Últimas indefectivações

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Sinais da bola

"Mais um miúdo
Yuri Ribeiro, lateral-esquerdo de 19 anos, já jogara com o Real Massamá para a Taça de Portugal e teve nova oportunidade na Taça da Liga. Mais um bebé da formação do Benfica à procura de ganhar espaço. Ontem, porém, não impressionou.

2017 abre em festa
Depois de 44 vitórias no ano civil de 2016, o Benfica iniciou 2017 igualmente em festa. No primeiro jogo do ano, uma vitória tranquila, em casa, com o regresso da grande referência Jonas à titularidade. As águias andam felizes, abrem champanhe...

Lisandro leva 4
Lisandro López marcou o quarto golo da época: Tondela, Arouca e FC Porto para a Liga e, agora, Vizela. Muito mais do que qualquer outro central, pois Luisão tem um golo e Jardel e Lindelof estão em branco. Não será por este suplente que o Benfica terá problemas...

Cinco meses depois
Jonas não marcava desde 7 de Agosto, Supertaça com o SC Braga, 3-0. Foi há cinco meses. Fora também nesse jogo a última vez que a temível dupla Jonas e Mitrolgou actuara de início. Ontem, renasceu uma velha e muito competente ordem benfiquista... Magia...

Tomem lá e marquem
Zivkovic passou o jogo todo numa atitude de «tomem lá que é só marcar...». Cruzou para a cabeça de Mitrolgou no 1-0, marcou o canto para o de Lisandro e ainda serviu Jonas no 4-0. E deu mais que só não contam como assistências porque os companheiros falharam."

Miguel Cardoso Pereira, in A Bola

Dez pontos para explicar a Lei 1

"Este é o primeiro de 18 artigos em que o ex-árbitro Duarte Gomes descomplica as Leis de Jogo. A primeira é a primordial: “Terreno de Jogo”

Porque o prometido é devido, fiquem então com umas pinceladas (apenas isso, umas pinceladas) sobre o que de mais importante há a dizer, a saber e a aprender sobre o palco onde tudo acontece. Onde a magia dá lugar à realidade.
Prometo poupar-vos a alguns dos pormenores mais técnicos (na Lei 1, a do “Terreno de Jogo”, há um sem fim de medidas e distâncias que os árbitros estão obrigados a conhecer).
Mas vamos ao que interessa, em dez pontos.
1. O terreno deve ser de superfície natural ou artificial. Relva ou sintético. Nalguns casos ainda, pelado (terra batida), embora a cor deva ser verde. Mas isso já sabiam.
2. Aquilo que conhecem como“linha de fundo” chama-se, na verdade, linha de baliza. A outra, mais longa, é a lateral. Obviamente.
3. O terreno de jogo é dividido em duas partes iguais, através da linha de meio campo. Aí é traçada uma linha de uma lateral à outra. Sim. Eu sei que esta também era fácil. Mas sabiam que o círculo que existe no centro do campo tem um raio de 9.15m? Bem me pareceu. Na realidade, a linha do meio campo faz sentido por vários factores. Deixo aqui dois dos mais importantes:
a) Colocar cada equipa no lado a que pertencem no início e reinício de cada partida (quando começa o jogo, na 2P ou após golos, por exemplo);
b) Aferir o local a partir do qual se inicia a análise dos fora de jogo (já reparam que os árbitros assistentes só se movimentam entre a linha de meio campo e a de baliza, certo?);
c) Já o círculo central serve para que os adversários de quem executa os pontapés de saída estejam todos à distância certa: a pelo menos 9.15m da bola (sim, tal como acontece na distância mínima a que devem estar as barreiras, nos pontapés livres). O ponto marcado lá no meio é onde se coloca a bola para cada um desse momentos (esta era difícil);
4. Mais coisas. Todas as linhas do campo devem ter a mesma espessura (no máximo 12 cm). E as de baliza devem ser do mesmo tamanho da espessura de postes e barra.
5. A Lei 1 fixa também medidas máximas e mínimas para o tamanho global do terreno de jogo. Mas os campos podem ter outras, desde que não ultrapassem aquelas e têm que estar especificadas no regulamento de competições respectivo (por exemplo, a UEFA e a Liga Portugal definiram outras dimensões).
6. De entre muitas e muitas dimensões e medidas que podíamos escalpelizar (não vamos, já tinha prometido), deixo aqui apenas uma ou duas mais curiosas e interessantes: a marca de penálti tem que estar a 11 m de cada baliza, as bandeiras de canto devem ter no mínimo 1,5 m e a sua haste não pode ser pontiaguda (não vá alguém aleijar-se). Outra bem gira: a baliza tem mais de sete metros de cumprimento e de dois de altura. Ainda assim, é enorme para quem defende um penálti e tão pequena para quem o executa...
7. Os jogadores suplentes e elementos técnicos devem estar sentadinhos (alegadamente, vá) e apenas uma pessoa (uma só, seja ela quem for) pode dar instruções à equipa... de pé. Têm um espaço simpático, chamado "área técnica", onde podem movimentar-se para esse fim. Esta é uma daquelas em que teoria e prática raramente estão de acordo. Esta coisa da razão e da emoção estarem sempre de costas viradas não tem solução fácil.
8. Há pouco falei-vos da dimensão (grosso modo) das balizas. Mas fiquem a saber também que, por ser a casa onde tudo acontece, responsável por tanta alegria e tanta lágrima, elas tem as suas exigências. Para facilitar, imaginem-nas como duas irmãs gémeas. O que uma tem, a outra copia. Querem ser brancas, as duas. Sempre brancas. Se o poste ou barra de alguma delas se partir, pára tudo. Ou se arranja como deve ser ou fim de jogo. São muito cúmplices também. Querem estar bem fixas ao solo, mesmo que sejam amovíveis (convém, porque elas são pesaditas... além disso, ninguém entenderia um golo marcado se uma delas estivesse colada à bandeira de canto!).
9. Estão a ver como há muita coisa para saber? Bem, finalmente já está consagrada a permissão para se utilizar o sistema da Tecnologia de Linha de Baliza (TLB), para determinar quando é ou não marcado um golo (situações de dúvida).
10. Por último: a publicidade no terreno e ao seu redor (seja física e real ou apenas virtual) tem regras exigentes. Há momentos e locais em que são ora autorizadas, ora proibidas. E há outros em que nunca são permitidas. A promoção/industrialização do jogo são fundamentais mas têm limites.
Nota final. Sabia que, se algum jogador fizer marcas ou traçar linhas não permitidas no terreno, vê o cartão amarelo? Não vamos ofender quem tem a nobre tarefa de marcar o campo antes dos jogos, certo?
Para a semana, estamos de regresso, com a Lei 2. Sabem qual é? Não? Fica uma dica: é redonda, muito jeitosa e faz a delícia dos miúdos."

A novos começos

" “Para ganhar um Ano Novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera, desde sempre."
Carlos Drummond de Andrade
Este poema de Carlos Drummond de Andrade toca num ponto fundamental da nossa evolução: sermos capazes de mudar... ou, mais do que isso, sermos pro-activos na busca da mudança. 
Efectivamente, seja qual for o contexto que se possa estar a considerar, o que é um facto é que, se queremos procurar um resultado diferente na nossa vida, alguma coisa temos que mudar... E, essa mudança, começa dentro.
E, demasiadas vezes, esse é o grande desafio.
Demasiadas vezes ouvimos atletas responsabilizar os treinadores pela sua falta de oportunidades, demasiadas vezes observamos treinadores responsabilizar atletas e/ou árbitros pela “falta de sorte”. 
De igual forma, frequentemente ouvimos professores queixarem-se de alunos, alunos de professores, coreógrafos de bailarinos, bailarinos de coreógrafos... e, possivelmente, esta lista seria infindável.
De facto, por tradição ou educação, parece que todos temos sido “pré-programados” para questionar tudo e todos que estão à nossa volta e, muitas vezes, apenas em última instância (e nem sempre!), questionarmo-nos a nós próprios.
A generalidade da literatura que tem sido produzida na área da Psicologia do Desporto, em contexto de alto rendimento, estejamos a falar de atletas ou treinadores, tem apontado alguns factores de sucesso, dos quais, a propósito deste artigo, gostaria de destacar.
Focam-se apenas no que controlam - por outras palavras, focam-se, quase exclusivamente, no seu próprio comportamento e no que podem fazer para atingir níveis superiores de performance. Para este tipo de atletas/treinadores, cada treino assume-se como uma oportunidade... uma oportunidade para melhorar “aquela” acção específica que, mais cedo ou mais tarde, os aproximará do objetivo que desejam.
Então, o desafio que este poema transporta, passa precisamente por este aspecto:
Sermos capazes de questionar o nosso próprio comportamento, avaliarmos em que medida ele já se encontra no patamar que desejamos e em que medida precisamos mudar para continuarmos a ser capazes de aproveitar cada treino, cada dia, como uma oportunidade de consolidação ou optimização da nossa performance.
Atletas e treinadores (e, em última análise, todos nós) têm, se assim o escolherem, a possibilidade de usar cada experiência (cada sucesso mas, ainda mais importante, cada erro/fracasso..) como motor de otimização das suas próprias competências.
O ponto de partida, para todos nós, é ao mesmo tempo, muito óbvio: começarmos por nós próprios, por todos os “pequenos nadas” que podemos corrigir, antes sequer de dedicarmos um minuto que seja a questionar o comportamento dos outros.
365 dias, 365 oportunidades... muito mais do que um mero “cliché”, é o desafio que acabou de nos bater à porta!"

105x68... com o rescaldo da estreia de 2017

Derrota na Sibéria

Enisey 99 - 69 Benfica
21-13, 29-22, 27-18, 22-16

Resultado normal, nesta aventura Siberiana, a diferença de qualidade entre as equipas é abismal!!! Então no jogo interior, é gigante... 41/26 nos ressaltos; 71,4%/39,5% nos 2 pontos!!!
O cenário de 6 jogos, 6 derrotas, nesta fase da Europe Cup é bastante real, e até mesmo muito provável!!!
Como disse anteriormente, espero que o desgaste desta viagem não nos traga dissabores na Liga!!!

Cadomblé do Vata

"1. Caro Zivkovic, se me permites, deixo-te aqui um conselho... cuidado com essas paletes de talento que tens... isso cá em Portugal é coisa para colocar em causa a tua imberbe idade.
2. Se há coisas que se topam à distância, a fome de golos que o Jonas exibiu desde o primeiro minuto dava para ser vista por um cego... bastava ver a forma como ele olhava para a baliza do Vizela... parecia o Bruno César a mirar uma picanha.
3. As melhorias do SLB nestes últimos anos agradam até aos nossos adversários... é certo que quando vão à Luz arriscam um saco cheio em vez de um brilharete, mas levar 4 com golos de um Jonas ou de um Mitroglou é mais digno do que ganhar 3-2 e ser batido pelo Carlitos e pelo Roger.
4. É difícil dizer quem tem menos vontade de jogar no SLB, Carrillo ou Jovic... em campo andam sempre com aquela cara de quem só ali está porque a mulher está perdida no matagal de roupa dos saldos da Zara. 
5. Qual é a semelhança entre o Vizela e o Sporting? O Vizela é treinado pelo Quinta e o Sporting tem os mesmos pontos do quinto (ah ah ah ah ah)."

Benfiquismo (CCCXXXVII)

Primeiros treinos na Catedral em 1954...!!!

Vermelhão: o Algarve está mais perto !!!

Benfica 4 - 0 Vizela


Noite de goleada, em jogo de sentido único, onde até podiamos ter marcado mais alguns golos... Mas além da vitória, a partida vai ficar marcada por duas situações: o regresso do Jonas aos golos; e a excelente exibição do Zivkovic... 'só' com 3 assistências, e muitos desequilíbrios. Espero que a partir de agora, o jovem Sérvio passe a ser pelo menos opção no banco... Sendo que sem o Salvio, é de longe o nosso melhor ala direito!!!
Ainda não estamos qualificados para as Meias-finais, temos que pelo empatar em Guimarães. Situação algo injusta, até porque o Guimarães, nas duas primeiras jornadas, teve todo o 'leite' do mundo, com golos decisivos após o minuto 90, em ambas as partidas!!!
A eleição do Zivkovic como MVP pelos Benfiquistas é justíssima... mas este jogo foi importante, para dar minutos ao Jardel, e ao Samaris (não sei será vendido, as oportunidades de negócio têm-se que aproveitar... mas é por larga margem, melhor que o Celis e o Danilo...!!!). O próprio Pizzi estava a necessitar de 'minutos' após a paragem de Natal com o castigo pelo meio... E o Lisandro voltou a provar o faro pelo golo... para consumo interno, a saída do Lindelof, será pacifica!
O Jonas ainda não tem 90 minutos nas pernas, mas está mais perto... ainda não será titular em Guimarães para o Campeonato, mas deverá ser no jogo da Taça da Liga! O Mitrolgou estava a precisar de golos, e com a possível ausência do Jiménez (!!!), é essencial os níveis de confiança do Mitro estarem altos...! O Yuri voltou a ter uma oportunidade (as lesões do Grimaldo e do Eliseu abriram as portas ao jovem...) e voltou a estar muito regular... só lhe faltou alguma confiança, para fazer os desequilíbrios ofensivos, que ele costuma fazer nos B's... O André está com a 'pica' toda, e quando os canhotos regressarem terá tempo para descansar... Mais uma noite descansada para o Ederson...
O Horta também precisa de minutos... e o próprio Rafa ainda está à procura da melhor forma. O Jovic parece que vai ser emprestado... e está mesmo a precisar de um 'abre olhos'...  o talento ajuda, mas não é tudo!
O Carrillo continua a desperdiçar as oportunidades...
O regresso do Manuel Oliveira à Luz, ficou marcado por mais um penalty não assinalado a favor do Benfica! E desta vez até viu a falta, mas marcou fora da área... mesmo com as marcas das botas bem vincadas na relva!!! Mas para mim o pior voltou mesmo a ser o critério disciplinar: mais um jogo onde os nossos adversários tiveram licença para dar porrada à vontade... nem um Amarelo, num jogo onde o adversário fez falta sistematicamente, uma atrás da outra e quase sempre sem tentar jogar a bola...!!!
Em caso de qualificação, já conhecemos o nosso adversário: Moreirense!!! Mais um objectivo falhado pelos Corruptos, que continuam a disparar contra os árbitros... e continuam a jogar nicles!!! Mas no Benfica, já sabemos que os Campeonatos nunca são fáceis... raramente celebrámos Campeonatos com muitas jornadas de antecedência, os nossos títulos, foram quase disputados até ao fim... e este ano, não deverá ser diferente! A coacção fora das quatro linhas, assim o indica...!!!

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Cuidado com o perigo amarelo!

"O Borussia de Dortmund, próximo adversário do Benfica na Liga dos Campeões, nasceu por causa de um padre maldisposto. Fartos de prepotência, um grupo de jovens do Trinity Youth, um colégio ligado à igreja local, foi fundar um clube com nome de fábrica de cerveja...

Ballspielverein Borussia 09 e.V. Dortmund de nome completo. Borussia é a palavra latina correspondente a Prússia. Sim, bem sei, faz desde logo recordar bigodes curvos e peitos carregados de medalhas. Mas do que falo hoje é do primeiro clube alemão a conquistar uma taça europeia - Taça dos Vencedores das Taças, em 1966 - o que, convenhamos, nada tem de despiciendo.
Haverá espaço, um outro dia, para recordar uma dolorosa (pelo ponto de vista encarnado, claro!) eliminatória europeia entre Benfica e Borussia Dortmund: tão dolorosa que poderia ter valido, na Luz, uma das goleadas mais históricas da Taça dos Campeões (seis bolas bateram na trave e nos postes alemães!!!), e acabou por terminar com um cabaz em Dortmund que feriu como nunca até aí os lisboetas.
Deixemos o assunto, para já. Aliás, não foi assim há tanto tempo que trouxemos a esta vossa página a noite negra do Reno do Norte - Vestefália.
O objectivo, à medida que escrevo, é falar da história do próximo adversário do Benfica nos já agendados oitavos-de-final da Liga dos Campeões.
Clube antigo, fundado em 1909, tem alcunha sonora de Schwarzgelben, nada de muito elaborado, tão simplesmente os negros-e-amarelos. Bem mais amarelo do que negros, acrescente-se.
Os cabouqueiros do Borussia de Dortmund formavam um grupo de jovens muito desagradado com a forma como um padre de nome Dewald queria controlar ferreamente os jogos disputados sob a tutela do Trinity Youth, o colégio que frequentavam e que estava ligado à igreja local. Habituados a frequentarem o pub local, que se chamava Zum Wildshutz, os irmãos Franz e Paul Braun, mais uns poucos de amigos, entre os quais Fritz Schulte, Franz Risse, Gustav Muller e Benno Elkan, dedicaram-se a uma espécie de levantamento de rancho - começando desde logo de proibir o prior de se intrometer nas suas bem regadas reuniões. Porta fechada; guerra aberta,

Um clube anti-nazi!
O nome, Borussia, foi adoptado de uma fábrica de cerveja próxima. O equipamento inicial era às riscas verticais azuis e brancas, mas em 1913 surgiu o berrante amarelo.A vida não foi fácil, de início. Futebol pobre, disputa de campeonatos regionais, tentativa baldada de melhorar à custa de algumas contratações caras para a época e que esvaziaram os cofres do clube e o condenaram à falência.
Com o advento do III Reich, o Borussia de Dortmund tornou-se um exemplo. A reestruturação do desporto na Alemanha, e a reorganização do futebol, com o aparecimento da Gauliga Westefalen, na qual se iniciou a rivalidade entre o Dortmund e o Schalke 04, obrigaram a que os dirigentes dos clubes fossem membros do Partido Nacional-Socialista. O presidente do Borussua recusou-se. Foi preso. Vários membros da direcção, também afastados, começaram a utilizar as instalações do clube para imprimirem propaganda anti-nazi. Foram tempos de coragem. Não seguidos pela maioria dos adversários. Também por isso,o Borussia ganhou um respeito internacional.
A Bundesliga surgiu em 1963. Também ficou para a história: o Dortmund foi a última equipa a conquistar o Campeonato Alemão de Futebol, como se designava anteriormente (já tinha ganho em 1956 e 1957). 1966 foi o ano de brilho intenso: vitória na final da Taça das Taças, frente ao Liverpool, após prolongamento (2-1), com golos de Siegfried Held e Reinhard Libuda. Pela primeira vez uma equipa alemã conquistava a Europa! Talvez não se imaginasse ainda que tantas viriam a igualar o feito. A década que se seguiu foi negra: regresso dos problemas financeiros e queda na II Bundesliga.
No final dos anos 80 surgiu um homem providencial: Ottmar Hitzfeld. A honra voltou. Títulos, a final da Taça UEFA (1993) perdida frente à Juventus e a memorável conquistada da Taça dos Campeões em 1997 (também frente à Juventus), com a ajuda de um antigo jogador do Benfica: Paulo Sousa. Mais finais se seguiram, como sabemos. E um momento único também marcou a história deste clube que vai regressar à Luz ao fim de mais de 50 anos: novamente à beira da bancarrota, em 2003, o Borussia de Dortmund recebeu, por parte do seu maior rival desta década, o Bayern de Munique, um empréstimo de 2 milhões de euros para poder sobreviver. Em seguida veio o ciclo de Klopp e a reconquista do topo. Onde se mantém. É um perigo amarelo que se ergue no caminho da águia..."

Afonso de Melo, in O Benfica

O 'Costa dos Frangos'

"O guarda-redes bicampeão europeu despediu-se dos relvados com... um frango.

O moçambicano Alberto Costa Pereira foi um desportista ecléctico. Praticou atletismo e basquetebol, além de futebol. No 'desporto-rei' começou por ser avançado, mas quis o destino - e uma lesão do guarda-redes da sua equipa - que 'o Costa' fosse à baliza. O talento estava lá e por isso Costa Pereira ganhou uma nova posição dentro de campo.
Costa Pereira representou o Benfica num dos mais gloriosos momentos do Clube. A sua chegada, no verão de 1954, coincidiu com a contratação de Otto Glória, com a renovação do Departamento de Futebol e com a recta final da construção do Estádio da Luz.
Após 13 épocas de 'águia ao peito', sete Campeonatos Nacionais, cinco Taças de Portugal, uma Taça de Honra e duas Taças dos Clubes Campeões Europeus, Costa Pereira decidiu terminar a sua carreira, considerada uma 'das mais brilhantes do futebol nacional'.
A sua festa de despedida realizou-se a 11 de Outubro de 1967 no Estádio da Luz. A transmissão televisiva não impediu que milhares de pessoas se deslocassem ao Estádio para esta homenagem. Realizou-se um jogo entre o Belenenses e o Atlético, ao qual se seguiu a entrada em campo de Costa Pereira com alas compostas pelos jogadores destas equipas e do Benfica.
Depois de lido o elogio ao jogador, seguir-se a cerimónia de entrega de ofertas ao homenageado. A mais peculiar foi a oferta do seu filho... «Que giro o episódio do filho do Costa Pereira quando a correr foi entregar ao pai um... frango! O Costa a rir, a rir, de braços estendidos (talvez com as lágrimas a encherem os seus olhos) recebeu a piada com o coração a transbordar de alegria».
O encontro principal realizou-se entre o Benfica e o Atlético de Madrid, treinado por Otto Glória. O técnico brasileiro chegara ao Clube pouco antes da contratação de Costa Pereira e foi um dos grandes impulsionadores da sua brilhante carreira, pelo que não poderia faltar a esta cerimónia. Ao fim do primeiro minuto de jogo, Costa Pereira saiu de campo e foi substituído por José Henrique. O encontro prosseguiu, tendo terminado empatado a dois golos.
Pode saber mais sobre Costa Pereira na área 23. Inesquecíveis do Museu Benfica - Cosme Damião."

Marisa Manana, in O Benfica

Benfiquismo (CCCXXXVI)

Galrinho...!!!

As tradicionais palavras Presidenciais de Ano Novo...

"O presidente do Benfica não quer ficar descansado à sombra dos louros conquistados. Não lhe faltam ideias e parece ter a capacidade para transformá-las em projectos credíveis. O universo encarnado vai entrar em nova fase de grande dinâmica e, ao quinto mandato, Vieira não dá quaisquer sinais de abrandamento do ritmo frenético...

«Com visão e trabalho sério os sonhos levantam voo»
(...)

- Qual foi o momento mais feliz do seu ano desportivo de 2016?
- O momento em que ficou claro que valeu a pena apostar na formação, trabalhar com uma equipa ficada no êxito do Benfica e nunca desistir ou deixar que nos dividissem. Factores que nos levaram à conquista do tricampeonato de futebol e a bons resultados nas outra modalidades. Naturalmente, que também, como português e amigo do Fernando Santos, vibrei com a conquista do Europeu de Futebol em França.

- E a situação mais desagradável?
- Sempre que os resultados ficam aquém do trabalho que realizamos.

- O Benfica acabou o ano de 2016 mais forte do que tinha acabado o ano de 2015?
- Espero que volte a fazer-me a mesma pergunta em 2017. Será sinal que voltámos a fazer as apostas certas, a trabalhar no bom sentido e a ter resultados. Significará que essa ideia existe e perdura. Mas é bom recordar que há um ano tinha existido uma mudança no topo do futebol do Benfica e hoje existe uma maior estabilidade, pelo que é natural uma melhoria nos resultados.

- Porquê?
- Porque aprendemos as dinâmicas de cada ano e trabalhamos focados no êxito do Benfica, mas, como sempre dizemos, o importante não é como começamos ou estamos num determinado momento, mas como acabamos.

- Até que ponto ser presidente do Benfica já se confunde com quem é o Luís Filipe Vieira?
- Nunca fiz essa confusão. Desde que iniciámos o caminho de resgatar a credibilidade do Sport Lisboa e Benfica que ficou claro que nada é mais importante que a instituição. O Benfica é maior do que quem, em cada momento, está na sua liderança. Confundir isso é um erro básico sem sentido, de quem só se gosta de ver e ouvir.

- A sua família já está habituada a esta situação e a um mediatismo que pode vezes está longe de ser agradável?
- Muito do que foi feito só foi possível com o apoio e a compreensão da minha família. Como em qualquer actividade intensa, o que mais custa são as ausências. Mas por outro lado, sempre soubemos preservar a nossa privacidade e sempre procurei resguardar a família.

- Tem falhado alguns jogos do Benfica, especialmente fora. Como é que vai de saúde?
- Felizmente estou bem de saúde. E as poucas vezes em que não pude acompanhar a equipa, teve a ver maioritariamente com opções relacionados com compromissos de gestão relacionados com o Benfica.

- O que está ainda por fazer no Benfica?
- Uma instituição como o Sport Lisboa e Benfica, com o seu passado, com a sua relevância social e global e com a vitória no seu ADN, tem sempre muito por fazer. Por exemplo, fazer história com a conquista do tetra no futebol, continuar a internacionalizar a marca Benfica como referência desportiva global, aprofundar as potencialidades da formação nas várias modalidades e escalões, onde se inclui o alargamento do Caixa Futebol Campus, reforçar a nossa sustentabilidade financeira continuando o crescimento das receitas e diminuindo gradualmente o nosso défice, lançar uma nova geração de infraestruturas.

- Vão meter mãos já em 2017 a esses projectos?
- Na sua grande maioria, sim.

- Trata-se de uma nova geração de apostas estruturais. O que pretende com isso?
- O grande legado que quero deixar é que quero que o Benfica ganhe tamanha dimensão que seja impossível voltar para trás. Quero que no futuro, independentemente dos meus sucessores, pela estrutura criada, o Benfica continue a ser permanentemente gerido de uma forma empresarial e sempre por profissionais.

- Há uns anos, numa entrevista de Ano Novo a A Bola, falou num «Benfica made in Seixal» e houve muitos que não acreditaram que fosse possível. O que lhes tem a dizer?
- Com visão e trabalho sério, os sonhos levantam voo. Num País com a escala e os recursos que temos, a formação será sempre um pilar fundamental para qualquer projecto desportivo que se queira sustentável e ganhador. O Caixa Futebol Campus é uma referência internacional de bem trabalhar na formação. E basta verificar tantos tantos nomes que têm-se afirmado, desde o Renato Sanches, que ganhou o prémio de melhor jogador jovem do último Europeu, passando pelo Bernardo Silva, André Gomes, João Cancelo e muitos outros que brilham nas principais ligas ou nos que estão connosco na primeira equipa como o Nélson Semedo, Gonçalo Guedes, Victor Lindelof, André Horta ou José Gomes, e outros, que em breve irão aparecer de acordo com um profundo trabalho de planificação a médio e longo prazo que estamos a fazer.

«Com Vitória os egos ficam em de parte»

- Qual a importância de poder vir a ser o presidente do primeiro tetra?
- A importância é para o Benfica e para os benfiquistas porque é fazer história. O que para um clube desta dimensão é obra. Para o presidente é uma colheita das sementeiras que temos feito. Para colher há que ter semeado antes. Alguns acham que pode haver resultados sem trabalho. A realidade desmente todos os dias essa visão. A acontecer, o tetra consolida o padrão desportiva do Benfica. Ganhador e com um projecto de olhos postos no futuro com aposta numa escola com a sua própria identidade e modelo de jogo e numa formação em permanente evolução.

- Há quem diga que o Benfica deixará de ter necessidade de vender jogadores para equilibrar a balança financeira. Quando estima que surja esse equilíbrio?
- Nunca afirmámos isso, bem pelo contrário. Num contexto de concorrência nacional, até talvez seja possível no curto prazo, mas numa vertente de concorrência europeia, isso não é possível. Para competirmos contra os melhores e maiores, temos de ter capacidade de atrair e reter atletas não só de elevados padrões desportivos, mas também económicos. Ora o mercado português não permite gerar receitas suficientes para pagar salários elevados. E por isso, precisamos de continuar a ganhar dinheiro com algumas transacções de atletas.

- No início da época numa entrevista, anunciou desejar «baixar o dívida para 200 milhões de euros». Como o pretende fazer?
- Com um exigente e rigoroso controlo financeiro, sabendo que a Benfica SAD gera por ano uma receita superior a 200 milhões de euros, o que conciliando com os resultados das equipas desportivas, valorização de activos e com o sentido de oportunidade para potenciar a marca Benfica em Portugal e no Mundo, permite que ano após ano e de forma equilibrada se vá reduzindo o passivo, de maneira a atingir o objectivo de o baixar para o equivalente a um ano de facturação.

- Na última entrevista que deu à TVI disse, sobre a renegociação do contrato com a NOS: «Estamos felizes com o contrato que temos mas se tivermos de percorrer o caminho da clarificação de algumas das coisas combinadas vamos percorrê-lo». O que mudou entretanto?
- Estamos a trabalhar em sintonia com o que dissemos.

- Mas é verdade que enviaram uma carta à NOS a contestar os valores tendo em conta o acordo assinado com o Sporting?
- É verdade que tem havido correspondência trocada entre as partes.

- Tem viajado com frequência para a China. Qual o objectivo?
- O de sempre. Reforçar a marca Benfica como referência desportiva global.

- Pode entrar um investidor chinês na SAD?
- Quando e se houver novidades os benfiquistas saberão. Estas questões não se tratam na praça pública. De uma coisa podem os benfiquistas e os investidores estar certos: a relevância do nosso passado, do caminho percorrido e dos resultados alcançados e a nossa estabilidade, são activos que nos permitem não precisarmos ou dependermos de um qualquer investidor em especial.

- Há uma real hipótese chinesa para o naming do Estádio da Luz?
- Quando e se houver novidades, os benfiquistas saberão.

- Como ficou a sua relação com Rui Gomes da Silva?
- Na mesma. Óptima. Somos amigos. O Rui contribuiu para o caminho que percorremos e continuará a contribuir. Tenho orgulho no seu contributo e ele continua entre nós.

- Têm-se ouvido muitas queixas da arbitragem, por parte dos principais rivais do Benfica. Como analisa essa questão?
- Vamos a factos concretos: o Benfica, esta época, com o Setúbal e o Marítimo, foi prejudicado por erros de arbitragem com reflexos directos nos resultados. E penalties claros, nem se fala. Basta lembrar o último jogo com o Rio Ave. Mas como um conhecido comentador disse, a diferença é que o Benfica resolve esses problemas ganhando mais vezes. No deve e no haver, as queixas que oiço por aí só  têm um objectivo, o de condicionar os árbitros e desviar as atenções de sucessivos maus resultados. Nas competições europeias também foram os árbitros portugueses? Sente-se mesmo uma campanha de condicionamento criando uma ideia, que depois quando tudo analisado, nada tem a ver com a realidade concreta do balanço das arbitragens.

- E como analisa aqueles que assumem que têm a melhor equipa portuguesa? O Benfica é o melhor porque está à frente?
- O que eu não tenho dúvidas e o que pretendemos é que o Benfica seja a mais humilde, determinada e ambiciosa equipa em todos os jogos. Quanto ao resto, no fim é que se fazem as contas. E nesta casa há muito que existe um conjunto de princípios que sabemos serem o caminho para o sucesso: trabalho, muito trabalho, respeitar todos os adversários por igual, pouca conversa e juntos somos mais fortes.

«É necessário defender o prestígio do futebol português»

- Está com o seu castigo de dois meses suspenso por uma decisão do TAD. Muitos benfiquistas dizem ser incompreensível que só no seu caso tenha existido uma decisão célere do CD da FPF. Como comenta?
- Começa a ser estranho que a justiça seja muito célere nuns casos, e ainda bem, mas noutros exista como que um apagão. Processos que vêm desde o ano passado os actuais não existem quanto a alguns protagonistas. E para quem assista à distância, ver o castigo que me queriam aplicar por umas pretensas palavras em ambiente privado, comparando com aquilo que se ouve todos os dias, de acusações públicas a tudo e todos levantando suspeitas e nada acontece, deixa naturalmente perplexas as pessoas. Lamento porque tudo isto só descredibiliza essas entidades. Mas apesar de tudo, com a entrada neste novo ano, espero que se cumpra aquela máxima, ano novo vida nova com justiça célere para todos.

- Nas suas mais recentes intervenções tem vindo a apelar a uma maior moderação. Porquê?
- É necessário defender o prestígio do futebol português. Um prestígio reconhecido internacionalmente! Chega a ser chocante ver alguns protagonistas quererem, a todo o custo, manchar a nossa imagem, até lá fora. Portugal tem muitos dirigentes de qualidade reconhecida, tem muitos treinadores de excelência e jogadores de topo, que vão desde o Ronaldo até às mais recentes descobertas de jovens já com classe mundial. Perante este quadro, procurar denegrir este trabalho e esta indústria não faz qualquer tipo de sentido. O País orgulha-se do trabalho que os clubes e as selecções têm feito. Querer manchar todos os dias este mundo só por necessidade de sobrevivência é absurdo e destrutivo. Pelo contrário, construtivo é contribuir com propostas concretas e dar o exemplo com as suas atitudes.

- Rui Vitória tem mais ano e meio de contrato. A renovação já está em marcha?
- A satisfação pelo trabalho realizado e pelos resultados conquistados tem sempre futuro.

- Pressentia que o treinador conseguisse tanto sucesso logo na primeira época de Benfica?
- Não foi pressentimento, foi convicção a partir da personalidade, humildade e capacidade de trabalho em sintonia com o projecto desportivo e de gestão do Benfica, que encontrei desde a primeira hora em Rui Vitória.

- Como é a relação com o treinador, de cumplicidade ou simplesmente profissional?
- Somos amigos. A sintonia e a partilha de objectivos em favor de uma instituição com a relevância do Sport Lisboa e Benfica só é possível quando existe disponibilidade para deixar os egos de parte. Só a cumplicidade consegue superar as dificuldades e os obstáculos que são colocados. O Rui é uma excelente pessoa, um grande treinador, um senhor do futebol que se distingue pelo trabalho, pela atitude e pelos resultados. E no início a forma como soube afirmar-se, foi desde logo a melhor demonstração da boa escolha que fizemos.

- A reformulação do departamento clínico está em estudo? Houve várias reuniões no início da época para perceber o problema de tantas lesões em simultâneo. A que conclusões chegaram?
- Confiamos totalmente na nossa estrutura e equipa médica. Que ano após ano têm dado uma cabal resposta. A verdade é que com ou sem lesões, e temos que analisar e diferenciar caso a caso o que se passou, era impossível estar em melhor situação na tabela classificativa. No fundo se algo, sobressaiu nesta fase, foi o mérito da gestão dos recursos do plantel por parte da nossa equipa técnica.

- Que se passou realmente com a lesão de Jonas: operado a 11 de Agosto, voltou a jogar 15 dias depois (na Madeira) e de seguida parou e só regressou agora?
- O Jonas regressou e bem. As lesões são como as pessoas, não são todas iguais e algumas precisam de mais tempo do que outras. O caso do Jonas infelizmente pode acontecer a qualquer um de nós. Agora, felizmente essa questão foi ultrapassada e para alegria de todos os que gostam do futebol, Jonas aí está de novo.

- E quanto a renovações de jogadores? Ederson, Lisandro López…
- O Benfica cuida bem dos seus activos e assim continuará. Defender os interesses do Benfica e dar confiança e estabilidade aos atletas faz parte da nossa forma de funcionar. Pela sua qualidade, é natural que exista sempre muito interesse pelos jogadores do Benfica. É uma questão natural nesta casa. Agora cada coisa a seu tempo.

- Luisão está no último ano de contrato. Vai renovar?
- O Luisão foi, é e será sempre uma referência no Sport Lisboa e Benfica. Tem sido o meu companheiro e amigo desta caminhada. E existe uma perfeita sintonia entre nós. Neste momento, essa é uma não questão porque Luisão é um símbolo do nosso clube.

- Esperava que Luisão continuasse a ter tanta influência na equipa como tem apresentado?
- Luisão mantém a mesma influência hoje como no passado. As referências com a experiência ainda contam mais.

- Jardel foi o jogador mais utilizado no Benfica em 2015 /16. Esta época tem somente 270 minutos. Isto teve a ver com problemas físicos ou jogador ficou aborrecido por não ter sido transferido no verão?
- Os profissionais como o Jardel não se condicionam por estados de alma. Jardel está de regresso e é mais um para atacarmos o que falta para a conquista do ambicionado tetra.

«Falto-nos fazer história com a conquista do tetra»

- Perspectiva alguma venda importante para janeiro? Fala-se em Lindelof, Grimaldo, Nélson Semedo, Ederson, Gonçalo Guedes?
- Nunca fechamos os olhos a uma boa oportunidade de mercado que conjugue a defesa do interesse do Benfica com a vontade do atleta.

- Há propostas para saídas em cima da mesa?
- As nossas mesas são sempre muito diversificadas e dinâmicas.

- Lindelof está ou não negociado para sair já?
- O Lindelof é jogador do Benfica, com contrato e cláusula de rescisão. Vamos esperar.

- Ederson tem sido seguido pelo Manchester City. Pondera perder o guarda-redes?
- Já reparou que o tricampeão nacional entrou na nova época com poucas vendas? Nas perguntas que me fez já vendeu mais de metade da equipa, quando o treinador até agora, não teve disponíveis muitos jogadores. Neste momento não estamos disponíveis para vender mais nenhum jogador, excepto como é óbvio, caso surja uma proposta que sirva os interesses do Benfica e do atleta de forma inequívoca.

- Qual é o jogador de quem mais se orgulha neste plantel?
- Todos os que, com profissionalismo e amor ao Benfica, têm dado um contributo para chegarmos onde chegámos.

- Hermes, lateral esquerdo que chega nos próximos dias, pode ser o sucessor de Grimaldo?
- O Hermes é um reforço, uma alternativa, se não fosse para somar não vinha para o clube.

- Prevê-se mais alguma contratação neste mercado de inverno? Fala-se em Seferovic…
- Não temos necessidade de comprar, mas nunca fechamos os olhos a uma boa oportunidade de mercado.

- Houve algum jogador que Rui Vitória tenha pedido que não tenha conseguido contratar?
- Estamos sintonizados com o treinador. As coisas não funcionam assim, entre partes, somos uma unidade. É por isso que não nos dividem e as coisas correm bem.

- Como avalia o rendimento de Carrillo esta época? Confirma que houve propostas para o poder vender no verão?
- Quantas vezes chegaram jogadores ao Benfica que não explodiram de imediato? O Carrillo é um bom jogador. Mais tarde ou mais cedo vai voltar a demonstrá-lo.

- Zivkovic foi contratado como grande promessa do futebol sérvio mas ainda não apareceu na equipa. Esperava mais dele?
- O Zivkovic é um talentoso jovem internacional que nos irá dar muitas alegrias.

- Como resolver a situação de Taarabt? E de Bilal Ould-Chikh?
- Como fizemos com outros no passado, resolvendo-os. Só quem não tem de decidir é que não corre riscos.

- Danilo está por empréstimo. Equaciona a aquisição do passe?
- Danilo é um bom jogador mas essa avaliação será feita no momento oportuno.

- Dortmund é o adversário na Liga dos Campeões. Até onde acha que pode ir este Benfica nesta prova?
- Atingimos o primeiro objectivo que foi superar a fase de grupos. Mas a nossa ambição é a de sempre. Ir o mais longe possível e entrar para ganhar sempre. E são vitórias importantes, tanto para o Benfica como para Portugal, que precisa de pontos para manter a sua posição no ranking da UEFA.

- Há muito que ambiciona levar o Benfica a uma final da Champions. Este plantel tem potencial para isso?
- Não falta ambição nem engenho a um plantel que, com várias lesões, consegue chegar a este momento na liderança do Campeonato, na Taça de Portugal, na Taça da Liga e nos oitavos de final da Liga dos Campeões…

A qualidade de Fernando Gomes e o extraordinário Fernando Santos
Luís Filipe Vieira elogia FPF quer repostas mais céleres da Liga de Clubes
- Como avalia o desempenho da Direcção da FPF?
- Como corolário do trabalho dos clubes. Esta é a Federação Portuguesa de Futebol que, presidida com muita qualidade pelo Dr. Fernando Gomes, criou condições para que Portugal seja Campeão da Europa de futebol. O que conseguimos em França não caiu do céu. É o resultado do trabalho de uma liderança na FPF reconhecida internacionalmente e do extraordinário trabalho do seleccionador nacional Fernando Santos.

- E o que pensa da Direcção da Liga de Clubes?
- O resultado da soma dos clubes será tanto melhor quanto maior for a disponibilidade destes em não se constituírem em obstáculos à afirmação do futebol como fenómeno desportivo de massas com grande importância para a economia do País e para afirmação dos clubes e do País. Partilhamos com a Liga de Clubes esse esforço de credibilização e de afirmação do futebol português, nem sempre concordando com tudo, mas sempre pautando as nossas intervenções com espírito crítico construtivo e respeitando os protagonistas e as instituições do futebol. Também aqui infelizmente, temos registado silêncios e várias velocidades da justiça, perante comportamentos e atitudes que nada têm contribuído para a credibilização do futebol, que ficaram sem a devida e adequada resposta da Liga de Clubes.

«Ainda bem que o ridículo não mata»
Suspeitas levantadas pelo presidente do Sporting chutadas para canto: «Só o Benfica interessa»
- Bruno de Carvalho disse numa entrevista recente que «o presidente do Benfica está obcecado com o Sporting». Isto corresponde à realidade, está mesmo obcecado com o Sporting?
- A realidade fala por si. A realidade desmente essa conversa. A nós, só o Benfica nos interessa.

- As criticas do Sporting à arbitragem no derby fazem sentido?
- Pelo que sei, fazem parte de um padrão de comportamento, não decorrem de um resultado, mas da falta deles. A nós, acredite, só o trabalho do Benfica nos importa.

- Bruno de Carvalho também acusou o Benfica de estar por trás de uma eventual candidatura concorrente à dele nas eleições do Sporting. Que comentário lhe merece estar afirmação?
- Felizmente que o ridículo não mata. Repito, o nosso único foco é o Benfica.

«Só há por aí um iluminado que se arvora em justiceiro»
Para acabar com o ruído, kits Eusébio passaram a ter apenas o camisola e 'voucher' para o museu
- Ainda a questão dos vouchers: quanto é que o Benfica realmente gastou com os kits que foram oferecidos? Quantos foram realmente utilizados?
- As cortinas de fumo têm sempre um problema é que se esfumam e a realidade fica à vista de todos. Esta teve um objectivo, não foi conseguido. A Liga (ndr: através da Comissão de Instrução e Inquéritos), a Federação Portuguesa de Futebol (ndr: por via do Conselho de Disciplina) e a UEFA (ndr: mais recentemente por decisão de um Instrutor do seu Comité de Disciplina) não encontraram quaisquer indícios de mínima irregularidade reconhecendo que a oferta do kit Eusébio com os ditos vouchers são uma mera cortesia. Sabe, ficamos com a ideia de que estamos todos errados e só há um iluminado que está certo e se arvora em justiceiro num estilo já bastante desgastado. Mas sobre este assunto falaremos em definitivo depois de todas as instâncias jurisdicionais se pronunciarem definitivamente.

- Os kits Eusébio continuam a ser oferecidos aos árbitros? Com ou sem voucher?
- É lamentável e triste achar que alguém podia ser condicionado por uma mera oferta de cortesia. Continuam a ser oferecidos, mas tendo nós percebido que após o ruído sensacionalista gerado com os vouchers a utilização destes podiam causar algum incómodo - razão peça qual creio, na última época nenhum foi utilizado - neste início de época entendemos fazer incluir no kit Eusébio somente um voucher para visita ao Museu Cosme Damião.

«Nas modalidades estamos satisfeitos mas queremos mais»
Aposta vai ser aprofundada com dotações infraestruturas para colocar o foco sobre a formação.
- Está satisfeito com o rendimento desportivo de modalidades como o basquetebol, o voleibol e o andebol?
- Globalmente é bastante positivo o balanço que faço das modalidades, não esquecendo que ganhar é sempre o objectivo do Benfica. Foi um ano marcado pela presença em cerca de uma dezena de supertaças, temos o Benfica a lutar na Europa nas mais diversas modalidades, desde o basquete, vólei, hóquei entre outras, e tivemos a maior delegação de atletas do clube em Jogos Olímpicos. Estamos satisfeitos com o trabalho e a entrega dos dirigentes, dos treinadores e dos atletas, mas nesta casa queremos sempre mais. Agora também aqui repetimos a máxima, apostar na formação.

«Mais 29 quartos no Seixal»
Luís Filipe Vieira está de olhos postos no futuro e sente que as infraestruturas do Seixal estão a tornar-se insuficientes para as necessidades estratégicas do Benfica. E projecta já para o ano que ontem arrancou, uma série de mudanças, a começar, segundo revela, «pelo alargamento do Caixa Futebol Campus, com a criação de mais áreas de trabalho e capacidade de alojamento». Ou seja, e concretizando, Luís Filipe Vieira aponta para «a ampliação do edifício, aumentando em mais de 29 quartos e 58 camas a sua capacidade hoteleira, criando novos ginásios de manutenção e recuperação e aumentando as áreas de trabalho para todo o staff técnico, Benfica LAB e equipa médica».

«Mais quatro ou cinco campos»
Mas os melhoramentos não se ficam pela capacidade hoteleira. Luís Filipe Vieira fala em «aumentar muito a capacidade de espaços para treino, encontrando terrenos junto ao actual equipamento de forma a criar no mínimo mais 4 ou 5 novos campos de treino». Segundo o presidente do Benfica «a expansão não ficará por aqui». «Para nós o Seixal terá de ser a fonte de riqueza de futuro do clube. Esta é a grande aposta do Benfica».

«Haverá uma residência sénior para benfiquistas»
Há muito que Luís Filipe Vieira se preocupa com a situação de vida das antigas glórias do Benfica. Nos seus mandatos, tornou-se habitual ver as referências do passado a frequentar o camarote presidencial da Luz e em várias ocasiões marcantes na vida do Benfica foram convidados a viajar com a equipa. Isso aconteceu, por exemplo, nas finais da Liga Europa em Amesterdão e Turim, quando Vieira convidou todos os campeões nacionais pelo Benfica para assistirem aos jogos. Por isso não admira que o presidente encarnado coloque como prioridade a criação de uma residência sénior. «Outro projecto em que estamos a trabalhar, estando hoje a ser procurada e ultimada a escolha do terreno onde se vai localizar, será a criação da Residência Sénior. É um projecto de grande exigência técnica mas em que estamos muito empenhados». Trata-se de uma forma de criar as melhores condições de final de vida aos antigos jogadores, ou, pelo menos, garantir-lhes assistência médica na terceira idade. A rentabilização será feita com a abertura a benfiquistas que queiram eleger este espaço para passarem a fase final da sua vida. O espaço irá acolher cerca de 90 residentes.

«Parcerias com a Junta de Freguesia de São Domingos de Benfica»
Para obviar a falta de equipamentos e potenciar a expansão do Benfica nas modalidades, Luís Filipe Vieira afirma: «já estamos a fazer parcerias com a Junta de Freguesia de São Domingos de Benfica, de forma a que através do aluguer e gestão de equipamentos da comunidade, se esteja a alargar a nossa oferta e nos permita estar mais perto de mais jovens, numa área onde o crescimento da procura tem sido notável em algumas modalidades».

«Vai nascer um Centro de Treino de Alto Rendimento»
Esta deverá ser a obra mais emblemática do presente mandato de Luís Filipe Vieira. Para fazer face às necessidades das modalidades de alta competição, que não encontram resposta nas actuais condições do clube nem nas estruturas públicas de apoio, o Benfica propõe-se, avançar com ambição para um grande projecto estruturante. Diz Luís Filipe Vieira: «Estamos a fechar na Área Metropolitana de Lisboa, a licença de concessão de um terreno por 70 anos, para a criação de um Centro de Treino de Alto Rendimento para as modalidades e também para o futebol, que pretendemos equipar com o que de mais avançado e inovador existe, naquele que vai ser mais um marco de afirmação do nosso projecto de futuro».

«Projecto educativo ligado às escolas»
O âmbito social tem sido uma preocupação do líder encarnado e a Fundação Benfica é uma peça importante em tudo o que envolve essa vertente. Luís Filipe Vieira revela que «o trabalho da Fundação também continua a crescer de dia para dia» acrescentando estarem ainda «a desenvolver um projecto educativo ligado às escolas com visitas ao Museu Cosme Damião que conta com parceiras com diversas instituições e personalidades destacando-se, entre outros, a participação da Editora Leya, do Inatel, ACP, Barraqueiro e personalidades como Isabel Alçada ou Ana Maria Baptista».

«Benfica Rádio e novo 'site'»
O Benfica também vai pisar novas rotas na área da comunicação. O presidente diz como: «Gostaria de destacar dois projectos, o lançamento do novo site que na prática será toda uma nova plataforma digital, contributo decisivo para a aproximação aos milhões de sócios, adeptos e simpatizantes do SLB espalhados pelo mundo e a Benfica Rádio que completará e se integrará no conjunto de ofertas que o nosso clube oferece nos mais diversos meios».

«Vai nascer na Baixa o Hotel Benfica»
Lisboa vive dias de crescimento turístico sem paralelo e a Baixa alfacinha está, todos os dias, a criar condições para alojar quem visita a capital de Portugal. Por isso, Luís Filipe Vieira vai avançar com um novo e ambicioso projecto, que explica da seguinte forma: «Tendo detectado a forte projecção da nossa loja no centro de Lisboa, estamos a pensar seriamente em construir o primeiro hotel temático do Benfica aproveitando o nosso edifício histórico, com uma localização de excelência na Rua Jardim do Regedor, onde funcionou, em tempos, a secretaria-geral, numa altura em que Lisboa está em profundo crescimento como polo de atracção turística».

«Ligação em rede de todas as 290 Casas do Benfica pelo mundo»
Ao longo dos mais de treze anos que leva na presidência do clube da Luz, Luís Filipe Vieira sempre deu muita atenção às Casas do Benfica. No ano que agora começa, o investimento nesse sector tão caro aos sócios vai ser aprofundado, no sentido de uma rápida modernização. «Temos 290 Casas em todo o mundo», diz Vieira. «90 já estão uniformizadas quando ao design e materiais no exterior e interior e ligadas em rede e com vendas de produtos diferenciados para sócios e clientes. Mas este ano, o grande objectivo é a ligação em rede de todas as Casas, para quem em qualquer parte do mundo se passe a poder utilizar todos os serviços proporcionados pelo Benfica, permitindo que os benfiquistas estejam em permanente ligação e comunicação com o clube, para que se torne mais fácil, aquilo que mais gostaríamos - que para todos os milhões de adeptos e simpatizantes do Benfica passe a ser mais fácil e vantajoso ser  sócio do Benfica»."

Entrevista de José Manuel Delgado, a Luís Filipe Vieira, in a Bola

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Olhar de A a Z sobre o ano novo de 2017

"Aqui se identificam vários temas e personagens capazes de fazer correr muita tinta, por boas ou más razões, no ano de 2017

Arbitragem - Não se prevê uma grande mudança de hábitos, por cá, no ano que agora entra.
Bernardo Silva - O Mónaco começa a ser curto para tanto talento. Hora de dar o salto.
Confederações - Portugal numa prova onde só se entra pela porta grande da glória...
Direitos TV - 2017 vai ser marcado por vários acertos de contas. E não será um ano pacífico...
Eleições SCP - A 4 de Março os leões vão a votos. De lhos postos nos resultados do futebol.
FIFA - Infantino tem em mãos a hercúlea tarefa de regenerar a imagem da entidade. É obra!
Geringonça - Até que ponto as autárquicas vão abalar a Geringonça e a estabilidade do País?
Hotel Benfica - Promete ser uma das novidades extra-futebol de 2017, em plena baixa.
IPDJ - Este organismo estatal tem em mãos o processo do vapor no túnel de Alvalade. E agora?
José Mourinho - O M. United está a recuperar e pode ser o ano do regresso do Special One.
Lindelof - Uma mais valia de 180 vezes o investimento é algo impensável. Está quase...
Messi - Acossado por CR7, que só está a uma Bola de Ouro, que resposta vai dar?
Nélson Évora - Mudou de clube, de treinador e de país. Muita expectativa para 2017.
Oitenta - Pinto da Costa soprará 80 velas em Dezembro de 2017. Ano de retoma do FC Porto?
Placard - As apostas desportivas vão de vento em popa e o dinheiro que circula é bem-vindo.
Qualificação - A Selecção terá jogos difíceis, de olhos postos no apuramento directo para a Rússia.
Ronaldo - Vai defender quase todos os títulos individuais ao alcance de um futebolista.
Selecção feminina - Portugal estreia-se no Europeu!
Tetra - Luís Filipe Vieira será o primeiro presidente do Benfica tetracampeão? Parada alta!
UEFA - O novo presidente tem em mãos o sensivel dossier da Liga fechada dos clubes mais ricos.
Villas Boas - Experiência milionária na China, numa carreira muito amiga da conta bancária.
Xenofobia - Uma luta de todos os dias, no desporto também, em plena crise de migrantes que marca a vida da Europa.
Zidane - Melhores os resultados que as exibições, mas a verdade é que o Madrid é uma máquina de ganhar. Continuará a sê-lo?

ÁS
Nélson Semedo
Poucos adivinhariam que a saída de Maxi Pereira do Benfica para o FC Porto ia abrir espaço para um lateral direito que meia Europa hoje cobiça. Tem talento e ambição, defende bem (embora ainda necessite de algumas afinações...) e ataca ainda melhor. Dificilmente continuará, na próxima temporada, na Liga portuguesa.
(...)

Pré-campanha agita os dias em Alvalade
«Que no ano novo os sportinguistas não fiquem ofuscados pelo ódio de Bruno de Carvalho a tudo e todos»
Madeira Rodrigues, candidato à presidência do Sporting
Bruno de Carvalho parte favorito mas Madeira Rodrigues promete dar luta. E a ver vamos se não aparece mais algum candidato ao trono leonino. Como em quaisquer outras eleições de clube, os resultados desportivos também terão um papel relevante na disputa. O que fica claro e que ter eleições em Março, quando as decisões desportivas estão no auge, não é grande ideia. A rever...

E CR7 nem assim ficou de olhos em bico...
Na China não falta dinheiro, o país continua a crescer exponencialmente e o futebol é uma das áreas onde o investimento é mais mediatizado. Cristiano Ronaldo recusou na última semana 500 milhões de euros por cinco anos de contrato, havendo ainda outros 300 milhões disponíveis para convencer o Real Madrid. Uff!!!

'Around the clock'
Fiéis à lógica de que é preciso levar o espectáculo ao consumidor, competições onde vigora o mais alto profissionalismo como a NBA e a Premier League passaram praticamente ao lado do Natal e do ano novo, promovendo jogos nessas datas festivas. Estádios e pavilhões a abarrotar e óptimas audiências televisivas foram o corolário dessa política, que nos deve, pelo menos, fazer reflectir. Os melhores jogos da NBA da temporada disputaram-se a 25 de Dezembro e a Premier League teve jornada a 31 de Dezembro e a 1 de Janeiro. E logo com um golaço de Giroud (um 'escorpião' a pedir meças a Mkhitharyan) que vai, de certeza, dar a volta ao Mundo..."

José Manuel Delgado, in A Bola

"Estou na história do futebol com Maradona, Henry e Messi"

"Vata ficou famoso pelo golo com a mão ao Marselha e com a mesma emoção de há 26 anos garante: "Foi com o peito!" Vive agora na Austrália e quer descobrir talentos para o Benfica

A noite de 18 de abril de 1990 mudou a vida de um discreto avançado angolano, muitas vezes utilizado como arma secreta pelo então treinador do Benfica, Sven-Göran Eriksson. Vata Matanu Garcia, ou simplesmente Vata, o nome de guerra que entrou para o baú de memórias do futebol. Os encarnados precisavam de um golo frente ao Marselha, no Estádio da Luz, para garantirem o apuramento para a final da Taça dos Campeões Europeus e, aos 82 minutos, após um canto de Valdo, lá estava ele a desviar para a baliza do incrédulo Jean Castaneda.
O estádio explodiu de alegria com mais de 120 mil espectadores a reactivarem o inferno da Luz que, por essa altura do jogo, já começava a descrer num golo milagroso. Mais de 26 anos depois dessa noite, Vata, hoje com 55 anos e a residir em Melbourne, na Austrália, falou ao DN.
Assim que atendeu o telefone não conteve as gargalhadas. "A melhor recordação de Portugal? Ah! Ah! Ah! Ah!" Parecia que já estava à espera da pergunta para a qual tinha resposta na ponta da língua, mas ainda assim preferiu fazer dois dribles antes de rematar: "A primeira grande recordação foi ter jogado no Benfica, a segunda foi ter sido melhor marcador do campeonato... A terceira? (mais risos) claro, aquela meia-final com o Marselha."
A noite que jamais esquecerá começou com um aviso premonitório. "Quando eu entrei em campo na segunda parte, o Mozer, que era o patrão da defesa do Marselha, disse-me: "Não vens para aqui estragar a minha festa!"", recordou... parecia que estava a adivinhar. "Ele conhecia-me bem, tínhamos sido companheiros de equipa na época anterior e sabia do que eu era capaz", contou. "Ele ficou magoado com aquele golo, mas somos amigos e agora quando conversamos rimos do que aconteceu."
Mas Vata é um nome aziago sobretudo para os franceses e o próprio ex-jogador teve a oportunidade de confirmar isso mesmo quando visitou França em 2014. "Ninguém me esqueceu e não me perdoam. O engraçado é que falaram comigo como se o jogo tivesse sido ontem, com mágoa... diziam--me: "Vê bem o que nos fizeste!"."
Ao falar assim, parece que Vata já assume que utilizou a mão para marcar ao Marselha. Só que quando o DN lhe pergunta se assim foi, a resposta foi automática: "Com a mão? Não! Foi com o peito. Estou de consciência tranquila e tenho dito sempre o mesmo, mas respeito a opinião de todos, pois aquele era um momento importante da vida de muita gente."
O que importa para Vata é que a sua marca "vai perdurar por muito tempo" e não tem dúvidas de que aquele golo ao Marselha o tornou famoso: "Entrei para a história do futebol europeu e mundial, pois quando falam em golos célebres citam sempre o meu e os de Maradona, Thierry Henry e Messi." Porquê? Porque todos eles marcaram golos importantes com a mão, El Pibe à Inglaterra, o francês à Rep. Irlanda e da estrela do Barcelona no dérbi com o Espanyol em 2007.

"Com Valdo e Chalana era fácil"
Vata vive com a família na cidade de Melbourne, onde até há pouco tempo treinava a equipa de sub-20 do Werribee City. "O futebol faz parte da minha vida. Vim para a Austrália em 2001, depois estive três anos na Indonésia como treinador [do Deltras e Persija]. Voltei a seguir a Melbourne e em 2010 fui para Angola trabalhar com a Federação para incrementar o futebol de praia. Mas por causa de um problema familiar tive de voltar à Austrália. Tenho dois filhos, um com 9 e outro com 12 anos, e faço de mãe e de pai para eles", revelou.
Apesar de estar do outro lado do mundo, Vata não esquece os amigos que fez em Portugal e no Benfica. "Há pouco tempo falei com o Magnusson pelo Facebook, e quando estive em Lisboa, em 2014, encontrei vários amigos como o Valdo, Hernâni, Paneira, Diamantino, Veloso, Schwarz, Samuel e outros. E sabe uma coisa? Estivemos a falar e tudo o que vivemos estava ali bem vivo, afinal a nossa relação enquanto jogadores era muito forte, o grupo era fantástico", revela. "Devo-lhes muito. Tinha grandes jogadores ao meu lado. Só tinha de esperar que o Valdo, o Chalana e outros fizessem o seu trabalho para depois rematar a bola para dentro da baliza. E é por isso que as pessoas não se esquecem de mim."
O Benfica continua a fazer parte da sua vida. Acompanha os jogos, apesar das onze horas de diferença entre Lisboa e Melbourne, e não esconde a satisfação de ver o clube conquistar títulos. "Só falta fazer uma boa figura na Champions, porque de resto o Benfica está a dominar o futebol português", assumiu, não hesitando depois quando questionado se o Vata de há 26 anos tinha lugar no actual plantel de Rui Vitória: "Claro que jogava. No meio de grandes jogadores é mais fácil empurrar a bola para a baliza." Ainda assim, destaca o papel desempenhado por Jonas. "É um avançado fantástico, mas só se parece comigo por marcar muitos golos", diz, com mais uma sonora gargalhada. O Benfica até bem pode voltar a fazer em breve parte da vida de Vata num futuro próximo. "De vez em quando colaboro com o clube. Estou sempre em contacto com o Gonçalo Nuno, director internacional das camadas jovens, e estou a pensar indicar alguns jovens para irem treinar ao Seixal para que se possam desenvolver e, quem sabe, serem aproveitados pelo Benfica", revelou, garantindo que "há bons talentos na Austrália... só precisam de trabalhar de forma diferente"."

Benfiquismo (CCCXXXV)

Está quase a chegar...!!!

domingo, 1 de janeiro de 2017

Uma Semana do Melhor... com o Toni do Benfica !!!

Jogo Limpo... com dois dos nossos 'mosqueteiros' !!!!

Entrar confiante no futuro de 2017

"Com o Paços de Ferreira, fomos uma equipa mole, molinha, como sonhos de Natal. É normal, é a fruta da época, dir-me-ão, e ganhámos. Pois, é verdade, mas o adepto benfiquista tem de exigir mais ao Glorioso. Na Catedral, até jogámos um bom tempo ao ataque, a morder os calcanhares da baliza do guardião Felgueiras da Capital do Móvel, mas fizemos-lo sem demasiada convicção, sem aquele extra de urgência que empurra as bolas para as malhas. E, depois de marcarmos o golito, então aí é que nos desinteressámos quase por completo desse fenómeno chamado futebol.
Foi um golo bem jeitosinho, lá isso foi. Uma triangulação entre o nosso menino de ouro argentino, Franco Cervi, e o anti-herói 'prata da casa', André Almeida. Mesmo nesse momento feliz, a bola não parecia muito convencida de que devia dirigir-se para os interiores da baliza pacense. Gonçalo Guedes, o miúdo tuga que parece estar em todo o lado, aparecendo do nada a correr como aqueles ventos repentistas que atravessam as histórias do Faroeste, ainda teve oportunidades de chutar contra um jogador do Paços de Ferreira que para ali estava.
Mister Vitória bem gesticulava, pedindo mais bola, mais cabeça, mais alma à equipa, mas não havia maneira de a máquina engrenar. No ataque fazíamos belas trocas, desenhos rápidos, movimentos inesperados e sugestivos dignos da melhor dança contemporânea, mas, na hora agá do chuto, as chuteiras revelava-se cerimoniosas e mansinhas. (A propósito, o mínimo que se pode dizer é que Jiménez não acabou bem o ano). E, no meio-campo, continua a faltar um maestro. Um maestro de verdade, alguém que saiba gerir os tempos do colectivo - não um 'joker' interior como Pizzi (que, quinta-feira, ficou na bancada, castigado), nem um '8' em crescimento como Celis. Poderá ser André Horta esse maestro que nos falta?
E eis que chegamos às boas notícias do final de ano. Os regressos de Jonas e André Horta. O megacraque brasileiro jogou só uns minutinhos e no registo cuidadoso de quem regressa de uma longa travessia no deserto e, ainda assim - que diferença, que classe. Quando a bola passa por ele, passa realmente a poder chamar-se redondinha.
André Horta não fez nada de espectacular, mas traz para o relvado algo mais importante que técnica, táctica e tudo - amor à camisola. É por estas e por outras que entramos confiantes no futuro, não é verdade, amigos?"

Jacinto Lucas Pires, in O Jogo