"Mais um roubo de proporções épicas patrocinado pela Liga Portugal, com os suspeitos do costume a saírem beneficiados."
Últimas indefectivações
segunda-feira, 25 de outubro de 2021
Joelhos !!!
"O VAR só veio provar que não é errar, é mesmo roubar.
Penálti indiscutível por marcar contra o #PortoaoColo e VAR a “dormir”. Há coisas que nunca mudam."
Uma escorregadela, a felicidade e um Vizela de se lhe tirar a boina
"O Vizela quis ganhar, fez por ganhar e podia mesmo ter ganhado ao Benfica. Mas a estrelinha salta de estádio em estádio, não é pertença de um só clube e um erro involuntário de Samu, um dos mais perigosos dos minhotos, aos 90'+8, ditou o único golo do jogo. O Benfica venceu por 1-0 e está de regresso à liderança da I Liga
Muito nos queixamos nós do futebol português - e tantas vezes com razão - mas é impossível olhar para trás sem constatar o óbvio: por estes dias, a velha estratégia de defender o pontinho é, felizmente, mais uma exceção do que a regra e nisso o salto de qualidade é claro face a outras décadas de maus relvados, estádios aos pedaços, chuteiras ao alto e defesas de facas nos dentes.
Porque, em geral, há qualidade nos bancos, há vontade nos treinadores em se agarrarem a ideias positivas e a estratégias que pensam na vitória e não na sobrevivência no campo de batalha. E é por isso que hoje Samu vai dormir mal.
O médio do Vizela foi quase sempre o homem que tornou em remates perigosos as transições venenosas da sua equipa. Foi ele que quase marcava aos 10’, quando Vlachodimos errou, foi ele que rematou forte aos 25’, dando mais uma vez trabalho ao grego. Foi ele também que deu a bola a Schettine para aquele que seria um dos lances de maior perigo do Vizela na 2.ª parte, aos 63’. E depois de tudo isto foi dele a escorregadela fatal, nos últimos segundos de jogo, quando o empate já parecia certo, que permitiu ao Benfica a recuperação de bola que deu a jogada do único golo do encontro, já em horas mais que extraordinárias - o relógio estava nos 90’+8.
Se na última época falámos tanto de estrelinha, aqui também vai ter de ser.
Porque o Benfica sai de Vizela com uma vitória que saberá que não mereceu. Os campeões também se fazem disto, todos sabemos, dos triunfos na marra, na sorte, nos lances fortuitos. A norte está uma equipa fiel a uma ideia de ataque, que não se vende por receber um grande, que na 1.ª parte conseguiu ter mais remates que o Benfica e na 2.ª, mesmo com uma óbvia quebra física, nunca deixou de procurar a baliza de Vlachodimos. E isso teve como consequência um jogo aberto, com espaços para jogar de parte a parte, espaços esses que o Benfica raramente teve criatividade para aproveitar.
A nem sempre habitual segurança de Charles e o jogo sólido de Aidara e Ivanilson fecharam atrás aquilo que o Vizela procurou resolver na frente, olhos nos olhos com o Benfica e com um estádio reunido à volta da equipa da terra, algo tão pouco usual por cá e que deixa o aviso para futuras visitas de grandes: em Vizela será sempre muito difícil passar.
E pelas filosofia de Álvaro Pacheco também. O treinador da boina quis sempre ganhar, até ao fim, a sua equipa teve até mais bola nos últimos minutos que os encarnados, e merecia pelo menos o ponto. Perder este jogo à conta de uma infelicidade vai doer, mas as ideias, essas, saem incólumes, intactas, valorizadas até. Não servirá isto como vitória moral para este domingo, mas talvez leve a muitas vitórias reais para o Vizela no futuro.
Quanto ao Benfica livra-se à última da hora daquilo que parecia ser o quarto jogo consecutivo sem ganhar nos 90 minutos. Está de regresso à liderança da I Liga, mas o susto foi grande."
FC Vizela 0-1 SL Benfica: Rafa decide no último suspiro
"A Crónica: Encarnados Não Desataram o Nó Até Aos 98 Minutos
A jornada nove da Primeira Liga portuguesa ditou a visita do SL Benfica ao reduto do recém-promovido FC Vizela, equipa que frente aos encarnados não conhece outro sabor sem ser o da derrota. As equipas não se encontram no campeonato desde 13 de janeiro de 1985, quando o FC Vizela foi goleado na Luz por 5-1.
O jogo iniciou-se e não tivemos de esperar muito tempo para vermos as primeiras oportunidades, quer de um lado quer do outro. Primeiro, excelente jogada do SL Benfica, que acabou com Yaremchuk a servir Darwin na perfeição, mas o uruguaio, que até passou pelo guarda-redes, demorou muito tempo a decidir e acaba por errar o passe para Grimaldo.
Logo no minuto seguinte, na sequência de um contra-ataque, o FC Vizela chegou à frente, apertou Odysseas, obrigando o grego a errar e deixar a bola à mercê de Samu, que acaba por falhar na cara do guardião.
A segunda oportunidade da equipa vizelense iria chegar aos 25 minutos, após uma jogada pela esquerda, a bola chega a Marcos Paulo que encontra Samu solto na área e o médio vizelense obriga Ody a uma defesa complicada.
Aos 31, chegou também a segunda chance do SL Benfica chegar à vantagem, quando Diogo Gonçalves rematou potentíssimo para a baliza vizelense, valeram os reflexos de Charles.
A cinco minutos do final da primeira parte, ainda tivemos um belíssimo remate de Mendez, que Odysseas defendeu para a frente e Igor Julião não consegue dar a melhor sequência ao lance.
A segunda parte começou e a equipa do SL Benfica veio diferente do intervalo, tentando empurrar desde cedo os vizelenses às cordas. Ao minuto 51, a primeira grande oportunidade do segundo tempo. Investida de Diogo do lado direito, cruzamento picado ao segundo poste e Darwin a avisar Charles, obrigando-o a uma defesa difícil.
À passagem do minuto 62, o FC Vizela tem uma oportunidade de ouro para inaugurar o marcador. Recuperação de bola alta no terreno, Schettine fica na cara do guarda-redes, atrapalha-se com a bola e serve Nuno Moreira, que remata contra um adversário.
O SL Benfica até iria colocar a bola no fundo das redes, ao minuto 81, mas Rafa, o homem que fez o golo, estava em posição irregular. As águias, já perto do minuto 90, tiveram duas oportunidades perigosas, as duas com os mesmos protagonistas. Primeiro é Radonjic a amortecer para remate à figura de Taarabt e depois foi o marroquino que cruzou para o sérvio rematar para nova defesa de Charles.
E foi no último suspiro. Variação para o corredor direto benfiquista, onde Pizzi recebeu e cruzou rasteiro para Rafa decidir a partida, já no minuto 90+8. O SL Benfica, que teve muitas dificuldades, durante toda a partida, sai assim vencedor desta deslocação difícil ao terreno do FC Vizela.
A Figura
Rafa – Simplesmente decisivo. Não foi o jogo em que desequilibrou mais nem em que teve a sua melhor exibição, mas decide a partida já muito perto dos 100 minutos. Menção honrosa para Marcos Paulo que faz um jogo de um nível estratosférico.
O Fora de Jogo
Darwin – Não foi um jogo feliz para o uruguaio. Teve nos pés (e na cabeça) as melhores oportunidades do SL Benfica, mas não conseguiu finalizar. Na segunda parte não apareceu ao jogo, não sendo sequer solicitado pelos seus colegas.
Análise Tática – FC Vizela
O FC Vizela apresentou-se no 4-3-3 habitual, com Samu com mais liberdade do que Marcos Paulo e Claudemir no meio-campo. Álvaro Pacheco mudou algumas peças, principalmente no eixo defensivo, entrando Igor Julião e Aidara no onze, para os lugares de Koffi e Bruno Wilson. Entrou também Mendez para o lugar do lesionado Zohi.
Numa primeira fase de construção, o FC Vizela primou por sair apoiado pelos centrais, com os laterais não muito projetados a serem solução. Nenhum dos médios fazia uma linha de três para sair a jogar, mas ambos os médios mais recuados apareciam numa fase posterior a dar linha de passe, quer aos centrais, quer aos laterais. Num segundo momento, o FC Vizela tentou servir Schetinne na profundidade ou encontrar Samu entre linhas.
Sem bola, o Vizela esteve organizado e foi perigoso em praticamente todas as situações que recuperou a bola e conseguiu sair apoiado em transição.
11 Inicial e Pontuações
Charles (6)
Ivanildo (7)
Aidara (5)
Igor Julião (5)
Kiki (6)
Marcos Paulo (8)
Claudemir (6)
Samu (7)
Mendez (6)
Nuno Moreira (7)
Schettine (6)
Subs Utilizados
Kiko (5)
Zag (5)
Análise Tática – SL Benfica
O SL Benfica apresentou-se no seu habitual 3-4-3 e com praticamente todos os elementos que têm feito parte do 11 mais regular dos encarnados no campeonato. Linha de três centrais, com Grimaldo e Diogo Gonçalves abertos nos corredores laterais. João Mário e Weigl tomaram conta do meio-campo. Darwin e Rafa no apoio a Yaremchuk, em constantes trocas e a jogarem muito por dentro.
Numa primeira fase de construção, o SL Benfica tentou sair pelos centrais, tentando atrair o FC Vizela, que hoje não jogou num bloco muito alto, para depois ter algum espaço na zona interior do terreno, sendo João Mário e Weigl as principais soluções para, numa fase seguinte, levar o jogo para a frente.
Sem bola, o SL Benfica abordou o jogo numa pressão média/alta, porém teve algumas dificuldades em conter as transições ofensivas do Vizela, muitas vezes por falta de velocidade a chegar perto do adversário.
11 Inicial e Pontuações
Odysseas (5)
Verissimo (6)
Vertonghen (5)
Otamendi (5)
Grimaldo (5)
Diogo Gonçalves (6)
João Mário (6)
Weigl (6)
Darwin (4)
Rafa (8)
Yaremchuk (5)
Subs Utilizados
Radonjic (6)
Gonçalo Ramos (4)
Everton (5)
Pizzi (6)
BnR na Conferência de Imprensa
FC Vizela
BnR: Depois de uma boa primeira parte, o Vizela teve um início de segunda parte bastante complicado, com o Benfica a entrar com tudo e a obrigar o Vizela a baixar linhas e a recuar no terreno. Entretanto, a sua equipa equilibrou forças e demonstrou uma grande qualidade até ao fim, mas acha que esse desgaste no início de primeira parte foi decisivo para a falta de discernimento na parte final da partida?
Álvaro Pacheco: Concordo plenamente. Falamos disso ao intervalo e sabíamos que o Benfica ia entrar forte na segunda parte, e também sabíamos que se não fizessem golos no início iriam ficar intranquilos e expor-se mais ao erro. Identificamos o espaço na profundidade e atrás dos médios e tentamos explorar isso. Depois não conseguimos chegar ao golo e num escorregão eles chegam ao golo.
SL Benfica
Jorge Jesus: Não foi possível fazer pergunta a Jorge Jesus."
Desequilíbrio de Radonjic para o corredor
"O tempo passava em Vizela sem que o Benfica conseguisse dar mostras de poder inverter o seu destino, depois das vitórias de FC Porto e Sporting na véspera. A vinte minutos do final, Jorge Jesus “meteu a carne toda no assador”. Everton entrou para a ala esquerda, e Radonjic para a direita.
O sérvio que se sente bastante mais confortável recebendo a bola no corredor lateral, para poder receber de frente e com espaço para se impor onde é mais forte – desequilíbrio individual no 1×1 – pisou pela primeira vez na temporada terrenos onde Ofensivamente pode dar mais ao jogo, e acabou por ser um dos principais catalizadores de um Benfica que foi crescendo aos poucos até fintar um destino que parecia certo, mantendo a liderança na Liga."
Até ao último suspiro Benfica
"Jesus foi a jogo com o seu melhor onze, consciente das dificuldades que aí viriam, perante um adversário humilde, mas sempre organizado e capaz de causar dissabores à turma das águias.
Mas, perante um bloco médio baixo e com as linhas sempre muito próximas, a equipa de Álvaro Pacheco foi retirando ao Benfica aquilo de que mais gosta: o espaço para acelerar no ataque à profundidade. Além disso, com um Benfica menos reativo à perda da bola, com unidades como Weigl e João Mário menos efetivos nesse momento, a possibilitarem lances de relativa perigosidade para a equipa da casa.
Com os habituais problemas em zona de criação, maioritariamente corporizados por Darwin, o Benfica teve muita bola, mas muito poucas ocasiões de real perigo criadas.
E foi por perceber que pelo corredor central se revelava, com a passagem dos minutos, cada vez mais difícil fazer a diferença, Jesus lançou Radonjic e Éverton para nas alas ganhar maior aceleração e capacidade de resolver num lance individual. E mais tarde, Pizzi e Adel na busca de criação e definição mais esclarecidas.
Mas perante um bloco vizelense tão bem organizado e capaz de transitar a todo o momento, só um instante de descontrolo, proveniente de um erro individual, como o foi a perda de bola em início de construção, no lance do golo, que apanhou o Vizela subido e com o seu bloco mais aberto. Depois, espaço no corredor lateral, só aí havia, e o Benfica arranca assim, três pontos preciosos alavancados pela capacidade de definição a um toque de Pizzi e Rafa.
Um jogo difícil a denotar a ressaca europeia, daqueles que ganhar importa mais do que jogar.
Homem do Jogo
Por dentro o Vizela tirou Rafa de jogo. E foi no corredor lateral que veio a entrar mais em jogo, já na segunda parte e, aparecendo daí finalizou uma das poucas oportunidades de golo encarnadas, ao cair do pano, que valeu os três pontos e a liderança encarnada."
Há nuvens na selva
"Quando tive a sorte de ir fazer os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, a maravilhosa cidade maravilhosa, foi necessário pedalar para descobrir e aprender inevitabilidades ou detalhes sobre alguns desportos. Mais importante do que isso tudo, o que ficou foi um olhar diferente sobre o desporto, o atleta, sobre a mulher e o homem. Sobre os céus de cada um. E as nuvens.
A história começa quase sempre em criança. Por prazer, claro. É por isso que costumo dizer, até um atleta ou jogador(a) o desmentirem, que quanto mais perto vivem dessa criança, ao longo da carreira, mais felizes são. E isto tem a ver com essência, natureza, expressão do seu “eu”, estilo e, lá está, prazer. A competição pode confundir tudo. A pressa, a ambição ou, pior, a pressa e ambição alheias podem servir de acelerador de partículas para viver numa sociedade apressada, despida de olhares e sonhos ternos. O prazer vai sofrendo pancada e às vezes o “eu” é de outro alguém. Quando se começa a ver aquilo que se faz por amor e prazer como trabalho, as coisas começam a mudar.
A futebolização da sociedade tem sido óbvia. Ou se é notável e vencedor, ou quase irrelevante. Não há meio-termo, não há simpatia pelo compromisso, trabalho diário, paixão e mérito, que poucas vezes é regado e recompensado pela gloriosa prata. Nem falemos do valor do prazer. Os atletas, sejam olímpicos ou não, sofrem muito com esta nossa falta de cultura desportiva. Indiferentes a condições ou ao binómio possibilidades-probabilidades, exigem-se medalhas. Era o que faltava, é o mínimo, ou foram lá passear?
Julio Velasco, um mago da oratória e também grandíssimo treinador de voleibol, explicou-o há uns tempos. “Não é lindo só quando se ganha, como dizem muitos. Há uns que dizem ‘eh, sim, é lindo isso de o importante é participar, [mas] o importante é ganhar’. Isso é uma estupidez. Nos Jogos Olímpicos, sobretudo em certas provas como natação e atletismo, há muitos atletas que sabem que não vão ganhar. Eles sabem. Não é a bola redonda como no futebol [e tudo pode acontecer], não vão ganhar. E, no entanto, preparam-se como se fossem ganhar. Porquê? Porque combatem contra eles próprios, querem baixar um segundo, uma décima de segundo, querem lançar um metro a mais. Isso é parte de ganhar. Ganhar não é somente ser campeão, é superar-se, melhorar. O desporto ensina isto aos jovens.”
Nessa luta silenciosa pela humanização do desporto, também me lembro de Sergio Hernández, o selecionador de basquetebol da Argentina, e do que ele disse quando Scola disse adeus àquela modalidade, nos primeiros dias de agosto. “O legado que o Luis deixa é incrível. Todos, todos, em algum momento, nos pusemos atrás dele, incluindo eu, o seu treinador, pela liderança e exemplo de vida. Não só no basquetebol, é o exemplo de constância, ética, trabalho, lucidez, respeito, de honrar o que se faz. Com o Luis aprendi que ganhar é pouco, que ganhar um jogo ou ser campeão não é o mais importante”, dizia enquanto a voz puxava o travão de mão, ameaçando desabar. “O mais importante é honrar, a cada segundo, o que fazes na vida, seja o que for. Agradeço-lhe. E que todos estejamos atentos a esse legado, necessitamos destes exemplos.”
Lembrei-me destes senhores por causa da entrevista do Diogo Pombo a Bárbara Timo, a judoca que acabou de conquistar a medalha de ouro no Grand Slam de Paris, o primeiro torneio internacional pós-Tóquio. E isto na semana em que admitiu que superou uma depressão. Faz falta escutar os desabafos desta mulher, de 30 anos, e o alerta “procurem ajuda”. Não é demais recordar que em cada atleta está uma mulher e um homem com dúvidas e convicções. Afinal, dissimulada, a dor não sorri como o sorriso. Vale a pena compreender a mente de uma atleta que sofreu com as labirínticas nuvens da mente. Perdeu peso, pensou em desistir.
Timo, na mesma entrevista, refletiu também sobre a competição em tenra idade, onde tudo começa: “A forma como a competição é levada quando és muito jovem tem muita pressão, é muito pesada, faz com que, às vezes, nem seja muito real. A criança treina e tem responsabilidades a um nível do qual não precisa. Cada coisa tem o seu tempo e acho que os treinadores, os amigos, os mais velhos e toda a equipa envolvida tem de estar muito atenta para criar um ambiente saudável para os atletas. Concorrência já vai haver, já há competição, se um atleta está ali é porque gosta e não é preciso haver um clima de selva. Há formas e formas de evoluir e, além da competição, a pessoa tem de ter uma cabeça saudável e para isso é importante que o ambiente em torno dos atletas seja saudável. A competição tem de ser saudável”. A palavra “saudável” apareceu quatro vezes em tão poucos segundos de conversa. Que a meninada se divirta, que se faça gente, boa gente. Há tempo e espaço para ser tudo mais sério. Os exemplos, os bons exemplos daqueles que honram o que fazem todos os dias, são indispensáveis.
Dizia que no Rio de Janeiro aprendi uma coisa ou duas e, admito, foi ali que os judocas se transformaram nos meus atletas preferidos, um sentimento reforçado nos últimos Jogos de Tóquio. Se intrigou o som daquelas tentativas de pegas que desaguavam tantas vezes numa facunda chapada, impressionou e ainda impressiona a dignidade na derrota. Telma e o seu “eu vim aqui para ficar” ajudaram àquela romantização da superação, pois a judoca chegava ali depois de uma lesão complicada.
Fiz a viagem para o Rio enquanto lia o livro dela. “Saber cair” é um dos capítulos, era algo literal mas também metafórico, pois em Atenas não soubera gerir a derrota. Da boca de Bárbara Timo saiu a mesma ideia: “Antes de aprender qualquer golpe ou a derrubar, a primeira coisa que aprendemos no judo é a cair, temos de saber como cair. É a primeira lição. Faz parte ganhar, mas também faz parte perder, tens de saber lidar com os dois”."
domingo, 24 de outubro de 2021
Vermelhão: Goleada de um a zero!!!
Vizela 0 - 1 Benfica
Já tinha 'saudades' de saborear uma vitória no último 'lance' do encontro! Valem tanto estes 3 pontos, como os 3 pontos conquistados em Guimarães (ali ao lado...), jogando pior ou melhor, merecendo mais ou menos, com mais ou menos golos, os 3 pontos têm o mesmo valor... Aliás, já estava era farto dos nossos principais adversários a conquistarem 3 pontos nos descontos e nós 'nicles'!!!
E antecipo: enquanto as vitórias dos nossos adversários são prova da força e da qualidade deles, da forma como nunca deixam de acreditar... etc...; uma vitória do Benfica no último minuto, vai ser analisada como um lance de sorte, uma escorregadela fatal, como um Benfica em crise... etc... etc...!!!
Já esperava um jogo complicado, não só pelo valor do adversário, mas por ser uma partida pós-Champions... e por admitir que o Benfica, neste momento, está com menos fulgor! A partir do momento em que deixámos de rodar os jogadores, entre partidas, a equipa ficou mais previsível! Muitas vezes, argumenta-se que as equipas precisam de um 11 tipo, para ganhar consistência, para melhorar o rendimento, este ano, no Benfica, parece que estamos ao 'contrário'! A partir do momento que encontrámos o 11 tipo (as excepções tem sido na Lateral Direito, devido às lesões...), o rendimento baixou... Essencialmente, porque os nossos adversários, estão preparados para o nosso tipo de jogo: com a excepção do Bayern, o 'segredo' dos nossos adversários, tem sido o recuo das linhas defensivas, juntando muita pressão, principalmente sobre o João Mário e o Weigl... Temos tido muitas dificuldades em ultrapassar estes 'muros', sendo notório a falta de qualidade de 'decisão' no jogo entre-linhas, nem o Darwin, nem o Roman, e nem o Rafa, quando recebem a bola entre-linhas, tem capacidade para fazer tabelinhas, ou recepções orientadas, que criem rupturas nas defesas contrárias...
Hoje, entrámos mal no jogo, aquele erro do Odysseas (que foi a tempo de retificar) parece que retirou confiança à equipa, e enquanto os Vizelenses tiveram força para pressionar tudo e todos, e dar pau a tudo o que mexia, praticamente não chegámos a zonas de perigo... no final da 1.ª parte, as coisas começaram a mudar, finalmente conseguimos alguns remates... e até não seria escandaloso termos marcado antes do intervalo...
O 2.º tempo, foi diferente... não conseguimos massacrar na área do adversários, mas creio que o Vizela só por três vezes, que conseguiu aproximar da nossa área com algum perigo(quase todas nos descontos), de resto foi o Benfica a tentar chegar ao golo! Muitas vezes mal... com pouca eficácia, e com muitas decisões erradas, mas o equilíbrio relativo do 1.º tempo, não aconteceu na 2.ª parte...
Com as substituições, ficámos com uma equipa extremamente ofensiva, com jogadores mais rápidos nas alas e com melhores capacidade de decisão... e assim, quando já poucos acreditaram, chegámos à vantagem... E como disse anteriormente, vale tanto, como um 1-0, com o golo a ser marcado no 1.º minuto! Ou de Canto...!!!
Mais uma arbitragem vergonhosa! Critério técnico e disciplinar inacreditável...!!! Agora, escorregadelas dos nossos adversários são falta contra o Benfica...; mergulhos dos nossos adversários, são Amarelos para os nossos jogadores; penalty's a favor do Benfica, são falta contra o Benfica; inacreditável como o Aidara terminou o jogo sem ser expulso...
A 'sorte' do Benfica, esta noite, foi no lance do golo do Benfica, o Radonjic, estar um bocadinho afastado quando o adversário escorregou... porque o Godinho estava com vontade de marcar falta!!!
Estas arbitragens têm uma influência gigantesca da forma como os jogos decorrem... e como são feitas as análises às exibições das equipas, pois enquanto uma equipa tem autorização para 'varrer' tudo ao pontapé (exemplo: Aidara), os outros, neste caso, os nossos jogadores, nas disputas de bola, têm medo de meter o pé, pois sabem que qualquer contacto, dá falta...
Agora, temos Taça da Liga em Guimarães a meio da semana, jogo onde espero uma 'rotação' total, e se forem necessários jogadores da equipa B, espero que sejam chamados (principalmente na defesa...). O jogo do Estoril no Sábado será muito complicado...
Melhores...
Sporting 1 - 3 Benfica
Gomes; Tomé(Spencer, 86'), Tó Silva, Bajrami, Domingues; N. Félix, Nascimento, Santos(Neves, 77'); Gerson(Moreira, 66'), H. Pereira(Ribeiro, 77'); Semedo(Resende, 66')
Muito melhores, numa partida, onde a vitória só peca, por ter sido escasso, tantas foram as oportunidades desperdiçadas... No início da partida, e no final, quando a nossa consistente pressão alta, deixou os defesas do Sporting baralhados!!!
Recuperar a liderança
"A anteceder a visita a Vizela, ontem tivemos intensa atividade benfiquista em várias modalidades, com destaque para mais uma conquista da nossa equipa feminina de hóquei em patins.
As octocampeãs nacionais acrescentaram novo troféu ao extraordinário pecúlio conseguido pelo Benfica desde que enveredou pela vertente feminina do hóquei em patins.
Vencemos a oitava Supertaça consecutiva, frente a um adversário, o CACO, que deu boa réplica e valorizou mais um episódio bem-sucedido de uma hegemonia que muito nos honra e satisfaz. Parabéns às nossas hoquistas, à equipa técnica liderada pela glória Paulo Almeida e a todo o staff que, dia após dia, trabalha afincadamente em prol da causa benfiquista na modalidade.
Hoje as atenções estão centradas na deslocação a Vizela, no futebol, para defrontarmos um adversário que, não obstante ter agora regressado ao convívio dos grandes após muitos anos de ausência no escalão maior, tem merecido diversos elogios pela qualidade do futebol praticado e ocupava, à entrada da jornada, a 12.ª posição na tabela classificativa, permanecendo ainda invicto na condição de visitado.
Jorge Jesus prevê um desafio "difícil, como são todos os do campeonato português". Relativamente ao adversário, o nosso treinador considera que se trata de uma "equipa competitiva e bem trabalhada" e relembra que o Vizela "não conhece a derrota há cinco jogos".
Nesta, como em todas as jornadas, só a vitória nos interessa. "Queremos continuar na liderança e vamos à procura disso", conforme explanado por Jorge Jesus. No começo da jornada dispúnhamos de um ponto de vantagem sobre os mais diretos perseguidores, agora o objetivo é recolocar a nossa equipa nessa posição.
Vamos, Benfica!
P.S.: Das várias vitórias alcançadas ontem, destacamos ainda a da equipa B de futebol, no Benfica Campus, frente à Académica, por 3-1. O contexto desta equipa é assumidamente de formação, o que não nos impede de enaltecer o seu excelente desempenho neste início de campeonato, com cinco vitórias e dois empates nos primeiros oito jogos disputados."
Desporto «corpo a corpo»
"Primeira constatação: nós somos pedagogos do corpo, muito mais do que no passado. Somos confrontados com a extraordinária diversidade de qualidades físicas e de práticas corporais. como referia Bellin du Coteau, no seu Trado de Educação Física, em 1930, o nosso universo pedagógico não se limita à “força-destreza, velocidade, resistência”. Hoje, as referências são mais complicadas. Há uma diversidade de qualidades: lazer, relaxamento, tonicidade, músculo, etc. Por outro lado, existe uma efervescência de práticas desportivas, levando ao seu crescimento. Hoje, vivemos num mundo que privilegia a informação, relativamente a um mundo que privilegiava a energia. Se alguém lê um livro sobre dieta, espera um discurso sobre calorias e sobre como tratar do seu corpo, inculcando-lhe uma memória. O corpo é um dos maravilhosos instrumentos do visível e do sensível à “evacuação”.
Segunda constatação: existem muitos “não ditos” nas práticas desportivas, nas normas e nas preferências sociais. Vivemos numa situação de grande mobilidade. As práticas desportivas julgadas fundamentais mudaram. Há práticas que quase desapareceram. Nos anos 1920 dava-se muita importância ao boxe. Atualmente, o que é feito dele?
Terceira constatação: existe uma diversificação de práticas e de públicos. No entanto, existe um défice social na participação desportiva, nomeadamente no que diz respeito à feminização no desporto e na integração das populações desfavorecidas. A igualdade de oportunidades é real no direito, mas não se traduz, muitas vezes, na realidade. É previso passar da igualdade do direito para a igualdade dos factos.
Outras há, mas estas constatações interpelam o conjunto dos atores da vida social, sobretudo do movimento desportivo."
Cooperação, competição, civilização!
"Em 2020 Remy Blumenfeld (1) trouxe-nos a história do aluno que teria perguntado à antropóloga Margaret Mead (1901-1978) qual seria o primeiro vestígio da existência da civilização humana. A antropóloga americana teria respondido: “Um fémur com 15 mil anos encontrado numa escavação arqueológica.” E esta ter-lhe-ia explicado que o fémur encontrado revelava indícios de se ter partido e ter cicatrizado, o que implicava que alguém tinha cuidado daquele ser humano, abrigando-o, alimentando-o e protegendo-o, até porque naquela altura aquela recuperação teria demorado provavelmente seis semanas. Segundo o mesmo, Margaret Mead teria acrescentado que, na natureza, no reino animal, a quebra de uma perna implicava a morte. Não se poderia fugir do perigo, não se poderia beber ou procurar comida. Ferido dessa forma, o animal seria carne para os seus predadores. Nenhuma criatura sobreviveria a um fémur quebrado por tempo suficiente para o osso se curar sem auxílio. Seria comida primeiro… Assim, para a antropóloga, cooperar com alguém numa ajuda para ultrapassar dificuldades seria o ponto de partida da civilização.
Considerando este acontecimento como o início da civilização, é no entanto comum considerar-se a Mesopotâmia como berço da civilização ocidental. Se a escrita aí desabrochou (por volta do ano 3200/3100 a.C.), verificamos que entre este acontecimento e o descrito por Mead medeiam cerca de 11.000 anos. E entre o aparecimento da escrita e o relato de Mead estão aproximadamente 5.000 anos.
A civilização, considere-se o que se considere ser o seu início, foi (é) um processo lento e moroso que avançou (avança) passo a passo, ponto a ponto, conto a conto… Tal como o desporto…
Se até à primeira grande guerra mundial se pode dizer que o desporto estava preocupado com objectivos como a educação e a moral, a partir desta a incidência passou a ser no espectáculo e, lentamente, a comunicação social, a economia, a política e a publicidade tomaram conta deste. Durante e após a década de 80 do século passado o desporto foi-se transformando numa actividade que gera comércio, tornando-se ele próprio um comércio – passou-se do ócio ao negócio.
Actualmente o desporto vive do e para o alto rendimento recorrendo ao profissionalismo, é movido pelos ‘mass media’ e pela publicidade, exige sensacionalismo e recordes, nele tudo é quantificado, idolatra os heróis, é determinado pela ciência e pela tecnologia e é gerido pelo lucro, pela política e pelo direito.
Do amadorismo ao profissionalismo, do livre associativismo à legislação actual, do jogo pelo jogo aos actuais investimentos, o desporto saltou de paradigma em paradigma… Como? Lentamente... sem irmos tendo a percepção de tal. A par de um processo civilizacional temos um processo do fenómeno desportivo. Pequenas alterações vão sendo introduzidas espaçadamente (a árvore), pequenas modificações vão-se interpenetrando e aglomerando ao fim de algum tempo e, sem darmos conta, chegamos ao momento actual (a floresta). De um modelo de competição sem regras chegamos a um modelo de processos de interpenetração com normas que mostra “como a teia de relações humanas muda quando muda a distribuição de poder.” (2) De tal modo que já não é o desporto que é um reflexo da sociedade, mas sim a sociedade que é a imagem do desporto!
Este avanço – processo – não foi no entanto acompanhado pela nossa mente, pelo nosso raciocínio, e por isso mesmo ideologicamente ainda nos encontramos agarrados a ideias que nos foram vendidas e nós comprámos (o espírito desportivo, o espírito olímpico, o amor à camisola, a verdade desportiva, o ‘fair play’, a ética, os valores) noções essas que se utilizam constantemente em discursos de circunstância sem ninguém se preocupar em esclarecer o seu real significado (talvez por já se encontrarem esvaziadas de sentido mas funcionando bem como ‘cliché’) quando a realidade actual é bem diferente. Ideias que nos continuam a inculcar sob uma nova roupagem… a roupagem da moda. E se a moda não incomoda, como diz o povo, quando a moda é tóxica incomoda mesmo (pelo menos os mais atentos ou os mais pragmáticos).
A criação dos clubes-empresa, de que Claude Bez foi o impulsionador em 1984, a criação das SAD’s, a acção desenvolvida por Jean-Marc Bosman, e mais recentemente a aquisição do Newcastle por um consórcio liderado pelo Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita isso nos mostram lá fora. Entre nós, o mesmo nos é mostrado pela evolução desde a Lei de Bases do Sistema Desportivo (1990) até à comercialização centralizada dos direitos televisivos dos jogos de futebol (2021), passando pelo Regime Jurídico das Federações Desportivas (2008) e pelo Regime Jurídico dos Jogos e Apostas Online (2014). No desporto, hoje em dia, conta mais o poder económico que o poder organizativo. No desporto, hoje em dia, conta mais o lucro que o resultado desportivo. Não é por acaso que existem gabinetes de ‘marketing’ nos grandes clubes, tal como não é por acaso os mesmos possuírem canais televisivos. Não é só o espectáculo que vende, a publicidade também vende… e não vende só a mercadoria, vende sonhos, vende esperança.
E, por muito que certas personagens com responsabilidades na sociedade (e no desporto) nos tentem submeter à crença de que o futebol é uma indústria e não um comércio, seria bom que essas mesmas personagens nos explicassem o que é “a transparência, a integridade e a boa governança”… até porque os estereótipos tendem a transformar-se em mito.
Nos últimos tempos alguns autores (Harari, Damásio, Cregan-Reid) trouxeram-nos de novo o facto de ter sido a cooperação entre seres humanos o grande motor da civilização e não a competição. Muito menos a competição-espectáculo… até porque, nos dizeres de Pier Vincenzo Piazza (3), “todos os seres vivos produzem entropia quase exclusivamente com a finalidade de sobreviverem. O homem é o único que parece gostar de a criar ou de a aumentar apenas para se divertir.” E acrescenta ainda este autor que “quanto mais elevada for a entropia de um recurso, maior a sua abundância e omnipresença.” E aí está o desporto, um recurso extenso, enorme, grandioso (passe o pleonasmo) em abundância e em omnipresença.
A pedagoga Maria Montessori (1870-1952) também nos disse que “as pessoas educam para a competição e esse é o princípio de qualquer guerra. Quando educarmos para cooperarmos e sermos solidários uns com os outros, nesse dia estaremos a educar para a paz!” (4)
Mas nós continuamos a comprar (e a acreditar) naquilo que nos vendem… a nossa ingenuidade (ou a forma como somos manipulados) acompanha transgressões a princípios éticos e a normas morais. E quando somos adeptos, quando nos orgulhamos dessas transgressões então estamos de facto condenados…
Post Scriptum: Jorge Valdano escreveu em «A Bola» (16.10.2021, p. 40) o seguinte: “Há um grande engano cultural em que todos estamos metidos e que diz no seu enunciado mais simples: a vida é uma competição e apenas se salva o vencedor. O futebol envolveu-se nessa dinâmica como se fosse o ‘Squid Game’, embora neste momento as vítimas sejam apenas morais.” Provavelmente uma observação acertada… No mesmo diário, Vítor Serpa (23.10.2021, p. 31) diz-nos que “as mudanças no futebol, no país e no mundo são imparáveis. Não adianta ser contra, porque elas, inevitavelmente, irão seguir o seu caminho.” Uma constatação, provavelmente mais que correcta…"
8.ª Supertaça
A nossa secção feminina de Hóquei em Patins conquistou hoje a 8.ª Supertaça, com uma vitoria de 3-1 sobre o CACO!
Normalmente, seria bom sinal, e deveríamos estar aqui a antecipar mais uma época triunfante, mas muito sinceramente, acho que vamos ter muitos problemas... o plantel está mais fraco, e os equilíbrios defensivos, contra os adversários mais complicados vão-se notar...
Mesmo assim, parabéns por mais um título!
Em estilo...
Vitória, com três excelentes golos, numa partida que esteve sempre controlada... mesmo com um golo sofrido, em fora-de-jogo!!! Já perdi a conta aos golos em foras-de-jogo que esta equipa já sofreu...!!!
Depois das 'saídas' antes do fecho do mercado, a equipa 'tremeu' um pouco, mas agora já voltou a ganhar consistência!
sábado, 23 de outubro de 2021
Vitória na Madeira...
CAB Madeira 66 - 84 Benfica
14-27, 20-21, 24-14, 8-22
Mais uma vitória, e desta vez só não foi mais 'consistente', porque tivemos uma enorme 'branca' no 3.º período, mas no último quarto, conseguimos voltar ao 'normal'!!!
Nota para a estreia do novo reforço, Khaliq Spicer, Poste, que vem para já substituir o Clifford, mas que poderá substituir o Farr quando o Clifford regressar! Será mais importante nos jogos Europeus, onde a rotação 'interior' estava fragilizada...
Mão cheia...!!!
Viseu 0 - 5 Benfica
Melhorias, mas ainda tenho muitas dúvidas sobre o potencial competitivo desta equipa...
Hoje, ficaram de fora: Ronca e Fits.
PS: A derrota do Sporting no Fundão, prova que os dois principais candidatos, estão mais fracos...
Rodando...
Santo Tirso 0 - 3 Benfica
16-25, 17-25, 21-25
Desta vez, a rotação foi tal, que nem no banco se sentaram os habituais titulares! Meia equipa júnior na ficha do jogo!!!
15 minutos à FC Bayern. E agora, SL Benfica?
"15 minutos à FC Bayern que se mostraram fatais para o SL Benfica
Uma hora e uma dezena de minutos de resistência portuguesa. 15 minutos à FC Bayern, de absoluta compressão por rolo alemão. Meia dezena de minutos de resignação e conformismo de ambas as partes.
Tripartindo os 90 minutos regulamentares disputados entre SL Benfica e FC Bayern na passada quarta-feira é, de forma resumida, isto que se obtém. Perante a hétero-proclamada “melhor equipa do mundo”, a galhardia encarnada não foi suficiente para conseguir mais do que uma aparente vitória moral.
Aparente por não (poder) existir vitória moral alguma num clube que construiu a sua história com pergaminhos de vitória factual. E aparente por não ser tão linear assim que uma derrota consumada com quatro golos sem resposta possa gozar de tal estatuto.
Não obstante, não se pode atingir o patamar de aguda obtusidade em que se olha o resultado cegamente e se dá por inútil qualquer análise ao que de bom foi feito em campo pelas águias.
Assim, o que se extrai de positivo do embate com os germânicos? De entre a miríade de possíveis respostas, talvez a que mais se soergue seja a coragem que a turma de Jorge Jesus demonstrou, patente na propensão ofensiva que – não sendo de grande volume – se superiorizou ao expectável a priori. Em certos momentos do jogo, pode dizer-se que os encarnados portugueses olharam os encarnados alemães nos olhos.
Todavia, o que se ganha com uma coragem que, no imediato, não deu frutos? É difícil prever, mas a coragem – por mais infrutífera – pode ser um vetor de moralização e de união do grupo muito grande.
No fundo, “raça, crer, ambição” deixa de ser apenas um slogan de ordem aleatória e passa a ser uma sequência ordeira: a raça no campo leva ao crer na equipa que leva à ambição no clube.
A primeira parte da sequência já se nota, pelo seu reflexo na crença demonstrada pelos adeptos na comunhão com a equipa nos finais da partida e nas Todas-Importantes redes sociais. Esta motivação que parece permear o clube dentro e fora do campo pode vir a ser fulcral para a conquista dos principais objetivos.
Contudo, não é apenas a coragem colocada em campo que se extrai de positivo da goleada caseira, sobretudo numa perspetiva futura. Olhando para a remanescente época, percebemos que é importante saber que Jorge Jesus teve no transato dia 20 a oportunidade de solidificar ideias quanto às individualidades da equipa e quanto às suas escolhas coletivas.
Perante os bons 69 minutos iniciais, JJ terá percebido que acertou ao colocar Darwin a jogar sobre a esquerda, que Weigl e João Mário são “a” dupla de meio-campo a adotar sempre que possível (infeliz e assustadoramente, são cada vez mais insubstituíveis), que Rafa é titularíssimo, que o trio de centrais é pedra basilar neste SL Benfica e que há peças que não têm lugar no plantel.
Adel, Taarabt, o “49”, Pizzi, Luís, o “21”, Everton, Cebolinha, o “7” – pelo menos estes. Cabe agora a Jorge Jesus interiorizar estas ideias. Caso o faça, poderemos dizer que algo de bom e com repercussão na restante temporada adveio deste SL Benfica x FC Bayern.
O terceiro e último ponto positivo a destacar prende-se com as ilações que a equipa técnica pode retirar dos últimos 15/20 minutos da partida e dos golos sofridos em catadupa. É vital para o sucesso futuro da equipa que quem de direito perceba que é necessário trabalhar a vertente psicológica do plantel, que continua a não saber reagir da melhor forma às adversidades.
Perante a frustração das expetativas, o SL Benfica perde solidez mental, defensiva, coletiva. O que, perante um FC Bayern absolutamente bárbaro, se pagou caro – e vai ser de novo assim em Munique, se essa vertente importante do jogo não for trabalhada.
Como tal, mesmo do que de mau aconteceu na partida se pode extrair algo de bom – tudo depende da capacidade para aprender e melhorar. Posto isto, a derrota por 4-0 não goza de carácter especial. Foi, é e será para a Eternidade uma derrota, marcada por aqueles terríveis 15 minutos à FC Bayern.
A única diferença desta derrota para outras é que esta dá tanto a aprender ao SL Benfica que pode ser o gatilho necessário para vitórias futuras. E essas sim vão ser vitórias factuais e. por inerência, morais. Porque no SL Benfica só pode haver um tipo de vitória (além da águia, claro)."
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