o Salamanca passou a ser uma sociedade desportiva e ele tornou-se o presidente. Nessa altura, o clube desceu de divisão e ele veio buscar-me a Portugal, estava eu no Belenenses. Tivemos sempre uma relação familiar muito grande.
- Enquanto treinador a sua mulher também o acompanhava quando mudava de clube?
- Sempre.

- Gostava dessa vida de “saltimbanco”?
- Gostava. Em Espanha, adorei viver em Salamanca, uma cidade linda, linda, e muito especial. Adorámos viver em Paris, até comprámos lá um apartamento. Já o vendi.

- Quando é que nasce o terceiro filho?
- Não sou muito bom em datas: o Ivan tem 33 anos. Nasceu no Porto, na minha transição de jogador para treinador.

- O que é que eles fazem profissionalmente?
- O mais velho, disse há pouco, está numa sucursal da Halcon. Sim está a chefiar uma sucursal da Halcon, a miúda tirou um curso de educadora de infância em Alcabideche e vive em Carcavelos; e o mais novo é formado em marketing e é director de uma empresa bastante conhecida a nível de marketing. O mais novo está com 33 anos, a miúda 36 e o mais velho tem 43.

- Onde é que investiu o seu dinheiro ao longo destes anos todos?
- Tive vários negócios. Tive a marca de roupa desportiva Patrick com o major Valentim Loureiro, mas já acabou; vendemos. Depois, montei com a minha mulher uma empresa de produtos alimentares que trazíamos de Espanha, de Salamanca. Também deixámos. Mas o meu negócio principal sempre foi o futebol.

- Investiu em algum clube?
- Não. Tenho uma escola de futebol, mas isso não é um negócio, é um hóbi. Era uma escola de futebol que tornei numa associação.

- Quando é que a criou?
- Há 11 anos, em Santiago do Cacém. Neste momento é uma associação, que entra em competições oficias no distrito de Setúbal. Chama-se Associação Desportiva Luvas Pretas.

- Porquê em Santiago do Cacém?
- Porque nós temos casa em Santo André, na lagoa de Santo André, desde os 20 e tal anos que vamos para lá.

- Era a casa de férias?
- Era. Mas entretanto comprámos lá uma quinta e é onde eu moro, quase há 20 anos. Gosto muito daquela região.

- Um homem que nasce no norte e que se torna alentejano.
- Quase só me falta o capote (risos). Gosto muito. Tenho um cavalinho, tenho cães, tenho galinhas, patos…

- Gosta de montar a cavalo?
- Desde muito jovem.
- Vamos voltar à sua carreira de treinador. Esteve quatro épocas a treinar o Servette da Suíça. 
- Exactamente. E com grandes resultados.

- Conte.
- Foi excepcional, adorei viver em Genebra. Fui primeiro só com a minha mulher, mas depois acabei por levar os meus três filhos. O mais velho veio trabalhar comigo como adjunto, ele também é treinador de futebol. Pode vir a ser um grande treinador. Mas, por uma questão de segurança, está também a trabalhar na Halcon. Na minha opinião como pai, ou está a trabalhar no top num clube de futebol, onde se ganha dinheiro a sério, ou então é melhor ter o futebol como segunda profissão. O mais novo acabou por levar a família para lá; consegui arranjar emprego para ele. E a Núria também lá esteve só que não conseguiu adaptar-se, era difícil arranjar emprego na profissão dela porque tinha de dominar muito bem o francês.

- Para si, enquanto treinador, as coisas correram bem.
- Sim. Foi um grupo que eu, mais o meu filho e a malta que trabalhou comigo, fomos buscar quase a descer à terceira divisão e colocámos na Liga Europa, em dois anos.

- Foi o projecto como treinador que lhe deu mais gozo?
- Um dos que me deu mais gozo. O Estrela da Amadora, por exemplo, foi fabuloso. Fui campeão nacional da 2ª divisão no Estrela, subi o Estrela de divisão por duas vezes, ganhei uma Taça de Portugal. Também gostei de trabalhar no Belenenses, no Vitória de Guimarães, Boavista.

- No Benfica só esteve como treinador de juniores.
- Sim, estive lá dois anos.

- Tem pena de nunca ter treinado a equipa principal do Benfica?
- Tenho.

- Era esse o seu sonho enquanto treinador?
- Sim, o Benfica ou um clube daqueles…

-Essa oportunidade nunca surgiu porquê?
- Sinceramente não sei. Houve uma altura em que podia ter acontecido, quando estava a treinar os juniores do Benfica. Estava lá o Camacho, que saiu a meio da época. Nunca fui de pedir alguma coisa a alguém. As pessoas sabem onde é que estou, sabem onde é que eu moro.

- Acha que não aconteceu por falta de reconhecimento técnico ou pelo seu feitio, por ser temperamental?
- (risos) Tem que perguntar isso às pessoas em questão. Não deu, não deu. Agora o que posso dizer é que treinei clubes europeus, quando digo europeus, são todos os clubes que lutam para ir às provas europeias. O Vitória de Guimarães, o Boavista, o Belenenses. Estive no Servette, que é um dos grandes da Suíça. Cá, tive excelentes resultados como treinador, só uma ou outra vez é que as coisas não correram tão bem, mas tenho orgulho na carreira que fiz. Mas, em Portugal, quem é que é campeão nacional? Tem que se treinar o Sporting, o Benfica ou o FC Porto, senão não é possível. Só houve uma excepção, o Jaime Pacheco no Boavista.

- Do que é que tem mais pena, de não ter treinado a equipa principal do Benfica ou de não ter sido campeão nacional como treinador?
- Tenho mais pena de não ter sido campeão nacional como treinador da 1ª divisão. Eu tive possibilidade de treinar o FC Porto. Tive uma vez conversações com o presidente, com o Pinto da Costa, mas acabou por ir o Fernando Santos para lá.

- Não foi porquê?
- As coisas derivaram para o lado do Fernando Santos. Eu tinha acabado a época como treinador do Campomaiorense e ele estava no Estrela da Amadora. Estive para treinar a selecção, também estive para treinar o Benfica na altura do engenheiro Abílio Rodrigues, que era o vice-presidente. Houve sempre hipóteses, mas nunca se concretizou ou por isto ou por aquilo.

- Não foi por falta de vontade sua.
- Não, não foi. Eu estava a treinar o Campomaiorense, acabou essa época, e fui ver o torneio de Toulon, onde normalmente jogam os jovens portugueses, porque estava a preparar a época seguinte. Mas aproveitei e levei a minha mulher comigo para depois ficar lá na zona da Côte d’Azur, a passar uns dias de férias. Entretanto, o Pinto da Costa liga para minha casa, o meu filho mais velho atendeu; disse-lhe onde é que eu estava e deu-lhe o número do hotel. Quando chegamos ao hotel, estava lá a mensagem com o número do Pinto da Costa. No outro dia de manhã liguei e ele perguntou-me se eu estava interessado em treinar o FC Porto. Disse-lhe que sim, como é óbvio. Quem é que não está interessado em treinar o FC Porto?

- E depois?
- Depois foram aquelas conversas de circunstância, ele perguntou como é que estava a minha vida, disse-lhe que tinha mais um ano de contrato com o Campomaiorense, mas que tinha uma cláusula que me permitia sair e as coisas ficaram, digamos, mais ou menos acertadas. Ele perguntou quando é que eu regressava a Portugal, isto era uma quinta ou sexta-feira, e eu disse-lhe que ia ver a final do torneio de Toulon, fazia uns dias de ferias e tinha avião marcado para a quarta-feira seguinte. O FC Porto jogava a final da Taça de Portugal com o Beira Mar nesse domingo. E o que é que aconteceu? Aconteceu que quando cá cheguei, o FC Porto tinha contratado o Fernando Santos. Se calhar ele estava à espera que eu apanhasse o avião e que viesse a correr. Mas o que acordámos foi que, quando cá chegasse, eu telefonava para nos encontrarmos.

- Como soube do Fernando Santos?
- Quando vinha no avião para cá. Distribuíram jornais a bordo, peguei na “A Bola” e a notícia era “Fernando Santos praticamente certo no FC Porto. João Alves era o outro nome…” e não sei o quê. E foi assim. Quando cá cheguei liguei ao Pinto da Costa, conforme estava combinado, ele deu-me a notícia pelo telefone.

- Ficou zangado com ele?
- Não. As coisas são como são. É evidente que há situações nas nossas vidas em que… como é? Um comboio não pára duas vezes na mesma estação. Mas sabe uma coisa? Sinto-me muito feliz como sou e não mudei a minha maneira de ser. As luvas originais, as que a fã ofereceu ao avô de João Alves.
- Qual foi o jogador que mais o marcou enquanto treinador?
- Não quero distinguir um, há vários. Há jogadores que me marcaram em termos pessoais, muitos. Agora daqueles mais conhecidos, posso referir o Pauleta que levei para Espanha e que chumbou nos exames médicos. Era para vir embora e eu fui embora do Salamanca um bocado por causa da história com ele. Eles chumbaram-no nos exames médicos, e eu exigi que ele ficasse no clube, o presidente deu-me carta branca para que eu tomasse as decisões que entendesse.

- É supersticioso?
- Era muito. Agora menos.

- Desde quando?
- Desde sempre.

- Quem lhe incutiu isso?
- O Zé Maria Pedroto. Com o Pedroto, quando íamos a qualquer lado, o autocarro tinha que entrar de frente. E eu depois, mais tarde, também era assim. São as tais coisas que vão passando de treinadores para treinadores...usar a mesma camisola, ou o mesmo casaco quando se ganha. Houve uma altura em que comecei a usar um casaco de malha no inverno e comecei a ganhar. Quando chegou o verão usei o casaco à mesma, enquanto fui ganhando (risos). Gosto de entrar em campo com o pé direito. Quando era jogador do Benfica, gostava muito de ir à igreja com o Gaspar Ramos, antigo dirigente, antes dos jogos. Todos os domingos em que jogávamos, antes do almoço, ele ia comigo à igreja. Sou católico não praticante. Gosto muito de ir à igreja e estar sozinho. Ainda ontem estive em Fátima, com a mulher, a filha e o neto.

- Tem quantos netos?
- Seis.

- Algum vai ser jogador de futebol?
- Espero bem que sim. Os meus filhos também foram jogadores, mas sem terem atingido um grande nível. O mais novo ainda jogou no Benfica, nos infantis, mas fisicamente é pouco dotado. Mas eu sempre gostei mais que os meus filhos tivessem estudado algo seguro. Porque no futebol, ou é para ser craque ou então é melhor ter um bom plano B.

- Ou seja, pode vir a acontecer o que aconteceu consigo e com o seu avô. O sucesso no futebol salta uma geração.
- Espero bem que sim.

- Voltando às superstições. Há alguma coisa recuse a fazer?
- Por exemplo: quantas vezes já me pediram para tirar fotografia com as luvas calçadas. Está fora de questão. As luvas são sagradas, estão lá emolduradas e é sagrado, as minhas e as do meu avô. Aquilo para mim é quase uma coisa religiosa. Eu tenho muito orgulho nelas, tenho muito orgulho da família, mas não as utilizo, não me quero servir delas, nem tornar a coisa menos séria naquele amuleto.

- As luvas que utilizou enquanto jogador não são as da fã do seu avô.
- Não, claro que não. São umas luvas que o meu avô me ofereceu para eu seguir a sua tradição.

- O seu avô não usou sempre aquelas luvas pois não?
- Não até porque elas mal lhes cabiam nas mãos. Depois acabou por ir trocando por outras luvas. Aquelas usou naquele jogo.

- O João também foi trocando.
- Claro. Quantas luvas é que eu não dei a admiradores, quantas não me roubaram os adeptos quando iam festejar títulos.... Antigamente entrava-se nos campos, faziam invasões e deixavam-nos em cuecas. Isso aconteceu muitas vezes. Tive muitas luvas no meu percurso como jogador e muitas oferecia a pessoas por quem tinha grande consideração.

- Pode dar um exemplo?
- Dei umas luvas minhas para o museu do Benfica, estão lá. Dei umas a um grande amigo que tenho no FC Porto que me conhece desde esse célebre jogo do Freamunde, da questão com o Simões, que é o Mário. Dei a muitos amigos.

- E amizades do futebol, tem muitas?
- Tenho. O Pietra que foi meu colega de equipa, que é meu compadre, é o padrinho da minha filha; o Valentim Loureiro, a família Pedroto, gostava muito do Zé Maria, o mister era alguém de quem eu gostava muito. O João Manuel Nabeiro, e o seu pai, Rui Nabeiro, mas o João Manuel é da minha idade e fizemos uma grande amizade, alguns presidentes de câmara, o Mário Wilson também me marcou muito, tinha uma grande amizade por ele, Toni, todos aqueles meus colegas, o Humberto, o Chalana, o Carlos Manuel, o Zé Luís, tantos, tantos, o Bento era muito amigo dele, o Damas, o Folha. E tenho camisolas de ex-jogadores meus que me tratam por pai.

- Quem?
- O Moubandje, por exemplo, que jogou no último Suíça-Portugal, ele trata-me como pai. Fui buscá-lo a uma 4ª divisão, com 18/19 anos, tornou-se internacional A comigo na Suíça e foi jogar para a 1ª divisão, para a Super Liga Suíça através dessa subida de divisão.

- E portugueses, tem algum jogador mais chegado?
- O Paulo Bento, que é como se fosse da minha família, mas tenho tantos que é difícil nomeá-los... o Abel Xavier, o Calado, o Pedro Barbosa, o Barni, Caetano...

- Sente que está subvalorizado?
- Subaproveitado talvez. As coisas são tão claras e evidentes. Se eu fizer uma listagem de jogadores que descobri – mas não descobri nos grandes clubes, descobri nas terceiras divisões é que isso é que é. Sempre me interessei muito por ver jogos da 2ª divisão, das distritais. Sabe porquê? Porque houve alguém que me marcou muito neste campo, o Zé Maria Pedroto.

- Gostava de voltar a treinar?
- Não sei. Nunca tive empresário na minha vida e sei perfeitamente que o mundo do futebol está muito diferente, que para um empresário ele vai ganhar dinheiro com um treinador de 35 ou 40 anos porque vai trabalhar mais anos, do que com um de 65. Por outro lado, nunca fui pessoa de entrar por aqui e por acolá. O futebol está diferente, o futebol está comercial, está industrializado, hoje é de empresas, não é de um todo, é de meia dúzia de pessoas. É de empresários e os empresários que não percebem nada de futebol e que só querem resultados imediatos."