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quarta-feira, 17 de julho de 2019

O repto sincero de (...), dirigido a adeptos e jornalistas, a dirigentes e comentadores, a árbitros, treinadores e jogadores

""O futebol vive, cresce e valoriza-se com a atitude das pessoas", defende o ex-árbitro Duarte Gomes: "Não se permitam ser manipulados, não sejam conformados, não falem pela voz dos outros"

Diz-se que "repto" é uma provocação. Uma acção desafiadora. Uma forma de incitar alguém a fazer alguma coisa. Pois bem. Hoje tenho então um repto para vos lançar.
Um repto sincero, dirigido a adeptos e jornalistas, a dirigentes e comentadores, a árbitros, treinadores e jogadores. Na verdade, este é um repto ao futebol português.
Um repto que não tem limites nem fronteiras. Estende-se de norte a sul do país, dos regionais aos profissionais, dos mais jovens aos mais veteranos.
O desafio é simples e depende de cada um de vós. De cada um de nós.
- Vamos, todos, tentar estar no futebol de forma mais séria, elevada e respeitosa. Vamos participar no jogo com mais desportivismo, sinceridade e educação.
Deixemos estratégias colaterais de fora. Deixemos cartilhas de lado. Deixemos a parcialidade do lado de lá da cerca.
Nos dias de hoje, qualquer cidadão decente, bem formado e com valores, sabe ver (a milhas, acreditem) quem está neste fenómeno de forma transparente e honesta... e quem está nele com subterfúgios manhosos e esquemas duvidosos.
Não duvidem. Eles sabem. Nós sabemos. Mesmo quando fingem não perceber. Mesmo quando escolhemos não ver. Tudo, mas tudo é claro e óbvio aos olhos de quem tem genuinidade no coração e bondade na alma.
Fica então este desafio. Este apelo.
Façam por ser íntegros a toda a hora. Na vitória e na derrota, na alegria e na tristeza. Respeitem-se uns aos outros. Elogiem quem merece ser elogiado. Critiquem, com fundamento, quem merece ser criticado. Denunciem, sem receios, quem tem que ser denunciado.
Não alinhem em jogos menos claros, em manobras cinzentas, em esquemas suspeitos. Sejam iguais ao que são em vossas casas, junto de quem mais amam: ajam sem filtros. Sejam puros, verdadeiros, humanos.
O futebol vive, cresce e valoriza-se com a atitude das pessoas. De todas as pessoas que o alimentam lá dentro e cá fora. De todos nós.
Não se permitam ser manipulados, não sejam conformados, não falem pela voz dos outros. Joguem um jogo limpo. Saibam comportar-se com decência. Aprendam a usufruir de um espectáculo que tem na indefinição constante da natureza humana a sua mais perfeita imperfeição.
Os adeptos têm que ser o rosto evidente do entusiasmo maciço. O apoio que todos os outros precisam. A luz, a força, a garra de quem "dá a vida" por eles, dentro de campo. Com fair play. Muito fair play.
Os dirigentes têm que ser enormes. Gigantes enquanto pessoas. Inimitáveis na integridade e no carácter. São o cérebro de tudo e os cérebros têm que ser tão inteligentes quanto límpidos. Não vendam a alma ao diabo. Não entrem em jogos que não vos define. Não sejam poucochinho quando a alternativa é ser muito, muito grande.
Treinadores, jogadores e árbitros são os criadores da obra. Os geradores de todas as emoções, de todas as alegrias e desilusões. Dêem o vosso melhor. Suem, transpirem, morram pela camisola que vestem. Sejam imunes a histerias exteriores e a tentações inferiores. Sejam viris na relva e grandiosos fora dela.
Jornalistas e comentadores... honrem o código que abraçaram, o trabalho para o qual vos contrataram. Informem-se com exatidão, falem com fundamentação, critiquem com elevação. Não sejam marionetes de ninguém, porque isso torna-vos fantoches de todos. Sejam profissionais, independentes, consistentes. A ideia é servir os outros, não servir-se a si próprios.
Assumam esse compromisso convosco. Assumamos, todos, este código de honra. Para dentro e para fora. Para nós e para os outros.
A atitude de um somada à atitude dos outros resulta naquilo que todos mais desejamos para o jogo que tanto admiramos. Tornemos as coisas fáceis. Tornemos o jogo fantástico.
A grande mudança depende de cada um de nós.
Vamos começá-la antes que se faça tarde."

​O tempo das palavras

"Os nossos governantes não devem ter receio de ir além das palavras, mesmo tendo em conta que estamos em tempo de eleições.

O que aconteceu no estádio municipal de Coimbra no decorrer de um jogo amistoso em que se defrontavam a Académica e o Benfica, ficou como um aviso sério para aquilo que possa vir a acontecer na temporada que agora começa e que deve ser evitado a todo custo.
Como se recorda, um espectador ficou ferido com gravidade em consequência de uma agressão que lhe motivou uma lesão na coluna com fractura de uma das vértebras. Soube-se ontem que o agressor já está identificado e que, inclusive, já se apresentou às autoridades policiais da cidade do Mondego. 
Perante este incidente grave, o treinador benfiquista Bruno Lage teve palavras duras visando este e outros possíveis agressores, chamando a atenção para a violência que não deve ter lugar no desporto. 
“Temos de começar a prender esta malta, seja preto, vermelho, verde ou azul. Já chega, temos de tomar medidas urgentes”, foram as declarações do actual técnico encarnado.
Oportunas e premonitórias as palavras de Bruno Lage, que servem também de aviso para as entidades governamentais responsáveis, as quais têm revelado uma passividade inaceitável perante factos conhecidos, mas face aos quais têm feito ouvidos moucos.
O secretário de Estado do Desporto teve, aliás, acerca destes incidentes uma declaração difícil de entender: “Espero que as declarações de Bruno Lage sirvam de exemplo aos seus próprios adeptos”, afirmou João Paulo Rebelo.
Só? Perguntamos nós, acrescentando que mais do que palavras são necessárias acções. E o que fez até agora a Autoridade para a Prevenção e Combate à Violência no Desporto?
Os nossos governantes não devem ter receio de ir além das palavras, mesmo tendo em conta que estamos em tempo de eleições."

A História Gloriosa - #2 - A consolidação do Clube - 1914-1924

Benfica Podcast - ep. 328 - ICC Bound

Balanço positivo

"O balanço da época 2018/19 no futebol e principais modalidades de pavilhão teve no Benfica o clube que conquistou mais títulos de campeão. Para além do título mais apetecido, a reconquista no Futebol, ganhámos também no Futsal e Voleibol, tendo o FC Porto conquistado os títulos de Andebol e Hóquei em Patins e a Oliveirense o Basquetebol.
Quanto ao desporto feminino, fomos também quem mais se destacou, com dois Campeonatos Nacionais (Futsal e Hóquei em Patins), enquanto Braga, no Futebol, Colégio de Gaia, no Andebol, Olivais FC, no Basquetebol, e Leixões, no Voleibol, foram os outros campeões.
No balanço global de títulos de campeões nacionais e comparativamente aos nossos principais rivais, conquistámos 5 títulos de campeão, FC Porto 2 e o Sporting CP zero títulos.
Balanço positivo, mas que assumimos, de forma clara, querer melhorar, aumentando o número de vitórias e conquistas na próxima época e é essa exigência e ambição que assumimos sob o lema – Pelo Benfica.
Numa visão mais global temos que, no futebol, a “reconquista” foi consumada. Era o principal objectivo e a equipa liderada por Bruno Lage, na sequência de uma segunda volta notável, celebrou o 37.º título nacional do palmarés benfiquista.
Nas modalidades de pavilhão, o Benfica dominou o Futsal e o Voleibol, tendo sido igualmente época de “reconquista” em ambas. Os futsalistas venceram ainda a Taça da Liga e os voleibolistas fizeram o pleno de conquistas, triunfando também na Taça de Portugal e Supertaça. O Andebol ficou-se pela Supertaça e o Basquetebol, apesar de nada ter ganho, melhorou relativamente à época anterior, chegando à final do campeonato.
Na vertente feminina, o desempenho das nossas equipas foi notável.
Na primeira época de existência da nossa equipa de futebol, o Benfica venceu o Campeonato Nacional da 2.ª Divisão, assegurando a subida ao escalão máximo, e celebrou no Jamor, ao ganhar a Taça de Portugal.
As nossas hoquistas e futsalistas venceram todas as provas nacionais que disputaram. No hóquei em patins, o Benfica é heptacampeão nacional. No futsal é tricampeão. Celebrou-se ainda, em ano de regresso ao voleibol feminino, o título nacional da 3.ª Divisão e, no andebol feminino, a subida à 1.ª Divisão 21 anos depois.
Nas restantes modalidades – o atletismo ainda não terminou a época – o Benfica celebrou diversos títulos, com destaque para a equipa feminina de polo aquático, cuja aposta recente já resultou num triplete em 2018/19.
A declarada ambição renovada da nossa equipa de futebol é partilhada por todas as equipas que nos representam. Não obstante ter sido o clube com melhor desempenho no conjunto destas modalidades na época passada, o Benfica assume o objectivo de tentar melhorar globalmente e, assim, enriquecer ainda mais o seu palmarés.
Ao mesmo tempo que reafirmamos, em todas as modalidades, uma forte aposta estratégica de garantir o futuro com base na nossa formação. Ganhar o presente, mas sempre com os olhos postos no futuro."

Eusébio Cup: o eterno golo do Benfica

"Quando em 1992 se erigiu uma estátua à entrada da Luz, simulando o pontapé mais perfeito da história do Benfica, o gesto tornou-se importantíssimo na simbologia e um passo vital rumo ao total agradecimento à maior figura da nossa história. Enquanto símbolo, a Pantera voa quase tão alto como a águia, à custa das asas duma memória popular que se mantém forte como aquele Benfica dos ’60. O passo dado em 2008, com o projecto Eusébio Cup, foi de igual importância na valorização da lenda. 
Se os clássicos europeus foi uma das marcas daquela equipa, fazia todo o sentido relembrar essas tardes-noite que tardaram (e tardam, oficialmente…) em repetir-se. Inter, Milão, Tottenham, Arsenal, Real Madrid, Ajax? A final injustamente marcada para San Siro? O carrinho de Pivatelli em Coluna, naquela tarde de Wembley? A vantagem corajosamente defendida em White Hart Lane? Os… 5-3? A passagem de testemunho entre Eusébio e Cruyff? Sim! Que se ponham as velhas gerações a marinar no oceano da memória e que se ponham os mais novos a marinar no da imaginação, como o fizeram estes jogos! É imperativo que haja um momento desta importância em cada Agosto, que a cada pré-época, já elas recheadas de sonhos, se sobreponham outros sonhos e se agradeça aos heróis da nossa história.
Quando, em 2014, Eusébio se despede e parte rumo ao Olimpo, num dia em que até o céu chorou, a importância e carga emocional da ocasião aumentou exponencialmente. O Rei foi demasiado cedo, seria sempre demasiado cedo. Tornou-se imperial manter e fortalecer a tradição, torná-la perpétua no calendário e discernir os «os valores mais altos que se levantam», como o Sr. Mário Wilson exaltou em certa gala. E se nesse ano ainda o relembrámos com a prestigiante presença do Ajax, fica a sensação dum certo… desleixo a partir daí. Em 2015, depois daquela pré-época atribulada pelas Américas, a homenagem é festejada em Monterrey sob pretexto de 10 (!) jogos de Eusébio com a camisola local. Conveniência? Se fica difícil argumentar contra essa ideia, como defender a ocupação do Algarve dois anos depois? Impossível. Se a ideia Monterrey tiver realmente sido com boas intenções, porque não continuar o projecto e deslocar a taça para Maputo, Tomar ou Toronto? De destacar a edição com a presença do Torino e o convite á Chapecoense, infelizmente recusado por motivos ainda dúbios, atitudes que engrandecem o nome da instituição e o de Eusébio e que se coadunam com os valores fundadores.
Apanhando a boleia da ideia de Tiago Pinto que, ainda este mês, afirmava que «ou se faz com dignidade ou não se faz», a Eusébio Cup é algo que tem de ser encarado como total prioridade para o planeamento benfiquista, garantindo com toda a antecedência as condições necessárias à exaltação da memória de Eusébio, ano após ano. A inexistência duma homenagem é uma situação que não pode nem deve repetir-se porque, como exalta o hino original,
E vós, ó rapazes, com fogo sagrado,
Honrai agora os ases
Que nos honraram o passado!"

Benfiquismo (MCCXXXIV)

Rei...

Treino, Dia 16, Stanford

Seja bem vindo ao seu lugar, Sr Gabriel Pires


"Depois de uma comprometedora lesão Gabriel está de regresso para ocupar o seu lugar no meio campo do Benfica, e embora num teste demasiado fácil, tornou-se bastante perceptível como está bem integrado no modelo de Lage, e que mais valias lhe traz.
No momento defensivo, a agressividade, disponibilidade fazem a diferença, em cima do assertivo posicionamento. A forma como sai na hora certa, sempre aumentando passada, reconhecendo timing de pressão permite-lhe recuperar inúmeras bolas, e as que não recupera vai obrigando ao erro.
Com bola, se tem espaço é um tratado. Já se percebe ser o médio brasileiro o responsável por dar saída na construção quando adversários bloqueiam os centrais, pela forma como baixa para receber. A partir do momento em que a bola lhe toca as botas, a magia acontece. Seja nas variações longas que transformam situações de grande densidade de pernas em momentos para o colega até então fora do centro de jogo acelerar em 1×1 com espaço, ou na forma como facilmente descobre os quatro mais adiantados no espaço central nas costas dos médios adversários, a preponderância que se prepara para assumir com bola é também ela bem visível."

A fábrica de treinadores do Seixal

"Foi a 22 de Setembro de 2006 que decorreu a tão esperada inauguração do Caixa Futebol Campus. Pela mão do presidente Luís Filipe Vieira, era então criada uma academia que tanto servia de apoio ao futebol sénior como às camadas jovens.
Passado 13 anos, a “menina dos olhos” do presidente tem fornecido vários jogadores ao plantel principal e é hoje um caso sério de sucesso, sendo igualmente reconhecida como tal pelos quatro cantos do mundo. Contribui para isso o facto de vários jogadores made in Seixal serem hoje reconhecidos a nível mundial. Como exemplo temos hoje os casos de Bernardo Silva, João Cancelo, André Gomes, Ederson, Ronny Lopes, Mário Rui, Danilo Pereira, entre muitos outros.
O que não é um assunto tão falado é que pouco a pouco começa a ser notório que os treinadores de formação, além de contribuírem para o sucesso do Seixal, estão a crescer profissionalmente com a ajuda do Caixa Futebol Campus. Logicamente que não é possível falar destes treinadores sem mencionar o melhor caso de sucesso, o actual treinador da equipa principal, Bruno Lage.
No entanto, este texto pretende realçar dois treinadores que desenvolveram um trabalho de eleição dentro da fortaleza encarnada. Falo-vos de João Tralhão e Renato Paiva.
Desde muito cedo que João Tralhão teve o SL Benfica como a sua entidade patronal. Bem antes da existência da academia, já o mister dava os primeiros passos na sua carreira como treinador. Inicia a sua actividade como treinador estagiário na época 2001/2002 e, tal como Bruno Lage, ao longo de vários anos teve o seu irmão Luis Tralhão como colega de trabalho.
João Tralhão teve maior notoriedade nos últimos anos, tendo sido sucessivamente treinador de vários talentos nos sub-19 encarnados. Como destaque, obteve dois títulos nacionais de juniores e foi duas vezes finalista vencido na tão conceituada Youth League. Abandona o SL Benfica para abraçar um convite feito por Thierry Henry para ser o seu braço direito na equipa principal do Mónaco.
Pela mão da imprensa desportiva, foi dada a notícia como uma enorme surpresa, mas aqueles que estão mais atentos ao futebol de formação não ficaram surpreendidos com a mudança. Agora sem clube, espera seguramente pela melhor oportunidade para voltar ao activo e penso que a próxima oportunidade será o cargo de treinador principal numa equipa de Primeira Liga.
Renato Paiva é um treinador sobre o qual tenho uma grande admiração. Confesso que valorizo bastante o futebol praticado pelas equipas orientadas por si mesmo.
Chegou ao SL Benfica na época 2005/2006 e tal como João Tralhão, foi conseguindo pouco a pouco o seu espaço dentro do futebol de formação encarnado.
Nesta época desportiva, orientou pela primeira vez uma equipa de futebol profissional. Com a saída de Bruno Lage para a equipa principal, ficou um lugar vago na equipa B. Esse lugar foi logo ocupado pelo mister, que até ao momento orientava com sucesso a equipa de sub-19.
Os primeiros jogos não foram fáceis, uma vez que Renato Paiva viu-se privado de vários jogadores, tais como Ferro, Florentino e Zlobin, que tornavam-se presenças assíduas nas convocatórias de Bruno Lage. Mas pouco a pouco, jogo após jogo, Renato Paiva conseguiu impor as suas ideias e fez com que a equipa B terminasse o campeonato num honroso 4º lugar.
Foi agora notícia que Renato Paiva era uma das hipóteses para suceder a Abel Ferreira no comando do SC Braga. Acredito vivamente que a curto/médio prazo, irá abraçar um projecto com uma grandeza que faça dele uma referência do futebol português.
Este texto foi essencialmente dedicado a dois treinadores, mas bem que podia ser alargado a outros, como é o caso de Luís Nascimento (irmão de Bruno Lage), Luís Tralhão, Luís Araújo, Filipe Coelho ou Pepa, sem nunca esquecer o mister Bruno Lage."

Oliver Torres e os craques que estão a chegar

"Não partilho do entusiasmo com que nos diversos programas televisivos diários dedicados ao Mercado de futebolistas se projecta invariavelmente os alvos estrangeiros dos principais clubes como grandes estrelas, do presente ou do futuro.
Parto do princípio que se fossem tão bons como os pintam não vinham para Portugal.
E a análise primária diz-nos que os mais jovens não têm experiência que assegure alto rendimento imediato e os mais velhos vêm em busca de relançamento das carreiras, todos procurando apenas servir-se do prestígio dos nossos três grandes clubes como alavanca para a vida profissional.
Defendo a tese de que 80 por cento dos contratados sofrem desvalorização irreversível ao fim do primeiro ano. Não digo que todos sejam “flops”, mas são claramente inflacionados pela manha dos agentes, pelo oportunismo dos “scouters”, pela incompetência dos dirigentes e pela conivência dos media. E acabam a sair pela porta pequena, deixando um rasto de prejuízos na proporção inversa dos lucros obscenos dos negreiros envolvidos.
Se, por exemplo, Oliver Torres estivesse a chegar a Portugal neste momento por 20 milhões de euros não haveria limite para as hipérboles descritivas do seu enorme talento. E no entanto, na hora de saída, com desvalorização de quase 50 por cento e críticas carregadas de cinismo a justificar o “bom negócio” do FC Porto, ninguém ousa recordar que chegou campeão europeu de sub-19 e tendo estreado na primeira equipa do Atlético de Madrid com apenas 17 anos. Apesar do razoável rendimento desportivo, foi apenas mais um da enorme maioria que não se valorizou e não conseguiu corresponder ao investimento feito nem às promessas dos olheiros que o avalizaram.
Quando tinha apenas 19 anos, alguém descreveu Oliver Torres como um “criativo dono de uma técnica apuradíssima, um desequilibrador nato, de grande classe, que faz a diferença pela superior qualidade técnica no drible e condução de bola, e pela assinalável precisão no passe, velocidade de execução e acerto na tomada de decisão”.
À chegada, em 2014, lia-se no site oficial do FC Porto: “Oliver Torres tem alma de artista. Às vezes pinta, outras desenha e dança quase sempre”.
À partida, em 2019, ouve-se no Porto Canal: “Só foi verdadeiramente útil para Sérgio Conceição quando os outros médios não podiam jogar”.
O caso do espanhol que sai do Dragão sem brilho - mas chega a Sevilha, ironicamente, reabilitado como um grande craque - nada tem de excepcional, antes é um paradigma do que acontece aos mais pintados neste carrossel da fama.
Mas a quem aparece num espaço mediático destinado a criar esperança, será muito difícil levantar dúvidas ou prever o fiasco de determinado jogador, ainda mais com “pedigree” internacional como tinha este espanhol há cinco anos, num contexto de entusiasmo irracional dos espectadores e adeptos em momento de decisão no processo de renovação dos bilhetes de época. Nem sequer se pode perder tempo a contextualizar o espaço que cada candidato a estrela pode, efectivamente, disputar na galáxia do novo balneário.
A inclusão de determinado jogador estrangeiro, até por valores completamente desajustados, já não se destaca em plantéis em que os portugueses estão em minoria. Os estrangeiros são recebidos tão bem, que nem precisam de se evidenciar, pois as facturas são entregues e pagas antes da mercadoria. Neste negócio, ganha-se antes de produzir: é um craque estrangeiro, dá cá 20 milhões!
Passaram os tempos em que os jogadores estrangeiros eram excepções e ninguém tinha margem de erro no momento de contratar. O início da internacionalização do futebol português coincidiu com a Revolução de 1974, com o fim da “lei de opção”, com a liberdade social e com a reabertura de Portugal ao Mundo: encerrou o filão das colónias africanas e descobriu o El Dorado sul-americano. 
Lembro-me da contratação de Cubillas pelo FC Porto como um momento realmente extraordinário, fosse pelo preço, então decantado pelos jornais ao centavo - salvo erro eram 11 contos (55 euros) por dia - fosse pela classe do jogador peruano, um dos dez melhores do Mundo, na altura. E também recordo a primeira venda de um clube português por valores que hoje seriam classificados de “estratosféricos”, no caso a transferência de Yazalde do Sporting para o Marselha, a seguir ao Mundial de 1974.
Cubillas e Yazalde eram internacionais de nível mundial, estrelas de brilho intenso, como raramente voltámos a ter nos clubes portugueses, devido à massificação descontrolada que a liberalização dos mercados e o negócio das percentagens veio potenciar no final do século passado.
No início dos anos 80, o Benfica também acabou com a norma anacrónica de só alinhar portugueses e eu próprio, já como jornalista, lembro-me de ter feito a primeira entrevista a Filipovic, o primeiro “realmente estrangeiro” e igualmente uma vedeta internacional, em pleno relvado da Luz, sem holofotes, nem “directos”, nem atropelos mediáticos.
Os negócios eram feitos à margem do grande público e surgiam na imprensa de verão à cadência dos trissemanários - toda a gente tinha mais que fazer do que acompanhar o vai-vem dos craques à velocidade do twitter.
O engraçado é que ninguém se atrevia a adjectivar um Yazalde, ou um Cubillas, ou um Filipovic com metade dos superlativos que hoje acompanham as fichas dos “alvos” do mercado, para enquadrar os milhões do transfermarkt. Não havia Youtube, nem sequer VHS, só autêntico prestígio internacional, provas dadas ao mais alto nível e seriedade."

terça-feira, 16 de julho de 2019

USA Day 1

O sorriso triste de António...

"1984. Primeiro português a ganhar uma medalha olímpica no atletismo. Leitão, o rapaz de Espinho, essa cidade onde as ruas têm números em vez de nomes, que morte resolveu levar num dia estúpido, demasiado cedo.

uma imagem marcante, e eu gosto de imagens.
António Leitão corre com a facilidade de um homem sem pesos na consciência. Tem o dorsal 722. A seu lado seguem o finlandês Loikanen, o queniano Kipkoech e o mexicano Eduardo Castro.
Guardem essa imagem na parede branca da vossa memória.
Algo de inédito está à beirinha de acontecer.
'Cometi um erro grave', queixou-se Leitão no final. 'Hesitei. Deixei-me ficar, só arranquei a 400 metros da meta, fui ultrapassado pelo Aouita e não contava com o suíço Ryffel'.
Foi terceiro.
Mas primeiro, também. Nunca até então o atletismo português ganhara uma medalha olímpica.
A memória às vezes é curta, e os homens fazem-na ainda mais curta.
António Leitão tem um lugar inapagável historia do desporto em português. Que ninguém se atreva a mergulhá-lo nas águas profundas do olvido.
Imagem para sempre
António Leitão era de Espinho, essa cidade onde as ruas têm números no ligar de nomes.
Era pouco mais velho do que eu, ele que já morreu há tanto tempo, sete anos passados sobre aquele dia fatal que pôs às suas galopantes debilidades.
Rapaz tranquilo, o António.
Tinha lá dentro uma mágoa que nunca se apagou: 'Se estou contente? Não, senhor, não estou contente. Eu queira o ouro. Julgo que tinha todo o o direito ao ouro. Fui eu e o Ezequiel Canário que fizemos a corrida toda, que renetámos com toda a gente, que impusemos o ritmo, que fizemos a despesa. E, no fim, vejo-me comido pelo marroquino e pelo suíço. Pelo Aouita, ainda vá lá, contava com ele. Mas agora pelo outro, francamente...'
A surpresa vinha envenenada.
Ryffel não era Ryffel. Era um projecto falso, trafulha. O suíço não passava de um batoteiro, de um aldrabão.
Poucas semanas mais tarde, num torneio internacional, a verdade impôs-se: foi apanhado positivo num controlo anti-doping.
A tristeza de António foi ainda maior. Uma injustiça deu-lhe nós na alma, provocou-lhe borgorigmos no estômago, fez-lhe comichão no sangue: 'Algum motivo haveria para ter sido surpreendido daquela forma. Eu, que conhecia tão bem todos os meus adversários. Ryffel deveria ter sido suspenso, deveriam ter-lhe tirado a medalha de prata e deveriam tê-la atribuído a mim. Mas acredito muito. Muito! Ainda voltarei, um dia, a ter a hipótese da minha vingança. E chegarei ao ouro. De forma limpa como sempre trabalhei. Não com químicos. Com pureza! Com a força das minhas pernas e do meu coração. Com a minha alma!'
As lesões, a doença, tudo se juntou para abater António, o rapaz de Espinho que tinha uma resistência digna das ondas do mar da sua terra.
Em Los Angeles, o seu sorriso simples já espelhava tristeza.
'Tenho a medalha pendurada ao pescoço, mas não consigo deixar de pensar que é mau. Fico aqui, por dentro, a remoer a asneira que fiz, o meu erro. Pensava que o andamento que impus era suficiente para dar cabo deles todos, e não foi. Calculei mal. Devia ter atacado antes. Talvez aos 600 metros da meta. Cometi a infantilidade de olhar para trás, e houve ali uma falha na passada que se tornou terrível. O meu treinador, o Jorge Ramiro, tantas vezes me avisou para ter cuidado com isso. É injusto. Mas tenho de queixar-me de mim próprio. Queria tanto o ouro e sou obrigado a contentar-me com o bronze'.
Sim, António. Esse  bronze dourado de teres sido o primeiro português medalhado no atletismo de uns Jogos Olímpicos. Sim, António. Estejas onde estiveres, sorri. Sorri com um pouco de alegria que afaste para sempre e melancolia desse sorriso triste..."

Afonso de Melo, in O Benfica

Um percalço financeiro

"Um campo remodelado, um clube estrangeiro, quatro jogos de futebol, alguns escorregões na relva e... 'vinho aos homens'.

No Verão de 1915, o Sport Lisboa e Benfica convidou um grupo espanhol para uma série de desafios particulares. Angariar verbas para fazer face às recentes despesas com o Campo de Sete Rios - a construção de um campo de ténis, a adaptação dos edifícios já existentes no recinto a vestiário, enfermaria e balneários, a construção de bancadas e a colocação 'em volta de todo o campo de um ripado de madeira' - era o principal intuito, mas era igualmente uma nova oportunidade 'd'uma aproximação athletica com o paiz vizinnho'.
Encarregue pela Direcção do Clube 'de elaborar as necessárias negociações para tal fim', Cosme Damião não defraudou as expectativas e, no dia 23 de Junho, o Real Club Deportivo Español de Barcelona chegou a Lisboa.
Durante a sua estadia na capital lusa, o campeão de futebol da Catalunha e finalista do Campeonato de Espanha realizou quatro jogos, três com o Sport Lisboa e Benfica e um com um misto formado por atletas do clube 'encarnado' e do Internacional. O Campo de Sete Rios foi o palco dos desafios que decorreram nos dias 24, 26, 27 e 28, sempre às 17 horas e 30 minutos.
Apesar de ter 'o seu onze bastante enfraquecido devido à falta de cinco jogadores do 1.º grupo que não se puderam deslocar', 'o team de Barcelona' causou uma excelente impressão no público português. Nem o facto de terem estranhado o campo relvado, 'pois os terrenos de Barcelona são muito duros e sem herva' e, 'não usando travessas nas botas, escorregavam muito, não se aguentando bem sobre o terreno', fez diminuir o chorrilho de elogios publicados na imprensa: 'afáveis, finos e correctos'; 'alguns d'eles d'uma cultura mesmo pouco vulgar'; 'não era um simples grupo de footballers mas um grupo de sportsmen completo'.
O principal objectivo não foi cumprido pois 'o Benfica sofreu um percalço financeiro com a visita do grupo espanhol', mas, de acordo com O Sport Lisboa, 'tem a compensa-lo a satisfação intima de ter cumprido o seu dever como colectividade sportiva'. Na nota das despesas que se encontra no arquivo do Centro de Documentação e Informação estão listadas as verbas dependidas com a produção de placards para afixar nos carros eléctricos e de programas para distribuir pelas ruas e até o custo com 'gratificação e vinho aos homens' que auxiliaram no logística."

Mafalda Esturrenho, in O Benfica

Recorde histórico

"Mais uma prova inequívoca do entusiasmo e mobilização com que os Benfiquistas encaram a próxima época.
A venda de Red Pass, até às 10h00 desta manhã e a quase um mês do início do Campeonato, já atingiu números históricos. Foram vendidos 43 741 lugares de época, um recorde impressionante, tanto para a realidade portuguesa (só três estádios, em Portugal, teriam capacidade para tantos espectadores), como até mesmo para a benfiquista: verificou-se um incremento nas vendas de 6,4% face ao total da temporada passada e de 36,3% comparando com as vendas feitas há precisamente um ano (mantendo-se, aliás, a tendência de crescimento acelerado: por exemplo, na temporada 2013/14 foram vendidos 19 796 Red Pass e, em 2016/17, 32 017).
Há várias razões para este sucesso, além da hegemonia alcançada nos últimos anos, que passa pela qualidade do futebol apresentado na segunda metade da época passada e pela perspectiva de continuidade do ciclo ganhador em que o Benfica se encontra.
E que passa igualmente, pelos tradicionais benefícios para os detentores de Red Pass (conforto, garantia de lugar nos jogos em casa e prioridade na compra de bilhetes para as competições europeias, finais e deslocações no Campeonato Nacional), e também pelo próprio crescimento das vendas, o qual gera mais interessados. Esta evolução aponta para que o Benfica alcance o patamar reservado a apenas alguns dos melhores clubes europeus, em que existem listas de espera para a aquisição de lugares anuais, transformando-os numa raridade.
Por outro lado, as recentes possibilidades de partilha do cartão por meios digitais e da venda, no mercado secundário, do lugar, contribuem decisivamente para tornar mais atractiva a aquisição de Red Pass. É particularmente significativo que haja, até à data, 6 144 novos detentores do cartão. Acrescentando os lugares corporate (camarotes e executive seats), a taxa de ocupação do estádio situar-se-á acima dos 80% antes da colocação de bilhetes à venda para cada jogo.
Assim, amanhã, dia 17 de Julho, será dada por terminada a fase de renovação e venda de Red Pass para que haja lugares disponíveis para venda em cada jogo. É essencial que os sócios (235 765 sócios activos hoje de manhã) que, por qualquer razão, não queiram adquirir lugar anual, tenham a possibilidade de compra de bilhetes, os quais serão vendidos exclusivamente a associados do Clube. Só tem mais um dia, aproveite!"

Benfiquismo (MCCXXXIII)

Esgotado...

Benfica FM #74 - Arranque...

USA Tour 2019

"Aproximou-se rodeado de alguns gangsters e ofendeu-me verbalmente"

"António Salvador acusou Theodoro Fonseca de "ofensas verbais" e "agressividade" e explicou os contornos do negócio de Tormena e Dyego Sousa.

António Salvador deu a sua versão do incidente ocorrido na véspera com Theodoro Fonseca, accionista maioritário da SAD do Portimonense, antes do jogo particular realizado entre as duas equipas no estádio do clube algarvio. Tal como O JOGO escreveu, o dirigente brasileiro questionou Salvador sobre os negócios que envolveram a contratação de Tormena ao Gil Vicente e a venda de Dyego Sousa aos chineses do Shenzhen, numa discussão que chegou a meter empurrões. "O episódio com o Theodoro Fonseca foi lamentável e um ato de enorme cobardia", começou por afirmar o presidente arsenalista, antes de detalhar como tudo aconteceu. "Eu estava tranquilamente a falar com o senhor Joaquim Oliveira e a sua esposa no parque do estádio quando se aproxima o Theodoro, rodeado de alguns gangsters, e me começa a ofender verbalmente. Não lhe permiti nem permito o tom e menos ainda a agressividade que depois teve para comigo, como também não permito que tenham tentado apertar o Tormena antes e depois do jogo. As atitudes qualificam quem as toma e por isso percebo como é que há jogadores a sair do Portimonense queixando-se de agressões por parte dos dirigentes", prosseguiu.
Na lista de acusações feitas por Theodoro Fonseca esteve o desvio de Tormena do Portimonense (na última época esteve cedido ao clube algarvio pelo Gil Vicente e, supostamente, já teria tudo acordado para assinar em definitivo). No entanto, a versão do Braga é diferente. António Salvador decidiu avançar para a contratação do defesa-central depois de ter encontrado Francisco Dias, presidente do Gil Vicente - e dono do passe do jogador -, nos escritórios da Gestifute, de Jorge Mendes. Na altura, o líder do clube de Barcelos revelou que o Portimonense não tinha accionado a cláusula de compra em janeiro (um milhão de euros) e que estava a negociar a venda do jogador para a Turquia por dois milhões de euros. Sendo Tormena um jogador do agrado de Abel Ferreira, treinador do Braga na altura, Salvador acabou por chegar a acordo com Francisco Dias, por um valor superior a um milhão de euros, tendo o clube de Barcelos garantido ainda 20 por cento de uma futura venda. Depois de fechado o negócio, o Braga acusa ainda Theodoro Fonseca de ter pressionado o jogador a reverter a sua decisão, ao ponto de o dirigente ter viajado para o Brasil, onde o jogador se encontrava a passar férias, com o objectivo de o obrigar a assinar pelo Portimonense.
No sábado, Theodoro Fonseca confrontou ainda António Salvador com os valores envolvidos na venda de Dyego Sousa ao Shenzhen - o negócio fez-se apenas por 5,4 milhões de euros, ao contrário dos expectáveis 15 milhões de euros -, uma vez que o Portimonense considera que ainda tinha os direitos económicos partilhados com o Marítimo (que garantiu 25 por cento da venda). No entanto, e no entender do Braga, esses direitos cessaram a partir do momento em que o avançado assinou pelo clube minhoto na condição de jogador livre, uma vez que tinha terminado contrato com o clube insular.
Em conversa com os jornalistas, António Salvador fez ainda graves acusações a Theodoro Fonseca, tendo pedido a intervenção da Federação Portuguesa de Futebol. "Não sei para onde caminha o nosso futebol e estranho que ninguém actue quando o representante do accionista maioritário de uma SAD é, ao mesmo tempo, alguém que distribui e controla jogadores por outras sociedades a competir nas mesmas provas e inclusive já tomou conta de outro clube [em referência ao Penafiel]. Isto é um atentado à competição, mas andamos preocupados com fait divers e fazemos de conta que não se passa nada. A FPF e a Liga devem investigar isto, porque o que se passa é um atentado às leis da concorrência da FIFA e da UEFA", rematou."


PS: Esta é uma situações mais escandalosas da actual Liga: o dono de um SAD, é o maior accionista particular noutra SAD da mesma competição (e agora dono de outra!!!), é agente de jogadores distribuídos por vários Clubes, vende e desvende jogadores, envolvendo as duas SAD's... qual barriga de aluguer e que como é óbvio, a SAD 'maior' ganha sempre por cabazada, quando defronta a SAD 'aluguer'!!!

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Cadomblé do Vata (entradas...)

"Primeira análise, extremamente precipitada, dos reforços:
Tyronne Ebuehi - Listei-o como reforço há 1 ano e ele não jogou. Pensei que fosse reforço este ano, mas continua sem jogar. Vale a pena contar com ele quando acabar o contrato do Almeida em 2023? 
João Ferreira - Tapa buracos, com vista para o futuro. É bom que aproveite a oportunidade, porque atrás vem Tomás Tavares.
Nuno Tavares - Há 19 anos, Escalona brilhava num torneio na Irlanda contra o Liverpool. Foi a última vez que disse "este lateral esquerdo não engana". Até hoje.
David Tavares - Renato, Gedson e David. Formamos médios potentes e fortes no transporte de bola em série. O plano é inundar a Europa destes jogadores, para quando lançarmos os Dantas, ninguém olhar para eles.
Chiquinho - Há um ano demos 1 milhão por ele e oferecemo-lo de mão beijada ao Moreirense. Este ano fomos lá comprá-lo por 4,5 milhões. Pior negócio, só se não engolíssemos o orgulho e não o fossemos buscar de volta.
Tiago Dantas - Viva o Dantas, viva! Pim! Uma equipa com um Dantas a cavalo tem um futuro risonho pela frente! Uma equipa com um Dantas ao leme é um Campeão em andamento! O Dantas é um talento! O Dantas não é meio talento!
Caio Lucas - Forte tecnicamente, tem a menor média de passes errados da equipa. Zero falhados em zero tentados. Dizem que se está a adaptar à Europa. A mim parece-me que se está a adaptar ao futebol.
Jhonder Cádiz - Só precisou de 14 minutos em campo para se lesionar. Se for grave, garante a permanência no plantel, pelo menos até Janeiro. Ainda dizem que teve azar...
Raul de Tomas - Tenho dito ao Zé Lagarto que De Tomas faz 20 golos este ano, sem esforço. Na verdade, tento apenas não parecer arrogante. 27 fez o Seferovic, portanto menos de 40 é carimbo de flop na testa do espanhol."

Cadomblé do Vata (Cardozo vs. Jonas)

"Tendo em conta os acontecimentos ainda muito vivos na memória colectiva da Nação, o texto que se segue poderá ter um efeito de produção de insultos em catadupa contra a minha pessoa. É exactamente por ter consciência de que a opinião que me preparo para transmitir, pode efectivamente carecer de razoabilidade, que tive o cuidado de contratar o Bossio para me defender dos ásperos comentários que irei receber.
Posto isto, deixem que vos diga: Jonas não foi o meu jogador do Sport Lisboa e Benfica no Séc. XXI preferido. Confesso que bate à porta de tal desiderato, mas quem ocupa esse lugar no meu coração é Óscar Tacuara Cardozo. Temos pena, venham de lá as obscenidades, mas nestas coisas, quem manda é o coração e o meu não consegue de forma alguma, ficar indiferente aos pataços que o paraguaio dava nas Probabilidades.
Na última semana, muitas vezes foi recordada a primeira imagem de Jonas pelo SL Benfica, a fazer um cabrito num arouquense, cuja identidade passou tristemente ao lado da fama. A primeira vez que vi Óscar Cardozo de água ao peito foi na Roménia, contra o Cluj. Depois de 45 minutos a olhar para o emblema que trazia ao peito, na segunda parte dominou uma bola fora da área, e esticou-lhe um daqueles junto ao poste esquerdo do guarda redes. Os meus olhos naquele momento transformaram-se em dois corações rosa, tal como o equipamento que os nossos atletas vestiam nesse dia. 
Comparativamente, Tacuara começa logo a ganhar pontos no local de nascimento. Jonas nasceu em Bebedouro, é certo, mas reparem... Cardozo é natural de Doctor Juan Eulogio Estigarribia. O nome da localidade natal dele, é maior que o seu próprio nome. Enquanto o Pistolas é bebedourense, Óscar é Doctor Juan Eulogio Estigarribiense. Só com calhaus maiores que o Bynia no peito, não se pode ser sensível a isto.
Depois o 7 Glorioso aumenta vantagem em relação ao 10 Encarnado no físico. O brasileiro era elegância e altivez. O paraguaio era alto e desengonçado. O único homem que vi de Manto Sagrado no corpo, cuja perna era mais grossa abaixo do joelho do que acima. Atleta com físico mais improvável, só Marc Tolrá, que além de destrambelhado, tinha pés de pato. Jonas era craque a andar. Óscar não fez carreira como roupeiro porque por milagre, caiu nas mãos de um treinador qualquer que quis desafiar o status quo.
Mas onde Cardozo suplantou aquele que deveria ter sido seu colega de ataque no Benfica, foi dentro do campo. Jonas era souplesse, classe e técnica. Cardozo era força, força e enormes "quesafoda" na finalização, com penaltys a 170km/h que corriam Mundo. Para o Tacuara, "finalização em souplesse" era aquilo que fez em Alvalade nos 4-1 da Taça da Liga: sozinho a 40 metros da baliza, levantou a canhota, baixou-a em câmara lenta e disparou uma bufinha, que meteu "duas abaixo" quando chegou perto de Rui Patrício. O paraguiao bocejou e foi festejar com os adeptos. Saudades Imensas."

Homicídio tentado...


"No final de Dezembro do ano passado, o autocarro de adeptos da Casa do Benfica de Barcelos na A1 em Grijó foi vítima de um acto terrorista. Foi neste estado que ficou o ferido mais grave: 
https://www.cmjornal.pt/portugal/detalhe/adepto-do-benfica-apedrejado-esta-irreconhecivel
Até hoje, há Zero indivíduos responsabilizados pelo ataque. Até quando teremos de pactuar com isto? Esta impunidade? Este estado de degradação social? Como podem terroristas andar à solta livremente na sociedade? O Governo vai continuar a assobiar para o lado?
Basicamente, já chegámos à conclusão que vale tudo do Mondego para cima. O carro de Luís Filipe Vieira também já foi apedrejado. O autocarro do Benfica já foi vandalizado com bolas de golfe e pedras que só não atingiu proporções mais graves porque o jogador Salvio não tinha sido convocado para o jogo estando o seu lugar vazio. O autocarro do Benfica de futsal já foi ameaçado com tiros de caçadeira em plena A1 depois dos Carvalhos.
Ontem, um ataque concertado e anunciado no Facebook de uma claque da Académica provocou mais um ferimento grave a um adepto do Benfica. Desta vez de um simples adepto que cometeu o erro de estar no sítio errado à hora errada. O empurrão cobarde e gratuito de um energúmeno a um adepto do Benfica é apenas mais um episódio provocado pela divulgação e propagação do anti-benfiquismo levado a cabo pelos Franciscos Marques desta vida.
A única coisa que queremos tirar deste caso em concreto é perceber que o responsável por este acto bárbaro seja levado à justiça como responsável por um acto de homicídio tentado.
Infelizmente, são já demasiados os casos para não haver uma resposta cabal e definitiva por parte das autoridades. É agora ou nunca!"


PS: Entretanto, depois do video ter sido público, o acéfalo já se entregou às autoridades...

Cortes no plantel: SL Benfica arruma a casa

"Na preparação da nova época, Bruno Lage e os dirigentes do SL Benfica não têm mãos a medir. Vários são os atletas que têm o seu papel no clube da Luz indefinido e, por isso, tornam-se excedentários.
Yuri Ribeiro foi confirmado no Nottingham Forest. O SL Benfica fica com 50% do direito de uma futura venda do lateral esquerdo de 22 anos. De águia ao peito, Yuri fez nove jogos pela equipa principal. Após uma boa época ao serviço do Rio Ave, o regresso de Yuri Ribeiro ao plantel dos encarnados não correu assim tão bem, porque tinha a forte concorrência de Álex Grimaldo e sempre que foi chamado não correspondeu às expectativas.
Alfa Semedo terá o mesmo destino de Yuri Ribeiro, saindo por empréstimo de um ano, sem opção de compra. Semedo ainda teve minutos na primeira metade da época transata, no entanto, acabou por ser emprestado, em janeiro, ao Espanyol, onde só fez três partidas. A falta de espaço no meio campo encarnado foi uma das principais razões deste empréstimo.
Em Espanha, mantém-se Facundo Ferreyra, que continuará vinculado por empréstimo ao Espanyol. 
Chegou também a confirmação da transferência em definitivo do avançado, Ivan Saponjic, de 21 anos, para o Atlético de Madrid, onde reencontrará o ex-colega, João Félix. O valor da transferência foi de 1 milhão de euros ficando o SL Benfica com 50% do passe do jogador. Na última época, o jogador esteve dividido entre a formação de sub-23 e a equipa B, tendo realizado 36 jogos e apontado nove golos.
Quem está muito perto de regressar a Inglaterra é Chris Willock. O extremo de 21 anos deve ser emprestado, também, a um emblema do segundo escalão do futebol inglês. O jogador realizou 36 jogos pela equipa secundária das águias, onde apontou 11 golos. As equipas que estão de olho e que se preveem como destino provável do extremo são Leeds, Wigan e West Bromwich Albion.
Ljubomir Fejsa também estará no encalço da saída do clube da Luz após seis temporadas de ligação. O principal candidato a contratar o médio sérvio é o clube turco, Fenerbahçe, numa transferência que deve rondar os 3 milhões de euros. Ainda assim, o Galatasaray entrou na corrida pela aquisição do médio que verá, no clube turco, uma opção mais viável, uma vez que tem presença na Liga dos Campeões assegurada na próxima temporada. 13 títulos depois, o sérvio já não tem a mesma preponderância no plantel encarnado e deverá mesmo sair.
Cristián Arango, de 24 anos, foi também transferido, a título definitivo, para o Millonarios, clube que milita na liga colombiana. O jogador custou aos cofres encarnados uma quantia a rondar os 2 milhões de euros. No tempo que esteve contratualmente ligado ao Benfica, surgiram empréstimos ao CD Aves e ao Tondela, mas nunca se afirmou na Luz.
O defesa argentino, Cristián Lema, de 29 anos, também está com um pé fora da Luz. As negociações com o Peñarol caíram, pois, o Benfica pedia cerca de 3 milhões de euros pelo passe do atleta, valor que o clube de Montevidéu não estava disposto a pagar. O defesa não tem espaço no plantel de Bruno Lage e acabou mesmo por ser emprestado ao clube argentino Newell’s Old Boys até ao final da próxima temporada.
André Carrillo, de 28 anos, também está de saída após um excelente desempenho na Copa América ao serviço do Peru. O extremo esteve o Al-Hilal na época anterior, onde realizou 26 partidas e marcou quatro golos. O Al-Hilal já mostrou interesse na contratação do jogador peruano, no entanto tem a concorrência do Al-Nassr, de Rui Vitória e do Flamengo, de Jorge Jesus. O valor da transferência, em caso de saída, deverá render aos cofres encarnados valores compreendidos entre os 15 e os 20 milhões de euros.
Mile Svilar, segundo guarda-redes do plantel do glorioso, deverá ser emprestado com o intuito de ganhar minutos e experiência. A Bélgica é o destino mais provável do jogador.
Salvio está a caminho do Boca Juniores, como já foi avançado aqui.
Quem também saiu dos quadros do SL Benfica foi o médio Bernardo Martins para o Paços de Ferreira. O jogador foi contratado ao Leixões, em Janeiro, tendo realizado 12 jogos, todos pela equipa B, e marcado um golo. Como habitual, o Benfica fica com 50% do passe do atleta. Também em definitivo, Simón Ramírez segue para o Belenenses SAD em 2019/2020. O lateral direito chileno totalizou 17 jogos entre a equipa B e sub-23 em 2018/2019. Ainda em Portugal, Pedro Amaral segue para Vila do Conde, onde vai representar o Rio Ave.
O clube da Luz começa, assim, a arrumar a casa com o intuito de preparar a nova temporada. Contudo, e uma vez que Bruno Lage deu a entender que pretendia um plantel mais curto para a nova época, poderá haver mais saídas."

Actualização do SL Benfica no mercado: Esperança em reforçar a defesa

"Abriu o mercado de transferências e alguns dias depois o Benfica já garantiu quatro jogadores de ataque: o ponta de lança Raúl de Tomás, o avançado móvel Jhonder Cádiz, o extremo Caio Lucas e o médio criativo Chiquinho. Também o avançado Guilherme Schettine parece já estar contratado tal como o Pedro Neto e Bruno Jordão.
São seis jogadores puramente de ataque e um médio centro. Seis jogadores que chegam para colmatar o já vendido João Félix e a mais que provável saída de Jonas.
Faltam os reforços mais defensivos. A defesa direita continua entregue ao André Almeida, a lateral esquerda é de um Grimaldo que parece ter o olho na saída e a zona central do terreno vive muito do potencial do Rúben Dias e do Ferro.
Depois da queda tanto do Cillessen como do Keylor Navas, agora o nome mais falado para a baliza encarnada é o do italiano Mattia Perin. O guarda redes da Juventus é um nome interessante para a baliza do SL Benfica. Mas tal como os dois referidos anteriormente, parece um nome impossível.
Sabemos como funciona o mercado de transferências com nomes a voar às dezenas. Ultimamente falou-se de Chen Wei e de Lucas Silva, de Wuilker Farinez e João Pedro Galvão. E muitos serão os nomes a encher os programas e jornais desportivos.
Aquele que me parece mais real ainda é o de Mário Rui. O português do Nápoles surge como o mais provável substituto ao Grimaldo. Apesar da qualidade já demonstrada é um jogador muito inferior ao espanhol em termos de técnica e carinho pela bola.
Também o médio norueguês Sander Berge parece um jogador interessante para o SL Benfica. Um jogador fisicamente possante e acima de tudo um distribuidor de jogo. Um médio capaz de segurar a bola e a largar no momento exacto. Bom passe, boa visão de jogo e boa capacidade de decisão. A saída de Krovinovic para o West Bromwich Albion e a possível saída de Fejsa podem abrir espaço a este jovem norueguês. Porém o plantel do SL Benfica ainda conta com Samaris, Florentino, Gabriel, Gedson e também o Taarabt."

Quem são os padrinhos dos 'hooligans'?

"«Já chega, temos de começar a prender esta malta», disse Bruno Lage após os incidentes de Coimbra. Haja coragem...

O Académica - Benfica do último sábado ficou ensombrado por incidentes na bancada, que levaram à interrupção do jogo durante sete minutos e tiveram, como consequência, um ferido grave. Perante este cenário, ninguém tem  direito de dizer que «foi chato» e que «estas cosias acontecem», para isso «é que serve a polícia». Há muitos anos que uso o argumento a que a seguir vou voltar, que tem como ponto de partida uma conversa, no auge do hoologanismo, entre a senhora Thatcher e o presidente da Football Association. Disse o dirigente à primeira ministra de Inglaterra: «Tire o seus hooligans dos meus estádios». E foi o que Margaret Thatcher fez, ainda antes de a Inglaterra ter minorado o problema social que estava na base do hoolinganismo. Entre 1985, ano da tragédia de Heysel, e 1996, quando os ingleses organizaram o Euro-96, os estádios ingleses foram limpos de extremistas, que não queriam saber do futebol, visto por eles apenas como meio para os actos violentos que pretendiam praticar. Com muita coragem, o governo de Sua Majestade e os clubes, como parte muito interessada, já que o projecto da Premier League que arrancou em 1992 nunca seria viável sem estádios seguros, promoveram uma revolução e transformaram um círculo vicioso num circulo virtuoso.
Portugal, nesta matéria, tem em mãos um problema infinitamente mais fácil de resolver do que aquele com que se confrontaram os ingleses na década de oitenta do século passado. Mas nunca houve coragem (que sobrou a Thatcher) para pegar o touro pelos cornos e a permissividade perante os bandidos que provocam desacatos, ofendendo física e verbalmente quem vai aos estádios, tem sido confrangedora.
Está à espera de votação, no Parlamento, legislação que pode ajudar muito na luta contra a violência no desporto. Não sei quanto tempo mais demorará a aprovação, nem compreendo as reservas colocadas por alguns clubes, que deveriam ser os principais interessados na resolução deste problema. Porque a solução é simples: quem prevarica, como aconteceu em Coimbra, no sábado, deverá, acrescendo às outras sanções, ser impedido de entrar nos estádios. Se este princípio for aplicado para além do faz de conta em que vivemos, não tardará e a minoria de adeptos violentos que polui os nossos estádios e torna o futebol português pior, será erradicada.

(...)
Ás
Djokovic/Federer
Final esplendorosa em Wimbledon, entre os dois melhores jogadores do mundo (e da história?). Até o resultado, que por detalhes sorriu a Novak Dkokovic, ajudou a que a lenda destes monstros-sagrados do desporto se tornasse ainda maior. Num mundo à procura de heróis, o desporto tem estes para oferecer.

Ás
Lewis Hamilton
O piloto inglês acelerou para o sexto título mundial da carreira na F1 - e para ficar mais perto do hepta de Schumacher - ao vencer, desta feira em Silverstone, pela sétima vez em dez  grandes prémios disputados em 2019. São dias de superioridade flagrante da dupla Lewis Hamilton/Mercedes sobre a concorrência no circo da F1.

Maior só se for no orçamento e nos salários
«Queria jogar num grande, num clube histórico como o Atlético de Madrid o que, futebolisticamente falando, me fez deixar o FC Porto»
Héctor Herrera, jogador do Atlético de Madrid
Herrera representou um clube que conquistou duas Champions e venceu 28 campeonatos nacionais. Transferiu-se para outro que nunca ganhou a Champions e tem dez Ligas de Espanha no palmarés. Quem é historicamente maior? A resposta é óbvia. Mas o Atlético de Madrid tem meios financeiros para ser, ao dia de hoje mais forte dentro do campo que o FC Porto. Por aí se explica Herrera...

Jorge Jesus arrasou (e sem recurso a milagre...)
A capa de ontem do 'Ataque', suplemento de desporto do jornal 'O Dia', do Rio de Janeiro, era a mostra perfeita da expectativa no Brasil pela estreia de Jorge Jesus. No fim do dia, depois do Flamengo, 6 - Goiás, 1, os créditos do técnico português estavam em alta. Mas como se trata do Brasil, é preciso ir jogo a jogo...
(...)"

José Manuel Delgado, in A Bola

Um par de olhos azuis

"De balas trespassado, Wilding fixou o céu. Um azul entrou por dentro dele. O mesmo azul que não deixa de entrar dentro de nós

Na estrada de Alcácer para a Comporta, essa recta ladeada de pinheiros e areia, três corvos debicam o cadáver de um gato certamente atropelado. O embate fez-lhe explodir a barriga, as entranhas espalham-se pelo chão, o sangue ainda mancha o alcatrão que ferve dos 28 graus que dizem estar à sombra como na canção de Albertini e Barbelivien. «C’est fou, c’est trop». Não para mim, sempre saudoso do calor indiano de Colva a derreter os corpos e a diluir o pensamento numa pasta tranquila na qual não há espaço para nenhuma dor fora do mar.
Daqui a um bocado, quando tomar o caminho de volta, o gato morto não será mais do que um bloco seco repetidamente passado a ferro por pneus. O destino dos mortos é um destino sem exemplo. Uns parece que vivem para sempre; outro fundem-se na superfície dos caminhos.
«On est tout seuls au monde
Tout est bleu, tout est beau.
Tu fermes un peu les yeux, le soleil est si haut».
Não faço ideia se estás sozinha no mundo. Eu, se não estou, queria estar. Apenas na companhia do mar e do céu, tão, tão profundamente azuis como os olhos da minha tia Mena, minha tia pequenina, que se fundiu no azul infinito de todos nós, todos nós azuis, azuis-Olival, azuis-avó-Manelas, como a minha filha Francisca que me foi esbulhada por capricho social de uma mãe agarrada às convenções que a mandaram arranjar um marido adulterino, pai falso, pai fantoche, pilhando uma menina-azul aos irmãos, aos avós, aos tios, aos primos, por vergonha, por cobardia, por canalhice velhaca, por necessidade de continuar a estar num lugar de privilégio que não merece, que é triste, triste, tão triste como uma mulher perdida no vazio do seu próprio orgulho bacoco, mazombo, orgulho daquilo que não é, mentira sem limites num tacanho universo que a atura, que a suporta, que a segura no plinto abandonado de uma estátua de gesso grotesco e viciado.
Não sei viver a vida sem azul. Deito-me na areia e há azul em meu redor. Fixo o céu com os olhos semicerrados e o azul entra por mim, ocupa todos os recantos de que sou feito, e só quero ser azul, simplesmente azul, como os olhos da minha tia Mena, carregados de um tom impossível de exprimir, como os olhos da minha filha Francisca que repetem os nossos olhos, geração atrás de geração, menina tão perfeita afogada em mentiras, em falsidades, em incongruências, filha de um pai que não é pai, neta de avós que não são avós, mero joguete nas mãos de gentalha sem princípios e simplesmente canalha até ao mais sujo fundo dos seus próprios complexos.
Quando, na batalha de Aubers Ridges, na I Grande Guerra, o capitão dos Royals Marines, Anthony Wilding, foi atingido com uma bala no meio do olhos e ficou estatelado nos campos de Neuve Chapelle, de braços estendidos, alvo, louro exangue, fitando os céus perdidos, como o Menino de Sua Mãe de Fernando Pessoa, ninguém pareceu muito preocupado em perceber o que fitava para sempre a clareza das suas íris baças. Um azul-impossível entrou dentro de Wilding, aquele que vencera Wimbledon por quatro vezes, e nascera em Christchurch, Nova Zelândia, destinado a ser o rapaz feliz de uma família feliz.
A família é uma fraude, digo eu que conheço tudo sobre a cor azul. Sou azul por dentro e por fora. Olhos e pensamento; alma, lucidez; e todos, todos, mas todos os sentidos. Wilding era azul e morreu azul num campo de flores vermelhas como papoilas. Dêem-me um pouco de azul todos os dias para eu sentir que a vida vale a pena, que a vida vale absolutamente a pena, e quando perguntarem à inocência de uma criança roubada de onde vem o azul dos seus olhos, ela que fique sem resposta mas com a decisão íntima de que um dia, um dia qualquer, vão ter de lhe explicar a verdade das cores e a translação e rotação de mundos que nunca se cruzam a preto e branco.
«No plaino abandonado
Que a morna brisa aquece
De balas trespassado
- duas de lado aa lado -
Jaz morto e arrefece».
Que passa pelo olhar de um morto, por mais azul que ele seja? Que passa pelo olhar azul de um vencido, por mais traído que ele seja?
Que passou pelo olhar quase transparente de Wilding quando, de repente, uma bala lhe perfurou a cabeça e o deixou fitando, com olhar langue e cego, os céus perdidos? Até onde se arrasta o limite de perder um céu? O azul transparente da minha tia Mena que, um dia, me surgiu no buraco onde eu vivia, mergulhado num azul-tristeza, para simplesmente não me dizer nada que eu não pudesse perceber no azul-utópico da sua expressão tão profundamente carinhosa que me senti, guiado pela sua mão, transportado até ao topo da montanha mais íngreme da ternura. Eu, que tenho uma filha azul, sei a verdade dos poemas: «Que voltes cedo e bem...». O meu abraço ficará escancarado para sempre à tua espera porque te amo para além da tua própria consciência."

Prender esta malta

"O olhar para o lado das autoridades portuguesas em relação ao que acontece no futebol dá-se há muito. Parece que no mundo da bola há leis diferentes. Por isso há uns fanfarrões armados em maus no meio das claques que fazem do crime prática habitual e passam ao lado da lei. As palavras de Bruno Lage são tão impactantes como importantes no futebol português. Não só porque chegam do técnico cujo clube apoia claques ilegais há anos sem sanções reais, mas porque depois de Alcochete e de até num jogo particular vermos um ferido e pânico nas bancadas é mais do que tempo de passar à acção.
"Prender esta malta, seja preto, vermelho, verde ou azul". É mesmo isto. Em relação aos energúmenos armados em ultras, que fazem com que as pessoas normais tenham de pensar duas vezes antes de levarem as crianças ao futebol, a tolerância tem de ser zero. A FPF, Liga e secretário de Estado do Desporto, principalmente este, têm de ganhar coragem para atacar o problema de frente. A vergonha de terem assobiado para o lado durante anos e anos, com as mortes que se conhecem e a conivência com os clubes grandes já ninguém lhes tira. Mas ainda estão a tempo de emendar. Mais vale tarde do que nunca.
Benfica e Sporting parecem em estados diferentes de evolução. Mas não me apetece falar de futebol."

As alíneas das novas regras do futebol estão aqui

"O Conselho de Arbitragem (CA) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) explicou hoje quais as principais mudanças nas leis de jogo para a época 2019/2020, entre as quais estão também algumas clarificações sobre os lances de mão na bola

O Conselho de Arbitragem (CA) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) explicou hoje quais as principais mudanças nas leis de jogo para a época 2019/2020, entre as quais estão também algumas clarificações sobre os lances de mão na bola.
Numa acção de formação promovida para jornalistas e comentadores desportivos dos órgãos de comunicação social, na Cidade do Futebol, em Oeiras, João Ferreira, vice-presidente do CA, acompanhado dos árbitros internacionais Tiago Martins e Hugo Miguel, deram conta das principais alterações às leis de jogo para a época que se inicia em 04 de Agosto, com a realização da Supertaça Cândido de Oliveira, entre Benfica e Sporting, no Estádio Algarve.
As alterações definidas pelo International Board (IFAB) foram explicadas pelos responsáveis lusos, nomeadamente a da obrigatoriedade de os jogadores passarem a ter de sair de campo, aquando de uma substituição, pela linha mais próxima, ficando assim para trás a necessidade de se dirigirem até à linha de meio-campo, junto aos bancos de suplentes.
Uma alteração que, segundo João Ferreira, “procura aumentar o tempo útil de jogo” e evitar “perdas de tempo propositadas”.
Outra mudança para a época 2019/20 diz respeito às sanções disciplinares dos elementos presentes no banco de suplentes.
Se até esta data a única ‘ferramenta’ ao dispor do árbitro era a ordem de expulsão, a partir de agora o juiz pode identificar o elemento presente no banco de suplentes para o advertir, mostrar cartão amarelo ou vermelho, consoante a gravidade da infracção. Refira-se que, em caso de não ser possível identificar o elemento que infringiu a lei, será o treinador principal a assumir a responsabilidade e será ele o alvo da correspondente acção disciplinar.
Por fim, entre as várias mudanças apresentadas, destaque para o esclarecimento nos lances de mão na bola.
Mantém-se na lei que há infracção quando o jogar tocar “deliberadamente” na bola com a mão, mas que só é considerada uma acção deliberada quando a colocação do braço aumenta a volumetria do jogador ou a bola tocar no braço quando este está acima do nível dos ombros.
Segundo João Ferreira, lances em que o jogador tem os braços ao lado do corpo, “numa posição natural”, não devem ser sancionados, assim como não deve ser assinalada qualquer falta quando a intenção do jogador é jogar a bola com o pé e esta acaba por ressaltar para o braço.
A nova lei faz também uma distinção entre defesas e avançados no que a esta questão diz respeito, uma vez que num lance em que a bola toque no braço de um atacante e daí resulte um golo imediatamente a seguir, este deverá ser anulado, mesmo que o toque tenha sido involuntário, como no caso de um ressalto.
A mesma regra aplica-se no caso de o toque na mão, mesmo que involuntário por parte do atacante, crie de imediato um lance de golo ou situação de perigo, situação na qual o árbitro deverá também assinalar infracção.
Já no caso de um defesa, caso esta toque no seu braço involuntariamente e se encaminhe para o fundo da baliza, o golo deverá ser validado.
Por último, a nova lei clarifica também a intervenção involuntária do próprio árbitro no jogo, que sempre que toque na bola e isso altere o sentido do jogo deve parar a partida e dar a bola à equipa que estava na sua posse, evitando assim situações em que a equipa adversária recupera a bola fruto de uma situação em que nada fez para que tal acontecesse."

8.º Congresso Internacional de Artes Marciais e Desportos de Combate

"Sob os auspícios da “International Martial Arts and Combat Sports Scientific Society” (IMACSS) (www.imacsss.com), o Instituto Politécnico de Viseu (IPV) vai realizar o 8.º Congresso Internacional de Artes Marciais e Desportos de Combate, de 10 a 12 de Outubro de 2019.
Em Portugal, o primeiro congresso científico sobre as AM&DC realizou-se em 2007, em Viseu, do qual tivemos o privilégio de participar como coorganizador e orador, e depois em 2009 e em 2011. É com satisfação que voltamos a participar como coordenador-adjunto e saber que esta iniciativa está para durar em Portugal. O esforço da equipa que organiza este evento, dirigida pelo Professor Doutor Abel Figueiredo, do IPV, será recompensado pela oportunidade de oferecer a todos os presentes momentos de crescimento científico e de partilha de experiências nas temáticas em apreço. A Comissão Organizadora acredita que esta é mais uma oportunidade para reforçar os laços da comunidade científica em torno de temas ligados às AM&DC.
Em relação aos desportos maioritários (desportos colectivos, atletismo, natação, etc.), de inspiração anglo-saxónica, as práticas de combate distinguem-se pelas suas origens culturais: inglesas para o boxe (inglês), japonesas para o karaté, o judo e o aikido, francesas para a luta (dita greco-romana) e o boxe (francês), chinesas para o kung-fu, o tai-chi, etc. O conjunto dos desportos de combate e artes marciais constitui um campo relativamente autónomo no interior do espaço das práticas desportivas. 
Mais do que um conjunto de condutas motrizes, as práticas desportivas revelam uma “pertinência social”. Neste sentido, a implantação e o desenvolvimento dos desportos de combate e das artes marciais não se podem reduzir à apropriação (ou à descoberta) de modelos corporais diferentes sucessivamente importados. A lógica de apropriação implica um processo de transformação e uma criação e inovação dos modelos corporais. O sentido (social) da implantação de uma arte marcial, como todo o objecto social importado (doutrina política, ideal estético ou técnica particular) resulta de uma dinâmica complexa, que coloca em jogo três lógicas relativamente autónomas: a “lógica interna” da disciplina, a “lógica do campo”, no qual se inscreve (desportivo, político, musical, económico, etc.) e a “lógica do campo social”, no sentido mais amplo.
No fundamento teórico dos desportos de combate ou das artes marciais, a que alguns investigadores preferem chamar de “práticas de combate dual”, é preciso referir que a prática corporal codificada e identificável não pode ser, geralmente, apreendida como um “objecto técnico”, que se poderia identificar com a “lógica interna”, conceito utilizado para designar a pertinência motriz das actividades físicas e desportivas. A determinação dos “usos sociais” (desporto, lazer, competição, segurança, etc.) das práticas de combate, pela variedade das suas origens, a diversidade de especialidades e a diferenciação dos usos sociais, leva a que elas ocupem um lugar diferente no sistema de práticas desportivas codificadas.
Esperemos que este congresso internacional promova reflexões frutíferas. Para mais informações, ver o site http://www.esev.ipv.pt/IMACSSS2019."