Últimas indefectivações

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Jornalistas, essa cambada de avençados

"A esta altura do campeonato começo a suspeitar de que Bruno de Carvalho não gosta muito dos jornalistas.
Quer dizer, também não é não gooooosta. Talvez goste de um ou de outro, pronto.
Gostará porventura daquele trio, que recentemente deixou o jornalismo para trabalhar para o Sporting, com quem na última semana se sentou num programa de três horas no canal do clube a ouvir-lhes umas inconfidências da redacção e uns vilipêndios à profissão que tanto lhes deu.
Já desconfiava de que ele não ia à bola com os jornalistas quando no início da sua presidência vi uma conferência de imprensa com palmas (dos adeptos) e sem perguntas (da comunicação social). 
Contudo, exceptuando a veemente condenação à forma como colocou em risco a integridade física de alguns repórteres na assembleia geral do clube, estas linhas não vão no sentido de uma reacção epidérmica e corporativa às palavras do presidente do Sporting.
Sobre Bruno de Carvalho digo desde já: tem o mérito de, finalmente, mostrar vitalidade num clube que definhava durante as últimas décadas. É, portanto, compreensível a popularidade do presidente junto dos seus adeptos, sempre alerta para justificar-lhe cada intervenção, por mais despropositada que seja.
Percebo as angústias, não apenas suas, sobre eventuais desigualdades de tratamento por parte da comunicação social, levando a que a mensagem predominante no espaço público seja muitas vezes a de um dos seus rivais.
Compreendo com a indignação, não apenas sua, em relação a alguns jornalistas que foram alvo de graves acusações documentadas sobre a falta de credibilidade do seu trabalho e que não vieram a público dar uma explicação cabal – uma omissão, diga-se, que não põe em causa só o bom nome dos próprios, mas o de toda a classe.
Venho, portanto, em missão de paz. Só para realçar que é demasiado conveniente confundir comentadores e colunistas, sem qualquer obrigação deontológica, ou até uma minoria de jornalistas, engajados, com «os jornalistas».
«Os jornalistas.» Todos. Essa cambada de «avençados», como vejo escrito por adeptos mais ou menos coléricos. Eu que nunca recebi (jamais receberia) outra avença que não fosse das entidades patronais para as quais trabalhei e que não conheço casos concretos de quem tenha recebido – a dúzia de nomes que circularam por aí, envolvidos num alegado esquema engendrado por uma figura sinistra do futebol português, fez o que devia: desmentiu-o publicamente.
Venho, portanto, em missão de paz, para dizer que essa amálgama não identificada não existe e, como tal, não é rotulável. É como qualificar «os adeptos de futebol», quando todos sabemos que há os bons (os do nosso clube) e os maus (os do rival) – não é verdade?
Venho alertar para os perigos de quem quer substituir o jornalismo por propaganda pura e simples transmitida pelos canais oficiais.
Sem jornalistas, restar-nos-á o arco-íris propagandístico sem contraditório, que satisfará apenas os adeptos mais fanáticos, felizes por ouvirem, dia após dia, os «amanhãs que cantam» e as boas-novas que passaram pelo crivo do líder.
Sem jornalistas, sobrará na sala de imprensa apenas espaço para os «repórteres» dos clubes (levam aspas por não terem equidistância ou isenção que as dispensem), que, devidamente «brifados», antes, ou alertados por sms, durante, farão nas conferências de imprensa perguntas sobre «quão fantásticos são os nossos adeptos» ou, se conveniente, sobre «que opinião tem sobre a arbitragem».
Este simulacro é o sonho de qualquer departamento de comunicação: tudo ensaiado e devidamente articulado; nada fora do controlo.
Neste momento, é evidente a crise nesta batalha pela confiança de quem nos vê, lê e ouve. Do lado de cá da barricada, podemos ignorá-la ou então saber defender o nobre exercício da actividade jornalística. O caminho passará sempre pelo cumprimento de normas deontológicas básicas e por um critério editorial claro. Só pode ser este o caminho. Até porque o atalho que nos propõem é o do obscurantismo.
Eu, que venho em missão de paz, convenço-me, ainda assim, de que a comunicação não ganhará assim tantos jogos como isso: para se ser campeão, vale bem mais contratar um bom avançado do que 50 pseudo-avençados.
Por via das dúvidas, a economia tem sempre razão e a crueza dos números está do meu lado: o salário de um bom goleador é superior ao de uma redacção inteira.
Nesta altura do campeonato, porém, caso a equipa que investiu mais em reforços do que todas as outras – e cujo treinador ganha sozinho mais do que os 17 concorrentes somados – deixe de ser candidata ao título antes do tempo, a reflexão que terá de ser feita não merecerá certamente três horas na televisão do clube. Talvez nem sequer três minutos.
Por outro lado, quem tiver carteira profissional e costas largas terá o perfil ideal para desviar as atenções."

Media e futebol: não há na relação entre ambos inocentes e culpados

"Com raras excepções são ainda os jogadores que conferem alguma dignidade ao futebol.

A discussão sobre a relação dos media com o futebol e vice-versa está quase sempre inquinada por paixões e tocada de irracionalidade. A situação a que chegou a cobertura do futebol em Portugal propicia extremismos verbais que não raras vezes se traduzem em agressões físicas. Porém, frequentemente discutem-se apenas as consequências e não as causas dessa irracionalidade. Não há nessa relação inocentes e culpados, encontrando-se as duas categorias em ambos os lados. Mas também em ambos há que separar, no futebol, os jogadores dos dirigentes, treinadores e directores de comunicação; e do lado dos media há que separar a imprensa desportiva, os comentadores e moderadores de painéis televisivos dos media generalistas.
Diria que com raras excepções são ainda os jogadores que conferem alguma dignidade ao futebol. E não falo apenas de Ronaldo como exemplo de profissionalismo e de solidariedade com causas sociais que dignificam o futebol. Ao contrário, dirigentes e treinadores dos grandes clubes, de quem se espera maior responsabilidade e civismo, estão longe de contribuir para elevar o futebol ao lugar que lhe cabe na sociedade enquanto instituição essencial na educação e no lazer, sobretudo da juventude. Ao envolverem-se frequentemente em guerrilhas verbais entre si, com árbitros e com jornalistas, esses responsáveis contribuem para acicatar paixões irracionais que transformam o natural entusiasmo clubístico em ódios e rancores.
Do lado dos media, a situação não é muito melhor. Não me refiro aos repórteres que no terreno cobrem os jogos, mas sim a manchetes e artigos incendiários surgidos na imprensa desportiva e a debates televisivos com representantes dos clubes nos quais impera a polémica e quantas vezes o insulto e a agressão verbal sem que o jornalista moderador imponha regras. Ora, se é certo que não cabe aos jornalistas controlarem as declarações dos responsáveis e dos representantes dos clubes em conferências de imprensa e em debates televisivos, cabe-lhe pelo menos a decisão de como as reportar ou, pura e simplesmente, de não as reportar.
No caso recente da conferência de imprensa do presidente do Sporting, as televisões estiveram em directo emitindo para o país sem qualquer mediação tudo o que o orador quis dizer, independentemente das consequências que as suas palavras pudessem produzir. O apelo ao boicote aos jornais desportivos e às televisões portuguesas, e as indicações para que os seus atletas não prestem declarações à comunicação social, a não ser em casos regulamentados, foi transmitido para todo o país. A violência verbal do presidente do Sporting contagiou os adeptos e viria a provocar as agressões aos jornalistas que se encontravam no local.
Cabe, a este propósito, referir que são raras as conferências de imprensa a merecerem transmissão televisiva e radiofónica em directo, sendo os jornalistas em geral avessos a cobrirem essa forma de comunicação quando os oradores são governantes, membros dos partidos ou de outras instituições. Aliás, se os critérios jornalísticos que motivaram os três canais informativos do cabo a emitirem em directo a conferência de imprensa do presidente do Sporting se tivessem orientado pelo interesse público em vez de pelo gosto do sensacionalismo e da polémica, talvez a dita conferência tivesse merecido, em vez de um longuíssimo directo, apenas um tratamento diferido dos resultados das votações. Talvez se o presidente do Sporting não soubesse que estava em directo para o país tivesse refreado a incontinência verbal que revelou em certas partes do discurso. É sabido que a presença das televisões condiciona e potencia atitudes e discursos populistas.
Convém todavia referir que por muito inconveniente e mesmo antidemocrático que seja o discurso dos responsáveis dos clubes, por exemplo o apelo ao boicote dos media feito pelo presidente do Sporting, não cabe aos jornalistas exercerem qualquer tipo de "represália" como parece ter acontecido com a não cobertura da conferência de imprensa do treinador Jorge Jesus de antevisão do jogo do Sporting com o Tondela. De facto, os jornalistas norteiam-se pelo interesse público e pelo direito dos cidadãos à informação, pelo que se o interesse público e o dever de informar o justificar devem fazer a cobertura, independentemente do que disserem os responsáveis dos clubes. A verificarem-se actos impeditivos da liberdade de informação, como o impedimento do acesso dos jornalistas a locais onde decorrem eventos públicos, que ao que se sabe não existiram nos acontecimentos do Sporting, devem ser tratados nas sedes adequadas — a ERC e ou os tribunais.
A mediação proposta pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional, ao pretender reunir “responsáveis de comunicação de clubes e representantes do jornalismo”, incluindo o Sindicato dos Jornalistas, para discutir questões como a “intensidade diária”, “o excepcional escrutínio público do futebol e a necessidade de maior equidade no tratamento noticioso dos vários emblemas”, conforme palavras do director de comunicação da Liga, afigura-se contra-natura, uma vez que os jornalistas não necessitam de mediação de instituições desportivas ou outras para exercerem as funções que lhes estão legal e deontologicamente cometidas. É, aliás, a excessiva familiaridade, a roçar muitas vezes a promiscuidade, entre membros dos clubes e jornalistas, sobretudo da área desportiva, que proporciona situações como as que estamos a assistir. A mediação da Liga envolvendo jornalistas só tem justificação em situações muito específicas que não podem interferir em questões de “intensidade” ou “equidade” da cobertura jornalística do desporto qualquer que seja a modalidade.
Os dirigentes desportivos, os directores de comunicação e os comentadores dos clubes são livres de fazerem os apelos que entenderem e de criticarem os jornalistas, dentro das regras aceitáveis numa sociedade livre e democrática, onde existem órgãos democráticos de controlo de comportamentos desviantes. Aos jornalistas cabe exercerem a função de informar com rigor, sem partidarismos e clubismos susceptíveis de incitarem ao ódio e à violência. Há porém que constatar que de uma parte e de outra nem sempre, ou muitas vezes, estes princípios basilares não são cumpridos."

Obreiros

"À semelhança do que sucedeu na primeira gala das Quinas de Ouro, da Federação, na edição de 2018 os jogadores e jogadoras voltam a eleger os melhores onzes, premiando o mérito desportivo nas diferentes posições. O Sindicato promove esta votação que se destaca pelo reconhecimento da qualidade dentro de campo, entre colegas de profissão. A todos os que já votaram e aos que irão ainda fazê-lo, o meu agradecimento pelo contributo para esta iniciativa.
Este tipo de iniciativa recentra o foco no jogador, mobiliza a comunidade desportiva e a sociedade em geral para a valorização do talento, dignificar aqueles que se dedicam à profissão e ao que ela tem de melhor. Premiar o mérito tem o importante simbolismo de centrar a atenção no que de melhor acontece em Portugal, e a gala Quinas de Ouro, personifica essa intenção.
A propósito de mérito e reconhecimento pelos melhores motivos, associa-me à distinção feita a Aurélio Pereira, com a Ordem de Mérito da UEFA, pelo mérito do trabalho desenvolvido na detecção de talentos, aos serviços do Sporting, que permitiu ao futebol português descobrir alguns dos seus maiores nomes. O trabalho de selecção e integração de jovens, através da formação desportiva, é de vital importância e enorme responsabilidade. Hoje começa a merecer maior atenção a visão integral da formação, que permita um apoio efectivo ao desenvolvimento do jovem nas suas diferentes dimensões, pessoal, social, educativa, desportiva e, para alguns, profissional. Os recursos humanos ao nível do recrutamento e integração nas estruturas de formação são fundamentais e, nalguns casos, substituem a acção da própria família no acompanhamento do jovem praticante. Espero que o modelo de certificação de entidades formadoras traga uma aposta generalizada neste modelo."

Crescer para vencer...

"Ainda na continuidade do pensamento do último artigo publicado, sublinho que o mundo emocional da criança está muito dependente da confiança em si própria, autocontrolo, devendo os pais experienciarem na vida aquilo que pretendem que seus filhos comunguem como exemplo, isto é, se querem que os filhos sejam honestos, devem praticar a honestidade, que sejam educados, exercerem os deveres da educação perante os outros, que sejam justos, praticarem a justiça, etc …
Os pais, através dos seus próprios comportamentos de vida, são geradores de confiança, acabando por ajudar a iluminar o bom caminho do relacionamento humano de quem lhes abriu as portas para a vida e dela recolhem os fundamentos da sua existência e onde tantas vezes apetece converter em gratidão e aplauso.
As crianças que se sentem amadas e reconhecidas pelos pais e outros familiares directos, confiam mais nelas próprias e nos outros que com elas convivem, devendo por isso estes, sempre que possível acompanhar os treinos e jogos, encorajando e elogiando pelo esforço despendido, apoiando contudo nos casos em que a fragilidade pelo rendimento menos conseguido possa resultar em pesadelo.
É claro que tudo isto é muito aceitável e justificável, mas basta assistir a um jogo entre jovens, para quantas vezes ter vontade de abandonar a bancada ao ouvir certos pais em calorosas discussões, comentando de forma depreciativa o comportamento dos jovens jogadores, treinadores, árbitros e outros pais, interpelando constantemente no trabalho dos treinadores, criticando excessivamente os resultados, criando expectativas exageradas com fáceis elogios e atitudes de sobranceria, proibindo como forma de castigo a prática desportiva face aos maus resultados escolares, etc…etc…
Enfim, a impossibilidade de ter concretizado os seus sonhos, enquanto jovens, estes adultos originam exigências irrealistas aos filhos, sendo estes uma carga sem controlo e qualidade e no futuro vislumbram um olhar de angústia, recorrendo a práticas pouco ou nada recomendáveis, que a comunicação social por vezes comenta, outras vezes omite.
Como referia no artigo publicado nesta rubrica, para combater este flagelo da formação desportiva, felizmente que ainda encontramos muitos clubes com uma organização devidamente estruturada quer no aspecto cultural e formativo dos seus dirigentes e treinadores de jovens que respeitam as bases do treino, tendo em conta o grau maturacional do atleta, deixando fluir sem pressão as etapas de desenvolvimento, transmitindo o gosto pelo treino e pelo jogo, baseado numa aprendizagem e aperfeiçoamento contínuo, fazendo de cada jogo uma base de trabalho para a construção de uma planificação do treino devidamente adequada motivante e criativa.
Na sua dinâmica operacional, associam na formação da persistência a paciência. No código do seu registo de acção estão garantidos os valores da honestidade e a firmeza das convicções, dirigentes e treinadores, conselheiros e amigos, expondo pelo exemplo o seu modelo interventivo, sendo pacientes e tolerantes com os erros e com as dificuldades de aprendizagem, neste desígnio polar duma consciente fórmula de crescer para render.
Também a Federação Portuguesa de Futebol, através da exemplar liderança do Presidente Dr Fernando Gomes, ao criar recentemente a “Portugal Football School”, um projecto aliado a ciência ao ensino superior, dedicado à formação contínua de dirigentes, treinadores, árbitros, jogadores, profissionais de saúde, média ou famílias, vem duma forma quanto a mim notável, validar várias competências ao serviço da razão.
…!...
Permitam-me a propósito do tema em título e para terminar este artigo, a exposição de duas histórias de vida marcadas no tempo e que passarei a enunciar:
Na já distante década de 60 do pretérito século, um menino a despertar para a juventude, recorreu a um conhecido clube da terra, para satisfazer a vontade de prestar provas num treino em Futebol. Após lhe ter sido distribuído o equipamento, ao vestir os calções, verificou que estes estavam rotos, precisamente no local onde mais o jovem procurava proteger. Dirigiu-se ao roupeiro e pediu educadamente para satisfazer a troca, ao que lhe foi respondido: “ queres esses queres… e se não quiseres vai pró caralh…” O menino jovem não teve meias medidas, deixou o equipamento no vestiário, montou na sua usada pasteleira e dirigiu-se para o clube rival, aí a uma distância de 2 a 3 km. Estava uma velhinha a servir na rouparia e já com os cabelos da cor da neve, de olhos meigos e voz doce, perguntou ao menino/jovem o que pretendia, ao que este repetiu o desejo de participar nas provas de captação para o Futebol. A senhora sorridente e num rápido entrega ao menino um cestinho de cor azul, dizendo-lhe:
“ Menino, tens aqui 2 pares de calções, 2 pares de sapatilhas e chuteiras e duas camisolinhas. Veste e vem cá para eu ver qual te fica melhor”. O menino foi para o balneário e tão depressa regressou junto da velhinha que já o aguardava ansiosa e duma tirada lhe disse: “ É lá … até já pareces um jogador a sério. Vai para o campo que o treinador, que é meu filho, já lá está. Vais gostar dele!”... O menino não cabia em si de contente. Dirigiu-se ao campo e passou a ser um entre os demais. Um familiar directo do menino/jovem que havia jogado no primeiro clube, sabendo do acontecido, abeirou-se dele e de dedo em riste avançou com voz grossa: Nem quero acreditar, ouvi dizer que tu estás a treinar no meio daquela tropa (para o momento o clube inimigo número 1, 2, 3, 4,… ). Estou sim senhor!...respondeu o menino /jovem. Ainda a frase não havia terminado e já estava no chão com uma valente bofetada. 
“Pois agora é que jamais deixarei de ir ao treino”… pensou o menino /jovem. De facto não faltava a um treino, mas a selecção de valores era muito elevada e o menino não passava de suplente dos suplentes. Mas cada treino era marcado pela felicidade de fintar, correr, por vezes mais do que a bola… e um dia, já no colégio de Vizela, perdeu a camioneta e teve de faltar ao treino. O treinador no treino seguinte e perante todos lá foi lamentando, dizendo que foi notada a sua falta… etc … e o menino/jovem para além da desculpa de transporte, acrescentou: “Mas, nem sequer jogo … eu sou suplente dos suplentes!”... “Mas nós precisamos de ti, da tua motivação, da tua vontade e alegria… vê se não faltas mais”, retorquiu o treinador. Contudo, acontecia que o menino/jovem, num dos dias da semana, tinha dificuldade de transporte e com receio de não chegar a tempo do treino, montava na sua velhinha pasteleira e fazia 17 Km para o colégio de Vizela e no regresso, (mais de 70% a subir), fazia novo percurso, com a certeza de que marcaria a presença no treino. Ah … e depois ainda tinha de pedalar mais 6 Km para casa, onde residia com os seus avozinhos … sendo mesmo suplente dos suplentes!...
Querem saber, qual foi o primeiro Clube do roupeiro que para além de não trocar os calções, ainda vociferou contra o menino/jovem? Vasco da Gama e depois F.C.P.Ferreira!... e o tal Clube “inimigo” que no imediato o recebeu? S.C.Freamunde. O nome do primeiro roupeiro? Indecifrável. O nome da senhora dos equipamentos, velhinha e de sorriso de encanto e rosto de afectos? Senhora D.Emília. O nome do treinador? Sr Zeca Mirra. O menino/ jovem? - era eu!...
Ainda hoje mantenho o meu lugar de associado nos dois clubes… quer um, quer outro fazem parte do tesouro da minha existência. Do primeiro mantenho a devoção, do segundo guardo gratidão!...
A propósito, aproveito para evocar outros clubes que muito orgulho e honra me concederam para fazer parte da sua estrutura profissional:
No Vitória de Guimarães - encontrei a estrela da manhã; no F.C.Porto – toquei nas portas do céu; no S.C.Braga – senti um vulcão pronto a explodir; no F.C.P.Ferreira – do sonho à realidade com a presença na Liga dos Campeões; no G.D.Tondela – humildes pegadas feitas por gente nobre na conquista de objectivos difíceis e desafiadores. Num tempo periódico, fugaz e por isso muito curto em finais de época, não posso deixar de destacar o Moreirense F.C. e C. D. Trofense enquanto clubes campeões e acesso à 1ª Liga e a Selecção Nacional de Juniores de Hóquei em Patins – campeões europeus no Pavilhão Rosa Mota.
De todos guardo histórias de encantar que habitam no ar que escapa ao meu pensamento. Talvez um dia, algumas delas possam ser escritas. Talvez!...
…!...
A outra história muito mais recente tem como protagonistas, atletas jovens de 3 clubes e os meus alunos no momento de Opção Futebol do 4º Ano da Licenciatura de Educação Física e que no 5º Ano teriam de elaborar uma Tese/Monografia de investigação, no Instituto Universitário da Maia – ISMAI. O tema proposto incidia sobre a Motivação para a prática do Futebol, tendo de aplicar alguns instrumentos de avaliação, seleccionando 3 clubes: F.C.P.Ferreira, F.C.Porto e um Clube modesto doutro concelho do distrito.
Em termos muito globais refiro que as respostas apresentadas pelos jovens atletas dos 2 primeiros clubes indicados, atestavam que, o que mais os motivava a praticar Futebol no clube, era a vontade de competir e de ganhar, a possibilidade de um dia vir a ser profissionais, de ter objectivos desafiadores e uma forte ambição e desejo de ser bem sucedidos.
No referente ao 3º clube, o que mais era evidenciado pelos atletas jovens em acorrer à prática do Futebol, resumia-se à possibilidade de sair de casa, estar com os amigos e conhecer novos amigos, ter alguma coisa para fazer, saindo da rotina do dia a dia.
Passados 6 anos, um aluno como tese final de curso, procurou dar sequência à comparação evolutiva dos resultados obtidos pela primeira amostra, verificando-se que dos jovens atletas pertencentes aos clubes profissionais, agora com idade de sénior, uma elevada percentagem já se encontrava com contrato profissional, quer no clube de origem ou cedidos a outros clubes. No referente aos atletas pertencentes ao clube mais modesto, uma grande parte tinha desistido do Futebol. O aluno investigador, por intermédio do conhecimento duma ficha sociológica anteriormente elaborada, conseguiu encontrar 7 desses ex atletas. Ao questionar as razões do abandono ou desistência da prática do Futebol nesse clube, as respostas foram claras e bem definidas: não era tão bom como pensavam, o treinador era muito exigente e por vezes agressivo, os dirigentes só apareciam no dia dos jogos para discutir entre si e até gozar com a participação menos conseguida, havia muitos conflitos com vários problemas entre o grupo… e dos 7 ex atletas, 4 deles consumiam droga!...
Anote-se a importância pela negativa do treinador e dirigentes na formulação de conteúdos para que o Clube como organização e o Futebol como modalidade viesse a ser aquilo que foi e não devia ser. 
Todos sabemos que a prática do Futebol, apresenta-se como eixo mediador para a construção psicológica, social, biológica e funcional das variáveis educativas.
É capaz de fomentar a expressão e desenvolvimento da personalidade; a oportunidade de superação; a educação da vontade, proporcionando múltiplas oportunidades de conviver numa ampla relação social.
Um suporte de formação para a educação da cidadania, autenticada na capacidade de emulação e superação, que pela inteligência e arte proporciona a possibilidade de crescer para vencer."

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Alvorada... do João Paulo

Era uma vez na América

"Termino hoje uma trilogia de textos sobre Béla Guttmann, um dos treinadores mais importantes da história do Benfica, trazendo uma fase menos conhecida da sua carreira de jogador levada a cabo nos Estados Unidos.

Béla Guttmann percorreu os Estados Unidos - Chicago, Providence, Rhode Island, Filadélfia, St. Louis, Nova Iorque - na grande digressão da sua equipa, o Hakoah Viena, clube de judeus da capital austríaca que se transformou, nos anos 20, numa dos mais fortes conjuntos da Europa.
Mas a Europa vivia momentos difíceis.
O anti-semetismo lavrava no continente e muitos judeus procuravam fugir da perseguição movida cada vez mais sistematicamente por muitos governos europeus.
Ao contrário do que muitos possam supor, o futebol nos Estados Unidos estava na berra nesse tempo. Muitos anos antes de Pelé, Cruyff, Eusébio e Beckenbauer terem reerguido o edifício do futebol do país, existiu 'a época dourada do soccer americano'.
Em 1921 foi fundada a American Soccer League, primeira liga profissional no território. Três anos mais tarde já o campeonato se disputava entre 12 clubes. Espectadores excitados demandavam os campos de jogo. Contratações sonantes feitas pelos emblemas mais poderosos, recrutando sobretudo jogadores escoceses. No livro sobre Guttmann escrito por Bolchover descreve-se episódio: Alex McNabb jogava na I Divisão escocesa pelo Greenock Morton. Recebia quatro libras por semana. O Boston Wonder Workers avançou com uma proposta de 12 libras por semana. Emigrou de imediato.

Guttmann e a América
Em 1926, Béla Guttmann assinou pelos New York Giants
Recorde-se que Brooklyn tinha, ao tempo, mais de 750 mil habitantes judeus. Por isso, o afluxo de jogadores judeus vindo da Europa intensificou-se: Hausler, Scwarcz, Egon Pollak, Leo Drucker, Lajos Fisher...
Mas Guttmann era o melhor de todos.
Só que os Giants não saíam do meio da tabela. Havia quem acussasse: 'A diferença entre a mediocridade e a grandeza está no que os jogadores sentem uns pelos outros'.
A equipa de Guttmann era formada por mercenários futebolísticos.
O Hakoah Viena voltou aos Estados Unidos para nova digressão, mas muito desfalcada - as suas estrelas tinham demandado o sonho americano. Guttmann aproveitou a digressão para jogar aqui e ali pela sua antiga equipa.
Entretanto, em termos de organização e com a fundação da United Stades Football Association os problemas não paravam de surgir no futebol dos Stades. As guerras entre proprietários de clubes tornaram-se intensas.
Em 1928 foi formado o New York Hakoah. Vários jogadores dos Giants (que pertencia ao mesmo dono) transferiram-se para o clube dos judeus de Nova Iorque: Hausler, Grunwald, Fabian, Fischer e, claro, Guttmann.
Os adeptos do novo clube multiplicavam-se nos bairros de Lower East Side, Harlen, Brownsville, Williamsburg, Tremont, South Bronx.
Havia em seu redor o orgulho inabalável do povo que se diz escolhido.
O Hakoah perdeu o título de campeão dessa época para o Bethlehem Stell mas, na Taça, cuja final punha frente a frente os vencedores da Zona Este e da Zona Oeste, os resultados foram brilhantes. na meia-final regional bateram o Newark Portuguese, equipa da comunidade portuguesa, e na final da Zona Este, disputada à maior de três jogos, fizeram história afastando os New York Giants sem necessitarem de terceiro jogo - 1-1 e 3-0. Guttmann foi até aos píncaros dos elogios: 'O incomparável centrocampista do conjunto!'
Não perdia, de forma alguma, a sua visão para o negócio: tornou-se accionista de um speakeasy, clubes clandestinos de venda de bebidas alcoólicas que surgiram com a Lei Seca.
No ano seguinte, o New York Kakoah fundiu-se com outro clube judeu, o Brooklyn Hakoah formando o Hakoah All-Stars.
Guttmann entrava na fase derradeira da sua vida como jogador e descobria, dolorosamente, que os seus investimentos financeiros acumulavam prejuízos terríveis. Passou sem grande nota pelo New York Soccer Club, e regressou ao Hakoah All-Stars.

Num jogo particular frente ao Celtic de Glasgow, católicos contra judeus, envolveu-se em pancadaria com um adversário, Charles Napier. Foram ambos expulsos. Saía à sua maneira: sempre pronto a dar nas vistas!
Em 1932, o Hakoah fechou as portas.

Guttmann regressou a Viena de bolsos vazios. Era tão conhecido por acumular fortunas como por desfazê-las.
Mais uma época no Hakoah Viena e pendurava as chuteiras.
Vinham aí tempos complicados para os judeus na Europa."

Afonso de Melo, in O Benfica

Ciclismo sobre rolos, uma novidade desportiva

"Vitória do Benfica e de José Maria Nicolau na primeira apresentação das corridas de bicicleta sobre rolos, em Lisboa.

«A última novidade do desporto moderno», era assim anunciada a primeira sessão de provas de ciclismo sobre rolos, na capital portuguesa. O espectáculo, já com bastante êxito nas grandes cidades europeias, prometia todas as emoções das corridas em pista. Provocavam grande interesse no público, que tinha a sensação absoluta do esforço dos ciclistas.
O modelo das ciclistas foi inventado pelo campeão do mundo de ciclismo, o suíço Oscar Egg. O aparelho era 'constituído por dois rolos ligados a um mostrador graduado, sobre o qual giram dois ponteiros, cada um deles ligado, por seu torno, ao rolo respectivo. Cada volta completa do ponteiro corresponde a 500 metros'.
O espectáculo foi promovido pelo jornal Os Sports, a 4 de Março de 1933. O local escolhido foi o grande salão de cineteatro Capitólio, que registou uma enorme enchente. Os lisboetas esgotaram rapidamente a lotação 'tendo ficado provado de entrada grande número de pessoas, por falta de bilhetes'. O programa incluía um torneio em poule para a disputa da Taça J.J. Mendes Arnaut e uma prova entre o sportinguista Rodrigo Garrido, campeão nacional de velocidade, e o benfiquista Eduardo Santos.
No torneio, tomaram parte alguns dos mais famosos 'ases do pedal': José Maria Nicolau, Abílio Gil Moreira e Valentim Afonso, do Benfica; Prudêncio Carneiro e Francisco Assunção Silva, do Sporting; e João Francisco, do Campo de Ourique. Os seis corredores disputaram, ao todo, 15 corridas de 3 Km cada. Ao sinal da partida, iniciavam a marcha e os ponteiros começavam logo a girar, marcando a distância percorrida por cada um.
O espectáculo decorreu sempre animado, 'granjeou aplausos gerais, mas, tendo agradado a todos, não foi por todos compreendido no grau de esforço violentíssimo que exige dos atletas em competição'. Nas provas mais renhidas, os ciclistas davam o seu máximo a pedalar e, no final, 'saiam cambaleantes de sobre a máquina, porque os músculos das pernas se negavam a agir ainda'.
No final da poule, José Maria Nicolau e Gil Moreira ficaram empatados com quatro vitórias cada, sendo necessário recorrer a uma prova de desempate. Nicolau, decidido a ganhar, superou o colega de equipa e venceu com o melhor tempo da noite: 3 minutos e 32 segundos. O conceituado ciclista do Benfica conquistou a taça que ficava 'em poder do club a que pertença o primeiro classificado' e ainda estabeleceu dois novos recordes, dos 500 metros e dois 1000 metros.
Pode conhecer mais façanhas do ciclismo benfiquista na área 3 - Orgulho Ecléctico do Museu Benfica - Cosme Damião."

Ana Filipa Simões, in O Benfica

Benfiquismo (DCCLXI)

A caminho...

Chama Imensa... Os escândalos sucedem-se...!!!

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Lixívia 24

Tabela Anti-Lixívia
Benfica ........ 59 (-4) = 63
Corruptos.... 64 (+9) = 55
Sporting .... 59 (+14) = 45


A ausência de qualquer acção/reacção à coacção e corrupção, que estão à vista de todos, por parte das autoridades desportivas e civis, está a transformar esta época, numa das temporadas mais 'falsas' de sempre do Tugão!!! Algo, que devido à vergonhosa história do Tugão, é extremamente difícil...!!!

Depois de ter contribuído para a eliminação do Benfica da Taça de Portugal deste ano, tivemos a estreia no Campeonato do Verdíssimo, e só um Benfica em superação conseguiu os três pontos!
Toda a arbitragem foi vergonhosa, o critério disciplinar, a complacência com o anti-jogo do Paços, e até o facto do próprio árbitro ter feito 'anti-jogo' com várias decisões absurdas! O melhor exemplo, foi o tempo efectivamente jogado nos últimos minutos. A partir dos 85 minutos, quando ainda estava 1-1, até aos 97 minutos, não se jogou mais de 2 minutos!!!
Penalty's:
- o 1.º que ficou por marcar, foi na cabeçada do Jonas ainda na 1.ª parte: claramente empurrado pelas costas. O defesa não só quis empurrar, não disputou a bola, nem a posição... e a bola mudou de direcção por causa do empurrão...
- 2.º penalty, foi na falta sobre o Cervi: o defesa tem o pé em cima da linha da área, portanto a falta é dentro da área. Inacreditável como o VAR não 'avisa' o árbitro!
(inacreditável como esta falta não deu Amarelo, e segundos depois, estava a mostrar Amarelo ao Pizi, por ter 'cortado' uma bola...)
- 3.º penalty, rasteira ao Rafa. O mais escandaloso de todos. As imagens são claras... A situação foi tão clara, que nem 'chamou' o VAR! Porque este o VAR não tinha desculpa...
(este é um dos pontos do protocolo que não está a ser respeitado: não é necessário ser o Árbitro a pedir a actuação do VAR; o VAR pode avisar o árbitro do erro... e mais uma vez, não o fez!)
- 4.ª penalty, corte com o braço, num cruzamento do Rafa. Aumento claro da volumetria... Mas desta vez, já parou o jogo pedindo a intervenção do VAR, porque como é de conhecimento, as situações de bola na mão, são por norma subjectivas, o que torna muito improvável o VAR mudar a decisão do campo...
(anti-jogo, promovido pelo árbitro)
- Houve outros lances duvidosos dentro da área do Paços: um empurrão do Quiño ao Rafa, que me pareceu falta, mas não é claro... além dos agarrões ao Rúben e ao Jardel em todas as 'bolas paradas' e foram pelo menos 12 Cantos!!!


Como escrevi na crónica do jogo de Paços, as minhas expectativas para o jogo dos Corruptos em Portimão, era muito baixa... e confirmou-se! Nem foi preciso recorrer ao apitadeiro!!!
Aquilo que as nas últimas semanas tem sido denunciado pelo César Boaventura...; Aquilo que ficou claro com a dispensa do Abner poucos dias depois de ter 'abrido as pernas' aos Corruptos na Amoreira (e não dispensaram mais jogadores, porque alguns dos outros, têm contrato com o Estoril, e não são emprestados...); todas as ligações entre o Portimonense e os Corruptos, com mais de 12 jogadores, com empresários e até o dono do Portimonense, deixava antever um dos jogos mais fáceis da época, tal como já tinha acontecido na 1.ª volta... onde até houve gastroenterites fulminantes antes do jogo!!!
Os Corruptos depois de terem levado 5 do Liverpool, com vários jogadores lesionados, tornaram-se 'imparáveis' com goleadas atrás de goleadas...! Tal como tem acontecido nas últimas épocas, na recta final do Campeonato, vamos ter o Benfica com autênticas batalhas campais, em todos os jogos, com resultados à justa, e os nossos adversários na luta pelo título, com jogos 'fáceis'!!! Aconteceu com o Braga em 2010... e tem acontecido sempre com os Lagartos ou os Corruptos nos anos do Tetra!!!
Recordo-me da goleada ao Guimarães o ano passado na última jornada, uma ao Nacional também na última jornada e um jogo com o Olhanense na Luz, que também acabou em goleada (com uma expulsão relativamente cedo), nos últimos 5 títulos do Benfica, nas últimas 10 jornadas (portanto 50 jogos) acho que goleámos 3 vezes, os nossos adversários é praticamente em todos os jogos!!!
Quem achar que isto é normal, não é bom da cabeça...!!!
Curiosamente a diferença este ano, é que na 'loucura' do ataque dos animais de propaganda ao Benfica, meteram ao barulho o tal César Boaventura, e pelos vistos o rapaz não gostou!!! Às vezes quando se opta pela política de 'terra queimada', acaba-se por provocar danos colaterais... e às vezes, os 'colaterais' respondem...!!!

Em relação ao jogo, além dos erros de posicioamento da defesa do Portimonense, no 1.º golo dos Corruptos, existe uma falta no início da jogada, não assinalada... e que o VAR devia ter visto!


Acabou à poucos minutos, o jogo no Alvalixo, com mais uma vitória nos descontos!!!
A falta de vergonha começou na nomeação:  mais uma vez, dois Lagartões nomeados Tiago Martins como árbitro (8 nomeação como árbitro ou VAR), e Xistra como VAR (sexta nomeação...)! São quase sempre os mesmos, se juntarmos o Hugo Miguel e o Godinho temos 50% da nomeações para jogos dos Lagartos em 24 jornadas!!!
E valeu a pena...!!!
Recordo que as equipas do Judas, têm a tendência de perder pontos nas vésperas dos jogos 'grandes'; além disso o Petit também tem a tendência para pontuar contra os Lagartos, portanto, estas nomeações pareceram uma 'ordem' directa do Babalu...!!!

O golo anulado ao Moreirense é um gozo: Tiago Martins foi o VAR no Benfica - Sporting, nesse jogo 'valeu tudo', perdi a conta há quantidade de vezes que os jogadores Lagartos jogaram a bola com os braços e o Tiago Martins nunca viu qualquer falta, na Luz...!!! Hoje, como árbitro, foi rever o lance à linha lateral, e teve a prova inequívoca que o jogador do Moreirense jogou a bola intencionalmente com o braço, e anulou o golo!!! Extraordinário... com uma câmara com o plano alargado!!!
Por exemplo, o lance do William com o Jiménez na Luz, é muito parecido com este... e na altura, foram muitos os que justificaram que a Mão na Bola, foi provocada pelo encosto do Jiménez, e hoje, o jogador do Moreirense foi empurrado?!!!
Poucos minutos antes do fim do jogo, perdoou um Vermelho directo ao Gelson... jogador que minutos depois marcou o golo da vitória dos Lagartos!
Amanhã vou rever mais alguns lances, se houver alguma coisa que me escapou, farei uma adenda...
ADENDA: Só agora vi o 2.º Amarelo ao Petrovic: absolutamente ridículo...

Anexos:
Benfica
1.ª-Braga(c), V(3-1), Xistra (Verissímo), Prejudicados, (4-1), Sem influência no resultado
2.ª-Chaves(f), V(0-1), Sousa (Tiago Martins), Prejudicados, (0-3), Sem influência no resultado
3.ª-Belenenses(c), V(5-0), Rui Costa (Vasco Santos), Beneficiados, Sem influência no resultado
4.ª-Rio Ave(f), E(1-1), Hugo Miguel (Veríssimo), Prejudicados, Impossível contabilizar
5.ª-Portimonense(c), V(2-1), Gonçalo Martins (Veríssimo), Prejudicados, (4-0), Sem influência no resultado
6.ª-Boavista(f), D(2-1), Soares Dias (Esteves), Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
7.ª-Paços de Ferreira(c), V(2-0), Xistra (Hugo Miguel), Nada a assinalar
8.ª-Marítimo(f), E(1-1), Sousa (Godinho), Prejudicados, (1-2), (-2 pontos)
9.ª-Aves(f), V(1-3), Almeida (Vítor Ferreira), Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
10.ª-Feirense(c), V(1-0), Godinho (Xistra), Prejudicados, (2-0), Sem influência no resultado
11.ª-Guimarães(f), V(1-3), Soares Dias (Malheiro), Prejudicados, (1-4), Sem influência no resultado
12.ª-Setúbal(c), V(6-0), Godinho (Pinheiro), Prejudicados, Beneficiados, (8-0), Sem influência no resultado
13.ª-Corruptos(f), E(0-0), Sousa (Hugo Miguel), Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
14.ª-Estoril(c), V(3-1), Pinheiro (Manuel Oliveira), Beneficiados, Sem influência no resultado
15.ª-Tondela(f), V(1-5), Tiago Martins (Malheiro), Nada a assinalar
16.ª-Sporting(c) E(1-1), Hugo Miguel (Tiago Martins), Prejudicados, (5-0), (-2 pontos)
17.ª-Moreirense(f), V(0-2), Mota (Godinho), Nada a assinalar
18.ª-Braga(f), V(1-3), Soares Dias (Godinho), Prejudicados, (1-4), Sem influência no resultado
19.ª-Chaves(c), V(3-0), Esteves (Vasco Santos), Prejudicados, (5-0), Sem influência no resultado
20.ª-Belenenses(f), E(1-1), Paixão (Rui Oliveira), Nada a assinalar
21.ª-Rio Ave(c), V(5-1), Manuel Oliveira (Vítor Ferreira), Prejudicados, Sem influência no resultado
22.ª-Portimonense(f), V(1-3), Xistra (Rui Oliveira), Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
23.ª-Boavista(c), V(4-0), Tiago Martins (Malheiro), Prejudicados, (5-0), Sem influência no resultado
24.ª-Paços de Ferreira(f), V(1-3), Veríssimo (Esteves), Prejudicados, (1-7), Sem influência no resultado

Sporting
1.ª-Aves(f), V(0-2), Tiago Martins (Pinheiro), Nada a assinalar
2.ª-Setúbal(c), V(1-0), Paixão (Hugo Miguel), Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)
3.ª-Guimarães(f), V(0-5), Hugo Miguel (Sousa), Nada a assinalar
4.ª-Estoril(c), V(2-1), Godinho (Tiago Martins), Beneficiados, Impossível contabilizar
5.ª-Feirense(f), V(2-3), Soares Dias (Tiago Martins), Nada a assinalar
6.ª-Tondela(c), V(2-0), Manuel Oliveira (Tiago Martins), Nada a assinalar
7.ª-Moreirense(f), E(1-1), Godinho (Pinheiro), Beneficiados, (2-0), (+1 ponto)
8.ª-Corruptos(c), E(0-0), Xistra (Hugo Miguel), Nada a assinalar
9.ª-Chaves(c), V(5-1), Rui Costa (Esteves), Beneficiados, Prejudicados (5-2), Sem influência no resultado
10.ª-Rio Ave(f), V(0-1), Sousa (Capela), Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)
11.ª-Braga(c), E(2-2), Xistra (Rui Costa), Beneficiados, (1-4), (+1 ponto)
12.ª-Paços de Ferreira(f), V(1-2), Tiago Martins (Xistra), Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
13.ª-Belenenses(c), V(1-0), Almeida (Godinho), Nada a assinalar
14.ª-Boavista(f), V(1-3), Godinho (Vasco Santos), Nada a assinalar
15.ª-Portimonense(c), V(2-0), Capela (Xistra), Nada a assinalar
16.ª-Benfica(f), E(1-1), Hugo Miguel (Tiago Martins), Beneficiados, (5-0), (+ 1 ponto)
17ª-Marítimo(c), V(5-0), Xistra (Esteves), Nada a assinalar
18.ª-Aves(c), V(3-0), Pinheiro (Sousa), Beneficiados, (2-1), Impossível contabilizar
19.ª-Setúbal(f), E(1-1), Veríssimo (António Nobre), Beneficiados, Sem influência no resultado
20.ª-Guimarães(c), V(1-0), Godinho (Hugo Miguel), Nada a assinalar
21.ª-Estoril(f), D(2-0), Mota (Luís Ferreira), Nada a assinalar
22.ª-Feirense(c) V(2-0), Luís Ferreira (Manuel Oliveira), (1-0), Beneficiados, Sem influência no resultado
23.ª-Tondela(f), V(1-2), Capela (Esteves), Beneficiados, (2-1), (+3 pontos)
24.ª-Moreirense(c), V(1-0) , Tiago Martins (Xistra), PrejudicadosBeneficiados, (0-0), (+2 pontos)

Corruptos
1.ª-Estoril(c), V(4-0), Hugo Miguel (Luís Ferreira), Nada a assinalar
2.ª-Tondela(f), V(0-1), Veríssimo (Malheiro), Beneficiados, Impossível contabilizar
3.ª-Moreirense(c), V(3-0), Manuel Oliveira (Tiago Martins), Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
4.ª-Braga(f), V(0-1), Xistra (Esteves), Beneficiados, Impossível contabilizar
5.ª-Chaves(c), V(3-0), Rui Oliveira (Hugo Miguel), Nada a assinalar
6.ª-Rio Ave(f), V(1-2), Sousa (Godinho), Nada a assinalar
7.ª-Portimonense(c), V(5-2), Luís Ferreira (Sousa), Nada a assinalar
8.ª-Sporting(f), E(0-0), Xistra (Hugo Miguel), Nada a assinalar
9.ª-Paços de Ferreira(c), V(6-1), Manuel Oliveira (Veríssimo), Beneficiados, (5-1), Sem influencia no resultado
10.ª-Boavista(f), V(0-3), Hugo Miguel (Tiago Martins), Nada a assinalar
11.ª-Belenenses(c), V(2-0), Veríssimo (Luís Ferreira), Beneficiados, (0-2), (+3 pontos)
12.ª-Aves(f), E(1-1), Rui Costa (Esteves), Nada a assinalar
13.ª-Benfica(c), E(1-1), Sousa (Hugo Miguel), Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
14.ª-Setúbal(f), V(0-5), Tiago Martins (Rui Oliveira), Beneficiados, (0-3), Impossível contabilizar
15.ª-Marítimo(c), V(3-1), Mota (António Nobre), Nada a assinalar
16.ª-Feirense(f), V(1-2), Veríssimo (Paixão), Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
17.ª-Guimarães(c), V(4-2), Soares Dias (António Nobre), Prejudicados, Beneficiados, (4-2), Impossível contabilizar
19.ª-Tondela(c), V(1-0), Godinho (Soares Dias), BeneficiadosPrejudicados, (2-0), Impossível contabilizar
20.ª-Moreirense(f), E(0-0), Luís Ferreira (Manuel Oliveira), Nada a assinalar
21.ª-Braga(c), V(3-1), Hugo Miguel (Almeida), Prejudicados, (4-1), Sem influência no resultado
22.ª-Chaves(f), V(0-4), Soares Dias (Mota), Beneficiados, Prejudicados, (3-0), (+3 pontos)
23.ª-Rio Ave(c), V(5-0), Xistra (Rui Oliveira), Nada a assinalar
18.ª-Estoril(f), V(1-3), Vasco Santos (Luís Ferreira), Beneficiados, (1-0), (+3 pontos)
24.ª-Portimonense(f), V(1-5), Sousa (Hugo Miguel), Beneficiados, (1-4), Sem influência no resultado

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Orgulho em Fonseca e Carvalhal

"Não, não são todos bons os treinadores portugueses, que há uma elite que abriu de espanto os olhos do planeta da bola mas outros apenas enfileiram a marcha beneficiando da etiqueta "made in Portugal". Afirmo-o com a paz de consciência de quem sempre enfatizou essa qualidade do treinador português, mais sobretudo de um saber português, que tem bem menos pouco a ver com uma histórica e tantas vezes elogiada astúcia do técnico nacional do que com a pioneira revolução metodológica do início deste século, com base nas ideias originais de Vítor Frade e consumadas na periodização táctica. Foi isso que mudou o jogo do país que mudou o jogo. Separadas as águas, há que homenagear sempre essa elite que deve orgulhar-nos, que vem de Carlos Queiroz, o revolucionário mais injustamente menorizado, passa sempre por José Mourinho, que ele fez pelo treinador português não tem preço, e termina em Paulo Fonseca, que hoje, mais que um grande técnico por cá nascido, é mesmo, pela qualidade da proposta de jogo que apresenta no Shakhtar, um dos melhores treinadores mundiais. No topo da qualidade de jogo estarão Barcelona e City, servidos por jogadores que poucos outros emblemas poderiam ter, além de Real Madrid e Paris Saint-Germain com jogadores que mais ninguém consegue ter. No patamar seguinte, pela qualidade excepcional de processo que apresentam, coloquem sff o Nápoles e o Shakhtar, sendo que foram os ucranianos do português que seguiram em frente na Champions, precisamente adiante do Nápoles.
Partir-se da ideia de que Paulo Fonseca apenas deu sequência a anos sucessivos de vitórias dos laranjas de Donetsk, na herança do histórico Mircea Lucescu, não só é injusto como falso. É falso porque nos dois anos anteriores à chegada do português o Shakhtar nem sequer foi campeão, perdendo consecutivamente para o Dínamo de Kiev, e sobretudo é injusto porque o que este Shakhtar joga hoje - com nível de investimento (leia-se contratações) que é menor do que foi durante os anos de Lucescu - não tem qualquer comparação com o que produzia até à chegada dos portugueses (Fonseca e a sua equipa técnica). De um futebol desorganizado em que as vitórias resultavam da superior capacidade técnica dos seus craques brasileiros, passou-se a uma ideia de jogo que transformou cada um desses rebeldes talentosos numa peça feliz de um engrenagem de brilho intenso. Ver o que equipa fez em campo na semana passada diante da Roma, com e sem bola, foi impressionante. Sim, uma desatenção de Ismaily no lance do golo italiano pôs a eliminatória da Champions em risco mas o que se viu depois disso foi uma demonstração de competência rara, numa cavalgada ofensiva feita de ambição mas também paciência, construção a partir de trás, qualidade de circulação, alternância de corredores, jogo curto e longo, exterior e interior, e já agora - que muitos olham o jogo por esse prisma - numa disponibilidade física alheia ao facto de participar num campeonato menos competitivo e que até estava parado há uns meses. Um compêndio. Podia nem ter ganho o jogo mas tinha a vitória garantida, que um dos melhores futebóis da Europa leva indelével marca portuguesa.
Recém-chegado à Premier League, Carlos Carvalhal organizou inteligentemente o seu Swansea de trás para a frente. Um factor crítico na liga inglesa - em que tantas equipas apresentam debilidades defensivas mas em que todas apresentam avançados de categoria - é conseguir a segurança defensiva sobre a qual pode assentar a evolução da proposta de jogo. Carvalhal assim fez, com uma defesa a 5 que lhe permite superioridade atrás e um domínio do espaço aéreo, libertou os laterais como alas e pediu aos homens dos corredores ofensivos que percorressem as zonas interiores. Assim, procurou ter sempre gente em número suficiente atrás quando sem bola, e gente em número óptimo para fazer o que mais gosta quando com bola: um jogo gradualmente mais apoiado, com boa ligação entre os sectores, que explora a posse e circulação como forma de procurar o espaço entre os sectores do adversário, reclamando, a partir da segurança dos médios-centro, uma mobilidade forte de todos os homens da frente, incluindo o ponta de lança. Carvalhal percebeu também depressa que estava carente de qualidade no ataque e aproveitou Janeiro para acrescentar ao grupo André Ayew, talento indiscutível mas que se percebe estar ainda à procura do andamento que lhe permita ser mais que um pontual desequilibrador com bola. A dez jornadas do fim, este pode bem ser o momento de uma espécie de dilema, quanto ao ritmo da evolução do jogar dos galeses para momentos de maior risco em ataque organizado. Acredito todavia que não será a derrota de anteontem, no campo do Brighton, a fazer vacilar as convicções do português de Braga que tem apresentado uma comunicação singular, pensada, mas que essencialmente tem produzido no relvado trabalho de qualidade indiscutível. Uma ideia bem treinada fez despertar uma equipa moribunda, devolveu-lhe a identidade e, apesar da concorrência forte e das lesões inoportunas de Renato Sanches e Leroy Fer, promete um Maio de calor feliz nas terras frias de Gales."

O futebol não pode ser um território sem lei

"O mundo do futebol português vive momentos lamentáveis e que se agravarão com o aproximar do final do campeonato nacional.

O mundo do futebol português vive momentos lamentáveis e que se agravarão com o aproximar do final do campeonato nacional. Se, dentro das quatro linhas - melhor ou pior, as coisas vão andando, com mais ou menos polémicas com o VAR, o árbitro do sofá -, os jogadores se esforçam por fazer o melhor que sabem, já nos bastidores e nas ruas de acesso aos estádios muito do que se passa é assustador.
Mas vamos por partes: em Inglaterra passavam-se cenas deploráveis entre os esperadores que afastavam as famílias dos encontros, deixando espaço para os famosos hooligans, que espalhavam o terror. Foi preciso acontecerem algumas tragédias para o governo britânico tomar medidas drásticas - depois de terem sido afastados das competições europeias - a fim de que tudo voltasse ao desejado: bancadas cheias, com crianças ao colo dos pais e avós.
Seria, pois, normal que as autoridades portuguesas copiassem o que de bom foi feito e colocassem os arruaceiros dos três principais clubes, e não só, na ordem. É certo que não vestem indumentárias que os identifiquem com os respectivos clubes, mas os rapazes vestidos de preto que atemorizam quem se desloca aos estádios só serão controlados quando forem tomadas medidas concretas. Ou será preciso ocorrer alguma tragédia com vítimas mortais?
Se a violência física pode ser controlada com a prisão diária dessa rapaziada - basta obrigá-los a estarem numa esquadra no período do jogo da sua equipa -, já os dirigentes incendiários e os aprendizes do ofício também necessitam de multas violentas para não instigarem ao ódio e à violência os seus adeptos. Se Bruno de Carvalho e o seu guarda-costas falante são hoje os rostos mais visíveis do veneno desportivo, a verdade é que há muitos outros que os imitam. No FC Porto e no Benfica também os há, só que estão a ser muito mais inteligentes na concretização dos seus objectivos. Deixam o fogo-de--vista para os lados de Alvalade, outrora um clube de elites."

Mourinho e Beckham, dois modelos de ego-marketing

"Um desafio inesperado, mas que muitos estarão prontos a acolher e farão tudo para manter vivo. Opõe José Mourinho a David Beckham e foi marcado de improviso na quarta-feira à noite, após o jogo da primeira mão dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões, disputado no Estádio Sánchez Pizjuán, entre o Sevilha FC e o Manchester United. O jogo acabara 0-0 e a conduta excessivamente prudente dos Red Devils originara muitas críticas. Incluindo aquela de Beckham, que no United vestira a mítica camisola número 7 e a braçadeira de capitão. Por isso se sentiu autorizado a criticar uma exibição “que não foi à Manchester United”, isto é, indigna de uma equipa que pertence à elite do futebol mundial e que em nenhuma circunstância deveria esquecer o seu nível. Nem mesmo quando vai jogar a um estádio tão difícil como o do Sevilha FC.
A reacção de José Mourinho às palavras de David Beckham era tão inevitável como óbvia. Havia, antes de mais, que defender as escolhas de posicionamento e de jogo, que ainda assim deram um bom resultado e permitirão ao Manchester United jogar em boa posição a qualificação no seu próprio estádio. Depois, havia que defender o seu estilo de jogo, que nunca agradou aos estetas mas permitiu a todas as equipas treinadas pelo técnico de Setúbal atingir resultados de altíssimo nível. E, por fim, havia que enfrentar um duelo dialético entre personagens de topo na arena mediática do futebol global.
Acho que este último é o aspecto mais interessante da história. Centrar a história na avareza do jogo expresso por uma equipa de José Mourinho é perder tempo. Já se sabe há muito que quem se diverte com estas exibições são apenas os adeptos da equipa treinada pelo português – e só que ela tiver bons resultados. De resto, a parte mais agradável do espectáculo proposto por José Mourinho é sempre a que se passa fora de campo, a zona em que lhe podemos chamar, com razão, Special One. Mas é precisamente neste plano que se descobre a maior semelhança entre ele e David Beckham. 
O ex-número 7 do Manchester United foi certamente um futebolista de enorme talento e extraordinário profissionalismo, mas é também verdade que a sua fama foi sempre muito superior ao que mostrou em campo. E nesta minha avaliação não há qualquer avaliação negativa. Mais: tal como escrevi, num livro sobre desporto e pós-modernidade que estará nas livrarias nas próximas semanas, penso que no desporto de hoje a capacidade de produzir imagens e comunicar são talentos fundamentais. Nesta mutação cultural, que vê os atletas tornarem-se celebridades e construírem grande parte da sua fama fora do campo de jogo – quando no período que se concluiu nos anos 80, a fama dos atletas dependia quase exclusivamente da sua capacidade de conseguir sucesso dentro do campo – David Beckham foi um dos principais protagonistas. Demonstra-o o facto de, apesar de já ter deixado de jogar há cinco anos, não tenha ainda visto minimamente afectada a sua fama.
Em comparação com o inglês, Mourinho é menos projectado para a dimensão da pura imagem. Continua a ser um homem do futebol e vive-o com um espírito dramático que Beckham nunca teve, nem sequer na fase mais intensa da sua carreira. E todavia também Mourinho apresenta uma notável dimensão comunicativa e publicitária. A sua personagem, mas também o seu perfil profissional de treinador, baseia-se numa capacidade dialética e numa aura mediática que já fazem parte da sua bagagem laboral. E é isso que, no plano do debate, o impede de ceder a um golpe do adversário. Qualquer que seja esse adversário. Mais ainda se ele for um personagem do calibre de David Beckham, que mal abre a boca convoca os reflectores da cena global.
Em ambas as frentes disparam as exigências do ego-marketing. Não se trata sequer do confronto entre dois machos-alfa, que só se resolve com a vitória de um sobre o outro. Em casos deste género, o que conta é não ceder ao opositor, nunca dar a impressão de se ser submisso. O equilíbrio de forças pode até ser a solução mais desejada, caso se consiga transformar tudo numa emoção para o público. Mas é claro que estamos a falar de puro espectáculo. O futebol é outra coisa."

Nem de rabo sentado o VAR é competente

"Fui, sou e serei um defensor do VAR. Mas defendo ainda mais a formação, para que se possa melhorar a qualidade da arbitragem. Porque instituiu-se o VAR a mata-cavalos e a inaptidão verificada no terreno prolonga-se agora no estúdio. Em campo, um árbitro incompetente levou o jogo de Tondela até ao minuto 99 e alterou a verdade desportiva. Com o rabo sentado e até com o aquecimento ligado, um VAR incompetente validou, mal, o primeiro golo do FC Porto no Estoril – teriam acontecido os outros se esse não contasse? – e validou, mal de novo, o golo da vitória do Belenenses sobre o Feirense, com isso alterando também a verdade desportiva. Não foram lances claros? Pois não, mas se o VAR não os avalia bem, qual é a mais valia que traz ao futebol?
Ao cabo de muita roupa suja lavada no tanque da varanda para gáudio dos vizinhos, Luís Filipe Vieira e Jorge Jesus encerraram os processos judiciais em que se acusavam mutuamente – sim, era o Benfica, eu sei – apresentando como justificação a vontade de "preservação da imagem dos protagonistas". E foram precisos anos para que as pessoas tão inteligentes que os rodeiam chegassem à conclusão que se tratava, e volto a citar, de uma "escalada geradora de mais danos do que benefícios"? Como me disse um dia um advogado amigo: "Deus proteja os litigantes compulsivos e os paranóicos das indemnizações, que é com eles que eu sustento a família".
Terminados os Jogos Olímpicos de inverno, deles destaco duas proezas. Desde logo, as cinco (!) medalhas da fundista norueguesa Marit Bjørgen, que elevou para 15 o seu total e ultrapassou o anterior recordista de medalhas, o compatriota do biatlo, Ole EInar Bjørndalen. A seguir, precisamente, o regresso aos grandes resultados da ora mulher de Bjørndalen, a bielorrussa Darya Domracheva, que superou a quebra de forma provocada pela doença e pela maternidade. Ao ganhar o ouro com um brilhante último percurso na estafeta – mais a medalha de prata na "mass start" – Domracheva reassumiu a condição de melhor biatleta do Planeta. Mais dois momentos altos do desporto no meu vasto currículo de espectador!
Sereia não sou, mas sei que semana após semana faltará sempre um tema nesta crónica. Infelizmente já dei – pouco, é certo, e mesmo assim demasiado – para o peditório daquela guerra estúpida de que só resultam vencidos. Manter-me-ei, por isso, fiel ao pensamento de Kafka: "As sereias possuem uma arma ainda mais terrível do que o seu canto: o seu silêncio".
Na semana que findou, completei 15 anos consecutivos de escrita no Record, mais de dez como seu director. Havia colaborado também durante alguns meses com o jornal, mesmo no início do século, pelo que estarei já entre aqueles que por mais tempo aqui produziram prosa. Fica assim próxima a altura em que o virtuoso silêncio a que me referi atrás será total, com a devida autorização do director-geral editorial da Cofina e do director de Record. Porque por muito duro que isso seja, o povo tem razão: a vida são dois dias."

Leiam jornais e vejam televisão: só têm a ganhar

"«Não comprem jornais, não vejam canais portugueses com excepção da Sporting TV e que os comentadores do Sporting saiam dos programas.»
Não vejam, não escutem, não saibam. Ignorem, virem costas, abandonem a guerra. Bruno de Carvalho apelou ao boicote geral à comunicação social e, naturalmente, as reacções não se fizeram esperar. Apoio em massa sportinguista, crítica generalizada dos visados, ridicularização dos rivais. 
Por incrível que pareça, entendo todos, embora uns mais do que outros.
Não me parece, por exemplo, que seja um pedido mais anedótico do que o protagonizado por Luís Filipe Vieira quando, há uns anos, pediu aos benfiquistas para não assistirem aos jogos fora de casa. Acho, até, que as mesmas declarações teriam menos eco se ditas por um presidente de outro clube, mas é assim porque Bruno de Carvalho contribui muito para isso. A importância que dá a questões menores no seio do clube, o estilo popular e bastantes exageros comunicativos tornam-no um «alvo» fácil. Basta lembrar a quantidade de figuras que eu, admito, nem sabia que existiam, a que se deu ao trabalho de responder na abertura da Assembleia-Geral.
De igual modo, se as intenções de Bruno de Carvalho tiveram um apoio de quase 90 por cento, não me espanta que grande parte desse número continue por trás do seu líder quando chega um pedido deste género. Mesmo que, sublinhe-se, me pareça que a maioria faça pouca intenção de cumprir religiosamente o acordo, até a avaliar pelos comentadores que continuam confortavelmente sentados. 
Ora, a parte que mais me interessa é, naturalmente, a dos visados. O estado do jornalismo e um suposto tratamento diferenciado dado ao Sporting. Um pouco à semelhança do que acontece com os árbitros, todos dizem que é tudo para os outros.
Parece-me, porém, que as pessoas estão mais interessadas em discutir jornalistas do que jornalismo. E, muitas vezes, colando o rótulo de jornalista a qualquer pessoa que fale na televisão. Há uma falta de noção gritante do que é o trabalho no terreno, ideias pré-concebidas que não fazem qualquer sentido e, claro, maus exemplos. Tropeço neles quase todos os dias, como, provavelmente, também pode haver quem os aponte no meu trabalho.
Mas não é um exclusivo do jornalismo. Quando vai a uma loja de roupa vê o que gosta, o que não gosta e escolhe o melhor. Ou será melhor andar nu porque três ou quatro pares de calças da montra estão claramente fora de moda?
Uma coisa é óbvia: os canais oficiais dos clubes não são solução. E isto é transversal a todos: não me parece que alguém possa ficar devidamente informado sobre tudo o que diz respeito à realidade do seu clube apenas através dos meios oficiais. E não é por falta de profissionais de qualidade: há bastantes, em todos os canais. É, isso sim, porque há temas que não interessa informar.
É da condição humana a predilecção por boas notícias em detrimento das más, excepto, claro, se nada tiver a ver connosco. É a tal atracção pelo acidente alheio que condiciona o trânsito na estrada. Mas isto não deve levar a que se persista numa realidade paralela, com arco-íris, borboletas e dias de sol uns atrás dos outros. Há chuva, há nuvens, há tropeções. Há, enfim, o dia-a-dia.
Os jornalistas têm clube? Claro. Digo até que é desejável que tenham, pois significa que o fenómeno desportivo não lhes passa ao lado e não caíram de para-quedas na profissão. Por outras palavras: gostam do que fazem. Quem não gostaria de trabalhar naquilo que gosta?
Perguntam-me, muitas vezes, se não acho que tudo se resolvia se os jornalistas assumissem o clube. Digo sempre que não. Nada mudaria na forma como se faria o trabalho, mudaria tudo na forma como ele é encarado. Há que haver distância e rigor num mundo onde impera a emoção.
Lamento, mas não concordo com Bruno de Carvalho. Leiam muitos jornais, vejam muita televisão, ouçam rádio, consultem blogues, pesquisem na internet. Resumindo: informem-se. Se não servir para mais nada, irão perceber que, se é tudo é assim tão igual, há uns mais iguais do que outros."