Últimas indefectivações

terça-feira, 30 de abril de 2019

Disposição psicológica

"O jogo alterou-se sem que se alterassem os dispositivos tácticos ou a composição das equipas

Ponto prévio
1. Seria inevitável olhar para este jogo não o enquadrando na renhida disputa entre os dois clubes que, alternadamente, nas últimas décadas, são os crónicos vencedores da mais importante prova portuguesa. Perante o SC Braga - clube que apresenta o mais acentuado crescimento e aproximação aos três grandes e que na ponta final de mais uma época positiva luta por uma posição no pódio - a dúvida assentava na capacidade e competência que o Benfica teria ou não para aproveitar o deslize do FC Porto e transformar uma igualdade pontual numa vantagem que, não sendo decisiva, se constituiria como uma almofada muito importante no plano anímico para as últimas jornadas e determinante para as contas finais.

Fidelidade aos modelos e dinâmicas
2. O Benfica apresentou-se igual a si mesmo na fase Bruno Lage, num modelo, dinâmica e composição do onze sem alterações de fundo a registar-se. O SC Braga surgiu com a particularidade da colocação de Franségico como segundo atacante, o que denunciava alguma preocupação na tentativa de dar maior robustez e fecho no espaço interior, mas o mesmo 4x4x2 que no movimento se transformava num 3x4x3 pela projecção de Murilo pela esquerda e pelo fecho do espaço interior e maior contenção por parte de Esgaio, devendo ainda acrescentar-se a nuance do jogo interior de Ricardo Horta, da esquerda para dentro.

Ousadia e risco do SC Braga
3. O SC Braga chegou ao golo após fase de grande pressão e forte reacção à perda de bola, com o bloco relativamente adiantado, expondo-se ao excelente jogo em profundidade típico do Benfica, sem no entanto o permitir. Uma primeira parte com ascendente do SC Braga, com melhor controlo de qualquer um dos tempos de jogo e por isso com uma vantagem justa ao intervalo.

Mil vezes visto
4. Perante a previsível reacção do Benfica, o SC Braga, de forma voluntária ou inconscientemente, cedeu, baixando o bloco e expondo-se ao jogo em posse no qual o Benfica é também muito forte, permitindo uma sucessão de lances no seu terço defensivo, o que levou num primeiro momento ao empate e posteriormente a versão vincada do resultado. Nota para a importância das bolas paradas: três dos quatro golos do Benfica obtidos por esse meio.

Mudança de atitude
5. Sem alterar o dispositivo táctico ou a composição do individual dos colectivos, a mudança de atitude e disposição psicológica de cada uma das equipas foi, em minha opinião, um factor determinante, que por um lado levou à perda do controlo do jogo por parte do SC Braga e por outro permitiu ao Benfica reafirmar-se como a equipa que melhor futebol apresenta de momento e que conseguiu ontem um importantíssimo resultado no caminho para o título nacional."

Manuel Machado, in A Bola

Benfica mais perto do sonho impossível

"O Benfica está agora mais perto de destronar o FC Porto no título do campeão nacional e chegar a um sonho que chegou a parecer impossível. Estamos a três jornadas do fim do campeonato e a equipa de Bruno Lage tem dois pontos de folga em relação aos portistas, o que significa que ainda pode consentir um empate, mesmo que o FC Porto consiga vencer todos os jogos que lhe faltam, o último dos quais no clássico frente ao Sporting.
Não é uma margem ampla, muito menos impossível de anular, mas, nesta fase decisiva da prova, é, de facto, uma margem confortável, tanto mais que nesta jornada em que o maior peso parecia estar em cima dos ombros dos homens da Luz, foi o FC Porto quem inesperadamente tropeçou, num jogo em que esteve a vencer por dois golos e acabou por consentir o empate nos últimos minutos. O resultado foi recebido pelos Super Dragões como um crime de alta traição e foi penoso ver toda a equipa portista, incluindo o treinador, no final, alinhada em frente aos seus furiosos adeptos, ouvindo, com um estranho respeito reverencial, impropérios, acusações, vexames.
Foram imagens que não terão deixado de empolgar mais os benfiquistas, conscientes de que o jogo de Braga poderia ser decisivo. Uma força anímica extra, vinda, precisamente, de quem menos se esperava: o rival maior.
Não há, porém, campeões antecipados. O Benfica vai continuar a ter de fazer pela vida para chegar ao almejado título, mas o FC Porto ainda vai ter de ultrapassar a ultraje sofrido, que foi visto por todo o país, fazer o seu trabalho sem mais acidentes de percurso e ainda esperar por uma improvável derrota benfiquista."

Vítor Serpa, in A Bola

A verdadeira Cartilha !!!

"A estratégia da Cartilha da Torre das Antas é muito simples. Através de um jogo, à semelhança do que aconteceu em Santa Maria da Feira, em que simplesmente os lances foram correctamente assinalados a favor do SL Benfica, criar falsas narrativas com objectivos claros:
1. Passar a ideia que o FC Porto empatou em Vila do Conde e o SL Benfica ganhou em Braga apenas devido às arbitragens, quando nem uma coisa nem outra, corresponde minimamente à verdade dos factos.
2. A verdade dos factos é que desde que Bruno Lage assumiu o comando são: 16 jogos | 15 vitórias | 1 empate | 0 derrotas | 60 golos marcados | 12 golos sofridos. E no jogo de Braga, após uma 1parte irreconhecível, a equipa reagiu com enorme categoria;
3. Caso o SL Benfica seja Campeão, criar a ideia/narrativa, com base na manipulação e mentira, que o mesmo apenas aconteceu devido ao Penalty de João Félix e jogo de Braga, o que se afigura meramente caricato, tendo em conta aquilo que é esta Liga da VARgonha;
4. Escamotear aquilo que é uma das épocas mais vergonhosas de sempre no futebol português e que faz com que o #portoacolo esteja na luta pelo titulo, apenas e só, por benefícios constantes dos árbitros e/ou VAR. São 10pontos a mais do que devia;
5. Mais importante, condicionar (ainda mais), todo o sistema que controlam a bel-prazer para as últimas 3 jornadas. Não tenhamos ilusões a esse nível. Este campeonato está muito longe de estar ganho. Tudo vai valer e só mantendo a concentração, foco e ambição será possível conquistar o tão ambicionado 37."

1.º Amarelo ao Félix...



"Nota-se que o desespero é enorme quando se vê cartilhados do FC Porto a pedirem a expulsão de João Felix. Vejamos então como foi o primeiro amarelo... é preciso dizer mais alguma coisa? Não vão conseguir calar a verdade!"

Desmontando a Cartilha...



"Quando se vê comentadores todos ao mesmo tempo a dizer que o 2º penalty, não é penalty, isso tem um nome - Cartilha. Onde estava a cartilha nestes lances? Ficamos a aguardar a análise dos ilustres avençados do FC Porto."

Prova inequívoca (II)...



"Eu só desejo é que os mentirosos e orquestradores da mais recente campanha comunicacional contra o Benfica sentissem nas canelas o pontapé que o João Félix levou antes de cair. Depois podiam perguntar-se: doeu? É suficiente para cair? Com tempo, até eu me oferecia para lhes proporcionar a experiência. Garantia-lhes a queda! Carrega, Benfica!"

Prova inequívoca...



"É uma chatice quando as imagens não comprovam a narrativa que queremos espalhar na onda do anti-benfiquismo primário das redes sociais e comunicação social. Aquele senhor de nome Miguel Guedes, blind no futebol e zero na música, foi o primeiro a vir com a narrativa do primeiro penalti em Braga não ter existido. Azar do caraças, ó cego zero. O toque no pé é evidente nesta imagem que a Sporttv passou no final do jogo ampliada no Juízo Final.
Que este vídeo possa ser difundido por todo o lado de modo a que esta narrativa morra à nascença, contra a vontade daqueles que querem fazer passar a imagem de benefício ao Benfica. E isto num campeonato com os roubos que fazem com que a classificação esteja adulterada em mais 10 pontos para o Calor da Noite.
Deve ser a palavra que mais repetimos mas vamos continuar a repeti-la até se ganhar alguma noção: tenham Vergonha! 

P.S.- Uma nota para Luis Freitas Lobo: amigo, és absolutamente doente, seu andrade incorrígivel!"

O caminho para Vigo...

"A equipa do Polvo das Antas pede reunião de urgência com todos os portugueses e estrangeiros.
Em causa está a desonestidade, o descaramento, a indecência, a imoralidade, as habituais tácticas de pressão e coação e as habituais tácticas de cartilha procedentes do Papa da Corrupção, de forma a condicionarem sistematicamente equipas de arbitragem, transformando lances legais em lances ilegais - quando se trata do Benfica - através das peças que movimentam nas redes sociais e na Comunicação Social.
Querem continuar a utilizar as tácticas consuetudinárias, manipuladoras e pérfidas que têm utilizado, então continuem. Mas desta vez não vão para o campo de batalha com as pessoas que se deixam influenciar pelas vossas fraudes. Desta vez vão para o campo de batalha com a nossa equipa. 
Veremos quem acabará a fugir para Vigo."

Ausência de moral...

"Parece que o Calor da Noite quer uma reunião de urgência com Fernando Gomes e Fontelas Gomes. Este era o fim de semana em que estava preparado o grande golpe. O empate patético em Vila do Conde e a forma como o concederam estragaram-lhes os planos. Agora só pensam em árbitros e em roubar o mais possível para inverterem ainda o rumo natural das coisas. Não conseguem raciocinar doutra forma para saírem do pesadelo deste fim de semana porque não têm argumentos para o fazer depois de um campeonato em que têm mais 10 pontos do que os que deviam efectivamente ter!
A nossa resposta é dada pela Chama Imensa:
"Que moral tem um clube em falar de erros de arbitragem, num jogo em Braga que ganhamos 4-1, semanas após terem ido a Braga ganhar com 2 penaltis a favor assinalado (um deles muito similar, e que eu considerei existir), um penalti por marcar contra, um jogador por expulsar logo aos 20 minutos,...
Que moral tem um clube em falar de erros na Vila da Feira depois de ter ganho dois jogos a esse clube com golos irregulares (um em fora de jogo claro).
Que moral tem um clube em falar de arbitragens quando é o clube que este ano ainda não viu um jogador expulso, contra 5 do Benfica (segundo nessa estatística), quando é de longe o clube com mais pontos conquistados graças a erros de arbitragem. Que moral tem um clube em falar de VAR quando em 4 golos que marcou ao Benfica 3 deviam ter sido anulados pelo VAR, que por sua vez anulou mal um golo ao Benfica que nos daria o empate no único jogo que nos ganharam este ano, quando são o clube com mais decisões favoráveis do VAR, tão favoráveis que até validam golos irregulares que tinham sido bem anulados pelo árbitro assistente em primeira instância, que até desligam o VAR só para que não possam ajuizar lances de fora de jogo de 1 metro.
Que moral tem um clube sequer em falar em árbitros, quando fizeram durante mais de 40 anos tudo para associar esse termo a sinónimo de ladrão, com calores da noite, viagens para o Brasil, cafezinho com leite, fruta de dormir, quinhentinhos, etc, etc.. Que moral tem esse clube em apontar nomes de árbitros, quando temos Capela que em dois jogos contra o Benfica “roubou” 4 pontos, num desses escamoteando pelo menos dois penaltis, mas que depois na semana seguinte expulsa mal um jogador aos 8 minutos para que o Porto não se canse muito. E já nem vou falar de Xistra e Veríssimo SA.
Que moral tem um clube falar em coação aos árbitros, quando a juntar-se a estes ataques que faz há 5 anos, ou sempre que perde, vemos um presidente a dirigir-se ao balneário do árbitro depois de empatar, um dirigente avisar o árbitro que vai descer, e ele desce, a sua claque a visitar centros de estágios de árbitros, os seus negócios particulares e ameaça-lós de morte,...
Que moral tem um clube em falar de tráfico de influências quando a maioria dos seus jogos e do Benfica são apitados por árbitros da sua associação, quando a maioria dos elementos na Federação e Liga estão lá por sua interpolação, com resultados à vista quando comparamos os castigos de um e de outros, quando tem familiares de dirigentes a administrar pastelarias de árbitros no activo..."
Uma última nota: não há mínimas condições para qualquer árbitro Português apitar as últimas 3 jornadas de Benfica e Calor da Noite face a esta coação e condicionamento premeditado e deliberado levado a cabo sem olhar a meios pelo Calor da Noite. Chega disto! Árbitros estrangeiros já! Para ontem!"

Catanado?!!!

"Mor Ndiaye, médio senegalês da equipa de sub-19 do FC Porto, renovou contrato até 2022. Diz o FC Porto que o "jovem" tem apenas 18 anos. Mas será que tem mesmo, ou será mais um esquema à FC Porto?
Após uma investigação, deparámo-nos com um comentário engraçado relativo à notícia avançada pela Galsenfoot.com.
Diz Khadija Cissokho que foi colega de trabalho dele e que estudaram juntos. Quando eles trabalhavam juntos, ele jogava futebol e ela achava que ele era maluco.
Ora... Khadija Cissokho é neste momento casada. Khadija Cissokho também frequentou a universidade de Cheikh Anta Diop e, supostamente, nasceu em 1992.
Posto isto, acreditam mesmo que Mor Ndiaye tem apenas 18 anos? Um "pouco curto", tendo em conta que foi colega de trabalho de Khadija Cissokho e frequentaram a mesma turma.
Casos semelhantes surgem anualmente, e isto não é novo. Já anteriormente o "The Guardian" avançou com um artigo sobre este assunto, juntamente com o blogue medium.com.
Para complementar a investigação e porque achamos que estes artigos estão bastante completos, façam favor de os ler: 
Que fique bastante claro que nós Não Estamos a dizer que ele tem ou não tem 18 anos, estamos a pedir que se investigue.
Que a Federação Portuguesa de Futebol e/ou a Polícia Judiciária sigam o rasto e investiguem. É o que pedimos."

A desconfiança como boa conselheira

"Pegue-se no exemplo de Guardiola e perceba-se o que falhou no FC Porto. Nesta altura do campeonato não há jogos fáceis...

Os jogos da fase final dos campeonatos são sempre muito diferentes dos outros. Todas as partidas devem ser vistas com inúmeros cuidados e só os tolos é que podem pensar em facilidades quando se chega a esta altura das Ligas. Torne-se por exemplo aquilo que aconteceu ontem em Burnley, onde o Manchester City, que disputa, palmo a palmo, a Premier League com o Liverpool, venceu por 1-0 depois de muito sofrimento. Para se ter uma ideia da dificuldade destes derradeiros jogos da época, veja-se com atenção as opções de Guardiola, pai do tiki-taka e tio do jogo bonito, nos últimos quinze minutos em Burnley. Pep Guardiola não teve complexos em mostrar a sua faceta assumidamente pragmática e tirou do jogo Sterling e Aguero, dois avançados, que substituiu por dois defesas, Stones e Otamendi. O mais importante, naquele momento, para Guardiola, era preservar a magra vantagem que lhe assegurava três pontos que são sinónimo de liderança. Quem quer ser campeão tem de estar alerta e desconfiado, nunca fazendo como Mofina Mendes, sob pena de acabar a chorar sobre o leite derramado.
O que aconteceu ao FC Porto, em Vila do Conde foi um acidente de percurso, é certo, face ao que o jogo tinha mostrado, mas só foi possível pelo visível relaxamento da equipa da Sérgio Conceição, quando os jogadores pensaram que o duelo estava ganho.
Já o Benfica, em Braga, entrou desconfortável no jogo e nunca se entendeu com a pressão alta dos arsenalistas. Na primeira parte, a equipa de Bruno Lage mostrou-se inibida, retraída e a acusar demasiado a responsabilidade de não desperdiçar a ajuda dada dois dias antes pelos dragões.
No segundo tempo, o que mudou? O Benfica soltou-se e começou a ganhar ritmo e confiança. Porquê? Essencialmente porque o SC Braga gastou demasiados cartuchos, do ponto de vista físico, nos primeiros 45 minutos. Era virtualmente impossível que os minhotos aguentassem a metade complementar com a mesma disponibilidade e, quando, por falta de oxigénio, passaram a marcar apenas à zona, o Benfica teve finalmente hipótese de colocar no relvado o futebol versátil que tem sido a grande imagem de marcar de era Bruno Lage.
Com a vitória de ontem o Benfica já é campeão? Nem por sombras. Quem dormir na forma sujeita-se. Não é FC Porto?

Ás
Rafa
A adaptação do internacional português ao Benfica foi demorada mas acabou por dar certo. Ontem, em Braga, a segunda parte do velocíssimo jogador foi decisiva para o triunfo encarnado e o golo que marcou, após estonteante slalon, fica não só para o álbum de recordações de Rafa mas também da disputadíssima I Liga de 2018/2019.

Ás
Sérgio Vieira / Carlos Pinto
O Famalicão, propulsionado pelo combustível financeiro dos investidores israelitas que também são donos do Atl. Madrid, está de regresso à I Divisão, após longa ausência do convívio dos maiores. Sérgio Vieira e Carlos Pinto, os treinadores que lideram, à vez, esta gesta famalicence, merecem o nosso aplauso.
(...)

'El Loco' Bielsa deixa marca no país do 'fair play'
«Devolcemos o golo (ao Aston Villa). Os factos foram os que estiveram à vista. Mas isto não deve ser novidade, estamos em Inglaterra?
Marcelo Bielsa, treinador do Leeds
O Leeds, num jogo que não era a feijões, marcou um golo à revelia do fair play ao Aston Villa. Marcelo Bielsa, conhecido por el loco, não gostou de ver a sua equipa em vantagem daquela forma e mandou abrir a baliza, permitindo o empate dos Villains. Uma  decisão para a eternidade do futebol e um debate sem fim que se adivinha entre os puristas e os pragmáticos do planeta Bola.

CR600 de olhos postos na história
O golo de Cristiano Ronaldo, que salvou a Juve da derrota em Milão, foi o 60.º do craque madeirense em campeonatos nacionais. A estes devemos somar os 85 que facturou de quinas ao peito, o que nos dá um número que faz sonhar com o lugar mais alto do pódio dos marcadores universais quando decidir arrumar as chuteiras. Ás!
(...)"

José Manuel Delgado, in A Bola

Benfica After 90: Match Day 31

Nas bancadas de Braga...

Plano a plano – A marca de Lage

"«decido em função do que precisamos para um jogo específico… se preciso de qualidades específicas para um jogo ou para outro…
…ele volta para trás um pouco mais rápido, tem personalidade para jogar em Old Trafford… jogou 25 derbys… [porquê Kompany quando Otamendi tinha estado muito bem]
Quando há muitas bolas longas frontais, prefiro o Nico e o Kompany porque são muito fortes, mas quando preciso de melhor construção… depende … as vezes quando jogam muito altos preciso do Sané… quando defendem muito baixo, preciso do David Silva… depende das qualidades dos jogadores… do que vejo dos treinos… do estado mental…»
Pep Guardiola sobre as escolhas para cada jogo

O jogo e o maximizar de possibilidades para o vencer está em permanente mutação, e hoje mais do que nunca é a era do plano de jogo, da minuciosidade, da preparação estratégica de cada partida. 
Bruno Lage entrou na equipa principal do Benfica com o campeonato praticamente perdido. Era o atraso de sete pontos, e um calendário com visitas ao FC Porto, Sporting, Braga, Guimarães e Moreirense [top 6].
Quem honestamente acreditaria em 15 pontos e num 15 – 4 nestes jogos? É que qualquer deslize para quem levava 7 de atraso era o fim.
Há algum tempo atrás, antes de chegar ao Benfica, o treinador partilhou connosco a semana de trabalho do Sheffield Wed liderado por Carlos Carvalhal, e já ai se percebia o passo à frente que era o seu trabalho. A correcção e o trabalho do seu modelo, e a minuciosidade no plano de jogo, trabalhando também do ponto de vista estratégico a preparação de cada partida.
Quando chegou à equipa principal do Benfica, não teria sequer outro caminho. Com uma desvantagem gigantesca na classificação não restaria mesmo mais nada que não o “jogo a jogo” como tantas vezes vem afirmando.
Quinze vitórias em dezasseis jogos, sessenta golos (quase quatro por jogo) contra doze sofridos, é um registo incrível, sobretudo se pensarmos que três das actuais mais valias da equipa foram por si “inventadas”. Não leve à letra a palavra invenção para Felix, Ferro e Florentino, mas quem teria a coragem de paulatinamente soltar os miúdos enquanto alguns pesos pesados foram perdendo espaço? E tudo de forma tão bem pensada e enquadrada que não chegou sequer para ferir egos.
Do modelo, à preparação estratégica, passando pela liderança e processo de treino (no que é possível observar), Lage revolucionou o futebol do Benfica e poderá vir a colher os louros de um campeonato que esteve perdido.
Organização Defensiva do Benfica, com o pormenor que Abel revelou: Deixa Rafa mais “desligado” da linha (mais adiantado), para poder ser mais perigoso na Transição Ofensiva
Uma das Transições Ofensivas – Rafa a receber mais adiantado é sinal de maior desequilíbrio e consequente mais vantagem numérica. Seferovic movimenta-se bem, mas é um desastre em tudo o que envolva tocar na bola. Quanto tem o Benfica de criar para suprir a inabilidade do seu avançado?"

Rafa Silva a dar motas para o título


"O título de campeão em Portugal está ainda longe de estar entregue. Embora os clubes grandes tenham uma percentagem de vitórias dos seus jogos muito elevada, o perigo está sempre à espreita quando a vantagem é tão curta.
Se cair para o lado dos encarnados, é impossível ignorar o papel de Rafa Silva na época do Benfica, sobretudo nos últimos três meses da temporada.
Rafa continua a ser mais potencial que rendimento, mas é hoje mais rendimento do que outrora (usando a camisola encarnada do Benfica).
Em Braga deu motas em toda a gente e criou! Mas, também deu a perceber porque ainda tem mais potencial do que rendimento."

segunda-feira, 29 de abril de 2019

A três passos do 37

"O Benfica saiu de Braga com mais três pontos e mais líder. O resultado final dá a entender que foi um jogo tranquilo, mas não foi isso que se passou na Pedreira.
O Braga entrou em campo dominador e para além de não ter deixado o Benfica jogar, chegava com facilidade ao último reduto adversário. Acho mesmo que houve total mérito dos arsenalistas, ou seja, por mais que o Benfica tentasse, foi a estratégia de Abel que se sobrepôs à de Lage. O meio-campo bracarense foi sempre mais capaz, táctica e fisicamente. Samaris e Florentino, dois dos jogadores que mais se têm destacado, não conseguiram travar as investidas de Fransérgio, o jogador que mais impressionou pelos de Braga na primeira parte, a par de Paulinho, que foi uma carraça autêntica junto dos centrais benfiquistas. Foi numa investida fulgurante de Fransérgio, com alguma ingenuidade de Florentino à mistura, que surgiu o primeiro golo e o primeiro penálti. O brasileiro, embalado deste o meio-campo, só foi parado pela incrível precipitação de Rúben Dias. Assim, ao minuto 35, Wilson Eduardo não perdoou e fez o 1-0.
A primeira parte acabou sem que o Benfica tivesse feito um único remate à baliza de Tiago Sá. Pouco se viu Pizzi, Félix e Seferovic. Rafa foi dos poucos que tentou fazer algo de diferente no ataque, mas a concentração defensiva do Braga foi sempre superior. O Benfica teria de fazer muito mais e de ter uma atitude muito diferente na segunda parte. Pois bem, tivemos isso e muito mais.
Os milhares de benfiquistas nas bancadas foram intratáveis no apoio à equipa e não tenho dúvidas de que a entrada dos jogadores no segundo tempo teve muito a ver com a paixão palpável que saía das bancadas. Lage sabe, e tem vindo a mostrá-lo, que a força deste clube passa pela sua massa adepta e de certeza que voltou a passar ir aos jogadores durante o intervalo. A juntar a isso, as correcções tácticas não podiam ter resultado melhor. Aliás, não foi primeira vez que a leitura de jogo do nosso timoneiro foi posta à prova.
A equipa só poderia ter entrado daquela forma: pressionante, assertiva, sabendo ter bola e sabendo fechar as linhas de passe ao Braga. O Benfica mostrou-se primeiro aos 48', num livre de Grimaldo, e depois aos 52', com um remate ao poste de João Félix, na sequência de uma bela jogada de entendimento. Com o passar dos minutos, tornou-se evidente a superioridade do Benfica. Ao contrário do primeiro tempo, Samaris e Florentino acertaram posições e foram dominantes. Pizzi pegou no jogo e Félix e Seferovic esticaram-no, criando espaços no meio. Foi aos 59 minutos que apareceu o empate, marcou Pizzi de penálti, após falta de Esgaio sobre Félix. Igualdade merecida e a busca pela vitória não descansou. Aos 66', mais um penálti e mais um golo para Pizzi, desta feita depois de uma mão de Bruno Viana.
Estava completada a reviravolta, mas o descanso só chegou quando o rei das assistências do campeonato, o nosso comandante Pizzi, bateu um canto perfeito para a entrada fulgurante de Rúben Dias, que de cabeça fez o 1-3 e fez também explodir de alegria e alívio todos os que, de uma forma ou de outra, assistiam ao jogo. Uma das armas de Lage têm sido as bolas paradas e ontem tivemos outro exemplo disso.
Apesar do Braga ainda ter assustado por intermédio de Dyego Sousa, o jogo estava nas mãos certas. Estava nas mãos de uma equipa que tem lutado com todas as forças pelo campeonato e estava nas mãos de todos nós. E o jogo ficou fechado a sete chaves quando Rafa, depois de um falhanço de Seferovic, decidiu fintar a defesa do Braga e fazer o 1-4 com tremenda classe e astúcia.
O Benfica é mais líder. Tem dois pontos de vantagem quando faltam apenas três jogos para o fim. Tem vantagem, sim, mas são três partidas para encarar com determinação e com uma única intenção: Vencer!
Segue-se o Portimonense na Luz. Escusado será dizer que a equipa precisa de um estádio esgotado e vibrante. O apoio nestas últimas etapas terá de ser transcendente, assim como o desejo de vitória."

Benfica dreht wieder erst im zweiten Durchgang auf

"Am 31. Spieltag der Liga NOS stand für Benfica mit der Begegnung beim Tabellenvierten SC Braga ein echter Härtetest auf dem Spielplan. Die mit Spannung erwartete Partie im Städtischen Stadion von Braga bekam am Freitagabend noch zusätzlichen Reiz, nachdem der FC Porto bei Rio Ave einen 2:0-Vorsprung aus der Hand gegeben und in den letzten fünf Minuten noch zwei Treffer kassiert hatte. Durch das überraschende Unentschieden bot sich den Adlern die Chance, ihren Vorsprung auf die Nordportugiesen mit einem Sieg in Braga auf zwei Punkte auszubauen.
Vor 24.000 Zuschauern, von denen es wohl die Hälfte mit dem Rekordmeister hielt, waren die Gastgeber in der ersten Halbzeit klar spielbestimmend. Benfica agierte über weite Strecken ideenlos. Die Quittung für einen bis dahin reichlich uninspirierten Auftritt folgte nach 34 Minuten. Fransérgio umkurvte bei einem Sololauf gleich mehrere interessiert zuschauende Gegenspieler und wurde erst im Strafraum durch ein Foul von Rúben Dias gestoppt. Wilson verwandelte den Elfmeter zum verdienten Führungstreffer der Hausherren.
Wie schon am letzten Spieltag gegen Marítimo zeigte Benfica nach dem Seitenwechseln ein völlig anderes Gesicht. Eine knappe Viertelstunde war gespielt, als João Félix im Strafraum gelegt wurde, Pizzi traf vom Elfmeterpunkt zum Ausgleich. Nur sieben Minuten später lag der Ball zum dritten Mal an diesem späten Sonntagnachmittag auf dem Elfmeterpunkt. Nach einem Handspiel übernahm wieder Pizzi die Verantwortung und verwandelte den Strafstoß ebenso sicher wie schon zuvor.
Statt den knappen Vorsprung zu verteidigen, setzte Benfica gegen einen jetzt angeschlagenen Gegner weiter auf Angriff. Nur drei Minuten nach dem Führungstreffer erzielte Rúben Dias nach einer Ecke von Pizzi aus sechs Metern Entfernung per Kopf das 3:1. Die Gastgeber hatten dem Sturmlauf der Adler in der Folge nur noch wenig entgegenzusetzen. Der Tabellenführer vergab eine Reihe guter Gelegenheiten, ehe sich Rafa in der letzten Minute der regulären Spielzeit durch den Strafraum dribbelte und mit dem 4:1 den Schlusspunkt hinter eine bärenstarke zweite Halbzeit von Benfica setzte.
Drei Spieltage vor dem Saisonende hat die Mannschaft von Coach Bruno Lage nunmehr zwei Zähler Vorsprung auf den FC Porto. Da in Portugal bei Punktgleichheit zunächst der direkte Vergleich zählt, benötigt Benfica aus den verbleibenden Begegnungen noch sieben Zähler zur „Reconquista“ des Meistertitels. Weiter geht es am kommenden Samstag mit dem Heimspiel gegen Portimonense, das um 19 Uhr deutscher Zeit angepfiffen wird.
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SC Braga - SL Benfica 1:4
Liga NOS, 31. Spieltag
Sonntag, 28. April 2019, 18.30 Uhr 
Estádio Municipal de Braga, 24.046 Zuschauer

Mannschaftsaufstellung: Odysseas, André Almeida, Rúben Dias, Ferro, Grimaldo, Pizzi (86. Salvio), Florentino (80. Gedson), Samaris, Rafa, João Félix (91. Taarabt), Seferovic

Torschützen: 1:0 Wilson (34.), 1:1 Pizzi (59.), 1:2 Pizzi (66.), 1:3 Rúben Dias (69.), 1:4 Rafa (90.)"

De Rafa e Pablo a Lage e Abel: é preciso ter muito cuidado quando se entrega o mérito das vitórias e o demérito das derrotas aos treinadores

"Explicar um jogo de futebol em poucas linhas de texto e com recurso aos vídeos não é fácil; em Portugal ainda menos. A força da nossa cultura futebolística faz com que na maior parte do tempo nos esqueçamos do que se passou no jogo, e não conseguimos ir a fundo na análise que se faz quando a “nossa” equipa vence.
Há, também, outro fenómeno de massas que tende a explicar tudo o que se passou no jogo do ponto de vista táctico, como se tudo no jogo fosse trabalhado pelos treinadores, como se tudo no jogo se pudesse reproduzir num treino. A evolução das formas da análise, e a forma fácil como a informação chega a todos, faz com que a esmagadora maioria dos analistas (dos bons analistas) do país tente esmifrar tanto os jogos naquilo que são os comportamentos tácticos de cada equipa, os comportamentos individuais e colectivos, que se esquece que em muitos dos casos o jogo que os treinadores promovem, e as acções individuais de cada jogador, não podem ser explicadas com base na táctica, com base na estratégia.
Os treinadores não podem ser endeusados de tal forma que tudo seja mérito deles e tudo seja demérito do treinador adversário. Há alturas, como esta, em que faz falta lembrar que quem joga são os jogadores, que os jogadores são humanos, e que os humanos agem e reagem consoante as incidências do jogo.
Vem isto ao caso da vitória do Benfica em Braga, num jogo em que Bruno Lage passou de incompetente a deus em 25 minutos e Abel Ferreira fez o caminho oposto, do paraíso ao inferno, no mesmo período de tempo.
A primeira parte foi paupérrima, do ponto de vista táctico, pela estratégia e pelos modelos de jogo definidos por cada treinador. E cada comportamento colectivo pode ser explicado de forma simples: o Benfica incapaz de ter na saída de bola soluções para colocar em passe curto os seus melhores jogadores em condições interessantes para criar; o Braga, por não ter arriscado na saída de bola, incapaz de expor a pressão do Benfica, sobretudo do lado de Rafa e Grimaldo.
Não é de hoje que se percebe, no Benfica, essa incapacidade que acaba por ser uma lacuna importante no seu modelo de jogo, por na maior parte dos jogos enfrentar equipas com menor qualidade individual. A forma de chegar ao último terço, os jogadores que recebem a bola nesse momento, em que zona recebem, e em que condições recebem - é este tipo de detalhe que fará a diferença no número de situações que o Benfica vai ter para criar situações de finalização ou não.
E, como se notou na primeira parte, e mesmo na segunda, a incapacidade do Benfica nesse momento é tremenda. Sem Gabriel, é Ferro que faz de quarterback, lançando as bolas longas, em largura, para os movimentos dos avançados, dos médios ala, ou dos laterais. E como esse tipo de passe é de mais difícil execução, de mais difícil recepção, e a zona para onde se dirige é pouco interessante (corredor lateral), torna-se simples anular as vantagens do mesmo antecipando e tentando dificultar ainda mais a tarefa de quem recebe, pressionando.
Do Braga, que tem um modelo de jogo interessante, sobretudo na forma como coloca os seus jogadores em campo, faltou coragem para ter a bola. Não só na segunda parte, como disse o seu treinador, mas mesmo na primeira, porque não tentou de forma efectiva expor a pouca competência do Benfica no momento de pressão, e explorar o espaço enorme que fica entre a linha defensiva e a linha média encarnada. A opção foi por jogar longo desde Tiago Sá, e começar a construir através da segunda bola. É certo que, nesse momento, a equipa foi muito agressiva e conseguiu ficar com várias segundas bolas; não menos certo é que os momentos para pressionar alto estavam bem identificados e conseguiram no meio-campo ofensivo condicionar os jogadores do Benfica para cometerem erros em posse, e para decidirem mal para onde deveria ter seguido o lance.
Porém, o resultado disso, com bola, nas situações em transição que conseguiu criar, foram muito poucos. A equipa nunca soube aproveitar a vantagem espacial que tinha, optando invariavelmente por fazer a bola entrar no corredor lateral para entrar na área em cruzamento, ou terminando os lances com remates de fora da área.
Do ponto de vista táctico, o jogo foi isto. E se houve superioridade de algum treinador, durante o jogo, Abel saiu claramente vencedor. Afinal, foi por força da sua estratégia, enquanto o efeito da estratégia durou, que Pablo Santos se conseguiu evidenciar. Dos erros cometidos em posse pelos jogadores do Benfica quando condicionados pela pressão do Braga, sobraram muitos lances em que se conseguiu impor nos duelos, e recuperar algumas bolas. Também há, nos lances ganhos pelo defesa brasileiro, algum demérito na forma como o Benfica tenta construir, facilitando-lhe o trabalho de recuperação; mas, de forma geral, foi sempre um jogador muito concentrado, esteve sempre nas zonas certas onde a bola iria cair, e conseguiu ganhar os lances dando à equipa a segurança necessária no momento defensivo, para se conseguir soltar do ponto de vista ofensivo.
Foi em transição que o Braga se conseguiu aproximar da baliza encarnada, ainda que nem sempre com qualidade nas ações e nas decisões dos seus jogadores. É, também, em transição, que Bruno Lage procura do ponto de vista estratégico dar espaço para que Rafa Santos possa aparecer em vantagem espacial para colocar a capacidade que tem para acelerar e desequilibrar o adversário nesse momento.
Rafa fica um pouco mais livre de tarefas defensivas, e apesar do Braga não ter conseguido explorar esse pormenor da equipa do Benfica, Rafa não conseguiu aparecer no jogo nas condições que o seu treinador prepara para ele. Não teve situações em que se pudesse evidenciar na condução dos contra-ataques, e nas poucas vezes em que tocou na bola definiu mal os lances. A troca entre extremos e médios ala do modelo de jogo de Bruno Lage não funcionou, e foram também poucas as situações em que Pizzi e João Félix receberam entre linhas. Curiosamente, os melhores lances do jogo do Benfica deram-se sempre que um dos dois recebeu a bola com tempo e espaço nessa situação.
O Braga foi muito capaz na reacção à perda, mas incapaz em transição ofensiva, daí o destaque ter ido para Pablo; o Benfica foi incapaz na construção e por consequência na criação, e também não conseguiu libertar Rafa que esteve na maior parte do tempo escondido do jogo.
Mas, como as incidências do jogo têm sempre uma palavra a dizer, o golo do Braga vem desfazer a tese de que a equipa da Abel foi incompetente no aproveitamento das situações de transição ofensiva, e o golo do Rafa vem, no mesmo sentido, desmontar a hipótese de o extremo ter sido um elemento de pouca produção no jogo do Benfica. Na realidade os dois golos são perfeitos para explicar às pessoas que o jogo está longe de ser predominantemente táctico, e que a influência dos treinadores, por mais que se queira imputar mérito, é demasiadas vezes reduzida.
O golo do Braga, do qual não temos acesso ao início do lance, começa numa perda de bola de Seferovic que fica no chão, e naquele momento o Benfica tem 8 jogadores atrás da linha da bola. Não apenas atrás, mas concentrados para que possam rapidamente recuperar posições e colocar ao contra ataque do Braga dificuldade acrescida pelo número de jogadores a participar no momento defensivo. Porém, João Félix e Florentino são os únicos que têm a percepção que aquele é um momento para serem agressivos e tentarem recuperar a bola, ficando Pizzi, Grimaldo, e Samaris a recuperar com demasiada lentidão. De certeza que não é dessa forma que Bruno Lage treina para a equipa reagir no momento em que perde a bola, mas por alguma razão, os jogadores não fizeram como no treino. Depois, Florentino persegue Fransérgio que, não sendo o jogador com mais critério do Braga, conseguiu definir o contra ataque com qualidade por não ter fugido do corredor central. Mas, apesar da igualdade numérica, da condução e decisão de Fransérgio, não poderia o Florentino ter feito falta? Não poderia o Ferro ter fechado mais por dentro? Não poderia o Rúben Dias ter sido mais cauteloso na abordagem ao lance?
Bruno Lage poderá trabalhar o erro de Ferro, por ser posicional, mas poderá mesmo trabalhar os erros de Rúben Dias, Florentino, Samaris, Pizzi e Grimaldo? O problema é que, sendo os erros de perceção, nesta fase da carreira dos jogadores, onde os treinos são muito virados para o rendimento, há uma dificuldade acrescida nisso: pelas vivências que os jogadores já têm, e pelo tipo de treino que se faz.
Como é que Bruno Lage trabalha Rúben Dias para que ele perceba em que lances deve ser impetuoso ou não? Sendo que as situações de jogo são todas diferentes, como é que se trabalha essa percepção? E tendo em conta que o estado anímico dos jogadores é diferente, consoante o jogo, o resultado, os momentos de maior ou menor confiança, como é que se replica isso no treino? Como é que Bruno Lage trabalha Florentino para perceber que naquele lance deve fazer falta? O mesmo Florentino que uns minutos depois vê amarelo por parar um lance de contra ataque onde o jogador que conduzia a bola ia pelo corredor lateral, sem vantagem nenhuma, sem colegas por perto para servir. Como é que se replica em treino esta percepção do perigo da situação, e o estado anímico que o jogador está antes, durante, e depois de um golo marcado ou sofrido, ou depois do jogador perceber que cometeu um erro que comprometeu a equipa?
É este treinador que não conseguiu treinar para a equipa aparecer na primeira parte que nos 25 minutos da segunda consegue arrebatar o jogo, com o que fez ao intervalo, virando o jogo para 1-3. Nessa fase, tinha mais ou menos o mesmo número de remates do que no mesmo período da primeira parte, e tem o mérito de ter conseguido impedir que o Braga chegasse menos. Mas, qual foi o seu papel na forma como a equipa conquistou os dois pontapés de penálti? Qual foi o seu mérito no golo de Rúben Dias, quando até aí não tinha criado perigo nas bolas paradas?
Não terá sido a descrença dos jogadores do Braga, causada pelos golos sofridos, e pela forma como foram obtidos esses golos? Não terá isso mudado completamente o estado de espírito dos jogadores do Braga? A confiança com que estavam no jogo não terá passado a insatisfação pelas incidências do jogo naquele momento? Não terá a perda de foco a ver com a ira dos jogadores, e daí os comportamentos menos agressivos com e sem bola depois dos dois primeiros golos do Benfica? Como é que se simula isto em treino? Qual é o demérito de Abel Ferreira e o mérito de Bruno Lage nisto? O que é que isto tem de táctico?
Por fim, o golo do Rafa. Que se tinha mantido em campo, apesar de ter estado escondido durante quase todo o jogo, e da opção ter recaído por Pizzi, que estava a fazer um bom jogo. Sendo que Pizzi é um jogador que define melhor os lances, com e sem espaço, e com a confiança com que estava no jogo (pelos golos marcados, e porque as coisas lhe estavam a sair bem tecnicamente e ao nível da decisão), é questionável a opção por manter Rafa em campo. No entanto, no mesmo lance de contra-ataque, Rafa não só define bem, algo que não tinha conseguido até aí, tendo isolado Seferovic, como depois faz um grande golo. Ou seja, o mesmo jogador a quem as coisas não estavam a sair tão bem, e que estava menos confiante do que Pizzi, consegue marcar o golo do jogo, pelo maior conforto no resultado e pela forma pouco preocupada com que os jogadores do Braga defendiam.
Pablo Santos, que esteve sempre muito focado no jogo, é o rosto da forma como os jogadores baixaram os braços e desistiram do jogo. De certeza que, caso o Braga ainda estivesse no jogo, ele não teria tão facilmente dado as suas costas para Seferovic entrar, assim como não teria desistido do lance tão cedo, tendo em conta a forma lenta como recuperou. E, olhando para a forma displicente como perde a bola segundos depois, para Rafa, e a forma como em desespero se desequilibra quando o tenta travar, percebe-se que não era o mesmo jogador do início do jogo. Ora, como é que se treina isto?
A singularidade de cada jogo e de cada situação é tanta que é impossível que Bruno Lage e que Abel Ferreira consigam simular no treino este tipo de situações que se reproduzem no jogo. E, por isso, porque muitas vezes os jogos se resolvem pelas incidências do mesmo, pela reacção dos jogadores a cada uma delas, pelo seu estado anímico, pela maior ou menor inspiração individual, é preciso ter muito cuidado quando se entrega o mérito das vitórias e o demérito das derrotas aos treinadores."

Pedido de Reunião ao Conselho de Arbitragem

"Face aos comunicados emitidos por Sporting Clube de Braga e Futebol Clube do Porto, na sequência do jogo ontem disputado entre o clube minhoto e o Sport Lisboa e Benfica, e atendendo à gravidade das acusações e insinuações ali referidas, o Sport Lisboa e Benfica solicitou nesta tarde, com carácter de urgência, uma reunião ao Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol (FPF)."

Três penáltis bem assinalados e um por assinalar

"O jogo entre Sp. Braga e Benfica afigurava-se, dentro do contexto espaço-tempo, como muito importante nas contas do título, daí que todos os olhos iriam estar concentrados nas incidências técnico-tácticas do encontro, mas também nas tomadas de decisão ao nível da arbitragem. Como facilmente percebemos nas horas seguintes ao apito final da partida, muito do foco passou a incidir sobre os lances que ocorreram e as decisões do binómio árbitro/VAR. Nesse sentido, a minha crónica semanal sobre arbitragem incide hoje sobre as situações e os lances que ocorreram e as decisões que foram tomadas.
Minuto 10: João Félix remata a bola no interior da área bracarense, acabando esta por bater no braço de Claudemir. O remate foi feito de muito perto (bola inesperada), tendo o jogador do Sp. Braga o braço colado ao corpo, encolhido, e sem o movimentar ou ganhar volumetria de forma deliberada, razão pela qual não houve motivo para penálti.
Minuto 16: Rúben Dias e Paulinho disputam a bola, o jogador do Benfica entra com a sola da bota, acabando por fazer jogo perigoso activo em simultâneo com o remate do jogador bracarense, que acaba por sofrer o contacto no peito do pé. Ora, jogo perigoso activo com contacto é passível de livre directo. Como o lance ocorreu no interior da área, estaríamos perante uma situação de penálti.
Minuto 33: Rúben Dias tenta jogar a bola, mas acaba por entrar fora de tempo, carregando e derrubando Fransérgio, quando este estava em clara oportunidade de golo. Tecnicamente penálti, disciplinarmente apenas cartão amarelo em virtude de se tratar de uma infracção enquadrada na alteração da lei da tripla penalização. Ou seja, porque o central do Benfica tenta jogar a bola, cortando uma clara oportunidade de golo, passamos da expulsão para a advertência.
Minuto 50: Em nenhum momento, Florentino dominou ou jogou a bola com a mão ou braço, quando Claudemir lhe tentou passar a bola por cima, no interior da área benfiquista. Foi apenas com o peito que houve contacto com o esférico, razão pela qual não houve motivo para penálti.
Minuto 54: Pablo Santos, já no interior da sua área, ao desarmar Seferovic, toca na bola de forma clara. Só posteriormente existe o contacto entre ambos, fruto do movimento e da jogada, não havendo, portanto, qualquer infracção e motivo para penálti.
Minuto 57: João Félix ganha a frente do lance e, ao fazer o seu movimento de rotação, acaba por ser tocado no calcanhar do pé esquerdo, pela biqueira da bota do pé direito de Ricardo Esgaio. Não obstante o jogador do Benfica ter exponenciado a sua queda, o facto é que o toque existiu e foi suficiente para desequilibrar o avançado benfiquista. Uma infracção passível de pontapé de penálti. 
Minuto 61: João Félix tenta jogar a bola, mas falha o tempo de entrada e acaba por, de forma negligente e com algum perigo, pisar o tornozelo de Pablo Santos. Uma infracção passível de cartão amarelo que, na ocasião, daria a expulsão por acumulação de cartões, pois era o segundo. Convém relembrar que o protocolo do VAR não permite a intervenção para segundos cartões amarelos, apenas para vermelhos directos.
Minuto 64: Bruno Viana, ao ter o seu braço esquerdo afastado e fora do plano do corpo, em posição não natural e a ganhar volumetria (“make the body bigger”, expressão utilizada pelo International Board), acaba por dominar e interceptar o remate de Pizzi. Embora o remate tenha sido feito de perto, não atenua a circunstância da posição e da colocação por antecipação de forma deliberada do braço do jogador bracarense. Um lance tecnicamente passível de pontapé de penálti."


PS: Esta gente é incapaz de fazer uma analise a um jogo do Benfica, sem 'inventar' benefícios da arbitragem, mesmo que para isso tenham que ignorar 'pormaiores' enormes, ou mudar radicalmente de critérios, em relação a lances idênticos... ajuizados ao contrário!!!
- No lance entre o Paulinho e o Rúben, que o ex-avençado Lagarto acha que é penalty, a primeira (e única) falta é do Paulinho: quando o Rúben tenta afastar a bola, é claramente empurrado, com o braço do Paulinho no ombro do Rúben...
Sendo que depois o Rúben não faz nenhuma falta, pois coloca o pé à frente da bola, e é o Paulinho que chuta contra o pé do Rúben...
- Na suposta do Félix, anda tudo a ignorar que o 1.º Amarelo é completamente absurdo, pois o Félix, faz um corte limpo...