Últimas indefectivações

domingo, 11 de maio de 2025

Dérbi dos dérbis: foi assim que aconteceu


"Ode ao futebol entre rivais, paz entre adeptos e respeito demonstrado por todos os protagonistas: uma decisão da Liga digna, no dérbi dos dérbis, a proporcionar uma festa segura

Sensacional. Apaixonante. Memorável. A Liga 2024/25 foi nivelada por baixo, mas o título ficou decidido de forma inesquecível, épica, em jeito de ode ao futebol (português), proporcionada por Benfica e Sporting, mas depois entoada a uma só voz na Praça Marquês de Pombal.
Apesar das ameaças à ordem denunciadas nos dias prévios, em casas e núcleos pintados a vermelho ou verde, o dérbi decorreu de forma pacífica e ordeira. Em absoluto contraste com a violência ignorante de quem não tem lugar no desporto, o jogo da Luz foi espaço livre para quem sabe que rivais e inimigos não são sinónimos.
Enquadrado por um dispositivo policial mais preocupado com o trânsito do que relativamente a eventuais desacatos, o cortejo de adeptos leoninos fez a viagem de Alvalade para a Luz de forma atempada e serena, num ritmo marcado por cânticos de louvor ao emblema verde e branco.
Já em redor do palco do jogo o chão parecia lava, tal o fervor encarnado, mas para lá do fumo da grelha da roulote foi possível ver casais unidos pelo amor mas separados pela cor, filhos deserdados pela preferência clubística a comer bifanas pagas pelos pais, rodadas de bebida oferecidas por amigos do peito que carrega(m) outro emblema.
O jogo esteve à altura da inédita ocasião: empolgante, intenso, inesquecível. O mérito do campeão foi proporcional à réplica do derrotado, e nem o apito final cessou a nobreza do duelo, tal o respeito entre protagonistas. Não só os jogadores, honrados pela entrega, como também os treinadores, dignos timoneiros no cumprimento final e na posterior troca de elogios.
O desgaste do jogo europeu arbitrado menos de 48 horas antes, em Londres, não condicionou o desempenho de João Pinheiro, de quem nem se deu conta no dérbi, como sempre é desejável.
A cara de quem ganha nunca é igual à cara de quem perde, mas até os presidentes foram cordiais no rescaldo de um jogo a que assistiram lado a lado.
Nas ruas da capital, mas não só, a alegria de quem venceu cruzou-se respeitosamente com a tristeza de quem perdeu. Houve reserva perante o desalento, mas também espaço para a festa, que recebeu os campeões de forma entusiasta mas regrada.
Foi assim que eu vivi este sábado, a partir da redação d'A BOLA, e espero que ninguém me venha contrariar com cenas lamentáveis."

Sempre à espera que corra bem...


"Hoje, jogam Benfica e Sporting. Que 'approac' de qualidade ao dérbi tiveram Rui Costa e Frederico Varandas?

Lembro-me do terceiro anel. Da magia criada com a dimensão única de um estádio que ultrapassava fronteiras, pela capacidade e pelos feitos do dono da casa e da Seleção Nacional.
Lembro-me da construção da pala e da bancada central, momentos essenciais da personalidade de um estádio renovado e projetado para um público diferente e arrojado.
Falo-vos dos antigos estádios da Luz e de Alvalade, expoentes da melhor tradição clubística aliada à capacidade de prever o futuro próximo de Benfica e Sporting.
Chegamos aos dois emblemas essenciais do desporto em Lisboa, rivais absolutos na condição desportiva, mas, cada um a seu tempo, ânimo e agenda, contribuintes exímios para a ambição e revelação de cada um dos seus adeptos e simpatizantes.
Narrei, para a Antena 1, a final da Taça de Portugal, há 29 anos, e, no momento mais drástico, não me apercebi da gravidade e das consequências.
A nossa emissão, fruto do trabalho inefável dos repórteres de campo da estação, mostrou-o e demonstrou-o.
Muitos anos passaram e jamais Benfica e Sporting a disputaram. Mas muitos dos episódios entretanto surgidos entre verdes e brancos e encarnados tiveram como fator de intolerância essa final da Taça de Portugal.
Sejamos agora claros nas memórias, objetivos nas ideias e, talvez, brutos nas palavras: os que radicam nos jogos entre Benfica e Sporting a memória do que passou pararam no tempo. Os que pretendem continuar a rivalidade entre águias e leões ao exemplo de um caso isolado, e dele fazem grito maior e tentativa de exemplo, não podem continuar no desporto.
Benfica e Sporting jogam logo. Disputam uma liga portuguesa ao limite, fruto da competitividade e do profissionalismo de dois conjuntos que, em todos os casos, fazem o melhor possível.
Imensos analistas terão merecido o melhor dos seus dias a cogitar, momento por momento, basculação por basculação, transição por transição, o que, de tão simples, parece ficar tão complicado. A paixão pelo jogo, ainda que muito tática e por vezes incompreensível à luz do cidadão comum, é o que o motiva e atrai.
Escrevo nas Seychelles, arquipélago tão só e tão simples que perceberia perfeitamente esta dialética no futebol português. E com uma distância geográfica que ainda mais me confirma o diálogo transversal que tenho com as dinâmicas lusas. Por exemplo, com quem pretendeu (e pretende) incendiar um já de si muito frágil ecossistema com a ideia de árbitros estrangeiros para o Benfica-Sporting ou para outros jogos de relevo do campeonato português. Custa-me perceber a ideia, ainda que a pudesse aceitar num âmbito global de cooperação e de desenvolvimento global do futebol internacional.
Assim, gratuita e pela simples influência de uma rivalidade exacerbada, exatamente, por essas peregrinas derivações, parece-me sem substância. Mais ainda, provocatória e atentatória da qualidade intrínseca dos árbitros portugueses. Quem dera ao país (começando pelos jornalistas…) que a sua notoriedade e mérito fossem ao encontro do que, na arbitragem de futebol, sempre tem acontecido nos últimos anos…
Vamos hoje ter Benfica e Sporting a lutar diretamente (o que não sucedia há muitos anos), pelo título, num jogo.
O que sobra desta fantástica realidade? Pinturas, ameaças, mentalidades pequenas e básicas emprestadas ao fenómeno e ao jogo, incapacidade de acompanhamento positivo, por parte da generalidade dos media, voracidade de sangue e multiplicação das polémicas.
É isto que sobra. E que, ainda por cima, domina as narrativas. Enquanto assim for, enquanto os noticiários só abarcarem, nos seus alinhamentos, a componente desgraçada e negativa, a educação e o exercício pelo exemplo continuarão arredios e, apenas, imagens de boas intenções.
Tomemos como exemplo João Pinheiro, o melhor árbitro português da atualidade.
Ao invés de nos congratularmos pela nomeação para a segunda mão da meia-final de uma competição europeia, questionamos o facto de, menos de 48 horas volvidas, dirigir o dérbi lisboeta, numa designação lógica e expectável. Isto é, em vez de aplaudirmos o reconhecimento internacional e o reposicionamento gradual que o João (e outros juízes portugueses) protagonizam no panorama muito fechado e lobístico da arbitragem internacional, criticamos a nomeação e o respetivo modelo.
Este é um fator exemplar do quão errado está o raciocínio e, sobretudo, o modelo seguido para pensarmos o futebol português. Ao mais alto nível, está projetado por alguns elementos de imensa qualidade e renovado exemplo, mas basicamente olhado em setores determinantes para o seu desenvolvimento.
Hoje, jogam Benfica e Sporting. Que approach de qualidade ao dérbi tiveram Rui Costa e Frederico Varandas? Que iniciativas foram tomadas para a dignificação do jogo, pelos principais responsáveis, ao longo da semana?
Logo, na tribuna de honra do Estádio da Luz, todos estarão certamente em prece para que todo corra bem. A montante, na imensa responsabilidade que os caracteriza, pouco terão feito para evitar climas, frases e contextos que, infelizmente, só terão de novo parangonas se e quando se repetir o pior momento da tal final, há 29 anos.

Cartão branco
Nuno Mendes, Vitinha, João Neves, Gonçalo Ramos e Luís Campos.
Vale a pena falar neles e sublinhar o papel fundamental que cada um deles, à sua maneira, teve no apuramento do Paris Saint-Germain para a final da Uefa Champions League.
Jogando ou não como titulares, os quatro internacionais portugueses revelaram-se essenciais na estratégia de Luis Enrique, um nome também incontornável dos sucessos europeus do clube da cidade-luz.
Campos é a alma. A referência que prova que, muito provavelmente, no estrangeiro há um reconhecimento muito maior quando se trata de talento…

Cartão amarelo
Amigos dizem-me que o Benfica, na conferência de imprensa de projeção do jogo com o Sporting, não terá permitido quaisquer questões a jornalistas da Rádio Observador e da TSF.
Se isso se confirma, é evidentemente um momento (mais um) de uma espécie de ditadura comunicacional latente, embora nem sempre patente.
O problema, porém, é ainda maior: se isso sucedeu, que solidariedade jornalística é esta, ninguém tendo saído da sala? Porque é que ninguém assumiu uma atitude séria e a sério?…"

Dérbi para vencer


"Benfica e Sporting defrontam-se hoje, às 18h00, no Estádio da Luz. Este é o tema em destaque na BNews.

1. Juntos pelo Benfica
O treinador do Benfica, Bruno Lage, salienta que a equipa vai "jogar pela Família Benfiquista". "Só há um caminho, os adeptos sabem, a equipa sabe, e vamos estar juntos, unidos e a receber esse forte apoio das bancadas durante os 90 minutos, porque é aí que se vai encontrar um vencedor do jogo", realça.

2. Título 50 anos depois
O Benfica é campeão nacional de voleibol no feminino, um título que vencera pela última vez há meio século. O treinador Rui Moreira refere que "foi à Benfica, com raça, querer e ambição" e elogia os Benfiquistas: "O Benfica, com os adeptos, com esta dimensão de casa cheia, pode ser imparável."
Na mensagem de felicitações, o Presidente do Sport Lisboa e Benfica, Rui Costa, destaca o "feito notável, e que resulta de um trabalho consistente que já havia garantido a conquista da Supertaça".
Em entrevista à BTV, Angélica Malinverno e Tatiana Rizzo falaram do percurso da equipa e da final que valeu o título nacional.

3. Bom desempenho
Fernando Pimenta sagrou-se campeão nacional de short race no Campeonato Nacional de maratona de canoagem.

4. Em busca da glória europeia
Às 12h00, em Matosinhos, Benfica e FC Porto disputam as meias-finais da WSE Champions League de hóquei em patins. Edu Castro salienta: "Temos de estar muito bem na partida (…) para levarmos o jogo para a frente e estarmos na final da competição que mais emociona. Não só a nós, mas a todos os Benfiquistas."

5. Título em disputa
A equipa feminina de râguebi do Benfica pode revalidar hoje o título do Circuito Nacional de sevens. A 3.ª etapa é na Bairrada.

6. Outros jogos do dia
Os Juniores, já campeões nacionais, visitaram e venceram o Tondela (0-1). Os Iniciados deslocaram-se ao reduto do Belenenses às 11h00. A equipa feminina de hóquei em patins recebe o Turquel (13h15) e a equipa feminina de andebol enfrente o Madeira SAD na Luz (15h00).

7. Lutar pelo bicampeonato
Dos vários jogos agendados para domingo, destaque para a possibilidade de o Benfica poder revalidar o título nacional de basquetebol no feminino. O jogo com o Esgueira é na Luz, às 19h00.

8. Entrar a ganhar
No primeiro jogo dos quartos de final dos play-offs do Campeonato Nacional de basquetebol, o Benfica ganhou, por 99-87, ao Vitória SC.

9. Bilhetes à venda
Já pode adquirir bilhetes para a final da Taça de Portugal de futebol no feminino. O jogo é no dia 17, sábado, às 15h00 no Estádio Nacional.

10. Distinção
O troféu de melhor jogadora da Liga BPI já foi entregue a Cristina Prieto.

11. Ação pedagógica
Luís Martins, formado no Benfica, esteve a conversa com os Sub-23 e os Juniores sobre a carreira de futebolista.

12. Hexa no polo aquático em análise
Madalena Lousa e Mariana Sousa falam sobre o título alcançado e ressaltam que há ainda uma Taça de Portugal para conquistar na presente temporada.

13. História
Veja a rubrica habitual nas manhãs de quinta-feira da BTV.

14. Casas e Filiais
O mais recente episódio do programa da BTV Pelas Casas do Benfica dá a conhecer o Sport Arronches e Benfica e, em particular, a 5.ª edição do Trail Run organizado por esta filial do Benfica."

Mais um...

Aquecimento...


A orelhuda já é brasileira


"Em ano de morte de Papa, o campeão europeu é inglês: quando Paulo VI, João Paulo I, João Paulo II e Bento XVI morreram, os campeões foram o Liverpool, o Nottingham Forest, os reds outra vez e o Manchester City, respetivamente. Francisco faleceu no dia 21 de abril mas o Arsenal, cujos adeptos haviam sido, dos pubs à internet, os principais disseminadores daquela teoria simpática aos seus desejos, afinal de contas caiu nas meias-finais no Parque dos Príncipes.
Quem vai disputar a final de Munique é então o Paris Saint-Germain, clube ainda sem título europeu. E quando o jogo decisivo da principal prova do Velho Continente é na casa do Bayern, seja no Olímpico, seja na Allianz, andam agora a espalhar os torcedores parisienses, dos bistrots às redes sociais, o campeão é-o sempre pela primeira vez: o mesmo Forest, o Marselha, o Borussia Dortmund e o Chelsea.
Se no dia 31 de maio o PSG ganhar mesmo ao Inter de Milão, além de prevalecer a teoria dos campeões inéditos na Baviera, vence também Portugal por intermédio dos internacionais Nuno Mendes, Vitinha, João Neves e Gonçalo Ramos. E o Brasil, dos centrais Marquinhos, capitão de equipa, e Lucas Beraldo, reserva do primeiro. Se forem os italianos a levantar a orelhuda, o sotaque português fica a cargo apenas do discreto lateral brasileiro Carlos Augusto.
Ou seja, esqueça o Papa, esqueça Munique, esqueça as tradições ou superstições e concentre-se nos factos: ganhe quem ganhar, o autointitulado país do futebol estará representado. Aliás, neste século houve brasileiros em todas as finais da Champions: a última vez sem eles foi a célebre, de 1998/1999, entre Manchester United e Bayern Munique, em Barcelona, ganha no fim pelos red devils. E a única do século XXI sem um jogador canarinho campeão foi a de 2004/2005, quando o Liverpool de Gerrard e Benítez bateu o Milan de Dida, Cafu, Serginho e Kaká nos penáltis, após aquele célebre 0-3 transformado em 3-3, em Istambul.
No entanto, outro Liverpool, o de Salah e Klopp, contribuiu com Alisson, Fabinho e Roberto Firmino para a final mais brasileira de sempre frente ao vencedor Real Madrid de Ancelotti mas também de Militão, Casemiro, Vini Jr e Rodrygo (e Marcelo ficou no banco…).
O Brasil é o maior exportador de talento futebolístico do planeta, logo é natural que fabrique finalistas e vencedores de Champions anualmente. Mas também é o país com mais católicos no mundo e continua sem eleger um Papa."

sábado, 10 de maio de 2025

Antevisão...

BI: Antevisão - Derby...

Terceiro Anel: Antevisão - Derby...

Primeira...


Benfica 99 - 87 Guimarães
25-20, 31-25, 20-25, 23-17

Primeiro jogo dos play-off's com uma vitória esperada, com um 3.º período mau... mas sem assustar, contra um adversário inspirado nos Triplos!
Regresso do Rorie... desta vez, foi o Carvacho a ficar de fora, e com o Stone a marcar, mas defensivamente a deixar muito a desejar...

Terceiro Anel: Bola ao Centro #128 - A um pequeno passo dom 39 !!!

5 minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - O Dérbi fora do campo: a exibição dos treinadores

BolaTV: Derby...

Kanal - 45 minutos - S04E15

Lanças...


Benfica ou Sporting: de justiça falará o dérbi


"O grande jogo dará sentido a um campeonato que só teve um dominador e um vencedor antecipado enquanto Rúben Amorim se manteve em Alvalade. O dia D é já amanhã! Tudo ou quase tudo ficará decidido amanhã. A Liga chega, ligue-se ou não esta jornada umbilicalmente à última, caso seja ainda preciso um último fôlego, a um final épico. Aquele final de cinema, para assistir com um balde de pipocas ao colo e a sorver o gelo que vai derretendo no fundo do copo do refrigerante, de costas coladas ao sofá. Um final que mistura ansiedade, medo, alegria, tristeza e um epílogo de êxtase ou de dor. É, obviamente, se não houver outro tipo de violência bem mais grave e menos emocional, como se espera, o melhor final que este campeonato podia ter e, sim, a melhor propaganda para um produto.
Dito isto, deixem-me colocar aqui um breve parêntesis. Além de nada disto ser fruto de um plano ou processo, é preciso fazer muito mais para a cimeira da Luz não seja mera publicidade enganosa, não sobre o que aí se vai passar nos 90 minutos, mas para as restantes 305 partidas, ou seja, para toda a competição. Talvez nos alerte que há embates a menos entre os grandes e a mais dos outros, algo que até a UEFA percebeu perante a ameaça da Superliga Europeia, oferecendo-nos uma Liga dos Campeões mais espetacular, todavia, há muito que sabemos o que há a mudar: a fraca competitividade dos mais pequenos, as bancadas vazias, a péssima cultura desportiva, o ruído constante sobre a arbitragem e a menor qualidade de todos os intervenientes, até dos que não jogam, mas decidem sobre o jogo. O melhor é deixá-lo para outras núpcias. Só não podemos passar agora a achar que está tudo bem, quando não podia estar mais longe de estar.
Na Luz, estarão as duas melhores equipas portuguesas do momento e por larga distância. O Sporting chega com vantagem mínima, o que lhe dá para mudar de face, se o entender, durante os 90 minutos. Se assinar o empate adiará a decisão e voltará a ter de lidar com a ansiedade, embora continue a apenas depender de si próprio. Se vencer, valer-se-á do KO no rival, em sua casa, para sair daí de imediato em ombros pela cidade. Já o Benfica também terá o seu conflito interno, a sua gestão, embora só possa vencer. O 1-0 deixá-lo-ia a um empate da festa, mas teria de encontrá-lo na Pedreira, onde os locais ainda provavelmente lutarão pelo pódio. Dois golos de diferença já obrigariam a ser os leões, no futuro, a fazer a guarda de honra aos maiores rivais.
O sentido de justiça virá desse confronto, para um lado ou para o outro, a um ou a dois tempos, mas só aí será consagrado. É aí que chegam praticamente empatados, é daí que sairá o campeão ou quase campeão. Nenhum deles será um dos melhores vencedores que já tivemos, uma vez que esta Liga (e a própria luta entre ambos) o nivelará por baixo. Pouco interessará os próprios e para as contas que fizerem, porém não deixa de ser a realidade.
Tal não quer dizer que os dois treinadores não possam reclamar mérito. Rui Borges estancou a grave hemorragia de um leão moribundo, na sequência da saída de Ruben Amorim e da chegada um João Pereira sem habilidades curativas, pelo menos para ser útil em cuidados intensivos. Bruno Lage mostrou ser possível reorganizar uma equipa e torná-la competente, mesmo que tudo à sua volta, no clube, pareça parado no tempo, sem conseguir rumo. Também ele beneficiou dos problemas no rival, ainda que se tenha mostrado incapaz de o ultrapassar em definitivo.
Além disso, nenhum dos projetos parece finalizado. Ambos sentem problemas a atacar. Mesmo com um super Gyokeres ou um Pavlidis em crescendo. O ataque posicional leonino andou demasiado tempo órfão de Pedro Gonçalves e o transmontano ainda reclama tempo para recuperar ritmos, enquanto o do Benfica não possui jogadores que descubram espaço em combinações interiores. Em ambos, o recurso é óbvio: Gyokeres ataca a profundidade e a equipa sobe em apoio, Akturkoglu explora diagonais, alternando com Pavlidis, também garimpando para lá das linhas defensivas. Tanto Borges como Lage preferem que o jogo parta em vez de ter de lidar com blocos baixos. Ambos se vão esvaziando com o decorrer do jogo, consentindo mais aos adversários.
Os leões parecem mais capazes sob pressão na primeira fase de construção, no entanto, não é líquido que o Benfica salte cedo ao portador, adotando o modo champions que lhe trouxe bons resultados. Só que o Sporting não precisa de atacar em número, ao contrário das águias. Estas também não têm conseguido controlar a largura em profundidade, sobretudo no lado cego, o de Geny Catamo ou Francisco Trincão – e a solução Dahl-Carreras em simultâneo não foi testada muitas vezes.
Por outro lado, a dimensão criativa do ataque dos encarnados, incluindo os esquemas táticos, parece atravessar melhor momento e menor dependência de uma única unidade, pecando muito, aí sim, na finalização. Nos dois lados, andará ainda a dúvida: os dois jogadores dos grandes momentos, Pedro Gonçalves e Di María, atravessam uma dimensão física demasiado tenra e, no caso do argentino, a equipa tem vivido bem com a troca da definição pela consistência organizativa.
Quando aqui há semanas escrevi que a Liga teria de ser conquistada referia-me ao avanço em definitivo de uma das equipas rumo ao título. Surgiram percalços para os dois lados, talvez quando menos se esperasse, diante do Arouca no caso dos encarnados, e na segunda parte na Vila das Aves e nos últimos minutos perante o SC Braga no dos leões, e o verbo parece ser hoje mais apropriado para o Benfica, que joga em casa e pode afirmar-se em definitivo depois de não o ter conseguido antes, do que ao Sporting, que tem sobretudo resistido e pode jogar até com o empate para continuar na frente e em boa posição para a festa. Ou seja, o leão não precisará de se impor totalmente para ser campeão, sob o risco de se expor em demasia, embora esse caminho e os riscos associados também existam, naturalmente. Se Rui Borges o quiser fazer e for bem sucedido essa conquista daria certamente outro brilho a um campeonato que neste momento, na verdade, não tem sequer vencedor moral. O que até é pouco comum."

Tão longe… e agora está quase!!!


"Se me perguntassem, ao longo da época, se ainda acreditava, provavelmente diria que não. Ou então que sim, mas com aquele tom de quem já só espera o pior. Com aquele pensamento tão nosso, benfiquista, de que, quando tudo pode correr bem… vai acabar por correr mal.
Houve noites em que fui dormir a remoer. Dias em que o corpo estava no trabalho, mas a cabeça continuava no VAR, no poste, na substituição tardia… no que ficou por fazer. Houve jogos em que gritámos até ficar sem voz e outros em que nem sabíamos o que dizer. Este título parecia longe. Longe demais.
Mas agora… agora está ali. A um jogo. Um jogo que nos pode levar ao céu ou ao inferno em 90 minutos. Esta é a nossa sina, a nossa doença, o ciclo vicioso de alegria e frustração que só nós conseguimos compreender.
E é isso que me consome por dentro: esta ansiedade, esta esperança teimosa, esta vontade de acreditar — outra vez. Porque, apesar de tudo, ainda estamos aqui. E estamos vivos.
Ontem, disse à minha filha que estava nervoso e ansioso com o jogo. Ela olhou para mim e, com a leveza de quem acredita sem hesitar, respondeu: "Estou hiper mega confiante de que o Benfica vai ganhar por 10-5! E, na segunda-feira, vou levar a camisola do Benfica para a escola!"
Gostava de ter essa ingenuidade. Esse otimismo puro. Essa fé sem cicatrizes. Mas, pensando bem… ela até pode ter razão. Porque, para o Benfica, não existem impossíveis.
No sábado, estamos todos convocados. Nas bancadas, no sofá, no centro de estágios, nas casas do Benfica, em Portugal ou no estrangeiro, num café ou junto a um rádio velho qualquer — temos de ser Benfica.
Esquecer o que correu mal, esquecer se joga o jogador X ou Y, esquecer as desavenças, os assobios, os fantasmas. Pois é hora de apoiar. De mostrar aos jogadores que eles não são os únicos a querer ser campeões.
Nós também queremos. E queremos muito. Que no sábado se sinta o verdadeiro Inferno da Luz."

Uma Carta Aberta


"Querido Benfica,
Estou a escrever isto a 5 de Maio, enquanto espero na fila da Loja da Alameda para tentar arranjar um bilhete para o jogo da época. Fico nervoso só de pensar nos desfechos possíveis de Sábado e, visto que este jogo não me sai da cabeça, estou condenado a ficar num estado permanente de ansiedade, nervosismo e receio.
A minha parte sonhadora espera uma vitória do Sport Lisboa e Benfica, que representaria a festa desmesurada e descontrolada em pleno Estádio da Luz, em completa ebulição, e a festa do Marquês, a completa loucura e o derrame emocional de uma época volátil. A raça, crer e ambição de uma época inteira recompensada com o 39.
No entanto, a minha outra parte tem muito medo da derrota. Traumas dos festejos com tons azuis e brancos, em plena Luz, reavivados em tons de verde e branco, algo inédito no novo Estádio da Luz. Ser o único "grande" que teve os maiores rivais a celebrar títulos de campeão nacional na própria casa. Um Estádio da Luz em modo funeral, com desilusão, tristeza, raiva e frustração a pairar no ar. A festa do Marquês, feita de verde e branco. Um autêntico pesadelo para qualquer Benfiquista que se sinta. 
Se, antes, só a vitória interessava, agora a mentalidade dentro do clube só pode ter uma palavra: G-A-N-H-A-R.
Não podemos permitir o nosso maior pesadelo de se realizar, temos que honrar a nossa História e sermos a besta competitiva que outrora fomos. Todos os nossos jogadores têm de dar 1000% para ganhar, toda a nossa equipa técnica tem de pôr a equipa a jogar para ganhar e os 60 mil Benfiquistas que forem assistir ao jogo têm de fazer renascer o Inferno da Luz.
A nossa História não mente, fomos feitos para estes momentos. Por isso dêem o corpo e a alma pela vitória, respeitem o nosso legado e façam jus ao nome do Sport Lisboa e Benfica.
Atenciosamente,
Um Benfiquista de alma e coração."

Sonhei que havia civismo, mas depois acordei


"Há dois tipos de adeptos de futebol: os civilizados e os incivilizados. Estes últimos estão a tomar conta da atualidade e isso é extremamente preocupante para o Grande Dia

Existem dois tipos de adeptos de futebol (estava tentado a dizer dois tipos de seres humanos, mas os meus estudos de antropologia são limitados e receio errar nalgum termo científico). Voltemos aos adeptos de futebol: existem os civilizados e os incivilizados.
Os civilizados sofrem, discutem, defendem as suas verdades. Exaltam-se nalguns casos, noutros roem as unhas e deixam dentro de si o que lhes vai na alma, ou seja lá onde for que está a paixão irracional (não são todas?) pelo seu clube.
Escolhem gostar de picardias saudáveis e amigáveis ou recolher-se no seu canto na hora dos grandes jogos e das grandes decisões. Decidem se querem brincar com um amigo adversário no dia seguinte ou se preferem nunca o fazer porque lhes dói muito quando isso lhes é feito.
Não, não são todos santinhos que vão a correr dar os parabéns ao rival por uma vitória. Durante os jogos enervam-se, dizem asneiras, maldizem o árbitro. Podem até gritar umas palavras de ordem menos bem educadas no meio da rua se forem numa caixa policiada a caminho do estádio do adversário, ou aproveitar o facto de estar em casa para um ou outro excesso de linguagem. Bem estaríamos se tudo ficasse nestas fronteiras.
A um dia do dérbi mais decisivo da história do campeonato português (nunca ambos puderam ser campeões no mesmo jogo), Lisboa e o País estão a transformar-se num barril de pólvora. Os incivilizados estão a tomar conta da atualidade e por mais dispositivos de segurança que se preparem há sempre algo que pode escapar ao controlo das autoridades e tornar-se num caso muito sério.
Quando acordei do meu sonho, onde uns estavam eufóricos e outros absolutamente desolados, algo que faz parte (e ainda bem) daquela paixão irracional, li que havia estátuas de uns pintadas com as cores dos outros. Ao longo do dia houve relatos de casas e núcleos vandalizados. Já mais à noite chegou a notícia de esfaqueamento de pessoas. Esfaqueamento! Pensemos naquilo de que estamos a falar.
Um esfaqueamento é inadmissível em qualquer contexto, mas por causa de um clube de futebol? Por causa de um clube, really? Talvez não seja só isso, mas o facto de o futebol servir de detonador já é extremamente preocupante.
Não sei o que vou sonhar na próxima noite. Pode até ser com Gaza, ou com a Ucrânia. A necessidade de civismo é universal e anda pelas horas da morte. Que tudo corra bem amanhã."

Pre-Bet Show #136 - Melhor XI do Século do Barcelona e Real Madrid...

História Agora


Zero: ZZ - O dérbi começa aqui e há bilhete para dar!!

BolaTV: ProEleven...

Carrinha do Bento - Patão

Dia da Mãe: Rochele Nunes...

Terceiro Anel: F1 - DRS #9

SportTV: NBA - S03E31 - Apagão em Boston...

'Habemos Papam' das modalidades!


"Leão XIV, o novo Papa, confessou que quando chegou ao Vaticano para se tornar cardeal, há dois anos, do que mais tinha saudades era de jogar ténis

Mal apareceu o fumo branco a sair da modesta chaminé instalada capela Sistina, as redes sociais encheram-se de memes com fumo vermelho, com fumo verde, numa clara alusão à semana desportiva que Portugal vive. Sporting e Benfica dão o tudo por tudo para se sagrarem campeões nacionais.
À enorme expetativa até se ouvir o nome do novo Papa sucedeu-se a surpresa, até porque, como no dérbi, ninguém arriscava quem o nome do sucessor de Francisco.
Robert Francis Prevost, um norte-americano de 69 anos, foi o escolhido pelos 133 cardeais que ficaram pouco tempo no Conclave. Há muito e promissor futebol para ver este fim de semana diziam divertidos alguns.
Depois de Donald Trump outro americano. Soaram alarmes desconfiados, mas não tardou a que as redes sociais renovassem os memes, agora adaptados ao sugestivo nome que o novo líder da Igreja escolheu: Leão XIV. Imaginação sem limites para os sportinguistas!
Um sinal brincaram os leões, embalados pelo triunfo do voleibol masculino, na Luz, que destronou os encarnados de uma cadeira de sonho onde estavam sentados há cinco anos consecutivos. Tenho para mim que quando as equipas são equilibradas ganha sempre quem quer mais e melhor.
Apesar de algumas informações por validar dizerem que o novo Papa, que nasceu em Chicago mas se naturalizou peruano há 10 anos, depois de outros tantos anos passados no país da América do sul como missionário, é um aficionado do Alianza Lima, porém, a verdadeira paixão daquele que é o segundo Papa do continente americano é o ténis!
Francisco chamou para junto de si, o então bispo de Chiclayo, uma das maiores cidades do Peru, rodeada de favelas e áreas rurais.
Viveu no Peru um dos momentos mais difíceis, quando foi acusado por ter mulheres vitimas de abusos sexuais da igreja, de ter fechado os olhos aos casos.
Mesmo assim, Francisco chamou-o para o Vaticano e entregou-lhe o barrete vermelho de cardeal. Pouco tempo depois de mudar de vida, disse numa entrevista que uma das coisas que sentia mais falta era de jogar ténis!
«Considero-me um tenista amador. Desde que deixei o Peru tive poucas ocasiões para jogar, por isso estou desejoso por regressar aos courts!»
Não deve estar para breve."

O “Poder”… E o Desporto


"As minorias, hoje, conseguem impor os seus pontos de vista, com lobbies poderosos, sobre o pretexto da tal “sociedade inclusiva”, assegurando que a sua protecção seja até consagrada na Lei, mesmo com desconformidade padronal gritante que, para o caso não as aflige.

“O “poder”, hoje, é mais fácil de obter, mais difícil de manter … e mais fácil de perder” (Moises Naím).
Em Democracia, o poder está diluído por muitos centros de decisão, é mais difícil obter consensos e, por isso, é mais difícil ser-se obedecido, ou seja, hoje, o que interessa é saber aquilo que um “líder” quer fazer, mais do que aquilo que ele faz, porque nem sempre o que ele fez era aquilo que ele queria fazer. Significa isto que o “poder”, hoje, em Democracia, está muito limitado, ou por razões orçamentais, ou por pressões políticas de “lobbies” muito poderosos, que condicionam, de forma decisiva, a capacidade de tomada de decisões que mexam com interesses instalados.
Podemos, então, falar de “contra-poderes”, de “não poderes” e do “poder” para concluir que a noção de “poder” do “Ancien Regime” há muito que desapareceu e já não é mais “a capacidade de obrigar terceiros”, para passar a ser “a capacidade de convencer terceiros”, o que significa que a Democracia impõe “regras” e procedimentos que quase impossibilitam a concretização do programa de acção anunciado, o que faz com que os políticos fiquem publicamente desacreditados, objectivo prioritários das oposições.
Mas há o princípio da reciprocidade a não esquecer, ou seja, quando a oposição ascender ao poder acontecer-lhe-á o mesmo, o que quer dizer: “quem com ferro mata, com ferro morre”. O fim do poder tradicional, como era conhecido até hoje, baseia-se, segundo Moises Naím, em três “revoluções”: “do mais”, “da mobilidade” e da “mentalidade”. Do “mais” porque há mais de tudo; da “mobilidade”, porque hoje é uma realidade, como nunca existiu; da “mentalidade” porque, hoje, a juventude não tem limites!
O que tudo isto significa é que as minorias, hoje, conseguem impor os seus pontos de vista, com lobbies poderosos, sobre o pretexto da tal “sociedade inclusiva”, assegurando que a sua protecção seja até consagrada na Lei, mesmo com desconformidade padronal gritante que, para o caso não as aflige. Ora enquanto estes fenómenos acontecem nas sociedades hodiernas o Desporto afirma-se, cada vez mais, como um acto livre e independente que só depende da vontade do indivíduo e do seu mérito, que o pode levar ao topo da escola do êxito e da fama, e que aparece, ou pode aparecer, como uma oportunidade de um “poder” independente, livre, solidário, democrático porque ali (no Desporto) todos são iguais, e aonde as pessoas atingem posições de relevo devido ao seu mérito, ao seu valor, e não, como na sociedade fora do Desporto, por favores, por batota, por cunhas, por corrupção, etc…,etc…
É evidente que estamos a falar de todo aquele “Desporto” que não seja profissional, porque nesse também há política, interesses, “lobbies” e corrupção. Mas o verdadeiro Desporto está, hoje, a ser uma tentação para o poder político, no sentido de ser aproveitado para a propaganda política do regime, como aliás o fez A. Hitler.
É, pois, necessário que as associações e as federações desportivas, que têm como dirigentes homens “bons” e “dedicados”, que trabalham pelo Desporto, sem intuitos lucrativos, estejam atentas às intenções do poder político, seja ele da cor que for, para que conserve a sua independência e pureza originais e seja, de facto, um contra-poder que venha a afirmar-se, no futuro, como um “poder” que limite a acção, ou acções, do Governo, quando elas não defendam os interesses do verdadeiro Desporto."

Mário Bacelar Begonha, in i

sexta-feira, 9 de maio de 2025

10.ª Campeãs Nacionais

Benfica 3 - 2 Braga
25-23, 28-30, 25-15, 23-25, 15-13

50 anos depois, o Benfica volta a conquistar o título nacional feminino de Voleibol !!!
Reabrimos a secção, começamos nas divisões mais baixas, subimos a pulso, na última época vencemos a Taça, mas no campeonato não correu bem, após uma época com muitas lesões, mas este ano, não escapou... Apesar da equipa ter sido afetada novamente por lesões, e do Braga ter dado muita luta!

O 1.º jogo foi estranho, mas nos restantes merecíamos ter fechado o título mais cedo! Hoje, voltámos a ter dificuldades em fechar os Set's e só resolvemos o jogo na negra, com uma sequência emocionante de Blocos!!! Algumas jogadoras jogaram limitadas, mas ninguém deu por isso!!!

Parabéns a toda a secção, as jogadoras mereceram e o treinador, após muitas críticas como é habitual no Benfica, também merece...


Benfica Podcast #559 - For All the Marbles

3 jogos, 0 vitórias !!!

Este vídeo é a prova documental da vergonha que foi a Liga 2024/25

Dérbi do século com ou sem Di María?


"Presença (ou não) do argentino no onze inicial deverá ser a única dúvida que assalta Bruno Lage. Coletivo sofre com ele, mas o génio de Di María costuma sair da lâmpada nas decisões...

Não há volta a dar: o Benfica-Sporting de sábado vai parar o país e não há memória de um dérbi entre os eternos rivais de Lisboa com tanto peso na história recente. O enredo da temporada de águias e leões quase podia dar uma temporada de Netflix, desde o fim anunciado de Roger Schmidt à retoma com Bruno Lage pelos lados da Luz, sem esquecer o brilhante arranque de Ruben Amorim rumo ao bi e a queda a pique do leão desde a saída do idolatrado treinador para o Man. United, travada depois por Rui Borges. Há, pois, condimentos para que o dérbi da Luz seja verdadeiramente memorável, mas mais pela emoção do que propriamente pela qualidade de jogo dos dois intervenientes.
Na Amoreira, o Benfica entrou a fundo, mas voltou a dar tiros nos pés para acabar a sofrer desnecessariamente num jogo controlado. Jogos desses acontecem, é certo, mas há um padrão nesta águia de desligar quando o assunto parece resolvido e frente ao Arouca (2-2) o preço a pagar foi bem caro. Pressionado pelo triunfo da águia, o Sporting apareceu na sua versão mais pálida no dia seguinte, frente ao Gil Vicente, e Rui Borges quis marcar posição, dizendo que, se mostrasse «noutros jogos» aquela atitude, a equipa de Barcelos «teria com certeza mais pontos». Até pode ser verdade, caro Rui Borges, mas é igualmente verdade que, se o Sporting jogasse sempre daquela forma, certamente teria menos e provavelmente estaria já fora da luta pelo título.
À falta de brilho dos coletivos, agarramo-nos ao talento individual e esse, felizmente, não falta em Benfica e Sporting. Se no leão o onze de gala deverá entrar em campo — com o regresso de Pedro Gonçalves à linha da frente e Catamo com vantagem sobre Quenda na ala direita —, no Benfica haverá uma interrogação a pairar sobre Bruno Lage: o que fazer com Ángel Di María? A poupança do canhoto no Estoril, nem tendo saído do banco, imediatamente fez pensar que Lage estaria a guardar a ficha para sábado, ainda mais conhecida que é a adoração do Fideo pelos jogos de tudo — ao longo da carreira, foram várias as vezes em que marcou e foi absolutamente preponderante.
Num dérbi onde o metro quadrado de relvado estará mais caro do que o de Lisboa, a superior capacidade de decisão de Di María poderá fazer pender a agulha para a sua entrada no onze, mas a capacidade física do extremo está a cair a pique e o coletivo encarnado poderá sofrer com isso, mais ainda numa ala que já tem Tomás Araújo adaptado. Tem a palavra Bruno Lage..."

Dérbi: a melhor equipa contra o melhor jogador


"Final inédita na Luz. Mesmo que não haja campeão, quem sair na frente do campeonato não vai perder a oportunidade de fazer a festa.

Chegou a hora das decisões. A longa maratona que é o campeonato vai decidir-se em 90 minutos. Uma autêntica final, até porque tanto Benfica como Sporting podem fazer a festa na Luz. Os leões em caso de vitória e os encarnados se ganharem por dois golos de diferença.
Haja ou não campeão no próximo sábado, creio que o dérbi será absolutamente decisivo, pois não acredito que a equipa que saia da Luz na frente do campeonato — o Benfica se vencer pela diferença de um golo e o Sporting se empatar, beneficiando assim do confronto direto — perca na última jornada a vantagem.
Com todo o respeito por SC Braga e V. Guimarães, não por acaso 4.º e 5.º classificados, não estou a ver os encarnados a serem derrotados na Pedreira, nem os leões a fazerem um pior resultado que as águias na receção aos conquistadores.
Assim, só equaciono quatro possibilidades: Benfica campeão; Sporting campeão; Benfica a vencer por um e a adiar a festa para Braga; Sporting a empatar e a preparar a romaria ao Marquês com a saída marcada para Alvalade.
É difícil apontar um favorito, até porque, como já escrevi, trata-se de uma verdadeira final, algo inédito no longo historial da competição, pois pela primeira vez dois clubes podem sagrar-se campeões no mesmo jogo.
Ambas as equipas chegam num bom momento. Nas últimas 10 jornadas, os encarnados somaram nove vitórias e um empate e os leões oito triunfos e duas igualdades, pelo que dificilmente poderia pedir-se mais a cada um.
Os adeptos do Benfica só podem lamentar-se do 2-2 com o Arouca, na Luz, que fez com que perdessem a liderança alcançada uma semana antes, depois de o Sporting empatar, em Alvalade, a uma bola com o SC Braga. Entre os leões, além deste balde de água fria (golo sofrido aos 87 minutos), houve outro semelhante: 2-2 com o Aves SAD, com o empate a surgir aos 90+6’.
O jogo da Vila das Aves foi mesmo o último da série negra de Rui Borges, que esteve cinco jogos consecutivos sem ganhar - empates com FC Porto e Arouca e eliminação da UEFA Champions League diante do Dortmund (com derrota em Alvalade e empate na Alemanha) foram os outros resultados.
O treinador dos leões debatia-se então com muitas contrariedades, dadas as várias lesões, incluindo as limitações físicas de Gyokeres, e optou mesmo por regressar ao 3x4x3 que Ruben Amorim aperfeiçoou, o que deixou a equipa mais confortável.
O Benfica foi aproveitando e conseguiu mesmo anular a desvantagem de seis pontos para o rival. Bruno Lage foi consolidando processos e encaixando os (bons) reforços de inverno, chegando ao momento das decisões em alta.
Para mim é claro que o Benfica é neste momento a melhor equipa, a que tem mais soluções e a que apresenta maior qualidade exibicional.
Já o Sporting está muito dependente de Gyokeres, o que, convenhamos, não é problema nenhum, já que o ponta de lança sueco é o melhor jogador do campeonato. O grande goleador e o jogador mais decisivo. De longe. Um confronto imperdível e cujo prognóstico para o jogo não arrisco, embora atribua maior dose de favoritismo ao Benfica, dado o fator casa."

Lage na capela do Bonfim, Rui Borges na Igreja da Encarnação


"Às 18 horas de sábado joga-se muito mais do que um título, jogam-se vidas... Resta saber quem quer mais ser feliz num jogo para o qual todos os deuses e todos os santos são convocados. Eu sou o Jorge Pessoa e Silva e esta é a crónica semanal do meu Livro do Desassossego Às 18 horas do próximo sábado, no Estádio da Luz, é muito mais do que um jogo que vai começar. É muito mais do que um título de campeão que está em jogo. É muito mais do que um duelo intenso de gigantes entre Benfica e Sporting. É muito mais do que uma celebração de uma história rica que o futebol tem sabido guardar e contar de pais para filhos. De avós para netos...
Às 18 horas do próximo sábado, no Estádio da Luz, são vidas que se jogam em noventa minutos. E que se jogam menos nas questões técnicas e táticas e mais na coragem, na atitude, na crença, na capacidade de sacrifício, no espírito de equipa, nos olhares que se cruzam entre camaradas de armas numa energia que não se explica e que a todos convoca à transcendência. E se no jogo a equipa será mais equipa na comunhão dos guerreiros, na antecipação do duelo cada protagonista prepara-se de acordo com rituais próprios. De acordo com as suas crenças, hábitos ou superstições.
Estou a imaginar Bruno Lage a visitar a Capela do Senhor Jesus do Bonfim, em Setúbal. E é por um bom fim que o Benfica tanto almeja. Vejo o treinador encarnado parado a apreciar pela enésima vez a imagem denominada Nossa Senhora dos Homens, porque é de Homens, com H bem grande, que vai precisar mais do que nunca.
Estou a imaginar Rui Borges a visitar a Igreja Nossa Senhora da Encarnação, em Mirandela. Senhora que encarnou e deu à luz Jesus, mas desta para lhe pedir que... esverdeie e dê na Luz um título. O treinador leonino tem apenas de andar alguns metros para pedir a proteção de São João Paulo II, cuja estátua abençoa a cidade. E promete que voltará com a Taça na mão. Com o rio Tua aos pés, à noite, olha o céu com olhos de água na direção da estrela que o guia: o avô. Gritando bem alto: consegui. Estou a imaginar, no balneário do Sporting, minutos antes do jogo, Gyokeres a vestir as vestes de Odin, o pai dos deuses da mitologia nórdica, deus da Guerra, da Sabedoria e Vitória. Já no do Benfica, Pavlidis a encarnar Zeus, o deus dos deuses gregos. Odin contra Zeus, o duelo final dos deuses. Um duelo tão intenso que nem Hollywood se atreveu ainda a imaginar. Um duelo final deste e de todos os mundos.
Os menos dados à religiosidade e à mitologia e mais à superstição, talvez possam adicionar uma colher de sopa de sal grosso a uma taça de vinho. Depois de mexer bem, e com muita concentração, juntam uma colher de chá de pimenta em pó. Misturam tudo novamente e acrescentam uma folha de hortelã. Escrevem o nome do adversário num papel. Levam a taça de vinho para um terreno abandonado e colocam o papel por baixo. Com o tempo, o adversário começa a perder forças e na hora do jogo não terá poder para fazer mal...
Estou a imaginar Otamendi e Hjulmand, de olhar gélido e imperturbável mas com fogo na alma, caminhando à frente da equipa, sem lugar a hesitação. No apito inicial do árbitro uma corrida que se inicia à felicidade. Como li algures, sem conseguir identificar o autor, «a felicidade requer algo para fazer, algo para amar e algo pelo qual ansiar.» Quem quer mais ser campeão? Quem tem mais fome? Quem está mais disponível para ser feliz?"

Não basta ser o maior, temos de ser o melhor


"Maio nunca traz descanso — mas talvez nunca tenha prometido. Finais, decisões, memórias: chamamos-lhes momentos, mas talvez sejam ecos. É simples: a história é antiga e repete-se regularmente. E foi essa mesma história que nos tornou os maiores, só que isso já não basta para garantir um futuro melhor, porque é em cenários emocionantes como os desta semana que todos os sonhos e fantasmas convergem.
Nesta mui longa semana de maio são tantas as decisões importantes como os títulos de campeão — em várias modalidades — em jogo. Dir-me-ão que estar na luta até ao fim é de realçar. Indiscutível. Mas isso não chega para ser o melhor. Isso apenas demonstra que somos competitivos — por qualidade técnica, profissionalismo ou investimento.
Ser o melhor é algo mais do que a presença nas decisões. É ter a certeza (não há absolutismos em nada) de que a vitória chegará. É confiar nos nossos. É saber que fazemos parte. É acreditar vivamente no De Muitos, Um.
A história é cíclica. Já vivemos isto no passado. E voltaremos a viver no futuro. Longe de mim, pensar que este é o pior momento do nosso clube, nem será sequer o mais emocionante, mas é o presente. E isso conta tanto.
Temos de trabalhar todos os dias para ser o melhor. Repito: temos de trabalhar todos os dias para ser o melhor. Porque só o trabalho garante o resultado que pretendemos: vencer. Repito-me propositadamente, porque é fundamental que isto seja o nosso mantra: ouvir, pensar, fazer, errar, corrigir, melhorar, ouvir, fazer, superar e ganhar. A nossa história só pode ser esta.
Vivemos demasiados anos embriagados pelo sucesso — aparentemente — fácil. Isso não pode acontecer, não pode repetir-se, não é a nossa essência. Não podemos ser vítimas da soberba ou da arrogância. Isto tem de ser claro para dirigentes, jogadores e adeptos.
É indiscutível que somos o maior, mas isso é um canto da sereia e serve de pouco. Se queremos um quase enfadonho acumular de títulos em todos os desportos e escalões; se sonhamos com uma Luz aterradora para os outros e aconchegante para os nossos; até se pretendemos ser o clube — e SAD — mais saudável financeiramente; tudo isto só se consegue com trabalho. E exigência.
Temos a obrigação de ser exigentes com os nossos dirigentes — e com as suas escolhas — pois eles devem ser o paradigma dos nossos valores. Naturalmente, isto significa priorizar os interesses coletivos aos seus individuais. E isto também os obriga a tomar posições fieis à nossa história em situações como ataques a jogadores, a adversários, aos valores que nos tornaram os maiores e até aos nossos próprios adeptos.
Devemos ser exigentes com os nossos jogadores e o que representam — os atuais, passados e potenciais. Mas, atenção, isso também pode ser complexo. Exigir também traz responsabilidade e capacidade de análise. Temos de evitar cair na crítica fácil, perceber e analisar contextos porque até podemos perder mas temos sempre de ganhar. As nossas derrotas têm de trazer aprendizagem, e se um jogador perceber isso, então, estamos mais perto de ganhar.
Finalmente, os adeptos. Também temos de ser exigentes connosco e com os nossos. Socorro-me do conceito — e título de livro — “O Espetador Emancipado”, de Jacques Rancière. Não podemos ser passivos, conservadores ou apáticos. O Sport Lisboa e Benfica precisa do melhor de nós, em todos os momentos: Assembleias Gerais — como quando modernizamos os Estatutos —; estádios e pavilhões — importar o ambiente dos aways para a Luz; nos cafés e casas — mostrando aos nossos e aos adversários que o amor ganha sempre ao ódio.
Nos próximos dias, vamos ter várias decisões importantes para o mundo benfiquista, mas há uma mais mediática do que as restantes. Não vale a pena mentir, estamos todos a pensar no mesmo. E sobre esse dia, faço minhas as palavras do Fábio:

Um Dérbi entre "Os Portugueses de Bem"


"Neste sábado joga-se o dérbi eterno entre Benfica e Sporting.
Tudo pára!
Tudo se comenta. Tudo se transforma em cliques, em horas de antena e em guerras de opinião. Nada contra.
O futebol é cultura, é identidade, é catarse coletiva. Mas há momentos em que o Mundo grita mais alto do que o bruaá da bancada.
Lá fora, o planeta incendeia-se: crianças morrem à fome em Gaza devido ao bloqueio à ajuda humanitária; a guerra na Ucrânia continua a alimentar o medo nuclear; o Paquistão e a Índia precipitam-se para o fratricídio; a Europa rearma-se numa nova corrida que já conhecemos, e sabemos como acaba. E nós por cá?
Por cá discute-se o onze do Benfica. A forma de Gyökeres. A nomeação do árbitro.
Mas também por cá andamos em plena campanha eleitoral, com uma extrema-direita que sequestrou a agenda política do poder vigente. E agora, estes interesses oportunistas e obscuros, já não escondem o desejo de apagar rostos e vozes que não encaixem no seu retrato monocromático do que é ser "o bom português”.
E se parássemos um segundo para imaginar como seria o dérbi de sábado num país tomado por essa visão identitária e fechada da Humanidade?
Vamos ao onze. Mas só com “os nossos”.
Sem Otamendi, Di María, Bah, Trubin, Aursnes, Kökçü, Carreras, Pavlidis, Arktürkoglu, ou Amdouni No Sporting, nada de Gyökeres, Hjulmand, Diomande, Morita, Geny Catamo, Debast, St. Juste, Maxi Araujo, Harder, Matheus Reis, ou até, para os puristas da Lusitânia, sem um Pedro Gonçalves, nascido em Chaves mas com sangue africano na herança familiar. E não se fiquem a rir os benfiquistas, porque nesse caso nem o Florentino calçava, e muito menos o Renato.
Seria um dérbi amputado, empobrecido, isolado, sem classe, com menos golo, e pouca magia.
Um embate para a história entre duas equipas mutiladas pela ignorância. Um futebol sem alma, como o país em que muitos gostariam de voltar a viver.
O dérbi de sábado é uma celebração da diversidade!
Do génio que vem de fora. Da garra que se soma à nossa. Da riqueza que é ter num mesmo relvado todas as cores, línguas e mais histórias. O futebol português não seria grande coisa sem todo um mundo cá dentro. E Portugal também não.
Por isso, celebremos o dérbi. Mas de olhos bem abertos.
Porque há coisas muito mais importantes do que o futebol. E é por essas que vale mesmo a pena lutar."

5 minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Terma do Dia - Gyokeres vs Pavlidis: quem decide o clássico?

Rabona: Arsenal & Barça CRASH OUT as the FINAL IS SET!

Zero: Saudade - S03E35 - Aurélio Pereira: «O Ruben Amorim passava-lhe sempre o onze inicial»

Luis Enrique, rock star asturiana


"Excessivo, imprevisível, excêntrico, senhor de um humor repentino misturado com fúrias telefónicas. Personagem perfeita para uma série de streaming!? Sem dúvida, mas não é de um ator de quem falamos. Ou se não é poderia ser, tal a forma como interpreta o guião.
Promete que vai ser melhor na próxima época, ou seja nesta, e anuncia que só sabe dizer gagner em Francês. Está a primeira pista para revelar que esta figura Bigger than life se chama Luís Enrique, star de mais um documentário da Amazon Prime muito atenta ao mundo do futebol.
São muitas as referências a uma liderança que não deixa ninguém indiferente. As «loucuras» parecem guionadas mas, diz quem sabe, que a forma como enfrentou a imprensa Francesa no caso-Kiki, mais conhecido como Kylian Mbappé, transformou a desconfiança geral com o tempo numa questão de fé nos seus métodos, no mínimo fora de várias caixas .
Não revelamos alguns dos episódios para não estragar as muitas surpresas, mas a mania de andar descalço (o que se torna uma rotina durante o documentário) à volta dos relvados de Poissy, devido a uma alergia ou algo do género, que cura desta forma é um dos pontos mais curiosos.
E fica o alerta: conversas com Mbappé na sala áudio visual do complexo de treinos do PSG seriam, e por si só, motivo para uma assinatura da plataforma. E estou contigo, Luís Enrique: não sabemos um ( sejam imaginativos ) subtítulo deste explosivo documentário que, no mínimo, cria uma perspetiva de rock star do asturiano sem medo!"

Informações falsas no jornal "Correio da Manhã"


"O Sport Lisboa e Benfica esclarece que são totalmente falsas as informações e os valores de prémios veiculados hoje pelo jornal Correio da Manhã.
A definição dos objetivos desportivos e respetivos prémios em cada temporada é estipulado em cada início de época e em nenhum momento se sobrepõem à ambição, profissionalismo e dedicação dos seus atletas."

Consequências


"Os meses de abril e maio são, por norma, alturas de decisões desportivas, com um conjunto de finais de campeonatos, taças e outras competições nas mais variadas modalidades coletivas. Ontem, quarta-feira 7 de maio, já tivemos um campeão no voleibol masculino, e os dias que se seguem ditarão um conjunto de vencedores e vencidos. E como é costume — infelizmente — a avaliação do trabalho desenvolvido fica quase 100 por cento dependente do resultado final. Uns serão bestiais e os outros passarão para o outro lado da barricada, sem que o processo conte muito para a maioria do comum dos mortais.
O desporto é um dos espaços sociais onde o resultado obtido está mais alinhado com um misto de trabalho desenvolvido, entrega, organização e talento existente. E a vitória final, especialmente de forma regular, depende de um conjunto de variáveis importantes. Neste carrossel de emoções, os atletas e treinadores são os que mais facilmente se adaptam à crueldade do resultado: sim ou não.
Tudo até estaria menos mal se as consequências fossem, por um lado, justas (o que acaba por ser uma palavra muito subjetiva, ainda mais no campo desportivo), e se aplicassem aos vários intervenientes implicados no processo. E se, por um lado, a montanha-russa recai quase sempre sobre os treinadores de forma desenfreada, não deixa de ser estranho que, sendo Portugal um país onde os presidentes, direção ou diretores desportivos são mais mediáticos do que alguns atletas e treinadores, as consequências raramente atinjam alguns deles. Resumidamente, e em bom português: «É o que é!»
Não estou muito otimista para o futuro. Podemos — e vamos — ter algumas melhorias, mas creio que, de forma profunda, será muito difícil alterar aspetos estruturais e manteremos alguns hábitos nocivos para quem trabalha na área do desporto de alto rendimento. E talvez as grandes consequências que isto trará para o desporto em Portugal sejam semelhantes ao que está a acontecer noutras áreas: teremos novos e bons treinadores a fazerem quase toda a sua carreira fora, atletas que farão carreira no estrangeiro, e não apenas por questões financeiras, teremos dirigentes, scouts, staff médico a perceberem que há um conjunto de ar fresco lá fora.
E com isto, não só perderemos competitividade, como manteremos alguns dos responsáveis no topo da cadeia de decisão sem grandes consequências. E, ao contrário do que se dizia na Covid, não vai ficar tudo bem."