Últimas indefectivações

sexta-feira, 5 de março de 2021

Indústria ou Comércio?


"Sendo o desporto a única actividade mobilizando sem interrupção a atenção dos humanos como nos diz Robert Redeker (1), seria conveniente sabermos – ou tentarmos saber – quais os efeitos que produz na sociedade. Daí o título deste este artigo: é o desporto uma indústria ou um comércio?
Quando, falando sobre o futebol e a pandemia, Aleksander Ceferin, Presidente da UEFA, nos dizia que “para ser honesto, o futebol é provavelmente uma das indústrias mais seguras” («O Jogo», 16.11.2020, p. 40), de imediato nos vem à memória a fábula de Antoine de Bierce (2) intitulada «A ovelha e o leão»: “– Tu és uma besta de guerra – disse a Ovelha ao Leão – e, no entanto, os homens andam sempre a ver se te conseguem apanhar. A mim, uma crente na não-resistência, não me dão caça. – Não precisam – redarguiu o filho do deserto; – podem criar-te.”
Vindo aquela afirmação de quem vem, de imediato se começa a construir dentro de nós, se não analisarmos friamente os conceitos e de um modo crítico, que o desporto actual é uma indústria. Um desporto actual pós-moderno que possui todas as características do desporto moderno, sendo estas acrescidas de exigências sistemáticas de espectáculo, de interacção com os ‘mass media’, com a política e com a economia, da presença do negócio, da técnica, da ciência e do profissionalismo, o qual é regulado por mecanismos jurídicos. 
Vítimas do cartesianismo, dividimos, compartimentamos e tudo classificamos (ou rotulamos!). Quando somos invadidos por termos como sustentabilidade, estabilidade e crescimento, pandemia, confinamento, reinvenção, resiliência, mitigação, novo normal, estado de emergência, ‘lay off’, apoios, linha da frente, restrições, cerco sanitário, desemprego, infectados, internados, casos positivos, casos suspeitos, casos confirmados, casos recuperados, óbitos… o desporto não escapa à banalização da sua classificação. E menos escapa a tentativa de nos fazerem acomodar a certas classificações…
Fernando Seara também alinha por este diapasão («A Bola», 14.02.2021, p. 31) quando afirmava que “por cá, e no nosso futebol, a incerteza é muita, a angústia financeira imensa e a não proteção da indústria bem perturbante.” Tal como Sónia Carneiro quando também nos dizia que dependem da Liga Portuguesa de Futebol Profissional “clubes, jogadores, treinadores, funcionários e toda uma indústria que tem servido de ópio e de dinamizador para uma população portuguesa” («O Jogo», 05.04.2020, p.15) num artigo em que apresenta o futebol como “uma indústria tão importante para a economia do país” e em que apresenta o facto de a mesma estar “a trabalhar no regresso, tão importante que é para esta indústria.” Aliás, foi precisamente Sónia Carneiro («O Jogo», 09.08.2020, p. 19) que nos revelou que o Ministro da Economia e Transição Digital, Pedro Siza Vieira, reconheceu o futebol como indústria na conferência «O Futebol Profissional e a Economia pós-Covid19».
Muito basicamente começaremos por definir «indústria» como qualquer actividade que vise a manipulação e a transformação de uma matéria-prima com vista à obtenção de um produto que seja considerado um bem de consumo e «comércio» como toda e qualquer actividade de troca, logo de compra e venda, de mercadorias ou de produtos.
Será, de facto, o desporto uma indústria? Para o ser necessita de matéria-prima, da sua transformação e da obtenção de um produto.
Quando Jorge Bento (3) nos apresenta a proporção de factores pedagógico-didácticos e lógico-objectivos na configuração da matéria de ensino em Educação Física, apresenta um valor de cerca de 85% para os primeiros e cerca de 15% para os segundos na educação motora no ensino pré-escolar, sendo que os primeiros vão progressivamente diminuindo até se chegar ao ensino secundário e ao ensino superior e os segundos vão proporcionalmente aumentando. Poderemos fazer um ‘transfer’ destes valores para a fase de formação no desporto até se chegar à alta competição, ao rendimento e/ou ao espectáculo. Logo, poderemos considerar que temos aqui numa fase inicial uma matéria-prima que é trabalhada, o formando, transformada mais tarde no produto final – o desportista. Fase que vai desde o início até ao momento em que sensivelmente os factores pedagógico-didácticos e lógico-objectivos se equilibram na ordem dos 50% (após passada a fase de formação, sensivelmente no final da fase de pré-especialização). É o tempo em que as habilidades motoras fundamentais são transformadas em habilidades desportivas. É o tempo em que as potencialidades são transformadas em capacidades, em competências. Portanto, poderemos assim considerar até aqui o desporto, na realidade, como uma indústria. E esta é uma primeira etapa em que os efeitos do desporto se reflectem mais sobre o próprio indivíduo.
E a partir daqui?
A partir daqui entraremos numa etapa em que os efeitos do desporto se reflectem mais sobre a sociedade, influenciando-a no seu aspecto estrutural e económico. Voltando a Redeker (1), “longe de ser um ópio que adormece, o desporto é uma matriz de tipos humanos tanto quanto de tipos de sociedade. Portanto, ele não é um reflexo - segundo a crença de uma sociologia monótona e preguiçosa, o futebol refletirá a sociedade, para o bem e para o mal -, mas o contrário: o desporto estrutura a sociedade, modela-a, força-a a si mesma a parecer-se consigo.” É a face visível do desporto.
E começaremos por recorrer exactamente ao título do artigo de Sónia Carneiro – “Desporto é espetáculo” («O Jogo», 14.07.2021, p. 21). Se o desporto não existe sem movimento, sem jogo, sem agonística, sem projecto e sem instituições (modelo pentadimensional de Gustavo Pires), ele também não existe sem espectáculo.
Começa-se com a ‘sponsorização’ do desportista, entra em funções a publicidade, o ‘marketing’, o ‘merchandising’, os direitos de imagem, as contratações e os salários, as compras e vendas de jogadores, as cláusulas de rescisão, os direitos televisivos, as SAD’s, os investimentos imobiliários… o que vem de imediato demonstrar o fosso existente entre as duas etapas acima referidas.
Interpretar o desporto actual revela-nos que a importância dos resultados é mais económica e política que desportiva e que o lucro constitui a base do seu desenvolvimento, desenvolvimento esse que acaba por gerar novo lucro – é o retorno do investimento –, encontrando-se o corpo do desportista mercantilizado e submetido a uma exploração mecânica e química sendo a saúde humana secundária, com destaque para uma subordinação deste mesmo corpo ao rendimento com uma consequente desvalorização ética, moral e axiológica. E de novo nos vem à lembrança Antoine de Bierce (2): “Um político que assistia a uma sessão da Câmara de Comércio pediu a palavra, mas viu a sua pretensão negada com base na alegação de nada ter a ver com o comércio. – Senhor Presidente – disse um Membro Idoso, levantando-se: – considero a objecção infundada. Este cavalheiro tem uma estreita e íntima relação com o comércio: ele próprio é uma mercadoria.”
O jogador não é mercadoria só ao ser vendido e comprado pelos clubes. Temos de ver mais longe… No final dos jogos, para aplaudir os adeptos, Neymar recebia 375 mil euros… Thiago Silva recebia pelo mesmo 33 mil euros… em 2019. O Bournemouth cobrava 204 euros aos pais de cada criança que entrava em campo de mão dada com um dos jogadores da sua equipa de futebol… o Everton cobrava 790 euros… também em 2019. Exemplos que falam por si!
O desporto actual, na sua máxima expressão, tem de ser encarado como uma actividade económica que não gera nem bens, nem obras, nem cria riqueza – apenas a movimenta em determinados sentidos. Actualmente o desporto não é só consumido pelo espectador em directo: passámos da época do relato radiofónico e do jornal em papel para a época da imagem e, na sociedade actual, o desporto é consumido não só através da TV mas também da ‘internet’. A resposta à pergunta “o que produz um jogador de futebol?” é pertinente. Produz espectáculo (e o consumidor desloca-se ao estádio, paga o seu bilhete, leva a sua camisola que já adquiriu antecipadamente, compra o seu cachecol… ou fica sentado no sofá inundado por diversos estímulos… pagando a electricidade e a ‘internet’ depois de ter adquirido os necessários ‘gadgets’) e produz a necessidade do espectador consumir os produtos cujas imagens absorve subliminarmente e expressas na sua camisola, nos calções, os logos das marcas desportivas, nos painéis do estádio, durante o próprio evento na TV e simultaneamente com o mesmo ou ainda nos anúncios no intervalo da transmissão televisiva.
O espectáculo é um argumento de peso e que tem de ser tido em conta para se classificar o desporto como comércio com todas as consequências inerentes. Já em 1925, Pierre de Coubertin (4) no seu discurso de demissão do Comité Olímpico Internacional pedia para o desporto se pôr em guarda contra o profissionalismo, pois “o organizador de espectáculos tende a corromper o atleta para melhor satisfazer o espectador.” Mas em 1999 Juan Antonio Samaranch (5) solta o seu grito do Ipiranga: “We said ‘yes’ to commercialization (…)”!
Por último, e para darmos resposta à pergunta inicial, uma resposta fundamentada que nos leve a uma verdadeira classificação desta actividade, detenhamo-nos no que nos diz Paul Yonnet (6) e façamos a necessária reflexão: “é o uso do utensílio que faz a classificação da actividade, não o utensílio por si próprio.”"

Fever Pitch - João & David... Inglaterra!

quinta-feira, 4 de março de 2021

Vermelhão: carimbada viagem ao Jamor...

Benfica 2 - 0 Estoril


Jogo com pouca história, um Benfica sempre superior, com os jogadores menos utilizados (a excepção foi o Otamendi e o Pizzi... e o Ody!), mas com poucos golos... Mas com atitude, foi fácil de perceber que muitos jogadores queriam mostrar serviço ao treinador, para serem chamados noutros jogos...

O 'problema' é que daqui para a frente não teremos mais jogos para 'rodar' o plantel, e portanto muitos destes jogadores vão ter poucos minutos, e alguns deles, precisam de jogar para ganhar ritmo, sendo o Gabriel o melhor exemplo...

A Final será só em Maio, falta muito até lá, muita coisa poderá mudar... Segunda-feira com o B Sad, vamos ter um bom teste, contra uma equipa matreira, que gosta de jogar no erro... e provavelmente num péssimo relvado. E nestas duas últimas vitórias, jogámos contra equipas que não se 'fecharam' lá atrás! Este jogo será importante, nem que seja para perceber se os jogadores perceberam a importância da qualificação para a Champions!

Rumo à final


"Estamos a noventa minutos da final da Taça de Portugal, a segunda competição mais prestigiada do panorama competitivo nacional e que, por se disputar por eliminatórias, todos os clubes ambicionam vencer.
O palmarés da prova é elucidativo quanto ao leque, a cada ano, de potenciais vencedores. Somos o clube mais titulado, com 26 conquistas, entre 13 vencedores da competição. Houve ainda outros 12 finalistas. Acrescentando à análise o Campeonato de Portugal (Benfica venceu três vezes), prova predecessora da Taça de Portugal e disputada nos mesmos moldes, o total de vencedores ascende a 16 e são 14 os finalistas que não ergueram o troféu.
Um dos finalistas que nunca se sagraram vencedores é o Estoril Praia, o nosso adversário das meias-finais na presente edição. Curiosamente, essa final, disputada em 1944, tratou-se do primeiro jogo a contar para competições oficiais entre Benfica e Estoril, com a vitória a sorrir para as nossas cores.
Foi a primeira de 73 partidas entre os dois clubes em provas oficiais, sendo que, na Taça de Portugal, realizaram-se sete encontros, com seis vitórias para o Benfica e um empate. Este último, em 2016/17, época da nossa última conquista da prova rainha do futebol português, ocorreu na segunda mão das meias-finais, precisamente como o jogo desta noite (20h15 no Estádio da Luz).
O triunfo, por 1-3, no reduto dos estorilistas, coloca-nos em vantagem para alcançarmos a final, para a qual está já apurado o SC Braga, que ontem eliminou o FC Porto. Porém, seria errado pensar-se que a nossa presença na final, pela 38.ª vez, em maio próximo, já é um dado adquirido.
O Estoril será, por certo, um adversário apostado em contrariar o favoritismo que, muito naturalmente, é atribuído ao Benfica. Jorge Jesus, na conferência de imprensa de antevisão à partida, alertou para o facto de o futebol ser pródigo em surpresas, pelo que importa confirmar, no campo, a passagem à final. O nosso treinador recordou as dificuldades criadas pelo Estoril na primeira mão e elogiou a organização e a qualidade técnica em ataque posicional do oponente. Respeitar o adversário, conforme referiu Jorge Jesus, será fundamental para carimbar o passaporte para a final.
De Todos Um, o Benfica!"

Lanças...

O Cantinho Benfiquista #38 - So, That's What It Feels Like To Win

Porquê?


"O que leva João Pinheiro, que consideramos o melhor árbitro Português, a chamar o árbitro de campo para expulsar o jogador que comete esta falta quando:
1- O avançado não tem o controlo de bola porque o domínio da mesma é deficiente.
2- O domínio de bola é lateralizado.
Porquê?"

Dando porrada na tristeza


"José Adilson dos Santos ganhou alcunha de gorila do desenhos animados: Maguila. Doía-lhe a falta de reconhecimento. Diziam que só batia em fracos. E ele não gostava, claro. Enchia o peito e exclamava: «Sou cabra muito macho!». Deu um livro: Maguila: A Saga de um Cabra-Macho Campeão, de Carlos Alencar. Mereceu-o. José Adilson Rodrigues dos Santos não era de levar desaforo para casa, como gostam de dizer os brasileiro. Ainda criança, em Aracaju, onde nasceu no dia 12 de junho de 1958, arreava forte na miudagem que gostava de se meter com ele por causa do jeito mal formado de braços compridos, mãos batendo quase nos joelhos, peitaça de dar medo e feitio pachola como o personagem dos desenhos animados à qual foi buscar a alcunha, o Gorila Maguila de Hanna Barbera, um macacão que mora na loja de animais de Mr. Peebles e passa o tempo a ser exibido na vitrina. Volta e meia, alguém o compra e leva para casa, mas acaba por devolvê-lo pouco depois, ou porque come demais ou porque é bruto de derreter paciências, não por maldade mas por brutalidade pura e dura.
Era essa a imagem que Maguila, o não gorila, queria dar no ringue. Um bruto desalmado capaz de desfazer quem tivesse o distinto atrevimento de querer combater contra ele. A infância de José em Aracaju foi curta. A família emigrou para São Paulo em busca de trabalho remunerado. A infância de José na vida praticamente não existiu. Era um menino ainda quando arranjou emprego na construção civil, carregando baldes de cimento e vigas de aço como se fossem feitos de penas. Tamanha força deu nas vistas, como não podia deixar de ser. Não tardou a treinar-se em ginásios manhosos onde socava pneus velhos em vez de sacos de areia. Mas pobre também tem direito a ter sorte. E a sorte de Maguila foi ter conhecido Luciano do Valle Queiroz, locutor, apresentador de televisão e empresário. Luciano entregou José nas mãos mágicas de Angelo Dundee, que não satisfeito por ter sido treinador de Mohammad Ali, ensinou uma ou duas coisas a_Sugar Ray Leonard e George Foreman, entre outros. Foi como se tivessem aberto a jaula ao Cabra-Macho.
Há quem diga que Maguila foi o mais carismático de todos os pugilistas brasileiros, Eder_Joffre incluído, e há quem diga que Luciano do Valle construiu a sua carreira em cima de combates contra pugilistas menores e facilmente espancáveis. Este era um argumento que punha Maguila a fumegar pelos ouvidos. Ainda por cima quando lhe era recordado, logo a seguir, que os seus combates mais importantes tinham sido relatados na rádio, em direto, por um tal Luciano do Valle. «Ele não estava lá dentro do ringue, pois não?», perguntava furioso. «Quem estava era eu! E quem derrubou James Quebra Ossos Smith?! E quem deu um naucaute a Daniel Falconi?! Eu ou Luciano? Fui eu. Eu, o Cabra-Macho. Ele só tinha de me arranjar os combates e eu ia lá e combatia...».
Pois, era esse mesmo o problema. Quebra Ossos e Falconi não eram decididamente boxeurs para ficarem na história, nem mesmo pelo caudal de derrotas que foram colecionando. Quebra Ossos Smith foi, com certeza, o adversário mais categorizado que Maguila bateu, mas há que acrescentar que o combate decorreu numa altura em que Smith estava bem mais preocupado com os estudos do que com murros na tromba de um brasileiro façanhudo. Perdeu no ringue mas ganhou um diploma universitário que lhe permitiu vir a ser professor.
José Adilson dos Santos tanto sarrazinou a cabeça de Luciano que conseguiu uma digressão pelos Estados Unidos durante a qual defrontou George Foreman e Evander Holyfield. Apanhou forte e feio, mas saiu feliz por se ter batido com os melhores dos melhores, ultrapassando o mito de que Luciano construíra o seu ranking à custa de combinações com pugilistas de meia-tijela que fazia com que os próprios brasileiros desprezassem os seus títulos de campeão sul-americano e de latino-americano.
«A dor é minha em mim doeu
A culpa é sua o samba é meu», cantava João Gilberto. A dor de Maguila nunca passou. Ficou lá dentro, mastigando-lhe as vísceras, repisando-lhe o cérebro, torturando-o com a falta de reconhecimento a que os compatriotas do devotaram, na sua grande generalidade.
Quando perdeu por KO para Daniel Frank, a 29 de Fevereiro de 2000, decidiu que chegava de apanhar. Luciano, esse, já tinha decidido o mesmo há muito tempo, abandonando-o à sua sorte. José Adilson dedicou-se a ser comentador televisivo. Não de boxe, mas de economia. Em seguida, foi cantor e editou um álbum chamado Vida de Campeão. Não levava jeito por aí além, mas lá foi trauteando:
«Eu vou dar é porrada na tristeza
Aqui com nós não tem tristeza não
Aqui é só alegria
Dei um soco na preguiça
Pra moleza não baixei a guarda
Nocauteei a tristeza/Encarei a minha estrada...».
Depois veio o Alzheimer de esqueceu a letra."

Fever Pitch - João, Miguel & Pedro... Trio!

Fever Pitch - João & Juanjo... Itália!

quarta-feira, 3 de março de 2021

Antevisão...

Prazeres de Benfica para o mundo


"José Prazeres nasceu, casou, viveu e morreu em Benfica. Mas a presença do jogador e seleccionador de hóquei em patins foi global

Filho de lisboetas, foi em 1906 que, na Rua Direita de Benfica (hoje Estrada de Benfica), nasceu José Prazeres. Viria a morrer quase 78 anos depois, na transversal Avenida Gomes Pereira, pouco depois de a sede benfiquista ter sido transferida daí para a baixa lisboeta.
Inscreveu-se como sócio do Clube com o irmão Carlos. Verdadeiro sportsman da primeira metade do século XX, praticou várias modalidades, como atletismo e patinagem. Com a irmã Irene fez dupla no ténis e foi praticante de hóquei em campo, mas foi no hóquei em patins que se destacou.
A sua estreia como 'encarnado' deu-se frente ao Hóquei CP em 13 de Agosto de 1922. Foi o único marcador da partida, 'quando faltavam dois minutos para terminar o jogo (...), a bola desvia-se, e José Prazeres, serenamente, marca a bola que dá o triunfo ao Benfica'.
A segurar o stick, Prazeres ajudou o Clube a ser dez vezes campeão de Lisboa, garantindo sete conquistas consecutivas entre 1925 e 1931, antes da existência do Campeonato Nacional. Entretanto, escrevia para a secção de hóquei do jornal O Sport de Lisboa.
Em Maio de 1930, a Federação Portuguesa de Hóquei escolheu como sua 'primeira embaixada internacional' a equipa campeã do Benfica, para representar Portugal no 5.º Campeonato Europeu de hóquei em patins, em Herne Bay, Inglaterra.
Daí a Chandler's Ford são algumas milhas para oeste. Lá nasceu a 'súbdita inglesa' Delfina Gouveia dos Santos, com quem Prazeres casou em 1933, com as 'portas abertas e franqueadas ao público' na Rua Cláudio Nunes, em Benfica.
Ao capitão do Benfica e da selecção portuguesa a imprensa reconhecia um 'magnífico controlo de bola e esplêndida corrida'. Despediu-se dos rinques em 1939, numa bonita festa organizada pelo Clube.
Nesse ano, durante o Mundial de hóquei em patins, Portugal foi incumbido de realizar a edição de 1940, que se viu adiada devido à II Guerra Mundial. Em 1947, José Prazeres fez parte da comissão organizativa do evento. Mas, mais do que isso, foi com ele como selecionador que Portugal venceu o título de campeão mundial! Repetindo a proeza nas três edições seguintes, Portugal foi tetracampeão europeu e mundial de hóquei em patins em 1950, sob alçada de Prazeres.
No mesmo mês da sua morte, o treinador de hóquei em patins do Benfica, Torcato Ferreira, referiu: 'Trabalhar em profundidade dá-me realmente um certo prazer'. Boa ou má escolha de palavras, a verdade é que trabalhar com Prazeres deu profundidade ao hóquei nacional!
Na área 3 - Orgulho Eclético do Museu Benfica - Cosme Damião pode conhecer mais sobre a história do hóquei em patins 'encarnado'."

Pedro S. Amorim, in O Benfica

Modalidades: Semanada...

O eclipse de Everton Cebolinha


"“O Jorge [Jesus] fez uma pressão fantástica por Everton”, afirmou Luís Filipe Vieira na recente entrevista à BTV. De facto, o extremo brasileiro foi um pedido expresso do técnico desde o primeiro minuto em que este aterrou em Lisboa, e custou aos cofres da Luz cerca de 20 milhões de euros. A sua qualidade é inegável, mas como têm sido os primeiros meses do ex-Grêmio FPA em Portugal? 
Os números de Everton são simples de apresentar: quatro golos e nove assistências em 33 jogos oficiais pelas “águias”. Ainda que tenha contribuído para 13 golos da equipa, os números ficam aquém daquilo que era esperado de um dos maiores craques da passada edição do Brasileirão. Este registo ainda se torna mais preocupante quando se olha para os minutos na presente temporada – 2.331 minutos, cerca de 71′ por jogo.
Por aqui percebe-se que Everton é um dos pilares do esquema de Jorge Jesus e um dos jogadores preferidos do técnico português, mas não tem apresentado a qualidade necessária e as críticas começam a cair sobre ele.
“Porque é que o Everton não está a render no SL Benfica o que rendeu no Brasil?”. Esta é a pergunta que grande parte dos adeptos encarnados faz e que, de facto, não tem uma resposta fácil. É certo que o brasileiro tem tido muitos minutos em cima das pernas e pouco descanso nos últimos meses – quando chegou à Luz já vinha de muitos meses a jogar pelo Grêmio FPA –, mas o próprio estilo de jogo não “bate certo” com aquele visto pelos olheiros do SL Benfica no Brasil.
O um para um, os sucessivos dribles, as explosões na ala esquerda ou até os golos em arco que deixaram muita gente de boca aberta do outro lado do Atlântico desapareceram quase que por completo no jogo do brasileiro.
Pode ser um jogador que precise de alguns meses de adaptação ao futebol europeu, dado que é a sua primeira experiência fora do seu país, mas a questão não parece ser essa.
Este eclipse de “Cebolinha” parece acontecer devido ao que Jorge Jesus pede do atleta: mais ações defensivas, mais calma com a bola nos pés, menos expressividade no seu jogo e manter-se mais aberto em vez de procurar sucessivos movimentos interiores. Quase tudo vai contra o futebol apresentado no Brasileirão e estes podem ser alguns dos pontos que justificam o pouco rendimento na Luz."

O desaparecimento de Odysseas Vlachodimos


"O guardião grego chegou ao SL Benfica na época 2018/2019 depois de ter terminado contrato com o Panathinaikos AO, clube que representou por três temporadas. Depois de uma época para esquecer nas balizas encarnadas, com Bruno Varela e Svilar, Vlachodimos chegou e imediatamente assumiu a titularidade, de forma quase indiscutível. Tanto com Rui Vitória, como já com Bruno Lage, o guardião grego foi-se assumindo como uma das principais figuras da equipa.
Na época passada, mesmo com o falhanço desportivo, Odysseas foi um dos melhores jogadores da equipa. O guardião grego foi, muitas vezes, quem impediu que a equipa das “águias” tivesse perdido mais partidas e somasse ainda menos pontos.
Com a chegada de Jorge Jesus, Vlachodimos não perdeu a titularidade. No entanto, ficou bem visível, ao longo do mercado de transferências, que o agora treinador do SL Benfica desejava um novo guarda redes, o que pode ser um indicativo de que Jesus não é apreciador das características do guardião formado no VB Stuttgart.
Helton Leite acabou por ser o único guardião a chegar, tendo os nomes mais sonantes sido afastados devido às boas exibições de Vlachodimos e, possivelmente, também devido ao falhanço no acesso à Liga dos Campeões.
O guardião germano-helénico foi mantendo a titularidade sem cometer grandes erros, apesar dos maus resultados e dos problemas defensivos da equipa. Pouco a pouco fomos vendo Helton Leite ganhar espaço na equipa. Atualmente, o guardião brasileiro parece ser o titularíssimo da equipa.
A que se deveu este afastamento de Vlachodimos? Se olharmos para as características do camisola 99 das “águias”, vemos que é um guardião de excelência entre os postes. A sair da baliza, apesar de termos assistido a alguns progressos nos últimos meses, continua a ser ainda muito limitado. O jogo de pés do grego também não é o melhor, mas os adeptos benfiquistas ficaram muito mal-habituados neste requisito depois de Oblak e Ederson, dois dos melhores guardiões do mundo a jogar com os pés, terem passado pela Luz.
Já Helton Leite é também um guarda redes com qualidade entre os postes, mas tem muito maior predisposição para sair da baliza e controlar a profundidade. Olhando para a forma como, muitas vezes, as equipas exploram as costas da linha defensiva encarnada e a (falta de) velocidade da dupla de centrais, poderá ter sido por isto que Jorge Jesus tomou a decisão de dar a titularidade a Helton Leite. 
 No entanto, esta visão seria olhar para todas as decisões do futebol de forma tática. Nem sempre é assim. Ninguém acompanha os treinos, logo poderá haver um rendimento fabuloso de Helton Leite, ou uma quebra de Vlachodimos, que faça merecer esta aposta. Não sabemos.
O timing desta decisão provavelmente não foi o melhor, tendo Vlachodimos vindo de uma série de dois jogos sem sofrer golos. É compreensível a suposta frustração do grego.
A baliza do SL Benfica fica bem entregue a Helton Leite? É um guardião com qualidade para cumprir, mas continuo a achar que no plano geral Odysseas Vlachodimos é superior."

Penalidades...


"Factos rápidos:
- O SL Benfica, em 1890 minutos, tem 0 grandes penalidades.
- O FC Porto tem, atualmente, 12 penáltis assinalados, sendo que três foram cometidos por ex-jogadores: Vaná, Ferraresi e Rúben Macedo.
Dos 12 concretizou 9, dos quais destacamos:
a) Otávio marcou um, frente ao Marítimo, que terminou com a vitória do Porto por 1:2.
b) Alex Telles marcou dois, frente ao Braga, que terminou com a vitória do Porto por 3:1.
c) Sérgio Oliveira marcou um, frente ao Boavista, que permitiu ao Porto empatar.
d) Sérgio Oliveira marcou um, em Braga, que acabou com um empate a 2 bolas.

Cinco grandes penalidades convertidas que se traduzem em mais 6 pontos na Liga NOS. Sem esses pontos a classificação seria: 
1- Sporting CP com 55 pontos;
2- SC Braga com 46 pontos;
3- SL Benfica com 42 pontos;
4- FC Porto com 39 pontos
Questionamos:
Se o Porto tivesse 0 penaltis assinalados e o SL Benfica 12 penaltis assinalados onde 5 se traduzissem em mais 6 pontos, teríamos especiais CM sobre《 crise no Porto 》, ou teríamos especiais sobre influência arbitral e escândalos na arbitragem com《 SL Benfica beneficiado 》?"

Proibido !!!


"Saibamos olhar para dentro, mas sem nunca esquecer o poder que nunca o deixou de ser, e que mais uma vez, tem penalizado gravemente o SL Benfica.
É proibido marcar penáltis a favor do SL Benfica?
21 Jogos | 13 Lances | 0 Penáltis
Vejam e partilhem!"

Filhos e Enteados !!!


"O Pai do VAR. O Pai do VAR que só tem filhos em Portugal, Bélgica, Rússia, Polónia e no Japão. O Pai do VAR que na sua página da Wikipédia não tem uma única referência a ser...Pai do VAR. 
https://en.wikipedia.org/wiki/David_Elleray
Pois é, meus amigos, o Pai do VAR é uma figura mitológica criada por Tiago Craveiro e difundida pelo jornal OJOGO e Record para branquear os lances de roubo premeditado a que temos assistido de forma recorrente desde 2017, sempre em favor da escumalha do Calor da Noite e que assim conseguiram ser campeões em dois destes últimos quatro anos.
Perdoa-lhes, Paulinho, que isto é uma vergonha sem fim!"

Não sei exatamente quem fez o quê ou porque o fez a Pizzi, mas peço encarecidamente ao responsável que continue. Pelo Benfica e por nós


"Helton Leite
Na teoria original uma borboleta bate as suas asas no Japão e arma um chavascal nos Estados Unidos. A teoria do caos benfiquista também é bonita: um guarda-redes brasileiro bate as asas numa baliza e impede que o Rio Ave vá para o intervalo a ganhar, e minutos depois um centrocampista de Bragança celebra enraivecido a sua vitória perante os demónios que o atormentam, a ele e a um clube inteiro. Tanto que deixou de parecer caos e pareceu, por momentos, haver alguma ordem. Até dormi melhor, amigos.

Diogo Gonçalves
Nunca se esqueçam disto. Existem registos na internet de pessoas que duvidaram do valor do Kimmich quando ele se estreou no Bayern em 2015. Não estou com isto a dizer que estamos perante um novo Kimmich, mas também não estou a negar essa possibilidade. Neste momento o mais importante é desfrutarmos desta dádiva que é termos um lateral direito que consegue ganhar a linha e fazer cruzamentos. Amanhã logo se vê.

Lucas Veríssimo
Não me parece que Jorge Jesus estivesse a pensar utilizar o novo reforço, que tremeu que nem varas verdes contra o Arsenal. Porém, a vida não é aquilo que queremos. Às vezes é preciso fazer limonada com um Lucas Verdíssimo, antes que nos calhe um Morato em sorte e a limonada azede ainda mais. 

Jardel
A Netflix já comprou os direitos de “90 minutos em campo”, o documentário que retrata o regresso de Jardel aos relvados para um jogo completo frente ao Rio Ave após 437 lesões musculares.

Grimaldo
Já o disse e repito: quase todas as sequências de decisões acertadas no ataque do Benfica envolvem o Grimaldo e espanta-me que algumas celebrações de golo iniciados pelo flanco esquerdo não comecem com uma vénia ao Alejandro. Que a súbita paixão pelo lateral do lado oposto não nos faça esquecer o primeiro amor e as coisas boas que este espanhol nos tem dado.

Weigl
Uma andorinha pode não fazer a primavera, mas este Julian leva-me a acreditar novamente em dias de sol, passarinhos a chilrear, a águia Vitória a planar sobre nós e as bancadas cheias ao fim da tarde, com os raios de sol a entrarem pelos topos da bancada como um remate fulminante do Seferovic a furar as redes. Agora exagerei um bocadinho.

Everton
Este homem tem que começar a gravar aqueles vídeos em que se contabiliza o número de vezes que o craque consegue acertar nos postes ou na trave. Suspeito que temos aqui um novo fenómeno mundial. Mostrou laivos de fenómeno à escala nacional com mais algumas intervenções que desbloquearam o jogo. Fez aquilo que se espera dele, sem tirar nem pôr. Os americanos têm uma expressão para estas circunstâncias: fucking finally!

Taarabt
Alguma profundidade no passe, poucas intervenções causadoras de taquicardia, e talvez demasiada fé em Seferovic na questão do último passe. A sua intenção é sempre boa, mas saiu mesmo a tempo.

Rafa
Não era a noite dele, por isso permitam-me usar este espacinho que devia ser dedicado ao Rafa para falar sobre ele e sobre os restantes. Alguém me explica poor que raio é que esta gente não tem energia e indignação para rodear o árbitro e pedir penáltis quando os nossos jogadores caem na área? Levamos amarelos semanalmente porque o Taarabt tem uma espécie de reação involuntária com os braços, mas temos medo de ser penalizados pelo árbitro porque exigimos um mísero penálti neste campeonato? Vejam lá isso, rapazes.

Waldschmidt
Que ele tem pezinhos ninguém discute, mas parece faltar-lhe aquilo a que na gíria futebolística se chama tesão. O dicionário define o termo como intensidade, força, ímpeto ou ereção do pénis. Bastam as três primeiras qualidades para ser titular do Benfica.

Seferovic
Por um lado temos que lhe agradecer porque foi ele que desbloqueou o empate. Por outro, temos que o insultar com gentileza já que o empate permaneceu enquanto ele foi falhando golos. É quase sempre assim com o nosso amigo, mas um gajo difcilmente se habitua. É que isto é o Benfica, Haris.

Pizzi
Não sei exatamente o quê, quem ou porque é que ele celebrou o golo com tamanha irritação, mas peço encarecidamente ao responsável que continue. Pelo Benfica e pelo próprio Pizzi, que precisava daquele momento como de um abraço do Rui. Não está sozinho. Andamos todos a precisar de um abraço depois do que se tem visto esta época.

Chiquinho
Entrou com ganas de aparecer na frente em zonas de decisão. No final o Rui Costa disse-lhe que gostou do que viu, mas que se quiser um abraço basta pedir.

Cervi
Desta vez jogou um quarto de hora. O mister lá reparou o relógio.

Gilberto
Cumpriu com o profissionalismo de quem sabe que está a uns meses de ver o André Almeida regressar e começar à procura de clube no Brasil. Até lá, força Gilberto!

Gabriel
Por esta altura já eu abria uma garrafa de vinho para celebrar, não ainda a vitória, mas o simples facto de termos uma vantagem de dois golos a 5 minutos do final. A vida são dois dias e o Benfica não ganha sempre. Celebremos enquanto cá estamos, se possível na frente do marcador."

O Cantinho Benfiquista #37 - Finalmente Uma Vitória