Últimas indefectivações

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

É preciso cortar o mal pela raiz

"Há muitos anos que me habituei a admirar a eficácia das nossas forças de segurança. Por vezes, a opinião pública quer resultados imediatos para investigações complexas e reivindica celeridade. Mas, no fim, é como a polícia montada do Canadá, que apanha sempre o seu homem, seja Palito, Piloto ou... o ladrão da FPF.
Vem este introito a propósito da vandalização de duas carrinhas do Pedrouços e do relvado sintético do Grijó, clubes que disputam a Divisão de Elite da AF Porto. Não me passa pela cabeça que as forças policiais não venham a colocar (quanto mais cedo melhor), atrás das grades, os vândalos que destruíram propriedade alheia, tentando atemorizar quem entendem ter-se colocado no seu caminho. Por esse lado, de eficiência policial, estou descansado. Porém, há outro lado, alegadamente desta equação, que me deixa muito mais preocupado. O Pedrouços e o Grijó fazem parte do conjunto de clubes que se recusam defrontar o Canelas, na Divisão de Elite da AF Porto, por sucessivos casos de violência dentro (e fora) das quatro linhas. E não é que, da AF Porto, que tutela desportiva e disciplinarmente a competição, nem uma palavra, apenas um silêncio ensurdecedor que, se persistir, assumirá foros de cumplicidade? Ou será que a AF Porto não tem nada a dizer sobre esta matéria, quando a integridade da competição e os princípios do desporto estão em xeque?
Creio que, se da AF Porto não emanar nenhuma posição sobre este caso, não restará à FPF outra solução que não seja entrar em campo. Porque há coisas que não podem ser permitidas (nem que seja por omissão), sob pena de ficarmos reféns do hooliganismo."

José Manuel Delgado, in A Bola

Nuvens negras

"Trump, Erdogan, Putin, Kim Jong-un, Le Pen, Lukashenko, Al-Assad, Maduro, Castro, Mugabe. Dez nomes, dez mensageiros de ódio, de divisão, de intolerância e que ocupam (ou podem estar perto de ocupar, caso de Marine Le Pen) cadeiras poderosas, demasiado e perigosamente poderosas.
O mundo vive, de facto, dias loucos, difíceis de entender. Por esta altura, ainda procuramos perceber como é possível que um homem que passou toda uma campanha a vender mensagens sexistas e racistas conseguiu chegar à presidência de uma das maiores potências do mundo - militarmente, continua a ser a maior; economicamente, mantém papel dominante; e social e culturalmente é ainda muito influente.
Num ápice, uma imensa maioria de não-americanos (e de americanos também) invadiu as redes sociais apontando o dedo à «estupidez» da América branca, pouco ligando ao facto de muitos milhares de homens e mulheres muçulmanas, hispânicas e negras terem votado em... Trump. Sim, é difícil entender como é possível alguém assim chegar por via democrática ao poder. Mas há explicações - como houve, em 1933, quando Hitler, depois de muitas eleições perdidas, conseguiu, enfim, vencer e chegar ao topo (o resto da história, infelizmente, é conhecida por todos... Ou será que já esquecemos?). Entre os principais motivos está o facto de uma fatia grande da população dos EUA (a par do que se vai vendo pela Europa) estar cansada do establishment que figuras como Clinton representam e que ajudaram a conduzir a situação financeira precária de muitas famílias de classe média (uma vez mais, a par do que sucede também na Europa).
No meio da tempestade, há porém raios de luz que tudo fazem na busca de iluminar-nos um pouco. Um bom exemplo (curioso, até) pode ser encontrado no primeiro evento desportivo internacional duma equipa norte-americana após a eleição de Trump: precisamente um duelo EUA - México, de qualificação para o Mundial-2018, já hoje, no Ohio..."

João Pimpim, in A Bola

As últimas Lanças...

O Homem que treina e ensina

"São muitas as definições de um treinador. A de Cruyff soa perfeita do ponto de vista ideológico, orientada pela independência dos resultados: "Só há duas espécies: os que treinam e os que ensinam." César Menotti dá uma achega, acreditando que o talento do líder se mede pelo progresso dos seus jogadores: "Se um futebolista tem sempre as mesmas virtudes e os mesmos defeitos, é porque não tem um bom treinador." Rui Vitória corresponde às duas definições, na qualidade de gestor e pedagogo de altíssima qualidade, que não choca com a realidade, adapta-se a ela; não luta por mudar as regras instituídas, trabalha para melhorar o que tem; não se propõe fazer revoluções, aperfeiçoa a orientação vigente.
Em apenas 16 meses, RV confirmou ser o treinador certo para a nova etapa na vida benfiquista. Integrou-se na máquina, imprimiu uma dinâmica, escolheu um estilo, definiu elos de ligação entre os vários sectores, defendeu princípios e indicou o caminho. Nas suas escolhas estão implícitas opções estéticas, um espírito de trabalho saudável e o respeito sagrado pela história do clube. Para tanto precisou de aproveitar as estrelas que já tinha e conduzir jovens com talento, mas sem experiência, ao patamar de excelência que reclamam; de lhes incutir uma atitude ofensiva e pugnar por um comportamento elegante, estimulando atitude congregadora e generosa capaz de levar a bola para o outro lado do campo, de preferência às redes adversárias.
O grande futebol constrói-se com sentimento e tradição. Todo o seu enlevo histórico e social é património de uma entidade colectiva alicerçada nos adeptos. RV tem mobilizado essas emoções profundas e misteriosas com resultados à altura mas também com ética irrepreensível. E tem-no feito com a imensa grandeza de um discurso aglutinador; com domínio perfeito da matéria e na acção focada apenas no laboratório que ampara o dia-a-dia do treino. Seguro de si próprio, recusa adornar a lenda que está a construir com caprichos, desplantes, provocações, insinuações maldosas, polémicas estéreis ou qualquer outra grosseria. Simplesmente assume o papel que lhe cabe como responsável de uma grande equipa e nunca se lamenta do que corre mal. É incrível como o Benfica lidera a Liga com 5 pontos de vantagem ao fim de 10 jornadas, depois de quase todos os jogadores do plantel terem passado pelo estaleiro.
No decorrer da época já teve os dois pontas-de-lança na enfermaria (Mitroglou e Jiménez); praticamente não contou com Jonas e Jardel; perdeu logo Rafa para várias semanas; abordou o clássico sem Fejsa e Grimaldo, e ainda ficou sem Luisão ao fim de um quarto de hora do jogo. Metáfora de toda a vigência de RV na Luz, o Benfica soube encontrar no Dragão argumentos para evitar a derrota ao soar do gongo. Não é legítimo exigir agora ao treinador encarnado que se automutile porque teve sorte, porque não agrediu quando teve azar; que agradeça aos deuses o milagre do empate e reconheça a dádiva divina diminuindo os méritos da sua equipa. Há um ano, perdeu com o FC Porto, naquele mesmo palco, com um golo de André André aos 86 minutos, e saiu derrotado, na Luz, de um jogo em que podia até ter goleado. O futebol é fértil nestas situações extremas.
RV é o timoneiro de nau a caminho da terra prometida, que tem passado pelas tormentas do alto-mar com a serenidade de quem se convenceu, transmitindo essa confiança à tripulação, de que nada nem ninguém pode impedir a expedição de chegar a porto seguro. Se vai ou não navegar até ao destino, é impossível sabê-lo nesta altura. Mas que estão todos convictos de que tal vai suceder, sente-se em cada palavra. Para acentuar a ideia de que sim, é possível lá chegar, até já saem íntegros e felizes de clássicos em que foram amplamente inferiores com um golo marcado aos 90’+2.

Joel Campbell cada vez melhor
Joel Campbell não se afirmou logo no Sporting de Jorge Jesus. Não se pode dizer, também, que tenha caído no goto dos adeptos, razão pela qual precisou de contar mais com o seu talento do que propriamente com a condescendência alheia. O costa-riquenho trocou o banco do Arsenal pelo que pensava ser um lugar no onze leonino. Está a jogar cada vez mais e melhor. Em 6 presenças na Liga marcou 3 golos.

Óliver explodiu com o Benfica
Óliver ainda não tinha confirmado a exaltação que marcou a primeira passagem pelo FC Porto. O jogo com coeficiente de dificuldade mais elevado serviu para o jovem espanhol se libertar e explanar todos os recursos técnicos do reportório. Foi deslumbrante frente ao Benfica e a ele deve o FC Porto muito do excelente futebol que exibiu no clássico. Com ele a grande nível, o dragão é muito mais forte.

Duas expulsões inexplicáveis
Marega perdeu a cabeça e, sem razão aparente, agrediu um adversário com uma estalada; Boateng marcou um golo e, indiferente ao cartão amarelo que vira cinco minutos antes, tirou a camisola nos festejos para anunciar que chegara a sua hora. Podemos teorizar à volta das motivações que levaram os dois jogadores a fazerem-se expulsar de um modo tão infantil. Mas nenhuma teria uma base futebolística."

Amor eterno

"Já passou quase uma semana desde o Clássico no campo das Antas e há coisa que não me sai da cabeça - o ódio eterno. Foi esse o mote que antecedeu o jogo entre o Tricampeão nacional e o terceiro classificado da época passada. Do líder do grupo de apoio até à página de rede social do neto do ainda presidente, passando por uma grande fatia dos adeptos da colectividade da cidade do Porto, todos juraram ódio eterno ao SL Benfica.
É isso que os motiva, foi isso que os fez estar acordados na madrugada anterior à partida rebentando petardos à porta do hotel onde pernoitou o Glorioso. É isso que comunicam todos os dias, há mais de 30 anos. Como se alguém deste lado perdesse tempo a pensar neles.
Parece-me que é esse o grande problema destes antis. E de outros, que nem vale a pena mencionar. Preocupam-se tento, mas tanto, com o SL Benfica, que se esquecem de resolver os problemas que têm em casa. Empréstimos bancários, comissões a empresários, relatórios e contas duvidosos, contratações falhadas, vidas pessoais expostas na praça pública, desastres desportivos, utopias para cegos verem, esquecem tudo. Só vêem vermelho à frente.
É assim que vão continuar, a ver vermelho à frente. Para já com cinco pontos de distância, espero que com mais nas próximas jornadas. Jogo a jogo, a pensar apenas no Benfica, como fazem os outros. No SL Benfica não há tempo para ódio. Só concentração no amor. Um amor eterno que não se explica, mas que se põe em prática todos os dias."

Ricardo Santos, in O Benfica

Estrelinha


"Do jogo parece sobrar a 'estrelinha'. Qual estrelinha? A que nos fez tricampeões? A que nos mantém invencíveis há 21 deslocações consecutivas no campeonato? A que nos deu o melhor ataque, a melhor defesa e cinco pontos de avanço à entrada para o clássico? A que lesionou Jonas, Jardel e Rafa e afastou ainda Fejsa e Grimaldo a escassos dias do jogo? Ou a que obrigou Rui Vitória a substituir Luisão ao quarto de hora da partida? É preciso ter lata!
Estrelinha foi termos Lisandro teoricamente o quarto central na hierarquia dos centrais, a entrar a frio e a fazer uma bela exibição coroada com o tento do empate. Estrelinha foi termos, em Rui Vitória, a capacidade para, mesmo com tantos lesionados, mexer na equipa e mudar o rumo da partida. Estrelinha foi termos Benfiquistas na bancada que nunca deixaram de apoiar os nossos jogadores... Já para não referir a estrelinha que foi a actuação de Nuno Espírito Santo no banco, apesar dos rabiscos que ilustram o 'jogador à Porto', qual pintura rupestre. Sem apitos dourados, cafés com leite e quinhentinhos, resta-lhes o anti-benfiquismo primário e não há desenhos abstractos que lhes valham.

Mas não julgue o leitor que sou injusto nas minhas apreciações artísticas, pois houve jogadores que assimilaram bem o conceito de 'jogador à Porto' transmitido pelo seu treinador. Refiro-me concretamente a Otávio, o sabujo que cuspiu no Ederson, e a Filipe, o central especialista em auto-golos que num momento de êxtase após derrubar André Horta com a complacência de Artur Soares Dias, puxou pelo público portista como se tivesse acabado de marcar um golo. Aquela impetuosidade toda deve ter sido do vermelho de camisola do André..."

João Tomaz, in O Benfica

Até ao fim

"Há pouco mais de um ano, saíamos do Estádio do Dragão vergados a uma derrota injusta, com um golo sofrido nos últimos minutos, após uma excelente exibição - que de algum modo anunciava o potencial que a equipa viria a demonstrar meses mais tarde.
Ainda no último Campeonato, mas já na segunda volta, na Luz, depois de dominarmos completamente o FC Porto, e de criarmos cerca de uma dezena de ocasiões flagrantes para marcar, acabámos por perder de forma inacreditável por 1-2, num dos “Clássicos” com resultado mais desfasado da realidade a que alguma vez assisti.
Indo mais atrás, ainda hoje é difícil de engolir o trágico minuto 92 que, em 2013, nos custou um Campeonato - com toda a certeza o momento mais cruel que o desporto me proporcionou em 47 anos de vida e de benfiquismo.
Ao contrário das situações acima invocadas, há que reconhecer que desta vez a sorte esteve do nosso lado.
Com um golo nos instantes finais de uma partida que, até então, não nos correra bem, evitámos uma derrota que poderia efectivamente ter acontecido.
Sem subtrair mérito à performance do adversário, há que salientar o facto de os nossos jogadores nunca terem deixado de acreditar que podiam ser felizes. E sublinhar que a forma como Rui Vitória mexeu na equipa se revelou determinante no desfecho do jogo.
Não festejo empates, e era o triunfo que eu queria. Mas, dadas as circunstâncias, o ponto alcançado e os dois subtraídos ao rival acabaram por saber bem, mantendo-nos firmes na caminhada rumo ao grande objectivo da época.
Ficou o aviso. Nada nos será dado gratuitamente, e até Maio ainda teremos muito que sofrer."

Luís Fialho, in O Benfica

Benfiquismo (CCLXXXIII)

Símbolos...

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Os adeptos que a Sport TV não viu (ou... não quis ver, ou... não a deixaram mostrar)

"O principal problema do futebol português é o medo. E quem vai ao Dragão sem medo merece tudo! Carrega, Benfica!

Eles têm saudades dos quinhentinhos
1. Durante anos, numa estratégia de envolvimento e ocupação de lugares, alimentada pela corrupção e aliada à fraca condição de quem se vencia para continuar nos lugares que concediam o estatuto da aparência de poder, tentaram anestesiar o Benfica.
E com a arrogância de quem se julga superior, só porque somava títulos dessa forma (corrupta, viciada e viciosa), pensou estar perante uma onda de vitórias eterna, porque infinita era a subserviência dos protagonistas, a quem uns bilhetinhos ou uns cartões de um qualquer órgão que fava entrada nos jogos serviam para dar continuidade a essa supremacia.
Mas, quanto mais longe iam ficando os tempos dos quinhentinhos mais difícil era manter a supremacia da estrutura, que de máquina tinha apenas a fama, porque o proveito, esse, era repartido entre quem ganhava os títulos e quem recebia... para que eles os ganhassem.

O canto do museu que - qual canto do cisne - virou maldição
2. Mas tudo tem um fim, mesmo que esse fim - um verdadeiro canto do cisne - mereça honras de museu, que passou a ser o umbigo de uma geração gasta, que não percebe que a sua perpetuação no poder, com regras transparentes, apenas serve para destruir, de forma acelerada, o poder que tiveram.

Não querem entender - e, para mim, tanto melhor - que, quem conviveu com as malhas e com a lama da corrupção, não sobrevive onde os títulos não se compram!
Como não se apercebem, hoje, da ineficácia, quer das ameaças, quer das pseudo graças do passado, mesmo que veiculadas por plataformas digitais. Porque, se antes essas mesmas ameaças ou graças produziam efeito junto dos que eles conseguiam comprar com os tais bilhetinhos (dessem eles entrada em jogos, em cabarés ou fizessem aumentar a conta bancária de alguns eleitos), hoje não passam de piadas de velhos, de que os novos se riem, porque não podem chorar.

Ou, então, pior: riem-se porque, se não se riem, desaparecem pelo cano de esgoto das purgas de fim de regime.
Como, aliás, a História - para os que conseguem ler outras coisas que não seja rótulos de garrafas de champanhe ao som de música disco e luzes psicadélicas - nos ensina!
Mas, ainda assim, achando que são eles que continuam a ditar as regras, estão convencidos de que vão voltar a mandar, conseguindo meter medo a alguma gente.
Aos deles, pouco me importa!
Aos nossos, nunca!
Foi esse despertar, de novo, da força do Benfica que quiseram impedir, manietar, condicionar, adia, calar! O que sabem, agora, ser impossível. Porque a nossa força é muito maior do que a inveja deles.

A TV que não vê
3. No domingo, na cidade do Porto, repetimos a onda vermelha, prova dessa crença renascida, que traz, de novo, com ela, a grandeza do Benfica.
Pois - diremos nós - o normal seria que essa mesma imagem de presença e de força dos adeptos do líder do campeonato fosse exibida na televisão onde passava o jogo, como, aliás, acontece normalmente. Ser, seria... mas não foi!
Incansáveis no apoio à equipa, ao longo de todo o jogo, esses adeptos não tiveram a possibilidade de serem vistos por quem acompanha o jogo pela televisão, porque a Sport TV não mostrou uma única imagem dessa zona do Estádio.
Eu sei que sou suspeito e que me bati para que os jogos do Benfica não passassem lá. Pois durante os 3 anos em que isso aconteceu... fomos campeões, tricampeões nacionais.
Por isso, não podemos nem devemos calar o que (não) vimos neste jogo e que ultrapassa o aceitável.
Já não falo das 18 - sim, 18 -repetições do golo deles e das 5 - sim, apenas 5 - repetições do nosso golo (foi essa a contabilidade a que cheguei).
Mas, como se isso não bastasse, qual a explicação para não terem exibido qualquer imagem dos adeptos? De todos os que lá foram e viram o que viram, mas também dos que lá foram e não puderam entrar (e a quem daqui envio um abraço especial com a certeza que Benfica e Liga farão tudo para que sejam indemnizados por quem teve a responsabilidade de não os ter deixado entrar, primeiro porque levavam cachecóis do Benfica e, depois, porque... não lhes apeteceu).
São estas atitudes - as de impedir adeptos do Benfica de verem jogos como cidadão livres e de fazer de conta que os que puderam entrar não existiram - que abalam a credibilidade do futebol.
E não comentadores ligados a clubes no pleno exercício da sua liberdade de expressão, consagrada legal e constitucionalmente.
E nem sequer se poderá dizer que foi efeito do minuto 92 e do quão atordoados ficaram os pequenos (os que jogavam, os que assistiam e que já cantavam vitória e os que, devendo ser imparciais, ficaram com uma enorme má disposição com o nosso golo).
Ou será que não os deixaram emitir as tais imagens, ameaçando-os se o fizessem?
Ou porque quiseram, ou porque não os deixaram, será sempre uma má imagem profissional que deixam.
Porque ou são tendenciosos ou são cobardes. E desses não queremos, num jornalismo que se quer independente e verdadeiro.
Estão no seu direito ao não suportarem as nossas vitórias. Mas, enquanto lá estiverem ou enquanto não forem convidados para Directores de Comunicação do clube... tenham lá vergonha.
Porque a festa que os adeptos do Benfica fizeram, dentro do Estádio, desde o minuto inicial, e, depois, à saída, deveria merecer honras de prime time.
Mas, para estes arautos da liberdade de imprensa, isso não existiu... Ou, melhor... existiu e foi exibido nas televisões estrangeiras, mas não na Sport TV.
Estão a ver porque defendi o que defendi? Só espero que do novo enquadramento não resulte o regresso do velho sistema!
Percebido?

Os 'andrades' que viram 'canelas'
4. Para não nos comerem por parvos, e para que se diga o que se tem que dizer, bem podem fazer matinas (tão católicos que eles são) de petardos, junto do hotel da equipa, colocar tarjas insultuosas durante o jogo ou cuspir para os nossos jogadores.
Ou brindarem-nos, a cada chegada à Invicta, com mimos como «ides sofrer como cães» e com juras de «ódio eterno»... tipo canelas.
Na verdade... não têm vergonha. Nem quem os deixa passear esse ódio, como bem percebem os clubes da zona, com adeptos tão portistas quanto eles.
Só que há métodos e métodos. E quando os exemplos e os incentivos vêm de cima... só a FPF poderá resolver o assunto. Com coragem (e não como a avestruz).
A não ser que prefiram, neste como em outros casos onde as macaquices abundem, a técnica Sport TV. Não mostrando, pode ser que o povo julgue que não existem.
No fundo, serão duas faces da mesma moeda? Ainda acredito que não.

Um empate aos 92
5. Quanto ao jogo, um empate nunca é uma vitória. Por isso, humildade infinita e alma à Benfica para continuar a olhar para a frente! Sem ter medo de nada, porque - recordo sempre Ricardo Costa, ex-Presidente do Conselho Disciplinar da Liga - o principal problema do futebol português é o medo. E, neste mundo de agressividade e de ódio com que nos mimoseiam, ter medo é o princípio do fim.
E quem vai ao Dragão, sem medo, merece tudo. Carrega, Benfica!"

Rui Gomes da Silva, in A Bola

PS: Mais significativo do que não terem mostrado os adeptos do Benfica, foi não terem mostrado uma  única repetição, de uma jogada com o Cervi, ainda na 1.ª parte, dentro da área dos Corruptos... Depois de 'horas' tentando encontrar algum penalty dentro da área do Benfica (tentativa frustrada, diga-se...), o lance com o Cervi foi 'esquecido'!!!! E o problema maior, é que esta manipulação é feita em todas as jornadas...

Ainda o clássico

"Em mosaico:
1. Espectáculo com uma assistência entusiasta e serena, num bonito estádio, talvez aquele em que os planos televisivos sejam os mais conseguidos;
2. Ao que se sabe, não houve grosseiras e ameaças de pancadaria, nem polícia de intervenção na zona das instalações sanitárias dos balneários;
3. A Sport TV conseguiu realizar toda a transmissão do jogo sem focar uma única vez os espectadores afectos ao Benfica, mesmo quando os seus jogadores agradeciam, no fim, o seu apoio. Não fosse o som deles provindo, pensaria que não havia nenhum encarnado lá. Terá sido por razões de poder haver mouros?
4. No melhor pano caí a nódoa: Ederson com notáveis defesas e um golo algo consentido. Os centrais do Porto e Danilo jogando com categoria, mas batidos por Lisandro no meio deles todos;
5. O Benfica que já vai na 27.ª lesão está época(!), fica em 5 dias sem o grande estabilizador da equipa (Fejsa), o melhor agitador (Grimaldo) e Luisão com toda a sua liderança e experiência. Já para não falar em Jonas, Rafa e Jardel. O Porto jogou sem lesionados e, vindo a propósito, o SCP em alarme com a lesão de um único jogador;
6. Depois da derrota no Dragão na época passada à 5.ª jornada, o Benfia venceu 19 dos 21 jogados fora (apenas empatou com o U. Madeira e agora com os dragões). Nesses 21 jogos marcou 48 golos e sofreu apenas 9;
7. Dois jogadores muito jovens mostraram bem o que valem e valerão: Diogo Jota, provavelmente o melhor jogador em Portugal a fazer jogo vertical sem medo, agora que Renato Sanches joga na Alemanha; e Nelson Semedo, um lateral super veloz e com uma perfuração vertiginosa."

Bagão Félix, in A Bola

A inovação e a tencologia

"Domingos Soares Oliveira é, reconhecidamente, um dos gestores mais decisivos no crescimento do Benfica, enquanto empresa portuguesa que faz do futebol um negócio de rentabilidade assinalável.
Na sua participação na famosa Web Summit que inundou Lisboa nos últimos dias, Soares Oliveira falou do segredo que fez o Benfica aumentar as suas receitas cinco vezes nos últimos dez anos: inovação e tecnologia.
Eu acrescentaria uma especial sensibilidade para gerir um grande clube português no universo complexo do futebol, onde as evidências de boa governança de empresas de outros sectores não são, neste caso, tão óbvias e, sobretudo, tão objectivas.
Mas, de facto, o que o competente gestor do Benfica apresentou como base de sucesso da sociedade desportiva não é, sequer, surpreendente. Todas as empresas precisam, hoje em dia, para se modernizarem e para se desenvolverem um quadro muito concorrencial, do mesmo que o Benfica precisou: inovação e tecnologia e sensibilidade a sua área específica.
É, aliás, nessa sensibilidade que reside o segundo maior. Como se um grande chef de cozinha nos desse as suas receitas e as proporções exactas dos ingredientes. Nunca seremos capazes de fazer pratos com a mesma apresentação e como o mesmo sabor.
Há, pois, uma realidade específica do futebol, uma zona ainda mais fechada por ser português e, além disso, ainda uma realidade diferente de cada clube. Felizmente, há mais gestores, inclusive no futebol nacional, capazes de entenderem perfeitamente estas particularidades e de perceberem como elas são essenciais ao sucesso."

Vítor Serpa, in A Bola

Desporto e tecnologia

"Esperava que na feira de ideias que é a Web Summit surgissem as novas propostas para a avaliação em desportos gímicos. Mas não. Talvez por não serem negócios rentáveis, mas também porque a Fujitsu (fundada em 1935 no Japão e ligada à Simens) vem estudando um programa em 3D para avaliação dos exercícios, que tem como termo de comparação uma base de dados dos elementos de cada especialidade. Curiosamente, em simultâneo com a eleição do japonês Watanabe para a FIG, a empresa com «um DNA de constante pesquisa da inovação», explicou-o: é constituído por um sistema de sensores que captam os movimentos em tempo real, atribuem-lhes o respectivo valor e determinam a nota de partida, transmitindo-a aos juízes. Segundo alguns, estes passarão a ser apenas «auditores do sistema» mas eliminam-se erros de apreciação. Será ensaiado em 2017 para ser aplicado ainda antes do JO de Tóquio-2020.
Não posso afirmar se tem sido a ciência que corre atrás das ginásticas, ou estas procuram insistentemente desde que os exercícios se tornaram mais complexos e a competitividade exige maior rigor. Certo é que a FIG sempre tentou, sem sucesso, metodologias que minimizassem os erros cometidos por juízes quer por incapacidade, quer - não o podemos esconder - intencionalmente. Após décadas em que se partiu da honorabilidade e infalibilidade dos júris chegou-se, sem sucesso, à actual grande divisão de tarefas e correcção dos erros durante a competição após comprovação em video, ou - sempre com prejuízo de ginastas - à pública punição de juízes. A dificuldade está em que nestes desportos a técnica nunca foi objecto único de avaliação. Uns mais do que outros têm componentes artísticas muito fortes que máquina alguma pode avaliar na plenitude das exigências. Já começo a ter saudades das ginásticas que procuravam combinar a arte com a beleza e dificuldade dos exercícios, em ligação com a música e muito apelavam à sensibilidade humana. Isso, as máquinas não fazem. Por agora."

Jenny Candeias, in A Bola

Milionários !!!

Benfiquismo (CCLXXXII)

Chegou...!!!

Claras melhorias...

Benfica 31 - 27 ABC
(15-15)

Excelente vitória, com uma grande 2.ª parte... onde o novo reforço, Rakovic, deu boas indicações, a atacar, mas também a defender...
Começamos com alguns erros no ataque, mas a meio da 2.ª parte, passámos para a frente sustentadamente, e subimos claramente o nível...
Nota também para as melhorias do Terzic... se conseguir resolver (ainda) alguns problemas de mobilidade, temos jogador... a potência no remate é indiscutível!!!

Esta vitória ainda tem mais mérito, já que fomos novamente apitados pelos Brother's Martins: 8-2 nas exclusões de 2 minutos... estes nunca deixam de tentar!!!!

Novo filme de terror, com final feliz !!!

Benfica 6 - 5 Turquel
Diogo, Nicolia(2), Rocha(2), Rodrigues

Mais um enorme susto!!! Tem sido praticamente em todos os jogos a mesma história: a poucos minutos do fim (ou segundos) estamos a perder ou empatados... e com muito coração, lá aparece o golo salvador...!!! Já é tempo de acabar com esta brincadeira...

A equipa tem que defender. Não podemos continuar a oferecer golos aos adversários. Estivemos a vencer por 4-1 ainda na 1.ª parte... Permitimos o 4-4, mais por demérito nosso, do que mérito do adversário... Continuamos a 'obrigar' os adversários a disputar o resultado!!!

Pelo meio continuamos a desperdiçar praticamente todos os Livres Directos... e hoje acertámos 5 vezes nos ferros!!!

Uma nota muito infeliz, para o comportamento de vários jogadores do Turquel, alguns com passado ligado ao Benfica (e até com potencial para regressar...) que passaram o jogo todo a simular faltas...

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Derrota na Hungria...

Alba Fehérvár 90 - 71 Benfica
26-20, 18-19, 25-17, 21-15

Tinha alguma esperança para o surpresa hoje, e a primeira parte reforçou as minhas expectativas... mas na 2.ª parte voltámos à 'terra'!!!
Onde se nota uma maior diferença, na Europa, a este nível, é no jogo interior... é verdade que hoje, com a não marcação de faltas nas nossas penetrações, os jogadores 'intimidaram-se' e começaram a exagerar no jogo exterior... mas nas outras partidas, já tínhamos assistido ao mesmo problema!!!
O resultado acaba por ser 'pesado' porque a equipa desistiu nos últimos minutos, e isso pode ser decisivo no apuramento dos melhores 3.ºs... Ganhar ao Bruxelas, na Luz, pode não ser suficiente... muito provavelmente temos que vencer também os Franceses do Chalon, algo que será muito complicado...!!!

92: o acaso no ocaso

"O Benfica foi feliz ao empatar com o Porto. Manteve 5 pontos para os adversários, ainda que o caminho para o tetra continue difícil e longo.
O clássico decorreu (antes, durante e depois) com elevação. Para isso, muito contribuíram os dois treinadores, homens elegantes no trato e sem soberba no temperamento e estilo. Bem como uma excelente arbitragem, à boa maneira inglesa.
O FCP efectuou uma primeira parte de grande nível, perante um Benfica que - como é habitual, mas incompreensível - entre sempre no Dragão muito receoso. Mesmo assim, as boas oportunidades do FCP foram travadas por Ederson e a única do Benfica foi impedida pelo poste. Na segunda parte, depois do excelente golo de Diogo Jota, surgiu um Benfica mais equilibrado e calibrado. Para tal, muito contribuíram as substituições de Vitória e as de Nuno Espírito Santo, habituais quando um treinador quer defender um golo de diferença. O treinador do FCP trocou os 3 melhores jogadores em campo (exaustos, talvez) por defesas e médios defensivos. A consequência foi um deles - Herrera - ter feito um canto infantil e dois dos suplentes do Benfica (Horta e Lisandro) produzirem, com mestria, o golo do empate.
O Benfica teve agora a sorte que, na época passada, não teve na Luz contra o FCP. E expiou o fatídico minuto 92. O de Kelvin e o do Chelsea, entre outros. E também de outros jogos no Dragão em que a vitória do Porto surgiu no fim (o ano passado e em 2006 com o golo aos 92m de Bruno Moraes). Desta vez, foi o Porto a provar o veneno. É difícil, mas o futebol alimenta-se também dos minutos 92. Afinal, ninguém está imune aos acasos no ocaso das partidas."

Bagão Félix, in A Bola

Cadomblé do Vata

"A euforia com que os benfiquistas celebraram o desrespeitoso espezinhamento da memória do minuto 92 no Dragão por parte do Lisandro, tem sido vista pelos nossos mais acérrimos e fiéis detractores, como uma confirmação do abaixamento do nível de exigência por parte dos adeptos do SLB em relação aos objectivos do clube, olvidando eles que tal modo de festejo teve origem nas circunstâncias e não na substância.
Aos olhos dos que nos julgam do outro lado da trincheira, os festejos dos sobreviventes do desastre do Titanic ao pisarem solo americano, foram reveladores de mentalidade pouco exigente, de passageiros que chegaram tarde ao destino e nem protestaram... em nada tiveram a ver com o facto de terem sobrevivido a um desastre antes de alcançarem o outro lado do Grande Charco.
Para que bem entendam o que o SLB alcançou, comparativamente aos sobreviventes do trans-atlântico, sair do Dragão (que é a eterna cruz que o SLB carrega às costas) com um empate, após entrar em campo desfalcado de 5 presumíveis titulares, perdendo ao quarto de hora o capitão e líder, é como alcançar Nova York no Titanic partido ao meio, depois de arrasar com um iceberg. Isto tudo apostando numa postura de "cada catástrofe é uma oportunidade", que é como quem diz "um copo de leite derramado pela manhã, é uma oportunidade de começar o dia a beber vinho sem a mulher poder reclamar".
Cumpre-nos pois, a obrigação de não só aplacar as críticas externas, como também de sublinhar os méritos do responsável por este e outros pequenos milagres, um verdadeiro mestre do escapismo futebolístico, um autêntico Ruidini, que contorna obstáculos com a mesma destreza com que se aborda o sinuoso traçado da Rampa da Falperra… a grande velocidade. Desde que aportou ao SLB, Ruidini já teve que dobrar a desconfiança, vencer a herança, chutar as lesões ou esquecer os castigos. Sair vencedor do jogo da época, perdendo o titular das redes no dia do jogo, discutir uma eliminatória europeia tendo no camarote os dois principais craques ou ostentar 5 pontos de vantagem contabilizando 16 casos clínicos em 4 meses é como ser atirado para um bidon de ácido sulfúrico, acorrentado, todo nú e sair de lá vivo.
Terminando como se começou, com uma palavrinha aos fiéis detractores, desafio-vos a um exercício. Peguem no vosso FCPorto e retirem dele 5 titulares (exercício impossível de realizar com SCP, pois os danos causados por 1 mês sem 1 jogador, retiram qualquer interesse a uma suposição de 4 meses sem 5 atletas). Mas calma, não retirem à vossa escolha… saquem do 11 titular o Marcano (entra Boly). Agora retirem Telles (Layun). Façam o mesmo com Danilo (sei lá… Rúben Neves?). Ainda não acabou, falta o Otávio (Varela ou López, não inventem Brahimi que o NES não gosta dele). Na frente deixo escolher se querem jogar sem Jota ou Silva (Depoitre lá para dentro). Temos pois: Casillas; Maxi, Felipe, Boly e Layun; Neves, Corona, Torres e Varela; Jota e Depoitre (Silva e Depoitre seria demasiado)… apareçam assim na 2ª volta na Luz se faz favor… ah, não se esqueçam: aos 15 minutos sai Felipe e entra Chidozie… Boa Sorte (sim, estão dispensados de utilizar o Herrera)."

Idade das luzes ou das trevas?

"Lisboa é a capital mundial, por estes dias, da tecnologia digital, num megaevento que está a ser coberto por cerca de dois mil jornalistas. Por aqui se intui, imediatamente, relevância planetária desde evento que coloca o nosso Páis no olho do furacão. E com agrado que se constata que uma percentagem altamente significativa das intervenções nacionais no certame estão a cargo de pessoas ligadas ao desporto, particularmente ao futebol. Trata-se de um sinal extremamente positivo de modernidade, urbanidade e desempoeiramento de ideias, susceptível de nos fazer olhar o futuro com optimismo redobrado.
Este é o verso de uma moeda que ainda tem um reverso anacrónico, bafiento e rasteiro, que teve tradução, recentemente, no deplorável incidente no túnel do estádio de Alvalade, logo após o apito final do Sporting-Arouca.
Infelizmente, o futebol português, quando devia seguir o caminho do futuro, da profissionalização, da prossecução de um objectivo comum e da civilidade entre protagonistas, ainda tem recaídas medievais, próprias de uma idade das trevas que teima em persistir e não se deixa erradicar completamente. Estou certo, quando escrevo estas linhas, de que estes retrocessos civilizacionais (vistos há poucos dias em Alvalade mas também, infelizmente presenciados noutros palcos) tenderão a tornar-se cada vez mais raros. Mas, até lá, enquanto os comportamentos não forem voluntariamente adequados, que haja, pelos menos, na justiça, desportiva e não só, a coragem de punir os prevaricadores, na certeza de que os métodos trauliteiros não podem prevalecer e ser vistos como uma fórmula para o sucesso."

José Manuel Delgado, in A Bola