Últimas indefectivações

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Os «Diabos Vermelhos» e o «Diabo Negro»

"O primeiro encontro entre o Benfica e o Manchester United teve lugar em Old Trafford em Setembro de 1962. Encontro particular que terminou com um empate (2-2) graças a dois golos de Eusébio.

Vamos a Manchester no ano de 1962. Setembro, 24. Era a terceira vez que o Benfica jogava no Reino Unido. As duas anteriores tinham sido para a Taça dos Campeões Europeus, frente ao Hearts of Midlothian (vitória por 2-1) e no campo do Tottenham Hotspurs (derrota por 1-2).
Desta vez o jogo era amigável, como se dizia na altura. E o adversário o Manchester United, que, apesar de estar a fazer um campeonato medíocre, viera de Madrid com uma vitória brilhante face ao Real.
Embora entrando em campo com alguns suplentes, o Benfica não deixou dúvidas em Old Trafford em relação ao seu real valor.
O estádio estava praticamente à pinha: 60 mil pessoas, no mínimo.
UNITED - Gregg (depois Gaskel); Brenan, Dunne (Cantwell), Stiles e Foulkes; Lawton, Giles e Law; Quixall, Crisnall e MacMillan (Moir);
BENFICA - Barroca; Jacinto e Cruz; Cavém, Raul e Humberto; José Ausgusto (Augusto Silva), Eusébio, Águas (Torres), Coluna e Simões.
Os jogos entre Manchester United e Benfica tornar-se-iam clássicos europeus. Houve mesmo entre ambos uma final da Taça dos Campeões.
Mas, na altura, encontravam-se pela primeira vez.
Não alargo o 'suspense': a contenda acabou empatada - 2-2.
Dennis Law fez o 1-0 aos 36 minutos; Eusébio empatou no minuto seguinte; Quixall adiantou os ingleses, de 'penalty', aos 44 minutos; Eusébio fechou as contas aos 79 minutos.
Cavém e Coluna foram outros dos encarnados em destaque. Bem como Raul.

Eusébio - uma e outra vez
O Benfica lançou-se ao ataque desde cedo porque era assim a mentalidade dessa equipa Bicampeã da Europa. Foram vinte minutos de futebol encantador que entusiasmou o público inglês, sempre pronto a valorizar a qualidade do jogo, venha ela de onde vier.
Por isso, o golo de Law foi sentido como uma injustiça. E não o foi mais porque Eusébio tratou de empatar no minuto imediato, concluindo um lance típico dos seus com um remate indefensável.
Chegados aqui, a bola distribui-se mais equitativamente por um e outro campo.
Não fora a atrapalhação de Humberto, em cima do intervalo, que o levou a cometer um 'penalty' tão evidente como desnecessário, e o empate (mais do que justo) teria transitado para o segundo tempo.
Assim, saiu o Manchester em vantagem.
Cabia, então, ao Benfica puxar dos galões. Não esquecer que nesse tempo a equipa de encarnado com a águia no peito dominava o Continente. Ninguém voava mais alto do que ela. E também não foi neste jogo que isso aconteceu.
O jogo resplandeceu. De um lado e do outro movimentos correctos, bonitos, bem pensados. O Benfica atacava mais, não queria sair de Old Trafford derrotado, lutava pelos seus pergaminhos e pela sua honra como um cavalheiro num duelo. Golpes afinados falhavam por pouco o alvo da baliza de Gaskell, que entrara para o lugar de Gregg. Simões, na esquerda, baralhava os ingleses com dribles, José Augusto, na direita, insistia na sua velocidade, Coluna e Cavém apoiavam Eusébio e Águas de forma consistente.
Remates atrás de remates. Nem todos com pontaria certeira. Eusébio era rei do pontapé. Fortíssimo. Assustador. Mas infelizmente sem resultados práticos senão o de atemorizar a defesa contrária.
O jogo caminhava para o fim e parecia que o Manchester United iria obter uma vitória nada merecida.

Mas havia Eusébio. Havia sempre Eusébio!
Eusébio que recebe uma bola redonda, a preceito, que parece pedir-lhe que a chute. E ele chuta. Com força e colocação. É golo! É golo de Eusébio!

Os «Diabos Vermelhos» de Old Trafford rendem-se ao «Diabo Negro» que lhes impõe o empate a poucos minutos do fim.
Uma enorme ovação despede o Benfica.
Manchester recebeu-o com orgulho e despediu-se dele comorgulho
É assim com aqueles que são grandes..."

Afonso de Melo, in O Benfica

Quem mais tem mais quer

"1. A UEFA está sem governo há longos meses e seja lá quem for que vier a substituir Platini vai ser confrontado com uma exigência da Associação Europeia dos grandes clubes (ECA), comandada por Rummenige, do Bayern: a criação de uma Superliga Europeia em que só entrarão clubes das cinco maiores Ligas (Espanha, Inglaterra, Alemanha, Itália e França) ou, no mínimo, o alargamento da quota de clubes daqueles mesmos países, em prejuízo das restantes Ligas. Mais concretamente: Portugal em vez de ter acesso directo de dois clubes à fase de grupos terá apenas um. É a ditadura capitalista dos ricos a ditar as regras à estrutura orgânica do futebol, ou seja, à UEFA e FIFA. Não nos iludamos, mais ano menos ano é isto mesmo que vai acontecer. Vem a propósito dizer que o modelo actual também é mau. Alguém entende que no play-off de ingresso à fase de grupos deste ano se possam defrontar FC Porto - Roma ou Villarreal - Mónaco e, ao mesmo tempo, Ludogorets - Viktoria Plzen e Dundalk - Legia?

2. Embora o mercato prometa continuar efervescente até ao fim deste mês, é já no próximo domingo que tem início a Série A e não são necessárias grandes análises matemáticas ou complicados ensaios laboratoriais para se poder garantir que a quem vai conquistar o scudetto será a Juventus. É verdade que perdeu Pogba, cujo o cartellino lhe rendeu 105 milhões limpos (chegou a custo zero do Manchester United quem agora foi vendido!!!) mas, em compensação, chegaram Higuain, Dani Alves, Pjanic, Pjaca, Benatia... e ficou mais forte.
Os dois rivais milaneses, Inter e Milan, foram vendidos a fundos de investimento estatais chineses e estão no estaleiro em obras de reparação. Em todo o caso, os nerazzurri já começaram a fazer pela vida: substituiriam Macini por Frank De Boer e adquiriram João Mário por 45 milhões (10+35). Desta vez, Bruno de Carvalho esticou a corda e ficou a ganhar."

Manuel Martins de Sá, in A Bola

Phelps: o lado negro

"Michael Phelps é o mais medalhado atleta olímpico. Ganhou 28 medalhadas, sendo 23 de ouro. É seguido como modelo, admirado à escala planetária, inspirou desportistas. Este é o lado brilhante.
Mas há um reverso negro. O do sofrimento psicológico quase insuportável. Um dia enviou uma mensagem ao seu agente dizendo não querer viver mais. Após os Jogos de Pequim sentiu que tinha realizado o maior sonho possível e que nada lhe restava cumprir na vida. Bowman, seu treinador, concluiu que tinha ajudado a criar um monstro desde que, aos 10 anos, perante tão grande potencial, o envolvera num treino exigente e bidiário. Afunilara-lhe a vida na natação, proibira-o de praticar outros desportos de que também gostava e, com acordo da mãe, contrariara a vontade do pai de tentar coordenar os treinos com uma vida de criança e adolescente que nunca teve. Abandonou os estudos. Apanhado numa bola de neve que nem Phelps, nem Bowman controlavam, os Jogos de Londres foram uma inevitabilidade, apesar da falta de interesse no treino e da preparação reduzida ao mínimo. Para o público ficava o lado brilhante: 2 medalhas de ouro e 2 de prata.

Depois viveu profunda depressão. Não distinguia a auto-imagem da sua imagem pública. Vivia em função dos outros. Foi preso alcoolizado e em excesso de velocidade. Já o tinha sido por consumo de droga. O internamento para recuperação psicológica depois de 2012, quando tocou no fundo, confrontou-o com o verdadeiro sentido para a vida. Constituiu família e tem um filho de meses. Diz que já não vê nas medalhas o seu único propósito existencial. Teve de se afastar do desporto para ver a vida. O mesmo sucedeu a Anthony Ervin, aos 35 anos, repetiu no Rio. Afastou-se alguns anos, tentou o suicídio, foi sem-abrigo. Também o mítico Ian Thorpe viveu depressão profunda e tentou suicidar-se. E não se passa só na natação. No alto rendimento há muitos cuidados com as lesões físicas, mas ignora-se as psicológicas!"


Sidónio Serpa, in A Bola

Autor e intérprete em enttevista

"A história de dois homens e uma canção. Uma ligação para a posteridade. Um êxito intemporal.

A 12 de Novembro de 1956, o fotógrafo Roland Oliveira registou a entrevista de Paulino Gomes Júnior a Luís Piçarra. Porém, esta fotografia retrata muito mais do que um episódio do trabalho do então director do jornal O Benfica. Nela, estão autor e intérprete de um dos maiores êxitos musicais de exaltação clubista de que há memória.
O tenor Luís Piçarra (1917-1999), 'um dos mais populares e cosmopolitas cantores portugueses do século XX', foi um homem com uma carreira repleta de êxitos, tendo actuado nas principais salas do país e em palcos de todo o mundo. Mas o homem que se orgulhava de ter gravado 999 canções gravou uma que ainda hoje se canta por esse mundo fora. É essa a canção que o unirá para sempre a Paulino Gomes Júnior.
Tudo começou cerca de três anos antes dessa entrevista quando, no II Sarau da Comissão do Novo Parque de Jogos, a 11 de Abril de 1953, no Pavilhão dos Desportos, Luís Piçarrra interpretou pela primeira vez em público a canção 'Ser Benfiquista', com letra e música de Paulino Gomes Júnior. O êxito foi 'tão clamoroso, que o público ovacionou longamente, de pé, autor e interprete' e pediu bis.
No momento da entrevista registada pela lente de Roland, Luís Piçarra tinha acabado de chegar de Angola, para onde partiu 'contratado por mês e meio e esteve lá seis, que não se prolongaram porque a «saudade mata a gente»...'.  As perguntas foram variadas: 'Como foi recebido', 'E os benfiquistas, Luís, os benfiquistas de Angola?'. Mas a pergunta que pululava na boca de Paulino não tardou, o que o entrevistador mais queria saber era se a sua música tinha sido cantada em terras angolanas. 'E a resposta, risonha, feliz, disse (...) tudo - Se a cantei? Cantei-a sempre, mesmo nos espectáculos organizados pelos sportinguistas. Não sei porquê, mas chegou a parecer-me que todos, sem distinção de clubismos, queriam ouvir a sua canção - Bem, a nossa...'.
Hoje, sessenta anos depois, 'Ser Benfiquista' é tida por muitos como o hino do Clube, está na ponta da língua de todos os benfiquistas e é presença assídua no Estádio da Luz, em todos os jogos.
Poderá encontrar esta e outras fotografias na exposição Roland Oliveira, até 15 de Outubro na Rua do Jardim do Regedor, em Lisboa."

Mafalda Esturrenho, in O Benfica

Benfiquismo (CXCV)


segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Vamos Nélson...

Tinha as minhas expectativas em baixo para o resultado do Nélson Évora, mas hoje, na qualificação, o Nélson 'contrariou-me', mais uma vez!!!!!!!!!
Grande salto (na 3.ª tentativa), o 4.º melhor da qualificação, com 16,99, o melhor da temporada. Mais uma vez, tal como o ano passado nos Mundiais, o Nélson chega ao principal objectivo da época, no seu máximo...!!!
Aqueles saltos em Amesterdão nos Europeus, tinham-me deixado muito apreensivo!

A Final será outra loiça, ainda ontem no Triplo feminino, as marcas da Final, foram muito melhores do que na qualificação... Sem o Pichardo, o Cristian Taylor é o claro favorito, apesar do Chinês estar a saltar muito... o Nélson até pode chegar às medalhas, com um salto abaixo dos 17,52m do ano passado em Pequim, vamos ver... e ter esperanças!!!

Curiosamente, neste momento a velocidade e força estão lá... o Nélson só precisa de acertar um salto, tecnicamente, sem desequilíbrios nem desvios laterais...

O Nélson voltou a ser o melhor Europeu, só três vão estar na Final...

PS: Qualificação e Meia-final imperiais do Pimenta no K1 1000m, tem tudo para chagar às medalhas, inclusive ao Ouro... só precisa de chegar aos últimos 100m com alguma 'reserva'!!!
A Francisca Laia, na sua estreia Olímpica, no K1 200m, também esteve bem, com a qualificação para o Final B...

Benfiquismo (CXCIV)

Metal !!!

Bons resultados...

Excelente 9.º lugar da Susana Costa na Final do Triplo Salto, com 14,12 m, a cerca de 20 centímetros da sua melhor marca...
A Final nem correu muito bem, com dois nulos nos primeiros dois saltos (por 1 cm e o outro por 4 cm!!!), mas na 3.ª tentativa em 'desespero' a Susana fez um salto válido! Não chegou para entrar nas 8.ª primeiras, mas deu outra cor a este grande resultado! Dentro das circunstâncias, foi uma boa prova...
Num concurso, onde os saltos 'grandes' voltaram a aparecer de todos os lados...!!! A Patrícia Mamona, Campeã Europeia, bateu o recorde nacional (14,65m), e mesmo assim ficou pelo 6.º lugar !!! Aliás, tal como a Americana fez uma marca 'gigante' em relação à sua marca anterior, e mesmo assim ficou sem medalha!!!


Grande Dulce Félix, que em grande sofrimento, com condições muito complicadas, conseguiu terminar a Maratona feminina, no 16.º lugar, com 2h 30m 39s.
Este resultado, equivale a uma 'meia-final' algo que tem implicações nas 'bolsas' olímpicas...
O facto da Dulce ter terminado a prova, ganhou ainda mais destaque, devido às desistências da Sara Moreira e da Jessica Augusto!
Recordo que a Filomena Costa foi preterida em relação à Jessica Augusto, mesmo tendo melhor tempo... mas como a 'comédia' na FPA está em alta, a Sara Moreira lesionou-se nas últimas semanas, não estava em condições de competir, a Vanessa Fernandes estava no Rio como 'substituta' mas a decisão foi manter a Sara Moreira em prova... até aos 7 Km, onde desistiu!!!!
Tudo isto é fado, tudo isto é Portugal!!!!

domingo, 14 de agosto de 2016

Vieram para ficar!

"As Fiji, além da supremacia táctica e exuberância técnica deixada em campo durante os três dias de competição, demonstram gestos genuínos que marcarão com certeza a história dos Jogos: a fé e o compromisso que os une, logo após o apito final do exemplar arbitro sul africano; uma atitude arrepiante de exponenciação máxima de crença colectiva ao juntar a equipa para rezar a uma só voz; uma humildade que, cada vez menos comum, ajoelhou-os individualmente perante a princesa Ana abrilhantando a cerimónia de entrega das medalhas ao baterem palmas, por três vezes, para depois então receber e colocar ao peito a imensa alegria da glória conquistada. Esta atribuição do primeiro ouro olímpico aos mágicos Fijianos, no jogo de sete, não pode ter sido mais justa, há mais de 25 anos que através da sua potência genética fazem movimentos de destreza técnica e combinações tácticas dentro do campo que não estão ao alcance de mais ninguém. Totalmente incopiável esta nação é treinada pelo melhor especialista do mundo, um líder que de uma enorme paixão pelo jogo, o inglês Ben Ryan.
Da versão masculina ficam duas notas para reflexão: uma inesquecível prestação do Japão (eliminado em 2015 do circuito mundial pelos Lobos), por um exemplar 4.º lugar que evidencia a aposta com rigor científico e estratégia, sem nunca descurar ou conflituar com a versão de XV; E a dupla decepção Austrália e principalmente da Nova Zelândia com os modestos 8.º e 5.º lugar respectivamente, que farão repensar estratégias aos responsáveis federativos... Será que estamos perante o fim do reinado do modelo do melhor treinador de sempre Gordon Titjens?
Se ainda restavam dúvidas sobre a relevância dos sevens na família olímpica, o respeito e 'fair-play' demonstrados, bem visível quando a Argentina foi eliminada por 5-0 e os seus jogadores levantados do relvado pelos britânicos, que optaram por não festejar a vitória em sinal de reconhecimento; e o ambiente carnavalesco vivido nas bancadas bem como a competitividade extrema nas provas femininas e masculinas enquadraram-nos com relevo.
Os Sevens vieram para ficar!"

Tomaz Morais, in A Bola

Fazem-se coisas maravilhosas com carne de qualidade inferior e outras considerações benfiquistas de Um Azar do Kralj

"JÚLIO CÉSAR
Ainda festejava a vitória na Supertaça com os filhos quando, antes mesmo do primeiro minuto terminar, é obrigado a responder com a atenção e seriedade que se exige de um indivíduo prestes a completar 37 anos de idade. Não teve um jogo muito exigente, o que foi bom, porque podia ter tido o azar de se lesionar e o Paulo Lopes dispensa jogar nas 33 primeiras jornadas.

NÉLSON SEMEDO
Esqueçam aquela lesão da época passada. Nélson Semedo nunca mais foi o mesmo desde que cortou o cabelo. Renato, se nos estiveres a ler, passa o contacto do teu cabeleireiro ao Nélson. Precisamos rapidamente de um lateral direito mais apaixonante e o André Almeida tem o nariz virado ao contrário.

LINDELÖF
Ainda não nos habituámos ao facto de ter deixado crescer o cabelo, o que lhe retira alguma daquela aspereza nórdica que tanto gostamos de ver em tipos de alta estatura vulgarmente responsáveis por tirar a merda-da-bola-dali. Perdeu um lance de cabeça aos 50 segundos de jogo e interpretou mal vários outros ao longo dos 90 minutos. Parece continuar afetado pelo recente tweet de uma criança de 11 anos que lhe ameaçou roubar a mulher. Se acham que esse nervosismo é exagerado, escrevam “mulher do Lindelöf” no Google e depois vão ver a foto do tal miúdo. Ficam fofos juntos.

LUISÃO
A sua anunciada última época no Benfica parece ter tudo para ser semelhante à de Mantorras, mas em vez de golos mancos nos últimos 5 minutos poderemos esperar alguns avançados isolados nas suas costas. Saiu lesionado aos 25 minutos na sequência de um choque com Carrillo e deu lugar ao homem que marcou o golo da vitória. Foi melhor assim. Não deixa de ser o maior, o que nos diz que talvez devêssemos considerar um Período de Descontos à Luisão, apenas para podermos aplaudir a sua entrada em campo.

GRIMALDO
Imaginem que passaram os últimos anos a comer bife de alcatra. Nada contra. Fazem-se coisas maravilhosas com carne de qualidade inferior. E quando temos a família inteira à mesa, o mais importante é mesmo o convívio e a aguardente no final. Agora imaginem que, num belo jantar de sábado, passavam a servir-vos bife do lombo. Como encarar o jantar de sábado a partir daí? Toda aquela memória de alcatra bem passada a ser furiosamente mastigada, e agora só queremos saborear cada garfada de carne quase crua… Enfim. A melhor, e simultaneamente a pior parte desta metáfora, é que o bife do lombo se paga caro mas o Grimaldo veio a custo zero. Pior ainda: passou os últimos 6 meses a marinar, portanto é carne maturada. Se continua a jogar assim nunca mais vamos querer alcatra, nem rodízio do Chimarrão, nem, chega de analogias parvas, a titularidade de Eliseu. O mister que resolva, que tem ar de ser bom garfo.

FEJSA
O bom senso do costume, tanto quanto é possível num sérvio que parece sempre ter mais 20 centímetros de pernas do que os adversários. A sua exibição, a um só tempo discreta e essencial, foi a forma que ele encontrou de nos dizer que, se por acaso não vencer o décimo título nacional consecutivo da sua carreira, dificilmente lhe poderemos atribuir as culpas. A nível de penteados, mantém estoicamente o seu man bun, imune ao que revistas de moda nos dizem desde pelo menos 2014.

ANDRÉ HORTA
€45 milhões? Esqueçam. 60. 80, vá. Depois de Renato Sanches, o regresso à atmosfera terrestre dos benquistas está a ser muito menos depressivo do que se antecipara. Aliás, qual atmosfera terrestre? Não me incomodem que cá em cima é que se está bem. O grande responsável é André Horta, um fanático jogador-adepto benfiquista que parece fazer sempre aquilo que o adepto deseja, desde jogar com as meias a cobrir apenas dois terços da canela até ao seu futebol habilidoso-mas-sem-inventar-demasiado (algo que sempre se perdoou a Renato mas pronto, às vezes chateava), um futebol que em poucas semanas se tornou importantíssimo para esta equipa. A todos os fanáticos que dizem coisas como “até eu fazia melhor"” ou “olha aquele gajo solto!", André Horta demonstra que é de facto possível um adepto pisar o relvado e fazer melhor do que muitos que por lá andam. Podíamos ter passado este parágrafo a falar do golo genial que marcou, mas foi apenas o normal desenrolar das instituições, neste caso a nação benfiquista a carburar em Tondela. Pensando melhor: 100 milhões, no mínimo. E o número da mulher do Lindelöf. Aguentem-se.

PIZZI
Esteve em quase todos os lances dignos de um candidato ao tetracampeonato, nomeadamente num cruzamento tele-fucking-guiado que resultou no golo de Lisandro. Mais um jogo em que voltou a demonstrar que merecia ter estado na final em Paris. Tenham calma, os outros que lá estavam são tão bons ou melhores do que ele. Mas já é altura de dizer que Pizzi, independentemente de todas as dúvidas que possa já ter suscitado, ou da posição em que joga no meio-campo, independentemente até da aparição ou não do seu órgão reprodutor numa foto de um colega de equipa publicada nas redes sociais, se trata de um jogador do cara#$%. #pissi

CERVI
Por enquanto ainda é um pouco como se anunciassem os Nickelback para substituir Brian Wilson a tocar o Pet Sounds. Ao contrário do que se diz, Cervi não está a competir com a memória de Gaitán. Não digam disparates. Cervi compete com a primeira época de Di Maria, que parecia um puto estúpido que ninguém voltaria a convidar para uma futebolada, pelo menos até transplante cerebral algures entre a segunda e a terceira época na Luz. Para começar, Cervi parece já ter percebido que no futebol europeu é necessário um gajo mostrar que se preocupa minimamente com o mundo que o rodeia, mesmo que não tenha a bola nos pés. Parece pouco, mas para já é o suficiente para afastar a hipótese de transplante.

GONÇALO GUEDES
O seu futebol continua naquele limbo entre o Nélson Oliveira e alguém que o Benfica se arrependeu de vender ao Mónaco. Tivemos todos saudades do tempo em que se viu remetido à condição de suplente crónico por um miúdo da Musgueira, entre outros. Para se perceber o quanto o miúdo consegue irritar algumas pessoas, houve gente aqui no café em Vila Nova de Paiva que pediu a entrada do Carcela. De vez em quando começa a correr desalmadamente e cava umas faltas. Outras vezes aparece em zonas do terreno onde não é necessário, a tentar emendar os erros que cometeu na tarefa anterior. Outras tantas parece denotar intenção de salvar a carreira, como numa belíssima rotação seguida de remate aos 49 minutos. Aquela psicóloga do Éder deve estar cheia de trabalho, mas era de falar com ela.

MITROGLOU
Mitroglou é o mexilhão do “futebol apoiado”: pagam-lhe para ficar lá na frente, boa parte do tempo de costas para a baliza, a ver uma data de miúdos tentarem construir jogo e passar-lhe uma bola em condições. 9 em cada 10 vezes, ele tem que voltar a passar a bola a um desses miúdos, que 99 em cada 100 não a conseguiram devolver ao grego em condições. Isto lá para Outubro até poderá vir a ser uma actividade gratificante, mas terá de continuar a sofrer que nem um steward virado de costas para o relvado em dia de inferno.

LISANDRO 
Assim que entrou em campo aparentou estar em pior momento de forma que Luisão, num lance em que quase vê Crislan marcar. Pouco depois marca o primeiro golo do jogo e consegue o desconto de que precisava para alguns erros que foi começando nos restantes 61 minutos. Às vezes, quando o vemos de lado com a barba por fazer, faz lembrar Garay, só que não é bem. A dupla que formou e formará com Lindelöf nas próximas semanas está longe de ser desastrosa, mas tudo indica que teremos mais algumas arritmias até a coisa ir ao sítio.

SAMARIS
É um jogador com níveis de competência acima da média a quem se pedia que ajudasse a segurar a magra vantagem, e assim fez. Acima de tudo, é o único futebolista estrangeiro a atuar em Portugal que nos faz distrair do jogo e acabar a questionar como é possível que um grego fale tão bem português. Imaginem isto num café em Vila Nova de Paiva cheio de filhos de emigrantes em França.

SALVIO
Passou cinco minutos em campo e deve ter transpirado o suficiente para publicar uma foto todo contente no Instagram. Melhor ainda, não se lesionou. Bom miúdo, apesar de já não ir para novo."

Benfiquismo (CXCIII)

Karaté Kid?!

Vermelhão: primeiros 3 pontos, na longa caminhada...!!!

Tondela 0 - 2 Benfica


Não consegui acompanhar o jogo com calma suficiente para fazer uma análise profunda ao jogo.
Mas independentemente de jogar bem ou mal, tivemos atitude... aliás sem atitude vencedora, hoje, nunca teríamos ganho...

Foi só uma impressão, mas este jogo pareceu-me um daqueles jogos complicados, que tivemos na recta final da época anterior, na caminhada do Tricampeonato!
A diferença está no numero de ocasiões de perigo que permitimos ao nosso adversário... Semedo e Grimaldo, independentemente do bom trabalho ofensivo, têm que melhorar na defesa... O Júlio César está a ter demasiado trabalho... O regresso do Jardel também será importante!

Uma nota para este Tondela do Petit: não será fácil aos 'grandes' ganhar ao Tondela, tal como ficou provado na 2.ª volta o ano passado... Apesar do nome, o grau de dificuldade do jogo, foi maior do que 'outros'!!!!

Estamos a jogar com muita juventude (hoje com: Semedo, Lindelof, Grimaldo, Horta, Cervi e Guedes), não será fácil com uma média de idades tão baixa, manter o concentração em todas as jornadas do Campeonato... A maratona é longa, será necessário muita atenção por parte da nossa equipa técnica, em manter esta gente toda com a cabeça no 'sítio' !!!

É muito importante não facilitar nestas primeiras jornadas, numa altura onde temos quase 'meia' equipa lesionada!!!! Ederson, Almeida, agora Luisão, Jardel, Zivkovic , Jonas... São demasiados jogadores de fora. E quase tudo lesão traumáticas!!! Nenhum dos nossos adversários tem este problema...


Com relva ou sem relva

"No ano passado, o Benfica espalhou-se ao comprido na sua primeira deslocação a contar para o campeonato, perdendo com o Arouca em Aveiro, lembram-se? O campo dos arouquenses não reunia ainda condições para receber um jogo da Liga principal e foi recebida - com desmesurado optimismo - a notícia da transferência desse compromisso para um palco capaz, construído e inaugurado por ocasião do Euro'2004. Um brinquinho. E 3 pontos perdidos.
Este ano, o Benfica estreia-se com uma saída a Tondela depois do triunfo na Supertaça. Apesar de o relvado dos tondelenses se apresentar com um 'visual' diferente do regulamento, o jogo vai mesmo realizar-se na casa própria da equipa que, na última época, esteve quase, quase a descer de divisão. Ao contrário do que possa parecer não é uma má notícia para o Benfica. Com tantos extremos à disposição, Rui Vitória só tem de atirar para campo aquele que for mais apto em correr no saibro. E depois é confiar que a equipa, n seu conjunto, saberá fazer o seu trabalho.
Diz a experiência que é sempre melhor confiar na equipa do que confiar na relva. Foi por confiar na relva que o Benfica perdeu no ano passado com o Arouca em Aveiro. Ficou a lição.
E pronto, lá se acabou o defeso que, este ano, de defeso propriamente dito teve muito pouco. O campeão estival voltou a ser o Sporting. E de que maneira. Desde o seu último jogo oficial da temporada de 2015/2016 até ao dia de hoje - em que inicia a caminhada correspondente a 2016/2017 - o Sporting não só conquistou a Algarve Summer Cup frente ao Nice sem paciência para penáltis como ainda anunciou a conquista retrospectiva de mais 4 títulos de campeão nacional respeitantes a temporadas que terão tido o seu auge há mais de 80 anos.
Tendo em conta que na primavera de 2015 quando se cumpriu o segundo ano do seu mandato, o presidente do Sporting tornou público que 'em termos de gestão o Sporting já conquistou uma Liga dos Campeões e foi campeão nacional' já são 5 os títulos de campeão de Portugal somados pela actual gerência em 3 anos de exercício. Facciosismos à parte até são 6 visto que já foi oficialmente inaugurado no museu do clube o espaço destinado a receber o troféu do campeão nacional da época de 2016/2017 que arranca hoje. Em 3 anos de mandato, 6 títulos de campeão de Portugal e uma Liga dos Campeões no bornal. Um caso de estudo. Pena já não haver estudantes."

Grande Susana...

Nuns Jogos Olímpicos, onde muitos dos atletas portugueses têm cedido perante a pressão dos resultados, a Susana Costa, nas sempre traiçoeiras qualificações do Triplo Salto, conseguiu no último salto (ela que por sorteio era a última a saltar no grupo dela...), com 14,12 m (11.ª). a qualificação para a Final, juntando-se à Patrícia Mamona! 
Não foram 3 saltos perfeitos, ficou 'a mais ou menos'  20cm das marcas dos Europeus, mas nos Saltos existem muitas variáveis... e a pressão do Estádio Olímpico, acaba sempre por 'pesar' nas pernas!
Como ficou provado nas qualificações, as medalhas são muito complicadas... mas a presença de duas portuguesas na Final já é um excelente resultado...

Esta noite, o Tiago Apolónia em conjunto com o Marcos Freitas e o João Pedro Monteiro, foi eliminado na prova por equipas no Ténis de Mesa. Ficámos aquém das expectativas, podíamos e devíamos ter feito mais...

Mau sinal...

Varzim 2 - 0 Benfica B


Temos alguns momentos bons, temos mais potencial que os nossos adversários, mas a falta de eficácia ofensiva, e as ingenuidades na defesa, deitam tudo a perder...
Para não repetirmos a época passada, temos que ganhar no Seixal...

sábado, 13 de agosto de 2016

Benfiquismo (CXCII)

Recordar um Bronze Olímpico...

Benfica: a importância do factor pecuário na bola

"Sinto-me obrigado a começar esta crónica com uma dupla declaração de interesses.
Em primeiro lugar, está escrito na minha nota biográfica no sítio electrónico deste jornal que espero conseguir reformar-me no dia em que o Benfica for tetracampeão para poder escrever mais uns livros e dar mais umas voltas pelo país. Logo, dar-me-ia jeito que fosse já este ano...
Em segundo lugar, quando nasci, a minha mãe deu-me à Luz e não às Antas ou a Alvalade, circunstância pela qual não poderia ser outra coisa senão benfiquista. O que não quer dizer sectário, ao ponto de desrespeitar os adversários, muito menos obtuso e incapaz de distinguir o bom do mau futebol.
Estive na bancada em dois jogos que me deixaram indicações contraditórias: a Eusébio Cup, na Luz, e a Supertaça, em Aveiro. Na primeira, um pândego, sentado ao meu lado, dizia para quem o quisesse ouvir, cada vez que o Raúl falhava um remate. “Reparem bem! E demos 22 milhões por ele…” Já no jogo com o Braga, quando Rafa, putativa contratação do Glorioso, falhou aquele golo de baliza escancarada, outro animador de bancada comentou: “Vinte milhões por este gajo? Chiça…”
Ou seja, há sempre risco de conflito entre os objectivos e as finalidades do futebol: o objectivo é encantar a bancada com fintas, desmarcações e remates; a finalidade é meter a bola lá dentro. Nem sempre andam a par.
Que me parece a equipa? Bastante razoável mas ainda um pouco trelemiques na defesa. A tripla segurança Ederson-Lindelöf-Jardel ainda não voltou. O meio-campo tem dias. Pizzi, tanto tira da cartola golos e passes geniais (revejam-se no Youtube os lances do 2-0 e do 3-0), como parece ter medo de disputar os ressaltos. André Horta, tanto entusiasma, como desilude. Fejsa está bom e recomenda-se e Samaris, nem que fosse só pela sua invejável fluência em português, merece um lugar no relvado. Cervi promete e quanto à dupla Mitroglou-Jonas está tudo dito. Não me esqueci do Zivkovic mas continua no estaleiro: houve um “camone” que lhe deu tal sarrafada que, se fosse árvore, o tinha arrancado pela raiz.
Quanto a Carrillo, corre que nem um cristão a fugir dos leões no Coliseu. Não se percebe é se sabe para quê… Chega para o campeonato? Depende de muita coisa, mas é sempre melhor arrancar com alguma dinâmica de vitória e bons sinais em campo do que ao pé-coxinho como no ano passado. Há também o nada despiciendo factor pecuário: se a Vaca da Luz mantiver a pujança do ano passado que se parece ter estendido à Supertaça (os outros falham de baliza aberta e nós marcamos no último minuto) os augúrios não podiam ser melhores.
E quanto aos adversários? O FCP vive uma espécie de Queda do Império Romano que se arrisca ser tão longa e duradoura como a do século V (como é possível terem despachado o Aboubakar sem substituto garantido?). O Sporting é prisioneiro do paradoxo da manta: a equipa é boa mas curta. Dando-se o caso de faltar alguém por castigo, lesão ou transferência (ou cai uma chuva de dinheiro em Alvalade ou duas ou três figuras centrais terão que ser vendidas este mês) pura e simplesmente não funciona, como se viu na pré-época. Das restantes equipas, ou desponta um fenómeno improvável tipo Leicester, ou haverá três campeonatos: o dos primeiros, o dos últimos e o dos outros. 
E pronto, que role o esférico!"

O fel e o mel!

"O quase certo adeus do fantástico Sálvio e a aposta natural em dois jovens que serão revelações no novo campeonato.


Claro que lamentarei se o argentino do Benfica Eduardo Salvio, como é quase certo, vier a deixar a Primeira Liga portuguesa, porque Sálvio é um exemplo de fantástico jogador de alta competição, porque além de muito talentoso Sálvio tem sempre em campo uma atitude e uma determinação que impressionam. É o chamado campeão nato, que discute cada lance como se fosse o último e empenha-se em cada jogada sempre como se fosse a mais importante. Com a partida de Sálvio a Liga deve chorar!
Só mesmo por ser assim, por ser um jogador mentalmente tão forte e ter um carácter tão competitivo é que Sálvio tombou no chão a 23 de Maio de 2015, já perto do fim do último jogo desse campeonato,quando o Benfica fazia apenas a festa do título e já vencia o Marítimo... por 3-1!

Sálvio não precisava realmente nada de discutir aquela bola daquela maneira, com tanta garra e tanta determinação, como se desse dependesse o campeonato.
Era um jogo de festa, o título estava conquistado, o jogo estava praticamente ganho, o jovem argentino podia perfeitamente ter tirado o pé do acelerador, ter baixado o ritmo e a intensidade, podia ter-se dado ao luxo de passar o talento pelo relvado em vez de, como sempre fez e faz em todos os jogos, o pôr permanentemente à prova, com risco de lhe acontecer o que acabou por lhe acontecer, ao contrair grave lesão no joelho que quase lhe roubou toda a última época e tantas dúvidas passou a suscitar quanto à possibilidade de voltar a ser o que era antes do incidente.
A verdade é que Sálvio não sabe tirar o pé do acelerador, nunca soube, e ao mesmo tempo que pagou elevada factura desportiva é na verdade também isso que faz dele um jogador tão excepcional e que tanta saudade deixará a partir do momento - que se aguarda até final do mês - do definitivo adeus à Primeira Liga portuguesa.
Sálvio, está-se mesmo a ver, vai deixar o Benfica após um total de mais de 200 jogos com a camisa encarnada (em cinco épocas, a primeira das quais na qualidade de emprestado pelo Atl. Madrid) e quase 50 golos. Talvez o craque argentino não volte a ser exactamente o mesmo que era antes da grave lesão; mas é o mesmo na classe, na inteligência de jogo, na atitude de furacão com que joga e parece-me que está, agora, realmente mais próximo do que foi.

Merece toda a sorte do mundo!


Com a má notícia da perda definitiva de Sálvio - que já teria deixado a Luz a época passada se não se tivesse lesionado -, mais a má notícia da perda definitiva de Renato Sanches, mais a má notícia da perda momentânea de Ederson, primeiro, e agora Jonas para o arranque do campeonato, já este sábado, em Tondela, o campeão pode, no entanto, ter esperança de vir a promover uma das maiores revelações do campeonato, o jovem André Hora, que ainda por cima tem todo o ar de trazer consigo a mesma mística benfiquista que parecia exibida pelo jovem Renato.
Posso, naturalmente, vir a enganar-me, mas arrisco, para já, em dois nomes que deverão marcar profundamente este novo campeonato: André Horta, na Luz, e André Silva, no Dragão, este último um caso evidente de jogador à Porto, um jovem ponta de lança que tem realmente tudo para se tornar no símbolo da mística azul e branca, na linha de outros grandes nomes que todos conhecem e que (por tão exaustivo que seria), não valerá a pena enumerar.

No caso de André Horta, duas ou três notas mais: corre muito, luta imenso, procura incasavelmente o espaço e a bola, jogo à frente e atrás, sobre a direita e sobre a esquerda. Não fazem sentido as comparações, evidentemente, mas parece-me tecnicamente melhor do que Renato embora Renato seja mais poderoso e intenso e tenha um invulgar impulso com a bola.
É André Horta, para os devidos efeitos, um verdadeiro 8, e aposto que vai dar muito que falar.
E a mística? Pois, a mística... Será que é vulgar um jogador festejar um golo como ele festejou o golo de Cervi, agora, na Supertaça? É impossível não relacionar isso à paixão clubística de André, Um guerreiro!

Do mesmo modo me parece inevitável, sublinho, associar o nome de André Silva à melhor definição de... jogador à Porto! O que surpreende, agora, já nem é tanto isso, mas a qualidade intrínseca de puro atacante que revela o jovem a quem Nuno Espírito Santo quis, simbolicamente, dar a camisa 10.
Somando uma coisa à outra, pode realmente André Silva vir a tornar-se num peso muito pesado neste novo FC Porto e vir a ser muito mais do que um jogador, no sentido em que a sua forma de combater, o espírito de conquista, a ambição de vencer e de ajudar a recolocar o emblema do Dragão na primeira linha seguem as impressões digitais de outras estrelas como Baía, Jorge Costa ou Couto, para citar, como exemplo, apenas alguns dos nascidos e criados na esfera da mais vencedora equipa portuguesa das últimas décadas. O que lamento é que à ascensão do jovem André pareça corresponder o desaparecimento de Aboubakar, fantástico atacante que bem merecia ser mais visto por cá pela qualidade que nele se descobre.
Nem sempre o futebol é justo com os bons.

PS - Aconteça o que acontecer no futebol dos Jogos Olímpicos, Rui Jorge já será o último a rir. Ele tem tudo para suceder a Fernando Santos quando este deixar o comando da principal Selecção portuguesa!"

João Bonzinho, in A Bola

Mais confiança e mais azedume

"A Supertaça não tem um histórico de grande prestígio, foi mesmo durante anos o expoente máximo da aldrabice no futebol, mas foi bom ganhar a um SC Braga de qualidade, por números claros. Em Aveiro, o Benfica não aumentou apenas os índices de confiança, aumentou também os índices de azedume nos rivais. Nove dos últimos 12 títulos disputados em Portugal foram vencidos pelo Benfica, é alguma coisa mais que sorte.
No início de mais um Campeonato Nacional, não vejo que o Benfica seja um claro favorito, todos partem com zero pontos e a mesma vontade de vencer. Este ano, Benfica, Sporting, FC Porto e SC Braga vão disputar os títulos em falso com igualdade de armas. O Sporting promete não vender e tem muita qualidade. Nuno Espírito Santo equilibrou o plantel e promete lutar pelos títulos todos. E por fim José Peseiro mostrou que o SC Braga está muito próximo dos tradicionais candidatos. A grande vantagem do Benfica é estatística, ganhou muito mais vezes que todos os outros, mas essa vantagem carece de nova prova dentro do campo. O Benfica tem um início de Campeonato terrível. Nas primeiras seis jornadas, jogo quatro fora de casa, e recebe o SC Braga. Este inicio é muito importante. Numa altura em que Jonas é operado, o mercado está a 20 dias do fecho, a única ambição é ganhar ao Tondela. O jogo contra o simpático clube será disputado num sucedâneo de estádio de futebol, com poucas condições mas é assim que queremos vender a nossa Liga. O campeão será o mais regular, e prevejo outro campeonato com poucos pontos perdidos pelos candidatos mais fortes.
Telma Monteiro ganhou uma medalha olímpica com determinação, vontade e superação. Telma é uma campeã e tem uma carreira de altíssimo nível, somou êxitos e venceu adversidades de uma forma que enche de orgulho os benfiquistas e os portugueses. Parabéns pela merecida conquista."

Sílvio Cervan, in A Bola

Discretos...

Tinha alguma esperança, numa boa prova da Marta Pen nos 1500m, infelizmente isso não aconteceu.
A Marta fez uma grande época, e a verdade é que o grande 'pico' de forma, foi a Final dos Campeonatos Universitários Americanos (onde ganhou, e fez o mínimo Olímpico), e depois os Campeonatos da Europa... Seria sempre muito complicado, manter a forma, ou 'construir' um novo 'pico' de forma, no Rio.
A prova acabou à poucos minutos, estou curioso para ouvir as declarações da Marta, até pode ter acontecido alguma 'coisa' (lesão...?!!!!), mas pronto, o resultado foi o que foi...
Não deixa de ser frustrante, numa prova lenta, ideal para o estilo de corrida da Marta...
Com este acumular de experiência, no próximo ano, espero que a Marta consiga a marca de qualificação para os Mundiais, com distância suficiente, para preparar os Campeonatos com tempo...

A Carla Salomé Rocha foi a primeira Benfiquista a entrar na Pista do 'Engenhão', e fez uma boa prova de 10000m, ao seu nível, ficou em cima do ser recorde pessoal, com 32.06,05!!! Era a atleta com 31.ª marca, e acabou no 26.º lugar...
E ainda pode dizer, que esteve na pista quando a extra-terrestre Almaz Ayana bateu o recorde do Mundo dos 10000m, com 29.17,45 mim!!!!!!!!!!

Nos 20 Km Marcha, o Sérgio Vieira, ficou no 53.º, com 1.27,39. Tudo normal...