Últimas indefectivações

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Dia do Benfiquismo

"O Estádio da Luz será palco, no próximo domingo, de mais um memorável encontro das Casas do Benfica, numa iniciativa que se repete e que representa hoje a maior manifestação de proximidade a um clube existente em Portugal.
O Benfica-Nacional terá assim um motivo adicional – e particularmente especial – para se transformar numa gloriosa tarde em família. O ‘jogo das casas’ trará ao nosso estádio mais de 2.500 Benfiquistas, vindos precisamente de 140 casas, filiais e delegações, numa expressão de dedicação e amor clubista que não encontra paralelo.
Não há dias para se ser mais ou menos adepto. Mais ou menos apaixonado. Mais ou menos dedicado. Ser do Benfica é ser sempre a 100%. Mas pode dizer-se, a pretexto do encontro do próximo domingo, que desta vez o 10 de Fevereiro foi escolhido para ser o Dia do Benfiquismo!
O momento para que, em conjunto, em nossa casa, possamos conviver, reflectir, analisar, projectar e perceber tudo o que nos é possível fazer para tornar o Benfica cada vez mais forte.
O ‘jogo das casas’ e a grandiosa mobilização que a iniciativa envolve é um impressionante sinal da vitalidade do nosso clube – que estando perto de completar 115 anos de vida também está, curiosamente, mais ‘jovem’ e saudável do que nunca. As Casas do Benfica, presentes em 5 continentes, são cada vez mais um orgulho para todos os Benfiquistas.

PS: Enorme sentimento de dor perante a tragédia que ocorreu no Centro de Treinos do Flamengo. Pesar e luto e total solidariedade. Força, Flamengo!"

Profundo pesar e afecto com o Flamengo

"O Sport Lisboa e Benfica manifesta a sua maior solidariedade ao Clube de Regatas do Flamengo perante a terrível tragédia que ocorreu no seu Centro de Treinos na Vargem Grande, no Rio de Janeiro.
Momento de enorme dor e luto que partilhamos com o nosso povo irmão, com um clube amigo e com as famílias dos jovens promissores e quadros do clube que perderam a vida.
Em meu nome pessoal e em nome de todos os Benfiquistas fica a palavra de profundo pesar e afecto neste momento particularmente difícil para o futebol e desporto brasileiro."

António Areia pagou indemnização ao SL Benfica

"O Sport Lisboa e Benfica informa que o andebolista António Areia pagou neste mês o valor de 25 mil euros ao qual foi condenado a pagar por ter rescindido sem justa causa com o Clube em 2015. 
Recorde-se que a decisão unânime dos Juízes do Tribunal da Relação de Lisboa relativamente a este processo foi conhecida em Junho do ano passado."

Confiar para aprender

"Nos dias que vão correndo é frequente depararmo-nos com a suspeição e desconfiança nos diversos domínios da nossa vida em sociedade, quer no que respeita à política, às finanças e ao próprio desporto.
Este ambiente de suspeição e desconfiança, justificado por factos, mas também muito por via do empolamento que em termos especulativos deles vamos fazendo, pode ter efeitos muito profundos sobre as crianças e jovens que presenciam estas situações.
Como se pode depreender do título deste texto não pretendo juntar-me a este coro e quero chamar a atenção para a importância da confiança na Educação e no Desporto.
Ao longo de algumas décadas de actividade profissional na Educação Física e no Desporto fui podendo constatar que, para a motivação de um jovem que pretende aprender ou aperfeiçoar-se na prática de um desporto, a confiança é um factor indispensável.
Poder sentir que o professor ou treinador confia nele, independentemente dos erros e derrotas que o seu percurso vai sofrendo, é fundamental para poder aprender e aperfeiçoar-se.
Na vida como no desporto os erros e insucessos acontecem a todos. Os jovens que conseguem aprender mais e atingem maiores níveis de prestação não são os que nunca fazem erros ou ganham sempre, mas sim os que têm melhores condições para aceitarem os erros e compreenderem como os podem evitar no futuro. Neste processo, saber que o treinador não deixa de confiar nele, ainda que o faça reconhecer os seus erros ou contributo para os insucessos numa equipa, reveste-se da maior importância para a reacção positiva em todos os momentos.
Alguns dos jovens de maior talento potencial que o nosso desporto produz não atingem o nível competitivo que poderiam almejar exactamente porque não sentiram o ambiente de confiança que é necessário para se desenvolverem plenamente.
Para a obtenção de níveis elevados de autoconfiança que permitem a um jovem melhorar e realizar-se no treino e competição, sem medo de correr novos riscos, é indispensável contar com a confiança incondicional do seu treinador.
Uma outra questão em torno do tema é a imprescindível confiança que o jovem tem de ter no seu treinador. Esta é uma questão premente num ambiente social dominado por múltiplas suspeições em torno dos mais diversos responsáveis pelo exercício do poder. Tanto mais importante quando falamos de jovens e da proximidade que se vive no desporto.
Enquanto que o treinador deve demonstrar ao jovem que confia nele de forma incondicional, ainda que não alijando a sua função de orientação e avaliação do percurso percorrido, o jovem precisará de sentir que pode confiar no seu treinador pelo exemplo dado. Na construção dessa confiança o exemplo do treinador é mais importante do que quaisquer outras mensagens que dele lhe chegam.
As reacções do treinador perante as situações mais frustrantes, como os erros comprometedores e os maus resultados nas competições, vão marcar profundamente o jovem.
Encontrar justificações externas, como as más decisões de quem arbitra, para os maus resultados, poderá criar um clima menos frustrante, mas não contribui para reconhecer os nossos erros e aprender a evitá-los no futuro."

Benfiquismo (MLXXXIX)

King & Prince !!!

Bigodix à Chalanix

"Svilar está a deixar crescer o bigode... vá, o buço, que nenhum puto de 19 anos tem bigode... excepto eu que aos 10 já parecia o saudoso Barros, que acima do pescoço tinha uma bola felpuda, com olhos, nariz, boca e orelhas a espreitarem entre os tufos capilares. Provavelmente ao belga ainda não foi explicada a importância da decoração supra labial no SLB, nem ele terá consciência de que bigode e bandelete não combinam. Alguém que o prepare para a grande mudança que vai operar na sua vida. 
O histórico "bigodístico glorioso" recua até à fundação da Nação, sendo o Pai Disto Tudo portador de um esbelto e cavalheiresco exemplar, tal qual 98% dos seus colegas fundadores. Mais recentemente, fizeram escola a esfíngica bigodaça do Toni "do Benfica", a louca penugem do Bento "da baliza" ou a farfalhuda lã facial do Carlão "do pontapézão". Acima destes contudo, aparece o fiel amigo do Chalana "Pequeno Genial".
O que diferenciava o aparato capilar do Chalanix era o facto de ter substância. Era parte integrante do pequeno corpo genial que vestia de vermelho e branco e dava-lhe à vontade, mais 2 ou 3 metros cúbicos de estrutura. O Bigode do Chalana era único porque esvoaçava ao sabor do sprint do craque, ululava quando o resto do extraterrestre serpenteava e era perfeitamente simétrico, porque habitava a cara de um perfeitamente ambidestro.
Domingo, Fernando Albino de Sousa Chalana comemora 60 anos. Coincidentemente, ou talvez não, porque os deuses da bola deitam-se mais tarde do que o Taarabt, o Benfica joga na Catedral da Luz. Tudo se conjuga para uma desejada, merecida e sentida homenagem ao Homem que está a passar por dificuldades, onde estas mais doem: na saúde. Assim e apenas porque nem todos são como eu e portanto, em 4 dias não conseguem promover um frondoso cortinado de pêlo acima do lábio, seria da mais elementar justiça que o SLB, da mesma forma que coloca cartolinas coloridas para coreografias pré jogo, deixasse nas cadeiras d'O Estádio um bigode (de papel ou felpudo, consoante o comprometimento com a ideia) para que fosse usado pelos Benfiquistas durante os 90 minutos.A acção seria simples, o efeito é que seria Genial... como o pequeno Astérix Encarnado.
#BigodixàChalanix"

Bom dérbi, ficou tudo em aberto

"Jogo de alta intensidade equipas mais à defensiva. Incerteza sobre quem irá à final

Ponto prévio
Quatro dias separaram este dó anterior jogo entre Benfica e Sporting. Parece consensual que não só o resultado mas também a exibição foram demonstrativos da superioridade dos da Luz. Aguardava-se, pois, com expectativa as ilações retiradas e consequentes alterações a ser implementadas pelo comando técnico sportinguista. Expor novamente os dois centrais à dupla Seferovic/Félix, um pivô defensivo sem preocupações de recuo para estabelecer equilíbrio e os laterais abertos e muito projectados ofensivamente saiu caro.

Sporting
1. O Sporting surgiu significativamente alterado na composição individual e no posicionamento a meio-campo, com o triângulo rodado: em vez de 1+2 foi 2+1 com Wendel e Gudelj nas costas de Bruno Fernandes. No bloco médio baixo apresentou linhas mais curtas, a mostrar-se mais consistente defensivamente, mas a cometer erros ao nível da protecção dos seus laterais sobretudo sobre o corredor direito, o que acabaria por resultar no primeiro golo do Benfica por falta de acompanhamento e cobertura ao Bruno Gaspar.

Benfica
2. Este dérbi apresentou um Benfica de continuidade, a atravessar fase muito positiva, o que resulta num estado emocional muito estável e por isso melhor quer no plano individual, quer no colectivo, com melhor domínio dos diferentes tipos de jogo, cadência e ritmo.

Vantagem
3. À forte reacção pela perda de bola por parte do Benfica e posicionamento muito alto, aproveitando a insistência em acções individuais com sistemática perda de bola por parte dos jogadores do Sporting, ganhou o Benfica uma vantagem que se ajustava ao desempenho das equipas até ao intervalo.

Felicidade
4. No segundo tempo, a forte entrada do Benfica, a condicionar claramente a primeira fase de construção por parte do Sporting, e a disso tirar benefício com alguma felicidade assim chegando ao 2-0, em que Tiago Ilori fez autogolo na sequência de um forte remate de João Félix. Surgiu, então, a resposta da equipa verde e branca, com uma alteração táctica não habitual, passando a jogar em 4x4x2 face à entrada de Bas Dost para junto de Luiz Phellype, e no melhor dos lances para o Sporting, consegue reduzir em lance de bola parada.

Incerteza
5. Num jogo de alta intensidade, o número reduzido de acções de qualquer um dos guarda-redes denunciou um melhor trabalho do plano defensivo do que do nível ofensivo de qualquer das equipas. Sobra tudo de bom para o futebol e incerteza de qual dos dois estará na final do Jamor, dado o curto desnivelamento do resultado que deixou a eliminatória em aberto."

Manuel Machado, in A Bola

Dérbi regressou à 'normalidade'

"Depois do cataclismo leonino do passado domingo, os jogadores do Sporting viram-se confrontados com a necessidade de darem uma imagem mais lisonjeira das suas capacidades. Ontem, mais concentrados e com uma maior coesão a meio-campo, os leões realizaram uma partida dentro do aceitável, colocando muitas dificuldades a um Benfica que esteve longe do que fizera em Alvalade, mas mesmo assim superior.
Pode dizer-se, então, que o dérbi regressou à normalidade, ou seja, um duelo entre rivais, mais ou menos bem jogado, mas sempre intenso e de olhos nos olhos.
O resultado de 2-1 favorável ao Benfica deixa tudo em aberto para a segunda mão, não sendo possível adivinhar o estado de forma das duas equipas quando se cruzaram em Alvalade, já que essa partida será disputada daqui a dois meses. Não, não é engano, o que se passa é que o futebol português tem coisas estranhas, e esta é uma delas...
Quanto às consequências do jogo de ontem, Marcel Keizer, apesar da derrota, recebeu na Luz um pequeno balão de oxigénio, que lhe permitirá enfrentar o Feirense sem o baraço ao pescoço. Se passar na Feira, a sequência seguinte, Villarreal, SC Braga, Villarreal, Marítimo, determinará o seu futuro a verde e branco. Já Bruno Lage tem de manter a sua equipa de pés bem assentes no chão e o aviso de ontem deve surtir efeito.

PS - Bruno Fernandes é um futebolista impressionante, tem entrega, tem visão, tem golo, e está ao nível dos melhores do panorama internacional. Se durante os jogos deixar de dedicar tanta atenção aos árbitros, ainda melhor jogador será..."

José Manuel Delgado, in A Bola

Mudanças no Benfica

"Que o futebol do Benfica mudou com Bruno Lage não é novidade. As triangulações entre lateral, médio e extremo que representavam mais de 50 por centro do jogo ofensivo deixaram de ser um mantra para se tornarem apenas uma variável; as alterações de sistema e de movimentações beneficiaram Pizzi, hoje apenas mais uma peça na engrenagem; Grimaldo ataca muito mais que André Almeida porque um é lateral-esquerdo do mais ofensivo que há e o outro faz lembrar os defesas-direitos à antiga.
Mais do que a forma, também mudou o conteúdo e destaco três jogadores: a metamorfose de Gabriel ao nível da intensidade (hoje corre muito mais ao lado de apenas um médio do que correu quando jogou com dois), Samaris regressando às dinâmicas do 4x4x2 que exibiu com Jorge Jesus e um Rúben Dias com zero necessidade de recorrer a um jogo agressivo para se impor e exibindo assinalável qualidade técnica de passe.
O mais desafio de Lage será outro: continuidade. Fábio Capello dizia que os treinadores são ladrões de ideias e mais cedo ou mais tarde haverá fórmula de travar muitos das actuais movimentações das águias. A grande chicotada é aquela que tem efeitos quando já não se notam as feridas.
(...)"

Fernando Urbano, in A Bola

As memórias de pessoas clinicamente falecidas incluem túneis, luz, aulas com o prof. de Alverca. Tudo passa (...)

"Svilar
Fica a sensação de que podia ter feito mais qualquer coisa no lance do golo do Sporting - o bigode, por exemplo.

André Almeida
Parece confortável na sua nova pele. Agora que não lhe pedem para resolver jogos, André Almeida regressou ao horário de expediente normal e comporta-se como um lateral direito sóbrio, de processos simples, que não inventa. Mas não se preocupem. Quando as saudades das suas invenções começarem a bater, ele vai chegar-se à frente para mais uma assistência que parece fácil - vinda dele - ou mais um golo que parecia impossível - se não fosse ele.

Rúben Dias
Assim que se cruzou com Luiz Phelyppe entregou-lhe a chave do carro e uma nota de 5 euros, mas percebeu o equívoco a tempo e lá acertou a marcação a tempo.

Jardel
Teve pouco tempo para humilhar os seus adversários esta noite. Abandonou o jogo antes do final da primeira parte com uma lesão e não disfarçou o olhar desconfiado, como se tivesse sido alvo de uma emboscada organizada pelos miúdos do Seixal para promoverem Ferro ao onze titular.

Samaris
As recordações de pessoas que estiveram clinicamente mortas incluem túneis luminosos, pessoas próximas, nuvens densas, escuridão absoluta, ou a recepção de instruções de jogo dadas por um professor de Alverca do Ribatejo. Felizmente, todas elas regressam a si com uma enorme vontade de viver e aproveitar a fortuna de uma nova oportunidade.

Gabriel
Se a expressão rolo compressor voltou a entrar no léxico benfiquista, isso deve-se em grande parte à evolução de Gabriel, um rapaz que parecia ter tudo para ser um novo Filipe Augusto ou coisa parecida, e que afinal é um monstro de um jogador que dá novos mundos ao futebol benfiquista, com e sem bola. Muito bem no remate do golo, apontando às mãos de Renan porque sabia que este se encarregaria de colocar a bola na baliza.

Pizzi
Depois daquela história dos Super Wings, e sabendo do crescendo exibicional do colectivo, Pizzi até jogava na baliza se fosse preciso. Não espantou portanto que se tivesse desunhado para jogar numa posição que não é a sua. Ao fim de alguns minutos já se tinha familiarizado com o corredor esquerdo. Pouco depois fez uma assistência para golo.

Salvio
Ainda não deve ter visto os desenhos animados favoritos do filho de Bruno Lage, tal é a mania de tentar salvar o Benfica através de lances individuais. É certo que lançou o Benfica para um ataque fulminante que culminou no primeiro golo, mas fez por apagar isso da nossa memória. Esta manhã, quando os colegas estiverem a rever os erros cometidos durante a partida, Salvio terá uma maratona de Super Wings à sua espera no computador da biblioteca.

João Félix
Há um conhecido historial de génios bem sucedidos que passaram a fase inicial das suas carreiras a atirarem-se para o chão, portanto há que manter a calma. Enquanto João Félix for sobrevivendo a arraiais de pancada como o da primeira parte, continuará a reunir condições para ser o jogador que todos querem ter. Concordo com os críticos: o miúdo não joga como se valesse 120 milhões. Joga como se não quisesse saber disso para nada. É continuar.

Seferovic
Faltou a sua pontaria para transformar em goleada uma vitória que nunca chegou a estar verdadeiramente em causa. Continua a festejar os golos da equipa gritando asneiras em português. Só lhe fica bem.

Ferro
Não sei quanto a vocês, mas eu nunca tinha feito base jumping. Pensei que ia morrer, mas acabou por ser interessante. Quem sabe um dia destes repito a experiência.

Rafa
Depois de uma exibição dominadora em Alvalade, o banco de suplentes. Cedeu o lugar a Salvio, mas recuperou-o uma hora depois. Até os mestres da táctica como Bruno Lage cometem erros. É também isso que os aproxima de nós.

Cervi
Continua a recuperar dos anos de convívio próximo com Rui Vitória. Há-de voltar a si mesmo."

"Pisões" a João Félix

"A apologia, feita por um ex-internacional português, de que a melhor forma de condicionar o talento de João Félix seria através de “pisões” tem que ser amplamente denunciada e rejeitada. De forma muito clara!
Compete a todos e cada um de nós – apaixonados e profissionais do futebol, diversos agentes desportivos e, em particular, às equipas de arbitragem – não permitir que a natural competitividade de um jogo de futebol se transforme numa espécie de caça ao homem e ao talento.
Nenhum órgão de comunicação internacional ou algum programa desportivo de referência permite este tipo de argumentação quando – em Itália, Espanha ou Inglaterra – se debate a melhor forma de travar talentos como Cristiano Ronaldo, Messi, Modric ou Bernardo Silva.
Este é um tema que consideramos da maior gravidade e, por isso, o Sport Lisboa e Benfica, a nível institucional, já endereçou os adequados protestos junto do Conselho de Administração, Conselho de Opinião, Conselho Geral Independente e Direcção de Informação da RTP e da ERC, por entendermos que declarações daquele tipo não podem, de forma alguma, ser toleradas, desvalorizadas ou minimizadas.
O futebol não pode permitir, em momento algum, que o talento dos seus principais artistas fique à mercê de “golpes baixos”. Futebol é festa e isso foi o que ontem voltou a existir na Luz, com mais de 55 mil espectadores nas bancadas a verem o Benfica fechar da melhor forma um ciclo muito exigente, concluído com duas vitórias frente ao Sporting.
No campeonato, a desvantagem relativamente à liderança foi reduzida de 7 para 3 pontos. O acesso à final da Taça será decidido no início de Abril, em Alvalade, onde o Benfica vai entrar em vantagem. E a Liga Europa tem início na próxima semana, com uma viagem à Turquia para defrontar o Galatasaray.
A noite de ontem ficou ainda marcada pela estreia de Ferro na equipa principal – que se junta assim, no topo da pirâmide, a uma longa lista de craques nascidos no Seixal. Domingo, na Luz, o campeonato estará de volta a partir das 17h30. Foco total, pois, no nosso próximo adversário: Nacional. Nada mais interessa.

PS – Muito carinho e muita força é o que toda a família benfiquista partilha com o nosso grande, grande, grande “pequeno génio” Fernando Chalana. A melhor homenagem que, neste momento, lhe podemos prestar é o apoio diário a quem faz parte da nossa história e da nossa fantástica estrutura criada no Seixal."

Bruno Lage, o tempo corre a favor dele

"Olha-se para ele e percebe-se cada vez melhor que está ali o treinador do Benfica Fez na quarta-feira, dia de dérbi no Estádio da Luz, precisamente um mês desde que Bruno Lage disputou o primeiro jogo como treinador do Benfica.
Um mês percorrido com sete vitórias e uma derrota dura, frente ao FC Porto, nas meias-finais da Taça da Liga, mas um mês também em que o Benfica venceu duas vezes o Sporting (uma delas em Alvalade e com enorme autoridade), em que recuperou quatro pontos ao FC Porto na Liga e em que saltou do quarto para o segundo lugar da classificação.
Portanto, no final deste mês, o balanço é francamente positivo.
Chegou como uma espécie de solução de recurso, uma opção encontrada ali na equipa B, com toda a carga de cepticismo que esta espécie de escolhas costuma significar.
Um mês depois, porém, Bruno Lage ganhou direito a ser olhado como treinador do Benfica de corpo inteiro: uma opção tão válida como outra mais mediática qualquer.
Hoje, de facto, olha-se para ele e não se vê ali uma opção de recurso: vê-se o treinador do Benfica.
É perfeitamente legítimo pensar que, no futuro, esta deferência tende a aumentar. Afinal de contas o nome de Bruno Lage ganha solidez à medida que os jogos passam e, à medida que o nome for ganhando solidez, Bruno Lage tem mais tranquilidade para trabalhar melhor.
O tempo, portanto, corre a favor dele."

Benfica: Bruno Lage

"O Benfica ao vencer em Alvalade, relançou o campeonato estando mais próximo do FC Porto que escorregou em Guimarães, sem cair.
A contudente vitória 4-2, mostra que a escolha em Bruno Lage foi uma excelente opção. O Sporting claudicou, está muito longe do título e tem que lutar para ir à Champions.
O Sporting esta quarta-feira teve o ensejo de se redimir, mas foi um jogo diferente, pois, é a duas mãos. Foi isso que aconteceu perdeu 2-1, mas está tudo em aberto para o jogo de volta, salvou a sua honra. Todavia, não nos podemos esquecer que o Benfica voltou a vencer, num curto espaço de tempo.
O Benfica parece que tem projecto com o novo treinador Bruno Lage, passo a passo, de repente, passou de tudo perdido esta época, para crer que é possível e está somente a 3 pontos do Porto. O tempo vem dar razão, na aposta de quem é da casa, sente o clube de outro modo e é mais barata. O Benfica está com mais solidez e enorme eficácia. O aparecimento de Seferovic, a profundidade de João Félix e Pizzi, fazem o resto. João Félix, infelizmente, não vai ficar muito tempo no Benfica pela sua qualidade e juventude.
A mescla de todos estes factores, mais a moralização por vencer, o maior factor para acreditar tem levado o Benfica a estar de volta. O Rui Vitória já é passado e Bruno Lage tem conseguido calar muitas bocas. De momento, recuperou o pulso e começa a pôr em respeito os seus adversários.
Bruno Lage, o "treinador dos jogadores", tem uma tarefa difícil e procura salvar uma época que parecia perdida, não tem nome, mas tem humildade, fibra e muita qualidade. Ganhou o balneário, que é fundamental, e os jogadores seguem-no com respeito.
Bruno Lage sempre privilegiou a estratégica do jogo não descurando o processo de aprendizagem dos mais novos.
Está em todas as frentes: Campeonato, Taça de Portugal, Taça da Liga e Liga Europa – em cada jogo está a ser posto à prova, mas tem sido uma agradável surpresa contra as expectativas mais pessimistas.
Em Portugal há o hábito de se pensar, quem é conhecido e famoso é bom, todavia, há muito treinador desconhecido com muito valor e qualidade que nunca teve a oportunidade e as condições para se afirmar. Bruno Lage está a aproveitar a sua oportunidade e a demonstrar que é um treinador para o futuro.
No Sporting, Tiago Fernandes que substitui Peseiro não teve a mesma sorte, mas um dia, pode mostrar o seu valor."

O nome dele é Félix... João Félix

"E é nome de craque, disso não tenha o leitor qualquer dúvida. Completou no domingo em Alvalade 1000 minutos pela equipa principal do Benfica, pela qual alinhou em 22 jogos, 6 dos quais completos.
O miúdo, que despontou no Seixal, só este ano se estreou entre os craques da equipa A. Começou aos poucos, com Rui Vitória, e logo ao terceiro jogo marcou ao Sporting, na primeira volta da Liga na Luz. Depois pareceu desaparecer, mas eis que sob o comando técnico de Bruno Lage surge em grande.
Portugal, os amantes do futebol e a competição nacional precisam de craques assim. Na época de estreia na equipa A do Benfica, João Félix chegou, precisamente no último domingo, frente ao Sporting, aos 1000 minutos com a equipa principal. Durante este período apontou 8 golos e fez 3 assistências.
Parece, de resto, ser genético. João tem um irmão, Hugo Félix, de 14 anos, a jogar nos iniciados do Benfica ,e arte parece igualmente não lhe faltar, principalmente para marcar golos: em 12 jogos fez dez.
Não, não se trata de apelar a qualquer prepotente sentimento lusitano, mas perante tais dados só posso sentir orgulho no que é nacional e é bom.
Trata-se acima de tudo de saudar a qualidade do trabalho, que se está a realizar de base no futebol português, ao descobrir o talento em estado bruto, que num atleta de 19 anos tem de ser gerido com pinças, de maneira a que a cabeça e a forma de pensar estejam ao nível do que futebolisticamente um jovem a despontar para o estrelato tem de ter. De forma a não se perder este diamante.
Natural de Viseu, João Félix, fez parte da formação no FC Porto, e só há quatro épocas chegou ao Benfica.
Bruno Lage falou do jovem jogador fazendo alusão aos Super Wings, os aviões que fazem parte do imaginário das crianças através da programação infantil e que trabalham em equipa.
João Félix é igualmente aquilo que a equipa faz com ele e o que ele faz com a equipa. Mas afinal, não é esse o princípio básico do jogo que todos nós vivemos e sentimos?
Ver os bons jogadores a darem espectáculo inseridos em equipas de grande qualidade, daquelas que cativam, que fazem os milhões de adeptos um pouco por todo o mundo pagar um bilhete ou uma assinatura de um canal desportivo para ver esse espectáculo a que nos acostumámos a chamar de desporto-rei.
Fico feliz por ver um jovem, português, a dar nas vistas desta forma, ao ponto aliás, segundo conta a imprensa, de vários emblemas europeus, incluindo o Real Madrid, já estarem de olho nele.
120 milhões de euros é a cláusula de rescisão do camisola 79 do Benfica.
Para muitos um obstáculo, para outros nem por isso, mas uma coisa é certa: será que o Benfica conseguirá manter João Félix no plantel por muito tempo?
Há quem diga que, para seguir os passos certos no crescimento como homem e como jogador, João Félix devia ficar mais uma época de águia ao peito. Mas se a irreverência e qualidade do jogador se mantiverem, ou até mesmo aumentarem, será que o Benfica conseguirá resistir ao namoro dos grandes emblemas europeus?
A esta questão só teremos resposta nos próximos meses.

P.S.: Escrevo hoje sobre um jovem que revela ter arte nos pés e na cabeça aos 19 anos, e que por isso se arrisca a ser um caso sério nos próximos meses/anos, numa altura em que o melhor do mundo, para mim, completa uns «jovens» 34 anos. Em ocasiões anteriores houve quem se arrepiasse com os elogios que lhe teci. Respeito a opinião dos leitores, mas gostava que num mero exercício de raciocínio tentassem ver onde andavam, aos 34 anos, aqueles que são considerados os maiores nomes da história do futebol.
Este a que me refiro, chama-se Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro e é titular da Juventus, de Itália. Esta terça-feira completou 34 anos. Parabéns atrasados, Cristiano!"

Gestão do risco: na estratégia e na condição física

"Foram preocupações distintas aquelas que nortearam as escolhas de Bruno Lage e de Marcel Keizer para o primeiro round das meias-finais da Taça de Portugal. Do lado do Benfica, a prioridade foi não trair a ideia de jogo apresentada no derby de domingo, mesmo correndo o risco de o balão de oxigénio esvaziar um pouco mais cedo. Do lado do Sporting, imperou a gestão da condição física, com uma mão-cheia de alterações, assumindo o técnico holandês o ónus de a equipa se tornar menos incisiva nas transições ofensivas.
Sem Bas Dost no “onze” inicial, os “leões” descartaram praticamente o cenário de um futebol mais directo, a procurar ganhar a primeira ou segunda bola na tentativa de contornar a pressão imposta pelo rival. Na prática, o único dividendo que conseguiram retirar dessa opção foi reduzir o risco de perda, porque a circulação lenta e previsível em zonas muito recuadas não foi suficiente para superar o posicionamento agressivo do Benfica e sair a jogar apoiado a partir de trás.
Com Pizzi desta vez a começar na ala esquerda (Salvio ocupou o flanco contrário), foi por essa faixa que o Benfica construiu o seu futebol mais associativo, porque o argentino confere sempre um perfil mais vertical ao jogo e porque João Félix, muito vigiado, perdeu quase todos os duelos individuais no lado oposto. Mas seria pela direita que os “encarnados” chegariam ao primeiro golo, tirando partido da deficiente transição defensiva do Sporting, que continua sempre muito exposto em ataque organizado (no caso, era o estreante Cristián Borja que estava muito profundo).
Outra das fragilidades dos “leões” continua a ser a forma como se deixam atrair, em “quantidade”, para a zona da bola, facilitando a tarefa a um adversário que, sob a orientação de Bruno Lage, tem hoje muito mais capacidade de variar o centro do jogo e de ir alternando passes verticais, à procura das ligações no corredor central, com jogadas à largura (sem que o cruzamento seja a opção inevitável).
Ofensivamente, a opção por adiantar Wendel para as costas de Luiz Phellype também só surtiu efeito a meio do segundo tempo, altura em que se percebeu que Ferro (lançado na primeira parte para render o lesionado Jardel) ainda terá arestas a limar. Até então, as linhas de passe que o médio brasileiro tentava dar a Gudelj, Borja ou Bruno Fernandes rapidamente se transformavam de uma oportunidade numa debilidade, porque a pronta recuperação e a transição activada pelo Benfica deixavam muitas vezes o rival com um elemento a menos no corredor central (fruto, também, dos movimentos de Pizzi de fora para dentro).
Se as entradas de Cervi (de um lado) e de Bas Dost (do outro) também não lançaram o jogo noutras bases, ainda que o Sporting nos últimos minutos tenha procurado um futebol mais directo, Diaby conseguiu tirar algum partido do desgaste acumulado nos corredores laterais dos “encarnados”, também num período em que a intensidade da pressão de Samaris e Gabriel tinha caído a pique.
Mas seria o génio individual de Bruno Fernandes a relançar a eliminatória. Um jogador valioso, que oferece muito a um Sporting que continua a saber a pouco."

Quando Varandas é igual ao parapeito de Bruno

"Uma coisa é o ânimo das hostes com base na rivalidade, outra bem diferente é persistir num cavalgar de ódio com os adversários, gerador de tensão e de violência, para esconder os insucessos próprios 

Houve um tempo em que o futebol era um desporto de família. Pais e filhos deslocavam-se aos campos para a festa, sem riscos de violência e com um adequado nível de salutar rivalidade competitiva que acabava por ser a expressão de outras realidades geográficas, sociais, políticas e desportivas, sem consequências de maior.
Esse tempo foi tomado pela indução do ódio na radicalização de várias expressões no fenómeno desportivo, pela saturação do espaço mediático, comprometido com a necessidade de conquistar audiências, e por uma inusitada expressão da afirmação das personalidades apenas por contraste com os outros. Em vez de se afirmarem pelo que fazem, afirmam-se pelo que dizem – e o que dizem não bate certo com o que fazem.
A norte sempre o fizeram para mobilizar as hostes, num bailado que conta com um rude atropelo dos mais elementares pilares do Estado de direito, apesar da candura moralista e pseudojusticeira vigente. É a gente do Apito Dourado, do guarda Abel, das invasões dos centros de estágio de árbitros e do condicionamento da justiça e da sociedade em geral, como ficou bem patente na curadoria de ambientes do designado primata que lidera a claque do clube. Eles são a lei, o território é deles. Eles querem ser uma espécie de bairro onde quem dita as regras são os que controlam as dinâmicas, as transacções e as entradas no território. Infelizmente, há territórios assim em Portugal, que contrastam, felizmente, com o pavoneio livre e democrático de dragões em Lisboa, alguns apenas para exercitar a suprema arte do bitaite e do encaixe financeiro em função da prestação.
A sul, Bruno de Carvalho inaugurou uma parceria estratégica de radicalização do ódio ao Sport Lisboa e Benfica, em conluio com o Norte, que acabou por conduzir ao reerguer do Porto e à quase implosão do Sporting. Altos voos, grandes quedas. Esta voragem de destilação de ódio, tolerada pela Liga e pela Federação Portuguesa de Futebol, tem expressão evidente nas claques. Não há jogo de Sporting ou do Porto em que, mesmo sem ser o adversário, o Sport Lisboa e Benfica ou os seus adeptos não sejam invocados em cânticos de pestilento ódio. A pequenez das personalidades só se consegue afirmar por contraste, por ódio ou por inveja em relação ao outro, o tal que vai consolidando a gestão, vai reforçando o património e as infraestruturas e concretizando um plano presente de salvaguarda do futuro com base na formação.
Uma coisa é o ânimo das hostes com base na rivalidade, outra bem diferente é persistir num cavalgar de ódio com os adversários, gerador de tensão e de violência, para esconder os insucessos próprios, a impreparação ou a simples ausências de ideias e projectos próprios. O recente assomar à varanda do actual presidente do Sporting para, em véspera de dois jogos com o Benfica, retomar a estratégia de ódio e de parceria com Pinto da Costa é bem revelador de que o novo tempo anunciado não passou de conversa fiada. O diagnóstico médico é claro: Varandas não passa de um mero parapeito à moda de Bruno de Carvalho. É certo que há menor animação diária, mas regista-se a mesma falta de senso e a ausência de aprendizagem com os erros do passado. É certo que há uma tradição lusa dos parapeitos das janelas, onde as vizinhas se entretinham a falar da vida alheia, do que se passava no bairro e do que viam na televisão, mas nunca do que se passava dentro das suas portas. A verdade é que nos julgávamos noutro tempo mas, afinal, estão de regresso as codrilheiras. Codrilheira, que resulta de uma abordagem popular da palavra quadrilheiro, aplica-se com propriedade a esta quadrilha que destila ódio para esconder as deficiências próprias, num exercício tolerado por quem tem responsabilidades na gestão da indústria e do espectáculo desportivo do futebol, até ao dia em que todos se sobressaltarão com os resultados do exercício exacerbado que conduz invariavelmente à violência.
Tal como em relação às cordrilheiras, basta confrontá-las com a realidade lá de casa para serem reduzidas à sua significância.
Varandas do tempo novo já se predispôs a ser testemunha da acusação no processo Cashball, em que existem suspeitas reais de pagamento para a viciação de resultados?
Varandas do tempo novo já se predispôs a ser testemunha da acusação no processo da invasão da academia de Alcochete?
Varandas do tempo novo, que contrasta com aquele em que era parte da equipa de Bruno de Carvalho, já deu andamento às situações duvidosas identificadas nas auditorias que foram tornadas públicas em relação à gestão anterior?
Certamente, não. Para tudo isto, mais do que numa varanda ou numa janela aberta, constituiu-se numa marquise opaca, mas para falar ao parapeito para as vizinhas e sobre alegadas vidas alheias não lhe falta verve nem troca os provérbios.
Perante as codrilheiras, as do futebol e as da vida, nada como fazer o trabalho de casa, agir em função das convicções e afirmarmo-nos pelas nossas competências e saberes. O sentido de justiça e de senso acabará por fazer a triagem que se impõe.
Os impávidos da Liga e da Federação só vão acordar quando o ódio e a reiterada impunidade resultar em violência grave? É sempre assim, ignorar os sinais, estremunhar perante as ocorrências. Triste sina a nossa.
(...)"

O periodo experimental num contracto desportivo

"1. É admissível a existência de um período experimental no contrato de trabalho desportivo?
O período experimental, enquanto "figura cautelar", é admitido no contrato de trabalho desportivo pelo seu regime jurídico (artigos 10.º e 23.º, n.º 1, al. e). Mas a pergunta impõe-se: fará sentido a existência deste período num meio em que as partes possuem um vasto conhecimento entre si? Há quem entenda que este instituto é desprovido de sentido. No entanto, o legislador decidiu pela sua admissibilidade. A Lei 54/2017, de 14 de julho, prevê a possibilidade de existir um período experimental por estipulação expressa das partes, ao contrário do que acontece no regime geral de trabalho, no qual é obrigatório. Assim, em sede laboral desportiva, o período experimental não resulta da lei, mas da estipulação contratual das partes. Quanto à sua duração cabe às partes defini-la, tendo em conta os limites máximos previstos na lei, ou seja, 15 dias para contratos de duração não superior a duas épocas desportivas ou, no máximo, 30 dias para contratos de duração superior.
2. As partes podem denunciar o contrato durante o período experimental?
Sim. Este período assume um carácter ‘bilateral’, no qual as partes podem denunciar o contrato. Todavia, durante o período experimental o empregador está impedido de denunciar o contrato quando se verifique uma das seguintes situações: i) Quando o atleta participe, pela primeira vez, em competição ao serviço da entidade empregadora, nas modalidades em que seja proibida a participação do praticante ao serviço de mais do que um clube na mesma época/competição; ii) Quando o praticante sofra uma lesão desportiva que o impeça de praticar a modalidade e que se prolongue para além deste período; iii) Quando termine o prazo para inscrição na respectiva federação desportiva. No entanto, se ocorrer uma das situações acima descritas nada impede que o atleta possa denunciar o contrato, caso a ‘experiência’ se mostre insatisfatória."

Pedido de desculpas de José Nuno Martins

"Acerca de exageradas interpretações que vi serem articuladamente produzidas a meu respeito, quero pedir expressa desculpa ao ex-jogador da Selecção Jorge Andrade por incontidas expressões que proferi, depois de haver presenciado uma afirmação muito radical por si mencionada como solução adotável num jogo de futebol.
Ambos teremos sido demasiado infelizes. E, pela minha parte, reconheço, envergonhado, que determinada expressão que usei sem ponderação na simples manifestação da minha indignação possa ter detonado espúrias conotações de xenofobia, racismo ou outros reles sentimentos que jamais experimentei na minha longa vida, fosse em relação a quem quer que fosse e os quais activamente sempre abominei e combaterei. Inequivocamente.
Também, nesta circunstância, igualmente considero ser meu dever apresentar sinceras desculpas pela minha lamentável intervenção perante os leitores do Jornal O Benfica, os espectadores da BTV, os Órgãos Sociais do Sport Lisboa e Benfica e os Benfiquistas em geral."

A luta contra a dopagem

"A ideia que surge em vários textos sobre desporto é simples: lutando contra a dopagem, considerada como uma falsidade da performance, e se possível a eliminar, o espírito do desporto será restituído e a ética desportiva é salva. A dopagem surge com um dos perigos contemporâneos para os valores do desporto. A mobilização em torno destes valores é uma ferramenta de luta. A ética desportiva surge, assim, como a “arma e o alvo”.
As notícias sobre a dopagem enchem, não raras vezes, as colunas dos jornais desportivos. Com a morte de Thomas Simpson (conhecido por Tom Simpson) (1937-1967), numa etapa da Volta à França, em 1967, o Comité Olímpico Internacional (CIO) decide lutar contra a dopagem, com os primeiros controles nos Jogos Olímpicos (JO) do México (1968). As federações desportivas foram muito lentas a instaurar os controles nas suas disciplinas. O Conselho da Europa adopta uma resolução (1966) e depois uma recomendação contra a dopagem (1978). Vários países introduziram legislações específicas ad hoc: Áustria (1962), Bélgica e França (1965), Portugal (1970, Decreto-Lei n.º 420/70), Itália e Turquia (1971), etc. Em 1984, o Conselho da Europa adopta uma Carta Antidopagem, reconhecida pela Comissão Europeia, pela Organização Mundial de Saúde (OMS), a UNESCO e pelas federações desportivas internacionais. Esta carta baseia-se sobre uma lista de métodos e de produtos (substâncias) proibidas, estabelecida, progressivamente, pela Comissão Médica do CIO.
Não colocou fim à dopagem. A luta intensifica-se nos anos 1990. Em 1999, criou-se a Agência Mundial Antidopagem (AMA). A AMA envia observadores a cada edição dos JO e investe uma parte do seu orçamento em pesquisas (exemplo: dopagem genética). A AMA delegou os controles antidopagem nacionais e regionais às agências locais. A luta contra a dopagem é difícil porque é uma fileira económica organizada em rede com os países produtores (Europa de Leste, por exemplo), dos laboratórios de stock (Bélgica, Espanha, Países Baixos, Suíça) para os consumidores norte-americanos, europeus e sul-asiáticos.
Em Portugal, existe a Autoridade Antidopagem (ADop) e existe uma lei recente (a Lei n.º 93/2015, de 13 de Agosto). Vai produzindo, anualmente, relatórios. Um levantamento das informações disponíveis da ADop sobre os casos de dopagem, de 2003 a 2015, dá-nos conta de 564 casos positivos, em várias práticas desportivas. Os desportos mais envolvidos pela dopagem são: futebol (110 casos), o ciclismo (66 casos) e o automobilismo (33 casos).
Se a dopagem interpela a ética, na medida em que é reveladora das derivas das sociedades de consumo, ela abre uma via para um debate ainda mais crucial. A dopagem genética pode ser o sinal deste movimento confuso e programático, que se chama de transumanismo. Associando as tecnologias de melhoria do humano, as biotecnologias, as nanotecnologias, as tecnologias de informação e uma certa concepção da ética, o transumanismo pretende empurrar os limites biológicos do homem para chegar ao estádio do pós-humanismo. O desporto tornou-se o laboratório onde se fabrica o pós-humano, o sobre-humano, ou ainda o homem aumentado? (Esta questão foi alvo de uma investigação que levámos a cabo, com outros colegas, na Universidade Paris-Ouest Nanterre La Défense, em 2015-2016, com a recolha de informações, através de entrevistas semi-directivas, a praticantes de várias modalidades desportivas sobre o corpo modificado)."

O que é o desporto?

"Falamos muito sobre desporto. Tornou-se uma palavra mágica, em todos os domínios. É o remédio universal. A paz encontra-se em perigo? Invoca-se o desporto para ajudar e proclama-se os Jogos Olímpicos (JO) para resolver a paz universal, ocultando a rivalidade das nações. A integração social não funciona? Recorre-se ao desporto. A obesidade é uma obsessão de saúde pública? Eis que surge a palavra desporto. Os laços sociais estão em crise? Apela-se ao desporto para criar o cimento entre os indivíduos. Uma litania faz-se ouvir: desporto, desporto, desporto!
No entanto, se nós perguntarmos: o que é o desporto? O que é ser desportivo?, entendemos palavras confusas. A resposta não é fácil, e, no entanto, ele é objecto de uma organização administrativa notável à escala local, nacional e internacional, responsável pela sua promoção e o seu desenvolvimento. O conjunto é gerido por ministérios específicos, dotados de meios (variáveis) e regulamentado por imponentes textos legislativos. Os candidatos a professores de educação física hesitam na sua definição. Eles veem que o desporto é principalmente uma actividade do corpo, mas não é somente isso. Para além do gesto e da técnica, toda a prática desportiva comporta uma táctica. Todavia, o gesto pode ser reduzido ao mínimo como no xadrez, onde se limita a mexer as peças de uma casa para outra.
Basta consultar alguns livros sobre sociologia do desporto para se constatar que existem imensas definições de desporto. Na aceção actual do termo, dois elementos são importantes: i) o carácter público e, muitas vezes, colectivo das manifestações desportivas; ii) a noção de proeza física mensurável e, neste sentido, susceptível de dar lugar a confrontações de resultados e a recordes.
Não sendo progressista nem regressista, o desporto é a perpétua criação dos homens e das mulheres que o praticam e organizam. Por seu turno, esses homens e mulheres são transformados por essa criação. Como fato social, ele exerce uma influência muito importante na vida dos cidadãos. É um fenómeno cultural de ambição mundial, que “atenua” as pluralidades culturais para as transferir para valores internacionalmente reconhecidos. Ele é consumidor de tempo e produtor de imagens.
Para que haja desporto, é necessário que o lazer tenha um lugar na existência e nos valores sociais dos indivíduos. Foi o que se verificou na história do crescimento e do declínio do desporto na Antiguidade e no mundo contemporâneo.
Remontando um pouco ao passado, sabe-se que a civilização helénica assentava sobre a distinção de uma classe de homens livres e de uma classe de escravos. Os homens livres beneficiavam de uma liberdade formal, puramente política. Os escravos exploravam o solo ou faziam os trabalhos artesanais. Só os homens livres, de língua materna grega, não condenados por crimes e não tendo cometido nenhum perjúrio ou traição, tinham o direito de entrar em competição nos JO, que duraram doze séculos. Os escravos, que poderiam se tornar treinadores, tinham um segundo plano. Os concorrentes (atenienses, espartanos, siracusanos, etc.) sentiam-se gregos. As mulheres casadas, como as escravas, não podiam participar nos jogos masculinos nem serem espectadoras (segundo alguns autores, haveria os Jogos de Hera para as mulheres helénicas, mas eram realizados num momento diferente para elas). As entradas no recinto sagrado (Olímpio), durante os jogos de Zeus (deus grego, o deus dos deuses), eram proibidas sob pena de morte. O desporto na Grécia, que não é apenas o símbolo da cultura grega antiga, mas a sua coluna vertebral, foi submetido às contingências da história e da natureza. A maior parte das estátuas antigas surgem vestidas. O ginásio vem da palavra grega gumnos, que quer dizer nu, sem roupa. Note-se que o culto do corpo no esforço desportivo, como o erótico do nu, está em completa unidade e harmonia com a religião, a arte, a filosofia e a espiritualidade da civilização grega. Contrariamente aos Gregos, Roma não conheceu os desportos. As suas diversas disciplinas atléticas levam a passar, sem transição, da disciplina militar aos jogos de circo. Este povo de conquistadores não tinha nenhum gosto pela luta desinteressada. O catolicismo, inimigo da expressividade do corpo, matou o desporto.
A Idade Média, onde se travou um grande número de batalhas pela causa religiosa, conheceu um espírito desportivo, sobretudo o dos torneios, com uma intensidade e uma “frescura” superior ao da Antiguidade Grega. O espírito do Renascimento levou à derrocada do desporto da Idade Média. Se os cavaleiros e os escudeiros, de espadas e lanças nas mãos, eram desportivos, o humanismo não o foi. Outros usos e costumes. A elite intelectual, depois a Corte, depois o povo, perderam o gosto pelos exercícios físicos. A aristocracia entusiasma-se por um desporto funesto: o duelo importado de Itália. 
É num contexto social bem diferente do que teve lugar, primeiro em Itália, nos Estados do Papa desde o século XV, e depois em toda a Europa, que a tímida tentativa de restauração desportiva encontrou os seus ardentes “advogados”. Em meados do século XIX, o reverendo Thomas Arnold (1795-1842), principalmente no colégio de Rugby, retomou a obra abandonada. Sendo o principal “chefe de fila”, teve o apoio dos seus alunos e “missionários”. Em Inglaterra, primeiro nas “publics schools”, depois nas “grammar schools” e, por fim, nas “high schools”, o desporto surge como um elemento central na educação geral. Ao mesmo tempo, as sociedades de ginástica formam-se na Alemanha, sob o impulso de Friedrich Ludwig Jahn (1778-1852), na Suécia com o apelo a Pehr Henrik Ling (1776-1839), em França pelo trabalho do espanhol Francisco Amorós (1770-1848).
Em 1896, em Atenas, sob a iniciativa do barão Pierre de Coubertin (1863-1937), inspirado pelo exemplo da Grécia, os atletas de diversos países restauraram as Olimpíadas. Os exercícios físicos são recomendáveis, o gosto da luta desportiva é bom em si mesmo porque desenvolve certas qualidades úteis na vida moderna: força, saúde, sangue-frio, coragem, amor pela concorrência e de iniciativa. Os JO constituiriam um oásis de fraternidade cavalheiresca, uma sociedade desportiva das nações. A rivalidade desportiva, mais viva e visível do que a rivalidade industrial, é menos feroz do que ela. Não se contam vidas, nem misérias numa guerra de preços. Na luta desportiva também se morre, certo, mas por acidente. É preciso mostrar o quanto somos numerosos, fortes e decididos.
Os desportos começam a surgir como uma instituição maior do nosso tempo. Aldous Huxley, escritor britânico conhecido pelo seu célebre romance “O Melhor dos Mundos”, enuncia mesmo que o desporto é uma das maiores descobertas dos tempos modernos e que reflecte as estruturas da sociedade. A prática desportiva passa a ser um direito do indivíduo.
O desporto é um fenómeno social que impregna profundamente a vida quotidiana dos homens e das mulheres do século XXI. Divertimento aristocrático na origem, a prática desportiva conheceu, desde o século XIX, um crescimento prodigioso e continua a ser um dos fenómenos sociais mais marcantes da nossa época, dando, assim, razão a Huxley. A sua prática democratizou-se amplamente e envolve quase todos os indivíduos. Simultaneamente, o seu carácter internacional não cessa de se afirmar com maior força. É um fim em si mesmo. “A criança brinca por brincar: o homem também, quando ele pode” (Georges Magnane, Sociologie du sport, 1964, p. 80).
Na sua obra Pédagogie sportive (1922), o barão Pierre de Coubertin reivindicava o lugar dos desportos nos programas de educação e pressentia claramente o papel considerável que seria chamado a desempenhar numa sociedade em transformação pela civilização industrial. Deseja-se, cada vez mais, um “homo sportivus” em detrimento de um “homo economicus” ou “homo capitalisticus”.
Se o desporto continua a ser para muitos uma distracção, às mãos de um grande número de indivíduos, ele é também, actualmente, uma actividade de compensação indispensável a um Homem maltratado pelos múltiplos constrangimentos da vida moderna. Ele é um espectáculo popular com dimensões grandiosas. É a alegria da “alma” na acção. Ele é, sobretudo, um meio de educação, um precioso factor de desenvolvimento pessoal da personalidade e um meio de promoção humana."