Últimas indefectivações

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Corredores

"1. Os jogos passam e o público teima em não encher o Estádio da Luz. Por que não acredita? Por que ainda vive o medo de desilusões recentes? Por que não está disposto a fazer uma aposta emocional como a que fez na época passada? Por que não vê um futuro para lá das redes da baliza? Perguntas a mais para uma só resposta. Talvez cada um dos ausentes tenha a sua. Ou cada um deles saiba para quando guardou o momento de regressar ao lugar que tem sido seu. Por cada cadeira vazia há um vento frio que percorre o Estádio. Talvez o mesmo vento frio que percorre os corredores da alma de uma equipa outrora feliz...

2. Abriram-se corredores para que energúmenos baratos atingissem os jogadores e treinadores do FC Porto com tochas acesas à medida que estes iam saindo do autocarro que desembarcava nas Antas. A polícia que é sempre tão violenta com uns, limitou-se a ser passiva. E a ver voar as tochas; e até ser por elas atingida, sem queixas nem lamúrias. O Madaleno não estava lá. Devia estar no conforto do lar a abrir garrafas de champanhe sonhando com derrotas da Selecção Nacional. No autocarro é que nunca! Que dobre a espinha aquele a quem ele paga. Que sofra enxovalhos e insultos. No outro dia, pela manhã, estará fresco e bem dormido a dar o apoio de sempre àqueles que ofereceram o corpo à pouca vergonha da véspera. Há quem considere apenas uma deprimente exibição de decrepitude. Há em todo o episódio um cheiro a mofo de processos velhos. Dar um passo atrás, para que a vítima suba sozinha ao cadafalso. Cobardia? Alguns chamaram-lhe qualquer coisa que tem que ver com o seu contrário. O filme está partido e nunca acaba..."

Afonso de Melo, in O Benfica

Prioridades

"O sorteio europeu de segunda-feira conduz-nos, desde já, a algumas conclusões.
É lugar comum afirmar-se que todos os adversários são iguais, e todos os jogos são para vencer. Porém, a realidade mostra que há adversários... mais iguais que outros. É o caso, por exemplo, do Tottenham, conjunto de orçamento superior ao nosso, recheado de estrelas, e revitalizado por novo comendo técnico. Se pensarmos chegar longe na Liga Europa, e mesmo partindo do pressuposto (não totalmente líquido) que conseguimos vencer o PAOK, teremos provavelmente de ser capazes de ultrapassar, também, a forte equipa londrina. E ainda sobram Juventus, Valência, Fiorentina, Sevilha, Shakhtar, Lyon, Ajax ou Napolés. Há, entre os adeptos do Benfica, quem defenda que apenas e só o Campeonato - onde se discutem as rivalidades domésticas - permite acender a nossa chama. Frequentemente, atletas e técnicos, tendem a privilegiar a frente externa, onde a visibilidade, enquanto profissionais, é maior.
Devo dizer que nem sempre consigo escolher: se por um lado percebo que, estrategicamente, as provas nacionais conferem um maior peso relativo, por outro, são os feitos internacionais que ilustram a história. Cada época é um época, e cada contexto tem as suas especificidades.
O que me parece óbvio é que o sucesso, interno ou externo, apenas poderá ser atingido com alguma dose de pragmatismo. E a cada ocasião, deverá corresponder uma clara definição de prioridades - as quais, por sua vez, devem ser escolhidas em função da importância de cada objectivo, e das reais hipóteses de o alcançar.
Esta Liga Europa não parece fácil de vencer. Por outro lado, após três temporadas consecutivas sem título nacional, este não pode deixar de figurar à cabeça da nossa lista de desejos.
No cruzamento entre uma e outra ideia, deve pois prevalecer - neste caso, e por enquanto - uma aposta inequívoca no Campeonato. Eventualmente chegados a umas meias-finais, então se verá. Até lá, que não haja lugar a hesitações, nem a Aroucas."

Luís Fialho, in O Benfica

Positivo e negativo

"1. Gostei da exibição (e da vitória) frente ao PSG, numa Liga dos Campeões em que ficámos aquém do que valíamos, em parte por falhanço próprio, noutra pelo azar que nos perseguiu no excelente jogo em Atenas. Não gostei da exibição (valeu o resultado) em Olhão, onde a defesa voltou a falhar (são demasiados os golos sofridos esta época) e a equipa 'adormeceu' na 2.ª parte, depois do golo da vitória. Positiva, apenas, a reacção às desvantagens.. que poderiam ter sido fatais.

2. Os No Name resolveram não apoiar a equipa ao longo do jogo com o Paris SG, limitando-se a duas curtas intervenções, uma em cada parte. Até admito que, zangados pelo empate frente ao Arouca, estivessem cinco ou dez minutos em silêncio, para dar esse sinal à equipa. Mas estarem todo o jogo calados é, no mínimo, lamentável, pois o grande prejudicado poderia ser o Benfica, que tem de estar sempre acima dos protestos ou das 'birras' de cada um. Felizmente, a equipa não precisou da claque para jogar bem e ganhar. O que não deixou de ser uma boa resposta.

3. Pinto da Costa escreveu outro livro, com 31 decisões nos 31 anos de mandato à frente do FC Porto. Presumo, por aquilo que li nos jornais, que não falou nem dos contactos (e não só...) com os árbitros nem da decisão (que não terá sido fácil) de ir passar uns dias a Espanha, antes de se 'entregar' à polícia, aquando do 'Apito Dourado'. O que até é compreensível: só falou de 31 das milhares de decisões que teve que tomar e as conversas (e não só...) com árbitros ocupariam demasiadas páginas, tantas elas foram...
Curiosamente, e através de Octávio Machado, que ao Record e ao Correio da Manhã desmentiu algumas versões do seu antigo presidente, soubemos que Pinto da Costa fez pressão junto de Scolari no sentido de afastar Vítor Baía e meter Nuno Espírito Santo na selecção. E o antigo treinador disse mais, agora a propósito de superstições: 'Pinto da Costa é que parava os serviços de Delane Vieira. Ele tanto vai a Fátima como vai à bruxa'. E a propósito de mentiras: 'Pinto da Costa mentia a falar e agora mente a escrever.' Ele conheceu-o bem de perto..."

Arons de Carvalho, in O Benfica 

O regresso de Jesus

"Jorge Jesus regressa hoje ao posto de comando avançado da equipa do Benfica. Uma coisa é ser um general estratego, à distância, manobrando peças num tabuleiro, transmitindo ordens por mensageiros, outra bem diversa é vestir o colete antibala e descer ao campo de batalha, dirigindo as falanges homem a homem, tiro a tiro.
Nestes tempos de guerras virtuais e bombardeamentos por aviões não tripulados, o futebol que alguns pretendem entregar ao escrutínio electrónico continua a resistir como velha escola e métodos conservadores. 
Jesus é um expoente desta velha escola, através de uma intervenção permanente sobre os jogadores, actuando como um 12.º jogador com uma intensidade rara e de enorme contraste relativamente ao estilo da nova vaga de treinadores saídos das universidades e cada vez mais formais e formalistas. Apesar da “boutade” a propósito da sua cátedra, das lições casuais em fóruns universitários e do reconhecimento filosófico de académicos eméritos, Jorge Jesus nunca conseguiu desfazer a faceta popular nem reprimir uma peculiar expressividade emocional que lhe tem custado alguns castigos e uma crescente perda de tolerância por parte dos adeptos do próprio clube.
Quando o Benfica ganha, o estilo de Jorge Jesus é apreciado e justificado como a melhor forma de tirar o máximo rendimento dos jogadores, mantendo-os à rédea curta. Quando o Benfica perde, para lá dos defeitos técnico-tácticos, acresce o cansaço relativamente ao estilo do treinador, acusado até de baralhar os jogadores com tanta linguagem gestual e gritaria para dentro do campo: uns não o percebem, outros não lhe ligam.
A sair de uma suspensão que terá penalizado a equipa, com alguns pontos desperdiçados e um retrocesso evidente na qualidade de jogo, Jesus promete não se deixar voltar a perder pelas emoções. Afinal, não terá sido das lições mais complicadas da sua longa aprendizagem, mas foi certamente das que mais lhe custaram: Jesus é um operacional sem paciência para joguinhos de estratégia nos bastidores do combate. 
regresso ao banco é acompanhado de comentários críticos do presidente benfiquista, mal restabelecido da eliminação prematura da Liga dos Campeões que tanto significava para o clube, este ano. Depois de todos os altos e baixos de uma relação de invulgar resistência, Jesus ter-se-á colocado sobre o fio da navalha, desiludindo o presidente. Já não lhe basta ter de mudar o comportamento, parece que tem igualmente de alcançar resultados."

Federação rica mas pobre

"Depois das jornadas, o Conselho de Disciplina da FPF tem à sua frente os relatórios das equipas de arbitragem, dos delegados da Liga e das forças policiais (porventura, os “autos em flagrante delito” da Liga) e decide os “castigos” dos jogos profissionais de futebol. A função corresponde a um processo sumário, mas implica uma condenação extraordinariamente sensível: afectam-se direitos e interesses relacionados com a competição sem exercício do direito de defesa. O que é uma entorse significativa de uma garantia básica, justificada em nome de princípios considerados superiores, em especial a normalidade do desenvolvimento das provas sem perturbação das decisões disciplinares e a execução célere dessas decisões.
Os regulamentos estão atentos a essa sensibilidade. Essas deliberações do CD devem descrever as circunstâncias relativas ao facto sancionado, proceder à identificação do ilícito disciplinar e motivar os critérios (agravantes e atenuantes) que levaram à escolha da pena concreta. O mínimo, portanto, para que o agente saiba como, porquê e em que medida foi condenado. E o mínimo deve ser exarado em acta do CD e notificado pessoalmente a cada um dos agentes (com excepção das penas “automáticas”, como na expulsão por “duplo amarelo”). Por fim, comunicam-se publicamente as condenações através do “mapa de castigos” relativo a todos os jogos. Que não pode substituir a notificação a que cada um dos agentes tem direito, para saber em que termos se alicerçou a acção do julgador.
Sobre o livro de actas, não sabemos. Sobre o “mapa”, sai cá para fora e é remetido aos clubes. Quanto à notificação das decisões a cada um dos agentes – isto é, o que importa para remediar a falta de contraditório e a ponderação de recurso ulterior –, entrou em desuso, numa violação gritante (mais uma) da lei e dos regulamentos. E, assim, lá temos ao fim da tarde das terças-feiras os agentes de uma prova profissional de futebol a não saberem, em múltiplos casos, por que foram condenados ou qual o critério por que foram condenados e a procurar, por portas travessas, descodificar o “mapa de castigos”. Em suma, o “velho futebol” da opacidade, do amadorismo e da preguiça, no seio de uma federação rica e esbanjadora, orgulhosa da “sua” final da Champions, instaladora de uma “cidade do futebol”, mas sem a mais simples das estruturas para defender os mais elementares direitos dos clubes e dos seus agentes. Agora se compreende melhor um dos “objectivos” de Fernando Gomes, quando, em Julho de 2010, declarava à Lusa ambicionar uma justiça “competente” e “recatada”…"

domingo, 22 de dezembro de 2013

Desperdício

Sporting 5 - 5 Benfica


A equipa não merecia acabar assim o ano civil. Depois de todas as vitórias, depois de jogar muito bem, durante grande parte dos jogos, a equipa não merecia os 2 minutos de total desconcentração, onde sofremos 3 golos, hoje!!!
Após este mau período a equipa reagiu, de 4-2, passámos para uma vantagem com 4-5, mas como nós sabemos, chegar ao fim dos jogos, com um resultado tangencial, é muito 'arriscado'!!!

Explico: durante todo o jogo o critério na marcação de faltas foi do mais torto possível, nada de estranho, bem pelo contrário. O Sporting nem sequer chegou às 10 faltas, o Benfica ultrapassou as 15 !!! Isto é recorrente, em todos os nossos jogos nacionais. Os nossos adversários, são sempre muito correctos...!!!
Mal o Benfica ficou em vantagem, foi necessário rapidamente 'empurrar' Benfica para a 15.ª falta, em poucos minutos, 3 faltas consecutivas contra o Benfica. Mesmo quando as faltas eram cometidas pelos jogadores do Sporting, os árbitros marcavam faltas contra o Benfica!!! E pronto o Sporting lá empatou de Livre Directo, a 2 minutos do fim... A poucos segundos do fim, para compensar a roubalheira do jogo todo, um dos árbitros lá marcou um penallty a favor do Benfica, mas o Coy falhou...

Num Campeonato sem play-off, nem 2.º fase, a regularidade é fundamental, os dois empates que já permitimos, podem ser fatais. Fomos roubados? Sim. Mas este é daqueles jogos, onde o Benfica pôs-se a jeito!!!

PS: Sobre este jogo, e outros jogos deste fim-de-semana, deixo aqui o link para o post do Cosme, na Travessa do Alqueidão. Muito bom...

ADENDA: A roubalheira foi tão grande, que até me esqueci de um golo misteriosamente anulado ao Benfica, que na altura daria o 4-5 a nosso favor...!!!

sábado, 21 de dezembro de 2013

Grande vitória...

Águas Santas 26 - 30 Benfica

Foi mesmo um grande vitória. Já sabíamos que não contávamos com o Carneiro, o Tiago Pereira não jogou com o Belenenses, e aparentemente jogou hoje limitado... e logo no início do jogo (1-1) o nosso melhor marcador nos últimos jogos, Cláudio Pedroso, lesionou-se, ficando de fora o resto da partida (vamos ver até quando!!!)...
O jogo na Maia, mesmo sem estes problemas já seria difícil, com todos estes obstáculos, só mesmo com muita atitude o Benfica podia ambicionar a vitória... e foi mesmo isso que aconteceu, muita garra, nem sempre bem jogado, com o Álamo um pouquinho abaixo daquilo que já fez no Benfica, quase sempre atrás no marcador, só passámos para a frente no 23-24 (num parcial de 0-5, passámos de 23-22 para 23-27), mas na ponta final, defendemos bem, e vencemos um dos jogos mais difíceis da temporada... Só não gostei dos 2 livres de 7 metros falhados!!!
Nota para os dois melhores marcadores, que na altura de dar a sapatada no resultado não falharam.
Agora até ao final da 1.ª fase, só a deslocação a Braga (26 de Janeiro, espero que os lesionados estejam recuperados...) 'assusta', os outros jogos são todos para ganhar, e os nossos principais adversários ainda têm que se defrontar entre eles...
Tenho a certeza que com esta atitude, o problema recorrente da irregularidade desta equipa, nunca se colocaria...!!!

Agradável

Benfica B 5 - 0 Trofense

Vitória agradável, num jogo fluído, sem muitas paragens. Marcámos cedo, o Lolo 'vingou-se' dos falhanços da Madeira, e desta vez foi eficaz... Admito que fiquei apreensivo quando vi o 11 titular, a defesa parecia frágil, mas o jogo acabou por sair bem...
No 2.º tempo, o Dino voltou a entrar e a marcar, pouco depois um jogador do Trofense foi burro e foi expulso com 2 amarelos em menos de 1 minuto, e o jogo ficou decidido... o Bernardo, numa jogada que o define (grande recuperação de bola a meio-campo pelo próprio Bernardo, na raça, saída rápida, tabela com o Markovic, excelente controle de bola, e remate forte à baliza... golo!!!), já no final, o Cavaleiro 'ganha' um penalty, não deixa o Lolo fazer o hat-trik, e ele próprio marca o penalty, acabando assim com um período de 'seca' alargado!!!
O Lindelof depois da fase Trinco, parece que agora está a passar pela fase Central!!! Gostei de ver o regresso do Nelsinho Semedo (espero que a lesão não seja grave...), fez um excelente jogo, depois da pré-época merecia mais minutos, eu compreendo que o Cancelo também tem que jogar, mas...!!! O 2.º jogo do João Teixeira a titular, e mais uma vez gostei, ainda se agarra demasiado à bola, tem que ser mais rápido na decisão, mas está a fazer uma boa transição para sénior.. O regresso do Rúben Pinto foi muito importante no equilíbrio da equipa, este renascimento do Rúben a '6' (ou '8'), promete!!! O Rojas ainda não provou as razões da sua contratação (e muito menos as convocatórias à selecção principal do Paraguai!!!), mas está a melhorar...

A todo o gás !!!

Boavista 0 - 4 Benfica

Mais uma entrada a todo o gás, com dois golos nos primeiros 3 minutos. Já não é a primeira vez que isto acontece... os problemas normalmente aparecem mais tarde, quando a equipa relaxa, mas desta vez isso não aconteceu, ou pelo menos não se reflectiu em golos sofridos!!!
Voltámos a marcar no início da 2.ª parte... com o jogo controlado, os minutos foram passando. O Boavista apostou no 5x4 a 5 minutos do fim, pouco depois o Bebé foi expulso, ficou 5x3, mas mesmo assim, não sofremos golos, e até 'conseguimos' a expulsão do guarda-redes avançado Boavisteiro, e no consequente Livre Directo o Joel fechou a contagem com o 4.º golo!!!
Fechamos assim o ano civil a vencer na liderança isolada, depois de um bom início de temporada, com uma fantástica vitória em Loures, a equipa baixou um pouco rendimento, algumas lesões atrapalharam, mas a verdade é que a equipa está consistente, apesar de ainda ter uma larga margem para melhorar...

Duas laranjas, três pontos...

Setúbal 0 - 2 Benfica

Não sofrer golos, acaba por ser a nota de maior destaque deste jogo. O Oblak na sua estreia a titular no Campeonato, não foi obrigado a grande trabalho, mas demonstrou segurança, nas poucas vezes que foi chamado... Mas voltámos a 'facilitar' algumas vezes na zona defensiva: mais uma vez as melhores oportunidades do adversário, nascem de erros individuais nossos!!! Nos jogos anteriores, fomos penalizados com golos, hoje isso não aconteceu... Não sei se é por excesso de confiança, ou por falta de confiança, mas existem situações, onde o melhor é o 'chutão' para a frente, não interessa se é feio ou bonito...!!!

Durante muito tempo, exigimos a presença de mais um trinco na equipa, mas o trio Fejsa/Matic/Enzo não está a resultar, retira capacidade ofensiva à equipa, e não acrescenta segurança defensiva... Acredito, que com outro posicionamento este trio pode resultar, mas com o Enzo descaído para as faixas, e com o Matic à frente do Fejsa, os resultados têm sido fracos...

O Benfica foi eficaz, é verdade, mas não teve 100% de eficácia, como os comentadores parece que querem transformar em facto!!! Também é verdade que as oportunidades existiram depois do 1.º golo, mas existiram...

Dou 'meia-razão' ao Jesus nas declarações no final da partida, é verdade que o mau jogo da 1.ª parte, também se deveu à estratégia do adversário, com marcações muito apertadas, muita agressividade, muitas faltas (pelo menos uma delas, muito acima do aceitável!!!), mas também é verdade que o Benfica tinha que jogar essencialmente mais rápido. Algo que não é fácil, quando se joga com 'bolas de praia', em relvados tugas, contra equipas fechadinhas, e com critérios disciplinares largos... mas, devíamos ter jogado melhor.

As exibições do Benfica não têm sido magnificas, temos tido jogos fraquinhos, mas a verdade é que nos últimos meses, a nível nacional, tivemos um mau resultado, e a nível internacional tivemos um péssimo resultado, no melhor jogo da época!!! Todo isto com todas contingências, de lesões e castigos... As dificuldades em formar um 11 são tão grandes, que hoje em dia, antes do jogo começar, ninguém sabe quais vão ser os 11 jogadores escolhidos pelo Jesus, ao contrário do que acontecia em anos anteriores, nesta altura das épocas...!!! Tenho visto outras equipas, sem problemas de lesões, igualmente eficazes, sem fazer muito mais a não ser os golos, a serem levadas ao colo nas analises, com adjectivos superlativos:
No Benfica após somar mais três pontos, parece que estamos a caminhar para o abismo...!!! Tem que existir algum equilíbrio nas analises, não se pode andar anos a afirmar que se estão marimbando para as exibições, só querem é ganhar, e depois quando se ganha jogando mal, é o fim do mundo...
Como já disse anteriormente, estamos na luta pelo título, e se assim continuarmos, quando tivermos todo o plantel disponível, seremos claramente a melhor equipa, e depois logo se verá...

Hoje, destaco os nossos dois avançados, que na ausência do nosso abono de família, têm marcado o ponto em quase todos os jogos. Jogando melhor, ou pior, Lima e Rodrigo têm marcado, e isso é que importa.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Com rumo e na rota

"O Benfica foi classificado como o 15.º mais valioso clube do mundo. Discordo. Se aplicassem os meus critérios chegariam à conclusão que era o mais valioso do mundo, ou pelo menos, do meu mundo. Mas prometo não me detalhar com os 14 emblemas, que transitoriamente ocupam os lugares cimeiros.
Assim temos o nosso humor natalício dependente da difícil deslocação a Setúbal. Tradicionalmente difícil, o Bonfim se ainda não é o cabo da Boa Esperança do nosso campeonato, é pelo menos o cabo Bojador.
A rota não continua igual se não se vencer em Setúbal. O caminho para o título não permite mais andar à deriva. Muito tempo fora da rota, cansa a tripulação, desmoraliza os marinheiros e aumenta o risco de naufrágio.
Sporting tem um adversário de dificuldade pequena, o FC Porto tem um opositor de dificuldade nula, por isso resta ao Benfica cumprir a sua parte.
Embora vencendo no Algarve, o Benfica ficou muito aquém daquilo que espero, desejo, e sei que são capazes de fazer. Gostei particularmente de ver jogadores a assumir que o jogo foi mal conseguido, e que apesar da vitória deviam ter jogado melhor.
Gostei de ver declarações de desagrado mesmo vencendo. Gosto quando sobe a exigência e a ambição, e quando baixa a justificação e as desculpas. Assim ficamos mais perto de conseguir alguma coisa de válido.
O sorteio da Liga Europa deu a Benfica e FC Porto boas (muitas) hipóteses de vencer a próxima eliminatória e poucas (menos) de vencer os oitavos de final. Para mim Nápoles e Tottenham são as duas equipas mais fortes em prova.
Um bom Natal e óptimas rabanadas para todos, que as minhas dependem, em boa parte, do Lima, Enzo e companhia logo à noite..."

Sílvio Cervan, in A Bola

Lesões e árbitros

"Numa jornada sem surpresas, vou falar de três situações estranhas. A primeira é a continuação das lesões no Benfica. Pergunto: o que seria do FC Porto sem Jackson Martínez ou do Sporting sem Montero? Pois Cardozo não joga há 4 jogos na Liga (e no início já não tinha alinhado em dois). Agora, até o guarda-redes se lesiona. Já não sei o que dizer.
A segunda situação é o castigo aplicado a Enzo Pérez. Que revela pouca inteligência de quem o decidiu. O que levou à suspensão foi um gesto do jogador contestando uma falta: “Esta foi roubada”, disse Pérez com a mão. Mas quantas vezes os jogadores contestam faltas, através de gestos (agitar os braços) ou de palavras (bem visíveis através do movimento dos lábios)? Ora, por que razão uns protestos dão suspensão e outros não? Porque Enzo foi mais “criativo” no gesto e usava luvas pretas? Não brinquemos.
A terceira situação é o penálti a favor do Sporting que desbloqueou o jogo com o Belenenses. Como explicá-lo? O árbitro auxiliar não deve ver jogos de futebol, pois lances daqueles acontecem às dezenas: o defesa e o avançado a correrem lado a lado, ombro com ombro, o avançado (que corre do lado de fora e portanto vai em desequilíbrio) a escorregar e cair.
Como todos viram, não houve qualquer falta. Mas, mesmo que houvesse, nem era fora da área – era fora do campo! Como pode o árbitro ter marcado penálti?
Gostava de fazer uma sugestão: quando ocorrem estes erros primários e incompreensíveis, o organismo dos árbitros deveria promover uma reunião entre o responsável pelo erro e um formador. Veriam o vídeo da jogada quantas vezes fossem precisas e o árbitro explicaria o porquê de ter assinalado a falta. Diria o que viu… ou “adivinhou”. E o formador assinalaria os erros de avaliação cometidos, e explicaria como proceder para não se repetirem. Julgo que esta pedagogia seria muito útil e faria bem à arbitragem.
É que há erros dos árbitros que nós percebemos: um fora-de-jogo milimétrico, uma mão na bola que passou em claro. Mas pode um árbitro ver algo que nunca existiu? Para esse tipo de erros é que os árbitros têm de ser alertados."

António Simões

"Nunca vi jogar o Simões. Tenho do Simões uma memória construída no imaginário das mil e uma histórias que dele sempre ouvi contar pela geração dos meus pais, a geração do Simões. Aquela geração dos que, do alto da autoridade dos seus 70 anos, olham para os miúdos de 40 com a incompreensão de quem nos ouve falar do Benfica sem termos visto o Eusébio, o Zé Águas, o Germano ou o Simões. Como é que eu poderei algum dia expressar o quanto devo (devemos) ao Simões, se nunca o vi jogar? 
Como é que poderei algum dia explicar que o primeiro e mais duradouro imaginário que construí do Benfica é mítico exactamente porque se baseia na narrativa de heróis míticos?
Terá o Simões a noção de que ele surgia nas narrativas do cimentar do meu benfiquismo no mesmo patamar em que Gama ou Ulisses surgem como semente de impérios sonhados pelos épicos de outrora?
O Simões será sempre o protótipo do pequeno que se fez gigante pela esquerda do campo, pela esquerda da vida, desafiando defesas e ultrapassando adversários no campo com a mesma ousadia com que, fora dele, desafiava as injustiças pela força do verbo e do exemplo.
Dizem que está a comemorar 70 anos. No meu imaginário, o Simões já não tem idade, porque a lenda quando escorre para a realidade deixa de ter idade, passa para o patamar da intemporalidade. Sabemo-lo o mais jovem benfiquista a ser sagrado campeão europeu. Já nesses tempos tinha a marca dos heróis, dos que perduram para além da ditadura dos anos."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Critérios

"Entre as muitas frases que fazem parte do futebolês, há uma que me irrita solenemente. Perante um indisfarçável erro da arbitragem é comum ouvirmos a eloquência da análise equivocamente benevolente: «É um critério que se aceita.»
Ora aí está a frase ideal para tomar posição sem tomar posição. Quer dizer, o erro existe mas não é. Ou é, mas aceita-se que não seja. Afigura-se útil e oportuno expressar o princípio in dubio pro árbitro. Claro que «o critério se aceita» em função do coração clubista de quem fala ou escreve. Por vezes por favor, outras vezes por temor. Uma frase que vem mesmo a calhar como o espaço por onde passa a falta de coragem ou o instinto de sobrevivência.
Corresponde no futebol ao compulsivo «mais ou menos» com que convivemos a toda a hora. Ou ao «talvez» que... talvez seja necessário para estar bem com Deus e o diabo.
Por isso, se aceita o critério da mão ou a mão do critério, o fora-de-jogo milimétrico ou o infinitéssimo dentro-de-jogo, o toque ligeiro no adversa´rio ou a carga sem dó nem piedade, o cartão alanrajado que tanto dá para aceitar o critério do amarelo como do vermelho. E tudo dependendo do árbitro em concreto: para uns nada se aceita, para outros tudo é aceitável.
Também nos treinadores está instalada esta frase-regra. «O critério aceita-se» se o erro for a favor da sua equipa (numa versão mais apurada, o técnico dirá que «não comento a arbitragem»).
Sugiro, apesar de tudo, alguma variedade nas palavras. Usando outros «advérbios de dúvida». Além do já referido talvez, porque não porventura, quiça, se calhar, possivelmente. Enfim, critérios há muitos..."

Bagão Félix, in A Bola

Resta esperar com tranquilidade

"Oblak vai ficar dono da baliza do Benfica e André Villas Boas vai ser o próximo treinador do FC Porto. Na arte das profecias rápidas os adeptos dos dois clubes têm muito em comum.

ENZO PÉREZ, jogador com quem mais me vejo a simpatizar cada dia que passa, foi suspenso um jogo pela Liga na sequência de um processo sumaríssimo aberto pelo departamento disciplinar da citada entidade.
Nada a obstar. O polivalente médio argentino do Benfica... Ou será trinco?... Ou será ala?... E o que importa?... Adiante: dizia eu que o polivalente argentino rodopiou com a mão bem perto da cara do árbitro do inesquecível Benfica-Arouca sugerindo, pelo menos foi essa a ideia com que todo ficámos, que Rui Costa, o árbitro do Porto, estava a gamar descaradamente a equipa da casa.
Questionável? Sem qualquer espécie de dúvida. Há quem tenha concordado logo com Enzo Pérez e outros há, entre os quais me incluo, para quem a desculpa com o árbitro é quase insultuosa tendo em conta a indigência de uma exibição colectiva de fazer corar de vergonha as pedras da calçada, se é que ainda há pedras da calçada.
O gesto rodopiante de Enzo Pérez aconteceu já nos descontos e, aparentemente, sempre aparentemente, pretenderia ser um protesto contra a decisão do pobre árbitro que, instado a decidir pelos extras de um jogo com mil paragens, não mais deu do que 4 minutos de tempo suplementar.
Esteve mal o árbitro? Provavelmente, sim. Mas quereria Enzo Pérez dizer aos adeptos do Benfica que, se não fosse o árbitro forreta, em mais dois ou três minutinhos certamente que os jogadores acabariam finalmente por resolver o jogo e o resultado a favor das nossas cores? Tenham vergonha, pá!
Esta coisa de protestar pelo tempo de descontos deu tanto que falar durante a semana que, inevitavelmente, o Benfica acabaria por provar, logo na jornada seguinte, o sabor do seu próprio veneno.
Em Olhão, sem Enzo Pérez, como determinou o castigo, depois de uma exibição aflitinha e com um tangencial 3-2 a sorrir-nos debilmente, outro árbitro do Porto - e eles são muito unidos - olhou para o relógio e comunicou à organização do jogo que seriam 10 os minutos extra do referido encontro.
Registou-se logo uma grande indignação.
Julgo, no entanto, que a maioria das pessoas de bom sendo reagiu como eu:
Nada  a obstar.
Foram oito minutos a mais pelas interrupções do jogo do Algarve e mais os outros 2 minutos que nos ficaram a dever pelas interrupções do jogo da jornada anterior, o tal jogo inesquecível com o Arouca. No fim de contas, faz-se justiça.
No entanto, aqueles 10 minutos suplementares à beira da Via do Infante foram duros de suportar. Mas acabámos por ser felizes porque nos instantes finais ainda o Benfica sofreria praticamente dois penalties - um canto e um livre à maneira de canto curto - e saiu ileso do perigo que sempre representam esse tipo de lances de bola parada.
O importante, no entanto, foi a vitória sobre o Olhanense que permite ao Benfica manter-se na discussão pela título, isto se houver interesse em tal discussão, o que, francamente, vendo-os jogar, às vezes não parece.
Na próxima jornada o Benfica vai a Setúbal e já leva o Enzo Pérez. Menos rodopios com as mãos e mais rodopios com os pés, é o que te desejamos, querido amigo argentino, mouro de trabalho que não mereces, tu especialmente, algum azedume das linhas anteriores.
Para terminar, uma boa notícia para todos e, sobretudo, para todos os amantes da verdade desportiva que, no início da temporada, manifestaram a maior preocupação pelo facto de ser a Benfica TV a assegurar a transmissão dos jogos do Benfica na Luz a contar para o campeonato.
Um dos graves óbices à verdade desportiva era, então, a eventualidade de servir à Benfica TV como cortina em lances e em situações de jogo que pudessem virar-se disciplinarmente contra os interesses do clube operador.
O caso Enzo Pérez veio provar o contrário. Não há censura na nossa televisão mesmo quando tal pecado nos daria imenso jeito.
O câmara da BTV apanhou Enzo Pérez a insinuar que o árbitro tinha gamado, o realizador colocou a imagem no ar e a Liga suspendeu o jogador. Maior transparência não se pode exigir.
E nada a obstar.

OS adeptos têm todos a mania de que o seu clube é especial, o seu clube é muito diferente dos outros clubes que, desprezivelmente, são todos iguais.
Nada mais errado. Os clubes são todos diferentes uns dos outros. Os adeptos é que são todos iguais. Mas isto, compreende-se, custa muito a aceitar.
Acontecimentos do último fim de semana desportiva em Portugal e no estrangeiro atiraram-me para esta conclusão. Os adeptos são todos iguais. E quando a coisa diz respeito a profecias rápidas, ainda mais iguais são. Sobretudo quando grassa um sentimento de insatisfação, chamemos-lhe assim.
No capítulo das ditas profecias, ouvi precisamente o mesmo género de atrevimento pitoniso a adeptos do Benfica e do FC Porto - e logo estes, tão rivais que são - a propósito de situações que, mais ou menos, lhes dizem respeito.
No momento - longuíssimo - em que Artur Moraes se lesionou dando o lugar na baliza do Benfica ao jovem esloveno Oblak, ouvi logo a um benfiquista perentório:
- Este tipo nunca mais sai da nossa baliza!
E não foi o Manuel Cajuda quem disse isto.
No dia seguinte, naquele momento - brevíssimo - em que o Tottenham despediu André Villas Boas, ouvi logo um portista, daqueles portistas que nem admitem discussões:
- Este tipo daqui a uma semana é treinador do Porto.
E agora? Agora resta esperar com toda a tranquilidade. A ver o que acontece.

VOLTANDO ao jogo de Olhão me que a culpa não foi do árbitro mas da relva . Havia o fantasma do jogo com o Arouca, pois havia. Será que aquilo se ia repetir? A verdade é que se repetiu. Mas em rápido, em rapidinho.
Com pouco mais de meia hora de jogo o Benfica já tinha conseguido imitar-se a si próprio no confronto com os arouquenses: sofreu um golo e conseguiu empatar (graças a um golo à Montero de Lima); depois sofreu o segundo e voltou a conseguir empatar.
Em Olhão bastaram 37 minutos para chegar ao 2-2 que foi o resultado obtido na jornada anterior.
Em Setúbal, ninguém sabe como vai ser. É esse o encanto do futebol.

ESTRANHO panorama europeu no que ao futebol português diz respeito. Do arranque das duas competições de clubes até à semana passada. Portugal perdeu tudo o que tinha para perder.
De uma assentada, ou melhor de duas assentadas, o nosso país perdeu todos os seus clubes que participaram na fase de grupos da Liga Europa e perdeu todos os seus clubes que concorreram na fase de grupos da Liga dos Campeões.
Seria escandaloso se não fossemos quem somos, pobretes mas alegretes.
A culpa do desaire nacional na Liga Europa é do Sporting.
Se o Sporting tivesse feito um campeonato minimamente normal em 2012/2013 seria, certamente, um dos representantes de Portugal na segunda competição europeia de clubes e, a jogar como hoje está a jogar, não é exagerado considerar que teria seguido em frente na competição.
Por falar em culpa, diz-se que a culpa do Sporting ser actualmente líder isolado do campeonato de 2013/2014 também é do Sporting, mas do Sporting de 2012/2013, o tal que ficou isento da aventura europeia tendo, por isso mesmo, mais dias para treinar e para descansar na temporada em curso.
Quanto à Liga dos Campeões, o Sporting não teve culpa nenhuma dos insucessos do Benfica e do FC Porto nos seus respectivos grupos.
Os dois grandes rivais só podem queixar-se de si próprios porque perderam o tino nesta Champions deixando-se engolir, respectivamente, pelo Olympiakos e pelo Zenit, equipas medianas que, valha-nos isso, não vão reencontrar na actual edição da Liga Europa para onde foram justamente relegados.
O Zenit e o Olympiakos jogam poucochinho mas, tendo em conta os figurinos actuais da Luz e do Dragão, mais vale não terem de os defrontar outra vezes nesta temporada, ainda que mais lá para a frente, sejamos optimistas.
Na Liga dos Campeões estamos a zero. A final será na Luz e não haverá rega automática, essa  é uma certeza muito reconfortante. Na Liga Europa, já houve sorteio. O Benfica e o FC Porto estão cientes do nome dos seus próximos adversários. Melhor será que não embandeirem em arco."

Leonor Pinhão, in A Bola

Mensagem de Natal

"Natal é tempo de família, é tempo de reunião e solidariedade. É também um tempo de reflexão e de memória.
Espero que todos possam celebrar esta data em família.
Vivemos tempos difíceis, tempos em que muitos portugueses enfrentam situações que nunca viveram, em que o desemprego não pára de crescer e as limitações financeiras são cada vez maiores.
Para eles - benfiquistas ou não - vai uma palavra de esperança e de coragem num novo ano que necessariamente tem de ser melhor.
2013 acaba para todos nós com um sabor amargo que não deve ser esquecido, o final de época representa uma lição de futuro que não podemos voltar a repetir. É tempo de olhar em frente e de renovar forças para os novos desafios.
Estamos fora da Liga dos Campeões e isso é, evidentemente, uma desilusão para quem, como eu, aspirava chegar mais longe. Muitos acusam-me de ser demasiado optimista, mas liderar é transportar optimismo para dentro de qualquer organização. É isso que sempre tenho feito, com a perfeita consciência de que coloco muitas vezes a fasquia demasiado elevada, mas a verdade é que a exigência tem de fazer parte da cultura do Benfica. Foi por essa exigência que chegamos até aqui.
Fui sempre assim ao longo da minha vida e assim vou continuar a ser!
Quando se ganha não significa que tudo esteja bem. Também quando se perde não significa que tudo esteja mal. Temos de melhorar no que fizemos mal, temos de persistir no que fizemos bem, mas acima de tudo não podemos deitar fora todo o trabalho que até aqui realizámos.
Temos o Campeonato, a Liga Europa, a Taça de Portugal e a Taça da Liga – quatro objectivos em que temos de nos empenhar para ganhar, mas para isso o vosso apoio é fundamental.
Desde o futebol às modalidades, todos nesta casa, sabem a responsabilidade que têm, mas é evidente que o apoio que recebem das bancadas é fundamental. Esse é o meu desejo para 2014. Apoiem os jogadores e façam-nos sentir a responsabilidade que tem de vestir esta camisola.
A história é aquilo que nos conseguirmos fazer no presente, e essa história só pode ser desenhada com a vossa participação.
Feliz Natal e um excelente ano de 2014!"

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Confirmação...

Benfica 12 - 2 Física

É verdade que a Física neste momento não está no seu melhor, mas apesar do calendário carregado, com algumas viagens, apesar do facto de esta época a rotação dos jogadores ser feita com 'menos' um jogador, apesar de tudo isto, o Benfica continua a jogar bem, e a ganhar.
Confirma-se o bom momento... sendo que esta noite, conseguimos mesmo uma vitória folgada. Também é verdade que os verdadeiros testes internos, ainda estão para vir (já falta pouco), mas até agora os sinais são bons...

Bom jogo... pena não ser sempre assim!!!

Belenenses 19 - 26 Benfica

Dentro de todas as condicionantes, foi um bom jogo do Benfica. Com o Carneiro, e o Tiago Pereira de fora (além do Davide Carvalho), com o Chernov a Central, contra uma equipa que nas últimas jornadas do Campeonato subiu bastante de rendimento, o Benfica acabou por efectuar uma excelente 1.ª parte... matando praticamente o jogo com um 8-15 ao intervalo.
O Belenenses ainda simulou uma reacção, mas o Benfica controlou bem o jogo...
Estamos nos Oitavos-de-final da Taça de Portugal, venha o próximo.

PS1: Hoje, curiosamente o critério do jogo Passivo, foi o correcto (apesar de um exagero na 1.ª parte, onde com 20 segundos no ataque do Benfica já estavam com a Mão no ar!!!), só é pena, nos jogos do Sporting, ninguém ter a coragem de utilizar o mesmo critério...

PS2: Assisti ao jogo através do YouTube, na AndebolTV, um canal disponibilizado pela FPA, mas curiosamente todos os comentários que foram feitos, tanto pelo narrador, como pelo comentador, era como se tivesse a assistir a uma transmissão da Belém TV!!!
Quando oiço Benfiquistas a protestar com a nossa BenficaTV, por acharem que é demasiado papista, e depois oiço (e vejo) transmissões de outros canais, com a obrigação de serem independentes, e não o são, de forma descarada, fico possesso!!!

Semana pré-natalícia

"1. Frases da semana: «Não é difícil tirar pontos ao Benfica» (Paulo Alves, treinador do Olhanense, antes do jogo). «Os árbitros não têm influência nos jogos do Sporting» (Leonardo Jardim, depois do jogo).
2. Silêncio da semana: de Espírito Santo (Nuno) sobre a falta que originou o 1.º golo do FCP. Mas, semanas antes, foi lesto a falar por achar que, no livre do qual resultado um golo do Benfica, a bola estava adiantada 0,5m (até terá invectivado o árbitro depois do jogo). Lá está, é o respeitinho do costume...
3. Presentes da semana: o Benfica permitiu a débeis adversários matarem um qualquer borrego estatístico. Depois do Arouca que marcou na Luz quantos golos havia feito fora de casa em 11 jornadas, o Olhanense que finalmente à 13.ª jornada marca num jogo mais do que um golo. É obra!
4. Decepção da semana: o Benfica não consegue com 10 pontos na Champions o que o medíocre Zenit conseguiu com 6 pontos e um copiosa derrota contra uns austríacos de 2.ª Liga.
5. Estatística da semana: as equipas europeias (incluindo o Braga) obtiveram 6 vitórias (3 do SLB), 11 empates e 17 derrotas. Dos 102 pontos em disputa, quedaram-se por 29 no fim (28%). Marcaram 28 golos (0,8/jogo) e sofreram 46 (1,4/jogo).
6. Semana de Jesus: Jesus volta ao banco na semana em que o Menino Jesus volta à manjedoura.
7. Bolo-rei da semana: para B. Cortez e Ola John que, antes de abalarem, treinaram-se na Liga...
8. Penálti da semana: depois de grandes penalidades assinaladas mas não cometidas dentro da área e de penáltis fora da área em certos palcos, só faltava mesmo um penálti fora de campo. Sempre a inovar a nossa arbitragem!"

Bagão Félix, in A Bola

O Bernardo

"A forma como avaliamos um jogador do nosso clube é sempre uma projecção de nós próprios como adeptos. É isso que faz com que queiramos jogadores que suem a camisola com a intensidade com que sofremos pelas nossas cores. É tanto assim que os anos vão passando e continuamos a alimentar ilusões infantis: podemos nunca ter tido qualidades técnicas, mas, quando fechamos os olhos, vemo-nos a agarrar a bola para marcar o golo decisivo, sob os aplausos do estádio. Quem sofre com futebol, sofre com o seu clube e, nessa indistinção, exigimos dos jogadores o que nós daríamos se, por fortuna, pudéssemos estar no seu lugar.
De quando em quando surge um jogador adepto como nós, mas com o talento que ambicionámos ter. Um sofredor que tem a sorte de poder sofrer no relvado, de camisola ao peito. Há jogadores profissionais que honram a camisola; mas uma coisa é jogar com afinco, outra é jogar com afinco com a camisola do clube do coração. Momentos há em que, numa espécie de epifania, ao adepto se junta o empenho e o talento. É desta conjugação que nascem os jogadores que nos fazem sonhar.
No futebol em que as equipas são cada vez mais “selecções do resto do Mundo”, o jogador-adepto é uma raridade. É essa natureza rara que o torna precioso.
O Bernardo Silva é ainda um projeto de jogador, que deve ser acarinhado e protegido. Mas é um jogador-adepto como, nós benfiquistas, não víamos há muito. Não só a sua paixão pelo Glorioso é, em tudo, igual à de quem se senta nas bancadas, como tem um virtuosismo como aquele que idealizámos para nós, caso vestíssemos as camisolas vermelhas. Com o Bernardo, a bola parece ter sido feita para o servir, colando-se-lhe aos pés para ganhar um sentido que não vislumbrávamos. No meio da monotonia mecânica em que se tornam os jogos, as suas jogadas são fragmentos poéticos que simplificam tudo, revelando como o futebol pode ser fácil.
O Bernardo é a matéria de que são feitos, hoje, os sonhos benfiquistas. Ora se o futebol não servir para alimentar sonhos, serve exactamente para quê?"