Últimas indefectivações

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Começar de novo

"Uma das fatalidades da idade adulta é perdermos a sensação de que podemos começar de novo. 'Não temos mais princípios', definiu com acuidade George Steiner, dando corpo a um sentimento de perda de esperança e de declínio da criatividade nas nossas sociedades. Talvez no contraponto a esta impressão de declínio se encontre a resposta para o deslumbre e a paixão gerados pelo futebol.
No futebol temos sempre mais princípios e as novas épocas iniciam-se em ruptura com as anteriores. De pouco serve a glória de vitórias passadas ou as taças erguidas há um par de meses. Agora, nada disso existe. Penso, claro está, no 'nosso Benfica', mas a verdade é válida para todos os clubes. Este novo princípio tem consequências desportivas e exige dos jogadores uma atitude competitiva permanente, mas vale em igual medida para os adeptos.
Pier Paolo Pasolini, que escreveu extraordinários textos sobre o desporto-rei, afirmou que 'o futebol é uma doença juvenil que se prolonga pela vida fora', para sublinhar que, tal como na infância, estamos sempre, em todas as jogadas, por mais estudadas ou treinadas, perante uma invenção, uma subversão dos códigos, algo de irreversível e irrepetível. Acrescentou mesmo que 'o futebol é a última representação sagrada do nosso tempo'. Uma combinação de ritual com evasão, que persiste, enquanto todos os outros ritos se encontram em declínio.
A ansiedade que chega com cada início de temporada, o entusiasmo com que vislumbramos indícios de um craque numa nova contratação ou a forma como contamos os dias até nos sentarmos de novo numa bancada são últimos redutos de uma vitalidade infantil que, em todos os outros lugares, se vai perdendo. O futebol regressa no domingo e voltaremos a ser crianças 'selvagens e sentimentais'. Saibam os jogadores estar à altura dessa responsabilidade."

O licenciamento de clubes

"A cruzada do Gil Vicente contra os incumpridores e pela igualdade desportiva, independentemente dos motivos e do timing, aplaude-se e suscita reflexão. Existem clubes/SAD que, aproveitando-se da ausência de regras adequadas quanto ao acesso, controlo e sancionamento, ofendem a integridade das competições e o direito ao salário dos jogadores. Sendo o futebol uma actividade empresarial regulada, que gera milhões, com impacto social, é aceitável que os infractores sejam beneficiados e coloquem em causa a credibilidade da competição? Não.
SE é certo que devemos ajudar os que, pontualmente, têm dificuldades, não é menos verdade que devem ser punidos e erradicados os que, reiteradamente, incumprem. Fazem-no escudados em clubes históricos que vêem o seu património delapidado. Acresce que não pagando, beneficiam de todas as vantagens de quem paga, nomeadamente da actividade do jogador e da sua imagem, bem como dos demais proveitos. Inaceitável.
COMO é então possível que este espectro atravesse as competições e as entidades competentes, Governo, FPF e, em particular, a LPFP e os clubes não ponham termo a este calvário? Na minha opinião, o futebol ganhou um estatuto que ninguém ousa questionar; porque este Governo, tendo maioria, não teve coragem; porque a LPFP na verdade não é entidade organizadora mas sim patronato; porque os clubes mais poderosos têm preferido o silêncio; e porque os clubes beneficiam, em diferentes momentos, deste regime escandaloso.
quem hipocritamente diga que a culpa é dos jogadores! Infelizmente, salvo em alguns casos, são vítimas. Dependem do salário, precisam do emprego, sofrem represálias, estão fragilizados. O ónus da prova do pagamento dos salários compete à entidade patronal. Não compete ao jogador. Ponto. O contrário é inverter esse ónus.
QUANTO aos jogadores que nunca passaram por esta situação, podem e devem ser solidários, porque um dia lhes poderá acontecer e porque todos os dias perdem o respeito que outros levaram anos a conquistar. 
DISTINGUINDO entre as instituições, clubes e dirigentes que merecem respeito e confiança, exige-se ao futuro Governo, à FPF, em especial à nova direcção da LPFP que em conjunto com o SJPF garantam um modelo eficaz.
NÃO fazer nada potencia, ainda, as más práticas, por exemplo, os resultados combinados. Um tema que, oportunamente, abordarei."

FIFA: organização criminosa

"1. Nino Pulvirenti, presidente do Catania, acaba de ser condenado, tanto pela justiça desportiva como pela civil que neste processo trabalharam em conjunto, de ter comprado na época finda 6 resultados (5 vitórias e 1 empate) de jogos da Série A. O que de nada serviu para evitar a despromoção directa. Mas como, entretanto, foi descoberta a traficância, o tombo foi ainda maior: caiu nos campeonatos regionais de amadores (Série D). Como é habitual por esta altura (menos por cá), em perigo de descida administrativa há mais 6 equipas, todas da Série B e Liga Pró, cujo (mau) destino será conhecido em meados deste mês. 
Tudo isto, porém, que não deixa de ser muito grave, são bagatelas em comparação com o que aconteceu e continua a acontecer durante o blatterismo da FIFA, ela que deveria ser o garante e último reduto da transparência e integridade. Vejamos porque não é:
a) ninguém, há mais de 20 anos, sabe quanto ganha Blatter: 20 milhões de euros/ano é uma cifra plausível;
b) a reforma do Organismo está blindada, tantos são os estorvos a ultrapassar;
c) entre 2011 e 2014 a FIFA arrecadou em receitas 6 mil milhões (!) de euros, mas ninguém sabe dizer onde esse vagão de ouro foi parar;
d) a International Board, criada há um século e meio, é um arcaico anacronismo;
e) a cadeira do departamento que mais milhões garante à entidade é ocupada pelo presidente do Botswana, Tebego Sebego, um cabeça de turco que nada risca;
f) a FIFA, que é (devia ser) uma entidade sem fins lucrativos, converteu-se numa holding que controla 12 sociedades, entre as quais hotéis, restaurantes, agências de viagens, museus de gastronomia...
E isto é apenas uma pequena amostra daquilo que se ignora.
2. Não é justo que um clube (Gil Vicente) que cumpre escrupulosamente as suas obrigações salariais, fiscais e sociais, seja penalizado em proveito de outros (V. Setúbal, Boavista...) para quem isso é chinês, que branqueiam com a pantomina de certidões mentirosas das Finanças locais. Toda a gente sabe disso."

Manuel Martins de Sá, in A Bola

Como nos filmes: Beleza Americana!

"A primeira viagem do Benfica (e de um clube português) aos Estados Unidos teve lugar em Agosto de 1957. Em dois jogos, o Benfica marcou 17 golos. Na estreia, em Fall River, venceu por 10-0 a Selecção de Nova Inglaterra. Abriu uma porta que continua aberta.

Não sei se é por causa das águias (cada um tem a sua), mas Benfica e Estados Unidos dão-se bem. Desde 1957 até aos dias que correm, as coisas passam-se como na velhinha anedota das voltas que o cão dá antes de se deitar: volta e meia há uma visita. Agora, no mês de Julho, eis outra.
Por todo o lado do grande país da América do Norte andou o Benfica nas suas digressões: de Nova Iorque («a city that never sleepes», como cantava o «Old Blue Eyes» de Hoboken) a Fall River, Massachusetts; de Los Angeles, EL Pueblo de Nuestra Señora la Reina de los Angeles del Río de Porciúncula, a São Francisco da Golden Gate e dos eléctricos a lembrar Lisboa; de Boston e New Bedford e Foxborough pejadas de portugueses, a Hartford, no Connecticut; se San José, cidade-gémea do Funchal, a Providence e Pawtucket, Rhode Island; de Newark (do Ironbound) à minúscula e suburbana Secaucus, terra das cobras.
Como vêem, dificilmente algum clube estrangeiro conhecerá tão bem as terras do Tio Sam.
Mais de quarenta jogos realizados um pouco por toda a parte.
E agora, que mais uma vez demanda a América do Norte, falo do mês de Agosto de 1957 quando a águia vermelha para lá voou pela primeira vez.
Nenhum resultado poderia ser mais redondo: 10-0. Como nos filmes!
O adversário, pomposo, denominou-se Selecção de Nova Inglaterra.
Pois bem, Nova Inglaterra não é um Estado, não senhor, é uma região que inclui os Estados do Connecticut, Maine, Massachusetts, New Hampshire, Rhode Island e Vermont. Enfim, tanto Estado e tão pouco Futebol, admiraram-se os portugueses nesse primeiro confronto.
A coisa foi de tal modo redonda e arredondada que, acabado aos 10, também mudou aos cinco como nas peladinhas de escola da saudosa infância: isto é, 5-0 ao intervalo.
Ameaços, havia-os. Quero eu dizer, os ameaços eternos de que um dia... um dia... os americanos serão, quando lhes der na veneta, os reis do Futebol do Mundo, tal como o são em tantos outros desportos. Leia-se a crónica da época: «Os Americanos teimam em não levar a sério o desporto que na América do Sul e na Europa mais apaixona as multidões. É possível que as periódicas visitas de equipas de reconhecida categoria - e o Benfica é uma delas - contribuam para que, embora lentamente, venham fazer com que se interessem a fundo pela prática do futebol. Será então, se assim suceder, um 'caso sério'...».
Sério? Será? Por mim, que leio esta lengalenga espalhada ameaçadoramente pelos jornais de todo o Planeta, espero sentado. Sempre é mais confortável.

Os golos do Águas e as fintas do Palmeiro
Como em tudo, o Benfica voltava a ser o grande pioneiro do Futebol português. Os norte-americanos já tinham tido a oportunidade de ver entre eles o famoso Vasco da Gama, do Brasil, e algumas das mais conhecidas equipas inglesas, por via da natural proximidade cultural, mas um conjunto lusitano era inédito.
Finalistas recentes de mais uma edição da Taça Latina (derrotado em Chamartín pelo Real Madrid por 0-1), os 'encarnados' disputavam em Fall River e Nova Iorque os dois encontros derradeiros de um digressão de mais de um mês (de 4 de Julho a 12 de Agosto) que os levava ao Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Santos e São Paulo.
Por isso, após pelejas competitivas contra Flamengo, o Santos, o América FC e o Palmeiras, «treinar» contra a tal Selecção da Nova Inglaterra era para meninos de colo.
E a estreia (em beleza) americana foi assim:
NOVA INGLATERRA - Nogueira; Sprinthorpe e Allison; Arruda, Martins e Bernardo; Furtado, Silva, Schattner, Felix e Miller.
BENFICA - Costa Pereira; Zezinho e Ângelo; Pegado, Serra e Alfredo; Palmeiro, Caiado (depois Azevedo), Águas, Coluna (depois Salvador) e Cavém.
Golos: 1-0, Coluna (10m); 2-0, Caiado (18m); 3-0, Águas (27m); 4-0, Águas (30m); 5-0, Bernardo na própria baliza (33m); 6-0, Salvador (49m); 7-0, Pegado (58m); 8-0, Azevedo (68m); 9-0, Salvador (78m); 10-0, Palmeiro (89m).
Composto por amadores, muito deles da grande comunidade portuguesa da região, o adversário do Benfica foi imolado como um cordeiro em Domingo de Páscoa. Mais de 15 mil espectadores puderam testemunhar e aplaudir a classe de Coluna, os remates de José Águas e as fintas de Salvador e de Palmeiro.
Abria-se uma nova porta para as viagens do Benfica que eram muitas e seriam cada vez mais, alicerçadas nos êxitos europeus dos anos-60.
Em Fall River, assinalava-se o 76.º encontro benfiquista fora do território português. Depois da presença em África e na América do Sul, inaugurava-se um novo Continente. O regresso só se daria nove anos mais tarde, em Agosto de 1966.
A despeito das fragilidades dos opositores, Otto Glória não baixou a guarda ao seu estilo profissionalão e rígido. As festas de homenagem, as visitas de cortesia, eram levadas a cabo pelos dirigentes e pelo técnico, mantendo-se os jogadores num internamento tão severo como se os jogos fossem a doer.
Apenas um cheirinho a folga em Newark, com direito a jantar na Cervejaria Ballentine e, em seguida, a uma recepção do Clube Português de Brooklyn. Jantar à moda de antanha, acrescente-se, porque o recolher era impreterivelmente às oito da noite.
Antes do regresso a Lisboa, no voo da Pan-Am, mais uma vitória: 7-2 sobre a Selecção da Liga Norte Americana, em Nova Iorque.
Depois voltava o campeonato e vinha a primeira participação na Taça dos Campeões Europeus.
Férias? Levava-as o vento..."

Afonso de Melo, in O Benfica

Uma experiência inédita

"O Benfica inscreveu o seu nome em mais um capítulo da história do desporto. Para o alcançar juntou: uma bola branca, lâmpadas e uma banda de música.

No início da época 1919/20, 'O largo espírito de iniciativa do Benfica lançou o Clube noutra novidade para o nosso meio desportivo e, até, para a Europa (...)'. A proposta, bastante arrojada para a época, era nem mais nem menos que a realização do primeiro jogo nocturno, sob iluminação artificial em Portugal. A ideia partiu de Cosme Damião, que terá tido conhecimento dessa prática durante a viagem que efectuou ao Brasil em 1913.
O evento decorreu no dia 10 de Setembro, no campo da Quinta de Marrocos, que encontrava '(...) todo iluminado (...)'. Para o conseguir, foram utilizados 18 reflectores de 1000 velas, dispostos à volta do tereeno de jogo. Como complemento, nos camarotes e nas bancadas, foi instalado '(...) um número elevado de lâmpadas encarnadas e brancas, colocadas alternadamente, de modo a produzir excelente efeito de conjunto'. Após as 22 horas, teve início o desafio, disputado com o recurso a uma bola forrada a lona branca, para ser mais visível. Este jogo contou também com banda sonora, literalmente, pois 'Durante o desafio tocou uma banda de música'.
Para adversário, o Benfica convidou outros clubes da 1.ª categoria a formar um grupo misto. Apenas o Império de Lisboa, o Internacional e o Vitória de Setúbal aceitaram. Segundo O Sport Lisboa, o Sporting justificou a recusa alegando '(...) estarem os seus jogadores destreinados e não quererem jogar n'esta época de calor'.
Este jogo não foi caso isolado. Dez dias depois, repetiram a iniciativa frente ao Vitória de Setúbal. Ficou por aí. Os jogos nocturnos não voltaram a disputar-se em Portugal durante décadas.
No Museu Benfica - Cosme Damião encontra referência a este acontecimento na área 15. No caminho do tempo e no filme da área 29. O Voo da Águia, que estreou no passado dia 26 de Julho."

Mafalda Esturrenho, in O Benfica

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Benfica tem de tomar decisões

"O primeiro jogo oficial de Rui Vitória pelo Benfica vai ter ainda mais importância do que há um mês se julgava. Não é que a Supertaça esteja transformada num momento decisivo para a época dos encarnados (nem nada que se pareça), mas é natural que o desfecho do dérbi possa ter algum impacto nas decisões que terão de ser tomadas até ao fecho do mercado de transferências.
A questão que saltou para o centro da discussão é esta: 'Rui Vitória tem plantel para ser campeão?' Não há uma resposta simples. Aquilo que o Benfica perdeu, até agora, foram dois titulares de alto rendimento - Maxi Pereira e Lima - havendo ainda a possibilidade, muito forte de sair Nico Gaitán. As aquisições de Carcela e Taarabt estão longe de poder animar o adepto que já assistiu à partida de dois pilares da equipa bicampeã nacional e que ainda se prepara para dizer adeus ao melhor jogador do plantel.
Se nada for feito, é evidente que Luís Filipe Vieira falha a promessa feita ao treinador, que no dia da apresentação ouviu o presidente garantir 'os mesmos meios que outros tiveram'. Ainda há tempo mais do que suficiente para 'compor as coisas', até porque não está escrito em lado algum que é obrigatório os reforços chegarem no início da pré-temporada. Podem chegar no fim, como se viu há um ano, e o plano funcionar em pleno.
A partir de hoje, com o regresso da equipa a Lisboa, terá início a análise à longa digressão das águias. Independentemente do que vier a acontecer no dérbi de domingo, é quase certo que, pelo menos, um ponta-de-lança irá chegar. E quando Gaitán for à vida dele, Rui Vitória ficará a precisar de um novo criativo (muito) acima da média. De outra forma não parece possível que Jonas cumpra o seu maravilhoso sonho dos 40 golos."

MLS: Regras da Liga norte-americana de Futebol

"FIGURA 1
EQUIPAS               AVAN.           MC           DEF.               JD             TJD 
Kansas City $899,125 $3,210,915 $1,624,650 $1,365,352 $5,910,976 TG:$4,545,624
Phila. Union $1,373,232 $2,119,900 $1,495,019 $1,116,004 $5,578,401 TG:$4,242,397
Dallas $1,240,833 $2,025,067 $1,010,517 $602,400 $4,717,792 TG:$4,115,392
D.C.United $1,575,583 $929,584 $1,209,097 $175,000 $4,229,764 TG:$4,054,764
Montereal $1,168,459 $1,980,786 $1,003,042 $400,000 $4,444,287 TG:$4,044,287
NY City $6,224,375 $10,047,284 $1,315,796 $13,925,694 $17,800,368 TG:$3,874,674
Houston $780,000 $2,171,783 $1,774,041 $1,373,833 $4,988,491 TG:$3,614,658
Orlando $729,000 $8,433,719 $1,357,568 $7,507,000 $11,118,787 TG:$3,611,787
Columbus $2,015,021 $1,279,015 $1,082,636 $1,175,000 $4,685,015 TG:$3,510,015
Vancouver $1,549,990 $2,813,900 $1,288,917 $2,626,750 $6,095,377 TG:$3,468,627 
New England $1,155,210 $4,049,750 $1,067,875 $3,052,500 $6,516,090 TG:$3,463,590
Colorado $813,671 $1,879,998 $789,250 $349,500 $3,769,919 TG:$3,430,419
Salt Lake $606,667 $1,931,801 $1,294,704 $1,116,667 $4,328,255 TG:$3,211,588
Toronto $5,496,488 $14,526,593 $1,182,912 $18,365,556 $21,569,568 TG:$3,204,012
Portland $1,137,000 $1,979,616 $1,803,700 $2,214,000 $5,312,916 TG:$3,098,916
LA Galaxy $5,435,917 $11,357,383 $2,273,875 $16,382,512 $19,415,300 TG:$3,032,788
NY Red B.$770,000 $1,573,645 $1,031,391 $660,000 $3,676,728 TG:$3,016,728
Seattle $3,279,750 $2,175,819 $955,209 $3,789,667 $6,762,441 TG:$2,972,774
San José $2,327,611 $1,127,479 $1,082,540 $1,955,000 $4,785,380 G:$2,830,380
Chicago  $2,051,105 $2,944,273 $695,411 $3,208,605 $5,913,789 TG:$2,705,184
Legenda: AVAN: Avançados; MC: Meio-campo; DEF: Defesas; JD.: Jogador designado; TJD: Total jogadores designados; TG: Total garantido

Os jogadores que atuam na MLS obedecem a um tecto salarial. Foi também o que se passou na maior liga mundial de Basquetebol - a NBA - a qual teve inactiva quase uma época por razões de salários. Se fosse em Portugal o Governo tinha logo 'malhado'.
A criação de um limite financeiro aos ordenados, visa garantir um equilíbrio das finanças das equipas entre si, quanto aos recursos que possam ser alocados para as competições onde participam. Mas, no já longínquo 2006, a MLS, criou um compêndio legislativo, devidamente ratificado em Assembleia Geral, que ficou conhecido na origem como Designated Player Law.
Essa norma teve várias evoluções, sendo que actualmente podem existir até três jogadores que poderão ser pagos acima dos montantes máximos de salário de cada jogador e fazer ultrapassar no cômputo geral o limite máximo de salários por cada equipa.
Vejamos na Fig. 1 um quadro algo complexo sobre os montantes de salários totais auferidos pelas diversas equipas na MLS.
Que retirar deste aparente emaranhado de números?
Que o Toronto FC, o Los Angeles Galaxy e o New York City são de longe as equipas que gastam mais dinheiro com os três jogadores que são permitidos ganhar acima do tecto de salários dos outros jogadores. 
As regras são extremamente complexas - aliás tudo o que é Americano é complexo e muito regulado de forma casuística, mas a verdade é que funciona!
O salário máximo para um jogador normal é de $436.250.
A escala é dividida em 20 posições. O orçamento desses 20 jogadores não pode exceder os 3,5 milhões de $.
No entanto, os jogadores que estão na posição 19 e 20, poderão ter salários correspondentes até 18 vezes o valor do salário máximo que cada jogador pode ganhar.
Os jogadores que vão do 21.º ao 28.º, não contam para o máximo de tecto de salários.
Complicado? Muito!
Ora, do jogador 1 ao jogador 18, colocados numa escala, o máximo orçamentado tem de ser de 3,5 milhões de dólares, sendo que não poderão existir jogadores nesses 18, que individualmente ganhem mais de $436.250.
Os jogadores 19 e 20 desse Ranking, saem fora desse limite e permitem assim que sejam contratadas muitas estrelas, como foi o caso ultimamente de Steven Gerard.
Os jogadores 21 ao 28, não contam para o montante máximo de salários que a equipa pode auferir, sendo que há um terceiro jogador que pode auferir montantes superiores desde que a equipa pague uma verba à entidade organizadora.
Esse montante é de $150.000 e será distribuido por todas as equipas que não possuam esse terceiro Designated Player.
(...)"

Pragal Colaço, in O Benfica

Abre olhos !!!

Monterrey 3 - 0 Benfica

Mais um mau resultado na pré-época, mais uma exibição longe de convencer, em mais um jogo, onde até começamos bem, mas fomos perdendo qualidade...
A 1.ª parte foi equilibrada, é verdade que o Júlio César fez duas grandes defesas (na terceira foi assinalado fora-de-jogo), os Mexicanos ainda tiveram mais dois remates perigosos, mas o Benfica até teve o domínio territorial, e também criámos várias oportunidades: Nico (passe para trás parvo!!!) e Jonas de cabeça... além de remates de longe do Jonas, do Talisca e do Pizzi...
Ao intervalo, estava a ser um jogo positivo, mesmo sem extremos, mesmo com pouca gente e pouca criatividade nos últimos 15 metros, mesmo com muito espaço entre a nossa linha defensiva e a nossa linha de meio-campo, que permitiu os tais contra-ataques perigosos ao Monterrey, que o Júlio César safou...
No 2.º tempo os Rayados mudaram vários jogadores, entraram mais rápidos, e praticamente na primeira oportunidade marcaram (um livre lateral, onde a falta foi assinalada ao contrário!!! Algo 'normal'...!!!), pouco depois num penalty escusado do Pizzi (falhou o carrinho, e no chão tocou com a Mão na bola... por acaso até assistiu o adversário, que quase marcou, mas o árbitro marcou o penalty)... Logo a seguir vieram as substituições, e a equipa nunca mais dominou o jogo... E a Eusébio Cup, ficou no México.
De referir ainda a lesão do Luisão: mais uma vez a opção foi baixar o Fejsa para Central (os dois primeiros golos foram com o Sérvio a Central), noutros jogos o Samaris fez o mesmo. Com o Jardel lesionado, com o Luisão com dores nos abominais, e aparentemente sem confiança no Lindelof, fica claro para mim, que o empréstimo do César foi precipitado. O Luisão não está mais novo, será natural o nosso Capitão ter alguns problemas durante a época, ainda por cima o Luisão costuma demorar nas recuperações... Tendo tudo isto em consideração, ficar somente com 3 opções válidas é pouco. O Lindelof neste momento para mim, é um bom defesa-direito, que pode fazer de Trinco, mas como Central falta-lhe muita coisa...
Outro 'pormaior' do jogo desta madrugada foi a nossa faixa direita: Almeida/Talisca!!! Esta insistência do Talisca na ala...!!!

Recordo a estranheza pela desistência dos Corruptos da ICC. Com a imagem do espanhol desgastada, os Corruptos optaram por abdicar dos €3.5 milhões de euros, para terem assim uma pré-época mais fácil... O Benfica, Bicampeão, e com a potencial permanência do treinador, só tinha a ganhar quando aceitou a participação na ICC. Mas tudo mudou... Esta não era seguramente a pré-época que Rui Vitória queria... Temos os exemplos do Barça, do Man City, do próprio Chelsea que tiveram más pré-épocas, o Chelsea e o Bayern de Munique já perderam inclusivamente as respectivas Supertaças... Os nosso adversários internos, tiveram jogos muitíssimos mais fáceis: só o Valência com os Corruptos, e a Roma com os Lagartos (até ao momento, que o treinador dos Italianos resolveu substituir 8 jogadores em simultâneo, quando o jogo estava 0-0) foram adversários comparáveis com os opositores do Benfica (sendo que o Monterrey e o Red Bull, são de facto equipas com potencial mais baixo, mas com outro ritmo, e no caso dos Mexicanos com a hiper-motivação da inauguração do Estádio).. Mesmo os Ingleses do Crystal Palace e do Stoke são formações, de meio da tabela, formatadas para a Liga Inglesa, de valor real (esquemas técnico e tácticos muitos particulares), muito diferente das principais equipas Inglesas...
Dito isto, esta pré-época do Benfica foi preocupante. Qualquer Benfiquista, tem que estar preocupado... não podemos ficar cegos, principalmente a Direcção.
Tenho dito desde do início da pré-época, precisamos de um Lateral-direito, de um '8', de um Extremo (dois se o Nico sair), e de um Ponta-de-lança. Isto para não falar da tal situação do 4.º Central, nem do Defesa-esquerdo, já que um Sìlvio sem lesões, poderá ser a solução...
Espero que estes resultados negativos, sirvam pelo menos para o Benfica abrir os olhos!!! Mas além da definição do plantel, existe problemas na forma como a equipa está a jogar:
-afunilamento, sem extremos;
-pouca objectividade nos últimos 15 metros;
-pouca agressividade sobre o portador da bola;
-espaço entre linha defensiva e linha de meio-campo;
-indefinição do esquema táctico.
Durante anos, nunca compreendi as criticas dos Benfiquistas ao discurso bronco do Judas!!! Até parecia que o Benfica era um Clube da elite!!! O discurso equilibrado e politicamente correcto, do Rui Vitória não me incomoda, o facto dos jogadores gostarem mais da forma como Rui Vitória se dirige a eles, também não me deixa chateado, mas o mais importante, o fundamental, é existir disciplina, colectivo, objectividade e eficácia em campo... tudo o resto é folclore, a forma como os jogadores recebem a mensagem é indiferente, agora tem que haver mensagem...
O meu plantel seria: (1)Júlio, (2)Ederson, (3)Paulo; (4)Luisão, (5)Jardel, (6)Lisandro, (7)Lindelof (seria o César)!!!; (8)LD (contratação), (9)Semedo; (10)Sílvio, (11)Eliseu; (12)Samaris, (13)Fejsa, (14)Cristante, (15)Pizzi (ou Teixeira), (16)MC (contratação); (17)Carcela, (18)Gaitán, (19)Nuno Santos, (20)Guedes, (21)Ext (contratação); (22)Talisca, (23)Jonas, (24)Jonatahan, (25)PL(contratação).
Sendo que o André Almeida como polivalente, e o Salvio (obviamente) lesionado também podiam ficar no plantel... O Djuricic, e o Taarabt praticamente não foram opção, deixando em aberto a possibilidade do Mukhtar ser uma melhor opção!!!

Recordo ainda que a recuperação financeira do Benfica: pagamento e respectiva redução da nossa divida bancária, está dependente do nosso continuado sucesso desportivo... Por esta ordem e não o inverso. Títulos = retorno financeiro. Aliás, exactamente aquilo que temos feito nas últimas épocas...
Na próxima semana, vamos levar com o lançamento da Supertaça, como o jogo do século!!! Vai parecer que a época se vai definir no Estádio do Algarve!!! O mais importante neste momento é a definição do plantel e do esquema de jogo... A Supertaça é para ganhar, como é óbvio, mas não é decisiva. Se vencermos a Supertaça e não vencermos o Campeonato, ninguém se vai lembrar da Supertaça; se perdermos a Supertaça, e vencermos o Campeonato, nenhum Benfiquista ficará incomodado com isso.
O facto do Chelsea e do Bayern terem perdido as respectivas Supertaças este fim-de-semana, não foi o fim da época para as respectivas equipas, nem para os seus treinadores, mas tenho a certeza, que em Portugal, para o Benfica, será assim que será vendido o jogo, do próximo Domingo!!!

PS: O resumo que se segue parece ter sido feito nos estúdios da PorkosTV!!! As imagens não reflectem o que se passou no 1.º tempo:

domingo, 2 de agosto de 2015

Personagens de ficção - Árbitro Pedro Proezas da Bola: O contra-insulto da bola

"Conseguiu pôr Bruno 'Nádegas Opulentas' de Carvalho e Pinto 'Apito' da Costa de acordo numa coisa que não era insultarem-se um ao outro. Era derrotar o Benfica, claro. Acabaram por votar a favor de um homem que é contra a sua grande reivindicação para o campeonato: o sorteio dos árbitros. Pedro Proença é uma caixinha de surpresas.

A Liga Portuguesa de Futebol é redonda. Para espanto internacional, agora é dirigida por um dos árbitros mais conhecidos e respeitados do mundo (seja lá o que 'respeitado' quer dizer no mundo do futebol). Entre várias distinções e grandes finais, o currículo de Pedro Proença (Lisboa, 3 de Novembro de 1970) destaca-se, com letras gravadas a ouro, num dos mais prestigiados domínios do conhecimento: o calão. O slang da bola.
Pedro Proença, o ex-árbitro internacional sabe tudo da arte do insulto. Tirou um curso durante muitos anos, em ritmo intenso. Escutou em directo nos estádios, nas ruas, nas rádios, nos telefonemas anónimos. Leu nos jornais, nas redes sociais, nas paredes das casas de banho. Fala todas as línguas do futebolês ordinário.
Aos 44 anos, Pedro sabe como se diz 'palhaço' (e as suas derivações exclamativas 'ó palhaço' e 'ganda palhaço') em português, inglês, francês, castelhano, catalão, holandês, flamengo, alemão, italiano.
Na flor da idade de um homem-do-apito, Proença sabe como se grita 'gatuno' em japonês, coreano, iídiche, árabe, vietnamita. Sabe soletrar 'vai roubar para a estrada' em centenas de dialectos do subcontinente indiano, em russo, em ucraniano, em polaco.
Sabe todos os palavrões sexuais e/ou animalescos em xhosa do Sul de África, em zulu, em balanta e bantu. Se lhe perguntarem como é que se diz 'estás comprado' em húngaro, essa língua que não se relaciona com nenhuma outra, só talvez o islandês, Proença não hesitará em responder. Se houver alguma dúvida de que Pedro conhece a fundo as formas subtis de dizer 'vai para este sítio' e 'vai para o outro', tantos esses sítios que começam em 'c' como os que inauguram em 'p' e acabam em 'que te pariu', nas línguas bárbaras mas melodiosas do Norte — como sueco, norueguês e dinamarquês — é melhor que as dúvidas se dissipem, porque Proença saberá cantarolar os impropérios como qualquer chefe de claque dos fiordes gelados.
O ex-árbitro Pedro Proença Oliveira Alves Garcia — nome mais português é difícil — tem um currículo e tem mundo. Director financeiro de profissão, começou cedo a exercitar a sua vocação para saco-de-pancada dos adeptos, jogadores e dirigentes do futebol: ser árbitro. Sempre bem penteado, magro, em boa forma, há muitos anos que Proença começou a treinar o sopro e o gesto decidido, a elegância ao puxar do cartão vermelho. O gel é o seu grande companheiro, em dias de sol, em noites de tempestade. Sempre no horizonte, a possibilidade de ter de correr pela vida ao arbitrar um dos clássicos, para o que é necessário saber as localizações exactas dos túneis e das saídas de emergências do Estádio da Luz, do Estádio do Dragão e do Estádio de Alvalade, quando as coisas dão para o torto.
Pontos altos da carreira de um homem que, entre 2012 e 2013, esteve na categoria Elite da UEFA: arbitrou a final do Campeonato Europeu de Selecções (vitória de Espanha contra Itália por 4-1); arbitrou também a final da Champions (Liga dos Campeões da UEFA). Ponto baixo da carreira do mais respeitado dos árbitros portugueses foi uma converseta antiga entre Pinto da Costa e Pinto de Sousa, então presidente da Comissão de Arbitragem (interceptada em 2003 pela Polícia Judiciária) na véspera de uma Supertaça entre o FCP e União de Leiria:
Pinto da Costa Quem é?
Pinto de Sousa — O Proença!!! Então não é?! Falei contigo.
P.C. — Pois, eu sei.
P.S. — Ah?!
P.C. — Já sei!
P.S. — É esse! Foi nomeado ontem… oficialmente!
P.C. — Ai é…
P.S. — Foi ontem nomeado, só! Mas… antes de nomear tinha falado contigo!
P.C. — Sei! Mas eu, se me perguntarem alguma coisa, eu vou dizer que não comento, como é óbvio!
P.S. — Claro!
P.C. — Não vou dizer que…
P.S. — Claro! Ah, ah! É evidente, é evidente! Pelo contrário! Até devias dizer que achas mal! Eh, eh, bom…
E, dois dias depois, os mesmos voltaram a conversar:
Pinto de Sousa — É… mas vou devagarinho, pá, calmamente… vou falar com Pedro Proença!
Pinto da Costa — Vais?
P.S. — Grande jogo em Guimarães, pá! Vai fazer um grande jogo!
P.C. — Com recados para não expulsar ninguém!
P.S. — Eh, eh, eh…
É claro que uma pessoa honesta pode ser apanhada como um pinto entre dois pintos maiores (na altura muito activos em conversas de galos e de poleiros no futebol português). A carreira de Pedro Proença aguentou todas as más-línguas. Um homem que ao longo de anos acabou por conhecer tão bem Sepp Blatter e Michel Platini acabará por ficar imunizado contra os golpes mais baixos do 'desporto-rei'.
Agora a proeza é liderar e unir os clubes todos da Liga. Tem de começar pela linguagem da competência. Pedro Proença acha que Vítor Pereira (da Arbitragem) é incompetente e tem de sair (ou já não acha?). E Bruno de Carvalho acha incompetente o derrotado ex-presidente da Liga Luís Duque, e Luís Duque considera incompetente Bruno de Carvalho. E Pinto da Costa fala isto de Luís Filipe Vieira e Vieira fala aquilo ainda pior de Pinto da Costa.
O trabalho do cavalheiro Pedro Proença terá de ser o contrário daquilo que sempre sofreu: o árbitro agora é que terá de gritar uns palavrões. Mas ele sabe-os."

Eusébio Cup

Tri...

Vem aí a "bola" a sério

"UMA semana. Sete dias é o que falta para o arranque da temporada em Portugal. Vem aí a "bola"! Podia pedir-se um arranque melhor do que um eterno Benfica-Sporting? Podia pedir-se mais do que um confronto entre o novo Benfica de Rui Vitória e o novo Sporting de Jorge Jesus? Difícil. Este embate está recheado de emoção, e cheio de atractivos, muito antes de começar. Será a primeira vitória da época para um dos treinadores, mas será também o primeiro tira-teimas em relação a muitos aspectos.
ESTE é um fim de semana de afinações nas duas equipas - o Sporting apresentou-se ontem aos sócios, em casa; o Benfica vai jogar a milhares de quilómetros do Estádio da Luz - e ambas chegam à Supertaça com a consciência que há muito trabalho para fazer. Desejariam os dois treinadores que este jogo fosse contra um adversário menos histórico, e que uma derrota tivesse menor impacto junto da massa associativa.
NESTE campo, Rui Vitória parte claramente em desvantagem. A SAD não lhe deu ainda os reforços de que a equipa precisa, e até vendeu Lima; e tem o estigma de ter de apostar na formação, tão em voga na Luz, curiosamente pela pouca aposta que houve no passado mais recente. Quer Luís Filipe Vieira que os jovens da casa apareçam ao mais alto nível, não só para fazer do centro de estágios um viveiro do Benfica, mas também porque isso pode trazer (muitas) vantagens financeiras ao clube. 
ESTA é uma fase de testes nas equipas e a de Rui Vitória não é uma excepção. Os jovens que estão na América do Norte com o Benfica já valorizaram apenas por estarem na equipa principal. O treinador do Benfica já deixou claro que tudo tem um tempo e os 'miúdos' precisam dele. Rui Vitória propõe-se a um desafio novo na Luz e sabe que, em caso de sucesso, pode ficar na história. Tem de conquistar resultados, e para isso precisa de uma equipa equilibrada, é um facto. Mas se conseguir potenciar os jovens da formação encarnada e transformá-los em figuras de primeiro plano do futebol português, será uma vitória sem precedentes no clube. E pode abrir um novo caminho na política de mercado das águias. Desejado por todos, estrutura e adeptos, no clube."

sábado, 1 de agosto de 2015

Cenários com água atrás

"O Sporting esteve na África do Sul e o seu presidente aproveitou para falar aos jornalistas com os pés bem fincados no Cabo da Boa Esperança. Não é todos os dias que se tem à disposição uma paisagem mítica e com aquela água toda atrás. Não é, no entanto, a primeira vez que um presidente do Sporting escolhe uma maravilha da Natureza de reputação internacional como pano de fundo para uma alocução. HÁ cinco anos, José Eduardo Bettencourt aproveitou uma visita ao Canadá para, mesmo à beirinha das Cataratas do Niágara, fazer a mesma coisa. E merece sempre ser ouvido quem se dispõe a falar de pés fincados à beira de qualquer panorama de belezas e de riscos excepcionais. No Niágara, por exemplo, com aquela água toda a cair atrás dele à razão de 2 mil metros cúbicos por segundo, Bettencourt não só sobreviveu a perigos bem maiores do que os do Cabo da Boa Esperança, como ainda se fez razoavelmente ouvir por cima da tremenda barulheira das torrentes.
o próximo cenário em linha para a história do futebol português não mete água. E, se meter, é coisa pouca. Trata-se do monumento escolhido por Jorge Mendes para os festejos do seu matrimónio. Nem mais nem menos do que os jardins de Serralves, na cidade do Porto, em território nacional ainda que pertíssimo de Madrid, o que sempre é da maior conveniência como tão bem se explicou Iker Casillas. Desejo as maiores felicidades ao super-agente.
EM primeiro lugar, porque não é todos os dias que uma pessoa pode desejar felicidades a um super-agente, o que nos remete para a literatura de espionagem do tempo da guerra fria. Em segundo lugar, porque quanto mais feliz estiver o super-agente mais depressa se acabam os bailes, a insensatez das pirâmides de camarão, as conversas intermináveis sempre à volta dos mesmos assuntos os confetti a esvoaçar ao sabor da fumarada dos charutos, as solicitações dos amigos para só mais uma fotografia. Quanto mais depressa se acabar tudo isto, melhor.
ESTE casamento de Jorge Mendes a uma semana do início da temporada oficial, já deu cabo de uma família, e logo a minha, a família benfiquista que desespera por ver entrar em acção com reforços atrás de reforços este noivo que, de tão afadigado com os preparativos da festa, não tem tido tempo para olhar para assuntos de muito maior importância. Até ao dia 9 de Agosto vamo-nos entretendo com estas coisitas, está bem?"

Leonor Pinhão, in Record

Análise ao Benfica de Rui Vitória

"Lima e Jonas foram criados pelo seu criador como dois parceiros, cheios de cumplicidades. Jonas sozinho é e será apenas uma metade...

Rui Vitória pode ter um problema muito sério para resolver se o presidente Luís Filipe Vieira não o ajudar a resolver. Ou seja: num quadro, pouco provável, de não haver alterações significativas de jogadores no plantel do Benfica, o que implicaria a continuidade forçada e talvez, até, pouco esforçada de Gaitán, o treinador do Benfica parece optar por uma mudança de sistema de jogo, usando apenas um ponta de lança, um jogador em apoio e dois médios de natureza mais defensiva. Os entendidos da táctica chamam-lhe o 4x2x3x1.
À partida, em futebol, não há sistemas melhores do que outros. Tudo depende das características dos jogadores. O que acontece é que este Benfica estava formatado por Jorge Jesus num 4x4x2 que já vinha de há muito tempo e, por isso, deixou marcas profundas aos jogadores. Isso implicava que os dois homens da frente - Lima e Jonas - fossem criados pelo seu criador à imagem e semelhança de dois avançados que se completam no estilo, na movimentação em jogo, no conhecimento dos espaços que um e outro pisam. Ora, quando sai um desses jogadores, não sai apenas um avançado, mas um parceiro, e um parceiro é algo que implica hábito, familiaridade, cumplicidade, no fundo, coisas que não se substituem com facilidade e, sobretudo, no imediato.
Acresce que Jonas é, claramente, um avançado de parceria e não um número nove. É um avançado, mas não é um ponta de lança. É um jogador que gosta de jogar e não apenas de chutar. Jonas sozinho na frente é e será sempre uma metade incompleta.
Pode dizer-se que não tem forçosamente de estar sozinho. Poderá ter Pizzi, Talisca, até mesmo Gaitán nas costas. Não é o mesmo que ter Lima a seu lado ou à sua frente, abrindo espaços, levando com ele centrais em marcação.
O PROBLEMA LATERAL
Não será esse, porém, o único problema de Rui Vitória neste Benfica. A saída de Maxi soma-se, de forma perigosa, à ausência de Salvio, o que abre todo o flanco direito de ataque do Benfica a uma nova e desconhecida aventura.
Tal como acontecia na frente de ataque, também os flancos são, hoje em dia, espaços de parcerias. O lateral direito tem de ser um parceiro do ala direito. Assim acontecia com Maxi e com Salvio. É aliás curioso ver que Maxi ainda está perdido na ala direita do FC Porto. Não sabe se deve avançar ou recuar, não sabe se deve entrar pela área ou pela linha. É um jogador estranho numa equipa ainda estranha. Só o tempo resolverá.
O mesmo sucede no Benfica, com a agravante do Benfica não ter, para já, um defesa direito (e esquerdo também não) capaz de esticar o jogo de ataque da sua equipa. O que se torna dramático, sobretudo num sistema que prevê dois médios mais defensivos e por isso com maior e mais efetiva capacidade para fazer a compensação dos laterais que sobem até aos limites do campo.
A QUESTÃO DE GAITÁN
Falemos por fim do terceiro problema sério de Rui Vitória: Gaitán. O mais provável é Gaitán sair. Se isso acontecer, é difícil pensar que tudo se resolverá, apenas, com a prata da casa, mas também é verdade que, libertando dinheiro, o Benfica pode tomar decisões numa lógica de prioridades e essa deverá passar pelo(s) ponta(s) de lança e pelo lateral... ou laterais.
Mas pode dar-se o caso do mercado ficar, de repente, bloqueado e isso impedir a saída de Gaitán. Pode ficar-se com a ideia de que seria bom para Rui Vitória. Não sei se seria. A História do futebol moderno está cheia de casos problemáticos de jogadores que ficam contrariados e deixam de valer o que antes valiam."

Vítor Serpa, in A Bola

Vitória sobre o Vitória !!!


Benfica B 3 - 2 Setúbal



Último jogo da pré-época, com mais uma vitória, desta vez sobre uma equipa da I Liga!!! Recordo que a nossa equipa B, é composta por vários Juniores, e muitos seniores de 1.º ano...!!!

Momentos...

Momentos antes do último encontro...Moments ahead of the last match...#ICC2015

Posted by Sport Lisboa e Benfica on Sexta-feira, 31 de Julho de 2015

sexta-feira, 31 de julho de 2015

A ansiedade é grande

"A venda de Lima destapa ainda mais a necessidade de reforçar o ataque encarnado. Se com Lima havia muitos que clamavam por mais uma solução ofensiva, sem Lima, com a saída de Derley que nunca foi uma verdadeira solução, fica notória essa necessidade. No entanto, a idade do jogador, os valores envolvidos, tornaram o negócio numa inevitabilidade que ninguém pode criticar. Por muito que nos custe, foi um acto de boa gestão, quer financeira, quer de grupo. O Benfica trata bem os profissionais que tratam bem o Benfica. Gosto assim, mesmo que agora haja (e eu tenho) uma grande ansiedade para ver quem chega, e a qualidade que tráz.
Curiosamente, gostei menos do jogo que ganhamos nesta pré-época, e gostei mais do que perdemos com o NY Red Bulls. Se exceptuar o resultado, este, foi o encontro onde houve mais posse, mais fio de jogo, jogadas mais ligadas e só dois deslizes de pré-época ditaram sorte madrasta. Excelente a exibição de Lisandro López nesse jogo, para mim o melhor em campo. Esperamos continuar a melhorar até dia 9, onde disputamos uma espécie de final do Guadiana, mas de forma oficial.
Vai ser um campeonato interessante e equilibrado e quem conseguir melhores retoques até dia 31 de Agosto, poderá ter vantagem. Até ao fim não se saberá quem sai e quem entra, os clubes e seus treinadores resolvem equações onde não têm todos os dados. É matematicamente uma impossibilidade. Jornais, rádios e televisões desdobram programas diários para acompanhar as movimentações, as supostas movimentações e as presumíveis movimentações. Aguardo pela realidade, para não me incomodar com o ruído.
E domingo lá terei que me deitar outra vez tarde para ver a Eusébio Cup. Até a feijões e fora de horas é um bom programa ver o Benfica."

Sílvio Cervan, in A Bola

Contas aos pontos-UEFA

"O V. Guimarães esteve a perder por 2-0 na Áustria e marcou um golo que enche de esperança os conquistadores, de olhos postos na segunda mão; o Belenenses esteve a ganhar por 2-0 ao Gotemburgo e deixou que os suecos reduzissem para 2-1, ensombrando o optimismo azul na passagem à fase seguinte da Liga Europa. Tudo em aberto, esperança lusitana em doses apreciáveis, mas sempre, como pano de fundo, as contas aos pontos-UEFA a deixarem uma angústia razoável em quem procura ver para além da espuma...
A última época, em termos de pontos europeus, foi francamente má para os portugueses. Se a época que agora começa for no mesmo sentido - e daí que as prestações de Belenenses, V. Guimarães, nesta fase, sejam relevantes - o que acontecerá em breve é a redução da quota das equipas nacionais na Champions, que passará de 2+1 para 1+1.
Quer isto dizer que, se nos mantivermos no plano inclinado de 2014/15, daqui a pouco só o campeão nacional terá acesso directo à Liga dos Campeões, disputando, o segundo classificado, a pré-eliminatória. Ou seja, dos três grandes, habituais primeiros classificados na Liga portuguesa, só um terá a garantia do acesso aos milhões da Champions; o segundo vai penar na incerteza do play-off, e o terceiro vai contar trocos para a Liga Europa. Este elemento traz para a discussão a importância da Liga nacional. Não se trata, a partir de agora, de ser primeiro só pelo título, mas sim de, ao consegui-lo, cavar um fosso grande para o segundo e uma distância tremenda para o terceiro. É por isso que todas as acções, dentro e fora do campo, são cada vez mais importantes e todas as alianças, mesmo as mais improváveis, acabam por ter cabimento..."

José Manuel Delgado, in A Bola

A renumeração...

"A 28 de Maio de 1977 dava entrada, nos serviços administrativos do SLB, um pedido de inscrição de Sócio. Ao novo associado Benfiquista, eu, nascido na noite anterior, foi-me atribuído o número 58626. Se fosse esta semana, teria um número superior a 285000...
A evolução da dimensão da nossa massa associativa, com destaque para os últimos dez anos, foi notável, nomeadamente se tivermos em conta que, hoje em dia, apesar dos muitos benefícios oferecidos, é 'menos' vantajoso ser Sócio do que foi no passado, em que as quotas em dia permitiam a entrada gratuita em todos os jogos do Campeonato Nacional realizados no estádio da Luz, à excepção de dois, os chamados 'dias de Clube', entendidos como uma contribuição complementar dos sócios para o equilíbrio das contas do Clube. De dois passaram a três, a cinco, a todos...
Da 'minha' primeira renumeração (1981), não guardo qualquer recordação. Passei a ser o sócio 29209 (!). Na seguinte, em 1986, surpreendido por receber novo cartão com um número diferente, tornei-me no 21996. Segui-se a de 1993, esta já aguardava com grande ansiedade e curiosidade por conhecer o novo número, em que, aos 16 anos, passei a ser o 16968. Cinco anos depois, vaidoso, era o 13263. E em 2005, orgulhoso, mas ciente que, com 28 anos de sócio, cada número a menos é, quase de certeza absoluta, um Benfiquista que já não está entre nós, tornei-me no 9478.
Aos 38 anos de vida e de associado do SLB, apesar da curiosidade, já não aguardo ansioso pelo novo número nem o receberei com grande satisfação. No entanto, sentirei sempre gratidão por todos os Benfiquistas que só a morte os impediu de continuarem a pertencer ao nosso querido Clube."

João Tomaz, in O Benfica

O amarelo

"Concluído o Tour de France, aí está a Volta a Portugal. Na ausência de futebol a sério, são as bicicletas que ocupam o seu lugar.
Paisagem, aventura, esforço, cores, dramas, mitos, povo, heróis e alguns vilões, fazem do ciclismo um espectáculo maravilhoso. Parece feito de encomenda para a televisão, proporcionando longas horas de transmissão directa, conduzindo o espectador por montanhas e vales, como se ele próprio estivesse de viagem. Doping? Existe em todo o desporto profissional, e esta é certamente a modalidade mais controlada. 
Enquanto amante de ciclismo, e enquanto benfiquista, não posso deixar de me associar aos muitos que sonham com o regresso do clube às estradas, mesmo sabendo quão difícil seria materializar tal sonho no imediato.
O ciclismo não vende bilhetes. Vive da publicidade, e custa dinheiro (500 mil euros/ano, para uma equipa ganhadora a nível nacional). As empresas interessadas em investir pretendem um nível de visibilidade que a marca Benfica – se a elas associada – ofuscaria. A nossa última incursão neste mundo não correu nada bem. 
Creio, porém, que o Benfica carrega esta dívida para com a sua história. Ostenta uma roda no emblema, e deve grande parte da sua popularidade a nomes como José Maria Nicolau, que levavam as camisolas vermelhas até aos locais mais recônditos do país, quando nem sequer existia campeonato de futebol.
Falta pouca coisa para que o nosso Benfica seja integralmente devolvido àquilo que foi no passado. O regresso ao ciclismo poderia ser um desafio para um dos próximos mandatos de Luís Filipe Vieira. Seria a cereja no topo do bolo."

Luís Fialho, in O Benfica