Últimas indefectivações

terça-feira, 5 de julho de 2016

Voleibol 2016/17

Tudo definido na secção de Voleibol. Depois de um ano, que não acabou da melhor forma, o grande objectivo é recuperar o título nacional, e as mexidas no plantel, não dão margem de erro: é para ganhar tudo internamente, e voltar a fazer boa figura na Europa!

Os regressos do Vinhedo e do Honoré foram as grandes notícias do 'defeso'! As contratações do Tiago Violas e do Rapha, dão garantias... e o regresso do João Magalhães é a garantia que o Ivo Casas não vai ser obrigado a fazer todos os 'pontos' da época!!!

Falhámos nos Distribuidores na última época, as entradas do Vinhedo e do Violas são a 'prova' disso! A idade e 'lesões' do Vinhedo podem ser um problema, mas o Violas (para mim o 3.º melhor Passador português: Pinheiro, Miguel...) deixa-me descansado...
O Honoré dá-nos garantias de competitividade, tanto no Bloco como no Ataque... e o Rapha vem com excelentes 'números'...

O meu humilde 'bitaite', é para o Serviço! Tanto na Europa, como na Final do Campeonato, foi no Serviço que fomos bastante inferiores aos adversários! E nós até temos bons servidores, mas nos momentos importantes não podemos 'ceder'...

A única situação 'duvidosa' na construção do plantel, foi a opção por manter o Mart. Recordo que além de desportivamente o Holandês ter acrescentado pouco à equipa, disciplinarmente provocou alguns problemas! Compreendo que o orçamento é para cumprir... mas se tivermos algum problema físico com o Zelão ou o Honoré vamos ficar muito mais fracos!
O Flip do Castêlo da Maia, tem lugar no nosso plantel...

Oposto: Gaspar, Ché
Zona 4: Reis, Lopes, Oliveira, Rapha
Central: Zelão, Honoré, Mart
Distribuidor: Vinhedo, Violas
Líbero: Casas, Magalhães

Ganhar com sorte e não perder com azar

"O jogo com a Polónia foi o único que me agradou. Aquele em que, talvez por ter sido obrigado a isso em consequência do golo madrugador de Lewandowski, completamente fora do programa, Portugal voltou a ser Portugal, tendo libertado argumentos técnicos e outros atributos que andavam escondidos.
Que a Selecção teve passagem modesta pela fase de grupos é evidência do tamanho dos Clérigos. Por que razão isso aconteceu é enigma que entra no domínio dos mestres da táctica. Tal como o rendimento pouco entusiasmante com a Croácia, à excepção do golo mágico, ao minuto 117, levado à cena pelo bando dos quatro (Renato, Nani, Ronaldo e Quaresma) e que, nos cinco continentes, fez com que os portugueses se sentissem orgulhosos pela nacionalidade que os identifica: milagre que, com esta intensidade e amplidão global, só o futebol consegue.
De empate em empate até à vitória final, frase que circula já em todas as conversas, espécie de ponte que liga a inevitabilidade de não ganharmos em 90 minutos à certeza da presença na final e... vencê-la. Não produzirmos exibições reluzentes é para o lado que durmo melhor. Aliás, deve ter-se presente que neste Europeu a diferença entre o bom e o mau ou entre o bonito e o feio, não reúne muitos quadros para mais tarde recordar.
Ao contratá-lo, a FPF não deve ter pedido a Fernando Santos para colocar o acento tónico na vertente estética, porque jogar bonito nunca foi característica dominante na filosofia de jogo por si preconizada. Pediu-lhe resultados, e isso ele tem atingido com sucesso, à sua maneira sabendo que a memória só lembra as vitórias e a história só arquiva os títulos.
Êxitos intermédios e boas exibições depressa se esvanecem.

A jogar à bola ou a jogar futebol, sinceramente não alcanço a diferença entre uma coisa e outra nem o fim do seleccionador, são cada menos as vozes discordantes, assegurada a presença nas meias finais. O que não significa incondicional concordância. Aceito o caminho trilhado mas não vejo motivo para tanta retracção. Noto ali receio excessivo pelo atrevimento. Não me causa desconforto, confesso, e não tenho problema em dar à mão palmatória nem aceitar que o homem tem razão, por serem os resultados que separam os fortes dos fracos e tudo determinam. Neste momento, estamos na luta enquanto Inglaterra, Itália, Espanha, Bélgica ou Croácia já foram de férias...
'Como é bom invejarem a nossa sorte', titulou Ferreira Fernandes a sua crónica no DN no dia imediato a termos empurrado os croatas para fora do Euro; mil vezes melhor do que gozarem o nosso azar, como é (era) costume, acrescento eu. Desde que não se transforme Portugal-2016 em fotocópia da Grécia-2014. Isso, não, em respeito pela marca de qualidade do futebolista português, mundialmente reconhecida e apreciada!
A Grécia foi mais longe do que nós no Mundial do Brasil, mas, além de ter formado uma equipa com idades ao nível do Inatel, ninguém, no seu perfeito juízo, sairia de casa para ir a um estádio vê-la jogar. É essa fronteira que jamais deve ser violada: demos moral à Islândia com os nossos medos e a França provou que não havia necessidade...
Não dei até agora palpite sobre quem devia alinhar, se o António, se o Joaquim. Nem vou dar. Pronunciei-me, sim, em relação aos que me pareceram ser elementos estranhos; ou seja, opções merecedoras de reparo. Cristiano Ronaldo à parte, por ser a única referência da Selecção, a sua Estrela Polar, os restantes têm de estar bem física e mentalmente e justificarem a titularidade, o que, por motivos diversos, João Moutinho e, sobretudo, André Gomes, não fizeram. Há gente disponível e cheia de vontade para os substituir.
É defeito muito nosso metermo-nos onde não somos chamados, por incontrolável tendência para dizer coisas vãs ou viver mal com a prosperidade do vizinho, do amigo ou do colega. Jorge Jesus, sem que alguém lhe tivesse pedido, creio eu, do alto da sua inatingível erudição disparou uma farpa ao selecionador, proclamando que Renato Sanches não estava preparado para ser titular. Acertou ao lado. Fernando Santos, que conhece bem jogador e autor do disparo, revelou imunidade a recados de pacotilha. Imagine-se a barafunda se fosse ao contrário. Isto é, o seleccionador a imiscuir-se no trabalho do treinador do Sporting...
Em contraposição, Carlo Ancelotti considerou-o a revelação deste Europeu. Repare-se na disparidade de pensamento! Em que ficamos? É óbvia a resposta. A opinião de Ancelotti pesa mais. É a riqueza do currículo que lhe empresta a credibilidade que o autoriza também a vir a público defender Cristiano Ronaldo da escandalosa campanha a que tem sido sujeito: são três Ligas dos Campeões à cabeça de uma caterva de outras conquistas importantes. Jesus, aqui, no seu mundo, continua a pensar que é o que não é e, no caso, perdeu boa oportunidade para ficar calado. A opinião é livre, mas foi despropositado com o jogador e deselegante com o seleccionador. Aliás, não precisa importunar-se com a sorte dos outros. Vai ser o próximo campeão nacional. A vitrina já está reservada em Alvalade para receber o troféu...

NOTA - Cristiano Ronaldo é o melhor jogador do Mundo e o melhor capitão do Mundo."

Fernando Guerra, in A Bola

E consigo... é assim?

"Hoje tenho um desafio para si. Embarque no meu raciocínio. Leia como se estivesse dentro de cada palavra, de cada letra, de cada ideia e depois reflicta. Faça a sua análise. Combinado?
Como sabe, muito já se disse e escreveu sobre a dificuldade que é ser árbitro. E muito já se disse também que os árbitros erram porque são humanos, porque não têm tv, porque erro e acerto fazem parte, etc. Na verdade, já se disse e escreveu tanto sobre isso que até chateia. São verdades sim, mas que de tão repetidas e repisadas, passaram a clichés. Para os consumidores externos de bola, quando o árbitro acerta, não fez mais do que devia. Quando erra, ou é incompetente ou é malandro. Esses sim. São chavões eternos, passados de geração em geração, que não chateiam e não irritam ninguém. Intrigante, esta nossa capacidade de repudiar umas coisas e abraçar outras como verdades absolutas. 
Mas falemos de verdades então.
A verdade é que há árbitros que acertam mais do que outros. Que erram menos. Que são mais competentes que outros. Na sua área de formação, no sítio onde produz a actividade profissional, também não é assim, caro leitor? Ou acertam todos por igual? Ou são todos infalíveis, competentes e eficazes? Brilhantes? A verdade? A verdade é que há árbitros que são mais intolerantes, mais inflexíveis e mais disciplinadores do que outros. Depende sobretudo da educação, da formação enquanto pessoas e da personalidade. No trabalho, nas situações com que já lidou, também não é assim, caro leitor? Ou não há pessoas com formas de trabalhar diferentes? Com personalidades distintas? Põem ou não põem o cunho pessoal no que produzem?
A verdade? A verdade é que há árbitros que reconhecem um erro publicamente, enquanto outros optam por refugiar-se no silêncio. Onde trabalha, também reconhecem todos os erros que cometem, caro leitor? Publicamente? Ou só perante quem manda? Ou não os reconhecem porque os erros são ossos do ofício? Ou não erram e sai tudo sempre perfeitinho? A verdade? A verdade é que na arbitragem tomam-se decisões em segundos, com enorme visibilidade e mediatismo. Com escrutínio universal. Que todo o mundo vê e revê, na hora, com atenção e sentido crítico. E onde trabalha, também se passa o mesmo, caro leitor? Tem que tomar decisões em cada instante, com uma plateia global a avaliá-lo? É escrutinado em direto e ao vivo por todo o país? Sente essa pressão diariamente? Ou só o seu director lhe pede satisfações? Ou trabalha por conta própria e não responde a ninguém? Ficaria confortável se o que faz tivesse esta exposição?
A verdade? A verdade é que, antes de começarem a trabalhar, os árbitros já são ladrões, corruptos. Têm todos algum histórico que as memórias selectivas não perdoam. E consigo? Acontece o mesmo? É malandro e desonesto antes mesmo de começar a trabalhar? Corrupto? Incompetente antes de fazer o que mais ama? Aceitaria que lhe dissessem isso? Trabalharia sem pressão? Produziria com a mesma qualidade? A verdade? A verdade é que os árbitros recebem ameaças de morte, são difamados e injuriados, incomodados no quotidiano e têm que escolher com sensatez onde vão e o que fazem. É assim, na sua vida, caro leitor? Poupa a família a uma vida normal com receio que alguém os agrida, insulte? Priva-se de ser livre porque não sabe quando é que vai encontrar um doente que faça uma asneira? E se a sua vida fosse assim por causa do trabalho? Não seria um pouco corporativista? Mais reservado? Desistia ou ficava?
Fim de viagem. Outras virão.
Obrigado pela companhia.

«Antes de julgar a minha vida ou o meu caráter, calce os meus sapatos e percorra o caminho que eu percorri, viva as minhas tristezas, as minhas dúvidas e as minhas alegrias. Percorra os anos que eu percorri, tropece onde eu tropecei e levante-se como eu fiz. E aí poderá julgar (...).»
Clarice Lispector"

Duarte Gomes, in A Bola

Mais do que um jogo

"Ao ver o Itália-Alemanha no Europeu de futebol, que decorre em França, dei comigo a recordar a final entre as selecções destes países no Mundial de 1982. Vi-a em Burstadt, Alemanha, num écran gigante montado no pavilhão onde decorria o festival de ginástica que aí tem lugar todos os três anos, desde 1954. As gentes da ginástica conhecem bem este festival da pequena cidade perto de Frankfurt, por onde já passaram milhares de ginastas portugueses. Até aquela altura, apenas o Ginásio Clube Português, com a sua classe especial, e o Sporting, tinham sido convidados pela organização. 
Frequentávamos um pequeno café italiano, onde já éramos conhecidos de participações anteriores. A proximidade cultural dos latinos levou ao fácil contacto com os muitos emigrantes italianos que, na época, por ali estavam. Procuravam-nos e apoiavam-nos nas exibições gímnicas. E, após a final ganha pela Itália, fomos os naturais companheiros com quem quiseram partilhar a imensa alegria que viviam. Muitos abraços, muitos gritos de 'Viva Itália' e 'Viva Portugal', muitas cervejas oferecidas pelos italianos que não nos permitiam a recusa... Ouvimos o coração que se lhes abria e os desabafos que não continham. Era um momento de afirmação do país amado que haviam sido obrigados a deixar. Mas também de ajuste de contas, porque diziam que, ao voltarem ao trabalho, na fábrica onde se sentiam menosprezados, e por vezes humilhados, por uma vez eram os mais fortes, sentir-se-iam superiores... As reportagens que revelam a forma fantástica como os emigrantes portugueses estão presentes e apoiam a Selecção portuguesa em França expressam sentimentos muito semelhantes aos dos italianos com quem festejei a vitória de 1982. Os povos da Europa mediterrânica têm em comum aspectos essenciais da sua natureza e cultura. Que pena os políticos não o saberem aproveitar... Ah!, claro, fiquei triste com a eliminação da Itália. Pelos companheiros de 1982 e pela comunidade a que pertencemos."

Sidónio Serpa, in A Bola

Benfiquismo (CLV)


Estância de Madeira
Últimos retoques no Estádio do Campo Grande, em 1941.
Quando fomos origados a mudar de casa,
mais uma vez, após a expropriação das Amoreiras!

domingo, 3 de julho de 2016

O carácter de Renato

"Disse que o Renato Sanches tinha condições incríveis logo que o vi jogar. Primeiro com o Astana, a 25 de Novembro de 2015, para a Liga dos Campeões, cinco dias mais tarde em Braga, e, a 4 de dezembro, frente à Académica, onde assinou um golo monumental.
Agora, neste Europeu, e depois do que ele fez contra a Hungria, pedi para que fosse titular o mais depressa possível, tal como aconteceu com milhões de portugueses. Com ele em campo, a dinâmica ofensiva da equipa é outra. A velocidade aumenta e a Selecção joga melhor, pelo que não me surpreendeu que tenha sido considerado o melhor em campo pela UEFA nos jogos com a Croácia e Polónia.
O que me surpreendeu, isso sim, foi a resposta que deu depois do jogo com a Polónia: "O míster, perguntou quem queria bater os penáltis. O Ronaldo disse que batia o primeiro e eu que batia o segundo. Fui para a bola e fiz aquilo que costumo fazer nos treinos: escolho um lado e meto na baliza!" Estas afirmações surgiram com uma tranquilidade tal que até parecia que as grandes penalidades em causa referiam-se a um qualquer torneio de pré-temporada.
Hoje, 33 anos depois, continuo a ser o estreante mais jovem com a camisola das quinas. Tinha 17 anos. Ainda assim, tento colocar-me na mente do Renato e entro em pânico. Os outros que iam marcar as penalidades eram Cristiano, Moutinho, Nani e Quaresma, quatro glórias que sabiam o que estava em causa. Um falhanço naquele momento era uma cruz para toda a vida...
O país estava 'dependente' daqueles malditos penáltis e muitos craques fugiriam se pudessem. O Renato tem 18 anos, era o seu primeiro jogo a titular pela Selecção A e fácil seria dizer ao míster que não estava preparado para aquela responsabilidade.
Mas ele é de outra fibra, não fugiu à responsabilidade e revelou uma coragem incrível. Sete meses depois de vê-lo jogar pela primeira vez, digo que o Renato é um craque, com carácter de ferro e de autêntico campeão. Com a sua personalidade ganhadora será o líder e o capitão da Selecção assim que o Cristiano se retire.

Positivo
Dois jogadores portugueses teriam merecido nota máxima no jogo com a Polónia. Rui Patrício, pela defesa espectacular no penálti, e Pepe. Foi, talvez, o melhor jogo que vi dele.

Negativo
Parece que os árbitros têm medo de marcar penáltis e Portugal está a ser a mais prejudicada de todas as selecções. Foi assim com Nani, frente à Croácia, e com Ronaldo diante da Polónia."

Pepe deve gostar de couratos

"Pepe. Não o José Manuel Soares, mas o Képler Laveran Lima Ferreira. Não o do Belenenses, sim o do Real Madrid. Não o português, antes o brasileiro. Erro grave: brasileiro? Não. Quanto muito, luso-brasileiro. Pepe (o Képler) já é tão português como Ronaldo. Canta o hino e beija as quinas. Até deve gostar de couratos e de caracóis. E de passar férias no Algarve. Tem paragens cerebrais durante os jogos? Claro. Como um bom português. A mais famosa aconteceu a 21 de abril de 2009, quando teve entrada duríssima sobre Casquero (Getafe) e depois pontapeou-o diversas vezes no chão. Por vezes, como na final da Liga dos Campeões, repete a graça, embora de forma diferente. Mas no intervalo destas paragens, é um central extraordinário. Que está a fazer um assombroso Campeonato da Europa, aparecendo em França numa forma física esplendorosa, varrendo a área de Rui Patrício com facilidade impressionante. Está ao nível de Eurico (1984), Fernando Couto (1996 e 2000) ou Ricardo Carvalho (2004 e 2008). Sublime.

Ronaldo. Não o Ronaldo Luís Nazário de Lima, sim o Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro. Não o de Cruzeiro, PSV, Barcelona, Inter, Milan e Corinthians, antes o do Sporting, Manchester United e Real Madrid. Não o brasileiro, mas o português. Ronaldo canta o hino como Pepe, beija as quinas como Pepe, não se sabe se gosta de couratos, caracóis ou de passar férias no Algarve como Pepe deve gostar. Não está a fazer um Europeu ao nível de Pepe. Está dois degraus abaixo. Corre, luta, sua? Sim. Mas está ainda muito longe do Ronaldo a que nos habituámos. As imagens divulgadas referentes ao pré e pós-penalties com a Polónia são fantásticas e prova-se que Ronaldo merece cada centímetro da braçadeira que usa. Está ao nível de Mário Coluna (1966), Fernando Couto (2000 e 2004) ou de Luís Figo (2006).

Patrício. Não os do Euro-1984, antes o do Euro-2016. Não o Bento, o Damas ou o Jorge Martins, antes o Rui. Tem feito um Campeonato da Europa muitíssimo bom. À guarda-redes de equipa grande. Sem grande volume de jogo, não registando alta sequência de intervenções, Rui Patrício tem defendido o que tem defesa e algumas bolas quase sem defesa. E a grande penalidade detida frente à Polónia é soberba: esticou-se até ficar quase com dois metros e tocou com a ponta dos dedos na bola. Tão importante como os cinco remates certeiros dos 11 metros. Não está ainda ao nível de Bento (1984) ou Vítor Baía (1996 e 2000), mas está já bem ao nível de Ricardo (2004 e 2006). Falta-lhe apenas, um dia destes, marcar um penalty. Sem luvas, claro. E já depois de ter defendido um. Talvez de Bale, quem sabe. Em Lyon.

Renato Sanches só tem três velocidades
Renato isto, Renato aquilo, Renato outra coisa qualquer. O jovem médio é, depois de Cristiano Ronaldo, o jogador mais falado da Seleção portuguesa. Se Patrício é o homem dos penalties, se Pepe se tornou num paredão atrás da linha média e se Ronaldo é o craque mundial, Renato Sanches é o homem do momento. Há quem pense para o lado e quem pense para trás: Renato só pensa para a frente. Há quem tenha cinco velocidades. Renato tem apenas três: a quarta, a quinta e a sexta. Há quem veja duas balizas. Renato vê, sobretudo, uma: a do adversário."

Rogério Azevedo, in A Bola

Benfiquismo (CLIII)

Outro ângulo... em relação ao Benfiquismo de ontem...!!!

Redirectas XLV - Renato Sanches: O Farol


Entra em campo e tudo ilumina o miúdo da Musgueira. Sua alma irradia. E todas as atenções atrai em seu redor com o seu extraordinário magnetismo. É uma luz que se espraia em campo qual farol anunciando terra firme. 
Poucos jogadores na história do futebol tiveram o condão de trazer a este desporto rei aquilo que Renato Sanches trás. Na realidade, do meu ponto de vista, Renato Sanches é único nesse particular. Dos jogadores que eu tive a sorte de ver jogar talvez Maradona possa comparar-se em termos desse magnetismo. Mas Maradona deixou-se perder pelos jogos da vida. Renato Sanches ainda está a começar. Acredito que saberá escolher os melhores caminhos. Essa luminosidade não se apagará. Continuará pelos anos a dentro. Nunca vi jogar Eusébio mas acredito que fizesse o mesmo quando entrava em campo. O magnetismo da genialidade. A personalidade do gigante que se ergue a cima do comum dos mortais.
Todos os relatos sobre Renato Sanches falam da sua extraordinária personalidade. Uma personalidade que não está acente na loucura inconsequente de um jovem imaturo. Uma personalidade que está sustentada na firme convicção de que ninguém está a cima dele, porque ele sabe das suas capacidades e quer mostrá-las à saciedade.
Chegou, viu e venceu. Foi assim no Glorioso Sport Lisboa e Benfica. Está a ser assim na selecção nacional. Está a ser assim no Euro 2016. Irá ser assim no Bayern de Munique. E sim sr. presidente tenha a mesma convicção que o senhor. Renato Sanches irá vencer a bola de ouro. Irá ser considerado o melhor jogador do mundo. Simplesmente porque não existe ninguém como ele.

Podem rir-se à vontade. Esta a minha convicção. E não é de agora como os meus artigos antigos o demonstram. Escrevi que o contrato deveria ser renovado. Escrevi que menos de 150 milhões de euros era a baixo do seu valor. E aí está todo o mundo de boca aberta com a sua prestação no Euro. Eu escrevi que era inevitável que tal acontecesse. Uma vez a porta aberta ele ía tomar de conta. É assim Renato Sanches, bastam-lhe uns minutos para não mais ser esquecido. Apenas um lunático pode menosprezá-lo. Mas sabemos que em Portugal existem muitos.

Primeiro os treinos onde conquista o respeito dos colegas. Depois os minutos em campo onde conquista o público. Depois o inevitável. A qualidade mostra-se e impõe-se. E o treinador não tem outro remédio a não ser aproveitar-se dessa dádiva dos céus que tem em mãos. Mesmo assim faz toda a gente que ama o futebol barafustar por encostar o miúdo à linha. Van Hoojdonk simplesmente letal para com o Fernando Santos. Veremos se contra Gales o vai encostar de novo à linha e sujeitar-se a perder o jogo.

Escrevem que teve a sorte de "... estar no lugar certo à hora certa...". Shame on you Delgado! No Renato Sanches nada se deve à sorte. Talento puro do princípio ao fim. Ele que foi o português mais maltratado desde que me lembro como gente. Simplesmente ignóbil. E não vi ninguém defendê-lo. Favor de se abesterem de fazer comentários a constatar o que já não conseguem empurrar para debaixo do tapete.

Portugal está vergado ao peso da grandeza de Renato Sanches. E quantos, quantos, quantos com amendôas do tamanho de melões entravadas na garganta!

Para ti Renato, daqui do Reino Unido quero enviar-te um abraço do tamanho do mundo e muita saúde que é o mais importante principalmente no mundo do futebol. Continua com essa alma e lembra-te do nossso Benfica enquanto estiveres nas terras bávaras. És enorme. Um farol. São jogadores como tu que fazem do futebol algo de único no mundo.

Espero um dia voltar a ver-te de manto sagrado vestido. Muito triste com a tua partida mas feliz por ti.

E Pluribus Unum

sábado, 2 de julho de 2016

Para os lados e para trás

"Fãs de Portugal e fãs ou Bayern Munique, o que têm em comum? Um grande sorriso, naturalmente. De um lado e do outro não houve quem não rejubilasse com o Polónia-Portugal. Os portugueses porque viram a equipa nacional qualificar-se para as meias-finais do Europeu ao cabo de 5 empates nos 90 minutos regulamentares - é obra! Os adeptos do Bayern Munique porque viram um jogo abrilhantado com dois lindos golos de jogadores dos seus quadros, - Lewandowski e Renato Sanches, o que também não deixa de ser obra. Mas obra do poder financeiro, convirá acrescentar. Os opulentos, no mesmo jogo, ainda voltaram a ver os mesmos contratados acertar com distinção nas redes quando chegou o momento do desempate através de grandes penalidades.
Ficaram os portugueses encantados com a boa fortuna que os vem acompanhando neste torneio - oxalá se venha a dizer que este foi um Campeonato da Europa atípico...- e ficaram os adeptos bávaros com a soberba reforçada tendo em conta o contributo efectivos das suas duas estrelas. No Portugal ideal, onde a clubite mete férias quando joga a Selecção Nacional, o voo triunfal de Rui Patrício bem poderia ter relançado o arraial de bandeiras às janelas no centro de Lisboa se no centro de Lisboa, no lugar de forasteiros. ainda vivessem portugueses.
Na Alemanha, no entanto, talvez por ser um país mais industrializado, a clubite nunca mete folga. Por isso, mesmo os adeptos do rival Borussia Dortmund ficaram destroçados com os golos de Lewandowski - um cepo de todo o tamanho - e de Renato Sanches - que só joga para os lados e para trás. Onde é que já se viu uma coisa destas?"

'There's a new kid in town'

"Massy - Quem não conhece a canção dos Eagles (não têm nada a ver com o Benfica), do álbum Hotel California, There's a New Kid In Town (que pode traduzir-se como Há Um Miúdo Novo Na Cidade)? Ora é precisamente essa a sensação que se tem quando se passa os olhos pela Imprensa internacional a propósito de Renato Sanches. Se em vez de uma referência discográfica tivesse ido à procura de uma analogia cinematográfica, A Star is Born (Nasceu Uma Estrela), de George Cukor, também serviria. Mas o que tem Renato Sanches para, de forma tão estrondosa, entrar pela porta grande na galeria dos protagonistas do Euro-2016? Além do talento que Deus lhe deu e de tudo o que trabalhou e aprendeu no Benfica, o novo jogador do Bayern esteve, esta época, no sítio certo à hora certa.
A começar pelo dia 25 de novembro de 2015, 40 anos depois de uma data importante para a democracia portuguesa, quando Renato foi titular pelo Benfica na Champions, frente ao Astana, um mês e quatro dias depois de ter estado na vitória dos encarnados, em Istambul, sobre o Galatasary, por 11-1, na Youth League. Na montra da Champions League Renato deu nas vistas e foi, sobretudo, graças ao que aí fez que fundamentou o interesse do Bayern (convencido a abrir os cordões à bolsa depois dos dois jogos com o Benfica, em que viu o que o Bulo da Musgueira podia fazer). Já depois de ter assinado pelos bávaros, Fernando Santos convocou-o para o Euro-2016, quiçá na sequência da lesão que impediu o excelente Bernardo Silva de estar em França. E novamente num palco de luxo Renato abriu o livro e revelou-se, de forma exuberante, ao planeta do futebol, como uma das maiores promessas da próxima década, sem perder nada para Martial, Dier ou o seu novo companheiro Kimmich.
O futuro pertence a Renato Sanches, assim não lhe falte cabeça para concretizar um processo de crescimento conseguido. Mas, até para isso, parece-me que está no clube certo...

Gales - O conto de fadas do País de Gales continua. Mesmo sem Leigh Halfpenny, Sam Warburton e George North, a turma galesa arrasou a Bélgica e vai medir forças com Portugal na meia-final. Pelo sim, pelo não, antes do jogo de Lille fui jantar a um restaurante belga e tratei de ganhar de goleada às moules e as frites, como a imagem mostra. É verdade, não queria os belgas. Venham os Bales..."

José Manuel Delgado, in A Bola

Celis

Guilhermo Celis assinou por 5 anos com o Benfica.
Tenho muitas dúvidas sobre a qualidade deste reforço. Os jogos que vi, e os vídeos que visionei deixaram-me de pé atrás! Ainda por cima, com Fejsa, Samaris,como 'primeiras opções' ainda temos o André Almeida... e o Dawidowicz (tenho muitas esperanças no Polaco para esta época!).
Mas vamos ter que dar o benefício da dúvida... vai chegar com ritmo de jogo, esteve na Copa América, mesmo sendo pouco utilizado!

Esta inflação de extremos e 'trincos' pode indicar uma alteração do Modelo de jogo do Benfica, com um duplo Pivot defensivo no meio-campo, e extremos com mais liberdade ofensiva... pessoalmente, prefiro um '6' declarado com um '8'... mas até agora, 'substituto' do Renato, nem vê-lo!!!!!! E na minha opinião precisamos de dois...

Benfiquismo (CLII)

Mítica...

sexta-feira, 1 de julho de 2016

O puto é fantástico

"O plantel (em parte) do Benfica regressou ao trabalho com a ambição de uma nova época de êxitos. Se a história do clube e a exigência dos adeptos a isso obrigam, nos últimos anos acrescentamos uma habituação muito saborosa a uma overdose de conquistas.
Assim, venham os amigáveis de pré-época, para preparar o organismo dos adeptos para novos títulos. Agora é a altura da comunicação social descobrir novos Chalanas, novos Humbertos, novos Rui Costas ao dobrar de cada esquina. Para mim basta-me um Lindelof afinadinho, um Jonas motivado ou um Raúl Jiménez cheio de ambição.
Terminou a Copa América com o Chile a bater a Argentina e Messi a falhar um penalty. Como consequência o astro do Barcelona prometeu abandonar a selecção celeste. Messi é um futebolista fantástico mas é um argentino fraquinho.
O Europeu prosseguiu e nos oitavos de final só a vitória de Portugal sobre a Croácia e a da Islândia sobre Inglaterra podem ter algo de surpreendente. Portugal fez o Europeu que podia e muitas das críticas são eivadas de má-fé, mesquinhez e ignorância. No jogo contra os polacos, uma boa equipa que ainda não perdera um jogo (nem com a Alemanha) Portugal chegou à lotaria dos penalties. Sorte ou azar é pormenor. Um treinador de excelência que fez de uma equipa cheia de limitações uma das quatro melhores da Europa. Ontem, como contra a Croácia, substituiu sempre bem e foi decisivo. Já fizemos um Europeu muito bom, agora é manter sangue-frio e defrontar uma Bélgica (de certeza) que é para mim a melhor da Europa.
Quem não gostar de Renato Sanches fique calado e não seja 'Inácio', o puto é fantástico. Estamos nas meias-finais, onde ainda mais ninguém chegou..."

Sílvio Cervan, in A Bola

Pauta no Manto... com Maestro!!!

À portuguesa

"À hora a que este jornal chegar às mãos do estimado leitor, já se conhecerá o desfecho do Portugal-Polónia. Antes dessa partida, é-me difícil fazer uma análise profunda ao desempenho do conjunto luso no Europeu de França: chegar às meias-finais será uma coisa, ser eliminado pelos polacos será outra bem diferente.
Além do mais, esta selecção tem viajado da terra ao céu, e do céu à terra, a uma velocidade que nem o proverbial oito-oitentismo português consegue acompanhar. Uma fase de grupos muito modesta levou à depressão generalizada dos adeptos portugueses. Mas logo uma vitória sofrida, e bastante feliz, sobre a Croácia, mergulhou o país nas ondas da euforia. No momento em que escrevo, já vamos outra vez ser campeões.
O seleccionador Fernando Santos é soberano nas suas escolhas. E, se chegar à final, todos os que o criticaram nas últimas semanas terão de meter as violas no saco. Também eu - um dos dez milhões de seleccionadores de bancada -, que não só teria feito outras opções desde o início da prova (Renato Sanches, Quaresma...), ou até antes dela (André Almeida, Pizzi, André Silva...), como teria adoptado um discurso bem mais prudente face às limitações de uma equipa que depende em demasia de um só jogador, e que tem alguns pontos fracos... bastante fracos (o jeito que faria um ponta-de-lança a sério...). O que me parece inegável é que, até aqui, temos tido a sorte do nosso lado: na fase de qualificação, no grupo que nos calhou, nos enquadramentos desta fase eliminatória, e, pelo menos, no jogo com a Croácia. Que os deuses nos tenham continuado a proteger na partida de quinta-feira."

Luís Fialho, in O Benfica

Roland

"Foi com enorme satisfação que visitei a exposição de Roland Oliveira na antiga secretaria da Jardim do Regedor. Desde logo pelo local, outrora um baluarte do benfiquismo, do qual quase só ouvi falar. Também pela recuperação do espaço, abandonado que parecia estar há muitos anos. Ademais, a exposição, cuja receita reverte integralmente para a Fundação Benfica, é muito interessante, não fosse o espólio fotográfico de Roland Oliveira uma autêntica história, em imagens, de grande parte da vida do SLB. Finalmente, por se tratar de uma homenagem a um homem que tive o prazer de conhecer e a quem sempre admirei a paixão pelo Benfica e pela fotografia.
Não sei precisar no tempo o momento em que o conheci, mas creio que terá sido no final dos anos oitenta, por volta dos meus dez anos de idade. Sempre acompanhado pela máquina fotográfica, cada instante poderia ser eternizado pela arte do "Sr. Rólando", como eu lhe chamava. Dos muitos exemplos que poderia referir, recordo uma das minhas fotografias preferidas de Carlos Lisboa, cuja produção presenciei. Empoleirado. por trás da tabela de basquetebol, num escadote instável, mas seguro por um assistente de ocasião, no caso o Sr. Albano, roupeiro do Basquetebol, Roland Oliveira elevou-se a uns quatro metros de altura para daí poder fotografar o astro do Basquetebol português de um ângulo nunca visto.
Morreu aos 87 anos, em 2007, debilitado por uma queda de um muro perto do Colombo, em 2003, que o limitou na arte que tanto amava. Caiu enquanto tentava fotografar o novo Estádio da Luz, ainda em construção. E foram certamente inúmeras as magníficas fotografias que ficaram por tirar..."

João Tomaz, in O Benfica

João Gabriel, benfiquista, competente e amigo

"Acabo de ser surpreendido com o anúncio de que João Gabriel deixaria as funções de Director de Comunicação do Sport Lisboa e Benfica.
Nesta circunstância, é inteiramente justo prestar ao João uma homenagem sentida pelo elevado registo de competência técnica, de sagacidade e de empenho profissional com que definiu o rumo, levantou a arquitectura e geriu as crises, neste ambiente sui generis.
O cenário comunicacional de um grande clube desportivo e, por maioria de razão, tratando-se do Benfica - o maior de todos, constitui um edifício especial onde o dia-a-dia se vive em regime de grande intensidade e no qual, a quem dirige, é absolutamente indispensável manter 'cabeça fria'.
A cada momento, a argúcia é imprescindível para saber ler os sinais, para interpretar a simbologia que cada ocasião específica suscita e para antecipar ou empreender, as reacções mais adequadas.
Hoje na comunicação, usamos máquinas, aparelhos, dispositivos de toda a natureza e até meros gadgets tecnológicos servem para passar uma mensagem. Os últimos oito anos, então, em que João Gabriel dirigiu este sector do universo benfiquista, foram tempos de fantástica evolução nas técnicas e nas tecnologias da comunicação.
Mas na verdade, aqui, o 'equipamento' essencial, as verdadeiras 'ferramentas' da comunicação, são as pessoas. E com a sua objectividade, com o seu temperamento positivo e a sua inteligência rápida, João soube ser o líder perspicaz que tanto conseguia acrescentar 'boa onda' nos momentos mais difíceis, como garantir a serenidade de análise necessária nas ocasiões mais esfuziantes.
Com as dificuldades e desencontros que a intensidade dos casos e a exaltação dos tempos muito naturalmente trazem ao nosso trabalho, até pode ter acontecido que nem sempre coincidíssemos nas soluções que defendíamos. Eu tenho pena que, por exemplo, não nos tivesse sido possível levantarmos juntos o último grande projecto de comunicação que ainda faz falta à galáxia benfiquista - a Rádio Mundial do Benfica... Mas em três pontos estivémos e havemos de continuar a estar sempre de acordo:
no nosso profundo Benfiquismo comum;
no respeito pela competência profissional;
no significado e no valor que ambos atribuímos à Amizade.
João Gabriel merece, sem dúvida, a sincera gratidão do Benfica e dos benfiquistas."

José Nuno Martins, in O Benfica

Vontade de arranjar problemas

"(...)
Vontade de arranjar problemas, ou, meter-se na boca do lobo, são tudo sinónimos.
A maior virtude de quem sabe o que quer, é saber que por vezes também se cometem erros. A seguir, resolvê-los.
Vivemos actualmente numa sociedade completamente dominada pela imagem e pela influência que é vendida como inerente a essa mesma imagem. É impossível criar uma convicção contra a mesma convicção criada pela designada psicologia de massas.
A verdade, essa é cada vez mais postergada e esmagada pela força das redes sociais. Deixou de ser justo, a repartição equitativa das realidades. Várias guerras surdas e mudas, mas com muito impacto oratório e visual, acabam por dominar a agenda quotidiana, limitando o subjacente e ampliando o aparente.
A demagogia acabou por imperar na sociedade da comunicação e tudo, por tudo, é válido para fazer valer as intenções malévolas, que presidem aos intentos dos homens de malícia."

Pragal Colaço, in O Benfica