Últimas indefectivações

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

"Benfica é o primeiro clube português acima dos 200 milhões em proveitos"

"Após divulgar à CMVM um resumo das contas anuais de 2013/14 com resultado positivo de 14,2 milhões de euros, o dirigente sublinha o crescimento das receitas apesar do aumento de custos.

Soares de Oliveira adopta discurso tranquilo quanto à situação económico-financeira do Benfica.

-Um exercício positivo após cinco negativos é fulcral para cumprimento das regras de fair-play financeiro?
- Não nos passa pela cabeça não cumprir esses critérios, mesmo nos dois anos passados em que tivemos resultados ligeiramente abaixo do breakeven. O destaque nas contas do ano passado é que o Benfica é o primeiro clube português a passar a barreira dos 200 milhões de euros em termos de proveitos consolidados. Para nós representa um crescimento muito significativo e, graças a isso, mesmo com o crescimento dos custos, conseguimos o resultado de 14,2 milhões de euros. Daqui em diante é de esperar que os proveitos continuem a ter uma relevância muito significativa mesmo em termos europeus e que o Benfica continue a cumprir os critérios de fair-play financeiro.

- Nos dados divulgados não estão as estruturas de receitas, gastos, situação da dívida financeira, empréstimos obrigacionistas, entre outros. Como estão esses itens?
- Os resultados foram apresentados de modo mais resumido, no caso do universo da SAD, porque o Benfica tem a sua assembleia geral de aprovação de contas no próximo dia 26 e, para esse acto, foram apresentados os resultados não só do Benfica como clube, mas também como detentor da maior parte do capital das várias participadas. Do ponto de vista prático temos de incorporar no Sport Lisboa e Benfica o método de equivalência patrimonial em relação a cada uma das empresas participadas. Logo não faz sentido os resultados da SAD valerem X no clube sem divulgar alguma informação. No final do mês de Outubro, altura da aprovação de contas da SAD, será feito o relatório detalhado. O destaque vai para o crescimento de receitas acima dos 50 milhões, passando de 156 milhões de proveitos consolidados para um valor próximo dos 204 milhões. Aqui o papel das receitas televisivas foi muito importante com um salto de 255% face aos proveitos tradicionais e as outras rubricas, excepto na venda de jogadores, não há variações significativas.

- E os custos?
- Mantiveram-se sem grandes variações com excepção de salários do plantel, pois existe grande variação na massa salarial associada aos ganhos desportivos: vencer todas as competições menos a Liga Europa leva a que, da equipa técnica aos jogadores, haja aumento dos gastos com pessoal no exercício. Mas há uma correlação interessante que, por hábito, se pensa ser o inverso: prova-se que é possível conjugar bons resultados desportivos e económicos.

- Os empréstimos obrigacionistas que estão a vencer vão ser renovados?
- Depende daquilo que seja o diálogo com as entidades gestoras desses fundos. Até aqui tem havido interesse no chamado ‘revolving', pois os detentores das obrigações ganham dinheiro e para o Benfica é uma fonte de financiamento. Como é sabido há alterações na estrutura de gestão do Novo Banco, nos próximos dias por certo iremos conversar, mas não temos qualquer preocupação sobre esse assunto - se a entidade mantiver a ideia de que é um investimento interessante estaremos disponíveis para o ‘revolving'; caso contrário liquidaremos esses obrigacionistas.

- O Espírito Santo Liquidez tem linhas de obrigações do Benfica, no valor de 67,7 milhões, a vencer em Outubro e Dezembro: como vai amortizar esses casos?
- Temos posição de caixa confortável, porque o conjunto de vendas do ano passado permite posição forte de tesouraria e olhar para o ano em curso de forma equilibrada, não há necessidades adicionais de financiamento, gerimos bem as coisas com os intercalares da parte da banca portuguesa. Se for preciso um reembolso em Outubro será feito; caso se considere um novo mecanismo de financiamento não há problema. Há em curso investimentos como o papel comercial que tem corrido muito bem: abrimos há alguns anos com 30 milhões, neste momento é de 20, mantém-se a tendência de reembolso e tem havido vontade das partes em renovar porque é vantajoso para todos.

- Há dados novos sobre o empréstimo à SGPS?
- Não, nem nos preocupa de forma excessiva. Integra-se na gestão corrente, em certo momento será necessário tomar decisões, mas ainda não chegámos lá.

- O ‘project finance' está assegurado?
- Não temos qualquer incumprimento em relação aos últimos 12 anos, desde que o estádio está construído. Essa é uma grande vantagem do Benfica quando dialoga com entidades financeiras nacionais ou estrangeiras, ou seja, não representamos uma só imparidade. Como nos dizem, o Benfica não é uma imparidade, mas um tema mediático. Notícias que têm saído são falsas, não há problema com o ‘project finance', o papel comercial mantém-se, os empréstimos obrigacionistas são reembolsados nos prazos, fazemos ‘revolving' de forma natural, temos entidades financeiras a trabalhar com o Benfica no plano nacional e internacional...

- Mas aumenta o endividamento...
- Sim, mas os proveitos crescem mais depressa. Entende-se que o modelo de desenvolvimento do Benfica necessita de investimento constante na compra de jogadores, isto é, deixámos o cimento (estádio, academia e Benfica TV) e passámos para as pernas, algo que tem de ser renovado. Muitas vezes olha-se para as contas dos clubes e, como no caso do Benfica, diz-se que o passivo aumentou, mas ninguém refere que o activo cresceu muito mais. Procuram-se ‘sound bytes' e nunca ouvi um comentador falar em activos, seja do Benfica ou de outros clubes. Isso tem de mudar, pois as pessoas devem perceber que esta é uma indústria séria com temas sérios e só assim se justifica que, num país em crise, numa Europa em crise, este clube passasse da facturação de 40 milhões, em termos consolidados, há 10 anos para superar este ano os 200 milhões. Somos um dos 20 maiores clubes da Europa, estamos nos cinco melhores do ponto de vista desportivo e não conheço outra empresa que, com resultados destes, seja tratada como um negócio menos sério.

- A dívida financeira era de 296 milhões no terceiro trimestre, sendo 64% de curto prazo. Esse dado não pressiona as necessidades de financiamento?
- Não, pois não é uma situação nova. O facto de trabalharmos com instrumentos financeiros com renovação em prazos de seis meses a um ano leva a que analisemos a dívida como sendo de curto prazo, mesmo que não na totalidade.

- Qual é o nível do rácio de gastos com pessoal/amortização de passes face ao volume de negócios?
- Está no habitual para o Benfica. Pretende-se que seja entre os 50 e 70% do volume de negócios. Se olharmos do lado da SAD está mais perto da barreira de cima; se for olhado do universo consolidado está muito abaixo dos 50%.

- Os fluxos de caixa têm sido insuficientes para pagar juros. O Benfica está a mudar nesse sentido?
- Os fluxos de caixa dependem muito do que são as transacções com jogadores. Em 2012/13, face à decisão de não alienar os jogadores principais, isso representou esforço adicional do ponto de vista de caixa, mas essa situação vai ser invertida com as vendas feitas agora e, mesmo que não quiséssemos, seria preciso por causa do fair-play financeiro. No caso de clubes ricos como PSG e City as multas são só mais um custo, mas para os clubes portugueses não há espaço para esse incumprimento.

- Fechar o Benfica Stars Fund era inevitável?
- Termina a 30 de Setembro e havia vários cenários: renovação (fomos cautelosos pois não entendemos até onde irá o ataque aos fundos por parte da UEFA e não controlamos o que aí vem) ou não prolongar, podendo voltar a fazê-lo, pois deve ser visto como diversificação de financiamento. Podíamos deixá-lo chegar ao fim sem renovação e os diversos detentores de unidades de participação ficavam com activos do fundo - jogadores e posição de caixa - e não quisemos que passes como o de Gaitán estivessem repartido por nós e sete ou oito entidades, não seria gerível. Restava a opção de comprar as unidades de participação por preços razoáveis e, ao pagar 28 milhões, não significa que estejamos a valorizar os passes nesse montante. Os passes correspondem a oito milhões e tudo o resto é liquidez e contas a receber que o Fundo tem. Foi um projecto interessante, é um instrumento que bem gerido, com regras claras e informação prestada à CMVM e unidade de participação sempre ajustada, é um sistema equilibrado.

- A cedência de jovens formados na Academia é uma estratégia para aposta posterior?
- O grande debate para qualquer clube formador gira em torno da transição do futebol jovem para o profissional, mas outro desafio se coloca no patamar de exigência num clube como o Benfica. Em alguns casos, o jogador deve permanecer e fazer mais um ano na equipa B e outros em que não será o sítio certo para os desenvolver, rodando em Portugal ou fora em equipas de topo. São estes os casos de Cavaleiro, Bernardo e Cancelo. Esperamos que essa passagem dê frutos para todos, sobretudo para os jogadores. 


"Custos da BTV não tiveram grandes variações"
São cerca de nove milhões de euros e os assinantes voltaram aos 300 mil após o defeso.

- Há um ano admitiu a saída de um jogador até final do exercício. Saíram dois e, depois, Oblak, Garay, Markovic, Cardozo. Alguma razão forçou tantas saídas?
- Impacto nas contas de 2013/14 há que separar as transacções até 30 de Junho e as posteriores. São razões de mercado: os clubes portugueses dependem da sua capacidade de realizar mais-valias com venda de jogadores e procuramos a optimização do momento máixmo de valorização. Casos de Rodrigo e André Gomes já estavam muito próximos dessa questão e saíram no momento certo. Quanto aos cedidos no Verão é diferente, pois há casos de final de processo de desenvolvimento de carreira (Cardozo), procurando-se refrescar o plantel com sangue novo e valorização significativa nos próximos anos; outras são casos de bom negócio e, na maior parte dos casos deste Verão, a execução de cláusulas de rescisão, sendo obrigatório respeitá-las.

- A saída de Garay pelo preço que foi teve a ver com um compromisso em Janeiro que foi adiado?
- Havia interesse em mantê-lo (e creio que não existia compromisso para saída em Janeiro), bem como aos principais activos, decisão tomada no Verão do ano passado, no sentido de alcançar vitórias não conseguidas em 2013. Foi uma decisão de risco controlado, mas Garay estava no último ano de contrato e, entre mantê-lo contra a sua vontade, não realizar qualquer mais-valia ou deixá-lo sair pelo valor possível, o assunto está feito e encerrado.

- Entende que os adeptos tenham ficado com a ideia de que o Benfica tinha ‘obrigação' de ganhar a Liga Europa?
- O Benfica tudo fez para ganhar a final. Se nos lembrarmos das equipas que ficaram para trás e do dramatismo do jogo com a Juventus, 15 dias antes da final, podia dizer-se que, da mesma forma que o Benfica tinha ‘obrigação' de ganhar a final, a Juventus tinha ‘obrigação' de ganhar ao Benfica que acabou com nove. Mas o futebol é incerteza e, não estando felizes, cá estaremos para voltar a finais e ter mais condições a ganhar troféus. A BTV teve receitas brutas de 28,1 milhões. Os custos estão perto dos nove milhões como há um ano? Não houve grandes variações. A estrutura de custos tem a ver com pessoal e compra de conteúdos, pois a produção de jogos, mesmo com imagens de helicóptero, não custa mais de 20 mil euros. A estrutura de pessoal não se modificou, mesmo o lançamento do segundo canal fez-se sem mais pessoal e não houve compra de conteúdos adicionais. Perdemos o Brasileirão, mas talvez venhamos a ter outros conteúdos internacionais interessantes. Logo no primeiro ano, a BTV teve resultados que esperávamos, batendo a proposta da PPTV/Olivedesportos. Não queremos fazer concorrência, mas ir buscar conteúdos que nos permitam pagar com receita adicional que só pode vir por maisassinaturas ou aumento do valor, algo que não está previsto.

- Qual é o número de assinantes?
- Estamos outra vez perto dos 300 mil, também por acção do Benfica-Sporting no começo. O pico mais baixo foi cerca de 200 mil.

- Expansão para outros mercados?
- Já temos acordos para 120 países. No caso da BTV foram definidos 12 países no âmbito da Lusofonia e está, por exemplo, em Angola, Moçambique, França, Luxemburgo, Brasil, EUA."

Entrevista de Domingos Soares de Oliveira, in Diário Económico, por Paulo Jorge Pereira

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Benfica e adeptos

"O Benfica entrou mal na Champions. O Zenit, a mais apetrechada equipa do grupo, venceu com merecimento. Se tantas vezes dizemos que os últimos 15 minutos podem ser decisivos ou fatais, este jogo relembrou-nos que os primeiros minutos são igualmente decisivos ou fatais.
Claro que o Benfica desta época (pelo menos por agora) é, na Europa do futebol, inferior ao do ano passado. E quis o acaso do sorteio que não lhe tenha calhado pelo menos uma das equipas marcadamente figurantes. Esta derrota, na Luz, diminui mas não anula a possibilidade de se chegar aos oitavos de final.
Paradoxalmente, a desilusão que me invadiu aos 20 minutos de jogo foi-se transformando numa serenidade não conformista, antes esperançosa. Ou seja, reconhecendo o inegável mérito do adversário, esta derrota limitou-se a ser só isso: uma derrota. O Benfica, ainda que com 10 jogadores, passou a jogar com qualidade e estoicismo e a evidenciar que tudo poderia ter sido diferente.
Umas notas adicionais sobre este jogo: primeiro, o quanto me perturba o excesso de passes laterais na defesa com o oponente a pressionar alto. Assim se sofreu o primeiro golo. Segundo, a falta que faz o Garay com a agravante de estar do outro lado.
Por fim (mas mais importante), realço o comovente e caloroso apoio dos adeptos que quase me fez pensar que estava num belo jogo passado em Inglaterra. Jorge Jesus e Luís Filipe Vieira sublinharam também esta sublime face da partida. Atitude quase inédita em Portugal, seja em que estádio for. Foi bom, muito bom mesmo e os jogadores devem perceber o que isso significa e responsabiliza neste dealbar da época."

Bagão Félix, in A Bola

A caminho da terceira final da Liga Europa

"Não antipatizo, nem de perto nem de longe, com nenhum treinador português ao ponto de gostar de o ver no comando da Selecção Nacional de futebol. É que ninguém merece...

O resultado mais admirável da jornada inaugural desta Liga dos Campeões foi o do jogo Olympiakos-Atlético de Madrid que para o interesse dos benfiquistas foi liminarmente encarado como o jogo Roberto-Oblak.
Ganhou o Roberto por 3-2 ao Oblak. Este, sim, é um resultado sensacional. 
Já no jogo Benfica-Zenit o mais sensacional não foi propriamente o jogo, muito menos o resultado, mas o que se viveu nas bancadas do Estádio da Luz assim que o árbitro norueguês apitou para acabar com aquilo. 
Imediatamente se ouviu um fortíssimo clamor de aplausos para a equipa da casa, a equipa derrotada, como testemunho do reconhecimento por um trabalho honesto e abnegado em circunstâncias de inferioridade muito difíceis de disfarçar.
Com pouco mais de um quarto-de-hora de jogo era flagrante a diferença de poderio individual entre as duas equipas. Nada a obstar, portanto, ao resultado. A fase de grupos da Liga dos Campeões tem sido, por regra, o passaporte do Benfica para posteriores glórias na Liga Europa que, essa sim, é a nossa praia.
Aliás, sem drama e com as mais altas expectativas, já nos estou a ver a caminho da terceira final consecutiva da Liga Europa.
Pelo carácter demonstrado pela equipa, pela paixão a todos comum e pelo sentido de justiça exibido pelos adeptos, nunca uma derrota me aborreceu tão pouco como a de anteontem.

PARA mim, só para mim, Talisca era Talisca, o Coveiro, antes de Jorge Jesus ter dado cabo da hipótese de o baiano poder ter em Portugal qualquer outra alcunha que não seja D’Artagnan.
E Talisca, o Coveiro, porquê? Porque, num modo cinéfilo de ver as coisas e as pessoas, Talisca tem pinta de coveiro.
No cinema, tal como os personagens de banqueiros são normalmente representadas por tipos anafados, tal como os personagens de mordomos são normalmente representadas por tipos cheios de classe, os personagens de coveiros exigem sempre tipos longilíneos, desengonçados e com orelhas de abanico.
Na noite de sexta-feira, mais e melhor a alcunha de O Coveiro assentou em Talisca depois de, com três golos, ter enterrado as esperanças do Vitória de Setúbal. Uma equipa de futebol que não tem, metaforicamente, um regular coveiro dos adversários tem poucas hipóteses de sonhar alto.
E uma equipa de futebol que tem entre as suas fileiras um coveiro das suas próprias ilusões muito menos vai a lado algum. Adiante…
Talisca, o Coveiro, assim se manteve, nos meus pensamentos, catalogada a arte do baiano nos dias imediatamente seguintes ao jogo do Bonfim, para mais vendo o Sporting e o FC Porto empatar os seus respectivos jogos sem coveiros que lhes valessem, bem antes pelo contrário.
Depois veio José Mourinho falar de Talisca, The Undertaker, para nos dizer que o jogador brasileiro do Benfica era já bem conhecido em Inglaterra antes de viajar para Luz e que só não está a jogar nas ilhas britânicas por não ter visto de trabalho. Acredito que José Mourinho tenha razão no que disse.
Mas Jorge Jesus é que não se aguentou. É por estas e outras coisas que gosto tanto do nosso treinador. «Conheciam tanto o Talisca como eu conheço o D’Artagnan!». E tomem nota de que o treinador do Benfica não se referiu ao Dartacão da bonecada infantil. Referiu-se ao D’Artagnan dos romances de Alexandre Dumas, pai, que é logo outra coisa.
Temos, assim, para todo o sempre Talisca, o D’Artagnan. Adeus, Talisca, o Coveiro. Quem sabe, sabe. 

QUEM também sabe e sabe muito é o nosso José Augusto, bi-campeão europeu. Vi o jogo Vitória de Setúbal-Benfica a seu lado em Vila Nova de Foz Coa por motivos que coincidiram dos nossos respectivos calendários… cinematográficos. José Augusto foi ao Alto Douro apresentar um filme sobre Eusébio e eu fui lá fazer outra coisa qualquer que não vem para o caso.
Quando Jorge Jesus substituiu Talisca, ainda o Coveiro, depois de o baiano ter feito os tais três golos de rajada, o melhor extremo-direito da Europa na década de 60 do século passado torceu o nariz. «Compreendo o Jesus mas eu não o substituía, quando um jogador está com o pé quente é deixá-lo em campo, quem sabe se não fazia um quarto golo ou mesmo um quinto golo?».
- Foi substituído para os aplausos – alguém alvitrou.
- Tem 20 anos, tem muitos anos pela frente para os aplausos – retorquiu José Augusto, o grande.
É deste Benfica que gosto.

A decadência do futebol nacional fez mais uma vítima. No caso presente chama-se Paulo Bento. Não é que Paulo Bento seja o melhor treinador do mundo mas basta olhar para a constituição das equipas do Benfica e do FC Porto na última jornada do campeonato – e o Benfica e o FC Porto são os dois únicos clubes portugueses de top internacional – para se evidenciar o, chamemos-lhe assim, âmago da questão.
Nos respectivos onzes com que iniciaram os jogos de Setúbal e de Guimarães cada emblema rival apresentou apenas um jogador compatriota de Luís de Camões. No caso do Benfica, o veterano Eliseu. No caso do FC Porto, o adolescente Rúben Neves.
Nem Eliseu nem Rúben Neves estiveram no Mundial do Brasil nem na última convocatória de Paulo Bento, a referente ao jogo que se haveria de revelar desgraçado com a Albânia.
Já o Sporting, que se assumiu no arranque da época como garboso candidato ao título partindo, como anunciou Inácio, da «pole position» para a grande corrida, apresentou seis compatriotas de Luís de Camões na sua equipa titular no jogo com o Belenenses.
Três deles - Rui Patrício, William Carvalho e Nani – estiveram no Mundial do Brasil a representar, dentro das suas possibilidades, a nossa selecção.
E sendo assim, destacadamente, o Sporting o mais português entre os três grandes, conclui-se que esse sobriquet não lhe tem valido de muito nestas primeiras quatro jornadas do campeonato em que já perdeu 6 patrióticos pontos.
Todos sabemos que, face ao império do mercado, qualquer jogador português que seja um bocadinho, e basta um bocadinho, acima da média vai parar ao estrangeiro num abrir e fechar de olhos. E, obviamente, não vão todos para o Real Madrid.
E não vai nenhum para o Manchester United, para o Barcelona, para o Bayern de Munique, para a Juventus, etc…
O que o futebol português tem produzido, de uma maneira geral, nos últimos anos são jogadores internacionais da segunda linha europeia. Jogadores que cabem no Wolfsburgo, no Málaga, no Dínamo de Kiev, no Desportivo da Corunha, no Lyon, no Fenerbahce. E também uma pequena e simpática legião de jogadores que, ainda não tendo emigrado, representa em Portugal emblemas respeitáveis como o Sporting de Braga ou o Vitória de Setúbal.
Aliás, nesta ponta final da era Paulo Bento, tem sido o Sporting de Braga o grande alimentador interno da selecção nacional. E recordemos que o Sporting de Braga, que ainda na última jornada perdeu com o Arouca, ocupa presentemente o 6.º lugar da Liga portuguesa.
É com isto que o próximo seleccionador se tem de confrontar.
Por este conjunto de razões, e quando o país debate com intensidade o nome do sucessor de Paulo Bento, abstenho-me de lançar sugestões. Não é por modéstia. É por comiseração.
É porque, com franqueza, não antipatizo, nem de perto nem de longe, com nenhum treinador português ao ponto de gostar de o ver no comando da selecção nacional de futebol. Ninguém merece.

REVELARA este jornal na sua edição desta última terça-feira que o presidente do Sporting, para além de ter ficado agastado com o árbitro do jogo com o Belenenses, ficou também agastado com os jogadores da sua equipa tendo aplicado ao grupo um castigo e pêras.
«O presidente do clube de Alvalade optou por não falar com os jogadores nos dias seguintes ao encontro frente aos azuis do Restelo, não se deslocando à Academia nem domingo nem ontem», lia-se em A BOLA de anteontem.
Castigo ou bênção, no final de contas?

DERLEY entrou bem no jogo com o Zénite substituindo Lima que anda arredado dos golos e, por isso, tristonho. André Almeida também entrou bem para os quinze minutos finais com os russos. Alma até Almeida! – conhecem, com certeza, a expressão."

Leonor Pinhão, in A Bola

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Empate frustrante...

Benfica B 2 - 2 Atlético

Deixámos a liderança, num jogo que estava mais do que ganho, de uma forma frustrante...
Domínio total do Benfica, 2-0, e podiam ter sido mais... no primeiro remate à baliza do Varela, o Atlético reduziu, num bom golo do Bjorn, aos 67 minutos... e logo a seguir o Dawidowicz é expulso!!! É inacreditável a facilidade como se expulsa jogadores do Benfica, em 7 jornadas, creio que é o 4.º (ou 5.º) jogo que terminamos em inferioridade numérica!!! O ano passado, tivemos jogadores expulsos em 45% dos jogos...!!! Hoje, fizemos 3 faltas nos 95 minutos, e levámos com um duplo amarelo, e ainda mais um amarelo!!!
Já nos descontos, na 2.ª vez que o Atlético remata à baliza, numa recarga, o Bjorn voltou a marcar, e empatou o jogo.
Mais um excelente jogo do Gonçalo Guedes e do Hélder Costa... e não foi só por causa dos golos (grandes golos, diga-se). O Vítor Andrade estreou-se na B, numa altura onde já estávamos reduzidos a 10, e o Menga esteve no banco...

Varela; Semedo, Lindelof, Cardoso, Rebocho, Dawidowicz, Amorim (Valente 82'); Pinto, Costa, Guedes (Andrade 86'); Fonte (Santos 76')

Haja fé!

"No futebol fala-se muito em ter-se fé. Talvez melhor dito, em ter fezada que é a versão agnóstica da crença do adepto.
Depois do Mundial e da Albânia, os portugueses andam com pouca fé na selecção nacional, apesar de terem tido um Bento como treinador e, uns anos antes, um fervoroso devoto de Nossa Senhora do Caravaggio. Aliás, algo se passa com os Bento, excepto em São Bento. Primeiro a resignação de Bento XVI, agora a demissão de Paulo Bento e, de seguida, a de Vítor Bento no ex-Espírito Santo.
Por isso, deixo aqui o meu contributo para uma renovação na selecção que permita adicionar motivos de fé e esperança para os próximos tempos.
Comecemos pelo seleccionador que passaria a ter uma tróica à prova de qualquer descrença: Deus (João de), Jesus (Jorge) e Espírito Santo (Nuno). Esta laica trindade reportaria a Santos (Fernando) e Jesu (aldo).
Quanto aos jogadores seleccionáveis (e numa perspectiva ecuménica e inter-religiosa), deixo algumas sugestões depois de consultados os Cadernos de A Bola:
Para guarda-redes: Ícaro (Chaves), César Jesus (Naval) e Papa (Trofense).
Para defesas: Organista (Varzim), Capelo (Bragança), Paz (Alcanense), Pias (Mafra), Job (Benfica Castelo Branco), Boa Morte (Ribeirão) e Sacramento (Arouca).
Para o meio campo: Vigário (Guimarães B), Paixão (Oriental), Pedras (Leixões), Amar (Tourizense), Nazaré (Naval), Justiça (Estarreja), David (Sintrense).
Para o ataque: Cris I (Feirense), Cris II (Gafanha), Cruz (Tirsense) e Cristian (Ol. Hospital). E, seleccionável entre o Entrudo e a Páscoa, o portista Quaresma.
Pena não haver nenhum Anjinho, nem Arcanjo."

Bagão Félix, in A Bola

... benfiquismo...

"Há momentos que nos marcam por serem tão genuínos e tão intensos que ficaremos agarrados a essa memória por muitos anos que passem. A manifestação de benfiquismo que se viveu ontem no Estádio da Luz foi impressionante pela dimensão que assumiu.
Os que estiveram em campo honraram a camisola, os sócios e adeptos engrandeceram o Clube num momento único que não deixou ninguém indiferente, dentro ou fora do Estádio. Manifestações como as de ontem transformam tudo, dão-nos a dimensão de quem verdadeiramente somos.
A gratidão é um dever quando temos a felicidade de viver um momento como o de ontem.
Podemos falhar e de certeza que vamos falhar. Podemos perder e em alguns momentos vai acontecer, mas o que nunca nos pode faltar é entrega, empenho, determinação e isso nunca faltou aos nossos jogadores dentro de campo. Perdemos um jogo, ganhámos uma nova vida e uma nova alma.
Vivi cada um daqueles minutos finais como se de um título se tratasse. São momentos como este que me fazem sentir um tremendo orgulho por liderar este Clube.
Obrigado a todos e a cada um dos sócios e adeptos que ontem estiveram no Estádio e que mostraram ao mundo de que fibra é feita o Sport Lisboa e Benfica."

Ser do Benfica, quando as coisas correm mal, não é para todos...

Benfica 0 - 2 Zenit

Com o Bi-Campeonato como objectivo principal, fui para o jogo de hoje, estranhamente calmo... até porque competir com Clubes de 'plástico' cheios de dinheiro sujo (se a folha salarial do Zenit, não faz com que o fair-play financeiro da UEFA seja posto em causa, então nada o fará...), não é do meu agrado... Mas também como é habitual nestas coisas, depois do jogo começar tudo muda.
O 'jogo'  na verdade só teve 22 minutos, o resto foi 'paisagem', mas pelo menos os Benfiquistas presentes perceberam o que se passou em campo, e no final deram uma resposta de grande Benfiquismo... como poucas vezes acontece, diga-se...!!!
Nesses 22 minutos, o Jardel fez dois passes errados, e o jogo ficou decidido, ponto final. Qualquer outro tipo de analise é escusada... É verdade que o Zenit está com mais rodagem, é verdade que o Samaris voltou a estar bem, mas posicionalmente ainda não sabe tudo da posição 6 (veja-se o 1.º golo...), é verdade que o Enzo parece limitado fisicamente, é verdade que ambas as equipas podiam ter marcado mais golos... mas jogar 70 minutos com 10, a perder por 0-2 não é fácil em nenhuma circunstância...
Ainda por cima o apitadeiro vinha com encomenda!!! O zelo demonstrado nas decisões contra o Benfica, não o teve nas decisões contra a Gazprom... e nem me vou alongar sobre os penalty's (2), o facto mais esclarecedor foi mesmo o critério disciplinar: quando no 2.º tempo ainda andava a ameaçar os jogadores do Zenit com amarelos - que só mostrou aos 65 minutos -, depois do que fez no 1.º tempo, com o Artur... e o Maxi... Para quem sabe do que a casa gasta, sabe perfeitamente a intenção... e se não fosse o Jardel 'abrir' as portas aos golos Russos, teríamos muito mais do que falar... Assim, a partir do minuto 22 a única coisa que precisava de fazer, era assegurar que o Zenit ficava com 11 jogadores em campo... e diga-se foi muito 'profissional' na forma como garantiu que não haveria nenhum jogador do Zenit expulso. Vamos numa série de 4 jogos da UEFA com arbitragens absolutamente vergonhosas: os 2 jogos com a Juventus, a Final com o Sevilha e agora este... cada vez dá menos vontade em dar dinheiro aos suínos da UEFA.
E desde já fico na expectativa: com mais 'noruegueses' destes, e o Zenit é candidato a vencer a Champions... vamos ver até onde vão, por acaso até têm um treinador, e um jogador, bem habituados a este tipo de tratamento... aliás sem estes empurrões são medíocres, apesar de todo o paleio e seguidismo beato dos avençados...

Não é fácil destacar exibições, num jogo tão sofrido, onde todos deram a cara à luta... mas tenho que destacar o Nico, que fartou-se de empurrar a equipa para a frente, o Lima que 'sozinho' voltou a dar tudo, o Maxi que voltou a fazer piscinas atrás de piscinas, o patrão Luisão, o Paulo Lopes que até esteve muito bem, e o Enzo, que mesmo limitado, ainda conseguiu algumas cavalgadas que só ele sabe fazer... Pela negativa, além do Jardel, e da forma ainda 'tímida' como o Samaris compensa os Centrais quando estes saem do seu lugar, tenho que 'destacar' a forma exagerada como o Salvio optou pelos 'túneis' aos adversários, permitindo demasiadas perdas de bola perigosas... O Jesus voltou a demorar nas substituições. Para finalizar, não compreendo como é que os jogadores do Benfica, ainda foram cumprimentar o árbitro no final da partida...!!!

UEFA Youth League - 1.ª jornada

Benfica 0 - 0 Zenit

Só vi os primeiros minutos, onde não estávamos a jogar bem... recordo que o ano passado obtivemos os melhores resultados a jogar fora de casa...

terça-feira, 16 de setembro de 2014

O velho operário vive agora em opulência

"Em 1964, o Zenit não era de São Petersburgo, era de Leningrado. Não tinha os milhões da Gazprom: clube popular sem grandes vitórias no futebol soviético. Defrontou o Benfica em Florença: venceu por 1-0.

Zenit de Leningrado: era assim que o conheciam em 1964, quando defrontou o Benfica em Florença, para um torneio internacional.
A verdade é que o nome oficial do Zenit não leva a cidade a reboque, seja ela a Leningrado dos anos soviéticos (ou São Petrogardo, no início) ou a São Petersburgo do tempo dos czares e deste tempo de agora, sem czares, ou com czares diferentes, os novos do poderio financeiro. Clube de Futebol Zenit - apenas -, nascido das cinzas de um grupo de ingleses instalados na ilha de Vasilievsky, no final da década de 1890, que apelidavam a sua equipa de Ostrov.
A história dos clubes russos (e por influência, dos clubes dos países do leste europeu) é  confusa e mereceria bem mais do que as margens estreitas de uma página como esta. Influências sociais e políticas não alteraram somente os nomes das cidades que os albergam, mas também, naturalmente, os seus próprios nomes. Dizem alguns que o Zenit nasceu da transformação de um tal de Murzinka, fundado em 1914, que utilizava o mesmo estádio de Obukhovsky até 1924. Outros, apontam-lhe como predecessor o Leningradsky Metallichesky Zavod (Indústria Metálica de Leningrado, numa tradução ao correr da pena). Há ainda quem insista que foi uma mescla de ambos (acrescida de outras organizações mais pequenas) que deu origem ao Zenit em 1938. Fora de dúvidas é que o berço do Zenit é operário. Algo que ninguém apostaria agora que, nobremente conhecido por Zenit de São Petersburgo, se transformou num dos novos ricos do futebol do mundo, propriedade da poderosíssima Gazprom, a maior empresa de gás natural do planeta.
Nova vida: vida de opulência!
E assim, o sombrio Zenit, que fora uma vez campeão da URSS em 1984 e ganhara uma Taça em 1944, transformou-se num filho da classe rica ao qual tudo pode exigir-se.

Fresquinhos como carpas do Volga
Mas vamos até 1964, Junho, dia 16. Benfica e Zenit de Leningrado encontram-se em Florença. Vence o Zenit por 1-0, com golo de Nepomilev, aos 13 minutos do segundo tempo, num remate que fez a bola bater no corpo de Coluna e enganar Costa Pereira.
Dizem os jornalistas que assistiram ao encontro ao vivo (e não pela televisão, como é moda dos dias que correm, em que os repórteres não levantam o traseiro da secretária para se darem ao trabalho de demandarem aos estádios), que a diferença entre as equipas esteve no factor físico. Os portugueses, que tinham acabado a época, mostravam-se cansados; os russos, que iniciavam a sua, pareciam frescos como carpas do Volga.
Falam também as crónicas da época de uma arbitragem desastrosa do italiano Angelini que chegou a perdoar uma grande penalidade evidente ao Zenit por falta sobre o azougado António Simões.
Bateu-se o Benfica com a classe que lhe era sobejamente reconhecida. Germano, Coluna, José Augusto, Simões, Eusébio e Serafim desenhavam lances ofensivos de qualidade inegável. Impuseram, por seu lado, os adversários uma toada mais dura. As faltas sucediam-se. Os portugueses deixaram-se embalar pela toada tristonha da balada russa, jogou-se cada vez menos, discutiu-se cada vez mais. A bola era apenas mais um elemento pontapeável por entre canelas e joelhos.
E, assim sendo, nada de muito bom se esperava.
Torres e Eusébio foram vítimas da batalha e saíram para dar lugar a Pedras e a Augusto Silva. O Benfica perde qualidade. Forças, já não tinha muitas.
Com a vitória na mão, o Zenit dedicou-se a defender. Bater o grande Benfica, duas vezes campeão da Europa, era motivo de orgulho para os operários de Leningrado. Vontade de trabalhar não lhes faltava. Queixaram-se também eles de um «penalty» perdoado a Germano. Rodearam José Augusto, que passara para o centro do terreno, orientando o futebol ofensivo da sua equipa, de soldados prontos a tudo.
Secaram o terreno. Duros, inflexíveis, mantiveram-se atentos. Nada foi capaz de fazer dobrar a sua vontade, o seu futebol colectivo no qual se destacava Danilov, Trotikov, Vassilev e Burstalkin.
Esta semana, o Zenit volta a defrontar o Benfica. Este outro Zenit: rico, burguês, cheio de jogadores estrangeiros que custam milhões e milhões.
O velho operário de Leningrado vive à grande!
Como o tempo muda a verdade das origens."

Afonso de Melo, in O Benfica

Lixívia IV

Tabela Anti-Lixívia:
Benfica........... 10 ( 0) = 10
Braga................. 7 (-2) = 9
Corruptos....... 10 (+2) = 8
Sporting........... 6 (+1) = 5

Foi preciso os Corruptos não ganharem um jogo, para que o Circo da hipocrisia abrisse as 'portas'!!! Ouvir adeptos e responsáveis Corruptos a queixarem-se das arbitragem é um cumulo da idiotice... Assistir a esta obediência cobarde, por parte dos avençados, que repetem todas as queixas à exaustão, sem qualquer reparo, é comovente!!! A transformação de uma arbitragem boa, num escândalo lesa a pátria, é a prova mais do que provada, que a desinformação reina, nas TV's, nas rádios e nos jornais... estas campanhas organizadas de propaganda barata, já são feitas em modo automático, tal é o hábito... Quando o mesmo Paulo Baptista, num Benfica-Estoril, decidiu um Campeonato, validando um golo ilegal ao Estoril, expulsando um jogador do Benfica, entre outras tropelias... ninguém encontrou motivo de crítica, só os 'fanáticos' Benfiquistas é que encontraram erros no trabalho da equipa de arbitragem; ontem, acertou em todas as decisões mais complicadas, e passou a ser o anti-Cristo na critica desportiva Portuguesa... deveria ficar surpreso, mas já nada me surpreende no Tugão!!!

Sei que em caso de dúvida, os auxiliares devem dar o beneficio da dúvida, à equipa que ataca, nas situações de foras-de-jogo... Mas quando se analisa os lances nas TV's, um fora-de-jogo de 2 metros, é tão fora-de-jogo como um, de 2 centímetros... A linha virtual da SportTV não tem nenhuma credibilidade, já tivemos exemplos de linhas tortas, e de imagens 'paradas' dessintonizadas com o momento do passe ... agora, não é preciso ter experiência nas técnicas de propaganda televisiva, para saber que não são os pés que determinam a 'linha', só os braços não contam... e esta semana tivemos dois exemplos claros deste tipo de analise 'torta', e como é costume, os avençados, não tiveram a coragem de contrariar a versão oficial!!!

Em Guimarães, o maior erro do árbitro, foi nos sucessivos perdões de amarelos ao Casemiro... Parece incrível, depois da choradeira toda, mas é verdade, tivemos mais um jogo, onde o Trinco Corrupto, passou o jogo todo a dar porrada, e só levou um amarelo no fim do jogo... mudam-se os jogadores, e a história é sempre a mesma!!!
Nos dois penalty's marcados, esteve bem: é verdade que o Brahimi só se deixou cair, quando viu que já não chegaria à bola, mas o Bruno Gaspar foi burro, depois de entrar na área devia ter deixado de colocar o braço...; o Jackson sem necessidade nenhuma dá uma trancada no pé de apoio do André André. Qual é a dúvida neste lance?!
Nos penalty's 'pedidos' pelos Corruptos é só rir !!! No lance onde o Brahimi se isola, é verdade que o Central do Vitória, tenta o desequilibrar, mas o Argelino não caiu... continuou a jogar, e por muito que tenha havido contacto, nenhum árbitro - de consciência tranquila - marcaria penalty numa situação idêntica. Repito nenhum. Na bola no braço do Cafú, é claro que existiu um desvio, e o Cafú não conseguiu desviar o braço, que estava coladinho ao corpo, totalmente involuntário. Mencionar o lance entre o Traoré e o Quintero, só mesmo num cenário de anedota!!! O Leirós na RR conseguiu descortinar ainda outro penalty, pois afirmou, no final da partida, que ficaram 4 penalty's por marcar, só ele saberá qual...!!!
Mas mesmo assim a discussão mais absurda, é no fora-de-jogo, bem assinalado ao Brahimi!!! Então, parece que todos se esqueceram que o tronco também conta, e não são só os pés... A imagem prova que o corpo do Brahimi está adiantado. É por pouco, mas está... Usar este lance para 'ladrar' roubo, só mesmo alguém com muito pouco carácter!!! Além disso, no início do lance, fiquei com muitas dúvidas sobre se existe falta do Jackson sobre o Defendi, que ficou estendido no relvado...
Além das declarações do Basco no final da partida (amigo de peito de Angel Villar, 'chefe' dos árbitros na UEFA...), 'gostei' de assistir a todo aquele festival de pressão e intimidação junto ao banco dos Corruptos, durante toda a 2.ª parte!!! Só faltou o Pratas a fugir...!!!
Aliás, a 'coisa' não ficou pelo jogo: as ameaças e intimidação continuaram nas redes sociais, com alguns comentários verdadeiramente criminosos, feitos por conhecidos Corruptos...

No Alvalixo, voltámos a terminar com o Paspalho do Bruno, no relvado a 'marrar' no árbitro!!! O tal Presidente diferente, que vem credibilizar o Futebol... o tal que não gosta das estratégias do Pintinho, volta a copiar uma das estratégias de intimidação favoritas do Pintinho, no início da sua carreira...!!!
Neste jogo mais uma vez o árbitro esteve quase sempre bem... até o amarelo ao Matt Jones, logo aos 23 minutos, por demorar na reposição de bola em jogo!!! O Benfica nunca tem essa sorte!!!
Admito que tenho pouca paciência para ver os jogos Portugueses, sem o Benfica, mas sempre que vejo os Lagartos a jogar, não posso deixar de ficar espantado, com a quantidade de mergulhos para a piscina que as Lagartixas dão por jogo!!! Não é um jogador, é quase a equipa toda, faz parte da cultura... O engraçado, é que os próprios avençados, vão na cantiga... neste jogo, numa das melhores combinações da partida, o Esgaio ficou isolado, adiantou demasiado a bola, esticou-se em carrinho para chegar primeiro que o guarda-redes adversário, o lance acabou por não dar em nada, mas nas bancadas foi automático o burburinho a pedir penalty, e na televisão, um dos jornaleiros 'espirrou' logo: lance duvidoso!!! Portanto, quando um jogador Lagarto resolve fazer um carrinho, sem nenhum adversário num raio de 1 metro, é penalty!!!
Já no minuto 90 o Silimani agarra o João Meira na área do Sporting. Este é o lance mais duvidoso de todo o jogo. Só não afirmo que é penalty descarado, porque nos Cantos, temos que dar alguma 'liberdade' nos contactos, porque eles existem na maioria das vezes... Na palmada do Jefferson ao Deyverson no final da 1.ª parte, acho que devia ter levado amarelo, só porque não acertou em cheio no adversário... que depois fez teatro.

A tentativa de manipulação da opinião pública começou na Sexta-feira em Setúbal. Num jogo onde o Benfica venceu por 5-0... os avençados não descansaram enquanto não encontraram motivos de suposto benefício ao Benfica, que explicasse o resultado!!!
Mais uma vez, um fora-de-jogo, milimétrico, mas que existe, foi usado. É mais do que óbvio nas imagens, que o Luisão tem o corpo inclinado para 'trás' e o avançado Vitoriano tem corpo inclinado para a 'frente', se os pés estão em linha, o resto do corpo não está...
Eu até admito, o erro do árbitro, nestes foras-de-jogo milimétricos, aquilo que não posso aceitar, é assistir às mesmas pessoas, que desculpam este tipo de foras-de-jogo, quando os Corruptos e os Lagartos são 'beneficiados' ficarem indignadas agora... Aliás, nem é preciso foras-de-jogo milimétricos, os exemplos de branqueamentos são muitos, e às vezes são erros de metros...!!! Em sentido contrário, recordo-me de um fora-de-jogo parecido tirado ao Maxi na Trofa, num jogo que até correu muito mal ao Benfica, onde os expert's foram unânimes em afirmar que a decisão do auxiliar foi a correcta!!!
Mas o Circo não ficou por aqui: já com o resultado em 5-0, o Samaris faz um corte limpo sobre o Zequinha (megulhor-mor, refilão-mor, nojento-mor...!!!). As repetições por trás da baliza, provam o toque na bola do Grego. O Zequinha inclusive, aleija-se porque acerta, na sola da bota da Samaris, que ficou na posição, onde milésimos de segundos antes estava a bola... Mas tudo isto não interessa, os comentadores da SportTV decidiram que era penalty, e 'ficou' penalty!!! O facto das tais repetições, do ângulo detrás da baliza terem desaparecido, também ajudou à festa!!!
Até podíamos, ingenuamente, pensar que este seria mais um erro humano de analise!!! Mas quando aos 69 minutos, o Lima é completamente agarrado num Canto, pelo Ney. E depois de finalmente se soltar, acaba por tropeçar no guarda-redes adversário, caindo sobre ele, com o árbitro a marcar falta contra o Benfica... Depois de tudo isto, com repetição e tudo, ninguém acha que o lance é duvidoso, quando ninguém acha que poderá ter ficado um penalty por marcar a favor do Benfica... Então é porque isto está mesmo entregue aos bichos... Tal como escrevi anteriormente, nestes lances do bolas paradas dou algum desconto aos árbitros, mas o lance merecia que pelo menos tivesse sido considerado um 'Caso do Jogo'!!!

O Braga perdeu em Arouca... num remate do David Simão a bola bateu nos braços do André Pinto, mas este estava com os braços na posição 'normal'...

Anexos:
Benfica
1.ª-Paços de Ferreira(c), V(2-0), Cosme, Prejudicados, Sem influência no resultado
2.ª-Boavista(f), V(1-0), Marco Ferreira, Prejudicados, (2-0), Sem influência no resultado
3.ª-Sporting(c), E(1-1), Proença, Nada a assinalar
4.ª-Setúbal(f), V(0-5), Capela, Nada a assinalar

Sporting
1.ª-Académica(f), E(1-1), Soares Dias, Beneficiados, (2-1), (+1 ponto)
2.ª-Arouca(c), V(1-0), Nuno Almeida, Prejudicados, (2-0), Sem influência resultado
3.ª-Benfica(f), E(1-1), Proença, Nada a assinalar
4.ª-Belenenses(c), E(1-1), Cosme Machado, Nada a assinalar

Corruptos
1.ª-Marítimo(c), V(2-0), Xistra, Nada a assinalar
2.ª-Paços de Ferreira(f), V(1-0), Mota, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
3.ª-Moreirense(c), V(3-0), Bruno Esteves, Nada a assinalar
4.ª-Guimarães(f), E(1-1), Paulo Baptista, Nada a assinalar

Braga
1.ª-Boavista(c), V(3-0), Vasco Santos, Beneficiados, (1-0)?!, Impossível contabilizar
2.ª-Moreirense(f), E(0-0), Paixão, Prejudicados, (1-0), (-2 pontos)
3.ª-Estoril(c), V(2-1), Hugo Miguel, Prejudicados, (3-1), Sem influência no resultado
4.ª-Arouca(f), D(1-0), Proença, Nada a assinalar

Jornadas anteriores:
1.ª jornada
2.ª jornada
3.ª jornada

domingo, 14 de setembro de 2014

Bons indicadores no arranque...

Fundão 3 - 5 Benfica

Abertura do Campeonato com o jogo perfeito para 'matar' potenciais traumas, em relação à eliminação do ano passado... É verdade que o Joel Rocha mudou-se para a Luz, e após o derrota expressiva na Supertaça parece que o Fundão está longe daquilo que fez o ano passado... Mas contra o Benfica todos jogam bem, é daquelas fatalidades...!!!
O jogo foi complicado, começamos a perder, ao intervalo estava 1-1, no inicio do 2.º tempo conseguimos ganhar alguma vantagem, o Fundão reduziu de penalty, e só nos últimos minutos demos a 'martelada' na partida!!!
O meu destaque hoje, vai todinho para o Chaguinha. Durante a pré-época esteve lesionado, nos jogos televisionados não jogou... As indicações de Itália eram muito boas, mas hoje no Fundão demonstrou ao vivo, ser um enormíssimo reforço. Se o Patias vai ser importante nas bolas paradas, o Chaguinha vai ser muito importante em todo o jogo do Benfica, começando nos equilíbrios defensivos, acabando nas assistências para golo...

sábado, 13 de setembro de 2014

Empate

Oriental 0 - 0 Benfica B

Como não vi o jogo, não vou tecer muitos comentários... mas é estranho ver na 11 inicial tantos 'centrais'!!!

Varela; Nunes, Valente, Lindelof, Alfaiate; Dawidowicz (Santos, 64'), Pinto; Teixeira (Amorim, 86'), Costa, Guedes (Romário, 80'); Fonte.

Derrota

Sporting 28 - 21 Benfica

Não vi o jogo, portanto não vou tecer muitos comentários... mas o resultado, infelizmente, não surpreende.

Reforços à medida do que se queria

"A ser verdade a notícia que A BOLA online anuncia em primeira mão, o Benfica comprou o avançado Jonas. Como bem sabe quem tem a paciência de me ler com regularidade, nunca exulto com contratações, e dou um valor relativo às sucessivas chegadas de prometidos craques que vão mudar o curso da vida desportiva do clube. Não sou dado a euforias de pré-época. Com excepção de Aimar, cuja chegada me maravilhou por ser um dos jogadores que mais admirava, não devo ter gasto muitas linhas com reforços.
Faço uma excepção aqui hoje, porque me confessei angustiado e apreensivo com tantas saídas e de tão grande qualidade, este defeso. Nas últimas semanas o Benfica foi absolutamente cirúrgico, e a meu ver assertivo naquilo que eram as óbvias prioridades depois das saídas.
Não havia adepto que não referisse a necessidade de um lateral esquerdo, dois médios (tanto mais com a lesão de Rúben), um guarda-redes experiente e um avançado feito.
Como sempre no imponderável futebol, pode correr mal, mas Eliseu, Júlio César, Samaris, Cristante e Jonas parecem à medida daquilo que se queria e para onde se precisava. Lateral feito, guarda-redes experiente e que não treme, dois médios créditos firmados e um ponta de lança experiente. Sem bola de cristal, parece haver agora matéria prima para lutar pelos títulos todos (adoro dizer todos) que temos em nossa posse.
Há mérito grande nas aquisições. Podia ser melhor? Podia sempre ser melhor. Poderia vir o Messi, Bale e o Manuel Neuer ou o Ibrahimovic. Mas a nossa realidade financeira impõe responsabilidade.
Logo em Setúbal, sem euforia nenhuma, mas com uma ambição enorme continua a luta pelo sonho maior: ser bicampeão nacional.
Terça-feira contra o Zénit espero ver um bom jogo, mas para mim é essencialmente o jogo que antecede o Moreirense esse sim importante e decisivo."

Sílvio Cervan, in A Bola

PS: Ontem, com os 5 em Setúbal, esqueci-me da crónica do Cervan... sendo assim, aqui fica ligeiramente atrasada, mas como é habitual, bastante acertada!!!

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Tranquilo...

Setúbal 0 - 5 Benfica

Diria mesmo demasiado tranquilo... Num relvado tradicionalmente difícil, onde o Benfica raramente ganha folgado - ainda o ano passado, ganhámos, num dos piores jogos da época!!! -, contra uma equipa agressiva (como são todas...), acabámos por descomplicar, marcando cedo, e não deixando o adversário sequer aproximar da nossa área... Apesar das facilidades, é sempre bom recordar que o Setúbal, foi uma das equipas mais activas neste defeso, fazendo algumas contratações 'surpresa', e nas primeira jornadas até tinha dado bons sinais...
O Talisca com o 3 golos vai ser considerado por todos como o homem do jogo... para mim não é surpresa, já que defendi desde do início, e depois de ver alguns vídeos do Brasil, que o Talisca era um avançado, e não um centro-campista como o Jesus inicialmente o quis transformar. Agora com a chegada o Samaris e do Cristante, parece-me que não vamos ver o Talisca novamente no meio-campo... Mas não deixa de ser um pouco irónico, no dia em que o Benfica confirmou a contratação de mais um avançado, supostamente para o lugar do Talisca, que ele tenha feito o seu primeiro hat-trick no Benfica (logo no jogo onde marcou pela primeira vez, num jogo oficial...)!!!
Pessoalmente, estive mais interessado em observar a adaptação do Samaris ao esquema. Não é preciso ver o Grego com a bola nos pés durante muito tempo, para ter a certeza que o homem, é jogador da bola... a única questão, é a adaptação ao esquema do Benfica de Jesus. Apesar do adversário não ter dado muitos problemas defensivos, gostei bastante do jogo do Samaris... nota-se em algumas jogadas, alguma confusão no posicionamento, e ainda hesita no passe, complicando algumas jogadas desnecessariamente, mas isso só será optimizado com os minutos. Na próxima Terça-feira com o Zenit, o teste já será mais complicado, pareceu-me que as compensações nas laterais ainda não estão 'mentalizadas'!!!
O Cristante também teve direito a alguns minutos, numa altura onde o jogo estava 'fechado', mas gostei da postura... mas é necessário outras dificuldades para avaliar definitivamente.

A nota, mais ou menos, negativa vai para o Lima: que continua a trabalhar muito, mas está a passar por uma daquelas fases, onde simplesmente não consegue marcar golos!!! À frente da baliza tudo lhe corre mal, e depois perde o discernimento, e a probabilidade de falhar os golos, ainda aumenta mais... Precisa urgentemente de marcar, para recuperar a confiança.
O objectivo número 1 é o Campeonato, que ninguém se esqueça disso. Mas para que o Campeonato seja conquistado é importante, não 'cair' novamente para a Liga Europa. O Zenit desta época, não é o Zenit do Spalletti das últimas épocas... as dificuldades vão ser muitas, ninguém tenha dúvidas, ainda por cima eles estão com mais rodagem. É verdade que hoje goleámos, é verdade que o ano passado por esta altura andávamos todos histéricos, com os golos sofridos (principalmente de bola parada!!!), mas também é verdade que ainda estamos longe do nosso potencial, que normalmente (com o Jesus) só atingimos lá para Novembro...

Jonas

A última contratação deste defeso, já foi feita 'fora de horas'... é óbvio que o Jonas não foi a primeira opção, mas dentro de todas as condicionantes (e são muitas: financeiras, projecção da Liga nacional...), acaba por ser uma surpresa pela positiva.
O Jonas é um veterano (mais novo que o Lima), que foi estrela quando jogava no Grémio, onde era conhecido pelo Detonador... acabou por se transferir para o Valência onde ficou 4 anos, com números muito interessantes para a Liga Espanhola e na UEFA...
É daqueles avançados oportunos, espertos, que não é especialmente rápido, nem especialmente forte no um para um, nem especialmente bom de cabeça... mas faz aquilo que muitas vezes parece muito complicado: marca golos!!!!
Com o Lima, o Derley, o Jara e o Talisca (que neste momento está a fazer um hat-trick!!!) - não me parece que o Nelson Oliveira seja opção para o Jesus... -, e agora o Jonas para as provas nacionais (só poderá ser inscrito na UEFA em Janeiro), ficamos com várias e boas opções para o nosso ataque...
Escrevi muitas vezes que quando o Cardozo deixa-se o Benfica seria muito difícil encontrar um substituto... acho que nenhum destes jogadores fará os números do Cardozo no Benfica, mas para o imediato não está nada mau...

Da FPF

"A Selecção Portuguesa perdeu, em casa, contra a Albânia. Isto, por si só, é um acontecimento que obrigaria a repensar o futebol na FPF. No entanto, para a FPF isto é uma espécie de sobressalto menor na triunfal caminhada da dupla Paulo Bento/Fernando Gomes ou Cristiano Ronaldo/Jorge Mendes (para o efeito, é indiferente). O jornal 'A Bola' chamou-lhe a maior vergonha do futebol português. Não é. Para o ser, isto teria de ser uma vergonha maior do que a Justiça desportiva Portuguesa (com alto patrocínio da FPF fez com as escutas do Apito Dourado. Aliás, para que isto que aconteceu com a Albânia fosse a maior vergonha do futebol português seria necessário que o actual presidente da FPF não tivesse feito a figura que fez nas escutas da... maior vergonha do futebol português.
Olhando para a derrota da Selecção Portuguesa contra a Albânia (em casa, convém não esquecer), chegamos à conclusão de que Paulo Bento até tinha razão e propriedade em dizer, no final do jogo, que a sua equipa até chegou a jogar bom futebol durante vinte minutos... contra a Albânia, em casa. É um facto. Também é um facto que nenhum jogador português se lesionou. Juntando estes dois factos deveríamos todos nós portugueses (e não apenas a dupla que manda na Selecção) concluir que o afastamento da equipa médica do grupo de excursionistas que triunfou no Mundial do Brasil se justificou e que foi aí que radicou o problema da FPF.
Para concluir, resta esperar pelo próximo momento vergonhoso, o tal que decorrerá no meio dos festejos de terem conseguido um apuramento de calculadora em punho para uma competição europeia que apura um número inaudito de 24(!) selecções. Longa vida a esta dupla (seja lá qual for) que lidera esta brilhante Selecção da FPF."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

PS: A crónica do Pedro está um bocadinho desactualizada, num pormenor, mas não deixa de ter razão no resto...!!! 

Encarnado é o Vermelho-amor (avençados)

"A ingratidão causa-me revolta. A ingratidão relativa ao Benfica ainda mais. Vem isto a propósito de alguma imprensa desportiva e de alguns jornalistas. É inconcebível que o Benfica seja tão maltratado por alguns, quando é o ganha-pão desses mesmos. Já imaginaram as vendas desses jornais sem notícias do Glorioso? O Benfica não está, como ninguém deverá estar, acima da crítica. O que eu não aceito é que seja provocado, denegrido ou, simplesmente, que tenha um tratamento desigual, relativamente a outros. E deparando-nos com este fenómeno, perguntamos às direcções desses periódicos se tal facto é uma estratégia editorial ou uma fraqueza da própria direcção que permite que alguns jornalistazinhos ajam desta maneira? Sem dar publicidade a esses pasquins, quero recordar e desmontar como alguns títulos e notícias são forjados para provar e apoucar o Benfica: 'Jara Riscado' era notícia de capa inteira. A palavra 'riscado' não é inocente. Ela carrega um sentimento de punição, de falta de consideração, que o Benfica nunca teve para com o jogador. Havia, certamente, outra terminologia. Mas mais gravoso é que o dito jornaleco não percebeu que o jogador estava lesionado. Se a intenção não fosse a de provocar o Benfica, sobre a mesma matéria poder-se-ia ter dito: 'Nélson Oliveira é aposta do Benfica na Champions'.
O que espanta é que não se falou de um Rolando riscado depois das palavras do presidente desse clube, nem dos três últimos reforços do FC Porto, nem se falou dos riscados do Sporting contratados com tanta pompa há um ano. Há dias, anunciava-se que, para o mesmo lugar, o Benfica havia gasto 15 milhões em dois atletas. Quiseram dar a imagem de despesista, esqueceram-se que nos grandes clubes assim acontece e, inocentemente, elevaram a qualidade do plantel. Mais: 'Crise no eixo do ataque'; 'Não ir para o Benfica foi a melhor decisão'; 'Irregularidade tramou afirmação de Jara', etc, continuam a encher jornais e a agredir o Benfica. Tenham vergonha, não desceremos do nosso lugar: o mais alto!"

Carlos Campaniço, in O Benfica

A Formação

"A indecorosa derrota da Selecção Nacional diante da Albânia acentuou o debate sobre a Formação. Também no Benfica o tema tem sido recorrente, quer para aqueles que vêm nele a cura para todos os males, quer para os que olham com alguma prudência para tão grande optimismo (nos quais me incluo). 
Desde logo, quando se fala em Formação, há que distinguir o interesse do futebol português, dos interesses dos clubes portugueses. Se a Selecção teria a ganhar com uma política desportiva que reforçasse a utilização de jovens jogadores portugueses nas principais equipas e nas principais competições, para os grandes clubes o compromisso é vencer, com ou sem juventude, com ou sem portugueses. Perante gerações bastante apagadas de futebolistas lusos, é natural que a aposta de quem busca títulos e presenças internacionais de relevo incida noutro perfil de jogador - mais agressivo, mais disponível, e mais resistente, que os mercados sul-americanos vão fornecendo.
Seria interessante perceber se esse apagamento é conjuntural, ou se, pelo contrário, se deve à agonia de um certo futebol de rua (que conferia criatividade e robustez aos Futres, aos Figos e aos Ronaldos), e ao recrudescimento das gerações “Play-Station” (mais acomodadas e sem grande capacidade de sofrimento), assumindo então uma matriz estrutural, logo mais difícil de inverter. A verdade é que, na última década, contam-se pelos dedos os jogadores de classe internacional que o futebol português produziu. Mau trabalho de base, ou inexistência de talento natural? Suspeito que a segunda hipótese também seja de considerar. 
Sendo este um problema do âmbito da FPF, das selecções jovens, ou, no limite, da regulamentação desportiva, não me parece que o Benfica deva ter pruridos em recorrer aqueles que lhe dão mais garantias imediatas, independentemente de nomes, nacionalidades ou datas de nascimento. É verdade que existe, bem perto, quem alinhe com seis ou sete jogadores formados internamente. Mas…quantos títulos têm eles conquistado?"

Luís Fialho, in O Benfica

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Não vi mas também não gostei

"Será que a Selecção tem cozinheiro? Tem? Então a culpa é do cozinheiro. No Benfica também temos cozinheiro: o Talisca já engordou cinco quilos.

NÃO fizemos um mau jogo disse Paulo Bento.
Lamento, e lamento muito sinceramente, mas não usufruo do grau mínimo de legitimidade para desancar com os meus argumentos impiedosos a supracitada análise do nosso seleccionador nacional devido a uma razão nada complicada. É que não vi o jogo.
Não ver é um direito que a todos assiste e que não menoriza ou, pelo menos não deveria menorizar, os que dele (do direito) não prescindem em certas e bem determinadas ocasiões. Como esta, justamente.
Portugal contra a Albânia não era grande programa, admita-se sem complexos. O cartaz só não era fraquíssimo para quem não anda nestas coisas. E ainda são algumas privilegiados.
Mas para os outros, os que andam forçosamente nestas coisas mas com consciência plena dos factos, e ainda são muitos, fazia arrepiar só a ideia de que o cair da noite do primeiro domingo do sempre admirável mês de Setembro pudesse vir a ser importunado por um acontecimento tão insuficientemente exótico como um Portugal - Albânia.
E se fosse ao contrário? Se em vez de um Portugal - Albânia marcado para Aveiro, antes fosse um Albânia - Portugal agendado para Tirana?
Com o devido respeito pelas duas federações em contenda, ia das ao mesmo.
Mas, sendo o jogo no estrangeiro e sabendo-se que as excursões para fora do país provocam sempre formigueiros em qualquer tipo de comitivas, não se poderia antecipar um Albânia - Portugal prometedoramente mais atractivo do ponto de vista da qualidade das emoções? Não, de modo algum. Sò os ingénuos acreditam numa coisa destas.
Cá ou lá, a coisa tinha todos os ingredientes para estar condenada à partida.
Começou mal a campanha de qualificação da Selecção portuguesa de futebol para a fase final do Europeu de 2016, evento para o qual ainda falta imenso tempo? Sim!
Começou pessimamente. Mas pior teria começado para mim, egoistamente falando, se tivesse de ver esse mesmo jogo de que me escapei, muito decididamente, atravessando a fronteira para a Espanha sem pinga de remorso.
Remorsos? Nada, nem um bocadinho. Mas onde é que as exóticas festas da Senhora das Angústias de Ayamonte ficam alguma vez atrás, no domínio das mais básicas expectativas, de um Portugal-Albânia ou de um Albânia-Portugal, seja em que modalidade for?
Devo dizer, em abono da verdade, que estava o jogo precisamente no seu intervalo e ainda estava eu em terras portuguesas. Mais precisamente numa estação de serviço à beira da estrada. Foi aí que ouvi em fundo, e sem querer, o som vindo do minúsculo aparelho de televisão que para lá está a um canto a fazer companhia ao gasolineiro nas horas mortas, que devem ser incontáveis daqui até ao próximo verão.
A televisãozinha estava sintonizada na RTP que transmitiu o jogo como é deu dever. Conto-vos então o que ouvi no momento em que liquidava a despesa sob um cheiro intenso e inebriante a gasolina.
«Chegamos ao intervalo e em termos de ocasiões, uma para Portugal, zero para a Albânia».
Foi este (e num tom enfadado) o modo como o comentador de serviço resumiu os primeiros quarenta e cinco minutos do tal desafio internacional.
E pensei com grande tranquilidade: «Deve estar a ser bonito, deve».
O homem ou adivinhou os meus pensamentos ou terá reparado num franzir de sobrolho que me escapou e logo se dispõe a dar-me razão sem eu lhe pedir:
- Não está a perder nada de especial, não senhora.
E disse-o com bonomia que é o que ser quer. Segui viagem.
Meia hora depois, sentada à mesa com um grupo de bons amigos na esplanada da Puerta Ancha na já mencionada cidade de Ayamonte, perante a excelência de tudo o que se me deparava, afligiu-me um rebate de consciência muito característico de quem na infância frequentou a catequese.
Foi maior a preocupação do que o arrependimento, convenhamos. Mas a perspectiva de uma derrota da Selecção portuguesa frente à selecção albanesa, resultado indiscriminadamente exótico, obrigava-me por isso mesmo, e por razões morais, a ter visto o jogo sobre o qual toda a gente, dos amadores aos profissionais, iria falar durante a semana.
E eu, no fundo, considerei-me e considero-me uma profissional, anda que sem nada para dizer sobre o assunto albanês.
Vi o jogo? Honestamente, não, não vi.
Não vi mas também não gostei.
Pronto. É o mais longe que me posso permitir em termos do comentário profissional, do tipo intelectualmente honesto predominante.
E, sem ter visto o jogo, o que escrever?
Poderia, nas circunstâncias difíceis em que me encontrava, optar por uma de duas soluções para uma saída airosa tendo em vista a crónica desta quinta-feira.
A primeira era desancar à tripa forra no seleccionador nacional. Para dizer mal do Paulo Bento e deixar toda a gente satisfeita nem é preciso ver jogos da Selecção que ninguém dá conta. Mas não será fácil de mais, quase ignóbil, desancar no seleccionador goleado por 1-0 pela Albânia num jogo que nem vi?
A propósito desta questão moral lembrei-me de uma frase que nunca me saiu da cabeça lida num romance de Conrad - «... aquela cobardia peculiar da respeitabilidade» - e logo se me afastou essa ideia tristíssima de me fazer consensual às custas de um pobre diabo caído em desgraça.
A primeira solução ficou, portanto, imediatamente arrumada.
A segunda solução era cumprir a crónica desta quinta-feira sem considerações sobre o jogo da Selecção ou sobre qualquer outro jogo ou evento desportivo, ou mesmo escândalo judicial, considerando eu, do meu imbatível lugar sentado numa esplanada espanhola, que não havia nada de mais contundente, espirituoso e urgente para os leitores de A BOLA do que conhecer o menu proposto pela casa juntando-lhe eu a minha muito pessoal descrição sábia e vaporosa de uns quantos pratos que me mataram a fome.
É isso, é isso queremos! - gritam os leitores que, francamente, já preferem não importa que assunto a ter de ler mais uma página de alto a baixo a descansar no Paulo Bento.
Ganhou, portanto, a segunda solução. Cá vai. Da exibição do nosso renovado meio campo nada sei nem quero saber. Mas naquela hora de domingo à noite em Ayamonte podia garantir-vos que o tataki du atún con wasabi y encurtido de jengibre ganhava de largo a qualquer prato confeccionado pelo cozinheiro da Selecção Nacional.
E agora interrogo-me: será que a Selecção tem cozinheiro? Tem? Ah, então a culpa, está visto, é do cozinheiro. Há que substitui-lo com urgência. La vida es demasiado corta para beber vino malo, reza o cardápio da Puerta Ancha na contracapa. E reza muito bem. Por alguma razão já foram campeões do mundo.

UMA vez sem exemplo a falar de comida, é verdade, mas não por falta de assunto, nem por temor reverencial, muito menos por gula, Deus me livre, antes por deliberada falta de comparência, tal como ficou justificado.
No entanto, o tema alimentar, devo confessar, persegui-me durante a semana e coloco-o mesmo no cume da minha montanha de atenções neste primeiro terço de Setembro. E pelas melhores e mais felizes razões.
Então não é que o nosso Talisca, dizem os jornais já engordou cinco quilos em massa muscular desde que aterrou no Estádio da Luz? No Benfica, ao menos, temos cozinheiro."

Leonor Pinhão, in A Bola

Fellini 8 1/2

"Era um jovem quando nos anos 60 do século passado vi o filme de Fellini 8 1/2, por sinal bem difícil de descodificar. Veio o notável realizador italiano à minha memória, quando surgiu uma nova e sofisticada aritmética (tabuada) no futebol. As posições dos jogadores deixaram de ter nomes substantivos para se lhe aporem números significantes. Não me refiro à numeração nas camisolas, que essa deixou de ter qualquer sentido, excepto se ligada a alguma tradição ou até superstição.
Estou a falar de outros números que enquadram posições e movimentos. Ouve-se dizer que um certo jogador é um puro 8, mas pode adaptar-se a ser um bom 6 e, em caso de emergência, até um 3. Assim como são raros os bons 10 para  assistir os 9. Fala-se agora de Jonas para o Benfica, com uma interessante referência: não é bem um 9, nem um 10: é um 9,5. Confesso que não conheço as suas capacidades. Mas ser um número fraccionado é o mesmo que dizer que não é inteiro? Será 9 por excesso e 10 por defeito? Já agora, sendo o 1 o guarda-redes haverá alguns que só são 0,5?
Também ouço dizer, de vez em quando, que certo jogador é, por exemplo, um falso 6. Quer dizer que é um número imaginário?
Ainda a propósito dos novos algarismos, recordo a sagaz explicação de Jorge Jesus durante o jogo em Londres contra o Totteham. Ganhava o Benfica gloriosamente por 3-1 e dirigindo-se ao seu colega inglês fez o gesto com os dedos indicando 3 (golos, claro). Mas, na conferência de imprensa, mais cauteloso, explicou-se: «Estava a dizer Luisão, number 3» que, por acaso, veste a camisola n.º 4. Mas que para Jesus ocupa a posição 3. Ou seja, um número primo no SLB, evidentemente."

Bagão Félix, in A Bola

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Há dias de sorte !!!

Hoje foi um dia de sorte (dentro do 'azar'), o nosso Franco Jara, safou-se de um aparatoso acidente de viação, sem mazelas...

Noutro local, um dos maiores corruptos portugueses - no mundo do futebol -, um dos grandes 'pais' do famoso sistema, finou-se!!! Conheci-o pessoalmente... na última vez que o vi, fugiu!!! Porque não quis ser confrontado, com alguém que o conhecia de gingeira... os cobardes são assim, são perigosos quando 'negoceiam' nos recantos escuros, mas a consciência é tramada, e mais tarde ou mais cedo, a vergonha acaba por lhes 'conquistar' a cara!!! As excepções são os 'sortudos' que nos últimos dias ficam com Alzheimer, e esquecem-se de toda a porcaria que fizeram...!!!
Infelizmente, deixou muitos seguidores...

Chamem o médico!

"Como já vem sendo regra, a Selecção começou mal o apuramento para uma fase final. É mesmo o pior começo, superando os anacrónicos 4-4 contra cipriotas.
Nunca um apuramento se apresentou, à partida, tão acessível. O sorteio bafejou-nos com um grupo de 5 (e não 6) equipas, das quais são apuradas as duas primeiras directamente e - imagine-se! - a terceira ainda tem um play-off, num Europeu que, pela primeira vez, vai contar com um número exorbitante e injustificado de 24 selecções. No nosso grupo estão as as acessíveis Dinamarca e Sérvia e as generosas Albânia e Arménia...
Sem Ronaldo, Portugal é uma equipa vulgar. Aliás, foi Ronaldo que nos pôs no Brasil numa exibição soberba em Estocolmo. A Selecção, para utilizar uma imagem popular, «não é peixe, nem é carne». Talvez «ovos mexidos, mas sem sal». Presa por egos, tatuagens, penteados e conversas. Os velhos já jogam com o estatuto de aposentação antecipada, os novos são lançados aos soluços sem uma linha estratégica pensada. Alguns dos debutantes são-no em função de factores que fogem ao racional do puro futebol. Ser seleccionado passou a ser uma vulgaridade. Há jogadores que se tornam internacionais porque mudam de um clube secundário para um grande (veja-se Licá e Josué, no ano passado) ou porque vão para a estranja (como o duo ex-setubalente Vezo e Horta).
O discurso já não mobilizador. Antes, é cansativo, repetitivo, sem chama.
No fim da indigna derrota diante de uns medíocres albaneses, lembrei-me da substituída equipa médica que acumulou as culpas do desastre por terras de Santa Cruz. Afinal, a culpa no domingo não foi do médico. De quem terá sido agora?"

Bagão Félix, in A Bola

A entrevista que parece não ter existido !!!